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Fundamentação teórica – Singer, Boff e Freire Aspectos: 1. Biografia e contexto social de produção 2. Principais conceitos/ referenciais e fundamentos teóricos 3. Como a produção deles se correlaciona com suas categorias-chave de estudo. Com isso temos o esquema do texto da fundamentação teórica, inclui assim seu estilo de escrita (gostar das contextualizações) mas também atende a objetividade do texto científico, ainda mais trabalhando a articulação dos três autores. Paulo Freire Paulo Freire, nasceu em Recife, Pernambuco no ano de 1921. Nesta cidade construiu sua formação acadêmica, graduando-se em Direito e tornando-se professor de História e Filosofia da Educação na Universidade Federal de Pernambuco. Exerceu importantes funções no Serviço Social da Industria – SESI, entre 1947 e 1958; onde teve contato com a Educação de Adultos e realizou as primeiras experiências de seu método de alfabetização. No início dos anos 1960, Recife também foi palco do princípio de seus trabalhos teórico-práticos onde atuou como primeiro diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade do Recife. Atuou politicamente nos governos de Miguel Arraes, tanto na prefeitura da cidade, quanto no governo do estado de Pernambuco; realizando experiências em busca da democratização do acesso à educação escolar, expandindo a rede de ensino e implementando a construção de novas escolas municipais e estaduais, Paulo Freire contribuiu sobremaneira para ampliar o olhar do país sobre a democratização da educação brasileira ampliando as políticas públicas para a educação de adultos privados e excluídos do sistema escolar, criando movimentos e campanhas nacionais contra o analfabetismo e incentivando a educação popular. O período entre 1960 e 1970, reflete o início de um despertar das massas e depois a mobilização de reação e resistência às ditaduras militares, e a libertação, assim representada, especialmente, pelo pensamento de Paulo Freire. A importância de Paulo Freire, ao lado de outros diferentes movimentos e campanhas contra o analfabetismo e a educação popular que existiram no Nordeste e em outros estados do Brasil no início dos anos 60, foi a de ter contribuído de maneira peculiar, para dar nova amplitude ao debate sobre o tema da democratização da educação no país, chamando a atenção para os limites das políticas educacionais públicas, se as mesmas não procurassem atingir os adultos, excluídos do sistema escolar. Trabalhava concomitantemente em suas pesquisas iniciais sobre seu método de educação de adultos. Porém, durante o tempo em que esteve em Angicos, no interior do Rio Grande do Norte; Paulo Freire, em conjunto com estudantes católicos de esquerda, “(...) realizou a experiência de aplicação de seu método de alfabetização de adultos, visando ensinar trabalhadores rurais a ler, a escrever e a se politizar em 40 horas. ” (Educação e Sociedade. P.9) Depois dessa experiência, seu método e suas ideias repercutiram socialmente e ganharam maior expressão social, repercutindo seu trabalho e o de sua equipe nacional e internacional. A conclusão de seu trabalho em Angicos foi prestigiada pelo governador do estado, Aluísio Alves, e pelo presidente João Goulart. Este último, o convidou para presidir a Comissão Nacional de Cultura Popular do MEC, em 1963.E, em seguida, assumiu a coordenação do Plano Nacional de Alfabetização de Adultos. Durante o golpe militar de 1964, foi preso e exilado. Ao longo desse tempo dedicou segmento à sua militância e produção cultural no Chile, país que o acolheu entre 1964 e 1969. Desenvolveu ações no campo da educação popular e de adultos, foi professor da Universidade de Santiago e do Instituto Latino – Americano de Estudos Sociais. Em 1969. Esteve como professor visitante na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Entre 1970 e 1980, viveu na Suíça e trabalhou como consultor especial do Conselho Mundial das Igrejas – Departamento de Educação, e ainda ocupou o cargo de professor na Universidade de Genebra. Regressou ao Brasil na década de 1980, beneficiado pela Lei da Anistia, após 16 anos de exílio. Estabeleceu-se em São Paulo com professor da PUC e da UNICAMP. Participou da fundação do Partido dos trabalhadores e foi secretário da educação da cidade de São Paulo no governo da prefeita Luiza Erundina (1989 – 1991). Nos anos 1980, houve importantes conquistas políticas. A Constituição de 1988 foi uma delas, agregando reinvindicações dos movimentos sociais em diversas áreas. Nesse momento, exclusão social e a inclusão social passam a ser enxergadas como uma possibilidade de espaço para a luta pela construção de uma nova liderança– deixam de ser vistas como uma questão meramente individual, mas assumem um caráter coletivo como possibilidade de ocupar espaços na luta pela construção de uma nova liderança. Camargo afirma que a importância do pensamento pedagógico de Freire é mola mestra para o aprofundamento do estudo da construção de novas liberdades humanas, voltando-se para os de baixo, solidarizando-se com os oprimidos. O “pensar freiriano” permite possibilidades filosóficas, sociais, político-ideológicas abertas tanto em sua lógica interna como em sua situação sócio histórica de formulação de pensamento. É um verificar constante de posições teóricas anteriores, contradições e ratificações levando ao aperfeiçoamento da teoria e da prática, da reflexão e do questionamento entre a relação saber x poder, do tema das dominações, da educação como ferramenta de controle social, mas também como mecanismo de libertação; “(...) a educação brasileira e o autoritarismo, a educação e a política, a educação para a participação e a cidadania, a alfabetização como conscientização, a não-neutralidade do ato de educar, sua opção pelos oprimidos.” (Camargo, Educ. Soc. P.11) Streck afirma: “Em Freire o reconhecimento da diferença como riqueza da humanidade é combinado com o que ele chama de ética universal do ser humano. A identificação do que seja a dignidade tem a ver com o contexto específico, mas também com uma compreensão de pertencimento a uma mesma espécie planetária. As condições de diferenciação entre os ricos pelo rótulo do vinho e outras sofisticações têm a ver com a indignidade da fome em países do Terceiro Mundo. A partir daí também se dá o inescapável encontro do ético com o político. É, no entanto, uma sinalização de que a conquista de espaços e de poder, em si, não é condição suficiente para a transformação da sociedade. ” Paulo Freire e sua forma de lidar com questões sócio históricas conceituais como exclusão e inclusão é muito inspiradora. No decorrer de sua obra, houve arredamentos investigativos relacionados às mudanças sociais e as leituras dessas sociedades. Acontecia o desenvolvimento da Educação como ferramenta de acesso ao exercício da liberdade entre sujeito e objeto, consciência ingênua à consciência crítica, mobilização das causas populares. Em sua obra, Pedagogia do oprimido, Freire coloca como epicentro o entendimento do conflito entre oprimidos e opressores, em um corte com a continuidade do trânsito social. Já na Pedagogia da esperança, a representação social indica mudança no olhar dos tempos, leituras e pedagogias. As práticas educativas estão sempre em busca de referenciais que superem os novos desafios da modernidade em busca de um ser humano e de uma sociedade que exerça com consciência crítica sua liberdade ressignificando os contexto sócio histórico e políticos apresentados. Referências: CAMARGO, Elizabete S.P. Editorial. Educ. Soc., Campinas. v. 18, n. 60, p. 07-11, Dec. 1997. STRECK, Danilo Romeu. Da pedagogia do oprimido às pedagogias da exclusão: um breve balanço crítico. Educ. Soc., Campinas, v. 30, n. 107, p. 539-560, ago. 2009. Leonardo Boff Por Dilva Frazão Leonardo Boff, nasceu em 1938 em Santa Catarina. Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1959 e foi ordenado sacerdote em 1964. Graduou-se em Teologia no Instituto dos Franciscanos de Petrópolis no Rio de Janeiro, onde trabalhou por 22 anos. Concluiu doutorado em Filosofia e Religião pelaUniversidade de Munique na Alemanha em 1970. Foi professor da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Lecionando as disciplinas de Ética, Filosofia e Religião; executando conferências em vários países, na área de Teologia, filosofia, ética, espiritualidade e ecologia. Escritor e professor, é um dos maiores representantes da Teologia da Libertação, corrente progressista da Igreja Católica. É conhecido internacionalmente pelo seu trabalho pela defesa dos direitos dos pobres e excluídos Em 1982, Leonardo Boff publicou o livro “Igreja: Carisma e Poder”, onde explica os princípios da Teologia da Libertação na própria Igreja, procurando mostrar que a libertação não vale só para a sociedade, mas também para a Igreja e suas relações internas. Que é papel da Igreja pregar a libertação na sociedade e se comprometer com os oprimidos para que eles se organizem e busquem sua libertação. Sustenta a tese de que a Igreja Católica Romana pode e deve mudar. Suas ideias lhe renderam um processo junto a Congregação para a doutrina da fé, dirigida por Joseph Ratzinger, depois Papa Bento XVI que concluía que as opções de Leonardo Boff, então Frei; eram perigosas para doutrina da fé. Em 1985, como castigo, foi condenado pelo Vaticano a um ano de silêncio, perdendo seu cargo de professor e suas funções de editor na revista Vozes e na Revista Eclesiástica Brasileira. Em 1986, recuperou algumas funções, mas sempre embaixo de ampla vigilância. Em 1992, desligou-se das funções religiosas na ordem franciscana, porém como essa dispensa não lhe foi concedida, uniu-se a educadora popular e militante dos direitos humanos Marcia Monteiro da Silva Miranda. Divorciada e mãe de seis filhos. fez parte da comissão da redação da Carta da Terra, uma declaração dos princípios éticos fundamentais para a construção do século XXI. Sofreu nova condenação e renunciou às atividades religiosas. Casou-se com uma teóloga militante, porém, não abandonou sua religião. É autor de vários livros, entre eles, "O Evangelho do Cristo Cósmico" (1971), "O Destino do Homem e do Mundo" (1974), "O Caminhar da Igreja Com os Oprimidos" (1980), "Ecologia-Grito de Guerra, Grito dos Pobres" (1995) pelo qual recebeu o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda como o melhor ensaio social daquele ano e em 1997, nos Estados Unidos, foi considerado um dos três livros, publicados naquele ano, que mais favorecia o diálogo entre ciência e religião. Sua reflexão teológica abrange os campos da Ética, Ecologia e da Espiritualidade, além de assessorar as Comunidades Eclesiais de Base(CEBs) e movimentos sociais como o MST. Trabalha também no campo do ecumenismo. Sua reflexão teológica nasceu da necessidade de dar resposta a perguntas como: 1. Como anunciar a morte e ressurreição de Jesus a indígenas que estão sendo exterminados? 2. Como anunciar a Boa Nova da Salvação às populações exploradas? Por isso, empregou o método da "dupla mediação", típico dos teólogos da libertação, pois recorre às ciências humanas e sociais para uma melhor compreensão da realidade, descobrir os mecanismos de opressão que ameaçam a vida dos pobres e para libertar a teologia de sua falsa neutralidade social, de sua suposta neutralidade política e de sua aparente indiferença ética, e também utiliza a hermenêutica para o estudo e interpretação dos textos fundadores do cristianismo, procurando analisar o contexto e o conteúdo desses textos, descobrir o seu significado original e investigar seu significado atual a luz dos novos desafios.[10] A metodologia empregada por Boff não tem como ponto de partida a revelação, nem dogmas, mas a realidade social. Por isso, o primeiro passo é a análise crítica da realidade: que ele chama de "leitura sócio-analítica estrutural", trata-se de uma leitura crítica e dialética, que pretende desmascarar os mecanismos de opressão, propor alternativas de transformação e traduzir de modo mais adequado as exigências libertadoras da fé. O segundo passo é a mediação hermenêuticaou leitura teológica da realidade a partir da prática libertadora que se move na perspectiva da libertação dos pobres e oprimidos, e, portanto, busca descobrir as esperanças e as aspirações histórica-salvíficas e também os obstáculos para a realização do Reino de Deus na história humana, além disso, é feita uma leitura crítico-libertadora da tradição cristã, reconhecendo a dimensão objetiva desse movimentos de libertação que trabalha para a transformação integral. O terceiro momento é a mediação prática. Sua teologia pretende ser militante, comprometida e libertadora, ressalvando que a prática da teologia da libertação não se reduz ao puro ativismo externo, que não busca mudar as pessoas. O objetivo final desta metodologia é a salvação na forma de libertação integral. Os conceitos de salvação e libertação empregados por Boff não são reducionistas. A salvação anunciada pelo cristianismo é, para Boff, um conceito totalizador que não se limita às libertações econômicas, sociais e ideológicas, porém, tal salvação está ligada à luta por essas libertações. A salvação definitiva e escatológica se antecipa por meio das libertações parciais intrahistóricas em todos os níveis da realidade e está aberta à plenitude que somente se pode alcançar no Reino de Deus.[10] Leonardo Boff recebeu diversos títulos, entre eles, Dr. Honoris causa em política pela Universidade de Turim, Dr. Honoris causa em Teologia pela Universidade de Lund, Suécia e Dr. Honoris causa em Teologia, ecumenismo, direitos humanos, ecologia e entendimento entre os povos, pelas Faculdades EST de São Leopoldo e Dr. Honoris causa pela Cátedra del Água da Universidade de Rosário, na Argentina. Recebeu o título de Professor Honorário pela Universidade de São Carlos, na Guatemala e pela Universidade de Cuenca, no Equador. Referências: