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Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 1 Sumário 1. Improbidade Administrativa ............................................................................................................................ 3 1.1. Fundamento Constitucional ....................................................................................................................... 3 1.2. Conceito ....................................................................................................................................................... 3 1.3. Natureza Jurídica ....................................................................................................................................... 4 1.4. Bem Jurídico Tutelado ............................................................................................................................... 5 1.5. Competência para legislar ......................................................................................................................... 6 1.6. Aplicabilidade da Lei de Improbidade a fatos pretéritos ....................................................................... 6 2. Alterações promovidas pela Lei 14.230/2021 ................................................................................................... 6 2.1. Nova Ementa ............................................................................................................................................... 7 2.2. Principais mudanças provocadas pela n.° Lei 14.230/2021 ..................................................................... 7 3. Conceito de Improbidade Administrativa em conformidade com as alterações provocadas pela Lei 14.230/2021 ................................................................................................................................................................. 9 3.1. Sujeitos da Improbidade .......................................................................................................................... 10 3.1.1. Sujeito Ativo ........................................................................................................................................ 10 3.1.2. Sujeito Passivo .................................................................................................................................... 14 3.2. Diferença entre os conceitos de “probidade” e “moralidade” .............................................................. 16 3.3. Alcance da Lei n.° 8.429/92 ...................................................................................................................... 17 3.4. Princípios Constitucionais do Direito Administrativo Sancionador .................................................... 18 3.4.1. Tese da Retroatividade da Lei mais benéfica e a Reforma da LIA ..................................................... 19 4. Inexistência de Improbidade por divergência de Interpretação da Lei ...................................................... 21 5. Atos de Improbidade Administrativa ............................................................................................................ 22 5.1. Enriquecimento Ilícito (Art. 9º) ............................................................................................................... 23 5.2. Dano ao Erário (Art.10) ........................................................................................................................... 24 5.3. Violação dos Princípios da Administração (Art.11) .............................................................................. 27 6. Das Sanções ....................................................................................................................................................... 32 Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 2 6.1. Sanções de Improbidade .......................................................................................................................... 35 6.1.1. Perda da Função Pública ..................................................................................................................... 36 6.1.2. Suspensão dos Direitos Políticos ......................................................................................................... 38 6.1.3. Proibição de contratar com o poder público ........................................................................................ 39 6.1.4. Multa Civil .......................................................................................................................................... 39 6.2. Responsabilidade Sucessória ................................................................................................................... 41 7. Declaração de Bens .......................................................................................................................................... 42 8. Pedido de Indisponibilidade de Bens dos Réus ............................................................................................. 43 9. Rito da Ação de Improbidade ......................................................................................................................... 46 10. Prescrição .......................................................................................................................................................... 56 11. Informativos posteriores à Lei 14.230/2021: .................................................................................................. 60 12. Bibliografia ....................................................................................................................................................... 63 Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 3 LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Lei nº 8.429/92 (alterada pela Lei nº 14.230/2021) 1. Improbidade Administrativa 1.1. Fundamento Constitucional Conforme prevê o art. 37 § 4º da Constituição Federal: Art. 37. § 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. Além do art. 37, § 4º, da CF/88, encontramos outros dispositivos constitucionais que também fazem referência ao dever de probidade administrativa, tais como: a) art. 14, § 9º: “lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta”; b) art. 15, V: “é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: (...) V – improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º”; c) art. 85, V: “são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: (...) V – a probidade na administração”. Atualmente a matéria referente à improbidade administrativa praticada pelos agentes públicos se encontra positivada na Lei n. 8.429/92, recentemente alterada pela Lei n.° 14.230/2021. 1.2. Conceito A ideia de probidade administrativa enquanto princípio tem relação com a moralidade jurídica (princípio da moralidade: não corrupção/boa-fé de conduta). É certo que, a probidade administrativa não é novidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro, já o princípio da moralidade foi introduzido pela Constituição Federal de 1988. Esse princípio tem conceito vago e indeterminado, por isso muito doutrinadores misturam moralidade com probidade, porque ambas decorrem da ideia de honestidade. Conformerazão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras hipóteses instituídas em lei; V - frustrar a licitude de concurso público; V - frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros; VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo; VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades; Incisos XII, XIII não sofreram alterações IX - deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação. IX - Revogado! X - transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem a prévia celebração de contrato, convênio ou instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do art. 24 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. X- Revogado! Não havia previsão de mais incisos. XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; XII - praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, de forma a promover inequívoco enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos. Não havia previsão de parágrafos. § 1º Nos termos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto nº 5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haverá improbidade administrativa, na aplicação deste artigo, quando for comprovado na conduta funcional do Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 29 agente público o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra pessoa ou entidade. § 2º Aplica-se o disposto no § 1º deste artigo a quaisquer atos de improbidade administrativa tipificados nesta Lei e em leis especiais e a quaisquer outros tipos especiais de improbidade administrativa instituídos por lei. § 3º O enquadramento de conduta funcional na categoria de que trata este artigo pressupõe a demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas constitucionais, legais ou infralegais violadas. § 4º Os atos de improbidade de que trata este artigo exigem lesividade relevante ao bem jurídico tutelado para serem passíveis de sancionamento e independem do reconhecimento da produção de danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. § 5º Não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do agente. IMPORTANTES INOVAÇÕES NO ART. 11 (DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE ATENTAM CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA): - A Lei nº 14.230/2021 inseriu no caput do art. 11 a expressão: “caracterizada por uma das seguintes condutas”. A partir da inclusão dessa expressão no art. 11 pode-se dizer que trata de um rol taxativo.11 - Inclusão do NEPOTISMO no inciso XI, art. 11, da LIA. Nepotismo Com o advento da Lei n.° 14.230/2021, a qual alterou de forma significativa a Lei de Improbidade Administrativa, o nepotismo até então consagrado na Jurisprudência, passou a ser previsto expressamente 11 Complementando (FUC Ciclos): A alteração do “caput”, promovida pela Lei 14.230/21, alterou a própria interpretação a respeito da taxatividade do rol previsto neste artigo. Isto porque, antes da modificação, o artigo indicava como ato de improbidade “qualquer ação ou omissão” que viole os deveres. A partir da nova lei, será ato de improbidade a ação ou omissão dolosa que viole os deveres, “caracterizada por uma das seguintes condutas”. Portanto, o rol passa a ser visto como taxativo, e não meramente exemplificativo como nos artigos 9º e 10. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 30 como ato de improbidade administrativa, é o que podemos concluir da redação do inciso XI do art. 11 da LIA. Importante frisar que, embora se trate de novidade na legislação, o nepotismo já era vedado pela Súmula Vinculante nº 13 e também por força dos princípios constitucionais da impessoalidade, eficiência, igualdade e moralidade, independentemente de previsão expressa em diploma legislativo. Súmula Vinculante nº 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. Art. 11, XI, da LIA Súmula Vinculante 13 Art. 11. XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. A Lei nº 14.230/2021 inseriu uma ressalva: não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do agente (§ 5º do art. 11). Trata-se de um reforço à exigência de dolo e do especial fim de agir para configuração dos atos de improbidade administrativa. No entanto, é importante observar que essa exigência não encontra respaldo na Súmula Vinculante nº 13 do STF. INFORMATIVOS SOBRE NEPOTISMO. Vale ressaltar que a norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores de provimento efetivo. STF. Plenário. ADI 524/ES, rel. orig. Min. Sepúlveda Pertence, red. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/5/2015 (Info 786). Não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas sem influência hierárquica sobre a nomeação. A incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa designada e agente político ou Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 31 servidor público, mas de presunção de que a escolha para ocupar cargode direção, chefia ou assessoramento tenha sido direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial de interferir no processo de seleção. STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 23/2/2016 (Info 815). É INCONSTITUCIONAL lei estadual que excepciona a vedação da prática do nepotismo, permitindo que sejam nomeados para cargos em comissão ou funções gratificadas de até dois parentes das autoridades estaduais, além do cônjuge do Governador. STF. Plenário. ADI 3745/GO, rel. Min. Dias Toffoli, 15/5/2013 (Info 706). A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de natureza política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914). Somente haverá improbidade administrativa por violação aos princípios quando for comprovado, na conduta funcional do agente público, o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra pessoa ou entidade. Em outras palavras, é necessário o dolo específico em ter o benefício. Conforme determina o art. 11 §3º da Lei de Improbidade Administrativa, é necessária a demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas constitucionais, legais ou infralegais violadas para caracterização da improbidade por violação aos princípios da Administração. Art. 11. § 3º O enquadramento de conduta funcional na categoria de que trata este artigo pressupõe a demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas constitucionais, legais ou infralegais violadas. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021). É necessária a demonstração da lesividade relevante ao bem jurídico tutelado, independentemente de lesão ao erário e de enriquecimento ilícito do agente público, de acordo com a redação do art. 11 § 4º. Art. 11. § 4º Os atos de improbidade de que trata este artigo exigem lesividade relevante ao bem jurídico tutelado para serem passíveis de sancionamento e independem do reconhecimento da produção de danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021). Para configuração de atos que importem em violação aos princípios da Administração Pública é necessário os seguintes requisitos: a) Violação aos princípios da Administração Pública, a partir de uma das condutas descritas nos incisos do art. 11; (lembrando: o rol é taxativo!) b) Conduta dolosa. c) Conduta comissiva ou omissiva. d) Nexo de causalidade entre a ação/omissão e a violação ao princípio da Administração. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 32 NÃO é mais considerado ato de improbidade administrativa contra os princípios da Administração Pública: 1) a prática de atos visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto na regra de competência: o inciso I, revogado pela Lei 14.230/21, previa como ato de improbidade “praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência”. 2) retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício: o inciso II, revogado pela Lei 14.230/21, previa como ato de improbidade administrativa “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício”. 3) deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação: o inciso IX foi revogado pela Lei 14.230/21. 4) transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem a prévia celebração de contrato, convênio ou instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do art. 24 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. 6. Das Sanções Conforme explica Matheus Carvalho, a prática de atos de improbidade administrativa sujeita o agente a sanções de natureza extrapenal, civil ou político-administrativa. O juiz deve aplicar as sanções previstas no art. 37, § 4º, da CR/88 e no art. 12 da Lei 8.429/92, levando em conta a gravidade do fato. As sanções tanto podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente. Na dosimetria, o juiz deve considerar também a extensão do dano e o proveito patrimonial do agente, quando existentes. Nesse sentido, leciona o professor Renério de Castro, “a lei definiu as sanções que deverão ser aplicadas ao agente conforme a natureza do ato de improbidade praticado. Quanto mais grave o ato (lembrando que há uma gravidade decrescente entre os art. 9°, 10 e 11), maior será a sanção cominada – tal circunstância espelha a consagração do princípio da proporcionalidade. Não custa lembrar que o mesmo ato pode ser enquadrado em mais de uma das hipóteses apresentadas (arts. 9°, 10 e 11). Nesse caso, aplicam-se as sanções previstas para a infração mais grave”. As sanções pelos atos de improbidade administrativa estão previstas no art. 12 da Lei 8.429/92. Elas são cominadas a depender se o ato de improbidade administrativa está previsto no art. 9º, 10 ou 11. Há uma Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 33 gradação correspondente ao tipo de ato praticado, ou seja, os atos do art. 9º são mais graves, havendo sanções mais severas, enquanto que os atos do art. 11 são menos graves, com sanções mais brandas12. Vemos o quadro esquematizado abaixo para melhor visualizarmos as alterações: ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: Obs.: O ressarcimento integral do dano é consequência do ato de improbidade, não tem natureza jurídica de sanção. I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos; I - na hipótese do art. 9º desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 14 (catorze) anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 14 (catorze) anos; II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;II - na hipótese do art. 10 desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 12 (doze) anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 (doze) anos; III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por III - na hipótese do art. 11 desta Lei, pagamento de multa civil de até 24 (vinte e quatro) vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 4 (quatro) anos; 12 FUC do @ciclosmetodo. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 34 intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos. IV - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8 (oito) anos e multa civil de até 3 (três) vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido. IV - Revogado! Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente. Parágrafo único. Revogado! Não havia previsão de outros parágrafos. § 1º A sanção de perda da função pública, nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração, podendo o magistrado, na hipótese do inciso I do caput deste artigo, e em caráter excepcional, estendê-la aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. § 2º A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, o valor calculado na forma dos incisos I, II e III do caput deste artigo é ineficaz para reprovação e prevenção do ato de improbidade. § 3º Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos e sociais das sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades. § 4º Em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a sanção de proibição de contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade, observados os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da pessoa jurídica, conforme disposto no § 3º deste artigo. § 5º No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados por esta Lei, a sanção limitar-se- á à aplicação de multa, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da perda dos valores obtidos, quando for o caso, nos termos do caput deste artigo. § 6º Se ocorrer lesão ao patrimônio público, a reparação do dano a que se refere esta Lei deverá deduzir o ressarcimento ocorrido nas instâncias criminal, civil e administrativa que tiver por objeto os mesmos fatos. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 35 § 7º As sanções aplicadas a pessoas jurídicas com base nesta Lei e na Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, deverão observar o princípio constitucional do non bis in idem. § 8º A sanção de proibição de contratação com o poder público deverá constar do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, observadas as limitações territoriais contidas em decisão judicial, conforme disposto no § 4º deste artigo. § 9º As sanções previstas neste artigo somente poderão ser executadas após o trânsito em julgado da sentença condenatória. § 10. Para efeitos de contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos, computar-se-á retroativamente o intervalo de tempo entre a decisão colegiada e o trânsito em julgado da sentença condenatória. 6.1. Sanções de Improbidade Segundo Marçal Justen Filho13, “a norma jurídica prevê a sanção como uma consequência jurídica da prática de um ato valorado negativamente”. Nessa esteira, aquele que comete ato caracterizado como improbidade administrativa, ficará sujeito as sanções dispostas ao teor do art. 12 da LIA. A consequência jurídica a ser aplicada dependerá da conduta praticada. Dessa forma, aquele que pratica conduta prevista ao teor do art. 9°, ficará sujeito as consequências previstas ao teor do incido I do art. 12. Vejamos: a. Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; b. Perda da função pública; c. Suspensão dos direitos políticos até 14 anos; d. Multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial. 13 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022 Se praticou conduta prevista no art. 9º - Enriquecimento ilícito Incide nas consequências do inciso I do art. 12 Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 36 e. Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 14 anos. Em sequência, aquele que pratica conduta prevista ao teor do art. 10 (dano ao erário), ficará sujeito as penalidades expostas no inciso II do art. 12. a. Ressarcimento integral do dano; b. Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância; c. Perda da função pública; d. Suspensão dos direitos políticos até 12 anos; e. Multa civil equivalente ao valor do dano; f. Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 anos. a. Multa civil de até 24 vezes o valor da remuneração percebida pelo agente; b. Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 4 anos. 6.1.1. Perda da Função Pública Em relação ao disposto no Art. 9º: a perda da função pública é uma hipótese de sanção, no entanto a Lei 14.230/2021 traz uma novidade, agora a perda da função pública atinge apenas o vínculo de mesma Se praticou conduta prevista no art. 10 - Dano ao erário Incide nas consequências do inciso II do art. 12 Se praticou conduta prevista no art. 11 - Violação dos princípios da Administração Pública Incide nas consequências do inciso III do art. 12 Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 37 qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração (art.12 §1º). Como determina o § 1° do art. 12, a perda da função pública atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração, podendo o magistrado, na hipótese do inciso I do art.12, e em caráter excepcional, estendê-la aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. EXCEÇÃO: O magistrado, em caráter excepcional, poderá estender essa sanção (essa perda da função) aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. Ainda sobre o tema, leciona Marçal Justen Filho (2022): O § 1° do art. 12 consagrou uma solução específica relativamente à questão da perda da função pública. Determinou que, em princípio, a referida sanção alcançará apenas o vínculo que o sujeito detinha à época em que a infração foi cometida. Portanto e se tiver ocorrido investidura do infrator em outra função (inclusive mandato), a condenação por improbidade não poderá contemplar a sua perda. Mas o dispositivo admite que, quando a condenação fundar-se no enriquecimento ilícito do agente (infração do art. 9°), será facultado ao magistrado decretar a perda de outras funções públicas. Essa solução será admitida em cunho excepcional, fundando-se especialmente na gravidade da infração. Essa gravidade será avaliada tomando em vista os critérios do art. 17-A, mas poderá refletir a dimensão econômica da infração, a reprovabilidade da conduta do sujeito e outras circunstâncias que evidenciem a incompatibilidade para o exercício de outras funções públicas. Em relação ao disposto no Art. 10: a perda da função pública é uma hipótese de sanção, no entanto a Lei 14.230/2021 traz uma novidade, “a perda da função pública sempre atinge somente o vínculo de mesma qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração”. Em relação ao disposto no Art. 11: perda da função pública deixa de ser uma sanção.” Em RESUMO: Art. 9° Art. 10 Art. 11 A perda da função é uma sanção. A perda da função é uma sanção. A perda da função DEIXA de ser uma sanção. Atinge, em regra, somente o vínculo de mesma qualidade ou natureza. Atinge, em regra, somente o vínculo de mesma qualidade ou natureza. - Em caráter excepcional, estendê-la aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. - - Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 38 #MARCINHOEXPLICA: O que acontece se, no momento do trânsito em julgado, o condenado ocupa cargo diferente daquele que exercia na prática do ato? Se o agente público tiver mudado de cargo, ele poderá perder aquele que atualmente ocupa? Ex: em 2012, João, na época policial federal, praticou um ato de improbidade administrativa; o MP ajuizou ação de improbidade contra ele; em 2018, a sentença transitou em julgado condenando João à perda da função pública; ocorre que João é atualmente Defensor Público; ele perderá o cargo de Defensor? • Antes da Lei nº 14.230/2021: SIM O agente perde a função pública que estiver ocupando no momento do trânsito em julgado, ainda que seja diferente daquela que ocupava no momento da prática do ato de improbidade. A penalidade de perda da função pública imposta em ação de improbidade administrativa atinge tanto o cargo que o infrator ocupava quando praticou a conduta ímproba quanto qualquer outro que esteja ocupando ao tempo do trânsito em julgado da sentença condenatória. A sanção de perda da função pública visa a extirpar da Administração Pública aquele que exibiu inidoneidade (ou inabilitação) moral e desvio ético para o exercício da função pública, abrangendo qualquer atividade que o agente esteja exercendo no momento do trânsito em julgado da condenação. STJ. 1ª Seção. EREsp 1701967/RS, Rel. para acórdão Min. Francisco Falcão, julgado em 09/09/2020. STJ. 2ª Turma. REsp 1.813.255-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 03/03/2020. • Depois da Lei nº 14.230/2021: em regra, NÃO. Em regra, não. Em regra, a perda da função pública atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração. Exceção: nas hipóteses do art. 9º, o magistrado, em caráter excepcional, poderá estender essa sanção (essa perda da função) aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. Desse modo, a Lei nº 14.230/2021 teve por objetivo superar o entendimento do STJ sobre o tema. CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 14/04/2022 6.1.2. Suspensão dos Direitos Políticos Antes da Lei 14.230/2021 Depois da Lei 14.230/2021 Art. 9º De 8 a 10 anos Até 14 anos Art. 10 De 5 a 8 anos Até 12 anos Art. 11 De 3 a 5 anos Não há mais suspensão dos direitos políticos. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 39 6.1.3. Proibição de contratar com o poder público Antes da Lei 14.230/2021 Depois da Lei 14.230/2021 Art. 9º Prazo de 10 anos Prazo não superior a 14 anos Art. 10 Pelo prazo de 5 anos Pelo prazo não superior a 12 anos Art. 11 Pelo prazo de 3 anos Pelo prazo não superior a 4 anos #MARCINHOEXPLICA: A pessoa condenada por ato de improbidade administrativa fica impedida de contratar apenas com o ente público que foi lesado pelo ato ou essa proibição é ampla e abrange a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, Estados, DF e Municípios? • Antes da Lei nº 14.230/2021: prevalecia o entendimento amplo no sentido de que a sanção abrangia toda a administração pública (e não apenas o ente público lesado). • Depois da Lei nº 14.230/2021: Em regra, o condenado ficará proibido de contratar apenas com o ente público lesado. Excepcionalmente, o juiz poderá ampliar essa proibição para os demais entes. É essa a interpretação que faço do novo § 4º do art. 12, inserido pela Lei nº 14.230/2021: § 4º Em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a sanção de proibição de contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade, observados os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da pessoa jurídica, conforme disposto no § 3º deste artigo. CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 14/04/2022. Na redação originária da Lei n°. 8.429/92, constava expressamente o prazo mínimo e máximo das sanções, nos casos de suspensão dos direitos políticos e na proibição de contratar com o poder público. Após a Lei 14.230/2021 está expresso apenas o prazo MÁXIMO. Não existindo limite mínimo para fixação das sanções. 6.1.4. Multa Civil Antes da Lei 14.230/2021 Depois da Lei 14.230/2021 Art. 9º Até três vezes o valor do acréscimo patrimonial Multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial Art. 10 Até duas vezes o valor do dano Equivalente ao valor do dano. Art. 11 Até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente Até 24 vezes o valor da remuneração percebida pelo agente Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 40 A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, o valor calculado é ineficaz para reprovação e prevenção do ato de improbidade (art. 12 § 2º). Em resumo, o indivíduo condenado por ato de improbidade administrativa estará sujeito às seguintes sanções: Cumpre recordarmos que o ressarcimento integral do dano não é uma sanção, mas uma consequência do ato de improbidade administrativa. Não configura bis in idem a coexistência de título executivo extrajudicial (acórdão do TCU) e sentençacondenatória em ação civil pública de improbidade administrativa que determinam o ressarcimento ao erário e se referem ao mesmo fato, desde que seja observada a dedução do valor da obrigação que primeiramente foi executada no momento da execução do título remanescente. STJ. 1ª Turma. REsp 1.413.674-SE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Rel. para o acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 17/5/2016 (Info 584). Sanções (art. 12) Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio Suspensão dos direitos políticos Perda da função pública Proibição de contratar com o poder público Proibição de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios Multa civil Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 41 Sanção aplicada contra a pessoa jurídica não pode 41eva-la ao encerramento de suas atividades Art. 12 § 3º Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos e sociais das sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades. É possível aplicar o princípio da insignificância para “absolver” um réu que tenha praticado ato de improbidade administrativa de pouca gravidade? NÃO. A jurisprudência do STJ não admite a aplicação do princípio da insignificância para os atos de improbidade administrativa. A Lei nº 14.230/2021 acrescentou um parágrafo afirmando que, nestes casos, é possível aplicar apenas a multa como única sanção. Além da multa, o sujeito terá que ressarcir o erário e devolver os valores eventualmente obtidos. Art. 12 § 5º No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados por esta Lei, a sanção limitar-se-á à aplicação de multa, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da perda dos valores obtidos, quando for o caso, nos termos do caput deste artigo. 6.2. Responsabilidade Sucessória A reforma determinou que o sucessor ou herdeiro responde pelos efeitos patrimoniais da conduta ímproba do antecessor, nos limites da herança ou do patrimônio recebido. Portanto, o sucessor ou o herdeiro não se subordinam a penalidades destinadas a sancionar o agente responsável pela improbidade. Essa é uma decorrência inclusive do postulado da personalidade da pena14. ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança. Art. 8º O sucessor ou o herdeiro daquele que causar dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o limite do valor da herança ou do patrimônio transferido. Art. 8º-A A responsabilidade sucessória de que trata o art. 8º desta Lei aplica-se também na hipótese de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. Parágrafo único. Nas hipóteses de fusão e de incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não 14 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 42 lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e de fatos ocorridos antes da data da fusão ou da incorporação, exceto no caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, devidamente comprovados. O art. 8º-A foi incluído pela Lei 14.230/2021 para ampliar a responsabilidade sucessória das pessoas jurídicas. 7. Declaração de Bens Conforme explica Marçal Filho, “o agente público está sujeito a deveres diferenciados relativamente à divulgação de informações sobre a sua situação patrimonial. Aquele que opta por dedicar-se a atividade de natureza funcional no âmbito do Estado não dispõe da faculdade de manter sigilo sobre os dados atinentes ao seu patrimônio”15. É nesse contexto que a LIA exige, ao teor do seu art. 13 a apresentação de declaração de bens. O dever de apresentar a declaração de bens já era normatizado antes do advento da Lei n. 14.230/2021, com a alteração legislativa, o referido dispositivo que regulamentava o tema também foi alterado. Vejamos: ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de imposto de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. § 1° A declaração compreenderá imóveis, móveis, semoventes, dinheiro, títulos, ações, e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais, localizado no País ou no exterior, e, quando for o caso, abrangerá os bens e valores patrimoniais do cônjuge ou companheiro, dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do declarante, excluídos apenas os objetos e utensílios de uso doméstico. § 1º Revogado! § 2º A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente público deixar o exercício do mandato, cargo, emprego ou função. § 2º A declaração de bens a que se refere o caput deste artigo será atualizada anualmente e na data em que o agente público deixar o exercício do mandato, do cargo, do emprego ou da função. 15 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 43 § 3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa. § 3º Será apenado com a pena de demissão, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar a declaração dos bens a que se refere o caput deste artigo dentro do prazo determinado ou que prestar declaração falsa. § 4º O declarante, a seu critério, poderá entregar cópia da declaração anual de bens apresentada à Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza, com as necessárias atualizações, para suprir a exigência contida no caput e no § 2° deste artigo . § 4º Revogado! 8. Pedido de Indisponibilidade de Bens dos Réus Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito, é o que prevê o art. 16, caput da LIA. A cautelar da indisponibilidade de bens tem por objetivo possibilitar o ressarcimento integral do dano e evitar que o responsável transfira para terceiros o produto do ilícito. Dessa forma, temos que essa indisponibilidade não tem caráter sancionador, trata-se de uma medida cautelar16. Vejamos: ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 16. Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão representará ao Ministério Público ou à procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público. Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, pedido de indisponibilidade de bensdos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. § 1º O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Código de Processo Civil. § 1º Revogado! § 1º-A O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo poderá ser formulado independentemente da representação de que trata o art. 7º desta Lei. 16 Complementando: FUC Ciclos: a indisponibilidade de bens não é uma sanção pela prática de atos de improbidade, na verdade, é uma medida de natureza cautelar cuja finalidade não é punir alguém, e sim evitar que a pessoa se desfaça de seus bens a fim de frustrar uma eventual execução judicial. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 44 § 2° Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. § 2º Quando for o caso, o pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. Não havia previsão de outros parágrafos. § 3º O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo apenas será deferido mediante a demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo, desde que o juiz se convença da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de instrução, após a oitiva do réu em 5 (cinco) dias. § 4º A indisponibilidade de bens poderá ser decretada sem a oitiva prévia do réu, sempre que o contraditório prévio puder comprovadamente frustrar a efetividade da medida ou houver outras circunstâncias que recomendem a proteção liminar, não podendo a urgência ser presumida. § 5º Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados indisponíveis não poderá superar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito. § 6º O valor da indisponibilidade considerará a estimativa de dano indicada na petição inicial, permitida a sua substituição por caução idônea, por fiança bancária ou por seguro-garantia judicial, a requerimento do réu, bem como a sua readequação durante a instrução do processo. § 7º A indisponibilidade de bens de terceiro dependerá da demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser processado na forma da lei processual. § 8º Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por esta Lei, no que for cabível, o regime da tutela provisória de urgência da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 9º Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento, nos termos da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 45 § 11. A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades simples e empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade empresária ao longo do processo. § 12. O juiz, ao apreciar o pedido de indisponibilidade de bens do réu a que se refere o caput deste artigo, observará os efeitos práticos da decisão, vedada a adoção de medida capaz de acarretar prejuízo à prestação de serviços públicos. § 13. É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 40 (quarenta) salários mínimos depositados em caderneta de poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta-corrente. § 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei. A leitura atenta do art. 16 da Lei 8.429/92 é imprescindível para preparação para provas de concurso público. Vale ressaltar os seguintes pontos: 1) Sequestro de bens: Após a redação da Lei 14.230/2021, o §1º da LIA, que fazia menção expressa ao sequestro de bens, foi revogado. Logo, não há na LIA a menção ao sequestro de bens, sendo a indisponibilidade de bens uma medida cautelar deferida com base no art. 16 da LIA e no art. 301 do CPC/2015. 2) Quem formula o pedido de indisponibilidade de bens? O Ministério Público, com base no §1º-A, do art. 16. 3) Quem decreta essa indisponibilidade? O juiz, a requerimento do Ministério Público. O juiz não pode decretar de ofício a indisponibilidade dos bens. 4) A indisponibilidade pode recair sobre bem de família? • Antes da Lei nº 14.230/2021: SIM • Depois da Lei nº 14.230/2021: em regra, NÃO! Com base no § 14 do art. 16: Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 46 Art. 16 § 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei. 5) É possível a decretação da indisponibilidade de bens de terceiro? SIM. Desde que demonstrada a sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou se tiver havido desconsideração da personalidade jurídica. De acordo com o art. 16, § 7º. 6) Recurso Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento (§ 9º do art. 16). 9. Rito da Ação de Improbidade O rito da ação de improbidade, sofreu inúmeras alterações com o advento da Lei n. 14.230/2021. Vejamos: Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo Ministério Público e seguirá o procedimento comum previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), salvo o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide ADIN 7043) § 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 3º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 4º-A A ação a que se refere o caput deste artigo deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa jurídica prejudicada. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 5º A propositura da ação a que se refere o caput deste artigo prevenirá a competência do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 6º A petição inicial observará o seguinte: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) I - deverá individualizar a conduta do réu e apontar os elementos probatórios mínimos que demonstrem a ocorrência das hipóteses dos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei e de sua autoria, salvo impossibilidade devidamente fundamentada; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) II - será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da veracidade dos fatos e do dolo imputado ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessasprovas, observada a legislação vigente, inclusive as disposições constantes dos arts. 77 e 80 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 6º-A O Ministério Público poderá requerer as tutelas provisórias adequadas e necessárias, nos termos dos arts. 294 a 310 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021), (Vide ADIN 7043) Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 47 § 6º-B A petição inicial será rejeitada nos casos do art. 330 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), bem como quando não preenchidos os requisitos a que se referem os incisos I e II do § 6º deste artigo, ou ainda quando manifestamente inexistente o ato de improbidade imputado. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 7º Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a citação dos requeridos para que a contestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, iniciado o prazo na forma do art. 231 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 8º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 9º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 9º-A Da decisão que rejeitar questões preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação caberá agravo de instrumento. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 10. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 10-A. Havendo a possibilidade de solução consensual, poderão as partes requerer ao juiz a interrupção do prazo para a contestação, por prazo não superior a 90 (noventa) dias. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 10-B. Oferecida a contestação e, se for o caso, ouvido o autor, o juiz: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) I - procederá ao julgamento conforme o estado do processo, observada a eventual inexistência manifesta do ato de improbidade; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) II - poderá desmembrar o litisconsórcio, com vistas a otimizar a instrução processual. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 10-C. Após a réplica do Ministério Público, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-lhe vedado modificar o fato principal e a capitulação legal apresentada pelo autor. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide ADIN 7043) § 10-D. Para cada ato de improbidade administrativa, deverá necessariamente ser indicado apenas um tipo dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 10-E. Proferida a decisão referida no § 10-C deste artigo, as partes serão intimadas a especificar as provas que pretendem produzir. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 10-F. Será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade administrativa que: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) I - condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na petição inicial; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) II - condenar o requerido sem a produção das provas por ele tempestivamente especificadas. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 11. Em qualquer momento do processo, verificada a inexistência do ato de improbidade, o juiz julgará a demanda improcedente. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 12. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 13. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 14. Sem prejuízo da citação dos réus, a pessoa jurídica interessada será intimada para, caso queira, intervir no processo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide ADIN 7042) (Vide ADIN 7043) Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 48 § 15. Se a imputação envolver a desconsideração de pessoa jurídica, serão observadas as regras previstas nos arts. 133, 134, 135, 136 e 137 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 16. A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das sanções aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, em decisão motivada, converter a ação de improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 17. Da decisão que converter a ação de improbidade em ação civil pública caberá agravo de instrumento. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 18. Ao réu será assegurado o direito de ser interrogado sobre os fatos de que trata a ação, e a sua recusa ou o seu silêncio não implicarão confissão. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) I - a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) II - a imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil); (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) III - o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, competindo ao Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de Ministérios Públicos distintos; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) IV - o reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de extinção sem resolução de mérito. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos praticados pelo administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso este venha a responder ação por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide ADIN 7042) (Vide ADIN 7043) § 21. Das decisões interlocutórias caberá agravo de instrumento, inclusive da decisão que rejeitar questões preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 49 1. Petição inicial 2. A petição inicial será rejeitada: •a) nos casos do art. 330 do CPC; •b) quando não preencher os requisitos do art. 17, § 6º, I e II, da LIA; •c) quando manifestamente inexistente o ato de improbidade imputado. 3. Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz determinará a citação do requerido para apresentar contestação no prazo de 30 dias. 4. Réplica do MP 5. Após a réplica do MP, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo- lhe vedado modificar o fato principal e a capitulação legal apresentada pelo autor. Proferida essa decisão, as partes serão intimadas a especificar as provas que pretendem produzir. 6. Vale ressaltar que, para cada ato de improbidade administrativa, deverá necessariamente ser indicado apenas um tipo dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 10 e 11 da LIA. 7. Isso é importante porque o § 10-F afirma que será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade administrativa que •I - condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na petição inicial; •II - condenar o requerido sem a produção das provas por ele tempestivamente especificadas. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 50 PONTOS IMPORTANTES: 1) Legitimidade para a propositura (caput) No âmbito daação de improbidade administrativa tivemos alterações relevantes, entre as quais podemos pontuar a legitimidade exclusiva do Ministério Público para a ação de improbidade. Até o advento da Lei n. 14.230/2021, a ação poderia ser proposta pelo MP ou pela pessoa jurídica interessada. Atualmente, a ação de improbidade somente pode ser proposta pelo Ministério Público, conforme prevê o texto da LIA. No atual cenário, a pessoa jurídica interessada não mais pode ajuizar ação de improbidade, conforme dispõe o texto normativo da Lei de Improbidade Administrativa. ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar. Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo Ministério Público e seguirá o procedimento comum previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), salvo o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) (Vide ADIN 7043)17. Corroborando ao exposto, leciona Matheus Carvalho (2022): Originalmente, a lei previa a legitimidade das entidades públicas lesadas pelo ato de improbidade para a propositura da ação respectiva, juntamente com o órgão ministerial. Com a alteração sofrida em 2021m a legislação, então, sem prejuízo de eventual participação do ente público lesado, atribui ao Ministério Público a titularidade dessa ação civil sancionatória. A presente alteração está sendo objeto de ação direta de inconstitucionalidade, VEJAMOS: No atual regime da Lei 8.429, de 1992, com a redação que lhe deu a Lei nº 14.230, de 2021, a legitimidade ativa para ajuizar a ação de improbidade passou a ser exclusivamente do Ministério Público (artigo 17), tendo perdido essa legitimidade a pessoa jurídica interessada, que permanece apenas com a possibilidade de representar ao Ministério Público (artigo 7º). Essa alteração legislativa é objeto de questionamento perante o Supremo Tribunal Federal em pelo menos duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI 7.042 e ADI 7.043, ambas sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes). Nessas ADIs, a Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape) e a Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe) sustentam a existência de inconstitucionalidades formais e materiais na norma que, ao conferir legitimidade apenas ao Ministério Público para ajuizamento da ação de improbidade, teria transformado "os entes públicos personalizados em meros coadjuvantes no combate à improbidade administrativa". Fonte: https://www.conjur.com.br/2022-fev-12/observatorio-constitucional-inconstitucional-dar-mp- legitimidade-exclusiva-acao-improbidade 17 https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=759234385&prcID=6316006&ad=s# Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 51 Cumpre destacarmos ainda que, a referida ADI 7042 MC / DF, já tem decisão em caráter liminar, reconhecendo a necessidade de interpretação CONFORME A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ao caput e §§ 6º- A, 10-C e 14, do artigo 17 da Lei nº 8.429/92, com a redação dada pela Lei nº 14.230/2021, no sentido da EXISTÊNCIA DE LEGITIMIDADE ATIVA CONCORRENTE ENTRE O MINISTÉRIO PÚBLICO E AS PESSOAS JURÍDICAS INTERESSADAS PARA A PROPOSITURA DA AÇÃO POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA;18 Se a autoridade tiver conhecimento de fatos que revelem a existência de indícios de ato de improbidade, ela deverá representar ao Ministério Público para as providências necessárias (art. 7º). Por fim, cumpre destacarmos que embora não possua legitimidade, QUALQUER PESSOA poderá REPRESENTAR à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade, é o que prevê o art. 14 da referida lei. 2) Requisitos da petição inicial (§ 6º) Art. 17 § 6º A petição inicial observará o seguinte: I - deverá individualizar a conduta do réu e apontar os elementos probatórios mínimos que demonstrem a ocorrência das hipóteses dos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei e de sua autoria, salvo impossibilidade devidamente fundamentada; II - será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da veracidade dos fatos e do dolo imputado ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas, observada a legislação vigente, inclusive as disposições constantes dos arts. 77 e 80 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). 3) Papel do Juiz diante da petição inicial No regramento atual, o juiz examina se a petição inicial deve ser recebida. Se for o caso, ele determina a citação do requerido. Não existe mais a previsão de defesa prévia. Se a petição iniciar estiver em devida forma, o requerido já é citado para contestar. Art. 17 § 7º Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a citação dos requeridos para que a contestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, iniciado o prazo na forma do art. 231 do CPC. 4) Oferecida à contestação No que tange ao oferecimento da contestação foram acrescidos três parágrafos no art. 17: § 10-B. Oferecida a contestação e, se for o caso, ouvido o autor, o juiz: 18 Até a data 17 de abril de 2022 temos apenas a decisão em caráter liminar, sugerimos acompanhar o trâmite da ADI. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 52 I - procederá ao julgamento conforme o estado do processo, observada a eventual inexistência manifesta do ato de improbidade; II - poderá desmembrar o litisconsórcio, com vistas a otimizar a instrução processual. § 10-C. Após a réplica do Ministério Público, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-lhe vedado modificar o fato principal e a capitulação legal apresentada pelo autor. § 10-E. Proferida a decisão referida no § 10-C deste artigo, as partes serão intimadas a especificar as provas que pretendem produzir. 5) Inexistência do ato de improbidade A inexistência do ato de improbidade administrativa pode ser reconhecida a qualquer momento, é o que traz expressamente o § 11, do art. 17: § 11 Em qualquer momento do processo, verificada a inexistência do ato de improbidade, o juiz julgará a demanda improcedente. 6) Competência A ação de improbidade deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa jurídica prejudicada (§ 4º-A do art. 17). § 4º-A A ação a que se refere o caput deste artigo deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa jurídica prejudicada. O § 5º do art. 17 complementa: § 5º A propositura da ação a que se refere o caput deste artigo prevenirá a competência do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. 7) Tutelas provisórias O Ministério Público poderá requerer as tutelas provisórias adequadas e necessárias, nos termos dos arts. 294 a 310 do CPC é o que diz o § 6º-A do art. 17. 8) Juiz não pode modificar o fato principal e a capitulação legal apresentada pelo autor Art. 17 (...): § 10-C. Após a réplica do Ministério Público, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-lhe vedado modificar o fato principal e a capitulação legal apresentada pelo autor. § 10-D. Para cada ato de improbidade administrativa, deverá necessariamente ser indicado apenas um tipo dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. (...) § 10-F. Será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade administrativa que: I - condenar o requerido por tipo diverso daquele definido napetição inicial; Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 53 Trata-se de aplicação do princípio da correlação entre o pedido, ou seja, entre as sanções qualitativas e quantitativamente postuladas pelo autor, e a sentença. 9) Pessoa jurídica deve ser intimada De acordo com § 14 do art. 17: § 14. Sem prejuízo da citação dos réus, a pessoa jurídica interessada será intimada para, caso queira, intervir no processo. 10) Desconsideração da pessoa jurídica Se a imputação envolver a desconsideração de pessoa jurídica, serão observadas as regras previstas nos arts. 133 a 137 do CPC. 11) Conversão da ação de improbidade em ação civil pública Segundo o § 16 e § 17 do art. 17: § 16. A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das sanções aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, em decisão motivada, converter a ação de improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. § 17. Da decisão que converter a ação de improbidade em ação civil pública caberá agravo de instrumento. 12) Direito ao interrogatório e ao silêncio Ao réu será assegurado o direito de ser interrogado sobre os fatos de que trata a ação, e a sua recusa ou o seu silêncio não implicarão confissão (§ 18 do art. 17). 13) Não há presunção de veracidade em caso de revelia Art. 17. § 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: I - a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; 14) Proibição do bis in idem processual Conforme explica o professor Márcio Cavalcante, o princípio que proíbe o bis in idem tem duas vertentes: Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 54 a) ne bis in idem material: significa que o acusado tem o direito de não ser punido duas vezes pelo mesmo fato. Impede que alguém seja, efetivamente, punido em duplicidade ou que tenha o mesmo fato, elemento ou circunstância considerados mais de uma vez para definir-se a sanção. b) ne bis in idem processual: assegura-se ao réu o direito de não ser processado duas vezes pelo mesmo fato. Assim, impede a formação, a continuação ou a sobrevivência da relação jurídica processual que esteja em duplicidade. A Lei nº 14.230/2021 acrescentou um dispositivo proibindo expressamente o bis in idem processual nas ações de improbidade administrativa. Art. 17 (...) § 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: (...) III - o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato (...) 15) Papel da assessoria jurídica O papel da assessoria jurídica está disciplinado no art. 17 § 20: § 20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos praticados pelo administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso este venha a responder ação por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado. 16) Cabimento de agravo de instrumento nas ações de improbidade Art. 17 § 21. Das decisões interlocutórias caberá agravo de instrumento, inclusive da decisão que rejeitar questões preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação. 17) Acordo de Não Persecução Cível O acordo de não persecução cível está disciplinado no art. 17-B que foi incluído pela Lei n. °14.230/2021. Nas lições do autor Renério Castro, “o acordo de não persecução cível é definido como negócio jurídico celebrado entre o Ministério Público e pessoas físicas ou jurídicas investigadas pela prática de improbidade administrativa, devidamente assistidas por advogado”. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 55 Por ocasião de sua inserção pelo Pacote Anticrime19, tínhamos uma lacuna com relação aos seus requisitos, a Lei n. 14.230/2021 altera esse contexto, passando a expor pontualmente os seus requisitos. Vejamos a regulamentação: Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: I - o integral ressarcimento do dano; II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados. § 1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, cumulativamente: I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação; II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério Público competente para apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; III - de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação de improbidade administrativa. § 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo considerará a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso. § 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas competente, que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 (noventa) dias. § 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença condenatória. § 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo ocorrerão entre o Ministério Público, de um lado, e, de outro, o investigado ou demandado e o seu defensor. § 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos internos de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em favor do interesse público e de boas práticas administrativas. § 7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput deste artigo, o investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos, contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo descumprimento. 19 O parágrafo 1º do artigo 17 da Lei da Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992) foi alterado, em 2019, pela Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime), passando a dispor que as ações por improbidade administrativa “admitem a celebração de acordo de não persecução cível”. Resultados que devem ser obtidos Requisitos Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 56 18) Sentença nas ações de improbidade administrativa O art. 17-C, inserido pela Lei nº 14.230/2021, dispõe sobre critérios que devem balizar a sentença proferida. Art. 17-C. A sentença proferida nos processos a que se refere esta Lei deverá, além de observar o disposto no art. 489 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil): I - indicar de modo preciso os fundamentos que demonstram os elementos a que se referem os arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, que não podem ser presumidos; II - considerar as consequências práticas da decisão, sempre que decidir com base em valores jurídicos abstratos; III - considerar os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados e das circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente; IV - considerar, para a aplicação das sanções, de forma isolada ou cumulativa: a) os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; b) a natureza, a gravidadee o impacto da infração cometida; c) a extensão do dano causado; d) o proveito patrimonial obtido pelo agente; e) as circunstâncias agravantes ou atenuantes; f) a atuação do agente em minorar os prejuízos e as consequências advindas de sua conduta omissiva ou comissiva; g) os antecedentes do agente; V - considerar na aplicação das sanções a dosimetria das sanções relativas ao mesmo fato já aplicadas ao agente; VI - considerar, na fixação das penas relativamente ao terceiro, quando for o caso, a sua atuação específica, não admitida a sua responsabilização por ações ou omissões para as quais não tiver concorrido ou das quais não tiver obtido vantagens patrimoniais indevidas; VII - indicar, na apuração da ofensa a princípios, critérios objetivos que justifiquem a imposição da sanção. § 1º A ilegalidade sem a presença de dolo que a qualifique não configura ato de improbidade. § 2º Na hipótese de litisconsórcio passivo, a condenação ocorrerá no limite da participação e dos benefícios diretos, vedada qualquer solidariedade. § 3º Não haverá remessa necessária nas sentenças de que trata esta Lei. 10. Prescrição Prescrição é a pretensão de buscar judicialmente a reparação de um direito que foi violado. Os atos de improbidade administrativa, assim como ocorre com as infrações penais, também estão sujeitos a prazos prescricionais. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 57 Logo, caso os legitimados ativos demorem muito tempo para ajuizar a ação de improbidade administrativa contra o responsável pelo ato ímprobo, haverá a prescrição e a consequente perda da pretensão punitiva. Antes do advento da Lei n.°14.230/2021, tínhamos prazos de prescrição diferente, conforme o caso concreto, o que foi radicalmente alterado. Atualmente, prescreve em 8 anos independente da situação. Nesse sentido, explica Márcio André: Assim, o texto anterior do art. 23 estipulava três hipóteses de prazo de prescrição antes de a ação ser proposta. A nova redação do art. 23, caput, unifica em 8 anos contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência, o prazo de prescrição para a ação de improbidade. A fixação da data do fato como termo inicial torna a contagem do prazo prescricional mais segura. Isso porque, no regime anterior, esse início variava de acordo com a qualidade do sujeito ativo do ato. E, na prática, reuniam- se numa mesma ação ou investigação sujeitos ativos de diferentes naturezas. Sem contar que a redação anterior não previa expressamente regras de prescrição para o terceiro (particular) que participava do ato de improbidade administrativa em conjunto com o agente público. ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas: Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei PRESCREVE EM 8 (OITO) ANOS, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência. I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança; I - Revogado! II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. II - Revogado! III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1o desta Lei. III - Revogado! Não havia previsão de parágrafos. § 1º A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração dos ilícitos referidos nesta Lei suspende o curso do prazo prescricional por, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o processo, esgotado o prazo de suspensão. § 2º O inquérito civil para apuração do ato de improbidade será concluído no prazo de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias corridos, prorrogável uma única vez por igual período, mediante ato fundamentado submetido à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 58 § 3º Encerrado o prazo previsto no § 2º deste artigo, a ação deverá ser proposta no prazo de 30 (trinta) dias, se não for caso de arquivamento do inquérito civil. § 4º O prazo da prescrição referido no caput deste artigo interrompe-se: I - pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa; II - pela publicação da sentença condenatória; III - pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que confirma sentença condenatória ou que reforma sentença de improcedência; IV - pela publicação de decisão ou acórdão do Superior Tribunal de Justiça que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de improcedência; V - pela publicação de decisão ou acórdão do Supremo Tribunal Federal que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de improcedência. § 5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia da interrupção, pela metade do prazo previsto no caput deste artigo. § 6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos relativamente a todos os que concorreram para a prática do ato de improbidade. § 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, a suspensão e a interrupção relativas a qualquer deles estendem-se aos demais. § 8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de ofício ou a requerimento da parte interessada, reconhecer a prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de imediato, caso, entre os marcos interruptivos referidos no § 4º, transcorra o prazo previsto no § 5º deste artigo. 1) Prescrição Intercorrente Prescrição intercorrente é aquela que ocorre durante o processo judicial em virtude da demora em se prolatar uma decisão pondo fim à causa. Na redação anterior a Lei 14.230/2021, não era possível a aplicação da prescrição intercorrente devido à posição anteriormente firmada pelo STJ: O STJ firmou entendimento de inaplicabilidade da prescrição intercorrente às ações de improbidade administrativa. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1872310/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 05/10/2021. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 59 Atualmente é aplicável a prescrição intercorrente com base no art. 23 § 8º. 2) Suspensão do Prazo Prescricional A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração dos atos de improbidade suspende o curso do prazo prescricional por, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o processo, esgotado o prazo de suspensão (art. 23, § 1°). A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração de atos de improbidade administrativa suspende o curso do prazo prescricional. Essa suspensão dura até o inquérito ou processo ser concluído. Se o inquérito ou processo demorar mais que 180 dias para ser concluído, o prazo prescricional volta a correr. Conclui-se, portanto, que a suspensão do prazo prescricional não poderá ser superior a 180 dias. Trata-se de novidade prevista no novo § 1º do art. 23 da LIA. 3) Interrupção do prazo prescricional Segundo o § 4º do art. 23 da LIA, o prazo prescricional é interrompido: Pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa Pela publicação da sentença condenatória Pela publicação de decisão ou acórdão de TJ ou TRF que confirma sentença condenatória ou que reforma sentença de improcedência Pela publicação de decisão ou acórdão do STJ que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de improcedênciaexplica o professor Márcio André, a improbidade administrativa, “trata-se de um ato praticado por agente público, ou por particular em conjunto com agente público, e que gera enriquecimento ilícito, causa prejuízo ao erário ou atenta contra os princípios da Administração Pública. A Lei nº 14.230/2021 Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 4 inseriu o § 1º ao art. 1º da LIA trazendo uma definição de ato de improbidade administrativa”. Essa definição tem por base a própria legislação. A doutrina, por sua vez, compreende a improbidade administrativa como imoralidade administrativa qualificada. Nesse sentido, leciona Renério de Castro Júnior: Há um forte entendimento doutrinário segundo o qual a improbidade administrativa seria uma espécie de imoralidade administrativa qualificada cuja gravidade é tão acentuada que recebeu tratamento próprio na CF/88 (art. 37, § 4°). (...) Portanto, se trata de uma imoralidade administrativa qualificada. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou a outrem. De olho na LEI SECA: Art. 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do patrimônio público e social, nos termos desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021 § 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 4º Aplicam-se ao sistema da improbidade disciplinado nesta Lei os princípios constitucionais do direito administrativo sancionador. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) § 5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021). 1.3. Natureza Jurídica Inicialmente, cumpre destacarmos que a improbidade administrativa não tem natureza jurídica de- ilícito penal. Para que um ato de improbidade seja também considerado ilícito penal, é necessário que esteja tipificado como tal em Lei Penal. Em virtude disso, todo crime contra administração é ato de improbidade, mas nem todo ato de improbidade é crime. Também não é ilícito administrativo. Mas a Lei n.° 8.112/90, estatuto dos servidores, pode estabelecer que um ato de improbidade seja também infração funcional, sendo, neste caso, também ilícito administrativo. Em verdade, o ato de improbidade possui natureza de ilícito civil, embora alguns doutrinadores considerem Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 5 que ela pode ter natureza de ilícito político em alguns casos. É apurado pela Ação de Improbidade Administrativa, que tem natureza de Ação Civil Pública. Cumpre recordarmos ainda que, um Ato de Improbidade que seja ilícito civil, poderá também ser um Ilícito Penal e Ilícito Administrativo, hipótese na qual haverá procedimento para punição nas instâncias civil, administrativa e penal. Com relação a apuração dos ilícitos, importante destacarmos que a regra é a incomunicabilidade das instancias, de forma excepcional é que se comunicam. Assim: Regra Geral: Incomunicabilidade das Instâncias. Exceção: Comunicabilidade – sentença absolutória no processo penal por inexistência do fato ou negativa de autoria. Neste caso, há comunicação das instâncias, e o absolvido no processo penal será absolvido também no processos civil e administrativo. Corroborando ao exposto, leciona Renério de Castro “o ato de improbidade administrativa tem natureza civil, mas isso não impede, é claro, a apuração de responsabilidade pela mesma conduta nas esferas administrativa e penal. Lembre-se que uma mesma conduta pode dar origem a três ações (ação civil, ação penal e processo disciplinar) com decisões diferentes em cada um dos processos. Em regra, uma decisão não influencia a outra. A esse fenômeno se dá o nome de independência de instâncias”. Vamos lembrar! Um agente público que pratica ato de improbidade sujeita-se a sanções de natureza penal, administrativa e civil. No entanto, as sanções previstas na Lei 8429/92 são CÍVEIS, não havendo sanções penais e administrativas na LIA (Lei de Improbidade Administrativa. 1.4. Bem Jurídico Tutelado Conforme explica o professor Márcio André, o caput do art. 1º da LIA foi alterado para deixar expresso o bem jurídico tutelado pelo sistema de responsabilização dos atos de improbidade administrativa. Nesse sentido, dispõe a legislação: Art. 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do patrimônio público e social, nos termos desta Lei. Parágrafo único. (Revogado). Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 6 1.5. Competência para legislar A competência para legislar é da União. Com fundamento no art.22, I, a doutrina atribui competência legislativa exclusiva à União para legislar a respeito, em razão da natureza das sanções aplicadas pela lei de improbidade (natureza civil, que são de legislação exclusiva pela União). No que tange ao procedimento administrativo a competência é concorrente, ou seja, a União legisla sobre normas gerais, e os outros entes legislam sobre matérias específicas. 1.6. Aplicabilidade da Lei de Improbidade a fatos pretéritos Candidato, a Lei nº 8.429/92 pode ser aplicada a fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor? NÃO. É pacífico o entendimento do STJ no sentido de que a Lei nº 8.429/92 não pode ser aplicada retroativamente para alcançar fatos anteriores a sua vigência, ainda que ocorridos após a edição da Constituição Federal de 1988. STJ. REsp 1129121/GO, Rel. p/ Acórdão Min. Castro Meira, julgado em 03/05/20121. 2. Alterações promovidas pela Lei 14.230/2021 A Lei n.º 14.230/2021 provocou uma grande mudança na Lei de Improbidade Administrativa (LIA), alguns doutrinadores mencionam, inclusive, se tratar de uma nova lei, denominando-a de nova Lei de Improbidade Administrativa. Em que pese as inúmeras alterações, as mudanças significativas e bem marcantes em seu conteúdo, a “roupagem” da Lei de Improbidade Administrativa continua a mesma, ou seja, a Lei de Improbidade Administrativa continua prevista na Lei n.° 8.429/92, sem alteração no número da lei. Nesse contexto, temos que a Lei de n.° 14.230/2021 alterou praticamente todos os artigos da referida Lei em estudo, com exceção dos artigos 15, 19, 24 e 25. Diante do exposto, contemplamos que inobstante as alterações, não cabe falarmos em revogação da lei de improbidade administrativa, se mantendo em vigência após inúmeras alterações, a Lei n. 8.429/92. 1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Irretroatividade da Lei nº 8.429/92. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 17/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63Pela publicação de decisão ou acórdão do STF que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de improcedência Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 60 Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia da interrupção, pela metade do prazo previsto no caput deste artigo, é o que disciplina o § 5º do art. 23. 4) Comunicabilidade das causas interruptivas da prescrição Art. 23, §§ 6º e 7º: § 6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos relativamente a todos os que concorreram para a prática do ato de improbidade. § 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, a suspensão e a interrupção relativas a qualquer deles estendem-se aos demais. 5) Prescrição do ressarcimento ao erário A reforma da LIA não tratou especificamente da prescrição do ressarcimento ao erário, portanto, continua sendo aplicado o entendimento do STF: São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática do ato doloso tipificado na LIA, submetendo-se, contudo à prescrição a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em ato culposo de improbidade. Obs.: Vale lembrar que foi extinta a modalidade culposa. Atualmente, todos os atos de improbidade administrativa são na modalidade dolosa! 11. Informativos posteriores à Lei 14.230/2021: É possível a homologação judicial de acordo de não persecução cível no âmbito da ação de improbidade administrativa em fase recursal. STJ. 1ª Seção. EAREsp 102.585-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 09/03/2022 (Info 728). #HORADOINFORMATIVO #MARCINHOEXPLICA Requisitos A celebração do acordo dependerá do preenchimento de três requisitos cumulativos: 1) a oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação; 2) aprovação, no prazo de até 60 dias, pelo órgão do Ministério Público competente para apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 61 3) homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação de improbidade administrativa. Obs: a pessoa jurídica interessada não detém legitimidade para celebrar o acordo de não persecução cível. Ainda assim, é necessária sua prévia oitiva. Outros aspectos que deverão ser analisados Em qualquer caso, a celebração do acordo considerará a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso. Determinação de mecanismos de compliance O acordo poderá contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos internos de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em favor do interesse público e de boas práticas administrativas (§ 6º do art. 17-B). Como calcular o valor a ser ressarcido? Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas competente, que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 dias (§ 3º do art. 17B). Se houver descumprimento do acordo Em caso de descumprimento do acordo, o investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 anos, contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo descumprimento (§ 7º do art. 17-B). CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O acordo de não persecução cível pode ser celebrado mesmo que a ação de improbidade administrativa já esteja em fase de recurso. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponívelem:. Acesso em: 15/04/2022 Nas ações de improbidade administrativa, a competência da Justiça Federal é definida em razão da presença das pessoas jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da Constituição Federal na relação processual, e não em razão da natureza da verba federal sujeita à fiscalização da Tribunal de Contas da União. STJ. 1ª Seção. CC 174.764-MA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 09/02/2022 (Info 724). #HORADOINFORMATIVO #MARCINHOEXPLICA Nas ações de ressarcimento ao erário e improbidade administrativa ajuizadas em face de eventuais irregularidades praticadas na utilização ou prestação de contas de valores decorrentes de convênio federal, o simples fato de as verbas estarem sujeitas à prestação de contas perante o Tribunal de Contas da União, por si só, não justifica a competência da Justiça Federal. Igualmente, a mera transferência e incorporação ao patrimônio municipal de verba desviada, no âmbito Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 62 civil, não pode impor de maneira absoluta a competência da Justiça Estadual. Se houver manifestação de interesse jurídico por ente federal que justifique a presença no processo, (v.g. União ou Ministério Público Federal) regularmente reconhecido pelo Juízo Federal nos termos da Súmula 150/STJ, a competência para processar e julgar a ação civil de improbidade administrativa será da Justiça Federal. As Súmulas 208 e 209 do STJ provêm da 3ª Seção do STJ e versam hipóteses de fixação da competência em matéria penal, em que basta o interesse da União ou de suas autarquias para deslocar a competência para a Justiça Federal, nos termos do inciso IV do art. 109 da CF. Logo, não podem ser utilizadas como critério para as demandas cíveis. Diante disso, é possível afirmar que a competência cível da Justiça Federal deve ser definida em razão da presença das pessoas jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação processual, seja como autora, ré, assistente ou oponente e não em razão da natureza da verba federal sujeita à fiscalização do TCU. Assim, em regra, compete à Justiça Estadual processar e julgar agente público acusado de desvio de verba recebida em razão de convênio firmado com o ente federal, salvo se houver a presença das pessoas jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação processual. CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Competência para julgar ação de improbidade proposta por Município contra ex-prefeito que não prestou contas de convênio federal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/04/2022 Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 63 12. Bibliografia • CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/04/2022 • Anotações pessoais de Aula – Professor Rafael Oliveira. • http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm • 7 JOURNAL OF INSTITUTIONAL STUDIES 2 (2021) Revista Estudos Institucionais, v. 7, n. 2, p. 467-478, mai./ago. 2021. • Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. • CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo/ Matheus Carvalho – 9. ed. rev. ampl. e atual. – Salvador, JusPODIVM, 2021. • CARVALHO, Matheus. Lei de improbidade comentada – Atualizada com a Lei 14.230/2021 / Matheus Carvalho – São Paulo: Editora JusPODIVM, 2022. • CASTRO, Renério. Manual de Direito Administrativo/ Renério Castro – São Paulo. JusPODIVM, 2021. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-637 2.1. Nova Ementa No texto original da Lei 8.429, aludia-se a sancionamento de agentes públicos em hipóteses de enriquecimento ilícito. Evidentemente, o instituto da improbidade não se restringe aos casos de enriquecimento ilícito – e tal já era consagrado na própria redação original da Lei 8.429. O enriquecimento ilícito no exercício de uma posição jurídica pública é uma das hipóteses que pode configurar improbidade e se encontra prevista no art. 9° do diploma. A LIA dispõe sobre muitos outros temas. A alteração consagrada na Lei 14.230/2021 destinou-se a corrigir a imprecisão da redação do texto legislativo original. Porém, em termos normativos, a modificação não produz qualquer efeito relevante2. ANTES da alteração provocada pela Lei 14.230/2021 APÓS alteração provocada pela Lei 14.230/2021 Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências. Dispõe sobre as sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, de que trata o § 4º do art. 37 da Constituição Federal; e dá outras providências. 2.2. Principais mudanças provocadas pela n.° Lei 14.230/2021 Entre as principais mudanças provocadas pela legislação, podemos destacar a exclusão da modalidade culposa. No atual cenário, a improbidade administrativa somente pode ser praticada a título de dolo. Desse modo, contemplamos que houve a exclusão da modalidade culposa de improbidade por lesão ao erário, passando a depender de condutas dolosas. Um dos núcleos da reforma promovida pela Lei 14.230/2021 consistiu em afirmar que a improbidade somente se configura nos casos de conduta dolosa. O elemento subjetivo do tipo da improbidade é o dolo. Isso significa a consciência do sujeito quanto à antijuridicidade de sua conduta e a vontade de praticar a ação ou a omissão necessária à consumação da infração3. Atualmente, para além da demonstração do dolo, mostra-se necessário ainda a comprovação do dolo específico, não sendo mais suficiente apenas o chamado dolo genérico. É exigido o ato doloso com fim ilícito. Corroborando ao exposto, leciona Renério de Castro Júnior (pág. 33): Até a promulgação da Lei 14.230/21, predominava o entendimento de que os atos de improbidade que causam danos ao erário (art. 10) poderiam ser sancionados a título de dolo ou culpa, sendo os demais (arts. 9° e 11) sancionados apenas se comprovada a má-fé do agente, ou seja, sua atuação dolosa, bastando, para tanto, o dolo genérico. Contudo, agora o cenário é outro. Com a publicação da nova lei, passa a ser exigida a comprovação de dolo específico do agente em praticar os atos de improbidade descritos nos artigos 9°, 10 e 11, não bastando a simples comprovação da culpa ou mesmo de dolo genérico. Nesse sentido estão os §§2 e 3° do artigo 1º que preveem, respectivamente, uma definição estreita de dolo (“vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito”, “não bastando a voluntariedade do agente”) e a vedação ao sancionamento de atos de gestão da coisa pública sem demonstração de ato doloso com fim ilícito. 2 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. 3 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 8 O Art. 1º § 2º trouxe expressamente a definição de dolo, bem como, exposição da necessidade deste, mencionando que não basta a voluntariedade do agente. Nesse sentido, prevê a legislacao que “”considera- se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente”. Vejamos algumas das principais mudanças: ANTES da alteração provocada pela Lei 14.230/2021 APÓS alteração provocada pela Lei 14.230/2021 Os atos de improbidade administrativa previstos nos arts. 9º, 10-A e 11 exigiam dolo. Com a exceção de uma hipótese de improbidade que poderia ser praticada com culpa prevista no art. 10. Art. 1º § 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. Extinção da modalidade culposa. Todas as modalidades de improbidade administrativa são DOLOSAS. A configuração do ato de improbidade por ofensa a princípio da administração depende da demonstração do chamado dolo genérico ou lato sensu. STJ. 2ª Turma. REsp 1383649/SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 05/09/2013. Art. 1º § 2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente. Art. 1º § 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. É necessária a comprovação de um DOLO ESPECÍFICO. Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. Art. 10, XXII - conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. Revogado o art. 10-A, contudo, a conduta antes prevista no art. 10-A, passou a constar no art. 10, XXII. Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas: I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança; II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1o desta Lei. Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreve em 8 (oito) anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 9 #Como Já Caiu em Provas de Concurso Ano: 2022 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Telebras Provas: CESPE / CEBRASPE - 2022 - Telebras - Especialista em Gestão de Telecomunicações – Auditoria. Acerca das sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, julgue o item que se segue. São considerados atos de improbidade administrativa as condutas dolosas e culposas tipificadas na Lei n.º 8.429/1992. Gabarito ERRADO. Atualmente, apenas as condutas DOLOSAS. Essas são apenas algumas, das muitas alterações que ocorreram na Lei n.° 8.429/92, as quais analisaremos neste material de maneira aprofundada e didática. 3. Conceito de Improbidade Administrativa em conformidade com as alterações provocadas pela Lei 14.230/2021 Improbidade Administrativa é o ato ilícito DOLOSO, praticado por agente público ou terceiro, contra as entidades públicas e privadas, gestoras de recursos públicos, capaz de acarretar enriquecimento ilícito (art. 9º), lesão ao erário (art. 10) e violação aos princípios (art. 11) da administração pública, conforme ensina o professor Rafael de Oliveira. Lembrando, que antes da reforma era possível falar em improbidade administrativa na modalidade culposa, atualmente não mais. Em RESUMO: ImprobidadeAdministrativa Conduta DOLOSA Enriquecimento ilícito Prejuízo ao erário Violação aos princípios administrativos É necessário o DOLO ESPECÍFICO ® mudança implementada pela Lei 14.230/2021. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 10 3.1. Sujeitos da Improbidade Os sujeitos do crime de improbidade, assim como no âmbito do direito penal, dividem-se em, sujeito passivo e sujeito ativo. Ou seja, são as pessoas físicas ou jurídicas envolvidas ou afetadas pelo ato de improbidade, seja na condição de autoras, seja como vítimas. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que sofre o ato de improbidade administrativa (art. 1º da LIA), em outras palavras é a vítima da improbidade. Conforme ensina o professor Márcio André (Dizer o Direito) o sujeito passivo é a pessoa jurídica, de direito público ou privado, que sofre os efeitos deletérios do ato de improbidade administrativa. É como se fosse a “vítima” do ato de improbidade. Por outro lado, o sujeito ativo é a pessoa física ou jurídica que comete atos de improbidade administrativa tipificados na LIA, art. 2º e 3º. A presente análise é sob o ponto de vista do direito MATERIAL, ou seja, será examinado o sujeito ativo do ATO de improbidade, isto é, quem praticou o ato no mundo real. Não se está tratando aqui de sujeito ativo ou passivo sob o ponto de vista processual, isto é, quem seria autor ou réu na ação de improbidade. É necessária a correlação entre o sujeito ativo (previsto no art.1º) e o sujeito passivo previsto no art. 2º (e, se presente a figura do particular, art. 3º) para que exista o ato de improbidade. 3.1.1. Sujeito Ativo Conforme leciona Márcio André, o sujeito ativo é a pessoa física ou jurídica que pratica dolosamente o ato de improbidade administrativa; induz ou concorre dolosamente para a sua prática. O sujeito ativo do ato de improbidade será réu na ação de improbidade. Os sujeitos ativos podem ser de duas espécies: agentes públicos (art. 2º); e/ou terceiros (art. 3º). Corroborando, explica Renério Castro: Por “sujeito ativo” do ato de improbidade administrativa entende-se aquele que pratica o ato de improbidade, seja ou não agente público. Preste atenção para não confundir os conceitos, o sujeito ativo do ato de improbidade estará no polo passivo da ação de improbidade. Basicamente, são três os possíveis agentes ativos do ato de improbidade: a) os agentes públicos; b) aqueles que gerem recursos públicos por força de atos conveniais; e c) os terceiros que induzam ou concorram para a prática do ato. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 11 3.1.1.1. Agente Público Quem é considerado agente público nos termos da Lei de Improbidade Administrativa? ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. Art. 2º Para os efeitos desta Lei consideram-se agente público o agente político, o servidor público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-se às sanções previstas nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio, contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste administrativo equivalente. A Lei n°. 14.230/2021 trouxe, de forma expressa, que para os efeitos da Lei de Improbidade Administrativa considera-se também como agente público o agente político, englobando o que já era entendimento do STF na Lei n°. 8.429/92. Desse modo, incorporando o entendimento da proposto pelo Superior Tribunal Federal, passou a integrar no rol de agente público para fins de ato de improbidade administrativa, os agentes políticos4. Os agentes políticos, com exceção do presidente da República, encontram-se sujeitos a um duplo regime sancionatório, e se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade. STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/5/2018 (Info 901). Corroborando com esse entendimento, preleciona Renério Castro “com efeito, os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a um duplo regime sancionatório, e se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade”. 4 Agentes políticos: são os titulares de cargos estruturais à organização política do país; o vínculo que mantêm com o Estado é de natureza política, isto é, não profissional; submetem-se ao regime jurídico definido primordialmente pela própria CF/88. São exemplos: Chefes do Executivo, Ministros e Secretários, Senadores, Deputados e Vereadores. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 12 Importante ressaltarmos que, o Presidente da Repúblia não responderá por improbidade, apenas pelo crime de responsabilidade. Os demais agentes políticos, por sua vez, podem cometer ato de improbidade administrativa. Candidato, os advogados exercem função essencial da justiça, sendo assim, podem ser considerados agentes públicos para fim de improbidade administrativa? Segundo o professor Rafael de Oliveira, depende. Se for um advogado público, que integra os quadros da advocacia pública, nesse caso, o advogado se enquadra no conceito de agente público para fins de improbidade. O advogado liberal, por sua vez, não se enquadra no conceito de agente público da LIA, e só poderá ser punidos a título de ato de improbidade como terceiro (conceito presente no art. 3º da LIA). E os árbitros, se enquadram no conceito de agentes públicos, para fins da LIA? Segundo a lei de arbitragem, os árbitros são equiparados aos funcionários públicos, apenas no que tange a leis penais. Art. 17. Os árbitros, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, ficam equiparados aos funcionários públicos, para os efeitos da legislação penal. Podem ser enquadrados como terceiro. Por fim, com relação aos notários e registradores, que exercem funções públicas delegadas, podem ser equiparados ao conceito de agente público para fins de improbidade administrativa? Sim! Visto que existe a cobrança de emolumentos para a serventia do serviço público. 3.1.1.2. Terceiro Segundo o professor Márcio André, terceiro é a pessoa física ou jurídica que, mesmo não sendo agente público, induziu ou concorreu dolosamente para a prática do ato de improbidade. Desse modo, o papel do terceiro no ato de improbidade pode ser o de induzir (instigar, estimular) o agente público a praticar o ato de improbidade; ou concorrer para o ato de improbidade (auxiliar o agente público a praticar). A LIA adotou um critério residual para definir o conceito de terceiro, isto é, considera-se terceiro aquele que não se amolda no conceito de agente público definido no art. 2º da Lei 8.429/92. ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra DOLOSAMENTE para a prática do ato de improbidade. Licenciado para:ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 13 de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. § 1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da sua participação. § 2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013. O terceiro pode ser uma pessoa física ou jurídica que, não se amolda no conceito de agente público, mas, mesmo assim induziu ou concorreu DOLOSAMENTE para a prática do ato de improbidade. Obs.: A mera instigação, por um terceiro, ao agente público não configura o ato de improbidade administrativa, uma vez que, a lei trouxe expressamente, que os verbos induzir e concorrer para a tipificação dos atos previstos na LIA. No tocante ao terceiro, importante ainda destacarmos o entendimento do STJ com relação a figura do estagiário. Nesse sentido, a Jurisprudência em Teses (edição n. 187): O estagiário está abrangido dentro deste conceito de agente público para fins de improbidade, que abrange não apenas os servidores públicos, mas todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na Administração Pública. Assim, segundo o entendimento do STJ: É possível o enquadramento de estagiário no conceito de agente público para fins de responsabilização por ato de improbidade administrativa. Em RESUMO: INDUZIR •O particular coloca na mente do agente público a prática do ato ilícito. CONCORRER •Pratica juntamente com o agente público o ato de ilícito previsto na LIA. •É um auxílio material. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 14 3.1.2. Sujeito Passivo Conforme ensina o professor Márcio André (Dizer o Direito) o sujeito passivo é a pessoa jurídica, de direito público ou privado, que sofre os efeitos deletérios do ato de improbidade administrativa. É como se fosse a “vítima” do ato de improbidade. As entidades públicas e privadas, gestoras de recursos públicos, previstas no conceito de improbidade administrativa, referem-se às pessoas que podem ser sujeito passivo do ato de improbidade conforme entendimento do professor Rafael Oliveira. ® Qual a redação originária da Lei 8.429/92 no que tange ao sujeito passivo? Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei. Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Em sua redação originária do art. 1º e seu parágrafo único da LIA, havia uma diferenciação quando os entes públicos ou governamentais concorriam com mais ou menos de 50% dos benefícios ou incentivos. Após a entrada em vigor Lei 14.230/2021essa diferença de porcentagem NÃO permaneceu. ® Quem pode ser sujeito passivo da LIA, atualmente? Sujeito Ativo da Lei 8.429/92 Pessoa Física ou Jurídica Pratica DOLOSAMENTE o ato de improbidade administrativa. Induz ou concorre DOLOSAMENTE para a sua prática. Duas espécies Agentes Públicos (art. 2º) Terceiros (art. 3º). Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 15 As pessoas que podem ser sujeito passivo da LIA estão previstas no art. 1º, §§ 5º a 7º da Lei nº 8.429/92. Os §§ 5º a 7º, do art. 1º da Lei nº 8.429/92, que referem-se ao sujeito passivo, foram acrescidos pela Lei n.° 14.230/2021. SUJEITO PASSIVO - LIA § 5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Vale lembrar: Administração direta: União, Estados, DF, Municípios. Administração indireta: autarquias, fundações, associações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista. § 6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais, previstos no § 5º deste artigo. § 7º Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Em RESUMO: 1) todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e órgãos da Administração direta (União, Estados, DF e Município); 2) entidades Administração direta e indireta (autarquias, fundações, publicações, empresas públicas, sociedade de economia mista) ; 3) entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais; 4) entidade privada que o erário concorra (ou haja concorrido) para a criação de custeio – limitado o ressarcimento de prejuízos à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos (Sociedades de propósito específico, criadas para gerir parcerias público-privadas (art. 9º da Lei nº 11.079/2004). Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 16 3.2. Diferença entre os conceitos de “probidade” e “moralidade”5 A ideia de probidade administrativa enquanto princípio tem relação com a moralidade jurídica (princípio da moralidade: não corrupção/boa-fé de conduta). A Probidade Administrativa não é novidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro, já o princípio da moralidade foi introduzido na Constituição Federal de 1988. Esse princípio tem conceito vago e indeterminado, por isso muito doutrinadores misturam moralidade com probidade, porque ambas decorrem da ideia de honestidade. Entretanto, a improbidade é muito mais ampla que a moralidade, envolvendo muito mais hipóteses. Nessa esteira, temos que a violação ao princípio da moralidade configura ato de improbidade. Porém, nem todo ato de improbidade configura violação ao princípio da moralidade, sendo apenas uma das espécies. Corroborando ao exposto, ensina Matheus Carvalho “o agente ímprobo sempre se qualificará corno violador do princípio da moralidade, contudo, nem todo ato de improbidade tipificado em lei corresponde à violação ao princípio da moralidade”. A probidade é um conceito mais amplo que o de moralidade. Isso porque a Lei n° 8.429/92 prevê, como ato de improbidade administrativa, não apenas a violação à moralidade, mas também aos demais princípios da Administração Pública, conforme previsto no art. 11 da referida Lei. Assim, todoato imoral é 5 Tabela extraída do Buscador Dizer o Direito: CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/04/2022 Sujeito Passivo da LIA Administração Pública Direta e Indireta de quaisquer dos Poderes da União, Estados, DF e Municípios. Entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais. Entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 17 um ato de improbidade administrativa, mas nem todo ato de improbidade administrativa significa violação ao princípio da moralidade. Vejamos a distinção propostas por 3 correntes sobre o tema: 1ª corrente 2ª corrente 3ª corrente Moralidade é um conceito mais amplo que o de probidade. Probidade seria um subprincípio da moralidade. Probidade é um conceito mais amplo que o de moralidade. Isso porque a Lei nº 8.429/92 prevê, como ato de improbidade administrativa, não apenas a violação à moralidade, mas também aos demais princípios da Administração Pública, conforme previsto no art. 11 da referida Lei. Assim, todo ato imoral é um ato de improbidade administrativa, mas nem todo ato de improbidade administrativa significa violação ao princípio da moralidade. Moralidade e probidade são expressões equivalentes, considerando que a CF menciona a moralidade como um princípio da Administração Pública (art. 37, caput) e a improbidade como sendo a lesão produzida a esse mesmo princípio (art. 37, § 4º). Posição de Wallace Paiva Martins Júnior. Defendida por Emerson Garcia e Rogério Pacheco Alves. É sustentada por José dos Santos Carvalho Filho. Seguindo os ensinamentos do professor Márcio André Lopes Cavalcante, a segunda corrente, na qual a probidade é um gênero, sendo a moralidade uma de suas espécies, é o melhor entendimento e deve ser adotado nas provas. Ainda em conformidade com a 2ª corrente, a improbidade irá englobar não apenas os atos desonestos ou imorais, mas também os atos ilegais. 3.3. Alcance da Lei n.° 8.429/92 A Lei n.°14.230/2021 não ocasionou mudanças com relação ao alcance da Lei 8.429/92. Sendo assim, a LIA incide não só para a União, mas também, para os Estados, DF e Municípios, ou seja, é uma lei com alcance nacional. Em que pese a referida regra, o art. 13 trouxe uma exceção. Exceção: Art. 13 Tem alcance apenas para a União Federal e não vincula os demais entes federados. Dispõe sobre a exigência de apresentação de declaração de imposto de renda por aqueles que vão assumir um cargo ou uma função pública. Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de imposto de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 18 do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 2º A declaração de bens a que se refere o caput deste artigo será atualizada anualmente e na data em que o agente público deixar o exercício do mandato, do cargo, do emprego ou da função. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 3º Será apenado com a pena de demissão, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar a declaração dos bens a que se refere o caput deste artigo dentro do prazo determinado ou que prestar declaração falsa. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021). 3.4. Princípios Constitucionais do Direito Administrativo Sancionador A alteração promovida na Lei de Improbidade Administrativa, acrescentou e passou a dispor expressamente sobre o chamado direito administrativo sancionador, até então só discutido pela doutrina e jurisprudência. Sobre o tema, discorre Renério de Castro: O direito administrativo sancionador é fruto de construção doutrinária e jurisprudencial, sendo um ramo que congrega distintos segmentos pelos quais operaria o poder punitivo do Estado (de contas, fiscal, regulatório, ambiental, administrativo, concorrencial etc.), devendo ser conferidas aos cidadãos algumas garantias em face desse poder sancionatório estatal. Assim, embora seja um tema do direito administrativo, quando falamos de sanções devemos aplicar alguns princípios constitucionais típicos do direito penal. Isso nos leva a concluir de imediato que no âmbito dos processos de improbidade administrativa: • Aplica-se o princípio da retroatividade da norma penal mais benéfica; • Aplica-se o princípio da intranscendência subjetiva das sanções; • Admitem-se hipóteses de abolitio criminis; • Veda-se o emprego da analogia in malam partem; e • Admite-se a invocação do estado de necessidade como excludente de ilicitude. Nesse sentido, a legislação: Art. 1º § 4º Aplicam-se ao sistema da improbidade disciplinado nesta Lei os princípios constitucionais do direito administrativo sancionador. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Os princípios do direito administrativo sancionador muito se assemelham aos princípios do direito penal no regime da Constituição Federal de 1988 não há distinção qualitativa entre a punição penal e a punição de natureza administrativa. Sendo assim, em ambos os casos, devem ser respeitados os direitos e garantias constitucionais, conforme ensina o Ministro Benedito Gonçalves e o Renato César Guedes Grilo: Portanto, a aplicação do direito sancionatório administrativo também passa pelo influxo dos princípios constitucionais do direito administrativo sancionador, de modo que a imputação de determinada conduta ímproba ou infracional precisa ser antecedida de um exame de: (a) legalidade formal ou tipicidade, (b) legalidade material ou lesividade, (c) antijuridicidade e (d) culpabilidade. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 19 A Constituição Federal de 1988 é o centro de convergência de todo o sistema jurídico, de modo que o direito sancionador do Estado deve obediência aos princípios constitucionais dela extraídos. Se reunirmos a compreensão acima em face da possibilidade ou não da retroatividade da reforma da Lei de Improbidade Administrativa, chegaremos a conclusão de que somente será possível a retroatividade quando estivermos diante de uma norma benéfica ao agente. Em que pese a referida conclusão, o tema é alvo de controvérsias, conforme veremos no tópico seguinte. 3.4.1. Tese da Retroatividade da Lei mais benéfica e a Reforma da LIA A Lei n.° 14.230/2021, como já mencionado, trouxe mudanças significativas a Lei de Improbidade Administrativa, com isso, trouxe também uma discussão sobre a possibilidade ou não de retroatividade da lei mais benéfica ao acusado. Por se tratar de uma lei recente ainda não temos ainda uma posição concreta/majoritária, mas surgiram duas correntes. Uma primeira corrente defende que é possível a retroativada da norma mais benéfica, visto que o no art. 1º §4º, que diz expressamente que o sistema de improbidade está submetido aos princípios constitucionais do direito administrativo sancionador. De acordo com essa corrente, entende-se que, por se tratar de um direito sancionador, que pode resultar em uma possível punição ao cidadão é cabível uma conduta mais cautelosa por parte do Estado. Para essa corrente a ConstituiçãoFederal tem uma série de princípios que podem ser aplicados ao direito administrativo sancionador, como o princípio da irretroativa da lei a não ser para beneficiar o réu, mesmo a CF trazendo expressamente no art. 5º, XL, que se trata de lei penal. Art. 5º, XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. Embora seja passível de discussão, parece favorável entender, portanto, que é possível a retroatividade da lei mais benéfica para que possa garantir o direito constitucional ao réu, inclusive o próprio STJ já admitiu esse princípio no âmbito do direito administrativo sancionador, em consonância com a lição do Min. Mauro Campbell Marques: “As sanções da Lei de Ação Popular, da Lei de Ação Civil Pública e da Lei de Improbidade Administrativa não têm caráter penal, mas formam o arcabouço do direito administrativo sancionador, de cunho eminentemente punitivo, fato que autoriza trazermos à baila a lógica do Direito Penal, ainda que com granus Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 20 salis. É razoável pensar, pois, que pelo menos os princípios relacionados a direitos fundamentais que informem o Direito Penal devam, igualmente, informar a aplicação de outras leis de cunho sancionatório.” De acordo com o que ensina o Professor Rafael Oliveira, é cabível a retroatividade da LIA, como por exemplo, na condenação de improbidade na modalidade culposa, que foi extinta pela Lei n.° 14.230/2021. Assim, em conformidade com o entendimento da primeira corrente, os processos em curso relativos ao cometimento do ato de improbidade na modalidade culposa deveriam ser extintos e os processos que já foram previamente julgados, poderiam retroagir se ainda estivessem durante o prazo da ação rescisória (prazo de 2 anos). A segunda corrente, por sua vez, defende que o art. 37, § 4º, da CF/88 traz clara distinção entre as sanções penais e aquelas aplicáveis aos atos de improbidade administrativa. Art. 37 § 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. Esse dispositivo prevê que as sanções por improbidade administrativa serão aplicáveis “sem prejuízo da ação penal cabível”. Por isso, não há como ampliar o aspecto de proteção conferido à lei penal às sanções cíveis. Sendo, portanto, inaplicável a retroatividade da lei mais benéfica no âmbito do direito administrativo sancionador. Em RESUMO6: 6 (Ir)retroatividade da Lei nº 14.230/2021: Vale lembrar que o tratamento da improbidade administrativa tem caráter cível, ou seja, não se trata de norma penal. Cuida-se de atos de agentes públicos que violam o erário, resultam em enriquecimento ilícito ou atentam contra os princípios da administração pública e que recebem sanções de natureza estritamente civil. Ainda assim, surgiram debates sobre a aplicação do mesmo tratamento da lei penal às alterações promovidas pela Lei nº 14.230/2021. Ou seja, a irretroatividade da lei gravosa e a excepcional retroatividade da lei penal mais benéfica, conforme art. 5º, XL, da CF, aplicam- se aos casos de improbidade administrativa? A Lei nº 14.230/2021, por ser mais favorável ao sancionado, tem aplicação retroativa? Uma primeira corrente defende que sim. Entende que a Lei de Improbidade Administrativa se encontra inserida no chamado direito sancionador e que, portanto, comporta tratamento assemelhado ao Direito Penal. O direito sancionador é um gênero que abrange as formas que o cidadão pode sofrer uma punição por parte do Estado, incluindo a seara criminal. Preocupa-se com a aplicação do devido processo legal (material e formal) de forma mais cautelosa que num procedimento não sancionador. Uma segunda corrente, por outro lado, defende que o art. 37, § 4º, da CF/88 traz clara distinção entre as sanções penais e aquelas aplicáveis aos atos de improbidade administrativa. Esse dispositivo prevê que as sanções por improbidade administrativa serão aplicáveis “sem prejuízo da ação penal cabível”. Por isso, não há como ampliar o aspecto de proteção conferido à lei penal às sanções cíveis. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 21 1ª Corrente 2ª Corrente É possível a aplicação da retroatividade da lei mais benéfica de acordo com o art. 1º §4º da Lei 8.429/92. Não é possível a aplicação da retroatividade da lei mais benéfica de acordo com o art. 37, § 4º, da CF/88. 4. Inexistência de Improbidade por divergência de Interpretação da Lei Uma das principais novidades da Lei nº 14.230/2021 foi a inserção do § 8º do art. 1º que traz expressamente que não há improbidade se a conduta do agente público foi baseada em jurisprudência, ainda que posteriormente não tenha sido a que prevaleceu. Nesse sentido, vejamos a legislação: Art. 1º § 8º Não configura improbidade a ação ou omissão decorrente de divergência interpretativa da lei, baseada em jurisprudência, ainda que não pacificada, mesmo que não venha a ser posteriormente prevalecente nas decisões dos órgãos de controle ou dos tribunais do Poder Judiciário. A clara intenção do legislador foi trazer uma maior segurança jurídica ao agente público, ao passo que não pode haver a propositura de uma ação de improbidade pelo simples fato do agente público trazer uma interpretação diferente da interpretação dos órgãos de controle. Em outras palavras, o simples fato do agente público atuar com base em uma interpretação que é diversa da interpretação de um órgão de controle (ex: MP) não legitima e não justifica a propositura de uma ação de improbidade administrativa. A inserção do art. 1º § 8º veio para acabar com a “Administração Pública do Medo”, também denominada “apagão das canetas”, que gerava uma ineficiência administrativa e que colocava em risco a própria gestão pública. Corroborando ao exposto, leciona Renério de Castro “trata-se de mais um mecanismo que busca evitar o chamado “apagão das canetas”, situação em que o gestor público, com medo dos riscos jurídicos da tomada de uma decisão, deixa de praticar o ato administrativo, mesmo que amparado em entendimento jurídico válido, porém, ainda não pacificado”. CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 22 Na posição do professor Rafael de Oliveira se as decisões forem vinculantes abre-se caminho para uma ação de improbidade, pois o agente público não pode desconsiderar tal decisão, interpretando de forma contrária. 5. Atos de Improbidade Administrativa O art. 10-A que tratava dos atos de improbidade administrativa decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário foi REVOGADO, pela Lei 14.230/2021. Contudo o tema continua sendo abordado na LIA no art. 10, inciso XXII. Art. 9º e o art. 10 = condutas exemplificativas. Art. 11 = rol exaustivo (Antes da Lei n.°14.230/2021 o art. 11 também possuía um rol exemplificativo). Em RESUMO7: Antes da Lei n. 14.230/21 Após a Lei n. 14.230/21 Art. 9º = atos que importam em enriquecimento ilícito. Art. 10 = Atos que causam prejuízo ao erário. Art. 10-A = Atos decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário (inserido pela LC 157/2016). Art. 11 = Atos que atentam contra os princípios da Administração Pública. Art. 9º = atos que importam em enriquecimento ilícito. Art. 10 = Atos que causam prejuízo ao erário. Art. 11 = Atos que atentam contra os princípios da Administração Pública. #OBS: O art. 10-A foi revogado, e o ato ali passoua estar disposto no inciso XXII do art. 10. 7 Tabela extraída da FUC @ciclosmetodo. Atos de Improbidade Administrativa Enriquecimento ilícito (art. 9º) Dano ao erário (art. 10) Violação dos princípios da administração (art.11) Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 23 Temos dessa forma, o seguinte cenário: - atos que gera enriquecimento iícito; - atos que causam prejuízo ao erário; - atos que atentam contra os princípios da Administracao. Em RESUMO8: Atos que importem em enriquecimento ilícito Atos que causem prejuízo Atos que atentem contra os princípios da Administracao Pública Auferir qualquer tipo de vantagem indevida em razão do exercício de função pública. (Art. 9°) Qualquer conduta que enseja perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres dos sujeitos passivos. (Art. 10) Qualquer conduta que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições. (Art. 11) 5.1. Enriquecimento Ilícito (Art. 9º) Nos moldes previstos na própria legislação, constitui ato de improbidade administrativa importando em enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. A nova redação do art. 9° passou a prevê de forma expressa a exigência do elemento subjetivo dolo. Em que pese o acréscimo da expressão “mediante a prática de ato doloso” ao caput do art. 9°, é certo mesmo antes da alteração legislativa o entendimento sempre foi no sentido de que só era possível a prática de ato de improbidade que importasse em enriquecimento ilícito mediante a prática de conduta dolosa. A Lei n. 14.230/2021 apenas reforçou - positivando, o que já era entendimento da doutrina e Jurisprudência. ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente: Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando em enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: 8 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 24 Inciso I, II, III não sofreram alterações IV - Utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidores públicos, empregados ou terceiros contratados por essas entidades; IV - utilizar, em obra ou serviço particular, qualquer bem móvel, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores, de empregados ou de terceiros contratados por essas entidades; Inciso V não sofreu alteração VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei; VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre qualquer dado técnico que envolva obras públicas ou qualquer outro serviço ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei; VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público; VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, de cargo, de emprego ou de função pública, e em razão deles, bens de qualquer natureza, decorrentes dos atos descritos no caput deste artigo, cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público, assegurada a demonstração pelo agente da licitude da origem dessa evolução; Incisos VIII, IX, X, XI, XII não sofreram alterações Para configuração de atos que importem em enriquecimento ilícito é necessário os seguintes requisitos: a) A conduta seja dolosa; b) A conduta seja praticada por agente público ou pessoa a ele equiparada. c) Exista relação de causalidade, ou seja, nexo causal entre o recebimento da vantagem e a conduta daquele que ocupa cargo ou emprego, detém mandato, exerce função ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1º da LIA. d) Exista o recebimento de vantagem indevida. 5.2. Dano ao Erário (Art.10) O art. 10 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) foi objeto de mudança significativa, antes se admitia a prática da referida conduta a título de dolo ou culpa. Após o advento da Lei n. 14.230/2021, somente de forma dolosa, excluindo a modalidade culposa. Além disso, passou-se também a exigir a comprovação efetiva do dano ao erário, rechaçando a possibilidade de presunção da lesão ao erário. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 25 Nesse sentido, leciona Renério de Castro: O caput do art. 10 foi objetivo de alterações significativas pela Lei 14.203/21. Primeiro, foi excluída a possibilidade de condenação por ato culposo de improbidade administrativa. Com efeito, na redação original da Lei 8.429/92, poderia ser condenado aquele que, mesmo sem a intenção, tivesse causado lesão ao erário por negligência, imprudência ou imperícia.Não subsiste tal possibilidade. Outra alteração se refere à necessidade de efetiva e comprovada comprovação da lesão ao erário. Antes da reforma eram admitidas algumas hipóteses de lesão presumida ao erário, como nos casos de frustração da licitude de procedimento licitatório. Agora, com a nova redação, se não ficar devidamente comprovada a lesão, o ato até poderá ser enquadrado no art. 11 (atentado aos princípios), mas jamais no art. 10. Corroborando, preconiza Marçal Filho, “a redação anterior do art. 10 admitia a improbidade em hipótese de conduta culposa. O dispositivo trata de infrações aptas a gerar dano ao erário. Essa solução foi eliminada na reforma de 2021, que eliminou a improbidade quando inexistir consciência quanto à ilicitude e à vontade de produzir o resultado danoso”. Nesse sentido, vejamos as alterações ocasionadas no art. 10 da LIA. ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente: Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão dolosa, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: Conduta dolosa ou culposa. Apenas conduta dolosa. I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para aincorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei; I - facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a indevida incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, de rendas, de verbas ou de valores integrantes do acervo patrimonial das entidades referidas no art. 1º desta Lei; Incisos II, III, IV, V, VI, VII não sofreram alterações VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente; VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva; Inciso IX não sofreu alterações X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público; X - agir ilicitamente na arrecadação de tributo ou de renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público; Incisos XI, XII, XIII, XIV, XV XVI, XVII, XVIII não sofreram alterações XIX - agir negligentemente na celebração, fiscalização e análise das prestações de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; XIX - agir para a configuração de ilícito na celebração, na fiscalização e na análise das prestações de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; Inciso XX não sofreu alterações XXI - liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem Revogado! Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 26 a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. XXII - conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. Não havia previsão de parágrafos. § 1º Nos casos em que a inobservância de formalidades legais ou regulamentares não implicar perda patrimonial efetiva, não ocorrerá imposição de ressarcimento, vedado o enriquecimento sem causa das entidades referidas no art. 1º desta Lei. § 2º A mera perda patrimonial decorrente da atividade econômica não acarretará improbidade administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa finalidade. IMPORTANTES INOVAÇÕES NO ART. 10 (DANO AO ERÁRIO): • Foi extinta a modalidade culposa de improbidade! Atualmente só é possível a configuração do dano ao erário na modalidade DOLOSA. • Exige-se a presença do dano efetivo e comprovado. Candidato, é possível o dano presumido ao erário (in re ipsa)? A partir da redação da Lei n.° 14.230/2021 que inovou trazendo explicitamente no art. 10, caput. da LIA a expressão “efetiva e comprovadamente” não mais se pode falar em dano presumido ao erário. - O art. 10-A foi revogado e sua conduta inserida no art. 10, XXII. - O ressarcimento ao erário nos casos que não for comprovada a perda patrimonial efetiva, ainda que haja inobservância de formalidades legais ou regulamentares será afastado (art. 10 § 1º). - A mera perda patrimonial decorrente da atividade econômica não acarretará improbidade administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa finalidade (art. 10 § 2º). Para configuração de atos que importem em dano ao erário é necessário os seguintes requisitos: a) A efetiva e comprovada lesão ao erário; b) Conduta dolosa, comissiva ou omissiva, do agente ou do terceiro; c) Nexo causal entre o dano ao erário e a conduta do agente público ou do terceiro. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 27 5.3. Violação dos Princípios da Administração (Art.11) Os ilícitos do art. 11 referem-se a condutas incompatíveis com os princípios fundamentais norteadores da atividade administrativa. Trata-se de violação aos valores essenciais que norteiam a função administrativa estatal. Não se exige a consumação de um dano patrimonial, nem um benefício econômico para o agente público. No entanto, as condutas elencadas no art. 11 podem envolver esses efeitos9. Nos termos da Legislação, constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada pelas condutas previstas ao teor dos incisos do art. 11, da Lei n. 8.429/92. O entendimento atual é no sentido de que o rol constante do art. 11 é taxativo. A legislação antes de ser alterada mencionava a expressão “qualquer ação ou omissão (...)”, após o advento da Lei n. 14.230/2021, a expressão foi suprimida, sendo substituída pelo termo caracterizada por uma das seguintes condutas. Diante desse atual cenário, o entendimento da doutrina é no sentido de que o rol constante do art. 11 passou a ser TAXATIVO. Corroborando com esse entendimento, explica o professor Márcio André10: Segundo a doutrina, a expressão “qualquer” utilizada na descrição das condutas genéricas previstas nos arts. 9º, 10 e 11 da redação originária da LIA demonstrava que o rol dos atos de improbidade administrativa era exemplificativo (numerus apertus). No entanto, a Lei nº 14.230/2021 modificou a redação do caput do art. 11 para inserir a expressão “caracterizada por uma das seguintes condutas”. Logo, agora, pode-se dizer que os incisos do art. 11 encerram uma lista exaustiva. O rol de condutas do art. 11 passou a ser taxativo, permanecendo as condutas previstas nos arts. 9º e 10 elencadas em rol exemplificativo. Diante do exposto, vejamos através do quadro comparativo as principais mudanças provocadas no art, 11 da Lei em estudo: ANTES da Lei 14.230/2021 DEPOIS da Lei 14.230/2021 Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente: Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência; I - Revogado! 9 Reforma da lei de improbidade administrativa comentada e comparada: Lei 14.230, de 25 de outubro de 2021 / Marçal Justen Filho. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2022. 10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.230/2021: Reforma da Lei de Improbidade Administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15/04/2022. Licenciado para: ANTONIO CARLOS - CPF: 013.229.675-63 28 II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício; II - Revogado! III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo; III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por informação privilegiada ou colocando em risco a segurança da sociedade e do Estado; IV - negar publicidade aos atos oficiais; IV - negar publicidade aos atos oficiais, exceto em