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História O Primeiro Reinado Curiosidade A Constituição de 1824, criada durante o Primeiro Reinado, foi a mais longeva do país. Ela vigorou por 65 anos e terminou com a Proclamação da República e a criação de uma nova Carta Constitucional. Teoria O Primeiro Reinado (1822–1831) e a Constituição de 1824 Em 3 de maio de 1823, a Assembleia Constituinte convocada por D. Pedro I iniciou seus trabalhos com políticos eleitos de forma indireta: representantes das tendências liberais (que queriam um monarca com um poder simbólico), os Bonifácios (queriam um monarca com poder, mas controlado) e, em menor número, os portugueses absolutistas, reconhecidos como o Partido Português. Apesar dos debates e da influência de D. Pedro I, que tentava encaminhar a Constituinte para um perfil mais centralizador, o anteprojeto elaborado em 1823 por Andrada Machado e Silva tinha um perfil muito mais liberal e antiabsolutista, limitando os poderes reais. O anteprojeto passou a ser chamado de "Constituição da Mandioca”, pois decretava o voto censitário e condicionado à renda mínima de 150 alqueires de mandioca. Essa resolução excludente, além de marginalizar a população, permitindo apenas à elite rural participar da política, apresentava um caráter anticolonialista, pois afastava os portugueses, que se dedicavam majoritariamente ao comércio. Apesar de seu perfil conservador quanto ao voto, a Constituição de 1823 se apresentou muito mais liberal em outros pontos; pois, não só era inspirada na Revolução Francesa e nos princípios do iluminismo, como reduzia o poder do monarca e ampliava o do Legislativo, condenando o absolutismo. Assim, descontente com o anteprojeto constitucional elaborado (por reduzir seus poderes), o recém-coroado imperador dissolveu a Assembleia Constituinte, prendendo e perseguindo aqueles que ainda tentassem resistir na noite do dia 12 de novembro, que ficou conhecida como a “Noite da Agonia”. Nesse momento, com maior poder sobre o processo constitucional, D. Pedro I convocou dez conselheiros próximos para a confecção da Constituição de 1824, que foi outorgada (ou seja, imposta) em 25 de março. A primeira Constituição da história do Brasil era autoritária e excludente. Além dos Três Poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo), D. Pedro I criou um quarto poder, o Moderador, que permitia ao imperador intervir em todos os outros poderes e em qualquer esfera, dissolvendo a câmara ou anulando decisões do legislativo. História Assim como o anteprojeto anterior, a Constituição de 1824 insistiu no voto censitário. No entanto, agora só poderiam votar homens acima dos 25 anos, alfabetizados, livres e que pudessem comprovar renda anual acima de 100 mil réis. Para ser candidato a senador ou deputado, também era necessária a comprovação de renda (400 mil réis por ano para deputado federal e 800 mil para senador). Os cargos de deputado eram temporários e os de senador e conselheiros de Estado eram vitalícios. A Constituição, ainda, instituía o catolicismo como religião oficial (tolerava os outros cultos desde que domésticos ou em templos descaracterizados), e o padroado dava direito de o imperador nomear cargos eclesiásticos. Embora tentasse se afastar das heranças portuguesas e coloniais, o novo Estado brasileiro que se construía pós-Independência não rompia com a estrutura básica desse passado. Ou seja, mantiveram-se a escravidão africana, a monarquia, as desigualdades sociais, o poder das mesmas aristocracias e, naturalmente, a concentração fundiária. Enfim, a independência do Brasil e a formação do Estado nacional foi um processo composto muito mais pelas continuidades do que por rupturas reais com a antiga estrutura. Pega a visão: repare que, no caso do Brasil, diferentemente dos países colonizados pela América espanhola, a unidade territorial permaneceu por quase todo o período colonial. Segundo historiadores, algumas questões podem ser apontadas como justificativa para esse processo, como a supressão dos grupos resistentes a independência, a implantação de uma monarquia, o interesse na manutenção da escravidão, a forma de administração centralizada durante o período colonial, a proibição da criação de universidades durante a maior parte da história do Brasil colônia, medo de uma revolução feita por escravizados, entre outros. Guerras e revoltas no Primeiro Reinado Em 1824, eclodiu a Confederação do Equador, que se expandiu pelas províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, profundamente insatisfeitas com as políticas centralizadoras do imperador, a nomeação de Francisco Paes Barreto como presidente da província de Pernambuco (que já havia elegido seu presidente) e a Constituição de 1824. O movimento sofreu influência dos pensamentos iluministas que chegavam da Europa e das próprias revoluções liberais de 1820, que ocorriam na Europa. Assim, os revoltosos brasileiros História defendiam a emancipação das províncias do Nordeste, a criação de uma Constituição liberal, a abolição da escravidão (uma parcela do movimento) e a criação de uma república. Dessa forma, a revolta liderada por Frei Caneca e Manoel de Carvalho Paes de Andrade foi composta pela classe média urbana e os fazendeiros locais; contudo, ao desenrolar dos eventos, ganhou apoio popular. Apesar da força e da rápida expansão, logo foi contida por D. Pedro I e teve seus apoiadores punidos com morte – sobretudo Frei Caneca, o mártir da revolta. Além dos problemas no Nordeste, com a Confederação do Equador, D. Pedro I também foi pressionado na região Sul do país, com a Guerra da Cisplatina. Entre 1825 e 1828, Brasil e Argentina lutaram pela posse de uma região que gerava conflitos desde o período colonial entre Espanha e Portugal, que era a chamada Província de Cisplatina. Embora a região tivesse sido “fundada” por colonos portugueses em 1680 como Colônia do Sacramento e reconquistada por D. João VI em 1816, o território passou a ser da Espanha em 1777. Ou seja, os habitantes locais se identificavam muito mais com a cultura espanhola do que com as identidades luso-brasileiras que se construíam no Brasil. Assim, liderados por João Antônio Lavalleja e com apoio da Argentina, um movimento de independência da Cisplatina se iniciou contra o império brasileiro, atraindo as tropas de D. Pedro I para a região e iniciando uma guerra extremamente danosa para o Brasil. Os conflitos cessaram apenas em 1828, com a assinatura de um tratado de paz entre Brasil e Argentina, mediado pela Inglaterra, que garantia a criação e a autonomia da República Oriental do Uruguai. Por fim, o imperador brasileiro assistiu à sua primeira derrota militar como chefe de Estado e ampliou ainda mais o desgaste de sua imagem com a população brasileira; que, além de criticar seu perfil autoritário e as altas taxas cobradas pela guerra, passou a questionar sua liderança. A crise e a abdicação de D. Pedro I Tendo em vista o cenário de revolta e guerra destacado somado à crescente crise econômica (com o declínio da economia açucareira e a falência do Banco do Brasil em 1829), a imagem de D. Pedro I se desgastava rapidamente logo nos primeiros anos de império. Como se não bastassem os problemas políticos e econômicos, o imperador ainda precisava lidar com suas questões familiares e pessoais, a oposição na imprensa e as constantes críticas ao seu autoritarismo. Um dos momentos de maior instabilidade desse período teve início com a morte de D. João VI, em 1826, em Portugal, que abriu uma crise sucessória no país. D. Pedro I se considerava o herdeiro direto; mas, decidindo permanecer no Brasil, deixou o trono para sua filha, D. Maria da Glória. A posse da jovem princesa gerou um conflito em Portugal, conhecido como a Crise de Sucessão ao Trono, pois o irmão de D. Pedro I, D. Miguel, reivindicava seu direito como sucessor e, a partirde 1828, passou a contar com o apoio das Cortes portuguesas. História Essa crise gerou uma guerra civil em Portugal, que afetou diretamente os cofres brasileiros, com gastos para a mobilização de tropas, armas e viagens. Embora a guerra tenha acabado somente em 1834, com a mediação de França e Inglaterra, que apoiaram D. Maria da Glória como rainha, a imagem de D. Pedro I no Brasil voltou a se desgastar pela crise gerada. Para tornar as coisas ainda mais delicadas, nessa mesma época, os conflitos entre D. Pedro I e a imprensa não cessavam e ganharam um capítulo à parte em novembro de 1830, quando o jornalista Líbero Badaró, um dos maiores críticos do monarca e grande defensor da liberdade, foi assassinado, gerando desconfianças em relação a D. Pedro I. A morte de Badaró e a recente aproximação do imperador ao Partido Português tornou o clima de uma viagem de D. Pedro I à província de Minas Gerais ainda mais tenso, o qual foi recebido com frieza. Em março de 1831, no retorno da viagem, seus partidários recepcionaram o imperador com um evento, porém a festa acabou com uma troca de garrafadas e outros objetos entre os apoiadores de D. Pedro I e seus oponentes, na famosa “Noite das Garrafadas”. Antes de abdicar, D. Pedro I tentou realizar manobras para fortalecer seu poder: formou um ministério liberal, que logo foi dissolvido para dar lugar a nomes de tendências absolutistas. As manobras não foram bem-aceitas; com isso, a população foi às ruas e militares passaram a pressionar o imperador. Então, no dia 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdicou do trono brasileiro, partindo para a Europa e deixando o império para seu filho, Pedro de Alcântara, de apenas cinco anos. História Exercícios de fixação 1. O Projeto Constitucional de 1823 ficou conhecido como: (A) Constituição da Cenoura. (B) Constituição da Mandioca. (C) Constituição da Beterraba. (D) Constituição da Acerola. 2. Podemos classificar o voto instituído pela Constituição de 1824 como: (A) Universal. (B) Censitário. (C) Inclusivo. (D) Majoritário. 3. O quarto poder criado com a Constituição de 1824 foi o: (A) Poder Executivo. (B) Poder legislativo. (C) Poder Judiciário. (D) Poder Moderador. 4. Um dos motivos da crise do Primeiro Reinado foi: (A) A abolição da escravidão. (B) A derrota na Guerra do Paraguai. (C) Os gastos com guerras. (D) As divergências com a Igreja Católica. 5. Como ficou conhecido o embate entre os apoiadores de D. Pedro I e seus oponentes em 1831? (A) Noite das Garrafadas. (B) Guerra da Cisplatina. (C) Confederação do Equador. (D) Noite da Agonia História Exercícios de vestibulares 1. (Enem Libras, 2017) Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de março de 1824) Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização política, e é delegado privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos demais Poderes Políticos. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 18 abr. 2015 (adaptado). A apropriação das ideias de Montesquieu no âmbito da norma constitucional citada tinha o objetivo de (A) expandir os limites das fronteiras nacionais. (B) assegurar o monopólio do comércio externo. (C) legitimar o autoritarismo do aparelho estatal. (D) evitar a reconquista pelas forças portuguesas. (E) atender os interesses das oligarquias regionais. 2. (Enem PPL, 2021) No Império do Brasil, apesar do apego a certo ideário do Antigo Regime, as ideias e práticas políticas inéditas que se moldaram e se redefiniram naquela conjuntura acabaram por converter a Coroa em Estado e fizeram com que a política deixasse os círculos palacianos privados para emprestar uma nova dimensão à praça pública. Por conseguinte, o novo império não mais podia fugir à obrigação de conduzir a sociedade, fazendo- -se reger por uma Constituição, ainda que outorgada, e articulando-se por meio de uma divisão de poderes que respeitasse, a princípio, pelo menos, a participação daqueles considerados cidadãos. NEVES, L. M. B. P. O governo de D. João: tensões entre ideias liberais e práticas do Antigo Regime. In: CARVALHO, J. M.; CAMPOS, A. P. (Org.).Perspectiva da cidadania no Brasil Império. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. Com base no texto, na formação do Estado brasileiro prevaleceram ideias e práticas derivadas dos princípios (A) iluministas. (B) federalistas. (C) republicanos. (D) democráticos. (E) abolicionistas. História 3. (Enem, 2019) Art. 90. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembleia Geral, e dos membros dos Conselhos Gerais das províncias, serão feitas por eleições, elegendo a massa dos cidadãos ativos em assembleias paroquiais, os eleitores de província, e estes, os representantes da nação e província. Art. 92. São excluídos de votar nas assembleias paroquiais: I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais se não compreendem os casados, os oficiais militares, que forem maiores de vinte e um anos, os bacharéis formados e os clérigos de ordens sacras. II. Os filhos de famílias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem a ofícios públicos. III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os guarda-livros, e primeiros caixeiros das casas de comércio, os criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas rurais e fábricas. IV. Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral. V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio ou emprego. BRASIL. Constituição de 1824. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 4 abr. 2015 (adaptado). De acordo com os artigos do dispositivo legal apresentado, o sistema eleitoral instituído no início do Império é marcado pelo(a): (A) Representação popular e sigilo individual. (B) Voto indireto e perfil censitário. (C) Liberdade pública e abertura política. (D) Ética partidária e supervisão estatal. (E) Caráter liberal e sistema parlamentar. 4. (Enem, 2012) Após o retorno de uma viagem a Minas Gerais, onde Pedro I fora recebido com grande frieza, seus partidários prepararam uma série de manifestações a favor do imperador no Rio de Janeiro, armando fogueiras e luminárias na cidade. Contudo, na noite de 11 de março, tiveram início os conflitos que ficaram conhecidos como a Noite das Garrafadas, durante os quais os “brasileiros” apagavam as fogueiras “portuguesas” e atacavam as casas iluminadas, sendo respondidos com cacos de garrafas jogadas das janelas. VAINFAS, R. (Org.). Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008 (adaptado). Os anos finais do I Reinado (1822-1831) se caracterizaram pelo aumento da tensão política. Nesse sentido, a análise dos episódios descritos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro revela (A) estímulos ao racismo. (B) apoio ao xenofobismo. (C) críticas ao federalismo. (D) repúdio ao republicanismo. (E) questionamentos ao autoritarismo. História 5. (Enem, 2011) Art. 92. São excluídos de votar nas Assembleias Paroquiais: III. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais não se compreendam os casados, e Oficiais Militares, que forem maiores de vinte e um anos, os Bacharéis Formados e Clérigos de Ordens Sacras. IV. Os Religiosos, e quaisquer que vivam em Comunidade claustral. V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio ou empregos. Constituição Política do Império do Brasil (1824). Disponível em: https:/legistação planaito.gov.br. Acesso em: 27 abr. 2010 (adaptado). A legislação espelha os conflitos políticos e sociais do contexto histórico de sua formulação. A Constituição de 1824 regulamentou o direito de voto dos “cidadãos brasileiros”com o objetivo de garantir (A) o fim da inspiração liberal sobre a estrutura política brasileira. (B) a ampliação do direito de voto para maioria dos brasileiros nascidos livres. (C) a concentração de poderes na região produtora de café, o Sudeste brasileiro. (D) o controle do poder político nas mãos dos grandes proprietários e comerciantes. (E) a diminuição da interferência da Igreja Católica nas decisões político. 6. (Enem, 2022) TEXTO I A primeira grande lei educacional do Brasil, de 1827, determinava que, nas “escolas de primeiras letras” do Império, meninos e meninas estudassem separados e tivessem currículos diferentes. No Senado, o Visconde de Cayru foi um dos defensores de que o currículo de matemática das garotas fosse o mais enxuto possível. Nas palavras dele, o “belo sexo” não tinha capacidade intelectual para ir muito longe: — Sobre as contas, são bastantes [para as meninas] as quatro espécies, que não estão fora do seu alcance e lhes podem ser de constante uso na vida. TEXTO II No Senado, o único a defender publicamente que as meninas tivessem, em matemática, um currículo idêntico ao dos meninos foi o Marquês de Santo Amaro (RJ). Ele argumentou: — Não me parece conforme, às luzes do tempo em que vivemos, deixarmos de facilitar às brasileiras a aquisição desses conhecimentos [mais aprofundados de matemática]. A oposição que se manifesta não pode nascer senão do arraigado e péssimo costume em que estavam os antigos, os quais nem queriam que suas filhas aprendessem a ler. WESTIN, R. Senado Notícias. Disponível em: www12.senado.leg.br. Acesso em: 20 out. 2021 (adaptado). Os discursos expressam pontos de vista divergentes respectivamente pela oposição entre (A) liberdade de gênero e controle social. (B) equidade de escolha e imposição cultural. (C) dominação de corpos e igualdade humana. (D) geração de oportunidade e restrição profissional. (E) exclusão de competências e participação política. História 7. (Unesp, 2021) No que dizia respeito ao Estado a ser construído, genericamente o modelo disponível era aquele que prevalecia no mundo ocidental. Tratava-se de organizar um aparato político-administrativo com jurisdição sobre um território definido, que exercia as competências de ditar as normas que deveriam regrar todos os aspectos da vida na sociedade, cobrar compulsoriamente tributos para financiá-lo e às suas políticas, exercer o poder punitivo para aqueles que não respeitassem as normas por ele ditadas. (Miriam Dolhnikoff. História do Brasil império, 2019.) O texto refere-se à organização política do Brasil após a independência, em 1822. O novo Estado brasileiro foi baseado em padrões (A) federalistas e garantia completa autonomia às províncias. (B) liberais e contava com sistema político representativo. (C) absolutistas e fundava-se no exercício dos três poderes pelo imperador. (D) elitistas e era controlado apenas pelos portugueses residentes no país. (E) democráticos e permitia a ampla participação da população brasileira. 8. (UNICID, 2019) A verdadeira luta entre a coroa e o parlamento abriu-se no dia 3 de maio de 1823, quando o imperador, inaugurando solenemente os trabalhos legislativos, julgou oportuno ministrar alguns conselhos sobre a orientação constitucional, terminados pela seguinte frase característica: “Espero que a constituição que fareis mereça a minha imperial aceitação”. Mal Sua Majestade tinha-se retirado, levantaram-se entre os deputados os primeiros protestos: o imperador não deveria dar regras à Constituinte. (José Maria dos Santos. A política geral do Brasil, 1989. Adaptado.) O resultado do conflito expresso pelo texto foi a (A) imposição parlamentar do Ato Adicional ao poder imperial. (B) adoção pela Constituição de um sistema legislativo bicameral. (C) instituição da Presidência do Conselho de Ministros. (D) previsão constitucional da existência do Conselho de Estado. (E) outorga da Constituição composta por quatro poderes História 9. (Enem, 2009 – anulada) A Confederação do Equador contou com a participação de diversos segmentos sociais, incluindo os proprietários rurais que, em grande parte, haviam apoiado o movimento de independência e a ascensão de D. Pedro | ao trono. A necessidade de lutar contra o poder central fez com que a aristocracia rural mobilizasse as camadas populares, que passaram então a questionar não apenas o autoritarismo do poder central, mas o da própria aristocracia da província. Os líderes mais democráticos defendiam a extinção do tráfico negreiro e mais igualdade social. Essas ideias assustaram os grandes proprietários de terras que, temendo uma revolução popular, decidiram se afastar do movimento. Abandonado pelas elites, o movimento enfraqueceu e não conseguiu resistir à violenta pressão organizada pelo governo imperial. FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1996 (adaptado), Com base no texto, é possível concluir que a composição da Confederação do Equador envolveu, a princípio, (A) os escravos e os latifundiários descontentes com o poder centralizado. (B) diversas camadas, incluindo os grandes latifundiários, na luta contra a centralização política. (C) as camadas mais baixas da área rural, mobilizadas pela aristocracia, que tencionava subjugar o Rio de Janeiro. (D) as camadas mais baixas da população, incluindo os escravos, que desejavam o fim da hegemonia do Rio de Janeiro. (E) as camadas populares, mobilizadas pela aristocracia rural, cujos objetivos incluíam a ascensão de D. Pedro! ao trono. 10. (Enem, 2023) Havia já muito tempo que a Europa desfrutava os benefícios da vacina e arrancava à morte milhares de inocentes, condenados a serem vítimas do terrível flagelo das bexigas, e o governo de Portugal nunca se lembrara de transmitir ao Brasil a mais útil das descobertas humanas, quando aliás nenhum país mais do que ele carecia deste salutar invento ou se atendesse às vantagens da população ou ao perdimento de imensas somas na mortandade contínua de escravos, que este flagelo devorava. O certo é que mais ocupado de seu ouro que de seus habitantes, Portugal, como em outros muitos casos, esperou que o Brasil por seu próprio impulso remediasse a este mal. PEREIRA, J. C. 12 jan. 1828 apud LOPES, M. B.; POLITO, R. Para uma história da vacina no Brasil: um manuscrito inédito de Norberto e Macedo. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, n. 2, abr.-jun. 2007 (adaptado). Escrito em 1828, o texto expressa a seguinte ideia de origem iluminista: (A) As leis observáveis regem o mundo material. (B) O monarca racional promove a sociedade justa. (C) O direito natural justifica a liberdade dos homens. (D) A produção da terra garante a riqueza das nações. (E) A responsabilidade dos governantes assegura a saúde dos povos. Sua específica é Humanas e quer continuar treinando esse conteúdo? Clique aqui, para fazer uma lista extra de exercícios. https://dex.descomplica.com.br/enem/historia/extra-o-primeiro-reinado-1822-1831- História Gabaritos Exercícios de fixação 1. B Em 1823, os deputados reunidos na Constituinte elaboraram um projeto de Constituição que determinaria o voto censitário, privilegiando principalmente os latifundiários e o poder legislativo; logo, o projeto ficou conhecido como a “Constituição da Mandioca”. 2. B A Constituição de 1824 estabeleceu o voto censitário, uma vez que somente homens que fossem maiores de 25 anos, alfabetizados, livres e que pudessem comprovar renda anual acima de 100 mil réis poderiam votar. 3. D O chamado Poder Moderador foi criado pela Constituição de 1824 e era destinado apenas ao imperador, que poderia utilizá-lo como ferramenta para interferir nas decisões dos outros três poderes. 4. C Desde a independência, D. Pedro I precisou administrar diversos conflitos internos, mobilizando tropas e contratando o serviço de mercenários para desarticular revoltas.Ainda no Primeiro Reinado, os conflitos na Cisplatina aumentaram ainda mais os gastos militares, que foram responsáveis pelo crescimento da crise financeira. 5. A Em março de 1831, no retorno da viagem de D. Pedro I a Minas Gerais, seus partidários recepcionaram o imperador com um evento, porém a festa acabou com uma troca de garrafadas e outros objetos entre os apoiadores do imperador e seus oponentes, na chamada “Noite das Garrafadas”. Exercícios de vestibulares 1. C A criação do Poder Moderador na Constituição de 1824 foi uma forma de garantir o controle do aparelho estatal nas mãos do imperador, já que esse poder se sobrepunha aos outros três Poderes. A apropriação das ideias de Montesquieu está na associação entre o Poder Moderador e a sua responsabilidade de supostamente equilibrar os outros poderes políticos. 2. A De acordo com o trecho destacado, apesar da criação do Poder Moderador e do apego a algumas ideias do Antigo Regime, o novo império foi formado com base em ideias iluministas, o que pode ser evidenciado, para o autor, por meio da própria Carta Magna, da separação de poderes e do estabelecimento da participação popular, ainda que mínima. 3. B A partir da interpretação dos artigos apresentados, podemos perceber que o Art. 90 revela o voto indireto, ou seja, mediado por representantes dos eleitores. O Art. 92 destaca aqueles que são excluídos do voto, revelando um perfil excludente, que determinava que indivíduos que não tivessem renda líquida superior a 100 mil réis por bens de raiz não poderiam votar. História 4. E A Noite das Garrafadas representou um embate entre os apoiadores e os críticos de D. Pedro I; os contrários criticavam principalmente o seu autoritarismo. 5. D O voto censitário garantia que o poder continuasse nas mãos da elite brasileira: os grandes proprietários e os comerciantes, uma vez que excluía a participação da maior parte da população. 6. C O texto I aborda a separação do ensino entre meninos e meninas por defender que havia um atraso intelectual por parte das meninas, demonstrando a proposição sobre a dominação do corpo feminino com base em construções sociais. Já no texto II, há a defesa de que meninos e meninas possuem as mesmas capacidades intelectuais ao afirmar que elas deveriam ter ensino aprofundado de matemática. A discussão proposta pelos dois textos está inserida em um contexto de reforma educacional durante a formação do império brasileiro, influenciada também pela difusão das ideias iluministas. 7. B Segundo a autora, na formação do Brasil “o modelo disponível era aquele que prevalecia no mundo ocidental”, nesse sentido, o país se fundou em uma lógica liberal e representativa, ainda que de forma genérica e paradoxal, uma vez que apenas uma pequena parcela da população tinha direito de voto e o imperador possuía o poder “concentrado” em suas mãos, a partir da criação do Poder Moderador. 8. E O projeto constitucional elaborado pela Assembleia Constituinte, convocada em 1823, descontentou D. Pedro I, pois reduzia significativamente o seu poder. Logo, o imperador dissolveu a Assembleia Constituinte, prendendo e perseguindo aqueles que ainda tentassem resistir, no evento que ficou conhecido como a “Noite da Agonia”. Em 1824, o monarca outorgou a Constituição de 1824, que estabeleceu a existência de quatro poderes: o executivo, o legislativo, o judiciário e o poder moderador, que era exercido exclusivamente pela figura do imperador. 9. B A Confederação do Equador em 1824 foi um movimento de caráter emancipacionista e republicano, que representou a principal reação contra a tendência centralista e autoritária de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Constituição de 1824. Como explicitado no texto, em princípio, contou, inclusive, com a participação de latifundiários. 10. E Ao atribuir ao rei a responsabilidade de transmitir ao Brasil os conhecimentos acerca da vacina, o texto expressa uma concepção de origem iluminista de que o governante, nesse caso, D. Pedro I, deveria garantir o bem-estar da população. Vale ressaltar que o texto é de 1828, momento em que o Brasil já é independente a alguns anos, não cabendo, portanto, a Portugal tomar qualquer atitude.