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Versão Condensada DIREITO ADMINISTRATIVO Improbidade Administrativa 2 A L F A C O N Sumário Improbidade Administrativa ������������������������������������������������������������������������������������������3 1� Disposições constitucionais ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 3 2� Disposições gerais �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 4 3� Sujeito Passivo do Ato de Improbidade ������������������������������������������������������������������������������������������������������������������ 4 4� Sujeito Ativo do Ato de Improbidade ���������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 5 4.1 Agentes políticos e a lei de improbidade .........................................................................................................................7 5� Sucessores de um agente ímprobo ������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������ 7 Improbidade Administrativa 3 A L F A C O N Improbidade Administrativa 1. Disposições constitucionais Estudaremos a partir de agora o assunto “improbidade administrativa” o que está descrito na lei 8.429/92, e que passou por uma série de transformações advindas da lei 14.230/21. A Constituição Federal de 1988 levou tão a sério a moralidade administrativa na conduta de seus agentes que impôs algumas penalidades a quem agir contra a mesma e isso está positivado no art. 37 §4º da nossa carta magna. Como é um assunto muito abordado em provas, vamos memorizar: CRFB/88 art. 37 §4º método mnemônico (Paris) • Os atos de improbidade administrativa importarão na: ͫ P erda da função pública; ͫ A ção penal cabível; ͫ R essarcimento ao erário; ͫ I ndisponibilidade dos bens ͫ S uspensão dos direitos políticos; OBS! Quero fazer duas observações: A primeira é de que qualquer questão de prova que disser que os atos de improbidade importarão na cassação de direito políticos, você meu amigo e minha amiga irá marca como errada, pois a constituição proíbe tal medida: CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos... A segunda é a observância em relação a troca de afirmação que as bancas adoram fazer quanto a suspensão dos direitos políticos e perda da função pública. É muito comum as provas de concurso público inverterem os termos, por exemplo, afirmarem que é possível a pena de perda dos direitos políticos e suspensão da função pública� ATENÇÃO PARA O CORRETO QUE É: • SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS; • PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA� Após termos analisado a base constitucional da improbidade, vale a pena ressaltar que o que o referido artigo se trata de uma norma de eficácia limitada cabendo então a lei estipular quais atos seriam esses, em 1992 tivemos a edição da lei 8.429 e a sua aplicabilidade não é federal e sim nacional, ou seja, tem aplicabilidade na União, nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios. Improbidade Administrativa 4 A L F A C O N 2. Disposições gerais A lei de improbidade administrativa surge em um contexto no qual havia a necessidade de combate à atos que aten- tassem contra a probidade, honestidade e boa-fé em relação à Administração Pública. O art. 1º da lei traz a ideia da busca pela tutela da integridade do patrimônio público e social: Art� 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do patrimônio público e social, nos termos desta Lei. Uma das grandes mudanças trazidas pela lei 14.230/21 é a tipificação dos atos de improbidade em sua modalidade dolosa, apenas! Ou seja, não pode o agente que tenha praticado um ato de improbidade ser responsabilizado por culpa. O legislador foi muito enfático, neste aspecto. Por várias vezes, deixa claro na literalidade da lei de improbidade a necessidade da comprovação do dolo pelo agente. Art� 1º (...) § 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. § 2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente. Alguns doutrinadores entendem que para a caracterização do ato de improbidade, também se faz necessário o dolo específico, nos termos do art. 1º, §3º da lei: § 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. Muito embora o elemento subjetivo (dolo) apareça várias vezes no texto legal, indicando sua necessidade para a carac- terização do ato ímprobo, vale destacar que a lei 8.429/92 não possui natureza criminal! Para dirimir quaisquer dúvidas a esse respeito, a lei 14.230/21 tratou, entre outros pontos, sobre a natureza da lei. Assim, sedimentando entendimento doutrinário e jurisprudencial, passou a constar no texto legal a aplicação de princípios constitucionais do direito administrativo sancionador (§4º ) 3. Sujeito Passivo do Ato de Improbidade § 5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a inte- gridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. § 6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais, previstos no § 5º deste artigo. § 7º Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de impro- bidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Improbidade Administrativa 5 A L F A C O N O primeiro artigo e seus parágrafos 5º, 6º e 7º nos dizem quem são as pessoas que podem SOFRER os atos de impro- bidade, portanto esquematizei abaixo para que você não perca nenhuma questão sobre o assunto, cuidado pois aqui estão sujeitos passivos dos atos de improbidade. • ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA; (MUNICÍPIO, UNIÃO, DISTRITO FEDERAL, ESTADO) • ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA; (FUNDAÇÃO PÚBLICA, AUTARQUIA, SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA, EMPRESA PÚBLICA) • ENTIDADE PRIVADA que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais • O PATRIMÔNIO DE ENTIDADE o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. 4. Sujeito Ativo do Ato de Improbidade Sujeito ativo é a agente público que pratica o ato de improbidade administrativa e, para efeitos desta lei, será conside- rado como agente público o agente político, o servidor público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º da lei 8.429/92 Exemplos: Um auditor fiscal, um policial rodoviário federal, o empregado público, o mesário o jurado, até mesmo um estagiário vinculado as pessoas jurídicas citadas o tópico anterior,ou seja, agente público aqui deve ser enxergado no seu sentido amplo. jurisprudência do STJ Administrativo. Processual civil. Agravo interno no recurso especial. Improbidade administrativa. Inteligência do art. 2.º da Lei n.º 8.429/92. ESTAGIÁRIA da Caixa Econômica Federal. Enquadramento no conceito de agente público. Legitimidade para figurar no polo passivo da subjacente ação civil pública. Agravo desprovido. 1. O art. 2.º da Lei n.º 8.429/92 dispõe: “Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior” (entidades essas integrantes da “administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja contribuído ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual” – art. 1.º do mencionado diploma). 2. Como já teve o ensejo de consignar esta Corte, “o alcance conferido pelo legislador quanto à expressão ‘agente público’ possui expressivo elastério, o que faz com que os sujeitos ativos dos atos de improbidade administrativa não sejam apenas os servidores públicos, mas, também, quaisquer outras pessoas que estejam de algum modo vinculadas ao Poder Público” (REsp1.081.098/DF, 1.ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 03.09.2009). Improbidade Administrativa 6 A L F A C O N E não para por aí, pois esta lei também será aplicada ao PARTICULAR, no que couber, àquele que, mesmo NÃO sendo agente público: • Induz dolosamente o agente à pratica do ato; • Concorre dolosamente para o ato; Atenção: a nova redação dada pela lei 14.230/21 retirou a expressão não inclui no rol dos particulares aqueles que “se beneficiem sob qualquer forma direta ou indireta” O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA entende que o termo “PARTICULAR” engloba tanto uma pessoa física quanto jurídica. jurisprudência do STJ Processual civil e administrativo. Recurso especial. Ação civil pública por ato de improbidade. Violação ao artigo 535 do CPC inocorrente. Pessoa jurídica de direito privado. Legitimidade passiva.1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o acórdão, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo recorrente, adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, apenas não ado- tando a tese defendida pelo recorrente, manifestando-se, de maneira clara e fundamentada, acerca de todas as questões relevantes para a solução da controvérsia, inclusive em relação às quais o recorrente alega contradição e omissão. 2. Considerando que as PESSOAS JURÍDICAS podem ser BENEFICIADAS E CONDENADAS por atos ímprobos, é de se concluir que, de forma correlata, podem figurar no polo passivo de uma demanda de improbidade, ainda que desacompanhada de seus sócios. 3.Recurso especial não provido (STJ, 1. Turma, REsp 970393/CE,21.06.2012) Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da sua participação. Como várias sanções previstas na lei de improbidade também são abordadas pela lei anticorrupção (L. 12.846/13), esta última prevalece sobre aquela em relação as pessoas jurídicas, caso o ato de improbidade administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846. AtençãooOO! Lembre-se, o particular NUNCA responderá por ato de improbidade se não estiver envolvido com alguém que é agente público. Para que ele seja réu em um processo por uma conduta improba é condição obrigatória que ele haja em conluio com alguém que é agente público. Improbidade Administrativa 7 A L F A C O N jurisprudência do STJ Jurisprudência Processual civil. Administrativo. Réu particular. Ausência de participação conjunta de agente público no polo passivo da ação de improbidade administrativa. Impossibilidade.1. Os arts. 1.º e 3.º da Lei 8.429/92 são expressos ao prever a responsabilização de todos, agentes públicos ou não, que induzam ou concorram para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficiem sob qualquer forma, direta ou indireta. 2. Não figurando no polo passivo qualquer agente público, NÃO HÁ COMO O PARTICULAR figurar sozinho como réu em Ação de Improbidade Administrativa. 3. Nesse quadro legal, não se abre ao Parquet a via da Lei da Improbidade Adminis- trativa. Resta-lhe, diante dos fortes indícios de fraude nos negócios jurídicos da empresa com a Administração Federal, ingressar com Ação Civil Pública comum, visando ao ressarcimento dos eventuais prejuízos causados ao patrimônio público, tanto mais porque o STJ tem jurisprudência pacífica sobre a imprescritibilidade desse tipo de dano.4. Recurso especial não provido (STJ, 2.ªTurma, REsp1155992/PA,23.03.2010) 4.1 Agentes políticos e a lei de improbidade Em relação aos agentes públicos detentores de cargos eletivos (agentes políticos) como por exemplo: governadores, vereadores, senadores, deputados, etc., o texto de lei passou a incluí-los, de forma expressa. Todos responderão sim pela lei 8.429/92 pelos atos de improbidade que cometerem. Muita atenção! Pois quando este assunto é abordado em prova é muito comum a pergunta sobre se o Presidente da República também responde pela lei de improbidade. Sua resposta deverá ser negativa, pois nos termos da jurisprudência do STJ e também do Supremo Tribunal Federal o Presidente da República quando comete ato de improbidade prática crime de responsabilidade e vai responder perante o Senado e não no judiciário que é o local onde tramita um processo de improbidade. jurisprudência do STF Os agentes políticos, com EXCEÇÃO do Presidente da República, encontram-se sujeitos a duplo regime san- cionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade. O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa (STF, Tribunal Pleno, Pet3240 AgR/DF,10.05.2018). 5. Sucessores de um agente ímprobo Art� 8º O sucessor ou o herdeiro daquele que causar dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o limite do valor da herança ou do patrimônio transferido� Apesar de pequeno é um artigo muito cobrado em provas, lembre-se que o particular pode sim responder por atos de improbidade, desde que concorra ou induza dolosamente a prática do ato de improbidade. Em relação ao sucessor o que temos é a possibilidade de que este, mesmo não tendo conhecimento de que sua herança é fruto de um ato Improbidade Administrativa 8 A L F A C O N ímprobo, venha a sofrer a perda da mesma caso ela seja fruto de um ato de improbidade. Mas lembre-se ele não poderá ser prejudicado em seu patrimônio próprio, pois só perderá o que recebeu de herança ou patrimônio transferido. Obs: A responsabilidade sucessória aplica-se também na hipótese de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. Nas hipóteses de fusão e de incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais sanções previs- tas nesta Lei decorrentes de atos e de fatos ocorridos antes da data da fusão ou da incorporação, exceto no caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, devidamentecomprovados. Improbidade Administrativa 1. Disposições constitucionais 2. Disposições gerais 3. Sujeito Passivo do Ato de Improbidade 4. Sujeito Ativo do Ato de Improbidade 4.1 Agentes políticos e a lei de improbidade 5. Sucessores de um agente ímprobo