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1 
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 
 
1. CONCEITO: 
É a expressão ou designativo técnico para falar de corrupção administrativa, que se caracteriza 
pelo descumprimento da lei, como prática de ilegalidade ou o descumprimento da ordem jurídica, ou 
pelo desvirtuamento da função pública. 
Pode ser considerado como improbidade: a vantagem patrimonial indevida, o exercício nocivo 
da função, a prática de tráfico de influência, o favorecimento de minoria em detrimento da 
grande maioria. 
A ideia de improbidade nos remete à falta de boa-fé, à desonestidade, à lealdade, à imoralidade e à 
desobediência aos princípios éticos. 
 
Art. 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade 
na organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do 
patrimônio público e social, nos termos desta Lei. (Redação da Lei 14.230/2021) 
VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) 
 
2. PRINCIPAIS MUDANÇAS NA LEI DE IMPROBIDADE EM 2021: 
1. ATO DE IMPROBIDADE EXIGE DOLO. RETIRADA DA FORMA CULPOSA DO ART. 10 
2. Somente o MP é legitimado para propor a ação; Julgado inconstitucional pela ADI 7043 
3. Alteração no art. 12 que estabelece as sanções. Especialmente, nos prazos de suspensão dos 
direitos políticos; 
4. Alteração nas regras sobre prescrição. Art. 23 estabelece prazo único de 8 anos. 
5. Nepotismo previsto expressamente como ato de improbidade. 
6. Casos de interrupção da prescrição. 
7. Não há mais notificação prévia do acusado no processo judicial. Antes, o juiz notificava o acusado 
para que este se defendesse e, só depois, o juiz analisava o processo. 
8. Comunicação de decisões da esfera penal e cível nas ações de improbidade. A regra é a não 
comunicação das instâncias, mas as condenações na esfera penal repercutirão na ação cível de 
improbidade. Além disso, outra sentença cível que tenha relação com o ato de improbidade também irá 
repercutir na ação de improbidade. 
 
3. FONTE CONSTITUCIONAL: 
Dispositivos não relacionados à Lei de Improbidade Administrativa: 
• Art. 14, §9º, improbidade eleitoral; 
• Art. 15, V, suspensão dos direitos políticos; 
• Art. 85, V, crimes de responsabilidades do presidente. 
O art. 37, §4º, CF, caracteriza a improbidade administrativa, criada pela Lei 8.429/92 (Lei do 
Colarinho Branco). 
São sanções por ato de improbidade: 
• O ressarcimento; 
 
2 
• A perda da função; 
• A suspensão dos direitos políticos; e 
• A indisponibilidade de bens. 
 
4. FONTE LEGAL: 
A Lei 8.429/92 dispõe sobre os aspectos e características da improbidade administrativa. 
Era chamada de lei do colarinho branco, mas que não trouxe os maiores efeitos desejados. 
Esta lei é de âmbito nacional, e não de âmbito federal. 
Há quem diga que a competência para legislar sobre improbidade é da União, regra implícita do art. 
22, I, CF, já que as medidas de improbidade tratam sobre direito eleitoral e direito civil. 
Assim, é uma lei aplicada a todos os entes. 
Contudo, segundo MARIA SYLVIA DI PIETRO, nem todo o seu conteúdo apresenta caráter nacional, 
ou seja, seria de natureza majoritariamente de lei nacional. 
Tudo porque, entende a professora DI PIETRO, algumas normas previstas no diploma em questão 
têm caráter estritamente administrativo, de modo que, neste tocante, cada unidade federativa ostenta 
competência legislativa para estabelecer suas próprias regras. Essa posição foi cobrada pelo CESPE: 
CESPE - 2015 - Telebras - Analista Superior 
Como a lei de improbidade administrativa tem abrangência nacional, não há nenhuma margem para 
o exercício da competência legislativa concorrente e complementar por parte de estado da Federação. 
ERRADA 
A ADI 2182 discutiu a inconstitucionalidade formal da Lei 8.29/92. O STF decidiu pela improcedência 
da ação. 
Ocorreu no momento do projeto que da casa iniciadora passou-se para a casa revisora, que emendou 
e passou para a iniciadora e modificou a emenda e mandou para sanção. Discutiu-se esse procedimento. 
O STF entendeu que não ocorreu a modificação da emenda. (Informativo 586, 12 de maio de 2010) 
 
5. OUTRAS FORMAS DE CONDENAÇÃO POR IMPROBIDADE 
Não é apenas de acordo com Lei de Improbidade que um agente público pode ser punido por 
improbidade administrativa. 
Art. 1º. (...) §1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas 
nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. CESPE / CEBRASPE 
- 2023 - MPE-AM - Promotor 
 
A exemplo, temos, dentre outros: 
1) Estatuto da Cidade, art. 52, caput: "Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos 
e da aplicação de outras sanções cabíveis, o Prefeito incorre em improbidade administrativa, nos termos 
da Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, quando: (...) 
2) Lei Geral de Proteção de Dados, art. 23, I, por meio do entendimento do STF: "A transgressão 
dolosa ao dever de publicidade estabelecido no art. 23, inciso I, da LGPD, fora das hipóteses 
constitucionais de sigilo, importará a responsabilização do agente estatal por ato de improbidade 
administrativa, nos termos do art. 11, inciso IV, da Lei nº 8.429/92, sem prejuízo da aplicação das 
sanções disciplinares previstas nos estatutos dos servidores públicos federais, municipais e estaduais. 
ADI 6649/DF e ADPF 695/DF, Informativo 1068. 
 
3 
3) Lei de Conflito de Interesses, nº 12.813/2013: "Art. 6º Configura conflito de interesses após o 
exercício de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal: (...) Parágrafo único. A infração 
ao disposto no caput caracteriza ato de improbidade administrativa. 
 
6. NATUREZA JURÍDICA: 
O ilícito de improbidade administrativa possui natureza civil. 
É um ilícito civil, assim decidiu o STF nas ADI’s 2860 e 2797. 
MPE-SP - 2019 - MPE-SP - Promotor de Justiça Substituto 
Assinale a alternativa INCORRETA. 
a) Compete à Câmara Municipal o julgamento das contas do chefe do Poder Executivo municipal, tanto 
as de governo quanto as de gestão, com o auxílio dos tribunais de contas, que emitirão parecer 
prévio, cuja eficácia impositiva subsiste e somente deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos 
membros da Casa Legislativa. 
b) O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações 
penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa. 
c) A decisão irrecorrível da Câmara Municipal que rejeite por irregularidade insanável que configure ato 
doloso de improbidade administrativa, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder 
Judiciário, torna o Prefeito inelegível, para qualquer cargo, às eleições que se realizarem nos oito 
anos seguintes, contados a partir da data da decisão. 
d) Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou 
ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de responsabilidade solidária. 
e) A gravidade das sanções previstas no art. 37, § 4o, da Constituição Federal, reveste a ação de 
improbidade administrativa de natureza penal, justificando o foro especial por prerrogativa de função 
previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais. 
Contudo, uma mesma conduta pode caracterizar um crime no CP como um ato de improbidade ou 
como ilícito funcional estipulado pelo Estatuto. 
Se for ilícito administrativo ou infração funcional, processa-se por um PAD. 
Essa mesma conduta funcional e penal, também poderá ser ato de improbidade, desde que 
seja ajuizada ação civil com este fim. 
CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
Em fevereiro de 2018, o delegado de polícia de uma cidade determinou a realização de 
diligências para apurar delito de furto em uma padaria do local. Sem mandado judicial, os 
agentes de polícia conduziram um suspeito à delegacia. Interrogado pelos próprios agentes, 
o suspeito negou a autoria do crime e, sem que lhe fosse permitidodo erário, ato de publicidade 
que contrarie o disposto no §1º do art. 37 da Constituição Federal, de forma a promover inequívoco 
enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de 
campanhas dos órgãos públicos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Promover promoção pessoal: 
CF. Art. 37. §1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos 
deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, 
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. 
 
27 
FGV – 2023 – TJ-PR – Juiz de Direito 
Por determinação de José Goiaba, prefeito do Município da Boa Fruta, em todas as obras 
municipais foram apostas placas confeccionadas com recursos do erário local, contendo a 
seguinte inscrição: “Governo Zé Goiaba: o melhor da Boa Fruta”. 
À luz da legislação de regência dos atos de improbidade administrativa, o ato do prefeito é ilícito e 
punível com multa e proibição de contratar com o poder público por prazo não superior a quatro anos. 
CERTA 
 
17. CONDUTAS ANTERIORES À REFORMA DA LEI 14.230, DE 2021 E JURISPRUDÊNCIA: 
 
Tortura como ato de improbidade administrativa violador implícito dos princípios da 
administração (Dizer o direito): 
A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui ato de improbidade 
administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. 
STJ. 1ª Seção. REsp 1.177.910-SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 26/8/2015 
(Info 577). 
Para o STJ é injustificável que a tortura praticada por servidor público, um dos atos mais gravosos à 
dignidade da pessoa humana e aos direitos humanos, seja punido apenas no âmbito disciplinar, civil e 
penal, afastando-se a aplicação da Lei da Improbidade Administrativa. 
Eventual punição administrativa do servidor não impede a aplicação das penas da Lei de Improbidade 
Administrativa, porque os objetivos de ambas as esferas são diversos e as penalidades previstas na Lei 
nº 8.429/92, mais amplas. 
 
A situação adaptada foi a seguinte: Dois policiais prenderam um homem em flagrante e passaram 
a torturá-lo para que confessasse. O Ministério Público ajuizou ação de improbidade contra os policiais. 
A defesa alegou que não ficou caracterizado ato de improbidade, uma vez que este pressupõe, 
obrigatoriamente, uma lesão direta à própria Administração e não a terceiros, haja vista que o bem 
jurídico que se deseja proteger é a probidade na Administração Pública. No caso concreto, não teria 
havido lesão à Administração, mas apenas ao particular (preso). 
Universo das vítimas protegidas pela Lei 8.429/92: A Lei nº 8.429/92 não prevê expressamente 
quais seriam as vítimas mediatas ou imediatas da atividade ímproba para fins de configuração do ato 
ilícito. 
Dever convencional, constitucional e legal de o Estado reprimir tais condutas: No caso 
concreto, a conduta dos policiais afrontou não só a Constituição da República (arts. 1º, III, e 4º, II) e a 
legislação infraconstitucional, mas também tratados e convenções internacionais, a exemplo da 
Convenção Americana de Direitos Humanos (Decreto nº 678/92). 
Situação se enquadra no art. 11 da Lei nº 8.429/92: O legislador, ao prever, no art. 11 da Lei 
nº 8.429/92, que constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da 
administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de lealdade às instituições, findou 
por tornar de interesse público, e da própria Administração, a proteção da legitimidade social, da imagem 
e das atribuições dos entes/entidades estatais. Daí resulta que atividade que atente gravemente contra 
esses bens imateriais tem a potencialidade de ser considerada improbidade administrativa. 
 
Publicidade governamental que não tenha fins educacionais, informativos e de orientação 
social 
Configura ato de improbidade administrativa a propaganda ou campanha publicitária que tem por 
objetivo promover favorecimento pessoal, de terceiro, de partido ou de ideologia, com utilização indevida 
da máquina pública. 
 
28 
STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 496.566/DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 
27/05/2014. Dizer O Direito. 
 
Contratação irregular de servidores temporários 
Configura ato de improbidade administrativa a contratação temporária irregular de pessoal (sem 
qualquer amparo legal) porque importa em violação do princípio constitucional do concurso público. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1403361/RN, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 03/12/2013. 
Dizer O Direito. 
 
18. SANÇÕES APLICÁVEIS: 
Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções 
penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o 
responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada 
ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - 
Promotor 
I - na hipótese do art. 9º desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, 
perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 14 (catorze) anos, pagamento de multa 
civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o poder público ou de 
receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio 
de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 14 (catorze) anos; 
II - na hipótese do art. 10 desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, 
se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 12 (doze) 
anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano e proibição de contratar com o poder 
público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que 
por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 (doze) 
anos; 
III - na hipótese do art. 11 desta Lei, pagamento de multa civil de até 24 (vinte e quatro) vezes o 
valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o poder público ou de receber 
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de 
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 4 (quatro) anos; 
 
Previsão constitucional: 
Para fins de direito administrativo, a previsão mais importante é a do 
Art. 37. §4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a 
perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação 
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. 
Assim, de acordo com o §4º do art. 37 da CF/88, se a pessoa praticar um ato de improbidade 
administrativa, estará sujeita às seguintes sanções: 
• SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS; 
• PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA; 
• INDISPONIBILIDADE DOS BENS e 
• RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. 
 
Esse rol de sanções na CF é exemplificativo ou exaustivo? A lei infraconstitucional poderia prever 
outras punições, assim como a Lei 8.429/92 fez? 
SIM. Para a maioria da doutrina e jurisprudência, o rol de sanções trazido pelo §4º do art. 37 da 
CF/88 é exemplificativo e poderia ser ampliado pela Lei 8.429/92. 
 
 
29 
CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
João, servidor público responsável pelo setor financeiro de uma autarquia federal, sem 
observar as formalidades legais necessárias, facilitou a incorporação, ao patrimônio particular 
de entidade privada sem fins lucrativos, de valores a ela repassados mediante a celebração 
de parceria. 
Nessa situação hipotética, conforme a legislação e a doutrina a respeito de improbidade 
administrativa e regime disciplinar do servidorpúblico federal, 
João poderá ser condenado, no âmbito judicial, ao ressarcimento integral do dano, à suspensão dos 
seus direitos políticos e ao pagamento de multa. 
CERTO 
 
As sanções independem do ressarcimento integral do dano: 
Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções 
penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o 
responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada 
ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia 
Em havendo o ressarcimento integral e efetivo do dano pelo sujeito ativo do ato de improbidade 
administrativa que cause prejuízo ao erário ou enriquecimento ilícito, não lhe serão aplicáveis as sanções 
alusivas à perda de bens ou valores. 
ERRADA 
 
Aplicação isolada ou cumulada: 
Estas sanções deverão ou ser aplicadas isoladamente ou cumulativamente todas ou algumas das 
sanções desde que da mesma lista. 
 
Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções 
penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o 
responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada 
ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: 
 
QUADRO DAS SANÇÕES: 
ART. 9º 
ENRIQUECIMENTO 
ART. 10 
LESÃO 
ART. 11 
PRINCÍPIOS 
Perda da função Perda da função NÃO TEM 
Perda dos bens Perda dos bens NÃO TEM 
Ressarcimento Ressarcimento NÃO TEM 
Suspensão de 14 anos dos 
direitos políticos 
(decore: enriquecimento ilícito 
tem 14 letras, 14 anos é a pena 
da suspensão e da proibição de 
contratar) 
Suspensão de 12 anos dos 
direitos políticos 
NÃO TEM 
 
30 
Multa (pena pecuniária) 
equivalente ao valor do 
acréscimo patrimonial 
Multa (pena pecuniária) 
equivalente ao valor do 
DANO 
Multa (pena pecuniária) até 
24x a sua remuneração 
(caso não tenha, STJ diz que 
será de acordo com o 
Salário-Mínimo) 
(decore: VIolação = VInte e 
quatro) 
Proibição de contratar ou 
receber e participar de 
licitação NÃO SUPERIOR 14 
anos 
Proibição de contratar ou 
receber e participar de 
licitação NÃO SUPERIOR 12 
anos 
Proibição de contratar e 
participar de licitação por 3 
anos 
 
Com a nova Lei de improbidade, quem atenta contra princípios agora não perde mais função pública 
e não suspende mais os direitos políticos. 
Quando se trata de ato de improbidade administrativa por violação dos princípios, só existem as 
sanções de multa e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça 
Três agentes públicos do estado do Acre, no exercício de suas funções, cometeram atos de 
improbidade administrativa: Frederico praticou ato que importou em enriquecimento ilícito; 
Rafael, um ato que causou prejuízo ao erário; e Josias, ato que atentou contra os princípios 
da administração pública. 
Nessa situação hipotética, nos termos da Lei n.º 8.429/1992, a penalidade de perda do 
cargo é aplicável a 
a) Josias e Rafael, somente. 
b) Rafael e Frederico, somente. 
c) Frederico, somente. 
d) Josias, somente. 
e) Rafael, somente. 
 
Inaplicabilidade das sanções por ato de improbidade administrativa abaixo do mínimo legal: 
No caso de condenação pela prática de ato de improbidade administrativa que atenta contra os 
princípios da administração pública, as penalidades de suspensão dos direitos políticos e de proibição de 
contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios não podem ser 
fixadas abaixo de 3 anos, considerando que este é o mínimo previsto no art. 12, III, da Lei nº 8.429/92. 
Não existe autorização na lei para estipular sanções abaixo desse patamar. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.582.014-CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7/4/2016 (Info 
581). 
 
Perda da função em relação a cargo em exercício (§1º): 
REGRA: Perda da função em relação ao cargo que ele esteja exercendo, ou no cargo de vínculo de 
mesma qualidade e natureza. 
EXCEÇÃO: No caso de enriquecimento ilícito e em caráter excepcional, consideradas as circunstâncias 
do caso e a gravidade da infração, a perda da função poderá dos demais vínculos. 
 
Art. 12. §1º A sanção de perda da função pública, nas hipóteses dos incisos I (enriquecimento ilícito) 
e II (lesão ao erário) do caput deste artigo, atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e natureza que 
o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração, podendo 
 
31 
o magistrado, na hipótese do inciso I (enriquecimento ilícito) do caput deste artigo, e em caráter 
excepcional, estendê-la aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da 
infração. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
O relator da ADI 7236, no STF, Min Alexandre de Moraes, em sede de cautelar, suspendeu este §1º 
do art. 12 porque a probidade administrativa impõe a perda da função pública independentemente do 
cargo ocupado no momento da condenação. Além disso, o relator considerou que a medida pode eximir 
determinados agentes da sanção por meio da troca de função ou no caso de demora no julgamento da 
causa. 
 
CESPE - 2022 - MPE-TO - Promotor de Justiça Substituto 
No caso de condenação à perda da função pública, a eficácia da decisão judicial deve alcançar qualquer 
vínculo atual do réu com o serviço público, ainda que diverso do existente quando do cometimento da 
improbidade. 
ERRADA 
 
Aplicação da pena de perda da função pública a membro do MP em ação de improbidade 
administrativa1 
Comentários do Dizer o Direito ao seguinte julgado: 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.191.613-MG, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 19/3/2015 
(Info 560). 
 
O membro do Ministério Público pode ser processado e condenado por ato de improbidade 
administrativa? 
SIM. 
É pacífico o entendimento de que o Promotor de Justiça (ou Procurador da República) pode ser 
processado e condenado por ato de improbidade administrativa, com fundamento na Lei 8.429/92. 
 
Mesmo gozando de vitaliciedade e a Lei prevendo uma série de condições para a perda do 
cargo, o membro do MP, se for réu em uma ação de improbidade administrativa, poderá ser 
condenado à perda da função pública? O membro do MP pode ser réu em uma ação de 
improbidade de que trata a Lei 8.429/92 e, ao final, ser condenado à perda do cargo mesmo 
sem ser adotado o procedimento da Lei 8.625/93 e da LC 75/93? 
SIM. 
O STJ decidiu que é possível, no âmbito de ação civil pública de improbidade administrativa, a 
condenação de membro do Ministério Público à pena de perda da função pública prevista no art. 12 da 
Lei 8.429/92. A Lei 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do MP) e a LC 75/93 preveem uma série de regras 
para que possa ser ajuizada ação civil pública de perda do cargo contra o membro do MP. 
 
Tais disposições impedem que o membro do MP perca o cargo em ação de improbidade? 
NÃO. 
Segundo o STJ, o fato de essas leis preverem a garantia da vitaliciedade aos membros do MP e a 
necessidade de ação judicial para a aplicação da pena de demissão não significa que elas proíbam que o 
membro do MP possa perder o cargo em razão de sentença proferida na ação civil pública por ato de 
improbidade administrativa. 
Essas leis tratam dos casos em que houve um procedimento administrativo no âmbito do MP para 
apuração de fatos imputados contra o Promotor/Procurador e, sendo verificada qualquer das situações 
 
1 https://www.dizerodireito.com.br/2015/06/informativo-esquematizado-560-stj_9.html 
https://www.dizerodireito.com.br/2015/06/informativo-esquematizado-560-stj_9.html
 
32 
previstas nos incisos do § 1º do art. 38, deverá obter-se autorização do Conselho Superior para o 
ajuizamentode ação civil específica. 
Desse modo, tais leis não cuidam de improbidade administrativa e, portanto, nada interferem nas 
disposições da Lei 8.429/92. 
Em outras palavras, existem as ações previstas na LC 75/93 e na Lei 8.625/93, mas estas não excluem 
(não impedem) que o membro do MP também seja processado e condenado pela Lei 8.429/92. Os dois 
sistemas convivem harmonicamente. Um não exclui o outro. 
 
Se o membro do MP praticou um ato de improbidade administrativa, ele poderá ser réu em 
uma ação civil e perder o cargo? Essa ação deverá ser proposta segundo o rito da lei da 
carreira (LC 75/93 / Lei 8.625/93) ou poderá ser proposta nos termos da Lei 8.429/92? 
SIM. 
O membro do MP que praticou ato de improbidade administrativa poderá ser réu em uma ação civil e 
perder o cargo. 
Existem duas hipóteses possíveis: 
• Instaurar o processo administrativo de que trata a lei da carreira (LC 75/93: MPU / Lei 
8.625/93: MPE) e, ao final, o PGR ou o PGJ ajuizar ação civil de perda do cargo contra o 
membro do MP. 
• Ser proposta ação de improbidade administrativa, nos termos da Lei 8.429/92. Neste caso, 
não existe legitimidade exclusiva do PGR ou PGJ. A ação poderá ser proposta até mesmo por 
um Promotor de Justiça (no caso do MPE) ou Procurador da República (MPF) que atue em 1ª 
instância. 
 
Multa pode ser aumentada até o dobro (§2º): 
Art. 12. §2º A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da 
situação econômica do réu, o valor calculado na forma dos incisos I, II e III do caput deste artigo é 
ineficaz para reprovação e prevenção do ato de improbidade. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Sanção à PJ e manutenção de suas atividades (§3º): 
Art. 12. §3º Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos 
e sociais das sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades. (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
Sanção aplicada contra a pessoa jurídica não pode levá-la ao encerramento de suas atividades. 
 
Sanção de proibição de contratação (§§4º e 8º): 
Art. 12. 
§4º Em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a sanção de proibição 
de contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade, 
observados os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da 
pessoa jurídica, conforme disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§8º A sanção de proibição de contratação com o poder público deverá constar do Cadastro Nacional 
de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, 
observadas as limitações territoriais contidas em decisão judicial, conforme disposto no § 4º deste artigo. 
(Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Atos de menor ofensa (§5º): 
 
33 
Art. 12. §5º No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados por esta Lei, a sanção 
limitar-se-á à aplicação de multa, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da perda dos valores obtidos, 
quando for o caso, nos termos do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Apesar da jurisprudência do STJ não admitir a aplicação do princípio da insignificância para os atos 
de improbidade administrativa, veio a Lei nº 14.230/2021 acrescentou a disposição acerca de ato de 
menor ofensa. 
 
Sobre a aplicação do princípio da insignificância pelo STJ: 
MASSON, ANDRADE e ANDRADE (Interesses, 2016, p. 738-739) entendem que o valor da moralidade 
administrativa deve ser objetivamente considerado, não comportando relativização a ponto de permitir 
"só um pouco" uma ofensa à probidade administrativa. 
Não se tolera a pequena ofensa ao patrimônio público, já que no Brasil vige o princípio da 
indisponibilidade do interesse público. 
Por isso, não pode ser aplicado o princípio da insignificância no âmbito da Lei de Improbidade 
Administrativa, conforme já decidido pelo STJ no REsp nº 892.818/RS. 
Para os autores, a extensão do dano não deve ser levada em consideração pelo juiz no momento 
da tipificação da conduta (juízo de improbidade da conduta), mas no momento da aplicação da pena 
(juízo de dosimetria), sob a luz da proporcionalidade. 
 No mais, assim ficou ementado o julgado da 1ª Seção do STJ (que reúne 1ª e 2ª Turmas do STJ - 
que julgam casos de Direito Público), relatado pelo Min. Herman Benjamin (MS nº 21.715/DF, j. 
23.11.16): 
MANDADO DE SEGURANÇA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PREJUÍZO AO ERÁRIO. 
ELEMENTO VOLITIVO. CULPA RECONHECIDA PELA IMPETRANTE. SANÇÃO. DEMISSÃO. 
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. 
 
Impossibilidade de dupla condenação (§§6º e 7º): 
Art. 12. 
§6º Se ocorrer lesão ao patrimônio público, a reparação do dano a que se refere esta Lei deverá 
deduzir o ressarcimento ocorrido nas instâncias criminal, civil e administrativa que tiver por objeto os 
mesmos fatos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§7º As sanções aplicadas a pessoas jurídicas com base nesta Lei e na Lei nº 12.846, de 1º de agosto 
de 2013, deverão observar o princípio constitucional do non bis in idem. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
HOJE, a lei determina a dedução do que for pago a ressarcir em outra instância. 
E determina a observação ao princípio constitucional do non bis in idem. 
Pode parecer contraditório, mas, em resumo, quis dizer a Lei que poderá ser condenado duas vezes 
pelo mesmo fato só observando o somatória das sanções ou deduções. 
Veja o seguinte caso anterior a Lei nº 14.230, de 2021. 
Um Prefeito foi condenado duas vezes a ressarcir o dano ao erário: uma pelo TCU e outra por ação 
civil pública por improbidade administrativa pelo Poder Judiciário. Esse Prefeito recorreu contra decisão 
argumentando que foi vítima de bis in idem. 
O STJ decidiu que as instâncias judicial e administrativa não se confundem, podendo ser punido duas 
vezes DESDE QUE no momento do segundo pagamento, seja feito o abatimento do valor que foi pago 
na primeira execução que foi movida. O que não se permite é a constrição patrimonial além do efetivo 
prejuízo apurado. 
Não configura bis in idem a coexistência de título executivo extrajudicial (acórdão do TCU) e 
sentença condenatória em ação civil pública de improbidade administrativa que determinam 
o ressarcimento ao erário e se referem ao mesmo fato, desde que seja observada a dedução 
 
34 
do valor da obrigação que primeiramente foi executada no momento da execução do título 
remanescente. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.413.674-SE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador 
Convocado do TRF 1ª Região), Rel. para o acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado 
em 17/5/2016 (Info 584). (Dizer o Direito) 
6. As instâncias judicial e administrativa não se confundem, razão pela qual a fiscalização do 
TCU não inibe a propositura da ação civil pública, tanto mais que, consoante informações 
prestadas pela autoridade coatora, “na hipótese de ser condenada ao final do processo 
judicial, bastaria à Impetrante a apresentação dos documentos comprobatórios da quitação 
do débito na esfera administrativa ou vice-versa.”. Assim, não ocorreria duplo ressarcimento 
em favor da União pelo mesmo fato. (...) 
STF. 1ª Turma. MS 26969, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/11/2014. 
 
Por outro lado, com a Lei nº 14.230/2021, passou a configurar bis in idem a aplicação de sanções por 
improbidade administrativa e as aplicadas a pessoas jurídicas com base na Lei nº 12.846/2013 
(Anticorrupção). 
Art. 3º §2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade 
administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 
12.846, de 1º de agosto de 2013. 
 
Trata-se de novidade na legislação cível, já que a aplicação do princípio da vedação ao bis in idem é 
comum apenas na esfera penal. Além disso, há mitigação da independência dasinstâncias, conforme 
prevê o art. 21, § 4º, da LIA: 
Art. 21. §4º A absolvição criminal em ação que discuta os mesmos fatos, confirmada por decisão 
colegiada, impede o trâmite da ação da qual trata esta Lei, havendo comunicação com todos os 
fundamentos de absolvição previstos no art. 386 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 
(Código de Processo Penal). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Na fase de cumprimento de sentença, podem até ser unificadas as sanções aplicadas em outros 
processos. 
Art. 18-A. A requerimento do réu, na fase de cumprimento da sentença, o juiz unificará eventuais 
sanções aplicadas com outras já impostas em outros processos, tendo em vista a eventual continuidade 
de ilícito ou a prática de diversas ilicitudes, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia 
Considerada a disciplina legal acerca da improbidade administrativa, observada a Lei n.º 
8.429/1992 (LIA) com as alterações promovidas pela Lei n.º 14.230/2021, assinale a opção 
correta 
a) A constatação do caráter culposo do ato praticado por quem exerce a função pública não se revela 
suficiente para afastar a caracterização de ato de improbidade administrativa. 
b) Os sócios, cotistas e diretores de pessoa jurídica de direito privado, via de regra, respondem pelo 
ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica. 
c) O sucessor de quem que causar dano ao erário está sujeito à obrigação de reparar os cofres públicos 
até o limite do valor do patrimônio transferido, exceto nas hipóteses de alteração contratual, de 
transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. 
d) Não obstante a independência entre as instâncias civil, penal e administrativa, em caso de lesão ao 
patrimônio público em decorrência de ato de improbidade, a reparação do dano deverá deduzir o 
ressarcimento já efetuado nas demais instâncias que tiverem por objeto os mesmos fatos. 
e) Em havendo o ressarcimento integral e efetivo do dano pelo sujeito ativo do ato de improbidade 
administrativa que cause prejuízo ao erário ou enriquecimento ilícito, não lhe serão aplicáveis as 
sanções alusivas à perda de bens ou valores. 
 
 
35 
Inexistência de execução provisória (§9º): 
Art. 12. §9º As sanções previstas neste artigo somente poderão ser executadas após o trânsito em 
julgado da sentença condenatória. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito 
em julgado da sentença condenatória. 
Apesar disso, é possível o afastamento do servidor, o que não quer dizer ser aplicação da sanção de 
perda de cargo. 
Art. 20. §1º A autoridade judicial competente poderá determinar o afastamento do agente público 
do exercício do cargo, do emprego ou da função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida for 
necessária à instrução processual ou para evitar a iminente prática de novos ilícitos. (Incluído pela Lei 
nº 14.230, de 2021) 
§2º O afastamento previsto no § 1º deste artigo será de até 90 (noventa) dias, prorrogáveis uma 
única vez por igual prazo, mediante decisão motivada. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
No regime anterior, era possível a execução provisória da sentença condenatória da maior parte das 
sanções, como a proibição de contratar, por exemplo. 
 
Contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos (§10º): 
O relator da ADI 7236, no STF, Min Alexandre de Moraes, em sede de cautelar, suspendeu este §10º 
do art. 12, porque podem afetar a inelegibilidade prevista na Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 
64/1990). Ele observou que a suspensão dos direitos políticos por improbidade administrativa (artigo 
37, §4º, da Constituição) não se confunde com a inelegibilidade da Lei de Inelegibilidade (artigo 1º, 
inciso I, alínea l, da LC 64/1990). Apesar de complementares, são previsões diversas, com diferentes 
fundamentos e consequências, que, inclusive, admitem a cumulação. 
§10. Para efeitos de contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos, computar-se-
á retroativamente o intervalo de tempo entre a decisão colegiada e o trânsito em julgado da sentença 
condenatória. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
19. DEMISSÃO POR NÃO DECLARAÇÃO DE BENS: 
 
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração 
de imposto de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial 
da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. (Redação dada 
pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§2º A declaração de bens a que se refere o caput deste artigo será atualizada anualmente e na data 
em que o agente público deixar o exercício do mandato, do cargo, do emprego ou da função. (Redação 
dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§3º Será apenado com a pena de demissão, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público 
que se recusar a prestar a declaração dos bens a que se refere o caput deste artigo dentro do prazo 
determinado ou que prestar declaração falsa. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
CESPE - 2015 - Prefeitura de Salvador - BA - Procurador do Município 
O agente público que se recusar a apresentar declaração dos seus bens dentro do prazo determinado 
deverá ser punido com suspensão, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. 
ERRADA 
 
FCC - 2021 - DPE-BA - Defensor (A) Público (A) 
 
36 
Conforme o disposto na Lei n° 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), o agente 
público tem sua posse e exercício condicionados à apresentação de declaração de bens e 
valores que compõem seu patrimônio privado, que deve ser anualmente atualizada, sob pena 
de 
a) Quaisquer das sanções previstas em seu regramento disciplinar, a depender da recusa apurada em 
procedimento contraditório próprio, considerados seus antecedentes funcionais. 
b) Pagamento de multa em favor dos cofres públicos, na esfera federativa a qual atende. 
c) Suspensão, com duração até a entrega efetiva da declaração ou até o prazo máximo de 20 (vinte) 
dias. 
d) Demissão, a bem do serviço público, caso se recuse a fazê-lo, sem prejuízo de outras sanções 
cabíveis. 
e) Censura, desde que apresente a declaração em até 15 (quinze) dias de sua notificação formal. 
 
20. AÇÃO DE IMPROBIDADE: (Dizer O Direito) 
 
Natureza jurídica da ação de improbidade 
Possui natureza de ação civil pública, porém não é caso de se intitular a ação como ação civil 
pública, até mesmo porque possui lei própria e específica. 
Art. 17-D. A ação por improbidade administrativa é repressiva, de caráter sancionatório, 
destinada à aplicação de sanções de caráter pessoal previstas nesta Lei, e não constitui ação civil, 
vedado seu ajuizamento para o controle de legalidade de políticas públicas e para a proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos, coletivos e individuais 
homogêneos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz 
 
Norma estadual inconstitucional por criar foro privilegiado 
Recentemente, o STF analisou dispositivo da Constituição do Estado do Espírito Santo, alterada pela 
Emenda 85/2012, que dizia o seguinte: 
Art. 109. Compete, ainda, ao Tribunal de Justiça: 
I – processar e julgar, originariamente: 
h – nas ações que possam resultar na suspensão ou perda dos direitos políticos ou na perda da função 
pública ou de mandato eletivo, aqueles que tenham foro no Tribunal de Justiça por prerrogativa de 
função, previsto nesta Constituição; 
Ou seja, estabeleceu, em outras palavras, que ações cíveis, como a de improbidade administrativa, 
seriam julgados pelo TJ, se a autoridade tivesse algum foro determinado naquela Constituição. 
Sutilmente, com outras palavras, houve o estabelecimento de foro privilegiado paraimprobidade 
administrativa, já que nessa demanda haverá sanção de suspensão ou perda dos direitos políticos ou na 
perda da função pública ou de mandato eletivo. 
Contrariando os fundamentos acima. 
Assim, estabeleceu-se: 
É incompatível com a Constituição Federal norma de Constituição estadual que disponha sobre nova 
hipótese de foro por prerrogativa de função, em especial relativo a ações destinadas a processar e julgar 
atos de improbidade administrativa. 
STF. Plenário. ADI 4870/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/12/2020 (Info 1002). 
 
Prova emprestada: 
A prova emprestada é aquela produzida em um processo, podendo ser de vários tipos - documental, 
pericial, testemunhal etc., e utilizada em um outro processo, na forma documental. Esta prova é 
permitida no processo administrativo: 
 
37 
SÚMULA 591 DO STJ: É permitida a “prova emprestada" no processo administrativo disciplinar, 
desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. 
CESPE / CEBRASPE - 2018 - PGM - Manaus - AM - Procurador do Município 
Não é permitida a utilização de prova emprestada do processo penal nas ações de improbidade 
administrativa. 
ERRADO 
 
Não obrigatoriedade de Inquérito Civil: 
Sendo necessária a produção de provas, poderá ser preparada por meio de Inquérito Civil, não 
necessariamente será obrigatória a instauração de Inquérito Civil, somente se for necessário para instruir 
a ação. 
 
Legitimados: 
Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo Ministério 
Público (e pessoas jurídicas lesadas, de acordo com a ADI do STF) e seguirá o procedimento comum 
previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), salvo o disposto nesta 
Lei. 
Inicialmente, com a redação dada pela Lei 14.230/2021, somente o Ministério Público teria 
legitimidade para propor ação de improbidade e para celebrar acordo de não persecução cível. 
O STF julgou inconstitucional tal mudança para legitimidade exclusiva do MP. 
Assim, o STF restabeleceu a legitimidade ativa concorrente e disjuntiva entre o MP e as pessoas 
jurídicas interessadas para a propositura da ação por ato de improbidade administrativa e para a 
celebração de acordos de não persecução civil. FGV - 2023 - TJ-MS - Juiz Substituto / CESPE / 
CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
Ou seja, pessoa jurídica lesada e o MP são legitimados para ajuizar a ação de improbidade 
administrativa. Veja os comentários do blog Dizer o Direito2: 
Os entes públicos que sofreram prejuízos em razão de atos de improbidade também estão autorizados, 
de forma concorrente com o Ministério Público, a propor ação e a celebrar acordos de não persecução 
civil em relação a esses atos. 
STF. Plenário. ADI 7042/DF e ADI 7043/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 
31/8/2022 (Info 1066). 
Diante disso, o STF julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados na ação direta para: 
a) declarar a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do caput e dos §§ 6º-A e 10-C do 
art. 17, assim como do caput e dos §§ 5º e 7º do art. 17-B, da Lei nº 8.429/92, na redação dada pela 
Lei 14.230/2021, de modo a restabelecer a existência de legitimidade ativa concorrente e disjuntiva 
entre o Ministério Público e as pessoas jurídicas interessadas para a propositura da ação por ato de 
improbidade administrativa e para a celebração de acordos de não persecução civil. 
b) declarar a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 14.230/2021. (nesse dispositivo previa que o 
MP deveria manifestar interesse nas ações em que a pessoa jurídica teria ajuizado a ação sozinha) 
 
CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto 
A respeito da responsabilização pela prática de ato de improbidade administrativa, é correto afirmar 
que o Ministério Público tem legitimidade extraordinária, concorrente e conjunta para propor ação civil 
pública para responsabilização por prática de ato de improbidade. 
ERRADA 
 
 
2 https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html 
https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html
 
38 
FGV - 2023 - TJ-MS - Juiz Substituto 
O Município X ajuizou, em janeiro de 2023, ação de improbidade administrativa em face de 
Tício, requerendo, entre outros pedidos, o ressarcimento ao erário pelos danos causados, 
tendo sido aduzida por Tício preliminar de ilegitimidade ativa para a causa. De acordo com o 
atual entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que: 
a) A ação para a aplicação das sanções de que trata a Lei nº 14.230/2021 deve ser proposta 
exclusivamente pelo Ministério Público; 
b) Ao Município é permitida, apenas, a participação na celebração de acordo de não persecução cível 
como interessado no ressarcimento ao erário, e não como parte autora em ação de improbidade; 
c) O ente público que tiver sofrido prejuízo em razão de atos de improbidade é legitimado concorrente 
com o Ministério Público a propor ação de improbidade administrativa; 
d) São totalmente constitucionais as regras de legitimidade para a propositura de ação civil por ato de 
improbidade administrativa trazidas pela Lei nº 14.230/2021; 
e) O ente público que tiver sofrido prejuízo em razão de atos de improbidade é legitimado a propor 
ação civil por tais atos, sendo-lhe vedada a celebração de acordo de não persecução cível, atribuição 
exclusiva do Parquet. 
 
Competência: 
§4º-A A ação a que se refere o caput deste artigo deverá ser proposta perante o foro do local onde 
ocorrer o dano ou da pessoa jurídica prejudicada. 
 
A competência territorial será o local do dano ou da pessoa jurídica. 
 
Existe foro por prerrogativa de função: 
REGRA: Não existe. Competência é do 1º grau. 
EXCEÇÃO: Ministros do STF. 
A primeira instância, como já mencionado acima. Inobstante isto, o STJ já proferiu julgado que seus 
ministros não poderiam ser julgados por juiz de primeira instância somente pelo próprio Tribunal. 
O STF já julgou que a competência é para o primeiro grau, exceto para os seus próprios Ministros. 
(ADI 2797 e 2860). 
 
Inexistência de foro privilegiado: 
Já dito acima que prevalece no STF que o agente político responderá por ato de improbidade na 1ª 
Instância. 
Fundamento se dá em três argumentos centrais: 
a) competência privativa da União para legislar sobre direito processual; 
b) natureza reconhecidamente cível da ação de improbidade administrativa; e 
c) impossibilidade de a Constituição Estadual criar hipóteses de foro por prerrogativa de função em 
desacordo com o modelo da Constituição Federal (violação à simetria). 
 
FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
O prefeito do Município Alfa, agindo em comunhão de ações e desígnios com o delegado de 
Polícia Civil da cidade, frustrou a licitude de processo licitatório, a fim de beneficiar João, 
particular sócio administrador de uma sociedade empresária, que foi contratada ilegalmente 
pelo Município. Sabe-se que João é irmão do delegado e que o ato ilícito causou um dano ao 
erário no montante de cem mil reais. O Ministério Público ajuizou ação civil pública por ato de 
improbidade administrativa e requereu a indisponibilidade de bens dos demandados. De 
acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, são sujeitos ativos do ato de 
improbidade em tela: 
 
39 
a) O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendo que, para o 
deferimento da indisponibilidade de bens, basta a comprovação do fumus boni iuris, pois o periculum 
in mora é presumido; 
b) O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada originariamente no Tribunal de Justiça, 
sendo que, para o deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação do fumus 
boni iurise do periculum in mora; 
c) O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendoque, para o 
deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação de que os demandados 
estariam dilapidando efetivamente seu patrimônio ou na iminência de fazê-lo; 
d) O prefeito e o delegado, devendo a ação ser ajuizada originariamente no Tribunal de Justiça, sendo 
que, para o deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação de que os 
demandados estariam dilapidando efetivamente seu patrimônio ou na iminência de fazê-lo; 
e) O prefeito e o delegado, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendo que, para o 
deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação dos requisitos da tutela de 
urgência, ou seja, fumus boni iurise periculum in mora concreto. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2020 - Ministério da Economia - Técnico de Complexidade Intelectual 
- Direito 
Ação de improbidade administrativa deve ser processada e julgada nas instâncias ordinárias, ainda 
que proposta contra agente político que tenha foro privilegiado. 
CERTO 
 
CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de Entrância Inicial 
Lúcio, conselheiro de tribunal de contas estadual, Pierre, prefeito de município, e Mário, 
desembargador de tribunal de justiça estadual, cometeram ato de improbidade 
administrativa, previsto na Lei n.º 8.429/1992. 
Nessa situação hipotética, no âmbito do Poder Judiciário, deverá ocorrer o processamento e 
julgamento em 1.ª instância de Lúcio, Pierre e Mário. 
CERTO 
 
CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto 
Prefeito de determinado município deixou de cumprir obrigação legal de prestar contas à 
respectiva câmara municipal. O Ministério Público estadual ajuizou ação de improbidade 
administrativa pelo ato praticado pelo prefeito no exercício de seu mandato. 
Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa e com a jurisprudência 
dos tribunais superiores, caberia a ação por improbidade, desde que observado o foro especial por 
prerrogativa de função para o seu ajuizamento. 
ERRADA 
 
Competência para julgar ação contra ex-prefeito que não prestou contas de convênio federal: 
Determinado Município ajuizou Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa contra o ex-prefeito 
da cidade, sob o argumento de que este, enquanto prefeito, firmou convênio com órgão/entidade federal 
e recebeu recursos para aplicar em favor da população e, no entanto, não prestou contas no prazo 
devido, o que fez com o que o Município fosse incluído no cadastro negativo da União, estando, portanto, 
impossibilitado de receber novos recursos federais. 
Esta ação de improbidade administrativa deverá ser julgada pela Justiça Federal ou Estadual? 
REGRA: Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça Federal) processar e julgar ação civil pública de 
improbidade administrativa na qual se apure irregularidades na prestação de contas, por ex-prefeito, 
relacionadas a verbas federais transferidas mediante convênio e incorporadas ao patrimônio municipal. 
 
40 
EXCEÇÃO: Será de competência da Justiça Federal se a União, autarquia federal, fundação federal 
ou empresa pública federal manifestar expressamente interesse de intervir na causa porque, neste 
caso, a situação se amoldará no art. 109, I, da CF/88. 
STJ. 1ª Seção. CC 131.323-TO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 25/3/2015 
(Info 559). 
O STJ possui dois enunciados muito conhecidos, mas NÃO SE APLICA TAIS ENUNCIADOS. Vamos 
relembrá-los: 
Súmula 208-STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba 
sujeita a prestação de contas perante órgão federal. 
Súmula 209-STJ: Compete à Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba 
transferida e incorporada ao patrimônio municipal. 
Esses enunciados foram editados pela 3ª Seção do STJ, que julga processos e recursos criminais. 
Desse modo, tais súmulas foram aprovadas, originalmente, para resolver questões relacionadas com a 
competência em matéria penal. 
 
Recebimento da inicial com aplicação do princípio do in dubio pro societate: 
A presença de indícios de cometimento de atos ímprobos autoriza o recebimento fundamentado 
da petição inicial nos termos do artigo 17, parágrafos 7º, 8º e 9º, da Lei 8.429/92, devendo prevalecer, 
no juízo preliminar, o princípio do in dubio pro societate. 
1. A presença de indícios de cometimento de atos de improbidade autoriza o recebimento da petição 
inicial da ação civil pública destinada à apuração de condutas que se enquadrem à Lei nº 8429/92. Deve, 
assim, prevalecer o princípio do in dubio pro societate. Precedentes do STJ. (STJ. AgInt no REsp 
1677792/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 
18/09/2018, DJe 21/09/2018) 
Basta a demonstração de indícios razoáveis de prática de atos de improbidade e de sua autoria para 
que se determine o prosseguimento da ação, em obediência ao princípio “in dubio pro societate” (na 
dúvida, a favor da sociedade), a fim de possibilitar o maior resguardo do interesse público. (STJ. 
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 286.366 - GO) 
 
CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Com base nas disposições da Lei de Improbidade Administrativa e na jurisprudência do STJ 
acerca dos aspectos processuais da ação civil pública de responsabilização por atos de 
improbidade, julgue o item a seguir. 
Constatado indício de ato ímprobo, fica autorizado o recebimento fundamentado da petição inicial, 
devendo prevalecer, no juízo preliminar, o princípio do in dubio pro societate e cabendo, contra a decisão 
que receber a petição inicial, o agravo de instrumento. 
CERTO 
 
Prazo para contestação 
30 dias 
Art. 17. (...) §7º Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a 
citação dos requeridos para que a contestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, iniciado o prazo na 
forma do art. 231 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Redação dada 
pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz 
 
Conversão em ação civil pública 
Art.17. (...) §16. A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades 
ou de irregularidades administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os 
requisitos para a imposição das sanções aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, 
 
41 
em decisão motivada, converter a ação de improbidade administrativa em ação civil pública, 
regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
 
Ônus da prova e presunção de veracidade em revelia: 
Art.17. (...) §19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
I - A presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; (Incluído pela Lei 
nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
II - A imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 da Lei nº 13.105, 
de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil); (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Sem presunção de veracidade, mesmo havendo revelia. 
Sem inversão do ônus da prova. 
 
Vedação ao bis in idem 
Art.17. (...) §19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
III – o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, 
competindo ao Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de 
Ministérios Públicos distintos; CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
 
Remessa necessária: 
O STJ modificou o seu entendimento a respeito do tema e, no julgamento do EResp nº 1.220.667/MG, 
publicado no DJe em 30/06/17, decidiu que "a sentença que concluir pela carência ou pela improcedência 
de ação de improbidade administrativa está sujeita ao reexame necessário, com base na aplicação 
subsidiária do art. 475 do CPC/73e por aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da Lei n. 
4.717/65" 
CESPE - 2018 - PGE-PE - Procurador do Estado 
De acordo com o STJ, a sentença que julgar improcedente a ação de improbidade administrativa se 
submeterá ao regime de reexame necessário, independentemente do valor atribuído à causa. 
CERTA 
 
Revisão das sanções impostas em sede de recurso especial 
As penalidades aplicadas em decorrência da prática de ato de improbidade administrativa podem ser 
revistas em recurso especial DESDE QUE esteja patente a violação aos princípios da proporcionalidade e 
da razoabilidade. 
O STJ entende que isso não configura reexame de prova, não encontrando óbice na Súmula 7 da 
Corte (A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial). 
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.215.121-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 
14/8/2014 (Info 548). 
 
Inexistência de obrigatoriedade de a assessoria jurídica fazer a defesa do agente público3 
 
3 https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html 
https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html
 
42 
A Lei nº 14.230/2021 inseriu o §20 no art. 17 da Lei nº 8.429/92, com a seguinte redação: 
Art. 17. (...) §20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos 
administrativos praticados pelo administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso 
este venha a responder ação por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado. 
O STF declarou a inconstitucionalidade parcial, com redução de texto, desse §20 do art. 17 da Lei nº 
8.429/92, para dizer que não existe “obrigatoriedade de defesa judicial”. 
O STF afirmou que existe a possibilidade dos órgãos da Advocacia Pública autorizarem a realização 
dessa representação judicial, por parte da assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade 
prévia dos atos administrativos praticados pelo administrador público, nos termos autorizados por lei 
específica. No entanto, não existe – repito – obrigatoriedade para que isso aconteça. 
Em suma: 
Não deve existir obrigatoriedade de defesa judicial do agente público que cometeu ato de improbidade 
por parte da Advocacia Pública, pois a sua predestinação constitucional, enquanto função essencial à 
Justiça, identifica-se com a representação judicial e extrajudicial dos entes públicos. Contudo, permite-
se essa atuação em caráter extraordinário e desde que norma local assim disponha. 
STF. Plenário. ADI 7042/DF e ADI 7043/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 
31/8/2022 (Info 1066). 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
 
Sentença 
Art. 18. A sentença que julgar procedente a ação fundada nos arts. 9º e 10 desta Lei condenará ao 
ressarcimento dos danos e à perda ou à reversão dos bens e valores ilicitamente adquiridos, 
conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. (Redação dada pela Lei nº 14.230, 
de 2021) VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) 
§1º Se houver necessidade de liquidação do dano, a pessoa jurídica prejudicada procederá 
a essa determinação e ao ulterior procedimento para cumprimento da sentença referente ao 
ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens. (Incluído pela Lei nº 14.230, 
de 2021) 
§2º Caso a pessoa jurídica prejudicada não adote as providências a que se refere o §1º deste 
artigo no prazo de 6 (seis) meses, contado do trânsito em julgado da sentença de procedência da 
ação, caberá ao Ministério Público proceder à respectiva liquidação do dano e ao cumprimento 
da sentença referente ao ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens, sem 
prejuízo de eventual responsabilização pela omissão verificada. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§3º Para fins de apuração do valor do ressarcimento, deverão ser descontados os serviços 
efetivamente prestados. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§4º O juiz poderá autorizar o parcelamento, em até 48 (quarenta e oito) parcelas mensais 
corrigidas monetariamente, do débito resultante de condenação pela prática de improbidade 
administrativa se o réu demonstrar incapacidade financeira de saldá-lo de imediato. (Incluído pela Lei 
nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz 
 
Nulidade de sentença 
Art. 17. (...) §10-F. Será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade 
administrativa que: (Incluído pela Lei 14.230/2021) 
I - Condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na petição inicial; (Incluído pela Lei 
14.230/2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
II - Condenar o requerido sem a produção das provas por ele tempestivamente especificadas. 
(Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Unificação das sanções na fase de cumprimento de sentença: 
 
43 
Na fase de cumprimento de sentença, podem até ser unificadas as sanções aplicadas em outros 
processos. 
Art. 18-A. A requerimento do réu, na fase de cumprimento da sentença, o juiz unificará eventuais 
sanções aplicadas com outras já impostas em outros processos, tendo em vista a eventual continuidade 
de ilícito ou a prática de diversas ilicitudes, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
FCC - 2022 - TRT - 22ª Região (PI) - Analista Judiciário - Área Judiciária 
Ao tratar da aplicação de sanções por improbidade, a Lei nº 8.429/1992, em sua redação vigente, 
dispõe que a requerimento do réu, na fase de cumprimento de sentença, o juiz unificará eventuais 
sanções aplicadas com outras já impostas em outros processos. 
CERTA 
 
Medidas de execução atípicas (suspensão de CNH e apreensão de passaporte)4 
É cabível a apreensão de passaporte e a suspensão da CNH no bojo do cumprimento de sentença 
proferida em ação de improbidade administrativa. 
Em regra, a jurisprudência do STJ entende ser possível a aplicação de medidas executivas 
atípicas na execução e no cumprimento de sentença comum, desde que, verificando-se a existência 
de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, tais medidas sejam adotadas de 
modo subsidiário, por meio de decisão que contenha fundamentação adequada às especificidades da 
hipótese concreta, com observância do contraditório substancial e do postulado da 
proporcionalidade. FGV - 2021 - TJ-PR - Juiz 
Na ação de improbidade administrativa, com ainda mais razão, há a possibilidade de aplicação das 
medidas executivas atípicas, pois se tutela a moralidade e o patrimônio público. No que diz respeito à 
proporcionalidade, o fato de se tratar de uma ação de improbidade administrativa deve ser levado em 
consideração na análise do cabimento da medida aflitiva não pessoal no caso concreto, já que envolve 
maior interesse público. 
STJ. 2ª Turma, REsp 1929230-MT, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 04/05/2021 
(Info 695). 
 
 
21. MEDIDA CAUTELAR DE AFASTAMENTO DO SERVIDOR (art. 20, §§1º e 2º) 
 
Art. 20. 
§1º A autoridade judicial competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício 
do cargo, do emprego ou da função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida for necessária à 
instrução processual ou para evitar a iminente prática de novos ilícitos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
§2º O afastamento previsto no § 1º deste artigo será de até 90 (noventa) dias, prorrogáveis uma 
única vez por igual prazo, mediante decisão motivada. 
 
O afastamento do agente é medida que contribui com a regularidade do processo. 
 
• AFASTADO SEM PREJUÍZO DA REMUNERAÇÃO; 
• PRAZO DE ATÉ 90 DIAS; 
• PRORROGÁVEIS UMA ÚNICA VEZ POR IGUAL PRAZO; 
 
4 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Informativo STJ-695. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/informativo/detalhes/e369853df766fa44e1ed0ff613f563bd Acesso em: 30/01/2024 
 
44 
• MEDIANTE DECISÃO MOTIVADA. 
 
CESPE - 2015 - Salvador - BA - Procuradordo Município 
O juiz que determinar o afastamento de agente público do exercício do cargo, emprego ou função 
poderá ordenar a suspensão da remuneração recebida por esse agente na tentativa de evitar maior 
prejuízo aos cofres públicos. 
ERRADA 
 
FGV - 2023 - TJ-MS - Juiz Substituto 
O Ministério Público do Estado Beta ajuizou ação de improbidade administrativa em face de 
João, secretário estadual de Fazenda, imputando-lhe a conduta dolosa de ter percebido 
vantagem econômica para intermediar a liberação de verba pública. No bojo da ação de 
improbidade, o Ministério Público requereu, cautelarmente, o afastamento de João do 
exercício do cargo, alegando e comprovando que a medida é necessária à instrução processual 
e para evitar a iminente prática de novos ilícitos. No caso em tela, em tese, com base no texto 
da Lei de Improbidade Administrativa, com redação dada pela reforma promovida pela Lei nº 
14.230/2021, o juízo competente: 
a) Poderá determinar o afastamento de João, com prejuízo da remuneração, pelo prazo de até 30 dias, 
prorrogáveis sucessivas vezes, mediante decisão motivada; 
b) Poderá determinar o afastamento de João, sem prejuízo da remuneração, pelo prazo de até 180 
dias, prorrogáveis até o máximo de um ano, mediante decisão motivada; 
c) Poderá determinar o afastamento de João, sem prejuízo da remuneração, pelo prazo de até 90 dias, 
prorrogáveis uma única vez por igual prazo, mediante decisão motivada; 
d) Não poderá determinar o afastamento de João, porque tal medida excepcional somente pode ser 
tomada, em sede de ação de improbidade administrativa, por órgão colegiado do Judiciário; 
e) Não poderá determinar o afastamento de João, porque tal medida excepcional somente pode ser 
tomada em sede de ação penal, preenchidos os requisitos legais. 
 
22. MEDIDA CAUTELAR DE INDISPONIBILIDADE DE BENS (dizer o direito) (art. 16) 
 
A indisponibilidade de bens é medida que afasta o desfazimento de seus bens para não ser atingido 
por eventual sentença condenatório. 
O sequestro de bens determinados que foram retirados do patrimônio da pessoa jurídica lesada. 
A investigação financeira com o bloqueio de contas bancárias. 
 
Natureza de tutela provisório de urgência 
Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente 
(AgRg no REsp 1317653/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 
07/03/2013) ou incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral 
recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. (Redação dada 
pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
§8º Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por esta Lei, no que for cabível, o regime da tutela 
provisória de urgência da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído 
pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Finalidade: 
Garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento 
ilícito. 
 
45 
Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou 
incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do 
erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. (Redação dada pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
 
Legitimidade: 
O Ministério Público. 
O MP pode formular o pedido a partir de uma provocação (“representação”) da autoridade que tiver 
conhecimento da prática do ato de improbidade ou, então, de ofício (independente de provocação). 
Após o requerimento, o Juiz decretará ou não, mas o juiz precisa ser provocado pelo MP. 
Art. 7º Se houver indícios de ato de improbidade, a autoridade que conhecer dos fatos representará 
ao Ministério Público competente, para as providências necessárias. (Redação dada pela Lei nº 14.230, 
de 2021) 
CONTUDO, não precisa dessa representação ao Ministério Público. 
Art. 16. 
§1º-A O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo poderá ser formulado 
independentemente da representação de que trata o art. 7º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
Agora, tem que ter cuidado com a expressão “representação”. Aqui na redação não se trata de uma 
petição inicial em ação judicial, tal como no Processo Penal. 
Aqui, a representação é uma espécie de denúncia ao MP feito pela autoridade pública diante de indícios 
de ato de improbidade. 
Foi o que a banca CESPE / CEBRASPE quis confundir. No processo judicial, não é representação do 
ministério público, mas, sim, pedido necessariamente por meio de petição. Ao menos, foi o que entendi 
na seguinte assertiva errada: 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça 
Nos termos da Lei n.º 8.429/1992, em caso de processo judicial por ato de improbidade 
administrativa, é possível a decretação de indisponibilidade de bens, desde que mediante representação 
do ministério público. 
ERRADA 
 
Pedido incluirá bens e dinheiros em contas no exterior: 
Art. 16 (...) §2º Quando for o caso, o pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput 
deste artigo incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações 
financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. (Redação 
dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Para que seja decretada a indisponibilidade dos bens da pessoa suspeita de ter praticado ato 
de improbidade exige-se a demonstração de fumus boni iuris e periculum in mora? 
Antes, bastava que se provasse o fumus boni iuris, sendo o periculum in mora presumido (implícito). 
Depois da Lei 14.230/2021, passou a ser indispensável a demonstração, no caso concreto, do: 
a) fumus boni iuris (juiz deve estar convencido da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na 
petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de instrução); 
b) periculum in mora (deve estar demonstrado, no caso concreto, o perigo de dano irreparável ou de 
risco ao resultado útil do processo). 
Art. 16 (...) §3º O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo apenas 
será deferido mediante a demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável ou de risco ao 
 
46 
resultado útil do processo, desde que o juiz se convença da probabilidade da ocorrência dos atos descritos 
na petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de instrução, após a oitiva do réu em 5 
(cinco) dias. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
CESPE - 2017 - TJ-PR - Juiz Substituto 
CESPE - 2017 - PJC-MT - Delegado de Polícia Substituto 
 
Essa indisponibilidade dos bens pode ser decretada sem ouvir o réu? 
SIM. 
É admissível a concessão de liminar inaudita altera pars para a decretação de indisponibilidade de 
bens, visando assegurar o resultado útil da tutela jurisdicional, qual seja, o ressarcimento ao Erário. 
Desse modo, o STJ entende que, ante sua natureza acautelatória, a medida de indisponibilidade de 
bens em ação de improbidade administrativa pode ser deferida nos autos da ação principal sem audiência 
da parte adversa e, portanto, antes da notificação para defesa prévia. 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES DO STJ – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA I: 11) É possível o 
deferimento da medida acautelatória de indisponibilidade de bens em ação de improbidade 
administrativa nos autos da ação principal sem audiência da parte adversa e, portanto, antes da 
notificação a que se refere o art. 17, § 7º, da Lei 8.429/92. 
Art. 16. (...) §4º A indisponibilidade de bens poderá ser decretada sem a oitiva prévia do réu, 
sempre que o contraditório prévio puder comprovadamente frustrar a efetividade da medida 
ou houver outras circunstâncias que recomendem a proteção liminar, não podendo a urgência ser 
presumida. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV- 2022 - TJ-PE – Juiz 
 
A indisponibilidade pode ser determinada sobre bens com valor superior ao mencionado na 
petição inicial da ação de improbidade? 
P. Ex.: A petição inicial narra um prejuízo ao erário de R$ 100 mil, mas o MP pede a indisponibilidade 
de R$ 500 mil do requerido. Pode isso? 
Antes, a indisponibilidade de bens poderia ser em valor superior ao indicado na inicial da ação para 
garantir o integral ressarcimento de eventual prejuízo ao erário e de possível multa civil como sanção. 
REsp 1176440-RO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 17/9/2013. 
Depois da Lei 14.230/2021, somente poderá ser decretada a indisponibilidade de bens em valor que 
seja suficiente para custear a quantia apontada na petição inicial do MP como sendo o dano ao erário ou 
o enriquecimento ilícito. 
Art. 16. (...) 
§5º Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados indisponíveis não poderá 
superar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito. 
(Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§6º O valor da indisponibilidade considerará a estimativa de dano indicada na petição inicial, 
permitida a sua substituição por caução idônea, por fiança bancária ou por seguro-garantia judicial, 
a requerimento do réu, bem como a sua readequação durante a instrução do processo. (Incluído pela 
Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz 
§10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento 
do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil 
ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Indisponibilidade de bens de terceiro: 
Art. 16. 
 
47 
§7º A indisponibilidade de bens de terceiro (sócios da pessoa jurídica que praticou a improbidade, 
por exemplo) dependerá da demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, 
quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade 
jurídica, a ser processado na forma da lei processual. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça 
A respeito de improbidade administrativa, assinale a opção correta, considerando os 
dispositivos da Lei n.º 14.230/2021 introduzidos na Lei n.º 8.429/1992 (Lei de Improbidade 
Administrativa). 
a) Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado 
respondem por ato de improbidade eventualmente imputado a tal pessoa jurídica. 
b) As sanções veiculadas na Lei de Improbidade Administrativa aplicam-se à pessoa jurídica infratora 
caso a conduta tipificada como ato de improbidade administrativa seja também sancionada como 
ato lesivo à administração pública, considerada a independência entre as instâncias. 
c) As condutas culposas são passíveis de tipificação como ato de improbidade administrativa. 
d) A aplicação de sanção pelo cometimento de atos de improbidade que atentem contra os princípios 
da administração pública só é possível se houver lesividade relevante ao bem jurídico tutelado, bem 
como reconhecimento da produção de danos ao erário e enriquecimento ilícito dos agentes públicos. 
e) A indisponibilidade de bens de terceiro formulada no âmbito de ação de improbidade administrativa, 
quando este for pessoa jurídica, dependerá da instauração de incidente de desconsideração da 
personalidade jurídica. 
 
Recurso contra a decretação ou não: 
§9º Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo 
de instrumento, nos termos da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). 
(Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz 
 
Ordem de prioridade da indisponibilidade: 
O bloqueio de contas bancárias passa a ser a última opção: 
Art. 16. (...) 
§11. A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, 
bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades simples e 
empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência desses, o bloqueio de contas bancárias, 
de forma a garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade empresária ao longo do 
processo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça 
Nos termos da Lei n.º 8.429/1992, em caso de processo judicial por ato de improbidade 
administrativa, é possível a decretação de 
a) Indisponibilidade de bens, desde que garantida a oitiva prévia do réu. 
b) Indisponibilidade de bens, desde que mediante representação do ministério público. 
c) Indisponibilidade de bens de família do réu, em qualquer situação. 
d) Indisponibilidade de bens, que deverá priorizar, por exemplo, veículos de via terrestre. 
e) Indisponibilidade de bens de qualquer valor depositado em caderneta de poupança. 
 
Observação aos efeitos práticos da decisão: 
Art. 16. (...) 
§12. O juiz, ao apreciar o pedido de indisponibilidade de bens do réu a que se refere o caput deste 
artigo, observará os efeitos práticos da decisão, vedada a adoção de medida capaz de acarretar prejuízo 
à prestação de serviços públicos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Vedação à indisponibilidade de quantias inferiores a 40 salários-mínimos: 
 
48 
Art. 16. (...) 
§13. É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 40 (quarenta) salários-mínimos 
depositados em caderneta de poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta corrente. (Incluído 
pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Vedação à indisponibilidade do bem de família: 
Art. 16. (...) 
§14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que 
o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei. 
(Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz 
Antes da reforma, o STJ entendia que era possível porque o caráter de bem de família de imóvel não 
tinha a força de obstar a indisponibilidade (REsp 1204794/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, 
julgado em 16/05/2013; AgRg no REsp 1483040/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 
01/09/2015). 
 
Então, pode ser decretada a indisponibilidade dos bens ainda que o acusado não esteja se 
desfazendo de seus bens? 
SIM. 
A indisponibilidade dos bens visa, justamente, a evitar que ocorra a dilapidação patrimonial. 
CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto 
O STJ entende que a decretação de medida cautelar de indisponibilidade dos bens em razão da prática 
de ato de improbidade que cause dano ao erário não está condicionada à comprovação de que o réu 
esteja dilapidando seu patrimônio. 
CERTA 
 
CESPE / CEBRASPE - 2021 - TCE-RJ - Analista de Controle Externo - Especialidade: Direito 
De acordo com a jurisprudência do STJ, constatado ato de improbidade que cause lesão ao patrimônio 
público ou enseje enriquecimento ilícito, a decretação da indisponibilidade de bens em ação de 
improbidade administrativa prescinde da demonstração de que o réu esteja dilapidando o seu patrimônio 
ou que esteja na iminência de fazê-lo. 
CERTO 
 
No entanto, não é uma medida de adoção automática. 
Deve ser fundamentada pelo magistrado, sob pena de nulidade (art. 93, IX, da Constituição Federal), 
sobretudo por se tratar de constrição patrimonial (REsp 1319515/ES). 
 
Essa indisponibilidade pode ser decretada em qualquer hipótese de ato de improbidade? 
REDAÇÃO DOS ARTS. 7º E 16 DA LIA: 
NÃO. A indisponibilidade é decretada apenas quando o ato de improbidade administrativa: 
a) CAUSAR LESÃO AO PATRIMÔNIO PÚBLICO; ou 
b) ENSEJAR ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. 
Assim, só cabe a indisponibilidade nas hipóteses do arts. 9º e 10 da LIA. Não cabe a indisponibilidade 
no caso de prática do art. 11. 
JULGADO DO STJ E DOUTRINA:49 
SIM. Não se pode conferir uma interpretação literal aos arts. 7º e 16 da LIA, até mesmo porque o art. 
12, III, da Lei n.° 8.429/92 estabelece, entre as sanções para o ato de improbidade que viole os 
princípios da administração pública, o ressarcimento integral do dano - caso exista -, e o pagamento de 
multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente. Logo, em que pese o silêncio 
do art. 7º, uma interpretação sistemática que leva em consideração o poder geral de cautela do 
magistrado induz a concluir que a medida cautelar de indisponibilidade dos bens também pode ser 
aplicada aos atos de improbidade administrativa que impliquem violação dos princípios da administração 
pública, mormente para assegurar o integral ressarcimento de eventual prejuízo ao erário, se houver, e 
ainda a multa civil prevista no art. 12, III, da Lei n. 8.429/92. (AgRg no REsp 1311013/RO, DJe 
13/12/2012). 
 
Pode ser decretada a indisponibilidade sobre bens que o acusado possuía antes da suposta 
prática do ato de improbidade? 
SIM. 
A indisponibilidade pode recair sobre bens adquiridos tanto antes como depois da prática do ato de 
improbidade (REsp 1204794/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 16/05/2013). 
CESPE / CEBRASPE - 2020 - Ministério da Economia - Técnico de Complexidade 
Intelectual - Direito 
Em ação de improbidade administrativa, a decretação de indisponibilidade de bens pode recair 
sobre aqueles adquiridos anteriormente ao suposto ato, além de levar em consideração o 
valor de possível multa civil como sanção autônoma. 
CERTO 
 
É necessário que o Ministério Público (ou outro autor da ação de improbidade), ao formular o 
pedido de indisponibilidade, faça a indicação individualizada dos bens do réu? 
NÃO. 
A jurisprudência do STJ está consolidada no sentido de que é desnecessária a individualização dos 
bens sobre os quais se pretende fazer recair a indisponibilidade prevista no art. 7º, parágrafo único, da 
Lei n.° 8.429/92 (AgRg no REsp 1307137/BA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, julgado em 
25/09/2012). 
A individualização somente é necessária para a concessão do “sequestro de bens”, previsto no art. 16 
da Lei n.° 8.429/92. 
 
A indisponibilidade de bens constitui uma sanção? 
NÃO. 
A indisponibilidade de bens não constitui propriamente uma sanção, mas medida de garantia 
destinada a assegurar o ressarcimento ao erário 
Cobrada em DPE/MA – CESPE – 2011 e também em: 
CESPE - 2015 – Telebras – Analista Superior 
A indisponibilidade de bens do agente indiciado por improbidade administrativa tem natureza 
preventiva e, por isso, não se configura como sanção. 
CERTA 
 
23. ACORDO PERSECUÇÃO CÍVEL (art. 17-B) 
 
 
50 
Antes do Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), ERA vedada na improbidade qualquer acordo, transação 
ou composição. Porém, houve a alteração da lei de improbidade e passou a permitir a celebração de 
Acordo de Não Persecução Cível. 
Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo 
de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: 
I - o integral ressarcimento do dano; 
II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes 
privados. 
VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) 
§1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, cumulativamente: 
I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação; 
II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério Público competente 
para apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; 
III - de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento 
da ação de improbidade administrativa. 
§ 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo considerará a 
personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de 
improbidade, bem como as vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso. 
§ 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a oitiva do Tribunal 
de Contas competente, que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 
(noventa) dias. 
§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de 
apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença 
condenatória. 
§ 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo ocorrerão entre 
o Ministério Público, de um lado, e, de outro, o investigado ou demandado e o seu defensor. 
§ 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a adoção de mecanismos e 
procedimentos internos de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de irregularidades e a 
aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como 
de outras medidas em favor do interesse público e de boas práticas administrativas. 
§7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput deste artigo, o investigado ou o 
demandado ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos, contado do 
conhecimento pelo Ministério Público do efetivo descumprimento. 
 
24. JULGAMENTO SEM MÉRITO (ART. 17, §11): 
 
Art. 17° 
§11. Em qualquer momento do processo, verificada a inexistência do ato de improbidade, o juiz 
julgará a demanda improcedente. 
 
CESPE - 2015 – PGM-Salvador/BA - Procurador do Município 
Caso seja iniciada ação judicial por improbidade, o juiz deverá extinguir o processo com julgamento 
de mérito se verificar a inexistência do ato de improbidade em qualquer fase do processo. 
ERRADA 
 
 
51 
25. NÃO INTERFERE NA SANÇÃO (art. 21): 
 
O art. 21 traz duas informações importantes: 
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe: 
I – Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às 
condutas previstas no art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
II – Da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho 
de Contas. 
§1º Os atos do órgão de controle interno ou externo serão considerados pelo juiz quando tiverem 
servido de fundamento para a conduta do agente público. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§2º As provas produzidas perante os órgãos de controle e as correspondentes decisões deverão ser 
consideradas na formação da convicção do juiz, sem prejuízo da análise acerca do dolo na conduta do 
agente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§3º As sentenças civis e penais produzirão efeitos em relação à ação de improbidade quando 
concluírem pela inexistência da conduta ou pela negativa da autoria. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
§4º A absolvição criminal em ação que discuta os mesmos fatos, confirmada por decisão colegiada, 
impede o trâmite da ação da qual trata esta Lei, havendo comunicação com todos os fundamentos de 
absolvição previstos no art. 386 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo 
Penal). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§5º Sanções eventualmente aplicadas em outras esferas deverão ser compensadas com as sanções 
aplicadas nos termos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
A punição independe de punição ou aprovação de Tribunal de Contas, que faz análise por 
amostragem, e não a análise de contrato por contrato. Agora, se houver punição pelo Tribunal de Contas, 
é muito provável que haja algum ato de improbidade administrativa. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro 
A aplicação de sanções por improbidade administrativa depende da aprovação das contasse comunicar com 
parentes, foi trancafiado em uma cela da delegacia. A ação dos agentes foi levada ao 
conhecimento do delegado, que determinou a abertura de processo administrativo disciplinar 
contra eles para se apurar a suposta ilicitude nos atos praticados. 
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. 
De acordo com o entendimento jurisprudencial do STJ, eventual punição dos agentes de polícia no 
âmbito administrativo não impedirá a aplicação a eles das penas previstas na Lei de Improbidade 
Administrativa. 
CERTO 
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. POLICIAIS CIVIS. 
PRISÕES ILEGAIS. OFENSA AOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS. INTERESSE PROCESSUAL DO 
MINISTÉRIO PÚBLICO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 
Conforme orientação jurisprudencial do STJ, eventual punição administrativa do servidor faltoso não 
impede a aplicação das penas da Lei de Improbidade Administrativa, porque os escopos de ambas as 
esferas são diversos; e as penalidades dispostas na Lei nº 8.429/1992, mais amplas. 
STJ. REsp 1.081.743 - MG (2008/0180609-3). Relator: Min. Herman Benjamin. 
 
4 
Assim, uma mesma conduta pode ser punida administrativa, penal e civilmente, como 
responsabilidades independentes. Pode ser que haja também 3 decisões diferentes por justamente ter 3 
instâncias. Porém, essa independência não é absoluta. 
 
7. RELATIVIZAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DAS INSTÂNCIAS: 
Haverá comunicação entre estas responsabilidades quando: 
a) Se o servidor for absolvido no processo penal por inexistência de fato ou negativa de 
autoria. 
Será absolvido no administrativo e no civil. Logo, é como se fosse absolvição geral ou coisa 
julgada. (art. 126, Lei 8.112/90; art. 935, CC; art. 66, CPP) 
 
b) Se for reconhecida uma excludente, não poderá mais esta ser discutida na instância 
administrativa e no civil, não significando que seja absolvido nas outras instâncias e nem significa 
que o estado não possa ser responsabilizado. 
Assim, reconhecida a legítima defesa, estado de necessidade e etc, não precisarão mais ser 
provadas nas outras instâncias. (art. 65, CPP) 
 
CESPE - 2018 - PGM - Manaus - AM - Procurador do Município 
A existência de causa excludente de ilicitude penal não impede a responsabilidade civil do Estado 
pelos danos causados por seus agentes 
CERTO 
 
CESPE - 2019 - TJ-PR - Juiz Substituto 
O Estado responde civilmente por danos decorrentes de atos praticados por seus agentes, mesmo 
que eles tenham agido sob excludente de ilicitude penal. 
CERTA 
 
8. SUJEITO PASSIVO: 
Este sujeito passivo poderá ser o polo ativo na ação de improbidade administrativa, como autor da 
ação por ser lesado no ato de improbidade. 
O sujeito passivo será sempre da órbita pública, de interesse público, se não tiver nada de público 
não haverá improbidade. 
A ação de improbidade terá como base a repercussão do dinheiro público, mesmo que seja somente 
no repasse. 
Diz a Lei 8.429/1992, alterada pela Lei nº 14.230, de 2021: 
Art. 1º 
§5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas 
funções e a integridade do patrimônio público e social dos 
...Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da 
...administração direta e indireta, 
...no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. 
§6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de 
...entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos 
ou governamentais, previstos no § 5º deste artigo. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
 
5 
§7º Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os 
atos de improbidade praticados contra o patrimônio de 
...entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio 
ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a 
contribuição dos cofres públicos. 
O art. 1º da LIA dispõe sobre as pessoas, que são as seguintes: 
 
 
CESPE - 2017 - TRF - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário 
De acordo com a legislação que trata de atos de improbidade administrativa, são considerados agentes 
públicos as pessoas em exercício de cargo eletivo em autarquia federal, mesmo que sem remuneração. 
CERTA 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro 
É possível a imputação de atos de improbidade a órgãos judiciais e legislativos. 
CERTO 
 
Exemplos: 
1) Sindicato pode sofrer atos de improbidade. O sindicato vive de contribuição sindical, recebendo 
benefício fiscal, sendo sujeitos passivos para LIA. 
2) Partido político pode sofrer atos de improbidade. Seu custeio vem do fundo partidário, recebendo 
benefício fiscal, sendo sujeitos passivos para LIA. 
3) Autarquia profissional pode sofrer atos de improbidade. Porque é autarquia e recebe contribuição 
da classe, recebendo benefício fiscal, sendo sujeitos passivos para LIA. 
4) Terceiro setor pode sofrer atos de improbidade. Porque recebem benefício fiscal ou repasse ou 
custeio do Poder Público, sendo sujeitos passivos para LIA. 
 
9. SUJEITOS ATIVOS: 
 
 
6 
 
 
Espécies de sujeitos ativos: 
Os sujeitos ativos podem ser de duas espécies: 
a) AGENTES PÚBLICOS (art. 2º); 
b) TERCEIROS (art. 3º). 
 
Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021: 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor público 
e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, 
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego 
ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. 
Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-se às sanções previstas 
nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio, 
contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste 
administrativo equivalente. 
 
Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente 
público, induza ou concorra dolosamente para a prática do ato de improbidade. 
§1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não 
respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, 
comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da 
sua participação. 
§2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa 
seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de 
agosto de 2013. 
CESPE - 2020 - MPE-CE - Analista Ministerial – Administração 
A incidência da referida lei independe de percepção de remuneração decorrente do exercício da função 
pública pelo agente. 
CERTO 
 
Quanto ao agente político: 
 
7 
A doutrina discutia acerca do não alcance aos agentes políticos, porque estariam sujeitos aos crimes 
de responsabilidades e, mesmo tendo natureza civil, os atos de improbidade têm medidas de natureza 
política, como a perda de função pública ou suspensão dos direitos políticos. 
Assim, seria bis in idem? 
Os agentes políticos estão sujeitos à dupla responsabilidade. 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-BA - Promotor 
O STF passou a adotar a posição de que o agente político responde por improbidade administrativa e 
também, se for caso, pelo crime de responsabilidade, não havendo “bis in idem”, de modo que são 
independentes entre si e demandam o ajuizamento de ações cuja competência é distinta, seja em 
decorrência da matéria (criminal e civil), seja por conta do grau de hierarquia (Tribunal de Justiça e juízo 
singular). 
Veio a Lei nº 14.230/2021 que alterou a Lei 8.429/1992, Lei de Improbidadepelo órgão 
de controle interno ou pelo tribunal de contas. 
ERRADO 
 
Para ocorrer ato de improbidade independe de dano efetivo (econômico ou financeiro), exceto no 
caso de pena de ressarcimento, e nem precisa que o ato cause prejuízo à administração 
pública. 
 
CESPE - 2022 - MPE-TO - Promotor 
A configuração de ato de improbidade contrário a princípio da administração pública independe de 
prova de dano ao erário ou enriquecimento ilícito do agente. 
CERTA 
 
CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
Em fevereiro de 2018, o delegado de polícia de uma cidade determinou a realização de 
diligências para apurar delito de furto em uma padaria do local. Sem mandado judicial, os 
agentes de polícia conduziram um suspeito à delegacia. Interrogado pelos próprios agentes, 
o suspeito negou a autoria do crime e, sem que lhe fosse permitido se comunicar com 
 
52 
parentes, foi trancafiado em uma cela da delegacia. A ação dos agentes foi levada ao 
conhecimento do delegado, que determinou a abertura de processo administrativo disciplinar 
contra eles para se apurar a suposta ilicitude nos atos praticados. 
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. 
A prisão ilegal do suspeito, por caracterizar ato praticado contra particular, não configurou a prática 
de ato ímprobo, que é aquele praticado em prejuízo da administração pública. 
ERRADO 
 
Quando houver essa sanção é preciso provar a ocorrência do dano efetivo. Como ocorre, quando, 
p.ex., o administrador utiliza de máquina do poder público para construir piscina, mas utiliza no horário 
vago das máquinas e coloca gasolina do seu bolso, mesmo assim ocorre improbidade. 
Ainda que não haja dano ao erário, é possível a condenação por ato de improbidade 
administrativa que importe enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei nº 8.429/92), excluindo-se, 
contudo, a possibilidade de aplicação da pena de ressarcimento ao erário. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.412.214-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para 
acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 8/3/2016 (Info 580). Dizer o direito. 
 
26. PRESCRIÇÃO (art. 23) 
 
Antes de 2021, eram 5 anos a contar do conhecimento do fato. 
O prazo deixou de ser diferenciado para o tipo de cargo e deixou de ser de 5 anos, passando para 8 
anos, a contar do fato. 
Como veremos no Tema 1199 do STF, essa nova contagem somente será para o fato ocorrido após a 
publicação da Lei nº 14.230, de 2021. 
Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreve em 8 (oito) anos, 
contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que 
cessou a permanência. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz 
 
Ação de ressarcimento de danos ao erário 
Em caso de reparação civil por improbidade (ação de ressarcimento de danos ao erário), é 
imprescritível para o agente reparar com a aplicação do art. 37, §5º, CF. 
Então, se for ação de reparação civil não prescreve. 
Art. 37. §5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, 
servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento 
(somente estas são imprescritíveis). 
 
FGV - 2022 - TJ-AP - Juiz de Direito Substituto 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto 
O STF fixou a tese de que são imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática 
de ato doloso ou culposo tipificado na lei de improbidade administrativa. 
ERRADA 
 
 
53 
TEMA 897 DE REPERCUSSÃO GERAL: São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário 
fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa. FGV - 2022 - TJ-AP 
- Juiz de Direito Substituto / CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
 
O Plenário do STF, no julgamento do MS 26.210, da relatoria do ministro Ricardo Lewandowski, decidiu 
pela imprescritibilidade de ações de ressarcimento de danos ao erário. 
AI 712.435 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 13‑3‑2012, 1ª T, DJE 12‑4‑2012 
 
É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil. 
Dito de outro modo, se o Poder Público sofreu um dano ao erário decorrente de um ilícito civil e deseja 
ser ressarcido, ele deverá ajuizar a ação no prazo prescricional previsto em lei. 
Vale ressaltar, entretanto, que essa tese não alcança prejuízos que decorram de ato de improbidade 
administrativa que, até o momento, continuam sendo considerados imprescritíveis (art. 37, §5º). 
STF. Plenário. RE 669069/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 3/2/2016 (repercussão 
geral) (Info 813). Dizer o direito. 
 
Teses do STF sobre prescrição de ação de ressarcimento do erário: 
Em linha resumida, o Supremo Tribunal Federal firmou as seguintes teses sobre a matéria (já revisa!): 
(a) TEMA 666, decidido em Repercussão Geral no RE 669.069 (Rel. Min. TEORI ZAVASCKI), 
com a seguinte TESE: É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de 
ilícito civil; 
(b) TEMA 897, decidido na Repercussão Geral no RE 852.475, Red. p/Acórdão Min. EDSON 
FACHIN, com a seguinte TESE: São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na 
prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa; e 
(c) TEMA 899, decidido na Repercussão Geral no RE 636.886, de minha relatoria, com a 
seguinte TESE: É prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal 
de Contas. 
 
Prazos para o Inquérito Policial e para o Processo Administrativo: 
Art. 23. 
§1º A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração dos ilícitos referidos 
nesta Lei SUSPENDE o curso do prazo prescricional por, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, 
recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o processo, esgotado o prazo de 
suspensão. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) 
 
§2º O inquérito civil para apuração do ato de improbidade será concluído no prazo de 365 (trezentos 
e sessenta e cinco) dias corridos, prorrogável uma única vez por igual período, mediante ato 
fundamentado submetido à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a 
respectiva lei orgânica. 
§3º Encerrado o prazo previsto no §2º deste artigo, a ação deverá ser proposta no prazo de 30 
(trinta) dias, se não for caso de arquivamento do inquérito civil. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça 
Sílvia, Patrícia e Ricardo, agentes públicos do estado do Acre, cometeram ato de 
improbidade administrativa no mesmo dia, no exercício de suas funções: Sílvia cumpria 
mandato eletivo; Patrícia ocupava cargo comissionado; e Ricardo atuava em função de 
confiança. 
 
54 
Nessa situação hipotética, eventual ação para a aplicação das sanções previstas na Lei n.º 
8.429/1992 prescreverá no mesmo prazo no que diz respeito 
A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e a instauração de processo administrativo interromperá o curso do prazo 
prescricional. 
ERRADA 
 
Como o prazo prescricional é interrompido? 
Antes era somente previsto na jurisprudência do STJ, e dizia que se dava com simples propositura. 
STJ. REsp 1.391.212-PE. Julgado em 2/9/2014 (Info 546). 
Hoje, há toda uma relação de atos interruptivos: 
Art. 23. §4º O prazo da prescrição referido no caput deste artigo interrompe-se: (Incluído pela Lei 
nº 14.230, de 2021) 
I - Pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa; 
II - Pela publicação da sentença condenatória; 
III - Pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que 
confirma sentença condenatória ou que reforma sentença de improcedência; 
IV - Pela publicação de decisão ou acórdão do Superior Tribunal de Justiça que confirma acórdão 
condenatório ou que reforma acórdãode improcedência; 
V - Pela publicação de decisão ou acórdão do Supremo Tribunal Federal que confirma acórdão 
condenatório ou que reforma acórdão de improcedência. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça 
Sílvia, Patrícia e Ricardo, agentes públicos do estado do Acre, cometeram ato de 
improbidade administrativa no mesmo dia, no exercício de suas funções: Sílvia cumpria 
mandato eletivo; Patrícia ocupava cargo comissionado; e Ricardo atuava em função de 
confiança. 
Nessa situação hipotética, eventual ação para a aplicação das sanções previstas na Lei n.º 
8.429/1992 prescreverá no mesmo prazo no que diz respeito 
a) A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e a instauração de processo administrativo interromperá o curso do prazo 
prescricional. 
b) A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e o ajuizamento da ação de improbidade administrativa suspenderá o 
curso do prazo prescricional. 
c) A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e a publicação de eventual sentença condenatória de improbidade 
administrativa interromperá o curso do prazo prescricional. 
d) Apenas a Patrícia e Ricardo, e a instauração de processo administrativo suspenderá o curso do prazo 
prescricional. 
e) Apenas a Sílvia e Patrícia, e a instauração de processo administrativo suspenderá o curso do prazo 
prescricional. 
 
Novas disposições sobre a prescrição: 
§5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia da interrupção, pela metade do 
prazo previsto no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos relativamente a todos os que 
concorreram para a prática do ato de improbidade. 
§7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, a suspensão e a 
interrupção relativas a qualquer deles estendem-se aos demais. 
§8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de ofício ou a requerimento 
da parte interessada, reconhecer a prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de 
 
55 
imediato, caso, entre os marcos interruptivos referidos no §4º, transcorra o prazo previsto no §5º deste 
artigo. 
 
Irretroatividade da nova regra de prescrição: 
Regras de prescrição não retroagem, sendo aplicáveis apenas a partir da vigência da Lei. 
Tema 1199 do STF de REPERCUSSÃO GERAL: 
4) O novo regime prescricional previsto na Lei 14.230/2021 é IRRETROATIVO, aplicando-se 
os novos marcos temporais a partir da publicação da lei. 
STF. ARE 843989 RG, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado 
em 24/02/2022. 
Somente os atos de improbidade ocorridos após a publicação da lei instituindo a nova regra 
prescricional que poderemos contar o prazo prescricional de 8 anos. 
Ou seja, se o ato ocorreu antes da publicação da nova regra, deve se observar 5 anos a contar do 
conhecimento do ato. 
 
Quanto ao pedido de indisponibilidade de bens e a prescrição: 
Se for em pretensão de ressarcimento do erário, decorrente de atos de improbidade administrativa, 
que é imprescritível, pode-se afirmar que a medida cautelar indisponibilidade de bens não pode ser 
revogada quando pronunciada a prescrição no tocante às demais sanções previstas na Lei de 
Improbidade Administrativa, considerando que a decretação de indisponibilidade de bens tem por 
objetivo claro e manifesto assegurar a eficácia de futura condenação ao ressarcimento do erário. 
CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Com base nas disposições da Lei de Improbidade Administrativa e na jurisprudência do STJ 
acerca dos aspectos processuais da ação civil pública de responsabilização por atos de 
improbidade, julgue o item a seguir. 
Situação hipotética: Em uma ação de improbidade administrativa com pedido cumulado de 
ressarcimento ao erário, foi decretada a indisponibilidade de bens. Por ocasião da sentença, o juiz 
reconheceu a prescrição da pretensão de impor sanções decorrentes dos atos de improbidade. 
Assertiva: Nessa situação, a medida de indisponibilidade de bens deverá ser revogada. 
CERTO 
 
Existência de prescrição intercorrente: 
Depois da Lei nº 14.230/2021: SIM 
É o que prevê o §8º do art. 23, da LIA, inserido pela Lei 14.230/2021: 
Art. 23 (...) 
§8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de ofício ou a requerimento 
da parte interessada, reconhecer a prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de 
imediato, caso, entre os marcos interruptivos referidos no §4º, transcorra o prazo previsto no §5º deste 
artigo. 
A prescrição intercorrente, prevista na nova Lei de Improbidade, homenageia o princípio da segurança 
jurídica. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2018-policia-federal-delegado-de-policia-federalAdministrativa e 
estabeleceu: 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor público 
e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, 
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego 
ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. 
 
Observe com relação aos prefeitos, que responderão por improbidade e por responsabilidade do 
Decreto-Lei n. 201/1967. 
EDIÇÃO N. 40: IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - II 
2) Os agentes políticos municipais se submetem aos ditames da Lei de Improbidade Administrativa - 
LIA, sem prejuízo da responsabilização política e criminal estabelecida no Decreto-Lei n. 201/1967. 
 
Ainda se adotará a exceção com relação ao Presidente da República, que se tinha entendimento 
do STF que não responderiam por improbidade administrativa, porque o art. 85, V, da CF, faz 
referência ao crime de responsabilidade como improbidade administrativa. 
 
Estagiário é agente público para fins de improbidade: 
O estagiário do serviço público pode ser considerado agente público para fins de 
improbidade? (Dizer o Direito) 
SIM. O estagiário que atua no serviço público, ainda que transitoriamente, remunerado ou não, está 
sujeito a responsabilização por ato de improbidade administrativa. 
Isso porque o conceito de agente público para fins de improbidade é amplo. 
Abrange os servidores públicos e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem 
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura 
ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na Administração Pública. 
Resposta com base no: 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.352.035-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18/8/2015 
(Info 568). 
 
Terceiros não agentes públicos: 
O art. 3º, LIA, estabelece que terceiro que induza ou concorra do ato de improbidade para que o 
pratique. 
É possível aplicar a lei de improbidade mesmo para quem não é agente público, mas induza ou 
concorra dolosamente, junto com o agente público, para a prática do ato de improbidade. 
ATOS DO TERCEIRO: 
 
8 
• Induzir; 
• Concorrer. 
 
Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente 
público, induza ou concorra dolosamente para a prática do ato de improbidade. 
§1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não 
respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, 
comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da 
sua participação. 
§2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa 
seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846, de 
1º de agosto de 2013. 
A lei n. 12.846 é a lei anticorrupção, que visa a responsabilização da pessoa jurídica. Até 2013, só 
podia ter responsabilidade a pessoa física. Assim, o servidor poderia responder por um PAD, enquanto a 
empresa beneficiada não era responsabilizada. 
Se há fraude na licitação, por exemplo, e a pessoa jurídica já está respondendo nos moldes da lei n. 
12.486, não haverá processo de improbidade contra essa pessoa jurídica pelo mesmo fato. 
 
Cuidado se houver ato de improbidade praticado por pessoa jurídica, como terceiro não agente 
público: Quando houver pedido de indisponibilidade para atingir os sócios dessa pessoa jurídica que 
praticou o ato de improbidade, deverá haver o procedimento de desconsideração da personalidade 
jurídica. 
Art. 16. §7º A indisponibilidade de bens de terceiro (sócios, por exemplo) dependerá da 
demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando se tratar de pessoa 
jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser processado na 
forma da lei processual. 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça 
A indisponibilidade de bens de terceiro formulada no âmbito de ação de improbidade administrativa, 
quando este for pessoa jurídica, dependerá da instauração de incidente de desconsideração da 
personalidade jurídica. 
CERTA 
 
Responsabilização do terceiro (particular) (Dizer o Direito): 
O particular nunca poderá praticar um ato de improbidade sozinho, tão somente como coautor ou 
partícipe do ato. 
Para que o terceiro seja responsabilizado pelas sanções da Lei 8.429/92 é indispensável que 
seja identificado algum agente público como autor da prática do ato de improbidade. 
Assim, não é possível a propositura de ação de improbidade exclusivamente contra o 
particular, sem a concomitante presença de agente público no polo passivo da demanda. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.171.017-PA, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 25/2/2014 
(Info 535). 
 
TRF - 2ª Região - 2014 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal 
Quem não é agente público (o terceiro, previsto no artigo 3º da Lei nº 8.429/92) não pode 
responder isoladamente (sem a presença de qualquer agente público), em ação de improbidade, e 
ser submetido às medidas gerais previstas no artigo 12 da mencionada legislação. 
CERTO 
 
CESPE – 2016 – TCE- PA 
 
9 
Penalidades previstas na Lei de Improbidade Administrativa também são aplicadas a não servidores 
e a quem induza ou concorra para a prática de ato de improbidade ou dele se beneficie de forma direta 
ou indireta. 
CERTO 
 
CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Embora não haja litisconsórcio passivo necessário entre o agente público e os terceiros beneficiados 
com o ato ímprobo, é inviável que a ação civil por improbidade seja proposta exclusivamente contra os 
particulares, sem concomitante presença do agente público no polo passivo da demanda. 
CERTO 
 
CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto 
É admissível a propositura de ação civil pública pela prática de ato de improbidade administrativa 
somente contra particular, sem a presença concomitante de agente público na qualidade de réu. 
ERRADA 
 
FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz Substituto 
Suponha que tenha sido interposta ação de improbidade administrativa em face de diretor 
de uma empresa na qual o Estado do Alagoas detém participação acionária minoritária, 
apontando a ocorrência de prejuízos financeiros à companhia em face da realização de 
investimentos em projetos deficitários. A inicial da ação judicial aponta, ainda, a 
responsabilidade de Secretários de Estado na formatação de tais projetos e possível conluio 
com o diretor da companhia para as aprovações societárias correspondentes. Considerando 
as disposições da legislação aplicável, a referida demanda afigura-se 
a) Cabível, tanto em face do diretor como dos Secretários de Estado, limitando-se a sanção patrimonial 
à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos à companhia. 
b) Cabível apenas em face dos Secretários de Estado, dada a necessária condição de agentes públicos, 
respondendo o diretor da companhia exclusivamente na esfera civil. 
c) Descabida, eis que não se verifica prejuízo a entidade pública ou a empresa na qual o poder público 
detenha a maioria do capital social. 
d) Cabível apenas em face do diretor da companhia, nos limites da conduta lesiva apurada, não 
alcançando os Secretários de Estado, os quais poderão responder por crime de responsabilidade. 
e) Cabível apenas se apurada conduta dolosa dos imputados, eis que o elemento volitivo doloso é 
determinante para a caracterização de atos de improbidade, que não admitem modalidade culposa. 
 
CESPE - 2020 - MPE-CE - Analista Ministerial – Administração 
As regras que vedam a prática de atos de improbidade administrativa incidem apenas sobre servidores 
públicos. 
ERRADA 
 
FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
O prefeito do Município Alfa, agindo em comunhão de açõese desígnios com o delegado de 
Polícia Civil da cidade, frustrou a licitude de processo licitatório, a fim de beneficiar João, 
particular sócio administrador de uma sociedade empresária, que foi contratada ilegalmente 
pelo Município. Sabe-se que João é irmão do delegado e que o ato ilícito causou um dano ao 
erário no montante de cem mil reais. O Ministério Público ajuizou ação civil pública por ato de 
improbidade administrativa e requereu a indisponibilidade de bens dos demandados. De 
acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, são sujeitos ativos do ato de 
improbidade em tela: 
 
10 
O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendo que, para o 
deferimento da indisponibilidade de bens, basta a comprovação do fumus boni iuris, pois o periculum in 
mora é presumido. 
CERTA 
 
Pessoa jurídica e sócios como terceiros: 
O “terceiro” pode ser uma pessoa jurídica? 
SIM. Desde que as pessoas jurídicas que participem ou se beneficiem dos atos de improbidade 
sujeitam-se somente à Lei 8.429/1992. 
Se forem punidas pela Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013), não serão punidas por improbidade 
administrativa. 
Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado podem 
responder se participaram ou se beneficiaram. 
Art. 3º 
§1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não 
respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, 
comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da 
sua participação. 
§2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa 
seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei 12.846/2013 
(Anticorrupção). 
 
VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça 
Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado respondem 
por ato de improbidade eventualmente imputado a tal pessoa jurídica. 
ERRADA 
As sanções veiculadas na Lei de Improbidade Administrativa aplicam-se à pessoa jurídica infratora 
caso a conduta tipificada como ato de improbidade administrativa seja também sancionada como ato 
lesivo à administração pública, considerada a independência entre as instâncias. 
ERRADA 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia 
Os sócios, cotistas e diretores de pessoa jurídica de direito privado, via de regra, respondem pelo ato 
de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica. 
ERRADA 
 
Responsabilidade sucessória em razão de contrato herança: 
Também responderá até o limite da herança, como dispõe o art. 8º da LIA. 
Art. 8º O sucessor ou o herdeiro daquele que causar dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente 
estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o limite do valor da herança ou do patrimônio 
transferido. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
CESPE - 2015 - Prefeitura de Salvador/BA - Procurador Municipal 
Se alguém que causou lesão ao patrimônio público vier a falecer, seu sucessor ficará sujeito às 
cominações da Lei de Improbidade Administrativa até o limite do valor da herança. 
 
11 
CERTA 
 
Responsabilidade sucessória em razão de contrato: 
Art. 8º-A A responsabilidade sucessória de que trata o art. 8º desta Lei aplica-se também na hipótese 
de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. (Incluído 
pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Parágrafo único. Nas hipóteses de fusão e de incorporação, a responsabilidade da sucessora será 
restrita à obrigação de reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não 
lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e de fatos ocorridos antes 
da data da fusão ou da incorporação, exceto no caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, 
devidamente comprovados. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia 
O sucessor de quem que causar dano ao erário está sujeito à obrigação de reparar os cofres públicos 
até o limite do valor do patrimônio transferido, exceto nas hipóteses de alteração contratual, de 
transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. 
ERRADA 
 
10. ELEMENTO SUBJETIVO (DOLO): 
Exige-se dolo específico para haver o ato de improbidade administrativa. CESPE / CEBRASPE - 
2023 - MPE-AM - Promotor 
Antes, podia-se ato culposo de improbidade. Não há mais ato culposo de improbidade administrativa. 
FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz 
Agora, para o STF, nova LIA retroage? 
Diz a tese do STF de Repercussão Geral: 
Tema 1199 do STF de REPERCUSSÃO GERAL: 
1) É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de 
improbidade administrativa, exigindo-se - nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA - a presença do elemento 
subjetivo - DOLO; 
2) A norma benéfica da Lei 14.230/2021 - revogação da modalidade culposa do ato de improbidade 
administrativa -, é IRRETROATIVA, em virtude do artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, não 
tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução 
das penas e seus incidentes; 
3) A nova Lei 14.230/2021 aplica-se aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na 
vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado, em virtude da revogação 
expressa do texto anterior; devendo o juízo competente analisar eventual dolo por parte do 
agente; CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
STF. ARE 843989 RG, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 
24/02/2022. 
 
Cuidado! Olha o que diz o Buscador Dizer o Direito e veja o quadro ilustrativo dele: 
Embora na tese fixada conste texto apontando a irretroatividade da norma, verifica-se que a 
revogação não alcança apenas os processos com trânsito em julgado de sentença condenatória. Ou seja, 
vale para investigações e processos em curso, alcançando fatos anteriores a sua vigência. 
(in:https://www.buscadordizerodireito.com.br/download/verPdf/c2fae87a3cf3a616040cee9db6d208
7e.pdf) 
 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/download/verPdf/c2fae87a3cf3a616040cee9db6d2087e.pdf
https://www.buscadordizerodireito.com.br/download/verPdf/c2fae87a3cf3a616040cee9db6d2087e.pdf
 
12 
PARA O STF, NOVA LIA RETROAGE? 
DOLO e ART. 10: Exigência do dolo para prática 
do ato ímprobo previsto no art. 10. 
RETROAGE, salvo se houver decisão transitada 
em julgado contra o agente ímprobo. Nos 
processos em curso, juiz deve analisar eventual 
dolo por parte do agente. 
ATENÇÃO: Cuidado, contudo, com a redação da 
tese, segundo a qual, a norma: 
É IRRETROATIVA, não tendo incidência em 
relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco 
durante o processo de execução das penas e seus 
incidentes 
Interpretação a ser dada a tese 3 do STF quando se tratar de ATO CULPOSO 
COM CONDENAÇÃO TRANSITADA EM 
JULGADO 
SEM TRÂNSITO EM JULGADO 
A lei NÃO retroage. A lei DEVERÁ retroagir. 
O juiz deverá avaliar se há dolo ou culpa. 
Se houver culpa, o processo será EXTINTO. 
 
Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021: 
Art. 1º 
§1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 
10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. 
§2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 
9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente. 
§3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato 
doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. 
O ato somente pode ser praticado com dolo, sendo esta, desde a reformadada pela Lei 8.429/1992, 
a única hipótese expressa pela lei. 
O DOLO é ESPECÍFICO, quer alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. 
A responsabilidade dos servidores públicos, pessoas físicas, na verdade, é de índole subjetiva, a 
depender, portanto, da demonstração de dolo somente. Não há que se falar, portanto, em 
responsabilidade objetiva de servidores públicos. 
 
CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado Federal 
João, servidor público responsável pelo setor financeiro de uma autarquia federal, sem 
observar as formalidades legais necessárias, facilitou a incorporação, ao patrimônio particular 
de entidade privada sem fins lucrativos, de valores a ela repassados mediante a celebração 
de parceria. 
Nessa situação hipotética, conforme a legislação e a doutrina a respeito de improbidade 
administrativa e regime disciplinar do servidor público federal, 
A responsabilidade de João é objetiva, independentemente da demonstração de culpa ou dolo. 
ERRADA 
 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-PA - Promotor de Justiça 
 
13 
No ano de 2018, João concedeu benefício fiscal sem observar as formalidades legais, tendo 
sido posteriormente comprovado dano ao patrimônio público e evidenciado não existir 
qualquer dolo por parte de João. O processo para a apuração da conduta de João está em 
curso, não tendo havido, ainda, sentença condenatória. 
Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa (LIA), a CF 
e a jurisprudência do STF, é correto afirmar que João deverá ser 
Absolvido no processo de apuração da conduta, pois a conduta descrita, embora tenha causado 
prejuízo ao erário, deixou de ser punível na modalidade culposa após as alterações da LIA. 
CERTA 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça 
As condutas culposas são passíveis de tipificação como ato de improbidade administrativa. 
ERRADA 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça 
A responsabilidade civil, em caso de ato de improbidade administrativa, é 
a) Objetiva, independentemente do tipo de ato de improbidade administrativa. 
b) Objetiva apenas em relação aos atos que causem prejuízo ao erário. 
c) Subjetiva em relação a todos os atos de improbidade administrativa. 
d) Objetiva apenas no que se refere aos atos que importem enriquecimento ilícito. 
e) Subjetiva apenas no que diz respeito aos atos que causem prejuízo ao erário. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia 
A constatação do caráter culposo do ato praticado por quem exerce a função pública não se revela 
suficiente para afastar a caracterização de ato de improbidade administrativa. 
ERRADA 
 
11. REPRESENTAÇÃO POR ATO DE IMPROBIDADE: 
 
Art. 7º Se houver indícios de ato de improbidade, a autoridade que conhecer dos fatos representará 
ao Ministério Público competente, para as providências necessárias. (Redação dada pela Lei nº 14.230, 
de 2021) 
 
Representação para instauração de investigação: 
Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que 
seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. 
§1º A representação, que será escrita ou reduzida a termo e assinada, conterá a qualificação do 
representante, as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha 
conhecimento. 
§2º A autoridade administrativa rejeitará a representação, em despacho fundamentado, se esta não 
contiver as formalidades estabelecidas no § 1º deste artigo. A rejeição não impede a representação ao 
Ministério Público, nos termos do art. 22 desta lei. 
§3º Atendidos os requisitos da representação, a autoridade determinará a imediata apuração dos 
fatos, observada a legislação que regula o processo administrativo disciplinar aplicável ao agente. 
(Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
CESPE - 2019 - TJ-PA - Juiz de Direito Substituto 
 
14 
A representação para instauração de investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade 
pode ser apresentada por qualquer cidadão, desde que se comprove estar em gozo dos direitos políticos. 
ERRADA 
 
CESPE - 2017 - TRE-PE - Conhecimentos Gerais 
Qualquer pessoa terá legitimidade para, perante a autoridade administrativa competente, apresentar 
representação solicitando a instauração de investigação para apurar a prática do ato de improbidade. 
CERTA 
 
Processo administrativo para apurar ato de improbidade: 
Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho 
de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade. 
Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a requerimento, 
designar representante para acompanhar o procedimento administrativo. 
 
12. ATOS DE IMPROBIDADE: 
 
Para caracterizar ato de improbidade não precisa necessariamente ser ato administrativo. 
Pode também sê-lo. 
As omissões podem configurar quaisquer dos atos de improbidade. 
Os atos de improbidade poderão ser divididos em: 
 
• ENRIQUECIMENTO ILÍCITO 
Aqueles que o agente se beneficia com uso indevido de sua função. 
Adquirir, receber, incorporar. 
Receber benefício. 
 
• PREJUÍZO AO ERÁRIO 
Pode ser chamado também de lesão ou danos ao erário, aqui o agente não se beneficia, beneficia 
terceiro/particular em prejuízo da administração. 
Sem as formalidades legais. 
Ajudar alguém. 
 
• VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS. 
 
 
 
15 
 
 
13. ROL EXEMPLIFICATIVO OU ROL TAXATIVO? 
Na doutrina e na jurisprudência, antes dessa alteração do §1º, com a expressão “tipificadas”, o 
entendimento é que os atos de improbidade dos arts. 9º, 10 e 11 eram meramente exemplificativos. 
Hoje, o §1º do art. 1º da Lei de Improbidade diz que o rol dos atos de improbidade será tipificado, 
mas ainda não se sabe se será rol exaustivo ou exemplificativo em virtude da redação do caput dos arts. 
9º, 10 e 11. Vejamos o porquê: 
Art. 1º 
§1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 
10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
 
Na redação dos arts. 9º e 10, há o uso do termo “notadamente” para iniciar a delimitar as condutas 
previstas nos incisos, o que nos atribuiria um caráter EXEMPLIFICATIVO à lista. 
Por exemplo, um policial que ingeriu bebida alcoólica, dirigiu o carro da corporação e deu tiros para o 
alto responderia por improbidade, por ato que atenta contra princípio administrativo, mesmo não tendo 
disposição expressa. 
Por sua vez, a doutrina passa a dizer que os incisos do art. 11 encerram uma LISTA EXAUSTIVA ou 
um ROL TAXATIVO em razão da expressão “caracterizada por uma das seguintes condutas” contida no 
caput do art. 11. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
 
14. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO (art. 9º da LIA): 
 
Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando em enriquecimento ilícito auferir, 
mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício 
de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta 
Lei, e notadamente: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Vantagem patrimonial indevida em razão do cargo ou função ou emprego. 
Somente AÇÃO. 
Conduta mais grave. 
 
16 
Em quase todos os casos, o art. 9º emprega as expressões “receber”, “perceber” e “vantagem 
econômica” para descrever um ato de improbidade por enriquecimento ilícito, de maior gravidade. 
 
Sobre necessidade de prejuízo ou dano ao patrimônio público: 
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe: 
I – Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às 
condutas previstas no art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
É desnecessária a lesão ao patrimôniopúblico no caso do art. 9º. 
Ainda que não haja dano ao erário, é possível a condenação por ato de improbidade administrativa 
que importe enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei nº 8.429/92), excluindo-se, contudo, a possibilidade 
de aplicação da pena de ressarcimento ao erário. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.412.214-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão 
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 8/3/2016 (Info 580). 
 
Requisitos: 
• AÇÃO ou ATO COMISSIVO 
• AFERIÇÃO DE VANTAGEM PATRIMONIAL INDEVIDA (demonstração do enriquecimento); 
• RELAÇÃO DE CAUSALIDADE ENTRE A VANTAGEM INDEVIDA E O EXERCÍCIO DA FUNÇÃO 
PÚBLICA; 
• DOLO. 
 
Condutas: 
Art. 9° Enriquecimento ilícito: 
IV – UTILIZAR, em obra ou serviço particular, qualquer bem móvel, de propriedade ou à disposição 
de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores, de 
empregados ou de terceiros contratados por essas entidades; (Redação da Lei 14.230/2021) 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
Já houve caso em que uma servidora em cargo de comissão, além de praticar assédio moral contra 
um servidor, levava os terceirizados do setor para fazer trabalhos domésticos em sua residência e os 
estagiários para ajudar seus filhos em trabalhos escolares. 
Essa servidora foi demitida em razão desse ato de improbidade e o servidor que sofreu assédio moral 
ingressou com ação contra a União por danos morais, ganhando a causa em R$ 48 mil, que a União 
tentaria recuperar em uma ação de regresso contra a servidora em comissão que praticou a conduta. 
 
VI - RECEBER vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração 
falsa sobre qualquer dado técnico que envolva obras públicas ou qualquer outro serviço ou sobre 
quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das 
entidades referidas no art. 1º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
VII - ADQUIRIR, para si ou para outrem, no exercício de mandato, de cargo, de emprego ou de 
função pública, e em razão deles, bens de qualquer natureza, decorrentes dos atos descritos no caput 
deste artigo, cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público, 
assegurada a demonstração pelo agente da licitude da origem dessa evolução; (Redação dada pela Lei 
nº 14.230, de 2021) 
 
VIII - ACEITAR emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para 
pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão 
decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade; 
 
17 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro 
O exercício de atividade de consultoria para pessoa jurídica que tenha interesse suscetível de ser 
atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a 
atividade, caracteriza ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração 
pública. 
ERRADO, veja inciso VIII 
 
IX - PERCEBER vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de 
qualquer natureza; 
 
CESPE - 2013 - PC-BA - Delegado de Polícia 
Considere que um agente de polícia tenha utilizado uma caminhonete da polícia civil para transportar 
sacos de cimento para uma construção particular. Nesse caso, o agente cometeu ato de improbidade 
administrativa que importa em enriquecimento ilícito. 
CERTA 
 
CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça 
Servidor público estadual usou, em proveito próprio, veículo da administração pública 
estadual, para fins particulares. 
Nesse caso, a conduta do servidor configura ato de improbidade administrativa que importa 
enriquecimento ilícito, se tiver havido dolo. 
CERTA 
 
CESPE - 2015 - Prefeitura de Salvador - BA - Procurador do Município 
Considera-se ato de improbidade que causa prejuízo ao erário o recebimento de vantagem econômica 
para promover a intermediação da liberação de verba pública de qualquer natureza. 
ERRADA 
 
15. LESÃO OU PREJUÍZO AO ERÁRIO (art. 10 da LIA): 
 
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou 
omissão dolosa, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda patrimonial, desvio, apropriação, 
malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta Lei, e 
notadamente: 
Lesão ao erário = Dano ao patrimônio público = Lesão ao patrimônio = prejuízo ao erário. 
Perda patrimonial para o erário. 
AÇÃO ou OMISSÃO. 
Dispensável comprovação de enriquecimento ilícito do agente público. 
Indispensável a demonstração de que ocorreu efetivo dano ao erário. 
Se terceiro ganhou alguma vantagem é possível que seja lesão ou prejuízo ao erário. 
 
Sobre necessidade de prejuízo ou dano ao patrimônio público: 
 
18 
É necessário efetivo dano? 
Antes, era necessário o efetivo dano para configurar o art. 10, era indispensável a demonstração de 
que ocorreu efetivo dano ao erário. (STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 18.317/MG, Rel. Min. Arnaldo 
Esteves Lima, julgado em 05/06/2014) 
HOJE, o §1º do art. 10 diz em “perda patrimonial efetiva” como sinônimo de prejuízo em concreto ou 
efetivo dano. 
Diz agora a lei que, não havendo prejuízo concreto (“perda patrimonial efetiva”) para o Estado, a 
eventual sanção decorrente do ato de improbidade praticado não se consubstanciará em obrigação de 
ressarcir o erário. Afinal, não haverá o que ressarcir. 
Art. 10. 
§1º Nos casos em que a inobservância de formalidades legais ou regulamentares não implicar perda 
patrimonial efetiva, não ocorrerá imposição de ressarcimento, vedado o enriquecimento sem 
causa das entidades referidas no art. 1º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Mais à frente, a lei informa que a aplicação de sanção depende de dano ao patrimônio público nas 
condutas de lesão ou prejuízo ao erário. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe: 
I – Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às 
condutas previstas no art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Pode haver perda patrimonial decorrente da atividade econômica: 
Art. 10. 
§2º A mera perda patrimonial decorrente da atividade econômica não acarretará improbidade 
administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa finalidade. (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
As condutas dos sócios-administradores das entidades que desenvolvem atividades econômicas 
(sobretudo, as estatais como Petrobras, por exemplo) podem influenciar na perda patrimonial da 
entidade em decorrência de sua atuação como gestores de recursos públicos. São condutas como na 
escolha de estratégia de mercado, por exemplo. 
Tal fato não acarretará improbidade administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com 
essa finalidade. 
 
Conceito amplo de dano ao patrimônio: 
Dano ao patrimônio público não é necessariamente dinheiro ou dano financeiro, podendo ser qualquer 
patrimônio histórico, cultural, artístico, econômico, financeiro e etc. É um conceito amplo. 
 
Erário x Patrimônio Público: 
A doutrina faz diferença entre os conceitos de erário e patrimônio público. 
Erário são os recursos financeiros dos cofres públicos (aspecto econômico). 
Patrimônio público, por sua vez, é uma expressão mais ampla e abrange não apenas os bens de 
conteúdo econômico (recursos financeiros), incluindo outros valores e direitos, como os bens artísticos, 
estéticos, históricos ou turísticos. 
Apesar de essa distinção ser comum na doutrina, o STJ não a adota em seus julgados quando trata 
sobre o tema improbidade administrativa. Assim, você irá encontrar acórdãos falando em prejuízo ao 
erário e prejuízo ao patrimônio público como se fossem expressões sinônimas. 
 
19 
Desse modo, em concursopúblico no qual se exija o entendimento do STJ, será correta a alternativa 
que afirme que o art. 10 da lei de improbidade administrativa exige efetivo dano ao erário ou efetivo 
dano ao patrimônio público. 
Por outro lado, pode ser que lhe indaguem em uma prova discursiva ou oral a distinção entre erário 
e patrimônio público. 
 
Condutas: 
Art. 10. Causa lesão ao erário: 
I – FACILITAR ou CONCORRER, por qualquer forma, para a indevida incorporação ao patrimônio 
particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, de rendas, de verbas ou de valores integrantes do acervo 
patrimonial das entidades referidas no art. 1º desta Lei; (Redação da Lei 14.230/2021) 
 
II – PERMITIR ou CONCORRER para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, 
verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta 
lei, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; 
Prefeito e servidores do município, em conluio, desviaram sacos de cimento, adquiridos pela 
municipalidade para obras públicas, distribuindo tais materiais a particulares e convocando o servidor 
responsável pelo almoxarifado para assinar as notas fiscais dos sacos como se os tivesse recebido. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1197136/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 
03/09/2013. 
 
III – DOAR à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda que de fins 
educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das 
entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das formalidades legais e 
regulamentares aplicáveis à espécie; 
 
IV – PERMITIR ou FACILITAR a alienação, permuta ou locação de bem integrante do 
patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço 
por parte delas, por preço INFERIOR ao de mercado; 
 
V - PERMITIR ou FACILITAR a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço 
SUPERIOR ao de mercado; 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
 
VI - REALIZAR operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou 
aceitar garantia insuficiente ou inidônea; 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro 
A realização de operação financeira sem a observância das normas legais e regulamentares caracteriza 
ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário. 
CERTA, veja inciso VI 
 
VII – CONCEDER benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou 
regulamentares aplicáveis à espécie; 
 
 
20 
VIII - FRUSTRAR a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de 
parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente, acarretando perda 
patrimonial efetiva; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a contratação direta de 
empresa prestadora de serviço, quando não caracterizada situação de dispensa ou inexigibilidade de 
licitação, gera lesão ao erário, vez que o Poder Público perde a oportunidade de contratar melhor 
proposta, dando ensejo ao chamado dano in re ipsa, decorrente da própria ilegalidade do ato praticado. 
STJ. REsp 1121501/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 
19/10/2017. 
 
Fracionamento da contratação para burlar a licitação 
Para a condenação por ato de improbidade administrativa no art. 10, é indispensável a demonstração 
de que ocorreu efetivo dano ao erário. 
O Prefeito que contrata, sem licitação, empresa para fornecer material para o Município burlando o 
procedimento licitatório por meio da prática conhecida como fracionamento do contrato, comete ato de 
improbidade administrativa (art. 10, VII). 
Para o STJ, em casos de fracionamento de compras e contratações com o objetivo de se dispensar 
ilegalmente o procedimento licitatório o prejuízo ao erário é considerado presumido (in re ipsa), na 
medida em que o Poder Público, por força da conduta ímproba do administrador, deixa de contratar a 
melhor proposta, o que gera prejuízos aos cofres públicos. 
Segundo o art. 21, I, da Lei 8.429/92, o autor do ato de improbidade somente poderá receber a 
sanção de ressarcimento ao erário se ficar comprovada a efetiva ocorrência de dano ao patrimônio 
público. 
Tratando-se de fracionamento de licitação, o prejuízo ao patrimônio público é presumido, de forma 
que o autor do ato de improbidade poderá ser condenado a ressarcir o erário. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.376.524-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 2/9/2014 (Info 
549). 
 
IX – ORDENAR ou PERMITIR a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento; 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
 
X - AGIR ilicitamente na arrecadação de tributo ou de renda, bem como no que diz respeito à 
conservação do patrimônio público; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Na redação anterior, dizia-se em “agir negligentemente”, agora se diz “agir ilicitamente”. Pode, em 
razão da alteração de 2021, trocar o ilicitamente pelo negligentemente para tornar errada a questão. 
 
XI - LIBERAR verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer 
forma para a sua aplicação irregular; 
 
XII - PERMITIR, FACILITAR ou CONCORRER para que terceiro se enriqueça ilicitamente; 
 
XIII - PERMITIR que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou 
material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas 
no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor público, empregados ou terceiros contratados por 
essas entidades. 
 
XIV – CELEBRAR contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços 
públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei; 
 
21 
 
XV – CELEBRAR contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação 
orçamentária, ou sem observar as formalidades previstas na lei. 
 
XVI - FACILITAR ou CONCORRER, por qualquer forma, para a incorporação, ao patrimônio 
particular de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela 
administração pública a entidades privadas mediante celebração de parcerias, sem a observância das 
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; 
 
XVII - PERMITIR ou CONCORRER para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, 
verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a entidade privada mediante 
celebração de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à 
espécie; 
 
XVIII - CELEBRAR parcerias da administração pública com entidades privadas sem a observância 
das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-BA – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) 
 
XIX – AGIR para a configuração de ilícito na celebração, na fiscalização e na análise das prestações 
de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; (Redação dada pela 
Lei nº 14.230, de 2021) 
Na redação anterior, dizia-se em “agir negligentemente”, agora se diz “agir para a configuração de 
ilícito”. Pode, em razão da alteração de 2021, trocar o ilícito pelo negligente para tornar errada a questão. 
 
XX – LIBERAR recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas 
sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação 
irregular. 
VUNESP – 2023 – TJ-RJ – Juiz (cobrou a literalidade do dispositivo) 
 
XXII – CONCEDER, APLICAR ou MANTER benefício financeiro ou tributário contrário ao que 
dispõem o caput e o §1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído 
pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
LC 116/2003. Art. 8º-A. A alíquota mínima do Imposto sobre Serviços deQualquer Natureza é de 2%. 
§1º O imposto não será objeto de concessão de isenções, incentivos ou benefícios tributários ou 
financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de crédito presumido ou outorgado, ou sob 
qualquer outra forma que resulte, direta ou indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente 
da aplicação da alíquota mínima estabelecida no caput, exceto para os serviços a que se referem os 
subitens 7.02, 7.05 e 16.01 da lista anexa a esta Lei Complementar. 
 
16. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ADMINISTRAÇÃO (art. 11 da LIA): 
 
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração 
pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, 
caracterizada por uma das seguintes condutas: 
EXIGE-SE DOLO 
 
22 
AÇÃO ou OMISSÃO. 
Dispensa a demonstração do dano. 
Se ninguém ganhou vantagem é possível que seja atentado contra os princípios da administração 
pública. 
Com Lei nº 14.230 de 2021, foi retirado do caput a parte que dizia sobre a existência de ato de 
violação a lealdade às instituições. 
 
CESPE - 2020 - MPE-CE - Analista Ministerial – Administração 
Somente atos comissivos podem caracterizar uma situação como sendo de improbidade 
administrativa por violação dos princípios da administração pública. 
ERRADO 
 
Requisitos: 
• AGENTE PÚBLICO (OU A ELE EQUIPARADO), ATUANDO NO EXERCÍCIO DE SEU MUNUS PÚBLICO; 
• CONDUTA ILÍCITA; 
• IMPROBIDADE DO ATO, CONFIGURADA PELA TIPICIDADE DO COMPORTAMENTO, AJUSTADO EM 
ALGUM DOS INCISOS DO 11 DA LIA; 
• ELEMENTO VOLITIVO, CONSUBSTANCIADO NO DOLO DE COMETER A ILICITUDE COM O FIM DE 
OBTER PROVEITO OU BENEFÍCIO INDEVIDO; 
• OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
• LESIVIDADE RELEVANTE. 
 
Rol exemplificativo ou rol taxativo? 
Fique de olho na expressão “caracterizada por uma das seguintes condutas:” 
Antes, a doutrina afirmava que o rol dos arts. 9º, 10 e 11 era exemplificativo (numerus apertus) em 
razão da expressão “qualquer” utilizada na descrição das condutas genéricas previstas da redação 
originária da lei. 
Hoje, a Lei nº 14.230/2021 modificou a redação do caput do art. 11 para inserir a expressão 
“caracterizada por uma das seguintes condutas”. 
Assim, a doutrina passou a dizer que os incisos do art. 11 encerram uma LISTA EXAUSTIVA ou um 
ROL TAXATIVO, permanecendo as condutas previstas nos arts. 9º e 10 elencadas em rol exemplificativo. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro 
A tipificação das condutas consideradas ímprobas no âmbito da administração pública é taxativa e se 
exaure na lei em questão. 
ERRADO 
COMENTÁRIOS: Tem condutas taxativas e exemplificativas. No caso do art. 11 as condutas são 
exemplificativas. 
 
Dolo específico (§§1º e 2º): 
Art. 11. (...) 
§1º Nos termos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto nº 
5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haverá improbidade administrativa, na aplicação deste artigo, 
quando for comprovado na conduta funcional do agente público o fim de obter proveito ou benefício 
indevido para si ou para outra pessoa ou entidade. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
23 
§2º Aplica-se o disposto no §1º deste artigo a quaisquer atos de improbidade administrativa 
tipificados nesta Lei e em leis especiais e a quaisquer outros tipos especiais de improbidade 
administrativa instituídos por lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
A Convenção de Mérida (Decreto nº 5.687/06) visou promover a formulação e a execução de medidas 
para evitar e combater, de maneira eficaz, a corrupção; impulsionar, facilitar e apoiar a cooperação 
internacional e assistência técnica na prevenção e na luta contra a corrupção, inclusive no campo da 
recuperação de ativos; e fomentar a integridade do administrador público. 
 
Demonstração objetiva (§3º): 
§3º O enquadramento de conduta funcional na categoria de que trata este artigo pressupõe a 
demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das 
normas constitucionais, legais ou infralegais violadas. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
Sobre necessidade de dano ao patrimônio público (§4º): 
§4º Os atos de improbidade de que trata este artigo exigem lesividade relevante ao bem jurídico 
tutelado para serem passíveis de sancionamento e independem do reconhecimento da produção de 
danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. 
Foi incluído pela Lei nº 14.230, de 2021, mas já era a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 
O STJ sempre disse que os atos de improbidade administrativa descritos no artigo 11 da Lei nº 
8429/92 dependem da presença do dolo genérico, mas dispensam a demonstração da ocorrência de 
dano para a Administração Pública ou enriquecimento ilícito do agente (AgRg no REsp 1368125/PR). 
 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça 
A aplicação de sanção pelo cometimento de atos de improbidade que atentem contra os princípios da 
administração pública só é possível se houver lesividade relevante ao bem jurídico tutelado, bem como 
reconhecimento da produção de danos ao erário e enriquecimento ilícito dos agentes públicos. 
ERRADA 
 
CESPE/CEBRASPE - MPE TO - Promotor de Justiça - 2022 
A respeito de improbidade administrativa, assinale a opção correta. 
a) A configuração de ato de improbidade contrário a princípio da administração pública independe de 
prova de dano ao erário ou enriquecimento ilícito do agente. 
b) A exigência de que os agentes públicos apresentem declaração anual de bens ao órgão ou ao ente 
a que estejam ligados pode ser mitigada em caso de recusa de consciência, devidamente 
fundamentada. 
c) A ação por improbidade administrativa tem natureza criminal. 
d) No atual regime legal da improbidade administrativa, são puníveis atos praticados com culpa grave, 
devidamente provados e que tenham causado dano ao erário. 
e) No caso de condenação à perda da função pública, a eficácia da decisão judicial deve alcançar 
qualquer vínculo atual do réu com o serviço público, ainda que diverso do existente quando do 
cometimento da improbidade. 
 
Condutas: 
Art. 11. Atenta contra os princípios da administração: 
 
 
24 
III - REVELAR fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva 
permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por informação privilegiada ou colocando em risco 
a segurança da sociedade e do Estado; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Não é meramente revelar o segredo. Precisa ter benefício a alguém ou colocar em risco a segurança. 
O mero vazamento de informações não configura a conduta ímproba. 
 
IV – NEGAR publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua imprescindibilidade para a 
segurança da sociedade e do Estado ou de outras hipóteses instituídas em lei; (Redação dada pela Lei 
14.230/2021) 
Antes, não se tinha essa exceção. 
Pode negar publicidade aos atos oficiais em razão de segurança. 
ATENÇÃO: O comportamento doloso de deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício não é 
mais ato de improbidade administrativa. A Lei 14.1230/2021 revogou o inciso II do art. 11 da Lei 
8.429/92, que o contemplava. FGV – 2023 – TJ-ES – Juiz de Direito 
 
V - FRUSTRAR, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de 
chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou 
indireto, ou de terceiros; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - 
MPE-AM - Promotor 
Antes, bastava frustrar a licitude. 
Hoje, para ser ato de violação ao princípio precisa ter ofensa à imparcialidade ou frustrar o caráter 
concorrencial. 
Não confunda com a conduta que causa lesão ao erário: 
ATO ÍMPROBO QUE CAUSA LESÃO AO 
ERÁRIO 
ATO ÍMPROBO QUE ATENTA CONTRA OS 
PRINCÍPIOSDA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Art. 10. Causa lesão ao erário: 
VIII - FRUSTRAR a licitude de processo licitatório 
ou de processo seletivo para celebração de 
parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou 
dispensá-los indevidamente, acarretando perda 
patrimonial efetiva; (Redação da Lei 
14.230/2021) 
V - FRUSTRAR, em ofensa à imparcialidade, o 
caráter concorrencial de concurso público, de 
chamamento ou de procedimento licitatório, com 
vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou 
indireto, ou de terceiros; (Redação da Lei 
14.230/2021) 
 
VI - DEIXAR de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das 
condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
Tem que ter a finalidade de ocultar irregularidades. 
 
CESPE / CEBRASPE - 2022 - PGE-RO - Procurador do Estado 
Um promotor de justiça, depois de ter recebido uma série de dados obtidos da prefeitura 
de certa cidade, constatou que o prefeito havia deixado de prestar contas relativas a convênio 
federal em situação em que este era expressamente obrigado a fazê-lo. Por meio do exame 
dos documentos, constatou que a citada autoridade dispunha de condições técnicas e 
operacionais para a prestação das contas e tinha plena ciência do dever de fazê-lo. Embora 
os documentos não indicassem que a ausência da prestação de contas tinha o objetivo de 
ocultar irregularidade, era possível identificar que o prefeito indevidamente havia deixado de 
praticar ato de ofício, com desrespeito intencional aos prazos legais e ao princípio da 
legalidade. 
 
25 
Com base nas disposições da Lei n.º 8.429/1992, é correto afirmar que, nessa situação 
hipotética, a conduta do prefeito 
a) Configura ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito. 
b) Configura ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário. 
c) Configura ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração 
pública. 
d) Não configura nenhuma das hipóteses de ato de improbidade administrativa previstas na lei em 
questão. 
e) Configura ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário e, concomitantemente, 
ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. 
 
A ausência de prestação de contas configura ato de improbidade administrativa? 
A ausência de prestação de contas, quando ocorre de forma dolosa, acarreta violação ao Princípio da 
Publicidade. Vale ressaltar, no entanto, que o simples atraso na entrega das contas, sem que exista dolo 
na espécie, não configura ato de improbidade. 
Para a configuração do ato de improbidade previsto no art. 11, inc. VI, da Lei nº 8.429/92, não basta 
o mero atraso na prestação de contas, sendo necessário demonstrar a má-fé ou o dolo genérico. 
Assim, por exemplo, se o Prefeito não presta contas, para que ele seja condenado por improbidade 
administrativo será necessário provar que ele agiu com dolo ou má-fé. 
STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.382.436-RN, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 
20/8/2013 (Info 529) 
 
CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto 
Prefeito de determinado município deixou de cumprir obrigação legal de prestar contas à 
respectiva câmara municipal. O Ministério Público estadual ajuizou ação de improbidade 
administrativa pelo ato praticado pelo prefeito no exercício de seu mandato. 
Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa e com a jurisprudência 
dos tribunais superiores, caberia a ação por improbidade, uma vez que o ato do prefeito atentou contra 
os princípios da administração pública. 
CERTA 
 
VII – REVELAR ou PERMITIR que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva 
divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou 
serviço. 
 
VIII – DESCUMPRIR as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de 
parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas. 
VUNESP – 2023 – TJ-RJ – Juiz (cobrou a literalidade do dispositivo) 
 
XI – NOMEAR cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o 
terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em 
cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, 
ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações 
recíprocas; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 
Nepotismo passou a ser ato de improbidade administrativa. 
Nepotismo com dolo específico: Não é ato de improbidade a mera nomeação ou indicação. 
 
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Art. 11. §5º Não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política por parte dos 
detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do 
agente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
O nepotismo sempre foi ato ímprobo? 
Cuidado, que anteriormente existiam duas posições quanto ao fato de ser ato de improbidade o 
nepotismo. 
 
PRIMEIRA CORRENTE: 
Não configura improbidade administrativa a contratação, por agente político, de parentes e afins para 
cargos em comissão ocorrida em data anterior à lei ou ao ato administrativo do respectivo ente federado 
que a proibisse e à vigência da Súmula Vinculante nº 13 do STF. STJ. 1ª Turma. REsp 1.193.248-MG, 
Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 24/4/2014 (Info 540). 
 
SEGUNDA CORRENTE: 
A prática de nepotismo configura grave ofensa aos princípios da administração pública, em especial 
aos princípios da moralidade e da isonomia, enquadrando-se, dessa maneira, no art. 11 da Lei nº 
8.429/92. A nomeação de parentes para ocupar cargos em comissão, ainda que ocorrida antes da 
publicação da Súmula vinculante 13, constitui ato de improbidade administrativa, que atenta contra os 
princípios da administração pública, nos termos do art. 11 da Lei nº 8.429/92, sendo despicienda a 
existência de regra explícita de qualquer natureza acerca da proibição. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 
1386255/PB, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24/04/2014. 
 
E A PRÁTICA DE RACHADINHA? 
VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor 
A nomeação de servidores públicos para cargos em comissão sob condição de entrega da remuneração 
por parte daqueles que não exercem nenhuma função (Método “Servidor Fantasma”), ou as exercem 
parcialmente (Método “Rachadinha”), ao nomeante, é hipótese de múltipla subsunção perante a Lei 
Federal nº 8.429/92, porquanto a um só tempo importa em enriquecimento ilícito e causa lesão ao erário. 
CERTA 
O TSE entendeu que a prática de "rachadinha" (prática de devolução parcial de remuneração à 
autoridade nomeante, por parte do servidor nomeado, ocupante de cargo de livre nomeação) acarreta, 
a um só tempo, danos ao erário e enriquecimento ilícito, razão pela qual é verdadeiro aduzir que 
tal comportamento subsume-se de forma múltipla às disposições da Lei 8.429/92 (LIA). 
ELEIÇÕES DE 2020. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PRÁTICA ILÍCITA DE “RACHADINHA”. 
CARACTERIZAÇÃO SIMULTÂNEA DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO E DANO AO ERÁRIO PÚBLICO. 
INELEGIBILIDADE DO ART. 1º, I, L, DA LC Nº 64/1990 CONFIGURADA. RECURSO PROVIDO. 3. A 
exigência legal imposta de que a conduta ímproba traga, simultaneamente, prejuízo ao erário e 
enriquecimento ilícito do próprio agente ou de terceiros, como exigido por esta Corte Eleitoral, está 
presente, pois é regular e lícito ao TSE verificar na fundamentação da decisão condenatória a existência 
de ambos os requisitos. AgR-AI nº 411-02/MG, Rel. Min. EDSON FACCHIN, DJe de 7.2.2020; Rel. 
Min. OG FERNANDES, PSESS de 27.11.2018. 
 
XII - PRATICAR, no âmbito da administração pública e com recursos

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