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LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS OUVIDORIA-GERAL DO SUS Ministério da Saúde Ouvidoria-Geral do SUS ELABORAÇÃO Barbara de Oliveira Ramos Galvez COLABORAÇÃO Renata Carvalho Lustosa Tainah Dumont Teixeira Coordenação de Desenvolvimento Educacional e Educação a Distância da ENSP/Fiocruz CAPA E PROJETO GRÁFICO Jaime Vieira Fabiano Guimarães Lauro Vieira EDITORAÇÃO Rejane Megale 2021 Ouvidoria-Geral do SUS - Diretoria de Integridade do Ministério da Saúde (OUVSUS/DINTEG/MS) SRTVN Qd 701 – Via W5 Norte, Lote D, Ed. PO 700, 4º andar CEP 70.719-040 – Brasília/DF ouvidoriageral@saude.gov.br 3 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS Legislação e bases normativas A legislação e as bases normativas que norteiam as Ouvidorias do SUS e seu sistema informatizado são essenciais para a compreensão da fun- cionalidade, competência e objetivos da ouvidoria. Existem pontos importantes que devem ser observados e ressaltados em algumas normativas específicas no que diz respeito ao papel da ouvidoria. São elas: Lei n. 8.080/1990 As ouvidorias são unidades de importância estratégica para a gestão do SUS. Ao possibilitar o diálogo entre a sociedade e as diferentes ins- tâncias de gestão, elas contribuem para a participação do cidadão na avaliação e fiscalização da qualidade dos serviços de saúde. Essa forma de controle social auxilia no aprimoramento da gestão pública e no aperfeiçoamento gradual do sistema de saúde. Nas Ouvidorias do SUS, a manifestação do cidadão pode se apresentar pela busca de informações e orientações em saúde e também por meio de sugestões, elogios, solicitações, reclamações ou denúncias. Diante da necessidade apresentada pelo cidadão e das responsabilidades legais do gestor, as ouvidorias orientam, encaminham, acompanham a demanda e respondem sobre as providências adotadas. Em tal contexto, as Ouvidorias do SUS são ferramentas estratégicas de promoção da cidadania em saúde, organizando e interpretando as informações que recebem da sociedade por meio de condutas que ins- pirem a credibilidade, a ética e o respeito ao cidadão. O processo de escuta do cidadão se dá individualmente; porém, a ouvidoria tem como atribuição sistematizar as demandas que recebe, de forma a possibilitar a elaboração de indicadores abrangentes que podem servir de suporte estratégico à tomada de decisão no campo da gestão da saúde. A Constituição Federal de 1988 consagrou expressamente a saúde como um direito de todos e um dever do Estado. Com a Lei Orgânica da Saúde n. 8.080/90, deu-se início à regulamentação do Sistema Único de Saúde como sistema integrado de assistência à saúde, garantido pelo Estado brasileiro, administrado pelo Ministério da Saúde em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde e, principalmente, 4 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS com a necessária participação da população na gestão, no controle e na fiscalização dos serviços prestados. Historicamente, elegeram-se marcos que têm trazido avanços na ins- titucionalização de instrumentos que regulamentam a participação popular na gestão da saúde, como, por exemplo, a Lei n. 8.142/90, que dispõe sobre a criação de conselhos e conferências de saúde como mecanismos de atuação da sociedade civil organizada. A ouvidoria, nesse contexto, fortalece o papel legal das instâncias de gestão e con- trole social, porém sua identidade é distinta. Ela auxilia e complementa a ação dos conselhos de saúde, das instâncias intergestoras, das corre- gedorias e dos sistemas de auditoria. As Ouvidorias do SUS, para assegurarem ao cidadão a oportunidade de participação na gestão pública em saúde, apoiam-se nos princípios e diretrizes que determinam as ações e serviços em saúde expressos nos artigos 196, 197 e 198 da Constituição Federal e na Lei n. 8.080/90. Portaria n. 399/2006 O tema central dessa portaria é o pacto pela vida, como o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira. A definição de prioridades deve ser estabelecida por meio de metas nacionais, esta- duais, regionais ou municipais. No âmbito dos governos federal, estadual e municipal, por disposição constitucional (art. 37, parágrafo 3º), é obrigatório a criação de formas de integração dos usuários na administração pública direta e indireta, inclusive no recebimento de reclamações e sugestões relativas à presta- ção de serviços públicos. No Sistema Único de Saúde, as ouvidorias ganham relevo em vista da expressa previsão da participação da comunidade no planejamento e gestão do sistema (Constituição Federal, art. 198, inciso III; Decreto Federal nº. 7.508/2011, art. 37). As ouvidorias constituem canais democráticos de comunicação entre os usuários e os órgãos e entidades que compõem a organização sanitária; têm como missão viabilizar o direito de todos serem ouvidos e terem suas demandas pessoais e coletivas tratadas adequadamente. Além disso, destaque-se, as informações que a população transmite, pela sua natureza, podem constituir, no seu conjunto ou isoladamente, 5 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS valioso elemento de transformação e aprimoramento do planejamento ou execução de ações e serviços de saúde. Decreto n. 7508/2011 A ouvidoria é um mecanismo institucional para a participação dos cidadãos, que contribui com a gestão democrática e participativa da saúde pública. O Decreto n. 7.508/11, em seu artigo 37, dispõe sobre a organização e o planejamento do SUS, apontando “as estratégias que incorporem a avaliação do usuário das ações e dos serviços, como ferramenta de sua melhoria”, e a “apuração permanente das necessidades e interesses do usuário” como diretrizes importantes para o Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2011). A ouvidoria é a instância que concretiza tais desíg- nios. Mais além, ao mediar manifestações e disseminar informações, as Ouvidorias do SUS contribuem para a transparência das ações do Ministério da Saúde. As estratégias de ouvidoria ativa disseminam informações colaborando para a educação em saúde, pretendem mobilizar o cidadão para uma postura crítica e de transparência em relação ao SUS, visando, em última instância, maior participação, inclusão e governança cidadã sobre as políticas públicas de saúde. As estratégias são as seguintes: Pesquisas de satisfação e Banco de informações técnicas em saúde (Bits). Pesquisas de satisfação: pesquisas telefônicas que demonstram as per- cepções dos usuários sobre o SUS para subsidiar a formulação e a ava- liação das políticas públicas de saúde, como a Pesquisa de satisfação dos usuários do SUS e a Pesquisa ativa da Rede Cegonha. Banco de Informações Técnicas em Saúde (Bits): conjunto de informa- ções organizadas e armazenadas no sistema informatizado OuvidorSUS para disseminação de informação, esclarecendo o cidadão sobre dúvi- das referentes à saúde. Lei n. 12.527/2011 – Lei de Acesso à Informação (LAI) A lei federal n. 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação – LAI) regula o direito de acesso do cidadão às informações produzidas e sob custódia do Estado. Tem alcance nacional e aplicação em todas as esferas de governo: federal, estadual e municipal. 6 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS A LAI promove os direitos democráticos quando: » Fortalece o acesso imediato à informação ao cidadão. » Possibilita ao solicitante recurso para ter acesso a uma informação negada, com aplicação de sanção ao agente público que não respeitar a lei. » Reforça a implantação de portais de transparência. Canal de comunicação A LAI ainda possibilita ao cidadão, por meio de um número de pro- tocolo, ter ciência da entrada da solicitação no sistema e o prazo para finalização. Além de ampliar o canal de comunicação da administração pública com o cidadão, tornando-se um exercício democrático. Serviço de Informações ao Cidadão (SIC) A Lei 12.527, em seu artigo 9°, criou o Serviço de Informações ao Cida- dão (SIC), que possui atribuições relacionadas a(o): » Atendimentoe orientação do público ao acesso às informações. » Sinalização sobre a tramitação de documentos. » Normatização do protocolo de documentos e requerimentos. A lei determinou que cada órgão deve formar um grupo de trabalho para discutir quais informações serão classificadas como sigilosas, além de designar um responsável pelo monitoramento e implementação do SIC. Apesar de as ouvidorias não serem definidas como responsáveis por esse processo na lei, muitas assumiram essa atividade. Dessa forma, é possível afirmar que as ouvidorias se fortaleceram com a LAI, assu- mindo responsabilidades de gestão, avaliação, monitoramento e imple- mentação da lei. Essa nova responsabilidade não pode, todavia, tirar o foco da atividade precípua de uma ouvidoria, qual seja, a busca pela melhoria contínua dos processos, produtos e serviços oferecidos pela organização por meio das manifestações apresentadas pelos cidadãos. 7 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS Lei n. 13.460/2017 Essa lei estabelece, dos arts. 9º ao 12, como o usuário poderá se mani- festar para exigir a garantia dos seus direitos. No art. 9º é estabelecido que o usuário poderá apresentar manifestações perante a administra- ção pública acerca da prestação de serviços públicos e que, conforme o art. 10, a manifestação será dirigida à ouvidoria do órgão ou entidade responsável e conterá a identificação do requerente (BRASIL, 2017). Importante ressaltar que não deve haver exigências que inviabilizem as manifestações e não poderá ser exigido o motivo da manifestação enviada. Isso é importante para garantir que a resposta será íntegra e sem viés. A lei prevê que as manifestações poderão ser feitas por meio eletrônico, por correspondência convencional ou verbalmente, hipótese em que deverá ser reduzida a termo. Além disso, os usuários deverão dispor de canais e formulários simplificados e de fácil compreensão para a apre- sentação das manifestações. Tudo isso, com suas informações pessoais protegidas pela restrição de acesso, de acordo com os termos da Lei Federal n. 12.527, de 18 de novembro de 2011. A lei determina que, em nenhuma hipótese, será recusado o recebimento de manifestações formuladas nos termos dessa lei, sob pena de responsa- bilidade do agente público (Art. 11.). Logo, o cidadão tem a garantia que poderá se manifestar quanto ao cumprimento dos seus direitos. Além disso, conforme o Art. 16, para todas as manifestações encami- nhadas via ouvidoria o usuário receberá a decisão administrativa final ao usuário, observado o prazo de trinta dias, prorrogável de forma jus- tificada uma única vez, por igual período. A análise das manifestações observará os princípios da eficiência e da celeridade, visando a sua efetiva resolução, conforme o seguinte fluxo (Art. 12, Parágrafo Único): 8 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS Fluxo de funcionamento dos procedimentos administrativos relativos à análise das manifestações emitidas por meio da Lei n. 13.460. As ouvidorias serão as grandes responsáveis por “fazer a lei acontecer” no âmbito do Estado e precisarão de todos os recursos possíveis para responderem a essa grande responsabilidade. Deverão ser para o ser- viço público o que os Procons são para o serviço privado no que tange à defesa dos direitos dos usuários. Construindo uma nova ouvidoria É necessário observar que as ouvidorias não vão apenas OUVIR, mas deverão ter postura PROATIVA e reativa para tratar das manifestações dos usuários, conforme as atribuições do art. 14. da lei. Importante ressaltar que a discussão e reposicionamento das ouvidorias nesse sen- tido, para que tenham atuação mais ativa, já vem se consolidando no âmbito das ouvidorias brasileiras, com base nos principais processos de negócio das ouvidorias estabelecido no Guia de orientação para gestão de ouvidorias, publicado pela Controladoria Geral da União ainda em agosto de 2013. 9 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS Principais processos de negócio das ouvidorias, conforme a CGU. Cumpre ressaltar que a Lei n. 13.460 fortalece princípios e diretrizes das atividades de ouvidoria já previstas há bastante tempo no Código de ética do ouvidor/ombudsman, organizado pela Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman – ABO. Nesse código, é ressaltado que a natureza da atividade da ouvidoria está diretamente ligada à compreensão e respeito às necessidades, direitos e valores das pessoas. Além disso, a função do Ouvidor/Ombudsman é buscar o aperfeiçoamento do Estado, da empresa, a busca pela eficiên- cia e pela austeridade administrativa, mediante ações como: » Estabelecer canais de comunicação de forma aberta, honesta e objetiva, procurando sempre facilitar e agilizar as informações. » Agir com transparência, integridade e respeito. » Atuar com agilidade e precisão. » Respeitar toda e qualquer pessoa, preservando sua dignidade e identidade. » Reconhecer a diversidade de opiniões, preservando o direito de livre expressão e julgamento de cada pessoa. » Exercer suas atividades com independência e autonomia. » Ouvir seu representado com paciência, compreensão, sem fazer pré- julgamento e desprovido de todo e qualquer preconceito. » Resguardar o sigilo das informações. 10 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS » Facilitar o acesso à ouvidoria, simplificando seus procedimentos, agindo com imparcialidade e justiça. » Responder ao representado no menor prazo possível, com clareza e objetividade. » Atender as pessoas com cortesia e respeito. » Buscar a constante melhoria das suas práticas, utilizado eficaz e eficientemente os recursos colocados à sua disposição. » Atuar de modo diligente e fiel no exercício de seus deveres e responsabilidades, dentre outros termos relevantes. Por fim, o Estado, por meio das ouvidorias, terá que prestar contas à sociedade por intermédio de relatórios de gestão anuais detalhados, não apenas consolidando as demandas da população, mas especialmente a análise dos pontos recorrentes e as providências adotadas pela adminis- tração pública nas soluções apresentadas. Esse relatório será encami- nhado ao gestor maior de cada órgão e entidade e será disponibilizado via internet para toda a população (Art. 15). Ou seja, quando afirmamos que as ouvidorias serão o principal canal da revolução que a Lei 13.460 irá promover no serviço público, o fazemos com base em todos esses requisitos da lei. Todavia, as ouvidorias, pela sua natureza de facilitadora da relação entre instituições e seus usuá- rios, precisarão se articular com diversas outras áreas das instituições para garantir os direitos dos cidadãos; ou seja, que a população tenha seus problemas com o poder público efetivamente resolvidos. Lei n. 13.709/2018 – Lei de Proteção dos Dados Pessoais (LGPD) Com a promulgação da Lei de Proteção dos Dados Pessoais (LGPD), n. 13.709/2018, proferida pelo ex-presidente Michel Temer em 2018, tornou-se uma obrigação de empresas e instituições públicas reavaliar as maneiras de coleta, armazenamento, uso e compartilhamento de dados pessoais para garantir que a lei não será descumprida. As ouvidorias, tanto privadas quanto públicas, já atuavam de forma a proteger os dados pessoais dos cidadãos. Mas agora elas devem garantir que estão colocando em prática os dez princípios elencados pelo artigo 6º da Lei n. 13.709/2018, já que elas têm contato direto com o público. A seguir, confira quais são esses princípios e como implementá-los em uma ouvidoria. 11 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS Princípios da LGPD Finalidade De acordo com esse princípio, o tratamento de dados pessoais pre- cisa ter uma finalidade específica, legítima, que deve ser informa- da ao titular. Sendo assim, a ouvidoria deve solicitar ao cidadão somente dados que estão de acordo com essa finalidade e explicar por que necessita dessas informações (em atendimentos presen- ciais, por telefone e on-line). Adequação Depois da coleta de dados, eles devem ser usados somente para a finalidade informada ao titular. Sendo assim,caso surja outra finalidade, a ouvidoria precisa contatar o cidadão(titular) nova- mente, para que ele permita o uso das informações. Necessidade A coleta deve solicitar o mínimo necessário de dados para realizar a finalidade proposta. Dessa forma, é papel da ouvidoria expli- car claramente para o cidadão quais dados são de preenchimento obrigatório no atendimento e quais são opcionais. Livre acesso Esse princípio garante acesso facilitado e gratuito ao titular a res- peito da forma, da duração e da integralidade do tratamento de seus dados pessoais. Portanto, a ouvidoria precisa criar um docu- mento padrão de solicitação e resposta para que essa consulta seja realizada. Também é necessário informar ao titular quem é o res- ponsável por lidar com sua solicitação. Qualidade de dados Os dados coletados precisam ser claros, relevantes e atualizados, ou seja, devem ser de qualidade para que a finalidade do trata- mento seja cumprida. É função da ouvidoria estabelecer um pa- drão de qualidade, explicar isso ao titular, informar quais dados terão que ser atualizados e como essa tarefa será realizada. Transparência O tratamento de dados precisa ser transparente, portanto, todos os titulares devem ter informações claras e precisas sobre essa ativi- dade. É obrigação da ouvidoria divulgar as políticas de privacidade e os processos do tratamento. Além disso, esse conteúdo deve ser acessível, ou seja, compreensível para todos os indivíduos. 12 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS Segurança Esse princípio garante que os dados devem ser protegidos de aces- sos não autorizados e situações acidentais, como perdas e altera- ções. Para isso, a ouvidoria precisa armazenar os documentos de forma segura, por exemplo, com ferramentas de pseudonimiza- ção dos dados, criptografias, tokens etc. Outra ação interessante é treinar os colaboradores do setor para que eles compreendam a seriedade da confidencialidade no ramo. Prevenção É responsabilidade de toda instituição adotar medidas para pre- venir danos causados pelo tratamento de dados. Então, é preciso fornecer ao titular, por exemplo, a oportunidade de realizar uma manifestação anônima e com sigilo de dados. Não discriminação O princípio da não discriminação deixa claro que a coleta não pode ser feita para fins discriminatórios, ilícitos ou abusivos. Isso posto, a ouvidoria precisa se certificar de que todos os cidadãos recebem o mesmo atendimento e proteção da equipe, além de garantir que não há segregação e estigmatização fundamentadas pela coleta de dados pessoais. Responsabilização e prestação de contas O último princípio da LGPD deixa claro que o agente precisa ado- tar medidas eficazes e que comprovem a observância e o cum- primento das normas de proteção de dados pessoais. Por isso, os profissionais da ouvidoria devem assinar um termo de confiden- cialidade em relação aos dados dos usuários que estão sob suas responsabilidades. (ALCASSA, 2020) Assim, é possível garantir que a proteção de dados será cumprida na instituição e mostrar que esse é um comportamento fundamental para a empresa ou órgão público. A seguir, estão algumas sugestões de medidas que podem ser adotadas para as ouvidorias públicas e privadas se adequarem à LGPD: » Elaborar um mapeamento de fluxo de dados/inventário de dados (data mapping) – sendo o primeiro passo para diagnosticar a forma como a empresa lida com a privacidade e segurança da informação, com o objetivo de obter os elementos necessários para análise de vulnerabilidades técnicas e jurídicas. » Elaborar um diagnóstico de adequação da proteção dos dados pessoais (conformidade com a LGPD) – Relatório de Impacto à 13 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS Proteção de Dados (RIPDP)). » Revisar ou elaborar política de segurança da informação, políticas de privacidade, código de ética e conduta, termos de uso, termos de consentimento de uso de dados, contratos com funcionários, clientes e fornecedores. » Nomear encarregado de dados (Data Protection Officer – DPO) – uma peça-chave para cuidar das questões relacionadas à proteção de dados da organização, entre outras medidas. » Adotar um código de ética e conduta para gerenciar dados pessoais (delimitar claramente os papéis que cada parte exercerá no tratamento dos dados pessoais, o que impacta diretamente na definição de suas responsabilidades, de acordo com a lei). » Incluir nos contratos de trabalho cláusulas de conformidade à LGPD, incluindo cláusulas de confidencialidade. » Elaborar aditivos dos contratos em vigor para adequação às exigências da LGPD, incluindo cláusulas de confidencialidade. » Elaborar cartilhas e informativos sobre a segurança da informação e proteção de dados. » Incluir nas gravações o consentimento, pois se a conversa gerar coleta de algum dado, ele terá que ser indicado em alguma base legal. Observar que caso precise do consentimento e não de outra base legal (legítimo interesse) para fazer a coleta, ele deve ser exclusivo, informado, destacado etc. E isso pode inclusive ser feito por gravação (informar de forma clara e acessível o motivo pelo qual necessita colher determinados dados pessoais, bem como eventuais salvaguardas que a ouvidoria possuir em relação à identidade das pessoas envolvidas na manifestação). Decreto n. 10.153/2019 Refere-se a salvaguardas de proteção à identidade dos denunciantes de ilícitos e de irregularidades praticados contra a administração pública federal direta e indireta e altera o Decreto n. 9.492, de 5 de setembro de 2018, ressaltando em seu art. 6º a preservação dos dados em mani- festações classificadas como denúncia. Art. 6º O denunciante terá seus elementos de identificação preser- vados desde o recebimento da denúncia, nos termos do disposto no § 7º do art. 10 da Lei n. 13.460, de 2017. 14 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS § 1º A restrição de acesso aos elementos de identificação do de- nunciante será mantida pela unidade de ouvidoria responsável pelo tratamento da denúncia pelo prazo de cem anos, conforme o disposto no inciso I do § 1º do art. 31 da Lei n. 12.527, de 2011. § 2º A preservação dos elementos de identificação referidos no ca- put será realizada por meio do sigilo do nome, do endereço e de quaisquer outros elementos que possam identificar o denunciante. § 3º As unidades de ouvidoria que fazem tratamento de denún- cia com elementos de identificação do denunciante por meio de sistemas informatizados terão controle de acesso que registre os nomes dos agentes públicos que acessem as denúncias e as respec- tivas datas de acesso à denúncia. § 4º A unidade de ouvidoria responsável pelo tratamento da de- núncia providenciará a sua pseudonimização para o posterior envio aos órgãos de apuração competentes, observado o disposto no § 2º. § 5º Na hipótese de reclassificação da denúncia com a finalidade de enquadrá-la nas tipologias a que se referem os incisos I, III, IV e V do caput do art. 3º do Decreto n. 9.492, de 2018, a unidade do Sistema de Ouvidoria do Poder Executivo federal informará o denunciante (BRASIL, 2018). O conceito de pseudonimização é apresentado em seu art. 12 como “tratamento por meio do qual um dado perde a possibilidade de asso- ciação, direta ou indireta, a um indivíduo, senão pelo uso de informa- ção adicional mantida separadamente pelo controlador em ambiente controlado e seguro” (BRASIL, 2018). Esse tratamento de informação pretende dissociar os dados pessoais constantes em documento, da pes- soa a quem dizem respeito, de modo a que deixem de lhe poder ser atribuídos sem que haja recurso a dados suplementares. Esperamos que você tenha aproveitado esta breve complementação sobre a Legislação e Bases Normativas das ouvidorias do SUS. O intuito foi apre- sentar de maneira clara e objetiva a necessidade de conhecer e aplicar essas normativas nas rotinas e processos de atuação das ouvidorias. Referências ALCASSA, Flávia. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) nas ouvidorias públicas e privadas.Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman. 24 de ago. 2020. Disponível em: http://www. abonacional.org.br/artigo/323. Acesso em: fev. 2020. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm . Acesso em: 17 dez. 2020. 15 LEGISLAÇÃO E BASES NORMATIVAS BRASIL. Decreto n. 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2011/Decreto/D7508.htm. Acesso em: 17 dez. 2020. BRASIL. Decreto n. 9.492, de 5 de setembro de 2018. Regulamenta a Lei nº 13.460, de 26 de junho de 2017, que dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos da administração pública federal, institui o Sistema de Ouvidoria do Poder Executivo federal, e altera o Decreto nº 8.910, de 22 de novembro de 2016, que aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União. Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/ decreto/D9492.htm. Acesso em 17 dez. 2020. BRASIL. Decreto n. 10.153, de 2 de dezembro de 2019. Dispõe sobre as salvaguardas de proteção à identidade dos denunciantes de ilícitos e de irregularidades praticados contra a administração pública federal direta e indireta e altera o Decreto nº 9.492, de 5 de setembro de 2018.Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019- 2022/2019/decreto/D10153.htm. Acesso em 17 dez. 2020. BRASIL. Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990. Lei Orgânica da Saúde. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 1990. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 17 dez. 2020. BRASIL. Lei n. 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 31 dez. 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8142.htm Acesso em: 17 dez. 2020. BRASIL. Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências.: Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 17 dez. 2020. BRASIL. Lei n. 13.460, de 26 de junho de 2017. Dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos da administração pública. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 27 jun. 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/ l13460.htm. Acesso em: 17 dez. 2020. BRASIL. Lei n. 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). (Redação dada pela Lei n. 13.853, de 2019) Vigência. Dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 15 ago. 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709. htm. em: 17 dez. 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 399, de 22 de fevereiro de 2006. Divulga o Pacto pela Saúde 2006 – Consolidação do SUS e aprova as Diretrizes Operacionais do Referido Pacto. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/ prt0399_22_02_2006.html. Acesso em: 17 dez. 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 1.820, de 13 de agosto de 2009. Dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde. 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