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1 Auditoria de Patrimônio Unidade I Prof. Gemau Halla APRESENTAÇÃO DO AUTOR Executivo com mais de 14 anos de experiência na área de auditoria, com passagem de sucesso por empresas como: Grupo Odebrecht, Grupo Toshiba, Coca-Cola, dentre outros. É professor e palestrante de cursos de MBA nos temas relacionados a auditoria, auditoria interna, gerenciamento de riscos, compliance, controles internos e fraude. Também é membro do Grupo de Excelência em Recuperação de Empresas (GERE) do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP). É diretor do grupo de processos e riscos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac) e instrutor do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA). 3 INTRODUÇÃO Esse material visa apresentar aos alunos o processo de auditoria e os cuidados que se devem ter ao se analisar as contas patrimoniais da entidade. São apresentados detalhamento para os principais lançamentos e análise que se deve realizar, além de abordarmos as principais formas de registros e os documentos que não esperados no processo de auditoria. É esperado que ao final do capítulo o aluno consiga identificar e analisar as principais contas patrimoniais da entidade. 4 CONCEITOS GERAIS DA CONTABILIDADE PRINCÍPIOS CONTÁBEIS Assegurar que as demonstrações contábeis elaboradas conforme os conceitos do CPC 00 R1, demonstrem informações úteis nas tomadas de decisões econômicas e avaliações dos usuários em geral. A resolução NBC TSP Estrutura Conceitual, publicada no DOU de 04/10/2016, seção 1, estabelece os conceitos que devem ser aplicados no desenvolvimento das demais normas brasileiras de contabilidade, a aplicação para a elaboração e a divulgação formal dos relatórios contábeis de propósito geral das entidades do setor público (RCPGs), revogando a resolução CFC n.° 750/1993. O Conselho Federal de Contabilidade possui um cronograma para que até 2021 todas as demais normas sejam convergidas. OBJETIVO DA ELABORAÇÃO E DIVULGAÇÃO DE RELATÓRIO CONTÁBIL-FINANCEIRO DE PROPÓSITO GERAL O objetivo do relatório contábil-financeiro é fornecer informações da entidade que reporta as informações, essas são úteis a investidores existentes, credores por empréstimos e a outros credores de fornecimento de recursos. Informações que envolvem compras; vendas ou manter participações em itens patrimoniais e itens de dívida; disponibilizar formas de crédito. Para avaliar o quão eficiente e efetivamente a administração e seu conselho de administração têm cumprido com suas responsabilidades no uso dos recursos, como a proteção de recursos sobre efeitos desfavoráveis relacionados a fatos econômicos, mudanças nos preços entre outros fatores; garantia de que a entidade tem cumprido as leis, regulações e disposições contratuais vigentes. O relatório contábil-financeiro dispõe de informações sobre o cumprimento de suas responsabilidades, essas são úteis para decisões a serem tomadas por investidores existentes, credores e outros que tenham o direito de votar ou que exerçam influência nos atos praticados pela administração. 5 DAS COMPETÊNCIAS O regime de competência retrata os momentos das transações, eventos e circunstâncias dos recursos econômicos e reivindicações da entidade; reporta a informação nos períodos em que os efeitos são produzidos e realizados, ainda que seus recebimentos e pagamentos em caixa ocorram em períodos distintos. Isso é importante em função da informação sobre recursos econômicos da entidade que reporta a informação, sobre as mudanças desses recursos econômicos ao longo de um período, fornecendo melhor base de avaliação da performance passada e futura da entidade do que a informação baseada em recebimentos e pagamentos em caixa ao longo desse mesmo período. DOS FLUXOS DE CAIXAS PASSADOS O regime de fluxos de caixa da entidade retrata os usuários a avaliar a capacidade gerar fluxos de caixa futuros líquidos. Indicam quanto a entidade possui e despende do caixa, incluindo informações de empréstimos e resgates de títulos de dívida, dividendos e outras distribuições para seus investidores, avaliar causas que afetem a liquidez e a solvência da entidade. O regime de fluxo de caixa possibilita avaliar as operações da entidade sobre suas atividades de financiamento e investimento, a avaliar de sua liquidez e solvência e demais informações relacionadas a sua performance financeira. CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL-FINANCEIRA ÚTIL As características qualitativas das informações contábil-financeiro úteis são divididas em duas características: as fundamentais e as de melhoria, em que as fundamentais são classificadas por relevância e representação fidedigna; e as de melhorias são divididas entre comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade. 6 Características fundamentais RELEVÂNCIA As características por relevância apresentam informação contábil-financeira para proporcionar diferenças nas tomadas de decisões e deliberações para os usuários, devendo possuir os fatores como: valor preditivo, confirmatório ou ambos. Para uma informação relevante conta, também, com a materialidade, que se baseia na natureza ou dos elementos que estão relacionados no contexto do relatório contábil-financeiro de uma determinada entidade (CPC 00 R1, 2011). FIDEDIGNIDADE Como apresentado na Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro (CPC 00 R1, 2011), representação fidedigna é retratar perfeitamente a realidade do relatório contábil-financeiro, em sua completude, neutro e livre de erros. Por completo, deve apresentar todas as informações necessárias para que os usuários entendam. Neutro expressando a realidade econômica. Livre de erros é quando não há nenhuma incorreção ou omissão no fenômeno retratado. Características de melhoria COMPARABILIDADE A Comparabilidade tem como objetivo em permitir ao usuário verificar a evolução dos registros de uma entidade ao longo de um período de tempo, podendo verificar a situação econômica da empresa em apenas um determinado período, proporcionando conhecimento de posições relativas. 7 VERIFICABILIDADE A Verificabilidade tem como objetivo permitir que análises diferentes, possam chegar a uma constatação, quanto ao que foi informado de uma realidade econômica. Essa informação é de difícil análise quando as informações utilizadas se encontram em análises aplicadas ao futuro. TEMPESTIVIDADE A tempestividade significa ter as informações disponíveis para a tomada de decisões no tempo necessário para a tomada de decisões. COMPREENSIBILIDADE A compreensibilidade, significa ter a informação clara, de forma que possa ser entendida pelos usuários que tenham conhecimentos básicos na área de negócios, das atividades econômicas e da contabilidade. Registros complexos e de difícil entendimento devem constar em relatórios contábeis-financeiros com acompanhamentos por quadros complementares e tabelas explicativas. CONTINUIDADE As demonstrações contábeis normalmente são realizadas tendo como premissa que a entidade está em atividade e irá manter-se em operação por um futuro previsível. Assim considera-se que a entidade não tem a intenção, nem a necessidade de entrar em processo de liquidação ou de reduzir suas operações. No entanto, se essa intenção ou necessidade existir, as demonstrações contábeis podem ter que ser elaboradas de forma diferente e, nesse caso, a base de elaboração utilizada deve ser divulgada. 8 Elementos das demonstrações contábeis BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO Recursos presentes resultantes de eventos passados com potencial em contribuir, direta ou indiretamente,para o fluxo de caixa ou equivalentes de caixa futuros para a entidade. Composição do ativo Conforme dispõe a Lei n.º 6.404/1979 em seu artigo 179, o ativo é separado em dois grupos: circulante e não circulante, sendo cada um subdividido em demais subgrupos, conforme detalhe: Figura 1 – Representação gráfica do ativo Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Ativo Circulante Disponibilidade Direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente Aplicações de recursos em despesas Não circulante Realizável a longo prazo Investimentos Imobilizados Intangível 9 As contas serão classificadas conforme (Lei n.º 6.404/1979, art. 179): ATIVO CIRCULANTE As disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia. INVESTIMENTOS As participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa. 10 IMOBILIZADO Os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens. INTANGÍVEL Os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo. PASSIVO Obrigações presentes, com origem em eventos passados, onde a extinção resulta na saída de recursos da entidade, algumas podendo ser caracterizada como obrigações legais (ou legalmente vinculada) por força de lei. Essas obrigações podem se originar de uma série de dispositivos legais, transações com contraprestação contratual (por meio do direito contratual). Quando a obrigação é por força de lei, a entidade não tem alternativa alguma para evitar a obrigação e que, consequentemente, o passivo existe. Composição do passivo PASSIVO CIRCULANTE São as obrigações da entidade, inclusive financiamentos para aquisição de ativos não circulante, no curto prazo, que vencerem no exercício seguinte. Para as entidades que o ciclo operacional tenha duração maior que a do exercício social, será adotado como base o prazo desse ciclo. 11 PASSIVO NÃO CIRCULANTE São as obrigações da entidade, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, no longo prazo, que vencerem após o exercício seguinte. Para as entidades que o ciclo operacional tenha duração maior que a do exercício social, será adotado como base o prazo desse ciclo. Figura 2 – Representação gráfica do ativo Fonte: elaborada pelo autor, 2019. PATRIMÔNIO LÍQUIDO Representa os recursos implantados na entidade em um determinado momento, demonstremos o seu cálculo contábil: Patrimônio líquido = ativo - passivo Sendo na equação contábil PL (patrimônio líquido) = A - P, conclui-se que a diferença entre o ativo e passivo é o patrimônio líquido. Passivo Circulante Obrigações sociais e trabalhistas Obrigações com fornecedores Obrigações fiscais Emprestimos e financiamentos (curto prazo) Não circulante Emprestimos e financiamentos Debêndures Tributos diferidos Provisões 12 Fontes de financiamento da empresa Capital próprio Recursos aportados pelos sócios e fundadores, nessa modalidade os sócios têm o controle total, podendo decidir onde e quando investir, mas fica limitado à quantidade do seu próprio capital. Recursos resultantes de retenções de lucros e reservas que demonstre ajustes para manutenção do capital podem ser informados separadamente. Refletindo o fato de que determinadas partes com direitos de propriedade da entidade têm direitos diferentes com relação ao recebimento de dividendos ou ao reembolso de capital. Como se constitui a reserva é, por vezes, exigida através de estatutos ou lei para dar à entidade e seus credores uma maior proteção contra possíveis efeitos de prejuízos. Capital de terceiros Recursos aportados externos à empresa, como empréstimos, financiamentos bancários. O capital de terceiros pode permitir um crescimento acelerado que vai além dos recursos próprios, porém, necessita do pagamento dessas obrigações advindas com a obtenção deste capital, ou, no caso de ter optado por captar recursos com um investidor, sua autonomia é reduzida, além de fornecer garantias para a sua obtenção. 13 ATIVO = PASSIVO No passivo possuímos as origens dos recursos, as fontes, são as obrigações. Para cada vez que é assumida uma obrigação, deve-se relacionar a entrada de recursos na empresa. No ativo, possuímos as aplicações desses mesmos recursos, como eles foram empregados. Esses recursos são aplicados em bens ou em direitos. Como se trata dos mesmos recursos, os valores são iguais. Tabela 1 – Modelo de balanço Ativo Passivo Depósito no banco 10.000 Fornecedores 8.000 Veículo 8.000 Financiamentos 6.000 Mercadorias 6.000 Caixa 1.500 Patrimônio líquido Computador 4.500 Capital social 16.000 Soma do ativo 30.000 Soma do passivo 30.000 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Tabela 2 – Interpretação gráfica Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Ativo Passivo Patrimônio líquido Circulante e não circulante Não circulante Circulante 14 ATIVO A, na equação contábil PL (patrimônio líquido) = A - P, conclui-se que PL“CPC 16 (R1)”, os estoques são ativos, utilizados no fluxo normal dos negócios, em processo de produção para venda; ou como materiais e suprimentos a serem consumidos ou transformados em meios de produção; ou na prestação de serviços que constitua na exploração dos processos da entidade. Os estoques representam bens e direitos de propriedade da entidade, independentemente de quem esteja em seu poder, da própria entidade ou de terceiros. Assim deve integrar no balanço patrimonial da entidade, independentemente da posse, sendo esse responsável pelo controle e responsabilidade que caracterizem a existência do ativo e uma respectiva obrigação. Ativo Passivo 17 Principais bens e direitos nessa definição Mercadorias para revenda; Produtos acabados; Produtos em elaboração; Matérias-primas; Materiais de acondicionamento e embalagem; Materiais auxiliares de produção; Materiais de consumo geral; Importações em andamento; e Adiantamentos a fornecedores de qualquer dos itens acima. A depender do ramo de atividade o estoque da entidade possui 2 tipos distintos, conforme segue: Distribuidoras ou revendas Estoque é final, com objetivo de venda, destino direto para o consumidor, não sofre processo de industrialização. Indústrias Possui diversos tipos de estoques, devido a operação industrial modificar a natureza do produto, o acabamento, a apresentação, finalidade ou aperfeiçoamento, devendo ser devidamente classificado e contabilizado de formas distintas, são classificados da seguinte forma: Estoque de matéria-prima Nesta etapa, o produto bruto serve de base para o processo de industrialização, os insumos para a produção. Estoque em produção Nesta etapa, a matéria-prima está fisicamente na linha de produção, provável que tenha passado por alguma transformação, não se caracterizando como o insumo em sua forma e composição inicial. 18 Estoque de produto acabado Nesta etapa o produto se contra pronto para venda, não necessária nenhuma intervenção para a sua comercialização. Estoque em trânsito Este estoque é composto por itens comprados e ou vendidos pela empresa, mas que ainda não foram recebidos ou entregues, e que conste na sua forma contratual a responsabilidade pela entidade. Estoque de terceiros em poder da empresa Este estoque é composto por estoque de terceiros que foi deixado sob a responsabilidade da entidade, para manutenção ou como consignação. Estoque próprio em poder de terceiros Este estoque é composto por estoque próprio que foi deixado sob a responsabilidade de um cliente ou fornecedor, mais que é de responsabilidade da entidade. 19 Figura 4 – Macro fluxo operacional dos estoques Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Etapas 1 e 2 do macro fluxo operacional de estoques demonstram o processo de distribuidoras e revendas. Etapas 1, 2, 3 e 4 do macro fluxo operacional de estoques demonstram o processo industrial. Aquisição de produtos para revenda ou para transformação 1- Fornecedor Produtos para revendas ou materiais para transformações 2- Almoxarifado Aplicação de materiais ou insumos 3- Produção Produtos Acabados 4- Almoxarifado Mercadorias revendidas e produto industrializado Cliente 20 Custos do estoque Os estoques devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor, para mensurarmos o custo do estoque, esse deve possuir no seu valor incluso todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição (Conforme resolução CFC n.º 1.273/2010). Para realizar a mensuração se deve realizar a soma dos gastos com matéria- prima, mão de obra direta e outros gastos ligados a fabricação (mão de obra indireta, energia, depreciação, entre outros), excluídos aqueles relacionados a fatores não previsíveis, como efeitos de ociosidade e de perdas anormais de produção. Os gastos gerais e administrativos, que não estejam relacionados com a produção direta, não podem ser incorporados ao custo dos estoques. Relacionados aos impostos sobre circulação de mercadorias (ICMS), produtos industrializados (IPI) ou quaisquer outros incluídos no preço da mercadoria adquirida, mas que geram direito de créditos tributários para compensação, restituição ou recuperação futura, não podem se constituir em custo, portanto, não deve ser agregado aos valores dos estoques. Os créditos tributários do ICMS e IPI quando não forem recuperáveis pela entidade, devem ser incluídos no custo dos estoques, conforme demonstrado a seguir: 21 Tratamento contábil e fiscal do ICMS e do IPI Tabela 4 – Exemplo de tratamento contábil por tipo de empresa Empresa comercial Com registro de ICMS para recuperação Uma empresa comercial adquire a prazo mercadorias para revenda, incluindo ICMS e IPI, devendo realizar o seguinte lançamento contábil: Mercadorias adquiridas para revenda 2.000.000 ICMS de 18% 360.000 IPI de 10% 200.000 Modelo de cálculo: Débito deve ocorrer no ativo circulante Mercadorias adquiridas para revenda (a) 1.840.000 ICMS de 18% a recuperar (b) 360.000 Total débito no ativo circulante (c) = (a+b) 2.200.000 Crédito deve ocorrer no passivo circulante Fornecedor - Total da nota fiscal 2.200.000 Empresa industrial Com registro de ICMS e IPI para Recuperação Estoque matérias-primas 2.000.000 ICMS de 18% 360.000 IPI de 10% 200.000 Modelo de cálculo: 22 Débito deve ocorrer no ativo circulante Estoque matérias-primas 1.640.000 ICMS de 18% (b) 360.000 IPI de 10% (c) 200.000 Total débito no ativo circulante (d) = (a+b+c) 2.200.000 Crédito deve ocorrer no Passivo circulante Fornecedor - Total da nota fiscal 2.200.000 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Referente aos valores pagos em adiantamentos para fornecedores de materiais que irão compor os estoques são considerados como aplicações de recursos visando à formação de estoques futuros, devendo assim ser registrados. Principais critérios de avaliação dos custos de estoques Custo-padrão Método de custeio recomendado pelo United States Generally Accepted Accounting Principles (USGAAP), neste método tanto as entradas de estoque quanto as saídas são favoráveis ao custo-padrão, que foi considerado e estabelecido no planejamento orçamentário anual. Todas as diferenças entre custo de compra (decorrente de variações de preço) ou custo real de produção (decorrente de variações na produtividade), sobre o conceito gerencial são consideráveis nas contas de variação do preço de compra ou variação de manufatura direta no resultado. Para efeito da legislação societária e fiscal, este método pode ser adotado pela contabilidade, porém, deve ser efetuado o ajuste ao custo real por absorção. PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair) Este critério, também conhecido como FIFO (first-in, first-out) apura que os primeiros itens que entrarem no estoque, serão aqueles que vão sair em primeiro lugar, desse modo aplica-se o critério do custo médio ponderado, o custo de cada item é determinado a partir da média ponderada do custo de itens semelhantes no começo 23 de um período e do custo dos mesmos itens comprados ou produzidos durante o período. Assim para determinar a média, pode ser em base periódica ou à medida que cada lote seja recebido,depende das circunstâncias da entidade. Esse método de avaliação é aceito pela legislação societária e fiscal. detalhe: Tabela 5 – Modelo de cálculo Data Entradas Saídas Saldo em estoque Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total 01/jun 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000 10/jun 300 11,00 3.300 - - - 400 10 4.000 300 11 3.300 Valor do estoque em 10/06 7.300,00 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Observe que o saldo em estoque no dia 10/01 é registrado separadamente, deixando evidente o recebimento das 400 unidades a R$ 10,00 ocorreu antes que o recebimento das 300 unidades a R$ 11,00. Essa separação é importante e necessária para quando ser realizada a retirada, pois no método FIFO precisamos retirar primeiro os itens que entraram primeiro no estoque. 24 Observe a seguir a realização da retirada de 350 unidades no dia 12/06, conforme detalhe: Tabela 6 – Modelo de cálculo Data Recebimentos Retiradas Saldo em estoque Quant. Valor unit. Valor total Quant. Valor unit. Valor total Quant. Valor unit. Valor total 1º/jun. 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000 10/jun. 300 11 3.300 - - - 400 10 4.000 300 11 3.300 12/jun. - - - 350 10 3.500 50 10 500 300 11 3.300 Valor do estoque em 12/06 3.800,00 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Perceba que as 350 unidades foram retiradas a um valor de R$ 10,00 cada, pois havia em estoque 400 unidades a R$ 10,00 e essa era a entrada mais antiga do estoque. Assim, o valor das mercadorias retiradas foi de R$ 3.500,00 e o valor do estoque restante é de R$ 3.800,00, com 50 unidades a 10,00 e 300 unidades a R$ 11,00. 25 Observe a seguir que o impacto do recebimento de 400 unidades a um custo de R$ 11,50 no dia 20/06. Tabela 7 – Modelo de cálculo com o recebimento de mercadoria Data Recebimentos Retiradas Saldo em estoque Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total 01/jun 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000 10/jun 300 11 3.300 - - - 400 10 4.000 300 11 3.300 12/jun - - - 350 10 3.500 50 10 500 300 11 3.300 20/jun 400 11,50 4.600 - - - 50 10 500 300 11 3.300 400 11,50 4.600 Valor do estoque em 20/06 8.400 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Observe como ficou o saldo em estoque após o recebimento, com o registro separado das 400 unidades recentemente adquiridas a R$ 11,50. Após aplicar o método FIFO, concluímos que o valor do estoque final (VEF) considerando todas as operações realizadas é de R$ 8.400,00. Como o valor do estoque inicial (VEI) era de R$ 4.000,00 e o valor de todas as compras foi de R$ 7.900,00, podemos aplicar a fórmula do CMV e concluir que o custo das mercadorias vendidas usando o método FIFO foi de R$ 3.500,00. CMV = VEI + VC - VEF CMV = Custo das mercadorias vendidas VEI = Valor estoque inicial VC = Valor das compras VEF = Valor do estoque final 26 UEPS (último a entrar, primeiro a sair) Esse critério, também conhecido como LIFO (last-in first-out), é um método de avaliar estoque que gera discussões. O custo do estoque é obtido como se as unidades mais recentes adicionadas ao estoque, as últimas a entrar, fossem as primeiras unidades vendidas, as primeiras a sair. Como esse método apura o menor resultado societário, ele não é aceito pela legislação fiscal brasileira. A seguir, vemos seu modelo de cálculo utilizando-se valores similares ao anterior, mas com a aplicação do cálculo de LIFO, conforme detalhe: Tabela 8 – Exemplo de modelo LIFO Data Recebimentos Retiradas Saldo em estoque Quant. Valor unit. Valor total Quant. Valor unit. Valor total Quant. Valor unit. Valor total 1º/jun. 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000 10/jun. 300 11 3.300 - - - 400 10 4.000 300 11 3.300 12/jun. - - - 300 11 3.300 350 10 3.500 50 10 500 Valor do estoque em 12/06 3.500,00 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. 27 Observando o exemplo acima podemos ver as três primeiras operações: saldo anterior, primeira aquisição e primeira retirada. As operações de recebimentos são idênticas ao método utilizado no FIFO, pois envolvem apenas a entrada de materiais. Contudo, na operação de retirada do dia 12/06, repare que essa foi iniciada pelo estoque a R$ 11,00. Assim, a retirada total de 350 unidades foi feita com 300 unidades a R$ 11,00 e mais 50 unidades a R$ 10,00. Observe o modelo a seguir, com o recebimento de 400 unidades a 11,50: Tabela 9 – Modelo LIFO com recebimento de unidades Data Recebimentos Retiradas Saldo em estoque Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total 1º/jun. 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000 10/jun. 300 11 3.300 - - - 400 10 4.000 300 11 3.300 12/jun. - - - 300 11 3.300 350 10 3.500 50 10 500 20/jun. 400 11,50 4.600 - - - 350 10 3.500 400 11,50 4.600 Valor do estoque em 20/06 8.100 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Ao utilizar o método LIFO, o valor do estoque final será de R$ 8.100,00. Como o valor do estoque inicial (VEI) era de R$ 4.000,00 e o total de compras (VC) no período foi de R$ 7.900,00, o custo das mercadorias vendidas (CMV) é de R$ 3.800,00. CMV = VEI + VC - VEF CMV = Custo das mercadorias vendidas VEI = Valor estoque inicial VC = Valor das compras VEF = Valor do estoque final 28 Custo médio Critério utilizado em entidades que praticam controle permanente dos seus estoques, no qual cada aquisição incorpora o preço médio pelo método do custo médio e atualiza o valor médio do item. Esse é o método mais utilizado nas empresas brasileiras e atende à legislação societária e fiscal. Observe na demonstração abaixo como isso é realizado. No dia 1º de junho, o saldo em estoque era de 400 unidades a R$ 10,00. Quando houve um recebimento no dia 10/01 de 300 unidades a R$ 11,00, o valor médio unitário teve de ser calculado. O valor total do estoque era de R$ 7.300,00 para 700 unidades, o que resulta em um valor médio unitário de R$ 10,43. Tabela 10 – Modelo de cálculo Data Recebimentos Retiradas Saldo em estoque Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total 1º/jun. 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000 10/jun. 300 11 3.300 - - - 700 10,43 7.300 Valor do estoque em 10/06 7.300 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Cálculo realizado: (400,00 x 10) + (300,00 x 11) = 7.300,00 = 10,43 400,00 + 300,00 700,00 29 Conforme o método do custo médio recalcula os valores a cada recebimento, todas as retiradas são realizadas com base no valor médio mais recente. Considerando a retirada de 350 unidades no dia 12/06 é composta por 350 unidades a R$ 10,43, como demonstrado a seguir: Tabela 11 – Modelo de cálculo com movimentação Data Recebimentos Retiradas Saldo em estoque Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total Quant. Valor Unit. Valor Total 1º/jun. 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000,00 10/jun. 300 11 3.300 - - - 700 10,43 7.300,00 12/jun. - - - 350 10,43 3.650,50 350 10,43 3.650,50 Valor do estoque em 10/06 3.650,50 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. No dia 20/06, com obtivemos o recebimento de 400 unidades a R$ 11,50, assim, o custo médio necessita ser atualizado. Observe que teremos dificuldade que ocorre somente no método do custo médio: quando realizado a atualização do custo médio unitário, frequentemente apresentará resultados com dízimas periódicas. Como tínhamos 350 unidades a R$ 10,43 e recebemos 400 unidades a R$ 11,50, devemos calcular o custo médio unitário da seguinte forma: Tabela 12 – Modelo de cálculo com movimentação Data Recebimentos Retiradas Saldo em estoque Quant. Valor unit. Valor total Quant. Valor unit. Valor totalQuant. Valor unit. Valor total 1º/jun. 400 10 4.000 - - - 400 10 4.000,00 10/jun. 300 11 3.300 - - - 700 10,43 7.300,00 12/jun. - - - 350 10,43 3.650,50 350 10,43 3.650,50 20/jun. 400 11,50 4.600 - - - 750 11 8.250,50 Valor do estoque em 20/06 8.250,50 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. 30 Cálculo realizado: (350,00 x 10,43) + (400,00 x 11,50) = 8.250,50 = 11,00 350,00 + 400,00 750,00 Concluímos que ao utilizar o método do custo médio, o valor do estoque final será de R$ 8.250,50. Considerando que o valor do estoque inicial (VEI) era de R$ 4.000,00 e o total de compras (VC) no período foi de R$ 7.900,00, e o custo das mercadorias vendidas (CMV) usando o método do custo médio é de R$ 3.649,50. CMV = VEI + VC - VEF CMV = Custo das mercadorias vendidas VEI = Valor estoque inicial VC = Valor das compras VEF = Valor do estoque final Comparação entre os métodos Realizando o comparativo do modelo aplicado entre os três métodos demonstrados, podemos notar algo interessante, em que o valor do estoque final (VEF) muda devido à forma como os custos são contabilizados. Já o valor do estoque inicial (VEI) e o valor das compras (VC) no período foi sempre o mesmo, pois eles não são afetados pelas diferenças dos métodos de valoração. A seguir observamos uma síntese dos resultados obtidos pelos três métodos: 31 Tabela 13 – Comparativo dos modelos Comparativo FIFO LIFO Custo médio Estoque inicial 4.000,00 4.000,00 4.000,00 Compras 7.900,00 7.900,00 7.900,00 Estoque final 8.400,00 8.100,00 8.250,50 Custo mercadorias vendidas 3.500,00 3.800,00 3.649,50 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. As variações no resultado do VEF alteram de acordo com o método utilizado, o valor CMV também altera. É importante notar que usando o método FIFO os custos das mercadorias vendidas são menores. Aparentemente isso demonstra ser bom, pois os custos parecem menores, mas como consequência os lucros serão maiores e os impostos incidentes também serão maiores. Considerando essa premissa que a legislação exige que a valoração de estoques para fins de apuração de impostos seja feita pelo método FIFO. Considerando a tendência de aumento dos preços, o que é a situação mais comum devido à inflação, o método FIFO apresentar o menor CMV, pois ao tirar as unidades mais antigas do estoque, estamos tirando as unidades de menor valor, logo aumentando o valor do estoque final e reduzindo o CMV. O mesmo ocorre quando a tendência de preços for de alta, o método LIFO sempre resultará em um estoque final reduzido e, consequentemente, com um maior CMV. Isso acaba reduzindo artificialmente os lucros da empresa. O método do custo médio sempre obterá um resultado intermediário entre os métodos LIFO e FIFO, sendo considerado um método mais justo de apuração do CMV. 32 Valor realizável líquido O custo dos estoques pode não ser recuperável, mediante que os estoques estejam danificados, ou se tornaram total ou parcialmente obsoletos, ou se os seus preços de vendas tiverem diminuição. Outro fator que pode acarretar que os custos de estoques possam não ser recuperáveis, é se os custos estimados de acabamento ou incorridos para realizar a venda tiverem aumentado. É consistente a prática de reduzir o valor de custo dos estoques (write down) para o valor realizável líquido, considerando que os ativos não devem ser escriturados por valores superiores àqueles que se espera que sejam realizadas com a sua venda ou uso. Os estoques normalmente devem ser reduzidos item a item para o seu valor realizável líquido. Em alguns casos, pode ser vantajoso agrupar unidades semelhantes ou relacionadas, pode ser aplicado em itens do estoque relacionados com a mesma linha de produtos que possuam as finalidades ou usos finais semelhantes, que sejam produzidos e comercializados na mesma área geográfica e não possuam características diferenciadas dos demais itens dessa linha de produtos. Não é aconselhado reduzir o valor do estoque com base em sua classificação de estoque, como bens acabados, estoque de um setor específico ou operação. Para a realização de valores realizáveis líquidos é necessário ser baseada em evidências confiáveis, disponíveis quando são realizadas as estimativas do valor dos estoques. Essas estimativas devem considerar variações nos preços e nos custos diretos relacionados com eventos após o fim do período, sendo que esses eventos se confirmem com as condições existentes no fim do período. Essas estimativas do valor realizável líquido também necessitam considerar a finalidade para a qual o estoque é mantido, por exemplo, se é para atender contratos de vendas ou prestações de serviços, devendo assim ser baseado no preço do contrato. Se os contratos de venda correspondem a quantidades inferiores ao do estoque total, deverá ser aplicado a proporcionalidade para o valor realizável líquido desse excesso, devendo se basear em preços gerais de venda. Podem surgir provisões resultantes de contratos firmes de venda superiores às quantidades de estoques existentes ou de contratos firmes de compra em andamento se as aquisições adicionais a serem feitas para atender a esses contratos de venda forem previstas com base em valores estimados que levem à situação de prejuízo no atendimento desses contratos de venda. Essas provisões devem ser tratadas de acordo com a “CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes”. Em cada período subsequente deve ser realizada uma nova avaliação do valor realizável líquido. Exemplo: Uma empresa possui os estoques para venda das mercadorias I, II e III, devendo realizar a baixa desses estoques, sendo via valor de custo ou valor realizável líquido, considerando os estoques: 33 Tabela 14 – Exemplo de valor realizável Item Custo de Aquisição Preço venda Despesas com a venda I 500,00 620,00 100,00 II 700,00 950,00 120,00 III 1.100,00 1.000,00 150,00 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Para verificar o valor realizável líquido aplicaremos o cálculo no qual consideramos o valor do preço de venda e subtraímos os valores das “Despesas com a venda”, teremos o valor realizável líquido, detalhe: Tabela 15 – Cálculo valor realizável Cálculo Valor realizável líquido Item Preço venda (a) Despesa com a venda (b) Valor realizável líquido (c) = (a - b) I 620,00 -100,00 520,00 II 950,00 -120,00 830,00 III 1.000,00 -150,00 850,00 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Definido o valor realizável líquido, comparamos com o seu preço de custo, conforme detalhe: Tabela 16 – Comparativo dos valores atualizados Comparativo: valor realizável líquido versus custo de aquisição Item Valor realizável líquido (a) Custo de aquisição (b) Total (c) = (a - b) I 520,00 500,00 20,00 II 830,00 700,00 130,00 III 850,00 1.100,00 -250,00 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. 34 Nesse caso, serão escriturados os que obtiverem o menor valor, consideramos a coluna da tabela acima “Total” para demonstrar a diferença entre o valor realizável líquido e custo de aquisição, as que apresentarem valores negativos demonstram que o valor realizável líquido é menor que o custo de aquisição, devendo assim ser considerado, nesse caso exemplificado o item III. Com isso, serão escriturados os itens “I” e “II” pelos valores do custo de aquisição, e o item “III” como valor realizável líquido. Tabela 17 – Novos valores Item Valores a escriturar I 500,00 II 700,00 III 850,00 Total 2.050,00 Fonte: elaborada pelo autor, 2019. Reconhecimento como despesa dos estoques no resultado Na ocorrência da venda dos estoques, o custo a ser escriturado desses itens deve ser reconhecido como despesa no período em que essa mesma receita é reconhecida. Toda a quantia de qualquer redução nos estoques para o valor realizável líquido e todas as perdas nos estoques necessitamque sejam reconhecidas como despesa no período da realização ou identificação. Para alguns itens de estoques pode-se realizar a transferência entre contas do ativo, no que se tratam como exemplo de estoques usados em componentes de ativos imobilizados de construção própria. Os estoques alocados em custo de outro ativo, necessita ser reconhecido como despesa até a vida útil e na proporção da baixa desse ativo. 35 Divulgação contábil dos estoques Conforme CPC 16 (R1), para divulgação das demonstrações contábeis, devem considerar oito aspectos essenciais: 1. As políticas contábeis adotadas na mensuração dos estoques, incluindo formas e critérios de valoração utilizados; 2. O valor total escriturado em estoques e o valor registrado em outras contas apropriadas para a entidade; 3. O valor de estoques escriturados pelo valor justo menos os custos de venda; 4. O valor de estoques reconhecido como despesa durante o período; 5. O valor de qualquer redução de estoques reconhecida no resultado do período; 6. O valor de toda reversão de qualquer redução do valor dos estoques reconhecida no resultado do período; 7. As circunstâncias ou os acontecimentos que conduziram à reversão de redução de estoques; e 8. O montante escriturado de estoques dados como penhor de garantia a passivos. Para o valor de estoque baixado que tenha sido reconhecido como despesa durante um período, frequentemente será denominado como custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos, originando dos custos que estavam incluídos na mensuração do estoque vendido. De acordo com as circunstâncias da entidade, se pode considerar inclusão de outros valores, tais como custos de distribuição, se esses adicionarem valores aos produtos; como exemplo: uma mercadoria tem valor de venda maior na prateleira do supermercado do que no depósito de distribuição dessa entidade; assim, o custo do transporte do centro de distribuição à loja de venda deve ser considerado como parte integrante do custo de colocar o estoque em condições de venda; consequentemente, deve afetar o custo da mercadoria. A depender do formato que a entidade realiza a divulgação das demonstrações do resultado, e que esse não apresente os custos dos estoques reconhecidos como despesa durante o período, a entidade deve apresentar a demonstração do custo das vendas usando uma classificação baseada na natureza desses custos, elemento a elemento. Nesse caso, a entidade deve divulgar os custos reconhecidos como despesa item a item, por natureza: matérias-primas e outros materiais, demonstrando o valor das compras e da alteração líquida nos estoques iniciais e finais do período; mão de obra; outros custos de transformação etc. 36 Diferenças entre almoxarifado, depósito, estoque e armazém Existem diferenças entre os tipos de nomenclaturas, no entanto todos servem para guarda de itens de forma temporária, mas essas diferenças estão associadas ao seu tipo de utilização, finalidade. Almoxarifado Utilizado para guardar itens que tenham utilização interna da entidade, tais como: material de limpeza, cozinha, escritório entre outros. Depósito Guarda maior volume que o almoxarifado, recebe outros tipos de itens de diversas classificações, tais como: Materiais de escritório; matéria-prima; produto acabado entre outros. Recomenda-se o uso de depósito quando existir uma clara segregação física e visual dos materiais acondicionados em seu interior. Estoque Utilizado para armazenagem de itens destinado a produção e venda das entidades, muito utilizado por indústrias. Armazém Prédio independente, destinado ao recebimento e entregas de mercadorias, podendo ser esses de todos os portes, pequeno, médio ou grande. É principalmente utilizado por entidades de revenda e distribuidores, onde existe um elevado volume de itens. Pontos de atenção do auditor ao verificar a gestão do estoque Para a realização de auditoria na gestão do estoque, existem diversos pontos para se atentar durante a análise desse grupo de conta, tendo em vista sempre que o teste principal é a confirmação da existência física dos estoques, se o item registrado contabilmente é confirmado por meio do inventário. Inventário é um sistema de conferência das quantidades existentes fisicamente em um estoque e confrontado com os registros contábeis, com o intuito de garantir que os itens e valores registrados no sistema contábil estão aderentes aos encontrados fisicamente, esse tema será detalhado em outro capítulo dessa apostila. 37 BIBLIOGRAFIA BOARD, International Accounting Standards. 2018. IFRS 16. jan. de 2018. Disponível em: http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/195_CPC_06.doc. Acesso em: 6 jul. 2019. BRASIL. 2003. Lei n.º 10.833/2003. Dezembro de 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm. Acesso em: 6 jul. 2019. BRASIL. 1976. Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 15 de dez. de 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 6 jul. 2019. BRASIL. 2014. Lei n.º 12.973, de 13 de maio de 2014. Maio de 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2014/lei/l12973.htm. Acesso em: 6 jul. 2019. CONTÁBEIS, COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS. 2018. Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração. 1º de jan. de 2018.