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8ºAula Geossintéticos Objetivos de aprendizagem ao término desta aula, vocês serão capazes de: • identificar os tipos de geossintéticos; • conhecer as funções dos geossintéticos; • compreender as propriedades dos geossintéticos. Prezados(as) alunos(as), Nesta aula, veremos sobre os geossintéticos, materiais constituídos por polímeros e que são utilizados nas áreas de geotécnica e do meio ambiente. Conforme Palmeira (2018), no Brasil, o uso dos geossintéticos apresentou um aumento nas duas últimas décadas. Contudo, é bem inferior quando comparado com o emprego desse material nos países desenvolvidos. Desta maneira, por ser um material incipiente e bastante promissor na área da engenharia, discutiremos as suas principais características. tenham uma excelente leitura. Boa aula! Bons estudos! 50Construção Civil Seções de estudo 1– Geossintéticos: tipos e Funções 2– Composição dos Geossintéticos 3– Propriedades dos Geossintéticos 4– aplicação dos Geossintéticos: Drenagem e Filtro 1- Geossintéticos: Tipos e Funções De acordo com a aBNt NBR Iso 10318-1:2021, geossintético (GsY) é o termo genérico que descreve um produto em que ao menos um de seus componentes é produzido a partir de um polímero sintético ou natural, sob a forma de manta, tira ou estrutura tridimensional, utilizado em contato com o solo ou outros materiais. os geossintéticos podem ser utilizados em diversos tipos de aplicações da engenharia geotécnica e civil, tais como reforço (estruturas de contenção, taludes íngremes ou aterros sobre solos moles) ou estabilização de solos, drenagem e filtração, barreiras para fluidos e gases, controle de erosão, barreira de sedimentos, proteção ambiental etc. (PaLMEIRa, 2018). No Brasil, o uso dos geossintéticos ainda é incipiente, porém, com o avanço das pesquisas sobre esses materiais, há um contínuo crescimento de sua utilização em obras de geotecnia e de proteção ambiental, principalmente devido a: contínuo aprimoramento e melhoria da qualidade dos geossintéticos para uso em obras de engenharia; redução de custos dos geossintéticos; redução do tempo de execução de obras; melhoria das metodologias de projeto, resultados de pesquisas e observações de casos históricos com geossintéticos; facilidade de transporte para regiões remotas ou com escassez de materiais naturais; custo competitivo quando comparado ao de soluções tradicionais de engenharia; maior rigidez e controle de utilização de materiais naturais tradicionais em virtude de imposições de ordem ambiental; o uso de geossintéticos pode resultar em soluções de engenharia sustentáveis e com menores impactos ao meio ambiente (PaLMEIRa, 2018). as funções dos geossintéticos são basicamente (aBNt NBR Iso 10318-1:2021): a) Drenagem: coleta e condução das águas pluviais, águas subterrâneas e outros fluidos no plano de um material geossintético; b) Filtração: restrição da passagem sem controle, das partículas do solo ou outro material, submetidas a forças hidrodinâmicas, permitindo a passagem do fluido em movimento pelo interior de um geossintético; Figura 1 – Geossintéticos como drenos e filtros Fonte: PaLMEira, 2018. c) Proteção: prevenção ou limitação de danos localizados a um dado elemento ou material; d) Reforço: uso do comportamento tensão-deformação de um material geossintético para melhorar o comportamento mecânico do solo ou de outros materiais de construção; e) separação: prevenção da mistura de dois materiais adjacentes de natureza diferente, solos ou material de aterro; f) Controle de erosão superficial: previne ou limita os movimentos do solo ou de outras partículas na superfície, por exemplo, de um talude; g) Barreira: limita ou previne a migração de fluidos; h) alívio de tensões: é utilizado em restauração de pavimentos asfálticos como retardador do desenvolvimento de trincas pela absorção das tensões que surgem no pavimento asfáltico danificado; Figura 2 – Geossintéticos em reforço de solos e em separação a) Geossintético em reforço de solos a) Geossintético em separação (obras de pavimentação) Fonte: PaLMEira, 2018. i) Estabilização: melhoria do comportamento mecânico de um material granular solto, pela inclusão de uma ou mais camadas de geossintético, de tal modo que a deformação sob cargas aplicadas seja reduzida pela minimização dos movimentos do material granular solto. 51 os principais produtos geossintéticos e suas características são (PaLMEIRa, 2018; aBNt NBR Iso 10318-1:2021): Geobarra (GB): produto com forma de barra, com função predominante de reforço; Geotêxtil (GtX): material têxtil plano, permeável, polimérico (sintético ou natural), com funções de drenagem, filtração, reforço, separação e proteção. Conforme o processo de manufatura, pode ser classificado em: • Geotêxtil não tecido (GtX-NW): geotêxtil feito de fibras, filamentos ou outros elementos direcional ou aleatoriamente orientados, interligados por processos mecânicos, térmicos ou químicos. • Geotêxtil tecido (GtX-W): geotêxtil produzido pelo entrelaçamento, geralmente em ângulo reto, de dois ou vários conjuntos de fios, filamentos, laminetes ou outros elementos. • Geotêxtil tricotado (GtX-K): geotêxtil produzido pelo entrelaçamento de um ou vários fios, filamentos ou outros elementos. Figura 3 - Geotêxteis a) Geotêxtil tecido B) Geotêxtil Não-tecido Fonte: PaLMEira, 2018. os geotêxteis podem ser materiais altamente anisotrópicos, isto é, algumas de suas propriedades podem depender da direção que se analisa. Exemplificando: os coeficientes de permeabilidade na direção normal ao plano da manta e ao longo do plano da manta podem ser bem diferentes. o mesmo se aplica à resistência e rigidez à tração em diferentes direções, particularmente nos geotêxteis do tipo tecido. Desta maneira, é de suma importância que se atente à direção do material quando da montagem. Geogrelha (GGR): é uma estrutura polimérica plana, constituída por uma malha aberta e regular de elementos de tração completamente conectados, que podem ser unidos por extrusão, solda ou “interlooping” ou entrelaçamento, e cujas aberturas são maiores que os elementos constituintes. as geogrelhas também podem apresentar anisotropia, especialmente de resistência e rigidez à tração. Geotira (Gst): material polimérico na forma de uma tira, com largura não superior a 200 mm, utilizado em contato com o solo ou outro material de construção. Geocéula (GCE): fibra tridimensional, permeável, polimérica (sintética ou natural), ou estrutura celular semelhante interligada, que confinam mecanicamente o material em seu interior, com função predominante de reforço e controle de erosão, podendo também, por empilhamento, formar estruturas de contenção de gravidade. Figura 4 – Geogrelha e Geocélula a) Geogrelha b) Geocélula Fonte: PaLMEira, 2018. Geocomposto (GCo): material fabricado e montado usando pelo um produto geossintético entre os componentes. Pode ser utilizado em diversas funções, como drenagem, reforço, entre outros. Geoespaçador (GsP): estrutura polimérica tridimensional com espaços de ar que se interconectam, cuja função principal é drenagem. Figura 5 – Geocomposto e Geoespaçador a) Geocomposto b) Geoespaçador Fonte: PaLMEira, 2018. Geofôrma (GF): estrutura confeccionada geralmente com geotêxtil que visa conter materiais provisória ou permanentemente, podendo ser utilizada em obras hidráulicas, controle de erosões e redução de resíduos. Quando o comprimento é muito maior do que a largura, pode ser chamado de geofôrmas lineares ou geocontêineres. Geomanta (Ga): manta sintética utilizada em obras de proteção contra a erosão. se for biodegradável, é conhecida como biomanta. Geomembrana (GM): material bidimensional com 52Construção Civil baixíssimo coeficiente de permeabilidade utilizado como barreira ou em separação. Pode possuir superfície lisaou rugosa e são fornecidas em rolos ou painéis com variadas dimensões, devendo os painéis serem soldados no campo por meio de procedimentos especiais. Geotubo (GP): tubo de material sintético utilizado em obras de drenagem, que podem ser produzidos com perfurações para a confecção de drenos. Possui fácil instalação e é resistente a ataques químicos e biológicos, favorecendo o seu emprego em obras de disposição de resíduos, nas quais outros materiais podem ser atacados pelos fluidos presentes. Figura 6 – Geoforma, Geomanta, Geomembrana e Geotubo Fonte: PaLMEira, 2018. Geoexpandido (GE): produto fabricado com polímero expandido com o objetivo de reduzir seu peso, formando um produto de baixa densidade. Geobloco: é o bloco fabricado com geoexpandido, sendo leves, mas rígidos o suficiente para aplicações em obras civis. são geralmente montados manualmente sem a necessidade de utilização de um grande número de funcionários. são muito úteis na construção de aterros sobre solos moles, particularmente como aterro de encontros de pontes. No Quadro 1 estão sintetizados os tipos de geossintéticos e suas funções. Quadro 1 – Geossintéticos e suas funções Fonte: adaptado de PaLMEira, 2018. a) Geoforma b) Geomanta c) Geomembrana d) Geotubo 2- Composição dos Geossintéticos os polímeros utilizados comumente na fabricação dos geossintéticos são (PaLMEIRa, 2018): Polietileno (PE): é principalmente utilizado na fabricação de geomembranas, geogrelhas, geocélulas, georredes, geotubos e geocompostos. Poliéster (PEt): É utilizado principalmente na fabricação de geotêxteis e geogrelhas. Polipropileno (PP): é principalmente utilizado na fabricação de geotêxteis, geogrelhas, geomembranas e geocompostos. Policloreto de vinila (PVC): é principalmente utilizado na fabricação de geomembranas, geocompostos e geotubos. Poliamida (Pa, também conhecido por nylon): é principalmente utilizada na fabricação de geotêxteis, geocompostos e geogrelhas. Poliestireno (Ps): pode ser encontrado na forma expandida, utilizada em embalagens e, particularmente em geotecnia, na construção de aterros de baixa densidade. É utilizado na fabricação de geoblocos e geocompostos. Elastômero de dieno-propileno-etileno (EPDM): pode ser utilizado na fabricação de geomembranas. Polietilieno clorossulfonado (CsPE): é resultante da modificação do polietileno. É frequentemente usado na fabricação de geomembranas reforçadas (CsPE-R). 3- Propriedades dos Geossintéticos as propriedades físicas dos geossintéticos são características físicas que possam influenciar o comportamento do material, tais como espessura, porosidade (volume de vazios divido pelo volume total do geossintético), massa por unidade de área (gramatura), diâmetros das fibras ou dos filamentos, entre outras (PALMEIRA, 2018). as propriedades hidráulicas são importantes para geossintéticos utilizados em funções de drenagem, filtração e barreira, como é o caso geotêxteis, geocompostos argilosos e geomembranas (PaLMEIRa, 2018). são propriedades hidráulicas (aBNt NBR Iso 10318-1:2021): • Permeabilidade: taxa de transmissão do fluido através do geossintético; • Permissividade: taxa de vazão volumétrica de água, ou outros líquidos, por unidade de área e por unidade de perda de carga hidráulica, sob fluxo laminar normal ao plano (unidade é expressa em s-1); • transmissividade ou transmissibilidade: taxa de vazão volumétrica no plano do produto por unidade de largura do corpo de prova e por gradiente de umidade no plano de um produto (unidade é expressa em L/m.s). Essa propriedade fornece uma medida da capacidade do material de permitir a passagem de fluido ao longo de seu plano; 53 Figura 8 – Fluxo do fluido Fonte: associação Brasileira de geossintéticos - iSg Brasil. Disponível em: https:// igsbrasil.org.br/wp-content/uploads/2020/04/7.pdf . acesso em: 06/11/2021. • Estanqueidade a líquidos: habilidade de um geossintético de reter líquidos; • Abertura de filtração característica: dimensão da abertura que corresponde à dimensão máxima da partícula de 90% em massa do solo passando através do geotêxtil (unidade é expressa em µm). Essa propriedade define o tamanho da maior partícula de solo que é capaz de atravessar o material geossintético. o conhecimento das propriedades mecânicas dos geossintéticos é essencial para a aplicação dos mesmos, principalmente quando são utilizados como reforço (PaLMEIRa, 2018). as principais propriedades e ensaios mecânicos são: • Resistência à tração: a aBNt NBR Iso 10319:2013 descreve um método de ensaio para a determinar um índice das propriedades de tração dos geossintéticos usando uma faixa larga. o método é aplicável à maioria dos geossintéticos, incluindo geotêxteis tecidos, geotêxteis não tecidos, geocompostos, geotêxteis tricotados e feltros. o método é também aplicável para geogrelhas e geotêxteis de estrutura aberta similar, com algumas ressalvas. • Rigidez à tração: é a razão entre a força de tração e a deformação correspondente (PaLMEIRa, 2018). • Ensaios de danos mecânicos: diversos danos podem ocorrer durante o transporte, o manuseio e/ou a instalação do geossintético na obra, sendo comuns os danos causados por queda de objetos contundentes, passagem de veículos sobre o geossintético, colocação do geossintético sobre uma camada de solo agressivo mecanicamente (presença de elementos graúdos e contundentes) ou lançamento de aterros com pedras, troncos, entre outros, sobre a camada de geossintético já instalada. Há diversos tipos de ensaios que podem ser realizados, dentre eles: ensaio de resistência à perfuração dinâmica; ensaio de puncionamento estático; ensaio de resistência ao impacto; ensaio de propagação de rasgo; ensaio de resistência ao estouro (PaLMEIRa, 2018). • Ensaios para avaliação da interação solo-geossintético: em diversas aplicações, os geossintéticos trabalham enterrados, em contato direto com o solo ou, por vezes, em contato com outro geossintético. Desse modo, em várias aplicações é necessária a avaliação da resistência por ancoragem de trechos a) Fluxo ao longo do plano do geossintético b) Fluxo normal ao plano do geossintético de geossintéticos, como são os casos de obras de estruturas de contenção e aterros sobre solos moles, por exemplo. Dentre os diversos ensaios que podem ser realizados estão: ensaio de cisalhamento direto; ensaio de arrancamento; ensaio de plano inclinado (ou de rampa) (PaLMEIRa, 2018). Dentre as propriedades e ensaios de durabilidade estão: • Resistência ao fissuramento em geomembranas: por serem geossintéticos utilizados como barreiras para fluidos ou gases, é importante realizar ensaios que visam verificar a possibilidade de continuidade do mecanismo de fissuramento em uma geomembrana. os principais ensaios para avaliar a resistência de geomembranas ao processo de fissuramento são o ensaio em tira fletida e o ensaio de resistência ao fissuramento sob carga constante (PALMEIRA, 2018). • Resistência a condições ou agentes deletérios: Resistência ao inchamento: no caso de geomembranas compostas por multicamadas, a absorção de umidade pode provocar a separação das camadas (lâminas) de geomembranas compostas de multicamadas. o ensaio de resistência ao inchamento é normatizado pela astM D570:98(2018) e visa verificar a possibilidade de ocorrência de tal mecanismo (PaLMEIRa, 2018). Resistência química: o ensaio de resistência química busca avaliar a resistência do geossintético a substâncias com as quais estará em contato em condições de serviço e é realizado com a imersão do geossintético na substância de interesse, geralmente sob as condições mais críticas possíveis de concentração (PaLMEIRa, 2018). Resistência ao ozônio: é uma propriedade que deve ser verificada principalmente em geomembranas, pois quando expostas ao ozônio, pode ocorrer o trincamento domaterial. Quando enterrados, os geossintéticos não sofrem ação do ozônio (PaLMEIRa, 2018). Resistência à radiação ultravioleta: devido à volatização de substâncias plastificantes, a radiação ultravioleta (UV) também pode provocar trincamento em geossintéticos. Há uma grande variação de comportamento e resistência à radiação UV entre os produtos, por isso, alguns aditivos são incorporados durante a fabricação do material para aumentar sua resistência a essa radiação. a faixa de luz mais prejudicial aos polímeros é a região UV do espectro eletromagnéticos. os geossintéticos enterrados não sofrem a ação deletéria dos raios UV (PaLMEIRa, 2018). Resistência ao calor: a termo-oxidação é a reação que provoca a formação de radicais livres nas moléculas, frequentemente a partir da dissociação de um átomo de hidrogênio da cadeia principal do polímero. Como consequência dessa dissociação, acontece uma propagação de reações, com a formação de radicais hidroperóxidos de rápida decomposição, 54Construção Civil causando as cisões das ligações covalentes carbono- carbono. além das alterações nas propriedades do polímero, podem ocorrer também alterações de coloração, provocadas pela oxidação (PaLMEIRa, 2018). 4- Aplicação dos Geossintéticos: Drenagem e Filtro Os geossintéticos mais eficientes para aplicação como elementos de drenagem são os geocompostos, embora os geotêxteis, particularmente os não tecidos, possam também ser usados, mas com menor eficiência em termos de capacidade de descarga ao longo de seu plano (PaLMEIRa, 2018). Para funcionar apropriadamente como elemento drenante, o geossintético deve possuir permissividade suficiente para permitir a passagem do fluido satisfatoriamente e sem causar acréscimos de poropressões no maciço, além de possuir também valor de transmissividade suficiente para que tal transmissão se dê de forma desimpedida e sem trabalhar sob pressão (PaLMEIRa, 2018). O geotêxtil é usado comumente como filtro em obras geotécnicas e de proteção ambiental. suas principais vantagens em relação aos filtros granulares convencionais são a facilidade construtiva, confiabilidade na repetibilidade das propriedades, uniformidade do material, menor ocupação de volume na obra e redução de consumo, ou mesmo não utilização de materiais naturais. Um filtro geotêxtil bem especificado é aquele em que, quando do estabelecimento do fluxo permanente, a estrutura do solo em contato com o filtro se manterá estável, tipicamente com a presença de pontes de grãos (ver Figura 9). No processo, alguns grãos de solo atravessarão o filtro e outros ficarão retidos em seu interior. No entanto, ao final uma condição estável tem que ser atingida, sem que haja comprometimento com a retenção de grãos de solo (piping), sem colmatação do filtro e sem redução significativa de permeabilidade (PaLMEIRa, 2018). Figura 9 – Mecanismos de colmatação Fonte: PaLMEira, 2018. o piping ocorre quando as partículas de solo passam continuamente através da camada de geotêxtil, ou seja, não há retenção dessas partículas. Por sua vez, a colmatação ocorre quando os vazios dos geossintéticos são preenchidos ou bloqueados pelas partículas sólidas, prejudicando o seu desempenho. a colmatação pode ocorrer por cegamento, bloqueamento ou obstrução interna, conforme esquematizado na Figura 10 (PaLMEIRa, 2018). Figura 10 – Mecanismos de colmatação a) Cegamento b) Bloqueamento c) obstrução interna Fonte: PaLMEira, 2018. No cegamento, ocorre o acúmulo de partículas de solo com dimensões menores que as aberturas do filtro sobre sua superfície, formando uma camada de baixa permeabilidade. Esse mecanismo pode ocorrer em solos internamente instáveis, sujeitos ao fenômeno de sufusão, que é o carreamento de partículas de solo menores pelos vazios entre partículas maiores. a incompatibilidade entre as dimensões das partículas carreadas e das aberturas do filtro acaba resultando na formação da camada de baixa permeabilidade sobre o filtro (PALMEIRA, 2018). o bloqueamento é passível de ocorrência em geotêxteis do tipo tecido, com o bloqueamento de suas aberturas por partículas de solo. Contudo, esse mecanismo seria estatisticamente muito improvável em um geotêxtil do tipo não tecido, devido à quantidade de aberturas do mesmo (PaLMEIRa, 2018). a obstrução interna pode ocorrer devido à impregnação excessiva por partículas de solo (por exemplo, durante o espalhamento de camadas de solos finos não coesivos sobre o filtro e/ou por partículas trazidas pelo fluido), formação de colônias de bactérias obstruindo os poros do geotêxtil ou precipitação de compostos químicos (PaLMEIRa, 2018). Para funcionar como filtro, o geotêxtil deve atender aos critérios de retenção (deve reter as partículas do solo, evitando o piping), de permeabilidade (deve ter permeabilidade maior que a do solo), de alticolmatação, de sobrevivência (resistir aos danos durante a instalação) e durabilidade (que deve ser igual ou superior à vida útil da obra) (PaLMEIRa, 2018). Chegamos, assim, ao final desta aula. Espera-se que agora tenha ficado mais claro o entendimento de vocês sobre os geossintéticos. Vamos, então, recordar: Retomando a aula 1 – Geossintéticos: Tipos e Funções Na seção 1, vimos que existem diversos tipos de geossintéticos, tais como geomembranas, geotêxteis, 55 georredes, geotubos, geoblocos, entre outros. Esses materiais podem desempenhar diversos tipos de funções, quais sejam drenagem, filtro, separação, proteção, reforço, controle de erosão, etc. 2– Composição dos Geossintéticos Na seção 2, aprendemos quais são os polímeros que compõem cada tipo de geossintético. 3– Propriedades dos Geossintéticos Na seção 3, estão descritas as propriedades mecânicas, físicas, hidráulicas e de durabilidade dos geossintéticos, cujo conhecimento é importante para que esses materiais sejam corretamente especificados pelo engenheiro. 4– Aplicação dos Geossintéticos: Drenagem e Filtro Na seção 4, aprendemos as principais características que os geossintéticos precisam ter para atuarem como elementos filtrantes e de drenagem. Vimos também quais são os mecanismos de colmatação e o que é o piping, que prejudicam o desempenho dos geossintéticos. site da associação Brasileira de Geossintéticos - IGs Brasil. Disponível em: https://igsbrasil.org.br/. Vale a pena acessar Vale a pena Referências aDÃo B. L.; saLVaDoR L. M. a. Manual de Agregados para Construção Civil. 2. ed. Rio de Janeiro: CEtEM/MCtI, 2012. assoCIaÇÃo BRasILEIRa DE NoRMas tÉCNICas. NBR 7175: Cal hidratada para argamassas - Requisitos. Rio de Janeiro, 2003. assoCIaÇÃo BRasILEIRa DE NoRMas tÉCNICas. NBR 7211: agregados para concreto – Especificação. Rio de Janeiro, 2009. assoCIaÇÃo BRasILEIRa DE NoRMas tÉCNICas. NBR 7215: Cimento Portland ― Determinação da resistência à compressão de corpos de prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 2019. assoCIaÇÃo BRasILEIRa DE NoRMas tÉCNICas. NBR 7225: Materiais de pedra e agregados naturais. Rio de Janeiro, 1993. assoCIaÇÃo BRasILEIRa DE NoRMas tÉCNICas. NBR 9935: agregados - terminologia. 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