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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
Faculdade de Direito da UERJ 
 
Transcrição de Direito Processual Civil I – Aula 8 
Professor: André Roque 
 
Transcritores: Marcos Paulo Maia, Alice Alván, Ana Beatriz Torres, Carol 
Santana, Fabienne Louzada, Gabriel Pegoretti, Yasmin Yunes, Gabriella 
Barcelos, Gizelle, Gabriella Thomaz, Caio, Hállan Fidalgo, Livia Araujo, Maria 
Eduarda Eiras e Maria Bruna 
 
Revisor: Luiz Felipe Rodrigues 
 
Professor: O que a gente falou foi que os recursos abaixam o trânsito 
em julgado e depois a gente começou a falar do efeito devolutivo, nas suas 
duas dimensões, na dimensão horizontal, que é aquela que pode ser limitada 
pelas partes, ou seja, quais capítulos as partes querem impugnar e na 
dimensão vertical, que não pode ser limitada pelas partes, ou seja, dentro 
daquele capítulo há uma variedade de questões e as partes não podem afastar 
a apreciação desses atributos. 
Mas, afinal, quais são essas questões que devem ser apreciadas pelo 
tribunal nessa dimensão vertical? Então, foi nesse ponto que a gente parou. 
[Escrevendo no quadro] Efeito devolutivo vertical, quais questões poderão ser 
reexaminadas pelo Tribunal? 
A primeira delas é óbvia, são as questões, ou seja, os argumentos, que 
foram decididos, que foram examinados. São os argumentos que foram 
examinados pela decisão recorrida. Então, se a decisão recorrida, por exemplo, 
afastou a prescrição em relação a um capítulo, você pode rediscutir essa 
questão da prescrição. Se a decisão recorrida considerou provar determinado 
pagamento, você pode rediscutir que aquele pagamento não estava provado. 
Mas não é só isso, não é só o que tá na decisão recorrida que pode ser 
reexaminado não. Tem também as chamadas questões suscitadas, mas não 
decididas. 
Aqui nessas questões suscitadas, ou seja, que foram alegadas pelas 
partes, mas não foram decididas, pode ser tanto no caso de alguma omissão 
da decisão recorrida e em vez de você apresentar embargos de declaração, 
que é o recurso pra sanar essa omissão, você já interpõe uma apelação, por 
exemplo, isso é possível, então é uma questão que deveria ter sido decidida, 
mas não foi, ou até questões que não foram decididas porque não precisavam. 
O que eu quero dizer com isso? Vamos supor que eu tenha alegado, que eu 
esteja sendo cobrado, e que eu tenha alegado três matérias de defesa. 1ª, que 
estava prescrito, 2ª que não havia provas de que o contrato havia sido 
celebrado, e 3ª que ainda que o contrato tivesse sido celebrado, ele tinha 
alguma invalidade. Aí o juiz vai e acolhe logo a minha primeira defesa, tá 
prescrito. Uma pergunta: precisa examinar as outras duas defesas? Não, já 
ganhei. Tá prescrito o juiz não vai examinar se tá provado, se não tá provado, 
se o contrato é nulo, se não é nulo. Rejeitou o pedido do autor. E eu preciso, 
eu que só tive uma defesa examinada, eu preciso recorrer pra que aprecie as 
outras duas defesas? Claro que não, eu não tenho interesse processual, qual 
a utilidade, se eu já ganhei tudo? 
Então, o que acontece? O recurso da parte contrária, nessa situação, 
então se a parte contrária interpõe uma apelação, essa apelação vai fazer com 
que o Tribunal examine não só a prescrição, que entra ali no item 1 (questões 
decididas), mas todas as outras defesas que eu suscitei, mas não foram 
decididas porque não precisava. Se o Tribunal afastar a prescrição ele vai ter 
que enfrentar as outras defesas. Claro, se o Tribunal continuar dizendo, 
confirmar que tá prescrito, vai continuar não examinando. Então, isso tá dentro 
desse efeito devolutivo vertical. A parte contrária quando for recorrer dessa 
prescrição não pode afastar isso, não pode dizer ‘não, examina só a questão 
da prescrição’, não. Eu tenho outras defesas, que só não foram acolhidas 
porque não precisava. 
Aluna: Professor, mas aí, por exemplo, talvez precise da produção de 
provas... [inaudível]. Como fica isso? 
Roque: Não, claro. Aí o que acontece, se houver necessidade de 
alguma produção de provas, das duas uma, ou o tribunal vai determinar a 
conversão do julgamento em diligência, pra que a prova possa ser produzida 
depois e continuar o julgamento depois, ou ele vai dizer ‘afasto a prescrição e 
retorno pro primeiro grau pra dar continuidade ao processo e produzir as 
demais provas’. Então aí o Tribunal não vai decidir, ele não vai decidir não 
porque tava fora [inaudível], porque não tinha provas necessárias. 
Sobre isso que tô falando gente, isso tá no 1.013, § 1º, ele fala: “Serão, 
porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões 
suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, 
desde que relativas ao capítulo impugnado”. Então, deixa sempre claro que 
esse efeito devolutivo vertical ele tá limitado sempre ao capítulo que você 
impugnou. 
Mas também não são só essas duas questões não. Há um outro 
conjunto de questões que entra aqui, mas sempre dentro do capítulo 
impugnado, que são as chamadas questões de ordem pública. E aqui entra 
condições da ação, pressupostos processuais, pra alguns entraria até a 
prescrição, já que ela pode ser conhecida de ofício, então, por exemplo, a 
sentença me condenou ao pagamento de 10 mil reais e eu apelo. O Tribunal 
pode, no julgamento desta apelação, reconhecer minha ilegitimidade passiva 
pra pagar esse valor? Pode. ‘Ah professor mas teve [inaudível]...’ Claro, tem 
que submeter a [inaudível] processual, mas o Tribunal pode suscitar, inclusive 
de ofício, uma questão de ordem pública. Mas, cuidado, eu já falei isso aula 
passada, sempre dentro do capítulo impugnado. Se eu tenho dois pedidos, 
dano moral e dano material, e recorro só do dano material, a legitimidade só 
pode ser reconhecida contra esse capítulo que eu recorri. O outro capítulo aqui 
transitou em julgado, é coisa julgada, já era. Ah, mas a ilegitimidade... Não 
interessa, coisa julgada. Você que entre com ação rescisória. 
A doutrina costuma dar um nome pra essa apreciação de questões de 
ordem pública, tem um nome bonito pra isso, o nome bonito pra isso é efeito 
translativo. Então se vocês encontrarem algum julgado falando do efeito 
translativo, algum autor falando disso, nada mais é do que a apreciação de 
questões de ordem pública sempre dentro do capítulo impugnado. Tudo bem? 
Legal. 
Então efeito devolutivo já foi, a gente já viu dois efeitos. Efeito do trânsito 
em julgado e efeito devolutivo. 
O terceiro efeito é o chamado efeito suspensivo. O que significa o efeito 
suspensivo? O efeito suspensivo significa justamente o efeito de sobrestar, 
paralisar, a produção de efeitos da decisão em conflito enquanto o recurso não 
é julgado. Então, se um recurso tem efeito suspensivo, enquanto o recurso não 
for julgado, aquela decisão não produz efeitos, de modo que não se pode exigir 
nem o seu cumprimento. Em Processo Civil III, vocês verão a execução de 
decisões judiciais. Uma decisão atingida por recurso de efeito suspensivo é 
uma decisão que não pode ser executada porque ela não produz efeitos. 
A rigor, o efeito suspensivo não decorre do recurso em si. Ele decorre 
da recorribilidade da decisão, ou seja, o fato de esta decisão estar sujeita a 
recurso com esse efeito. “Ah Professor, não é a mesma coisa?” Não. 
Vou explicar. Não é o fato de já ter um recurso interposto, mas o fato da 
decisão estar sujeita a um recurso com esse efeito. Qual é o prazo que nós 
temos para a apelação? 15 dias. Então será que eu poderia, malandrão, 
celebrar um acordo com o réu condenado? Será que eu poderia, malandrão, 
sair correndo e executar a sentença dizendo “não, pera aí, já vou executar a 
sentença porque não tem apelação interposta”? Não, porque essa sentença 
está ainda sujeita a uma apelação que tem efeito suspensivo. Logo, não é a 
apelação em si mesma que produz esse efeito, mas o fato de você poder 
interpor. Mas claro, se você não interpuser, vem o trânsito em julgadoe acabou. 
Agora, se você interpuser, o efeito suspensivo vai se prolongar pela pendência 
do recurso. Eu faço apenas e simplesmente essa ressalva pra ninguém achar 
que, enquanto eu não interpor um recurso, enquanto estiver correndo aquele 
praz, pode chegar um doido executando aquela decisão. Se o recurso tiver 
efeito suspensivo, isso não é possível. 
Bom, a gente já viu o conceito do efeito suspensivo. Só que esse efeito, 
ao contrário dos outros 2 que vimos até aqui, não se verifica em todos os 
recursos. Efeito devolutivo de provocar o reexame: qualquer recurso. Mas nem 
todo recurso produz efeito suspensivo. E a regra geral, inclusive, é de que não 
tenha esse efeito. Isso tá no artigo 995: 
 
Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, 
salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido 
diverso. 
 
O 995 vai dizer que, em regra, não há esse efeito. Agora, o efeito 
suspensivo ele pode acontecer - e o 995 fala disso - salvo disposições legais 
ou decisão judicial em sentido diverso. Ou seja, o efeito suspensivo pode 
decorrer da le. E quando decorrer da lei, a gente diz que determinado recurso 
que a lei prevê que tem efeito suspensivo, ele tem o chamado efeito 
suspensivo automático. Ou seja, pelo simples fato de ter sido interposto 
recurso que a lei prevê que tem efeito suspensivo, tem efeito suspensivo. 
Ponto. Alguns dão um nome bonito pra isso: efeito suspensivo ope legis, que 
em latim quer dizer “por obra da lei”. Autoexplicativo. 
Só que o 995 fala de uma outra situação: “salvo disposição legal ou 
decisão judicial em sentido diverso”. Pode ser que o recurso pela lei não tenha 
efeito suspensivo, mas ainda assim, em caráter excepcional, e depois a gente 
vai ver quando, o juiz pode dar efeito suspensivo ao recurso no caso concreto. 
Ou seja, normalmente aquele tipo de recurso não tem efeito suspensivo, mas 
no caso concreto, em específico, o juiz diz que aquele recurso tem. E a gente 
tem um outro nome bonito pra isso: efeito suspensivo ope judicis, que nada 
mais é do que “por obra do juiz”. 
Tá, eu disse que era excepcional. Mas quando? Os requisitos para o 
efeito suspensivo ope judicis estão no próprio 995, parágrafo único: 
Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá 
ser suspensa por decisão do relator [então essa é uma 
atribuição do relator, se dá ou não dá o efeito suspensivo], 
se da imediata produção de seus efeitos houver risco de 
dano grave, de difícil ou impossível reparação [ou seja, o 
perigo da demora], e ficar demonstrada a probabilidade 
de provimento do recurso [a plausibilidade do recurso, ou 
seja, fumus boni iuris]. 
 
Os requisitos, não há nenhum mistério sobre isso, você tem que 
demonstrar que seu recurso é plausível, que tem uma chance razoável de ser 
acolhido e que se não der efeito suspensivo, se não paralizar os efeitos da 
decisão recorrida, você vai sofrer um dano grave de difícil ou até de impossível 
reparação. 
“Ah, Professor, mas quando que eu vou saber que o recurso tem efeito 
suspensivo automático, quer dizer, eu não preciso ficar indicando isso pro juiz 
porque a le já me deu esse efeito suspensivo?” A gente quando for falar de 
cada recurso vai dizer se aquele recurso tem efeito suspensivo ou não. Embora, 
apenas para vocês terem uma ideia, a apelação em regra tem esse efeito 
suspensivo e o agravo de instrumento que é o recurso contra decisões que são 
proferidas ao longo do processo, chamadas interlocutórias, não tem esse efeito 
suspensivo automático. Então, no caso da antecipação de tutela a gente já 
resolveria por aí. Normalmente é uma decisão interlocutória e não vai ter efeito 
suspensivo automático mas você pode pedir pro relator suspender. 
Uma coisa que deve ser dita, e aí é quando a gente tá falando do efeito 
suspensivo ope juidicis, o que pode acontecer é o relator só suspender parte 
da decisão recorrida. Não é uma relação de 8 ou 80, não é ele suspender toda 
a decisão recorrida ou nada. As vezes ele só suspende parte. As vezes a 
decisão recorrida tem mais de um capítulo e você pode dar efeito suspensivo 
para um ou alguns dos capítulos. 
O efeito suspensivo previsto no parágrafo único também dá essa 
possibilidade Vou dar outro exemplo: você tem uma sentença, a sentença 
condenou o réu a pagar indenização por danos morais e determinou na própria 
sentença a antecipação de tutela pra tirar o nome do autor do SERASA. Ou 
seja, o autor ingressou com uma ação reclamando de uma negativação 
indevida. O juiz, na sentença, dá uma tutela antecipada pro réu tirar o nome do 
autor do SERASA e condena o réu por danos morais pela negativação indevida. 
Se o réu interpuser apelação, a apelação vai ter efeito suspensivo automático 
quanto aos danos morais, mas não quanto à antecipação de tutela. A gente vai 
ver que essa é uma exceção, das várias exceções que tem, ao efeito 
suspensivo na apelação. Então, a apelação, ela vai ter efeito suspensivo da 
parte que condenou o réu, mas não na parte da antecipação de tutela. 
Entenderam? 
Eu só tô falando isso, depois a gente vai voltar a esse exemplo. Vai 
voltar às exceções. Apenas pra vocês saberem que o recurso pode ter efeito 
suspensivo numa parte da decisão, e não ter efeito suspensivo em outra parte 
da decisão, isso é possível. 
Bom, o próximo efeito é o efeito substitutivo. O que é o efeito substitutivo? 
O nome é até autoexplicativo. Na verdade o efeito substitutivo ele não decorre 
do recurso, ele decorre do julgamento do recurso. De acordo com esse efeito 
substitutivo, uma vez julgado o recurso a decisão que aprecia esse recurso 
toma o lugar da decisão recorrida. A decisão recorrida deixa de existir e no 
lugar dela temos a decisão que julgou o próprio recurso. 
Então, por exemplo, se eu tenho uma sentença e daí tem uma apelação, 
o acórdão que julga a apelação irá substituir a sentença. Esse efeito, ele tá 
previsto no art. 1008. O art. 1008 diz: 
 
Art. 1.008. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá 
a decisão impugnada no que tiver sido objeto de recurso. 
 
Leia-se, nos limites do capítulo impugnado. O capítulo que não foi 
impugnado está fora do recurso, então não vai ter efeito substitutivo. Agora, 
esse efeito substitutivo, embora o art. 1008 passe a impressão de que ocorre 
em qualquer julgamento de recurso, não é sempre assim. 
Vocês se lembram que a gente falou de dois juízos no julgamento do 
recurso? O primeiro é o juízo preliminar, ou seja, o Tribunal não conhece ou 
ele conhece do recurso - e ele conhecendo o Tribunal pode prover ou não 
prover o recurso. Se o Tribunal não conhece para aqui, não vai examinar o 
mérito; se ele conhece, se o recurso é admissível, ele examina o mérito e ele 
decide se ele altera a decisão recorrida ou se ele mantém. 
Bom, o que acontece? Por quê que eu tô voltando a isso? Se o recurso 
ele não é conhecido, vocês concordam que não pode ter efeito substitutivo. 
Então, por exemplo, a sentença condenou o réu a pagar R$10mil reais a título 
de danos morais. Se a apelação não é conhecida porque tá fora do prazo, o 
Tribunal não redecidiu a questão de mérito. Então não pode ter efeito 
substitutivo. A decisão do Tribunal vai se limitar a dizer: a apelação é 
inadmissível. Ponto. E a sentença continua lá, bela, como sempre, como se 
nunca tivesse sido recorrida. Então aqui nós já vemos: não tem efeito 
substitutivo. 
Bom, conhecendo. Aqui que talvez seja contra intuitivo. Como que o 
Tribunal ele não provê o recurso, ele mantém a decisão recorrida, o manter é 
só na substância porque o acórdão mesmo assim toma o lugar da decisão 
recorrida. Ainda que seja o mesmo conteúdo. Ainda que o Tribunal diga: “tá 
certo, tinha que ter sido condenado em R$10mil de dano moral”. Não interessa, 
agora o que vale é o acórdão. Se o acórdão trouxe pra ele a mesma decisão 
que a sentença, tudo bem, mas o que vale é o acórdão. Então, no “não prover” 
há efeito substitutivo. 
E o prover? Ah,o prover vocês vão falar “claro, há o efeito substitutive”. 
Quase sempre. Porque, lembrem-se que nós temos aqui o prover, né, pra 
reformar, anular, e blá blá blá e blá blá blá. Bom, reformar, ok. Se reformar 
haverá o efeito substitutivo. Mas quando vai para anular não. Por quê? Porque 
o Tribunal ele não fez um novo julgamento do mérito. Ele simplesmente desfez 
a decisão recorrida. E tanto não há o efeito substitutivo que com a anulação da 
decisão recorrida, o juiz vai ter que dar uma nova decisão. Ou seja, ele só 
desconstituiu a decisão recorrida, mas não fez um reexame do mérito que foi 
apreciado na decisão recorrida. Então não há o efeito substitutivo. 
Então sintetizando, o efeito substitutivo ele só não vai acontecer em 
duas situações: ou quando o recurso não é conhecido, porque o Tribunal só 
disse que o recurso é inadmissível, ou quando o recurso é provido para anular, 
porque aí o Tribunal se limita a desfazer a decisão recorrida. Ele não rejulga o 
mérito, ele só destrói, ele não constrói nada. “Ah, Professor, mas por que essa 
questão de saber quando substitui, quando não substitui. Que coisa teórica. 
Qual é a utilidade prática desse negócio?’ 
A utilidade prática a gente vai ver quando for falar lá de rescisória. Sabe 
ação rescisória, que você ajuíza contra decisão transitada em julgado? Pois é, 
agora tem um monte de recurso, um atrás do outro, em que você precisa saber: 
transitou em julgado onde aquilo lá? Foi em 1º grau, foi em 2º, foi no STJ? 
Porque a ação rescisória vai ser ajuizada onde transitou em julgado. 
Aluna: inaudível 
Professor: Se por exemplo, você só recorreu quanto a um capítulo, a 
gente não vai entrar muito nessa questão quando a gente for falar de 
rescisória... 
[Aluna e Professor entram em um diálogo em que ficam se 
interrompendo – inaudível] 
Professor: Mas rescisória que vai tudo, vai ser ajuizada na última 
instância, onde o último capítulo... 
Aluna: inaudível 
Aluno: Inaudível 
Professor: Os embargos de declaração são um pouco, vamos dizer 
assim, suis generis, porque o principal efeito deles é o efeito integrativo, ou 
seja, é ok Tribunal decidir algo ou aperfeiçoar algo, isso se somar à parte que 
não foi viciada. Você vai pegar duas decisões a decisão dos embargos elas 
somam formando uma só. Isso as vezes ocorre. Depois a gente vai ver que as 
vezes ocorre os Embargos com Efeitos Modificativo, que é quando o próprio 
Tribunal for sanar um vício ou omissão, ele não viu que tinha uma preliminar, 
aí ele acolhe a preliminar e aquilo que ele tinha julgado no mérito. Agora, ele 
julgou sem resolução de mérito, aí vai ter o efeito substitutivo. Mas 
normalmente não acontece, normalmente é só efeito de intervenção. 
Bom, um outro efeito, prometo que eu já estou acabando os efeitos, é o 
chamado efeito regressivo. O efeito regressivo, nada mais é do que a 
possibilidade do chamado Juízo de Retratação. Ou seja, é a possibilidade de 
um juiz olhar o recurso, se convencer do equívoco que cometeu e voltar atrás 
na sua decisão. Por exemplo, o juiz proferiu uma decisão liminar. Aí você que 
é o réu não ficou muito feliz e reclamou, e o juiz se convenceu: "é, você tem 
razão". Volta atrás e reconsidera. Aquela preliminar que eu tinha dado, eu 
revogo. Isso é chamado de juízo de retratação. 
Não são todos, mas alguns recursos produzem esse efeito. Quais 
recursos? Temos 2 grandes grupos principais aqui. Na verdade, são alguns 
casos de apelação. Não é toda apelação que tem esse efeito, aliás, 
normalmente a apelação não tem esse efeito. Mas tem 3 situações em que a 
apelação tem. 
Primeiro, no caso de indeferimento da inicial. Segundo caso, da 
apelação contra o julgamento de improcedência liminar. E o terceiro caso, de 
sentença que extinguiu o processo sem resolução do mérito. Aí vocês vão me 
falar "por que esses 3 casos?". Bom, porque simplesmente o legislador previu 
isso. Todos os 3 casos têm previsão no CPC. O primeiro caso, do 
indeferimento liminar da petição inicial está no artigo 331; o segundo caso, do 
julgamento de improcedência liminar tá no 332, §3º; e o terceiro caso está no 
artigo 485, §7º. Todos do CPC. E são só esses casos. 
Então por exemplo, se a sentença examinou o mérito... [não concluiu]. 
No fundo é fácil guardar, se a sentença não examinou o mérito tem juízo de 
retratação. Você já mata os primeiros e terceiros casos. Indeferimento de inicial 
é caso de extinção do processo sem resolução do mérito. O único caso de 
julgamento por mérito que tem juízo de retratação é o julgamento de 
improcedência liminar. 
Bom, eu disse que esse era o primeiro conjunto de casos. Para o 
segundo conjunto de casos há uma forma fácil também de guardar. São 3 
outros recursos que tem esse efeito. O primeiro deles é o agravo de 
instrumento, e aqui em qualquer caso. O segundo é o recurso chamado agravo 
interno. Só para vocês saberem, Agravo Interno é um recurso que a gente 
interpõe contra as decisões do relator. E o terceiro é o agravo em Recurso 
Especial ou extraordinário. 
Bom, já deve ter ficado evidente pra você que pra esse segundo grupo 
de casos, pra que eu saiba se um recurso tem juízo de retratação ou não, basta 
que o nome desse recurso seja agravo. Se for algum agravo do raio que o 
parta que o seja, tem juízo de retratação. E apenas pra colocar os artigos onde 
está isso, porque também tem previsão no código: artigo 1018, §1º; artigo 1021 
§2º e artigo 1042, §4º. Nos outros recursos, fora desses casos, não tem esse 
efeito. 
Último efeito. Então, são seis efeitos. Tem alguns autores que são mais 
empolgados, botam uns 20 efeitos, uma coisa doida, mas, aí estão forçando a 
barra. Os principais são esses seis. 
O efeito expansivo subjetivo. O que que é isso? É também um efeito 
que decorre do julgamento dos recursos. E pode acontecer em qualquer 
recurso. O efeito expansivo subjetivo nada mais é do que a possibilidade do 
julgamento de um recurso beneficiar alguém que não seja o próprio recorrente. 
Nós já vimos um caso clássico de efeito expansivo subjetivo: o recurso do 
assistente. Se o recurso do assistente é provido, quem é beneficiado? O 
assistido. É o efeito expansivo subjetivo, por isso o nome expansivo subjetivo, 
ele se expande pra beneficiar outros sujeitos. Agora, o recurso do assistente 
ele é uma, no caso de efeito expansivo subjetivo, mas tem uma outra figura 
aqui que a gente tem que examinar, que é o recurso do litisconsorte. Isso tá lá 
no artigo 1005. 
Que que acontece? Será, por exemplo, eu tenho um processo com três 
réus, os três são condenados. Se um dos réus apenas recorre, será que o 
recurso desse único réu - se acolhido, se provido - ele irá beneficiar os outros 
dois réus que não recorreram? Ou seja, os seus litisconsortes? Aqui a gente 
tem que separar duas situações. A primeira: se o litisconsórcio é unitário, ou 
seja, a decisão tem que ser a mesma pra todo mundo, a resposta é muito clara: 
sim, sempre. Vamos pensar, exemplo básico, houve anulação do casamento. 
Só o marido recorreu, se o recurso for provido é lógico que o casamento está 
reestabelecido pra ambos, não tem como o marido ser casado e a esposa 
continuar solteira. Não existe isso, a relação jurídica é una, é indivisível. Agora, 
se o litisconsórcio for simples, aí depende. Depende do quê? Depende de 
aquelas defesas, aquelas questões, aqueles argumentos que são trazidos pelo 
recorrente serem comuns aos outros, aproveitarem aos outros. 
Por exemplo, dois réus, o locatário e o fiador, eles foram condenados a 
pagar os aluguéis. E aí só o fiador recorre, normalmente o locatário não tem 
patrimônio nenhum, não tá nem aí, abandonou o imóvel, to falando coisas da 
vida real, acontece, mas o fiador tá lá com o nome dele lá como devedor. E ele 
diz que tá prescrito. Se o recurso do fiador der certo isso vai beneficiar o 
locatário? Claro, se tá prescrito, está prescrito pra todo mundo. Agora, mesmo 
exemplo, mas vamos suporque o fiador recorra dizendo o seguinte: "a fiança 
é inválida por ausência de vênia conjugal. Eu sou casado e você não pegou a 
autorização da minha esposa ou do meu marido; é a minha fiança". Esse 
recurso vai beneficiar o locatário? Não. Pro tribunal a minha fiança é inválida, 
ok, a cobrança vai ser afastada do fiador. Então, no litisconsórcio simples pode 
acontecer, pode não acontecer. Depende se a defesa for adequada, vamos 
dizer assim, para os demais litisconsortes. É isso que fala o artigo 1005. Ele 
diz: 
 
Art. 1.005. O recurso interposto por um dos litisconsortes 
a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus 
interesses. 
 
"Salvo se distintos ou opostos" no fundo tá querendo dizer, "salvo no 
caso de litisconsórcio simples e que as defesas sejam distintas ou até opostas". 
Aluno: Inaudível 
Professor: O autor conseguiu a gratuidade e o réu recorreu pra atacar 
a gratuidade, é isso? 
Aluno: Aí abrangeria todos também? 
Professor: Vai abranger todo mundo, porque na defesa dele tá assim 
"o autor tem condições de pagar as custas do processo". 
Aluno: [inaudível] 
Professor: Nem beneficia e nem prejudica. (Inaudível) mas assim do 
ponto de vista psicológico da coisa, por ele estar sozinho ali, (inaudível) mas 
do ponto de vista jurídico não. E esse mesmo regime do litisconsórcio simples 
vale para as obrigações em que há solidariedade passiva. Isso por causa do 
parágrafo único: 
“Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o 
recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros 
quando as defesas opostas ao credor lhes forem 
comuns." 
 
Então no fundo o parágrafo único apenas explicita que no caso de 
solidariedade passiva, os réus foram condenados solidariamente, o regime 
jurídico para efeito de expansão subjetiva é o mesmo do litisconsórcio simples. 
A gente viu então todos os efeitos dos recursos e agora entramos em 
um ponto dentro da teoria geral de recurso, que é a figura do recurso adesivo. 
O que é o recurso adesivo? Formalmente os recursos admitem uma segunda 
classificação que a gente ainda não vi. eles podem se dividir em recursos 
independentes e adesivos. O recurso adesivo não é um novo recurso, uma 
nova espécie recursal. Não é. Na verdade, é uma forma especifica de 
interposição do recurso. O que eu quero dizer com isso? Existe apelações que 
são independentes e as apelações interpostas na modalidade adesiva. Existe 
recurso especial independente e recurso especial adesivo. 
Mas o que é um recurso adesivo? A regra é eles serem independentes. 
Tudo que a gente viu até agora, todos os exemplos, são recursos 
independentes. O recurso adesivo é uma figura criada pelo legislador, depois 
vamos ver o artigo, criada pelo legislador com o objetivo de inibir a interposição 
de recursos. O objetivo é esse. Inibir. Como isso funciona? Vamos supor que 
eu entrei com uma ação contra o Pedro. E aí o que acontece? Pedi 100 mil 
para o Pedro, mas não ganhei tudo, apenas 20 mil. E aí Pedro, 20 mil está bom 
ou está ruim para você? 
Aluno: Podia ser zero... 
Professor: Podia ser zero..., mas tá maneiro, reduziu bastante. E se 
nos dois chegarmos a essa conclusão, ninguém vai recorrer e aí acabou, ótimo. 
Mas daí porque tem o recurso adesivo? Eu fico com uma pulga atrás da orelha. 
R$ 20 mil não é o que eu queria. Mas caramba, será que o Pedro vai apelar 
para zerar esse negócio? E o Pedro, do lado dele, também vai ficar com uma 
pulga atrás da orelha: "R$ 20 mil vai me fazer falta, mas não foram R$ 100.000. 
Será que o André vai recorrer para aumentar isso para 100 mil?" Então, se nós 
dois ficarmos nessa insegurança, o que vai acabar acontecendo? Nós dois 
vamos acabar recorrendo. Vai que né? Não vou correr o risco. 
Então o recurso adesivo surge só no caso de sucumbência recíproca. 
Então, se qualquer uma das partes ganhar tudo não tem recurso adesivo. 
Ponto. Mas, se houver sucumbência recíproca, ou seja, cada um ganhou uma 
parte, o ordenamento jurídico diz o seguinte: Pedro e André, vocês podem 
aguardar para ver se a outra parte vai recorrer ou não. Se ninguém recorrer? 
Aí acabou. E se alguma das partes recorrer? Por exemplo, o Pedro recorreu. 
Então você não vai ser prejudicado. Por que? Porque eu vou te dar uma 
segunda oportunidade. Você não recorreu antes porque está esperando para 
ver se Pedro ia recorrer. Como Pedro recorreu, não teria que o abrir prazo para 
as contrarrazões dele? Então nas contrarrazões eu te dou a segunda 
oportunidade para você apelar. Isso é uma apelação adesiva. 
Eu dei todo esse histórico o porquê do Recurso Adesivo. Mas, na prática, 
o Recurso Adesivo só tem duas distinções em relação aos Recursos 
Independentes: o prazo de interposição - porque o prazo de interposição do 
recurso adesivo é nas contrarrazões ao recurso independente da outra parte. 
Ou seja, porque o Pedro apelou nas minhas contrarrazões eu vou ter o meu 
recurso adesivo. Se o Pedro não tivesse apelado, e eu também não, ninguém 
teria recurso adesivo. Então essa é a primeira peculiaridade, o prazo de 
interposição. 
Segunda peculiaridade: o recurso adesivo também é chamado de 
subordinado, por que? Porque ele só vai ser admitido, só passa do 
conhecimento, se o Recurso Independente do Pedro também passar pelo 
conhecimento. Ou seja, se por qualquer razão o Recurso Independente do 
Pedro for não conhecido - porque ele não recolheu custas ou até porque ele 
desistiu depois - o Recurso Adesivo cai junto. Também não é conhecido. “Ah 
Professor, mas é um absurdo o seu recurso vai ser prejudicado porque o Pedro 
desistiu do recurso dele”. Claro, a lógica do sistema é essa. Eu só recorri 
porque o Pedro recorreu. Se ele disse "pensando bem deixa isso para lá", 
como eu já tinha deixado para lá antes e só estava no prazo do adesivo, o meu 
recurso também cai. Entenderam a lógica? Vamos agora ler o artigo. 
Aluna: Professor, então a parte que interpôs o recurso adesivo não vai 
ter prazo para contrarrazões, só a parte que interpôs o primeiro recurso. 
Professor: O que acontece é o seguinte, você tem o recurso 
independente, aí vai abrir prazo para ele de contrarrazões e, ao mesmo tempo, 
para o recurso adesivo. São dois prazos que correm juntos. Não tem 15 + 15. 
São duas petições diferentes, mas com um só prazo. E claro, porque eu 
interpus o recurso adesivo, terá que abrir um prazo de contrarrazões para o 
Pedro ao meu recurso adesivo. Então no fundo tem 3 prazos. 
Aluno: (inaudível) 
Professor: Nada, são iguais, só tem essas duas peculiaridades: prazo 
de interposição e a subordinação do seu conhecimento à admissibilidade do 
recurso da outra parte. O resto, custas..., tudo igual. Sem tirar nem por. 
Aluno: Honorários também? 
Professor: Tudo igual. Tudo, tudo, tudo. 
Professor: Vamos agora ler essa questão que está regulada no artigo 
997 que fala no caput sobre o recurso independente. 
Ele diz: 
“Cada parte interporá o recurso independentemente, no 
prazo e com observância das exigências legais. 
§ 1º Sendo vencidos autor e réu [ou seja, sucumbência 
recíproca] 1 , ao recurso interposto por qualquer deles 
poderá aderir o outro.” 
 
Uma observação: para fins de sucumbência recíproca, eu olho a 
decisão como um todo. Pode ser que uma das partes tenha ganho tudo em um 
capítulo e a outra parte tenha ganho tudo em outro capítulo. Tem recurso 
adesivo, tem sucumbência recíproca. 
 
Por exemplo: eu ingressei com uma ação contra o Pedro, pedi R$ 100 
mil de dano material e mais R$ 100 mil de dano moral. O juiz me deu 100 mil 
de dano material e zero de dano moral. Eu ganhei tudo em um capítulo e ele 
ganhou tudo em outro. Tem recurso adesivo nesse caso. 
Então, o §1º fala do cabimento do recurso adesivo: sucumbência 
recíproca. 
Aluna: Mas se uma parte ganhou em tudo no mérito e ela pediu para 
fixar em 20% os honorários advocatícios, o juiz fixou em 10%. Seria uma 
sucumbência recíproca nesse ponto? 
Professor: O réu pediu 20% e o juizsó deu 10? Não. O mero não 
acolhimento de um capítulo acessório não justifica. A sucumbência recíproca 
é no mérito e não em um capítulo acessório. 
 
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Aluna: Nem em questões preliminares? 
Professor: Nas preliminares depende. Porque, por exemplo, eu pedi 
dano moral e material. O moral foi extinto sem resolução de mérito e no 
material eu ganhei. Aí tem sucumbência recíproca, mas repercutiu em um dos 
pedidos. Tem que repercutir no mérito. 
Aluna: Então questões de multa, nada disso poderia porque não 
questões acessórias? 
Professor: Questões acessórias, juros de mora, esse tipo de questão 
por si só, não. Mas multa é uma coisa muito ampla. Se for multa contratual 
pode. 
Aluna: Astreinte? 
Professor: É porque você não pede. Por exemplo, se você pedir 500 
de astreintes e o juiz só der 200 isso não é sucumbência recíproca. Até porque 
o juiz poderia dar até mais do que você pediu de astreintes. Isso é uma medida 
coercitiva para decisão judicial ser cumprida. 
Aí temos o parágrafo segundo que também fala de recurso adesivo: 
“§ 2º O recurso adesivo fica subordinado ao recurso 
independente [por isso ele também é chamado de 
subordinado]2, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras 
deste quanto aos requisitos de admissibilidade e 
julgamento no tribunal [aquilo que eu falei, ele é todo 
igualzinho ao recurso independente]3, salvo disposição 
legal diversa, observado, ainda, o seguinte: [aí as 
peculiaridades] 
I - será dirigido ao órgão perante o qual o recurso 
independente fora interposto, no prazo de que a parte 
dispõe para responder; [ou seja o prazo das 
contrarrazões]4 
 
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II - será admissível na apelação, no recurso 
extraordinário e no recurso especial; 
Cuidado! Não existe agravo de instrumento adesivo! Ele só cabe nesses 
três recursos: apelação, REsp e RE. “Ah, mas nos outros teve sucumbência 
recíproca”. Dane-se. Não cabe adesivo. Fale agora ou cale-se para sempre. 
Ou você recorre ou não interessa se a outra parte recorreu, você não tem 
recurso adesivo. 
 
III - não será conhecido, se houver desistência do recurso 
principal ou se for ele considerado inadmissível. 
 
Ou seja, o inciso III fala justamente da subordinação da admissibilidade 
do recurso adesivo à admissibilidade do recurso principal. Cuidado! O recurso 
principal ele só precisa ser conhecido. Obviamente ele não precisa ser provido. 
O recurso principal só precisa passar pela admissibilidade. 
Duas observações finais sobre recursos adesivos são as seguintes: 
recurso adesivo não pode servir para emendar recurso independente. O que 
eu quero dizer com isso? Quando você, mesmo num caso em que caberia 
recurso adesivo, interpõe um recurso independente - você poderia ter esperar 
o recurso adesivo, mas você não quis esperar, foi lá e interpôs o recurso 
independente - esse recurso independente acarreta preclusão consumativa 
para o recurso adesivo. Onde eu quero chegar com isso? 
Meu exemplo contra o Pedro: vamos supor que eu pedi R$ 100 mil de 
dano moral e R$ 100 mil de dano material. O juiz me deu 50 de dano material 
e zero de dano moral. Aí eu interpus apelação para dizer que não gostei do 
dano material e quero aumentar de 50 para 100. E quanto ao dano moral, não 
falei nada. Transitou em julgado. 
Aí o Pedro apelou para pegar o dano material e zerar também. Eu não 
posso, agora sabendo que o Pedro recorreu, dizer “Ah Pedro, agora além da 
minha apelação contra o dano material, eu vou entrar com uma apelação 
adesiva também quanto ao dano moral”. Não. Aquele recurso independente 
matou a possibilidade do recurso adesivo. 
Só pode interpor o recurso adesivo quem não interpôs o recurso 
independente antes. Você não pode emendar a sua apelação se valendo da 
apelação adesiva. “Ah, eu esqueci um negócio na minha apelação lá atrás e 
vou interpor agora adesiva para emendar.” Não. Ou você bem entrou com 
independente e matou a adesiva ou você não entrou com o independente e aí 
vem com a adesiva. 
Então essa é a primeira observação. A segunda observação é a 
seguinte: será que cabe recurso adesivo no âmbito dos juizados especiais? E 
quando eu falo dos juizados especiais estou me referindo ao recurso 
inominado. O recurso inominado é a apelação dos juizados. É o recurso cabível 
contra a sentença do juizado especial. Será que cabe recurso adesivo 
inominado? O que vocês acham? Palpite? Já adianto não há previsão na lei 
9.099. 
O entendimento quase pacífico nos juizados - aqui no Rio é pacífico - é 
que não cabe, por conta do princípio da celeridade. O entendimento quase 
pacífico nos juizados, inclusive muito pacífico, é de que não cabe. Não cabe 
por causa da ideia da celeridade. Tudo no juizado é coisa da celeridade. Isso 
é muito criticado pela doutrina pelo fato de que, caramba, o recurso adesivo foi 
criado pra inibir recursos. Então no fundo, ele não conspira contra a celeridade, 
ele caminha a favor. Mas não é esse o entendimento então a jurisprudência 
considera que não é possível recurso adesivo, não só porque não há previsão 
na Lei 9099, mas também porque eles consideram que não pode usar a 
aplicação subsidiaria do CPC, porque seria incompatível com o Princípio da 
Celeridade dos juizados. 
Juizado é que nem UFC: vale tudo. Eles só aplicam algumas partes do 
CPC que eles acham bonitinhas. 
Bom gente, paramos por aqui, nós terminamos teoria geral dos recursos 
e aí na próxima aula a gente já começa a falar dos recursos em espécie, já 
vamos falar de Apelação.

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