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DIREITO MÉDICO E DA SAÚDE 
MÓDULO: RESPONSABILIDADE CIVIL DO MÉDICO 
TEMA – RESPONSABILIDADE CIVIL DO MÉDICO 
1. INTRODUÇÃO À RESPONSABILIDADE CIVIL DO MÉDICO 
Para iniciarmos, nada melhor do que apresentarmos o conceito geral de 
Responsabilidade Médica. FRANÇA (2016, p. 253), utiliza-se das palavras de 
Alexander Lacassagne, que definiu: 
 
(...) A responsabilidade médica como a obrigação que podem sofrer 
os médicos em virtude de certas faltas por eles cometidas no exercício 
de sua profissão, faltas essas que geralmente comportam uma dupla 
ação: civil e penal. Sob esse último aspecto, o médico se vê, diante de 
um delito; sujeito a uma determinada pena. Quanto ao aspecto civil, 
acarretando o dano físico um prejuízo econômico, impõe-se um 
pagamento em dinheiro como forma de indenização. 
 
Com toda vênia ao ilustre trecho citado, entendemos que também cabe 
indenização por danos morais em se tratando de ações que tem como fundamento a 
responsabilidade civil do médico. 
Sem prejuízo, o autor do livro acima mencionado também destaca que para 
alguns, o diploma médico serviria como prova de sua competência e, portanto, não 
caberia julgamento de suas ações. 
Contudo, aludido entendimento se chocaria frontalmente com o conceito de 
responsabilidade civil do artigo 186 do Código Civil, que traz em sua redação que 
“aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito 
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ao ilícito”. 
Deste modo, perfeitamente possível a propositura de ação por erro médico, 
bem como que a mera existência do diploma médico não exime qualquer profissional 
de cometer erros no exercício de suas funções. Erros estes que, caso existam, devem 
ser indenizáveis. 
Dito isso, convêm relembrar alguns conceitos do Código Civil (CC) e do 
Código de Processo Civil (CPC): 
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BEVILÁQUIA, citado por RODRIGUES (2006, p. 324) define a prescrição 
como “a perda de uma ação atribuída a um direito e de toda sua capacidade defensiva, 
em consequência do não-uso delas, durante um determinado tempo”. 
Significa dizer que, não sendo proposta determina ação dentro de um período 
– geralmente, definido por lei – perde-se a oportunidade de pleitear em juízo um 
eventual direito subjetivo violado. 
No caso do Direito Médico, para identificarmos os prazos prescricionais, é 
importante traçar uma diferenciação quando estamos diante de atendimento de 
médico particular e atendimento por médico do estado (servidor público). 
Enquanto no atendimento particular estaremos diante de uma relação de 
consumo, no atendimento feito por médico do estado, não. 
Para melhor expor a diferença mencionada, precisamos fazer uma breve 
digressão ao Código de Defesa do Consumidor (CDC), já que no art. 3º, § 2º é 
considerado como serviço protegido pela lei consumerista, aqueles realizados 
mediante remuneração. 
Veja que, para caso de contrato de planos de saúde, aludido entendimento foi 
consolidado pela Súmula 608 do STJ, a qual aduz que “aplica-se o Código de Defesa 
do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os administrados por 
entidades de autogestão". 
Desta forma, o prazo prescricional para propor uma ação pautada em erro 
médico é de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 27 do Código de Defesa do 
Consumidor. Mencionado prazo é contado a partir do conhecimento do ato ilícito: 
 
Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos 
causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste 
Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento 
do dano e de sua autoria. 
 
Para que não pairem dúvidas acerca do momento em que se inicia a 
contagem do prazo, imaginemos que um paciente adentrou o seu escritório relatando 
que realizou uma cirurgia em 2010 e que, no mesmo ano em que compareceu no seu 
escritório, começou a sentir fortes dores naquela mesmo região, de modo que, após 
exames de imagem realizados dias antes ao comparecimento em seu escritório, 
constatou que houve o esquecimento de uma gaze naquele mesmo local, algo que 
lhe proporcionou lesões naquele local. Nesse sentido, não terá ocorrido a prescrição 
neste caso, uma vez que o conhecimento do fato se deu recentemente, passando, 
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assim, a computar a prescrição a partir dessa peculiaridade e não da data da 
realização da cirurgia em si. 
Desta forma, o prazo prescricional será a partir do momento em que se 
descobriu que a gaze se fazia presente, e não na data do ato médico, já que, até 
então, não se sabia da existência do corpo estranho no paciente. 
2. BASES PARA ELABORAÇÃO DA PETIÇÃO INICIAL 
A base de uma petição inicial é o art. 319 do Código de Processo Civil (CPC). 
Ou seja, o procedimento comum. Vejamos tal dispositivo abaixo: 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
I - o juízo a que é dirigida; 
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união 
estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas 
Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço 
eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; 
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; 
IV - o pedido com as suas especificações; 
V - o valor da causa; 
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos 
fatos alegados; 
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de 
conciliação ou de mediação. 
§ 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá 
o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a 
sua obtenção. 
§ 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de 
informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. 
§ 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao 
disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações 
tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça. 
 
Aqui, devemos mencionar que uma ação pautada em erro médico, não será 
distribuída nos juizados especiais cíveis, posto que, necessariamente, haverá 
necessidade da perícia médica para o correto deslinde do feito. 
Explica-se: O artigo 3º da Lei nº 9.099/95, que rege os Juizados Especiais 
Cíveis e Criminais, dispõe que “o Juizado Especial Cível tem competência para 
conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade(...)”. 
Entende-se como causas de menor complexidade, entre outras, aquelas que 
não exijam a realização de perícia formal. Este é o entendimento que o Fórum 
Nacional de Juizados Especiais (FONAJE) publicou em seu Enunciado 12: 
 
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A perícia informal é admissível na hipótese do artigo 35 da Lei 
9.099/1995.” Dessa forma, conclui-se que, para o Fonaje, as perícias 
“formais” caracterizam as causas complexas e afastam a competência 
dos Juizados Cíveis. 
 
Veja que o entendimento acima vai de encontro a alguns dos princípios 
norteadores dos juizados especiais: simplicidade, celeridade e economia processual. 
Assim, caso uma ação pautada em erro médico seja proposta junto ao juizado 
especial, esta fatalmente encontrará óbice em razão do acima exposto, estando, 
portanto, fadada a sua extinção, face o reconhecimento da incompetência do juizado 
especial cível para julgamento da causa. 
Entretanto, de acordo com o princípio da economia processual, alguns 
juizados encaminham o processo para o distribuidor de uma das varas comuns da 
comarca na qual a inicial foi proposta. Contudo, o correto é a distribuição diretamente 
na vara comum. 
2.1. NOME DA AÇÃO 
Embora não exista uma regra para se dar nome a uma ação judicial, tampouco 
pode o juízo deixar de apreciar um pedido caso os demais requisitos de sua 
propositura sejam atendidos, como sugestão, pode-seutilizar o título de “Ação 
Indenizatória por Erro Médico”. 
2.2. COMPETÊNCIA 
Como competência tem-se que é “a medida da jurisdição, ou ainda, a 
quantidade de jurisdição delegada a um determinado órgão ou grupo de órgãos” 
(NEVES, 2017, p. 217). 
Dessa forma, em razão da existência de diversas jurisdições, sejam elas 
absolutas ou relativas, territorial (foro competente), funcional (pela prática de 
determinado ao processual) ou em razão da matéria (objeto da ação), é preciso 
observar algumas regras para propositura da ação de erro médico: 
▪ Juízo (em razão da matéria): Justiça Comum Estadual (como mencionado 
anteriormente, posto que a comprovação das alegações depende de prova 
pericial e, portanto, não cabível nos juizados especiais); 
▪ Foro (territorial): domicílio do autor (inciso I do artigo 101 do CDC); 
 
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Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos 
e serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, 
serão observadas as seguintes normas: 
I - A ação pode ser proposta no domicílio do autor; 
 
Apesar de constar no artigo supra uma competência relativa (já que consta o 
termo ‘pode ser proposta do domicílio do autor’), recentes julgados do Superior 
Tribunal de Justiça (STJ) entenderam que em uma relação de consumo, a 
competência é absoluta: 
 
Competência. Foro de eleição. Contrato de adesão. Código de Defesa 
do Consumidor. I. - A eleição de foro diverso do domicílio do réu, 
previsto em contrato de adesão, não deve prevalecer quando acarreta 
desequilíbrio contratual, dificultando a própria defesa do devedor. No 
caso, trata-se de incompetência absoluta, podendo ser declarada de 
ofício. Precedentes da Corte. II. - Recurso especial a que se nega 
seguimento. (AgRg no Ag n. 455.965/MG, relator Ministro Antônio de 
Pádua Ribeiro, Terceira Turma, DJ de 11/10/2004, p. 314.) 
 
Como regra, a competência será da Justiça Comum Estadual, não sendo a 
Justiça Federal ante o fato de ser, em princípio, uma relação de consumo contra uma 
operadora de plano de saúde. Entretanto, se for o caso de uma ação ajuizada contra 
um hospital público federal, por exemplo, pode haver sim o deslocamento para a 
Justiça Federal, visto que tal hospital é administrado pela União. 
2.3. PARTES 
As partes são os sujeitos processuais, ou seja, todos aqueles que, ainda que 
indiretamente, participem do processo. 
JÚNIOR (2007, p. 88) definiu como partes os sujeitos da lide. O ilustre 
professor dividiu as partes em duas: os sujeitos materiais e os processuais. 
Para nós, o importante nesta oportunidade é destacar as partes litigantes; ou 
seja, autores e réus: 
 
A que invoca a tutela jurídica do Estado e toma a posição ativa de 
instaurar a relação processual recebe o nome de autor. A que fica na 
posição passiva e se sujeita a relação processual instaurada pelo 
autor, chama-se réu ou demandado (THEODORO JUNIOR, 2007, p. 
88). 
 
No caso específico das ações que envolvem erro médico, temos as seguintes 
definições para autor e réu: 
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2.3.1. AUTORES 
São as vítimas do erro médico. Caso a vítima tenha falecido, cabe também 
dano ricochete/reflexo, oportunidade na qual os ascendentes ou descendentes 
também poderão ingressar com uma ação para reparação de danos. Nesse sentido, 
caso a ação for proposta por filho menor da vítima, ele poderá ser representado (se 
for absolutamente incapaz) ou assistido (se for relativamente incapaz), para fins de 
apuração de dano ricochete ou reflexo. 
A saber, sobre dano ricochete/reflexo: 
 
(...) No dano moral reflexo ou em ricochete, a despeito de a afronta a 
direito da personalidade ter sido praticada contra determinada pessoa, 
por via indireta ou reflexa, tal conduta agride a esfera da personalidade 
de terceiro, o que também reclama a providência reparadora a título 
de danos morais indenizáveis na medida da ofensa aos direitos 
destes. 3. Demonstrados o ato ilícito decorrente do atendimento 
defeituoso prestado por hospital público à neonatal, o dano 
correspondente à morte de filho recém-nascido e o nexo de 
causalidade entre ambos, deve ser o Estado ser condenado a prestar 
reparação por dano moral aos pais da vítima. (Acórdão 1336600, 
00354692820168070018, Relatora: MARIA DE LOURDES ABREU, 
Terceira Turma Cível, data de julgamento: 28/4/2021, publicado no 
PJe: 14/5/2021). 
 
Ou seja, o dano reflexo ocorre quando um ato viola direito da personalidade 
de terceiro. O exemplo acima é claro ao demonstrar a possibilidade de condenação 
do Estado a reparar dano moral aos pais de um filho recém-nascido vítima de ato 
ilícito. 
Embora o exemplo acima trate de responsabilidade de hospital do estado, o 
importante para esse momento é entendermos o conceito de dano reflexo ou de 
ricochete, como acima exposto. 
Como visto, o réu é a parte que assume o polo passivo de uma ação. 
Entretanto, no caso de ação movida por erro médico, podemos ter pluralidade de réus. 
2.3.2. RÉU 
Poderá haver existência de litisconsórcio facultativo; 
a) Operadora do plano de saúde (artigo 14, CDC) 
b) Hospital no qual foi realizado o procedimento (artigo 14, CDC); 
c) Médico (artigo 14, §4º do CDC) 
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Devemos, para tanto, destacar o que leciona o artigo 14 do CDC em seu caput 
e no parágrafo quarto: 
 
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da 
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos 
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem 
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição 
e risco. 
§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será 
apurada mediante a verificação de culpa. 
 
Caso não tenha como individualizar quem foi o médico responsável pelo erro, 
pode-se mover a ação somente em relação à operadora e ao hospital. 
Lembrando: 
▪ Responsabilidade objetiva: Independe de culpa (culpa presumida); 
▪ Responsabilidade subjetiva: Depende da comprovação de negligência, 
imprudência e imperícia. 
Importante: 
A responsabilidade da operadora do plano de saúde e do hospital considera-
se como responsabilidade objetiva. Portanto, não depende da comprovação de dolo 
ou culpa, tratando-se de responsabilidade presumida em razão do risco do negócio. 
Já a responsabilidade do médico é subjetiva e, portanto, depende de prova 
da culpa (negligência/imprudência/imperícia): 
▪ Negligência: Costuma estar relacionada à falta de atenção (Exemplo, 
esquecer uma gaze dentro do corpo do paciente após a realização de uma 
cirurgia). 
▪ Imprudência: É, geralmente, assumir o risco (usar medicamentos em 
teste, por exemplo, ou demorar mais que o necessário para realizar uma 
cesariana). 
▪ Imperícia: Se dá quando o médico atua na área que não é especialista. 
Para esclarecer melhor, cabe-nos trazer exemplos de negligência, 
imprudência e imperícia adotados por HAZAN (2009): 
 
A imprudência - conduta comissiva positiva - tem como exemplo o 
caso do médico anestesista que realiza duas cirurgias 
simultaneamente. A negligência - conduta negativa - pode ser 
exemplificada com o caso do médico que deixa de tomar todas as 
cautelas em um tratamento pós-operatório no paciente. Já a imperícia 
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- que também se trata de uma conduta positiva - é aquela em que o 
médico clínico geral realiza uma cirurgia estética sem ser especialista 
na respectiva área. 
 
Além de aludida disposição constar no § 4º do artigo 14 do Código de Defesa 
do Consumidor, o Código de Ética Médica, em seu capítulo III, ao tratar da 
responsabilidade do médico, prevê que é vedado ao médico causar dano ao paciente, 
bem como, que sua responsabilidade é sempre pessoal e não será presumida: 
 
Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizávelcomo imperícia, imprudência ou negligência. 
Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre pessoal e não 
pode ser presumida. 
 
Importante atentar as regras gerais da responsabilidade civil. Ou seja, para 
restar comprovada a existência de um ato ilícito, deve haver dano, um resultado 
danoso e o nexo de causa entre um e outro. 
Ademais, vale ainda destacar que, nos termos do artigo 34 do Código de 
Defesa do Consumidor, o fornecedor do produto ou serviço é solidariamente 
responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos. 
2.4. FATOS E OS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO 
Preliminarmente, vale ressaltar que a expressão “erro médico” não está 
tecnicamente correta pelo fato de que existem cerca de 59 (cinquenta e nove) 
especializações na área médica, de modo que até mesmo o clinico geral também é 
compreendido como um especialista. Ato contínuo, o Conselho Federal de Medicina 
julga como especialista aquele que realizou residência (I, II e III) na respectiva área 
de especialização. O artigo 1º do Código de Ética Médica vem a conceituar o que é 
um médico imperito. 
O artigo 319 do CPC traz alguns requisitos que devem ser observados quando 
da propositura de uma ação. No inciso III do mencionado artigo temos os fatos e os 
fundamentos jurídicos do pedido. 
Ou seja, devemos mencionar na petição inicial, os motivos que levam a parte 
autora a ingressar com uma ação. Entre os motivos, deve-se indicar o ato ilícito 
praticado, para que possa haver incidência no art. 927 do CPC, que aduz que “aquele 
que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. 
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Como vemos acima, é necessário indicar ao juízo o ato ilícito que se pretende 
reparar, sob pena de não conhecimento da inicial. 
Além da efetiva indicação do ato ilícito, a parte autora deve ainda, 
pormenorizar os danos decorrentes de aludido ato, os quais serão melhor examinados 
a seguir. 
2.4.1. DANOS MATERIAIS 
Por exemplo, lesão permanente e temporária (vide artigo 402 do Código Civil, 
o qual prevê que “salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e 
danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que 
razoavelmente deixou de lucrar”). 
Aqui podemos pedir indenização por danos emergentes e lucros cessantes, 
dando como exemplo, hipóteses que a mãe deixa de trabalhar para ter que cuidar de 
um filho que foi vítima de erro médico ou ainda, se a própria vítima ficou impossibilitada 
de trabalhar. 
Nesse contexto, o autor terá direito a receber um salário (que nada se 
relaciona com a situação jurídica da pensão). 
Todas essas regras se repetem na ação movida contra o cirurgião plástico e o 
médico anestesista. 
2.4.2. DANOS ESTÉTICOS 
Os danos estéticos estarão pautados no artigo 186 do Código Civil. 
O conceito de dano estético pode ser traduzido como aquele que causa: 
 
alteração morfológica do acidentado, como, por exemplo, a perda de 
algum membro ou mesmo de um dedo, uma cicatriz ou qualquer 
mudança corporal que cause repulsa, afeamento ou apenas desperte 
a atenção por ser diferente. (OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de, 2011, 
p. 243 e 244). 
 
Veja que não é qualquer dano que se traduz em dano estético, sendo 
necessária a existência de cicatriz ou mudança corporal que cause repulsa ou 
desperte a atenção de terceiros por ser diferente, ou ainda, por óbvio, a perda de um 
membro. 
É importante mais uma vez ressaltar que todas essas regras se repetem na 
ação movida contra o cirurgião plástico e o médico anestesista. 
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2.4.3. DANOS MORAIS 
Pautados na dignidade da pessoa humana, disposta no art. 1º, III da 
Constituição Federal, além dos artigos 186 do Código Civil e 12 e 14 do Código de 
Defesa do Consumidor. 
Registre-se, novamente, que todas essas regras se repetem na ação movida 
contra o cirurgião plástico e o médico anestesista. 
2.5. AUDIÊNCIA 
É importante o autor da ação ressaltar se optará ou não pela realização da 
audiência de conciliação ou mediação, na forma do inciso VII do artigo 319 do Código 
de Processo Civil, senão vejamos: 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
(...) 
VII – a opção do autor pela realização ou não de audiência de 
conciliação ou de mediação. 
 
2.6. PROVAS 
Geralmente, a prova aqui será pericial, uma vez que o erro médico depende 
de perícia técnica para apurar eventual ato erro, bem como, excluir hipóteses de 
iatrogenia ou intercorrência médica. 
Apenas a título de maior curiosidade, para GIOVANINI1, a iatrogenia pode ser 
considerada como: 
 
(...) um estado de doença, efeitos adversos ou alterações patológicas 
causados ou resultantes de um tratamento de saúde correto e 
realizado dentro do recomendável, que são previsíveis, esperados ou 
inesperados, controláveis ou não, e algumas vezes inevitáveis. 
Contudo, tais efeitos não necessariamente são ruins, podendo, 
inclusive, ser bons. 
 
 
 
 
1 Disponível em: . Acesso em: 27/06/2022. 
 
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2.7. CITAÇÃO 
A citação será, aqui, realizada de forma eletrônica, nos termos do artigo 246 
do Código de Processo Civil, cujo mesmo prevê que: 
 
Art. 246. A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no 
prazo de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão que a determinar, 
por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco 
de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho 
Nacional de Justiça. 
 
2.8. VALOR DA CAUSA 
Nos termos do artigo 291 do CPC: “A toda causa será atribuído valor certo, 
ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível”. 
Além do já discutido, a negligência médica pode incidir em três reflexos em 
outras esferas de competência: 
1. Conselho Regional de Medicina (CRM), ou seja, cabe denuncia junto 
Conselho. 
2. Ação indenizatória (Cível) 
3. Criminal (Inquérito Policial) 
Significa dizer que a interposição de uma ação civil não obsta que o médico 
seja acionado junto ao conselho de medicina, tampouco na esfera criminal e nenhum 
deles é exclusivamente dependente do outro. Logo, pode ocorrer o fato de um médico 
ser absolvido no âmbito criminal, mas ser responsabilizado administrativamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIA 
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. Acesso em 
27/06/2022. 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm. Acesso em 27/06/2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula n° 608. Disponível em: 
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Disponível em: . Acesso em 
01/07/2022. 
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM - Brasil). Código de ética 
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. Acesso em: 
27/06/2022. 
FRANÇA, Genival Veloso de. Direito Médico – 3ª ed. – Rio de Janeiro: 
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GIOVANINI, Ana Elisa Pretto Pereira. Disponível em: .Acesso em: 27/06/2022. 
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NEVES, Daniel Amorim Assumpção, Nome. Manual de Direito Processual 
Civil – 9ª ed. – Salvador: JusPodivm, 2017. 
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por Acidente do Trabalho 
ou Doença Ocupacional. – 6ª ed. – São Paulo: JusPodivm, 2011. 
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RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Parte Geral. Vol.1 – 34ª edição – São 
Paulo: Saraiva, 2006. 
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – 
Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento – 48ª edição 
– Rio de Janeiro: Forense, 2008. 
 
 
 
 
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