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SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
1 
 
 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
2 
 
 
DE ARTIGO A ARTIGO – SEMANA 071 
 
Olá, futuro (a) Promotor (a) de Justiça do Estado de Minas Gerais! Que felicidade te ver por aqui! É com 
muita alegria que iniciamos o nosso curso de Reta Final! 
 
O nosso material é o “De Artigo a Artigo”, que foi elaborado com muito carinho. Com objetivo de 
potencializar o seu estudo e o seu tempo (isso é precioso, né?), vamos abordar os pontos de destaque do seu 
concurso, com aquele combo que dá certo: doutrina, lei seca e jurisprudência! 
 
É importante destacar que, a depender do tema, daremos enfoque na leitura da lei, combinado? 
 
Então, vamos começar? 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL .................................................................................................................................. 2 
DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................................................................................................ 18 
DIREITO CIVIL ..................................................................................................................................................... 35 
DIREITO PENAL ................................................................................................................................................... 74 
DIREITO PROCESSUAL PENAL .......................................................................................................................... 101 
DIREITO CIVIL ................................................................................................................................................... 111 
 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
10. Defesa do Estado e das Instituições democráticas. Estado de defesa e estado de sítio. Forças Armadas 
e a Segurança Pública. 
11. Tributação e Orçamento. O sistema tributário nacional e as finanças públicas 12. Ordem Econômica e 
Financeira. Princípios gerais. Conceito de constituição econômica. Evolução do princípio da liberdade 
econômica nas constituições brasileiras. A política urbana, agrícola e fundiária. Reforma agrária. 
 
Devido ao tema e à cobrança, vamos focar na letra da lei. 
 
1Julia Nery. 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
3 
 
 
UM POUCO DE LEI SECA 
 
#ABREALEI! 
Constituição da República. 
 
DO ESTADO DE DEFESA 
 
Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, 
decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a 
ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por 
calamidades de grandes proporções na natureza. 
§ 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a 
serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as 
seguintes: 
I - restrições aos direitos de: 
a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; 
b) sigilo de correspondência; 
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica; 
II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo a 
União pelos danos e custos decorrentes. 
§ 2º O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma 
vez, por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação. 
§ 3º Na vigência do estado de defesa: 
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada 
imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de 
corpo de delito à autoridade policial; 
II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no 
momento de sua autuação; 
III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, salvo quando autorizada 
pelo Poder Judiciário; 
IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
4 
 
§ 4º Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o Presidente da República, dentro de vinte e quatro 
horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional, que decidirá por maioria 
absoluta. 
§ 5º Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado, extraordinariamente, no prazo de cinco 
dias. 
§ 6º O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento, devendo 
continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. 
§ 7º Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa. 
 
DO ESTADO DE SÍTIO 
 
Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, 
solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: 
I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida 
tomada durante o estado de defesa; 
II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 
Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua 
prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por 
maioria absoluta. 
 
Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua duração, as normas necessárias a sua execução e as 
garantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois de publicado, o Presidente da República designará 
o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. 
§ 1º O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá ser decretado por mais de trinta dias, nem 
prorrogado, de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser decretado por todo o tempo que 
perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira. 
§ 2º Solicitada autorização para decretar o estado de sítio durante o recesso parlamentar, o Presidente do 
Senado Federal, de imediato, convocará extraordinariamente o Congresso Nacional para se reunir dentro de 
cinco dias, a fim de apreciar o ato. 
§ 3º O Congresso Nacional permanecerá em funcionamento até o término das medidas coercitivas. 
 
Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas 
contra as pessoas as seguintes medidas: 
I - obrigação de permanência em localidade determinada; 
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Ciclos Método 
 
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II - detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns; 
III - restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação de 
informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão, na forma da lei; 
IV - suspensão da liberdade de reunião; 
V - busca e apreensão em domicílio; 
VI - intervenção nas empresas de serviços públicos; 
VII - requisição de bens. 
Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III a difusão de pronunciamentos de parlamentares 
efetuados em suas Casas Legislativas, desde que liberada pela respectiva Mesa. 
 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 140. A Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários, designará Comissão composta de 
cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução das medidas referentes ao estado de defesa 
e ao estado de sítio. 
 
Art. 141. Cessado o estado de defesa ou o estado de sítio, cessarão também seus efeitos, sem prejuízo da 
responsabilidade pelos ilícitos cometidos por seus executores ou agentes. 
Parágrafo único. Logo que cesse o estado de defesa ou o estado de sítio, as medidas aplicadas em sua 
vigência serão relatadas pelo Presidente da República, em mensagem ao Congresso Nacional, com 
especificação e justificação das providências adotadas, com relação nominal dos atingidosdas cidades. (Incluído pela Lei nº 12.983, de 2014) 
§ 1o A identificação e o mapeamento de áreas de risco levarão em conta as cartas geotécnicas. 
 (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
§ 2o O conteúdo do plano diretor deverá ser compatível com as disposições insertas nos planos de recursos 
hídricos, formulados consoante a Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997. (Incluído pela Lei nº 
12.608, de 2012) 
§ 3o Os Municípios adequarão o plano diretor às disposições deste artigo, por ocasião de sua revisão, 
observados os prazos legais. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
§ 4o Os Municípios enquadrados no inciso VI do art. 41 desta Lei e que não tenham plano diretor aprovado 
terão o prazo de 5 (cinco) anos para o seu encaminhamento para aprovação pela Câmara 
Municipal. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
Art. 42-B. Os Municípios que pretendam ampliar o seu perímetro urbano após a data de publicação desta Lei 
deverão elaborar projeto específico que contenha, no mínimo: (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
I - demarcação do novo perímetro urbano; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
II - delimitação dos trechos com restrições à urbanização e dos trechos sujeitos a controle especial em função 
de ameaça de desastres naturais; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
III - definição de diretrizes específicas e de áreas que serão utilizadas para infraestrutura, sistema viário, 
equipamentos e instalações públicas, urbanas e sociais; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
IV - definição de parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo, de modo a promover a diversidade de 
usos e contribuir para a geração de emprego e renda; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
V - a previsão de áreas para habitação de interesse social por meio da demarcação de zonas especiais de 
interesse social e de outros instrumentos de política urbana, quando o uso habitacional for 
permitido; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
VI - definição de diretrizes e instrumentos específicos para proteção ambiental e do patrimônio histórico e 
cultural; e (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
VII - definição de mecanismos para garantir a justa distribuição dos ônus e benefícios decorrentes do processo 
de urbanização do território de expansão urbana e a recuperação para a coletividade da valorização 
imobiliária resultante da ação do poder público. 
VIII - planejamento integrado de transporte urbano, inclusive por meio de veículos não motorizados, com 
vistas a melhorar a mobilidade. (Incluído pela Lei nº 14.729, de 2023) Vigência 
§ 1o O projeto específico de que trata o caput deste artigo deverá ser instituído por lei municipal e atender às 
diretrizes do plano diretor, quando houver. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
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§ 2o Quando o plano diretor contemplar as exigências estabelecidas no caput, o Município ficará dispensado 
da elaboração do projeto específico de que trata o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
§ 3o A aprovação de projetos de parcelamento do solo no novo perímetro urbano ficará condicionada à 
existência do projeto específico e deverá obedecer às suas disposições. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 
2012) 
 
UM POUCO DE JURISPRUDÊNCIA 
 
#DEOLHONAJURIS! 
O cumprimento da função social é requisito para que um imóvel produtivo não possa ser desapropriado 
para fins de reforma agrária. São constitucionais os arts. 6º e 9º da Lei nº 8.629/93, que exigem a presença 
simultânea do caráter produtivo da propriedade e da função social como requisitos para que determinada 
propriedade seja insuscetível de desapropriação, para fins de reforma agrária. STF. Plenário. ADI 3.865/DF, 
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 04/09/2023 (Info 1106). 
Em regra, não cabe indenização em favor dos proprietários dos imóveis abrangidos por ato administrativo 
que institua limitação administrativa, a não ser que comprovem efetivo prejuízo, ou limitação além das já 
existentes. Caso hipotético: João recebeu como herança dezenas de lotes de terra. Ele começou a 
comercializar esses lotes. Ocorre que foi editado o plano diretor municipal que instituiu, na área onde se 
localizam os lotes, uma zona de proteção ambiental, o que restringiu o uso e a ocupação do solo. Foi 
realizada perícia que atestou que, em razão das limitações administrativas, os lotes perderam 
substancialmente valor econômico. A indenização será devida. Isso porque as provas dos autos, 
notadamente o laudo pericial, atestaram que houve efetivo prejuízo. STJ. 2ª Turma. AREsp 551.389-RN, Rel. 
Min. Assusete Magalhães, julgado em 5/8/2023 (Info 786). 
Não incide imposto de renda sobre a compensação pela limitação decorrente da instalação de linhas de 
alta tensão na propriedade privada - servidão administrativa. O fato gerador do imposto de renda é a 
aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN). Os 
valores pagos a título de compensação por servidão administrativa não configuram acréscimo patrimonial. A 
servidão administrativa se dá quando o Poder Público intervém no direito de propriedade do particular, 
fixando condições e limites ao seu livre exercício sem, contudo, privá-lo por completo. Nesse sentido, a 
compensação pela limitação decorrente da instalação de linhas de alta tensão na propriedade privada possui 
nítido caráter indenizatório, cujo valor tem por finalidade recompor o patrimônio, não gerando acréscimo 
patrimonial do proprietário do imóvel. STJ. 2ª Turma. REsp 1992514-CE, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado 
em 21/3/2023 (Info 769). 
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Se o autor da ação de desapropriação não faz o depósito da quantia arbitrada, o juiz deverá negar a 
imissão provisória na posse, mas não pode, por essa razão, extinguir o processo. A ausência do depósito 
previsto no art. 15 do Decreto-Lei nº 3.365/41 para o deferimento de pedido de imissão provisória na posse 
veiculado em ação de desapropriação por utilidade pública não implica a extinção do processo sem resolução 
do mérito, mas, tão somente, o indeferimento da tutela provisória. STJ. 1ª Turma. REsp 1930735-TO, Rel. 
Min. Regina Helena Costa, julgado em 28/2/2023 (Info 767). 
Um dos requisitos específicos da petição inicial da ação de desapropriação de imóveis urbanos é a 
demonstração do impacto orçamentário-financeiro da medida e da compatibilidade da indenização a ser 
paga com as leis orçamentárias. Para cumprimento dos requisitos arrolados no art. 16, caput, I e II, e § 4º, II, 
da LRF é necessário instruir a petição inicial da ação expropriatória de imóveis com a estimativa do impacto 
orçamentário-financeiro e apresentar declaração a respeito da compatibilidade das despesas necessárias ao 
pagamento das indenizações ao disposto no plano plurianual, na lei de diretrizes orçamentárias e na lei 
orçamentária anual. STJ. 1ª Turma. REsp 1930735-TO, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 28/2/2023 
(Info 767). 
A requisição administrativa prevista no art. 15, XIII, da Lei do SUS não pode recair sobre bens e/ou serviços 
públicos de outro ente federativo. A requisição administrativa “para atendimento de necessidades coletivas, 
urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção 
de epidemias” — prevista no art. 15, XIII, da Lei Orgânica do Sistema Único de Saúde (Lei nº 8.080/90) — não 
recai sobre bens e/ou serviços públicos de outro ente federativo. O permissivo constitucional para a 
requisição administrativa de bens particulares, em caso de iminente perigo público, tem aplicação nas 
relações entre Poder Público e patrimônioprivado, não sendo possível estender a hipótese às relações entre 
as unidades da Federação. Ofende o princípio federativo a requisição de bens e serviços de um ente 
federado por outro, o que somente se admitiria excepcionalmente à União durante a vigência de estado de 
defesa (art. 136, § 1º, II) e estado de sítio (art. 139, VII). Entre os entes federados não há hierarquia, sendo-
lhes assegurado tratamento isonômico, ressalvadas apenas as distinções porventura constantes na própria 
CF/88. Portanto, como as relações entre eles se caracterizam pela cooperação e horizontalidade, tal 
requisição, ainda que a pretexto de acudir situação fática de extrema necessidade, importa ferimento da 
autonomia daquele cujos bens ou serviços públicos são requisitados, acarretando-lhe incontestável 
desorganização. STF. Plenário. ADI 3454/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2022 (Info 1059). 
Há violação aos limites das matérias que podem ser discutidas em ação de desapropriação direta quando 
se admite o debate - e até mesmo indenização - de área diferente da verdadeiramente expropriada, ainda 
que vizinha. Ao admitir a discussão e determinar o pagamento de indenização relacionada com área 
diferente da que é objeto de desapropriação, ainda que vizinha, o magistrado violou o art. 20 do Decreto nº 
3.365/1941, a qual reserva às ações próprias as discussões que vão além do imóvel expropriado. No caso, 
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mostrava-se ainda mais necessário submeter à sede autônoma a discussão sobre a área contígua à 
expropriada, pois o valor da indenização foi muito superior ao do próprio imóvel objeto da desapropriação 
(cerca de três vezes), e apresentava complexa discussão própria sobre o cálculo que deveria ser adotado 
para determinação dos lucros cessantes de exploração de seringueiras. Registre-se que não tratou a decisão 
recorrida de indenizar a depreciação de área remanescente (art. 27 do Decreto nº 3.365/1941), mas de 
produzir efeitos semelhantes ao de verdadeira desapropriação indireta, ampliação objetiva não admitida no 
caso, porque ultrapassa os limites da lide. STJ. 1ª Turma.REsp 1577047-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado 
em 10/05/2022 (Info 738). 
Na hipótese de desistência da ação de desapropriação por utilidade pública, face a inexistência de 
condenação e de proveito econômico, os honorários advocatícios sucumbenciais observam o valor 
atualizado da causa, assim como os limites da Lei das Desapropriações. Ao considerar que não houve 
condenação e que a parte ré não obteve proveito econômico nenhum, porque permaneceu com a mesma 
situação de antes da demanda, isto é, proprietária do imóvel antes sujeito à pretensão desapropriatória, o 
parâmetro há de ser o valor atualizado da causa. STJ. 2ª Turma. REsp 1834024-MG, Rel. Min. Mauro 
Campbell Marques, julgado em 10/05/2022 (Info 736). 
Em regra, quem adquire bem anteriormente atingido por restrição administrativa não é parte legítima, por 
carência de efetivo prejuízo, para, com fundamento em desapropriação direta ou indireta, ingressar com 
ação indenizatória contra o Estado. Nessas condições, querer agir em nome do credor primitivo, postulando 
lesão que não sofreu, afronta os princípios da boa-fé objetiva, da proibição de enriquecimento sem causa e 
da moralidade, representando, não o exercício de um direito, mas a invocação abusiva do direito. STJ. 1ª 
Seção. REsp 1750660/SC, Rel. Min. Gurgel De Faria, Rel. p/ Acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em 
10/03/2021 (Tema Repetitivo 1004). 
Observam-se duas exceções, em numerusclausus, para a regra geral: 
1) Quando a transferência da propriedade for realizada por negócio jurídico gratuito; 
2) Quando o adquirente for sujeito vulnerável, na acepção de indivíduo incontestavelmente pobre ou 
humilde. 
Em ambos os casos há presunção relativa de boa-fé objetiva, de moralidade e de inexistência de 
enriquecimento sem causa. 
É possível o ajuizamento de ACP alegando que o particular que recebeu a indenização na desapropriação 
não era o seu real proprietário mesmo que já tenham se passado 2 anos do trânsito em julgado da ação de 
desapropriação. O trânsito em julgado de sentença condenatória proferida em sede de ação 
desapropriatória não obsta a propositura de Ação Civil Pública em defesa do patrimônio público para discutir 
a dominialidade do bem expropriado, ainda que já se tenha expirado o prazo para a Ação Rescisória. Em 
sede de Ação de Desapropriação, os honorários sucumbenciais só serão devidos caso haja devido pagamento 
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da indenização aos expropriados. STF. Plenário. RE 1010819/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão 
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 26/5/2021 (Repercussão Geral – Tema 858) (Info 1019). 
Em ação de desapropriação indireta é cabível reparação decorrente de limitações administrativas. Imóvel 
do particular foi incluído em unidade de conservação. Houve, no caso, uma limitação administrativa. Ele 
ajuizou ação de desapropriação indireta pedindo indenização. Mesmo não tendo havido desapropriação 
indireta, mas sim mera limitação administrativa, o juiz deverá conhecer da ação e julgar seu mérito. Devem 
ser observados os princípios da instrumentalidade das formas e da primazia da solução integral do mérito. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.653.169-RJ, Min. Regina Helena Costa, 19/11/2019 (Info 662). 
Admite-se a aplicação subsidiária do Direito de Extensão aos casos de desapropriação por necessidade ou 
utilidade pública previsto na Lei Complementar n. 76/1993 quando a área remanescente for reduzida à 
superfície inferior a da pequena propriedade rural. STJ. 1ª Turma. REsp 1.937.626-RO, Rel. Min. Regina 
Helena Costa, Rel. para acórdão Min. Gurgel de Faria, julgado em 12/3/2024 (Info 808). 
É constitucional norma que cria hipótese de imóvel rural insuscetível de desapropriação para fins de reforma 
agrária no Programa de Arrendamento Rural, desde que presumido o cumprimento da sua função social e 
enquanto se mantiver arrendado. É constitucional norma que estabelece o esbulho possessório ou a invasão 
motivada por conflito agrário ou fundiário de caráter coletivo como impeditivos legais à realização da vistoria 
para fins de desapropriação, desde que: 
i) a ocupação seja anterior ou contemporânea aos procedimentos expropriatórios; e 
ii) atinja porção significativa do imóvel rural, a ponto de alterar os graus de utilização da terra e de eficiência 
em sua exploração. 
É constitucional norma que proíbe a destinação de recursos públicos a entidade, organização, pessoa 
jurídica, movimento ou sociedade de fato que participe direta ou indiretamente de invasões de imóveis 
rurais ou de bens públicos. STF. Plenário. ADI 2.213/DF e ADI 2.411/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgados 
em 19/12/2023 (Info 1121). 
Caso hipotético: João recebeu como herança dezenas de lotes de terra. Ele começou a comercializar esses 
lotes. Ocorre que foi editado o plano diretor municipal que instituiu, na área onde se localizam os lotes, uma 
zona de proteção ambiental, o que restringiu o uso e a ocupação do solo. Foi realizada perícia que atestou 
que, em razão das limitações administrativas, os lotes perderam substancialmente valor econômico. 
A indenização será devida. Isso porque as provas dos autos, notadamente o laudo pericial, atestaram que 
houve efetivo prejuízo. 
STJ. 2ª Turma. AREsp 551.389-RN, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 5/8/2023 (Info 786). 
 
DIREITO CIVIL 
 
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10. DO DIREITO DAS COISAS. Da posse: conceito, natureza jurídica, teorias, função social, objeto, 
classificação, efeitos, desdobramento, composse. Dimensão coletiva da posse. Ocupações urbanas e 
conflitos agrários. Aquisição e Perda da posse. Dos direitos reais. Da propriedade: histórico, conteúdo, 
estrutura, extensão, limites e características. Funçãosocial da propriedade. Multipropriedade. 
Propriedade fiduciária. Fundo de Investimento. Propriedade intelectual. Propriedade resolúvel e ad 
tempus. Aquisição e perda da propriedade. Usucapião constitucional urbana. Provimento CNJ 65/2017. 
Direitos de vizinhança. Condomínio. Da superfície. Das servidões. Do usufruto. Do uso. Da habitação. Do 
direito do promitente comprador. Do penhor, da hipoteca e da anticrese. Pacto Comissória e Pacto 
Marciano. Da laje. Alienação Fiduciária Imobiliária e Mobiliária. 
13. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS DO CÓDIGO CIVIL. 14. LEGISLAÇÃO ESPECIAL E 
REPERCUSSÕES NAS RELAÇÕES PRIVADAS. Dos Registros Públicos - Lei 6.015/73. Dos contratos 
imobiliários - Lei 4.380/64 (SFH), Lei 9.514/97 (SFI). Da lei do inquilinato - Lei 8.245/91. Dos condomínios 
em edificações e incorporações imobiliárias - Lei 4.591/64. Da proteção e defesa do consumidor – Lei 
8.078/90. Ação de alimentos – Lei nº 5.478/1968. Da investigação de paternidade – Lei 8.560/1992. Dos 
alimentos gravídicos – Lei 11.804/2008. Da política nacional de biossegurança – Lei 11.105/2005. Da 
remoção de órgãos, tecidos e outras partes do corpo – Lei 9.434/1997. 28. Marco civil da Internet – Lei 
12.965/14. Lei Geral de Proteção de Dados – Lei 13.709/18. Lei 13.853/19. Lei de Direito de acesso à 
informação – Lei 9.507/97. Lei da liberdade econômica – Lei 13.874/19. Lei de Melhoria do Ambiente de 
Negócios – Lei 14.195/2021. Lei sobre o regime jurídico emergencial e transitório das relações jurídicas 
de direito privado no período da pandemia do coronavírus (COVID-19) – Lei 14.010/20. 
 
POSSE 
 
TEORIAS SOBRE A POSSE 
TEORIA SUBJETIVA 
DA POSSE 
Savigny. 
A posse é um poder direto que o indivíduo tem sobre a coisa, podendo dispor 
fisicamente e a possuindo com intenção de ser dono. 
Posse = corpus (elemento objetivo) + animus domini (elemento subjetivo). 
Não há posse sem intenção de ser proprietário. Por essa teoria, não são possuidores 
o locatário; o comodatário e o depositário. 
Adotada na configuração da usucapião. 
TEORIA OBJETIVA 
DA POSSE 
Ihering. 
Posse é corpus. Para que haja a configuração da posse, é necessário dispor 
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Ciclos Método 
 
37 
 
fisicamente da coisa ou haja possibilidade de querendo, realize a sua disposição 
física. 
Adotada no CC (art. 1196) – o mero comportamento em reação à coisa, como se 
fosse dono, induz a posse. 
TEORIA DA 
FUNÇÃO SOCIAL DA 
POSSE 
Teoria da sociabilidade em relação ao direito das coisas, de forma que se analisa com 
o crivo hermenêutico da função social. Para que se verifique a posse, deve haver o 
cumprimento de sua função social, consistente em conferir à posse uma utilidade, 
mormente relacionada ao direito fundamental de moradia. 
POSSE = CORPUS (DOMÍNIO FÁTICO) + FUNÇÃO SOCIAL (FUNÇÃO COLETIVA QUE A 
POSSE DEVE TER) 
Essa teoria, porém, não vem expressa nos artigos 1196 e 1197 do Código Civil, mas 
foi implicitamente adotada pelo CC/02 por meio da valorização da posse-trabalho. A 
ideia é de que a pessoa que confere uma destinação positiva ao bem pelo 
atendimento da função social da posse deve ter uma premiação. 
 
POSSE – CLASSIFICAÇÃO 
QUANTO AO 
DESDOBRAMENTO 
OU RELAÇÃO 
PESSOA-COISA 
a) posse direta: contato corpóreo. 
b) posse indireta: contato incorpóreo. 
 
QUANTO AOS 
VÍCIOS OBJETIVOS 
 
a) posse justa: “limpa”, sem vícios objetivos. 
b) posse injusta: 
• Violenta (física/psíquica). 
• Clandestina (ocultamento). 
• Precária (abuso de confiança). 
 
QUANTO AOS 
VÍCIOS 
SUBJETIVOS 
 
a) posse de boa fé: ignora obstáculo para aquisição da propriedade ou tem um justo 
título. 
b) posse de má fé: não ignora obstáculo para aquisição do domínio e não tem justo 
título. 
 
QUANTO AO 
TÍTULO 
a) posse com título (ius possidendi) – há causa representativa. Posse causal ou posse 
civil. 
b) posse sem título (iuspossessionis, quod possideo) – não há causa representativa. 
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38 
 
 Posse natural ou posse ato-fato. 
QUANTO AO 
TEMPO 
a) posse nova. 
b) posse velha – tem pelo menos 1 ano e 1 dia. 
 
 FRUTOS BENFEITORIAS RESPONSABILIDADE 
 
BOA-FÉ 
Tem direito aos frutos 
percebidos, salvo 
pendentes e colhidos por 
antecipação - mas tem 
direito à dedução das 
despesas da produção de 
custeio destes. 
Tem direito à indenização e 
retenção pelas necessárias 
e úteis; podendo levantar 
as voluptuárias, sem causar 
prejuízo da coisa. 
Só responde pela coisa se 
houver dolo ou culpa. 
 
MÁ-FÉ 
Não tem direito, e 
responde pelos frutos 
colhidos e que deixou de 
colher. Tem direito à 
indenização das despesas 
da produção de custeio 
destes. 
Tem direito à indenização 
das benfeitorias necessárias 
(indenização, mas não 
retenção). A indenização 
será pelo valor atual ou de 
custo. 
Responde pela coisa, ainda que 
por fato acidental (caso fortuito 
e força maior), exceto se 
comprovar que o dano 
ocorreria mesmo se não 
estivesse sob a sua posse. 
 
CONSTITUTO POSSESSÓRIO TRADITIO BREVI MANU 
Possuía em seu próprio nome, passa a possuir em 
nome de outrem. 
Possuía em nome alheio, passa a possuir em nome 
próprio. 
 
Diferenças entre posse e detenção 
 
A detenção também é chamada de fâmulo da posse, ou servidor da posse. O detentor tem a posse não em 
nome próprio, mas em nome daquele ao qual ele está subordinado, seguindo ordens e instruções (art. 1198). 
 
#OLHAOGANCHO: A função social da propriedade tem dupla função: 
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39 
 
- Função limitadora: impõe um não fazer. Ex. a propriedade não pode ser exercida em abuso de direito. art. 
1228, §2º do CC: São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e 
sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. 
- Função impulsionadora: impõe condutas. A coisa cumpre a sua função social quando é utilizada em um 
sentido positivo. 
 
PROPRIEDADE 
 
A propriedade é definida, tradicionalmente, como a soma de quatros atributos (direitos ou faculdade): usar, 
fruir/gozar, reivindicar e dispor (GRUD). 
 
G – gozar/fruir: retirar frutos da coisa. 
R – reivindicar: através de ação petitória com prova de domínio. 
U – usar: o uso da propriedade encontra limites nos direitos de vizinhança e no Estatuto da Cidade. 
D – dispor: por atos inter vivos ou causa mortis. 
 
A junção de todos esses atributos ou faculdades compõe a propriedade plena. Havendo apenas um desses 
atributos, existirá posse, e não propriedade. Se esses atributos estiverem divididos entre pessoas distintas, 
sobre um mesmo bem, haverá a figura da propriedade restrita (e não mais plena), que dá ensejo aos demais 
direitos reais que conhecemos: a hipoteca, o uso, o usufruto, a servidão, e outros. 
 
CARACTERÍSTICAS 
Direito Absoluto 
Caráter erga omnes. O proprietário pode usar a sua propriedade como bem 
entender. É a regra, mas que deve ser relativizada em algumas situações, diante 
da função social e socioambiental da propriedade (art. 1.228, § 1º, do CC). 
Direito Exclusivo 
Significa dizer que a propriedade deve pertencer apenas a uma pessoa, salvo as 
hipóteses de condomínio e multipropriedade, por exemplo. Pode ser extraído do 
Art. 1.231 do CC: “A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em 
contrário”. 
Direito Perpétuo 
Através de tal característica, vislumbra-se que o direito de propriedade 
permanece, independentemente do seu exercício, enquanto não se verificar 
alguma causa modificativa ou extintiva, de origem legal ou convencional. 
Direito Complexo Tal característica é vislumbrada pelo desmembramento dos quatro atributos da 
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Ciclos Método 
 
40 
 
propriedade (usar, gozar, dispor e reaver). 
Direito 
Fundamental 
Sobre essa característica, dispõe Flávio Tartuce (2016): “não se pode esquecer que 
a propriedadeé um direito fundamental, pelo que consta do art. 5.º, XXII e XXIII, 
da Constituição Federal. Esse caráter faz que a proteção do direito de propriedade 
e a correspondente função social sejam aplicados de forma imediata nas relações 
entre particulares, pelo que consta do art. 5.º, § 1.º, do Texto Maior (eficácia 
horizontal dos direitos fundamentais). Em reforço, o direito de propriedade pode 
ser ponderado frente a outros direitos tidos como fundamentais, caso da 
dignidade humana (art. 1.º, III, da CF/1988), particularmente naqueles casos de 
difícil solução (técnica de ponderação)”. 
Direito Elástico 
A elasticidade do direito de propriedade pode ser vislumbrada através da 
distensão ou contração quanto ao seu exercício. Assim, na dicção de Orlando 
Gomes, a propriedade alodial está em seu grau máximo de elasticidade, posto que 
todos os atributos estão sendo utilizados, por exemplo. 
 
RESUMO – MODALIDADES DE USUCAPIÃO 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA ART. 1242 DO 
CC 
Não importa o tamanho do imóvel 
- Comum - Posse ad usucapionem por 10 anos - Justo título. Ex. 
contrato, compromisso de compra e venda. - Boa fé subjetiva 
(art. 1.201) se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que 
impede a aquisição da coisa. 
- Por posse trabalho - Requisito material - Destinação positiva 
dada à coisa: moradia ou realização de investimentos de 
interesse social e econômico relevante - Prazo cai para 5 anos - 
Requisito formal: aquisição onerosa que foi cancelada. Ex.: 
compromisso de compra e venda que foi registrado e foi 
cancelado. Esse requisito regra o chamado usucapião tabular. O 
legislador exigiu um justo título especial, que consiste no título 
que já esteve registrado em nome do possuidor. Obs. doutrina 
majoritária exige os dois requisitos. 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA ART. 
1238 DO CC 
Não importa o tamanho do imóvel 
- Comum - Posse ad usucapionem por 15 anos - A boa-fé e o 
justo título presumem-se de forma absoluta. 
- Por posse trabalho - Estabelecimento da moradia ou realização 
de investimentos de caráter produtivo - NÃO PRECISA de boa-fé 
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Ciclos Método 
 
41 
 
nem de justo título - Prazo cai para 10 anos. 
USUCAPIÃO CONSTITUCIONAL ESPECIAL 
RURAL (USUCAPIÃO AGRÁRIA OU PRO 
LABORE) ART. 191, CAPUT, DA CF, ART. 
1239 DO CC 
- NÃO SÃO EXIGIDOS O JUSTO TÍTULO E A BOA-FÉ. - Imóvel rural 
até 50 hectares - Posse ad usucapionem por 5 anos - Utilização 
do imóvel para subsistência ou trabalho pelo possuidor ou sua 
família (moradia) - Não pode ser proprietário de outro imóvel 
rural ou urbano. 
USUCAPIÃO CONSTITUCIONAL OU 
ESPECIAL URBANA (URBANA 
INDIVIDUAL OU PRO MISERO) ART. 183 
DA CF, ART. 1240 DO CC E ART. 9º DO 
ESTATUTO DA CIDADE. 
- Urbana individual - Área urbana não superior a 250m². - Posse 
ad usucapionem por 5 anos - Imóvel destinado para moradia do 
possuidor ou de sua família - Não pode ser proprietário de outro 
imóvel urbano ou rural. - Só pode ser reconhecido uma vez (é 
requisito apenas da usucapião urbana). 
USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA POR 
ABANDONO DO LAR ART. 1240-A DO CC 
- É na vara cível e não na de família. - Posse ad usucapionem por 
2 anos - Posse direta. Enunciado 502 – não necessariamente é a 
posse direita do art. 1197. Para dar compatibilidade ao fato do 
artigo permitir a moradia da família. - Imóvel urbano até 250m². 
- Imóvel em copropriedade ou em condomínio com o cônjuge ou 
companheiro. Obs. qualquer forma de família. Enunciado 500 da 
JDC. - Abandono do lar. Obs.: basta ser separação de fato. - 
Utilizar para moradia ou de sua família (crítica – exige posse 
direita e fala que pode ser família) - Não pode ser proprietário de 
imóvel urbano ou rural - Somente uma vez. 
USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA 
COLETIVA ART. 10 DO ESTATUTO DA 
CIDADE 
- Área urbana – área total dividida pelo número de possuidores 
seja inferior a 250m² por possuidor - Posse ad usucapionem por 
5 anos - Núcleos urbanos informais - Moradia - Não pode ser 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural. - Não exige justo 
título e boa fé. - Rito sumário. 
A nova redação legal não exige que os possuidores sejam de 
baixa renda e que não seja possível a identificação da área de 
cada possuidor. 
O §1º do art. 10 do Estatuto permite expressamente a accessio 
possessionis para essa modalidade de usucapião. 
DESAPROPRIAÇÃO JUDICIAL PRIVADA 
POR POSSE-TRABALHO (art. 1.228, §§ e 
O proprietário pode ser privado da coisa se: - um considerável 
número de pessoas - estiver por mais de 5 anos - na posse 
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Ciclos Método 
 
42 
 
4º e 5º do CC) ininterrupta e de boa-fé - de extensa área - e nela houverem 
realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços 
considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. 
Neste caso, o juiz fixará a justa indenização devida ao 
proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o 
registro do imóvel em nome dos possuidores. Alguns 
doutrinadores, especialmente civilistas, afirmam que esse 
instituto tem natureza jurídica de “usucapião”. Outros autores, 
no entanto, sustentam que se trata de uma hipótese de 
“desapropriação”, considerando a posição topográfica (o § 3º do 
art. 1.228 está tratando sobre desapropriação) e o fato de se 
exigir pagamento de indenização. 
INDÍGENA (art. 33 do Estatuto do Índio) 
Requisitos: a) posse da terra por índio (integrado ou não) b) por 
10 anos consecutivos c) devendo ocupar como se fosse próprio 
trecho de terra inferior a 50 hectares. 
Não é possível a usucapião indígena de: • terras do domínio da 
União; • terras ocupadas por grupos tribais; • áreas reservadas 
segundo o Estatuto do Índio; • terras de propriedade coletiva de 
grupo tribal. 
TABULAR (CONVALESCENÇA REGISTRAL) 
(art. 214, § 5º, da Lei 6.015/73) 
Trata-se da possibilidade de o réu, em uma ação de invalidade de 
registro público, alegar a usucapião em seu favor. O juiz, na 
mesma sentença que reconhece a invalidade do registro, declara 
a ocorrência de usucapião, concedendo ao réu a propriedade do 
bem. A usucapião tabular tem relação com a usucapião ordinária 
do art. 1.242, parágrafo único, porque exige do possuidor justo 
título e boa-fé. 
DE QUILOMBOLAS (art. 68 do ADCT) 
O art. 68 do ADCT da CF/88 confere proteção especial aos 
territórios ocupados pelos remanescentes quilombolas: Art. 68. 
Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que 
estejam ocupando suas terras é RECONHECIDA A PROPRIEDADE 
DEFINITIVA, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. 
O que são as terras dos quilombolas? São as áreas ocupadas 
pelos remanescentes das comunidades dos quilombos e 
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Ciclos Método 
 
43 
 
utilizadas por este grupo social para a sua reprodução física, 
social, econômica e cultural. O que são remanescentes das 
comunidades dos quilombos? Existe uma grande discussão 
antropológica sobre isso, mas, de maneira bem simples, os 
grupos que hoje são considerados remanescentes de 
comunidades de quilombos são agrupamentos humanos de 
afrodescendentes que se formaram durante o sistema 
escravocrata ou logo após a sua extinção. Alguns doutrinadores 
afirmam que esse instituto teria natureza jurídica de 
“usucapião”. Essa, contudo, não é a posição que prevalece, 
considerando que o fundamento jurídico para esse direito de 
propriedade não é a posse mansa, pacífica e por determinado 
prazo. A fonte desse direito é uma decisão do legislador 
constituinte. A previsão do art. 68 do ADCT foi uma forma que o 
constituinte encontrou de homenagear “o papel protagonizado 
pelos quilombolas na resistência ao injusto regime escravista” 
(Min. Rosa Weber). 
 
DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 
 
Os Direitos reais na coisa alheia podem ser classificados de acordo com a tabela abaixo: 
 
DIREITO REAL DE GOZO OU 
FRUIÇÃO 
DIREITO REAL DA COISA ALHEIA 
DE GARANTIA 
DIREITO REAL A AQUISIÇÃOPermitir que uma pessoa 
tenha consigo os poderes de 
utilização da coisa. 
 
 
Não terá a coisa consigo. É vedada 
a utilização da coisa. 
Credor tem o direito real. 
Busca-se através do domínio ser 
proprietário. 
O exercício dos poderes do 
domínio viabiliza a aquisição da 
propriedade. 
 
 
 
Permitir que terceiro retire as 
utilidades da coisa. 
ASSEGURAR CUMPRIMENTO DE 
OBRIGAÇÃO. 
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44 
 
 
UTILIDADE 
6 HIPÓTESES 4 HIPÓTESES 1 HIPÓTESE (OU 2) 
1. Enfiteuse (código 16) 
2. Superfície 
3. Servidão predial 
4. Usufruto 
5. Uso 
6. Habitação 
1. Hipoteca 
2. Penhor 
3. Anticrese 
4. Alienação fiduciária em 
garantia. 
1. Promessa irretratável de 
compra e venda 
2. Direito de preferência (não 
unânime) 
 
DIREITO REAL DE GOZO OU FRUIÇÃO 
INSTITUTO CONCEITO 
Servidão 
Servidão é a relação jurídica real por meio da qual o proprietário vincula o seu imóvel, dito 
serviente, a prestar certa utilidade a outro prédio, dito dominante, pertencente a dono 
distinto, obrigando-se, em consequência, a não praticar determinados atos dominiais no 
prédio serviente ou a não impedir que neste o proprietário do imóvel dominante pratique 
atos de extração da utilidade que lhe foi concedida. 
Usufruto 
Trata-se de direito real temporário concedido a uma pessoa para desfrutar um objeto 
alheio como se fosse próprio, retirando as suas utilidades e frutos, contudo sem lhe alterar 
a substância. Assim, o conteúdo do domínio é fracionado, pois, enquanto o usufrutuário 
percebe os frutos naturais, industriais e civis e retira proveito econômico da coisa, 
remanesce em poder do nu-proprietário a substância do direito, vale dizer, a faculdade de 
disposição da coisa e o seu próprio valor, podendo alienar, instituir ônus real ou dar 
qualquer outra forma de disposição ao objeto, apesar de despido de importantes atributos. 
Como contrapartida ao aproveitamento do bem e às faculdades que lhe são concedidas, 
zelará o usufrutuário pela manutenção da integridade da coisa, em sua destinação 
econômica. 
Uso 
O direito real de uso é próximo ao de usufruto, mas com ele não se confunde. Ambos são 
temporários por essência, mas o direito de uso possui abrangência reduzida, pois o seu 
titular não tem autorização para gozar da coisa. Ou seja, o usuário pode usar o bem móvel 
ou imóvel, desde que não sejam consumíveis ou fungíveis, sendo-lhe, todavia, impedida a 
sua fruição. 
Habitação Circunscreve-se este direito real à faculdade de seu titular residir gratuita e 
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temporariamente em um prédio, com sua família. O imóvel só se destina à ocupação direta 
do beneficiário, sendo insuscetível de locação ou comodato, sob pena de resolução 
contratual. 
 
DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
 
DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
HIPOTECA 
A hipoteca é um direito real de garantia, em virtude do qual um bem imóvel 
remanesce na posse do devedor ou de terceiro, assegurando preferencialmente ao 
credor o pagamento de uma dívida. Um ou mais bens específicos do patrimônio 
imobiliário do devedor ou do terceiro garantidor são afetados como caução 
específica de uma obrigação. 
PENHOR 
Pelo penhor, entrega-se a coisa móvel, fungível ou infungível, corpóreo ou 
incorpóreo (ex. créditos), a título de garantia, mas sem a transferência da 
propriedade, que remanesce na titularidade do devedor. 
ANTICRESE 
Anticrese é o direito real de garantia em que o devedor transmite ao seu credor a 
posse direta de imóvel de sua propriedade, a fim de que este último pague-se com 
os frutos oriundos da exploração econômica da coisa, paulatinamente abatendo os 
juros e o débito principal. 
 
UM POUCO DE LEI SECA 
 
#ABREALEI! 
Código Civil. 
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos 
poderes inerentes à propriedade. 
 
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, 
conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. 
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao 
bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o contrário. 
 
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária. 
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Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. 
Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova em contrário, ou 
quando a lei expressamente não admite esta presunção. 
 
Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de 
qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 
 
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos. 
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de 
deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com 
antecipação. 
 
Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis 
reputam-se percebidos dia por dia. 
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por 
culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da 
produção e custeio. 
 
Art. 1.217. O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, que não der causa. 
 
Art. 1.218. O possuidor de má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo 
se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante. 
 
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, 
quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e 
poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. 
 
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o 
direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias. 
 
Art. 1.225. São direitos reais: 
I - a propriedade; 
II - a superfície; 
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III - as servidões; 
IV - o usufruto; 
V - o uso; 
VI - a habitação; 
VII - o direito do promitente comprador do imóvel; 
VIII - o penhor; 
IX - a hipoteca; 
X - a anticrese. 
XI - a concessão de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) 
XII - a concessão de direito real de uso; (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023) 
XIII - a laje; (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023) 
XIV - os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de 
cessão. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
 
Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só 
se adquirem com a tradição. 
 
Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem 
com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos 
expressos neste Código. 
 
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de 
quem quer que injustamente a possua ou detenha. 
§ 1 o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais 
e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial,a flora, a fauna, as 
belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do 
ar e das águas. 
§ 2 o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam 
animados pela intenção de prejudicar outrem. 
§ 3 o O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade 
pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. 
§ 4 o O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na 
posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
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houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse 
social e econômico relevante. 
§ 5 o No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, 
valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. 
 
Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, 
adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o 
declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido 
no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. 
 
Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos 
ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta hectares, tornando-a 
produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
 
Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por 
cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á 
o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1 o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, 
independentemente do estado civil. 
§ 2 o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. 
 
Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com 
exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade 
divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua 
família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou 
rural. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011) 
§ 1 o O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. 
§ 2 o (VETADO) . (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011) 
 
Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade 
imóvel. 
Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil para o registro no Cartório 
de Registro de Imóveis. 
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Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo 
título e boa-fé, o possuir por dez anos. 
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, 
onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que 
os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e 
econômico. 
 
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à 
sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do 
art. 1.242, com justo título e de boa-fé. 
 
Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem 
ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
 
Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com 
justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade. 
 
Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente 
de título ou boa-fé. 
 
Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. 
Parágrafo único. Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto 
possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de 
terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico. 
 
Art. 1.275. Além das causas consideradas neste Código, perde-se a propriedade: 
I - por alienação; 
II - pela renúncia; 
III - por abandono; 
IV - por perecimento da coisa; 
V - por desapropriação. 
Parágrafo único. Nos casos dos incisos I e II, os efeitos da perda da propriedade imóvel serão subordinados ao 
registro do título transmissivo ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis. 
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Art. 1.314. Cada condômino pode usar da coisa conforme sua destinação, sobre ela exercer todos os direitos 
compatíveis com a indivisão, reivindicá-la de terceiro, defender a sua posse e alhear a respectiva parte ideal, 
ou gravá-la. 
Parágrafo único. Nenhum dos condôminos pode alterar a destinação da coisa comum, nem dar posse, uso ou 
gozo dela a estranhos, sem o consenso dos outros. 
 
Art. 1.331. Pode haver, em edificações, partes que são propriedade exclusiva, e partes que são propriedade 
comum dos condôminos. 
§ 1 o As partes suscetíveis de utilização independente, tais como apartamentos, escritórios, salas, lojas e 
sobrelojas, com as respectivas frações ideais no solo e nas outras partes comuns, sujeitam-se a propriedade 
exclusiva, podendo ser alienadas e gravadas livremente por seus proprietários, exceto os abrigos para 
veículos, que não poderão ser alienados ou alugados a pessoas estranhas ao condomínio, salvo autorização 
expressa na convenção de condomínio. (Redação dada pela Lei nº 12.607, de 2012) 
§ 2 o O solo, a estrutura do prédio, o telhado, a rede geral de distribuição de água, esgoto, gás e eletricidade, 
a calefação e refrigeração centrais, e as demais partes comuns, inclusive o acesso ao logradouro público, são 
utilizados em comum pelos condôminos, não podendo ser alienados separadamente, ou divididos. 
§ 3 o A cada unidade imobiliária caberá, como parte inseparável, uma fração ideal no solo e nas outras partes 
comuns, que será identificada em forma decimal ou ordinária no instrumento de instituição do 
condomínio. (Redação dada pela Lei nº 10.931, de 2004) 
§ 4 o Nenhuma unidade imobiliária pode ser privada do acesso ao logradouro público. 
§ 5 o O terraço de cobertura é parte comum, salvo disposição contrária da escritura de constituição do 
condomínio. 
 
Art. 1.332. Institui-se o condomínio edilício por ato entre vivos ou testamento, registrado no Cartório de 
Registro de Imóveis, devendo constar daquele ato, além do disposto em lei especial: 
I - a discriminação e individualização das unidades de propriedade exclusiva, estremadas uma das outras e 
das partes comuns; 
II - a determinação da fração ideal atribuída a cada unidade, relativamente ao terreno e partes comuns; 
III - o fim a que as unidades se destinam. 
 
Art. 1.353. Em segunda convocação, a assembleia poderá deliberar por maioria dos votos dos presentes, 
salvo quando exigido quórum especial. 
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§ 1º Quando a deliberação exigir quórum especial previsto em lei ou em convenção e ele não for atingido, a 
assembleia poderá, por decisão da maioria dos presentes, autorizar o presidente a converter a reunião em 
sessão permanente, desde que cumulativamente: (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
I - sejam indicadas a data e a hora da sessão em seguimento, que não poderá ultrapassar 60 (sessenta) dias, 
e identificadas as deliberações pretendidas, em razão do quórum especial não atingido; (Incluído pela Lei nº 
14.309, de 2022) 
II - fiquem expressamente convocados os presentes e sejam obrigatoriamente convocadas as unidades 
ausentes, na forma prevista em convenção; (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
III - seja lavrada ata parcial, relativa ao segmento presencial da reunião da assembleia, da qual deverão 
constar as transcrições circunstanciadas de todos os argumentos até então apresentados relativos à ordem 
do dia, que deverá ser remetida aos condôminos ausentes; (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
IV - seja dada continuidade às deliberações no dia e na hora designados, e seja a ata correspondente lavrada 
em seguimento à que estava parcialmente redigida, com a consolidação de todas as deliberações. (Incluído 
pela Lei nº 14.309, de 2022) 
§ 2º Os votos consignados na primeira sessão ficarão registrados, sem que haja necessidade de 
comparecimento dos condôminos para sua confirmação, os quais poderão, se estiverem presentes no 
encontro seguinte, requerer a alteração do seu voto até o desfecho da deliberação pretendida. (Incluído 
pela Lei nº 14.309, de 2022) 
§ 3º A sessão permanente poderá ser prorrogada tantas vezes quantas necessárias, desde que a assembleia 
seja concluída no prazo total de 90 (noventa) dias, contado da data de sua abertura inicial. (Incluído pela Lei 
nº 14.309, de 2022) 
 
Art. 1.354. A assembleia não poderá deliberar se todos os condôminos não forem convocados para a reunião. 
 
Art. 1.354-A. A convocação, a realização e a deliberação de quaisquer modalidades de assembleia poderão 
dar-se de forma eletrônica, desde que: (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
I - tal possibilidade não seja vedada na convenção de condomínio; (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
II - sejam preservados aos condôminos os direitos de voz, de debate e de voto. (Incluído pela Lei nº 14.309, 
de 2022) 
§ 1º Do instrumento de convocação deverá constar que a assembleia será realizada por meio eletrônico, bem 
como as instruções sobre acesso, manifestação e forma de coleta de votos dos condôminos. (Incluído pela 
Lei nº 14.309, de 2022) 
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§ 2º A administração do condomínio não poderá ser responsabilizada por problemas decorrentes dos 
equipamentos de informática ou da conexão à internet dos condôminos ou de seus representantes nem por 
quaisquer outras situações que não estejam sob o seu controle. (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
§ 3º Somente após a somatória de todos os votos e a sua divulgação será lavrada a respectiva ata, também 
eletrônica, e encerrada a assembleia geral. (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
§ 4º A assembleia eletrônica deverá obedecer aos preceitos de instalação, de funcionamento e de 
encerramento previstos no edital de convocação e poderá ser realizada de forma híbrida, com a presença 
física e virtual de condôminos concomitantemente no mesmo ato. (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
§ 5º Normas complementares relativas às assembleias eletrônicas poderão ser previstas no regimento 
interno do condomínio e definidas mediante aprovação da maioria simples dos presentes em assembleia 
convocada para essa finalidade. (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
§ 6º Os documentos pertinentes à ordem do dia poderão ser disponibilizados de forma física ou eletrônica aos 
participantes. (Incluído pela Lei nº 14.309, de 2022) 
 
Art. 1.358-B. A multipropriedade reger-se-á pelo disposto neste Capítulo e, de forma supletiva e subsidiária, 
pelas demais disposições deste Código e pelas disposições das Leis nºs 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , 
e 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor) . (Incluído pela Lei nº 13.777, de 
2018) (Vigência) 
 
Art. 1.358-C. Multipropriedade é o regime de condomínio em que cada um dos proprietários de um mesmo 
imóvel é titular de uma fração de tempo, à qual corresponde a faculdade de uso e gozo, com exclusividade, 
da totalidade do imóvel, a ser exercida pelos proprietários de forma alternada. (Incluído pela Lei nº 13.777, 
de 2018) (Vigência) 
Parágrafo único. A multipropriedade NÃO se extinguirá automaticamente se todas as frações de tempo 
forem do mesmo multiproprietário. (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
 
Art. 1.358-D. O imóvel objeto da multipropriedade: (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
I - é indivisível, não se sujeitando a ação de divisão ou de extinção de condomínio; (Incluído pela Lei nº 
13.777, de 2018) (Vigência) 
II - inclui as instalações, os equipamentos e o mobiliário destinados a seu uso e gozo. (Incluído pela Lei nº 
13.777, de 2018) (Vigência) 
 
Art. 1.358-E. Cada fração de tempo é indivisível. (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
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§ 1º O período correspondente a cada fração de tempo será de, no mínimo, 7 (sete) dias, seguidos ou 
intercalados, e poderá ser: (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
I - fixo e determinado, no mesmo período de cada ano; (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
II - flutuante, caso em que a determinação do período será realizada de forma periódica, mediante 
procedimento objetivo que respeite, em relação a todos os multiproprietários, o princípio da isonomia, 
devendo ser previamente divulgado; ou (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
III - misto, combinando os sistemas fixo e flutuante. (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
§ 2º Todos os multiproprietários terão direito a uma mesma quantidade mínima de dias seguidos durante o 
ano, podendo haver a aquisição de frações maiores que a mínima, com o correspondente direito ao uso por 
períodos também maiores. (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
 
Art. 1.358-F. Institui-se a multipropriedade por ato entre vivos ou testamento, registrado no competente 
cartório de registro de imóveis, devendo constar daquele ato a duração dos períodos correspondentes a cada 
fração de tempo. (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
 
Art. 1.358-G. Além das cláusulas que os multiproprietários decidirem estipular, a convenção de condomínio 
em multipropriedade determinará: (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
I - os poderes e deveres dos multiproprietários, especialmente em matéria de instalações, equipamentos e 
mobiliário do imóvel, de manutenção ordinária e extraordinária, de conservação e limpeza e de pagamento 
da contribuição condominial; (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
II - o número máximo de pessoas que podem ocupar simultaneamente o imóvel no período correspondente a 
cada fração de tempo; (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
III - as regras de acesso do administrador condominial ao imóvel para cumprimento do dever de manutenção, 
conservação e limpeza; (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
IV - a criação de fundo de reserva para reposição e manutenção dos equipamentos, instalações e 
mobiliário; (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
V - o regime aplicável em caso de perda ou destruição parcial ou total do imóvel, inclusive para efeitos de 
participação no risco ou no valor do seguro, da indenização ou da parte restante; (Incluído pela Lei nº 13.777, 
de 2018) (Vigência) 
VI - as multas aplicáveis ao multiproprietárionas hipóteses de descumprimento de deveres. (Incluído pela Lei 
nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
 
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Art. 1.358-H. O instrumento de instituição da multipropriedade ou a convenção de condomínio em 
multipropriedadepoderá estabelecer o limite máximo de frações de tempo no mesmo imóvel que poderão ser 
detidas pela mesma pessoa natural ou jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.777, de 2018) (Vigência) 
Parágrafo único. Em caso de instituição da multipropriedade para posterior venda das frações de tempo a 
terceiros, o atendimento a eventual limite de frações de tempo por titular estabelecido no instrumento de 
instituição será obrigatório somente após a venda das frações. (Incluído pela Lei nº 13.777, de 
2018) (Vigência) 
 
Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca: 
I - os imóveis e os acessórios dos imóveis conjuntamente com eles; 
II - o domínio direto; 
III - o domínio útil; 
IV - as estradas de ferro; 
V - os recursos naturais a que se refere o art. 1.230, independentemente do solo onde se acham; 
VI - os navios; 
VII - as aeronaves. 
VIII - o direito de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) 
IX - o direito real de uso; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) 
X - a propriedade superficiária; (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023) 
XI - os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de cessão. 
(Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
§ 1º A hipoteca dos navios e das aeronaves reger-se-á pelo disposto em lei especial. (Renumerado do 
parágrafo único pela Lei nº 11.481, de 2007) 
§ 2º Os direitos de garantia instituídos nas hipóteses dos incisos IX e X do caput deste artigo ficam limitados 
à duração da concessão ou direito de superfície, caso tenham sido transferidos por período determinado. 
(Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) 
 
Art. 1.477. Salvo o caso de insolvência do devedor, o credor da segunda hipoteca, embora vencida, não 
poderá executar o imóvel antes de vencida a primeira. 
§ 1º Não se considera insolvente o devedor por faltar ao pagamento das obrigações garantidas por hipotecas 
posteriores à primeira. (Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
§ 2º O inadimplemento da obrigação garantida por hipoteca faculta ao credor declarar vencidas as demais 
obrigações de que for titular garantidas pelo mesmo imóvel. (Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
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Art. 1.478. O credor hipotecário que efetuar o pagamento, a qualquer tempo, das dívidas garantidas pelas 
hipotecas anteriores sub-rogar-se-á nos seus direitos, sem prejuízo dos que lhe competirem contra o devedor 
comum. (Redação dada pela Lei nº 14.711, de 2023) 
 
Art. 1.487-A. A hipoteca poderá, por requerimento do proprietário, ser posteriormente estendida para 
garantir novas obrigações em favor do mesmo credor, mantidos o registro e a publicidade originais, mas 
respeitada, em relação à extensão, a prioridade de direitos contraditórios ingressos na matrícula do imóvel. 
(Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
§ 1º A extensão da hipoteca não poderá exceder ao prazo e ao valor máximo garantido constantes da 
especialização da garantia original. (Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
§ 2º A extensão da hipoteca será objeto de averbação subsequente na matrícula do imóvel, assegurada a 
preferência creditória em favor da: (Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
I - obrigação inicial, em relação às obrigações alcançadas pela extensão da hipoteca; (Incluído pela Lei nº 
14.711, de 2023) 
II - obrigação mais antiga, considerando-se o tempo da averbação, no caso de mais de uma extensão de 
hipoteca. (Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
§ 3º Na hipótese de superveniente multiplicidade de credores garantidos pela mesma hipoteca estendida, 
apenas o credor titular do crédito mais prioritário, conforme estabelecido no § 2º deste artigo, poderá 
promover a execução judicial ou extrajudicial da garantia, exceto se convencionado de modo diverso por 
todos os credores. (Incluído pela Lei nº 14.711, de 2023) 
 
Lei nº 6.015/1973. 
Art. 55. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome, observado que ao 
prenome serão acrescidos os sobrenomes dos genitores ou de seus ascendentes, em qualquer ordem e, na 
hipótese de acréscimo de sobrenome de ascendente que não conste das certidões apresentadas, deverão ser 
apresentadas as certidões necessárias para comprovar a linha ascendente. (Redação dada pela Lei nº 
14.382, de 2022) 
§ 1º O oficial de registro civil não registrará prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores, 
observado que, quando os genitores não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito 
o caso à decisão do juiz competente, independentemente da cobrança de quaisquer 
emolumentos. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
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§ 2º Quando o declarante não indicar o nome completo, o oficial de registro lançará adiante do prenome 
escolhido ao menos um sobrenome de cada um dos genitores, na ordem que julgar mais conveniente para 
evitar homonímias. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 3º O oficial de registro orientará os pais acerca da conveniência de acrescer sobrenomes, a fim de se evitar 
prejuízos à pessoa em razão da homonímia. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 4º Em até 15 (quinze) dias após o registro, qualquer dos genitores poderá apresentar, perante o registro 
civil onde foi lavrado o assento de nascimento, oposição fundamentada ao prenome e sobrenomes indicados 
pelo declarante, observado que, se houver manifestação consensual dos genitores, será realizado o 
procedimento de retificação administrativa do registro, mas, se não houver consenso, a oposição será 
encaminhada ao juiz competente para decisão. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
Art. 56. A pessoa registrada poderá, após ter atingido a maioridade civil, requerer pessoalmente e 
imotivadamente a alteração de seu prenome, independentemente de decisão judicial, e a alteração será 
averbada e publicada em meio eletrônico. (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 1º A alteração imotivada de prenome poderá ser feita na via extrajudicial apenas 1 (uma) vez, e sua 
desconstituição dependerá de sentença judicial. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 2º A averbação de alteração de prenome conterá, obrigatoriamente, o prenome anterior, os números de 
documento de identidade, de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) da Secretaria Especial da Receita 
Federal do Brasil, de passaporte e de título de eleitor do registrado, dados esses que deverão constar 
expressamente de todas as certidões solicitadas. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 3º Finalizado o procedimento de alteração no assento, o ofício de registro civil de pessoas naturais no qual 
se processou a alteração, a expensas do requerente, comunicará o ato oficialmente aos órgãos expedidores 
do documento de identidade, do CPF e do passaporte, bem como ao Tribunal Superior Eleitoral, 
preferencialmente por meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 4º Se suspeitar de fraude, falsidade, má-fé, vício de vontade ou simulação quanto à real intenção da pessoa 
requerente, o oficial de registro civil fundamentadamente recusará a retificação. (Incluído pela Lei nº 
14.382, de 2022) 
 
Art. 57. A alteração posterior de sobrenomes poderá ser requerida pessoalmente perante o oficial de registro 
civil, com a apresentação de certidões e de documentos necessários, e será averbada nos assentos de 
nascimento e casamento, independentemente de autorização judicial,a fim de: (Redação dada pela Lei 
nº 14.382, de 2022) 
I - inclusão de sobrenomes familiares; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
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II - inclusão ou exclusão de sobrenome do cônjuge, na constância do casamento; (Incluído pela Lei nº 
14.382, de 2022) 
III - exclusão de sobrenome do ex-cônjuge, após a dissolução da sociedade conjugal, por qualquer de suas 
causas; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
IV - inclusão e exclusão de sobrenomes em razão de alteração das relações de filiação, inclusive para os 
descendentes, cônjuge ou companheiro da pessoa que teve seu estado alterado. (Incluído pela Lei nº 
14.382, de 2022) 
§ 1º Poderá, também, ser averbado, nos mesmos termos, o nome abreviado, usado como firma comercial 
registrada ou em qualquer atividade profissional. (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975). 
§ 2º Os conviventes em união estável devidamente registrada no registro civil de pessoas naturais poderão 
requerer a inclusão de sobrenome de seu companheiro, a qualquer tempo, bem como alterar seus 
sobrenomes nas mesmas hipóteses previstas para as pessoas casadas. (Redação dada pela Lei nº 14.382, 
de 2022) 
§ 3º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 3º-A O retorno ao nome de solteiro ou de solteira do companheiro ou da companheira será realizado por 
meio da averbação da extinção de união estável em seu registro. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 5º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 6º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 7o Quando a alteração de nome for concedida em razão de fundada coação ou ameaça decorrente de 
colaboração com a apuração de crime, o juiz competente determinará que haja a averbação no registro de 
origem de menção da existência de sentença concessiva da alteração, sem a averbação do nome alterado, 
que somente poderá ser procedida mediante determinação posterior, que levará em consideração a cessação 
da coação ou ameaça que deu causa à alteração. (Incluído pela Lei nº 9.807, de 1999) 
§ 8º O enteado ou a enteada, se houver motivo justificável, poderá requerer ao oficial de registro civil que, 
nos registros de nascimento e de casamento, seja averbado o nome de família de seu padrasto ou de sua 
madrasta, desde que haja expressa concordância destes, sem prejuízo de seus sobrenomes de 
família. (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
Lei nº 5.478/1968. 
Art. 1º. A ação de alimentos é de rito especial, independente de prévia distribuição e de anterior concessão do 
benefício de gratuidade. 
§ 1º A distribuição será determinada posteriormente por ofício do juízo, inclusive para o fim de registro do 
feito. 
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§ 2º A parte que não estiver em condições de pagar as custas do processo, sem prejuízo do sustento próprio 
ou de sua família, gozará do benefício da gratuidade, por simples afirmativa dessas condições perante o juiz, 
sob pena de pagamento até o décuplo das custas judiciais. 
§ 3º Presume-se pobre, até prova em contrário, quem afirmar essa condição, nos termos desta lei. 
§ 4º A impugnação do direito à gratuidade não suspende o curso do processo de alimentos e será feita em 
autos apartados. 
 
Art. 2º. O credor, pessoalmente, ou por intermédio de advogado, dirigir-se-á ao juiz competente, 
qualificando-se, e exporá suas necessidades, provando, apenas o parentesco ou a obrigação de alimentar do 
devedor, indicando seu nome e sobrenome, residência ou local de trabalho, profissão e naturalidade, quanto 
ganha aproximadamente ou os recursos de que dispõe. 
§ 1º Dispensar-se-á a produção inicial de documentos probatórios; 
I - quando existente em notas, registros, repartições ou estabelecimentos públicos e ocorrer impedimento ou 
demora em extrair certidões. 
II - quando estiverem em poder do obrigado, as prestações alimentícias ou de terceiro residente em lugar 
incerto ou não sabido. 
§ 2º Os documentos públicos ficam isentos de reconhecimento de firma. 
§ 3º Se o credor comparecer pessoalmente e não indicar profissional que haja concordado em assisti-lo, o 
juiz designará desde logo quem o deva fazer. 
(...) 
 
Art. 6º Na audiência de conciliação e julgamento deverão estar presentes autor e réu, independentemente de 
intimação e de comparecimento de seus representantes. 
 
Art. 7º O não comparecimento do autor determina o arquivamento do pedido, e a ausência do réu importa 
em revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. 
(...) 
 
Lei nº 8.560/1992. 
Art. 1° O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito: 
I - no registro de nascimento; 
II - por escritura pública ou escrito particular, a ser arquivado em cartório; 
III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado; 
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IV - por manifestação expressa e direta perante o juiz, ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto 
único e principal do ato que o contém. 
 
Art. 2° Em registro de nascimento de menor apenas com a maternidade estabelecida, o oficial remeterá ao 
juiz certidão integral do registro e o nome e prenome, profissão, identidade e residência do suposto pai, a fim 
de ser averiguada oficiosamente a procedência da alegação. 
§ 1° O juiz, sempre que possível, ouvirá a mãe sobre a paternidade alegada e mandará, em qualquer caso, 
notificar o suposto pai, independente de seu estado civil, para que se manifeste sobre a paternidade que lhe é 
atribuída. 
§ 2° O juiz, quando entender necessário, determinará que a diligência seja realizada em segredo de justiça. 
§ 3° No caso do suposto pai confirmar expressamente a paternidade, será lavrado termo de reconhecimento 
e remetida certidão ao oficial do registro, para a devida averbação. 
§ 4° Se o suposto pai não atender no prazo de trinta dias, a notificação judicial, ou negar a alegada 
paternidade, o juiz remeterá os autos ao representante do Ministério Público para que intente, havendo 
elementos suficientes, a ação de investigação de paternidade. 
§ 5o Nas hipóteses previstas no § 4o deste artigo, é dispensável o ajuizamento de ação de investigação de 
paternidade pelo Ministério Público se, após o não comparecimento ou a recusa do suposto pai em assumir a 
paternidade a ele atribuída, a criança for encaminhada para adoção. (Redação dada pela Lei nº 12,010, 
de 2009) Vigência 
 § 6o A iniciativa conferida ao Ministério Público não impede a quem tenha legítimo interesse de intentar 
investigação, visando a obter o pretendido reconhecimento da paternidade. (Incluído pela Lei nº 12,010, 
de 2009) Vigência 
 
Art. 2o-A. Na ação de investigação de paternidade, todos os meios legais, bem como os moralmente 
legítimos, serão hábeis para provar a verdade dos fatos. (Incluído pela Lei nº 12.004, de 2009). 
 § 1º. A recusa do réu em se submeter ao exame de código genético - DNA gerará a presunção da 
paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório. (Incluído pela Lei nº 12.004, de 
2009). (Renumerado do parágrafo único, pela Lei nº 14.138, de 2021) 
§ 2º Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu paradeiro, o juiz determinará, a expensas 
do autor da ação, a realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em parentes 
consanguíneos, preferindo-se os de grau mais próximo aos mais distantes, importando a recusa em 
presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório. (Incluído pela Lei nº 
14.138, de 2021) 
 
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60 
 
Art. 3° E vedado legitimar e reconhecerfilho na ata do casamento. 
Parágrafo único. É ressalvado o direito de averbar alteração do patronímico materno, em decorrência do 
casamento, no termo de nascimento do filho. 
 
Art. 4° O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento. 
 
Art. 5° No registro de nascimento não se fará qualquer referência à natureza da filiação, à sua ordem em 
relação a outros irmãos do mesmo prenome, exceto gêmeos, ao lugar e cartório do casamento dos pais e ao 
estado civil destes. 
 
Art. 6° Das certidões de nascimento não constarão indícios de a concepção haver sido decorrente de relação 
extraconjugal. 
§ 1° Não deverá constar, em qualquer caso, o estado civil dos pais e a natureza da filiação, bem como o lugar 
e cartório do casamento, proibida referência à presente lei. 
§ 2º São ressalvadas autorizações ou requisições judiciais de certidões de inteiro teor, mediante decisão 
fundamentada, assegurados os direitos, as garantias e interesses relevantes do registrado . 
 
Art. 7° Sempre que na sentença de primeiro grau se reconhecer a paternidade, nela se fixarão os alimentos 
provisionais ou definitivos do reconhecido que deles necessite. 
 
Art. 8° Os registros de nascimento, anteriores à data da presente lei, poderão ser retificados por decisão 
judicial, ouvido o Ministério Público. 
 
Lei nº 11.804/08. 
Art. 1o Esta Lei disciplina o direito de alimentos da mulher gestante e a forma como será exercido. 
 
Art. 2o Os alimentos de que trata esta Lei compreenderão os valores suficientes para cobrir as despesas 
adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as 
referentes a alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, 
parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além 
de outras que o juiz considere pertinentes. 
Parágrafo único. Os alimentos de que trata este artigo referem-se à parte das despesas que deverá ser 
custeada pelo futuro pai, considerando-se a contribuição que também deverá ser dada pela mulher grávida, 
na proporção dos recursos de ambos. 
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61 
 
(...) 
 
Art. 6o Convencido da existência de indícios da paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos que perdurarão 
até o nascimento da criança, sopesando as necessidades da parte autora e as possibilidades da parte ré. 
Parágrafo único. Após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos ficam convertidos em pensão 
alimentícia em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão. 
 
Art. 7o O réu será citado para apresentar resposta em 5 (cinco) dias. 
(...) 
 
Lei nº 13.709/18. 
Art. 5º Para os fins desta Lei, considera-se: 
I - dado pessoal: informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável; 
II - dado pessoal sensível: dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, 
filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à 
vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural; 
(...) 
 
Art. 7º O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: 
I - mediante o fornecimento de consentimento pelo titular; 
II - para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; 
III - pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados necessários à execução de 
políticas públicas previstas em leis e regulamentos ou respaldadas em contratos, convênios ou instrumentos 
congêneres, observadas as disposições do Capítulo IV desta Lei; 
IV - para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos 
dados pessoais; 
V - quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a 
contrato do qual seja parte o titular, a pedido do titular dos dados; 
VI - para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral, esse último nos 
termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem) ; 
VII - para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro; 
VIII - para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços 
de saúde ou autoridade sanitária; (Redação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência 
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62 
 
IX - quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiro, exceto no caso de 
prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais; ou 
X - para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na legislação pertinente. 
(...) 
§ 3º O tratamento de dados pessoais cujo acesso é público deve considerar a finalidade, a boa-fé e o interesse 
público que justificaram sua disponibilização. 
§ 4º É dispensada a exigência do consentimento previsto no caput deste artigo para os dados tornados 
manifestamente públicos pelo titular, resguardados os direitos do titular e os princípios previstos nesta Lei. 
§ 5º O controlador que obteve o consentimento referido no inciso I do caput deste artigo que necessitar 
comunicar ou compartilhar dados pessoais com outros controladores deverá obter consentimento específico 
do titular para esse fim, ressalvadas as hipóteses de dispensa do consentimento previstas nesta Lei. 
§ 6º A eventual dispensa da exigência do consentimento não desobriga os agentes de tratamento das demais 
obrigações previstas nesta Lei, especialmente da observância dos princípios gerais e da garantia dos direitos 
do titular. 
§ 7º O tratamento posterior dos dados pessoais a que se referem os §§ 3º e 4º deste artigo poderá ser 
realizado para novas finalidades, desde que observados os propósitos legítimos e específicos para o novo 
tratamento e a preservação dos direitos do titular, assim como os fundamentos e os princípios previstos nesta 
Lei. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência 
(...) 
 
Art. 11. O tratamento de dados pessoais sensíveis somente poderá ocorrer nas seguintes hipóteses: 
I - quando o titular ou seu responsável legal consentir, de forma específica e destacada, para finalidades 
específicas; 
II - sem fornecimento de consentimento do titular, nas hipóteses em que for indispensável para: 
a) cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; 
b) tratamento compartilhado de dados necessários à execução, pela administração pública, de políticas 
públicas previstas em leis ou regulamentos; 
c) realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados 
pessoais sensíveis; 
d) exercício regular de direitos, inclusive em contrato e em processo judicial, administrativo e arbitral, este 
último nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem) ; 
e) proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro; 
f) tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde 
ou autoridade sanitária; ou (Redação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência 
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g) garantia da prevenção à fraude e à segurança do titular, nos processos de identificação e autenticação de 
cadastro em sistemas eletrônicos, resguardados os direitos mencionados no art. 9º desta Lei e exceto no caso 
de prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais. 
§ 1º Aplica-se o disposto neste artigo a qualquer tratamento de dados pessoais que revele dados pessoais 
sensíveis e que possa causar dano ao titular, ressalvado o disposto em legislação específica. 
§ 2º Nos casos de aplicação do disposto nas alínease indicação das 
restrições aplicadas. 
 
DAS FORÇAS ARMADAS 
 
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições 
nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade 
suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes 
constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. 
§ 1º Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no 
emprego das Forças Armadas. 
§ 2º Não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares. 
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a 
ser fixadas em lei, as seguintes disposições: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
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6 
 
I - as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da 
República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos 
os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos uniformes das Forças 
Armadas; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
II - o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil permanente, ressalvada a 
hipótese prevista no art. 37, inciso XVI, alínea "c", será transferido para a reserva, nos termos da 
lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 77, de 2014) 
III - o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego ou função pública civil 
temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ressalvada a hipótese prevista no art. 37, inciso 
XVI, alínea "c", ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa 
situação, ser promovido por antiguidade, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela promoção 
e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para 
a reserva, nos termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 77, de 2014) 
IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 
1998) 
V - o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 18, de 1998) 
VI - o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por 
decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de 
guerra; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
VII - o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por 
sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no inciso anterior; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV, e no art. 37, incisos XI, 
XIII, XIV e XV, bem como, na forma da lei e com prevalência da atividade militar, no art. 37, inciso XVI, alínea 
"c"; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 77, de 2014) 
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condições 
de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e 
outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas 
cumpridas por força de compromissos internacionais e de guerra. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 18, de 1998) 
 
Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei. 
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§ 1º Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após 
alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de 
convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente 
militar. (Regulamento) 
§ 2º - As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, 
porém, a outros encargos que a lei lhes atribuir. (Regulamento) 
 
DA SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a 
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: 
I - polícia federal; 
II - polícia rodoviária federal; 
III - polícia ferroviária federal; 
IV - polícias civis; 
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. 
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 
2019) 
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e 
estruturado em carreira, destina-se a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da 
União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha 
repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; 
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem 
prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência; 
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. 
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em 
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em 
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
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8 
 
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da 
União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. 
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de 
bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil. 
§ 5º-A. Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador do sistema penal da unidade federativa a que 
pertencem, cabe a segurança dos estabelecimentos penais. (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 104, de 2019) 
§ 6º As polícias militares e os corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército 
subordinam-se, juntamente com as polícias civis e as polícias penais estaduais e distrital, aos Governadores 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 
2019) 
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de 
maneira a garantir a eficiência de suas atividades. (Vide Lei nº 13.675, de 2018) Vigência 
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e 
instalações, conforme dispuser a lei. (Vide Lei nº 13.022, de 2014) 
§ 9º A remuneração dos servidores“a” e “b” do inciso II do caput deste artigo pelos órgãos e 
pelas entidades públicas, será dada publicidade à referida dispensa de consentimento, nos termos do inciso I 
do caput do art. 23 desta Lei. 
§ 3º A comunicação ou o uso compartilhado de dados pessoais sensíveis entre controladores com objetivo de 
obter vantagem econômica poderá ser objeto de vedação ou de regulamentação por parte da autoridade 
nacional, ouvidos os órgãos setoriais do Poder Público, no âmbito de suas competências. 
§ 4º É vedada a comunicação ou o uso compartilhado entre controladores de dados pessoais sensíveis 
referentes à saúde com objetivo de obter vantagem econômica, exceto nas hipóteses relativas a prestação de 
serviços de saúde, de assistência farmacêutica e de assistência à saúde, desde que observado o § 5º deste 
artigo, incluídos os serviços auxiliares de diagnose e terapia, em benefício dos interesses dos titulares de 
dados, e para permitir: (Redação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência 
I - a portabilidade de dados quando solicitada pelo titular; ou (Incluído pela Lei nº 13.853, de 
2019) Vigência 
II - as transações financeiras e administrativas resultantes do uso e da prestação dos serviços de que trata 
este parágrafo. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência 
§ 5º É vedado às operadoras de planos privados de assistência à saúde o tratamento de dados de saúde para 
a prática de seleção de riscos na contratação de qualquer modalidade, assim como na contratação e exclusão 
de beneficiários. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência 
(...) 
 
Art. 14. O tratamento de dados pessoais de crianças e de adolescentes deverá ser realizado em seu melhor 
interesse, nos termos deste artigo e da legislação pertinente. 
§ 1º O tratamento de dados pessoais de crianças deverá ser realizado com o consentimento específico e em 
destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal. 
§ 2º No tratamento de dados de que trata o § 1º deste artigo, os controladores deverão manter pública a 
informação sobre os tipos de dados coletados, a forma de sua utilização e os procedimentos para o exercício 
dos direitos a que se refere o art. 18 desta Lei. 
§ 3º Poderão ser coletados dados pessoais de crianças sem o consentimento a que se refere o § 1º deste 
artigo quando a coleta for necessária para contatar os pais ou o responsável legal, utilizados uma única vez e 
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sem armazenamento, ou para sua proteção, e em nenhum caso poderão ser repassados a terceiro sem o 
consentimento de que trata o § 1º deste artigo. 
§ 4º Os controladores não deverão condicionar a participação dos titulares de que trata o § 1º deste artigo 
em jogos, aplicações de internet ou outras atividades ao fornecimento de informações pessoais além das 
estritamente necessárias à atividade. 
§ 5º O controlador deve realizar todos os esforços razoáveis para verificar que o consentimento a que se 
refere o § 1º deste artigo foi dado pelo responsável pela criança, consideradas as tecnologias disponíveis. 
§ 6º As informações sobre o tratamento de dados referidas neste artigo deverão ser fornecidas de maneira 
simples, clara e acessível, consideradas as características físico-motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais 
e mentais do usuário, com uso de recursos audiovisuais quando adequado, de forma a proporcionar a 
informação necessária aos pais ou ao responsável legal e adequada ao entendimento da criança. 
(...) 
 
Art. 42. O controlador ou o operador que, em razão do exercício de atividade de tratamento de dados 
pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, em violação à legislação de 
proteção de dados pessoais, é obrigado a repará-lo. 
§ 1º A fim de assegurar a efetiva indenização ao titular dos dados: 
I - o operador responde solidariamente pelos danos causados pelo tratamento quando descumprir as 
obrigações da legislação de proteção de dados ou quando não tiver seguido as instruções lícitas do 
controlador, hipótese em que o operador equipara-se ao controlador, salvo nos casos de exclusão previstos 
no art. 43 desta Lei; 
II - os controladores que estiverem diretamente envolvidos no tratamento do qual decorreram danos ao 
titular dos dados respondem solidariamente, salvo nos casos de exclusão previstos no art. 43 desta Lei. 
§ 2º O juiz, no processo civil, poderá inverter o ônus da prova a favor do titular dos dados quando, a seu juízo, 
for verossímil a alegação, houver hipossuficiência para fins de produção de prova ou quando a produção de 
prova pelo titular resultar-lhe excessivamente onerosa. 
§ 3º As ações de reparação por danos coletivos que tenham por objeto a responsabilização nos termos 
do caput deste artigo podem ser exercidas coletivamente em juízo, observado o disposto na legislação 
pertinente. 
§ 4º Aquele que reparar o dano ao titular tem direito de regresso contra os demais responsáveis, na medida 
de sua participação no evento danoso. 
 
Art. 43. Os agentes de tratamento só não serão responsabilizados quando provarem: 
I - que não realizaram o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído; 
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II - que, embora tenham realizado o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído, não houve violação à 
legislação de proteção de dados; ou 
III - que o dano é decorrente de culpa exclusiva do titular dos dados ou de terceiro. 
 
Art. 44. O tratamento de dados pessoais será irregular quando deixar de observar a legislação ou quando não 
fornecer a segurança que o titular dele pode esperar, consideradas as circunstâncias relevantes, entre as 
quais: 
I - o modo pelo qual é realizado; 
II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; 
III - as técnicas de tratamento de dados pessoais disponíveis à época em que foi realizado. 
Parágrafo único. Responde pelos danos decorrentes da violação da segurança dos dados o controlador ou o 
operador que, ao deixar de adotar as medidas de segurança previstas no art. 46 desta Lei, der causa ao dano. 
 
Art. 45. As hipóteses de violação do direito do titular no âmbito das relações de consumo permanecem 
sujeitas às regras de responsabilidade previstas na legislação pertinente. 
 
Lei nº 8.245/1991. 
Art. 27. No caso de venda, promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de direitos ou dação em 
pagamento, o locatário tem preferência para adquirir o imóvel locado, em igualdade de condições com 
terceiros, devendo o locador dar - lhe conhecimento do negócio mediante notificação judicial, extrajudicial ou 
outro meio de ciência inequívoca. 
Parágrafo único. A comunicação deverá conter todas as condições do negócio e, em especial, o preço, a 
forma de pagamento, a existência de ônus reais, bem como o local e horário em que pode ser examinada a 
documentação pertinente. 
 
Art. 28. O direito de preferência do locatário caducará se não manifestada, de maneira inequívoca, sua 
aceitação integral à proposta, no prazo de trinta dias. 
(...) 
 
Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias necessárias introduzidas pelo 
locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis, desde que autorizadas, serão 
indenizáveis e permitem o exercício do direito de retenção. 
 
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Art. 36. As benfeitorias voluptuárias não serão indenizáveis, podendo ser levantadas pelo locatário, finda a 
locação, desde que sua retirada não afete a estrutura e a substância do imóvel. 
(...) 
 
Art. 46. Nas locações ajustadas por escrito e por prazo igual ou superior a trinta meses, a resolução do 
contrato ocorrerá findo o prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso. 
§ 1º Findo o prazo ajustado, se o locatário continuar na posse do imóvelalugado por mais de trinta dias sem 
oposição do locador, presumir - se - á prorrogada a locação por prazo indeterminado, mantidas as demais 
cláusulas e condições do contrato. 
§ 2º Ocorrendo a prorrogação, o locador poderá denunciar o contrato a qualquer tempo, concedido o prazo 
de trinta dias para desocupação. 
 
Art. 47. Quando ajustada verbalmente ou por escrito e como prazo inferior a trinta meses, findo o prazo 
estabelecido, a locação prorroga - se automaticamente, por prazo indeterminado, somente podendo ser 
retomado o imóvel: 
I - Nos casos do art. 9º; 
II - em decorrência de extinção do contrato de trabalho, se a ocupação do imóvel pelo locatário relacionada 
com o seu emprego; 
III - se for pedido para uso próprio, de seu cônjuge ou companheiro, ou para uso residencial de ascendente ou 
descendente que não disponha, assim como seu cônjuge ou companheiro, de imóvel residencial próprio; 
IV - se for pedido para demolição e edificação licenciada ou para a realização de obras aprovadas pelo Poder 
Público, que aumentem a área construída, em, no mínimo, vinte por cento ou, se o imóvel for destinado a 
exploração de hotel ou pensão, em cinqüenta por cento; 
V - se a vigência ininterrupta da locação ultrapassar cinco anos. 
§ 1º Na hipótese do inciso III, a necessidade deverá ser judicialmente demonstrada, se: 
a) O retomante, alegando necessidade de usar o imóvel, estiver ocupando, com a mesma finalidade, outro de 
sua propriedade situado nas mesma localidade ou, residindo ou utilizando imóvel alheio, já tiver retomado o 
imóvel anteriormente; 
b) o ascendente ou descendente, beneficiário da retomada, residir em imóvel próprio. 
§ 2º Nas hipóteses dos incisos III e IV, o retomante deverá comprovar ser proprietário, promissário comprador 
ou promissário cessionário, em caráter irrevogável, com imissão na posse do imóvel e título registrado junto à 
matrícula do mesmo. 
(...) 
 
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Lei nº 9.434/1997. 
Art. 1º A disposição gratuita de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, em vida ou post mortem, para fins 
de transplante e tratamento, é permitida na forma desta Lei. 
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, não estão compreendidos entre os tecidos a que se refere este 
artigo o sangue, o esperma e o óvulo. 
 
Art. 2º A realização de transplante ou enxertos de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano só poderá ser 
realizada por estabelecimento de saúde, público ou privado, e por equipes médico-cirúrgicas de remoção e 
transplante previamente autorizados pelo órgão de gestão nacional do Sistema Único de Saúde. 
Parágrafo único. A realização de transplantes ou enxertos de tecidos, órgãos e partes do corpo humano só 
poderá ser autorizada após a realização, no doador, de todos os testes de triagem para diagnóstico de 
infecção e infestação exigidos em normas regulamentares expedidas pelo Ministério da 
Saúde. (Redação dada pela Lei nº 10.211, de 23.3.2001) 
(...) 
 
Art. 9o É permitida à pessoa juridicamente capaz dispor gratuitamente de tecidos, órgãos e partes do próprio 
corpo vivo, para fins terapêuticos ou para transplantes em cônjuge ou parentes consangüíneos até o quarto 
grau, inclusive, na forma do § 4o deste artigo, ou em qualquer outra pessoa, mediante autorização judicial, 
dispensada esta em relação à medula óssea. (Redação dada pela Lei nº 10.211, de 23.3.2001) 
§ 1º (VETADO) 
§ 2º (VETADO) 
§ 3º Só é permitida a doação referida neste artigo quando se tratar de órgãos duplos, de partes de órgãos, 
tecidos ou partes do corpo cuja retirada não impeça o organismo do doador de continuar vivendo sem risco 
para a sua integridade e não represente grave comprometimento de suas aptidões vitais e saúde mental e 
não cause mutilação ou deformação inaceitável, e corresponda a uma necessidade terapêutica 
comprovadamente indispensável à pessoa receptora. 
§ 4º O doador deverá autorizar, preferencialmente por escrito e diante de testemunhas, especificamente o 
tecido, órgão ou parte do corpo objeto da retirada. 
§ 5º A doação poderá ser revogada pelo doador ou pelos responsáveis legais a qualquer momento antes de 
sua concretização. 
§ 6º O indivíduo juridicamente incapaz, com compatibilidade imunológica comprovada, poderá fazer doação 
nos casos de transplante de medula óssea, desde que haja consentimento de ambos os pais ou seus 
responsáveis legais e autorização judicial e o ato não oferecer risco para a sua saúde. 
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Ciclos Método 
 
68 
 
§ 7º É vedado à gestante dispor de tecidos, órgãos ou partes de seu corpo vivo, exceto quando se tratar de 
doação de tecido para ser utilizado em transplante de medula óssea e o ato não oferecer risco à sua saúde ou 
ao feto. 
§ 8º O auto-transplante depende apenas do consentimento do próprio indivíduo, registrado em seu 
prontuário médico ou, se ele for juridicamente incapaz, de um de seus pais ou responsáveis legais. 
(...) 
 
Lei nº 12.965/14. 
Art. 2º A disciplina do uso da internet no Brasil tem como fundamento o respeito à liberdade de expressão, 
bem como: 
I - o reconhecimento da escala mundial da rede; 
II - os direitos humanos, o desenvolvimento da personalidade e o exercício da cidadania em meios digitais; 
III - a pluralidade e a diversidade; 
IV - a abertura e a colaboração; 
V - a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor; e 
VI - a finalidade social da rede. 
 
Art. 3º A disciplina do uso da internet no Brasil tem os seguintes princípios: 
I - garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, nos termos da 
Constituição Federal; 
II - proteção da privacidade; 
III - proteção dos dados pessoais, na forma da lei; 
IV - preservação e garantia da neutralidade de rede; 
V - preservação da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede, por meio de medidas técnicas 
compatíveis com os padrões internacionais e pelo estímulo ao uso de boas práticas; 
VI - responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades, nos termos da lei; 
VII - preservação da natureza participativa da rede; 
VIII - liberdade dos modelos de negócios promovidos na internet, desde que não conflitem com os demais 
princípios estabelecidos nesta Lei. 
Parágrafo único. Os princípios expressos nesta Lei não excluem outros previstos no ordenamento jurídico 
pátrio relacionados à matéria ou nos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja 
parte. 
 
Art. 4º A disciplina do uso da internet no Brasil tem por objetivo a promoção: 
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Ciclos Método 
 
69 
 
I - do direito de acesso à internet a todos; 
II - do acesso à informação, ao conhecimento e à participação na vida cultural e na condução dos assuntos 
públicos; 
III - da inovação e do fomento à ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso; e 
IV - da adesão a padrões tecnológicos abertos que permitam a comunicação, a acessibilidade e a 
interoperabilidade entre aplicações e bases de dados. 
(...) 
 
UM POUCO DE JURISPRUDÊNCIA 
 
#DEOLHONAJURIS! 
Em ação reivindicatória, constatada a existência de dois títulos de propriedade para o mesmo bem imóvel, 
prevalecerá o primeiro título aquisitivo registrado. Situação hipotética: João, proprietário de um terreno, 
alienou o imóvel para Pedro em 07/12/2007, conforme escritura pública arquivada no 1º Ofício de Registro 
de Imóveis. Após o registro imobiliário, Pedro foi até o local para se imitir na posse, mas foi impedido por 
Ricardo. Constatou-se que Ricardo teria se tornado proprietário do mesmo lote por meio de ação de 
usucapião, que foi julgada procedente e transcrita no 3º Ofício de Registro de Imóveis, mediante mandado, 
em 05/02/2006. Pedro ajuizou ação reivindicatória contra Ricardo. Durante a instrução, ficou demonstrado 
que realmente houve duplicidade de registro. O pedido deve ser julgado improcedente.Em ação 
reivindicatória, se ficar constatado que o réu possui título aquisitivo devidamente registrado no registro de 
imóveis em data anterior à do registro do autor, o resultado da demanda só pode ser a improcedência, 
notadamente se a cadeia dominial do réu decorre de usucapião que, como se sabe, é meio de aquisição 
originário da propriedade. É, inclusive, hipótese que excepciona o princípio da continuidade registral. No 
caso concreto, ambos os registros foram considerados hígidos, prevalecendo o antecedente sobre o 
posterior. STJ. 4ª Turma. REsp 1.657.424-AM, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 16/5/2023 (Info 777). 
A procuração em causa própria (in rem suam) não é título translativo de propriedade. A procuração em 
causa própria é o negócio jurídico unilateral que confere um poder de representação ao outorgado, que o 
exerce em seu próprio interesse, por sua própria conta, mas em nome do outorgante. Também é conhecido 
pelas expressões em latim “in rem propriam” ou “in rem suam”. Sua utilização é muito comum para a 
celebração de contratos de compra e venda, facilitando a transmissão da propriedade, já que não haverá a 
necessidade da presença física do alienante no cartório. A procuração em causa própria, por si só, não é 
considerada título translativo de propriedade. Em outras palavras, a procuração em causa própria não 
transmite o direito objeto do negócio jurídico. O que essa procuração faz é passar ao outorgado o poder de 
transferir esse direito. Assim, mesmo após passar a procuração, o outorgante continua sendo titular do 
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Ciclos Método 
 
70 
 
direito (real ou pessoal) objeto da procuração em causa própria. Quando recebe a procuração, o outorgado 
passa a ser apenas titular do poder de dispor desse direito, em seu próprio interesse, mas em nome alheio. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1345170-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 04/05/2021 (Info 695). 
O termo inicial da prescrição aquisitiva é o do exercício da posse ad usucapionem, não da ciência do titular 
do imóvel da violação ao seu direito de propriedade, ainda que constatada somente após ação demarcatória, 
devendo ser afastada a aplicação da teoria da actio nata em seu viés subjetivo. De acordo com o art. 189 do 
CC, o prazo prescricional é contado, em regra, a partir do momento em que configurada a lesão ao direito 
subjetivo, independentemente do momento em que seu titular tomou conhecimento pleno do ocorrido e da 
extensão dos danos. Essa regra é excepcionada somente quando a própria lei estabeleça o termo inicial da 
prescrição de forma diversa ou quando a própria natureza da relação jurídica torna impossível ao titular do 
direito adotar comportamento diverso da inércia, haja visto absoluta falta de conhecimento do dano. O viés 
subjetivo da teoria da actio nata deve ser admitido com muita cautela, em situações excepcionalíssimas, 
somente quando as circunstâncias demonstrem que o titular do direito violado não detém nenhuma 
possibilidade de exercitar sua pretensão, justamente por não se evidenciar nenhum comportamento 
negligente de sua parte. No caso dos autos, o STJ não vislumbrou a excepcionalidade necessária para sua 
aplicação, pois não obstante a ação demarcatória tenha demonstrado a existência de demarcação irregular 
entre os lotes, a violação do direito dos recorrentes era passível de constatação desde o momento em que 
cercas foram estabelecidas irregularmente entre os imóveis. Assim, o proprietário já tinha condições de 
exercitar sua pretensão contra o possuidor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.425-PR, Rel. Min. Marco Aurélio 
Bellizze, julgado em 13/6/2023 (Info 779). 
É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem com condenar a parte em quantidade 
superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. 
No entanto, não há julgamento extra petita quando o julgador reconhece os pedidos implícitos formulados 
na petição inicial. Assim, o magistrado não se encontra restrito ao que está expresso no capítulo referente 
aos pedidos, sendo-lhe permitido extrair, mediante interpretação lógico-sistemática da petição inicial, aquilo 
que a parte pretende obter, aplicando o princípio da equidade. 
Não é extra petita o julgado que decide questão que é reflexo de pedido deduzido na inicial, superando a 
ideia da absoluta congruência entre o pedido e a sentença para outorgar ao demandante a tutela 
jurisdicional adequada e efetiva. 
A sentença judicial que, ao reconhecer a usucapião, individualiza, de forma clara e precisa, a área usucapida, 
pode ser objeto de registro no cartório de registro de imóveis, sem a necessidade de pedido expresso na 
inicial a respeito da medida extrajudicial. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1802192-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 12/12/2022 (Info 
765). 
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Ciclos Método 
 
71 
 
O STF autorizou o retorno das desocupações e despejos – que estavam suspensas desde junho/2021 – 
determinando a implementação de um regime de transição com a instalação de comissões para mediar 
eventuais despejos antes de qualquer decisão judicial 
Em face do arrefecimento dos efeitos da pandemia da Covid-19, cabe adotar um regime de transição para a 
retomada das reintegrações de posse suspensas em decorrência da doença, por meio do qual os tribunais 
deverão instalar comissões para mediar eventuais despejos antes de qualquer decisão judicial, a fim de 
reduzir os impactos habitacionais e humanitários em casos de desocupação coletiva. 
STF. Plenário. ADPF 828 TPI-quarta-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 2/11/2022 (Info 1075). 
O fato de os possuidores serem proprietários de metade do imóvel usucapiendo não faz incidir a vedação de 
não possuir "outro imóvel" urbano, contida no artigo 1.240 do Código Civil.REsp 1.909.276-RJ, Rel. Min. 
Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022, DJe 30/09/2022. 
É possível a usucapião mesmo em uma área irregular (área na qual não houve regularização fundiária). É 
cabível a aquisição de imóveis particulares situados no Setor Tradicional de Planaltina/DF, por usucapião, 
ainda que pendente o processo de regularização urbanística. STJ. 2ª Seção. REsp 1818564-DF, Rel. Min. 
Moura Ribeiro, julgado em 09/06/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1025) (Info 700). 
A usucapião especial urbana apresenta como requisitos a posse ininterrupta e pacífica, exercida como dono, 
o decurso do prazo de cinco anos, a dimensão da área (250 m² para a modalidade individual e área superior a 
esta, na forma coletiva), a moradia e o fato de não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. O uso 
misto da área a ser adquirida por meio de usucapião especial urbana não impede seu reconhecimento 
judicial, se a porção utilizada comercialmente é destinada à obtenção do sustento do usucapiente e de sua 
família. É necessário que a área pleiteada seja utilizada para a moradia do requerente ou de sua família, mas 
a lei não proíbe que o autor a utilize também para seu sustento. Assim, o fato de o autor da ação de 
usucapião utilizar uma parte do imóvel para uma atividade comercial que serve ao sustento da família 
domiciliada no imóvel não inviabiliza a prescrição aquisitiva buscada. STJ. 3ª Turma. REsp 1777404-TO, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 
A tentativa de usucapião extrajudicial não é condição indispensável para o ajuizamento da ação de 
usucapião. Mesmo que estejam preenchidos os requisitos para a usucapião extrajudicial, o interessado pode 
livremente optar pela propositura de ação judicial. O próprio legislador deixou claro, no art. 216-A da Lei de 
Registros Públicos, que a existência da possibilidade de usucapião extrajudicial não traz prejuízo à busca da 
usucapião na via jurisdicional: Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de 
reconhecimento extrajudicial de usucapião (...) STJ. 3ª Turma.REsp 1824133-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso 
Sanseverino, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
Não cabe intervenção de terceiros na modalidade de oposição na ação de usucapião. STJ. 3ª Turma. REsp 
1726292-CE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/02/2019 (Info 642). 
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Ciclos Método 
 
72 
 
A existência de bem público não demarcado em condomínio pro indiviso com particulares não impede ação 
de usucapião parcial.REsp 1.504.916-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, Quarta 
Turma, por maioria, julgado em 27/09/2022. 
Em se tratando de usufruto estabelecido por ato inter vivos, o usufrutuário sobrevivente não tem o dever 
de prestar contas dos frutos referentes ao quinhão de usufrutuário falecido. Caso hipotético: João e Regina 
eram casados e tinham dois filhos: Carlos e Ricardo.O casal doou uma fazenda que possuíam para Carlos. No 
entanto, ao fazer a doação, o casal estabeleceu que eles teriam direito real de usufruto sobre o imóvel 
enquanto vivessem (usufruto vitalício). Alguns anos depois, Regina morreu.Foi instaurado processo de 
inventário. Ricardo ajuizou ação de prestação de contas em face de João. Alegou ter sido preterido na 
legítima e nos frutos advindos do usufruto vitalício. Requereu a citação do réu para que prestasse contas dos 
frutos arrecadados com a exploração da fazenda. João não tem o dever de prestar contas. Em se tratando de 
usufruto estabelecido por ato intervivos, o usufrutuário sobrevivente não tem o dever de prestar contas dos 
frutos referentes ao quinhão de usufrutuário falecido no processo de inventário, haja vista que o referido 
quinhão não foi acrescido ao seu e nem transmitido aos herdeiros, apenas retornando ao nu-proprietário. 
STJ. 4ª Turma.REsp 1.942.097-MT, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 7/11/2023 (Info 796). 
A morte de usufrutuário que arrenda imóvel, durante a vigência do contrato de arrendamento, sem a 
reivindicação possessória pelo proprietário, torna precária e injusta a posse exercida pelos seus sucessores, 
mas não constitui óbice ao exercício dos direitos provenientes do contrato de arrendamento pelo espólio 
perante o terceiro arrendatário.STJ. 3ª Turma. REsp 1758946-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 
08/06/2021 (Info 700). 
Caso hipotético: João estava sendo executado. O juiz determinou a penhora de seus bens. João possuía uma 
vaga de garagem localizada no condomínio em que ele mora. Essa vaga de garagem possui matrícula própria, 
diferente da matrícula do apartamento. Diante disso, o juiz determinou a penhora da vaga de garagem e a 
sua alienação em hasta pública. 
Neste caso, somente um condômino poderá arrematar a vaga. Não será possível que um terceiro – alguém 
que não seja condômino – faça a arrematação. É o que preveem o art. 2º da Lei nº 4.591/64 e o art. 1.331, § 
1º, do Código Civil. 
A redação do § 1º do art. 1.331 foi conferida com a finalidade de garantir segurança, funcionalidade e 
harmonia no ambiente condominial. Ao restringir o acesso às vagas apenas aos condôminos, reduz-se o risco 
de indivíduos não autorizados circularem no espaço, diminuindo a probabilidade de incidentes como furtos, 
vandalismos ou invasões. 
Logo, ao interpretar o art. 1.331, § 1º, do CC/2002, que veda a alienação das vagas de garagem a pessoas 
estranhas ao condomínio sem autorização expressa na convenção condominial, em conjunto com o 
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Ciclos Método 
 
73 
 
entendimento consolidado na Súmula n. 449 do STJ, que autoriza a penhora de vaga de garagem com 
matrícula própria, é necessário restringir a participação na hasta pública exclusivamente aos condôminos. 
STJ. 4ª Turma. REsp 2.095.402-SC, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 6/8/2024 (Info 820). 
É possível que um herdeiro adquira a propriedade de um imóvel por usucapião, desde que exerça a posse de 
forma exclusiva. Nesse caso, o herdeiro tem legitimidade e interesse para usucapir em seu próprio nome, 
desde que cumpra todos os requisitos legais exigidos para a usucapião. 
Com a abertura da sucessão, ocorre a transmissão da herança, criando um condomínio pro indiviso sobre o 
patrimônio hereditário. Nesse cenário, os direitos dos co-herdeiros, tanto sobre a propriedade quanto sobre 
a posse dos bens herdados, são regidos pelas normas aplicáveis ao condomínio. 
Portanto, um condômino pode, em nome próprio, buscar a usucapião, desde que exerça a posse direta e 
exclusiva do imóvel, com a intenção de dono (animus domini), e atenda aos demais requisitos legais, como o 
decurso do prazo previsto em lei, sem qualquer oposição por parte dos demais proprietários. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.859/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/5/2018. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 2.355.307-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 17/6/2024 (Info 822). 
Situação hipotética: Carlos, Ana e João herdaram um apartamento. Em 2016, Carlos ajuizou ação alegando 
que pagou R$ 60 mil entre 2008 e 2012 com a manutenção do apartamento. Assim, o autor pediu que Ana e 
João o reembolsassem, dividindo o custo proporcionalmente entre os três (R$ 20 mil para cada). Ana e João 
apresentaram resposta argumentando que o prazo para a pretensão de Carlos era de 3 anos, nos termos do 
art. 206, § 3º, IV, do Código Civil, e que, portanto, teria havido a prescrição. 
O argumento de Ana e João não foi aceito pelo STJ. 
O prazo prescricional aplicável à pretensão de reembolso de despesas efetuadas por condômino com a 
manutenção da coisa em estado de indivisão é decenal pelo Código Civil de 2002 (art. 205) e vintenário pelo 
Código Civil de 1916 (art. 177). 
STJ. 4ª Turma. REsp 2.004.822-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. para acórdão Min. Marco Buzzi, julgado 
em 29/11/2023 (Info 799). 
Caso concreto: um hacker invadiu o sistema informatizado da concessionária de energia elétrica e de lá 
copiou os dados pessoais de inúmeros consumidores. O hacker copiou os dados pessoais de Regina (nome 
completo, endereço, número do RG, data de nascimento, número de telefone) e os vendeu para uma 
empresa de marketing. 
Regina ajuizou ação de indenização contra a concessionária sustentando a tese de que o vazamento de 
dados pessoais gera dano moral presumido. 
O STJ não concordou com o argumento. 
O art. 5º, II, da Lei 13.709/2018 (LGPD), prevê que determinados dados pessoais devem ser qualificados 
como “sensíveis”, exigindo exigir um tratamento diferenciado por parte de quem armazena essas 
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Ciclos Método 
 
74 
 
informações. São aqueles relacionados com origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, 
filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à 
vida sexual, dado genético ou biométrico. 
Os dados que a concessionária armazenava eram aqueles que se fornece em qualquer cadastro, inclusive nos 
sites consultados no dia a dia, não sendo, portanto, acobertados por sigilo. Não eram, portanto, dados 
pessoais sensíveis. O conhecimento desses dados “comuns” por terceiro em nada violaria o direito de 
personalidade da autora. 
O vazamento de dados pessoais, a despeito de se tratar de falha indesejável no tratamento de dados de 
pessoa natural por pessoa jurídica, não tem o condão, por si só, de gerar dano moral indenizável. 
Desse modo, não se trata de dano moral presumido, sendo necessário, para que haja indenização, que o 
titular dos dados comprove qual foi o dano decorrente da exposição dessas informações. 
STJ. 2ª Turma. AREsp 2130619-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 7/3/2023 (Info 766). 
Conjugando a determinação do art. 20 da LGPD com a eficácia dos direitos fundamentais nas relações 
privadas, entende-se que o titular de dados pessoais deve ser informado sobre a razão da suspensão de seu 
perfil, bem como pode requerer a revisão dessa decisão, garantido o seu direitode defesa. 
A plataforma pode suspender imediatamente o perfil do motorista quando entender que a acusação é 
suficientemente gravosa, informando-lhe a razão dessa medida, mas ele poderá requerer a revisão dessa 
decisão, garantido o contraditório. 
Se tiver sido conferido o direito de defesa ao usuário e ainda assim a plataforma concluir que restou 
comprovada a violação aos termos de conduta, não há abusividade no descredenciamento do perfil. Até 
mesmo porque não se afasta a possibilidade de revisão judicial da questão. 
STJ. 3ª Turma. REsp 2.135.783-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/6/2024 (Info 817). 
O direito ao esquecimento é considerado incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro. Logo, não é 
capaz de justificar a atribuição da obrigação de excluir a publicação relativa a fatos verídicos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1961581-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/12/2021 (Info 723). 
Os provedores de conexão à internet devem fornecer os dados cadastrais (nome, endereço, RG e CPF) dos 
usuários responsáveis por publicação de vídeos no Youtube com ofensas à memória de pessoa falecida. 
Os provedores são obrigados a guardar os DADOS PESSOAIS do usuário? 
• Provedores de CONEXÃO à internet: SIM (devem guardar os dados pessoais). 
• Provedores de APLICAÇÕES de internet: NÃO (basta armazenarem o IP). 
STJ. 4ª Turma. REsp 1914596-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 23/11/2021 (Info 720). 
 
DIREITO PENAL 
 
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Ciclos Método 
 
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Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas). Lei 12.694/2012 (Lei dos Crimes de Perseguição - Stalking). Lei 
12.850/2013 (Lei de Organização Criminosa). Lei 12.984/2014 (Lei dos Crimes de Feminicídio). Lei 
13.260/2016 (Lei Antiterrorismo). Lei 13.344/2016 (Lei de Combate ao Tráfico de Pessoas). Lei 
13.431/2017 (Lei de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima ou Testemunha de Violência). Lei 
13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade). Decreto-Lei 3.688/1941 (Lei das Contravenções Penais). 
Decreto-Lei 201/1967 (Lei de Responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores). 
 
Devido ao tema e à cobrança, vamos focar na letra da lei e em alguns julgados importantes. 
 
UM POUCO DE LEI SECA 
 
#ABREALEI! 
Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas) 
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, 
ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer 
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar: 
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) 
dias-multa. 
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem: 
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em 
depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo 
com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à 
preparação de drogas; 
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas; 
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou 
vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas. 
IV - vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de 
drogas, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial 
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
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Ciclos Método 
 
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§ 2º Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: (Vide ADI nº 4.274) 
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa. 
§ 3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a 
consumirem: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) 
dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28. 
§ 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois 
terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos , desde que o agente seja primário, de bons 
antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. (Vide 
Resolução nº 5, de 2012) 
 
Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, 
guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto 
destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-
multa. 
 
Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos 
crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 desta Lei: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-
multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada 
do crime definido no art. 36 desta Lei. 
(...) 
 
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se: 
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato 
evidenciarem a transnacionalidade do delito; 
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação, 
poder familiar, guarda ou vigilância; 
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino 
ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, 
de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de 
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serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais 
ou em transportes públicos; 
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer 
processo de intimidação difusa ou coletiva; 
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal; 
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, 
diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação; 
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime. 
(...) 
 
Lei 12.694/2012 (Lei dos Crimes de Perseguição - Stalking) 
Art. 1º Em processos ou procedimentos que tenham por objeto crimes praticados por organizações 
criminosas, o juiz poderá decidir pela formação de colegiado para a prática de qualquer ato processual, 
especialmente: 
I - decretação de prisão ou de medidas assecuratórias; 
II - concessão de liberdade provisória ou revogação de prisão; 
III - sentença; 
IV - progressão ou regressão de regime de cumprimento de pena; 
V - concessão de liberdade condicional; 
VI - transferência de preso para estabelecimento prisional de segurança máxima; e 
VII - inclusão do preso no regime disciplinar diferenciado. 
§ 1º O juiz poderá instaurar o colegiado, indicando os motivos e as circunstâncias que acarretam risco à sua 
integridade física em decisão fundamentada,da qual será dado conhecimento ao órgão correicional. 
§ 2º O colegiado será formado pelo juiz do processo e por 2 (dois) outros juízes escolhidos por sorteio 
eletrônico dentre aqueles de competência criminal em exercício no primeiro grau de jurisdição. 
§ 3º A competência do colegiado limita-se ao ato para o qual foi convocado. 
§ 4º As reuniões poderão ser sigilosas sempre que houver risco de que a publicidade resulte em prejuízo à 
eficácia da decisão judicial. 
§ 5º A reunião do colegiado composto por juízes domiciliados em cidades diversas poderá ser feita pela via 
eletrônica. 
§ 6º As decisões do colegiado, devidamente fundamentadas e firmadas, sem exceção, por todos os seus 
integrantes, serão publicadas sem qualquer referência a voto divergente de qualquer membro. 
§ 7º Os tribunais, no âmbito de suas competências, expedirão normas regulamentando a composição do 
colegiado e os procedimentos a serem adotados para o seu funcionamento. 
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Art. 1º-A. Os Tribunais de Justiça e os Tribunais Regionais Federais poderão instalar, nas comarcas sedes de 
Circunscrição ou Seção Judiciária, mediante resolução, Varas Criminais Colegiadas com competência para o 
processo e julgamento: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
I - de crimes de pertinência a organizações criminosas armadas ou que tenham armas à 
disposição; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
II - do crime do art. 288-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); e (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
III - das infrações penais conexas aos crimes a que se referem os incisos I e II do caput deste 
artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 1º As Varas Criminais Colegiadas terão competência para todos os atos jurisdicionais no decorrer da 
investigação, da ação penal e da execução da pena, inclusive a transferência do preso para estabelecimento 
prisional de segurança máxima ou para regime disciplinar diferenciado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
§ 2º Ao receber, segundo as regras normais de distribuição, processos ou procedimentos que tenham por 
objeto os crimes mencionados no caput deste artigo, o juiz deverá declinar da competência e remeter os 
autos, em qualquer fase em que se encontrem, à Vara Criminal Colegiada de sua Circunscrição ou Seção 
Judiciária. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 3º Feita a remessa mencionada no § 2º deste artigo, a Vara Criminal Colegiada terá competência para 
todos os atos processuais posteriores, incluindo os da fase de execução. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se organização criminosa a associação, de 3 (três) ou mais 
pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com 
objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de crimes 
cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional. 
 
Art. 3º Os tribunais, no âmbito de suas competências, são autorizados a tomar medidas para reforçar a 
segurança dos prédios da Justiça, especialmente: 
I - controle de acesso, com identificação, aos seus prédios, especialmente aqueles com varas criminais, ou às 
áreas dos prédios com varas criminais; 
II - instalação de câmeras de vigilância nos seus prédios, especialmente nas varas criminais e áreas 
adjacentes; 
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III - instalação de aparelhos detectores de metais, aos quais se devem submeter todos que queiram ter acesso 
aos seus prédios, especialmente às varas criminais ou às respectivas salas de audiência, ainda que exerçam 
qualquer cargo ou função pública, ressalvados os integrantes de missão policial, a escolta de presos e os 
agentes ou inspetores de segurança próprios. 
(...) 
 
Lei 12.850/2013 (Lei de Organização Criminosa) 
Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da 
prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado. 
§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente 
ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou 
indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas 
sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. 
§ 2º Esta Lei se aplica também: 
I - às infrações penais previstas em tratado ou convenção internacional quando, iniciada a execução no País, 
o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; 
II - às organizações terroristas, entendidas como aquelas voltadas para a prática dos atos de terrorismo 
legalmente definidos. (Redação dada pela lei nº 13.260, de 2016) 
(...) 
 
Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem prejuízo de outros já previstos em lei, os 
seguintes meios de obtenção da prova: 
I - colaboração premiada; 
II - captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos; 
III - ação controlada; 
IV - acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais constantes de bancos de 
dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou comerciais; 
V - interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos termos da legislação específica; 
VI - afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, nos termos da legislação específica; 
VII - infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma do art. 11; 
VIII - cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais, estaduais e municipais na busca de provas e 
informações de interesse da investigação ou da instrução criminal. 
§ 1º Havendo necessidade justificada de manter sigilo sobre a capacidade investigatória, poderá ser 
dispensada licitação para contratação de serviços técnicos especializados, aquisição ou locação de 
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equipamentos destinados à polícia judiciária para o rastreamento e obtenção de provas previstas nos incisos 
II e V. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) 
§ 2º No caso do § 1º , fica dispensada a publicação de que trata o parágrafo único do art. 61 da Lei nº 8.666, 
de 21 de junho de 1993, devendo ser comunicado o órgão de controle interno da realização da 
contratação. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) 
 
Art. 3º-A. O acordo de colaboração premiada é negócio jurídico processual e meio de obtenção de prova, que 
pressupõe utilidade e interesse públicos. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
Art. 3º-B. O recebimento da proposta para formalização de acordo de colaboração demarca o início das 
negociações e constitui também marco de confidencialidade, configurando violação de sigilo e quebra da 
confiança e da boa-fé a divulgação de tais tratativas iniciais ou de documento que as formalize, até o 
levantamento de sigilo por decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 1º A proposta de acordo de colaboração premiada poderá ser sumariamente indeferida, com a devida 
justificativa, cientificando-se o interessado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 2º Caso não haja indeferimento sumário, as partes deverão firmar Termo de Confidencialidade para 
prosseguimento das tratativas, o que vinculará os órgãos envolvidos na negociação e impedirá o 
indeferimento posterior sem justa causa. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 3º O recebimento de proposta de colaboração para análise ou o Termo de Confidencialidade não implica, 
por si só, a suspensão da investigação, ressalvado acordo em contrário quanto à propositura de medidas 
processuais penais cautelares e assecuratórias, bem como medidasprocessuais cíveis admitidas pela 
legislação processual civil em vigor. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 4º O acordo de colaboração premiada poderá ser precedido de instrução, quando houver necessidade de 
identificação ou complementação de seu objeto, dos fatos narrados, sua definição jurídica, relevância, 
utilidade e interesse público. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 5º Os termos de recebimento de proposta de colaboração e de confidencialidade serão elaborados pelo 
celebrante e assinados por ele, pelo colaborador e pelo advogado ou defensor público com poderes 
específicos. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 6º Na hipótese de não ser celebrado o acordo por iniciativa do celebrante, esse não poderá se valer de 
nenhuma das informações ou provas apresentadas pelo colaborador, de boa-fé, para qualquer outra 
finalidade. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
Art. 3º-C. A proposta de colaboração premiada deve estar instruída com procuração do interessado com 
poderes específicos para iniciar o procedimento de colaboração e suas tratativas, ou firmada pessoalmente 
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pela parte que pretende a colaboração e seu advogado ou defensor público. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
§ 1º Nenhuma tratativa sobre colaboração premiada deve ser realizada sem a presença de advogado 
constituído ou defensor público. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 2º Em caso de eventual conflito de interesses, ou de colaborador hipossuficiente, o celebrante deverá 
solicitar a presença de outro advogado ou a participação de defensor público. (Incluído pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
§ 3º No acordo de colaboração premiada, o colaborador deve narrar todos os fatos ilícitos para os quais 
concorreu e que tenham relação direta com os fatos investigados. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 4º Incumbe à defesa instruir a proposta de colaboração e os anexos com os fatos adequadamente descritos, 
com todas as suas circunstâncias, indicando as provas e os elementos de corroboração. (Incluído pela Lei nº 
13.964, de 2019) 
 
Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois terços) a 
pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e 
voluntariamente com a investigação e com o processo criminal, desde que dessa colaboração advenha um ou 
mais dos seguintes resultados: 
I - a identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações penais por eles 
praticadas; 
II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa; 
III - a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa; 
IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela 
organização criminosa; (Vide ADPF 569) 
V - a localização de eventual vítima com a sua integridade física preservada. 
§ 1º Em qualquer caso, a concessão do benefício levará em conta a personalidade do colaborador, a 
natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do fato criminoso e a eficácia da colaboração. 
§ 2º Considerando a relevância da colaboração prestada, o Ministério Público, a qualquer tempo, e o 
delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do Ministério Público, poderão 
requerer ou representar ao juiz pela concessão de perdão judicial ao colaborador, ainda que esse benefício 
não tenha sido previsto na proposta inicial, aplicando-se, no que couber, o art. 28 do Decreto-Lei nº 3.689, de 
3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal). 
§ 3º O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador, poderá ser suspenso por 
até 6 (seis) meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas as medidas de colaboração, 
suspendendo-se o respectivo prazo prescricional. 
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§ 4º Nas mesmas hipóteses do caput deste artigo, o Ministério Público poderá deixar de oferecer denúncia se 
a proposta de acordo de colaboração referir-se a infração de cuja existência não tenha prévio conhecimento e 
o colaborador: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
I - não for o líder da organização criminosa; 
II - for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos termos deste artigo. 
§ 4º-A. Considera-se existente o conhecimento prévio da infração quando o Ministério Público ou a 
autoridade policial competente tenha instaurado inquérito ou procedimento investigatório para apuração 
dos fatos apresentados pelo colaborador. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 5º Se a colaboração for posterior à sentença, a pena poderá ser reduzida até a metade ou será admitida a 
progressão de regime ainda que ausentes os requisitos objetivos. 
§ 6º O juiz não participará das negociações realizadas entre as partes para a formalização do acordo de 
colaboração, que ocorrerá entre o delegado de polícia, o investigado e o defensor, com a manifestação do 
Ministério Público, ou, conforme o caso, entre o Ministério Público e o investigado ou acusado e seu defensor. 
§ 7º Realizado o acordo na forma do § 6º deste artigo, serão remetidos ao juiz, para análise, o respectivo 
termo, as declarações do colaborador e cópia da investigação, devendo o juiz ouvir sigilosamente o 
colaborador, acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisará os seguintes aspectos na 
homologação: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
I - regularidade e legalidade; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
II - adequação dos benefícios pactuados àqueles previstos no caput e nos §§ 4º e 5º deste artigo, sendo nulas 
as cláusulas que violem o critério de definição do regime inicial de cumprimento de pena do art. 33 do 
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), as regras de cada um dos regimes previstos 
no Código Penal e na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal) e os requisitos de 
progressão de regime não abrangidos pelo § 5º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
III - adequação dos resultados da colaboração aos resultados mínimos exigidos nos incisos I, II, III, IV e V 
do caput deste artigo; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
IV - voluntariedade da manifestação de vontade, especialmente nos casos em que o colaborador está ou 
esteve sob efeito de medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 7º-A O juiz ou o tribunal deve proceder à análise fundamentada do mérito da denúncia, do perdão judicial e 
das primeiras etapas de aplicação da pena, nos termos do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 
(Código Penal) e do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), antes de 
conceder os benefícios pactuados, exceto quando o acordo prever o não oferecimento da denúncia na forma 
dos §§ 4º e 4º-A deste artigo ou já tiver sido proferida sentença. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 7º-B. São nulas de pleno direito as previsões de renúncia ao direito de impugnar a decisão 
homologatória. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
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§ 8º O juiz poderá recusar a homologação da proposta que não atender aos requisitos legais, devolvendo-a às 
partes para as adequações necessárias. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 9º Depois de homologado o acordo, o colaborador poderá, sempre acompanhado pelo seu defensor, ser 
ouvido pelo membro do Ministério Público ou pelo delegado de polícia responsável pelas investigações. 
§ 10. As partes podem retratar-se da proposta, caso em que as provas autoincriminatórias produzidas pelo 
colaborador não poderão ser utilizadas exclusivamente em seu desfavor. 
§ 10-A Em todas as fases doprocesso, deve-se garantir ao réu delatado a oportunidade de manifestar-se 
após o decurso do prazo concedido ao réu que o delatou. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 11. A sentença apreciará os termos do acordo homologado e sua eficácia. 
§ 12. Ainda que beneficiado por perdão judicial ou não denunciado, o colaborador poderá ser ouvido em juízo 
a requerimento das partes ou por iniciativa da autoridade judicial. 
§ 13. O registro das tratativas e dos atos de colaboração deverá ser feito pelos meios ou recursos de gravação 
magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinados a obter maior fidelidade 
das informações, garantindo-se a disponibilização de cópia do material ao colaborador. (Redação dada 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 14. Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao 
silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade. (Vide ADI 5567) 
§ 15. Em todos os atos de negociação, confirmação e execução da colaboração, o colaborador deverá estar 
assistido por defensor. 
§ 16. Nenhuma das seguintes medidas será decretada ou proferida com fundamento apenas nas declarações 
do colaborador: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
I - medidas cautelares reais ou pessoais; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
II - recebimento de denúncia ou queixa-crime; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
III - sentença condenatória. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 17. O acordo homologado poderá ser rescindido em caso de omissão dolosa sobre os fatos objeto da 
colaboração. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 18. O acordo de colaboração premiada pressupõe que o colaborador cesse o envolvimento em conduta 
ilícita relacionada ao objeto da colaboração, sob pena de rescisão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
(...) 
 
Art. 8º Consiste a ação controlada em retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação 
praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e 
acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz à formação de provas e 
obtenção de informações. 
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§ 1º O retardamento da intervenção policial ou administrativa será previamente comunicado ao juiz 
competente que, se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério Público. 
§ 2º A comunicação será sigilosamente distribuída de forma a não conter informações que possam indicar a 
operação a ser efetuada. 
§ 3º Até o encerramento da diligência, o acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao 
delegado de polícia, como forma de garantir o êxito das investigações. 
§ 4º Ao término da diligência, elaborar-se-á auto circunstanciado acerca da ação controlada. 
 
Art. 9º Se a ação controlada envolver transposição de fronteiras, o retardamento da intervenção policial ou 
administrativa somente poderá ocorrer com a cooperação das autoridades dos países que figurem como 
provável itinerário ou destino do investigado, de modo a reduzir os riscos de fuga e extravio do produto, 
objeto, instrumento ou proveito do crime. 
 
Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia 
ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no 
curso de inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que 
estabelecerá seus limites. 
§ 1º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o 
Ministério Público. 
§ 2º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. 1º e se a prova não 
puder ser produzida por outros meios disponíveis. 
§ 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações, 
desde que comprovada sua necessidade. 
§ 4º Findo o prazo previsto no § 3º , o relatório circunstanciado será apresentado ao juiz competente, que 
imediatamente cientificará o Ministério Público. 
§ 5º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério 
Público poderá requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração. 
(...) 
 
Art. 11. O requerimento do Ministério Público ou a representação do delegado de polícia para a infiltração de 
agentes conterão a demonstração da necessidade da medida, o alcance das tarefas dos agentes e, quando 
possível, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e o local da infiltração. 
Parágrafo único. Os órgãos de registro e cadastro público poderão incluir nos bancos de dados próprios, 
mediante procedimento sigiloso e requisição da autoridade judicial, as informações necessárias à efetividade 
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da identidade fictícia criada, nos casos de infiltração de agentes na internet. (Incluído pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
(...) 
 
Lei 12.984/2014 (Lei dos Crimes de Feminicídio) 
Art. 1º Constitui crime punível com reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, as seguintes condutas 
discriminatórias contra o portador do HIV e o doente de aids, em razão da sua condição de portador ou de 
doente: 
I - recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou impedir que permaneça como aluno em creche 
ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado; 
II - negar emprego ou trabalho; 
III - exonerar ou demitir de seu cargo ou emprego; 
IV - segregar no ambiente de trabalho ou escolar; 
V - divulgar a condição do portador do HIV ou de doente de aids, com intuito de ofender-lhe a dignidade; 
VI - recusar ou retardar atendimento de saúde. 
 
Lei 13.260/2016 (Lei Antiterrorismo) 
Art. 2º O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões 
de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade 
de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a 
incolumidade pública. 
§ 1º São atos de terrorismo: 
I - usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, 
conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição 
em massa; 
II – (VETADO); 
III - (VETADO); 
IV - sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça a pessoa ou servindo-se de 
mecanismos cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda que de modo temporário, de meio de 
comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas 
de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos 
essenciais, instalações de geração ou transmissão de energia, instalações militares, instalações de 
exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições bancárias e sua rede de atendimento; 
V - atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa: 
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Pena - reclusão, de doze a trinta anos, além das sanções correspondentes à ameaça ou à violência. 
§ 2º O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações 
políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por 
propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de 
defender direitos, garantias e liberdades constitucionais, sem prejuízo da tipificação penal contida em lei. 
 
Art. 3º Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a 
organizaçãoterrorista: 
Pena - reclusão, de cinco a oito anos, e multa. 
§ 1º (VETADO). 
§ 2º (VETADO). 
 
Art. 4º (VETADO). 
 
Art. 5º Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito: 
Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade. 
§ 1º Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos de terrorismo: 
I - recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distinto daquele de sua 
residência ou nacionalidade; ou 
II - fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade. 
§ 2º Nas hipóteses do § 1º, quando a conduta não envolver treinamento ou viagem para país distinto daquele 
de sua residência ou nacionalidade, a pena será a correspondente ao delito consumado, diminuída de metade 
a dois terços. 
 
Art. 6º Receber, prover, oferecer, obter, guardar, manter em depósito, solicitar, investir, de qualquer modo, 
direta ou indiretamente, recursos, ativos, bens, direitos, valores ou serviços de qualquer natureza, para o 
planejamento, a preparação ou a execução dos crimes previstos nesta Lei: 
Pena - reclusão, de quinze a trinta anos. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem oferecer ou receber, obtiver, guardar, mantiver em depósito, 
solicitar, investir ou de qualquer modo contribuir para a obtenção de ativo, bem ou recurso financeiro, com a 
finalidade de financiar, total ou parcialmente, pessoa, grupo de pessoas, associação, entidade, organização 
criminosa que tenha como atividade principal ou secundária, mesmo em caráter eventual, a prática dos 
crimes previstos nesta Lei. 
 
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Art. 7º Salvo quando for elementar da prática de qualquer crime previsto nesta Lei, se de algum deles resultar 
lesão corporal grave, aumenta-se a pena de um terço, se resultar morte, aumenta-se a pena da metade. 
 
Art. 8º (VETADO). 
 
Art. 9º (VETADO). 
 
Art. 10. Mesmo antes de iniciada a execução do crime de terrorismo, na hipótese do art. 5º desta Lei, 
aplicam-se as disposições do art. 15 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal . 
 
Art. 11. Para todos os efeitos legais, considera-se que os crimes previstos nesta Lei são praticados contra o 
interesse da União, cabendo à Polícia Federal a investigação criminal, em sede de inquérito policial, e à 
Justiça Federal o seu processamento e julgamento, nos termos do inciso IV do art. 109 da Constituição 
Federal . 
Parágrafo único. (VETADO). 
 
Art. 12. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação do delegado de 
polícia, ouvido o Ministério Público em vinte e quatro horas, havendo indícios suficientes de crime previsto 
nesta Lei, poderá decretar, no curso da investigação ou da ação penal, medidas assecuratórias de bens, 
direitos ou valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas, que sejam 
instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos nesta Lei. 
§ 1º Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos 
a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção. 
§ 2º O juiz determinará a liberação, total ou parcial, dos bens, direitos e valores quando comprovada a 
licitude de sua origem e destinação, mantendo-se a constrição dos bens, direitos e valores necessários e 
suficientes à reparação dos danos e ao pagamento de prestações pecuniárias, multas e custas decorrentes da 
infração penal. 
§ 3º Nenhum pedido de liberação será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado ou de 
interposta pessoa a que se refere o caput deste artigo, podendo o juiz determinar a prática de atos 
necessários à conservação de bens, direitos ou valores, sem prejuízo do disposto no § 1º. 
§ 4º Poderão ser decretadas medidas assecuratórias sobre bens, direitos ou valores para reparação do dano 
decorrente da infração penal antecedente ou da prevista nesta Lei ou para pagamento de prestação 
pecuniária, multa e custas. 
 
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Art. 13. Quando as circunstâncias o aconselharem, o juiz, ouvido o Ministério Público, nomeará pessoa física 
ou jurídica qualificada para a administração dos bens, direitos ou valores sujeitos a medidas assecuratórias, 
mediante termo de compromisso. 
 
Art. 14. A pessoa responsável pela administração dos bens: 
I - fará jus a uma remuneração, fixada pelo juiz, que será satisfeita preferencialmente com o produto dos 
bens objeto da administração; 
II - prestará, por determinação judicial, informações periódicas da situação dos bens sob sua administração, 
bem como explicações e detalhamentos sobre investimentos e reinvestimentos realizados. 
Parágrafo único. Os atos relativos à administração dos bens serão levados ao conhecimento do Ministério 
Público, que requererá o que entender cabível. 
 
Art. 15. O juiz determinará, na hipótese de existência de tratado ou convenção internacional e por solicitação 
de autoridade estrangeira competente, medidas assecuratórias sobre bens, direitos ou valores oriundos de 
crimes descritos nesta Lei praticados no estrangeiro. 
§ 1º Aplica-se o disposto neste artigo, independentemente de tratado ou convenção internacional, quando 
houver reciprocidade do governo do país da autoridade solicitante. 
§ 2º Na falta de tratado ou convenção, os bens, direitos ou valores sujeitos a medidas assecuratórias por 
solicitação de autoridade estrangeira competente ou os recursos provenientes da sua alienação serão 
repartidos entre o Estado requerente e o Brasil, na proporção de metade, ressalvado o direito do lesado ou de 
terceiro de boa-fé. 
 
Lei 13.344/2016 (Lei de Combate ao Tráfico de Pessoas). 
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o tráfico de pessoas cometido no território nacional contra vítima brasileira ou 
estrangeira e no exterior contra vítima brasileira. 
Parágrafo único. O enfrentamento ao tráfico de pessoas compreende a prevenção e a repressão desse delito, 
bem como a atenção às suas vítimas. 
(...) 
 
Art. 4º A prevenção ao tráfico de pessoas dar-se-á por meio: 
I - da implementação de medidas intersetoriais e integradas nas áreas de saúde, educação, trabalho, 
segurança pública, justiça, turismo, assistência social, desenvolvimento rural, esportes, comunicação, cultura 
e direitos humanos; 
II - de campanhas socioeducativas e de conscientização, considerando as diferentes realidades e linguagens; 
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III - de incentivo à mobilização e à participação da sociedade civil; e 
IV - de incentivo a projetos de prevenção ao tráfico de pessoas. 
 
Art. 5º A repressão ao tráfico de pessoas dar-se-á por meio: 
I - da cooperação entre órgãos do sistema de justiça e segurança, nacionais e estrangeiros; 
II - da integração de políticas e ações de repressão aos crimes correlatos e da responsabilização dos seus 
autores; 
III - da formação de equipes conjuntas de investigação. 
(...) 
 
Art. 8º O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação do delegado de 
polícia, ouvido o Ministério Público, havendo indícios suficientes de infração penal, poderá decretar medidas 
assecuratórias relacionadas a bens, direitos ou valores pertencentes ao investigado ou acusado, ou existentes 
em nome de interpostas pessoas, que sejam instrumento, produto ou proveito do crime de tráfico de pessoas, 
procedendo-se na forma dos arts. 125 a 144-A do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de 
Processo Penal) . 
§ 1º Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos 
a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção. 
§ 2º O juiz determinará a liberação total ou parcial dos bens,direitos e valores quando comprovada a licitude 
de sua origem, mantendo-se a constrição dos bens, direitos e valores necessários e suficientes à reparação 
dos danos e ao pagamento de prestações pecuniárias, multas e custas decorrentes da infração penal. 
§ 3º Nenhum pedido de liberação será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado ou investigado, 
ou de interposta pessoa a que se refere o caput , podendo o juiz determinar a prática de atos necessários à 
conservação de bens, direitos ou valores, sem prejuízo do disposto no § 1º. 
§ 4º Ao proferir a sentença de mérito, o juiz decidirá sobre o perdimento do produto, bem ou valor 
apreendido, sequestrado ou declarado indisponível. 
 
Lei 13.431/2017 (Lei de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima ou Testemunha de Violência) 
Art. 7º Escuta especializada é o procedimento de entrevista sobre situação de violência com criança ou 
adolescente perante órgão da rede de proteção, limitado o relato estritamente ao necessário para o 
cumprimento de sua finalidade. 
 
Art. 8º Depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de 
violência perante autoridade policial ou judiciária. 
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Art. 9º A criança ou o adolescente será resguardado de qualquer contato, ainda que visual, com o suposto 
autor ou acusado, ou com outra pessoa que represente ameaça, coação ou constrangimento. 
 
Art. 10. A escuta especializada e o depoimento especial serão realizados em local apropriado e acolhedor, 
com infraestrutura e espaço físico que garantam a privacidade da criança ou do adolescente vítima ou 
testemunha de violência. 
 
Art. 11. O depoimento especial reger-se-á por protocolos e, sempre que possível, será realizado uma única 
vez, em sede de produção antecipada de prova judicial, garantida a ampla defesa do investigado. 
§ 1º O depoimento especial seguirá o rito cautelar de antecipação de prova: 
I - quando a criança ou o adolescente tiver menos de 7 (sete) anos; 
II - em caso de violência sexual. 
§ 2º Não será admitida a tomada de novo depoimento especial, salvo quando justificada a sua 
imprescindibilidade pela autoridade competente e houver a concordância da vítima ou da testemunha, ou de 
seu representante legal. 
 
Art. 12. O depoimento especial será colhido conforme o seguinte procedimento: 
I - os profissionais especializados esclarecerão a criança ou o adolescente sobre a tomada do depoimento 
especial, informando-lhe os seus direitos e os procedimentos a serem adotados e planejando sua 
participação, sendo vedada a leitura da denúncia ou de outras peças processuais; 
II - é assegurada à criança ou ao adolescente a livre narrativa sobre a situação de violência, podendo o 
profissional especializado intervir quando necessário, utilizando técnicas que permitam a elucidação dos 
fatos; 
III - no curso do processo judicial, o depoimento especial será transmitido em tempo real para a sala de 
audiência, preservado o sigilo; 
IV - findo o procedimento previsto no inciso II deste artigo, o juiz, após consultar o Ministério Público, o 
defensor e os assistentes técnicos, avaliará a pertinência de perguntas complementares, organizadas em 
bloco; 
V - o profissional especializado poderá adaptar as perguntas à linguagem de melhor compreensão da criança 
ou do adolescente; 
VI - o depoimento especial será gravado em áudio e vídeo. 
§ 1º À vítima ou testemunha de violência é garantido o direito de prestar depoimento diretamente ao juiz, se 
assim o entender. 
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§ 2º O juiz tomará todas as medidas apropriadas para a preservação da intimidade e da privacidade da 
vítima ou testemunha. 
§ 3º O profissional especializado comunicará ao juiz se verificar que a presença, na sala de audiência, do 
autor da violência pode prejudicar o depoimento especial ou colocar o depoente em situação de risco, caso 
em que, fazendo constar em termo, será autorizado o afastamento do imputado. 
§ 4º Nas hipóteses em que houver risco à vida ou à integridade física da vítima ou testemunha, o juiz tomará 
as medidas de proteção cabíveis, inclusive a restrição do disposto nos incisos III e VI deste artigo. 
§ 5º As condições de preservação e de segurança da mídia relativa ao depoimento da criança ou do 
adolescente serão objeto de regulamentação, de forma a garantir o direito à intimidade e à privacidade da 
vítima ou testemunha. 
§ 6º O depoimento especial tramitará em segredo de justiça. 
(...) 
 
Lei 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade) 
Art. 1º Esta Lei define os crimes de abuso de autoridade, cometidos por agente público, servidor ou não, que, 
no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. 
§ 1º As condutas descritas nesta Lei constituem crime de abuso de autoridade quando praticadas pelo 
agente com a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, 
por mero capricho ou satisfação pessoal. 
§ 2º A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de 
autoridade. 
 
Art. 2º É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da 
administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a: 
I - servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; 
II - membros do Poder Legislativo; 
III - membros do Poder Executivo; 
IV - membros do Poder Judiciário; 
V - membros do Ministério Público; 
VI - membros dos tribunais ou conselhos de contas. 
Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ainda que 
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra 
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forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos 
pelo caput deste artigo. 
(...) 
 
Art. 4º São efeitos da condenação: 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do 
ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando 
os prejuízos por ele sofridos; 
II - a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) 
anos; 
III - a perda do cargo, do mandato ou da função pública. 
Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos II e III do caput deste artigo são condicionados à ocorrência 
de reincidência em crime de abuso de autoridade e não são automáticos, devendo ser declarados 
motivadamente na sentença. 
(...) 
 
Art. 6º As penas previstas nesta Lei serão aplicadas independentemente das sanções de natureza civil ou 
administrativa cabíveis. 
Parágrafo único. As notícias de crimes previstos nesta Lei que descreverem falta funcional serão informadas à 
autoridade competente com vistas à apuração. 
 
Art. 7º As responsabilidades civil e administrativa são independentes da criminal, não se podendo mais 
questionar sobre a existência ou a autoria do fato quando essas questões tenham sido decididas no juízo 
criminal. 
 
Art. 8º Faz coisa julgada em âmbito cível, assim como no administrativo-disciplinar, a sentença penal que 
reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento 
de dever legal ou no exercício regular de direito. 
(...) 
 
Decreto-Lei 3.688/1941 (Lei das Contravenções Penais) 
Art. 1º Aplicam-se as contravenções às regras gerais do Código Penal, sempre que a presente lei não 
disponha de modo diverso. 
 
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93 
 
Art. 2º A lei brasileirapoliciais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na 
forma do § 4º do art. 39. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do 
seu patrimônio nas vias públicas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014) 
I - compreende a educação, engenharia e fiscalização de trânsito, além de outras atividades previstas em lei, 
que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente; e (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 82, de 2014) 
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aos respectivos órgãos ou 
entidades executivos e seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma da lei. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 82, de 2014) 
 
DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO 
 
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: 
I - impostos; 
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços 
públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; 
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. 
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§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade 
econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a 
esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os 
rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. 
§ 2º As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos. 
§ 3º O Sistema Tributário Nacional deve observar os princípios da simplicidade, da transparência, da justiça 
tributária, da cooperação e da defesa do meio ambiente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 
2023) 
§ 4º As alterações na legislação tributária buscarão atenuar efeitos regressivos. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
(...) 
 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao 
Distrito Federal e aos Municípios: 
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida 
qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da 
denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; 
III - cobrar tributos: 
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou 
aumentado; 
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (Vide 
Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, 
observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
IV - utilizar tributo com efeito de confisco; 
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou 
intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; 
VI - instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; 
b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e 
beneficentes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
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c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos 
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os 
requisitos da lei; 
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. 
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais 
de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes 
materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de 
leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013) 
§ 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e 
a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à 
fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder 
público e à empresa pública prestadora de serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos 
serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos 
serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a 
empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo 
usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. 
§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os 
serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. 
§ 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que 
incidam sobre mercadorias e serviços. 
§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou 
remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, 
federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o 
correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento 
de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e 
preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
(...) 
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Do Imposto de Competência Compartilhada entre Estados,Distrito Federal e Municípios 
 Art. 156-A. Lei complementar instituirá imposto sobre bens e serviços de competência compartilhada entre 
Estados, Distrito Federal e Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 1º O imposto previsto no caput será informado pelo princípio da neutralidade e atenderá ao 
seguinte: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
I - incidirá sobre operações com bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
II - incidirá também sobre a importação de bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou de serviços 
realizada por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja sujeito passivo habitual do imposto, qualquer que 
seja a sua finalidade; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
III - não incidirá sobre as exportações, assegurados ao exportador a manutenção e o aproveitamento dos 
créditos relativos às operações nas quais seja adquirentesó é aplicável à contravenção praticada no território nacional. 
 
Art. 3º Para a existência da contravenção, basta a ação ou omissão voluntária. Deve-se, todavia, ter em 
conta o dolo ou a culpa, se a lei faz depender, de um ou de outra, qualquer efeito jurídico. 
 
Art. 4º Não é punível a tentativa de contravenção. 
 
Art. 5º As penas principais são: 
I – prisão simples. 
II – multa. 
(...) 
 
Decreto-Lei 201/1967 (Lei de Responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores) 
Art. 1º São crimes de responsabilidade dos Prefeitos Municipal, sujeitos ao julgamento do Poder Judiciário, 
independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores: 
I - apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou alheio; 
Il - utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou serviços públicos; 
Ill - desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas; 
IV - empregar subvenções, auxílios, empréstimos ou recursos de qualquer natureza, em desacordo com os 
planos ou programas a que se destinam; 
V - ordenar ou efetuar despesas não autorizadas por lei, ou realizá-Ias em desacordo com as normas 
financeiras pertinentes; 
VI - deixar de prestar contas anuais da administração financeira do Município a Câmara de Vereadores, ou ao 
órgão que a Constituição do Estado indicar, nos prazos e condições estabelecidos; 
VII - Deixar de prestar contas, no devido tempo, ao órgão competente, da aplicação de recursos, empréstimos 
subvenções ou auxílios internos ou externos, recebidos a qualquer titulo; 
VIII - Contrair empréstimo, emitir apólices, ou obrigar o Município por títulos de crédito, sem autorização da 
Câmara, ou em desacordo com a lei; 
IX - Conceder empréstimo, auxílios ou subvenções sem autorização da Câmara, ou em desacordo com a lei; 
X - Alienar ou onerar bens imóveis, ou rendas municipais, sem autorização da Câmara, ou em desacordo com 
a lei; 
XI - Adquirir bens, ou realizar serviços e obras, sem concorrência ou coleta de preços, nos casos exigidos em 
lei; 
XII - Antecipar ou inverter a ordem de pagamento a credores do Município, sem vantagem para o erário; 
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XIII - Nomear, admitir ou designar servidor, contra expressa disposição de lei; 
XIV - Negar execução a lei federal, estadual ou municipal, ou deixar de cumprir ordem judicial, sem dar o 
motivo da recusa ou da impossibilidade, por escrito, à autoridade competente; 
XV - Deixar de fornecer certidões de atos ou contratos municipais, dentro do prazo estabelecido em lei. 
XVI – deixar de ordenar a redução do montante da dívida consolidada, nos prazos estabelecidos em lei, 
quando o montante ultrapassar o valor resultante da aplicação do limite máximo fixado pelo Senado 
Federal; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000) 
XVII – ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado 
Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de prescrição 
legal; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000) 
XVIII – deixar de promover ou de ordenar, na forma da lei, o cancelamento, a amortização ou a constituição 
de reserva para anular os efeitos de operação de crédito realizada com inobservância de limite, condição ou 
montante estabelecido em lei; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000) 
XIX – deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de operação de crédito por antecipação de 
receita orçamentária, inclusive os respectivos juros e demais encargos, até o encerramento do exercício 
financeiro; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000) 
XX – ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer um dos 
demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de 
novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente; (Incluído pela Lei 10.028, 
de 2000) 
XXI – captar recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda 
não tenha ocorrido; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000) 
XXII – ordenar ou autorizar a destinação de recursos provenientes da emissão de títulos para finalidade 
diversa da prevista na lei que a autorizou; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000) 
XXIII – realizar ou receber transferência voluntária em desacordo com limite ou condição estabelecida em 
lei. (Incluído pela Lei 10.028, de 2000) 
§1º Os crimes definidos nêste artigo são de ação pública, punidos os dos itens I e II, com a pena de reclusão, 
de dois a doze anos, e os demais, com a pena de detenção, de três meses a três anos. 
§ 2º A condenação definitiva em qualquer dos crimes definidos neste artigo, acarreta a perda de cargo e a 
inabilitação, pelo prazo de cinco anos, para o exercício de cargo ou função pública, eletivo ou de nomeação, 
sem prejuízo da reparação civil do dano causado ao patrimônio público ou particular. 
(...) 
 
UM POUCO DE JURISPRUDÊNCIA 
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#DEOLHONAJURIS! 
1. Não comete infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, 
para consumo pessoal, a substância cannabis sativa, sem prejuízo do reconhecimento da ilicitude extrapenal 
da conduta, com apreensão da droga e aplicação de sanções de advertência sobre os efeitos dela (art. 28, I) e 
medida educativa de comparecimento à programa ou curso educativo (art. 28, III); 
2. As sanções estabelecidas nos incisos I e III do art. 28 da Lei 11.343/06 serão aplicadas pelo juiz em 
procedimento de natureza não penal, sem nenhuma repercussão criminal para a conduta; 
3. Em se tratando da posse de cannabis para consumo pessoal, a autoridade policial apreenderá a substância 
e notificará o autor do fato para comparecer em Juízo, na forma do regulamento a ser aprovado pelo CNJ. 
Até que o CNJ delibere a respeito, a competência para julgar as condutas do art. 28 da Lei 11.343/06 será dos 
Juizados Especiais Criminais, segundo a sistemática atual, vedada a atribuição de quaisquer efeitos penais 
para a sentença; 
4. Nos termos do § 2º do artigo 28 da Lei 11.343/2006, será presumido usuário quem, para consumo próprio, 
adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis 
plantas-fêmeas, até que o Congresso Nacional venha a legislar a respeito; 
5. A presunção do item anterior é relativa, não estando a autoridade policial e seus agentes impedidos de 
realizar a prisão em flagrante por tráfico de drogas, mesmo para quantidades inferiores ao limite acima 
estabelecido, quando presentes elementos que indiquem intuito de mercancia, como a forma de 
acondicionamento da droga, as circunstâncias da apreensão, a variedade de substâncias apreendidas, a 
apreensão simultânea de instrumentos como balança, registros de operações comerciais e aparelho celular 
contendo contatos de usuários ou traficantes; 
6. Nesses casos, caberá ao Delegado de Polícia consignar, no auto de prisão em flagrante, justificativa 
minudente para afastamento da presunção do porte para uso pessoal, sendo vedada a alusão a critérios 
subjetivos arbitrários; 
7. Na hipótese de prisão por quantidades inferiores à fixada no item 4, deverá o juiz, na audiência de 
custódia, avaliar as razões invocadas para o afastamento da presunção de porte para uso próprio; 
8. A apreensão de quantidades superiores aos limites ora fixados não impede o juiz de concluir que a 
conduta é atípica, apontando nos autos prova suficiente da condição de usuário. 
STF. Plenário. RE 635.659/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/06/2024 (Repercussão Geral – Tema 
506) (Info 1143). 
O art. 33 da Lei nº 11.343/2006 lista várias condutas que configuram o crime de tráfico de drogas, como 
importar, exportar, vender, guardaretc. 
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Para que haja crime, essas condutas devem recair sobre “drogas”, que são substâncias definidas pela 
Portaria nº 344/1998 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, nos termos do art. 66 da 
Lei nº 11.343/2006. 
É imprescindível que a substância supostamente ilícita seja apreendida e submetida à perícia técnica para 
confirmar se ela se enquadra na definição legal de droga. 
No caso concreto, os policiais encontraram apenas um “resquício” de cocaína em uma balança. 
Esse resquício não pode ser considerado objeto material do crime de tráfico porque: 
• Não se pode afirmar que ele está relacionado à conduta imputada ao acusado neste caso específico. 
• Não foi possível determinar a quantidade do resquício devido à impossibilidade de pesagem. 
• Não se pode comprovar a materialidade do crime com base apenas neste resquício. 
STJ. 5ª Turma.AgRg no REsp 2.092.011-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/6/2024 (Info 21 – 
Edição Extraordinária). 
A condição de 'mula' do tráfico, por si só, não comprova que o acusado integra organização criminosa e, por 
via de consequência, não se presta a fundamentar a não aplicação da minorante do tráfico privilegiado, mas, 
tão-somente, justifica a aplicação da referida causa de diminuição em seu patamar mínimo, de 1/6 (um 
sexto). 
STJ. 6ª Turma.AgRg no AREsp 2.482.593-PI, Rel. Min.Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 18/6/2024 (Info 
21 – Edição Extraordinária). 
Situação hipotética: a polícia instaurou inquérito para investigar um grupo de cinco indivíduos suspeitos de 
praticar tráfico de drogas: João, Pedro, Tiago, Ricardo e Rodolfo. 
O juiz autorizou a realização de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. 
Foi encontrada droga apenas na casa de João. 
Mesmo assim, havia provas do envolvimento dos demais suspeitos nas operações de venda de 
entorpecentes. 
Além de João, os demais integrantes do grupo também poderão ser condenados por tráfico de drogas. 
A simples ausência de drogas na posse direta do acusado não elimina a materialidade do crime de tráfico 
quando estiver demonstrada sua ligação com outros membros da mesma organização criminosa que 
mantinham os entorpecentes destinados ao comércio ilegal. 
STJ. 6ª Turma.AgRg no AgRg no AgRg no AREsp 2.470.304-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 
4/6/2024 (Info 21 – Edição Extraordinária). 
Caso adaptado: João foi preso em flagrante delito praticando tráfico de drogas. O detalhe importante é que, 
no momento da prisão, João estava usando tornozeleira eletrônica. Isso porque ele estava respondendo 
outro processo criminal e, como medida cautelar diversa da prisão, lhe foi imposto o monitoramento 
eletrônico. A defesa havia pedido que fosse reconhecido o privilégio do § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006. 
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O juiz concedeu o benefício. No entanto, ao calcular o percentual de redução da pena, fixou a redução em 
1/6 (menor percentual) sob o argumento de que o réu, no momento da prática do crime, estava sob 
monitoramento eletrônico. O STJ considerou legítima a fundamentação do magistrado. O fato de o réu ter 
praticado o delito estando sob monitoramento eletrônico devido a outro processo é fundamento idôneo 
para modular a fração do benefício legal, pois revela descaso com a Justiça. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no 
HC 850.653-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 20/5/2024 (Info 816). 
Caso concreto: policiais militares faziam patrulhamento de rotina quando notaram João, que estava parado 
na frente de um imóvel em localidade conhecida como ponto de venda de drogas. Ao avistar a viatura 
policial, João rapidamente correu para dentro da casa. Os policiais foram atrás do suspeito e ingressaram, 
mesmo sem autorização, na residência. 
Quando já estavam no interior da casa, os policiais viram João arremessar por cima do muro, um saco 
plástico que foi imediatamente localizado e apreendido. Neste saco havia cocaína. 
O STJ entendeu que a prova obtida com a invasão de domicílio foi ilícita. Isso porque não havia elementos 
concretos para indicar que estaria havendo comércio de drogas. Além disso, não foram realizadas 
investigações prévias para se confirmar eventual suspeita. Por fim, não houve consentimento do morador 
para o ingresso na casa. 
Como obiter dictum, a despeito de não ser exatamente o caso dos autos, o Relator ainda citou que a 
permissão para ingresso no domicílio, proferida em clima de estresse policial, não deve ser considerada 
espontânea, a menos que tenha sido por escrito e testemunhada, ou documentada em vídeo. 
STJ. 6ª Turma. REsp 2.114.277-SP, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado 
em 9/4/2024 (Info 807). 
 
Obs: para complementar seus estudos, é importante ler os comentários à decisão do STF no qual se 
consignou o seguinte: 
Não há ilegalidade na ação de policiais militares que — amparada em fundadas razões sobre a existência de 
flagrante do crime de tráfico de drogas na modalidade 'ter em depósito' — ingressam, sem mandado judicial, 
no domicílio daquele que corre, em atitude suspeita, para o interior de sua residência ao notar a 
aproximação da viatura policial. STF. Plenário. HC 169.788/SP, Rel. Min. Edson Fachin, redator do acórdão 
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 04/03/2024 (Info 1126). 
Caso hipotético: A polícia investigava há alguns meses João, Pedro e Tiago, suspeitos de praticarem tráfico de 
drogas na região. Havia, inclusive, o depoimento de pessoas que afirmaram que adquiram drogas com o 
grupo.Com base nesses elementos informativos, a polícia requereu a interceptação telefônica dos suspeitos, 
o que foi deferido.Foram então captadas conversas que indicavam a existência de negociações de drogas 
entre os membros do grupo, com detalhes sobre venda, compra e oferta de substâncias ilícitas a terceiros.O 
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juiz também autorizou a realização de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Apesar disso, não 
foram encontradas drogas no local.Com base nos depoimentos dos compradores e nas conversas telefônicas, 
o Ministério Público estadual denunciou João, Pedro e Tiago por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 
11.343/2006).Em resposta à acusação, dentre outros argumentos, os réus alegaram não haver provas da 
materialidade dos crimes, pois não foram apreendidas quaisquer substâncias entorpecentes com os 
acusados e, por consequência, não havia laudo de constatação nem exame químico-toxicológico nos autos. 
O STJ concordou com os argumentos dos acusados. 
A apreensão e perícia de drogas se revelam imprescindíveis para a condenação do acusado pela prática do 
crime de tráfico de drogas. Na ausência de apreensão de substâncias entorpecentes, os demais elementos de 
prova, por si sós, ainda que em conjunto, não se prestam à comprovação da materialidade delitiva. 
STJ. 3ª Seção. HC 686.312/MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, relator para acórdão Min. Rogerio Schietti 
Cruz, julgado em 12/4/2023. 
STJ. 5ª Turma.REsp 2.107.251-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/2/2024 (Info 801). 
A quantidade e a natureza da droga apreendida podem servir de fundamento para a majoração da pena-base 
ou para a modulação da fração da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, desde 
que não tenham sido utilizadas na primeira fase da dosimetria. 
O fundamento de que o agente transportava grande quantidade de droga a serviço de terceiros não se 
presta a sustentar o afastamento do tráfico privilegiado, uma vez que evidencia apenas a condição de “mula” 
e não de dedicação a atividades criminosas. 
A condição de “mula”, por si só, não tem o condão de impedir o reconhecimento do tráfico privilegiado (art. 
33, § 4º, da LD). 
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 842.630-SC, Rel. Min.Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 18/12/2023 (Info 16 
– Edição Extraordinária). 
 
 
Julgado similar: 
A condição de 'mula' do tráfico, por si só, não comprova que o acusado integra organização criminosa e, por 
via de consequência, não se presta a fundamentar a não aplicação da minorante do tráfico privilegiado, mas, 
tão-somente, justifica a aplicação da referida causa de diminuição em seu patamar mínimo, de 1/6 (um 
sexto). 
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 2.482.593-PI, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, por unanimidade, 
julgado em 18/6/2024 (Info 21 – Edição Extraordinária). 
A simples falta de assinatura do perito encarregado pela lavratura do laudo toxicológico definitivo constitui 
mera irregularidade e não tem o condão de anular a prova pericial na hipótese de existirem outros 
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elementos que comprovem a sua autenticidade, notadamente quando o expert estiver devidamente 
identificado e for constatada a existência de substância ilícita. 
STJ. 3ª Seção.REsp 2.048.422-MG, REsp 2.048.645-MG e REsp 2.048.440-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 
julgados em 22/11/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1206) (Info 796). 
Súmula vinculante 59: É impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena privativa de liberdade 
por restritiva de direitos quando reconhecida a figura do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 
11.343/2006) e ausentes vetores negativos na primeira fase da dosimetria (art. 59 do CP), observados os 
requisitos do art. 33, § 2º, ‘c’, e do art. 44, ambos do Código Penal. 
STF. Plenário. PSV 139/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/10/2023 (Info 1113). 
A ausência de regulamentação administrativa persiste e não tem previsão para solução breve, uma vez que a 
ANVISA considera que a competência para regular o cultivo de plantas sujeitas a controle especial seria do 
Ministério da Saúde e este considera que a competência seria da ANVISA. Logo, é necessário superar 
eventuais óbices administrativos e cíveis, privilegiando-se, dessa forma, o acesso à saúde, por todos os meios 
possíveis, ainda que pela concessão de salvo-conduto mediante habeas corpus. 
A questão aqui discutida não pode ser objeto da sanção penal, porque se trata do exercício de um Direito 
Fundamental, constitucionalmente, garantido, isto é, o Direito à Saúde, e a atuação proativa do STJ justifica-
se juridicamente. 
STJ. 3ª Seção. AgRg no HC 783.717-PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Rel. para acórdão Min. Jesuíno Rissato 
(Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 13/9/2023 (Info 794) 
No caso analisado, o réu foi condenado como incurso no art. 33, § 1º, I, da Lei nº 11.343/2006 porque 
portava, em via pública, 0,32 g de crack e 164,80 g de ácido bórico. 
A posse de ácido bórico, por si só, é um indiferente penal, haja vista que é largamente utilizado para fins 
lícitos, como tratamentos de saúde, desinsetização, adubamento etc. 
Não se está a ignorar que o ácido bórico seja utilizado, também, para os fins de preparação de drogas ilícitas. 
Ocorre que, nesses casos, a condenação deve se pautar em outros elementos que apontem, de modo 
inequívoco, para a traficância, como a apreensão de consideráveis quantidades de droga, balanças de 
precisão, embalagens plásticas, somas de dinheiro etc. 
Segundo pesquisas, vários usuários de crack fazem uso do chamado “pó virado”, consistente na mistura de 
crack ao ácido bórico para os fins de consumo pela via nasal. A preparação do “pó virado” é feita pelos 
próprios usuários, em grupos e de forma compartilhada, a fim de obter efeito mais duradouro e, 
consequentemente, menores níveis de fissura e paranoia decorrentes do uso da droga. 
Diante desses achados, é preciso cuidado redobrado ao avaliar se a conduta de portar drogas e ácido bórico 
deve ser tipificada como tráfico de drogas ou posse de drogas para uso pessoal. 
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Logo, a apreensão de pequenas quantidades de droga junto com o ácido bórico não implica, 
necessariamente, a conduta tipificada no art. 33 da Lei nº 11.343/2006. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.271.420-MG, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 27/6/2023 (Info 13 – 
Edição Extraordinária). 
Caso hipotético: Tiago cumpre pena em um presídio. Ele pediu que Natália, sua namorada, levasse maconha 
para ele na próxima visita. Natália adquiriu a droga e levou até o presídio. Ocorre que, durante o 
procedimento de revista de visitantes, os agentes encontraram o entorpecente. Natália praticou tráfico de 
drogas e Tiago fato atípico. 
A interceptação da droga pelos agentes penitenciários antes de ser entregue ao destinatário, recolhido em 
estabelecimento prisional, impede a ocorrência da conduta típica do art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006 na 
modalidade “adquirir”, que viria, em tese, a ser por esse praticada. 
A conduta de apenas solicitar que a droga seja levada para o interior do estabelecimento prisional pode 
configurar, no máximo, ato preparatório e, portanto, impunível. Não se trata de ato executório do delito, 
seja na conduta de “adquirir”, seja nas demais modalidades previstas no tipo. Evidencia-se, portanto, a 
atipicidade da conduta. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.999.604-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/3/2023 (Info 770). 
A Lei nº 13.964/2019, ao promover alterações na Lei de Execução Penal, apenas afastou o caráter hediondo 
ou equiparado do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.1343/2006), nada dispondo sobre os demais 
dispositivos da Lei de Drogas. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 754913-MG, Rel. Ministro Jorge Mussi, julgado em 6/12/2022 (Info 760). 
É cabível a concessão de salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis Sativa para fins 
exclusivamente terapêuticos, com base em receituário e laudo subscrito por profissional médico 
especializado, e chancelado pela Anvisa. 
STJ. 6ª Turma. RHC 147.169, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/06/2022. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.972.092, Rel. Min. Rogerio Schietti, julgado em 14/06/2022 (Info 742). 
 
As condutas de plantar maconha para fins medicinais e importar sementes para o plantio não preenchem a 
tipicidade material, motivo pelo qual se faz possível a expedição de salvo-conduto, desde que comprovada a 
necessidade médica do tratamento. 
STJ. 5ª Turma.HC 779289/DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/11/2022 (Info 758). 
A elevada quantidade de drogas apreendidas, a multiplicidade de agentes envolvidos na trama criminosa - 
que perpassa pela contratação e pela proposta de pagamento -, a forma de transporte da substância 
entorpecente, a distância entre os estados da federação e a nítida divisão de tarefas entre os membros do 
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grupo descaracterizam a condição de pequeno traficante - ou traficante ocasional - impedindo o 
reconhecimento do benefício do tráfico privilegiado. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2115857-MS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. Acd. Ministro Jorge 
Mussi, julgado em 25/10/2022 (Info Especial 10). 
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1769697-MS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 16/3/2021. 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 
Lei 8.658/1993 (Lei de Fundos de Pensão); Lei 8.906/1994 (Estatuto da OAB); Lei 9.296/1996 (Lei de 
Interceptação de Comunicações); Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais); Lei Complementar 
105/2001 (Lei de Sigilo Bancário); Lei 11.417/2007 (Lei de Processos Eletrônicos); Lei 11.671/2008 (Lei de 
Registro de Empresa); 
Lei 12.037/2009 (Lei de Medidas Cautelares); Lei 12.984/2014 (Lei dos Crimes de Feminicídio); Lei 
14.195/2021 (Lei de Facilitação do Comércio); Lei 14.230/2021 (Lei de Alteração da Lei de Recuperação 
de Empresas e Falências); Lei 14.344/2022 (Lei de Prevenção e Combate ao Feminicídio); Lei 14.532/2023 
(Lei de Reestruturação do Sistema de Justiça Penal e Processual).Devido ao tema e à cobrança, vamos focar na letra da lei. 
 
UM POUCO DE LEI SECA 
 
#ABREALEI! 
Lei 9.296/1996 (Lei de Interceptação de Comunicações) 
 
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação 
criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz 
competente da ação principal, sob segredo de justiça. 
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de 
informática e telemática. 
 
Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das 
seguintes hipóteses: 
I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal; 
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II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis; 
III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. 
Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, 
inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente 
justificada. 
 
Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a 
requerimento: 
I - da autoridade policial, na investigação criminal; 
II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual penal. 
 
Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que a sua realização 
é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados. 
§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam 
presentes os pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua 
redução a termo. 
§ 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá sobre o pedido. 
(...) 
 
Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a requerimento da 
autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou 
acústicos, quando: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
I - a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes; e (Incluído pela Lei nº 
13.964, de 2019) 
II - houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas 
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infrações penais conexas. (Incluído pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
§ 1º O requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalação do dispositivo de 
captação ambiental. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 2º A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de 
operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso XI do caput do art. 
5º da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) 
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§ 3º A captação ambiental não poderá exceder o prazo de 15 (quinze) dias, renovável por decisão judicial por 
iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal 
permanente, habitual ou continuada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 4º A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial 
ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando demonstrada a integridade da 
gravação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) 
§ 5º Aplicam-se subsidiariamente à captação ambiental as regras previstas na legislação específica para a 
interceptação telefônica e telemática. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
(...) 
 
Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, 
promover escuta ambiental ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não 
autorizados em lei: (Redação dada pela Lei nº 13.869. de 2019) (Vigência) 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 13.869. de 
2019) (Vigência) 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judicial que determina a execução de conduta prevista 
no caput deste artigo com objetivo não autorizado em lei. (Incluído pela Lei nº 13.869. de 2019) (Vigência) 
 
Art. 10-A. Realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou 
instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 1º Não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
§ 2º A pena será aplicada em dobro ao funcionário público que descumprir determinação de sigilo das 
investigações que envolvam a captação ambiental ou revelar o conteúdo das gravações enquanto mantido o 
sigilo judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) 
Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a 
estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de 
conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo 
da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. 
 
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Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto 
nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou 
de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. 
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-
autoras ou partícipes do mesmo fato. 
 
Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao 
ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. 
(...) 
 
Art. 41. Provocar incêndio em floresta ou em demais formas de vegetação: (Redação dada pela Lei nº 
14.944, de 2024) 
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa. 
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa. 
 
Lei 12.037/2009 (Lei de Medidas Cautelares) 
Art. 1º O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nos casos previstos nesta 
Lei. 
(...) 
 
Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando: 
I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação; 
II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado; 
III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si; 
IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade 
judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério 
Público ou da defesa; 
V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações; 
VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento 
apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais. 
Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou 
outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientespara identificar o indiciado. 
(...) 
 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
105 
 
Art. 7º-A. A exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados ocorrerá: (Redação dada pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
I - no caso de absolvição do acusado; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
II - no caso de condenação do acusado, mediante requerimento, após decorridos 20 (vinte) anos do 
cumprimento da pena. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
Art. 7o-B. A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme 
regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012) 
 
Art. 7º-C. Fica autorizada a criação, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Banco Nacional 
Multibiométrico e de Impressões Digitais. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 1º A formação, a gestão e o acesso ao Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais serão 
regulamentados em ato do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 2º O Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais tem como objetivo armazenar dados de 
registros biométricos, de impressões digitais e, quando possível, de íris, face e voz, para subsidiar 
investigações criminais federais, estaduais ou distritais. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 3º O Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais será integrado pelos registros biométricos, 
de impressões digitais, de íris, face e voz colhidos em investigações criminais ou por ocasião da identificação 
criminal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 4º Poderão ser colhidos os registros biométricos, de impressões digitais, de íris, face e voz dos presos 
provisórios ou definitivos quando não tiverem sido extraídos por ocasião da identificação criminal. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 5º Poderão integrar o Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais, ou com ele interoperar, os 
dados de registros constantes em quaisquer bancos de dados geridos por órgãos dos Poderes Executivo, 
Legislativo e Judiciário das esferas federal, estadual e distrital, inclusive pelo Tribunal Superior Eleitoral e 
pelos Institutos de Identificação Civil. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 6º No caso de bancos de dados de identificação de natureza civil, administrativa ou eleitoral, a integração 
ou o compartilhamento dos registros do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais será 
limitado às impressões digitais e às informações necessárias para identificação do seu titular. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 7º A integração ou a interoperação dos dados de registros multibiométricos constantes de outros bancos de 
dados com o Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais ocorrerá por meio de acordo ou 
convênio com a unidade gestora. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
106 
 
§ 8º Os dados constantes do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais terão caráter sigiloso, 
e aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão 
judicial responderá civil, penal e administrativamente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 9º As informações obtidas a partir da coincidência de registros biométricos relacionados a crimes deverão 
ser consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial habilitado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
§ 10. É vedada a comercialização, total ou parcial, da base de dados do Banco Nacional Multibiométrico e de 
Impressões Digitais. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 11. A autoridade policial e o Ministério Público poderão requerer ao juiz competente, no caso de inquérito 
ou ação penal instaurados, o acesso ao Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
(...) 
 
Lei 12.984/2014 
Art. 1º Constitui crime punível com reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, as seguintes condutas 
discriminatórias contra o portador do HIV e o doente de aids, em razão da sua condição de portador ou de 
doente: 
I - recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou impedir que permaneça como aluno em creche 
ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado; 
II - negar emprego ou trabalho; 
III - exonerar ou demitir de seu cargo ou emprego; 
IV - segregar no ambiente de trabalho ou escolar; 
V - divulgar a condição do portador do HIV ou de doente de aids, com intuito de ofender-lhe a dignidade; 
VI - recusar ou retardar atendimento de saúde. 
 
Lei 14.344/2022 (Lei de Prevenção e Combate ao Feminicídio) 
Art. 5º O Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente intervirá nas situações de violência 
contra a criança e o adolescente com a finalidade de: 
I - mapear as ocorrências das formas de violência e suas particularidades no território nacional; 
II - prevenir os atos de violência contra a criança e o adolescente; 
III - fazer cessar a violência quando esta ocorrer; 
IV - prevenir a reiteração da violência já ocorrida; 
V - promover o atendimento da criança e do adolescente para minimizar as sequelas da violência sofrida; e 
VI - promover a reparação integral dos direitos da criança e do adolescente. 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
107 
 
VII - promover a parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégias de prevenção à violência 
doméstica contra a criança e o adolescente. (Incluído pela Lei nº 14.826, de 2024) Vigência 
(...) 
 
Art. 15. Recebido o expediente com o pedido em favor de criança e de adolescente em situação de violência 
doméstica e familiar, caberá ao juiz, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas: 
I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência; 
II - determinar o encaminhamento do responsável pela criança ou pelo adolescente ao órgão de assistência 
judiciária, quando for o caso; 
III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis; 
IV - determinar a apreensão imediata de arma de fogo sob a posse do agressor. 
 
Art. 16. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério 
Público, da autoridade policial, do Conselho Tutelar ou a pedido da pessoa que atue em favor da criança e do 
adolescente. 
§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente de 
audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, o qual deverá ser prontamente comunicado. 
§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente e poderão ser 
substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei 
forem ameaçados ou violados. 
§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou do Conselho Tutelar, ou a pedido da vítima ou de 
quem esteja atuando em seu favor, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já 
concedidas, se entender necessário à proteção da vítima, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o 
Ministério Público. 
 
Art. 17. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do 
agressor, decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da 
autoridade policial. 
Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do processo, verificar a falta de 
motivo para que subsista, bem como decretá-la novamente, se sobrevierem razões que a justifiquem. 
 
Art. 18. O responsável legal pela criança ou pelo adolescente vítima ou testemunha de violência doméstica e 
familiar, desde que não seja o autor das agressões, deverá ser notificado dos atos processuais relativos ao 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO –MP/MG 
Ciclos Método 
 
108 
 
agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão, sem prejuízo da intimação do 
advogado constituído ou do defensor público. 
 
Art. 19. O juiz competente providenciará o registro da medida protetiva de urgência. 
Parágrafo único. As medidas protetivas de urgência serão, após sua concessão, imediatamente registradas 
em banco de dados mantido e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça, garantido o acesso 
instantâneo do Ministério Público, da Defensoria Pública, dos órgãos de segurança pública e de assistência 
social e dos integrantes do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, com vistas à 
fiscalização e à efetividade das medidas protetivas. 
 
Art. 20. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente nos termos 
desta Lei, o juiz poderá determinar ao agressor, de imediato, em conjunto ou separadamente, a aplicação das 
seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: 
I - a suspensão da posse ou a restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos 
termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; 
II - o afastamento do lar, do domicílio ou do local de convivência com a vítima; 
III - a proibição de aproximação da vítima, de seus familiares, das testemunhas e de noticiantes ou 
denunciantes, com a fixação do limite mínimo de distância entre estes e o agressor; 
IV - a vedação de contato com a vítima, com seus familiares, com testemunhas e com noticiantes ou 
denunciantes, por qualquer meio de comunicação; 
V - a proibição de frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica 
da criança ou do adolescente, respeitadas as disposições da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da 
Criança e do Adolescente); 
VI - a restrição ou a suspensão de visitas à criança ou ao adolescente; 
VII - a prestação de alimentos provisionais ou provisórios; 
VIII - o comparecimento a programas de recuperação e reeducação; 
IX - o acompanhamento psicossocial, por meio de atendimento individual e/ou em grupo de apoio. 
§ 1º As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor, 
sempre que a segurança da vítima ou as circunstâncias o exigirem, e todas as medidas devem ser 
comunicadas ao Ministério Público. 
§ 2º Na hipótese de aplicação da medida prevista no inciso I do caput deste artigo, encontrando-se o agressor 
nas condições referidas no art. 6º da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará ao 
respectivo órgão, corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a 
restrição do porte de armas, e o superior imediato do agressor ficará responsável pelo cumprimento da 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
109 
 
determinação judicial, sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o 
caso. 
§ 3º Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência, poderá o juiz requisitar, a qualquer 
momento, auxílio da força policial. 
 
Art. 21. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas, determinar: 
I - a proibição do contato, por qualquer meio, entre a criança ou o adolescente vítima ou testemunha de 
violência e o agressor; 
II - o afastamento do agressor da residência ou do local de convivência ou de coabitação; 
III - a prisão preventiva do agressor, quando houver suficientes indícios de ameaça à criança ou ao 
adolescente vítima ou testemunha de violência; 
IV - a inclusão da vítima e de sua família natural, ampliada ou substituta nos atendimentos a que têm direito 
nos órgãos de assistência social; 
V - a inclusão da criança ou do adolescente, de familiar ou de noticiante ou denunciante em programa de 
proteção a vítimas ou a testemunhas; 
VI - no caso da impossibilidade de afastamento do lar do agressor ou de prisão, a remessa do caso para o 
juízo competente, a fim de avaliar a necessidade de acolhimento familiar, institucional ou colação em família 
substituta; 
VII - a realização da matrícula da criança ou do adolescente em instituição de educação mais próxima de seu 
domicílio ou do local de trabalho de seu responsável legal, ou sua transferência para instituição congênere, 
independentemente da existência de vaga. 
§ 1º A autoridade policial poderá requisitar e o Conselho Tutelar requerer ao Ministério Público a propositura 
de ação cautelar de antecipação de produção de prova nas causas que envolvam violência contra a criança e 
o adolescente, observadas as disposições da Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017. (Vide ADI 7192) 
§ 2º O juiz poderá determinar a adoção de outras medidas cautelares previstas na legislação em vigor, 
sempre que as circunstâncias o exigirem, com vistas à manutenção da integridade ou da segurança da 
criança ou do adolescente, de seus familiares e de noticiante ou denunciante. 
 
Art. 22. Caberá ao Ministério Público, sem prejuízo de outras atribuições, nos casos de violência doméstica e 
familiar contra a criança e o adolescente, quando necessário: 
I - registrar em seu sistema de dados os casos de violência doméstica e familiar contra a criança e o 
adolescente; 
II - requisitar força policial e serviços públicos de saúde, de educação, de assistência social e de segurança, 
entre outros; 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
110 
 
III - fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à criança e ao adolescente em 
situação de violência doméstica e familiar e adotar, de imediato, as medidas administrativas ou judiciais 
cabíveis no tocante a quaisquer irregularidades constatadas. 
(...) 
 
Lei 14.532/2023 (Lei de Reestruturação do Sistema de Justiça Penal e Processual) 
Art. 1º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 (Lei do Crime Racial), passa a vigorar com as seguintes 
alterações: 
“Art. 2º-A Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou 
procedência nacional. 
Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade se o crime for cometido mediante concurso de 2 (duas) ou 
mais pessoas.” 
“Art. 20. ......................................................................................................................... 
................................................................................................................................................... 
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos neste artigo for cometido por intermédio dos meios de comunicação 
social, de publicação em redes sociais, da rede mundial de computadores ou de publicação de qualquer 
natureza: 
................................................................................................................................................... 
§ 2º-A Se qualquer dos crimes previstos neste artigo for cometido no contexto de atividades esportivas, 
religiosas, artísticas ou culturais destinadas ao público: 
Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e proibição de frequência, por 3 (três) anos, a locais destinados a 
práticas esportivas, artísticas ou culturais destinadas ao público, conforme o caso. 
§ 2º-B Sem prejuízo da pena correspondente à violência, incorre nas mesmas penas previstas no caput deste 
artigo quem obstar, impedir ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas. 
§ 3º No caso do § 2º deste artigo, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, 
ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: 
..........................................................................................................................................”(NR) 
“Art. 20-A. Os crimes previstos nesta Lei terão as penas aumentadas de 1/3 (um terço) até a metade, quando 
ocorrerem em contexto ou com intuito de descontração, diversãoou recreação.” 
“Art. 20-B. Os crimes previstos nos arts. 2º-A e 20 desta Lei terão as penas aumentadas de 1/3 (um terço) até 
a metade, quando praticados por funcionário público, conforme definição prevista no Decreto-Lei nº 2.848, 
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las.” 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
111 
 
“Art. 20-C. Na interpretação desta Lei, o juiz deve considerar como discriminatória qualquer atitude ou 
tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, 
medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, 
religião ou procedência.” 
“Art. 20-D. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a vítima dos crimes de racismo deverá estar 
acompanhada de advogado ou defensor público.” 
Art. 2º O § 3º do art. 140 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar 
com a seguinte redação: 
“Art. 140. ....................................................................................................................... 
................................................................................................................................................... 
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à condição de pessoa idosa ou 
com deficiência: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.”(NR) 
 
DIREITO CIVIL 
 
9. DO DIREITO DE EMPRESA. Teoria da empresa e empresário. Do empresário. Continuidade da empresa 
por sujeito incapaz. Registro público de empresas e atividades afins. Livre concorrência, livre iniciativa e 
o tratamento constitucional dos sinais distintivos do empresário. Nome empresarial, marca, nome de 
domínio na internet e título do estabelecimento ou insígnia. Pequeno empresário e Estatuto da Micro e 
Pequena Empresa: Moldura constitucional do tema; Tratamento legislativo; Conceitos de 
Microempreendedor Individual (MEI), Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP); 
Requisitos para enquadramento e proibições. Tratamento favorecido ao pequeno empresário no âmbito 
civil. Economia compartilhada, comércio eletrônico e startups. 
Da sociedade: Sociedade em Comum, Sociedade Simples, Sociedade Limitada. Sociedades limitadas 
unipessoais. Sociedade Cooperativa. Outros arranjos societários: Sociedade de Propósito Específico 
(SPE), Sociedade em Conta de Participação (SCP); Subsidiária Integral; Consórcio Societário; Holding e 
grupo empresarial. Dissolução de sociedades. Resolução, resilição e rescisão de sociedades. Exclusão 
extrajudicial de sócio minoritário. Operações societárias: Transformação, incorporação, fusão e cisão de 
sociedades. A crise da empresa: Recuperação Judicial e Falência. Sociedade Dependente de Autorização. 
Do estabelecimento. 
 
UM POUCO DE DOUTRINA 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
112 
 
 
EMPRESÁRIO 
 
Nos termos do art. 966, caput, do CC, considera-se empresário quem exerce profissionalmente uma 
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
 
● Profissionalmente: é necessário habitualidade; 
● Atividade econômica: finalidade lucrativa; 
● Organizada: reunião dos quatro fatores de produção (mão de obra, capital, matéria prima/insumos e 
tecnologia); 
● Produção ou circulação de bens ou serviços: é a atividade da empresa. 
 
O empresário pode ser pessoa física (empresário individual) ou pessoa jurídica (sociedade empresária). 
 
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL: é a pessoa natural (pessoa física), que individualmente, de forma profissional, 
exerce uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. 
 
● Requisitos (art. 972 do CC): estar em pleno gozo da capacidade civil e não ter impedimento legal. 
 
Obs.: o incapaz não pode INICIAR empresa como empresário individual, somente poderá ser sócio de 
sociedade, atendidos os requisitos do art. 974 do CC. 
 
● Responsabilidade do empresário individual: ILIMITADA, pois o empresário responde com seus bens 
pessoais por dívidas empresariais contraídas (Princípio da unidade patrimonial = a pessoa física e a empresa 
possuem um único patrimônio). 
 
● Empresário individual casado: o empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer 
que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus 
real. 
 
ESTABELECIMENTO E NOME EMPRESARIAL 
 
Nos termos do art. 1.142, caput, do CC, considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, 
para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
113 
 
 
● Para explorar uma atividade empresarial, é necessário um conjunto de bens organizado, o qual é 
denominado “estabelecimento empresarial”. 
 
Natureza Jurídica: estabelecimento não é sujeito de direito, mas objeto de direito (sujeito de direito é, por 
exemplo, o empresário individual e a sociedade empresária). 
 
Complexo de bens: 
● Bens Corpóreos: são também chamados de materiais. Exemplos: móveis, equipamentos, maquinários, 
mercadoria, utensílios, imóvel, veículos etc. 
● Bens incorpóreos: são também chamados de imateriais. Exemplos: ponto comercial, marca, patente, 
nome de domínio, redes sociais. 
 
Enunciados de Direito Comercial 
Enunciado 7 da I Jornada de Direito Comercial: “O nome de domínio integra o estabelecimento empresarial 
como bem incorpóreo para todos os fins de direito.” 
Enunciado 95 da III Jornada de Direito Comercial: “Os perfis em redes sociais, quando explorados com 
finalidade empresarial, podem se caracterizar como elemento imaterial do estabelecimento empresarial.” 
Enunciado 488 da V Jornada de Direito Civil: “Art. 1.142 e Súmula n. 451 do Superior Tribunal de Justiça. 
Admite-se a penhora do website e de outros intangíveis relacionados com o comércio eletrônico.” 
 
● Quando se fala em estabelecimento empresarial, analisa-se o conjunto/complexo de bens e não os bens 
individualmente considerados. 
● Imóvel não é estabelecimento, mas elemento integrante do estabelecimento empresarial. 
 
Trespasse: contrato de compra e venda do estabelecimento comercial. 
 
NOME EMPRESARIAL 
 
O nome empresarial é inalienável. 
 
O registro é feito na Junta Comercial e é de proteção estadual. 
 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
114 
 
MODALIDADES – de acordo com o Código Civil, há duas modalidades de nome empresarial: 
● Firma: pode ser individual ou social (razão social é o mesmo que firma social e não é igual à 
denominação). 
● Denominação: aplicação e composição do nome empresarial. 
 
FIRMA INDIVIDUAL FIRMA SOCIAL DENOMINAÇÃO 
É destinada ao empresário 
individual. 
É aplicada para a sociedade que 
possui sócio com 
responsabilidade ILIMITADA 
(significa que o sócio responde 
com seus bens pessoais pela 
dívida da sociedade). 
É aplicada para a sociedade que 
possui sócio com 
responsabilidade LIMITADA. 
A composição da firma individual 
é dada pelo nome civil (do 
empresário individual) completo 
ou abreviado. 
Na composição, coloca-se o nome 
civil dos sócios que possuem 
responsabilidade ilimitada – o 
nome pode ser c.ompleto ou 
abreviado 
É formada com palavras de uso 
comum ou vulgar na língua 
nacional ou estrangeira e/ou com 
expressões de fantasia, além da 
indicação do objeto da sociedade. 
Exemplos (nome completo ou 
abreviado do empresário 
individual): João Silva Empresário 
Individual. 
Exemplo (nome completo ou 
abreviado dos sócios que 
possuem resp. ilimitada): João 
Silva e Maria Silva + ramo de 
atividade (facultativo) + tipo 
societário. 
Exemplos de denominação: “Que 
fome lanchonete sociedade 
limitada”. 
 
ATENÇÃO! Diferença entre nome empresarial e título de estabelecimento:● Nome empresarial: identifica a pessoa natural ou jurídica que explora a atividade empresarial. 
● Título de estabelecimento: também conhecido como Nome Fantasia ou Nome de Fachada, é o nome 
popular de um estabelecimento, o apelido comercial dado que pode ser ou não ser igual ao seu nome 
empresarial. Geralmente, é o nome que serve para a divulgação de determinada empresa, visando o maior 
aproveitamento da sua marca e da estratégia de marketing e vendas. 
 
Exemplo: 
Nome empresarial: Arcos Dourados Comércio de Alimentos LTDA; 
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Ciclos Método 
 
115 
 
Título de estabelecimento: Mc Donald’s. 
 
SOCIEDADE LIMITADA 
 
Na sociedade limitada, a responsabilidade é RESTRITA AO VALOR DA QUOTA de cada sócio, mas todos 
respondem solidariamente pela integralização. 
 
Há exceções a essas regras, em que a responsabilidade será ilimitada: 
a) Ausência de registro; 
b) Dívida trabalhista; 
c) Desconsideração da personalidade jurídica; 
d) Violação do artigo 977, CC (quem responde é o sócio); Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar 
sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão 
universal de bens, ou no da separação obrigatória. 
e) Dissolução irregular da sociedade com execução fiscal (Súmula 435 STJ – quem responde é o 
administrador); 
f) Dívida tributária (quem responde é o administrador nos casos de sonegação. Inadimplência não). 
 
No tocante à constituição, a sociedade limitada pode ser pluripessoal (2 ou mais sócios) ou unipessoal (1 
sócio). A possibilidade de sociedade limitada unipessoal está prevista no art. 1.052, § 1º, do CC: 
 
Quotas Iguais/Desiguais: as quotas são frações do capital social que conferem ao seu titular o direito de ser 
sócio de uma sociedade; as quotas, na sociedade limitada, podem ser iguais ou desiguais. 
 
Nomeação do administrador: a nomeação do administrador pode ocorrer da mesma forma que ocorre na 
sociedade simples, ou seja, ele pode ser nomeado no contrato social ou em ato separado (ex.: ata de 
assembleia). 
 
Quem pode ser administrador: o sócio e o não sócio podem ser administradores da sociedade. 
 
Exclusão de sócio na sociedade limitada 
 
● A exclusão JUDICIAL pode decorrer de: incapacidade superveniente e falta grave. 
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Ciclos Método 
 
116 
 
● A exclusão EXTRAJUDICIAL pode ocorrer no caso de: sócio remisso, falência do sócio, liquidação de 
quota ou por justa causa. 
 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
 
O processo de recuperação judicial se divide em 3 fases distintas: 
 
Fase postulatória: começa com a petição inicial que traz o pedido de recuperação judicial, encerrando-se com 
o despacho do juiz que manda processar o pedido de recuperação; 
Fase de deliberação (ou de processamento): o início se dá com o despacho que manda processar o pedido de 
recuperação, concluindo-se com a homologação do plano, aprovado pela assembleia geral de credores; 
Fase de execução: aqui há a fiscalização do cumprimento do plano. Inicia-se com a concessão da recuperação 
judicial (e não com a decisão que apenas que manda processá-la), após a homologação do plano, encerrando-
se com a sentença de encerramento do processo. 
 
FASE POSTULATÓRIA 
 
REQUISITOS PARA O REQUERIMENTO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
Exercício de atividade empresarial regular há mais de 2 anos; 
Não ser falido ou estarem extintas as obrigações da falência; 
Não ter obtido concessão de recuperação judicial há 5 anos; 
Não ter obtido concessão de recuperação judicial, com base em plano especial para Microempresas e 
Empresas de Pequeno Porte, há 5 anos; 
Não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio controlador, pessoa condenada por 
qualquer dos crimes previstos na Lei. 
 
a) Exercício de atividade empresarial regular há mais de 2 anos. 
 
Somente o devedor pode pedir recuperação judicial. Credor não pode pedir recuperação judicial. 
 
NÃO podem pedir a recuperação judicial: cooperativa, sociedade simples, ONG, associações, etc. Não se 
pode esquecer, ainda, que a própria Lei 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial e Falências -LRE), em seu 
art. 2º, exclui alguns empresários do âmbito de incidência de suas regras. Portanto, empresa pública, 
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sociedade de economia mista, instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, 
entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade 
seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas não podem requerer 
recuperação judicial. 
 
Somente o devedor que está em atividade regular (devidamente registrado) há mais de dois anos. Assim, o 
empresário ou sociedade irregular (chamada de sociedade em comum) não têm direito à recuperação 
judicial. 
 
#SELIGA: sociedade em comum pode pedir autofalência, mas não pode pedir falência de terceiro e também 
não pode pedir recuperação judicial. 
 
b) Não ser falido e se foi ter suas obrigações declaradas extintas por sentença transitada em julgado. 
 
É preciso destacar que essa é mais uma das normas da LRE que foram redigidas tendo como referência o 
empresário individual. Assim, quando o dispositivo em enfoque utiliza a expressão “falido”, está se referindo 
ao empresário individual: se ele já teve sua falência decretada, não pode requerer recuperação judicial, salvo 
se suas obrigações já foram declaradas extintas por sentença transitada em julgado. 
 
Tratando-se de sociedade empresária, será óbice ao deferimento de seu pedido a existência de sócios de 
responsabilidade ilimitada que já tenham tido a sua falência decretada anteriormente ou que tenham 
participado de outra sociedade que teve sua falência decretada. 
 
c) Não ter sido condenado por crime falimentar. 
 
A lei ainda exige, no caso de empresário individual, que ele não tenha sido condenado por crime falimentar, 
ou, no caso de sociedade empresária, que isso não tenha ocorrido com nenhum de seus sócios controladores 
ou administradores. Perceba-se que, se um sócio minoritário, sem poder de controle ou de administração, já 
tenha, eventualmente, sido condenado por crimes tipificados na LRE, isso por si só não impede o juiz de 
deferir o processamento do pedido de recuperação da sociedade devedora. A regra é clara ao afirmar que o 
óbice legal só incide se o condenado era administrador ou controlador da sociedade. 
 
d) Não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de recuperação judicial. 
 
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ATENÇÃO: não importa a data do pedido da recuperação e sim a data da concessão. 
 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL DO PRODUTOR RURAL 
 
De acordo com a Lei de Recuperação Judicial e Falências, é necessário que a empresa esteja exercendo 
regularmente as atividades há pelo menos dois anos (art. 48, caput.). De acordo com o Código Civil, no art. 
967, é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, 
antes do início de sua atividade. 
 
Ocorre que, no caso de empresário rural, a inscrição não é requisito de regularidade da atividade, mas mera 
faculdade, conforme art. 971, caput, do Código Civil. 
 
Por não ser obrigado a estar inscrito antes do início da atividade, significa que o exercício da atividade é 
regular, mesmo sem a devida formalidade. Portanto, na comprovação dos dois anos de exercício regular, não 
é necessário que a empresa esteja inscrita durante todo esse tempo, bastando a comprovação do exercício 
da atividade durante o período necessário e que esteja registrado ao tempo do pedido; 
 
Assim, o empresário comum precisa estar registrado há mais de dois anos para poder pedir a recuperação 
judicial, por ser uma condição de sua regularidade, além de outras. O empresário rural, por sua vez, basta 
estar registrado no momentodo pedido e ter exercido a atividade há mais de dois anos, sendo sua 
regularidade aferida por outros meios, sem a necessidade de verificação do tempo de registro. 
 
CRÉDITOS SUJEITOS À RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
 
Créditos sujeitos à Recuperação Judicial: a Lei estabelece que todos os créditos existentes na data do 
pedido, vencidos ou vincendos, estarão sujeitos à recuperação judicial. Ou seja, os créditos posteriores ao 
pedido não entram na recuperação judicial. 
 
ATENÇÃO: Não se incluem no pedido de recuperação judicial: 
 
i) Créditos posteriores ao pedido; 
ii) Crédito tributário: não há um dispositivo que diga isso expressamente. É uma conclusão do art. 6º, §7º c/c 
art. 7º. Além disso, se fosse possível haveria violação do princípio da isonomia, já que enquanto os outros 
contribuintes teriam que cumprir os prazos tributários, a empresa teria prazos especiais; 
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iii) Créditos decorrentes de propriedade fiduciária (alienação fiduciária); 
iv) Arrendamento mercantil (leasing): Problema da Varig e Vasp. Maioria dos aviões eram contratos de 
leasing; 
v) Compra e venda de imóvel com cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade; 
vi) Compra e venda com reserva de domínio; 
vii) Adiantamento de contrato de câmbio (ACC) não entra no plano de recuperação judicial - Art. 49, §4º. 
 
A Recuperação Judicial deverá ser proposta no foro do principal estabelecimento do devedor. De acordo 
com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o principal estabelecimento não precisa corresponder 
necessariamente à sede administrativa da empresa, mas ao local com maior volume de negócios. 
 
Stay period 
O stay period é instituto do direito empresarial, afeto à recuperação judicial que tem como objetivo 
assegurar que o devedor tenha tempo suficiente para negociar com seus credores, enquanto mantém a 
continuidade da empresa, com a suspensão de eventuais medidas judiciais e extrajudiciais de constrição 
patrimonial. Tem como fundamento o princípio da preservação da empresa. 
Marco inicial: deferimento do processamento da recuperação judicial. 
Marco final: a aprovação do plano de recuperação judicial pela assembleia de credores; ou escoamento do 
prazo do stay period de 180 dias, prorrogável uma única vez. 
 
#FICADICA - Na redação original da Lei de Falências o stay period tinha prazo improrrogável de 180 dias. Na 
vigência desta norma antiga, o STJ entendia pela prorrogabilidade irrefreada do stay period, permitindo 
reiteradas prorrogações do prazo do stay period, por entender que o retorno do curso das ações e execuções 
propostas em face do devedor poderia frustrar o plano de recuperação. Na regra atual, após a minirreforma 
de 2020 na Lei n. 11.101/2005, não verifiquei decisões dos tribunais superiores versando sobre prorrogação 
além do prazo legal do stay period. Contudo há recente decisão do TJSP2 autorizando uma segunda 
prorrogação ao stay period, em situação excepcional, com cumprimento dos prazos impostos à recuperanda 
para que a empresa possa ter maior tranquilidade e sucesso na elaboração do plano de recuperação. 
 
Antecipação do stay period 
De acordo com a previsão legal, o marco inicial do stay period é o deferimento do processamento da 
recuperação judicial. Contudo, o STJ admite a antecipação deste período para conferir ao recuperando 
 
 
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tempo para que negocie com seus credores e reúna os documentos necessários para iniciar o pedido de 
recuperação judicial, sem risco de contrição patrimonial, assegurada a continuidade da atividade 
empresarial. 
 
FASE DE DELIBERAÇÃO OU PROCESSAMENTO: 
 
A partir do deferimento do processamento do pedido irá iniciar uma nova fase da recuperação judicial: a fase 
da deliberação ou processamento. O objetivo principal será a análise do plano de recuperação judicial. 
 
Apresentação do Plano de Recuperação Judicial: o Plano de Recuperação Judicial deverá ser apresentado 
pelo devedor, no prazo de 60 dias a contar da publicação da decisão que defere o processamento da 
recuperação judicial. A não apresentação do plano de recuperação judicial no prazo legal acarretará a 
convolação do pedido de recuperação em falência. 
 
Análise e deliberação sobre o plano de recuperação judicial: com a apresentação do plano de recuperação 
judicial, o juiz irá ordenar a publicação de edital, de modo a avisar aos credores sobre o recebimento do 
plano de recuperação, e para fixação de prazo para manifestações e objeções ao plano. 
 
#ATENÇÃO: ao mesmo tempo que corre o prazo para apresentação do plano, também corre para a 
habilitação de credores. A habilitação tem que ser feita no prazo de 15 dias da publicação do edital expedido 
pelo juiz quando do deferimento do processamento da recuperação judicial (art. 7º, §1º). 
 
Habilitação retardatária: pode ocorrer que algum dos credores não tenha apresentado sua respectiva 
habilitação no prazo dos 15 dias, fazendo apenas posteriormente. 
 
#SELIGA: 
Caso a habilitação retardatária ocorra antes da homologação do quadro-geral de credores: serão 
processadas como impugnação. 
 
Caso já tiver sido homologado o quadro-geral de credores: o credor retardatário tem que requerer ao juízo 
a sua retificação em ação própria, nos termos do procedimento comum do CPC. 
 
Caso já tenha ocorrido prolação de decisão de encerramento do processo recuperacional: não se pode mais 
autorizar a habilitação ou retificação de créditos. Restará apenas a opção de ação judicial autônoma. 
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Se não houver objeções = aprovação tácita do plano; 
 
Se houver objeções = o juiz deverá convocar assembleia geral de credores para deliberar sobre o plano, o 
que não excederá 150 dias contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. 
 
Havendo objeções, a assembleia-geral, por sua vez, poderá: 
 
Aprovar o plano sem alterações; 
 
Aprovar o plano com alterações, desde que haja concordância expressa do devedor e em termos que não 
impliquem diminuição dos direitos exclusivamente dos credores ausentes; 
 
Rejeitar o plano, podendo os credores apresentar plano próprio de recuperação da empresa Esse é o 
chamado “plano alternativo” apresentado pelos credores. Caso não seja cabível o plano alternativo, ou 
sendo este rejeitado, haverá a convolação em falência. 
 
O administrador judicial submeterá, no ato, à votação da assembleia-geral de credores a concessão de prazo 
de 30 (trinta) dias para que seja apresentado plano de recuperação judicial pelos credores. O quórum para 
essa aprovação corresponde aos credores que representem mais da metade dos créditos presentes à 
assembleia-geral. 
 
Aprovação do plano por termo de adesão: a Lei 14.112/2020 estabeleceu a possibilidade de aprovação do 
plano de recuperação judicial mediante termo de adesão, sendo uma alternativa à realização da assembleia-
geral de credores. Assim, 5 dias antes da realização da assembleia-geral, o devedor poderá comprovar a 
aprovação do plano pelos credores, de acordo com os quóruns acima previstos, requerendo a homologação 
judicial. 
 
A assembleia será dispensada e o juiz intimará os credores para, no prazo de 10 dias, apresentar oposições. 
Caso haja a propositura de algumas oposição, o devedor terá o prazo de 10 dias para se manifestar, seguido 
pelo administrador judicial que poderá ser ouvido no prazo de 5 dias. 
 
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Concessão da Recuperação Judicial: a aprovação do plano de recuperação ocorrerá através da Assembleia-
Geral de Credores. Todavia, quem irá conceder a recuperação judicial, mediante o plano já aprovado, será a 
autoridade judicial. 
 
A concessão da recuperação judicial pelo juiz ocorrerá:Não havendo objeções ao plano apresentado; 
Mesmo havendo objeções ao plano,desde que este tenha sido aprovado pela assembleia-geral de 
credores. 
 
Há uma terceira possibilidade de concessão da recuperação judicial pelo juiz, mesmo sem a aprovação do 
plano pela assembleia-geral de credores. É a chamada “cram down”, uma expressão que significa goela 
abaixo. 
 
Requisitos: (Art. 58, § 1º, da Lei nº 11.101/05) 
I – o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos os créditos presentes à 
assembleia, independentemente de classes; 
II - a aprovação de 3 (três) das classes de credores ou, caso haja somente 3 (três) classes com credores 
votantes, a aprovação de pelo menos 2 (duas) das classes ou, caso haja somente 2 (duas) classes com 
credores votantes, a aprovação de pelo menos 1 (uma) delas, sempre nos termos do art. 45 desta Lei; 
III – na classe que o houver rejeitado, o voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores, computados 
na forma dos §§ 1º e 2º do art. 45 desta Lei. 
 
Em não sendo aplicada a sistemática do plano alternativo ou em sendo rejeitado referido plano, o juiz 
convolará a recuperação judicial em falência. 
 
FASE DE EXECUÇÃO 
 
A fase de execução se inicia com a decisão de concessão da recuperação judicial, mediante a homologação 
do plano. 
 
A decisão de concessão da recuperação judicial constitui um título executivo judicial, prosseguindo, portanto, 
para uma etapa de execução do plano já homologado, mediante a fiscalização da sua observância e 
cumprimento. 
 
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Novação: o plano de recuperação judicial homologado implica novação dos créditos anteriores ao pedido, ou 
seja, há a extinção da dívida anterior, criando-se uma nova, obrigando o devedor e os credores a ele sujeitos. 
 
Há a extinção da obrigação anterior, não podendo mais falar em inadimplência. Deve ocorrer a baixa dos 
protestos e a retirada da sociedade e dos sócios dos cadastros de inadimplentes, com ressalva expressa de 
que essa providência será adotada sob a condição resolutiva e a devedora cumprir todas as obrigações 
previstas na recuperação, de acordo com o art. 61, que trata da convolação em falência e retorno dos 
créditos na forma original. 
 
#ATENÇÃO! A novação que ocorre no bojo da recuperação judicial é vista como uma novação sui generis, 
distinta da novação prevista no Código Civil. A novação do CC/02 extingue os acessórios e garantias da dívida 
sempre que não houver estipulação em contrário. Já a novação decorrente da homologação do plano de 
recuperação judicial não extingue as garantias, as quais serão mantidas. 
Novação do CC: em regra, extingue as garantias prestadas. 
Novação da recuperação judicial: em regra, não extingue as garantias prestadas. 
 
Observa-se, ainda, que as garantias reais só serão suprimidas ou substituídas mediante aprovação expressa 
do credor titular da respectiva garantia, por ocasião da alienação do bem gravado. 
 
Como as garantias são mantidas, em regra, mesmo diante da recuperação judicial o credor poderá exercer 
seus direitos contra terceiros garantidores, prosseguindo as ações e execuções em face de fiadores, avalistas 
ou coobrigados em geral. 
 
Neste sentido, o STJ entende que a recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento 
das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou 
coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão 
prevista nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59, caput, por força do que 
dispõe o art. 49, §1º, todos da Lei 11.101/05. 
 
Outrossim, a novação na recuperação judicial estará sujeita a uma cláusula resolutiva, qual seja, a eventual 
decretação de falência durante a ação de recuperação judicial. Sendo a falência decretada, os credores terão 
reconstituídos seus direitos e garantias nas condições originalmente contratadas, deduzidos os valores pagos 
e ressalvados os atos validamente praticados. 
 
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Duração da Recuperação Judicial: O devedor deverá cumprir as obrigações previstas no plano de 
recuperação judicial que vencerem até o prazo máximo de 2 anos depois da concessão da recuperação 
judicial. 
 
Se o devedor não cumprir as obrigações dentro desses 2 anos, ocorrerá a convolação em falência, com o 
retorno das condições originais dos créditos. Se o descumprimento de alguma obrigação do plano ocorrer 
após esse prazo, não será o caso de convolar a recuperação em falência, mas de o credor interessado 
executar a dívida ou requerer a falência do devedor com base no art. 94, inciso III, alínea g, da Lei. 
 
Encerramento da recuperação judicial: o procedimento de execução da recuperação judicial poderá se 
encerrar: 
- Pelo cumprimento de todas as obrigações que se vencerem em até 2 anos depois da concessão da 
recuperação; 
 
- Pelo pedido de desistência do devedor, aprovado pela assembleia-geral de credores. 
 
O encerramento da recuperação judicial se dará através de sentença. 
 
Convolação em falência: o art. 73 estabelece as hipóteses em que a recuperação judicial poderá ser 
convertida em falência. Registre-se que com a convolação na falência, os créditos retornarão a suas 
configurações originárias, desconsiderando a novação ocorrida. 
 
Consolidação processual e substancial: a Lei 14.112/2020 inseriu dispositivos tratando da consolidação 
processual e substancial, anteriormente não previstas na Lei 11.101/05. A consolidação tem por finalidade o 
processamento de recuperação judicial de empresas diferentes, mas que integrem um mesmo grupo 
econômico. 
 
Consolidação processual: o pedido simultâneo de recuperação judicial de empresas integrantes de um 
mesmo grupo econômico. 
 
Consolidação substancial: as empresas terão seus ativos e passivos consolidados como um único patrimônio, 
como se pertencessem a um único devedor. 
 
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Observa-se que antes mesmo da inserção na lei, a consolidação já era admitida tanto pela doutrina, como 
pela jurisprudência. Fazendo-se a utilização de outros institutos legalmente previstos, a consolidação 
processual baseava-se em um litisconsórcio entre as empresas, enquanto a consolidação substancial teria 
como pressuposto a desconsideração da personalidade jurídica, com o afastamento da autonomia 
patrimonial das empresas. Ademais, o entendimento já constante era que a consolidação processual não 
levaria automaticamente à consolidação substancial. 
 
#FOCANATABELA: 
Consolidação processual Consolidação substancial 
O pedido simultâneo de recuperação judicial de 
empresas integrantes de um mesmo grupo 
econômico. 
As empresas terão seus ativos e passivos consolidados 
como um único patrimônio, como se pertencessem a 
um único devedor. 
Mantém a independência entre os devedores. Interconexão e confusão entre ativos e passivos. 
Admite a apresentação em plano único, embora 
ativos e passivos sejam considerados de forma 
separada. 
Será apresentado um plano unitário, já que ativos e 
passivos serão tratados como se pertencessem a um 
único devedor. 
As deliberações ocorrerão em assembleias-gerais 
de credores independentes. 
As deliberações da assembleia-geral de credores 
ocorrerá de forma conjunta 
Quóruns de instalação e deliberação das 
assembleias serão verificados de forma separada 
O plano unitário será analisado em conjunto pelos 
credores de todos os devedores em uma mesma 
assembleia, com a divisão dos credores em classes. 
Não se impede que alguns devedores obtenha a 
concessão de recuperação judicial, e outros 
tenham a falência decretada. 
A rejeição do plano unitário implicará a convolação 
em falência de todos os devedores sob consolidação 
substancial. 
A consolidação processual não importa 
necessariamentede bem material ou imaterial, inclusive direitos, ou 
serviço, observado o disposto no § 5º, III; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
IV - terá legislação única e uniforme em todo o território nacional, ressalvado o disposto no inciso 
V; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
V - cada ente federativo fixará sua alíquota própria por lei específica; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 132, de 2023) 
VI - a alíquota fixada pelo ente federativo na forma do inciso V será a mesma para todas as operações com 
bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços, ressalvadas as hipóteses previstas nesta 
Constituição; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
VII - será cobrado pelo somatório das alíquotas do Estado e do Município de destino da operação; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
VIII - será não cumulativo, compensando-se o imposto devido pelo contribuinte com o montante cobrado 
sobre todas as operações nas quais seja adquirente de bem material ou imaterial, inclusive direito, ou de 
serviço, excetuadas exclusivamente as consideradas de uso ou consumo pessoal especificadas em lei 
complementar e as hipóteses previstas nesta Constituição; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 
2023) 
IX - não integrará sua própria base de cálculo nem a dos tributos previstos nos arts. 153, VIII, e 195, I, "b", IV e 
V, e da contribuição para o Programa de Integração Social de que trata o art. 239; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
X - não será objeto de concessão de incentivos e benefícios financeiros ou fiscais relativos ao imposto ou de 
regimes específicos, diferenciados ou favorecidos de tributação, excetuadas as hipóteses previstas nesta 
Constituição; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
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XI - não incidirá nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons 
e imagens de recepção livre e gratuita; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
XII - resolução do Senado Federal fixará alíquota de referência do imposto para cada esfera federativa, nos 
termos de lei complementar, que será aplicada se outra não houver sido estabelecida pelo próprio ente 
federativo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
XIII - sempre que possível, terá seu valor informado, de forma específica, no respectivo documento 
fiscal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 2º Para fins do disposto no § 1º, V, o Distrito Federal exercerá as competências estadual e municipal na 
fixação de suas alíquotas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 3º Lei complementar poderá definir como sujeito passivo do imposto a pessoa que concorrer para a 
realização, a execução ou o pagamento da operação, ainda que residente ou domiciliada no 
exterior. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 4º Para fins de distribuição do produto da arrecadação do imposto, o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens 
e Serviços: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
I - reterá montante equivalente ao saldo acumulado de créditos do imposto não compensados pelos 
contribuintes e não ressarcidos ao final de cada período de apuração e aos valores decorrentes do 
cumprimento do § 5º, VIII; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
II - distribuirá o produto da arrecadação do imposto, deduzida a retenção de que trata o inciso I deste 
parágrafo, ao ente federativo de destino das operações que não tenham gerado creditamento. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 5º Lei complementar disporá sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
I - as regras para a distribuição do produto da arrecadação do imposto, disciplinando, entre outros 
aspectos: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
a) a sua forma de cálculo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
b) o tratamento em relação às operações em que o imposto não seja recolhido tempestivamente; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
c) as regras de distribuição aplicáveis aos regimes favorecidos, específicos e diferenciados de tributação 
previstos nesta Constituição; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
II - o regime de compensação, podendo estabelecer hipóteses em que o aproveitamento do crédito ficará 
condicionado à verificação do efetivo recolhimento do imposto incidente sobre a operação com bens 
materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços, desde que: (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 132, de 2023) 
a) o adquirente possa efetuar o recolhimento do imposto incidente nas suas aquisições de bens ou serviços; 
ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
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b) o recolhimento do imposto ocorra na liquidação financeira da operação; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
III - a forma e o prazo para ressarcimento de créditos acumulados pelo contribuinte; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
IV - os critérios para a definição do destino da operação, que poderá ser, inclusive, o local da entrega, da 
disponibilização ou da localização do bem, o da prestação ou da disponibilização do serviço ou o do domicílio 
ou da localização do adquirente ou destinatário do bem ou serviço, admitidas diferenciações em razão das 
características da operação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
V - a forma de desoneração da aquisição de bens de capital pelos contribuintes, que poderá ser 
implementada por meio de: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
a) crédito integral e imediato do imposto; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
b) diferimento; ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
c) redução em 100% (cem por cento) das alíquotas do imposto; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
132, de 2023) 
VI - as hipóteses de diferimento e desoneração do imposto aplicáveis aos regimes aduaneiros especiais e às 
zonas de processamento de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
VII - o processo administrativo fiscal do imposto; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
VIII - as hipóteses de devolução do imposto a pessoas físicas, inclusive os limites e os beneficiários, com o 
objetivo de reduzir as desigualdades de renda; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
IX - os critérios para as obrigações tributárias acessórias, visando à sua simplificação. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 6º Lei complementar disporá sobre regimes específicos de tributação para: (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
I - combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua 
finalidade, hipótese em que: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
a) serão as alíquotas uniformes em todo o território nacional, específicas por unidade de medida e 
diferenciadas por produto, admitida a não aplicação do disposto no § 1º, V a VII; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
b) será vedada a apropriação de créditos em relação às aquisições dos produtos de que trata este inciso 
destinados a distribuição, comercialização ou revenda; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 
2023) 
c) será concedido crédito nas aquisições dos produtos de que trata este inciso por sujeito passivo do imposto, 
observado o disposto na alínea "b" e no § 1º, VIII; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MGna consolidação substancial. 
A consolidação substancial pressupõe que os 
devedores estejam em recuperação judicial sob 
consolidação processual. 
 
Plano Especial de Recuperação Judicial para ME e EPP: 
 
A Lei prevê um plano especial de recuperação judicial destinado às Microempresas e Empresas de Pequeno 
Porte. Trata-se de uma opção da microempresa e da empresa de pequeno porte em utilizar esse plano 
especial, podendo a elas também ser aplicada a recuperação comum. 
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O plano preverá parcelamento em até 36 (trinta e seis) parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas 
monetariamente e acrescidas de juros de 12% a.a. (doze por cento ao ano). 
 
Ademais, o pagamento da 1ª (primeira) parcela deverá ocorrer no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) 
dias, contado da distribuição do pedido de recuperação judicial. 
 
A objeção ao plano poderá ser apresentada no mesmo prazo de 30 dias, mas não há assembleia de credores. 
O juiz somente irá rejeitar o plano se houver objeção de mais da metade dos créditos. 
 
Quem aprova ou não é o juiz, não havendo convocação de assembleia geral de credores para tanto. 
 
O pedido de recuperação judicial com base em plano especial não acarreta a suspensão do curso da 
prescrição, nem das ações e execuções por créditos não abrangidos pelo plano. 
 
A Lei 14.112/20 passou a prever a possibilidade do produtor rural também se submeter ao plano especial 
de recuperação judicial. 
 
FALÊNCIA 
 
Falência é o processo coletivo de execução forçada de um empresário ou sociedade empresária cuja 
recuperação mostra-se inviável. A falência tem como objetivo reunir os credores e arrecadar os bens, ativos 
e recursos do falido a fim de que, com os recursos obtidos pela alienação de tais bens, possam os credores 
ser pagos, obedecendo a uma ordem de prioridade estabelecida na lei. 
 
A Lei nº 11.101/2005 (art. 2º) NÃO se aplica a: 
 
Sociedades simples, pois não são empresárias; 
Empresa pública; 
Sociedade de economia mista; 
Instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência 
complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de 
capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. 
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Ciclos Método 
 
127 
 
 
Por meio da falência dá-se o encerramento da atividade econômica desenvolvida pela empresa em crise 
financeira, de forma a minimizar os prejuízos de seus empregados e credores. 
 
#NÃOCONFUNDA: O encerramento da falência é causa da dissolução e da liquidação da sociedade 
empresária. No entanto, isso não significa, por si só, que seja também causa de extinção automática da 
empresa, tendo em vista que a sua personalidade jurídica é mantida até o efetivo cancelamento no registro 
competente ou, ainda, porque pode ressurgir com a reabilitação da falida para o exercício de suas atividades. 
 
O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e 
negócios do falido. Dessa forma, após a instauração da execução consensual do devedor, todas essas ações 
irão convergir para o juízo falimentar. Em virtude dessa característica, diz-se que o juízo da falência é 
universal. 
 
PRESSUPOSTOS DA FALÊNCIA 
 
● Pressuposto material subjetivo: qualidade de empresário; 
● Pressuposto material objetivo: insolvência do devedor; 
● Pressuposto formal: sentença. 
 
FASES DO PROCESSO DE FALÊNCIA 
 
• Fase pré-falimentar: se dá com o pedido de falência, realizado pelos legitimados do art. 97. 
• Fase falimentar: Esta etapa objetiva o conhecimento judicial do ativo e passivo do devedor, a realização do 
ativo apurado e o pagamento do passivo admitido. Ela tem início com a sentença declaratória de falência e 
termina com a sentença de encerramento. 
• Fase de reabilitação: sentença de extinção das obrigações do falido 
 
SENTENÇA DE FALÊNCIA 
 
Apesar do nome de que fez uso o legislador, a sentença declaratória da falência, pressuposto inafastável da 
instauração do processo de execução concursal do devedor empresário, tem caráter predominantemente 
constitutivo. Após a sua edição, a pessoa, os bens, os atos jurídicos e os credores do empresário falido são 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
128 
 
submetidos a um regime jurídico específico, diverso do regime geral do direito obrigacional. É a sentença de 
falência que introduz o falido e seus credores no regime jurídico-falimentar, donde o seu caráter 
constitutivo. 
 
Na sentença declaratória da falência, o juiz deve se pronunciar sobre a continuação provisória das atividades 
do falido ou a lacração do seu estabelecimento (LF, arts. 99, VI e XI, e 109). Não são medidas de adoção 
obrigatória. Inexistindo razões tanto para autorizar a continuação provisória das atividades do falido como 
para a lacração do estabelecimento, o juiz pode simplesmente denegar as duas medidas. 
 
O juiz, ao julgar o pedido de falência, também poderá julgá-lo improcedente, proferindo sentença 
denegatória da falência. 
 
Se, porém, a denegação da falência não tiver por fundamento a improcedência do pedido, mas a sua elisão 
provocada pelo depósito do valor da obrigação em atraso, o juiz determinará o levantamento deste em favor 
do requerente e condenará o requerido no reembolso das despesas e nos honorários de advogado em favor 
do requerente. 
 
A sentença declaratória da falência desafia recurso de agravo de instrumento, enquanto a sentença 
denegatória da falência desafia recurso de apelação 
 
Basta pensar que, declarando a falência o processo terá continuidade com a fase de falimentar, ou seja, 
trata-se de decisão interlocutória, portanto, recorrível por agravo de instrumento. Já a denegatória de 
falência põe fim ao processo, portanto é decisão terminativa, recorrível por apelação. 
 
 
 
 
EFEITOS DA SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA EM RELAÇÃO AO FALIDO: 
 
 Sentença 
 
Declaratória de 
falência 
 
Agravo de 
Instrumento 
 
Denegatória de 
falência 
 Apelação 
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Ciclos Método 
 
129 
 
Inabilitação para a atividade empresarial – se inicia com a sentença declaratória e termina com a sentença de 
extinção das obrigações do falido. 
 
EFEITOS DA SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA EM RELAÇÃO AOS CREDORES: #APOSTACICLOS. 
 
 Constituição da massa falida: A massa falida é a reunião de bens e credores do falido. Só há massa falida 
após a decretação da falência. A reunião dos credores forma a denominada massa falida subjetiva (corpus 
creditorum). 
 
Vencimento antecipado de toda dívida do falido: Para que todos os credores possam participar do 
procedimento, fazendo as suas respectivas habilitações de crédito, a lei determina o vencimento antecipado 
das dívidas do falido. 
 
Possibilidade de adjudicação dos bens pelos credores 
 
LEI DE FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL (LEI 11.101/2005) 
Antes da Lei 14.112/2020 Depois da Lei 14.112/2020 
Art. 145. O juiz homologará qualquer outra 
modalidade de realização do ativo, desde que 
aprovada pela assembleia-geral de credores, 
inclusive com a constituição de sociedade de 
credores ou dos empregados do próprio devedor, 
com a participação, se necessária, dos atuais sócios 
ou de terceiros. 
Art. 145. Por deliberação tomada nos termos do art. 
42 desta Lei, os credores poderão adjudicar os bens 
alienados na falência ou adquiri-los por meio de 
constituição de sociedade, de fundo ou de outro 
veículo de investimento, com a participação, se 
necessária, dos atuais sócios do devedor ou de 
terceiros, ou mediante conversão de dívida em 
capital. 
§ 1º Aplica-se à sociedade mencionada neste 
artigo o disposto no art. 141 desta Lei. 
§ 1º Aplica-se irrestritamente o disposto no art. 141 
desta Lei à transferência dos bens à sociedade, aofundo ou ao veículo de investimento mencionados no 
caput deste artigo. 
§ 2º No caso de constituição de sociedade formada 
por empregados do próprio devedor, estes 
poderão utilizar créditos derivados da legislação do 
§ 2º (Revogado). 
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Ciclos Método 
 
130 
 
trabalho para a aquisição ou arrendamento da 
empresa. 
§ 3º Não sendo aprovada pela assembleia-geral a 
proposta alternativa para a realização do ativo, 
caberá ao juiz decidir a forma que será adotada, 
levando em conta a manifestação do 
administrador judicial e do Comitê. 
§ 3º (Revogado). 
Não havia § 4º do art. 145. 
§ 4º Será considerada não escrita qualquer restrição 
convencional à venda ou à circulação das 
participações na sociedade, no fundo de investimento 
ou no veículo de investimento a que se refere o caput 
deste artigo. 
 
#VAICAIR: Em qualquer modalidade de alienação, o Ministério Público e as Fazendas Públicas serão 
intimados por meio eletrônico, nos termos da legislação vigente e respeitadas as respectivas prerrogativas 
funcionais, sob pena de nulidade (Art. 142, §7º). 
 
ORDEM E CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS: 
 
Os credores do falido não são tratados igualmente. A natureza do crédito importa para a definição de uma 
ordem de pagamento, que deve ser rigorosamente observada na liquidação. Na dita ordem de pagamento, 
encontram-se não apenas os credores do falido, como também os créditos extraconcursais. 
 
Classificam-se, portanto, os créditos, segundo a ordem de pagamento na falência, nas seguintes categorias: 
 
a) os créditos extraconcursais. 
 
LEI DE FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL (LEI 11.101/2005) 
Antes da Lei 14.112/2020 Depois da Lei 14.112/2020 
Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os mencionados 
no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a: 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
131 
 
I – remunerações devidas ao administrador 
judicial e seus auxiliares, e créditos derivados da 
legislação do trabalho ou decorrentes de 
acidentes de trabalho relativos a serviços 
prestados após a decretação da falência; 
I - (revogado); 
Não havia inciso I-A do art. 84. I-A - às quantias referidas nos arts. 150 e 151 desta Lei; 
Não havia inciso I-B do art. 84. I-B - ao valor efetivamente entregue ao devedor em 
recuperação judicial pelo financiador, em conformidade 
com o disposto na Seção IV-A do Capítulo III desta Lei; 
 
Não havia inciso I-C do art. 84. I-C - aos créditos em dinheiro objeto de restituição, 
conforme previsto no art. 86 desta Lei; 
Não havia inciso I-D do art. 84. I-D - às remunerações devidas ao administrador judicial 
e aos seus auxiliares, aos reembolsos devidos a 
membros do Comitê de Credores, e aos créditos 
derivados da legislação trabalhista ou decorrentes de 
acidentes de trabalho relativos a serviços prestados 
após a decretação da falência; 
Não havia inciso I-E do art. 84. I-E - às obrigações resultantes de atos jurídicos válidos 
praticados durante a recuperação judicial, nos termos 
do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência; 
V – obrigações resultantes de atos jurídicos 
válidos praticados durante a recuperação judicial, 
nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a 
decretação da falência, e tributos relativos a fatos 
geradores ocorridos após a decretação da 
falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 
83 desta Lei. 
V - aos tributos relativos a fatos geradores ocorridos 
após a decretação da falência, respeitada a ordem 
estabelecida no art. 83 desta Lei. 
Não havia § 1º do art. 84. § 1º As despesas referidas no inciso I-A do caput deste 
artigo serão pagas pelo administrador judicial com os 
recursos disponíveis em caixa. 
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Ciclos Método 
 
132 
 
Não havia § 2º do art. 84. § 2º O disposto neste artigo não afasta a hipótese 
prevista no art. 122 desta Lei. 
 
b) os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por 
credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho (art. 83, I); 
 
c) os créditos gravados com direito real de garantia até o limite do valor do bem gravado (art. 83, II); 
 
d) os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de constituição, exceto os 
créditos extraconcursais e as multas tributárias (art. 83, III); 
 
#ATENÇÃO: Antes da Lei n° 14.112/2020, após os créditos tributários, viriam os créditos com privilégio 
especial e privilégio geral. Essas categorias foram EXTINTAS! Esses créditos passam a integrar a classe dos 
créditos quirografários. 
 
e) créditos quirografários (art. 83, VI); 
 
f) as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, incluídas as 
multas tributárias (art. 83, VII); e 
g) créditos subordinados (art. 83, VIII). 
 
Antes da Lei 14.112/2020 Depois da Lei 14.112/2020 
Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: 
(...) 
III – créditos tributários, independentemente da sua 
natureza e tempo de constituição, excetuadas as 
multas tributárias; 
 
III - os créditos tributários, independentemente da 
sua natureza e do tempo de constituição, exceto os 
créditos extraconcursais e as multas tributárias; 
IV – créditos com privilégio especial, a saber: 
a) os previstos no art. 964 da Lei nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002; 
b) os assim definidos em outras leis civis e 
IV - (revogado); 
a) (revogada); 
b) (revogada); 
c) (revogada); 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
133 
 
comerciais, salvo disposição contrária desta Lei; 
c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de 
retenção sobre a coisa dada em garantia; 
d) aqueles em favor dos microempreendedores 
individuais e das microempresas e empresas de 
pequeno porte de que trata a Lei Complementar nº 
123, de 14 de dezembro de 2006 (Incluído pela Lei 
Complementar nº 147, de 2014) 
d) (revogada); 
V – créditos com privilégio geral, a saber: 
a) os previstos no art. 965 da Lei nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002; 
b) os previstos no parágrafo único do art. 67 desta 
Lei; 
c) os assim definidos em outras leis civis e 
comerciais, salvo disposição contrária desta Lei; 
V - (revogado); 
a) (revogada); 
b) (revogada); 
c) (revogada); 
VIII – créditos subordinados, a saber: 
a) os assim previstos em lei ou em contrato; 
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem 
vínculo empregatício. 
VIII - os créditos subordinados, a saber: 
a) os previstos em lei ou em contrato; e 
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem 
vínculo empregatício cuja contratação não tenha 
observado as condições estritamente comutativas 
e as práticas de mercado; e 
Não havia inciso IX do art. 83. IX - os juros vencidos após a decretação da falência, 
conforme previsto no art. 124 desta Lei. 
§ 4º Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros 
serão considerados quirografários. 
§ 4º (Revogado). 
Não havia § 5º do art. 83. § 5º Para os fins do disposto nesta Lei, os créditos 
cedidos a qualquer título manterão sua natureza e 
classificação. 
Não havia § 6º do art. 83. § 6º Para os fins do disposto nesta Lei, os créditos 
que disponham de privilégio especial ou geral em 
outras normas integrarão a classe dos créditos 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
134 
 
quirografários. 
 
ENCERRAMENTO: 
 
Concluída a realização do ativo e distribuído o produto entre os credores, o administrador judicial 
apresentará suas contas ao juiz no prazo de 30 dias. 
 
O juiz ordenará a publicação de aviso de que as contas foram entregues e se encontram à disposição dos 
interessados, que poderão impugná-las no prazo de 10 (dez) dias. 
 
Decorrido o prazo do aviso e realizadas as diligências necessárias à apuração dos fatos, o juiz intimará o 
Ministério Público para manifestar-seno prazo de 5 (cinco) dias, findo o qual o administrador judicial será 
ouvido se houver impugnação ou parecer contrário do Ministério Público. 
 
A sentença que rejeitar as contas do administrador judicial fixará suas responsabilidades, poderá determinar 
a indisponibilidade ou o sequestro de bens e servirá como título executivo para indenização da massa. 
 
Da sentença que julga as contas cabe APELAÇÃO. 
 
O encerramento da falência não significa, por si só, a extinção das obrigações do devedor falido. A extinção 
de suas obrigações somente se verifica. 
 
UM POUCO DE LEI SECA 
 
#ABREALEI! 
Código Civil 
 
EMPRESÁRIO 
 
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
135 
 
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, 
literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão 
constituir elemento de empresa. 
 
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva 
sede, antes do início de sua atividade. 
 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as 
formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao 
empresário sujeito a registro. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo à associação que desenvolva atividade 
futebolística em caráter habitual e profissional, caso em que, com a inscrição, será considerada empresária, 
para todos os efeitos. (Incluído pela Lei nº 14.193, de 2021) 
 
Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes 
exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
§ 1º Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos da 
empresa, bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos 
os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por 
terceiros. 
§ 2º Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou 
da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a 
autorização. 
§ 3º O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou 
alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os 
seguintes pressupostos: (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por 
seus representantes legais. (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) 
 
Art. 975. Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer 
atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, um ou mais gerentes. 
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Ciclos Método 
 
136 
 
§ 1º Do mesmo modo será nomeado gerente em todos os casos em que o juiz entender ser conveniente. 
§ 2º A aprovação do juiz não exime o representante ou assistente do menor ou do interdito da 
responsabilidade pelos atos dos gerentes nomeados. 
 
Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham 
casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. 
 
Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de 
bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 
 
Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode o sócio ser excluído judicialmente, 
mediante iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações, ou, 
ainda, por incapacidade superveniente. Parágrafo único. Será de pleno direito excluído da sociedade o sócio 
declarado falido, ou aquele cuja quota tenha sido liquidada nos termos do parágrafo único do art. 1.026. 
 
Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas 
todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. 
§ 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 
2019) 
§ 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as 
disposições sobre o contrato social. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. 
§ 1° Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios, até 
o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade. 
§ 2° É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. 
 
Art. 1.058. Não integralizada a quota de sócio remisso, os outros sócios podem, sem prejuízo do disposto no 
art. 1.004 e seu parágrafo único, tomá-la para si ou transferi-la a terceiros, excluindo o primitivo titular e 
devolvendo-lhe o que houver pago, deduzidos os juros da mora, as prestações estabelecidas no contrato mais 
as despesas. 
 
Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá da aprovação de, no mínimo, 2/3(dois 
terços) dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e da aprovação de titulares de quotas 
SEMANA 07 – DE ARTIGO A ARTIGO – MP/MG 
Ciclos Método 
 
137 
 
correspondentes a mais da metade do capital social, após a integralização. (Redação dada pela Lei nº 14.451, 
de 2022) 
 
Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: 
I - A aprovação das contas da administração; 
II - A designação dos administradores, quando feita em ato separado; 
III - a destituição dos administradores; 
IV - O modo de sua remuneração, quando não estabelecido no contrato; 
V - A modificação do contrato social; 
VI - a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do estado de liquidação; 
VII - a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas; 
VIII - o pedido de concordata. 
 
Art. 1.076. Ressalvado o disposto no art. 1.061, as deliberações dos sócios serão tomadas (Redação dada 
pela Lei nº 13.792, de 2019) 
I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 14.451, de 2022) 
II - pelos votos correspondentes a mais da metade do capital social, nos casos previstos nos incisos II, III, IV, V, 
VI e VIII do caput do art. 1.071 deste Código; (Redação dada pela Lei nº 14.451, de 2022) 
III - pela maioria de votos dos presentes, nos demais casos previstos na lei ou no contrato, se este não exigir 
maioria mais elevada. 
 
Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos sócios, representativa de mais da 
metade do capital social, entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa, 
em virtude de atos de inegável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, mediante alteração do contrato 
social, desde que prevista neste a exclusão por justa causa. 
Parágrafo único. Ressalvado o caso em que haja apenas dois sócios na sociedade, a exclusão de um sócio 
somente poderá ser determinada em reunião ou assembleia especialmente convocada para esse fim, ciente o 
acusado em tempo hábil para permitirseu comparecimento e o exercício do direito de defesa. (Redação dada 
pela Lei nº 13.792, de 2019) 
 
ESTABELECIMENTO 
 
Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por 
empresário, ou por sociedade empresária. (Vide Lei nº 14.195, de 2021) 
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138 
 
§ 1º O estabelecimento não se confunde com o local onde se exerce a atividade empresarial, que poderá ser 
físico ou virtual. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 2º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for virtual, o endereço informado para fins de 
registro poderá ser, conforme o caso, o endereço do empresário individual ou o de um dos sócios da 
sociedade empresária. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
§ 3º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for físico, a fixação do horário de funcionamento 
competirá ao Município, observada a regra geral prevista no inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 13.874, de 
20 de setembro de 2019. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou 
constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. 
 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só 
produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da 
sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial. 
 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do 
estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo 
expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à 
transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente 
obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, 
da data do vencimento. 
 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência 
ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência. 
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo 
persistirá durante o prazo do contrato. 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do adquirente nos contratos 
estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros 
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, 
ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. 
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Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos 
respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se 
de boa-fé pagar ao cedente. 
 
NOME EMPRESARIAL 
 
Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação adotada, de conformidade com este 
Capítulo, para o exercício de empresa. 
Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos da proteção da lei, a denominação das 
sociedades simples, associações e fundações. 
 
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se 
quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
 
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual 
somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a 
expressão "e companhia" ou sua abreviatura. 
Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações contraídas sob a firma social 
aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo. 
 
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final "limitada" 
ou a sua abreviatura. 
§ 1 o A firma será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de modo indicativo 
da relação social. 
§ 2 o A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um ou 
mais sócios. 
§ 3 o A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores 
que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade. 
 
Art. 1.159. A sociedade cooperativa funciona sob denominação integrada pelo vocábulo "cooperativa". 
 
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Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação integrada pelas expressões ‘sociedade anônima’ ou 
‘companhia’, por extenso ou abreviadamente, facultada a designação do objeto social. (Redação dada pela 
Lei nº 14.382, de 2022) 
Parágrafo único. Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja 
concorrido para o bom êxito da formação da empresa. 
 
Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar denominação aditada da 
expressão ‘comandita por ações’, facultada a designação do objeto social. (Redação dada pela Lei nº 
14.382, de 2022) 
 
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação. 
 
Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. 
Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação 
que o distinga. 
 
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o 
nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. 
 
Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado na firma 
social. 
 
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas 
averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. 
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território nacional, se registrado na forma 
da lei especial. 
 
Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do nome empresarial feita 
com violação da lei ou do contrato. 
 
Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento de qualquer interessado, quando 
cessar o exercício da atividade para que foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o 
inscreveu. 
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Lei nº 11.101/05. 
 
Art. 3º É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou 
decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha 
sede fora do Brasil. 
 
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica: 
I - suspensão do curso da prescrição das obrigações do devedor sujeitas ao regime desta Lei; 
II - suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do sócio 
solidário, relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência; 
III - proibição de qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição 
judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos 
créditos ou obrigações sujeitem-se à recuperação judicial ou à falência. 
§ 1º Teráprosseguimento no juízo no qual estiver se processando a ação que demandar quantia ilíquida. 
§ 4º Na recuperação judicial, as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput deste 
artigo perdurarão pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado do deferimento do processamento da 
recuperação, prorrogável por igual período, uma única vez, em caráter excepcional, desde que o devedor não 
haja concorrido com a superação do lapso temporal. (...) 
 
Art. 48 (...) 
§ 2º No caso de exercício de atividade rural por pessoa jurídica, admite-se a comprovação do prazo 
estabelecido no caput deste artigo por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), ou por meio de obrigação 
legal de registros contábeis que venha a substituir a ECF, entregue tempestivamente. (Redação dada pela 
Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
§ 3º Para a comprovação do prazo estabelecido no caput deste artigo, o cálculo do período de exercício de 
atividade rural por pessoa física é feito com base no Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR), ou por 
meio de obrigação legal de registros contábeis que venha a substituir o LCDPR, e pela Declaração do Imposto 
sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) e balanço patrimonial, todos entregues tempestivamente. (Incluído 
pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
§ 4º Para efeito do disposto no § 3º deste artigo, no que diz respeito ao período em que não for exigível a 
entrega do LCDPR, admitir-se-á a entrega do livro-caixa utilizado para a elaboração da DIRPF. (Incluído pela 
Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
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§ 5º Para os fins de atendimento ao disposto nos §§ 2º e 3º deste artigo, as informações contábeis relativas a 
receitas, a bens, a despesas, a custos e a dívidas deverão estar organizadas de acordo com a legislação e com 
o padrão contábil da legislação correlata vigente, bem como guardar obediência ao regime de competência e 
de elaboração de balanço patrimonial por contador habilitado. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
(Vigência) 
 
Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades 
produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. 
Parágrafo-único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante 
nas obrigações do devedor de qualquer natureza, incluídas, mas não exclusivamente, as de natureza 
ambiental, regulatória, administrativa, penal, anticorrupção, tributária e trabalhista, observado o disposto no 
§ 1º do art. 141 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
 
Art. 70-A. O produtor rural de que trata o § 3º do art. 48 desta Lei poderá apresentar plano especial de 
recuperação judicial, nos termos desta Seção, desde que o valor da causa não exceda a R$ 4.800.000,00 
(quatro milhões e oitocentos mil reais). (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
 
Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a: (Redação dada pela Lei 
nº 14.112, de 2020) 
I - preservar e a otimizar a utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos recursos produtivos, inclusive os 
intangíveis, da empresa; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
II - permitir a liquidação célere das empresas inviáveis, com vistas à realocação eficiente de recursos na 
economia; e (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
III - fomentar o empreendedorismo, inclusive por meio da viabilização do retorno célere do empreendedor 
falido à atividade econômica. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
§ 1º O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da economia processual, sem prejuízo do 
contraditório, da ampla defesa e dos demais princípios previstos na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 
(Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
 
Art. 76. O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e 
negócios do falido, ressalvadas as causas trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em que o 
falido figurar como autor ou litisconsorte ativo. 
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Parágrafo único. Todas as ações, inclusive as excetuadas no caput deste artigo, terão prosseguimento com o 
administrador judicial, que deverá ser intimado para representar a massa falida, sob pena de nulidade do 
processo. 
 
Art. 77. A decretação da falência determina o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios 
ilimitada e solidariamente responsáveis, com o abatimento proporcional dos juros, e converte todos os 
créditos em moeda estrangeira para a moeda do País, pelo câmbio do dia da decisão judicial, para todos os 
efeitos desta Lei. 
 
Art. 82-A. É vedada a extensão da falência ou de seus efeitos, no todo ou em parte, aos sócios de 
responsabilidade limitada, aos controladores e aos administradores da sociedade falida, admitida, contudo, a 
desconsideração da personalidade jurídica. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
Parágrafo único. A desconsideração da personalidade jurídica da sociedade falida, para fins de 
responsabilização de terceiros, grupo, sócio ou administrador por obrigação desta, somente pode ser 
decretada pelo juízo falimentar com a observância do art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil) e dos arts. 133, 134, 135, 136 e 137 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de 
Processo Civil), não aplicada a suspensão de que trata o § 3º do art. 134 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 
2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
 
Art. 97. Podem requerer a falência do devedor: 
I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei; 
II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante; 
III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da sociedade; 
IV – qualquer credor. 
 
Art. 100. Da decisão que decreta a falência cabe agravo, e da sentença que julga a improcedência do pedido 
cabe apelação. 
 
Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da 
falência e até a sentença que extingue suas obrigações, respeitado o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei. 
Parágrafo único. Findo o período de inabilitação, o falido poderá requerer ao juiz da falência que proceda à 
respectiva anotação em seu registro. 
 
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Art. 114-A. Se não forem encontrados bens para serem arrecadados, ou se os arrecadados forem insuficientes 
para as despesas do processo, o administrador judicial informará imediatamente esse fato ao juiz, que, 
ouvido o representante do Ministério Público, fixará, por meio de edital, o prazo de 10 (dez) dias para os 
interessados se manifestarem. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
§ 1º Um ou mais credores poderão requerer o prosseguimento da falência, desde que paguem a quantia 
necessária às despesas e aos honorários do administrador judicial, que serão considerados despesas 
essenciais nos termos estabelecidos no inciso I-A do caput do art. 84 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 
14.112, de 2020) (Vigência) 
§ 2º Decorrido o prazo previsto no caput sem manifestação dos interessados, o administrador judicial 
promoverá a venda dos bens arrecadados no prazo máximo de 30 (trinta) dias, para bens móveis, e de 60 
(sessenta) dias, para bens imóveis, e apresentará o seu relatório, nos termos e para os efeitos dispostos neste 
artigo. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
§ 3º Proferida a decisão, a falência será encerrada pelo juiz nos autos. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 
2020) (Vigência) 
 
Art.115. A decretação da falência sujeita todos os credores, que somente poderão exercer os seus direitos 
sobre os bens do falido e do sócio ilimitadamente responsável na forma que esta Lei prescrever. 
 
Art. 116. A decretação da falência suspende: 
I – o exercício do direito de retenção sobre os bens sujeitos à arrecadação, os quais deverão ser entregues ao 
administrador judicial; 
II – o exercício do direito de retirada ou de recebimento do valor de suas quotas ou ações, por parte dos 
sócios da sociedade falida. 
 
Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador 
judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à 
manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. 
 
Art. 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência, previstos em 
lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados. 
Parágrafo único. Excetuam-se desta disposição os juros das debêntures e dos créditos com garantia real, mas 
por eles responde, exclusivamente, o produto dos bens que constituem a garantia. 
 
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Art. 144-A. Frustrada a tentativa de venda dos bens da massa falida e não havendo proposta concreta dos 
credores para assumi-los, os bens poderão ser considerados sem valor de mercado e destinados à doação. 
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
Parágrafo único. Se não houver interessados na doação referida no caput deste artigo, os bens serão 
devolvidos ao falido. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
 
UM POUCO DE JURISPRUDÊNCIA 
 
Caso concreto: determinado supermercado queria fazer um cartão de crédito para seus clientes. Para isso, 
ele contratou uma empresa que ficou responsável por administrar esse serviço. Quando o cliente pagasse a 
fatura do cartão, os valores iam para a conta da empresa que conferia tudo e depois repassava ao 
supermercado. Algum tempo depois, a empresa ingressou com pedido de recuperação judicial. Os clientes 
quitaram a fatura do cartão de crédito, mas a empresa não repassou ao supermercado. Esses valores, que 
ainda estão na conta bancária da empresa, podem ser entregues ao supermercado, não estando sujeitos à 
recuperação judicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1736887/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 
13/04/2021 (Info 692). 
Exemplo: em 02/02/2017, a sociedade empresária Fertilizantes Heringer S/A celebrou com o Banco do Brasil 
um contrato a termo de moeda. Em 15/03/2017, ou seja, logo depois da celebração desse contrato, a 
Fertilizantes Heringer S/A ingressou com pedido de recuperação judicial. Em 02/05/2017, depois de deferido 
o pedido de recuperação judicial, ocorreu o vencimento do contrato a termo de moeda e isso resultou um 
crédito de R$ 1 milhão em favor da instituição financeira. Esse crédito está sujeito aos efeitos da recuperação 
judicial mesmo que seu vencimento tenha ocorrido após o deferimento do pedido de recuperação. O 
contrato a termo de moeda, espécie de instrumento derivativo, possibilita proteção de riscos de mercado 
decorrentes da variação cambial. Por meio dele, assume-se a obrigação de pagar a quantia correspondente à 
diferença resultante entre a taxa de câmbio contratada e a taxa de mercado da data futura estabelecida na 
avença. A existência do crédito está diretamente ligada à relação jurídica estabelecida entre credor e 
devedor, devendo-se levar em conta, para sua aferição, a ocorrência do respectivo fato gerador, isto é, a 
data da fonte da obrigação. A fonte (fato gerador) da obrigação de pagar a quantia que vier a ser liquidada 
na data do vencimento do contrato a termo de moeda é o próprio contrato firmado com a instituição 
bancária. A oscilação do parâmetro financeiro (taxa de câmbio) constitui evento previsto e traduz risco 
deliberadamente assumido pelas partes, não sendo ela, todavia, a fonte da obrigação. STJ. 3ª Turma. REsp 
1924161-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 08/06/2021 (Info 700). 
Depois da decretação da falência, o devedor falido não se convola em mero expectador no processo 
falimentar, podendo praticar atos processuais em defesa dos seus interesses próprios. EDcl no AgInt no 
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AREsp 1.271.076-GO, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 
24/4/2023, DJe 28/4/2023. (Info 775 - STJ) 
O ato decisório que decreta a falência possui natureza de sentença constitutiva, pois sua prolação faz operar 
a dissolução da sociedade empresária, conduzindo à inauguração de um regime jurídico específico. STJ. 3ª 
Turma. REsp 1780442/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 03/12/2019. 
A existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas impõe que as falências devem ser reunidas 
perante o juízo onde fica localizado o principal estabelecimento do devedor conforme estabelecido no art. 3º 
da Lei 11.101/2005: 
Art. 3º É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou 
decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que 
tenha sede fora do Brasil. 
STJ. 2ª Seção. CC 183.402-MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 27/9/2023 (Info 789). 
É possível a submissão de cooperativa de crédito ao processo de falência O art. 2º, II, da Lei nº 
11.101/2005, afirma que esta Lei não se aplica a cooperativa de crédito. Existe, porém, regra específica na Lei 
nº 6.024/74 prevendo que as instituições financeiras e equiparadas (como as cooperativas de crédito) podem 
ir à falência após liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Essa possibilidade foi reafirmada pela Lei nº 
13.506/2017, que alterou a Lei nº 6.024/74. Desse modo, a doutrina, ao interpretar o art. 2º, II, da Lei nº 
11.101/2005 afirma que as instituições financeiras e cooperativas de crédito apenas não ingressam, de 
imediato, no processo judicial de execução coletiva empresarial, passando antes por intervenção e liquidação 
extrajudicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.878.653-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 
14/12/2021 (Info 722). 
A expressão consolidação processual se refere apenas à possibilidade de apresentar o pedido de recuperação 
judicial em litisconsórcio ativo. 
Cada um dos litisconsortes deve preencher os requisitos para o pedido de recuperação judicial 
individualmente e seus ativos e passivos serão tratados em separado. 
O fato de ter sido deferido o processamento da recuperação judicial em consolidação processual não impede 
a posterior análise do preenchimento dos requisitos para o pedido de recuperação em relação a cada um dos 
litisconsortes. 
STJ. 3ª Turma. REsp 2.068.263-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/8/2023 (Info 783). 
Quando não restar comprovado o abuso de direito de voto por parte do credor que se manifestou 
contrário ao plano recuperacional, não é possível deferir a recuperação judicial sem a aprovação do plano 
pelo quórum previsto no art. 45 da Lei nº 11.101/2005 e sem o atendimento cumulativo de todos os 
requisitos do art. 58, § 1º, da referida lei, para a aplicação do cram down.STJ. 4ª Turma. REsp 1.880.358-SP, 
Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 27/2/2024 (Info 804). 
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O deferimento de processamento da recuperação judicial em consolidação processual não impede a 
posterior análise do preenchimento dos requisitos para o pedido de recuperação em relação a cada um 
dos litisconsortes. STJ. 3ª Turma. REsp 2.068.263-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 
15/8/2023 (Info 783). 
A presença de procurador de instituição financeira em assembleia, comprovada por sua assinatura, ainda 
que ocorra apenas no campo relativo aos demais representados,permite sua participação nas 
deliberações e votações, considerando-se essa ocorrência mera irregularidade.STJ. 4ª Turma. REsp 
1.848.292-MT, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 12/9/2023 (Info 789). 
A existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas impõe que as falências devem ser reunidas 
perante o juízo onde fica localizado o principal estabelecimento do devedor conforme estabelecido no art. 
3º da Lei 11.101/2005.STJ. 2ª Seção. CC 183.402-MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 27/9/2023 
(Info 789). 
Imagine a seguinte situação: a empresa fez um contrato de representação de seguro com uma seguradora 
(sociedade de seguros). A empresa recebia o valor dos prêmios pagos pelos segurados e, depois de 
determinado tempo, teria que entregar essa quantia à seguradora. A empresa entrou em recuperação 
judicial sem ter repassado esses prêmios. A seguradora terá que habilitar esse crédito que tem para receber 
na recuperação judicial? 
3ª Turma do STJ: SIM. 
O crédito titularizado pela sociedade de seguros, decorrente do não repasse dos prêmios em contrato de 
representação de seguro, submete-se à recuperação judicial da empresa representante. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.559.595-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/12/2019 (Info 665). 
4ª Turma do STJ: NÃO. 
Os representantes de seguros são responsáveis pelo repasse dos valores de prêmios por eles arrecadados às 
sociedades seguradoras, nos termos estabelecidos no contrato de representação firmado entre as partes. 
Os valores dos prêmios securitários não repassados à empresa seguradora não constituem créditos sujeitos à 
recuperação judicial (art. 49 da Lei nº 11.101/2005), devendo ser restituídos à seguradora.STJ. 4ª Turma. 
REsp 2.029.240-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 16/5/2023 (Info 779). 
A responsabilidade solidária e a extensão dos efeitos da falência ao sócio diretor da sociedade somente são 
admitidas se ficar reconhecido, em processo autônomo, que ele praticou atos que tenham resultado na 
falência 
Caso concreto: Frederico e Sergio eram diretores das sociedades anônimas PERNAMBUCANAS e PIC. Essas 
duas empresas pleitearam, em juízo, a autofalência. A quebra das sociedades foi decretada em 20/10/1997. 
Com a homologação do pedido de autofalência, o Juízo de primeiro grau determinou o registro da sentença 
no Cartório Distribuidor do 2º Ofício de Registro de Interdições e Tutelas do Estado do Rio de Janeiro, 
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estendendo a anotação aos nomes de Frederico e Sergio. Em outras palavras, os dois ficaram constando no 
Registro como sendo equiparados à figura do falido. Isso porque ocuparam cargos de direção e foram 
representantes legais da pessoa jurídica. O inquérito judicial instaurado para apuração de eventual 
responsabilidade pelos atos de falência foi arquivado, com base no argumento apresentado pelo síndico da 
massa falida, de que a quebra das sociedades se deu exclusivamente pela conjuntura econômica do país, em 
especial pelo Plano Collor. Em outras palavras, não se constatou responsabilidade dos diretores pela falência. 
Diante disso, Frederico e Sergio pediram para que seus nomes não mais constassem nos registros como 
sendo equiparados à falido. 
O pedido deve ser deferido. 
Nas sociedades empresárias vigora a responsabilidade subsidiária, não podendo a personalidade civil da 
pessoa física do sócio ser confundida com a personalidade jurídica da pessoa jurídica sob pena de se 
estabelecer confusão patrimonial acerca das obrigações contraídas, em especial daquelas oriundas do 
procedimento falimentar. 
A responsabilidade solidária e a extensão dos efeitos da falência ao sócio diretor de sociedade anônima 
somente é admitida mediante declaração em sentença prévia proferida em processo autônomo que se tenha 
assegurado o contraditório e a ampla defesa reconhecendo a prática de atos que resultem na quebra da 
pessoa jurídica.A exigência de registro da sentença que reconheceu a falência de sociedade empresária não 
implica, sem a prévia constatação de responsabilidade pelos atos de quebra, na determinação de anotação 
dos nomes dos sócios diretores, administradores e responsáveis no cartório extrajudicial competente.STJ. 4ª 
Turma. REsp 1.833.445-RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 20/6/2023 (Info 780). 
A remuneração do administrador judicial é crédito extraconcursal, não se submetendo aos efeitos do plano 
de recuperação judicial. REsp 1.905.591-MT, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por 
unanimidade, julgado em 7/2/2023, DJe 13/2/2023. (Info 764 - STJ) 
Verificada a novação da obrigação, em virtude da homologação de plano de recuperação judicial de 
consorciada, quando ausente disposição estabelecendo solidariedade da partes no contrato de constituição 
do consórcio, a ação de cobrança de quantia líquida ajuizada apenas contra o consórcio extingue-se na 
medida da responsabilidade da recuperanda/consorciada. REsp 1.804.804-MS, Rel. Ministro Antonio Carlos 
Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7/3/2023.(Info 767 - STJ) 
A exigibilidade do protesto da duplicata mercantil para a instrução do processo de falência (i) não exige a 
realização do protesto especial para fins falimentares, bastando qualquer das modalidades de protesto 
previstas na legislação de regência; (ii) torna-se suficiente a triplicata protestada ou o protesto por 
indicações, desde que acompanhada da prova da entrega da mercadoria, por cuidar-se de título causal; e (iii) 
é possível realizar diretamente o protesto por falta de pagamento ou o protesto especial para fins 
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falimentares. REsp 2.028.234-SC, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, 
julgado em 7/3/2023.(Info 767 - STJ) 
O Banco Central do Brasil responde objetivamente pelos danos que os liquidantes, no exercício dessemunus 
público, causem à massa falida, em decorrência da indevida utilização de valores pagos pelos consorciados 
para custear despesas concernentes ao procedimento liquidatório de empresa de consórcio. REsp 1.569.427-
SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 14/3/2023. (Info 768 - STJ) 
Havendo manifestação do Juízo da recuperação judicial no sentido de que determinado crédito não integra o 
patrimônio da recuperanda ou não está submetido aos efeitos da recuperação judicial, cabe ao Juízo a que 
vinculada a conta judicial em que depositado este crédito ultimar os atos de pagamento.CC 185.966-AM, Rel. 
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 14/12/2022, DJe 
19/12/2022. (Info 762- STJ) 
É possível a convolação da recuperação judicial em falência após o transcurso do prazo bienal de supervisão 
judicial, enquanto não houver decisão judicial de encerramento da recuperação. REsp 1.707.468-RS, Rel. 
Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25/10/2022, DJe 8/11/2022. 
(Info 762 - STJ) 
Não é possível convolar a recuperação judicial em falência com base em confissão da empresa recuperanda 
de impossibilidade de continuar adimplindo o plano aprovado e homologado, sem que efetivamente tenha 
ocorrido o descumprimento deste. REsp 1.707.468-RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, 
por unanimidade, julgado em 25/10/2022, DJe 8/11/2022. (Info 762 - STJ) 
Não cabe a fixação de honorários sucumbenciais em favor do administrador judicial em recuperação judicial 
ou falência. REsp 1.917.159-RS, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 
18/10/2022, DJe 20/10/2022. (Info Ed. Esp. 9- STJ) 
O Juízo da Recuperação Judicial não pode anular ou simplesmente desconsiderar ou suspender os atos de 
constrição determinados pelo Juízo da Execução Fiscal, porque o novo regramento da questão exige dele 
postura proativa,cooperativa, que também contemple os interesses da Fazenda Pública, somente se opondo 
aos atos constritivos de forma fundamentada e razoável.CC 187.255-GO, Rel. Ministro Raul Araújo, Segunda 
Seção, por unanimidade, julgado em 14/12/2022, DJe 20/12/2022. (Info 762 - STJ) 
A homologação do plano de recuperação judicial não impede a rediscussão do débito, em ação revisional de 
contrato, relativa à mesma dívida, já habilitada e homologada, e a respeito do qual não houve impugnação. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1700606-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 07/06/2022 (Info 740). 
O STJ firmou o entendimento no sentido de ser inaplicável a forma de contagem em dias úteis prevista no 
CPC/2015 para o âmbito da Lei nº 11.101/2005. Esse entendimento foi positivado com a Lei nº 14.112/2020, 
que alterou o art. 189 da Lei nº 11.101/2005, deixando expresso que “todos os prazos nela previstos ou que 
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dela decorram serão contados em dias corridos". STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1830738-RS, Rel. Min. Antonio 
Carlos Ferreira, julgado em 24/05/2022 (Info 739). 
As sociedades de propósito específico que atuam na atividade de incorporação imobiliária e administram 
patrimônio de afetação estão submetidas a regime de incomunicabilidade, criado pela Lei de Incorporações, 
incompatível com o da recuperação judicial. Os créditos oriundos dos contratos de alienação das unidades 
imobiliárias, assim como as obrigações decorrentes da atividade de construção e entrega dos referidos 
imóveis são insuscetíveis de novação. Ademais, o patrimônio de afetação não pode ser contaminado pelas 
outras relações jurídicas estabelecidas pelas sociedades do grupo. As sociedades de propósito específico que 
atuam na atividade de incorporação imobiliária e que não administram patrimônio de afetação podem se 
valer dos benefícios da recuperação judicial, desde que não utilizem a consolidação substancial como forma 
de soerguimento e a incorporadora não tenha sido destituída pelos adquirentes na forma do art. 43, VI, da 
Lei nº 4.591/64. STJ. 3ª Turma. REsp 1975067-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 17/05/2022 
(Info 737). 
Não há como se sustentar que os grãos cultivados e comercializados (soja e milho) constituam bens de 
capital, considerando que não são bens utilizados no processo produtivo. Em verdade, são o produto final da 
atividade empresarial por eles desempenhada. STJ. 3ª Turma. REsp 1991989-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 03/05/2022 (Info 735). 
Para o fim de submissão aos efeitos da recuperação judicial, considera-se que a existência do crédito é 
determinada pela data em que ocorreu o seu fato gerador.STJ. 2ª Seção. REsp 1655705-SP, Rel. Min. Ricardo 
Villas Bôas Cueva, julgado em 27/04/2022 (Info 738) 
No caso, o crédito foi constituído até a data do pedido da recuperação judicial, no entanto, a incorporação da 
empresa pelo conglomerado de empresas em recuperação se deu posteriormente. Mesmo que a empresa 
não estivesse no conglomerado de empresas que tiveram o pedido de recuperação judicial deferido, deve 
prevalecer o princípio da preservação da empresa, razão pela qual o juízo universal deve ser o único a gerir 
os atos de constrição e alienação dos bens do grupo de empresas em recuperação. 
Sendo assim, o juízo universal deve exercer o controle sobre os atos constritivos sobre o patrimônio do grupo 
em recuperação judicial, adequando a essencialidade do bem à atividade empresarial, independente da data 
em que a empresa foi incorporada à outra, já em plano de recuperação judicial. Nessa esteira, mesmo que a 
incorporação tenha ocorrido após a constituição do crédito e ao pedido de recuperação judicial, deve se 
operar a força atrativa do juízo universal como forma de manter a higidez do fluxo de caixa das empresas e, 
assim, gerenciar de forma exclusiva o plano de recuperação. STJ. 3ª Turma. REsp 1972038-RS, Rel. Min. 
Nancy Andrighi, julgado em 29/03/2022 (Info 733). 
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É cabível a homologação pelo juízo do plano de recuperação judicial rejeitado pelos credores em assembleia 
(cramdown), cumpridos os requisitos legais previstos no art. 58 da Lei nº 11.101/2005.STJ. 3ª Turma. REsp 
1788216-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 22/03/2022 (Info 730). 
O crédito referente ao efetivo adiantamento do contrato de câmbio deve ser objeto de pedido de restituição 
nos autos da recuperação judicial e os respectivos encargos reclamam habilitação no quadro geral de 
credores, por estarem sujeitos ao regime especial, mostrando-se inadequada a execução direta. STJ. 3ª 
Turma. REsp 1723978-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 22/03/2022 (Info 730). 
Uma vez verificada a ocorrência de fraude e confusão patrimonial entre a falida e outras empresas, é possível 
a desconsideração das personalidades jurídicas incidentalmente no processo falimentar, independentemente 
de ação própria (anulatória ou revocatória), inclusive com o objetivo de arrecadar bens das sociedades 
empresariais envolvidas na fraude reconhecida pelas instâncias ordinárias. Precedentes. A desconsideração 
da personalidade jurídica, quando preenchidos os seus requisitos, pode ser requerida a qualquer tempo, não 
se submetendo, à míngua de previsão legal, a prazos decadenciais ou prescricionais. STJ. 3ª Turma. REsp 
1686123-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/03/2022 (Info 730). 
Quando o juiz decreta a falência, ele deverá tratar sobre diversos assuntos nesse pronunciamento. Um dos 
temas que é definido pelo juiz é o termo legal da falência. 
O termo legal de falência é o dia que se considera – por presunção – que se tenha iniciado o estado de 
insolvência do empresário devedor. O objetivo de fixar o termo legal de falência está no fato de que 
investigar se, neste período, o devedor praticou atos ilegítimos que prejudicaram seus credores. Assim, a 
finalidade é definir o período que será “investigado”. Caso o devedor tenha praticado determinadas 
condutas ilegítimas, isso será considerado ineficaz porque a lei presume que tenham sido feitas para se 
furtar ao pagamento dos credores. 
Segundo o art. 99, II, da Lei nº 11.101/2005, no caso de autofalência, inexistindo protestos contra a 
devedora, o termo legal deve ser fixado em até 90 dias antes da distribuição do pedido 
O juiz não pode ampliar esse prazo, utilizando como marco o ajuizamento de ação de despejo e cobrança 
contra o devedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1890290-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 
22/02/2022 (Info 726). 
Caso concreto: determinado supermercado queria fazer um cartão de crédito para seus clientes. Para isso, 
ele contratou uma empresa que ficou responsável por administrar esse serviço. Quando o cliente pagasse a 
fatura do cartão, os valores iam para a conta da empresa que conferia tudo e depois repassava ao 
supermercado. Algum tempo depois, a empresa ingressou com pedido de recuperação judicial. Os clientes 
quitaram a fatura do cartão de crédito, mas a empresa não repassou ao supermercado. Esses valores, que 
ainda estão na conta bancária da empresa, podem ser entregues ao supermercado, não estando sujeitos à 
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recuperação judicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1736887/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 
13/04/2021 (Info 692). 
Para o fim de submissão aos efeitos da recuperação judicial, considera-se que a existência do crédito é 
determinada pela data em que ocorreu o seu fato gerador. Ex: em janeiro/2017, Lucas consumiu leite 
estragado comprado no Supermercado BR. Em fevereiro/2017, ajuizou ação de indenização contra o 
Supermercado. Em setembro/2017, o supermercado ingressou com pedido de recuperação judicial. Em 
outubro/2017, o juiz julgou o pedido de Lucas procedente e condenou a empresa a pagar R$ 50 mil.Houve o 
trânsito em julgado. Diante disso, Lucas ingressou com pedido de habilitação de seu crédito na recuperação 
judicial. Esse crédito poderá ser habilitado na recuperação (art. 49 da Lei nº 11.101/2005) porque foi 
constituído na data do acidente de consumo (janeiro/2017) e não na data da sentença, que apenas declarou 
uma obrigação já existente. STJ. 2ª Seção. REsp 1842911-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 
09/12/2020 (Recurso Repetitivo – Tema 1051) (Info 684). 
As astreintes, fixadas no âmbito de uma reclamação trabalhista (concebidas como sanção pecuniária de 
natureza processual), não possuem origem, nem sequer indireta, no desempenho da atividade laboral do 
trabalhador. A interpretação demasiadamente alargada à noção de “crédito trabalhista”, a pretexto de 
beneficiar determinado trabalhador, promove, em última análise, indesejado desequilíbrio no processo 
concursal de credores, sobretudo na classe dos trabalhistas, em manifesta violação ao princípio da par 
conditio creditorum. STJ. 3ª Turma. REsp 1804563-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 
25/08/2020 (Info 679). 
Na recuperação judicial, os créditos decorrentes de condenação por danos morais imposta à recuperanda na 
Justiça do Trabalho são classificados como trabalhistas. Ex: João ingressou com ação de indenização por 
danos morais contra a empresa em que trabalhou pelo fato de ter sofrido intoxicação alimentar em 
decorrência da ingestão de alimentos contaminados no refeitório. A empresa foi condenada e, logo em 
seguida, ingressou com pedido de recuperação judicial. Esse crédito será habilitado na recuperação como 
crédito trabalhista (art. 41, I, da LFRE). STJ. 3ª Turma. REsp 1869964-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
16/06/2020 (Info 676). 
De acordo com o art. 49, caput, da Lei nº 11.101/2005, não se submetem aos efeitos do processo de 
soerguimento do devedor aqueles credores cujas obrigações foram constituídas após a data em que o 
devedor ingressou com o pedido de recuperação judicial. O crédito passível de ser perseguido pelo fiador em 
face do afiançado somente se constitui a partir do adimplemento da obrigação principal pelo garante. Antes 
disso, não existe dever jurídico de caráter patrimonial em favor deste. STJ. 3ª Turma. REsp 1860368-SP, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 
Os créditos decorrentes da prestação de serviços contábeis e afins, mesmo que titularizados por sociedade 
simples, são equiparados aos créditos trabalhistas para efeitos de sujeição ao processo de recuperação 
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judicial. O tratamento dispensado aos honorários devidos a profissionais liberais - no que se refere à sujeição 
ao plano de recuperação judicial - deve ser o mesmo conferido aos créditos de origem trabalhista, em 
virtude de ambos ostentarem natureza alimentar. Esse entendimento não é obstado pelo fato de o titular do 
crédito ser uma sociedade de contadores, considerando que, mesmo nessa hipótese, a natureza alimentar da 
verba não é modificada. STJ. 3ª Turma. REsp 1851770-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/02/2020 
(Info 665). 
Os créditos constituídos depois de ter o devedor ingressado com o pedido de recuperação judicial estão 
excluídos do plano e de seus efeitos (art. 49, caput, da Lei nº 11.101/2005). A sentença (ou o ato jurisdicional 
equivalente, na competência originária dos tribunais) é o ato processual por meio do qual nasce o direito à 
percepção dos honorários advocatícios sucumbenciais. Se a sentença que arbitrou os honorários 
sucumbenciais se deu posteriormente ao pedido de recuperação judicial, o crédito que dali emana, 
necessariamente, nascerá com natureza extraconcursal, já que, nos termos do art. 49, caput da Lei nº 
11.101/05, sujeitam-se ao plano de soerguimento os créditos existentes na data do pedido de recuperação 
judicial, ainda que não vencidos, e não os posteriores. Por outro lado, se a sentença que arbitrou os 
honorários advocatícios for anterior ao pedido recuperacional, o crédito dali decorrente deverá ser tido 
como concursal, devendo ser habilitado e pago nos termos do plano de recuperação judicial. STJ. 2ª Seção. 
REsp 1841960-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 12/02/2020 (Info 
669). 
Compete ao juízo da recuperação judicial a execução de créditos líquidos apurados em outros órgãos 
judiciais, inclusive a destinação dos depósitos recursais no âmbito do processo do trabalho. STJ. 2ª Seção. CC 
162769- SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 24/06/2020 (Info 675). 
A alienação de unidades produtivas isoladas prevista em plano de recuperação judicial aprovado deve, em 
regra, se dar na forma de alienação por hasta pública, conforme o disposto nos arts. 60 e 142 da Lei nº 
11.101/2005. A adoção de outras modalidades de alienação, na forma do art. 145 da Lei nº 11.101/2005, só 
pode ser admitida em situações excepcionais, que devem estar explicitamente justificadas na proposta 
apresentada aos credores. Nessas hipóteses, as condições do negócio devem estar minuciosamente descritas 
no plano de recuperação judicial que deve ter votação destacada deste ponto, ser aprovado por maioria 
substancial dos credores e homologado pelo juiz. Em suma: a alienação de unidades produtivas isoladas 
prevista em plano de recuperação judicial aprovado somente poderá adotar outras modalidades de 
alienação em situações excepcionais, que devem estar explicitamente justificadas na proposta apresentadas 
aos credores. STJ. 3ª Turma. REsp 1689187-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/05/2020 
(Info 671). 
Reforma da Lei de Falências A Lei nº 14.112/2020 inseriu o art. 60-A na Lei nº 11.101/2005 com a seguinte 
redação: Art. 60-A. A unidade produtiva isolada de que trata o art. 60 desta Lei poderá abranger bens, 
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direitos ou ativos de qualquer natureza, tangíveis ou intangíveis, isolados ou em conjunto, incluídas 
participações dos sócios. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não afasta a incidência do inciso 
VI do caput e do § 2º do art. 73 desta Lei. Além disso, a Lei nº 14.112/2020 promoveu alterações nos arts. 
142 e 145. 
Ao produtor rural que exerça sua atividade de forma empresarial há mais de dois anos, é facultado requerer 
a recuperação judicial, desde que esteja inscrito na Junta Comercial no momento em que formalizar o pedido 
recuperacional, independentemente do tempo de seu registro. STJ. 2ª Seção. REsp 1905573-MT, Rel. Min. 
Luis Felipe Salomão, julgado em 22/06/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1145) (Info 743). 
A realidade econômica do País revela que as sociedades empresárias em crise usualmente possuem débitos 
fiscais em aberto, podendo-se afirmar que as obrigações dessa natureza são as que em primeiro lugar 
deixam de ser adimplidas, sobretudo quando se considera a elevada carga tributária e a complexidade do 
sistema atual. Diante desse contexto, a apresentação de certidões negativa de débitos tributários pelo 
devedor que busca, no Judiciário, o soerguimento de sua empresa representa exigência de difícil 
cumprimento. Dada a existência de aparente antinomia entre a norma do art. 57 da LFRE e o princípio 
insculpido em seu art. 47 (preservação da empresa), a exigência de comprovação da regularidade fiscal do 
devedor para concessão da recuperação judicial mostra-se contrária ao princípio da proporcionalidade. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1864625-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/06/2020 (Info 674). Obs.: o Min. 
Luiz Fux, em decisão monocrática, deferiu medida liminar para suspender os efeitos dessa decisão do STJ, 
exigindo novamente a Certidão de Regularidade Fiscal da empresa devedora nos termos dos arts. 57 da Lei 
nº 11.101/2005 e 191-A do CTN. Segundo argumentou o Ministro, a 3ª Turma do STJ, ao afastar a aplicação 
do art. 57, daLei nº 11.101/2005 e do art. 191-A, do CTN, com fundamento no princípio da 
proporcionalidade, realizou verdadeiro controle difuso de constitucionalidade, atividade que somente 
poderia ser feita pela Corte Especial do STJ, conforme exige o art. 97 da CF/88 (cláusula de reserva de 
plenário): Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo 
órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder 
Público. STF. Decisão monocrática. Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 08/09/2020. 
As sociedades limitadas de grande porte não são obrigadas a seguir as regras da Lei 6.404/76 sobre 
publicação das demonstrações financeiras. O art. 3º da Lei nº 11.638/2007 estabeleceu que todas as 
sociedades empresárias de grande porte, mesmo que não sejam constituídas sobre a forma de sociedade 
anônima, teriam que cumprir as regras que a Lei nº 6.404/76 prevê a respeito da escrituração e elaboração 
de demonstrações financeiras. O art. 3º da Lei nº 11.638/2007 não fez menção explícita sobre a publicação 
das demonstrações financeiras. É possível concluir que houve um silêncio intencional do legislador em 
afastar a obrigatoriedade das empresas de grande porte de publicarem suas demonstrações contábeis. Logo, 
por falta de disposição legal, não há como obrigar as sociedades limitadas de grande porte a publicarem seus 
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resultados financeiros. STJ. 3ª Turma. REsp 1824891-RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 21/3/2023 (Info 
769). 
 
Bons estudos! 
Até a próxima!Ciclos Método 
 
14 
 
II - serviços financeiros, operações com bens imóveis, planos de assistência à saúde e concursos de 
prognósticos, podendo prever: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
a) alterações nas alíquotas, nas regras de creditamento e na base de cálculo, admitida, em relação aos 
adquirentes dos bens e serviços de que trata este inciso, a não aplicação do disposto no § 1º, VIII; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
b) hipóteses em que o imposto incidirá sobre a receita ou o faturamento, com alíquota uniforme em todo o 
território nacional, admitida a não aplicação do disposto no § 1º, V a VII, e, em relação aos adquirentes dos 
bens e serviços de que trata este inciso, também do disposto no § 1º, VIII; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
III - sociedades cooperativas, que será optativo, com vistas a assegurar sua competitividade, observados os 
princípios da livre concorrência e da isonomia tributária, definindo, inclusive: (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
a) as hipóteses em que o imposto não incidirá sobre as operações realizadas entre a sociedade cooperativa e 
seus associados, entre estes e aquela e pelas sociedades cooperativas entre si quando associadas para a 
consecução dos objetivos sociais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
b) o regime de aproveitamento do crédito das etapas anteriores; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
132, de 2023) 
IV - serviços de hotelaria, parques de diversão e parques temáticos, agências de viagens e de turismo, bares e 
restaurantes, atividade esportiva desenvolvida por Sociedade Anônima do Futebol e aviação regional, 
podendo prever hipóteses de alterações nas alíquotas, nas bases de cálculo e nas regras de creditamento, 
admitida a não aplicação do disposto no § 1º, V a VIII; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 
2023) 
V - operações alcançadas por tratado ou convenção internacional, inclusive referentes a missões 
diplomáticas, repartições consulares, representações de organismos internacionais e respectivos funcionários 
acreditados; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
VI - serviços de transporte coletivo de passageiros rodoviário intermunicipal e interestadual, ferroviário e 
hidroviário, podendo prever hipóteses de alterações nas alíquotas e nas regras de creditamento, admitida a 
não aplicação do disposto no § 1º, V a VIII. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 7º A isenção e a imunidade: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
I - não implicarão crédito para compensação com o montante devido nas operações seguintes; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
II - acarretarão a anulação do crédito relativo às operações anteriores, salvo, na hipótese da imunidade, 
inclusive em relação ao inciso XI do § 1º, quando determinado em contrário em lei complementar. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
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Ciclos Método 
 
15 
 
§ 8º Para fins do disposto neste artigo, a lei complementar de que trata o caput poderá estabelecer o 
conceito de operações com serviços, seu conteúdo e alcance, admitida essa definição para qualquer operação 
que não seja classificada como operação com bens materiais ou imateriais, inclusive direitos. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 9º Qualquer alteração na legislação federal que reduza ou eleve a arrecadação do imposto: (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
I - deverá ser compensada pela elevação ou redução, pelo Senado Federal, das alíquotas de referência de que 
trata o § 1º, XII, de modo a preservar a arrecadação das esferas federativas, nos termos de lei 
complementar; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
II - somente entrará em vigor com o início da produção de efeitos do ajuste das alíquotas de referência de que 
trata o inciso I deste parágrafo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 10. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão optar por vincular suas alíquotas à alíquota de 
referência de que trata o § 1º, XII. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 11. Projeto de lei complementar em tramitação no Congresso Nacional que reduza ou aumente a 
arrecadação do imposto somente será apreciado se acompanhado de estimativa de impacto no valor das 
alíquotas de referência de que trata o § 1º, XII. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 12. A devolução de que trata o § 5º, VIII, não será considerada nas bases de cálculo de que tratam os arts. 
29-A, 198, § 2º, 204, parágrafo único, 212, 212-A, II, e 216, § 6º, não se aplicando a ela, ainda, o disposto no 
art. 158, IV, "b". (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 13. A devolução de que trata o § 5º, VIII, será obrigatória nas operações de fornecimento de energia elétrica 
e de gás liquefeito de petróleo ao consumidor de baixa renda, podendo a lei complementar determinar que 
seja calculada e concedida no momento da cobrança da operação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
132, de 2023) 
(...) 
 
DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA 
 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim 
assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: 
I - soberania nacional; 
II - propriedade privada; 
III - função social da propriedade; 
IV - livre concorrência; 
V - defesa do consumidor; 
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Ciclos Método 
 
16 
 
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos 
produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
VII - redução das desigualdades regionais e sociais; 
VIII - busca do pleno emprego; 
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que 
tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) 
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente 
de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) 
(...) 
 
DA POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA REFORMA AGRÁRIA 
 
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que 
não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, 
com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de 
sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. 
§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro. 
§ 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União 
a propor a ação de desapropriação. 
§ 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o 
processo judicial de desapropriação. 
§ 4º O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de 
recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício. 
§ 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis 
desapropriados para fins de reforma agrária. 
 
Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: 
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra; 
II - a propriedade produtiva. 
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para ocumprimento dos requisitos relativos a sua função social. 
 
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17 
 
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios 
e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: 
I - aproveitamento racional e adequado; 
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; 
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; 
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. 
 
Art. 187. A política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor 
de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de 
armazenamento e de transportes, levando em conta, especialmente: 
I - os instrumentos creditícios e fiscais; 
II - os preços compatíveis com os custos de produção e a garantia de comercialização; 
III - o incentivo à pesquisa e à tecnologia; 
IV - a assistência técnica e extensão rural; 
V - o seguro agrícola; 
VI - o cooperativismo; 
VII - a eletrificação rural e irrigação; 
VIII - a habitação para o trabalhador rural. 
§ 1º Incluem-se no planejamento agrícola as atividades agro-industriais, agropecuárias, pesqueiras e 
florestais. 
§ 2º Serão compatibilizadas as ações de política agrícola e de reforma agrária. 
 
Art. 188. A destinação de terras públicas e devolutas será compatibilizada com a política agrícola e com o 
plano nacional de reforma agrária. 
§ 1º A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a dois mil e 
quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de prévia 
aprovação do Congresso Nacional. 
§ 2º Excetuam-se do disposto no parágrafo anterior as alienações ou as concessões de terras públicas para 
fins de reforma agrária. 
 
Art. 189. Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão títulos de domínio 
ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos. 
Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a 
ambos, independentemente do estado civil, nos termos e condições previstos em lei. 
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18 
 
 
Art. 190. A lei regulará e limitará a aquisição ou o arrendamento de propriedade rural por pessoa física ou 
jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que dependerão de autorização do Congresso Nacional. 
 
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos 
ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinqüenta hectares, tornando-a 
produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
15. Parceria público-privada. 
16. Direito regulatório; regime jurídico das concessões e permissões do serviço público. 
17. Intervenção do Estado no domínio econômico e social. 
18. Restrições do Estado sobre a propriedade privada: tombamento, servidões administrativas e 
desapropriação. 
19. Bens públicos, bens fundamentais e patrimônio público (acervo, formação, afetação e direitos). 
 
UM POUCO DE DOUTRINA 
 
RESTRIÇÕES DO ESTADO SOBRE A PROPRIEDADE PRIVADA 
 
INTERVENÇÃO 
RESTRITIVA 
Limitação administrativa 
Gera restrições de caráter geral e abstrato, que 
atingirão o caráter absoluto do direito de 
propriedade (em regra, não há indenização). 
Servidão administrativa 
Instituída sobre imóvel de propriedade alheia, 
com base na lei, por entidade pública ou seus 
delegados, em favor de um serviço público ou 
de um bem afetado a fim de utilidade pública 
(em regra, não há indenização). 
Ocupação temporária 
É a forma de intervenção pela qual o poder 
público usa, transitoriamente, imóveis privados 
como meio de apoio à execução de obras e 
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19 
 
serviços públicos (caberá indenização se houver 
dano). 
Requisição administrativa 
Ato administrativo unilateral, o qual é 
autoexecutório, consistindo na utilização de 
bens e serviços particulares pela administração, 
por conta de um perigo público iminente, ou 
uma guerra (caberá indenização se houver 
dano). 
Tombamento 
Procedimento administrativo pelo qual o Poder 
Público institui restrições parciais sobre o 
direito de propriedade de bens de qualquer 
natureza, cuja conservação seja de interesse 
público, em razão de sua vinculação ao 
patrimônio cultural brasileiro (não há 
indenização). 
INTERVENÇÃO 
SUPRESSIVA 
Desapropriação 
É um procedimento administrativo e, quase 
sempre, judicial, pelo qual o Poder Público 
retira um bem ou direito do patrimônio de 
alguém de forma obrigatória e originária, 
pagando, em regra, uma indenização (em regra, 
há indenização). 
 
MODALIDADES DE DESAPROPRIAÇÃO 
 
Modalidade Previsão legal Competência Indenização 
Ordinária 
(art. 5º, XXIV, CF) 
Utilidade e necessidade 
pública 
(DL 3.365/61) 
 
Interesse social (Lei 
4.134/62) 
União, Estados, 
Municípios, Distrito 
Federal e Territórios. 
Em dinheiro 
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20 
 
Desapropriação 
Urbanística 
Sancionatória (art. 182, 
§ 4º, III, CF) 
Lei 10.257/2001 
Municípios e Distrito 
Federal 
Em títulos da dívida 
pública, resgatáveis 
em 10 anos 
Desapropriação por 
interesse social para 
fins de reforma agrária 
(art. 184, CF) 
Lei 8.629/1993 
 
LC 76/1993 
União 
Em títulos da dívida 
agrária, resgatáveis 
em 20 anos 
(benfeitorias úteis e 
necessárias em 
dinheiro) 
Desapropriação 
confiscatória 
(art. 243, CF) 
Lei 8.257/1991 União 
Não há direito à 
indenização 
 
FASES DO PROCEDIMENTO DE DESAPROPRIAÇÃO 
 
● Fase DECLARATÓRIA: indicação do bem e justificativa da desapropriação. 
● Fase EXECUTÓRIA: envolve a estimativa da indenização cabível e implicará na consolidação da 
transferência do bem ao Poder Público. 
 
DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA 
 
Também chamada de apossamento administrativo, é uma desapropriação que ocorre sem a observância às 
exigências legais. Também se fará presente quando o poder público, a pretexto de realizar um tombamento, 
acaba suprimindo o exercício do direito de propriedade, praticando uma intervenção supressiva. 
 
Segundo o DL nº 3365/41, uma vez incorporado à Fazenda Pública, o bem não pode ser objeto de 
reivindicação e qualquer direito será resolvido em perdas e danos. Enquanto não consumada a 
desapropriação indireta, o proprietário pode defender sua posse e sua propriedade. 
 
A pretensão indenizatória decorrente de desapropriação indireta prescreve em 20 anos na vigência do 
CC/1916 e em 10 anos na vigência do CC/2002, respeitada a regra de transição prevista no art. 2.028 do 
CC/2002, conforme entendimento do STJ. 
 
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BENS PÚBLICOS 
 
Para Celso Antônio Bandeira de Melo, são todos os bens pertencentes à pessoa jurídica de direito público 
ou que, embora não pertencendo a tais entes, estejam afetados à prestação de serviço público. 
 
Pessoas jurídicas de direito público: entes políticos (União, Estados, DF e Municípios), autarquias, fundações 
públicas e associações públicas. 
 
Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista: são pessoas privadas, mas se a retirada do bem 
comprometer a continuidade do serviço público, por estar diretamente ligado à prestação do serviço público, 
seguirá o regime de direito público (impenhorabilidade/não onerabilidade). 
 
BENS DE USO COMUM 
Bens do domínio público: aqueles que são destinados à utilização geral 
pelos indivíduos, que podem ser utilizados por todos em igualdadede 
condições, independentemente de consentimento individualizado por 
parte do poder público (ex.: rios, mares, praças). 
BENS DE USO ESPECIAL 
Bens do patrimônio indisponível: aqueles utilizados como 
estabelecimento de um ente público ou aqueles que estão destinados à 
execução de serviços públicos (ex.: prédio da prefeitura). 
BENS DOMINICAIS 
Bens do patrimônio administrativo disponível: aqueles que não têm 
destinação pública definida e estão desafetados (ex.: terras devolutas). 
 
REGIME JURÍDICO DOS BENS PÚBLICOS 
 
IMPRESCRITIBILIDADE 
ABSOLUTA 
Não podem ser usucapidos, nem mesmo os dominicais (a CF e o Código Civil 
vedam expressamente). 
Obs.: ocupação irregular de bem público = mera detenção (Súmula 619, STJ). 
INALIENABILIDADE 
RELATIVA OU 
CONDICIONADA 
Em situações específicas, é possível a alienação de bens públicos. Como não 
são situações tão excepcionais, alguns autores chamam de alienabilidade 
condicionada. 
Hipótese de inalienabilidade absoluta = art. 225, §5º, CF: São indisponíveis as 
terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, 
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22 
 
necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. 
NÃO-ONERABILIDADE 
Os bens públicos não podem ser objeto de penhor, hipoteca e anticrese, pois 
estes gravames têm o objetivo de garantir uma futura execução do bem. 
 
USO DE BEM PÚBLICO POR PARTICULAR: 
 
AUTORIZAÇÃO PERMISSÃO CONCESSÃO 
É ato administrativo, 
discricionário, precário, editado 
pelo Poder Público para consentir 
que determinada pessoa utilize 
privativamente um bem público. 
Há preponderância do interesse 
particular e, por se tratar de ATO, 
NÃO precisa de licitação. 
É ato administrativo, 
discricionário, precário, editado 
pelo Poder Público para consentir 
que determinada pessoa utilize 
privativamente um bem público. 
Há preponderância do interesse 
PÚBLICO e, por se tratar de ATO, 
NÃO precisa de licitação. 
Contrato administrativo através 
do qual a Administração Pública 
confere a pessoa determinada o 
uso privativo de determinado 
bem público. Por ser contrato, 
PRECISA DE LICITAÇÃO. 
 
UM POUCO DE LEI SECA 
 
#ABREALEI! 
Lei nº 11.079/04. 
Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
Parágrafo único. Esta Lei aplica-se aos órgãos da administração pública direta dos Poderes Executivo e 
Legislativo, aos fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas públicas, às sociedades 
de economia mista e às demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios. (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) 
 
Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade patrocinada ou 
administrativa. 
§ 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº 
8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários 
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. 
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23 
 
§ 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a Administração Pública seja a 
usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens. 
§ 3º Não constitui parceria público-privada a concessão comum, assim entendida a concessão de serviços 
públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando não envolver 
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. 
§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada: 
I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais); (Redação dada pela Lei 
nº 13.529, de 2017) 
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos; ou 
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e instalação de 
equipamentos ou a execução de obra pública. 
(...) 
 
Art. 5º As cláusulas dos contratos de parceria público-privada atenderão ao disposto no art. 23 da Lei nº 
8.987, de 13 de fevereiro de 1995, no que couber, devendo também prever: 
I – o prazo de vigência do contrato, compatível com a amortização dos investimentos realizados, não inferior 
a 5 (cinco), nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, incluindo eventual prorrogação; 
(...) 
 
DL nº 3.365/1941. 
 
Art. 1o A desapropriação por utilidade pública regular-se-á por esta lei, em todo o território nacional. 
 
Art. 2o Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, 
pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. 
§ 1o A desapropriação do espaço aéreo ou do subsolo só se tornará necessária, quando de sua utilização 
resultar prejuizo patrimonial do proprietário do solo. 
§ 2º Será exigida autorização legislativa para a desapropriação dos bens de domínio dos Estados, dos 
Municípios e do Distrito Federal pela União e dos bens de domínio dos Municípios pelos Estados. (Redação 
dada pela Lei nº 14.620, de 2023) 
§ 2º-A. Será dispensada a autorização legislativa a que se refere o § 2º quando a desapropriação for 
realizada mediante acordo entre os entes federativos, no qual serão fixadas as respectivas responsabilidades 
financeiras quanto ao pagamento das indenizações correspondentes. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 
2023) 
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24 
 
§ 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e 
direitos representativos do capital de instituições e emprêsas cujo funcionamento dependa de autorização do 
Govêrno Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do 
Presidente da República. (Incluído pelo Decreto-lei nº 856, de 1969) 
 
Art. 3º Poderão promover a desapropriação mediante autorização expressa constante de lei ou 
contrato: (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023) 
I - os concessionários, inclusive aqueles contratados nos termos da Lei nº 11.079, de 30 de dezembro de 
2004 (Lei de Parceria Público-Privada), permissionários, autorizatários e arrendatários; (Redação dada 
pela Lei nº 14.620, de 2023) 
II - as entidades públicas; (Redação dada pela Lei nº 14.273, de 2021) Vigência 
III - as entidades que exerçam funções delegadas do poder público; e (Redação dada pela Lei nº 14.273, de 
2021) Vigência 
IV - o contratado pelo poder público para fins de execução de obras e serviços de engenharia sob os regimes 
de empreitada por preço global, empreitada integral e contratação integrada. (Redação dada pela Lei nº 
14.620, de 2023) 
Parágrafo único. Na hipótese prevista no inciso IV do caput, o edital deverá prever 
expressamente: (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
I - o responsável por cada fase do procedimento expropriatório; (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
II - o orçamento estimado para sua realização; (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
III - a distribuição objetiva de riscos entre as partes, incluído o risco pela variação do custo das 
desapropriações em relação ao orçamento estimado. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
 
Art. 4o A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se 
destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em 
qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais as 
indispensaveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda. 
Parágrafo único. Quando a desapropriação executada pelos autorizados aque se refere o art. 3º destinar-se 
a planos de urbanização, de renovação urbana ou de parcelamento ou reparcelamento do solo previstos no 
plano diretor, o edital de licitação poderá prever que a receita decorrente da revenda ou da utilização 
imobiliária integre projeto associado por conta e risco do contratado, garantido ao poder público responsável 
pela contratação, no mínimo, o ressarcimento dos desembolsos com indenizações, quando essas ficarem sob 
sua responsabilidade. (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023) 
 
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25 
 
Art. 4º-A. Quando o imóvel a ser desapropriado caracterizar-se como núcleo urbano informal ocupado 
predominantemente por população de baixa renda, nos termos do § 2º do art. 9º da Lei nº 13.465, de 11 de 
julho de 2017, e seu regulamento, o ente expropriante deverá prever, no planejamento da ação de 
desapropriação, medidas compensatórias. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
§ 1º As medidas compensatórias a que se refere o caput incluem a realocação de famílias em outra unidade 
habitacional, a indenização de benfeitorias ou a compensação financeira suficiente para assegurar o 
restabelecimento da família em outro local, exigindo-se, para este fim, o prévio cadastramento dos 
ocupantes. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
§ 2º Poderá ser equiparada à família ou à pessoa de baixa renda aquela ocupante da área que, por sua 
situação fática específica, apresente condição de vulnerabilidade, conforme definido pelo 
expropriante. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
 
Art. 5o Consideram-se casos de utilidade pública: 
a) a segurança nacional; 
b) a defesa do Estado; 
c) o socorro público em caso de calamidade; 
d) a salubridade pública; 
e) a criação e melhoramento de centros de população, seu abastecimento regular de meios de subsistência; 
f) o aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais, das águas e da energia hidráulica; 
g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saude, clínicas, estações de clima e fontes 
medicinais; 
h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos; 
i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de planos de 
urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua melhor utilização econômica, 
higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais; (Redação dada pela Lei nº 
9.785, de 1999) 
j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo; 
k) a preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou integrados em conjuntos 
urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos 
ou característicos e, ainda, a proteção de paisagens e locais particularmente dotados pela natureza; 
l) a preservação e a conservação adequada de arquivos, documentos e outros bens moveis de valor histórico 
ou artístico; 
m) a construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios; 
n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves; 
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o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza científica, artística ou literária; 
p) os demais casos previstos por leis especiais. 
§ 1º - A construção ou ampliação de distritos industriais, de que trata a alínea i do caput deste artigo, inclui o 
loteamento das áreas necessárias à instalação de indústrias e atividades correlatas, bem como a revenda ou 
locação dos respectivos lotes a empresas previamente qualificadas (Incluído pela Lei nº 6.602, de 
1978) 
§ 2º - A efetivação da desapropriação para fins de criação ou ampliação de distritos industriais depende de 
aprovação, prévia e expressa, pelo Poder Público competente, do respectivo projeto de implantação. 
 (Incluído pela Lei nº 6.602, de 1978) 
§ 3o Ao imóvel desapropriado para implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor 
renda, não se dará outra utilização nem haverá retrocessão. (Incluído pela Lei nº 9.785, de 1999) 
§ 4º Os bens desapropriados para fins de utilidade pública e os direitos decorrentes da respectiva imissão na 
posse poderão ser alienados a terceiros, locados, cedidos, arrendados, outorgados em regimes de concessão 
de direito real de uso, de concessão comum ou de parceria público-privada e ainda transferidos como 
integralização de fundos de investimento ou sociedades de propósito específico. (Redação dada pela Lei nº 
14.273, de 2021) Vigência 
§ 5º Aplica-se o disposto no § 4º nos casos de desapropriação para fins de execução de planos de 
urbanização, de renovação urbana ou de parcelamento ou reparcelamento do solo, desde que seja 
assegurada a destinação prevista no referido plano de urbanização ou de parcelamento do solo. (Redação 
dada pela Lei nº 14.620, de 2023) 
§ 6º Comprovada a inviabilidade ou a perda objetiva de interesse público em manter a destinação do bem 
prevista no decreto expropriatório, o expropriante deverá adotar uma das seguintes medidas, nesta ordem de 
preferência: (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
I - destinar a área não utilizada para outra finalidade pública; ou (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
II - alienar o bem a qualquer interessado, na forma prevista em lei, assegurado o direito de preferência à 
pessoa física ou jurídica desapropriada. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
§ 7º No caso de desapropriação para fins de execução de planos de urbanização, de renovação urbana ou de 
parcelamento ou reparcelamento do solo, as diretrizes do plano de urbanização ou de parcelamento do solo 
deverão estar previstas no plano diretor, na legislação de uso e ocupação do solo ou em lei municipal 
específica. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023) 
(...) 
 
Lei nº 10.257/01. 
 
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Art. 1o Na execução da política urbana, de que tratam os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, será 
aplicado o previsto nesta Lei. 
Parágrafo único. Para todos os efeitos, esta Lei, denominada Estatuto da Cidade, estabelece normas de 
ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da 
segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental. 
(...) 
 
Art. 12. São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana: 
I – o possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário ou superveniente; 
II – os possuidores, em estado de composse; 
III – como substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente constituída, com 
personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos representados. 
§ 1o Na ação de usucapião especial urbana é obrigatória a intervenção do Ministério Público. 
§ 2o O autor terá os benefícios da justiça e da assistência judiciária gratuita, inclusive perante o cartório de 
registro de imóveis. 
(...) 
 
Art. 21. O proprietário urbano poderá conceder a outrem o direito de superfície do seu terreno, por tempo 
determinado ou indeterminado, mediante escritura pública registrada no cartório de registro de imóveis. 
§ 1o O direito de superfície abrange o direito de utilizar o solo, o subsolo ou o espaço aéreo relativo ao 
terreno, na forma estabelecida no contrato respectivo, atendida a legislação urbanística. 
§ 2o A concessão do direito de superfície poderá ser gratuita ou onerosa. 
§ 3o O superficiário responderá integralmente pelos encargos e tributos que incidirem sobre a propriedade 
superficiária, arcando, ainda, proporcionalmente à sua parcela de ocupação efetiva, com os encargos e 
tributos sobre a área objeto da concessão do direito de superfície, salvo disposição em contrário do contrato 
respectivo. 
§ 4o O direitode superfície pode ser transferido a terceiros, obedecidos os termos do contrato respectivo. 
§ 5o Por morte do superficiário, os seus direitos transmitem-se a seus herdeiros. 
 
Art. 22. Em caso de alienação do terreno, ou do direito de superfície, o superficiário e o proprietário, 
respectivamente, terão direito de preferência, em igualdade de condições à oferta de terceiros. 
 
Art. 23. Extingue-se o direito de superfície: 
I – pelo advento do termo; 
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II – pelo descumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo superficiário. 
 
Art. 24. Extinto o direito de superfície, o proprietário recuperará o pleno domínio do terreno, bem como das 
acessões e benfeitorias introduzidas no imóvel, independentemente de indenização, se as partes não 
houverem estipulado o contrário no respectivo contrato. 
§ 1o Antes do termo final do contrato, extinguir-se-á o direito de superfície se o superficiário der ao terreno 
destinação diversa daquela para a qual for concedida. 
§ 2o A extinção do direito de superfície será averbada no cartório de registro de imóveis. 
(...) 
 
Art. 36. Lei municipal definirá os empreendimentos e atividades privados ou públicos em área urbana que 
dependerão de elaboração de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV) para obter as licenças ou 
autorizações de construção, ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público municipal. 
 
Art. 37. O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos positivos e negativos do empreendimento ou 
atividade quanto à qualidade de vida da população residente na área e suas proximidades, incluindo a 
análise, no mínimo, das seguintes questões: 
I – adensamento populacional; 
II – equipamentos urbanos e comunitários; 
III – uso e ocupação do solo; 
IV – valorização imobiliária; 
V - mobilidade urbana, geração de tráfego e demanda por transporte público; (Redação dada pela Lei nº 
14.849, de 2024) 
VI – ventilação e iluminação; 
VII – paisagem urbana e patrimônio natural e cultural. 
Parágrafo único. Dar-se-á publicidade aos documentos integrantes do EIV, que ficarão disponíveis para 
consulta, no órgão competente do Poder Público municipal, por qualquer interessado. 
 
Art. 38. A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a aprovação de estudo prévio de impacto ambiental 
(EIA), requeridas nos termos da legislação ambiental. 
 
Art. 39. A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de 
ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos 
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quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, respeitadas as 
diretrizes previstas no art. 2o desta Lei. 
 
Art. 40. O plano diretor, aprovado por lei municipal, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e 
expansão urbana. 
§ 1o O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal, devendo o plano plurianual, 
as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas. 
§ 2o O plano diretor deverá englobar o território do Município como um todo. 
§ 3o A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada dez anos. 
§ 4o No processo de elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua implementação, os Poderes 
Legislativo e Executivo municipais garantirão: 
I – a promoção de audiências públicas e debates com a participação da população e de associações 
representativas dos vários segmentos da comunidade; 
II – a publicidade quanto aos documentos e informações produzidos; 
III – o acesso de qualquer interessado aos documentos e informações produzidos. 
§ 5o (VETADO) 
 
Art. 41. O plano diretor é obrigatório para cidades: 
I – com mais de vinte mil habitantes; 
II – integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas; 
III – onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4o do art. 182 da 
Constituição Federal; 
IV – integrantes de áreas de especial interesse turístico; 
V – inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de 
âmbito regional ou nacional. 
VI - incluídas no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de 
grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos. (Incluído pela Lei 
nº 12.608, de 2012) 
§ 1o No caso da realização de empreendimentos ou atividades enquadrados no inciso V do caput, os recursos 
técnicos e financeiros para a elaboração do plano diretor estarão inseridos entre as medidas de compensação 
adotadas. 
§ 2o No caso de cidades com mais de quinhentos mil habitantes, deverá ser elaborado um plano de transporte 
urbano integrado, compatível com o plano diretor ou nele inserido. 
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 § 3o As cidades de que trata o caput deste artigo devem elaborar plano de rotas acessíveis, compatível com 
o plano diretor no qual está inserido, que disponha sobre os passeios públicos a serem implantados ou 
reformados pelo poder público, com vistas a garantir acessibilidade da pessoa com deficiência ou com 
mobilidade reduzida a todas as rotas e vias existentes, inclusive as que concentrem os focos geradores de 
maior circulação de pedestres, como os órgãos públicos e os locais de prestação de serviços públicos e 
privados de saúde, educação, assistência social, esporte, cultura, correios e telégrafos, bancos, entre outros, 
sempre que possível de maneira integrada com os sistemas de transporte coletivo de 
passageiros. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
 
Art. 42. O plano diretor deverá conter no mínimo: 
I – a delimitação das áreas urbanas onde poderá ser aplicado o parcelamento, edificação ou utilização 
compulsórios, considerando a existência de infra-estrutura e de demanda para utilização, na forma do art. 
5o desta Lei; 
II – disposições requeridas pelos arts. 25, 28, 29, 32 e 35 desta Lei; 
III – sistema de acompanhamento e controle. 
 
Art. 42-A. Além do conteúdo previsto no art. 42, o plano diretor dos Municípios incluídos no cadastro 
nacional de municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações 
bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos deverá conter: (Incluído pela Lei nº 
12.608, de 2012) 
I - parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo, de modo a promover a diversidade de usos e a 
contribuir para a geração de emprego e renda; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
II - mapeamento contendo as áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações 
bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
 III - planejamento de ações de intervenção preventiva e realocação de população de áreas de risco de 
desastre; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
IV - medidas de drenagem urbana necessárias à prevenção e à mitigação de impactos de desastres; 
e (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) 
V - diretrizes para a regularização fundiária de assentamentos urbanos irregulares, se houver, observadas 
a Lei no 11.977, de 7 de julho de 2009, e demais normas federais e estaduais pertinentes, e previsão de áreas 
para habitação de interesse social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social e de outros 
instrumentos de política urbana, onde o uso habitacional for permitido. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 
2012) 
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VI - identificação e diretrizes para a preservação e ocupação das áreas verdes municipais, quando for o caso, 
com vistas à redução da impermeabilização

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