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Sentença Pronunciamento do juiz que encerra a fase de conhecimento e extingue o processo de execução. Pronunciamento do juiz: Art. 203, CPC. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. § 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. A sentença poderá ser: Terminativa: Segundo a doutrina, a sentença terminativa é aquela que não aprecia o fundo do litígio, extinguindo o processo sem resolução de mérito. Sobre ela se forma apenas a preclusão temporal (também conhecida como coisa julgada formal), sinalizada com o trânsito em julgado da decisão, que representa a impossibilidade de rediscussão das questões decididas dentro do processo em que foi proferida. Deve ser a exceção em respeito ao Princípio da Primazia Da Decisão de Mérito (Art. 4º, cpc. As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.). A solução de mérito deve ser prioritária. Art. 485, CPC. O juiz não resolverá o mérito quando: I - indeferir a petição inicial; Situação em que a petição inicial possui algum vício que leve à necessidade de indeferi-la (petição inicial inepta). O juiz intimará o autor para corrigir os vícios que podem ser sanados e, se isso não ocorrer, extingue-se o processo sem análise do mérito. Os vícios que não podem ser sanados causam diretamente esta extinção processual. II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; Quando, mesmo após a intimação do juiz para que as partes se manifestem no prazo de cinco dias, elas não dão continuidade ao processo, pode-se dizer que houve o abandono da ação. Ocorre a extinção sem resolução do mérito. III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; Também se pode chamar de abandono da ação pelo autor. O juiz intima o autor para que cumpra suas incumbências, no prazo de cinco dias, sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito. Caso ocorra a desistência da ação por culpa de ambas as partes, tanto o autor quanto o réu serão responsáveis pelo pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios. Normalmente, quem deve pagar os custos do processo é a parte sucumbente, ou seja, a parte que “perdeu” a ação. IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; Segundo a doutrina, os “pressupostos processuais" são todos os elementos de existência, os requisitos de validade e as condições de eficácia do procedimento. V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; A perempção ocorre quando, por três vezes, o autor abandona o processo ou causa sua extinção, ou seja, por três vezes a ação foi extinta sem resolução de mérito. Se isto acontecer, o autor fica impedido de repropor a ação. Já a litispendência consiste no fato de haver outra ação idêntica em curso – mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir. Por fim, a coisa julgada se dá quando houve o exauriente julgamento de mérito de uma ação. Uma ação idêntica, então, com as mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir se faz impossível. Tampouco caberão recursos desta ação (ora, a coisa julgada só se dá depois de passada a fase recursal, quando já houve trânsito em julgado). VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; Não é possível que o autor proponha ação para pleitear direito do qual não seja titular; Ele deve ter interesse legítimo no pedido que irá fundar na ação judicial. Sem a legitimidade, há extinção do processo sem julgamento de mérito. VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Quando existe convenção de arbitragem ou arbitragem já instaurada, o juízo estatal não será mais competente para julgar a ação, cabendo às partes demandarem que a causa vá para juízo arbitral. Então, somente se receber pedido de uma das partes, o magistrado deve extinguir o processo sem apreciar seu mérito. Atenção: o magistrado não pode fazê-lo de ofício! Se nenhuma das partes pleitear a ida da causa para a arbitragem, o processo deverá correr normalmente como se não houvesse prévia convenção. Daí a competência acabará tornando-se do juiz togado. VIII - homologar a desistência da ação; Hipótese em que o autor abre mão do direito que funda a propositura da ação. Quando a desistência se dá antes da contestação, ela independe de concordância do réu. Mas, se o réu já tiver contestado, é necessário que haja concordância para se extinguir a ação, uma vez que ele pode ter interesse na continuidade do processo. É importante ressaltar, ainda, que a desistência só poderá ocorrer até o momento em que é dada a sentença, nunca depois dela. Para que a desistência produza efeitos jurídicos, é necessária a homologação pelo juiz (sentença sem resolução do mérito). IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; Casos em que o direito que funda a ação é personalíssimo, aquele direito que é relativo à pessoa de modo intransferível, e só por ela pode ser exercido. Ou seja, não é possível que seja transmitido aos herdeiros. X - nos demais casos prescritos neste Código. Definitiva: Segundo entendimento da doutrina, a sentença definitiva é aquela que aprecia o fundo do litígio extinguindo o processo com resolução de mérito. A sentença definitiva transita formal e materialmente em julgado, sobre ela se formando a coisa julgada (art. 502, CPC). A sentença definitiva tem autoridade endoprocessual e extraprocessual: impossibilita a rediscussão das questões decididas tanto dentro do processo em que foi proferida como fora dele. Obs: Pode ser modificada com recurso. Art. 487, CPC. Haverá resolução de mérito quando o juiz: I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; O juiz julgará procedente ou improcedente o direito que dá causa à propositura da ação pelo autor, ou, ainda, quando o réu faz um novo pedido na oportunidade da contestação (reconvenção). II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; A prescrição ou decadência do direito que funda a ação também ensejam o julgamento de mérito. III - homologar: a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; Hipótese em que o réu reconhece o direito alegado pelo autor na petição inicial; ou viceversa, quando o autor reconhece o direito alegado pelo réu na contestação. b) a transação; Quando as próprias partes chegam a um acordo, de modo que não seja mais necessária a continuidade do processo judicial. c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. Desistência do direito sobre o qual se funda a ação, por parte do autor. …………………………………………… Atenção: A decisão interlocutória ocorre durante um processo quando há questões incidentais ou provisórias a serem decididas, como medidas cautelares, produção de provas ou prorrogação de prazos. Ela não decide diretamente o mérito da causa. (Impugnada por Agravo de Instrumento). Repropositura da ação: Proferida sentença terminativa, é possível o autor ajuizar novamente a mesma ação, condicionada à correção dos vícios que causaram a extinção (ou seja, corrigir os erros apontados pelo juiz na sentença terminativa) e, pagamento das custas do processo extinto (o comprovante do pagamento deve ser anexado na petição inicial). O mesmo juiz que proferiu sentença terminativa que irá julgar a repropositura da ação. ……………………………………………. Art. 488, CPC. Desde que possível, o juiz resolverá o mérito sempre que a decisão for favorável à parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento nos termos do art. 485. A partir desse dispositivo, extrai-se o princípio de que, sempre que possível, o juiz deve tentar proferir liminarmenteum julgamento de mérito para a ação, mesmo nas hipóteses em que poderia apenas extinguir a ação sem analisá-la, já que, nestes casos, é possível que a mesma ação seja proposta novamente. ……………………………………………. Elementos da sentença - Artigo 489, cpc. Relatório: Nome das partes, identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo. O relatório envolve a análise de tudo o que ocorreu no processo. Segundo a doutrina, no relatório, o juiz faz como que um resumo do processo, expondo tudo o que foi relevante no desenvolvimento, como fatos, razões de direito alegadas pelas partes, o pedido, a defesa. Trata-se do histórico do que houve no processo. O relatório é um instrumento que evidencia todas as intercorrências do procedimento até a sentença. Assim, é no relatório que constarão as informações referentes aos incidentes e às demais decisões interlocutórias, provas produzidas etc. Fundamentos: Analisará as questões de fato e de direito. Razões (motivos) de decidir. A fundamentação é o ponto central da sentença, pois é o local em que o magistrado analisa o problema jurídico posto pelas partes. Fundamentar significa dar razões – razões que visam a evidenciar a racionalidade das opções interpretativas constantes da sentença, a viabilizar o seu controle intersubjetivo e a oferecer o material necessário para formação de procedentes. É na fundamentação que extraímos os argumentos e a análise dos fatos pelo magistrado. Dispositivo: Resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. O juiz resume a decisão rejeitando ou acolhendo os pedidos formulados na inicial ou na reconvenção e que receberá a proteção da coisa julgada. Assim, dos três elementos da sentença, apenas o dispositivo transita em julgado, vale dizer, tem o condão de tornar-se imutável, indiscutível. Não se considera fundamentada uma sentença que: Se limita à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; Emprega conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; Invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; Não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Se limita a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstra que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. ……………………………………………. Sentença e pedido: Sabe se que a sentença está atrelada ao pedido, e que o pedido corresponde ao objeto do processo, que por sua vez se divide em imediato (providência jurisdicional pretendida) ou imediato (bem da vida perseguido). Art. 490, CPC. O juiz resolverá o mérito acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, os pedidos formulados pelas partes. Estabelece que o magistrado decidirá sobre as questões principais apresentadas no processo, podendo conceder ou negar os pleitos formulados pelas partes, de acordo com os fundamentos e as provas apresentadas durante o processo. Essa decisão pode abranger todos os pedidos feitos pelas partes ou apenas parte deles, conforme a análise feita pelo juiz em relação aos fatos e ao direito aplicável ao caso. Em relação ao princípio da correlação (Art. 492), a sentença deve observar os limites que foram impostos pelos pedidos apresentados no processo. Art. 492, CPC. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. O juiz sempre estará atrelado ao pedido que foi requerido pela parte, por força do princípio da inércia, que é justificativa do princípio da adstrição, também denominado princípio da congruência , sob pena de nulidade da sentença. A sentença deverá refletir o que consta do pedido, sob pena de vício. Sentença extra petita: Significa que a sentença proferida foi fora do pedido; Sentença ultra petita: É a sentença além do pedido; Sentença infra ou citra petita: É a sentença abaixo do pedido, o juiz não aprecia todos os pedidos. Macete: Na sentença infra petita o juiz se ESQUECE de analisar parte dos pedidos ou dos fundamentos. Na sentença extra petita o juiz INVENTA algo não pedido ou fundamentado no pedido. Na sentença ultra petita o magistrado EXAGERA, concedendo em maior extensão aquilo que foi pedido pela parte. Princípio da correlação: É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. O juiz está atrelado ao pedido que foi requerido pela parte. Princípio da inércia: Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado requerer. Impede que o magistrado instaurar ex officio o processo. Princípio da adstrição/congruência: Respeitar o princípio da correlação e da inércia, não pode deixar de apreciar ou deixar algo passar e é dar algo diferente do que foi pedido. Está ligado aos aspectos negativos da sentença. Se a sentença for extra, ultra ou citra petita ela pode ser anulada. Tipos de sentença: Declaratória: Tem finalidade de declarar a existência, ou o modo de ser de uma relação jurídica. Ex: Separação de casamento, declara extinto o casamento. Condenatória: Certifica a existência do direito e impõe o seu cumprimento. Ex: Condenou a reparar os danos. Mandar cumprir algo que é consequência do reconhecimento do direito. Constitutiva: Criam, modificam ou extinguem o estado ou uma relação jurídica. Ex: Decreta o divórcio, muda o estado jurídico do indivíduo de casado para o divorciado. Mandamental: Contém ordem que deve ser cumprida pelo próprio obrigado. O réu tem que cumprir. Ex: Ordem de despejo. Executiva Lato Sensu: O preceito determina o que deve ser cumprido. Ex: Sentença proveniente de um processo de execução. A sentença no processo de execução é uma sentença executiva. Obs: A sentença normalmente pode ser enquadrada em mais de uma classificação, podendo declarar e constituir ao mesmo tempo. Na maioria das vezes, andam juntas. Teoria trinária: Declaratória, constitutiva e condenatória. Podendo ser unidas ou independentes. Teorias quinária: Mandamental e executiva. Sentença líquida e ilíquida: Art. 491, CPC. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando: I - não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido; II - a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença. Sentença líquida: É uma decisão judicial que fixa o valor exato que o devedor tem de pagar, dispensando a necessidade de liquidação posterior para determinar o montante devido. Sentença ilíquida: É uma decisão judicial que obriga alguém a pagar uma ou cumprir uma obrigação, mas sem fixar o valor exato. A sentença ilíquida requer uma liquidação posterior para apurar o montante devido. Art. 494, CPC. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: I - para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; II - por meio de embargos de declaração. O juiz só poderá fazer modificações para corrigir inexatidões materiais ou erros de cálculo, seja por iniciativa própria ou a pedido das partes. Conflito de normas: Art. 489 § 2º, CPC. No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciandoas razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. Em casos de conflito entre normas, o juiz deve justificar sua decisão, explicando os critérios utilizados na ponderação entre elas. ……………………………………………. Art. 493, CPC. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir. Caso ocorra algum fato novo relevante após a propositura da ação, seja ele constitutivo, modificativo ou extintivo do direito em questão, o juiz deve considerá-lo no momento de proferir a decisão, seja por iniciativa própria ou mediante requerimento de uma das partes. O parágrafo único ressalta que, se o juiz constatar o fato novo por iniciativa própria, ele deve conceder às partes a oportunidade de se manifestarem a respeito antes de proferir a decisão final. Coisa Julgada Art. 502, cpc. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. A coisa julgada constitui direito fundamental assegurado e protegido constitucionalmente (art. 5º, XXXVI). Trata-se de instrumento que visa conferir segurança jurídica àquilo que foi decidido no contexto do processo civil. Trata-se de um instituto de natureza processual cuja finalidade é proibir o Poder Judiciário, as partes, e eventualmente terceiros de rediscutir o objeto do litígio. Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. Situação jurídica que se caracteriza pela proibição de repetição de exercício da mesma atividade jurisdicional sobre o mesmo objeto, pelas mesmas partes, em processos futuros. Não cabendo mais recurso, ela se torna imutável. Decisão estabilizada: decisão que transitou em julgado. Apenas fará coisa julgada material aquilo que constar do dispositivo da sentença. Desse modo, eventuais questões incidentais, prejudiciais do mérito da sentença, para que recebam a qualidade de coisa julgada material, devem constar do dispositivo da sentença. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Doutrinariamente fala-se em coisa julgada formal e material: Coisa julgada material: A coisa julgada material é a que torna indiscutível a relação jurídica que foi decidida na sentença de mérito. É assim chamada pois o conteúdo da decisão judicial que se tornou imutável é o próprio mérito (mérito é o objeto do processo, ou seja, a questão principal levada ao estado-juiz para resolução). O mérito é delimitado pela atividade postulatória das partes, e a atividade jurisdicional deve respeitar este limite sob pena de a decisão ser considerada extra, ultra ou citra petita. Coisa julgada formal: A coisa julgada formal é aquela que diz respeito ao processo. Assim se identifica pelo fato do conteúdo da decisão judicial que se torna imutável, ser uma questão formal, em geral aos pressupostos processuais e/ou condições da ação. Essa decisão não fez coisa julgada material, pois não discutiu o mérito. Sentença terminativa, ou seja, aquela sem resolução do mérito faz coisa julgada formal. Em face dessa distinção, a doutrina afirma que a coisa julgada formal não é propriamente coisa julgada, mas preclusão temporal do processo que, uma vez transitado em julgado, não admite mais modificação. Assim, se o processo for extinto sem resolução do mérito, ele torna-se indiscutível, mas a relação jurídica poderá ser novamente discutida em juízo em outro processo, uma vez que não se formaria coisa julgada material. Coisa julgada sobre questão prejudicial: O § 1.º do art. 503 do CPC/15 prevê que, dentro de certas condições, a coisa julgada incide sobre a resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo. A decisão expressa da questão prejudicial, uma vez observados os pressupostos dos §§ 1.º e 2.º, faz coisa julgada precisamente porque se trata de um comando sentencial, e não simples fundamentação. Não só recebe a autoridade de um decisum (coisa julgada) como produz todos os efeitos de um decisum. Qualificam-se como prejudiciais às questões atinentes à existência, inexistência ou modo de ser de uma relação ou situação jurídica que, embora sem constituir propriamente o objeto da pretensão formulada (mérito da causa). Coisa julgada sobre tutela antecipada antecedente: Tutela provisória: Antecipação de pedido (periculum in mora). Diz respeito às decisões que concedem a tutela antecipada antecedente e não são impugnadas pelo recurso de agravo de instrumento. Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso. § 1º No caso previsto no caput, o processo será extinto. Ação rescisória: Art. 967. Têm legitimidade para propor a ação rescisória: I - quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou singular; II - o terceiro juridicamente interessado; III - o Ministério Público: a) se não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção; b) quando a decisão rescindenda é o efeito de simulação ou de colusão das partes, a fim de fraudar a lei; A competência para julgar o pedido rescisório é originária de tribunal. Com isso, assegura-se que a Corte julgue as ações propostas para desconstituir suas próprias decisões e as decisões proferidas pelos juízes de primeiro grau a ela vinculados. As decisões de mérito submetidas à coisa julgada material, as decisões terminativas, e, mesmo as decisões que impliquem inadmissibilidade do recurso, podem ser objeto da ação rescisória, se o caso se enquadrar nas hipóteses legais de rescindibilidade. Vejamos as hipóteses: Art. 966, CPC. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar manifestamente norma jurídica; VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. A ação rescisória é uma ação de conhecimento, proposta por petição inicial, diretamente no tribunal. Art. 975, CPC. O direito à rescisão se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo.