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Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
1 
Sumário 
 
1. Improbidade Administrativa ............................................................................................................................ 3 
1.1. Fundamento Constitucional ....................................................................................................................... 3 
1.2. Conceito ....................................................................................................................................................... 3 
1.3. Natureza Jurídica ....................................................................................................................................... 4 
1.4. Bem Jurídico Tutelado ............................................................................................................................... 5 
1.5. Competência para legislar ......................................................................................................................... 6 
1.6. Aplicabilidade da Lei de Improbidade a fatos pretéritos ....................................................................... 6 
2. Alterações promovidas pela Lei 14.230/2021 ................................................................................................... 6 
2.1. Nova Ementa ............................................................................................................................................... 7 
2.2. Principais mudanças provocadas pela n.° Lei 14.230/2021 ..................................................................... 7 
3. Conceito de Improbidade Administrativa em conformidade com as alterações provocadas pela Lei 
14.230/2021 ................................................................................................................................................................. 9 
3.1. Sujeitos da Improbidade .......................................................................................................................... 10 
3.1.1. Sujeito Ativo ........................................................................................................................................ 10 
3.1.2. Sujeito Passivo .................................................................................................................................... 14 
3.2. Diferença entre os conceitos de “probidade” e “moralidade” .............................................................. 16 
3.3. Alcance da Lei n.° 8.429/92 ...................................................................................................................... 17 
3.4. Princípios Constitucionais do Direito Administrativo Sancionador .................................................... 18 
3.4.1. Tese da Retroatividade da Lei mais benéfica e a Reforma da LIA ..................................................... 19 
4. Inexistência de Improbidade por divergência de Interpretação da Lei ...................................................... 21 
5. Atos de Improbidade Administrativa ............................................................................................................ 22 
5.1. Enriquecimento Ilícito (Art. 9º) ............................................................................................................... 23 
5.2. Dano ao Erário (Art.10) ........................................................................................................................... 24 
5.3. Violação dos Princípios da Administração (Art.11) .............................................................................. 27 
6. Das Sanções ....................................................................................................................................................... 32 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
2 
6.1. Sanções de Improbidade .......................................................................................................................... 35 
6.1.1. Perda da Função Pública ..................................................................................................................... 36 
6.1.2. Suspensão dos Direitos Políticos ......................................................................................................... 38 
6.1.3. Proibição de contratar com o poder público ........................................................................................ 39 
6.1.4. Multa Civil .......................................................................................................................................... 39 
6.2. Responsabilidade Sucessória ................................................................................................................... 41 
7. Declaração de Bens .......................................................................................................................................... 42 
8. Pedido de Indisponibilidade de Bens dos Réus ............................................................................................. 43 
9. Rito da Ação de Improbidade ......................................................................................................................... 46 
10. Prescrição .......................................................................................................................................................... 56 
11. Informativos posteriores à Lei 14.230/2021: .................................................................................................. 60 
12. Bibliografia ....................................................................................................................................................... 63 
 
 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
3 
LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 
Lei nº 8.429/92 (alterada pela Lei nº 14.230/2021) 
1. Improbidade Administrativa 
1.1. Fundamento Constitucional 
 
Conforme prevê o art. 37 § 4º da Constituição Federal: 
Art. 37. § 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda 
da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em 
lei, sem prejuízo da ação penal cabível. 
 
Além do art. 37, § 4º, da CF/88, encontramos outros dispositivos constitucionais que também fazem 
referência ao dever de probidade administrativa, tais como: 
a) art. 14, § 9º: “lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a 
fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida 
pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico 
ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta”; 
b) art. 15, V: “é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: (...) 
V – improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º”; 
c) art. 85, V: “são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a 
Constituição Federal e, especialmente, contra: (...) V – a probidade na administração”. 
 
 Atualmente a matéria referente à improbidade administrativa praticada pelos agentes públicos se 
encontra positivada na Lei n. 8.429/92, recentemente alterada pela Lei n.° 14.230/2021. 
 
1.2. Conceito 
 
A ideia de probidade administrativa enquanto princípio tem relação com a moralidade jurídica 
(princípio da moralidade: não corrupção/boa-fé de conduta). É certo que, a probidade administrativa não é 
novidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro, já o princípio da moralidade foi introduzido pela Constituição 
Federal de 1988. 
Esse princípio tem conceito vago e indeterminado, por isso muito doutrinadores misturam moralidade 
com probidade, porque ambas decorrem da ideia de honestidade. 
Conformerazão de sua imprescindibilidade para a segurança da 
sociedade e do Estado ou de outras hipóteses 
instituídas em lei; 
V - frustrar a licitude de concurso público; 
 
V - frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter 
concorrencial de concurso público, de chamamento 
ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção 
de benefício próprio, direto ou indireto, ou de 
terceiros; 
VI - deixar de prestar contas quando esteja 
obrigado a fazê-lo; 
 
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a 
fazê-lo, desde que disponha das condições para isso, 
com vistas a ocultar irregularidades; 
Incisos XII, XIII não sofreram alterações 
IX - deixar de cumprir a exigência de requisitos 
de acessibilidade previstos na legislação. 
IX - Revogado! 
X - transferir recurso a entidade privada, em 
razão da prestação de serviços na área de saúde 
sem a prévia celebração de contrato, convênio ou 
instrumento congênere, nos termos do parágrafo 
único do art. 24 da Lei nº 8.080, de 19 de 
setembro de 1990. 
X- Revogado! 
Não havia previsão de mais incisos. XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em 
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro 
grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de 
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo 
de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício 
de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de 
função gratificada na administração pública direta e 
indireta em qualquer dos Poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
compreendido o ajuste mediante designações 
recíprocas; 
XII - praticar, no âmbito da administração pública e 
com recursos do erário, ato de publicidade que 
contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição 
Federal, de forma a promover inequívoco 
enaltecimento do agente público e personalização de 
atos, de programas, de obras, de serviços ou de 
campanhas dos órgãos públicos. 
Não havia previsão de parágrafos. § 1º Nos termos da Convenção das Nações Unidas 
contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto nº 
5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haverá 
improbidade administrativa, na aplicação deste artigo, 
quando for comprovado na conduta funcional do 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
29 
agente público o fim de obter proveito ou benefício 
indevido para si ou para outra pessoa ou entidade. 
§ 2º Aplica-se o disposto no § 1º deste artigo a 
quaisquer atos de improbidade administrativa 
tipificados nesta Lei e em leis especiais e a quaisquer 
outros tipos especiais de improbidade administrativa 
instituídos por lei. 
§ 3º O enquadramento de conduta funcional na 
categoria de que trata este artigo pressupõe a 
demonstração objetiva da prática de ilegalidade no 
exercício da função pública, com a indicação das 
normas constitucionais, legais ou infralegais 
violadas. 
§ 4º Os atos de improbidade de que trata este artigo 
exigem lesividade relevante ao bem jurídico tutelado 
para serem passíveis de sancionamento e independem 
do reconhecimento da produção de danos ao erário e 
de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. 
§ 5º Não se configurará improbidade a mera 
nomeação ou indicação política por parte dos 
detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a 
aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do 
agente. 
 
 
IMPORTANTES INOVAÇÕES NO ART. 11 (DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE ATENTAM CONTRA OS PRINCÍPIOS 
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA): 
- A Lei nº 14.230/2021 inseriu no caput do art. 11 a expressão: “caracterizada por uma das seguintes 
condutas”. A partir da inclusão dessa expressão no art. 11 pode-se dizer que trata de um rol taxativo.11 
- Inclusão do NEPOTISMO no inciso XI, art. 11, da LIA. 
 
 Nepotismo 
Com o advento da Lei n.° 14.230/2021, a qual alterou de forma significativa a Lei de Improbidade 
Administrativa, o nepotismo até então consagrado na Jurisprudência, passou a ser previsto expressamente 
 
11 Complementando (FUC Ciclos): 
 
A alteração do “caput”, promovida pela Lei 14.230/21, alterou a própria interpretação a respeito da taxatividade do rol previsto neste 
artigo. Isto porque, antes da modificação, o artigo indicava como ato de improbidade “qualquer ação ou omissão” que viole os deveres. 
A partir da nova lei, será ato de improbidade a ação ou omissão dolosa que viole os deveres, “caracterizada por uma das seguintes 
condutas”. Portanto, o rol passa a ser visto como taxativo, e não meramente exemplificativo como nos artigos 9º e 10. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
30 
como ato de improbidade administrativa, é o que podemos concluir da redação do inciso XI do art. 11 da 
LIA. 
Importante frisar que, embora se trate de novidade na legislação, o nepotismo já era vedado pela 
Súmula Vinculante nº 13 e também por força dos princípios constitucionais da impessoalidade, eficiência, 
igualdade e moralidade, independentemente de previsão expressa em diploma legislativo. 
Súmula Vinculante nº 13: 
A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro 
grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de 
direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, 
de função gratificada na Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, 
viola a Constituição Federal. 
 
Art. 11, XI, da LIA Súmula Vinculante 13 
Art. 11. XI - nomear cônjuge, companheiro ou 
parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até 
o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante 
ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido 
em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para 
o exercício de cargo em comissão ou de confiança 
ou, ainda, de função gratificada na administração 
pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, compreendido o ajuste mediante 
designações recíprocas; 
A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha 
reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, 
da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa 
jurídica investido em cargo de direção, chefia ou 
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou 
de confiança ou, ainda, de função gratificada na 
Administração Pública direta e indireta em qualquer dos 
poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
municípios, compreendido o ajuste mediante designações 
recíprocas, viola a Constituição Federal. 
 
A Lei nº 14.230/2021 inseriu uma ressalva: não se configurará improbidade a mera nomeação ou 
indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de dolo com 
finalidade ilícita por parte do agente (§ 5º do art. 11). Trata-se de um reforço à exigência de dolo e do 
especial fim de agir para configuração dos atos de improbidade administrativa. No entanto, é importante 
observar que essa exigência não encontra respaldo na Súmula Vinculante nº 13 do STF. 
 
 
INFORMATIVOS SOBRE NEPOTISMO. 
Vale ressaltar que a norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores de 
provimento efetivo. STF. Plenário. ADI 524/ES, rel. orig. Min. Sepúlveda Pertence, red. p/ o acórdão Min. 
Ricardo Lewandowski, julgado em 20/5/2015 (Info 786). 
 
Não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas sem influência 
hierárquica sobre a nomeação. A incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 
não decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa designada e agente político ou 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
31 
servidor público, mas de presunção de que a escolha para ocupar cargode direção, chefia ou assessoramento 
tenha sido direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial de interferir no 
processo de seleção. STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. 
Dias Toffoli, julgado em 23/2/2016 (Info 815). 
 
É INCONSTITUCIONAL lei estadual que excepciona a vedação da prática do nepotismo, permitindo 
que sejam nomeados para cargos em comissão ou funções gratificadas de até dois parentes das autoridades 
estaduais, além do cônjuge do Governador. STF. Plenário. ADI 3745/GO, rel. Min. Dias Toffoli, 15/5/2013 
(Info 706). 
 
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo 
público de natureza política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. STF. 2ª 
Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 
(Info 914). 
 
Somente haverá improbidade administrativa por violação aos princípios quando for comprovado, na 
conduta funcional do agente público, o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra 
pessoa ou entidade. Em outras palavras, é necessário o dolo específico em ter o benefício. 
Conforme determina o art. 11 §3º da Lei de Improbidade Administrativa, é necessária a demonstração 
objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas constitucionais, 
legais ou infralegais violadas para caracterização da improbidade por violação aos princípios da 
Administração. 
Art. 11. § 3º O enquadramento de conduta funcional na categoria de que trata este artigo pressupõe a 
demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas 
constitucionais, legais ou infralegais violadas. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021). 
 
É necessária a demonstração da lesividade relevante ao bem jurídico tutelado, independentemente de 
lesão ao erário e de enriquecimento ilícito do agente público, de acordo com a redação do art. 11 § 4º. 
Art. 11. § 4º Os atos de improbidade de que trata este artigo exigem lesividade relevante ao bem jurídico 
tutelado para serem passíveis de sancionamento e independem do reconhecimento da produção de danos ao 
erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021). 
 
Para configuração de atos que importem em violação aos princípios da Administração Pública é 
necessário os seguintes requisitos: 
a) Violação aos princípios da Administração Pública, a partir de uma das condutas descritas nos 
incisos do art. 11; (lembrando: o rol é taxativo!) 
b) Conduta dolosa. 
c) Conduta comissiva ou omissiva. 
d) Nexo de causalidade entre a ação/omissão e a violação ao princípio da Administração. 
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32 
 
NÃO é mais considerado ato de improbidade administrativa contra os princípios da 
Administração Pública: 
1) a prática de atos visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto na regra 
de competência: o inciso I, revogado pela Lei 14.230/21, previa como ato de improbidade “praticar ato 
visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência”. 
2) retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício: o inciso II, revogado pela Lei 
14.230/21, previa como ato de improbidade administrativa “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, 
ato de ofício”. 
3) deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação: o inciso IX 
foi revogado pela Lei 14.230/21. 
4) transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem a 
prévia celebração de contrato, convênio ou instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do art. 24 
da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. 
 
6. Das Sanções 
 
Conforme explica Matheus Carvalho, a prática de atos de improbidade administrativa sujeita o agente 
a sanções de natureza extrapenal, civil ou político-administrativa. O juiz deve aplicar as sanções previstas no 
art. 37, § 4º, da CR/88 e no art. 12 da Lei 8.429/92, levando em conta a gravidade do fato. As sanções tanto 
podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente. Na dosimetria, o juiz deve considerar também a extensão 
do dano e o proveito patrimonial do agente, quando existentes. 
Nesse sentido, leciona o professor Renério de Castro, “a lei definiu as sanções que deverão ser 
aplicadas ao agente conforme a natureza do ato de improbidade praticado. Quanto mais grave o ato 
(lembrando que há uma gravidade decrescente entre os art. 9°, 10 e 11), maior será a sanção cominada – tal 
circunstância espelha a consagração do princípio da proporcionalidade. Não custa lembrar que o mesmo ato 
pode ser enquadrado em mais de uma das hipóteses apresentadas (arts. 9°, 10 e 11). Nesse caso, aplicam-se 
as sanções previstas para a infração mais grave”. 
As sanções pelos atos de improbidade administrativa estão previstas no art. 12 da Lei 8.429/92. Elas são 
cominadas a depender se o ato de improbidade administrativa está previsto no art. 9º, 10 ou 11. Há uma 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
33 
gradação correspondente ao tipo de ato praticado, ou seja, os atos do art. 9º são mais graves, havendo 
sanções mais severas, enquanto que os atos do art. 11 são menos graves, com sanções mais brandas12. 
 
 
Vemos o quadro esquematizado abaixo para melhor visualizarmos as alterações: 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 12. Independentemente das sanções penais, 
civis e administrativas previstas na legislação 
específica, está o responsável pelo ato de 
improbidade sujeito às seguintes cominações, que 
podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, 
de acordo com a gravidade do fato: 
 
Art. 12. Independentemente do ressarcimento 
integral do dano patrimonial, se efetivo, e das 
sanções penais comuns e de responsabilidade, civis 
e administrativas previstas na legislação específica, 
está o responsável pelo ato de improbidade sujeito 
às seguintes cominações, que podem ser aplicadas 
isolada ou cumulativamente, de acordo com a 
gravidade do fato: 
Obs.: O ressarcimento integral do dano é 
consequência do ato de improbidade, não tem 
natureza jurídica de sanção. 
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores 
acrescidos ilicitamente ao patrimônio, 
ressarcimento integral do dano, quando houver, 
perda da função pública, suspensão dos direitos 
políticos de oito a dez anos, pagamento de multa 
civil de até três vezes o valor do acréscimo 
patrimonial e proibição de contratar com o Poder 
Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais 
ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que 
por intermédio de pessoa jurídica da qual seja 
sócio majoritário, pelo prazo de dez anos; 
 
I - na hipótese do art. 9º desta Lei, perda dos bens ou 
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda 
da função pública, suspensão dos direitos políticos 
até 14 (catorze) anos, pagamento de multa civil 
equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e 
proibição de contratar com o poder público ou de 
receber benefícios ou incentivos fiscais ou 
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por 
intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo não superior a 14 (catorze) 
anos; 
 
II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral 
do dano, perda dos bens ou valores acrescidos 
ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta 
circunstância, perda da função pública, suspensão 
dos direitos políticos de cinco a oito anos, 
pagamento de multa civil de até duas vezes o valor 
do dano e proibição de contratar com o Poder 
Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais 
ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que 
por intermédio de pessoa jurídica da qual seja 
sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;II - na hipótese do art. 10 desta Lei, perda dos bens 
ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se 
concorrer esta circunstância, perda da função 
pública, suspensão dos direitos políticos até 12 
(doze) anos, pagamento de multa civil equivalente 
ao valor do dano e proibição de contratar com o 
poder público ou de receber benefícios ou incentivos 
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda 
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja 
sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 
(doze) anos; 
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral 
do dano, se houver, perda da função pública, 
suspensão dos direitos políticos de três a cinco 
anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o 
valor da remuneração percebida pelo agente e 
proibição de contratar com o Poder Público ou 
receber benefícios ou incentivos fiscais ou 
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por 
III - na hipótese do art. 11 desta Lei, pagamento de 
multa civil de até 24 (vinte e quatro) vezes o valor 
da remuneração percebida pelo agente e proibição 
de contratar com o poder público ou de receber 
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta 
ou indiretamente, ainda que por intermédio de 
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo 
prazo não superior a 4 (quatro) anos; 
 
 
12 FUC do @ciclosmetodo. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
34 
intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo de três anos. 
 
IV - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da 
função pública, suspensão dos direitos políticos de 
5 (cinco) a 8 (oito) anos e multa civil de até 3 (três) 
vezes o valor do benefício financeiro ou tributário 
concedido. 
IV - Revogado! 
 
Parágrafo único. Na fixação das penas previstas 
nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano 
causado, assim como o proveito patrimonial 
obtido pelo agente. 
Parágrafo único. Revogado! 
 
Não havia previsão de outros parágrafos. § 1º A sanção de perda da função pública, nas 
hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, 
atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e 
natureza que o agente público ou político detinha 
com o poder público na época do cometimento da 
infração, podendo o magistrado, na hipótese do 
inciso I do caput deste artigo, e em caráter 
excepcional, estendê-la aos demais vínculos, 
consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade 
da infração. 
§ 2º A multa pode ser aumentada até o dobro, se o 
juiz considerar que, em virtude da situação 
econômica do réu, o valor calculado na forma dos 
incisos I, II e III do caput deste artigo é ineficaz 
para reprovação e prevenção do ato de improbidade. 
§ 3º Na responsabilização da pessoa jurídica, 
deverão ser considerados os efeitos econômicos e 
sociais das sanções, de modo a viabilizar a 
manutenção de suas atividades. 
§ 4º Em caráter excepcional e por motivos 
relevantes devidamente justificados, a sanção de 
proibição de contratação com o poder público pode 
extrapolar o ente público lesado pelo ato de 
improbidade, observados os impactos econômicos e 
sociais das sanções, de forma a preservar a função 
social da pessoa jurídica, conforme disposto no § 3º 
deste artigo. 
§ 5º No caso de atos de menor ofensa aos bens 
jurídicos tutelados por esta Lei, a sanção limitar-se-
á à aplicação de multa, sem prejuízo do 
ressarcimento do dano e da perda dos valores 
obtidos, quando for o caso, nos termos 
do caput deste artigo. 
§ 6º Se ocorrer lesão ao patrimônio público, a 
reparação do dano a que se refere esta Lei deverá 
deduzir o ressarcimento ocorrido nas instâncias 
criminal, civil e administrativa que tiver por objeto 
os mesmos fatos. 
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35 
§ 7º As sanções aplicadas a pessoas jurídicas com 
base nesta Lei e na Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 
2013, deverão observar o princípio constitucional 
do non bis in idem. 
§ 8º A sanção de proibição de contratação com o 
poder público deverá constar do Cadastro Nacional 
de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) de que 
trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, 
observadas as limitações territoriais contidas em 
decisão judicial, conforme disposto no § 4º deste 
artigo. 
§ 9º As sanções previstas neste artigo somente 
poderão ser executadas após o trânsito em julgado 
da sentença condenatória. 
§ 10. Para efeitos de contagem do prazo da sanção 
de suspensão dos direitos políticos, computar-se-á 
retroativamente o intervalo de tempo entre a decisão 
colegiada e o trânsito em julgado da sentença 
condenatória. 
 
6.1. Sanções de Improbidade 
 
Segundo Marçal Justen Filho13, “a norma jurídica prevê a sanção como uma consequência jurídica 
da prática de um ato valorado negativamente”. Nessa esteira, aquele que comete ato caracterizado como 
improbidade administrativa, ficará sujeito as sanções dispostas ao teor do art. 12 da LIA. 
A consequência jurídica a ser aplicada dependerá da conduta praticada. Dessa forma, aquele que 
pratica conduta prevista ao teor do art. 9°, ficará sujeito as consequências previstas ao teor do incido I do art. 
12. 
Vejamos: 
 
a. Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; 
b. Perda da função pública; 
c. Suspensão dos direitos políticos até 14 anos; 
d. Multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial. 
 
13 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 
1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022 
Se praticou conduta prevista no art. 9º -
Enriquecimento ilícito Incide nas consequências do inciso I do art. 12
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36 
e. Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou 
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo não superior a 14 anos. 
 
Em sequência, aquele que pratica conduta prevista ao teor do art. 10 (dano ao erário), ficará sujeito 
as penalidades expostas no inciso II do art. 12. 
 
a. Ressarcimento integral do dano; 
b. Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta 
circunstância; 
c. Perda da função pública; 
d. Suspensão dos direitos políticos até 12 anos; 
e. Multa civil equivalente ao valor do dano; 
f. Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou 
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo não superior a 12 anos. 
 
 
a. Multa civil de até 24 vezes o valor da remuneração percebida pelo agente; 
b. Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou 
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo não superior a 4 anos. 
 
6.1.1. Perda da Função Pública 
 
Em relação ao disposto no Art. 9º: a perda da função pública é uma hipótese de sanção, no entanto a 
Lei 14.230/2021 traz uma novidade, agora a perda da função pública atinge apenas o vínculo de mesma 
Se praticou conduta prevista no art. 10 - Dano ao 
erário Incide nas consequências do inciso II do art. 12
Se praticou conduta prevista no art. 11 - Violação 
dos princípios da Administração Pública Incide nas consequências do inciso III do art. 12
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37 
qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do 
cometimento da infração (art.12 §1º). 
Como determina o § 1° do art. 12, a perda da função pública atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e 
natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração, 
podendo o magistrado, na hipótese do inciso I do art.12, e em caráter excepcional, estendê-la aos demais 
vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. 
 
 
EXCEÇÃO: 
O magistrado, em caráter excepcional, poderá estender essa sanção (essa perda da função) aos 
demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. 
 
Ainda sobre o tema, leciona Marçal Justen Filho (2022): 
O § 1° do art. 12 consagrou uma solução específica relativamente à questão da perda da função pública. 
Determinou que, em princípio, a referida sanção alcançará apenas o vínculo que o sujeito detinha à época 
em que a infração foi cometida. Portanto e se tiver ocorrido investidura do infrator em outra função (inclusive 
mandato), a condenação por improbidade não poderá contemplar a sua perda. 
Mas o dispositivo admite que, quando a condenação fundar-se no enriquecimento ilícito do agente (infração 
do art. 9°), será facultado ao magistrado decretar a perda de outras funções públicas. Essa solução será admitida 
em cunho excepcional, fundando-se especialmente na gravidade da infração. Essa gravidade será avaliada 
tomando em vista os critérios do art. 17-A, mas poderá refletir a dimensão econômica da infração, a 
reprovabilidade da conduta do sujeito e outras circunstâncias que evidenciem a incompatibilidade para o 
exercício de outras funções públicas. 
 
Em relação ao disposto no Art. 10: a perda da função pública é uma hipótese de sanção, no entanto a 
Lei 14.230/2021 traz uma novidade, “a perda da função pública sempre atinge somente o vínculo de mesma 
qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento 
da infração”. 
Em relação ao disposto no Art. 11: perda da função pública deixa de ser uma sanção.” 
 Em RESUMO: 
Art. 9° Art. 10 Art. 11 
A perda da função é uma sanção. A perda da função é uma sanção. A perda da função DEIXA de ser 
uma sanção. 
Atinge, em regra, somente o 
vínculo de mesma qualidade ou 
natureza. 
Atinge, em regra, somente o 
vínculo de mesma qualidade ou 
natureza. 
- 
Em caráter excepcional, 
estendê-la aos demais vínculos, 
consideradas as circunstâncias 
do caso e a gravidade da 
infração. 
- - 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
38 
 
#MARCINHOEXPLICA: 
 
O que acontece se, no momento do trânsito em julgado, o condenado ocupa cargo diferente daquele que 
exercia na prática do ato? Se o agente público tiver mudado de cargo, ele poderá perder aquele que 
atualmente ocupa? Ex: em 2012, João, na época policial federal, praticou um ato de improbidade 
administrativa; o MP ajuizou ação de improbidade contra ele; em 2018, a sentença transitou em julgado 
condenando João à perda da função pública; ocorre que João é atualmente Defensor Público; ele 
perderá o cargo de Defensor? 
 
• Antes da Lei nº 14.230/2021: SIM 
 
O agente perde a função pública que estiver ocupando no momento do trânsito em julgado, ainda que seja 
diferente daquela que ocupava no momento da prática do ato de improbidade. 
A penalidade de perda da função pública imposta em ação de improbidade administrativa atinge tanto o 
cargo que o infrator ocupava quando praticou a conduta ímproba quanto qualquer outro que esteja 
ocupando ao tempo do trânsito em julgado da sentença condenatória. 
A sanção de perda da função pública visa a extirpar da Administração Pública aquele que exibiu 
inidoneidade (ou inabilitação) moral e desvio ético para o exercício da função pública, abrangendo 
qualquer atividade que o agente esteja exercendo no momento do trânsito em julgado da condenação. 
STJ. 1ª Seção. EREsp 1701967/RS, Rel. para acórdão Min. Francisco Falcão, julgado em 09/09/2020. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.813.255-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 03/03/2020. 
 
• Depois da Lei nº 14.230/2021: em regra, NÃO. 
 
Em regra, não. 
Em regra, a perda da função pública atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e natureza que o 
agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração. 
Exceção: nas hipóteses do art. 9º, o magistrado, em caráter excepcional, poderá estender essa sanção (essa 
perda da função) aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. 
 
Desse modo, a Lei nº 14.230/2021 teve por objetivo superar o entendimento do STJ sobre o tema. 
 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer 
o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso 
em: 14/04/2022 
 
6.1.2. Suspensão dos Direitos Políticos 
 
 Antes da Lei 14.230/2021 Depois da Lei 14.230/2021 
Art. 9º De 8 a 10 anos Até 14 anos 
Art. 10 De 5 a 8 anos Até 12 anos 
Art. 11 De 3 a 5 anos Não há mais suspensão dos direitos políticos. 
 
 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
39 
6.1.3. Proibição de contratar com o poder público 
 
 Antes da Lei 14.230/2021 Depois da Lei 14.230/2021 
Art. 9º Prazo de 10 anos Prazo não superior a 14 anos 
Art. 10 Pelo prazo de 5 anos Pelo prazo não superior a 12 anos 
Art. 11 Pelo prazo de 3 anos Pelo prazo não superior a 4 anos 
 
#MARCINHOEXPLICA: 
A pessoa condenada por ato de improbidade administrativa fica impedida de contratar apenas com o 
ente público que foi lesado pelo ato ou essa proibição é ampla e abrange a administração pública direta 
e indireta de qualquer dos poderes da União, Estados, DF e Municípios? 
• Antes da Lei nº 14.230/2021: prevalecia o entendimento amplo no sentido de que a sanção abrangia 
toda a administração pública (e não apenas o ente público lesado). 
• Depois da Lei nº 14.230/2021: 
Em regra, o condenado ficará proibido de contratar apenas com o ente público lesado. 
Excepcionalmente, o juiz poderá ampliar essa proibição para os demais entes. 
É essa a interpretação que faço do novo § 4º do art. 12, inserido pela Lei nº 14.230/2021: 
§ 4º Em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a sanção de proibição de 
contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade, 
observados os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da pessoa 
jurídica, conforme disposto no § 3º deste artigo. 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador 
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
Acesso em: 14/04/2022. 
 
 
Na redação originária da Lei n°. 8.429/92, constava expressamente o prazo mínimo e máximo das 
sanções, nos casos de suspensão dos direitos políticos e na proibição de contratar com o poder público. 
Após a Lei 14.230/2021 está expresso apenas o prazo MÁXIMO. Não existindo limite mínimo 
para fixação das sanções. 
6.1.4. Multa Civil 
 
 Antes da Lei 14.230/2021 Depois da Lei 14.230/2021 
Art. 9º Até três vezes o valor do acréscimo 
patrimonial 
Multa civil equivalente ao valor do 
acréscimo patrimonial 
Art. 10 Até duas vezes o valor do dano Equivalente ao valor do dano. 
Art. 11 Até cem vezes o valor da remuneração 
percebida pelo agente 
Até 24 vezes o valor da remuneração 
percebida pelo agente 
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40 
 
A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica 
do réu, o valor calculado é ineficaz para reprovação e prevenção do ato de improbidade (art. 12 § 2º). 
Em resumo, o indivíduo condenado por ato de improbidade administrativa estará sujeito às 
seguintes sanções: 
 
 
Cumpre recordarmos que o ressarcimento integral do dano não é uma sanção, mas uma 
consequência do ato de improbidade administrativa. 
 
 
Não configura bis in idem a coexistência de título executivo extrajudicial (acórdão do TCU) e 
sentençacondenatória em ação civil pública de improbidade administrativa que determinam o ressarcimento 
ao erário e se referem ao mesmo fato, desde que seja observada a dedução do valor da obrigação que 
primeiramente foi executada no momento da execução do título remanescente. STJ. 1ª Turma. REsp 
1.413.674-SE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Rel. para o 
acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 17/5/2016 (Info 584). 
 
Sanções (art. 12)
Perda dos bens 
ou valores 
acrescidos 
ilicitamente ao 
patrimônio
Suspensão dos 
direitos políticos
Perda da função 
pública
Proibição de 
contratar com o 
poder público
Proibição de 
receber 
benefícios ou 
incentivos fiscais 
ou creditícios
Multa civil
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
41 
 
Sanção aplicada contra a pessoa jurídica não pode 41eva-la ao encerramento de suas atividades 
Art. 12 § 3º Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos e 
sociais das sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades. 
 
É possível aplicar o princípio da insignificância para “absolver” um réu que tenha praticado ato de 
improbidade administrativa de pouca gravidade? 
NÃO. A jurisprudência do STJ não admite a aplicação do princípio da insignificância para os atos de 
improbidade administrativa. 
A Lei nº 14.230/2021 acrescentou um parágrafo afirmando que, nestes casos, é possível aplicar apenas a 
multa como única sanção. Além da multa, o sujeito terá que ressarcir o erário e devolver os valores 
eventualmente obtidos. 
Art. 12 § 5º No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados por esta Lei, a sanção limitar-se-á 
à aplicação de multa, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da perda dos valores obtidos, quando for o 
caso, nos termos do caput deste artigo. 
 
6.2. Responsabilidade Sucessória 
 
A reforma determinou que o sucessor ou herdeiro responde pelos efeitos patrimoniais da conduta ímproba 
do antecessor, nos limites da herança ou do patrimônio recebido. Portanto, o sucessor ou o herdeiro não se 
subordinam a penalidades destinadas a sancionar o agente responsável pela improbidade. Essa é uma 
decorrência inclusive do postulado da personalidade da pena14. 
 
 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao 
patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente 
está sujeito às cominações desta lei até o limite do 
valor da herança. 
 
Art. 8º O sucessor ou o herdeiro daquele que causar 
dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente 
estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o 
limite do valor da herança ou do patrimônio 
transferido. 
Art. 8º-A A responsabilidade sucessória de que trata 
o art. 8º desta Lei aplica-se também na hipótese de 
alteração contratual, de transformação, de 
incorporação, de fusão ou de cisão societária. 
Parágrafo único. Nas hipóteses de fusão e de 
incorporação, a responsabilidade da sucessora será 
restrita à obrigação de reparação integral do dano 
causado, até o limite do patrimônio transferido, não 
 
14 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 
1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
42 
lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas 
nesta Lei decorrentes de atos e de fatos ocorridos 
antes da data da fusão ou da incorporação, exceto no 
caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, 
devidamente comprovados. 
 
 
O art. 8º-A foi incluído pela Lei 14.230/2021 para ampliar a responsabilidade sucessória das pessoas 
jurídicas. 
7. Declaração de Bens 
 
Conforme explica Marçal Filho, “o agente público está sujeito a deveres diferenciados relativamente 
à divulgação de informações sobre a sua situação patrimonial. Aquele que opta por dedicar-se a atividade de 
natureza funcional no âmbito do Estado não dispõe da faculdade de manter sigilo sobre os dados atinentes ao 
seu patrimônio”15. É nesse contexto que a LIA exige, ao teor do seu art. 13 a apresentação de declaração de 
bens. 
O dever de apresentar a declaração de bens já era normatizado antes do advento da Lei n. 14.230/2021, 
com a alteração legislativa, o referido dispositivo que regulamentava o tema também foi alterado. Vejamos: 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 13. A posse e o exercício de agente público 
ficam condicionados à apresentação de declaração 
dos bens e valores que compõem o seu patrimônio 
privado, a fim de ser arquivada no serviço de 
pessoal competente. 
 
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam 
condicionados à apresentação de declaração de 
imposto de renda e proventos de qualquer natureza, 
que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da 
Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no 
serviço de pessoal competente. 
§ 1° A declaração compreenderá imóveis, móveis, 
semoventes, dinheiro, títulos, ações, e qualquer 
outra espécie de bens e valores patrimoniais, 
localizado no País ou no exterior, e, quando for o 
caso, abrangerá os bens e valores patrimoniais do 
cônjuge ou companheiro, dos filhos e de outras 
pessoas que vivam sob a dependência econômica 
do declarante, excluídos apenas os objetos e 
utensílios de uso doméstico. 
§ 1º Revogado! 
 
§ 2º A declaração de bens será anualmente 
atualizada e na data em que o agente público 
deixar o exercício do mandato, cargo, emprego ou 
função. 
§ 2º A declaração de bens a que se refere 
o caput deste artigo será atualizada anualmente e na 
data em que o agente público deixar o exercício do 
mandato, do cargo, do emprego ou da função. 
 
15 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 
1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
43 
§ 3º Será punido com a pena de demissão, a bem 
do serviço público, sem prejuízo de outras sanções 
cabíveis, o agente público que se recusar a prestar 
declaração dos bens, dentro do prazo determinado, 
ou que a prestar falsa. 
§ 3º Será apenado com a pena de demissão, sem 
prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público 
que se recusar a prestar a declaração dos bens a que 
se refere o caput deste artigo dentro do prazo 
determinado ou que prestar declaração falsa. 
§ 4º O declarante, a seu critério, poderá entregar 
cópia da declaração anual de bens apresentada à 
Delegacia da Receita Federal na conformidade da 
legislação do Imposto sobre a Renda e proventos 
de qualquer natureza, com as necessárias 
atualizações, para suprir a exigência contida no 
caput e no § 2° deste artigo . 
§ 4º Revogado! 
 
 
8. Pedido de Indisponibilidade de Bens dos Réus 
 
Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, 
pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do 
acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito, é o que prevê o art. 16, caput da LIA. 
A cautelar da indisponibilidade de bens tem por objetivo possibilitar o ressarcimento integral do dano 
e evitar que o responsável transfira para terceiros o produto do ilícito. Dessa forma, temos que essa 
indisponibilidade não tem caráter sancionador, trata-se de uma medida cautelar16. 
 Vejamos: 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 16. Havendo fundados indícios de 
responsabilidade, a comissão representará ao 
Ministério Público ou à procuradoria do órgão para 
que requeira ao juízo competente a decretação do 
seqüestro dos bens do agente ou terceiro que tenha 
enriquecido ilicitamente ou causado dano ao 
patrimônio público. 
Art. 16. Na ação por improbidade administrativa 
poderá ser formulado, em caráter antecedente ou 
incidente, pedido de indisponibilidade de bensdos 
réus, a fim de garantir a integral recomposição do 
erário ou do acréscimo patrimonial resultante de 
enriquecimento ilícito. 
§ 1º O pedido de seqüestro será processado de 
acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do 
Código de Processo Civil. 
 
§ 1º Revogado! 
 
§ 1º-A O pedido de indisponibilidade de bens a que 
se refere o caput deste artigo poderá ser formulado 
independentemente da representação de que trata 
o art. 7º desta Lei. 
 
16 Complementando: 
 
FUC Ciclos: a indisponibilidade de bens não é uma sanção pela prática de atos de improbidade, na verdade, é uma medida de natureza 
cautelar cuja finalidade não é punir alguém, e sim evitar que a pessoa se desfaça de seus bens a fim de frustrar uma eventual execução 
judicial. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
44 
§ 2° Quando for o caso, o pedido incluirá a 
investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas 
bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo 
indiciado no exterior, nos termos da lei e dos 
tratados internacionais. 
§ 2º Quando for o caso, o pedido de indisponibilidade 
de bens a que se refere o caput deste artigo incluirá a 
investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas 
bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo 
indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados 
internacionais. 
Não havia previsão de outros parágrafos. § 3º O pedido de indisponibilidade de bens a que se 
refere o caput deste artigo apenas será deferido 
mediante a demonstração no caso concreto de perigo 
de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do 
processo, desde que o juiz se convença da 
probabilidade da ocorrência dos atos descritos na 
petição inicial com fundamento nos respectivos 
elementos de instrução, após a oitiva do réu em 5 
(cinco) dias. 
§ 4º A indisponibilidade de bens poderá ser decretada 
sem a oitiva prévia do réu, sempre que o contraditório 
prévio puder comprovadamente frustrar a efetividade 
da medida ou houver outras circunstâncias que 
recomendem a proteção liminar, não podendo a 
urgência ser presumida. 
§ 5º Se houver mais de um réu na ação, a somatória 
dos valores declarados indisponíveis não poderá 
superar o montante indicado na petição inicial como 
dano ao erário ou como enriquecimento ilícito. 
§ 6º O valor da indisponibilidade considerará a 
estimativa de dano indicada na petição inicial, 
permitida a sua substituição por caução idônea, por 
fiança bancária ou por seguro-garantia judicial, a 
requerimento do réu, bem como a sua readequação 
durante a instrução do processo. 
§ 7º A indisponibilidade de bens de terceiro 
dependerá da demonstração da sua efetiva 
concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando 
se tratar de pessoa jurídica, da instauração de 
incidente de desconsideração da personalidade 
jurídica, a ser processado na forma da lei processual. 
§ 8º Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por 
esta Lei, no que for cabível, o regime da tutela 
provisória de urgência da Lei nº 13.105, de 16 de 
março de 2015 (Código de Processo Civil). 
§ 9º Da decisão que deferir ou indeferir a medida 
relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de 
instrumento, nos termos da Lei nº 13.105, de 16 de 
março de 2015 (Código de Processo Civil). 
§ 10. A indisponibilidade recairá sobre bens que 
assegurem exclusivamente o integral ressarcimento 
do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a 
serem eventualmente aplicados a título de multa civil 
ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de 
atividade lícita. 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
45 
§ 11. A ordem de indisponibilidade de bens deverá 
priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, bens 
móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, 
ações e quotas de sociedades simples e empresárias, 
pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência 
desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a 
garantir a subsistência do acusado e a manutenção da 
atividade empresária ao longo do processo. 
§ 12. O juiz, ao apreciar o pedido de indisponibilidade 
de bens do réu a que se refere o caput deste artigo, 
observará os efeitos práticos da decisão, vedada a 
adoção de medida capaz de acarretar prejuízo à 
prestação de serviços públicos. 
§ 13. É vedada a decretação de indisponibilidade da 
quantia de até 40 (quarenta) salários mínimos 
depositados em caderneta de poupança, em outras 
aplicações financeiras ou em conta-corrente. 
§ 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do 
bem de família do réu, salvo se comprovado que o 
imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, 
conforme descrito no art. 9º desta Lei. 
 
A leitura atenta do art. 16 da Lei 8.429/92 é imprescindível para preparação para provas de concurso 
público. Vale ressaltar os seguintes pontos: 
1) Sequestro de bens: 
Após a redação da Lei 14.230/2021, o §1º da LIA, que fazia menção expressa ao sequestro de bens, 
foi revogado. Logo, não há na LIA a menção ao sequestro de bens, sendo a indisponibilidade de bens uma 
medida cautelar deferida com base no art. 16 da LIA e no art. 301 do CPC/2015. 
2) Quem formula o pedido de indisponibilidade de bens? 
O Ministério Público, com base no §1º-A, do art. 16. 
3) Quem decreta essa indisponibilidade? 
O juiz, a requerimento do Ministério Público. 
 
O juiz não pode decretar de ofício a indisponibilidade dos bens. 
4) A indisponibilidade pode recair sobre bem de família? 
• Antes da Lei nº 14.230/2021: SIM 
• Depois da Lei nº 14.230/2021: em regra, NÃO! 
Com base no § 14 do art. 16: 
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46 
Art. 16 § 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado 
que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei. 
 
5) É possível a decretação da indisponibilidade de bens de terceiro? 
SIM. Desde que demonstrada a sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou se tiver 
havido desconsideração da personalidade jurídica. De acordo com o art. 16, § 7º. 
6) Recurso 
 Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de 
instrumento (§ 9º do art. 16). 
 
9. Rito da Ação de Improbidade 
 
O rito da ação de improbidade, sofreu inúmeras alterações com o advento da Lei n. 14.230/2021. 
Vejamos: 
Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo Ministério Público e 
seguirá o procedimento comum previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo 
Civil), salvo o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide ADIN 7043) 
§ 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 3º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 4º-A A ação a que se refere o caput deste artigo deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o 
dano ou da pessoa jurídica prejudicada. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 5º A propositura da ação a que se refere o caput deste artigo prevenirá a competência do juízo para todas as 
ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. (Redação dada 
pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 6º A petição inicial observará o seguinte: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
I - deverá individualizar a conduta do réu e apontar os elementos probatórios mínimos que demonstrem a 
ocorrência das hipóteses dos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei e de sua autoria, salvo impossibilidade devidamente 
fundamentada; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
II - será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da veracidade dos fatos 
e do dolo imputado ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessasprovas, observada a legislação vigente, inclusive as disposições constantes dos arts. 77 e 80 da Lei nº 13.105, 
de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 6º-A O Ministério Público poderá requerer as tutelas provisórias adequadas e necessárias, nos termos 
dos arts. 294 a 310 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil (Incluído pela Lei 
nº 14.230, de 2021), (Vide ADIN 7043) 
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§ 6º-B A petição inicial será rejeitada nos casos do art. 330 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 
(Código de Processo Civil), bem como quando não preenchidos os requisitos a que se referem os incisos I e 
II do § 6º deste artigo, ou ainda quando manifestamente inexistente o ato de improbidade 
imputado. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 7º Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a citação dos requeridos 
para que a contestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, iniciado o prazo na forma do art. 231 da Lei nº 
13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 8º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 9º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 9º-A Da decisão que rejeitar questões preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação caberá agravo de 
instrumento. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 10. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 10-A. Havendo a possibilidade de solução consensual, poderão as partes requerer ao juiz a interrupção do 
prazo para a contestação, por prazo não superior a 90 (noventa) dias. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 10-B. Oferecida a contestação e, se for o caso, ouvido o autor, o juiz: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
I - procederá ao julgamento conforme o estado do processo, observada a eventual inexistência manifesta do 
ato de improbidade; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
II - poderá desmembrar o litisconsórcio, com vistas a otimizar a instrução processual. (Incluído pela Lei 
nº 14.230, de 2021) 
§ 10-C. Após a réplica do Ministério Público, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a 
tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-lhe vedado modificar o fato 
principal e a capitulação legal apresentada pelo autor. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide 
ADIN 7043) 
§ 10-D. Para cada ato de improbidade administrativa, deverá necessariamente ser indicado apenas um tipo 
dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 10-E. Proferida a decisão referida no § 10-C deste artigo, as partes serão intimadas a especificar as provas 
que pretendem produzir. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 10-F. Será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade administrativa 
que: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
I - condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na petição inicial; (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
II - condenar o requerido sem a produção das provas por ele tempestivamente especificadas. (Incluído 
pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 11. Em qualquer momento do processo, verificada a inexistência do ato de improbidade, o juiz julgará a 
demanda improcedente. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 12. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 13. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 14. Sem prejuízo da citação dos réus, a pessoa jurídica interessada será intimada para, caso queira, intervir 
no processo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide ADIN 7042) (Vide ADIN 7043) 
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§ 15. Se a imputação envolver a desconsideração de pessoa jurídica, serão observadas as regras previstas 
nos arts. 133, 134, 135, 136 e 137 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo 
Civil). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 16. A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades 
administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das sanções 
aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, em decisão motivada, converter a ação de 
improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 
1985. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 17. Da decisão que converter a ação de improbidade em ação civil pública caberá agravo de 
instrumento. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 18. Ao réu será assegurado o direito de ser interrogado sobre os fatos de que trata a ação, e a sua recusa ou 
o seu silêncio não implicarão confissão. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
I - a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
II - a imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março 
de 2015 (Código de Processo Civil); (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
III - o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, competindo ao 
Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de Ministérios 
Públicos distintos; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
IV - o reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de extinção sem resolução de 
mérito. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos 
praticados pelo administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso este venha a responder 
ação por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado. (Incluído pela Lei nº 14.230, 
de 2021) (Vide ADIN 7042) (Vide ADIN 7043) 
§ 21. Das decisões interlocutórias caberá agravo de instrumento, inclusive da decisão que rejeitar questões 
preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
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1. Petição inicial
2. A petição inicial será rejeitada:
•a) nos casos do art. 330 do CPC;
•b) quando não preencher os requisitos do art. 17, §
6º, I e II, da LIA;
•c) quando manifestamente inexistente o ato de 
improbidade imputado.
3. Se a petição inicial estiver em devida forma, 
o juiz determinará a citação do requerido para 
apresentar contestação no prazo de 30 dias.
4. Réplica do MP
5. Após a réplica do MP, o juiz proferirá decisão na 
qual indicará com precisão a tipificação do ato de 
improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-
lhe vedado modificar o fato principal e a capitulação 
legal apresentada pelo autor. Proferida essa decisão, 
as partes serão intimadas a especificar as provas que 
pretendem produzir.
6. Vale ressaltar que, para cada ato de 
improbidade administrativa, deverá 
necessariamente ser indicado apenas um 
tipo dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 
10 e 11 da LIA.
7. Isso é importante porque o § 10-F afirma que será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação 
de improbidade administrativa que
•I - condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na petição inicial;
•II - condenar o requerido sem a produção das provas por ele tempestivamente especificadas.
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PONTOS IMPORTANTES: 
1) Legitimidade para a propositura (caput) 
No âmbito daação de improbidade administrativa tivemos alterações relevantes, entre as quais 
podemos pontuar a legitimidade exclusiva do Ministério Público para a ação de improbidade. Até o advento 
da Lei n. 14.230/2021, a ação poderia ser proposta pelo MP ou pela pessoa jurídica interessada. Atualmente, 
a ação de improbidade somente pode ser proposta pelo Ministério Público, conforme prevê o texto da 
LIA. 
No atual cenário, a pessoa jurídica interessada não mais pode ajuizar ação de improbidade, conforme 
dispõe o texto normativo da Lei de Improbidade Administrativa. 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, 
será proposta pelo Ministério Público ou pela 
pessoa jurídica interessada, dentro de trinta dias 
da efetivação da medida cautelar. 
Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que 
trata esta Lei será proposta pelo Ministério 
Público e seguirá o procedimento comum previsto 
na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código 
de Processo Civil), salvo o disposto nesta Lei. 
(Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
(Vide ADIN 7043)17. 
 
 
Corroborando ao exposto, leciona Matheus Carvalho (2022): 
Originalmente, a lei previa a legitimidade das entidades públicas lesadas pelo ato de improbidade para a 
propositura da ação respectiva, juntamente com o órgão ministerial. Com a alteração sofrida em 2021m a 
legislação, então, sem prejuízo de eventual participação do ente público lesado, atribui ao Ministério Público 
a titularidade dessa ação civil sancionatória. 
 
A presente alteração está sendo objeto de ação direta de inconstitucionalidade, VEJAMOS: 
 
No atual regime da Lei 8.429, de 1992, com a redação que lhe deu a Lei nº 14.230, de 2021, a legitimidade 
ativa para ajuizar a ação de improbidade passou a ser exclusivamente do Ministério Público (artigo 17), tendo 
perdido essa legitimidade a pessoa jurídica interessada, que permanece apenas com a possibilidade de 
representar ao Ministério Público (artigo 7º). 
 
Essa alteração legislativa é objeto de questionamento perante o Supremo Tribunal Federal em pelo 
menos duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI 7.042 e ADI 7.043, ambas sob relatoria do 
ministro Alexandre de Moraes). Nessas ADIs, a Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do 
Distrito Federal (Anape) e a Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe) sustentam a 
existência de inconstitucionalidades formais e materiais na norma que, ao conferir legitimidade apenas ao 
Ministério Público para ajuizamento da ação de improbidade, teria transformado "os entes públicos 
personalizados em meros coadjuvantes no combate à improbidade administrativa". 
 
Fonte: https://www.conjur.com.br/2022-fev-12/observatorio-constitucional-inconstitucional-dar-mp-
legitimidade-exclusiva-acao-improbidade 
 
 
17 https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=759234385&prcID=6316006&ad=s# Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
51 
Cumpre destacarmos ainda que, a referida ADI 7042 MC / DF, já tem decisão em caráter liminar, 
reconhecendo a necessidade de interpretação CONFORME A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ao caput e §§ 6º-
A, 10-C e 14, do artigo 17 da Lei nº 8.429/92, com a redação dada pela Lei nº 14.230/2021, no sentido da 
EXISTÊNCIA DE LEGITIMIDADE ATIVA CONCORRENTE ENTRE O MINISTÉRIO PÚBLICO 
E AS PESSOAS JURÍDICAS INTERESSADAS PARA A PROPOSITURA DA AÇÃO POR ATO DE 
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA;18 
 
Se a autoridade tiver conhecimento de fatos que revelem a existência de indícios de ato de 
improbidade, ela deverá representar ao Ministério Público para as providências necessárias (art. 7º). 
Por fim, cumpre destacarmos que embora não possua legitimidade, QUALQUER PESSOA poderá 
REPRESENTAR à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a 
apurar a prática de ato de improbidade, é o que prevê o art. 14 da referida lei. 
 
2) Requisitos da petição inicial (§ 6º) 
Art. 17 § 6º A petição inicial observará o seguinte: 
I - deverá individualizar a conduta do réu e apontar os elementos probatórios mínimos que demonstrem a 
ocorrência das hipóteses dos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei e de sua autoria, salvo impossibilidade devidamente 
fundamentada; 
II - será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da veracidade dos fatos 
e do dolo imputado ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas 
provas, observada a legislação vigente, inclusive as disposições constantes dos arts. 77 e 80 da Lei nº 13.105, 
de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). 
 
3) Papel do Juiz diante da petição inicial 
No regramento atual, o juiz examina se a petição inicial deve ser recebida. Se for o caso, ele determina 
a citação do requerido. 
Não existe mais a previsão de defesa prévia. 
Se a petição iniciar estiver em devida forma, o requerido já é citado para contestar. 
 
Art. 17 § 7º Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a citação dos 
requeridos para que a contestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, iniciado o prazo na forma do art. 231 do 
CPC. 
 
4) Oferecida à contestação 
No que tange ao oferecimento da contestação foram acrescidos três parágrafos no art. 17: 
 
§ 10-B. Oferecida a contestação e, se for o caso, ouvido o autor, o juiz: 
 
18 Até a data 17 de abril de 2022 temos apenas a decisão em caráter liminar, sugerimos acompanhar o trâmite da ADI. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
52 
I - procederá ao julgamento conforme o estado do processo, observada a eventual inexistência manifesta do 
ato de improbidade; 
II - poderá desmembrar o litisconsórcio, com vistas a otimizar a instrução processual. 
§ 10-C. Após a réplica do Ministério Público, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a 
tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-lhe vedado modificar o fato principal 
e a capitulação legal apresentada pelo autor. 
§ 10-E. Proferida a decisão referida no § 10-C deste artigo, as partes serão intimadas a especificar as provas 
que pretendem produzir. 
 
5) Inexistência do ato de improbidade 
A inexistência do ato de improbidade administrativa pode ser reconhecida a qualquer momento, é o 
que traz expressamente o § 11, do art. 17: 
§ 11 Em qualquer momento do processo, verificada a inexistência do ato de improbidade, o juiz julgará a 
demanda improcedente. 
 
6) Competência 
A ação de improbidade deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa 
jurídica prejudicada (§ 4º-A do art. 17). 
§ 4º-A A ação a que se refere o caput deste artigo deverá ser proposta perante o foro do local onde 
ocorrer o dano ou da pessoa jurídica prejudicada. 
 
O § 5º do art. 17 complementa: 
§ 5º A propositura da ação a que se refere o caput deste artigo prevenirá a competência do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. 
 
7) Tutelas provisórias 
O Ministério Público poderá requerer as tutelas provisórias adequadas e necessárias, nos termos dos 
arts. 294 a 310 do CPC é o que diz o § 6º-A do art. 17. 
 
8) Juiz não pode modificar o fato principal e a capitulação legal apresentada pelo autor 
Art. 17 (...): 
§ 10-C. Após a réplica do Ministério Público, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a 
tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-lhe vedado modificar o fato 
principal e a capitulação legal apresentada pelo autor. 
§ 10-D. Para cada ato de improbidade administrativa, deverá necessariamente ser indicado apenas um 
tipo dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. 
(...) 
 § 10-F. Será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade administrativa que: 
I - condenar o requerido por tipo diverso daquele definido napetição inicial; 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
53 
Trata-se de aplicação do princípio da correlação entre o pedido, ou seja, entre as sanções qualitativas 
e quantitativamente postuladas pelo autor, e a sentença. 
 
9) Pessoa jurídica deve ser intimada 
De acordo com § 14 do art. 17: 
§ 14. Sem prejuízo da citação dos réus, a pessoa jurídica interessada será intimada para, caso queira, 
intervir no processo. 
 
10) Desconsideração da pessoa jurídica 
Se a imputação envolver a desconsideração de pessoa jurídica, serão observadas as regras previstas 
nos arts. 133 a 137 do CPC. 
11) Conversão da ação de improbidade em ação civil pública 
Segundo o § 16 e § 17 do art. 17: 
§ 16. A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades 
administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das 
sanções aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, em decisão motivada, converter a 
ação de improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 
1985. 
§ 17. Da decisão que converter a ação de improbidade em ação civil pública caberá agravo de 
instrumento. 
 
12) Direito ao interrogatório e ao silêncio 
Ao réu será assegurado o direito de ser interrogado sobre os fatos de que trata a ação, e a sua recusa 
ou o seu silêncio não implicarão confissão (§ 18 do art. 17). 
 
13) Não há presunção de veracidade em caso de revelia 
 
Art. 17. § 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: 
I - a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; 
 
14) Proibição do bis in idem processual 
Conforme explica o professor Márcio Cavalcante, o princípio que proíbe o bis in idem tem duas 
vertentes: 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
54 
a) ne bis in idem material: significa que o acusado tem o direito de não ser punido duas vezes pelo 
mesmo fato. Impede que alguém seja, efetivamente, punido em duplicidade ou que tenha o mesmo fato, 
elemento ou circunstância considerados mais de uma vez para definir-se a sanção. 
b) ne bis in idem processual: assegura-se ao réu o direito de não ser processado duas vezes pelo 
mesmo fato. Assim, impede a formação, a continuação ou a sobrevivência da relação jurídica processual que 
esteja em duplicidade. 
A Lei nº 14.230/2021 acrescentou um dispositivo proibindo expressamente o bis in idem processual 
nas ações de improbidade administrativa. 
Art. 17 (...) 
§ 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: 
(...) 
III - o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato (...) 
 
15) Papel da assessoria jurídica 
 
O papel da assessoria jurídica está disciplinado no art. 17 § 20: 
§ 20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos 
praticados pelo administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso este venha a responder 
ação por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado. 
 
16) Cabimento de agravo de instrumento nas ações de improbidade 
 
Art. 17 § 21. Das decisões interlocutórias caberá agravo de instrumento, inclusive da decisão que rejeitar 
questões preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação. 
 
17) Acordo de Não Persecução Cível 
 
O acordo de não persecução cível está disciplinado no art. 17-B que foi incluído pela Lei n. 
°14.230/2021. 
Nas lições do autor Renério Castro, “o acordo de não persecução cível é definido como negócio 
jurídico celebrado entre o Ministério Público e pessoas físicas ou jurídicas investigadas pela prática de 
improbidade administrativa, devidamente assistidas por advogado”. 
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55 
Por ocasião de sua inserção pelo Pacote Anticrime19, tínhamos uma lacuna com relação aos seus 
requisitos, a Lei n. 14.230/2021 altera esse contexto, passando a expor pontualmente os seus requisitos. 
Vejamos a regulamentação: 
Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, 
celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os 
seguintes resultados: 
I - o integral ressarcimento do dano; 
II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que 
oriunda de agentes privados. 
§ 1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, 
cumulativamente: 
I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura 
da ação; 
II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério Público 
competente para apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se 
anterior ao ajuizamento da ação; 
III - de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois 
do ajuizamento da ação de improbidade administrativa. 
§ 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo 
considerará a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e 
a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse 
público, da rápida solução do caso. 
§ 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a 
oitiva do Tribunal de Contas competente, que se manifestará, com indicação dos 
parâmetros utilizados, no prazo de 90 (noventa) dias. 
§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da 
investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento 
da execução da sentença condenatória. 
§ 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo 
ocorrerão entre o Ministério Público, de um lado, e, de outro, o investigado ou 
demandado e o seu defensor. 
§ 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a adoção de 
mecanismos e procedimentos internos de integridade, de auditoria e de incentivo à 
denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no 
âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em favor do 
interesse público e de boas práticas administrativas. 
§ 7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput deste artigo, o 
investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 
5 (cinco) anos, contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo 
descumprimento. 
 
 
 
 
 
 
19 O parágrafo 1º do artigo 17 da Lei da Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992) foi alterado, em 2019, pela Lei 13.964/2019 (Pacote 
Anticrime), passando a dispor que as ações por improbidade administrativa “admitem a celebração de acordo de não persecução cível”. 
Resultados que 
devem ser obtidos 
Requisitos 
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56 
18) Sentença nas ações de improbidade administrativa 
O art. 17-C, inserido pela Lei nº 14.230/2021, dispõe sobre critérios que devem balizar a sentença 
proferida. 
Art. 17-C. A sentença proferida nos processos a que se refere esta Lei deverá, além de 
observar o disposto no art. 489 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de 
Processo Civil): 
I - indicar de modo preciso os fundamentos que demonstram os elementos a que se 
referem os arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, que não podem ser presumidos; 
II - considerar as consequências práticas da decisão, sempre que decidir com base em 
valores jurídicos abstratos; 
III - considerar os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das 
políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados e das 
circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do 
agente; 
IV - considerar, para a aplicação das sanções, de forma isolada ou cumulativa: 
a) os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; 
b) a natureza, a gravidadee o impacto da infração cometida; 
c) a extensão do dano causado; 
d) o proveito patrimonial obtido pelo agente; 
e) as circunstâncias agravantes ou atenuantes; 
f) a atuação do agente em minorar os prejuízos e as consequências advindas de sua 
conduta omissiva ou comissiva; 
g) os antecedentes do agente; 
V - considerar na aplicação das sanções a dosimetria das sanções relativas ao mesmo 
fato já aplicadas ao agente; 
VI - considerar, na fixação das penas relativamente ao terceiro, quando for o caso, a 
sua atuação específica, não admitida a sua responsabilização por ações ou omissões 
para as quais não tiver concorrido ou das quais não tiver obtido vantagens 
patrimoniais indevidas; 
VII - indicar, na apuração da ofensa a princípios, critérios objetivos que justifiquem 
a imposição da sanção. 
§ 1º A ilegalidade sem a presença de dolo que a qualifique não configura ato de 
improbidade. 
§ 2º Na hipótese de litisconsórcio passivo, a condenação ocorrerá no limite da 
participação e dos benefícios diretos, vedada qualquer solidariedade. 
§ 3º Não haverá remessa necessária nas sentenças de que trata esta Lei. 
 
10. Prescrição 
 
Prescrição é a pretensão de buscar judicialmente a reparação de um direito que foi violado. Os atos 
de improbidade administrativa, assim como ocorre com as infrações penais, também estão sujeitos a prazos 
prescricionais. 
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57 
Logo, caso os legitimados ativos demorem muito tempo para ajuizar a ação de improbidade 
administrativa contra o responsável pelo ato ímprobo, haverá a prescrição e a consequente perda da pretensão 
punitiva. 
Antes do advento da Lei n.°14.230/2021, tínhamos prazos de prescrição diferente, conforme o caso 
concreto, o que foi radicalmente alterado. Atualmente, prescreve em 8 anos independente da situação. Nesse 
sentido, explica Márcio André: 
Assim, o texto anterior do art. 23 estipulava três hipóteses de prazo de prescrição antes de a ação ser proposta. 
A nova redação do art. 23, caput, unifica em 8 anos contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de 
infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência, o prazo de prescrição para a ação de improbidade. 
A fixação da data do fato como termo inicial torna a contagem do prazo prescricional mais segura. Isso porque, 
no regime anterior, esse início variava de acordo com a qualidade do sujeito ativo do ato. E, na prática, reuniam-
se numa mesma ação ou investigação sujeitos ativos de diferentes naturezas. Sem contar que a redação anterior 
não previa expressamente regras de prescrição para o terceiro (particular) que participava do ato de 
improbidade administrativa em conjunto com o agente público. 
 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as 
sanções previstas nesta lei podem ser propostas: 
 
Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas 
nesta Lei PRESCREVE EM 8 (OITO) ANOS, 
contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de 
infrações permanentes, do dia em que cessou a 
permanência. 
I - até cinco anos após o término do exercício de 
mandato, de cargo em comissão ou de função de 
confiança; 
I - Revogado! 
 
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei 
específica para faltas disciplinares puníveis com 
demissão a bem do serviço público, nos casos de 
exercício de cargo efetivo ou emprego. 
II - Revogado! 
 
III - até cinco anos da data da apresentação à 
administração pública da prestação de contas 
final pelas entidades referidas no parágrafo único 
do art. 1o desta Lei. 
III - Revogado! 
 
Não havia previsão de parágrafos. § 1º A instauração de inquérito civil ou de processo 
administrativo para apuração dos ilícitos referidos 
nesta Lei suspende o curso do prazo prescricional por, 
no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, 
recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso 
não concluído o processo, esgotado o prazo de 
suspensão. 
§ 2º O inquérito civil para apuração do ato de 
improbidade será concluído no prazo de 365 
(trezentos e sessenta e cinco) dias corridos, 
prorrogável uma única vez por igual período, 
mediante ato fundamentado submetido à revisão da 
instância competente do órgão ministerial, conforme 
dispuser a respectiva lei orgânica. 
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58 
§ 3º Encerrado o prazo previsto no § 2º deste artigo, a 
ação deverá ser proposta no prazo de 30 (trinta) dias, 
se não for caso de arquivamento do inquérito civil. 
§ 4º O prazo da prescrição referido no caput deste 
artigo interrompe-se: 
I - pelo ajuizamento da ação de improbidade 
administrativa; 
II - pela publicação da sentença condenatória; 
III - pela publicação de decisão ou acórdão de 
Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que 
confirma sentença condenatória ou que reforma 
sentença de improcedência; 
IV - pela publicação de decisão ou acórdão do 
Superior Tribunal de Justiça que confirma acórdão 
condenatório ou que reforma acórdão de 
improcedência; 
V - pela publicação de decisão ou acórdão do 
Supremo Tribunal Federal que confirma acórdão 
condenatório ou que reforma acórdão de 
improcedência. 
§ 5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a 
correr do dia da interrupção, pela metade do prazo 
previsto no caput deste artigo. 
§ 6º A suspensão e a interrupção da prescrição 
produzem efeitos relativamente a todos os que 
concorreram para a prática do ato de improbidade. 
§ 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam 
objeto do mesmo processo, a suspensão e a 
interrupção relativas a qualquer deles estendem-se 
aos demais. 
§ 8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o 
Ministério Público, deverá, de ofício ou a 
requerimento da parte interessada, reconhecer a 
prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e 
decretá-la de imediato, caso, entre os marcos 
interruptivos referidos no § 4º, transcorra o prazo 
previsto no § 5º deste artigo. 
 
1) Prescrição Intercorrente 
Prescrição intercorrente é aquela que ocorre durante o processo judicial em virtude da demora em se 
prolatar uma decisão pondo fim à causa. 
Na redação anterior a Lei 14.230/2021, não era possível a aplicação da prescrição intercorrente devido 
à posição anteriormente firmada pelo STJ: 
O STJ firmou entendimento de inaplicabilidade da prescrição intercorrente às ações de improbidade 
administrativa. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1872310/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 
05/10/2021. 
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59 
 
Atualmente é aplicável a prescrição intercorrente com base no art. 23 § 8º. 
 
2) Suspensão do Prazo Prescricional 
 
A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração dos atos de improbidade 
suspende o curso do prazo prescricional por, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, 
recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o processo, esgotado o prazo de 
suspensão (art. 23, § 1°). 
 
A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração de atos de improbidade 
administrativa suspende o curso do prazo prescricional. Essa suspensão dura até o inquérito ou processo ser 
concluído. 
Se o inquérito ou processo demorar mais que 180 dias para ser concluído, o prazo prescricional volta 
a correr. 
Conclui-se, portanto, que a suspensão do prazo prescricional não poderá ser superior a 180 dias. 
Trata-se de novidade prevista no novo § 1º do art. 23 da LIA. 
 
3) Interrupção do prazo prescricional 
Segundo o § 4º do art. 23 da LIA, o prazo prescricional é interrompido: 
 
 
Pelo ajuizamento da ação de 
improbidade administrativa
Pela publicação da sentença 
condenatória
Pela publicação de decisão ou 
acórdão de TJ ou TRF que 
confirma sentença condenatória 
ou que reforma sentença de 
improcedência
Pela publicação de decisão ou 
acórdão do STJ que confirma 
acórdão condenatório ou que 
reforma acórdão de 
improcedênciaexplica o professor Márcio André, a improbidade administrativa, “trata-se de um ato 
praticado por agente público, ou por particular em conjunto com agente público, e que gera enriquecimento 
ilícito, causa prejuízo ao erário ou atenta contra os princípios da Administração Pública. A Lei nº 14.230/2021 
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4 
inseriu o § 1º ao art. 1º da LIA trazendo uma definição de ato de improbidade administrativa”. Essa definição 
tem por base a própria legislação. 
A doutrina, por sua vez, compreende a improbidade administrativa como imoralidade 
administrativa qualificada. Nesse sentido, leciona Renério de Castro Júnior: 
Há um forte entendimento doutrinário segundo o qual a improbidade administrativa seria uma espécie de 
imoralidade administrativa qualificada cuja gravidade é tão acentuada que recebeu tratamento próprio na 
CF/88 (art. 37, § 4°). (...) Portanto, se trata de uma imoralidade administrativa qualificada. A improbidade 
administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou a 
outrem. 
De olho na LEI SECA: 
Art. 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na 
organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do patrimônio 
público e social, nos termos desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 
desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 
11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021 
§ 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso 
com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
§ 4º Aplicam-se ao sistema da improbidade disciplinado nesta Lei os princípios constitucionais do direito 
administrativo sancionador. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a 
integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da 
administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. 
(Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021). 
 
1.3. Natureza Jurídica 
 
 Inicialmente, cumpre destacarmos que a improbidade administrativa não tem natureza jurídica de-
ilícito penal. Para que um ato de improbidade seja também considerado ilícito penal, é necessário que esteja 
tipificado como tal em Lei Penal. Em virtude disso, todo crime contra administração é ato de improbidade, 
mas nem todo ato de improbidade é crime. 
 Também não é ilícito administrativo. Mas a Lei n.° 8.112/90, estatuto dos servidores, pode estabelecer 
que um ato de improbidade seja também infração funcional, sendo, neste caso, também ilícito administrativo. 
Em verdade, o ato de improbidade possui natureza de ilícito civil, embora alguns doutrinadores considerem 
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5 
que ela pode ter natureza de ilícito político em alguns casos. É apurado pela Ação de Improbidade 
Administrativa, que tem natureza de Ação Civil Pública. 
 Cumpre recordarmos ainda que, um Ato de Improbidade que seja ilícito civil, poderá também ser um 
Ilícito Penal e Ilícito Administrativo, hipótese na qual haverá procedimento para punição nas instâncias civil, 
administrativa e penal. 
 Com relação a apuração dos ilícitos, importante destacarmos que a regra é a incomunicabilidade das 
instancias, de forma excepcional é que se comunicam. Assim: 
 Regra Geral: Incomunicabilidade das Instâncias. 
 Exceção: Comunicabilidade – sentença absolutória no processo penal por inexistência do fato ou 
negativa de autoria. Neste caso, há comunicação das instâncias, e o absolvido no processo penal será 
absolvido também no processos civil e administrativo. 
 Corroborando ao exposto, leciona Renério de Castro “o ato de improbidade administrativa tem 
natureza civil, mas isso não impede, é claro, a apuração de responsabilidade pela mesma conduta nas esferas 
administrativa e penal. Lembre-se que uma mesma conduta pode dar origem a três ações (ação civil, ação 
penal e processo disciplinar) com decisões diferentes em cada um dos processos. Em regra, uma decisão não 
influencia a outra. A esse fenômeno se dá o nome de independência de instâncias”. 
 Vamos lembrar! 
 Um agente público que pratica ato de improbidade sujeita-se a sanções de natureza penal, 
administrativa e civil. No entanto, as sanções previstas na Lei 8429/92 são CÍVEIS, não havendo sanções 
penais e administrativas na LIA (Lei de Improbidade Administrativa. 
 
1.4. Bem Jurídico Tutelado 
 
Conforme explica o professor Márcio André, o caput do art. 1º da LIA foi alterado para deixar 
expresso o bem jurídico tutelado pelo sistema de responsabilização dos atos de improbidade administrativa. 
Nesse sentido, dispõe a legislação: 
Art. 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na 
organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do patrimônio 
público e social, nos termos desta Lei. 
Parágrafo único. (Revogado). 
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6 
1.5. Competência para legislar 
 
 A competência para legislar é da União. Com fundamento no art.22, I, a doutrina atribui competência 
legislativa exclusiva à União para legislar a respeito, em razão da natureza das sanções aplicadas pela lei de 
improbidade (natureza civil, que são de legislação exclusiva pela União). No que tange ao procedimento 
administrativo a competência é concorrente, ou seja, a União legisla sobre normas gerais, e os outros entes 
legislam sobre matérias específicas. 
 
1.6. Aplicabilidade da Lei de Improbidade a fatos pretéritos 
 
 Candidato, a Lei nº 8.429/92 pode ser aplicada a fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor? NÃO. 
É pacífico o entendimento do STJ no sentido de que a Lei nº 8.429/92 não pode ser aplicada 
retroativamente para alcançar fatos anteriores a sua vigência, ainda que ocorridos após a edição da 
Constituição Federal de 1988. STJ. REsp 1129121/GO, Rel. p/ Acórdão Min. Castro Meira, julgado em 
03/05/20121. 
2. Alterações promovidas pela Lei 14.230/2021 
 
A Lei n.º 14.230/2021 provocou uma grande mudança na Lei de Improbidade Administrativa (LIA), 
alguns doutrinadores mencionam, inclusive, se tratar de uma nova lei, denominando-a de nova Lei de 
Improbidade Administrativa. 
Em que pese as inúmeras alterações, as mudanças significativas e bem marcantes em seu conteúdo, 
a “roupagem” da Lei de Improbidade Administrativa continua a mesma, ou seja, a Lei de Improbidade 
Administrativa continua prevista na Lei n.° 8.429/92, sem alteração no número da lei. 
Nesse contexto, temos que a Lei de n.° 14.230/2021 alterou praticamente todos os artigos da referida 
Lei em estudo, com exceção dos artigos 15, 19, 24 e 25. 
Diante do exposto, contemplamos que inobstante as alterações, não cabe falarmos em revogação da 
lei de improbidade administrativa, se mantendo em vigência após inúmeras alterações, a Lei n. 8.429/92. 
 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Irretroatividade da Lei nº 8.429/92. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 17/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63Pela publicação de decisão ou 
acórdão do STF que confirma 
acórdão condenatório ou que 
reforma acórdão de 
improcedência
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
60 
 
Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia da interrupção, pela metade do prazo 
previsto no caput deste artigo, é o que disciplina o § 5º do art. 23. 
 
4) Comunicabilidade das causas interruptivas da prescrição 
Art. 23, §§ 6º e 7º: 
§ 6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos relativamente a todos os que 
concorreram para a prática do ato de improbidade. 
§ 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, a suspensão e a interrupção 
relativas a qualquer deles estendem-se aos demais. 
 
5) Prescrição do ressarcimento ao erário 
A reforma da LIA não tratou especificamente da prescrição do ressarcimento ao erário, portanto, 
continua sendo aplicado o entendimento do STF: 
São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática do ato 
doloso tipificado na LIA, submetendo-se, contudo à prescrição a pretensão de 
ressarcimento ao erário fundada em ato culposo de improbidade. 
 
Obs.: Vale lembrar que foi extinta a modalidade culposa. Atualmente, todos os atos de improbidade 
administrativa são na modalidade dolosa! 
 
11. Informativos posteriores à Lei 14.230/2021: 
 
É possível a homologação judicial de acordo de não persecução cível no âmbito da ação de 
improbidade administrativa em fase recursal. STJ. 1ª Seção. EAREsp 102.585-RS, Rel. Min. Gurgel de 
Faria, julgado em 09/03/2022 (Info 728). 
#HORADOINFORMATIVO #MARCINHOEXPLICA 
 
Requisitos 
A celebração do acordo dependerá do preenchimento de três requisitos cumulativos: 
1) a oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação; 
2) aprovação, no prazo de até 60 dias, pelo órgão do Ministério Público competente para apreciar as 
promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; 
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61 
3) homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação 
de improbidade administrativa. 
 
Obs: a pessoa jurídica interessada não detém legitimidade para celebrar o acordo de não persecução cível. 
Ainda assim, é necessária sua prévia oitiva. 
 
Outros aspectos que deverão ser analisados 
Em qualquer caso, a celebração do acordo considerará a personalidade do agente, a natureza, as 
circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o 
interesse público, da rápida solução do caso. 
 
Determinação de mecanismos de compliance 
O acordo poderá contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos internos de integridade, de 
auditoria e de incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta 
no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em favor do interesse público e 
de boas práticas administrativas (§ 6º do art. 17-B). 
 
Como calcular o valor a ser ressarcido? 
Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas 
competente, que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 dias (§ 3º do art. 
17B). 
Se houver descumprimento do acordo 
Em caso de descumprimento do acordo, o investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo 
acordo pelo prazo de 5 anos, contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo descumprimento 
(§ 7º do art. 17-B). 
 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O acordo de não persecução cível pode ser celebrado mesmo que a ação de 
improbidade administrativa já esteja em fase de recurso. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponívelem:. 
Acesso em: 15/04/2022 
 
Nas ações de improbidade administrativa, a competência da Justiça Federal é definida em razão 
da presença das pessoas jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da Constituição Federal 
na relação processual, e não em razão da natureza da verba federal sujeita à fiscalização da Tribunal 
de Contas da União. STJ. 1ª Seção. CC 174.764-MA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 
09/02/2022 (Info 724). 
#HORADOINFORMATIVO #MARCINHOEXPLICA 
 
Nas ações de ressarcimento ao erário e improbidade administrativa ajuizadas em face de eventuais 
irregularidades praticadas na utilização ou prestação de contas de valores decorrentes de convênio federal, 
o simples fato de as verbas estarem sujeitas à prestação de contas perante o Tribunal de Contas da União, 
por si só, não justifica a competência da Justiça Federal. 
Igualmente, a mera transferência e incorporação ao patrimônio municipal de verba desviada, no âmbito 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
62 
civil, não pode impor de maneira absoluta a competência da Justiça Estadual. Se houver manifestação de 
interesse jurídico por ente federal que justifique a presença no processo, (v.g. União ou Ministério Público 
Federal) regularmente reconhecido pelo Juízo Federal nos termos da Súmula 150/STJ, a competência para 
processar e julgar a ação civil de improbidade administrativa será da Justiça Federal. 
As Súmulas 208 e 209 do STJ provêm da 3ª Seção do STJ e versam hipóteses de fixação da competência 
em matéria penal, em que basta o interesse da União ou de suas autarquias para deslocar a competência 
para a Justiça Federal, nos termos do inciso IV do art. 109 da CF. Logo, não podem ser utilizadas como 
critério para as demandas cíveis. 
Diante disso, é possível afirmar que a competência cível da Justiça Federal deve ser definida em razão da 
presença das pessoas jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação processual, 
seja como autora, ré, assistente ou oponente e não em razão da natureza da verba federal sujeita à 
fiscalização do TCU. 
Assim, em regra, compete à Justiça Estadual processar e julgar agente público acusado de desvio de verba 
recebida em razão de convênio firmado com o ente federal, salvo se houver a presença das pessoas jurídicas 
de direito público previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação processual. 
 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Competência para julgar ação de improbidade proposta por 
Município contra ex-prefeito que não prestou contas de convênio federal. Buscador Dizer o Direito, 
Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/04/2022 
 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
63 
12. Bibliografia 
 
• CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade 
Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/04/2022 
• Anotações pessoais de Aula – Professor Rafael Oliveira. 
• http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm 
• 7 JOURNAL OF INSTITUTIONAL STUDIES 2 (2021) Revista Estudos Institucionais, v. 7, n. 2, p. 
467-478, mai./ago. 2021. 
• Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 
2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. 
• CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo/ Matheus Carvalho – 9. ed. rev. ampl. e atual. 
– Salvador, JusPODIVM, 2021. 
• CARVALHO, Matheus. Lei de improbidade comentada – Atualizada com a Lei 14.230/2021 / Matheus 
Carvalho – São Paulo: Editora JusPODIVM, 2022. 
• CASTRO, Renério. Manual de Direito Administrativo/ Renério Castro – São Paulo. JusPODIVM, 2021. 
 
 
 
 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-637 
2.1. Nova Ementa 
 
No texto original da Lei 8.429, aludia-se a sancionamento de agentes públicos em hipóteses de enriquecimento 
ilícito. Evidentemente, o instituto da improbidade não se restringe aos casos de enriquecimento ilícito – e 
tal já era consagrado na própria redação original da Lei 8.429. O enriquecimento ilícito no exercício de uma 
posição jurídica pública é uma das hipóteses que pode configurar improbidade e se encontra prevista no art. 9° 
do diploma. A LIA dispõe sobre muitos outros temas. 
A alteração consagrada na Lei 14.230/2021 destinou-se a corrigir a imprecisão da redação do texto 
legislativo original. Porém, em termos normativos, a modificação não produz qualquer efeito relevante2. 
 
 
ANTES da alteração provocada pela Lei 
14.230/2021 APÓS alteração provocada pela Lei 14.230/2021 
Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes 
públicos nos casos de enriquecimento ilícito no 
exercício de mandato, cargo, emprego ou função na 
administração pública direta, indireta ou fundacional 
e dá outras providências. 
Dispõe sobre as sanções aplicáveis em virtude da 
prática de atos de improbidade administrativa, de 
que trata o § 4º do art. 37 da Constituição Federal; e 
dá outras providências. 
 
 
2.2. Principais mudanças provocadas pela n.° Lei 14.230/2021 
 
Entre as principais mudanças provocadas pela legislação, podemos destacar a exclusão da modalidade 
culposa. No atual cenário, a improbidade administrativa somente pode ser praticada a título de dolo. 
Desse modo, contemplamos que houve a exclusão da modalidade culposa de improbidade por lesão ao erário, 
passando a depender de condutas dolosas. 
Um dos núcleos da reforma promovida pela Lei 14.230/2021 consistiu em afirmar que a improbidade 
somente se configura nos casos de conduta dolosa. O elemento subjetivo do tipo da improbidade é o dolo. 
Isso significa a consciência do sujeito quanto à antijuridicidade de sua conduta e a vontade de praticar a ação 
ou a omissão necessária à consumação da infração3. 
 
Atualmente, para além da demonstração do dolo, mostra-se necessário ainda a comprovação do dolo 
específico, não sendo mais suficiente apenas o chamado dolo genérico. É exigido o ato doloso com fim 
ilícito. Corroborando ao exposto, leciona Renério de Castro Júnior (pág. 33): 
Até a promulgação da Lei 14.230/21, predominava o entendimento de que os atos de improbidade que causam 
danos ao erário (art. 10) poderiam ser sancionados a título de dolo ou culpa, sendo os demais (arts. 9° e 11) 
sancionados apenas se comprovada a má-fé do agente, ou seja, sua atuação dolosa, bastando, para tanto, o 
dolo genérico. Contudo, agora o cenário é outro. Com a publicação da nova lei, passa a ser exigida a 
comprovação de dolo específico do agente em praticar os atos de improbidade descritos nos artigos 9°, 10 e 
11, não bastando a simples comprovação da culpa ou mesmo de dolo genérico. Nesse sentido estão os §§2 e 
3° do artigo 1º que preveem, respectivamente, uma definição estreita de dolo (“vontade livre e consciente de 
alcançar o resultado ilícito”, “não bastando a voluntariedade do agente”) e a vedação ao sancionamento de 
atos de gestão da coisa pública sem demonstração de ato doloso com fim ilícito. 
 
2 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 
1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. 
3 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 
1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
8 
O Art. 1º § 2º trouxe expressamente a definição de dolo, bem como, exposição da necessidade deste, 
mencionando que não basta a voluntariedade do agente. Nesse sentido, prevê a legislacao que “”considera-
se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, 
não bastando a voluntariedade do agente”. 
Vejamos algumas das principais mudanças: 
ANTES da alteração provocada pela Lei 
14.230/2021 APÓS alteração provocada pela Lei 14.230/2021 
Os atos de improbidade administrativa previstos nos 
arts. 9º, 10-A e 11 exigiam dolo. Com a exceção de 
uma hipótese de improbidade que poderia ser 
praticada com culpa prevista no art. 10. 
Art. 1º § 1º Consideram-se atos de improbidade 
administrativa as condutas dolosas tipificadas nos 
arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos 
em leis especiais. 
Extinção da modalidade culposa. 
Todas as modalidades de improbidade 
administrativa são DOLOSAS. 
A configuração do ato de improbidade por ofensa a 
princípio da administração depende da demonstração 
do chamado dolo genérico ou lato sensu. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1383649/SE, Rel. Min. Herman 
Benjamin, julgado em 05/09/2013. 
Art. 1º § 2º Considera-se dolo a vontade livre e 
consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado 
nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a 
voluntariedade do agente. 
Art. 1º § 3º O mero exercício da função ou 
desempenho de competências públicas, sem 
comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a 
responsabilidade por ato de improbidade 
administrativa. 
É necessária a comprovação de um DOLO 
ESPECÍFICO. 
Art. 10-A. Constitui ato de improbidade 
administrativa qualquer ação ou omissão para 
conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou 
tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º 
do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de 
julho de 2003. 
Art. 10, XXII - conceder, aplicar ou manter benefício 
financeiro ou tributário contrário ao que dispõem 
o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar 
nº 116, de 31 de julho de 2003. 
Revogado o art. 10-A, contudo, a conduta antes 
prevista no art. 10-A, passou a constar no art. 10, 
XXII. 
Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as 
sanções previstas nesta lei podem ser propostas: 
I - até cinco anos após o término do exercício de 
mandato, de cargo em comissão ou de função de 
confiança; 
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei 
específica para faltas disciplinares puníveis com 
demissão a bem do serviço público, nos casos de 
exercício de cargo efetivo ou emprego. 
III - até cinco anos da data da apresentação à 
administração pública da prestação de contas final 
pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 
1o desta Lei. 
Art. 23. A ação para a aplicação das sanções 
previstas nesta Lei prescreve em 8 (oito) anos, 
contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de 
infrações permanentes, do dia em que cessou a 
permanência. 
 
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9 
#Como Já Caiu em Provas de Concurso 
Ano: 2022 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Telebras Provas: CESPE / CEBRASPE - 2022 - Telebras - 
Especialista em Gestão de Telecomunicações – Auditoria. 
Acerca das sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, julgue o item que 
se segue. São considerados atos de improbidade administrativa as condutas dolosas e culposas tipificadas na 
Lei n.º 8.429/1992. 
Gabarito ERRADO. Atualmente, apenas as condutas DOLOSAS. 
 
 Essas são apenas algumas, das muitas alterações que ocorreram na Lei n.° 8.429/92, as quais 
analisaremos neste material de maneira aprofundada e didática. 
3. Conceito de Improbidade Administrativa em conformidade com as alterações provocadas pela Lei 
14.230/2021 
 
Improbidade Administrativa é o ato ilícito DOLOSO, praticado por agente público ou terceiro, 
contra as entidades públicas e privadas, gestoras de recursos públicos, capaz de acarretar enriquecimento 
ilícito (art. 9º), lesão ao erário (art. 10) e violação aos princípios (art. 11) da administração pública, conforme 
ensina o professor Rafael de Oliveira. 
Lembrando, que antes da reforma era possível falar em improbidade administrativa na modalidade 
culposa, atualmente não mais. 
Em RESUMO: 
 
 
 
ImprobidadeAdministrativa
Conduta 
DOLOSA
Enriquecimento ilícito
Prejuízo ao erário
Violação aos princípios 
administrativos
É necessário o DOLO ESPECÍFICO ® mudança 
implementada pela Lei 14.230/2021. 
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10 
3.1. Sujeitos da Improbidade 
 
Os sujeitos do crime de improbidade, assim como no âmbito do direito penal, dividem-se em, sujeito 
passivo e sujeito ativo. Ou seja, são as pessoas físicas ou jurídicas envolvidas ou afetadas pelo ato de 
improbidade, seja na condição de autoras, seja como vítimas. 
 O sujeito passivo é a pessoa jurídica que sofre o ato de improbidade administrativa (art. 1º da LIA), 
em outras palavras é a vítima da improbidade. Conforme ensina o professor Márcio André (Dizer o Direito) 
o sujeito passivo é a pessoa jurídica, de direito público ou privado, que sofre os efeitos deletérios do ato de 
improbidade administrativa. É como se fosse a “vítima” do ato de improbidade. 
 Por outro lado, o sujeito ativo é a pessoa física ou jurídica que comete atos de improbidade 
administrativa tipificados na LIA, art. 2º e 3º. 
 A presente análise é sob o ponto de vista do direito MATERIAL, ou seja, será examinado o sujeito 
ativo do ATO de improbidade, isto é, quem praticou o ato no mundo real. Não se está tratando aqui de sujeito 
ativo ou passivo sob o ponto de vista processual, isto é, quem seria autor ou réu na ação de improbidade. 
 
É necessária a correlação entre o sujeito ativo (previsto no art.1º) e o sujeito passivo previsto no art. 2º (e, se 
presente a figura do particular, art. 3º) para que exista o ato de improbidade. 
 
3.1.1. Sujeito Ativo 
 
Conforme leciona Márcio André, o sujeito ativo é a pessoa física ou jurídica que pratica dolosamente 
o ato de improbidade administrativa; induz ou concorre dolosamente para a sua prática. O sujeito ativo 
do ato de improbidade será réu na ação de improbidade. Os sujeitos ativos podem ser de duas espécies: 
agentes públicos (art. 2º); e/ou terceiros (art. 3º). 
Corroborando, explica Renério Castro: 
Por “sujeito ativo” do ato de improbidade administrativa entende-se aquele que pratica o ato de 
improbidade, seja ou não agente público. Preste atenção para não confundir os conceitos, o sujeito ativo do 
ato de improbidade estará no polo passivo da ação de improbidade. 
Basicamente, são três os possíveis agentes ativos do ato de improbidade: 
a) os agentes públicos; 
b) aqueles que gerem recursos públicos por força de atos conveniais; e 
c) os terceiros que induzam ou concorram para a prática do ato. 
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11 
3.1.1.1. Agente Público 
 
Quem é considerado agente público nos termos da Lei de Improbidade Administrativa? 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos 
desta lei, todo aquele que exerce, ainda que 
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, 
nomeação, designação, contratação ou qualquer 
outra forma de investidura ou vínculo, mandato, 
cargo, emprego ou função nas entidades 
mencionadas no artigo anterior. 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei consideram-se 
agente público o agente político, o servidor público 
e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente 
ou sem remuneração, por eleição, nomeação, 
designação, contratação ou qualquer outra forma de 
investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou 
função nas entidades referidas no art. 1º desta 
Lei. 
Parágrafo único. No que se refere a recursos de 
origem pública, sujeita-se às sanções previstas nesta 
Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra 
com a administração pública convênio, contrato de 
repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo 
de cooperação ou ajuste administrativo 
equivalente. 
 
A Lei n°. 14.230/2021 trouxe, de forma expressa, que para os efeitos da Lei de Improbidade 
Administrativa considera-se também como agente público o agente político, englobando o que já era 
entendimento do STF na Lei n°. 8.429/92. 
Desse modo, incorporando o entendimento da proposto pelo Superior Tribunal Federal, passou a 
integrar no rol de agente público para fins de ato de improbidade administrativa, os agentes políticos4. 
 
Os agentes políticos, com exceção do presidente da República, encontram-se sujeitos a um duplo 
regime sancionatório, e se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade 
administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de 
responsabilidade. 
STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado 
em 10/5/2018 (Info 901). 
 
 
Corroborando com esse entendimento, preleciona Renério Castro “com efeito, os agentes políticos, 
com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a um duplo regime sancionatório, e se 
submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa quanto à 
responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade”. 
 
4 Agentes políticos: são os titulares de cargos estruturais à organização política do país; o vínculo que mantêm com o Estado é de natureza 
política, isto é, não profissional; submetem-se ao regime jurídico definido primordialmente pela própria CF/88. São exemplos: Chefes do 
Executivo, Ministros e Secretários, Senadores, Deputados e Vereadores. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
12 
Importante ressaltarmos que, o Presidente da Repúblia não responderá por improbidade, apenas pelo 
crime de responsabilidade. Os demais agentes políticos, por sua vez, podem cometer ato de improbidade 
administrativa. 
Candidato, os advogados exercem função essencial da justiça, sendo assim, podem ser considerados 
agentes públicos para fim de improbidade administrativa? 
Segundo o professor Rafael de Oliveira, depende. Se for um advogado público, que integra os quadros 
da advocacia pública, nesse caso, o advogado se enquadra no conceito de agente público para fins de 
improbidade. O advogado liberal, por sua vez, não se enquadra no conceito de agente público da LIA, e só 
poderá ser punidos a título de ato de improbidade como terceiro (conceito presente no art. 3º da LIA). 
E os árbitros, se enquadram no conceito de agentes públicos, para fins da LIA? Segundo a lei de 
arbitragem, os árbitros são equiparados aos funcionários públicos, apenas no que tange a leis penais. 
Art. 17. Os árbitros, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, ficam equiparados aos 
funcionários públicos, para os efeitos da legislação penal. 
Podem ser enquadrados como terceiro. 
Por fim, com relação aos notários e registradores, que exercem funções públicas delegadas, podem 
ser equiparados ao conceito de agente público para fins de improbidade administrativa? Sim! Visto que existe 
a cobrança de emolumentos para a serventia do serviço público. 
 
3.1.1.2. Terceiro 
 
Segundo o professor Márcio André, terceiro é a pessoa física ou jurídica que, mesmo não sendo 
agente público, induziu ou concorreu dolosamente para a prática do ato de improbidade. Desse modo, o 
papel do terceiro no ato de improbidade pode ser o de induzir (instigar, estimular) o agente público a 
praticar o ato de improbidade; ou concorrer para o ato de improbidade (auxiliar o agente público a 
praticar). 
A LIA adotou um critério residual para definir o conceito de terceiro, isto é, considera-se terceiro 
aquele que não se amolda no conceito de agente público definido no art. 2º da Lei 8.429/92. 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no 
que couber, àquele que, mesmo não sendo agente 
público, induza ou concorra para a prática do ato 
Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no 
que couber, àquele que, mesmo não sendo agente 
público, induza ou concorra DOLOSAMENTE 
para a prática do ato de improbidade. 
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13 
de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer 
forma direta ou indireta. 
§ 1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os 
colaboradores de pessoa jurídica de direito privado 
não respondem pelo ato de improbidade que venha a 
ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, 
comprovadamente, houver participação e benefícios 
diretos, caso em que responderão nos limites da sua 
participação. 
§ 2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa 
jurídica, caso o ato de improbidade administrativa 
seja também sancionado como ato lesivo à 
administração pública de que trata a Lei nº 12.846, 
de 1º de agosto de 2013. 
 
O terceiro pode ser uma pessoa física ou jurídica que, não se amolda no conceito de agente público, 
mas, mesmo assim induziu ou concorreu DOLOSAMENTE para a prática do ato de improbidade. 
 
Obs.: A mera instigação, por um terceiro, ao agente público não configura o ato de improbidade 
administrativa, uma vez que, a lei trouxe expressamente, que os verbos induzir e concorrer para a tipificação 
dos atos previstos na LIA. 
 No tocante ao terceiro, importante ainda destacarmos o entendimento do STJ com relação a figura do 
estagiário. Nesse sentido, a Jurisprudência em Teses (edição n. 187): 
O estagiário está abrangido dentro deste conceito de agente público para fins de improbidade, que abrange não 
apenas os servidores públicos, mas todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, 
por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, 
cargo, emprego ou função na Administração Pública. 
 
Assim, segundo o entendimento do STJ: 
É possível o enquadramento de estagiário no conceito de agente público para fins de responsabilização 
por ato de improbidade administrativa. 
 
 Em RESUMO: 
INDUZIR
•O particular coloca na mente do agente público a 
prática do ato ilícito. 
CONCORRER
•Pratica juntamente com o agente público o ato de 
ilícito previsto na LIA.
•É um auxílio material.
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14 
 
 
3.1.2. Sujeito Passivo 
 
Conforme ensina o professor Márcio André (Dizer o Direito) o sujeito passivo é a pessoa jurídica, 
de direito público ou privado, que sofre os efeitos deletérios do ato de improbidade administrativa. É como 
se fosse a “vítima” do ato de improbidade. 
As entidades públicas e privadas, gestoras de recursos públicos, previstas no conceito de improbidade 
administrativa, referem-se às pessoas que podem ser sujeito passivo do ato de improbidade conforme 
entendimento do professor Rafael Oliveira. 
® Qual a redação originária da Lei 8.429/92 no que tange ao sujeito passivo? 
Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração 
direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos 
Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou 
custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita 
anual, serão punidos na forma desta lei. 
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o 
patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público 
bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta 
por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do 
ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. 
 
Em sua redação originária do art. 1º e seu parágrafo único da LIA, havia uma diferenciação quando 
os entes públicos ou governamentais concorriam com mais ou menos de 50% dos benefícios ou incentivos. 
Após a entrada em vigor Lei 14.230/2021essa diferença de porcentagem NÃO permaneceu. 
® Quem pode ser sujeito passivo da LIA, atualmente? 
Sujeito Ativo da Lei 
8.429/92
Pessoa Física ou Jurídica 
Pratica 
DOLOSAMENTE o 
ato de 
improbidade 
administrativa.
Induz ou concorre 
DOLOSAMENTE
para a sua prática.
Duas espécies
Agentes Públicos 
(art. 2º) Terceiros (art. 3º).
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15 
As pessoas que podem ser sujeito passivo da LIA estão previstas no art. 1º, §§ 5º a 7º da Lei nº 
8.429/92. 
Os §§ 5º a 7º, do art. 1º da Lei nº 8.429/92, que referem-se ao sujeito passivo, foram acrescidos pela 
Lei n.° 14.230/2021. 
SUJEITO PASSIVO - LIA 
§ 5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções 
e a integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como 
da administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito 
Federal. 
 
Vale lembrar: 
Administração direta: União, Estados, DF, Municípios. 
Administração indireta: autarquias, fundações, associações públicas, empresas públicas, sociedades de 
economia mista. 
§ 6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade 
privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou 
governamentais, previstos no § 5º deste artigo. 
 
§ 7º Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os atos 
de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o 
erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento 
de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. 
 
Em RESUMO: 
1) todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e órgãos da Administração direta (União, 
Estados, DF e Município); 
2) entidades Administração direta e indireta (autarquias, fundações, publicações, empresas públicas, 
sociedade de economia mista) ; 
3) entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes 
públicos ou governamentais; 
4) entidade privada que o erário concorra (ou haja concorrido) para a criação de custeio – limitado o 
ressarcimento de prejuízos à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos (Sociedades de 
propósito específico, criadas para gerir parcerias público-privadas (art. 9º da Lei nº 11.079/2004). 
 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
16 
 
 
3.2. Diferença entre os conceitos de “probidade” e “moralidade”5 
 
A ideia de probidade administrativa enquanto princípio tem relação com a moralidade jurídica 
(princípio da moralidade: não corrupção/boa-fé de conduta). A Probidade Administrativa não é novidade no 
Ordenamento Jurídico Brasileiro, já o princípio da moralidade foi introduzido na Constituição Federal de 
1988. 
Esse princípio tem conceito vago e indeterminado, por isso muito doutrinadores misturam moralidade 
com probidade, porque ambas decorrem da ideia de honestidade. Entretanto, a improbidade é muito mais 
ampla que a moralidade, envolvendo muito mais hipóteses. 
Nessa esteira, temos que a violação ao princípio da moralidade configura ato de improbidade. Porém, 
nem todo ato de improbidade configura violação ao princípio da moralidade, sendo apenas uma das espécies. 
Corroborando ao exposto, ensina Matheus Carvalho “o agente ímprobo sempre se qualificará corno 
violador do princípio da moralidade, contudo, nem todo ato de improbidade tipificado em lei corresponde à 
violação ao princípio da moralidade”. 
A probidade é um conceito mais amplo que o de moralidade. Isso porque a Lei n° 8.429/92 prevê, 
como ato de improbidade administrativa, não apenas a violação à moralidade, mas também aos demais 
princípios da Administração Pública, conforme previsto no art. 11 da referida Lei. Assim, todoato imoral é 
 
5 Tabela extraída do Buscador Dizer o Direito: 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: . 
Acesso em: 15/04/2022 
Sujeito Passivo da LIA
Administração Pública Direta 
e Indireta de quaisquer dos 
Poderes da União, Estados, 
DF e Municípios.
Entidade privada que receba 
subvenção, benefício ou 
incentivo, fiscal ou creditício, 
de entes públicos ou 
governamentais.
Entidade privada para cuja 
criação ou custeio o erário 
haja concorrido ou concorra 
no seu patrimônio ou receita 
atual, limitado o 
ressarcimento de prejuízos, 
nesse caso, à repercussão do 
ilícito sobre a contribuição 
dos cofres públicos.
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
17 
um ato de improbidade administrativa, mas nem todo ato de improbidade administrativa significa violação 
ao princípio da moralidade. 
Vejamos a distinção propostas por 3 correntes sobre o tema: 
1ª corrente 2ª corrente 3ª corrente 
Moralidade é um conceito mais 
amplo que o de probidade. 
Probidade seria um subprincípio 
da moralidade. 
 
Probidade é um conceito mais 
amplo que o de moralidade. Isso 
porque a Lei nº 8.429/92 prevê, 
como ato de improbidade 
administrativa, não apenas a 
violação à moralidade, mas também 
aos demais princípios da 
Administração Pública, conforme 
previsto no art. 11 da referida Lei. 
Assim, todo ato imoral é um ato de 
improbidade administrativa, mas 
nem todo ato de improbidade 
administrativa significa violação ao 
princípio da moralidade. 
Moralidade e probidade são 
expressões equivalentes, 
considerando que a CF 
menciona a moralidade como 
um princípio da Administração 
Pública (art. 37, caput) e a 
improbidade como sendo a 
lesão produzida a esse mesmo 
princípio (art. 37, § 4º). 
Posição de Wallace Paiva Martins 
Júnior. 
Defendida por Emerson Garcia e 
Rogério Pacheco Alves. 
É sustentada por José dos 
Santos Carvalho Filho. 
 
Seguindo os ensinamentos do professor Márcio André Lopes Cavalcante, a segunda corrente, na qual 
a probidade é um gênero, sendo a moralidade uma de suas espécies, é o melhor entendimento e deve ser 
adotado nas provas. Ainda em conformidade com a 2ª corrente, a improbidade irá englobar não apenas os 
atos desonestos ou imorais, mas também os atos ilegais. 
3.3. Alcance da Lei n.° 8.429/92 
 
A Lei n.°14.230/2021 não ocasionou mudanças com relação ao alcance da Lei 8.429/92. Sendo assim, 
a LIA incide não só para a União, mas também, para os Estados, DF e Municípios, ou seja, é uma lei com 
alcance nacional. 
Em que pese a referida regra, o art. 13 trouxe uma exceção. 
 Exceção: 
Art. 13 
Tem alcance apenas para a União Federal 
e não vincula os demais entes federados. 
Dispõe sobre a exigência de 
apresentação de declaração de imposto 
de renda por aqueles que vão assumir um 
cargo ou uma função pública. 
 
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de imposto 
de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal 
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18 
do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
§ 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 2º A declaração de bens a que se refere o caput deste artigo será atualizada anualmente e na data em que o 
agente público deixar o exercício do mandato, do cargo, do emprego ou da função. (Redação dada pela 
Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 3º Será apenado com a pena de demissão, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se 
recusar a prestar a declaração dos bens a que se refere o caput deste artigo dentro do prazo determinado ou que 
prestar declaração falsa. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021). 
 
3.4. Princípios Constitucionais do Direito Administrativo Sancionador 
 
A alteração promovida na Lei de Improbidade Administrativa, acrescentou e passou a dispor 
expressamente sobre o chamado direito administrativo sancionador, até então só discutido pela doutrina e 
jurisprudência. 
Sobre o tema, discorre Renério de Castro: 
O direito administrativo sancionador é fruto de construção doutrinária e jurisprudencial, sendo um ramo que 
congrega distintos segmentos pelos quais operaria o poder punitivo do Estado (de contas, fiscal, regulatório, 
ambiental, administrativo, concorrencial etc.), devendo ser conferidas aos cidadãos algumas garantias em face 
desse poder sancionatório estatal. 
 
Assim, embora seja um tema do direito administrativo, quando falamos de sanções devemos aplicar alguns 
princípios constitucionais típicos do direito penal. 
 
Isso nos leva a concluir de imediato que no âmbito dos processos de improbidade administrativa: 
• Aplica-se o princípio da retroatividade da norma penal mais benéfica; 
• Aplica-se o princípio da intranscendência subjetiva das sanções; 
• Admitem-se hipóteses de abolitio criminis; 
• Veda-se o emprego da analogia in malam partem; e 
• Admite-se a invocação do estado de necessidade como excludente de ilicitude. 
 
Nesse sentido, a legislação: 
Art. 1º § 4º Aplicam-se ao sistema da improbidade disciplinado nesta Lei os princípios constitucionais do 
direito administrativo sancionador. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
 
Os princípios do direito administrativo sancionador muito se assemelham aos princípios do direito 
penal no regime da Constituição Federal de 1988 não há distinção qualitativa entre a punição penal e a 
punição de natureza administrativa. Sendo assim, em ambos os casos, devem ser respeitados os direitos e 
garantias constitucionais, conforme ensina o Ministro Benedito Gonçalves e o Renato César Guedes Grilo: 
 
Portanto, a aplicação do direito sancionatório administrativo também passa pelo influxo dos princípios 
constitucionais do direito administrativo sancionador, de modo que a imputação de determinada conduta 
ímproba ou infracional precisa ser antecedida de um exame de: (a) legalidade formal ou tipicidade, (b) 
legalidade material ou lesividade, (c) antijuridicidade e (d) culpabilidade. 
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19 
A Constituição Federal de 1988 é o centro de convergência de todo o sistema jurídico, de modo que o direito 
sancionador do Estado deve obediência aos princípios constitucionais dela extraídos. 
 
 
Se reunirmos a compreensão acima em face da possibilidade ou não da retroatividade da reforma da 
Lei de Improbidade Administrativa, chegaremos a conclusão de que somente será possível a retroatividade 
quando estivermos diante de uma norma benéfica ao agente. Em que pese a referida conclusão, o tema é alvo 
de controvérsias, conforme veremos no tópico seguinte. 
 
3.4.1. Tese da Retroatividade da Lei mais benéfica e a Reforma da LIA 
 
A Lei n.° 14.230/2021, como já mencionado, trouxe mudanças significativas a Lei de Improbidade 
Administrativa, com isso, trouxe também uma discussão sobre a possibilidade ou não de retroatividade da 
lei mais benéfica ao acusado. 
Por se tratar de uma lei recente ainda não temos ainda uma posição concreta/majoritária, mas surgiram 
duas correntes. 
Uma primeira corrente defende que é possível a retroativada da norma mais benéfica, visto que o 
no art. 1º §4º, que diz expressamente que o sistema de improbidade está submetido aos princípios 
constitucionais do direito administrativo sancionador. 
De acordo com essa corrente, entende-se que, por se tratar de um direito sancionador, que pode 
resultar em uma possível punição ao cidadão é cabível uma conduta mais cautelosa por parte do Estado. 
Para essa corrente a ConstituiçãoFederal tem uma série de princípios que podem ser aplicados ao 
direito administrativo sancionador, como o princípio da irretroativa da lei a não ser para beneficiar o réu, 
mesmo a CF trazendo expressamente no art. 5º, XL, que se trata de lei penal. 
Art. 5º, XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. 
 
Embora seja passível de discussão, parece favorável entender, portanto, que é possível a 
retroatividade da lei mais benéfica para que possa garantir o direito constitucional ao réu, inclusive o próprio 
STJ já admitiu esse princípio no âmbito do direito administrativo sancionador, em consonância com a lição 
do Min. Mauro Campbell Marques: 
 
“As sanções da Lei de Ação Popular, da Lei de Ação Civil Pública e da Lei de Improbidade Administrativa 
não têm caráter penal, mas formam o arcabouço do direito administrativo sancionador, de cunho 
eminentemente punitivo, fato que autoriza trazermos à baila a lógica do Direito Penal, ainda que com granus 
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20 
salis. É razoável pensar, pois, que pelo menos os princípios relacionados a direitos fundamentais que 
informem o Direito Penal devam, igualmente, informar a aplicação de outras leis de cunho 
sancionatório.” 
 
De acordo com o que ensina o Professor Rafael Oliveira, é cabível a retroatividade da LIA, como por 
exemplo, na condenação de improbidade na modalidade culposa, que foi extinta pela Lei n.° 14.230/2021. 
Assim, em conformidade com o entendimento da primeira corrente, os processos em curso relativos ao 
cometimento do ato de improbidade na modalidade culposa deveriam ser extintos e os processos que já foram 
previamente julgados, poderiam retroagir se ainda estivessem durante o prazo da ação rescisória (prazo de 2 
anos). 
A segunda corrente, por sua vez, defende que o art. 37, § 4º, da CF/88 traz clara distinção entre as 
sanções penais e aquelas aplicáveis aos atos de improbidade administrativa. 
Art. 37 § 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a 
perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação 
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. 
 
Esse dispositivo prevê que as sanções por improbidade administrativa serão aplicáveis “sem prejuízo 
da ação penal cabível”. Por isso, não há como ampliar o aspecto de proteção conferido à lei penal às sanções 
cíveis. Sendo, portanto, inaplicável a retroatividade da lei mais benéfica no âmbito do direito administrativo 
sancionador. 
Em RESUMO6: 
 
6 (Ir)retroatividade da Lei nº 14.230/2021: 
 
Vale lembrar que o tratamento da improbidade administrativa tem caráter cível, ou seja, não se trata de norma penal. Cuida-se de atos 
de agentes públicos que violam o erário, resultam em enriquecimento ilícito ou atentam contra os princípios da administração pública e 
que recebem sanções de natureza estritamente civil. 
 
Ainda assim, surgiram debates sobre a aplicação do mesmo tratamento da lei penal às alterações promovidas pela Lei nº 14.230/2021. 
Ou seja, a irretroatividade da lei gravosa e a excepcional retroatividade da lei penal mais benéfica, conforme art. 5º, XL, da CF, aplicam-
se aos casos de improbidade administrativa? 
 
A Lei nº 14.230/2021, por ser mais favorável ao sancionado, tem aplicação retroativa? 
 
Uma primeira corrente defende que sim. Entende que a Lei de Improbidade Administrativa se encontra inserida no chamado direito 
sancionador e que, portanto, comporta tratamento assemelhado ao Direito Penal. O direito sancionador é um gênero que abrange as 
formas que o cidadão pode sofrer uma punição por parte do Estado, incluindo a seara criminal. Preocupa-se com a aplicação do devido 
processo legal (material e formal) de forma mais cautelosa que num procedimento não sancionador. 
 
Uma segunda corrente, por outro lado, defende que o art. 37, § 4º, da CF/88 traz clara distinção entre as sanções penais e aquelas 
aplicáveis aos atos de improbidade administrativa. Esse dispositivo prevê que as sanções por improbidade administrativa serão aplicáveis 
“sem prejuízo da ação penal cabível”. Por isso, não há como ampliar o aspecto de proteção conferido à lei penal às sanções cíveis. 
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21 
1ª Corrente 2ª Corrente 
É possível a aplicação da retroatividade da lei mais 
benéfica de acordo com o art. 1º §4º da Lei 8.429/92. 
Não é possível a aplicação da retroatividade da lei 
mais benéfica de acordo com o art. 37, § 4º, da 
CF/88. 
 
4. Inexistência de Improbidade por divergência de Interpretação da Lei 
 
Uma das principais novidades da Lei nº 14.230/2021 foi a inserção do § 8º do art. 1º que traz 
expressamente que não há improbidade se a conduta do agente público foi baseada em jurisprudência, 
ainda que posteriormente não tenha sido a que prevaleceu. 
Nesse sentido, vejamos a legislação: 
Art. 1º § 8º Não configura improbidade a ação ou omissão decorrente de divergência interpretativa 
da lei, baseada em jurisprudência, ainda que não pacificada, mesmo que não venha a ser 
posteriormente prevalecente nas decisões dos órgãos de controle ou dos tribunais do Poder Judiciário. 
 
 A clara intenção do legislador foi trazer uma maior segurança jurídica ao agente público, ao passo 
que não pode haver a propositura de uma ação de improbidade pelo simples fato do agente público trazer 
uma interpretação diferente da interpretação dos órgãos de controle. 
 Em outras palavras, o simples fato do agente público atuar com base em uma interpretação que é 
diversa da interpretação de um órgão de controle (ex: MP) não legitima e não justifica a propositura de uma 
ação de improbidade administrativa. 
 A inserção do art. 1º § 8º veio para acabar com a “Administração Pública do Medo”, também 
denominada “apagão das canetas”, que gerava uma ineficiência administrativa e que colocava em risco a 
própria gestão pública. 
 Corroborando ao exposto, leciona Renério de Castro “trata-se de mais um mecanismo que busca 
evitar o chamado “apagão das canetas”, situação em que o gestor público, com medo dos riscos jurídicos 
da tomada de uma decisão, deixa de praticar o ato administrativo, mesmo que amparado em entendimento 
jurídico válido, porém, ainda não pacificado”. 
 
 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: . 
Acesso em: 15/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
22 
 
Na posição do professor Rafael de Oliveira se as decisões forem vinculantes abre-se caminho para 
uma ação de improbidade, pois o agente público não pode desconsiderar tal decisão, interpretando de forma 
contrária. 
 
5. Atos de Improbidade Administrativa 
 
 
 
O art. 10-A que tratava dos atos de improbidade administrativa decorrentes de concessão ou aplicação 
indevida de benefício financeiro ou tributário foi REVOGADO, pela Lei 14.230/2021. Contudo o tema 
continua sendo abordado na LIA no art. 10, inciso XXII. 
Art. 9º e o art. 10 = condutas exemplificativas. 
Art. 11 = rol exaustivo (Antes da Lei n.°14.230/2021 o art. 11 também possuía um rol 
exemplificativo). 
Em RESUMO7: 
Antes da Lei n. 14.230/21 Após a Lei n. 14.230/21 
Art. 9º = atos que importam em enriquecimento 
ilícito. 
Art. 10 = Atos que causam prejuízo ao erário. 
Art. 10-A = Atos decorrentes de concessão ou 
aplicação indevida de benefício financeiro ou 
tributário (inserido pela LC 157/2016). 
Art. 11 = Atos que atentam contra os princípios da 
Administração Pública. 
Art. 9º = atos que importam em enriquecimento 
ilícito. 
Art. 10 = Atos que causam prejuízo ao erário. 
Art. 11 = Atos que atentam contra os princípios da 
Administração Pública. 
#OBS: O art. 10-A foi revogado, e o ato ali passoua 
estar disposto no inciso XXII do art. 10. 
 
7 Tabela extraída da FUC @ciclosmetodo. 
Atos de 
Improbidade 
Administrativa
Enriquecimento 
ilícito (art. 9º)
Dano ao erário
(art. 10)
Violação dos 
princípios da 
administração
(art.11)
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
23 
Temos dessa forma, o seguinte cenário: 
- atos que gera enriquecimento iícito; 
- atos que causam prejuízo ao erário; 
- atos que atentam contra os princípios da Administracao. 
 Em RESUMO8: 
Atos que importem em 
enriquecimento ilícito 
Atos que causem 
prejuízo 
Atos que atentem contra os 
princípios da Administracao 
Pública 
Auferir qualquer tipo de vantagem 
indevida em razão do exercício de 
função pública. 
(Art. 9°) 
Qualquer conduta que enseja 
perda patrimonial, desvio, 
apropriação, malbaratamento ou 
dilapidação dos bens ou haveres 
dos sujeitos passivos. (Art. 10) 
Qualquer conduta que viole os 
deveres de honestidade, 
imparcialidade, legalidade, e 
lealdade às instituições. (Art. 11) 
 
5.1. Enriquecimento Ilícito (Art. 9º) 
 
Nos moldes previstos na própria legislação, constitui ato de improbidade administrativa importando 
em enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial 
indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades 
referidas no art. 1º desta Lei. 
A nova redação do art. 9° passou a prevê de forma expressa a exigência do elemento subjetivo dolo. 
Em que pese o acréscimo da expressão “mediante a prática de ato doloso” ao caput do art. 9°, é certo mesmo 
antes da alteração legislativa o entendimento sempre foi no sentido de que só era possível a prática de ato de 
improbidade que importasse em enriquecimento ilícito mediante a prática de conduta dolosa. 
A Lei n. 14.230/2021 apenas reforçou - positivando, o que já era entendimento da doutrina e 
Jurisprudência. 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 9° Constitui ato de improbidade 
administrativa importando enriquecimento ilícito 
auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial 
indevida em razão do exercício de cargo, 
mandato, função, emprego ou atividade nas 
entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e 
notadamente: 
Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa 
importando em enriquecimento ilícito auferir, 
mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de 
vantagem patrimonial indevida em razão do 
exercício de cargo, de mandato, de função, de 
emprego ou de atividade nas entidades referidas no 
art. 1º desta Lei, e notadamente: 
 
8 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: . 
Acesso em: 15/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
24 
Inciso I, II, III não sofreram alterações 
IV - Utilizar, em obra ou serviço particular, 
veículos, máquinas, equipamentos ou material de 
qualquer natureza, de propriedade ou à 
disposição de qualquer das entidades 
mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o 
trabalho de servidores públicos, empregados ou 
terceiros contratados por essas entidades; 
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, qualquer 
bem móvel, de propriedade ou à disposição de 
qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, 
bem como o trabalho de servidores, de empregados 
ou de terceiros contratados por essas entidades; 
Inciso V não sofreu alteração 
VI - receber vantagem econômica de qualquer 
natureza, direta ou indireta, para fazer declaração 
falsa sobre medição ou avaliação em obras 
públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre 
quantidade, peso, medida, qualidade ou 
característica de mercadorias ou bens fornecidos 
a qualquer das entidades mencionadas no art. 1º 
desta lei; 
VI - receber vantagem econômica de qualquer 
natureza, direta ou indireta, para fazer declaração 
falsa sobre qualquer dado técnico que envolva obras 
públicas ou qualquer outro serviço ou sobre 
quantidade, peso, medida, qualidade ou 
característica de mercadorias ou bens fornecidos a 
qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei; 
VII - adquirir, para si ou para outrem, no 
exercício de mandato, cargo, emprego ou função 
pública, bens de qualquer natureza cujo valor 
seja desproporcional à evolução do patrimônio 
ou à renda do agente público; 
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício 
de mandato, de cargo, de emprego ou de função 
pública, e em razão deles, bens de qualquer natureza, 
decorrentes dos atos descritos no caput deste artigo, 
cujo valor seja desproporcional à evolução do 
patrimônio ou à renda do agente público, assegurada 
a demonstração pelo agente da licitude da origem 
dessa evolução; 
Incisos VIII, IX, X, XI, XII não sofreram alterações 
 
Para configuração de atos que importem em enriquecimento ilícito é necessário os seguintes 
requisitos: 
a) A conduta seja dolosa; 
b) A conduta seja praticada por agente público ou pessoa a ele equiparada. 
c) Exista relação de causalidade, ou seja, nexo causal entre o recebimento da vantagem e a conduta 
daquele que ocupa cargo ou emprego, detém mandato, exerce função ou atividade nas entidades 
mencionadas no art. 1º da LIA. 
d) Exista o recebimento de vantagem indevida. 
 
5.2. Dano ao Erário (Art.10) 
 
O art. 10 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) foi objeto de mudança significativa, antes se 
admitia a prática da referida conduta a título de dolo ou culpa. Após o advento da Lei n. 14.230/2021, 
somente de forma dolosa, excluindo a modalidade culposa. Além disso, passou-se também a exigir a 
comprovação efetiva do dano ao erário, rechaçando a possibilidade de presunção da lesão ao erário. 
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25 
Nesse sentido, leciona Renério de Castro: 
O caput do art. 10 foi objetivo de alterações significativas pela Lei 14.203/21. 
Primeiro, foi excluída a possibilidade de condenação por ato culposo de improbidade administrativa. 
Com efeito, na redação original da Lei 8.429/92, poderia ser condenado aquele que, mesmo sem a intenção, 
tivesse causado lesão ao erário por negligência, imprudência ou imperícia.Não subsiste tal possibilidade. 
Outra alteração se refere à necessidade de efetiva e comprovada comprovação da lesão ao erário. 
Antes da reforma eram admitidas algumas hipóteses de lesão presumida ao erário, como nos casos de frustração 
da licitude de procedimento licitatório. Agora, com a nova redação, se não ficar devidamente comprovada a 
lesão, o ato até poderá ser enquadrado no art. 11 (atentado aos princípios), mas jamais no art. 10. 
 
 Corroborando, preconiza Marçal Filho, “a redação anterior do art. 10 admitia a improbidade em 
hipótese de conduta culposa. O dispositivo trata de infrações aptas a gerar dano ao erário. Essa solução foi 
eliminada na reforma de 2021, que eliminou a improbidade quando inexistir consciência quanto à ilicitude e 
à vontade de produzir o resultado danoso”. 
 Nesse sentido, vejamos as alterações ocasionadas no art. 10 da LIA. 
 
 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 10. Constitui ato de improbidade 
administrativa que causa lesão ao erário qualquer 
ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje 
perda patrimonial, desvio, apropriação, 
malbaratamento ou dilapidação dos bens ou 
haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, 
e notadamente: 
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa 
que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão 
dolosa, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda 
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou 
dilapidação dos bens ou haveres das entidades 
referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: 
Conduta dolosa ou culposa. Apenas conduta dolosa. 
I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para aincorporação ao patrimônio particular, de pessoa 
física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou 
valores integrantes do acervo patrimonial das 
entidades mencionadas no art. 1º desta lei; 
I - facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a 
indevida incorporação ao patrimônio particular, de 
pessoa física ou jurídica, de bens, de rendas, de verbas 
ou de valores integrantes do acervo patrimonial das 
entidades referidas no art. 1º desta Lei; 
Incisos II, III, IV, V, VI, VII não sofreram alterações 
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou 
de processo seletivo para celebração de parcerias 
com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los 
indevidamente; 
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de 
processo seletivo para celebração de parcerias com 
entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los 
indevidamente, acarretando perda patrimonial 
efetiva; 
Inciso IX não sofreu alterações 
X - agir negligentemente na arrecadação de 
tributo ou renda, bem como no que diz respeito à 
conservação do patrimônio público; 
X - agir ilicitamente na arrecadação de tributo ou de 
renda, bem como no que diz respeito à conservação 
do patrimônio público; 
Incisos XI, XII, XIII, XIV, XV XVI, XVII, XVIII não sofreram alterações 
XIX - agir negligentemente na celebração, 
fiscalização e análise das prestações de contas de 
parcerias firmadas pela administração pública com 
entidades privadas; 
XIX - agir para a configuração de ilícito na 
celebração, na fiscalização e na análise das prestações 
de contas de parcerias firmadas pela administração 
pública com entidades privadas; 
Inciso XX não sofreu alterações 
XXI - liberar recursos de parcerias firmadas pela 
administração pública com entidades privadas sem 
Revogado! 
Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
26 
a estrita observância das normas pertinentes ou 
influir de qualquer forma para a sua aplicação 
irregular. 
Art. 10-A. Constitui ato de improbidade 
administrativa qualquer ação ou omissão para 
conceder, aplicar ou manter benefício financeiro 
ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o 
§ 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 
31 de julho de 2003. 
XXII - conceder, aplicar ou manter benefício 
financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o 
caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 
116, de 31 de julho de 2003. 
Não havia previsão de parágrafos. § 1º Nos casos em que a inobservância de 
formalidades legais ou regulamentares não implicar 
perda patrimonial efetiva, não ocorrerá imposição de 
ressarcimento, vedado o enriquecimento sem causa 
das entidades referidas no art. 1º desta Lei. 
§ 2º A mera perda patrimonial decorrente da atividade 
econômica não acarretará improbidade 
administrativa, salvo se comprovado ato doloso 
praticado com essa finalidade. 
 
IMPORTANTES INOVAÇÕES NO ART. 10 (DANO AO ERÁRIO): 
• Foi extinta a modalidade culposa de improbidade! Atualmente só é possível a configuração do dano 
ao erário na modalidade DOLOSA. 
• Exige-se a presença do dano efetivo e comprovado. 
 
Candidato, é possível o dano presumido ao erário (in re ipsa)? A partir da redação da Lei n.° 
14.230/2021 que inovou trazendo explicitamente no art. 10, caput. da LIA a expressão “efetiva e 
comprovadamente” não mais se pode falar em dano presumido ao erário. 
- O art. 10-A foi revogado e sua conduta inserida no art. 10, XXII. 
- O ressarcimento ao erário nos casos que não for comprovada a perda patrimonial efetiva, ainda que 
haja inobservância de formalidades legais ou regulamentares será afastado (art. 10 § 1º). 
- A mera perda patrimonial decorrente da atividade econômica não acarretará improbidade 
administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa finalidade (art. 10 § 2º). 
Para configuração de atos que importem em dano ao erário é necessário os seguintes requisitos: 
a) A efetiva e comprovada lesão ao erário; 
b) Conduta dolosa, comissiva ou omissiva, do agente ou do terceiro; 
c) Nexo causal entre o dano ao erário e a conduta do agente público ou do terceiro. 
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5.3. Violação dos Princípios da Administração (Art.11) 
 
Os ilícitos do art. 11 referem-se a condutas incompatíveis com os princípios fundamentais norteadores da 
atividade administrativa. Trata-se de violação aos valores essenciais que norteiam a função administrativa 
estatal. Não se exige a consumação de um dano patrimonial, nem um benefício econômico para o agente 
público. No entanto, as condutas elencadas no art. 11 podem envolver esses efeitos9. 
 
 
Nos termos da Legislação, constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os 
princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de 
imparcialidade e de legalidade, caracterizada pelas condutas previstas ao teor dos incisos do art. 11, da Lei 
n. 8.429/92. 
O entendimento atual é no sentido de que o rol constante do art. 11 é taxativo. A legislação antes de 
ser alterada mencionava a expressão “qualquer ação ou omissão (...)”, após o advento da Lei n. 14.230/2021, 
a expressão foi suprimida, sendo substituída pelo termo caracterizada por uma das seguintes condutas. 
Diante desse atual cenário, o entendimento da doutrina é no sentido de que o rol constante do art. 11 passou 
a ser TAXATIVO. 
Corroborando com esse entendimento, explica o professor Márcio André10: 
Segundo a doutrina, a expressão “qualquer” utilizada na descrição das condutas genéricas previstas nos arts. 
9º, 10 e 11 da redação originária da LIA demonstrava que o rol dos atos de improbidade administrativa era 
exemplificativo (numerus apertus). No entanto, a Lei nº 14.230/2021 modificou a redação do caput do 
art. 11 para inserir a expressão “caracterizada por uma das seguintes condutas”. Logo, agora, pode-se 
dizer que os incisos do art. 11 encerram uma lista exaustiva. 
O rol de condutas do art. 11 passou a ser taxativo, permanecendo as condutas previstas nos arts. 9º e 10 
elencadas em rol exemplificativo. 
 
Diante do exposto, vejamos através do quadro comparativo as principais mudanças provocadas no 
art, 11 da Lei em estudo: 
ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 
Art. 11. Constitui ato de improbidade 
administrativa que atenta contra os princípios da 
administração pública qualquer ação ou 
omissão que viole os deveres de honestidade, 
imparcialidade, legalidade, e lealdade às 
instituições, e notadamente: 
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa 
que atenta contra os princípios da administração 
pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres 
de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, 
caracterizada por uma das seguintes condutas: 
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou 
regulamento ou diverso daquele previsto, na 
regra de competência; 
I - Revogado! 
 
 
9 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 
1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. 
10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: . 
Acesso em: 15/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63
 
 
 
 
 
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II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, 
ato de ofício; 
II - Revogado! 
III - revelar fato ou circunstância de que tem 
ciência em razão das atribuições e que deva 
permanecer em segredo; 
 
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência 
em razão das atribuições e que deva permanecer em 
segredo, propiciando beneficiamento por informação 
privilegiada ou colocando em risco a segurança da 
sociedade e do Estado; 
IV - negar publicidade aos atos oficiais; 
 
IV - negar publicidade aos atos oficiais, exceto em

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