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1 IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 1. CONCEITO: É a expressão ou designativo técnico para falar de corrupção administrativa, que se caracteriza pelo descumprimento da lei, como prática de ilegalidade ou o descumprimento da ordem jurídica, ou pelo desvirtuamento da função pública. Pode ser considerado como improbidade: a vantagem patrimonial indevida, o exercício nocivo da função, a prática de tráfico de influência, o favorecimento de minoria em detrimento da grande maioria. A ideia de improbidade nos remete à falta de boa-fé, à desonestidade, à lealdade, à imoralidade e à desobediência aos princípios éticos. Art. 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do patrimônio público e social, nos termos desta Lei. (Redação da Lei 14.230/2021) VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) 2. PRINCIPAIS MUDANÇAS NA LEI DE IMPROBIDADE EM 2021: 1. ATO DE IMPROBIDADE EXIGE DOLO. RETIRADA DA FORMA CULPOSA DO ART. 10 2. Somente o MP é legitimado para propor a ação; Julgado inconstitucional pela ADI 7043 3. Alteração no art. 12 que estabelece as sanções. Especialmente, nos prazos de suspensão dos direitos políticos; 4. Alteração nas regras sobre prescrição. Art. 23 estabelece prazo único de 8 anos. 5. Nepotismo previsto expressamente como ato de improbidade. 6. Casos de interrupção da prescrição. 7. Não há mais notificação prévia do acusado no processo judicial. Antes, o juiz notificava o acusado para que este se defendesse e, só depois, o juiz analisava o processo. 8. Comunicação de decisões da esfera penal e cível nas ações de improbidade. A regra é a não comunicação das instâncias, mas as condenações na esfera penal repercutirão na ação cível de improbidade. Além disso, outra sentença cível que tenha relação com o ato de improbidade também irá repercutir na ação de improbidade. 3. FONTE CONSTITUCIONAL: Dispositivos não relacionados à Lei de Improbidade Administrativa: • Art. 14, §9º, improbidade eleitoral; • Art. 15, V, suspensão dos direitos políticos; • Art. 85, V, crimes de responsabilidades do presidente. O art. 37, §4º, CF, caracteriza a improbidade administrativa, criada pela Lei 8.429/92 (Lei do Colarinho Branco). São sanções por ato de improbidade: • O ressarcimento; 2 • A perda da função; • A suspensão dos direitos políticos; e • A indisponibilidade de bens. 4. FONTE LEGAL: A Lei 8.429/92 dispõe sobre os aspectos e características da improbidade administrativa. Era chamada de lei do colarinho branco, mas que não trouxe os maiores efeitos desejados. Esta lei é de âmbito nacional, e não de âmbito federal. Há quem diga que a competência para legislar sobre improbidade é da União, regra implícita do art. 22, I, CF, já que as medidas de improbidade tratam sobre direito eleitoral e direito civil. Assim, é uma lei aplicada a todos os entes. Contudo, segundo MARIA SYLVIA DI PIETRO, nem todo o seu conteúdo apresenta caráter nacional, ou seja, seria de natureza majoritariamente de lei nacional. Tudo porque, entende a professora DI PIETRO, algumas normas previstas no diploma em questão têm caráter estritamente administrativo, de modo que, neste tocante, cada unidade federativa ostenta competência legislativa para estabelecer suas próprias regras. Essa posição foi cobrada pelo CESPE: CESPE - 2015 - Telebras - Analista Superior Como a lei de improbidade administrativa tem abrangência nacional, não há nenhuma margem para o exercício da competência legislativa concorrente e complementar por parte de estado da Federação. ERRADA A ADI 2182 discutiu a inconstitucionalidade formal da Lei 8.29/92. O STF decidiu pela improcedência da ação. Ocorreu no momento do projeto que da casa iniciadora passou-se para a casa revisora, que emendou e passou para a iniciadora e modificou a emenda e mandou para sanção. Discutiu-se esse procedimento. O STF entendeu que não ocorreu a modificação da emenda. (Informativo 586, 12 de maio de 2010) 5. OUTRAS FORMAS DE CONDENAÇÃO POR IMPROBIDADE Não é apenas de acordo com Lei de Improbidade que um agente público pode ser punido por improbidade administrativa. Art. 1º. (...) §1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor A exemplo, temos, dentre outros: 1) Estatuto da Cidade, art. 52, caput: "Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos e da aplicação de outras sanções cabíveis, o Prefeito incorre em improbidade administrativa, nos termos da Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, quando: (...) 2) Lei Geral de Proteção de Dados, art. 23, I, por meio do entendimento do STF: "A transgressão dolosa ao dever de publicidade estabelecido no art. 23, inciso I, da LGPD, fora das hipóteses constitucionais de sigilo, importará a responsabilização do agente estatal por ato de improbidade administrativa, nos termos do art. 11, inciso IV, da Lei nº 8.429/92, sem prejuízo da aplicação das sanções disciplinares previstas nos estatutos dos servidores públicos federais, municipais e estaduais. ADI 6649/DF e ADPF 695/DF, Informativo 1068. 3 3) Lei de Conflito de Interesses, nº 12.813/2013: "Art. 6º Configura conflito de interesses após o exercício de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal: (...) Parágrafo único. A infração ao disposto no caput caracteriza ato de improbidade administrativa. 6. NATUREZA JURÍDICA: O ilícito de improbidade administrativa possui natureza civil. É um ilícito civil, assim decidiu o STF nas ADI’s 2860 e 2797. MPE-SP - 2019 - MPE-SP - Promotor de Justiça Substituto Assinale a alternativa INCORRETA. a) Compete à Câmara Municipal o julgamento das contas do chefe do Poder Executivo municipal, tanto as de governo quanto as de gestão, com o auxílio dos tribunais de contas, que emitirão parecer prévio, cuja eficácia impositiva subsiste e somente deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos membros da Casa Legislativa. b) O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa. c) A decisão irrecorrível da Câmara Municipal que rejeite por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, torna o Prefeito inelegível, para qualquer cargo, às eleições que se realizarem nos oito anos seguintes, contados a partir da data da decisão. d) Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de responsabilidade solidária. e) A gravidade das sanções previstas no art. 37, § 4o, da Constituição Federal, reveste a ação de improbidade administrativa de natureza penal, justificando o foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais. Contudo, uma mesma conduta pode caracterizar um crime no CP como um ato de improbidade ou como ilícito funcional estipulado pelo Estatuto. Se for ilícito administrativo ou infração funcional, processa-se por um PAD. Essa mesma conduta funcional e penal, também poderá ser ato de improbidade, desde que seja ajuizada ação civil com este fim. CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia Em fevereiro de 2018, o delegado de polícia de uma cidade determinou a realização de diligências para apurar delito de furto em uma padaria do local. Sem mandado judicial, os agentes de polícia conduziram um suspeito à delegacia. Interrogado pelos próprios agentes, o suspeito negou a autoria do crime e, sem que lhe fosse permitidodo erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no §1º do art. 37 da Constituição Federal, de forma a promover inequívoco enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Promover promoção pessoal: CF. Art. 37. §1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. 27 FGV – 2023 – TJ-PR – Juiz de Direito Por determinação de José Goiaba, prefeito do Município da Boa Fruta, em todas as obras municipais foram apostas placas confeccionadas com recursos do erário local, contendo a seguinte inscrição: “Governo Zé Goiaba: o melhor da Boa Fruta”. À luz da legislação de regência dos atos de improbidade administrativa, o ato do prefeito é ilícito e punível com multa e proibição de contratar com o poder público por prazo não superior a quatro anos. CERTA 17. CONDUTAS ANTERIORES À REFORMA DA LEI 14.230, DE 2021 E JURISPRUDÊNCIA: Tortura como ato de improbidade administrativa violador implícito dos princípios da administração (Dizer o direito): A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. STJ. 1ª Seção. REsp 1.177.910-SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 26/8/2015 (Info 577). Para o STJ é injustificável que a tortura praticada por servidor público, um dos atos mais gravosos à dignidade da pessoa humana e aos direitos humanos, seja punido apenas no âmbito disciplinar, civil e penal, afastando-se a aplicação da Lei da Improbidade Administrativa. Eventual punição administrativa do servidor não impede a aplicação das penas da Lei de Improbidade Administrativa, porque os objetivos de ambas as esferas são diversos e as penalidades previstas na Lei nº 8.429/92, mais amplas. A situação adaptada foi a seguinte: Dois policiais prenderam um homem em flagrante e passaram a torturá-lo para que confessasse. O Ministério Público ajuizou ação de improbidade contra os policiais. A defesa alegou que não ficou caracterizado ato de improbidade, uma vez que este pressupõe, obrigatoriamente, uma lesão direta à própria Administração e não a terceiros, haja vista que o bem jurídico que se deseja proteger é a probidade na Administração Pública. No caso concreto, não teria havido lesão à Administração, mas apenas ao particular (preso). Universo das vítimas protegidas pela Lei 8.429/92: A Lei nº 8.429/92 não prevê expressamente quais seriam as vítimas mediatas ou imediatas da atividade ímproba para fins de configuração do ato ilícito. Dever convencional, constitucional e legal de o Estado reprimir tais condutas: No caso concreto, a conduta dos policiais afrontou não só a Constituição da República (arts. 1º, III, e 4º, II) e a legislação infraconstitucional, mas também tratados e convenções internacionais, a exemplo da Convenção Americana de Direitos Humanos (Decreto nº 678/92). Situação se enquadra no art. 11 da Lei nº 8.429/92: O legislador, ao prever, no art. 11 da Lei nº 8.429/92, que constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de lealdade às instituições, findou por tornar de interesse público, e da própria Administração, a proteção da legitimidade social, da imagem e das atribuições dos entes/entidades estatais. Daí resulta que atividade que atente gravemente contra esses bens imateriais tem a potencialidade de ser considerada improbidade administrativa. Publicidade governamental que não tenha fins educacionais, informativos e de orientação social Configura ato de improbidade administrativa a propaganda ou campanha publicitária que tem por objetivo promover favorecimento pessoal, de terceiro, de partido ou de ideologia, com utilização indevida da máquina pública. 28 STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 496.566/DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 27/05/2014. Dizer O Direito. Contratação irregular de servidores temporários Configura ato de improbidade administrativa a contratação temporária irregular de pessoal (sem qualquer amparo legal) porque importa em violação do princípio constitucional do concurso público. STJ. 1ª Turma. REsp 1403361/RN, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 03/12/2013. Dizer O Direito. 18. SANÇÕES APLICÁVEIS: Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor I - na hipótese do art. 9º desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 14 (catorze) anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 14 (catorze) anos; II - na hipótese do art. 10 desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 12 (doze) anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 (doze) anos; III - na hipótese do art. 11 desta Lei, pagamento de multa civil de até 24 (vinte e quatro) vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 4 (quatro) anos; Previsão constitucional: Para fins de direito administrativo, a previsão mais importante é a do Art. 37. §4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. Assim, de acordo com o §4º do art. 37 da CF/88, se a pessoa praticar um ato de improbidade administrativa, estará sujeita às seguintes sanções: • SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS; • PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA; • INDISPONIBILIDADE DOS BENS e • RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. Esse rol de sanções na CF é exemplificativo ou exaustivo? A lei infraconstitucional poderia prever outras punições, assim como a Lei 8.429/92 fez? SIM. Para a maioria da doutrina e jurisprudência, o rol de sanções trazido pelo §4º do art. 37 da CF/88 é exemplificativo e poderia ser ampliado pela Lei 8.429/92. 29 CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal João, servidor público responsável pelo setor financeiro de uma autarquia federal, sem observar as formalidades legais necessárias, facilitou a incorporação, ao patrimônio particular de entidade privada sem fins lucrativos, de valores a ela repassados mediante a celebração de parceria. Nessa situação hipotética, conforme a legislação e a doutrina a respeito de improbidade administrativa e regime disciplinar do servidorpúblico federal, João poderá ser condenado, no âmbito judicial, ao ressarcimento integral do dano, à suspensão dos seus direitos políticos e ao pagamento de multa. CERTO As sanções independem do ressarcimento integral do dano: Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia Em havendo o ressarcimento integral e efetivo do dano pelo sujeito ativo do ato de improbidade administrativa que cause prejuízo ao erário ou enriquecimento ilícito, não lhe serão aplicáveis as sanções alusivas à perda de bens ou valores. ERRADA Aplicação isolada ou cumulada: Estas sanções deverão ou ser aplicadas isoladamente ou cumulativamente todas ou algumas das sanções desde que da mesma lista. Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: QUADRO DAS SANÇÕES: ART. 9º ENRIQUECIMENTO ART. 10 LESÃO ART. 11 PRINCÍPIOS Perda da função Perda da função NÃO TEM Perda dos bens Perda dos bens NÃO TEM Ressarcimento Ressarcimento NÃO TEM Suspensão de 14 anos dos direitos políticos (decore: enriquecimento ilícito tem 14 letras, 14 anos é a pena da suspensão e da proibição de contratar) Suspensão de 12 anos dos direitos políticos NÃO TEM 30 Multa (pena pecuniária) equivalente ao valor do acréscimo patrimonial Multa (pena pecuniária) equivalente ao valor do DANO Multa (pena pecuniária) até 24x a sua remuneração (caso não tenha, STJ diz que será de acordo com o Salário-Mínimo) (decore: VIolação = VInte e quatro) Proibição de contratar ou receber e participar de licitação NÃO SUPERIOR 14 anos Proibição de contratar ou receber e participar de licitação NÃO SUPERIOR 12 anos Proibição de contratar e participar de licitação por 3 anos Com a nova Lei de improbidade, quem atenta contra princípios agora não perde mais função pública e não suspende mais os direitos políticos. Quando se trata de ato de improbidade administrativa por violação dos princípios, só existem as sanções de multa e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos. CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Três agentes públicos do estado do Acre, no exercício de suas funções, cometeram atos de improbidade administrativa: Frederico praticou ato que importou em enriquecimento ilícito; Rafael, um ato que causou prejuízo ao erário; e Josias, ato que atentou contra os princípios da administração pública. Nessa situação hipotética, nos termos da Lei n.º 8.429/1992, a penalidade de perda do cargo é aplicável a a) Josias e Rafael, somente. b) Rafael e Frederico, somente. c) Frederico, somente. d) Josias, somente. e) Rafael, somente. Inaplicabilidade das sanções por ato de improbidade administrativa abaixo do mínimo legal: No caso de condenação pela prática de ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, as penalidades de suspensão dos direitos políticos e de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios não podem ser fixadas abaixo de 3 anos, considerando que este é o mínimo previsto no art. 12, III, da Lei nº 8.429/92. Não existe autorização na lei para estipular sanções abaixo desse patamar. STJ. 2ª Turma. REsp 1.582.014-CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7/4/2016 (Info 581). Perda da função em relação a cargo em exercício (§1º): REGRA: Perda da função em relação ao cargo que ele esteja exercendo, ou no cargo de vínculo de mesma qualidade e natureza. EXCEÇÃO: No caso de enriquecimento ilícito e em caráter excepcional, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração, a perda da função poderá dos demais vínculos. Art. 12. §1º A sanção de perda da função pública, nas hipóteses dos incisos I (enriquecimento ilícito) e II (lesão ao erário) do caput deste artigo, atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração, podendo 31 o magistrado, na hipótese do inciso I (enriquecimento ilícito) do caput deste artigo, e em caráter excepcional, estendê-la aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) O relator da ADI 7236, no STF, Min Alexandre de Moraes, em sede de cautelar, suspendeu este §1º do art. 12 porque a probidade administrativa impõe a perda da função pública independentemente do cargo ocupado no momento da condenação. Além disso, o relator considerou que a medida pode eximir determinados agentes da sanção por meio da troca de função ou no caso de demora no julgamento da causa. CESPE - 2022 - MPE-TO - Promotor de Justiça Substituto No caso de condenação à perda da função pública, a eficácia da decisão judicial deve alcançar qualquer vínculo atual do réu com o serviço público, ainda que diverso do existente quando do cometimento da improbidade. ERRADA Aplicação da pena de perda da função pública a membro do MP em ação de improbidade administrativa1 Comentários do Dizer o Direito ao seguinte julgado: STJ. 1ª Turma. REsp 1.191.613-MG, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 19/3/2015 (Info 560). O membro do Ministério Público pode ser processado e condenado por ato de improbidade administrativa? SIM. É pacífico o entendimento de que o Promotor de Justiça (ou Procurador da República) pode ser processado e condenado por ato de improbidade administrativa, com fundamento na Lei 8.429/92. Mesmo gozando de vitaliciedade e a Lei prevendo uma série de condições para a perda do cargo, o membro do MP, se for réu em uma ação de improbidade administrativa, poderá ser condenado à perda da função pública? O membro do MP pode ser réu em uma ação de improbidade de que trata a Lei 8.429/92 e, ao final, ser condenado à perda do cargo mesmo sem ser adotado o procedimento da Lei 8.625/93 e da LC 75/93? SIM. O STJ decidiu que é possível, no âmbito de ação civil pública de improbidade administrativa, a condenação de membro do Ministério Público à pena de perda da função pública prevista no art. 12 da Lei 8.429/92. A Lei 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do MP) e a LC 75/93 preveem uma série de regras para que possa ser ajuizada ação civil pública de perda do cargo contra o membro do MP. Tais disposições impedem que o membro do MP perca o cargo em ação de improbidade? NÃO. Segundo o STJ, o fato de essas leis preverem a garantia da vitaliciedade aos membros do MP e a necessidade de ação judicial para a aplicação da pena de demissão não significa que elas proíbam que o membro do MP possa perder o cargo em razão de sentença proferida na ação civil pública por ato de improbidade administrativa. Essas leis tratam dos casos em que houve um procedimento administrativo no âmbito do MP para apuração de fatos imputados contra o Promotor/Procurador e, sendo verificada qualquer das situações 1 https://www.dizerodireito.com.br/2015/06/informativo-esquematizado-560-stj_9.html https://www.dizerodireito.com.br/2015/06/informativo-esquematizado-560-stj_9.html 32 previstas nos incisos do § 1º do art. 38, deverá obter-se autorização do Conselho Superior para o ajuizamentode ação civil específica. Desse modo, tais leis não cuidam de improbidade administrativa e, portanto, nada interferem nas disposições da Lei 8.429/92. Em outras palavras, existem as ações previstas na LC 75/93 e na Lei 8.625/93, mas estas não excluem (não impedem) que o membro do MP também seja processado e condenado pela Lei 8.429/92. Os dois sistemas convivem harmonicamente. Um não exclui o outro. Se o membro do MP praticou um ato de improbidade administrativa, ele poderá ser réu em uma ação civil e perder o cargo? Essa ação deverá ser proposta segundo o rito da lei da carreira (LC 75/93 / Lei 8.625/93) ou poderá ser proposta nos termos da Lei 8.429/92? SIM. O membro do MP que praticou ato de improbidade administrativa poderá ser réu em uma ação civil e perder o cargo. Existem duas hipóteses possíveis: • Instaurar o processo administrativo de que trata a lei da carreira (LC 75/93: MPU / Lei 8.625/93: MPE) e, ao final, o PGR ou o PGJ ajuizar ação civil de perda do cargo contra o membro do MP. • Ser proposta ação de improbidade administrativa, nos termos da Lei 8.429/92. Neste caso, não existe legitimidade exclusiva do PGR ou PGJ. A ação poderá ser proposta até mesmo por um Promotor de Justiça (no caso do MPE) ou Procurador da República (MPF) que atue em 1ª instância. Multa pode ser aumentada até o dobro (§2º): Art. 12. §2º A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, o valor calculado na forma dos incisos I, II e III do caput deste artigo é ineficaz para reprovação e prevenção do ato de improbidade. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Sanção à PJ e manutenção de suas atividades (§3º): Art. 12. §3º Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos e sociais das sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Sanção aplicada contra a pessoa jurídica não pode levá-la ao encerramento de suas atividades. Sanção de proibição de contratação (§§4º e 8º): Art. 12. §4º Em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a sanção de proibição de contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade, observados os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da pessoa jurídica, conforme disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §8º A sanção de proibição de contratação com o poder público deverá constar do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, observadas as limitações territoriais contidas em decisão judicial, conforme disposto no § 4º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Atos de menor ofensa (§5º): 33 Art. 12. §5º No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados por esta Lei, a sanção limitar-se-á à aplicação de multa, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da perda dos valores obtidos, quando for o caso, nos termos do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Apesar da jurisprudência do STJ não admitir a aplicação do princípio da insignificância para os atos de improbidade administrativa, veio a Lei nº 14.230/2021 acrescentou a disposição acerca de ato de menor ofensa. Sobre a aplicação do princípio da insignificância pelo STJ: MASSON, ANDRADE e ANDRADE (Interesses, 2016, p. 738-739) entendem que o valor da moralidade administrativa deve ser objetivamente considerado, não comportando relativização a ponto de permitir "só um pouco" uma ofensa à probidade administrativa. Não se tolera a pequena ofensa ao patrimônio público, já que no Brasil vige o princípio da indisponibilidade do interesse público. Por isso, não pode ser aplicado o princípio da insignificância no âmbito da Lei de Improbidade Administrativa, conforme já decidido pelo STJ no REsp nº 892.818/RS. Para os autores, a extensão do dano não deve ser levada em consideração pelo juiz no momento da tipificação da conduta (juízo de improbidade da conduta), mas no momento da aplicação da pena (juízo de dosimetria), sob a luz da proporcionalidade. No mais, assim ficou ementado o julgado da 1ª Seção do STJ (que reúne 1ª e 2ª Turmas do STJ - que julgam casos de Direito Público), relatado pelo Min. Herman Benjamin (MS nº 21.715/DF, j. 23.11.16): MANDADO DE SEGURANÇA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PREJUÍZO AO ERÁRIO. ELEMENTO VOLITIVO. CULPA RECONHECIDA PELA IMPETRANTE. SANÇÃO. DEMISSÃO. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. Impossibilidade de dupla condenação (§§6º e 7º): Art. 12. §6º Se ocorrer lesão ao patrimônio público, a reparação do dano a que se refere esta Lei deverá deduzir o ressarcimento ocorrido nas instâncias criminal, civil e administrativa que tiver por objeto os mesmos fatos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §7º As sanções aplicadas a pessoas jurídicas com base nesta Lei e na Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, deverão observar o princípio constitucional do non bis in idem. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) HOJE, a lei determina a dedução do que for pago a ressarcir em outra instância. E determina a observação ao princípio constitucional do non bis in idem. Pode parecer contraditório, mas, em resumo, quis dizer a Lei que poderá ser condenado duas vezes pelo mesmo fato só observando o somatória das sanções ou deduções. Veja o seguinte caso anterior a Lei nº 14.230, de 2021. Um Prefeito foi condenado duas vezes a ressarcir o dano ao erário: uma pelo TCU e outra por ação civil pública por improbidade administrativa pelo Poder Judiciário. Esse Prefeito recorreu contra decisão argumentando que foi vítima de bis in idem. O STJ decidiu que as instâncias judicial e administrativa não se confundem, podendo ser punido duas vezes DESDE QUE no momento do segundo pagamento, seja feito o abatimento do valor que foi pago na primeira execução que foi movida. O que não se permite é a constrição patrimonial além do efetivo prejuízo apurado. Não configura bis in idem a coexistência de título executivo extrajudicial (acórdão do TCU) e sentença condenatória em ação civil pública de improbidade administrativa que determinam o ressarcimento ao erário e se referem ao mesmo fato, desde que seja observada a dedução 34 do valor da obrigação que primeiramente foi executada no momento da execução do título remanescente. STJ. 1ª Turma. REsp 1.413.674-SE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Rel. para o acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 17/5/2016 (Info 584). (Dizer o Direito) 6. As instâncias judicial e administrativa não se confundem, razão pela qual a fiscalização do TCU não inibe a propositura da ação civil pública, tanto mais que, consoante informações prestadas pela autoridade coatora, “na hipótese de ser condenada ao final do processo judicial, bastaria à Impetrante a apresentação dos documentos comprobatórios da quitação do débito na esfera administrativa ou vice-versa.”. Assim, não ocorreria duplo ressarcimento em favor da União pelo mesmo fato. (...) STF. 1ª Turma. MS 26969, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/11/2014. Por outro lado, com a Lei nº 14.230/2021, passou a configurar bis in idem a aplicação de sanções por improbidade administrativa e as aplicadas a pessoas jurídicas com base na Lei nº 12.846/2013 (Anticorrupção). Art. 3º §2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013. Trata-se de novidade na legislação cível, já que a aplicação do princípio da vedação ao bis in idem é comum apenas na esfera penal. Além disso, há mitigação da independência dasinstâncias, conforme prevê o art. 21, § 4º, da LIA: Art. 21. §4º A absolvição criminal em ação que discuta os mesmos fatos, confirmada por decisão colegiada, impede o trâmite da ação da qual trata esta Lei, havendo comunicação com todos os fundamentos de absolvição previstos no art. 386 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Na fase de cumprimento de sentença, podem até ser unificadas as sanções aplicadas em outros processos. Art. 18-A. A requerimento do réu, na fase de cumprimento da sentença, o juiz unificará eventuais sanções aplicadas com outras já impostas em outros processos, tendo em vista a eventual continuidade de ilícito ou a prática de diversas ilicitudes, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia Considerada a disciplina legal acerca da improbidade administrativa, observada a Lei n.º 8.429/1992 (LIA) com as alterações promovidas pela Lei n.º 14.230/2021, assinale a opção correta a) A constatação do caráter culposo do ato praticado por quem exerce a função pública não se revela suficiente para afastar a caracterização de ato de improbidade administrativa. b) Os sócios, cotistas e diretores de pessoa jurídica de direito privado, via de regra, respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica. c) O sucessor de quem que causar dano ao erário está sujeito à obrigação de reparar os cofres públicos até o limite do valor do patrimônio transferido, exceto nas hipóteses de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. d) Não obstante a independência entre as instâncias civil, penal e administrativa, em caso de lesão ao patrimônio público em decorrência de ato de improbidade, a reparação do dano deverá deduzir o ressarcimento já efetuado nas demais instâncias que tiverem por objeto os mesmos fatos. e) Em havendo o ressarcimento integral e efetivo do dano pelo sujeito ativo do ato de improbidade administrativa que cause prejuízo ao erário ou enriquecimento ilícito, não lhe serão aplicáveis as sanções alusivas à perda de bens ou valores. 35 Inexistência de execução provisória (§9º): Art. 12. §9º As sanções previstas neste artigo somente poderão ser executadas após o trânsito em julgado da sentença condenatória. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória. Apesar disso, é possível o afastamento do servidor, o que não quer dizer ser aplicação da sanção de perda de cargo. Art. 20. §1º A autoridade judicial competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, do emprego ou da função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida for necessária à instrução processual ou para evitar a iminente prática de novos ilícitos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §2º O afastamento previsto no § 1º deste artigo será de até 90 (noventa) dias, prorrogáveis uma única vez por igual prazo, mediante decisão motivada. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) No regime anterior, era possível a execução provisória da sentença condenatória da maior parte das sanções, como a proibição de contratar, por exemplo. Contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos (§10º): O relator da ADI 7236, no STF, Min Alexandre de Moraes, em sede de cautelar, suspendeu este §10º do art. 12, porque podem afetar a inelegibilidade prevista na Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/1990). Ele observou que a suspensão dos direitos políticos por improbidade administrativa (artigo 37, §4º, da Constituição) não se confunde com a inelegibilidade da Lei de Inelegibilidade (artigo 1º, inciso I, alínea l, da LC 64/1990). Apesar de complementares, são previsões diversas, com diferentes fundamentos e consequências, que, inclusive, admitem a cumulação. §10. Para efeitos de contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos, computar-se- á retroativamente o intervalo de tempo entre a decisão colegiada e o trânsito em julgado da sentença condenatória. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 19. DEMISSÃO POR NÃO DECLARAÇÃO DE BENS: Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de imposto de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) § 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) §2º A declaração de bens a que se refere o caput deste artigo será atualizada anualmente e na data em que o agente público deixar o exercício do mandato, do cargo, do emprego ou da função. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) §3º Será apenado com a pena de demissão, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar a declaração dos bens a que se refere o caput deste artigo dentro do prazo determinado ou que prestar declaração falsa. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE - 2015 - Prefeitura de Salvador - BA - Procurador do Município O agente público que se recusar a apresentar declaração dos seus bens dentro do prazo determinado deverá ser punido com suspensão, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. ERRADA FCC - 2021 - DPE-BA - Defensor (A) Público (A) 36 Conforme o disposto na Lei n° 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), o agente público tem sua posse e exercício condicionados à apresentação de declaração de bens e valores que compõem seu patrimônio privado, que deve ser anualmente atualizada, sob pena de a) Quaisquer das sanções previstas em seu regramento disciplinar, a depender da recusa apurada em procedimento contraditório próprio, considerados seus antecedentes funcionais. b) Pagamento de multa em favor dos cofres públicos, na esfera federativa a qual atende. c) Suspensão, com duração até a entrega efetiva da declaração ou até o prazo máximo de 20 (vinte) dias. d) Demissão, a bem do serviço público, caso se recuse a fazê-lo, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. e) Censura, desde que apresente a declaração em até 15 (quinze) dias de sua notificação formal. 20. AÇÃO DE IMPROBIDADE: (Dizer O Direito) Natureza jurídica da ação de improbidade Possui natureza de ação civil pública, porém não é caso de se intitular a ação como ação civil pública, até mesmo porque possui lei própria e específica. Art. 17-D. A ação por improbidade administrativa é repressiva, de caráter sancionatório, destinada à aplicação de sanções de caráter pessoal previstas nesta Lei, e não constitui ação civil, vedado seu ajuizamento para o controle de legalidade de políticas públicas e para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz Norma estadual inconstitucional por criar foro privilegiado Recentemente, o STF analisou dispositivo da Constituição do Estado do Espírito Santo, alterada pela Emenda 85/2012, que dizia o seguinte: Art. 109. Compete, ainda, ao Tribunal de Justiça: I – processar e julgar, originariamente: h – nas ações que possam resultar na suspensão ou perda dos direitos políticos ou na perda da função pública ou de mandato eletivo, aqueles que tenham foro no Tribunal de Justiça por prerrogativa de função, previsto nesta Constituição; Ou seja, estabeleceu, em outras palavras, que ações cíveis, como a de improbidade administrativa, seriam julgados pelo TJ, se a autoridade tivesse algum foro determinado naquela Constituição. Sutilmente, com outras palavras, houve o estabelecimento de foro privilegiado paraimprobidade administrativa, já que nessa demanda haverá sanção de suspensão ou perda dos direitos políticos ou na perda da função pública ou de mandato eletivo. Contrariando os fundamentos acima. Assim, estabeleceu-se: É incompatível com a Constituição Federal norma de Constituição estadual que disponha sobre nova hipótese de foro por prerrogativa de função, em especial relativo a ações destinadas a processar e julgar atos de improbidade administrativa. STF. Plenário. ADI 4870/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/12/2020 (Info 1002). Prova emprestada: A prova emprestada é aquela produzida em um processo, podendo ser de vários tipos - documental, pericial, testemunhal etc., e utilizada em um outro processo, na forma documental. Esta prova é permitida no processo administrativo: 37 SÚMULA 591 DO STJ: É permitida a “prova emprestada" no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. CESPE / CEBRASPE - 2018 - PGM - Manaus - AM - Procurador do Município Não é permitida a utilização de prova emprestada do processo penal nas ações de improbidade administrativa. ERRADO Não obrigatoriedade de Inquérito Civil: Sendo necessária a produção de provas, poderá ser preparada por meio de Inquérito Civil, não necessariamente será obrigatória a instauração de Inquérito Civil, somente se for necessário para instruir a ação. Legitimados: Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo Ministério Público (e pessoas jurídicas lesadas, de acordo com a ADI do STF) e seguirá o procedimento comum previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), salvo o disposto nesta Lei. Inicialmente, com a redação dada pela Lei 14.230/2021, somente o Ministério Público teria legitimidade para propor ação de improbidade e para celebrar acordo de não persecução cível. O STF julgou inconstitucional tal mudança para legitimidade exclusiva do MP. Assim, o STF restabeleceu a legitimidade ativa concorrente e disjuntiva entre o MP e as pessoas jurídicas interessadas para a propositura da ação por ato de improbidade administrativa e para a celebração de acordos de não persecução civil. FGV - 2023 - TJ-MS - Juiz Substituto / CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor Ou seja, pessoa jurídica lesada e o MP são legitimados para ajuizar a ação de improbidade administrativa. Veja os comentários do blog Dizer o Direito2: Os entes públicos que sofreram prejuízos em razão de atos de improbidade também estão autorizados, de forma concorrente com o Ministério Público, a propor ação e a celebrar acordos de não persecução civil em relação a esses atos. STF. Plenário. ADI 7042/DF e ADI 7043/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 31/8/2022 (Info 1066). Diante disso, o STF julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados na ação direta para: a) declarar a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do caput e dos §§ 6º-A e 10-C do art. 17, assim como do caput e dos §§ 5º e 7º do art. 17-B, da Lei nº 8.429/92, na redação dada pela Lei 14.230/2021, de modo a restabelecer a existência de legitimidade ativa concorrente e disjuntiva entre o Ministério Público e as pessoas jurídicas interessadas para a propositura da ação por ato de improbidade administrativa e para a celebração de acordos de não persecução civil. b) declarar a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 14.230/2021. (nesse dispositivo previa que o MP deveria manifestar interesse nas ações em que a pessoa jurídica teria ajuizado a ação sozinha) CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto A respeito da responsabilização pela prática de ato de improbidade administrativa, é correto afirmar que o Ministério Público tem legitimidade extraordinária, concorrente e conjunta para propor ação civil pública para responsabilização por prática de ato de improbidade. ERRADA 2 https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html 38 FGV - 2023 - TJ-MS - Juiz Substituto O Município X ajuizou, em janeiro de 2023, ação de improbidade administrativa em face de Tício, requerendo, entre outros pedidos, o ressarcimento ao erário pelos danos causados, tendo sido aduzida por Tício preliminar de ilegitimidade ativa para a causa. De acordo com o atual entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que: a) A ação para a aplicação das sanções de que trata a Lei nº 14.230/2021 deve ser proposta exclusivamente pelo Ministério Público; b) Ao Município é permitida, apenas, a participação na celebração de acordo de não persecução cível como interessado no ressarcimento ao erário, e não como parte autora em ação de improbidade; c) O ente público que tiver sofrido prejuízo em razão de atos de improbidade é legitimado concorrente com o Ministério Público a propor ação de improbidade administrativa; d) São totalmente constitucionais as regras de legitimidade para a propositura de ação civil por ato de improbidade administrativa trazidas pela Lei nº 14.230/2021; e) O ente público que tiver sofrido prejuízo em razão de atos de improbidade é legitimado a propor ação civil por tais atos, sendo-lhe vedada a celebração de acordo de não persecução cível, atribuição exclusiva do Parquet. Competência: §4º-A A ação a que se refere o caput deste artigo deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa jurídica prejudicada. A competência territorial será o local do dano ou da pessoa jurídica. Existe foro por prerrogativa de função: REGRA: Não existe. Competência é do 1º grau. EXCEÇÃO: Ministros do STF. A primeira instância, como já mencionado acima. Inobstante isto, o STJ já proferiu julgado que seus ministros não poderiam ser julgados por juiz de primeira instância somente pelo próprio Tribunal. O STF já julgou que a competência é para o primeiro grau, exceto para os seus próprios Ministros. (ADI 2797 e 2860). Inexistência de foro privilegiado: Já dito acima que prevalece no STF que o agente político responderá por ato de improbidade na 1ª Instância. Fundamento se dá em três argumentos centrais: a) competência privativa da União para legislar sobre direito processual; b) natureza reconhecidamente cível da ação de improbidade administrativa; e c) impossibilidade de a Constituição Estadual criar hipóteses de foro por prerrogativa de função em desacordo com o modelo da Constituição Federal (violação à simetria). FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto O prefeito do Município Alfa, agindo em comunhão de ações e desígnios com o delegado de Polícia Civil da cidade, frustrou a licitude de processo licitatório, a fim de beneficiar João, particular sócio administrador de uma sociedade empresária, que foi contratada ilegalmente pelo Município. Sabe-se que João é irmão do delegado e que o ato ilícito causou um dano ao erário no montante de cem mil reais. O Ministério Público ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa e requereu a indisponibilidade de bens dos demandados. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, são sujeitos ativos do ato de improbidade em tela: 39 a) O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendo que, para o deferimento da indisponibilidade de bens, basta a comprovação do fumus boni iuris, pois o periculum in mora é presumido; b) O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada originariamente no Tribunal de Justiça, sendo que, para o deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação do fumus boni iurise do periculum in mora; c) O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendoque, para o deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação de que os demandados estariam dilapidando efetivamente seu patrimônio ou na iminência de fazê-lo; d) O prefeito e o delegado, devendo a ação ser ajuizada originariamente no Tribunal de Justiça, sendo que, para o deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação de que os demandados estariam dilapidando efetivamente seu patrimônio ou na iminência de fazê-lo; e) O prefeito e o delegado, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendo que, para o deferimento da indisponibilidade de bens, é necessária a comprovação dos requisitos da tutela de urgência, ou seja, fumus boni iurise periculum in mora concreto. CESPE / CEBRASPE - 2020 - Ministério da Economia - Técnico de Complexidade Intelectual - Direito Ação de improbidade administrativa deve ser processada e julgada nas instâncias ordinárias, ainda que proposta contra agente político que tenha foro privilegiado. CERTO CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de Entrância Inicial Lúcio, conselheiro de tribunal de contas estadual, Pierre, prefeito de município, e Mário, desembargador de tribunal de justiça estadual, cometeram ato de improbidade administrativa, previsto na Lei n.º 8.429/1992. Nessa situação hipotética, no âmbito do Poder Judiciário, deverá ocorrer o processamento e julgamento em 1.ª instância de Lúcio, Pierre e Mário. CERTO CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto Prefeito de determinado município deixou de cumprir obrigação legal de prestar contas à respectiva câmara municipal. O Ministério Público estadual ajuizou ação de improbidade administrativa pelo ato praticado pelo prefeito no exercício de seu mandato. Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa e com a jurisprudência dos tribunais superiores, caberia a ação por improbidade, desde que observado o foro especial por prerrogativa de função para o seu ajuizamento. ERRADA Competência para julgar ação contra ex-prefeito que não prestou contas de convênio federal: Determinado Município ajuizou Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa contra o ex-prefeito da cidade, sob o argumento de que este, enquanto prefeito, firmou convênio com órgão/entidade federal e recebeu recursos para aplicar em favor da população e, no entanto, não prestou contas no prazo devido, o que fez com o que o Município fosse incluído no cadastro negativo da União, estando, portanto, impossibilitado de receber novos recursos federais. Esta ação de improbidade administrativa deverá ser julgada pela Justiça Federal ou Estadual? REGRA: Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça Federal) processar e julgar ação civil pública de improbidade administrativa na qual se apure irregularidades na prestação de contas, por ex-prefeito, relacionadas a verbas federais transferidas mediante convênio e incorporadas ao patrimônio municipal. 40 EXCEÇÃO: Será de competência da Justiça Federal se a União, autarquia federal, fundação federal ou empresa pública federal manifestar expressamente interesse de intervir na causa porque, neste caso, a situação se amoldará no art. 109, I, da CF/88. STJ. 1ª Seção. CC 131.323-TO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 25/3/2015 (Info 559). O STJ possui dois enunciados muito conhecidos, mas NÃO SE APLICA TAIS ENUNCIADOS. Vamos relembrá-los: Súmula 208-STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal. Súmula 209-STJ: Compete à Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal. Esses enunciados foram editados pela 3ª Seção do STJ, que julga processos e recursos criminais. Desse modo, tais súmulas foram aprovadas, originalmente, para resolver questões relacionadas com a competência em matéria penal. Recebimento da inicial com aplicação do princípio do in dubio pro societate: A presença de indícios de cometimento de atos ímprobos autoriza o recebimento fundamentado da petição inicial nos termos do artigo 17, parágrafos 7º, 8º e 9º, da Lei 8.429/92, devendo prevalecer, no juízo preliminar, o princípio do in dubio pro societate. 1. A presença de indícios de cometimento de atos de improbidade autoriza o recebimento da petição inicial da ação civil pública destinada à apuração de condutas que se enquadrem à Lei nº 8429/92. Deve, assim, prevalecer o princípio do in dubio pro societate. Precedentes do STJ. (STJ. AgInt no REsp 1677792/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe 21/09/2018) Basta a demonstração de indícios razoáveis de prática de atos de improbidade e de sua autoria para que se determine o prosseguimento da ação, em obediência ao princípio “in dubio pro societate” (na dúvida, a favor da sociedade), a fim de possibilitar o maior resguardo do interesse público. (STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 286.366 - GO) CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal Com base nas disposições da Lei de Improbidade Administrativa e na jurisprudência do STJ acerca dos aspectos processuais da ação civil pública de responsabilização por atos de improbidade, julgue o item a seguir. Constatado indício de ato ímprobo, fica autorizado o recebimento fundamentado da petição inicial, devendo prevalecer, no juízo preliminar, o princípio do in dubio pro societate e cabendo, contra a decisão que receber a petição inicial, o agravo de instrumento. CERTO Prazo para contestação 30 dias Art. 17. (...) §7º Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a citação dos requeridos para que a contestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, iniciado o prazo na forma do art. 231 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz Conversão em ação civil pública Art.17. (...) §16. A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das sanções aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, 41 em decisão motivada, converter a ação de improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor Ônus da prova e presunção de veracidade em revelia: Art.17. (...) §19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) I - A presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor II - A imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil); (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Sem presunção de veracidade, mesmo havendo revelia. Sem inversão do ônus da prova. Vedação ao bis in idem Art.17. (...) §19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) III – o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, competindo ao Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de Ministérios Públicos distintos; CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor Remessa necessária: O STJ modificou o seu entendimento a respeito do tema e, no julgamento do EResp nº 1.220.667/MG, publicado no DJe em 30/06/17, decidiu que "a sentença que concluir pela carência ou pela improcedência de ação de improbidade administrativa está sujeita ao reexame necessário, com base na aplicação subsidiária do art. 475 do CPC/73e por aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da Lei n. 4.717/65" CESPE - 2018 - PGE-PE - Procurador do Estado De acordo com o STJ, a sentença que julgar improcedente a ação de improbidade administrativa se submeterá ao regime de reexame necessário, independentemente do valor atribuído à causa. CERTA Revisão das sanções impostas em sede de recurso especial As penalidades aplicadas em decorrência da prática de ato de improbidade administrativa podem ser revistas em recurso especial DESDE QUE esteja patente a violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. O STJ entende que isso não configura reexame de prova, não encontrando óbice na Súmula 7 da Corte (A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial). STJ. 1ª Seção. EREsp 1.215.121-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/8/2014 (Info 548). Inexistência de obrigatoriedade de a assessoria jurídica fazer a defesa do agente público3 3 https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html https://www.dizerodireito.com.br/2022/11/pessoa-juridica-interessada-continua.html 42 A Lei nº 14.230/2021 inseriu o §20 no art. 17 da Lei nº 8.429/92, com a seguinte redação: Art. 17. (...) §20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos praticados pelo administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso este venha a responder ação por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado. O STF declarou a inconstitucionalidade parcial, com redução de texto, desse §20 do art. 17 da Lei nº 8.429/92, para dizer que não existe “obrigatoriedade de defesa judicial”. O STF afirmou que existe a possibilidade dos órgãos da Advocacia Pública autorizarem a realização dessa representação judicial, por parte da assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos praticados pelo administrador público, nos termos autorizados por lei específica. No entanto, não existe – repito – obrigatoriedade para que isso aconteça. Em suma: Não deve existir obrigatoriedade de defesa judicial do agente público que cometeu ato de improbidade por parte da Advocacia Pública, pois a sua predestinação constitucional, enquanto função essencial à Justiça, identifica-se com a representação judicial e extrajudicial dos entes públicos. Contudo, permite- se essa atuação em caráter extraordinário e desde que norma local assim disponha. STF. Plenário. ADI 7042/DF e ADI 7043/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 31/8/2022 (Info 1066). CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor Sentença Art. 18. A sentença que julgar procedente a ação fundada nos arts. 9º e 10 desta Lei condenará ao ressarcimento dos danos e à perda ou à reversão dos bens e valores ilicitamente adquiridos, conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) §1º Se houver necessidade de liquidação do dano, a pessoa jurídica prejudicada procederá a essa determinação e ao ulterior procedimento para cumprimento da sentença referente ao ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §2º Caso a pessoa jurídica prejudicada não adote as providências a que se refere o §1º deste artigo no prazo de 6 (seis) meses, contado do trânsito em julgado da sentença de procedência da ação, caberá ao Ministério Público proceder à respectiva liquidação do dano e ao cumprimento da sentença referente ao ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens, sem prejuízo de eventual responsabilização pela omissão verificada. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §3º Para fins de apuração do valor do ressarcimento, deverão ser descontados os serviços efetivamente prestados. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §4º O juiz poderá autorizar o parcelamento, em até 48 (quarenta e oito) parcelas mensais corrigidas monetariamente, do débito resultante de condenação pela prática de improbidade administrativa se o réu demonstrar incapacidade financeira de saldá-lo de imediato. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz Nulidade de sentença Art. 17. (...) §10-F. Será nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade administrativa que: (Incluído pela Lei 14.230/2021) I - Condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na petição inicial; (Incluído pela Lei 14.230/2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor II - Condenar o requerido sem a produção das provas por ele tempestivamente especificadas. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Unificação das sanções na fase de cumprimento de sentença: 43 Na fase de cumprimento de sentença, podem até ser unificadas as sanções aplicadas em outros processos. Art. 18-A. A requerimento do réu, na fase de cumprimento da sentença, o juiz unificará eventuais sanções aplicadas com outras já impostas em outros processos, tendo em vista a eventual continuidade de ilícito ou a prática de diversas ilicitudes, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FCC - 2022 - TRT - 22ª Região (PI) - Analista Judiciário - Área Judiciária Ao tratar da aplicação de sanções por improbidade, a Lei nº 8.429/1992, em sua redação vigente, dispõe que a requerimento do réu, na fase de cumprimento de sentença, o juiz unificará eventuais sanções aplicadas com outras já impostas em outros processos. CERTA Medidas de execução atípicas (suspensão de CNH e apreensão de passaporte)4 É cabível a apreensão de passaporte e a suspensão da CNH no bojo do cumprimento de sentença proferida em ação de improbidade administrativa. Em regra, a jurisprudência do STJ entende ser possível a aplicação de medidas executivas atípicas na execução e no cumprimento de sentença comum, desde que, verificando-se a existência de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, tais medidas sejam adotadas de modo subsidiário, por meio de decisão que contenha fundamentação adequada às especificidades da hipótese concreta, com observância do contraditório substancial e do postulado da proporcionalidade. FGV - 2021 - TJ-PR - Juiz Na ação de improbidade administrativa, com ainda mais razão, há a possibilidade de aplicação das medidas executivas atípicas, pois se tutela a moralidade e o patrimônio público. No que diz respeito à proporcionalidade, o fato de se tratar de uma ação de improbidade administrativa deve ser levado em consideração na análise do cabimento da medida aflitiva não pessoal no caso concreto, já que envolve maior interesse público. STJ. 2ª Turma, REsp 1929230-MT, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 04/05/2021 (Info 695). 21. MEDIDA CAUTELAR DE AFASTAMENTO DO SERVIDOR (art. 20, §§1º e 2º) Art. 20. §1º A autoridade judicial competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, do emprego ou da função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida for necessária à instrução processual ou para evitar a iminente prática de novos ilícitos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §2º O afastamento previsto no § 1º deste artigo será de até 90 (noventa) dias, prorrogáveis uma única vez por igual prazo, mediante decisão motivada. O afastamento do agente é medida que contribui com a regularidade do processo. • AFASTADO SEM PREJUÍZO DA REMUNERAÇÃO; • PRAZO DE ATÉ 90 DIAS; • PRORROGÁVEIS UMA ÚNICA VEZ POR IGUAL PRAZO; 4 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Informativo STJ-695. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: https://www.buscadordizerodireito.com.br/informativo/detalhes/e369853df766fa44e1ed0ff613f563bd Acesso em: 30/01/2024 44 • MEDIANTE DECISÃO MOTIVADA. CESPE - 2015 - Salvador - BA - Procuradordo Município O juiz que determinar o afastamento de agente público do exercício do cargo, emprego ou função poderá ordenar a suspensão da remuneração recebida por esse agente na tentativa de evitar maior prejuízo aos cofres públicos. ERRADA FGV - 2023 - TJ-MS - Juiz Substituto O Ministério Público do Estado Beta ajuizou ação de improbidade administrativa em face de João, secretário estadual de Fazenda, imputando-lhe a conduta dolosa de ter percebido vantagem econômica para intermediar a liberação de verba pública. No bojo da ação de improbidade, o Ministério Público requereu, cautelarmente, o afastamento de João do exercício do cargo, alegando e comprovando que a medida é necessária à instrução processual e para evitar a iminente prática de novos ilícitos. No caso em tela, em tese, com base no texto da Lei de Improbidade Administrativa, com redação dada pela reforma promovida pela Lei nº 14.230/2021, o juízo competente: a) Poderá determinar o afastamento de João, com prejuízo da remuneração, pelo prazo de até 30 dias, prorrogáveis sucessivas vezes, mediante decisão motivada; b) Poderá determinar o afastamento de João, sem prejuízo da remuneração, pelo prazo de até 180 dias, prorrogáveis até o máximo de um ano, mediante decisão motivada; c) Poderá determinar o afastamento de João, sem prejuízo da remuneração, pelo prazo de até 90 dias, prorrogáveis uma única vez por igual prazo, mediante decisão motivada; d) Não poderá determinar o afastamento de João, porque tal medida excepcional somente pode ser tomada, em sede de ação de improbidade administrativa, por órgão colegiado do Judiciário; e) Não poderá determinar o afastamento de João, porque tal medida excepcional somente pode ser tomada em sede de ação penal, preenchidos os requisitos legais. 22. MEDIDA CAUTELAR DE INDISPONIBILIDADE DE BENS (dizer o direito) (art. 16) A indisponibilidade de bens é medida que afasta o desfazimento de seus bens para não ser atingido por eventual sentença condenatório. O sequestro de bens determinados que foram retirados do patrimônio da pessoa jurídica lesada. A investigação financeira com o bloqueio de contas bancárias. Natureza de tutela provisório de urgência Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente (AgRg no REsp 1317653/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 07/03/2013) ou incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor §8º Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por esta Lei, no que for cabível, o regime da tutela provisória de urgência da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Finalidade: Garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. 45 Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Legitimidade: O Ministério Público. O MP pode formular o pedido a partir de uma provocação (“representação”) da autoridade que tiver conhecimento da prática do ato de improbidade ou, então, de ofício (independente de provocação). Após o requerimento, o Juiz decretará ou não, mas o juiz precisa ser provocado pelo MP. Art. 7º Se houver indícios de ato de improbidade, a autoridade que conhecer dos fatos representará ao Ministério Público competente, para as providências necessárias. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) CONTUDO, não precisa dessa representação ao Ministério Público. Art. 16. §1º-A O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo poderá ser formulado independentemente da representação de que trata o art. 7º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Agora, tem que ter cuidado com a expressão “representação”. Aqui na redação não se trata de uma petição inicial em ação judicial, tal como no Processo Penal. Aqui, a representação é uma espécie de denúncia ao MP feito pela autoridade pública diante de indícios de ato de improbidade. Foi o que a banca CESPE / CEBRASPE quis confundir. No processo judicial, não é representação do ministério público, mas, sim, pedido necessariamente por meio de petição. Ao menos, foi o que entendi na seguinte assertiva errada: CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Nos termos da Lei n.º 8.429/1992, em caso de processo judicial por ato de improbidade administrativa, é possível a decretação de indisponibilidade de bens, desde que mediante representação do ministério público. ERRADA Pedido incluirá bens e dinheiros em contas no exterior: Art. 16 (...) §2º Quando for o caso, o pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Para que seja decretada a indisponibilidade dos bens da pessoa suspeita de ter praticado ato de improbidade exige-se a demonstração de fumus boni iuris e periculum in mora? Antes, bastava que se provasse o fumus boni iuris, sendo o periculum in mora presumido (implícito). Depois da Lei 14.230/2021, passou a ser indispensável a demonstração, no caso concreto, do: a) fumus boni iuris (juiz deve estar convencido da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de instrução); b) periculum in mora (deve estar demonstrado, no caso concreto, o perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo). Art. 16 (...) §3º O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo apenas será deferido mediante a demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável ou de risco ao 46 resultado útil do processo, desde que o juiz se convença da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de instrução, após a oitiva do réu em 5 (cinco) dias. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto CESPE - 2017 - TJ-PR - Juiz Substituto CESPE - 2017 - PJC-MT - Delegado de Polícia Substituto Essa indisponibilidade dos bens pode ser decretada sem ouvir o réu? SIM. É admissível a concessão de liminar inaudita altera pars para a decretação de indisponibilidade de bens, visando assegurar o resultado útil da tutela jurisdicional, qual seja, o ressarcimento ao Erário. Desse modo, o STJ entende que, ante sua natureza acautelatória, a medida de indisponibilidade de bens em ação de improbidade administrativa pode ser deferida nos autos da ação principal sem audiência da parte adversa e, portanto, antes da notificação para defesa prévia. JURISPRUDÊNCIA EM TESES DO STJ – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA I: 11) É possível o deferimento da medida acautelatória de indisponibilidade de bens em ação de improbidade administrativa nos autos da ação principal sem audiência da parte adversa e, portanto, antes da notificação a que se refere o art. 17, § 7º, da Lei 8.429/92. Art. 16. (...) §4º A indisponibilidade de bens poderá ser decretada sem a oitiva prévia do réu, sempre que o contraditório prévio puder comprovadamente frustrar a efetividade da medida ou houver outras circunstâncias que recomendem a proteção liminar, não podendo a urgência ser presumida. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV- 2022 - TJ-PE – Juiz A indisponibilidade pode ser determinada sobre bens com valor superior ao mencionado na petição inicial da ação de improbidade? P. Ex.: A petição inicial narra um prejuízo ao erário de R$ 100 mil, mas o MP pede a indisponibilidade de R$ 500 mil do requerido. Pode isso? Antes, a indisponibilidade de bens poderia ser em valor superior ao indicado na inicial da ação para garantir o integral ressarcimento de eventual prejuízo ao erário e de possível multa civil como sanção. REsp 1176440-RO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 17/9/2013. Depois da Lei 14.230/2021, somente poderá ser decretada a indisponibilidade de bens em valor que seja suficiente para custear a quantia apontada na petição inicial do MP como sendo o dano ao erário ou o enriquecimento ilícito. Art. 16. (...) §5º Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados indisponíveis não poderá superar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §6º O valor da indisponibilidade considerará a estimativa de dano indicada na petição inicial, permitida a sua substituição por caução idônea, por fiança bancária ou por seguro-garantia judicial, a requerimento do réu, bem como a sua readequação durante a instrução do processo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz §10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Indisponibilidade de bens de terceiro: Art. 16. 47 §7º A indisponibilidade de bens de terceiro (sócios da pessoa jurídica que praticou a improbidade, por exemplo) dependerá da demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser processado na forma da lei processual. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça A respeito de improbidade administrativa, assinale a opção correta, considerando os dispositivos da Lei n.º 14.230/2021 introduzidos na Lei n.º 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa). a) Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado respondem por ato de improbidade eventualmente imputado a tal pessoa jurídica. b) As sanções veiculadas na Lei de Improbidade Administrativa aplicam-se à pessoa jurídica infratora caso a conduta tipificada como ato de improbidade administrativa seja também sancionada como ato lesivo à administração pública, considerada a independência entre as instâncias. c) As condutas culposas são passíveis de tipificação como ato de improbidade administrativa. d) A aplicação de sanção pelo cometimento de atos de improbidade que atentem contra os princípios da administração pública só é possível se houver lesividade relevante ao bem jurídico tutelado, bem como reconhecimento da produção de danos ao erário e enriquecimento ilícito dos agentes públicos. e) A indisponibilidade de bens de terceiro formulada no âmbito de ação de improbidade administrativa, quando este for pessoa jurídica, dependerá da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Recurso contra a decretação ou não: §9º Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento, nos termos da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz Ordem de prioridade da indisponibilidade: O bloqueio de contas bancárias passa a ser a última opção: Art. 16. (...) §11. A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades simples e empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade empresária ao longo do processo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Nos termos da Lei n.º 8.429/1992, em caso de processo judicial por ato de improbidade administrativa, é possível a decretação de a) Indisponibilidade de bens, desde que garantida a oitiva prévia do réu. b) Indisponibilidade de bens, desde que mediante representação do ministério público. c) Indisponibilidade de bens de família do réu, em qualquer situação. d) Indisponibilidade de bens, que deverá priorizar, por exemplo, veículos de via terrestre. e) Indisponibilidade de bens de qualquer valor depositado em caderneta de poupança. Observação aos efeitos práticos da decisão: Art. 16. (...) §12. O juiz, ao apreciar o pedido de indisponibilidade de bens do réu a que se refere o caput deste artigo, observará os efeitos práticos da decisão, vedada a adoção de medida capaz de acarretar prejuízo à prestação de serviços públicos. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Vedação à indisponibilidade de quantias inferiores a 40 salários-mínimos: 48 Art. 16. (...) §13. É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 40 (quarenta) salários-mínimos depositados em caderneta de poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta corrente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Vedação à indisponibilidade do bem de família: Art. 16. (...) §14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-PE – Juiz Antes da reforma, o STJ entendia que era possível porque o caráter de bem de família de imóvel não tinha a força de obstar a indisponibilidade (REsp 1204794/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 16/05/2013; AgRg no REsp 1483040/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 01/09/2015). Então, pode ser decretada a indisponibilidade dos bens ainda que o acusado não esteja se desfazendo de seus bens? SIM. A indisponibilidade dos bens visa, justamente, a evitar que ocorra a dilapidação patrimonial. CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto O STJ entende que a decretação de medida cautelar de indisponibilidade dos bens em razão da prática de ato de improbidade que cause dano ao erário não está condicionada à comprovação de que o réu esteja dilapidando seu patrimônio. CERTA CESPE / CEBRASPE - 2021 - TCE-RJ - Analista de Controle Externo - Especialidade: Direito De acordo com a jurisprudência do STJ, constatado ato de improbidade que cause lesão ao patrimônio público ou enseje enriquecimento ilícito, a decretação da indisponibilidade de bens em ação de improbidade administrativa prescinde da demonstração de que o réu esteja dilapidando o seu patrimônio ou que esteja na iminência de fazê-lo. CERTO No entanto, não é uma medida de adoção automática. Deve ser fundamentada pelo magistrado, sob pena de nulidade (art. 93, IX, da Constituição Federal), sobretudo por se tratar de constrição patrimonial (REsp 1319515/ES). Essa indisponibilidade pode ser decretada em qualquer hipótese de ato de improbidade? REDAÇÃO DOS ARTS. 7º E 16 DA LIA: NÃO. A indisponibilidade é decretada apenas quando o ato de improbidade administrativa: a) CAUSAR LESÃO AO PATRIMÔNIO PÚBLICO; ou b) ENSEJAR ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. Assim, só cabe a indisponibilidade nas hipóteses do arts. 9º e 10 da LIA. Não cabe a indisponibilidade no caso de prática do art. 11. JULGADO DO STJ E DOUTRINA:49 SIM. Não se pode conferir uma interpretação literal aos arts. 7º e 16 da LIA, até mesmo porque o art. 12, III, da Lei n.° 8.429/92 estabelece, entre as sanções para o ato de improbidade que viole os princípios da administração pública, o ressarcimento integral do dano - caso exista -, e o pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente. Logo, em que pese o silêncio do art. 7º, uma interpretação sistemática que leva em consideração o poder geral de cautela do magistrado induz a concluir que a medida cautelar de indisponibilidade dos bens também pode ser aplicada aos atos de improbidade administrativa que impliquem violação dos princípios da administração pública, mormente para assegurar o integral ressarcimento de eventual prejuízo ao erário, se houver, e ainda a multa civil prevista no art. 12, III, da Lei n. 8.429/92. (AgRg no REsp 1311013/RO, DJe 13/12/2012). Pode ser decretada a indisponibilidade sobre bens que o acusado possuía antes da suposta prática do ato de improbidade? SIM. A indisponibilidade pode recair sobre bens adquiridos tanto antes como depois da prática do ato de improbidade (REsp 1204794/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 16/05/2013). CESPE / CEBRASPE - 2020 - Ministério da Economia - Técnico de Complexidade Intelectual - Direito Em ação de improbidade administrativa, a decretação de indisponibilidade de bens pode recair sobre aqueles adquiridos anteriormente ao suposto ato, além de levar em consideração o valor de possível multa civil como sanção autônoma. CERTO É necessário que o Ministério Público (ou outro autor da ação de improbidade), ao formular o pedido de indisponibilidade, faça a indicação individualizada dos bens do réu? NÃO. A jurisprudência do STJ está consolidada no sentido de que é desnecessária a individualização dos bens sobre os quais se pretende fazer recair a indisponibilidade prevista no art. 7º, parágrafo único, da Lei n.° 8.429/92 (AgRg no REsp 1307137/BA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, julgado em 25/09/2012). A individualização somente é necessária para a concessão do “sequestro de bens”, previsto no art. 16 da Lei n.° 8.429/92. A indisponibilidade de bens constitui uma sanção? NÃO. A indisponibilidade de bens não constitui propriamente uma sanção, mas medida de garantia destinada a assegurar o ressarcimento ao erário Cobrada em DPE/MA – CESPE – 2011 e também em: CESPE - 2015 – Telebras – Analista Superior A indisponibilidade de bens do agente indiciado por improbidade administrativa tem natureza preventiva e, por isso, não se configura como sanção. CERTA 23. ACORDO PERSECUÇÃO CÍVEL (art. 17-B) 50 Antes do Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), ERA vedada na improbidade qualquer acordo, transação ou composição. Porém, houve a alteração da lei de improbidade e passou a permitir a celebração de Acordo de Não Persecução Cível. Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: I - o integral ressarcimento do dano; II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados. VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) §1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, cumulativamente: I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação; II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério Público competente para apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; III - de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação de improbidade administrativa. § 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo considerará a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso. § 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas competente, que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 (noventa) dias. § 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença condenatória. § 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo ocorrerão entre o Ministério Público, de um lado, e, de outro, o investigado ou demandado e o seu defensor. § 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos internos de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em favor do interesse público e de boas práticas administrativas. §7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput deste artigo, o investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos, contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo descumprimento. 24. JULGAMENTO SEM MÉRITO (ART. 17, §11): Art. 17° §11. Em qualquer momento do processo, verificada a inexistência do ato de improbidade, o juiz julgará a demanda improcedente. CESPE - 2015 – PGM-Salvador/BA - Procurador do Município Caso seja iniciada ação judicial por improbidade, o juiz deverá extinguir o processo com julgamento de mérito se verificar a inexistência do ato de improbidade em qualquer fase do processo. ERRADA 51 25. NÃO INTERFERE NA SANÇÃO (art. 21): O art. 21 traz duas informações importantes: Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe: I – Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às condutas previstas no art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) II – Da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas. §1º Os atos do órgão de controle interno ou externo serão considerados pelo juiz quando tiverem servido de fundamento para a conduta do agente público. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §2º As provas produzidas perante os órgãos de controle e as correspondentes decisões deverão ser consideradas na formação da convicção do juiz, sem prejuízo da análise acerca do dolo na conduta do agente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §3º As sentenças civis e penais produzirão efeitos em relação à ação de improbidade quando concluírem pela inexistência da conduta ou pela negativa da autoria. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §4º A absolvição criminal em ação que discuta os mesmos fatos, confirmada por decisão colegiada, impede o trâmite da ação da qual trata esta Lei, havendo comunicação com todos os fundamentos de absolvição previstos no art. 386 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §5º Sanções eventualmente aplicadas em outras esferas deverão ser compensadas com as sanções aplicadas nos termos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) A punição independe de punição ou aprovação de Tribunal de Contas, que faz análise por amostragem, e não a análise de contrato por contrato. Agora, se houver punição pelo Tribunal de Contas, é muito provável que haja algum ato de improbidade administrativa. CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro A aplicação de sanções por improbidade administrativa depende da aprovação das contasse comunicar com parentes, foi trancafiado em uma cela da delegacia. A ação dos agentes foi levada ao conhecimento do delegado, que determinou a abertura de processo administrativo disciplinar contra eles para se apurar a suposta ilicitude nos atos praticados. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. De acordo com o entendimento jurisprudencial do STJ, eventual punição dos agentes de polícia no âmbito administrativo não impedirá a aplicação a eles das penas previstas na Lei de Improbidade Administrativa. CERTO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. POLICIAIS CIVIS. PRISÕES ILEGAIS. OFENSA AOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS. INTERESSE PROCESSUAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Conforme orientação jurisprudencial do STJ, eventual punição administrativa do servidor faltoso não impede a aplicação das penas da Lei de Improbidade Administrativa, porque os escopos de ambas as esferas são diversos; e as penalidades dispostas na Lei nº 8.429/1992, mais amplas. STJ. REsp 1.081.743 - MG (2008/0180609-3). Relator: Min. Herman Benjamin. 4 Assim, uma mesma conduta pode ser punida administrativa, penal e civilmente, como responsabilidades independentes. Pode ser que haja também 3 decisões diferentes por justamente ter 3 instâncias. Porém, essa independência não é absoluta. 7. RELATIVIZAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DAS INSTÂNCIAS: Haverá comunicação entre estas responsabilidades quando: a) Se o servidor for absolvido no processo penal por inexistência de fato ou negativa de autoria. Será absolvido no administrativo e no civil. Logo, é como se fosse absolvição geral ou coisa julgada. (art. 126, Lei 8.112/90; art. 935, CC; art. 66, CPP) b) Se for reconhecida uma excludente, não poderá mais esta ser discutida na instância administrativa e no civil, não significando que seja absolvido nas outras instâncias e nem significa que o estado não possa ser responsabilizado. Assim, reconhecida a legítima defesa, estado de necessidade e etc, não precisarão mais ser provadas nas outras instâncias. (art. 65, CPP) CESPE - 2018 - PGM - Manaus - AM - Procurador do Município A existência de causa excludente de ilicitude penal não impede a responsabilidade civil do Estado pelos danos causados por seus agentes CERTO CESPE - 2019 - TJ-PR - Juiz Substituto O Estado responde civilmente por danos decorrentes de atos praticados por seus agentes, mesmo que eles tenham agido sob excludente de ilicitude penal. CERTA 8. SUJEITO PASSIVO: Este sujeito passivo poderá ser o polo ativo na ação de improbidade administrativa, como autor da ação por ser lesado no ato de improbidade. O sujeito passivo será sempre da órbita pública, de interesse público, se não tiver nada de público não haverá improbidade. A ação de improbidade terá como base a repercussão do dinheiro público, mesmo que seja somente no repasse. Diz a Lei 8.429/1992, alterada pela Lei nº 14.230, de 2021: Art. 1º §5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a integridade do patrimônio público e social dos ...Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da ...administração direta e indireta, ...no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. §6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de ...entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais, previstos no § 5º deste artigo. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor 5 §7º Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de ...entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. O art. 1º da LIA dispõe sobre as pessoas, que são as seguintes: CESPE - 2017 - TRF - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário De acordo com a legislação que trata de atos de improbidade administrativa, são considerados agentes públicos as pessoas em exercício de cargo eletivo em autarquia federal, mesmo que sem remuneração. CERTA CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro É possível a imputação de atos de improbidade a órgãos judiciais e legislativos. CERTO Exemplos: 1) Sindicato pode sofrer atos de improbidade. O sindicato vive de contribuição sindical, recebendo benefício fiscal, sendo sujeitos passivos para LIA. 2) Partido político pode sofrer atos de improbidade. Seu custeio vem do fundo partidário, recebendo benefício fiscal, sendo sujeitos passivos para LIA. 3) Autarquia profissional pode sofrer atos de improbidade. Porque é autarquia e recebe contribuição da classe, recebendo benefício fiscal, sendo sujeitos passivos para LIA. 4) Terceiro setor pode sofrer atos de improbidade. Porque recebem benefício fiscal ou repasse ou custeio do Poder Público, sendo sujeitos passivos para LIA. 9. SUJEITOS ATIVOS: 6 Espécies de sujeitos ativos: Os sujeitos ativos podem ser de duas espécies: a) AGENTES PÚBLICOS (art. 2º); b) TERCEIROS (art. 3º). Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-se às sanções previstas nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio, contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste administrativo equivalente. Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra dolosamente para a prática do ato de improbidade. §1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da sua participação. §2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013. CESPE - 2020 - MPE-CE - Analista Ministerial – Administração A incidência da referida lei independe de percepção de remuneração decorrente do exercício da função pública pelo agente. CERTO Quanto ao agente político: 7 A doutrina discutia acerca do não alcance aos agentes políticos, porque estariam sujeitos aos crimes de responsabilidades e, mesmo tendo natureza civil, os atos de improbidade têm medidas de natureza política, como a perda de função pública ou suspensão dos direitos políticos. Assim, seria bis in idem? Os agentes políticos estão sujeitos à dupla responsabilidade. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-BA - Promotor O STF passou a adotar a posição de que o agente político responde por improbidade administrativa e também, se for caso, pelo crime de responsabilidade, não havendo “bis in idem”, de modo que são independentes entre si e demandam o ajuizamento de ações cuja competência é distinta, seja em decorrência da matéria (criminal e civil), seja por conta do grau de hierarquia (Tribunal de Justiça e juízo singular). Veio a Lei nº 14.230/2021 que alterou a Lei 8.429/1992, Lei de Improbidadepelo órgão de controle interno ou pelo tribunal de contas. ERRADO Para ocorrer ato de improbidade independe de dano efetivo (econômico ou financeiro), exceto no caso de pena de ressarcimento, e nem precisa que o ato cause prejuízo à administração pública. CESPE - 2022 - MPE-TO - Promotor A configuração de ato de improbidade contrário a princípio da administração pública independe de prova de dano ao erário ou enriquecimento ilícito do agente. CERTA CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia Em fevereiro de 2018, o delegado de polícia de uma cidade determinou a realização de diligências para apurar delito de furto em uma padaria do local. Sem mandado judicial, os agentes de polícia conduziram um suspeito à delegacia. Interrogado pelos próprios agentes, o suspeito negou a autoria do crime e, sem que lhe fosse permitido se comunicar com 52 parentes, foi trancafiado em uma cela da delegacia. A ação dos agentes foi levada ao conhecimento do delegado, que determinou a abertura de processo administrativo disciplinar contra eles para se apurar a suposta ilicitude nos atos praticados. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. A prisão ilegal do suspeito, por caracterizar ato praticado contra particular, não configurou a prática de ato ímprobo, que é aquele praticado em prejuízo da administração pública. ERRADO Quando houver essa sanção é preciso provar a ocorrência do dano efetivo. Como ocorre, quando, p.ex., o administrador utiliza de máquina do poder público para construir piscina, mas utiliza no horário vago das máquinas e coloca gasolina do seu bolso, mesmo assim ocorre improbidade. Ainda que não haja dano ao erário, é possível a condenação por ato de improbidade administrativa que importe enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei nº 8.429/92), excluindo-se, contudo, a possibilidade de aplicação da pena de ressarcimento ao erário. STJ. 1ª Turma. REsp 1.412.214-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 8/3/2016 (Info 580). Dizer o direito. 26. PRESCRIÇÃO (art. 23) Antes de 2021, eram 5 anos a contar do conhecimento do fato. O prazo deixou de ser diferenciado para o tipo de cargo e deixou de ser de 5 anos, passando para 8 anos, a contar do fato. Como veremos no Tema 1199 do STF, essa nova contagem somente será para o fato ocorrido após a publicação da Lei nº 14.230, de 2021. Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreve em 8 (oito) anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz Ação de ressarcimento de danos ao erário Em caso de reparação civil por improbidade (ação de ressarcimento de danos ao erário), é imprescritível para o agente reparar com a aplicação do art. 37, §5º, CF. Então, se for ação de reparação civil não prescreve. Art. 37. §5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento (somente estas são imprescritíveis). FGV - 2022 - TJ-AP - Juiz de Direito Substituto CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto O STF fixou a tese de que são imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso ou culposo tipificado na lei de improbidade administrativa. ERRADA 53 TEMA 897 DE REPERCUSSÃO GERAL: São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa. FGV - 2022 - TJ-AP - Juiz de Direito Substituto / CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor O Plenário do STF, no julgamento do MS 26.210, da relatoria do ministro Ricardo Lewandowski, decidiu pela imprescritibilidade de ações de ressarcimento de danos ao erário. AI 712.435 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 13‑3‑2012, 1ª T, DJE 12‑4‑2012 É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil. Dito de outro modo, se o Poder Público sofreu um dano ao erário decorrente de um ilícito civil e deseja ser ressarcido, ele deverá ajuizar a ação no prazo prescricional previsto em lei. Vale ressaltar, entretanto, que essa tese não alcança prejuízos que decorram de ato de improbidade administrativa que, até o momento, continuam sendo considerados imprescritíveis (art. 37, §5º). STF. Plenário. RE 669069/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 3/2/2016 (repercussão geral) (Info 813). Dizer o direito. Teses do STF sobre prescrição de ação de ressarcimento do erário: Em linha resumida, o Supremo Tribunal Federal firmou as seguintes teses sobre a matéria (já revisa!): (a) TEMA 666, decidido em Repercussão Geral no RE 669.069 (Rel. Min. TEORI ZAVASCKI), com a seguinte TESE: É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil; (b) TEMA 897, decidido na Repercussão Geral no RE 852.475, Red. p/Acórdão Min. EDSON FACHIN, com a seguinte TESE: São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa; e (c) TEMA 899, decidido na Repercussão Geral no RE 636.886, de minha relatoria, com a seguinte TESE: É prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas. Prazos para o Inquérito Policial e para o Processo Administrativo: Art. 23. §1º A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração dos ilícitos referidos nesta Lei SUSPENDE o curso do prazo prescricional por, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o processo, esgotado o prazo de suspensão. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) §2º O inquérito civil para apuração do ato de improbidade será concluído no prazo de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias corridos, prorrogável uma única vez por igual período, mediante ato fundamentado submetido à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. §3º Encerrado o prazo previsto no §2º deste artigo, a ação deverá ser proposta no prazo de 30 (trinta) dias, se não for caso de arquivamento do inquérito civil. CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Sílvia, Patrícia e Ricardo, agentes públicos do estado do Acre, cometeram ato de improbidade administrativa no mesmo dia, no exercício de suas funções: Sílvia cumpria mandato eletivo; Patrícia ocupava cargo comissionado; e Ricardo atuava em função de confiança. 54 Nessa situação hipotética, eventual ação para a aplicação das sanções previstas na Lei n.º 8.429/1992 prescreverá no mesmo prazo no que diz respeito A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e a instauração de processo administrativo interromperá o curso do prazo prescricional. ERRADA Como o prazo prescricional é interrompido? Antes era somente previsto na jurisprudência do STJ, e dizia que se dava com simples propositura. STJ. REsp 1.391.212-PE. Julgado em 2/9/2014 (Info 546). Hoje, há toda uma relação de atos interruptivos: Art. 23. §4º O prazo da prescrição referido no caput deste artigo interrompe-se: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) I - Pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa; II - Pela publicação da sentença condenatória; III - Pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que confirma sentença condenatória ou que reforma sentença de improcedência; IV - Pela publicação de decisão ou acórdão do Superior Tribunal de Justiça que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdãode improcedência; V - Pela publicação de decisão ou acórdão do Supremo Tribunal Federal que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de improcedência. CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça Sílvia, Patrícia e Ricardo, agentes públicos do estado do Acre, cometeram ato de improbidade administrativa no mesmo dia, no exercício de suas funções: Sílvia cumpria mandato eletivo; Patrícia ocupava cargo comissionado; e Ricardo atuava em função de confiança. Nessa situação hipotética, eventual ação para a aplicação das sanções previstas na Lei n.º 8.429/1992 prescreverá no mesmo prazo no que diz respeito a) A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e a instauração de processo administrativo interromperá o curso do prazo prescricional. b) A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e o ajuizamento da ação de improbidade administrativa suspenderá o curso do prazo prescricional. c) A Sílvia, Patrícia e Ricardo, e a publicação de eventual sentença condenatória de improbidade administrativa interromperá o curso do prazo prescricional. d) Apenas a Patrícia e Ricardo, e a instauração de processo administrativo suspenderá o curso do prazo prescricional. e) Apenas a Sílvia e Patrícia, e a instauração de processo administrativo suspenderá o curso do prazo prescricional. Novas disposições sobre a prescrição: §5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia da interrupção, pela metade do prazo previsto no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) §6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos relativamente a todos os que concorreram para a prática do ato de improbidade. §7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, a suspensão e a interrupção relativas a qualquer deles estendem-se aos demais. §8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de ofício ou a requerimento da parte interessada, reconhecer a prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de 55 imediato, caso, entre os marcos interruptivos referidos no §4º, transcorra o prazo previsto no §5º deste artigo. Irretroatividade da nova regra de prescrição: Regras de prescrição não retroagem, sendo aplicáveis apenas a partir da vigência da Lei. Tema 1199 do STF de REPERCUSSÃO GERAL: 4) O novo regime prescricional previsto na Lei 14.230/2021 é IRRETROATIVO, aplicando-se os novos marcos temporais a partir da publicação da lei. STF. ARE 843989 RG, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2022. Somente os atos de improbidade ocorridos após a publicação da lei instituindo a nova regra prescricional que poderemos contar o prazo prescricional de 8 anos. Ou seja, se o ato ocorreu antes da publicação da nova regra, deve se observar 5 anos a contar do conhecimento do ato. Quanto ao pedido de indisponibilidade de bens e a prescrição: Se for em pretensão de ressarcimento do erário, decorrente de atos de improbidade administrativa, que é imprescritível, pode-se afirmar que a medida cautelar indisponibilidade de bens não pode ser revogada quando pronunciada a prescrição no tocante às demais sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa, considerando que a decretação de indisponibilidade de bens tem por objetivo claro e manifesto assegurar a eficácia de futura condenação ao ressarcimento do erário. CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal Com base nas disposições da Lei de Improbidade Administrativa e na jurisprudência do STJ acerca dos aspectos processuais da ação civil pública de responsabilização por atos de improbidade, julgue o item a seguir. Situação hipotética: Em uma ação de improbidade administrativa com pedido cumulado de ressarcimento ao erário, foi decretada a indisponibilidade de bens. Por ocasião da sentença, o juiz reconheceu a prescrição da pretensão de impor sanções decorrentes dos atos de improbidade. Assertiva: Nessa situação, a medida de indisponibilidade de bens deverá ser revogada. CERTO Existência de prescrição intercorrente: Depois da Lei nº 14.230/2021: SIM É o que prevê o §8º do art. 23, da LIA, inserido pela Lei 14.230/2021: Art. 23 (...) §8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de ofício ou a requerimento da parte interessada, reconhecer a prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de imediato, caso, entre os marcos interruptivos referidos no §4º, transcorra o prazo previsto no §5º deste artigo. A prescrição intercorrente, prevista na nova Lei de Improbidade, homenageia o princípio da segurança jurídica. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2018-policia-federal-delegado-de-policia-federalAdministrativa e estabeleceu: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. Observe com relação aos prefeitos, que responderão por improbidade e por responsabilidade do Decreto-Lei n. 201/1967. EDIÇÃO N. 40: IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - II 2) Os agentes políticos municipais se submetem aos ditames da Lei de Improbidade Administrativa - LIA, sem prejuízo da responsabilização política e criminal estabelecida no Decreto-Lei n. 201/1967. Ainda se adotará a exceção com relação ao Presidente da República, que se tinha entendimento do STF que não responderiam por improbidade administrativa, porque o art. 85, V, da CF, faz referência ao crime de responsabilidade como improbidade administrativa. Estagiário é agente público para fins de improbidade: O estagiário do serviço público pode ser considerado agente público para fins de improbidade? (Dizer o Direito) SIM. O estagiário que atua no serviço público, ainda que transitoriamente, remunerado ou não, está sujeito a responsabilização por ato de improbidade administrativa. Isso porque o conceito de agente público para fins de improbidade é amplo. Abrange os servidores públicos e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na Administração Pública. Resposta com base no: STJ. 2ª Turma. REsp 1.352.035-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18/8/2015 (Info 568). Terceiros não agentes públicos: O art. 3º, LIA, estabelece que terceiro que induza ou concorra do ato de improbidade para que o pratique. É possível aplicar a lei de improbidade mesmo para quem não é agente público, mas induza ou concorra dolosamente, junto com o agente público, para a prática do ato de improbidade. ATOS DO TERCEIRO: 8 • Induzir; • Concorrer. Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra dolosamente para a prática do ato de improbidade. §1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da sua participação. §2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013. A lei n. 12.846 é a lei anticorrupção, que visa a responsabilização da pessoa jurídica. Até 2013, só podia ter responsabilidade a pessoa física. Assim, o servidor poderia responder por um PAD, enquanto a empresa beneficiada não era responsabilizada. Se há fraude na licitação, por exemplo, e a pessoa jurídica já está respondendo nos moldes da lei n. 12.486, não haverá processo de improbidade contra essa pessoa jurídica pelo mesmo fato. Cuidado se houver ato de improbidade praticado por pessoa jurídica, como terceiro não agente público: Quando houver pedido de indisponibilidade para atingir os sócios dessa pessoa jurídica que praticou o ato de improbidade, deverá haver o procedimento de desconsideração da personalidade jurídica. Art. 16. §7º A indisponibilidade de bens de terceiro (sócios, por exemplo) dependerá da demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser processado na forma da lei processual. CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça A indisponibilidade de bens de terceiro formulada no âmbito de ação de improbidade administrativa, quando este for pessoa jurídica, dependerá da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica. CERTA Responsabilização do terceiro (particular) (Dizer o Direito): O particular nunca poderá praticar um ato de improbidade sozinho, tão somente como coautor ou partícipe do ato. Para que o terceiro seja responsabilizado pelas sanções da Lei 8.429/92 é indispensável que seja identificado algum agente público como autor da prática do ato de improbidade. Assim, não é possível a propositura de ação de improbidade exclusivamente contra o particular, sem a concomitante presença de agente público no polo passivo da demanda. STJ. 1ª Turma. REsp 1.171.017-PA, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 25/2/2014 (Info 535). TRF - 2ª Região - 2014 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal Quem não é agente público (o terceiro, previsto no artigo 3º da Lei nº 8.429/92) não pode responder isoladamente (sem a presença de qualquer agente público), em ação de improbidade, e ser submetido às medidas gerais previstas no artigo 12 da mencionada legislação. CERTO CESPE – 2016 – TCE- PA 9 Penalidades previstas na Lei de Improbidade Administrativa também são aplicadas a não servidores e a quem induza ou concorra para a prática de ato de improbidade ou dele se beneficie de forma direta ou indireta. CERTO CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal Embora não haja litisconsórcio passivo necessário entre o agente público e os terceiros beneficiados com o ato ímprobo, é inviável que a ação civil por improbidade seja proposta exclusivamente contra os particulares, sem concomitante presença do agente público no polo passivo da demanda. CERTO CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto É admissível a propositura de ação civil pública pela prática de ato de improbidade administrativa somente contra particular, sem a presença concomitante de agente público na qualidade de réu. ERRADA FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz Substituto Suponha que tenha sido interposta ação de improbidade administrativa em face de diretor de uma empresa na qual o Estado do Alagoas detém participação acionária minoritária, apontando a ocorrência de prejuízos financeiros à companhia em face da realização de investimentos em projetos deficitários. A inicial da ação judicial aponta, ainda, a responsabilidade de Secretários de Estado na formatação de tais projetos e possível conluio com o diretor da companhia para as aprovações societárias correspondentes. Considerando as disposições da legislação aplicável, a referida demanda afigura-se a) Cabível, tanto em face do diretor como dos Secretários de Estado, limitando-se a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos à companhia. b) Cabível apenas em face dos Secretários de Estado, dada a necessária condição de agentes públicos, respondendo o diretor da companhia exclusivamente na esfera civil. c) Descabida, eis que não se verifica prejuízo a entidade pública ou a empresa na qual o poder público detenha a maioria do capital social. d) Cabível apenas em face do diretor da companhia, nos limites da conduta lesiva apurada, não alcançando os Secretários de Estado, os quais poderão responder por crime de responsabilidade. e) Cabível apenas se apurada conduta dolosa dos imputados, eis que o elemento volitivo doloso é determinante para a caracterização de atos de improbidade, que não admitem modalidade culposa. CESPE - 2020 - MPE-CE - Analista Ministerial – Administração As regras que vedam a prática de atos de improbidade administrativa incidem apenas sobre servidores públicos. ERRADA FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto O prefeito do Município Alfa, agindo em comunhão de açõese desígnios com o delegado de Polícia Civil da cidade, frustrou a licitude de processo licitatório, a fim de beneficiar João, particular sócio administrador de uma sociedade empresária, que foi contratada ilegalmente pelo Município. Sabe-se que João é irmão do delegado e que o ato ilícito causou um dano ao erário no montante de cem mil reais. O Ministério Público ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa e requereu a indisponibilidade de bens dos demandados. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, são sujeitos ativos do ato de improbidade em tela: 10 O prefeito, o delegado e João, devendo a ação ser ajuizada na comarca local, sendo que, para o deferimento da indisponibilidade de bens, basta a comprovação do fumus boni iuris, pois o periculum in mora é presumido. CERTA Pessoa jurídica e sócios como terceiros: O “terceiro” pode ser uma pessoa jurídica? SIM. Desde que as pessoas jurídicas que participem ou se beneficiem dos atos de improbidade sujeitam-se somente à Lei 8.429/1992. Se forem punidas pela Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013), não serão punidas por improbidade administrativa. Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado podem responder se participaram ou se beneficiaram. Art. 3º §1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da sua participação. §2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei 12.846/2013 (Anticorrupção). VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado respondem por ato de improbidade eventualmente imputado a tal pessoa jurídica. ERRADA As sanções veiculadas na Lei de Improbidade Administrativa aplicam-se à pessoa jurídica infratora caso a conduta tipificada como ato de improbidade administrativa seja também sancionada como ato lesivo à administração pública, considerada a independência entre as instâncias. ERRADA CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia Os sócios, cotistas e diretores de pessoa jurídica de direito privado, via de regra, respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica. ERRADA Responsabilidade sucessória em razão de contrato herança: Também responderá até o limite da herança, como dispõe o art. 8º da LIA. Art. 8º O sucessor ou o herdeiro daquele que causar dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o limite do valor da herança ou do patrimônio transferido. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE - 2015 - Prefeitura de Salvador/BA - Procurador Municipal Se alguém que causou lesão ao patrimônio público vier a falecer, seu sucessor ficará sujeito às cominações da Lei de Improbidade Administrativa até o limite do valor da herança. 11 CERTA Responsabilidade sucessória em razão de contrato: Art. 8º-A A responsabilidade sucessória de que trata o art. 8º desta Lei aplica-se também na hipótese de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Parágrafo único. Nas hipóteses de fusão e de incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e de fatos ocorridos antes da data da fusão ou da incorporação, exceto no caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, devidamente comprovados. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia O sucessor de quem que causar dano ao erário está sujeito à obrigação de reparar os cofres públicos até o limite do valor do patrimônio transferido, exceto nas hipóteses de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. ERRADA 10. ELEMENTO SUBJETIVO (DOLO): Exige-se dolo específico para haver o ato de improbidade administrativa. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor Antes, podia-se ato culposo de improbidade. Não há mais ato culposo de improbidade administrativa. FGV - 2022 - TJ-SC – Juiz Agora, para o STF, nova LIA retroage? Diz a tese do STF de Repercussão Geral: Tema 1199 do STF de REPERCUSSÃO GERAL: 1) É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se - nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA - a presença do elemento subjetivo - DOLO; 2) A norma benéfica da Lei 14.230/2021 - revogação da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa -, é IRRETROATIVA, em virtude do artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes; 3) A nova Lei 14.230/2021 aplica-se aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado, em virtude da revogação expressa do texto anterior; devendo o juízo competente analisar eventual dolo por parte do agente; CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor STF. ARE 843989 RG, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2022. Cuidado! Olha o que diz o Buscador Dizer o Direito e veja o quadro ilustrativo dele: Embora na tese fixada conste texto apontando a irretroatividade da norma, verifica-se que a revogação não alcança apenas os processos com trânsito em julgado de sentença condenatória. Ou seja, vale para investigações e processos em curso, alcançando fatos anteriores a sua vigência. (in:https://www.buscadordizerodireito.com.br/download/verPdf/c2fae87a3cf3a616040cee9db6d208 7e.pdf) https://www.buscadordizerodireito.com.br/download/verPdf/c2fae87a3cf3a616040cee9db6d2087e.pdf https://www.buscadordizerodireito.com.br/download/verPdf/c2fae87a3cf3a616040cee9db6d2087e.pdf 12 PARA O STF, NOVA LIA RETROAGE? DOLO e ART. 10: Exigência do dolo para prática do ato ímprobo previsto no art. 10. RETROAGE, salvo se houver decisão transitada em julgado contra o agente ímprobo. Nos processos em curso, juiz deve analisar eventual dolo por parte do agente. ATENÇÃO: Cuidado, contudo, com a redação da tese, segundo a qual, a norma: É IRRETROATIVA, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes Interpretação a ser dada a tese 3 do STF quando se tratar de ATO CULPOSO COM CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO SEM TRÂNSITO EM JULGADO A lei NÃO retroage. A lei DEVERÁ retroagir. O juiz deverá avaliar se há dolo ou culpa. Se houver culpa, o processo será EXTINTO. Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021: Art. 1º §1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. §2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente. §3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. O ato somente pode ser praticado com dolo, sendo esta, desde a reformadada pela Lei 8.429/1992, a única hipótese expressa pela lei. O DOLO é ESPECÍFICO, quer alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. A responsabilidade dos servidores públicos, pessoas físicas, na verdade, é de índole subjetiva, a depender, portanto, da demonstração de dolo somente. Não há que se falar, portanto, em responsabilidade objetiva de servidores públicos. CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado Federal João, servidor público responsável pelo setor financeiro de uma autarquia federal, sem observar as formalidades legais necessárias, facilitou a incorporação, ao patrimônio particular de entidade privada sem fins lucrativos, de valores a ela repassados mediante a celebração de parceria. Nessa situação hipotética, conforme a legislação e a doutrina a respeito de improbidade administrativa e regime disciplinar do servidor público federal, A responsabilidade de João é objetiva, independentemente da demonstração de culpa ou dolo. ERRADA CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-PA - Promotor de Justiça 13 No ano de 2018, João concedeu benefício fiscal sem observar as formalidades legais, tendo sido posteriormente comprovado dano ao patrimônio público e evidenciado não existir qualquer dolo por parte de João. O processo para a apuração da conduta de João está em curso, não tendo havido, ainda, sentença condenatória. Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa (LIA), a CF e a jurisprudência do STF, é correto afirmar que João deverá ser Absolvido no processo de apuração da conduta, pois a conduta descrita, embora tenha causado prejuízo ao erário, deixou de ser punível na modalidade culposa após as alterações da LIA. CERTA CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça As condutas culposas são passíveis de tipificação como ato de improbidade administrativa. ERRADA CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-AC - Promotor de Justiça A responsabilidade civil, em caso de ato de improbidade administrativa, é a) Objetiva, independentemente do tipo de ato de improbidade administrativa. b) Objetiva apenas em relação aos atos que causem prejuízo ao erário. c) Subjetiva em relação a todos os atos de improbidade administrativa. d) Objetiva apenas no que se refere aos atos que importem enriquecimento ilícito. e) Subjetiva apenas no que diz respeito aos atos que causem prejuízo ao erário. CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia A constatação do caráter culposo do ato praticado por quem exerce a função pública não se revela suficiente para afastar a caracterização de ato de improbidade administrativa. ERRADA 11. REPRESENTAÇÃO POR ATO DE IMPROBIDADE: Art. 7º Se houver indícios de ato de improbidade, a autoridade que conhecer dos fatos representará ao Ministério Público competente, para as providências necessárias. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Representação para instauração de investigação: Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. §1º A representação, que será escrita ou reduzida a termo e assinada, conterá a qualificação do representante, as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento. §2º A autoridade administrativa rejeitará a representação, em despacho fundamentado, se esta não contiver as formalidades estabelecidas no § 1º deste artigo. A rejeição não impede a representação ao Ministério Público, nos termos do art. 22 desta lei. §3º Atendidos os requisitos da representação, a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos, observada a legislação que regula o processo administrativo disciplinar aplicável ao agente. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE - 2019 - TJ-PA - Juiz de Direito Substituto 14 A representação para instauração de investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade pode ser apresentada por qualquer cidadão, desde que se comprove estar em gozo dos direitos políticos. ERRADA CESPE - 2017 - TRE-PE - Conhecimentos Gerais Qualquer pessoa terá legitimidade para, perante a autoridade administrativa competente, apresentar representação solicitando a instauração de investigação para apurar a prática do ato de improbidade. CERTA Processo administrativo para apurar ato de improbidade: Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade. Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a requerimento, designar representante para acompanhar o procedimento administrativo. 12. ATOS DE IMPROBIDADE: Para caracterizar ato de improbidade não precisa necessariamente ser ato administrativo. Pode também sê-lo. As omissões podem configurar quaisquer dos atos de improbidade. Os atos de improbidade poderão ser divididos em: • ENRIQUECIMENTO ILÍCITO Aqueles que o agente se beneficia com uso indevido de sua função. Adquirir, receber, incorporar. Receber benefício. • PREJUÍZO AO ERÁRIO Pode ser chamado também de lesão ou danos ao erário, aqui o agente não se beneficia, beneficia terceiro/particular em prejuízo da administração. Sem as formalidades legais. Ajudar alguém. • VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS. 15 13. ROL EXEMPLIFICATIVO OU ROL TAXATIVO? Na doutrina e na jurisprudência, antes dessa alteração do §1º, com a expressão “tipificadas”, o entendimento é que os atos de improbidade dos arts. 9º, 10 e 11 eram meramente exemplificativos. Hoje, o §1º do art. 1º da Lei de Improbidade diz que o rol dos atos de improbidade será tipificado, mas ainda não se sabe se será rol exaustivo ou exemplificativo em virtude da redação do caput dos arts. 9º, 10 e 11. Vejamos o porquê: Art. 1º §1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Na redação dos arts. 9º e 10, há o uso do termo “notadamente” para iniciar a delimitar as condutas previstas nos incisos, o que nos atribuiria um caráter EXEMPLIFICATIVO à lista. Por exemplo, um policial que ingeriu bebida alcoólica, dirigiu o carro da corporação e deu tiros para o alto responderia por improbidade, por ato que atenta contra princípio administrativo, mesmo não tendo disposição expressa. Por sua vez, a doutrina passa a dizer que os incisos do art. 11 encerram uma LISTA EXAUSTIVA ou um ROL TAXATIVO em razão da expressão “caracterizada por uma das seguintes condutas” contida no caput do art. 11. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor 14. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO (art. 9º da LIA): Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando em enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Vantagem patrimonial indevida em razão do cargo ou função ou emprego. Somente AÇÃO. Conduta mais grave. 16 Em quase todos os casos, o art. 9º emprega as expressões “receber”, “perceber” e “vantagem econômica” para descrever um ato de improbidade por enriquecimento ilícito, de maior gravidade. Sobre necessidade de prejuízo ou dano ao patrimônio público: Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe: I – Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às condutas previstas no art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) É desnecessária a lesão ao patrimôniopúblico no caso do art. 9º. Ainda que não haja dano ao erário, é possível a condenação por ato de improbidade administrativa que importe enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei nº 8.429/92), excluindo-se, contudo, a possibilidade de aplicação da pena de ressarcimento ao erário. STJ. 1ª Turma. REsp 1.412.214-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 8/3/2016 (Info 580). Requisitos: • AÇÃO ou ATO COMISSIVO • AFERIÇÃO DE VANTAGEM PATRIMONIAL INDEVIDA (demonstração do enriquecimento); • RELAÇÃO DE CAUSALIDADE ENTRE A VANTAGEM INDEVIDA E O EXERCÍCIO DA FUNÇÃO PÚBLICA; • DOLO. Condutas: Art. 9° Enriquecimento ilícito: IV – UTILIZAR, em obra ou serviço particular, qualquer bem móvel, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores, de empregados ou de terceiros contratados por essas entidades; (Redação da Lei 14.230/2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor Já houve caso em que uma servidora em cargo de comissão, além de praticar assédio moral contra um servidor, levava os terceirizados do setor para fazer trabalhos domésticos em sua residência e os estagiários para ajudar seus filhos em trabalhos escolares. Essa servidora foi demitida em razão desse ato de improbidade e o servidor que sofreu assédio moral ingressou com ação contra a União por danos morais, ganhando a causa em R$ 48 mil, que a União tentaria recuperar em uma ação de regresso contra a servidora em comissão que praticou a conduta. VI - RECEBER vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre qualquer dado técnico que envolva obras públicas ou qualquer outro serviço ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) VII - ADQUIRIR, para si ou para outrem, no exercício de mandato, de cargo, de emprego ou de função pública, e em razão deles, bens de qualquer natureza, decorrentes dos atos descritos no caput deste artigo, cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público, assegurada a demonstração pelo agente da licitude da origem dessa evolução; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) VIII - ACEITAR emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade; 17 CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro O exercício de atividade de consultoria para pessoa jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade, caracteriza ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. ERRADO, veja inciso VIII IX - PERCEBER vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer natureza; CESPE - 2013 - PC-BA - Delegado de Polícia Considere que um agente de polícia tenha utilizado uma caminhonete da polícia civil para transportar sacos de cimento para uma construção particular. Nesse caso, o agente cometeu ato de improbidade administrativa que importa em enriquecimento ilícito. CERTA CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça Servidor público estadual usou, em proveito próprio, veículo da administração pública estadual, para fins particulares. Nesse caso, a conduta do servidor configura ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito, se tiver havido dolo. CERTA CESPE - 2015 - Prefeitura de Salvador - BA - Procurador do Município Considera-se ato de improbidade que causa prejuízo ao erário o recebimento de vantagem econômica para promover a intermediação da liberação de verba pública de qualquer natureza. ERRADA 15. LESÃO OU PREJUÍZO AO ERÁRIO (art. 10 da LIA): Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão dolosa, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: Lesão ao erário = Dano ao patrimônio público = Lesão ao patrimônio = prejuízo ao erário. Perda patrimonial para o erário. AÇÃO ou OMISSÃO. Dispensável comprovação de enriquecimento ilícito do agente público. Indispensável a demonstração de que ocorreu efetivo dano ao erário. Se terceiro ganhou alguma vantagem é possível que seja lesão ou prejuízo ao erário. Sobre necessidade de prejuízo ou dano ao patrimônio público: 18 É necessário efetivo dano? Antes, era necessário o efetivo dano para configurar o art. 10, era indispensável a demonstração de que ocorreu efetivo dano ao erário. (STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 18.317/MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 05/06/2014) HOJE, o §1º do art. 10 diz em “perda patrimonial efetiva” como sinônimo de prejuízo em concreto ou efetivo dano. Diz agora a lei que, não havendo prejuízo concreto (“perda patrimonial efetiva”) para o Estado, a eventual sanção decorrente do ato de improbidade praticado não se consubstanciará em obrigação de ressarcir o erário. Afinal, não haverá o que ressarcir. Art. 10. §1º Nos casos em que a inobservância de formalidades legais ou regulamentares não implicar perda patrimonial efetiva, não ocorrerá imposição de ressarcimento, vedado o enriquecimento sem causa das entidades referidas no art. 1º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Mais à frente, a lei informa que a aplicação de sanção depende de dano ao patrimônio público nas condutas de lesão ou prejuízo ao erário. CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe: I – Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às condutas previstas no art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Pode haver perda patrimonial decorrente da atividade econômica: Art. 10. §2º A mera perda patrimonial decorrente da atividade econômica não acarretará improbidade administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa finalidade. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) As condutas dos sócios-administradores das entidades que desenvolvem atividades econômicas (sobretudo, as estatais como Petrobras, por exemplo) podem influenciar na perda patrimonial da entidade em decorrência de sua atuação como gestores de recursos públicos. São condutas como na escolha de estratégia de mercado, por exemplo. Tal fato não acarretará improbidade administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa finalidade. Conceito amplo de dano ao patrimônio: Dano ao patrimônio público não é necessariamente dinheiro ou dano financeiro, podendo ser qualquer patrimônio histórico, cultural, artístico, econômico, financeiro e etc. É um conceito amplo. Erário x Patrimônio Público: A doutrina faz diferença entre os conceitos de erário e patrimônio público. Erário são os recursos financeiros dos cofres públicos (aspecto econômico). Patrimônio público, por sua vez, é uma expressão mais ampla e abrange não apenas os bens de conteúdo econômico (recursos financeiros), incluindo outros valores e direitos, como os bens artísticos, estéticos, históricos ou turísticos. Apesar de essa distinção ser comum na doutrina, o STJ não a adota em seus julgados quando trata sobre o tema improbidade administrativa. Assim, você irá encontrar acórdãos falando em prejuízo ao erário e prejuízo ao patrimônio público como se fossem expressões sinônimas. 19 Desse modo, em concursopúblico no qual se exija o entendimento do STJ, será correta a alternativa que afirme que o art. 10 da lei de improbidade administrativa exige efetivo dano ao erário ou efetivo dano ao patrimônio público. Por outro lado, pode ser que lhe indaguem em uma prova discursiva ou oral a distinção entre erário e patrimônio público. Condutas: Art. 10. Causa lesão ao erário: I – FACILITAR ou CONCORRER, por qualquer forma, para a indevida incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, de rendas, de verbas ou de valores integrantes do acervo patrimonial das entidades referidas no art. 1º desta Lei; (Redação da Lei 14.230/2021) II – PERMITIR ou CONCORRER para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; Prefeito e servidores do município, em conluio, desviaram sacos de cimento, adquiridos pela municipalidade para obras públicas, distribuindo tais materiais a particulares e convocando o servidor responsável pelo almoxarifado para assinar as notas fiscais dos sacos como se os tivesse recebido. STJ. 1ª Turma. REsp 1197136/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 03/09/2013. III – DOAR à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda que de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie; IV – PERMITIR ou FACILITAR a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço INFERIOR ao de mercado; V - PERMITIR ou FACILITAR a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço SUPERIOR ao de mercado; CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor VI - REALIZAR operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea; CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro A realização de operação financeira sem a observância das normas legais e regulamentares caracteriza ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário. CERTA, veja inciso VI VII – CONCEDER benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; 20 VIII - FRUSTRAR a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a contratação direta de empresa prestadora de serviço, quando não caracterizada situação de dispensa ou inexigibilidade de licitação, gera lesão ao erário, vez que o Poder Público perde a oportunidade de contratar melhor proposta, dando ensejo ao chamado dano in re ipsa, decorrente da própria ilegalidade do ato praticado. STJ. REsp 1121501/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/10/2017. Fracionamento da contratação para burlar a licitação Para a condenação por ato de improbidade administrativa no art. 10, é indispensável a demonstração de que ocorreu efetivo dano ao erário. O Prefeito que contrata, sem licitação, empresa para fornecer material para o Município burlando o procedimento licitatório por meio da prática conhecida como fracionamento do contrato, comete ato de improbidade administrativa (art. 10, VII). Para o STJ, em casos de fracionamento de compras e contratações com o objetivo de se dispensar ilegalmente o procedimento licitatório o prejuízo ao erário é considerado presumido (in re ipsa), na medida em que o Poder Público, por força da conduta ímproba do administrador, deixa de contratar a melhor proposta, o que gera prejuízos aos cofres públicos. Segundo o art. 21, I, da Lei 8.429/92, o autor do ato de improbidade somente poderá receber a sanção de ressarcimento ao erário se ficar comprovada a efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público. Tratando-se de fracionamento de licitação, o prejuízo ao patrimônio público é presumido, de forma que o autor do ato de improbidade poderá ser condenado a ressarcir o erário. STJ. 2ª Turma. REsp 1.376.524-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 2/9/2014 (Info 549). IX – ORDENAR ou PERMITIR a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento; CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor X - AGIR ilicitamente na arrecadação de tributo ou de renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Na redação anterior, dizia-se em “agir negligentemente”, agora se diz “agir ilicitamente”. Pode, em razão da alteração de 2021, trocar o ilicitamente pelo negligentemente para tornar errada a questão. XI - LIBERAR verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular; XII - PERMITIR, FACILITAR ou CONCORRER para que terceiro se enriqueça ilicitamente; XIII - PERMITIR que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor público, empregados ou terceiros contratados por essas entidades. XIV – CELEBRAR contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei; 21 XV – CELEBRAR contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária, ou sem observar as formalidades previstas na lei. XVI - FACILITAR ou CONCORRER, por qualquer forma, para a incorporação, ao patrimônio particular de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a entidades privadas mediante celebração de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; XVII - PERMITIR ou CONCORRER para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a entidade privada mediante celebração de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; XVIII - CELEBRAR parcerias da administração pública com entidades privadas sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-BA – Promotor (cobrou a literalidade do dispositivo) XIX – AGIR para a configuração de ilícito na celebração, na fiscalização e na análise das prestações de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Na redação anterior, dizia-se em “agir negligentemente”, agora se diz “agir para a configuração de ilícito”. Pode, em razão da alteração de 2021, trocar o ilícito pelo negligente para tornar errada a questão. XX – LIBERAR recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. VUNESP – 2023 – TJ-RJ – Juiz (cobrou a literalidade do dispositivo) XXII – CONCEDER, APLICAR ou MANTER benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o §1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) LC 116/2003. Art. 8º-A. A alíquota mínima do Imposto sobre Serviços deQualquer Natureza é de 2%. §1º O imposto não será objeto de concessão de isenções, incentivos ou benefícios tributários ou financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de crédito presumido ou outorgado, ou sob qualquer outra forma que resulte, direta ou indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente da aplicação da alíquota mínima estabelecida no caput, exceto para os serviços a que se referem os subitens 7.02, 7.05 e 16.01 da lista anexa a esta Lei Complementar. 16. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ADMINISTRAÇÃO (art. 11 da LIA): Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: EXIGE-SE DOLO 22 AÇÃO ou OMISSÃO. Dispensa a demonstração do dano. Se ninguém ganhou vantagem é possível que seja atentado contra os princípios da administração pública. Com Lei nº 14.230 de 2021, foi retirado do caput a parte que dizia sobre a existência de ato de violação a lealdade às instituições. CESPE - 2020 - MPE-CE - Analista Ministerial – Administração Somente atos comissivos podem caracterizar uma situação como sendo de improbidade administrativa por violação dos princípios da administração pública. ERRADO Requisitos: • AGENTE PÚBLICO (OU A ELE EQUIPARADO), ATUANDO NO EXERCÍCIO DE SEU MUNUS PÚBLICO; • CONDUTA ILÍCITA; • IMPROBIDADE DO ATO, CONFIGURADA PELA TIPICIDADE DO COMPORTAMENTO, AJUSTADO EM ALGUM DOS INCISOS DO 11 DA LIA; • ELEMENTO VOLITIVO, CONSUBSTANCIADO NO DOLO DE COMETER A ILICITUDE COM O FIM DE OBTER PROVEITO OU BENEFÍCIO INDEVIDO; • OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA • LESIVIDADE RELEVANTE. Rol exemplificativo ou rol taxativo? Fique de olho na expressão “caracterizada por uma das seguintes condutas:” Antes, a doutrina afirmava que o rol dos arts. 9º, 10 e 11 era exemplificativo (numerus apertus) em razão da expressão “qualquer” utilizada na descrição das condutas genéricas previstas da redação originária da lei. Hoje, a Lei nº 14.230/2021 modificou a redação do caput do art. 11 para inserir a expressão “caracterizada por uma das seguintes condutas”. Assim, a doutrina passou a dizer que os incisos do art. 11 encerram uma LISTA EXAUSTIVA ou um ROL TAXATIVO, permanecendo as condutas previstas nos arts. 9º e 10 elencadas em rol exemplificativo. CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Auditor Conselheiro A tipificação das condutas consideradas ímprobas no âmbito da administração pública é taxativa e se exaure na lei em questão. ERRADO COMENTÁRIOS: Tem condutas taxativas e exemplificativas. No caso do art. 11 as condutas são exemplificativas. Dolo específico (§§1º e 2º): Art. 11. (...) §1º Nos termos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto nº 5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haverá improbidade administrativa, na aplicação deste artigo, quando for comprovado na conduta funcional do agente público o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra pessoa ou entidade. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 23 §2º Aplica-se o disposto no §1º deste artigo a quaisquer atos de improbidade administrativa tipificados nesta Lei e em leis especiais e a quaisquer outros tipos especiais de improbidade administrativa instituídos por lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) A Convenção de Mérida (Decreto nº 5.687/06) visou promover a formulação e a execução de medidas para evitar e combater, de maneira eficaz, a corrupção; impulsionar, facilitar e apoiar a cooperação internacional e assistência técnica na prevenção e na luta contra a corrupção, inclusive no campo da recuperação de ativos; e fomentar a integridade do administrador público. Demonstração objetiva (§3º): §3º O enquadramento de conduta funcional na categoria de que trata este artigo pressupõe a demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas constitucionais, legais ou infralegais violadas. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Sobre necessidade de dano ao patrimônio público (§4º): §4º Os atos de improbidade de que trata este artigo exigem lesividade relevante ao bem jurídico tutelado para serem passíveis de sancionamento e independem do reconhecimento da produção de danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. Foi incluído pela Lei nº 14.230, de 2021, mas já era a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. O STJ sempre disse que os atos de improbidade administrativa descritos no artigo 11 da Lei nº 8429/92 dependem da presença do dolo genérico, mas dispensam a demonstração da ocorrência de dano para a Administração Pública ou enriquecimento ilícito do agente (AgRg no REsp 1368125/PR). CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor CESPE / CEBRASPE - 2022 - MPE-SE - Promotor de Justiça A aplicação de sanção pelo cometimento de atos de improbidade que atentem contra os princípios da administração pública só é possível se houver lesividade relevante ao bem jurídico tutelado, bem como reconhecimento da produção de danos ao erário e enriquecimento ilícito dos agentes públicos. ERRADA CESPE/CEBRASPE - MPE TO - Promotor de Justiça - 2022 A respeito de improbidade administrativa, assinale a opção correta. a) A configuração de ato de improbidade contrário a princípio da administração pública independe de prova de dano ao erário ou enriquecimento ilícito do agente. b) A exigência de que os agentes públicos apresentem declaração anual de bens ao órgão ou ao ente a que estejam ligados pode ser mitigada em caso de recusa de consciência, devidamente fundamentada. c) A ação por improbidade administrativa tem natureza criminal. d) No atual regime legal da improbidade administrativa, são puníveis atos praticados com culpa grave, devidamente provados e que tenham causado dano ao erário. e) No caso de condenação à perda da função pública, a eficácia da decisão judicial deve alcançar qualquer vínculo atual do réu com o serviço público, ainda que diverso do existente quando do cometimento da improbidade. Condutas: Art. 11. Atenta contra os princípios da administração: 24 III - REVELAR fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por informação privilegiada ou colocando em risco a segurança da sociedade e do Estado; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Não é meramente revelar o segredo. Precisa ter benefício a alguém ou colocar em risco a segurança. O mero vazamento de informações não configura a conduta ímproba. IV – NEGAR publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras hipóteses instituídas em lei; (Redação dada pela Lei 14.230/2021) Antes, não se tinha essa exceção. Pode negar publicidade aos atos oficiais em razão de segurança. ATENÇÃO: O comportamento doloso de deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício não é mais ato de improbidade administrativa. A Lei 14.1230/2021 revogou o inciso II do art. 11 da Lei 8.429/92, que o contemplava. FGV – 2023 – TJ-ES – Juiz de Direito V - FRUSTRAR, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor Antes, bastava frustrar a licitude. Hoje, para ser ato de violação ao princípio precisa ter ofensa à imparcialidade ou frustrar o caráter concorrencial. Não confunda com a conduta que causa lesão ao erário: ATO ÍMPROBO QUE CAUSA LESÃO AO ERÁRIO ATO ÍMPROBO QUE ATENTA CONTRA OS PRINCÍPIOSDA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 10. Causa lesão ao erário: VIII - FRUSTRAR a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva; (Redação da Lei 14.230/2021) V - FRUSTRAR, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros; (Redação da Lei 14.230/2021) VI - DEIXAR de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) Tem que ter a finalidade de ocultar irregularidades. CESPE / CEBRASPE - 2022 - PGE-RO - Procurador do Estado Um promotor de justiça, depois de ter recebido uma série de dados obtidos da prefeitura de certa cidade, constatou que o prefeito havia deixado de prestar contas relativas a convênio federal em situação em que este era expressamente obrigado a fazê-lo. Por meio do exame dos documentos, constatou que a citada autoridade dispunha de condições técnicas e operacionais para a prestação das contas e tinha plena ciência do dever de fazê-lo. Embora os documentos não indicassem que a ausência da prestação de contas tinha o objetivo de ocultar irregularidade, era possível identificar que o prefeito indevidamente havia deixado de praticar ato de ofício, com desrespeito intencional aos prazos legais e ao princípio da legalidade. 25 Com base nas disposições da Lei n.º 8.429/1992, é correto afirmar que, nessa situação hipotética, a conduta do prefeito a) Configura ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito. b) Configura ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário. c) Configura ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. d) Não configura nenhuma das hipóteses de ato de improbidade administrativa previstas na lei em questão. e) Configura ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário e, concomitantemente, ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. A ausência de prestação de contas configura ato de improbidade administrativa? A ausência de prestação de contas, quando ocorre de forma dolosa, acarreta violação ao Princípio da Publicidade. Vale ressaltar, no entanto, que o simples atraso na entrega das contas, sem que exista dolo na espécie, não configura ato de improbidade. Para a configuração do ato de improbidade previsto no art. 11, inc. VI, da Lei nº 8.429/92, não basta o mero atraso na prestação de contas, sendo necessário demonstrar a má-fé ou o dolo genérico. Assim, por exemplo, se o Prefeito não presta contas, para que ele seja condenado por improbidade administrativo será necessário provar que ele agiu com dolo ou má-fé. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.382.436-RN, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/8/2013 (Info 529) CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto Prefeito de determinado município deixou de cumprir obrigação legal de prestar contas à respectiva câmara municipal. O Ministério Público estadual ajuizou ação de improbidade administrativa pelo ato praticado pelo prefeito no exercício de seu mandato. Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa e com a jurisprudência dos tribunais superiores, caberia a ação por improbidade, uma vez que o ato do prefeito atentou contra os princípios da administração pública. CERTA VII – REVELAR ou PERMITIR que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço. VIII – DESCUMPRIR as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas. VUNESP – 2023 – TJ-RJ – Juiz (cobrou a literalidade do dispositivo) XI – NOMEAR cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-AM - Promotor Nepotismo passou a ser ato de improbidade administrativa. Nepotismo com dolo específico: Não é ato de improbidade a mera nomeação ou indicação. 26 Art. 11. §5º Não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do agente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) O nepotismo sempre foi ato ímprobo? Cuidado, que anteriormente existiam duas posições quanto ao fato de ser ato de improbidade o nepotismo. PRIMEIRA CORRENTE: Não configura improbidade administrativa a contratação, por agente político, de parentes e afins para cargos em comissão ocorrida em data anterior à lei ou ao ato administrativo do respectivo ente federado que a proibisse e à vigência da Súmula Vinculante nº 13 do STF. STJ. 1ª Turma. REsp 1.193.248-MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 24/4/2014 (Info 540). SEGUNDA CORRENTE: A prática de nepotismo configura grave ofensa aos princípios da administração pública, em especial aos princípios da moralidade e da isonomia, enquadrando-se, dessa maneira, no art. 11 da Lei nº 8.429/92. A nomeação de parentes para ocupar cargos em comissão, ainda que ocorrida antes da publicação da Súmula vinculante 13, constitui ato de improbidade administrativa, que atenta contra os princípios da administração pública, nos termos do art. 11 da Lei nº 8.429/92, sendo despicienda a existência de regra explícita de qualquer natureza acerca da proibição. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1386255/PB, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24/04/2014. E A PRÁTICA DE RACHADINHA? VUNESP – 2023 – MPE-SP – Promotor A nomeação de servidores públicos para cargos em comissão sob condição de entrega da remuneração por parte daqueles que não exercem nenhuma função (Método “Servidor Fantasma”), ou as exercem parcialmente (Método “Rachadinha”), ao nomeante, é hipótese de múltipla subsunção perante a Lei Federal nº 8.429/92, porquanto a um só tempo importa em enriquecimento ilícito e causa lesão ao erário. CERTA O TSE entendeu que a prática de "rachadinha" (prática de devolução parcial de remuneração à autoridade nomeante, por parte do servidor nomeado, ocupante de cargo de livre nomeação) acarreta, a um só tempo, danos ao erário e enriquecimento ilícito, razão pela qual é verdadeiro aduzir que tal comportamento subsume-se de forma múltipla às disposições da Lei 8.429/92 (LIA). ELEIÇÕES DE 2020. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PRÁTICA ILÍCITA DE “RACHADINHA”. CARACTERIZAÇÃO SIMULTÂNEA DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO E DANO AO ERÁRIO PÚBLICO. INELEGIBILIDADE DO ART. 1º, I, L, DA LC Nº 64/1990 CONFIGURADA. RECURSO PROVIDO. 3. A exigência legal imposta de que a conduta ímproba traga, simultaneamente, prejuízo ao erário e enriquecimento ilícito do próprio agente ou de terceiros, como exigido por esta Corte Eleitoral, está presente, pois é regular e lícito ao TSE verificar na fundamentação da decisão condenatória a existência de ambos os requisitos. AgR-AI nº 411-02/MG, Rel. Min. EDSON FACCHIN, DJe de 7.2.2020; Rel. Min. OG FERNANDES, PSESS de 27.11.2018. XII - PRATICAR, no âmbito da administração pública e com recursos