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179 Q U ES TÕ ES C O M EN TA DA S P F- PR F mais benigna prevalecerá sempre em favor do agente, quer seja a anterior (ultra atividade) quer seja posterior (retroatividade). Nessas circunstâncias, ou seja, quando a lei regula situações fora de seu período de vigência, ocorre a chamada extra atividade, que é a exceção. Ao regular situações passadas, isto é, ocorridas antes do início de sua vigência, a extra atividade denomina-se retroatividade; quando se aplica mesmo após a cessa- ção de sua vigência, a extra atividade será chamada de ultra atividade. O artigo 3º do Código Penal dispõe que “a lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstân- cias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência.” O caráter excepcional da lei, editada em períodos anormais, de convulsão social ou de calamidade pública, justifica a solução adotada, en- tretanto, como tal lei é promulgada para vigorar por tempo predeterminado, seria totalmente ineficaz se não fosse ultra-ativa. Trata-se, portanto, de situação de extra atividade e, ainda quando mais severa, a lei temporária, por sua natureza, será sempre aplicável aos fatos cometidos durante a sua vigência, sem que isso se traduza em ofensa ao princípio da retroatividade da lei posterior mais benigna. Não há razão, pois, para pensar que a lei temporária ou excepcional, não esteja incluída na exceção denominada de extra atividade, porquanto, frise-se, tem natureza ultra-ativa. (http://www.cespe. unb.br/concursos/DPF_12_ESCRIVAO/arquivos/DPF_ ESCRIV__O_JUSTIFICATIVAS_DE_ALTERA____ES_DE_GA- BARITO.PDF). 31. Resposta: Certo - Súmula 17, STJ - Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesi- va, é por este absorvido. 32. Resposta: Errado - A Lei Excepcional e Temporá- ria é Irretroativa, ou seja, não pode ser considerada a fatos ocorridos antes de sua vigência. Ressalta-se que também são Ultra-ativa, ou seja, deve ser aplicado a fatos ocorridos durante sua vigência, mesmo depois de passado o caráter de excepcionalidade e mesmo que esta Lei seja mais grave. 33. Resposta: Certo - Conforme previsto na Lei n.º 9.455/1997: Artigo 1º, § 5º - A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a inter- dição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. Por outro lado, consoante a jurisprudência do STJ, “a pena acessória de perda do cargo não é efeito automá- tico da condenação – exceção feita ao crime de tortura. (HC 89.752/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 09/11/2010, DJe 17/12/2010)” 34. Resposta: Certo - Conforme previsto no artigo 13, parágrafo único, da Lei 10.826/2003: Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, assessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato. 35. Resposta: Certo - O Princípio da Alternatividade é aplicado nos cognominados tipos alternativos mistos (aquele que a norma penal incriminadora descreve vá- rios verbos, várias formas de execução do delito), sendo que se praticado mais de um verbo, contra mesma víti- ma, configura-se crime único. 36. Resposta: Errado - O primeiro erro na assertiva consiste na afirmação acerca da participação culposa, vez que o estelionato somente poderá ser praticado na forma dolosa, portanto não poderá ocorrer participa- ção culposas, em crime doloso. Na doutrina conferir: “O crime de estelionato, pela sua própria natureza, só comporta a forma dolosa. PIERANGELI, José Henrique. Manual de Direito Penal Brasileiro. V.2. Parte especial, 2.ª. Ed. rev., ampl. e compl. São Paulo: RT. 2007.p 305. Por outro giro, igualmente errada encontra-se a afir- mação da possibilidade da reparação dos danos como causa extintiva da punibilidade, vez que há previsão legal expressa apenas em relação ao delito de pecu- lato cujo dispositivo tem o seguinte preceito: Peculato. Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de di- nheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: [...] Peculato culposo§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:[...] § 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.”. Em conclusão, sob todos os ângulos que se examine o presente recurso, não há amparo para anulação do gabarito preliminar (http://www.cespe.unb.br/concursos/DPF_12_AGEN- TE/arquivos/DPF_2012_AGENTE_JUSTIFICATIVAS_DE_ MANUTEN____O_E_ANULA____O_DE_ITENS.PDF). 37. Resposta: Errado - O artigo 4º, da Lei nº 10.826/2003, dispõe que, para adquirir arma de fogo de uso permitido, o interessado deve atender diversos requisitos, entre eles a comprovação de capacidade téc- nica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo, atestadas na forma disposta no regulamento desta Lei. Todavia, o § 4º do artigo 6º desta Lei estabele- ce que os integrantes das Forças Armadas, das polícias federais e estaduais e do Distrito Federal, bem como os militares dos Estados e do Distrito Federal, ao exerce- rem o direito descrito no art. 4º, ficam dispensados do cumprimento do disposto nos incisos I, II e III do mesmo artigo, na forma do regulamento desta Lei. Portanto, o agente da polícia federal está dispensado de apresen- tar a referida comprovação. (JUSTIFICATIVA DA CESPE - https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/ questao/e12f13ce-c6) 38. Resposta: Errado - Joaquim, ao disparar arma de fogo com intenção de matar Gilmar, responderá por tentativa de homicídio. 39. Resposta: Certo - Conforme artigo 4º, § 5º do Es- tatuto do Desarmamento: A comercialização de armas de fogo, acessórios e munições entre pessoas físicas so- mente será efetivada mediante autorização do Sinarm. 180 Q U ES TÕ ES C O M EN TA DA S P F- PR F 40. Resposta: Errado - A questão se refere à ultrati- vidade e não retroatividade, ou seja, o juiz deveria fun- damentar no instituto da ultratividade. A lei anterior mais benéfica continua em vigor para fatos ocorridos durante sua vigência. 41. Resposta: Certo - Para o crime de apropriação in- débita de contribuição previdenciária, previsto no arti- go 168-A do Código Penal, não se faz necessária a com- provação do dolo específico de se apropriar dos valores destinados à previdência social, conforme entendimen- to do Superior Tribunal de Justiça. (STJ, 6ª Turma. AgRg no Ag 1.083.417-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/6/2013). 42. Resposta: Certo - Conforme previsto no artigo 337 – A, § 1º do Código Penal, é extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contri- buições, importâncias ou valores e presta as informa- ções devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. 43. Resposta: Certo - Lembre-se: Homicídio qualifica- do § 2° Se o homicídio é cometido: Subjetivo (motivo) I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; Subjetivo (motivo) II - por motivo futil; Objetivo (meio) III - com emprego de veneno, fogo, ex- plosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; Objetivo (modo) IV - à traição, de emboscada, ou me- diante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido; Subjetivo (fins) V - para assegurar a execução, a ocul- tação, a impunidade ou vantagem de outro crime: 44. Resposta: Certo - Conforme o artigo 32 da Lei 11.343/06: “As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas pelo delegado de polícia na forma do art. 50-A, que recolherá quantidade suficientepara exame pericial, de tudo lavrando auto de levantamento das condições encontradas, com a delimitação do local, as- seguradas as medidas necessárias para a preservação da prova”. 45. Resposta: Errado - Com base na legislação de re- gência, doutrina de referência nacional e/ou na juris- prudência consolidada, a assertiva apresentada como errada deve ser mantida, pelos seguintes fundamentos: Cuida da aplicação de dispositivo legal expresso previs- to no art. 157 do Código Penal. Conforme lições da doutrina de referência nacional, tem-se o seguinte: “A consumação do crime de roubo se perfaz no momento em que o agente se torna pos- suidor da res furtiva, subtraída mediante violência ou grave ameaça, independentemente de sua posse mansa e pacífica. Ademais, para a configuração do roubo, é ir- relevante que a vítima não porte qualquer valor no mo- mento da violência ou grave ameaça, visto tratar-se de impropriedade relativa e, não, absoluta do objeto, o que basta para caracterizar o delito em sua modalidade. No caso tem-se caracterizado roubo próprio qualifica- do, na forma tentada (art. 14, inciso II do CPP). “A inexistência de objeto de valor em poder da vítima não descaracteriza a figura típica prevista no art. 157do Código Penal, porquanto o roubo é modalidade de cri- me complexo, cuja primeira ação – a violência ou grave ameaça – constitui início de execução. Na dosimetria da pena, no caso de tentativa de roubo (parágrafo único do art. 14 do CP) [...]” (http://www.cespe.unb.br/concursos/DPF_12_DELEGA- DO/arquivos/DPF_DELEGADO_JUSTIFICATIVAS_DE_AL- TERA____ES_DE_GABARITO.PDF) 46. Resposta: Errado - A comunicação do flagrante deve ser de modo imediato, nos termos do artigo 50 da Lei 11.343/06. 47. Resposta: Errado - De acordo com o artigo 44 da Lei de Drogas, o crime de tráfico de drogas é inafian- çável e insuscetível de sursis, graça, indulto e anistia, vedada a conversão de suas penas em restritivas de di- reitos. No entanto, de acordo com a jurisprudência do STF é possível a substituição da pena por restritiva de direitos (HC 97256, Informativo STF 598). Assim, a as- sertiva está incorreta. A análise do texto de qualquer lei perpassa pelo exame da jurisprudência sobre o tema, sobretudo quando há declaração de inconstitucionali- dade por parte do STF. 48. Resposta: Certo - Para sua configuração, a lava- gem de dinheiro exige, ainda, a presença de um cri- me antecedente. É imprescindível para a configuração da lavagem de capitais que existam indícios do delito prévio, sendo desnecessária condenação prévia por seu cometimento.” Assim, a simples existência de indícios da prática de algum dos crimes antecedentes já autoriza a instauração de ação penal para apurar a ocorrência do delito de lavagem de dinheiro, não sendo necessária a prévia punição dos autores do ilícito antecedente. A alteração legislativa é irrelevante, pois a lavagem de di- nheiro pressupõe a existência de um delito antecedente (http://www.cespe.unb.br/concursos/DPF_12_DELEGA- DO/arquivos/DPF_DELEGADO_JUSTIFICATIVAS_DE_AL- TERA____ES_DE_GABARITO.PDF). 49. Resposta: Certo - No presente caso, subsistirá o crime de lavagem ainda que ocorra causa de extinção da punibilidade pela prescrição ou perdão judicial no delito antecedente. Recorda-se que não subsiste em caso de anistia ou abolitio criminis, já que o fato ante- cedente deixa de ser considerado crime. 50. Resposta: Certo - É dispensável a participação do acusado da lavagem de dinheiro nos crimes a ela ante- cedentes, sendo suficiente que ele tenha conhecimento da ilicitude dos valores, bens ou direitos cuja origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade tenha sido ocultada ou dissimulada. (HC 207.936/MG, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 27/03/2012, DJe 12/04/2012) 51. Resposta: Certo - De acordo com o artigo 5º da Lei 9.296/1996, o prazo máximo de 15 (quinze) dias para a interceptação telefônica, é renovável por mais