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PESQUISA E ESCRITA
ACADÊMICA
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Olá!
Todas as ciências se caracterizam pelo uso de métodos científicos; em
contrapartida, nem todos os ramos de estudo que aplicam estes métodos são
ciências. Deste modo, podemos concluir que a utilização de métodos científicos
não é exclusiva da ciência, mas não há ciência sem o emprego de métodos
científicos.
Nesta aula vamos começar a conhecer esses métodos utilizados na busca
do conhecimento.
Bons estudos!
AULA 2 -
MÉTODOS
CIENTÍFICOS I
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Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais da psicologia entenderá
como ela alcançou o seu estatuto de cientificidade. Além disso, terá a oportunidade
de conhecer as três grandes doutrinas da psicologia, behaviorismo, psicanálise e
Gestalt, e as áreas de atuação do psicólogo.
Compreender o conceito de psicologia
Identificar as diferentes áreas de atuação da psicologia
Conhecer as áreas de atuação do psicólogo.
Aqui você será introduzido na seara da Metodologia, conhecendo os
seguintes métodos:
Método indutivo;
Método dedutivo;
Método hipotético-dedutivo.
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2 MÉTODOS CIENTÍFICOS I
2.1 Método indutivo
Caracterização
A indução é um processo mental em que, a partir de dados particulares e
suficientemente constatados, deduz-se uma verdade geral ou universal, não contida
nas partes examinadas. Logo, o escopo dos argumentos indutivos é chegar a
conclusões que possuem um conteúdo muito mais amplo do que o das premissas em
que se basearam.
Uma característica que não podemos deixar de mencionar é que o argumento
indutivo, assim como o dedutivo que veremos adiante, fundamenta-se em premissas.
Porém, se nos dedutivos as premissas verdadeiras levam sempre à conclusão
verdadeira, nos indutivos levam apenas a conclusões prováveis. Assim, podemos
afirmar que as premissas de um argumento indutivo correto embasam e dão certa
verossimilhança à sua conclusão. De tal forma, quando as premissas são verdadeiras,
o melhor a se dizer é que provavelmente a conclusão é verdadeira. (CERVO;
BERVIAN, 1978. Apud MARCONI; LAKATOS, 2003)
Ao analisar os exemplos, podemos tirar várias conclusões a respeito do método
indutivo:
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Leis, regras e fases do Método Indutivo
A indução ocorre em três etapas (fases), que são elementos fundamentais:
1) Observação dos fenômenos: os fatos ou fenômenos são observados e analisados,
a fim de descobrir as causas de sua manifestação;
2) Descoberta da relação entre eles: por meio de comparação, busca-se aproximar os
fatos/fenômenos, com o objetivo de descobrir a relação constante entre eles;
3) Generalização da relação: generaliza-se a relação entre os fenômenos e fatos
semelhantes, encontrada na precedente, muitos dos quais ainda não se observou (e
muitos são, inclusive, inobserváveis).
No primeiro passo, então, observamos certos fatos ou fenômenos com atenção.
A seguir, passa-se à classificação, ou seja, agrupamento dos fatos/fenômenos de
mesma espécie, segundo a sua relação constante. Por fim, chega-se a uma
classificação, decorrente da generalização da relação observada. (MARCONI;
LAKATOS, 2003)
Exemplo: Observo que José, João, Joaquim e outros são mortais; verifico a relação
entre ser homem e ser mortal; generalizo dizendo que todos os homens são mortais:
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José, João, Joaquim... são mortais.
Ora, José, João, Joaquim... são homens.
Logo, (todos) os homens são mortais.
ou,
O homem José é mortal.
O homem João é mortal.
O homem Joaquim é mortal.
(todo) homem é mortal.
Para equívocos facilmente evitáveis não sejam cometidos, impõem-se três
regras sequentes orientadoras do trabalho de indução:
a) Certificar-se de que é verdadeiramente essencial a relação que se pretende
generalizar, para evitar confusão entre o essencial e o acidental;
b) Assegurar-se de que os fenômenos/fatos, dos quais se pretende generalizar uma
relação, sejam idênticos, evitando, assim, aproximações entre fatos e fenômenos
diferentes, cuja semelhança é acidental;
c) Não perder de vista o aspecto quantitativo dos fatos/fenômenos, regra imposta
devido a ciência ser primordialmente quantitativa, o que torna possível um tratamento
objetivo, matemático e estatístico. (MARCONI; LAKATOS, 2003).
As etapas e regras do método indutivo se baseiam em "leis" (determinismo)
observadas na natureza, as quais:
a) "nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos efeitos";
b) "o que é verdade de muitas partes suficientemente enumeradas de um sujeito, é
verdade para todo esse sujeito universal" (NÉRICI, 1978. Apud MARCONI; LAKATOS,
2003. p. 88).
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O uso da indução leva à duas perguntas:
a) Qual a justificativa para as inferências indutivas?
R: Temos expectativas e acreditamos na existência de certa regularidade nas coisas,
e por isso o futuro será como o passado.
b) Qual a justificativa para a crença de que o futuro será como o passado?
R: São mormente as observações feitas no passado. Ex: se o sol “nasce" há milhões
de anos, supõe-se que nascerá amanhã.
Logo, as observações feitas no passado e que se repetem geram a expectativa
de uma regularidade no mundo, no que tange aos fatos e fenômenos. Por essa razão,
analisando vários casos singulares de mesmo gênero, estendemos a todos (de
mesmo gênero) tais conclusões pautadas nas observações dos primeiros, por meio
da "constância das leis da natureza" ou do "princípio do determinismo".
O problema da indução é somente um caso particular do problema geral do
conhecimento abstrato, já que a lei científica não é nada além um fato geral, abstraído
da experiência sensível (JOLIVET, 1979. Apud MARCONI; LAKATOS, 2003. p. 88).
Formas de indução
Há duas formas de indução:
Fonte: MARCONI; LAKATOS (2003).
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Em relação ao método indutivo necessitar de muitos casos ou de um só,
Marconi e Lakatos citam Cohen e Nagel (1971) acerca de uma indagação de Mill sobre
por que recorrentemente um alto número de casos observados se apresenta
insuficiente para uma proposição universal (por exemplo, de que todos os corvos são
negros), enquanto em outras situações, poucos casos (ou até mesmo apenas um) são
suficientes para estabelecer uma indução (por exemplo, de que alguns tipos de fungos
são venenosos). Cohen e Nagel respondem:
[...] se bem que nunca podemos estar completamente seguros de que um
caso verificado seja uma amostra imparcial de todos os casos possíveis, em
algumas circunstâncias a probabilidade de que isto seja verdade é muito alta.
Tal acontece quando o objeto de investigação é homogêneo em certos
aspectos importantes. Porém, em tais ocasiões, torna-se desnecessário
repetir um grande número de vezes o experimento confirmatório de
generalização, pois, se o caso verificado é representativo de todos os casos
possíveis, todos eles são igualmente bons. Dois casos que não diferem em
sua natureza representativa contam simplesmente como um só caso.
(COHEN; NAGEL, 1971. Apud MARCONI; LAKATOS, 2003).
Regras para indução incompleta:
De acordo com Souza et al. (1976, apud MARCONI; LAKATOS, 2003), a força
indutiva dos argumentos por enumeração se sustenta nos seguintes fundamentos:
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Como a amostra é um fator relevante para o poder indutivo do argumento,
devemos analisar algumas situações em que problemas de amostra influenciam a
legitimidade da inferência.
a) Amostra insuficiente: Quando a generalização ocorre a partir de dados insuficientes
para sustenta-la.
Ex: Em determinado ano, em uma vila de 200 moradores da cidade de Montes Claros,
quatro pessoas morreram: duas atropeladas por umacaminhonete, e duas por
insuficiência renal. Jamais se poderia dizer que 50% da população que falece nessa
vila são por acidentes de trânsito e 50% por insuficiência renal.
b) Amostra tendenciosa: Quando uma generalização indutiva se baseia em uma
amostra não representativa da população.
Ex: Entre mais de 7 milhões de pessoas, habitantes de Hong Kong, a expectativa de
vida é de 82,9 anos para homens e 88 anos para mulheres. Ainda assim, jamais
poderíamos dizer que a expectativa de vida de todos os homens é de 82,9 anos e
todas as mulheres 88, pois as condições culturais, de saneamento, educação,
violência e poluição do local onde os números foram aferidos altera os resultados em
relação ao restante do mundo.
2.2 Método dedutivo
Argumentos dedutivos e indutivos
Podemos ilustrar a diferença entre tais argumentos da seguinte forma:
Dedutivo:
Todo mamífero tem um coração.
Ora, todos os gatos são mamíferos.
Logo, todos os gatos têm um coração.
Indutivo:
Todos os gatos que foram observados tinham um coração.
Logo, todos os gatos têm um coração.
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As duas características básicas que diferem os argumentos são:
Fonte: SALMON, 1978. Apud MARCONI LAKATOS, 2003.
Característica I Característica II
No argumento dedutivo, para que a conclusão
"todos os gatos têm um coração" fosse falsa,
uma ou ambas as premissas deveriam ser falsas:
ou nem todos os gatos são mamíferos ou nem
todos os mamíferos têm um coração. Em
contrapartida, no argumento indutivo é possível
que a premissa seja verdadeira e a conclusão
falsa: O fato de não ter encontrado um gato sem
coração até o presente momento, não garante
que todos os gatos têm um coração.
Quando a conclusão do argumento dedutivo
afirma que todos os gatos possuem um coração,
está na verdade dizendo algo que já havia sido
dito nas premissas; logo, como todo argumento
dedutivo, reformula ou enuncia de modo explícito
a informação que já continha nas premissas.
Assim, se, a rigor, a conclusão não diz mais que
as premissas, ela tem que ser verdadeira caso
as premissas o forem. Por sua vez, no argumento
indutivo, a premissa refere-se somente aos gatos
já observados, ao passo que a conclusão diz
respeito a gatos ainda não observados; desse
modo, a conclusão enuncia algo não contido na
premissa. É por esta razão que a conclusão pode
ser falsa (pois pode ser falso o conteúdo
adicional que encerra), mesmo que a premissa
seja verdadeira.
Os dois tipos de argumentos possuem propósitos diversos - o dedutivo tem o
fim de explicar o conteúdo das premissas; o indutivo tem a finalidade de ampliar o
alcance dos conhecimentos. Analisando isso sob outro angulo, poder-se-ia dizer que
os argumentos dedutivos ou estão certos ou errados, ou seja, as premissas sustentam
completamente a conclusão ou, quando a forma é logicamente errada, não a
sustentam de nenhum modo; logo, não há graduações intermediárias. De maneira
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oposta, os argumentos indutivos permitem diferentes níveis de força, a depender da
capacidade de sustentação das premissas perante a conclusão. Resumindo, os
argumentos indutivos maximizam o conteúdo das premissas, em detrimento da
precisão, ao passo que nos argumentos dedutivos a ampliação do conteúdo é
sacrificada para atingir a "certeza".
Os exemplos apresentados mostram as características e a diferença entre os
argumentos em questão, porém não demonstram sua real importância para a ciência.
Na ciência pode-se ilustrar nas seguintes situações:
A relação entre a evidência observacional e a generalização científica é de
tipo indutivo. As várias observações destinadas a determinar a posição do
planeta Marte serviram de evidência para a primeira lei de Kepler, segundo a
qual a órbita de Marte é elíptica. A lei refere-se à posição do planeta,
observada ou não, isto é, o movimento passado era elíptico, o futuro também
o será, assim como o é quando o planeta não pode ser observado, em
decorrência de condições atmosféricas adversas. A lei - conclusão – tem
conteúdo muito mais amplo do que as premissas - enunciados que
descrevem as posições observadas (SALMON, 1978. Apud MARCONI,
LAKATOS, 2003. p. 93)
Já “os argumentos matemáticos são dedutivos. Na geometria euclidiana do
plano, os teoremas são todos demonstrados a partir de axiomas e postulados; apesar
do conteúdo dos teoremas já estar fixado neles, esse conteúdo está longe de ser
óbvio” (SALMON, 1978. Apud MARCONI, LAKATOS, 2003. p. 93)
Argumentos condicionais
Entre as diversas formas de argumentos dedutivos que se pode encontrar em
manuais de lógica e filosofia, há os argumentos condicionais válidos, que mais nos
interessam neste momento. São dois: a “afirmação do antecedente" (modus ponens)
e a "negação do consequente" (modus tollens).
O modus ponens tem a seguinte forma:
Se p, então q.
Ora, p.
Então, q.
É chamado de "afirmação do antecedente", porque a primeira premissa é um
enunciado condicional, e a segunda coloca o antecedente desse mesmo condicional;
a conclusão é o consequente da primeira premissa.
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Exemplos:
O modus tollens tem a seguinte forma:
Se p, então q.
Ora, não-q.
Então, não-p.
É chamado de "negação do consequente" devido à primeira premissa ser um
condicional, e a segunda uma negação do consequente desse condicional.
Exemplos:
2.3 Método hipotético-dedutivo
Conforme Karl Popper, o método científico inicia-se de um problema (P1), em
que se oferece um tipo de solução provisória - uma teoria-tentativa (TT), e depois
passa-se a criticar a solução, com o fim de eliminação do erro (EE) e, assim como na
dialética, tal processo renovaria a si mesmo, passando a surgir novos problemas (P2).
Sobre o método, Popper:
[...] “condensei o exposto no seguinte esquema: P1_____________
TT_____________ EE_____________ P2. (...) Eu gostaria de resumir este
esquema, dizendo que a ciência começa e termina com problemas". Já tinha
escrito em outro lugar: "eu tenho tentado desenvolver a tese de que o método
científico consiste na escolha de problemas interessantes e na crítica de
nossas permanentes tentativas experimentais e provisórias de solucioná-los"
(POPPER, 1977, 1975. Apud MARCONI; LAKATOS, 2003. p. 95).
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Etapas do método Hipotético-Dedutivo segundo Popper
O esquema de Popper pode ser ilustrado da seguinte maneira:
EXPECTATIVAS ou
CONHECIMENTO PRÉVIO
PROBLEMA
CONJECTURAS
FALSEAMENTO
Ou:
Se a hipótese não superar os testes, restará refutada, exigindo nova formulação
do problema e hipótese, que, por sua vez, superando os testes rigorosos, estará
provisoriamente confirmada, porém não de modo definitivo, como desejam os
indutivistas. [...] "na medida em que um enunciado científico se refere à realidade, ele
tem que ser falseável; na medida em que não é falseável, não se refere à realidade".
(POPPER, 1975. Apud MARCONI; LAKATOS, 2003. p. 96).
A respeito da proposição de Popper, a observação não vem o vácuo, e toda
observação se precede por um problema/hipótese. Ela é ativa e seletiva, tendo as
"expectativas inatas" como critério de seleção, e somente pode ser feita a partir de
algo anterior. Este ‘algo’ trata-se de nosso conhecimento prévio ou expectativas.
Para Popper, qualquer observação
[...] é uma atividade com um objetivo (encontrar ou verificar alguma
regularidade que foi pelo menos vagamente vislumbrada); trata-se de uma
atividade norteada pelos problemas e pelo contexto de expectativas
('horizonte de expectativas')". "Não há experiência passiva. Não existe outra
forma de percepção que não seja no contexto de interesses e expectativas,
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e, portanto, de regularidades e leis. Essas reflexões levaram-me à suposição
de que a conjectura ou hipótese precede a observação ou percepção; temos
expectativas inatas, na forma de expectativas latentes, que há de ser ativadas
por estímulosaos quais reagimos, via de regra, enquanto nos empenhamos
na exploração ativa. Todo aprendizado é uma modificação de algum
conhecimento anterior” (POPPER, 1977. Apud MARCONI; LAKATOS, 2003.
p. 97).
Podemos dizer que os humanos são geneticamente programados e possuem
o que é chamado de imprintação. Os filhotes têm uma capacidade inata de tirar
conclusões inabaláveis. A pequena tartaruga quando sai do ovo, corre em direção ao
mar sem que ninguém a tenha avisado do perigo que corre caso não mergulhe
imediatamente; o animal, quando nasce na floresta, mesmo sem qualquer instrução
corre e procura a mãe para se alimentar; o recém-nascido já possui expectativa de
carinho e acolhimento. Processos de aprendizagem sempre consistem na formação
de expectativas por tentativa e erro.
Finalmente, nascemos com expectativas e pelo contexto destas é que ocorre a
observação, quando algo inesperado acontece, quando uma expectativa é frustrada,
quando uma teoria desmorona. Logo, o ponto de partida da pesquisa não é a
observação, mas o problema. O aumento do conhecimento avança de velhos
problemas novos através de conjectura e refutação.
Problema
A primeira etapa do método de Popper é o surgimento do problema. Nosso
conhecimento consiste no conjunto de expectativas que formam uma espécie de
moldura, cuja quebra provoca uma dificuldade: o problema que vai desencadear a
pesquisa. Toda investigação nasce de um problema prático/teórico, que dirá o que é
relevante ou não para se observar - os dados se que deve selecionar. Tal seleção
exige uma hipótese/conjectura/suposição, que servirá de guia ao pesquisador. Logo,
a ciência decorre de problemas, e esses problemas surgem nas nossas tentativas de
compreender o mundo pela nossa 'experiência' (esta que consiste mormente de
expectativas ou teorias e de conhecimento derivado da observação - embora não
exista conhecimento derivado da observação pura, sem mesclar teorias e
expectativas (MARCONI; LAKATOS, 2003).
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Conjecturas
A conjectura é uma solução proposta como proposição sujeira a teste direto ou
indireto, nas suas consequências, sempre dedutivamente: " ’Se’... ‘então’."
Fonte: POPPER, 1975. Apud MARCONI; LAKATOS, 2003. p. 98.
Uma conjectura é feita para explicar ou prever o que desperta nossa
curiosidade intelectual ou dificuldades teóricas e/ou práticas. Num mar de fatos, só
quem lançar a rede de conjecturas poderá pescar alguma coisa.
As duas condições fundamentais do enunciado-conjectura (hipóteses) são:
“compatibilidade” com o conhecimento prévio; e "falseabilidade".
Tentativa de falseamento
Na terceira etapa do método hipotético-dedutivo, testes são conduzidos para
tentativas de falseamento, eliminação de erros. Um dos tipos de testes é a observação
e experimentação. Consiste em tornar falsas as consequências que se deduziu ou
derivou da hipótese, através do modus tolles, isto é, "se p, então q, ora não-q, então
não-p", ou seja, se q se deduz de p, mas q é falso, então logicamente p é falso.
Quanto mais falseável é uma conjectura, mais científica ela é, e quanto mais
informativa e maior conteúdo empírico tiver, mais falseável será. Ex: "Vai chover
amanhã" é um a conjectura pouco informativa (quando, como, onde, etc.) e, portanto,
de difícil falseamento, mas também sem importância. Não é facilmente falseável pois
vai chover em algum lugar do mundo. "Amanhã, em tal lugar, em tal
hora/minuto/segundo, vai chover torrencialmente" é de fácil falseamento pois possui
grande conteúdo empírico e informativo. Basta esperar naquele local e horário para
confirmar a verdade ou falsidade da conjectura, e estas são as que interessam à
ciência.
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A indução busca veementemente confirmar, verificar a hipótese; tenta acumular
todos os possíveis casos concretos afirmativos. Popper, por outro lado, visa procurar
evidências empíricas para torná-la falsa. Claro que todos os casos positivos coletados
não confirmarão, como busca a indução; no entanto, um único caso negativo concreto
é suficiente falsear a hipótese, como é buscado por Popper. Isso é mais fácil e
possível. Se a conjectura resiste a testes rigorosos, ela é "corroborada” e não
confirmada, como almejam os indutivistas.
“Corroborar” é o verbo correto. “Confirmar” uma hipótese é utópico, já que
teríamos que acumular todos os casos positivos presentes, passados e futuros, algo
impossível. Entretanto, cabe dizer que a não descoberta de um caso concreto
negativo corrobora a hipótese, o que, não ultrapassa o nível de provisoriedade, como
afirma Popper. É válida, porque superou todos os testes, mas não definitivamente
confirmadas, pois pode surgir fato que a invalida, como ocorre com várias leis e teorias
na história de Ciência.
Qualquer hipótese é válida desde que não se recuse a ser submetida ao teste
de falseamento empírico e intersubjetivo. Intersubjetivo, conforme afirma Popper,
porque não existe objetividade. (MARCONI; LAKATOS, 2003)
O Método Hipotético-dedutivo Segundo Bunge
Conforme Marconi e Lakatos, para Bunge (1974), tal método obedece às
seguintes etapas:
a) Colocação do problema:
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b) Construção de um modelo teórico:
c) Dedução de consequências particulares:
d) Teste das hipóteses:
e) Adição ou introdução das conclusões na teoria:
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de
Metodologia Científica. 5 ed. São Paulo: Atlas 2003.
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