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unidade 1 MERCADO Pesquisa de Fádua Ionara A. de Andrade Roberto Zimmer Araujo Sistemas de Informação de Marketing Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Apresentar o conceito de Sistemas de Informação de Marketing e suas possibilidades. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Apresentar conceitos fundamentais de Sistemas de Informação de Marketing; • Explorar tipos de informação de marketing: dados internos, métricas de marketing, pesquisas ad hoc, regulares, etc.; • Refletir a respeito de estruturas reais e ideais de Sistemas de Informações de Marketing. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. Sabemos que as organizações fazem parte de um contexto e que as mudanças nesse contexto podem afetá-las. Mas o que as organizações fazem para se planejar em relação a essas mudanças? 2. Você já pensou que as organizações podem ter sistemas estruturados para trabalhar informações de marketing? 3. Que elementos fazem parte de sistemas como esses? 4. De que forma, você, como profissional, pode contribuir para esses sistemas? unidade 1 PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo10 1.1 Os Sistemas de Informação de Marketing Logo no início dos estudos na área de marketing, é comum aprendermos diversos conceitos básicos sobre o tema. Entre tantas coisas, os professores nos ensinam que as organizações devem estar atentas aos fatores do macroambiente (aqueles que não temos poder de influência, como os ambientes natural, tecnológico, social e político) e do microambiente (aqueles que temos poder de influência, tais como o ambiente interno da empresa, seus clientes, fornecedores e concorrentes). Contudo, quando aprendemos isso, normalmente não refletimos sobre como recebemos as informações dos ambientes e como analisá-las para que sejam úteis na área empresarial. Para compreender isso, iremos estudar neste capítulo os Sistemas de Informação de Marketing (SIM), além de descobrir quais mecanismos que as organizações desenvolvem para coletar, analisar e sintetizar informações de diversos tipos, e a partir delas, orientar seu processo decisório. Agora, é importante frisar que quando falamos “sistemas” não queremos dizer que é algum sistema computacional. É bem verdade que muitos sistemas computacionais ajudam na missão de coletar, analisar e sintetizar essas informações, mas não é só isso. Os SIM são sistemas formados por pessoas, processos e funções, agregando diversas formas de trabalho, inclusive com uso de sistemas computacionais. Pode parecer um pouco confuso num primeiro momento, mas, durante o estudo, os conceitos serão explicados com maior profundidade e você conseguirá compreendê-los com mais tranquilidade. Figura 1.1 – SIM da empresa. Fonte: Universidade La Salle (2018). Monitoramento das notícias análises de desempenho reuniões de compartilhamento sistemas operacionais: erp e bi relatórios dos vendedores Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 11 Segundo Malhotra (2012, p.18), que é um dos principais autores na área de pesquisa de mercado da atualidade, “Sistema de Informação de Marketing (SIM) é um conjunto formalizado de procedimentos para gerar, analisar, armazenar e distribuir, de forma contínua, informações aos responsáveis pelas decisões de marketing”. Nessa definição, podemos compreender o SIM como um conjunto de processos estruturados pelas empresas para que tenham, de maneira contínua, informações de marketing para apoio em seus processos de decisão. A visão de Pizzinato et al. (2012) sobre o que é o SIM é bastante próxima à de Malhotra (2012). Os autores seguem a linha de Kotler e Keller (2012), na qual o SIM é compreendido como um conjunto formado pelas pessoas, pelos procedimentos criados pela organização e os equipamentos que serão utilizados para fazer a coleta, classificação, análise, avaliação e distribuição dessas informações. Figura 1.2 – Sistema de Informação de Marketing (SIM). Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2018). Malhotra (2012) chama atenção para o elemento de continuidade, e não apenas para pesquisas de mercado pontuais, chamadas de ad hoc (adiante iremos estudar essas definições com mais propriedade, por enquanto basta saber que estas são pesquisas com início, meio e fim, e que não são realizadas continuamente). A ideia do SIM é complexa, mas observe que não é no sentido de ser difícil ou complicada, mas de ser bastante diversificada, com múltiplas possibilidades. São diversos os tipos de elementos que constituem o SIM, sendo eles levantamentos, monitoramentos e pesquisas de mercado de diversos tipos. Neste livro, estes diferentes elementos serão chamados de “técnicas de investigação de mercado”, sendo que a pesquisa de mercado é uma delas. SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo12 Dessa maneira, os SIM não serão todos iguais nas organizações. Cada empresa poderá desenvolver o seu próprio SIM, como diz Malhotra (2012), dando foco àquilo que é coerente com as responsabilidades da empresa, o tipo e o estilo de informações de marketing necessárias. Essas informações são provenientes de diversos tipos de fontes, que são combinadas e trabalhadas pelas organizações para que possam ser utilizadas para embasamento de decisões gerenciais. Caberá aos bons profissionais da área de marketing desenvolverem sistemas adequados à organização em que atuam. Para isso, é importante estudar a relação dos conceitos de dado, informação e inteligência e sua relação com as técnicas de investigação de mercado. 1.1.1 Dado, Informação e Inteligência Para desenvolver um SIM adequado às necessidades da organização, é necessário, em um primeiro momento, refletir sobre que tipo de dados podem ser relevantes. Repare: não será todo e qualquer dado que terá valor para o processo de uma organização, e para isso deve-se refletir a respeito daqueles que terão utilidade. Assim, será possível direcionar corretamente os esforços de trabalho para coleta e análise de dados relevantes. Como apontam Zikmund e Babin (2012), a pesquisa de mercado tem um importante papel para compor o sentido de dados disponíveis, principalmente com os avanços crescentes da tecnologia. Este avanço, e por consequência disso a disponibilidade cada vez maior de dados, permite que as organizações tenham acesso a esses dados e gerem cada vez mais resultados por meio das técnicas de investigação de mercado. Para compreender um pouco mais sobre esses processos, é importante que alguns conceitos sejam apresentados: o dado, a informação e a inteligência. Segundo Zikmund e Babin (2012), num senso comum existe uma certa confusão na compreensão dos termos “dado” e “informação”, muitas vezes considerando- os como sinônimos. Contudo, como profissionais da área de negócios, é importante compreendermos o que é cada um deles para que possamos fazer bom uso dos termos e, dessa maneira, estruturarmos corretamente procedimentos relacionados às informações de marketing. Atenção! Fazem parte do SIM diversos tipos de técnicas de investigação de mercado. A pesquisa de mercado é um desses tipos, mas existem outros, que serão estudados adiante. Tome cuidado para não assumir os dois termos como sinônimos. DESTAQUE Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 13 Os gestores de marketing podem muitas vezes não executar diretamente a busca e análise de dados, uma vez que é comum que este seja um trabalho realizado por suas equipes operacionais (assistentes e analistas que executam a função de pesquisadores de marketing). No entanto, as decisões que são tomadas serão baseadasde marketing é a aplicação do método científico na busca da verdade sobre os fenômenos de marketing. A aplicação da pesquisa inclui a definição de oportunidades e problemas, geração e avaliação de ideias de marketing, monitoramento de desempenho e, geralmente, a compreensão do processo de marketing. A pesquisa de marketing é mais do que conduzir investigações. Esse processo inclui o desenvolvimento de ideias e teorias, definição de problemas, busca e coleta de informações, análise de dados e comunicação dos resultados e suas implicações. Samara e Barros (2002 p.6) A pesquisa de marketing consiste em projetos formais que visam à obtenção de dados de forma empírica e objetiva para a solução de problemas ou oportunidades específicas relacionadas ao marketing de produtos e serviços. Nique e Ladeira (2014 p.20) Atualmente, a pesquisa de marketing pode ser entendida como o processo que visa à obtenção, coleta, processamento e análise das informações, para a tomada de decisão no marketing. Além desse conceito central, a pesquisa ainda procura disseminar essas informações de forma programada, auxiliando na resolução dos problemas gerenciais das organizações. (...) Em um primeiro momento, a pesquisa de marketing pode ser considerada um processo, pois ela se resume em um conjunto sequencial e particular de ações que visam a um objetivo comum. (...) Esse conjunto sequencial e particular de ações passa pelas fases de obtenção, coleta, processamento e análise. Essas quatro fases têm como objetivo produzir e transformar dados não organizados em informações gerenciais que podem ser utilizadas para a resolução de problemas ou identificação de oportunidades. Fonte: Organizada pelo autor a partir dos autores citados na primeira coluna (2018). Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 45 A partir dessa revisão, percebe-se uma série de elementos recorrentes nos conceitos apresentados que são fundamentais para compreendermos o que é pesquisa de mercado e do que ela se ocupa. O primeiro desses elementos é que a pesquisa de mercado está relacionada a um processo de busca de informações que serão importantes para a empresa. Essa compreensão, nesse momento, você já tem com facilidade, uma vez que já entende a pesquisa de marketing como parte do SIM, que é o grande sistema que trabalha as informações que subsidiarão a tomada de decisão gerencial. Nesse sentido, pesquisa de mercado se assemelha a outros elementos do SIM já trabalhados neste livro. Um ponto importante de mencionar, que também cabe para outros elementos do SIM e que integra os conceitos apresentados, é o uso de informações para subsidiar decisões de marketing. Em algum momentos ao invés de citar “decisões de marketing”, fala-se “decisões gerenciais”. É interessante comentar isso, pois quando nos referimos a decisões de marketing nesse contexto, não queremos dizer “decisões do departamento de marketing”. O conceito de marketing é algo que transcende o departamento de marketing, e muitos outros são afetados por ele e por seus processos dentro das organizações. Por exemplo, se formos falar sobre marketing de produto (e nisso um conjunto amplo de atividades que inclui pesquisas para desenvolver novos produtos, análises de ciclo de vida, promoção de vendas, etc) não caberá somente ao departamento de marketing sozinho decidir sobre tudo. Para definir quais os produtos serão produzidos e disponibilizados pela empresa, a decisão passa pela alta administração da empresa e afeta outros departamentos além do marketing, como a área comercial e os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. Sendo assim, pesquisas de mercado voltadas aos produtos trarão informações e contribuirão não somente para as decisões da gerência de marketing, mas também para outras gerências relacionadas, como a gerência de pesquisa e desenvolvimento, a gerência comercial, possivelmente a gerência de produção, além da alta administração da empresa. O mesmo acontece com o Preço: a visão de marketing para a definição de preços é extremamente importante. O departamento de marketing em uma organização poderá monitorar os preços praticados pela concorrência, identificar e analisar os preços possíveis de cobrar ao seu público-alvo e trabalhar na identificação de diferenciais que permitam ao público compreender o preço definido; contudo, a definição do preço não dependerá somente disso. Também será importante considerar o custo desse produto e sua margem de contribuição, uma visão que o departamento financeiro terá capacidade de construir. O departamento comercial também será afetado por isso, uma vez que é responsável pelas vendas, PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo46 e dependendo do preço e do potencial de venda de um produto, ele poderá avaliar a possibilidade de atingir as metas de venda necessárias para garantir a receita da organização. Sendo assim, pesquisas de mercado voltadas ao tema preço irão estar relacionadas a decisões de marketing voltadas aos preços que afetarão as gerências de marketing, financeira e comercial, além da alta administração da empresa. Dessa maneira, compreende-se que os resultados da pesquisa de mercado estarão relacionados às decisões de marketing, contudo não restritas a um departamento, mas sim a toda a organização. Outro item bastante mencionado nas definições diz respeito ao objetivo da pesquisa de marketing em contribuir para a solução de problemas e identificação de oportunidades. A pesquisa por si só não terá o poder de solucionar um problema pelo qual a empresa está passando (como por exemplo, parar a queda nas vendas) ou então aproveitar uma oportunidade (aumentar as vendas em função do mercado aquecido). As ações que irão solucionar os problemas e aproveitar as oportunidades não são pesquisas de mercado, mas sim aquelas oriundas das decisões gerenciais. O papel da pesquisa de mercado nesse contexto será de buscar o máximo de dados e gerar informações bem fundamentadas para orientar os gestores nessas decisões. Por fim, o último elemento recorrente nos conceitos que deve ser considerado é a compreensão de pesquisa de mercado como um processo que respeita um método científico e que é baseado em definição de problemas, coleta e análise de dados, comunicação de resultados e implicações. Este é um ponto muito relevante, pois caracteriza a pesquisa de mercado, de fato, como um movimento de pesquisa, e por isso utilizando métodos científicos e uso de técnicas específicas. Este é um elemento que diferencia a pesquisa de mercado de outros elementos do SIM que consistem em análises de outra natureza e que não utilizam método científico em seus processos. A partir dessa revisão, apresenta-se a definição de pesquisa de mercado, em síntese: Pesquisa de mercado consiste em um processo de marketing que, a partir do uso de método científico, realiza coleta e análise de dados e gera recomendações para a gestão das organizações na direção da resolução de problemas e identificação de oportunidades. DESTAQUE Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 47 Dito isso, pode-se afirmar que o estudo das técnicas de pesquisa científicas aplicadas ao contexto de marketing é imprescindível para que o profissional esteja apto a realizar pesquisas de mercado. Por esse motivo, as unidades seguintes irão focar nas etapas de planejamento, execução e análise de pesquisas de mercado, com diferentes ferramentas para coletar dados e maneiras de analisá- los. Contudo, antes de iniciar este estudo, é importante revisarmos os diferentes tipos de pesquisa de mercado que podem ser realizadas. 1.3.2 Tipos de Pesquisa de Mercado Assim como são infinitas as possibilidades de problemas que podem motivar pesquisas de mercado, também são infinitos os processos para executar essas pesquisas. Será importante para o profissional de marketing conhecer metodologia científica e técnicas de pesquisa para que consiga atender satisfatoriamenteàs necessidades de informações para subsidiar a tomada de decisão pelos gestores. Para compreender esses inúmeros caminhos, este subcapítulo irá apresentar brevemente alguns tipos de pesquisas de mercado e, com isso, ilustrar algumas possibilidades (mas, por enquanto, ainda sem discutir suas técnicas de execução, mas sim focar no motivo que gera a pesquisa a ser realizada). Figura 1.15 – Não esqueça: existem diversos tipos de pesquisa de mercado. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2018). PESQUISA DE MERCADO PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo48 Antes disso, é importante que seja revisado o papel da pesquisa de mercado. Compreendendo o papel desse processo de marketing, será mais fácil identificar quais tipos de pesquisa são mais adequados para as necessidades que podem surgir no dia a dia das organizações. Para Yasuda e Oliveira (2013), são quatro os principais papéis da pesquisa de mercado no mundo empresarial. O primeiro papel é o descritivo, que se ocupa da coleta e seleção de dados e fatos. O segundo papel é o diagnóstico, que tem por objetivo transformar dados em informação relevante, conhecimento e inteligência para as empresas por meio de análise. O terceiro papel é preditivo, ou seja, é referente ao uso de dados informações para implementar ações, projetando possíveis consequências. Por fim, o quarto papel é o criativo, que auxilia na obtenção de insights e recomendações a respeito de possibilidades, caminhos e oportunidades para a organização. Figura 1.16 – Papéis da pesquisa de mercado. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2018). O profissional que realiza a pesquisa de mercado tem um duplo papel, que é o de pesquisador e também de parceiro. Enquanto ele é pesquisador, tem como preocupação identificar as respostas corretas para as perguntas que o motivam a pesquisar. Ele deve ser imparcial e atuar de maneira mais neutra possível para que seu olhar, seu conhecimento prévio e suas impressões pessoais não afetem a interpretação dos dados que estão sendo coletados e analisados. Já na posição de parceiro do solicitante (do cliente interno ou externo que está atendendo), Descritivo Diagnóstico Preditivo Criativo Tendência Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 49 o profissional compreende a estrutura que será afetada pelos resultados e a relevância daquele resultado para a organização. Por isso, ele deve maximizar a utilização daquilo que ele pesquisa para que possa gerar recomendações da maior utilidade possível e orientar os gestores na tomada de decisão, e por consequência, as ações propriamente ditas das organizações. Dessa maneira, ao definir o tipo de pesquisa que será realizado, o profissional precisará ter consciência da importância do seu trabalho enquanto pesquisador e também enquanto parceiro - ou seja, conseguir constatar as respostas da maneira mais pura possível, sem interferência de elementos que podem atrapalhar sua análise, bem como o melhor uso possível dessas informações. No que se refere aos objetivos que o profissional tem ao realizar a pesquisa, Pizzinato e Pizzinato (2012) apontam dois grupos de pesquisa: as pesquisas para identificação de problemas e/ou oportunidades e as pesquisas para solução de problemas. Elas serão apresentadas no Quadro 1.5. Quadro 1.5 – Classificação das pesquisas de mercado quanto aos objetivos da pesquisa. Objetivos da pesquisa Tipos de pesquisa de mercado Pesquisas para identificação de problemas e/ou oportunidades Pesquisa de potencial de mercado Pesquisa de participação de mercado Pesquisa de imagem Pesquisa de características do mercado Pesquisa de previsão de vendas Pesquisa de tendê ncias dos negócios Pesquisa de vendas Pesquisas para solução de problemas Pesquisa de segmentação Pesquisa de produto Pesquisa de preços Pesquisa de promoção de vendas Pesquisa de distribuição Pesquisa de motivação de compra Pesquisa da força e organização de vendas Pesquisa de vendas Fonte: Pizzinato e Pizzinato (2012, p.9). No Quadro 1.6 estão apresentados os tipos de pesquisa de mercado mencionados no Quadro 1.5, indicando algumas temáticas possíveis. Com isso, será possível compreender o que é cada uma delas. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo50 Quadro 1.6 – Pesquisas de mercado e suas temáticas. Tipo de pesquisa de mercado Algumas possibilidades para a temática Pesquisa de potencial de mercado Pesquisa de dimensionamento do mercado, ou seja, definindo o tamanho potencial do mercado, o volume de clientes usuários ou prospects (pessoas que fazem parte do público-alvo e que podem se tornar clientes). Pesquisa de participação de mercado Pesquisa que identifica a fatia de mercado atendida pela empresa (market share, value share ou mind share) em um determinado setor de atividade. Além da sua participação também podem ser pesquisadas as participações dos concorrentes. Pesquisa de imagem Identificação de como a imagem da empresa é percebida pelo mercado. Pode ser realizada com públicos diversos (clientes, sociedade, parceiros, fornecedores, etc.). Pesquisa de características de mercado Pesquisas voltadas à caracterização do contexto competitivo, tanto o que se refere à concorrência (como ela está organizada, quais as lógicas de funcionamento e relação com o mercado dessas organizações) quanto aos clientes (como é o processo de compra, quais os itens que devem ser levados em consideração, fatores de influência, fontes de informação consultadas, atores que participam do sistema, etc.). Também podem ser pesquisas sobre hábitos de compra, sensibilidade a preços e sensibilidade a apelos emocionais ou racionais na propaganda. Pesquisa de venda: previsão e análise Pesquisa para previsão de vendas por territórios, produtos ou linhas de produtos, ou segmentos de mercado atendidos. Análise de desempenho de custos, vendas e lucros (desenvolvimento das chamadas “métricas de lucratividade”). Análise das vendas por região geográfica, vendedores ou representantes de vendas, por produtos ou linha de produtos ou segmentos de mercado atendidos. Pesquisa de cenários e tendências dos negócios Identificação de tendências para o futuro de crescimento, declínio ou estabilidade de setores específicos da economia, de mudanças no comportamento do consumidor ou alterações na estratégia da concorrência. Pesquisa de segmentação Pesquisas para determinar as bases para segmentação: demográfica, psicográfica, comportamental e/ou geográfica. Também pesquisas para estabelecer potencial e sensibilidade do mercado para as soluções ofertadas. Pesquisa de produto Pesquisas de embalagem, preço, cor, tamanho, forma, consistência, marca, variedade de linhas ou itens das linhas. Pesquisas para posicionamento e reposicionamento e produtos. Pesquisas de qualidade percebida e atributos dos produtos compreendidos pelos clientes. Pesquisas de apoio ao desenvolvimento de novos produtos a partir da observação de alterações nas ofertas de concorrentes ou pesquisas com o público- alvo. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 51 Tipo de pesquisa de mercado Algumas possibilidades para a temática Pesquisa de preços Estudo de sensibilidade da demanda sobre preços. Estudo de preços e margens praticadas pelos distribuidores, atacado e varejo. Estudo de níveis de qualidade e preços. Mapeamento de preços praticados no mercado e atributos que sustentam tais níveis de preço. Pesquisa de promoção de vendas Pesquisas para avaliar a eficácia dos esforços de comunicação sobre as vendas, de identificação de elementos importantes para o público-alvo para posterior trabalho em planos promocionais, pesquisa de comportamento dos clientes no ponto de venda para torná-lo mais atrativo e sugestivo. Pesquisas que exploram jornadas do cliente e todos os pontos de contato da organização e seus clientes. Pesquisa de propaganda Pesquisa de impacto: textoe símbolos utilizados em peças publicitárias. Pesquisa de mídia. Pesquisa de elementos importantes para o público-alvo para posterior trabalho em planos de mídia e elaboração de propagandas. Pesquisa de distribuição Estudos cujo foco é a localização da indústria, pontos de venda e residência do público-alvo. Pesquisas para seleção do perfil de distribuidores. Pesquisas para avaliação de desempenho de distribuidores. Pesquisas de valores para fidelização de distribuições. Pesquisas para expansão e abertura de novos pontos de venda, distribuidores, outros intermediários e parceiros. Pesquisa de motivação de compra Pesquisas voltadas à compreensão dos motivos de compra dos consumidores: são pesquisas relacionadas ao processo de decisão de compra, mas que tem foco na fase de identificação da necessidade. Pesquisa da força e organização de vendas Pesquisas para definição de territórios e regiões de vendas, dimensionamento e alocação da força de vendas por territórios, que subsidiem a definição de metas de vendas. Pesquisas de avaliação de desempenho dos vendedores. Estudos da medida da cooperação dos intermediários e identificação de novas vias de distribuição. Fonte: Pizzinato e Pizzinato (2012, p.9). Uma vez que o profissional de marketing identifique o tipo correto de pesquisa que deve ser realizado, ele também precisará definir sua periodicidade. Por vezes, as pesquisas deverão seguir um calendário contínuo, no qual serão repetidas diversas vezes, vezes, apresentando quadros de monitoramento, estruturados como uma linha do tempo, para acompanhamento dos movimentos e das dinâmicas desses resultados. Pesquisas de satisfação do cliente são exemplos de pesquisas realizadas continuamente. Por outro lado, também existem aquelas pesquisas que serão realizadas de maneira pontual, sem necessidade de repetição PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo52 contínua, como por exemplo uma pesquisa de apoio ao desenvolvimento de um novo produto ou seu teste com o público-alvo. (YASUDA; OLIVEIRA, 2013) No que se refere a pesquisas pontuais, um termo comum de ser comentado é ad hoc. Para Yasuda e Oliveira (2013), ad hoc refere-se a pesquisas com objetivos bastante específicos e que são realizadas apenas uma vez, como por exemplo, uma pesquisa para identificar um ponto adequado para abertura de uma unidade da organização em uma cidade. Mesmo que ela venha a ser realizada novamente (em função de necessidade de mudança), o contexto será totalmente outro, fazendo com que essas duas pesquisas tenham princípios bastante diferentes, e por isso muito específicos de cada demanda. O mesmo pode acontecer quando se fala no teste com os clientes para inserção de um novo produto no mercado. Já numa situação totalmente contrária à ad hoc, podem ser citadas as Omnibus, que são pesquisas realizadas não apenas para um cliente, mas cujos resultados podem contribuir tanto para uma determinada empresa quanto para suas concorrentes. Yasuda e Oliveira (2013) comentam que empresas concorrentes podem se associar para encomendar essas pesquisas e dividir os custos delas, quando desejam que elas sejam executadas por empresas terceirizadas especialistas em pesquisas de mercado. As autoras também colocam que é comum as Omnibus serem repetidas com alguma periodicidade. Nesse tipo de pesquisa, podem ser citados os estudos setoriais, que consistem em pesquisas mais amplas, que reúnem informações gerais do mercado, mapeamento de ofertas, avaliações de clientes sobre ofertas, tendências econômicas, demográficas e socioculturais, e assim por diante, ou seja, a reunião de informações que têm utilidade para as diversas empresas que compõem o setor, e não voltadas à necessidade específica somente de uma delas. Dito isso, nesta unidade foram apresentadas alguns dos tipos mais comuns de pesquisas de mercado realizadas pelas organizações. Agora que você as conhece e compreende de que maneira elas se relacionam com o SIM, prepare- se para a segunda unidade, na qual trabalharemos o planejamento da pesquisa de mercado. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 53 SÍNTESE DA UNIDADE Iniciamos nossa unidade definindo os Sistemas de Informação de Marketing (SIM) e compreendendo diversas de suas características. Como profissionais de marketing, entendemos que os SIM sempre serão diferentes de empresa para empresa em função das suas necessidades de informação, seu mercado, fatores internos, como a estrutura e as responsabilidades dos setores, e assim por diante. Para realizar um bom trabalho, estudamos o processo de geração de inteligência em marketing: do dado à informação, e da informação ao conhecimento. Este é um processo que alimenta o SIM com dados que são de duas naturezas: os dados primários e os dados secundários. Para investigar o mercado, estudamos os quatro elementos que compõem o SIM: Sistema Contábil (ou Sistema de Registros Internos), Sistema de Inteligência e a matriz macroambiental-setorial, Sistema Científico: confrontando dados e métricas de participação de mercado, e a Pesquisa de Marketing e sua participação no SIM. Por fim, também estudamos nessa unidade a definição e os tipos de pesquisa de mercado. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo54 REFERÊNCIAS American Association of Marketing (AMA). Definition of Marketing. Disponivel em: http://gg.gg/bzw98. Acesso em: 2 out. 2017. Associação Brasileira de Marketing (ABMN). Verbetes. Disponível em: http://gg.gg/bzw9b. Acesso em: 2 fev. 2017. BERKOWITZ, Eric N. KERIN, Roger A. HARTLEY, Steven W. RUDELIUS, William. Marketing. Rio de Janeiro: LTC, 2003. CZINKOTA, Michael R. et al. Marketing: as melhores práticas. Porto Alegre: Bookman, 2001. FARRIS, Paul W. BENDLE, Neil T. PFEIFER, Phillip E. REIBSTEIN, David J. Métricas de marketing: mais de 50 métricas que todo executivo deve dominar. Porto Alegre: Bookman, 2007. KOTLER, Philip. KELLER, Kevin L. Administração de marketing. São Paulo: Pearson, 2007. LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Marketing : conceitos, exercícios, casos. São Paulo: Editora Atlas, 2009. MAGALHÃES, Marcos Felipe; SAMPAIO, Rafael. Planejamento de marketing: conhecer, decidir e agir do estratégico ao operacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. Porto Alegre: Bookman, 2012. MCDANIEL, Carl D. GATES, Roger. Pesquisa de marketing. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. NIQUE, Walter M. LADEIRA Wagner. Pesquisa de marketing : uma orientação para o mercado brasileiro. São Paulo: Atlas, 2014. PIZZINATO, Nadia K. PIZZINATO, Andrea K. Pesquisa mercadológica pura e aplicada em setores específicos. In: PIZZINATO, Nadia K. FARAH, Osvaldo E. Pesquisa pura e aplicada para marketing. São Paulo: Atlas, 2012. PIZZINATO, Nadia K. PIZZINATO, Nivaldo K. Pesquisa de vendas: a força dos dados secundários do Sistema de Informações de Marketing (SIM). In: PIZZINATO, Nadia K. FARAH, Osvaldo E. Pesquisa pura e aplicada para marketing. São Paulo: Atlas, 2012. SAMARA, Beatriz S. BARROS, José C. Pesquisa de marketing: conceitos e metodologia. São Paulo: Prentice Hall, 2002. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 55 YASUDA, Aurora. OLIVEIRA, Diva M. Pesquisa de marketing: guia para a prática da pesquisa de mercado. São Paulo: Cengage Learning, 2013. YOUTUBE. O que é e para que serve uma pesquisa de mercado? Karoline Meier. Disponível em: http://gg.gg/dnq4g. Acesso em: 2 fev. 2017. YOUTUBE. O que é sistema de informação. EnterTEACHERment. Disponível em: http://gg.gg/bzw9o. Acesso em: 2 fev. 2017. ZIKMUND, William G. BABIN, Barry J. Princípios da pesquisa de marketing. São Paulo: Cengage Learning, 2012. Se você encontrar algum problema nesse material, entre em contato pelo email eadproducao@unilasalle.edu.br. Descreva o que você encontrou e indique a página. Lembre-se: a boa educação se faz com a contribuiçãode todos! CONTRIBUA COM A QUALIDADE DO SEU CURSO Av. Victor Barreto, 2288 Canoas - RS CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 ead@unilasalle.edu.brnas informações recebidas a partir de uma pesquisa, levantamento, mapeamento ou outro processo de investigação, e por isso é necessário que seja compreendida a maneira como estes conceitos se apresentam e se relacionam entre si para uma melhor tomada de decisão. Figura 1.3 – Gestores de marketing tomam decisões importantes na busca pelo SIM adequado. Fonte: http://gg.gg/bzvot. Como apontam Zikmund e Babin (2012), dados são fatos, ou seja, medidas registradas de algo (um fenômeno ou acontecimento), ainda sem uma forma definida e fora de alguma estrutura, como pedaços soltos de conhecimento. Já o termo informação refere-se ao conjunto de dados estruturados e organizados que apoiam o gestor para a tomada de decisões ou estabelecem relação entre dois ou mais fatos. Já o conceito de inteligência está relacionado ao subconjunto de dados e informações que, de fato, tem valor explicativo para decisões eficazes. Ou seja, você pode compreender que um conjunto de dados e informações se transformou em inteligência no momento em que ele ajuda o gestor no processo de decisão. Assim, os dados ajudam a compreender a estratégia mais adequada, se há ou não demanda potencial para um novo produto, se um fenômeno do mercado externo é uma ameaça para o resultado de vendas, e assim por diante. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo14 Existem mais dados do que informações, bem como existe mais informação do que inteligência. A maior parte dos dados é irrelevante para uma situação específica de tomada de decisão e, por isso, nem sempre são valiosos nesse processo. Quando um conjunto de dados torna-se uma informação, ele passa a ter um valor maior e, assim, esses dados precisam ser examinados por profissionais que avaliarão sua relevância. Esse processo de busca, seleção e avaliação de dados ocorre quando um profissional está estruturando informações de marketing para seu negócio. Por isso, é importante o acompanhamento de notícias e acontecimentos referentes ao setor de atuação, por exemplo. Vale salientar que muitas dessas notícias não terão grande relevância para a organização (seja para um grande projeto ou mesmo para decisões de rotina), mas somente depois de ter acesso a elas será possível avaliá-las e verificar sua relevância. Outro exemplo que pode ser dado é a realização de uma pesquisa ou levantamento: normalmente, ao iniciar esse esforço investigativo, não se sabe exatamente quais os dados serão necessários para estruturar as informações, mas com o esforço de busca, seleção e estudo é possível avaliar quais têm valor e, a partir disso, estruturar informações. Assim, essas informações são interpretadas e, após isso, conclusões se formam, como colocam Zikmund e Babin (2012), para efetivamente moldarem decisões de marketing. Esse resultado é chamado de inteligência de marketing, que permite melhor tomada de decisões, melhor compreensão das necessidades dos clientes e, com isso, um melhor desempenho empresarial. Figura 1.4 – A inteligência de marketing faz com que as decisões sejam tomadas da melhor maneira possível. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2018). Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 15 Neste processo de busca de dados relevantes, estruturação da informação e a inteligência de mercado, é importante considerar duas características dos dados: a relevância e a integridade. Relevância diz respeito à pertinência do dado em relação à situação atual (ou seja: o dado parece importante frente à atual situação da empresa?). Por vezes, dados sem relevância invadem o processo de tomada de decisão e, para se prevenir frente a isso, é importante se questionar se esse fato seria suficiente para alterar significamente os resultados de inteligência. A outra característica que deve ser observada é a integridade, ou seja, a quantidade correta de informações. Para a decisão, deve-se ter informações suficientes sobre todos os aspectos pertinentes à decisão, e não apenas de uma parte, pois desconsiderar uma parte do contexto afetado pela decisão pode gerar problemas não estimados. Quer um exemplo? Para compreender a necessidade de um determinado público, ao desenvolver um novo produto não basta saber apenas quais as necessidades já são atendidas pelas alternativas disponíveis, mas é preciso saber também as que não são atendidas. Por isso, , quanto mais essas informações forem estruturadas de forma completa, dentro dos limites possíveis, melhor serão os resultados de inteligência de mercado. De acordo com a sua origem (ou seja, onde são coletados e para que), os dados podem ser classificados como primários ou secundários. Ao longo dos próximos parágrafos iremos comentar as definições destes dois grupos de dados, e com isso, compreender que tipo de informações e resultados de inteligência podem ser gerados por cada tipo de dado. Malhotra (2012, p.36) define os dados primários como aqueles que são “coletados ou produzidos pelo próprio pesquisador com a finalidade de resolver o problema de pesquisa”. Yasuda e Oliveira (2013) comentam que os dados primários são obtidos a partir de um esforço investigativo com uma finalidade específica, principalmente aqueles dados que não se dispunham anteriormente e que, Para fixar: durante uma ou duas semanas monitore todas as notícias que encontrar sobre o mercado em que você atua profissionalmente ou outro que tenha interesse. Durante esse período, examine as notícias e verifique quais são relevantes e íntegras. Após isso, verifique quais delas se relacionam entre si e tome nota das informações que surgem com essas relações. Por fim, verifique os resultados: que oportunidades ou ameaças essas informações indicam para uma organização que atua neste mercado? Que decisões poderiam ser indicadas a um gestor de marketing? DESTAQUE PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo16 na maior parte das vezes, são gerados por meio do contato direto com o público pesquisado por diversas técnicas, como observação, questionários e entrevistas (técnicas que serão estudadas na segunda unidade). A partir da visão trazida pelos autores mencionados, podemos compreender que os dados primários são aqueles dados que não estão disponíveis em algum lugar, e que, para que a organização os tenha em mãos, é necessário que ela mesma os gere. Alguns desses dados podem não existir em nenhum lugar, como, por exemplo, o perfil do cliente de uma determinada empresa - não há algum órgão governamental, associação ou outra entidade que estude o perfil do cliente de cada empresa, portanto, para descobrir o perfil do seu próprio cliente, a empresa precisará ela mesma buscar os dados. Outros dados, entretanto, podem existir, mas estarem indisponíveis, como, por exemplo, alguma informação governamental de acesso restrito que, mesmo que seja estudada pelo governo, as empresas não têm acesso. Outro caso de dados inacessíveis são aqueles calculados internamente por uma empresa e usados apenas internamente. Por exemplo: se uma empresa determina qual é o potencial de um mercado, ela irá utilizar essa informação apenas para si, e não compartilhará com outras empresas concorrentes. Já os dados secundários têm origem diferente: não são dados que precisam ser gerados pelo pesquisador, mas, sim, dados que já existem e serão acessados e analisados por ele. Yasuda e Oliveira (2013) dizem que os dados secundários são aqueles que já existem quando precisamos deles. Alguns destes dados são acessíveis ao público em geral, como censos demográficos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ou bases do RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho). Outros dados secundários são privativos da empresa ou instituição, como outras pesquisas realizadas anteriormente, bancos de dados de SAC (Serviços de Atendimento ao Consumidor) e outros relatórios desistemas da empresa. Também são considerados dados secundários e privativos da empresa aqueles que são coletados em arquivos ou documentos diversos. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 17 Figura 1.5 – O SAC pode ser muito útil na geração de dados secundários para a empresa. Fonte: http://gg.gg/c1cdo. Malhotra (2012, p.36) define dados secundários como “dados colhidos para uma finalidade diferente daquela do problema em pauta”. Isso quer dizer que ao disponibilizar os dados, a organização ou instituição que o fez não tinha exatamente o mesmo propósito que um profissional de negócios terá quando os buscar. Vamos a um exemplo? Você pode utilizar os dados do IBGE para estimar o tamanho potencial de um mercado de consumidores, mas perceba que essa definição não era o objetivo do Instituto ao disponibilizar os dados. Isso não quer dizer que o dado não deva ser utilizado para este fim, apenas vale frisar que, em função de não serem dados gerados especificamente para uma aplicação, eles podem não estar na quantidade ou na profundidade necessárias e, possivelmente, estarão juntos a uma grande quantidade de dados que não terão valor (somente uma parte deles será relevante). PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo18 Figura 1.6 – Dados x Informações. Fonte: Adaptado por Universidade LaSalle EaD (http://gg.gg/c1ces). Assim, caberá ao profissional de marketing fazer a avaliação e seleção de dados adequados. Ao mesmo tempo em que os dados primários são específicos para um determinado problema, seu processo de coleta é trabalhoso, envolve custo alto e longo tempo de dedicação. Enquanto isso, dados secundários envolvem processos mais simples e rápidos, de baixo custo e menor tempo de trabalho, embora não sejam específicos para a resolução de um determinado problema e, por isso, há a necessidade de uma avaliação crítica e atenciosa por parte do profissional que realiza a coleta. Essa avaliação crítica e atenciosa, ao se buscar dados secundários, é de suma importância, pois nem todos os materiais disponíveis trazem dados confiáveis. O profissional de marketing deve buscar fontes que sejam reconhecidas e ter alguma noção de como e para qual situação os dados ali constantes foram coletados. No Quadro 1.1, a seguir, está uma síntese que compara as características entre estes dois tipos de dados elaborada por Malhotra (2012 p.80). “Mas você tem certeza de que esses dados do IBGE e do Ministério do trabalho realmente têm a resposta para o nosso problema? São tantos dados, estou confuso!” “Esses dados contribuem muito para resolvermos nosso problema. Nós só precisamos estudá-los para identi�carmos aqueles que são relevantes e podem nos ajudar. Mas acredite, daqui podemos gerar muita inteligência para nosso negócio!”. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 19 Quadro 1.1 – Comparação entre dados primários e secundários. Dados primários Dados secundários Finalidade da coleta Para o problema considerado Para outros problemas Processo de coleta Muito trabalhoso Rápido e fácil Custo da coleta Alto Relativamente baixo Tempo da coleta Longo Curto Fonte: Malhotra (2012, p. 80). Yasuda e Oliveira (2013) chamam atenção sobre alguns outros pontos relevantes em relação aos dados secundários. O primeiro deles é que, embora seu nome seja “secundário”, esses dados não têm importância inferior aos primários. Esses dados são matéria-prima para o que chamamos de desk research, uma técnica de pesquisa cada vez mais utilizada no ambiente organizacional. Também são considerados dados secundários aqueles que se tornaram do conhecimento do pesquisador por acaso ou sem a intenção (por exemplo, tomar conhecimento de uma nova tecnologia ao receber um e-mail de divulgação ou um novo produto da empresa concorrente ao ver um vídeo comercial na televisão ou internet). As autoras ainda lembram que tanto dados secundários quanto primários devem ser relevantes, corretos, imparciais e confiáveis para que possam ser considerados e gerar informações que, por sua vez, resultarão em inteligência de marketing. Caso os dados não preencham esses requisitos, os resultados poderão ser irrelevantes, incorretos, parciais ou não confiáveis, e a decisão de marketing aplicada será incorreta. Desk research é um tipo de pesquisa muito utilizado, que consiste, numa tradução simples, em “pesquisa de mesa”. Isso é, pesquisa de dados secundários, que um profissional faz em sua mesa, normalmente acessando documentos e bases de dados, sejam essas fontes físicas ou digitais. Via de regra, todas as pesquisas tem uma etapa de desk research, pois mesmo quando é uma pesquisa com consumidor na qual o profissional irá coletar e analisar dados primários, ele verifica o que já tem de informação em outras fontes (como pesquisas anteriores, relatórios, registros anteriores, etc) sobre o assunto. Para isso, é utilizada a desk research. Alguns processos de pesquisa de mercado, por sua vez, podem ser constituídos exclusivamente pela desk research. Tudo vai depender do objetivo da pesquisa. GLOSSÁRIO PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo20 Figura 1.7 – Desk Research é uma técnica de pesquisa muito útil no ambiente de trabalho. Fonte: http://gg.gg/c1cez. É importante dizer que dados de diferentes tipos e origens geram informações variadas e não se sobrepõem. Ou seja, não se deve pensar que um dado é melhor do que outro pelo seu tipo ou local de origem. Para escolher tipos de dados e sua origem é necessário pensar em quais são os mais adequados para aquilo que se quer descobrir: não há um “mais certo” do que outro, mas sim um mais adequado do que outro para um determinado momento, mas que na situação seguinte poderá ser diferente. Com isso, percebe-se a importância da capacidade crítica e de avaliação do profissional ao realizar a escolha de tipos de dados e sua origem. Apresentados os tipos de dados, também é interessante comentar a ideia de banco de dados, que muitas vezes são fontes utilizadas pelos profissionais de marketing em seus esforços investigativos. Zikmund e Babin (2012) compreendem banco de dados como uma coleta de dados brutos organizados em uma determinada forma que tenha lógica e de tal maneira que possam ser ordenados e armazenados por um computador - como por exemplo, uma planilha eletrônica. Uma lista simples de e-mails para envio de mensagens já pode ser considerado um banco de dados, nesse caso, é claro, com baixa complexidade. Os bancos também podem ser bastante complexos, com grande quantidade e variedade de dados, como um cadastro populacional, que traga moradores no país, região, estados e municípios, e também em cada um desses territórios por faixa etária. Em função do avanço tecnológico, este banco de dados sendo analisado com uso de planilhas eletrônicas e outros softwares pode gerar resultados de inteligência em algumas horas. Antes do desenvolvimento destas tecnologias, a análise manual exigiria, muitas vezes, semanas, até que as informações fossem suficientemente construídas e interpretadas. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 21 Os bancos de dados também podem ser gerados a partir do armazenamento de dados. Este é um processo que permite que dados relevantes e cotidianos sejam armazenados e organizados para acesso simplificado. Zikmund e Babin (2012, p.35) comentam que o depósito complexo dos dados, que reúne tanto atuais quanto históricos, chama-se “servidor de dados”. O armazenamento deve ser gerenciado seguindo alguma lógica de organização, como, por exemplo, a periodicidade de entrada de novos dados. Os dados também devem manter uma coerência, ou seja, eles não podem mudar a natureza ou o tipo de dado, pois numa série histórica os dados devem ser todos do mesmo tipo. Outro ponto importante é que os bancos de dados devem ser salvos com cópias de segurança em função de sua importância. Bancos de dadosmantidos internamente nas organizações são importantes fontes para SIM, dos quais inúmeros dados secundários resultarão em inteligência e suporte às decisões gerenciais. Com isso, você conheceu diferentes tipos de dados que alimentam o SIM. Agora, o próximo passo é conhecer diferentes técnicas de investigação e, também, os diferentes tipos de entrada de dados. Ou seja, se as técnicas de investigação são diversas, as fontes de dados também são. Mas quais são elas? No tópico seguinte, você verá que iremos trabalhar estas e outras questões. Antes de ir para o próximo tópico, vamos refletir! Você já teve contato ou conhece algum banco de dados? E na empresa em que você trabalha ou estagia, existem bancos de dados? Se sim, anote quais são essas bases, e se não, imagine que bancos poderiam ser mantidos. Após esse processo, pense que tipos de informação podem vir deste banco de dados e como isso pode impactar uma empresa (seja a sua ou outra, caso você opte pelo uso de algum banco de dados aberto). Com isso, você já poderá refletir a respeito de possíveis resultados de inteligência a partir deste primeiro contato com os SIM. DESTAQUE PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo22 Agora que você já conhece um pouco mais sobre os Sistemas de Informações de Marketing, é importante que você assista ao vídeo “O que é sistema de informação” para saber mais sobre o tema. Nesse vídeo, é apresentado como os sistemas são compreendidos pelas empresas, não só do ponto de vista de marketing, mas também para o uso em diferentes atividades operacionais. Assista em: http://gg.gg/bzvvc. VIDEO Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 23 1.2 As Técnicas de Investigação de Mercado Ao longo do tópico anterior, você estudou conceitos fundamentais daquilo que chamamos de Sistemas de Informação de Marketing (SIM). Com isso, vimos que são diversas as possibilidades de obtermos dados que podem gerar inteligência e suporte a decisão. Ou seja, até agora sabemos que esses dados podem ser obtidos de diversas maneiras, mas ainda não chegamos a conversar sobre quais são elas. A partir de agora, é sobre isso que iremos estudar: as técnicas de investigação de mercado. Compreenderemos como técnicas de investigação de mercado todas essas possibilidades de buscar dados que podem compor um SIM. Contudo, é necessário dizer que dificilmente uma organização terá em seu SIM todas essas técnicas. O ideal é que cada organização avalie as técnicas que são mais adequadas para sua realidade e invista corretamente nessa composição. Pizzinato et al. (2012) colocam quatro elementos principais que compõem o SIM, envolvendo diferentes técnicas de investigação de mercado. No Quadro 1.2, a seguir, será apresentada uma síntese desses quatro elementos e quais as fontes de informação necessárias em cada um deles. Ao longo das próximas subseções, cada um desses elementos será estudado com maior profundidade. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo24 Quadro 1.2 – Elementos do SIM: ambientes interno e externo como fontes de coleta de dados. Elementos do SIM Ambiente e fonte de informações Interno Externo Contábil (ou de registros internos) Demonstrações de resultados, balanços, relatórios de vendas, custos e lucros (fontes de dados secundários) Como são registros internos, não há fonte externa para esse tipo de elemento Inteligência Vendedores (fontes de dados primários) Feiras, exposições, seminários, congressos, mídia impressa e eletrônica (dados primários e secundários) Científico Gráficos Análise de dados de outras pesquisas: IBGE, FGV (Fundação Getúlio Vargas), FEE (Fundação de Economia e Estatística), Fundação Saede, etc. (dados secundários) Pesquisa de marketing Fontes primárias: pessoas informadas na organização Fontes secundárias: em relatórios de vendas, no sistema contábil Fontes primárias: clientes, fornecedores, distribuidores, concorrentes Fontes secundárias: Relatórios de pesquisas, pesquisas IBGE, FGV (Fundação Getúlio Vargas), FEE (Fundação de Economia e Estatística), Fundação Saede, publicações, sites na internet Fonte: Adaptado de Pizzinato e colaboradores (2012, p. 135). 1.2.1 O Sistema Contábil O primeiro destes elementos do SIM é o Sistema Contábil (ou sistema de registros internos). Este tipo de fonte fornece informações gerenciais contábeis, ou seja, ele gera uma série de informações sobre os eventos econômicos da empresa que são identificados e mensurados. Assim, é possível analisar medidas de desempenho que podem orientar diversas decisões empresariais. (PIZZINATO et al., 2012). Por exemplo, uma informação básica que pode vir a partir do sistema contábil é o total de faturamento - tanto o total da empresa, quanto totais por linha de produtos, região geográfica dos clientes, segmento dos clientes, unidade da empresa (caso tenha mais unidades) e assim por diante. Nesse caso, Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 25 pode-se analisar o dado a partir de uma perspectiva histórica e compreender se o faturamento é estável, se está em crescimento ou em redução, tanto no total quanto em função de uma variável. Se nessa análise for verificado que os clientes de um determinado local estão reduzindo as compras (e, por consequência, registra-se queda no faturamento), por exemplo, isso pode ajudar a gestão da empresa, que poderá buscar mais informações sobre esse fenômeno e usar essa informação para justificar um maior investimento em força de vendas nesta região. Ou então, ao perceber que as vendas de uma determinada linha de produtos reduzem ou aumentam numa região, também se pode investigar os motivos que estimulam isso. No caso de redução, estaria, talvez, um concorrente ganhando espaço no mercado? Mas em caso de aumento nas vendas, a qualidade está sendo reconhecida e, por isso, aumentando o faturamento do produto nesta região? Seria esse fenômeno uma resposta do público a uma ação promocional realizada nesta região? Essas são apenas algumas das questões que podem surgir numa análise de dados internos. Com esse tipo de análise, é possível ter uma compreensão em profundidade sobre o histórico da organização. Inclusive, podemos dizer que, com isso, a contabilidade deixa de ser apenas um registro do passado, mas também é fonte de dados importante para o futuro, afetando a estratégia. Por esse motivo, é importante que os profissionais de marketing estejam atentos a dados provenientes de sistemas contábeis e não se fixem somente no faturamento, mas também na margem de contribuição, despesas operacionais, lucro líquido, custos totais e assim por diante. É importante que o profissional de marketing compreenda a maneira como os dados internos de sua organização são registrados e que tipo de informações ele poderá ter a partir da análise dos mesmos. São inúmeras as possibilidades de análise pelo ponto de vista de marketing a partir desses dados, tais como análises de ciclo de vida de produtos, de portfólio, segmentação da carteira de clientes, entre outras. Essas inúmeras possibilidades surgem e se modificam em função dos dados disponíveis, da situação em que a organização se encontra e do tipo de decisão com que elas irão contribuir. Se as decisões forem voltadas à elaboração de um plano promocional, algumas informações serão úteis, tais como o giro dos produtos no estoque, que poderão contribuir para um plano promocional que privilegie a venda dos itens com giro mais lento. Se o objetivo é aumentar a participação de mercado em um determinado território, será importante avaliar o crescimento de vendas por região geográfica para planejar ações de comunicação e estratégias comerciais PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo26 bem dimensionadas. Para que isso aconteça corretamente, é necessário que o profissional de marketing tenha um olhar analítico, de tal maneira que possacompreender as possibilidades e, na medida em que investiga os sistemas contábeis da organização, consiga identificar dados e realizar as análises adequadas. Uma característica interessante desses dados é que, de uma maneira geral, eles tendem a ser estruturados e estarem disponíveis para análise a partir do uso de sistemas de apoio informatizados, e é possível elaborar até análises históricas, o que tem bastante utilidade para compreender a dinâmica dessas grandezas. Além da análise dos dados nestes sistemas, é importante mencionar que os sistemas podem gerar e resgatar diferentes tipos de indicadores de resultados, que também servirão para as análises indicadas. Vale a pena também compreender, portanto, os indicadores que a empresa mantém, como eles são obtidos, e acompanhar esses resultados. Esses indicadores trarão ao profissional de marketing, que está realizando a análise, importantes informações sobre as dinâmicas da gestão e os resultados relacionados. 1.2.2 O Sistema de Inteligência O segundo elemento mencionado por Pizzinato et al. (2012) é o Sistema de Inteligência. Por meio da participação em feiras, exposições e pelo acesso a diferentes meios de comunicação (como jornais e revistas, sejam elas impressas ou digitais), o profissional de marketing busca informações referentes a alterações no ambiente de negócios, inovações e tendências. O tipo de dado que deverá ser monitorado é bastante diversificado. Quando iniciamos nossos estudos sobre o ambiente de marketing, somos apresentados a seis tipos de ambientes externos, e a atenção do profissional de marketing deve ser voltada a todos eles (sempre, claro, dando foco àquilo que mais se relaciona com a organização na qual o profissional está exercendo sua atividade). Os seis ambientes são: demográfico, sociocultural, político-legal, natural, econômico e tecnológico (KOTLER; KELLER, 2012; BERKOWITZ et al. 2003; MALHOTRA, 2012; CZINKOTA et al, 2001). Vale lembrar que quando nos referimos ao ambiente externo, ou macroambiente, estamos comentando sobre aquele ambiente no qual a empresa não tem influência ou domínio. Importante destacar que as variáveis encontradas no macroambiente são classificadas como incontroláveis justamente pela impossibilidade de influência das organizações sobre as mesmas. Cabe também explicar que variáveis são atributos ou características, passíveis de mensuração, seja essa mensuração quantitativa ou Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 27 qualitativa. Em relação ao macroambiente, por exemplo, o índice de inflação é uma variável incontrolável e quantitativa. Sendo assim, o profissional de marketing deve monitorar as variáveis importantes para o negócio e para que a empresa possa se proteger contra as ameaças e aproveitar as oportunidades, mesmo que a empresa não tenha influência sobre essas variáveis. O ambiente demográfico refere-se a elementos relacionados à população e suas características (KOTLER; KELLER, 2012). No Brasil, o IBGE é o órgão responsável por realizar os censos demográficos, e em seu site (https://www.ibge.gov.br) disponibiliza diversas informações da população brasileira, como número populacional geral, por sexo, por faixa etária, por grau de instrução, por cor ou raça, por renda, etc., no país, nos estados e nos municípios. Esses dados estão disponíveis para qualquer cidadão brasileiro, e ao profissional de marketing cabe o monitoramento dos mesmos com foco naquilo que é importante para sua organização. Exemplo: se o profissional de marketing trabalha em uma loja (ou rede de lojas) de brinquedos, precisará monitorar os dados demográficos de seu município no que se refere ao número populacional de crianças. Verificando uma série histórica desse dado, ele poderá verificar se esse número está reduzindo, crescendo ou se é estável com o passar do tempo. A partir disso, o profissional perceberá se o ambiente demográfico traz alguma oportunidade (se o número estiver aumentando) ou ameaça (caso esteja reduzindo), em função do volume de público. Figura 1.8 – Analisar o ambiente demográfico é fundamental para avaliar características populacionais. Fonte: http://gg.gg/c1cfx. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo28 Já o profissional de marketing que trabalha na indústria que fabrica estes brinquedos precisará monitorar esses dados demográficos não só no seu município, mas sim em todas as regiões em que comercializa, ou seja, em todos os territórios geográficos por quais se estende a rede de clientes, que são os distribuidores e lojas que comercializam seus produtos. Dessa maneira, ao perceber que em alguma região o número de crianças esteja reduzindo e em outra esteja crescendo, uma importante decisão poderá ser recomendada sobre a estrutura de sua comunicação e comercialização para aproveitar o crescimento demográfico do seu público potencial, bem como reduzir um pouco os esforços na região em que o público vem reduzindo gradativamente. O ambiente sociocultural, por sua vez, refere-se ao conjunto de valores, ideias, atitudes e costumes de um grupo de pessoas (BERKOWITZ et al., 2003). Esses valores e ideias poderão relacionar-se às escolhas e preferências do público consumidor, e por isso seu monitoramento é importante. O profissional de marketing deve monitorar aqueles elementos socioculturais estabelecidos e também aqueles que estão em transformação no seu ambiente de atuação. Exemplo: para um profissional de marketing que trabalha para uma rede de lojas de calçados, é interessante observar o crescimento dos movimentos de moda sem gênero nas grandes cidades, que defendem que os clientes devam realizar suas compras em função da preferência pelo melhor produto sem descartá-los em função de estarem em seções nomeadas como femininas ou masculinas. Se essa for uma variável percebida como relevante para o público da loja, isso pode afetar a maneira como organizar o ponto de venda para melhor atender ao público, e não organizar mais os produtos com seções masculinas e femininas, mas sim por outro critério, como tipos de produtos ou marcas. Contudo, se o profissional observar que este é um ponto avaliado apenas por clientes de alguns territórios, poderia não ser adequado alterar toda a rede de lojas. Digamos que o público em um conjunto de municípios seja mais conservador, e prefere manter as seções nomeadas pelo sexo do cliente: nesse caso, alterar a forma de exposição pode não ser tão indicado para não causar rejeição do público. Caso a empresa tenha como princípio estimular o movimento de moda sem gênero, ela pode iniciar aos poucos - como criando uma terceira seção na loja de sapatos a partir dessa tendência, além das seções femininas e masculinas, e com o tempo dar mais espaço para essa seção. Nesse caso, o monitoramento do ambiente sociocultural trouxe condições para que o profissional de marketing compreendesse uma possibilidade de alteração do ponto de venda para melhor atender seus clientes e também a melhor maneira para realizar essa alteração, caso essa seja sua decisão. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 29 Já um profissional de marketing em um supermercado, ao observar que cada vez mais os veículos de comunicação vêm trazendo notícias sobre meios de vida mais saudáveis, e que seu público se identifica com isso, pode aproveitar essa informação como possibilidade. Percebido esse elemento sociocultural, há uma possibilidade para investimento em linhas de orgânicos, produtos funcionais e produtos a granel, e também dar mais destaque a tais produtos dentro do supermercado. Figura 1.9 – Aumento nas compras de produtos orgânicos pode gerar uma análise do ambiente sociocultural. Fonte: http://gg.gg/c1cfy. Contudo, é importante observar que mesmo que as duas informações aqui mencionadas (a adoção de moda sem gênero e a procura por um estilo de vida mais saudável) sejam variáveis socioculturais, nem sempre o profissional demarketing precisará monitorar todas. Ao profissional do varejo de calçados a primeira era uma variável importante, mas que não é afetada (em primeiro momento) pela segunda, enquanto o profissional do supermercado é impactado fortemente pelo segundo elemento, mas não pelo primeiro. É importante que o profissional de marketing consiga analisar e selecionar os dados socioculturais que tenham impacto relevante para a organização em que atua. O ambiente político-legal é aquele que inclui as políticas públicas, leis, agências governamentais e grupos de pressão que influenciam ou criam as regulamentações para as organizações e as pessoas (MALHOTRA, 2012). É importante que o profissional de marketing esteja atento às disposições legais que podem impactar tanto seu segmento de negócio quanto o segmento de negócio de seus clientes. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo30 Exemplo: digamos que seja aprovada uma determinada lei, ou que um candidato vença a eleição e seu plano de governo contemple novas diretrizes para a agricultura que exigirão investimento por parte dos produtores. Esse é um monitoramento importante para os profissionais de marketing que trabalham em empresas no setor de agronegócio. Esses profissionais deverão manter suas organizações informadas a respeito de notícias relacionadas a movimentos políticos para que possam planejar os investimentos necessários. Outro setor afetado neste mesmo contexto é o de máquinas e equipamentos, já que produzem colheitadeiras, tratores e outros produtos para o setor agrícola. Assim, já que as mesmas empresas que compram esses produtos precisarão fazer o investimento, é possível que a compra desses equipamentos reduza durante o período de investimento para as adaptações exigidas pela nova lei até a normalização do seu caixa. Isso também irá afetar outras empresas da cadeia, como os fabricantes de pneus e de tinta para os tratores. Por esse motivo, é importante que o profissional de marketing esteja atento àquilo que afeta diferentes estágios da cadeia em que atua. Figura 1.10 – Novas leis podem alterar o ambiente político-legal. Fonte: Adptado por Universidade La Salle (2018). É importante dizer que não se espera que o profissional de marketing faça o trabalho de um profissional da área jurídica, que acompanhará todas as normativas legais e fará as interpretações em profundidade. O profissional de marketing deve estar atento às informações que estão sendo veiculadas na mídia, por exemplo, e garantir que os gestores recebam essa informação. A organização irá buscar a assessoria jurídica sempre que necessário para realizar os procedimentos oportunos, não sendo responsabilidade do profissional de marketing realizar análises ou procedimentos que cabem ao exercício do Direito. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 31 O ambiente natural se ocupa de variáveis relacionadas ao meio ambiente e a preocupação com recursos ambientais. Como colocam Kotler e Keller (2012), a deterioração do meio ambiente é uma importante preocupação global, e é responsabilidade das empresas monitorar sua postura frente à emissão de gases, queima de combustíveis fósseis, uso de produtos químicos poluentes, e outros elementos que possam impactar o meio ambiente. Contudo, sob o ponto de vista de marketing, é importante que exista um monitoramento de elementos naturais que podem impactar o negócio de alguma maneira, como a indisponibilidade de algum recurso natural, custos de energia, informações meteorológicas e outros. Exemplo: um profissional de marketing de uma rede de varejo de materiais de construção deverá estar atento às perspectivas climáticas no curto e no médio prazo. O setor de varejo em construção civil tem a maior parte de vendas nas estações quentes, ou seja, na primavera e no verão, sendo que o tempo mais seco também estimula vendas. Caso exista uma previsão meteorológica de chuva acima da média para as estações quentes nas suas regiões de atuação, há então uma possível ameaça ao negócio. Com a chuva acima da média, é possível que a venda esperada não aconteça, e as empresas precisarão se precaver frente a isso. Talvez seja necessário investir em linhas de produto cuja manipulação não dependa de dias secos para incrementar as vendas, como para uso dentro dos prédios em construção e reforma. Da mesma maneira, se está se esperando um inverno sem frio tão acentuado e sem chuvas, é possível que neste período exista a possibilidade de venda de tintas e materiais complementares para pinturas acima do esperado inicialmente. Figura 1.11 – Período de fortes chuvas pode alterar vendas de maneira imediata. Fonte: http://gg.gg/c1cgm. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo32 O ambiente econômico abrange elementos como estado geral da economia (se há crescimento econômico e se ele é rápido ou lento, se está em recessão ou estabilidade, etc.), e o impacto dessas variáveis na disposição dos consumidores e das empresas em efetuar compras, realizar empréstimos, adotar uma postura mais conservadora em relação a seus gastos, e assim por diante (MALHOTRA, 2012). O profissional de marketing deve monitorar essas variáveis e analisar de que maneira podem afetar a organização em que atua. Czinkota et al. (2001) apontam que as variáveis econômicas irão impactar fortemente o poder de compra do mercado, os gastos per capita, índices de emprego e o custo do capital para produção. Além da disposição para comprar, os clientes também deverão ter capacidade para pagamento, ou seja, poder de compra. A análise do ambiente econômico inclui o olhar para este mesmo poder de compra. É importante que o profissional de marketing tenha condições de analisar possíveis impactos de variáveis econômicas sobre o setor da sua organização. Por exemplo, as crises econômicas ocidentais do século XXI afetaram fortemente o poder de compra do consumidor, e com isso diversos setores foram afetados negativamente e reduziram suas vendas. Algumas organizações, que realizaram este monitoramento e estavam cientes das alterações necessárias, investiram na expansão de seu portfólio de produtos e criaram linhas que atendiam outros segmentos de clientes e não apenas aqueles já atendidos, para que a queda de vendas em uma linha de produtos fosse compensada (e, porque não dizer, superada) pela nova linha. Figura 1.12 – Ambiente econômico altera o poder de compra da população. Fonte: http://gg.gg/c1cgq. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 33 Além disso, outro elemento do ambiente econômico que deve ser considerado são as taxas de câmbio. Imagine que uma determinada empresa fabrica uma linha de produtos aqui, no Brasil, sendo que seus concorrentes são empresas de fora do país que fabricam esses itens em outros países e precisam importá-los para revender. Se as moedas estrangeiras estão aumentando a cotação (ou seja, tornando-se mais caras - o popular “o dólar está aumentando”, por exemplo), os produtos concorrentes da empresa também irão subir de valor. Contudo, se a cotação de moedas estrangeiras estiver reduzindo, os produtos importados serão mais competitivos, e possivelmente a empresa concorrente poderá baixar preços, realizar promoções para aumentar o volume de vendas concedendo descontos, ou mesmo manter os preços e lucrar mais. Para conhecer um pouco mais sobre as crises econômicas que afetaram os países ocidentais no século XXI, a partir de 2009, vale acessar uma série de seis vídeos elaborados pela UFRGS TV, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Essa série traz uma explanação geral sobre as crises econômicas. Acessando o link http://gg.gg/bzvzv, você será direcionado diretamente ao quarto vídeo da série, que fala sobre os efeitos no mercado brasileiro. Caso tenha interesse, os outros vídeos da série podem ser acessados no próprio Youtube ou a partir dos links a seguir: http://gg.gg/bzw06 | http://gg.gg/bzw08| http://gg.gg/bzw0c http://gg.gg/bzw0e | http://gg.gg/bzw0f SAIBA MAIS Você já ouviu por aí a frase de que na crise podem surgir oportunidades, não é? Tente lembrar de alguma organização que investiu em novos produtos, novos mercados ou novos pontos de venda em momentos de crise. Anote esse exemplo e reflita: será que essa empresa identificou alguma oportunidade em meio à crise? De que maneira ela se organizou para aproveitar essa oportunidade? Que avaliação você faz dessa ação? DESTAQUE PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo34 O sexto e último ambiente externo para monitoramento é o ambiente tecnológico. Czinkota et al. (2001) colocam que a ele se refere o monitoramento de novas tecnologias, que cada vez mais avançam em maior velocidade. É importante que o profissional de marketing monitore as novas tecnologias geradas pelo seu setor e as possibilidades que podem ser adotadas pelo mercado e requeridas pelos clientes. Novas tecnologias são elementos capazes de transformar o mercado e ignorá-las pode tornar a empresa obsoleta, ou seja, antiquada e fora daquilo que atende às necessidades e desejos dos consumidores. Já imaginou se alguma operadora de telefonia tivesse ignorado a necessidade de investir em redes de internet móvel para smartphones? A empresa poderia ficar obsoleta tanto em função do produto, que pode ser substituído por outro, quanto pelos métodos de comercialização (como a venda online e seus processos, novas possibilidades de crédito e assim por diante) e relacionamento com clientes (como o uso de redes sociais, quais as mais apropriadas para seu público e como utilizá-las). Figura 1.13 – Alterações tecnológicas devem ser monitoradas constantemente. Fonte: http://gg.gg/c1ch5. Kotler e Keller (2012) colocam que cada nova tecnologia é uma “destruição criativa”, como a tecnologia das máquinas copiadoras, que substituiu o mercado do papel-carbono, a mídia web, que hoje tem resultados superiores aos da mídia impressa e os serviços de streaming, sobrepuseram, em grande parte, os serviços Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 35 de televisão por assinatura. Por vezes, algumas organizações ignoram essas alterações de mercado, ou mesmo se esforçam para tentar barrá-las. Contudo, o efeito ocorre de qualquer maneira, uma vez que essas novas soluções passam a ser adotadas pelo mercado, e a organização desatualizada tende a ser substituída por aquela que se atualizou ou pela nova que surgiu já na perspectiva da nova tecnologia. Agora, é importante dizer que quando o ambiente tecnológico é citado, não se quer dizer apenas produtos de tecnologia de ponta. Os profissionais de marketing de organizações fabricantes de produtos de alta tecnologia, tais como smartphones e computadores, devem monitorar frequentemente as novas alternativas. Vale salientar, porém, que essa deve ser uma rotina também de profissionais em outros segmentos, que devem verificar os novos produtos, características e formas com que o público se relaciona com isso em seus segmentos, sejam eles quais forem. Isso pode acontecer na indústria farmacêutica (com o remédio que tem ação mais rápida ou que não tem efeitos colaterais), na indústria de tintas (com o lançamento do concorrente que não tem cheiro, não é poluente ou tem secagem mais rápida), na indústria de roupas (que utiliza roupas fabricadas com tecido ecológico, ou por um grupo de costureiras da comunidade local que desenvolve novas técnicas que trazem maior significado aos clientes), para citar alguns exemplos. Com isso, os seis ambientes externos foram revisados e você pôde compreender quais dados monitorados em diferentes fontes o ajudarão a analisar possíveis impactos no negócio. No dia a dia profissional, você perceberá que com esse monitoramento será possível rastrear e organizar um grande volume de dados, e não saber organizá-los pode reduzir a eficácia do monitoramento. Por isso, sugere-se que o profissional de marketing possa trabalhar na elaboração de controles que organizem os dados observados e a informação que estes dados trazem após a análise. Dessa maneira, a entrega do profissional será diferenciada em termos de organização e efeito. Uma forma possível é o uso de tabelas, que indiquem o tipo de ambiente, os fatores monitorados, a tendência desse fator e a oportunidade ou ameaça a ele relacionada. O Quadro 1.3, apresentado a seguir, traz um exemplo. Nele estão sendo considerados somente dois fatores do ambiente econômico. No dia a dia do profissional de marketing, este deverá estar atento para organizar os dados de todos o ambiente externo, diferente do exemplo em que somente um dos ambientes foi considerado. PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo36 Quadro 1.3 – Exemplo de análise de fatores econômicos. Ambiente Fator Tendência Oportunidade Ameaça Econômico Queda do dólar Cotação continuar reduzindo a longo prazo - Produtos concorrentes importados ganham competitividade Inadimplência no setor Está baixa e tende a continuar assim Contribui para concessão de crédito para novos clientes e aumentar o limite para os que já estão em carteira - Sociocultural Demográfico Político-legal Tecnológico Natural Fonte: Elaborado pelo autor (2017). É interessante observar que, embora os fatores monitorados se refiram a estas grandes áreas às quais a empresa não terá influência, como o desenvolvimento da população, as transformações dos hábitos das pessoas e o clima, a todo momento deve-se refletir a respeito dos efeitos disso na postura dos clientes e das empresas concorrentes, além dos movimentos da própria organização. Observar isso é importante, pois ao monitorar o desenvolvimento de uma nova tecnologia, por exemplo, pode-se saber que algum concorrente dispõe dela em seus produtos (caso essa nova tecnologia venha em função da pesquisa técnica e do desenvolvimento de produtos desse concorrente), ou a observação de um concorrente que passa a ter maior sucesso numa determinada linha de produtos pode indicar que os consumidores estão adotando mais um novo comportamento relativo a isso (como a maior venda de produtos para cabelos cacheados e crespos, que acompanha uma alteração sociocultural de pessoas com cabelos desse tipo, que não fazem mais procedimentos para alisamento com tanta frequência quanto antes). A sensibilidade analítica do olhar do profissional de marketing para isso será determinante. Além dos meios de comunicação, os profissionais de marketing também buscarão dados e informações em eventos como feiras do setor, feiras de marketing, seminários e congressos promovidos por outras empresas do Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 37 setor, entidades de classe, sindicatos e universidades, entre outros. Além disso, resgatando o que Pizzinato et al. (2012) colocam, vale lembrar da importância da participação do vendedor nesse sistema. O vendedor é um ponto de contato direto com o cliente (e com isso podemos nos referir ao vendedor propriamente dito e também aos atendentes, caixas, consultores de vendas, representantes comerciais e assim por diante, e não somente a alguém cujo nome do cargo seja exatamente “vendedor”), e por isso muitas informações sobre o mercado serão por ele percebidas. Muitas vezes, o vendedor recebe as informações em função do diálogo com o cliente, que irá, por exemplo, falar mais sobre o seu contexto de uso, sobre o produto do concorrente que experimentou, sobre alguma promoção que uma empresa concorrente está realizando ou quaisquer outras informações que podem ter utilidade. Pela proximidade com o cliente e também pela cliente, e também pela experiência na interface direta com o mercado, é comum que os vendedores tenham dados e informações de muito valor para a estratégia da organização. Porém, por vezes, as organizações ignoram esses dados e informações por serem isolados (um dado único quevem a partir de uma conversa e não um dado com sua perspectiva histórica), incompletos (sem todos os aspectos possíveis daquele fenômeno) ou pela dificuldade que têm de integrar esse registro em algum sistema de dados. Ignorar esses dados e informações pode ser um erro por parte das organizações, uma vez que são dados ou informações adquiridas diretamente na interface com o mercado e que foram filtradas e interpretadas por um profissional que compreende essa relação. Fazer um bom uso desses dados e informações pode conferir diferenciais importantes à atuação em marketing de uma organização. 1.2.3 O Sistema Científico Pizzinato et al. (2012) colocam como terceiro elemento do SIM o Sistema Científico, que se refere ao conjunto de estudos e análises utilizadas para transformar dados de qualquer tipo em informações. Um exemplo seria o volume de vendas da empresa, que é um dado, em informações mais estruturadas em relação ao contexto mercadológico, como a participação de um determinado produto ou linha de produtos no volume de vendas. É interessante verificar que esse é um processo evidente de transformação de dados em informação, ou seja, aqui se exige um esforço analítico para compreender os dados em maior profundidade, e com isso podem ser identificados padrões, relações entre variáveis ou outros. Por exemplo, um relatório gerado pelo sistema operacional de uma empresa pode indicar a quantidade de vendas diária de um PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo38 produto, bem como um relatório de mídia pode ser entregue pela agência de publicidade, que irá indicar quais os dias e que peça publicitária foi midiatizada em cada momento (ou seja, quais dias houve postagens nas redes sociais da empresa, spots de rádio, vídeos comerciais na televisão, e assim por diante). Contudo, somente um olhar de pesquisador de marketing será capaz de cruzar esses dois relatórios para identificar relações, no caso do exemplo em questão, como um aumento de vendas bastante representativo por dois dias em todas as ocasiões em que foram realizadas postagens nas redes sociais de fotografias acompanhadas do link da loja e-commerce (embora outras postagens em redes sociais não tenham tido tal efeito), e um aumento, um pouco menor do que o anterior por um dia, em quase todas as vezes que houve spots de rádio. Esse nível de critério na análise vem a partir do confronto de dados de diferentes origens por um profissional que busca realizar essas relações. Além de compreender a dinâmica entre essas variáveis, o profissional de marketing estará apto também a recomendar novos movimentos interessantes a partir desse novo saber científico. Utilizando o exemplo mencionado, o novo plano de mídia poderá privilegiar a postagem de fotografias acompanhadas por links da loja virtual e de spots de rádio, reduzir a participação na televisão e com isso redirecionar essa verba às outras ações que trouxeram maior resultado. Após isso, o profissional de marketing fará nova avaliação, novas recomendações, promovendo a partir de sua análise as indicações para operações de marketing que tragam melhores resultados. É interessante comentar, também, sobre a importância do confronto de alguns dados internos da empresa com outros dados externos. A empresa tem em seus relatórios o total de produtos vendidos por período (mês, trimestre, ano, etc.). Digamos que o sindicato ligado à empresa ou alguma entidade de classe tenha a informação do total de produtos vendidos pelo setor (no caso, a soma das vendas de todas as empresas em atividade naquele segmento). Comparando os dois dados, a empresa conseguirá saber qual é o seu market share, ou seja, sua participação no mercado. Em alguns mercados, esse total de vendas não é conhecido, e o market share poderá ser calculado a partir da estimativa realizada por algum sindicato, entidade de classe, associação, ou pela própria empresa, que é o potencial de mercado calculado por ela mesma, como colocam Farris et al. (2007). Para isso, busca-se a estimativa de tamanho do segmento a partir de alguma fonte, que varia de acordo com a situação da organização, como em dados do IBGE, MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), a partir de mapeamentos internos (caso seja para empresas de menor porte) e a própria estimativa de associações, entidades de classe e sindicatos. Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 39 Quando falamos em participação de mercado, o mais comum é nos referirmos ao termo market share, mas é importante salientar que esse termo refere-se à fatia de unidades vendidas num determinado tempo em relação ao total de unidades vendidas. Essas unidades variam de acordo com o padrão daquele segmento de mercado: se for grãos, como milho ou arroz, pode ser medido em sacas ou toneladas; se for imóveis, como casas e apartamentos, pode ser medido em número absoluto, dezenas ou centenas; se forem líquidos, como combustíveis ou bebidas, a medição pode ser feita em litros ou metros cúbicos, por exemplo. Se o objetivo for expressar a participação do mercado em valores financeiros, ou seja, o total de faturamento (valor de vendas), então será determinado o value share. Essa métrica segue a mesma lógica que a anterior, com a diferença de que as fatias não são definidas pelo volume de elementos comercializados, mas sim pelo faturamento (o total de vendas da empresa comparado com o total de vendas do setor, sendo esse total de vendas em moeda). O market share é um tipo de indicador de participação de mercado. A partir do monitoramento desse indicador, a empresa identifica o quanto do mercado cada concorrente está atendendo. O market share é expresso em percentual, por isso a métrica consiste em dividir o número de clientes que a empresa atende pelo total do mercado e, a seguir, multiplicar por 100. Com essa análise, é possível acompanhar a fatia de mercado que a empresa atende, bem como as dinâmicas e tendências (se essa fatia reduz, aumenta ou é estável com o passar do tempo). Ou seja, essas dinâmicas permitem a identificação do desempenho das empresas concorrentes, a partir do aumento ou da diminuição da fatia de mercado. Além disso, o market share também permite a definição de metas em relação a quanto a empresa quer ganhar de fatia de mercado. GLOSSÁRIO PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo40 Figura 1.14 – Value share determina a participação do mercado em valores financeiros. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2018). Uma terceira forma de participação de mercado é o mind share. Como colocam Magalhães e Sampaio (2007), esta métrica refere-se à participação na mente do consumidor em função da lembrança da marca, de atributos dos produtos e serviços e referências. É um indicador bastante utilizado nos mercados corporativos (empresas que comercializam seus produtos para outras empresas – business to business), pois facilitam o processo de compra dos clientes. Em geral, esse processo ajuda na compra, pois a lembrança da marca ou da empresa normalmente está relacionada à qualidade do produto ou serviço oferecido, então a menção da marca pelos pesquisados indica uma boa possibilidade para promover vendas. É importante dizer que os dois indicadores anteriores não são tão complexos de mensurar quanto este. Os dados para market share e value share já estão prontos, algumas vezes já sintetizados e organizados por alguma entidade externa, já o mind share precisa ser elaborado por meio de pesquisa, que é um processo mais longo e trabalhoso. 1.2.4 A Pesquisa de Marketing O quarto e último elemento integrante do SIM citado por Pizzinato et al. (2012) é a Pesquisa de Marketing. Este é um elemento que permite levantamento e análise de dados tanto de ambiente interno quanto externo a partir de dados tanto primários quanto secundários. Ou seja, nesse momento o foco está em Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 41 esforçosque podem relacionar desde documentos prontos ou gerados a partir de bases de dados nas empresas, até a coleta de dados a partir de entrevistas realizadas com pessoas de interesse (que podem ser clientes em um momento, público interno em outros, o que irá variar de acordo com o objetivo da pesquisa em que se estará trabalhando). Pizzinato et al. (2012) comentam que o Sistema Científico poderia ser compreendido como uma ferramenta da pesquisa de marketing (ou seja, a subseção anterior seria parte da Pesquisa de Marketing), pois seria uma maneira de retratar dados levantados pela pesquisa mercadológica. Inclusive, em diversos momentos, pode-se perceber que os elementos do SIM se parecem e complementam, e uma mesma atividade poderia representar mais de um elemento. Para o profissional de marketing é importante que os quatro sejam conhecidos, para que ele possa estruturar as possibilidades de informação frente às disposições técnicas, complementar as alternativas e realizar um bom trabalho. Também é importante dizer que, no dia a dia do profissional de marketing, analisar e comparar documentos para identificar relações pode ser algo até mesmo de rotina (dependendo sua posição e as atividades da empresa), e uma atividade correspondente ao Sistema Científico ser mais avaliativa (como o exemplo do plano de mídia), sem o rigor metodológico de uma pesquisa bem planejada e executada (o que já aconteceria numa pesquisa de mind share por exemplo). Com isso, percebe-se que, embora os autores mencionados compreendam que o Sistema Científico possa ser uma parte da Pesquisa de Marketing, na prática, o que se entende por Sistema Científico pode ter algumas aplicações fora dos procedimentos metodológicos que são importantes na Pesquisa de Mercado (mas que em outros SIM, será uma parte da pesquisa). Pesquisa de Mercado é o nosso principal tema. Neste capítulo, o objetivo foi apresentá-la como um elemento do SIM e demonstrar como se relaciona com os outros. No capítulo a seguir, serão apresentados conceitos fundamentais da pesquisa de mercado e seus tipos. Agora que você chegou até aqui, já compreende o SIM e a presença da Pesquisa de Mercado nesse sistema. Para saber mais sobre quando utilizar a pesquisa de mercado na rotina de busca de informações, acesse o vídeo a seguir, que traz uma entrevista com a professora Eliana de Campos sobre o tema. Acesse o vídeo em: http://gg.gg/bzw3x. VIDEO PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo42 1.3 A Pesquisa de Mercado Pesquisas de mercado são processos gerados com o objetivo de ajustar a estratégia de marketing das empresas em função do que está efetivamente acontecendo no mercado. Esses são processos nos quais se buscam informações no mercado utilizando metodologia de pesquisa para que a empresa tenha informações suficientes para tomada de decisão. O principal objetivo do profissional de marketing ao realizar pesquisas de mercado é embasar a decisão da organização para que ela esteja confortável em efetuar tais decisões ciente das possibilidades e compreendendo aquela que é a mais adequada. Segundo Czinkota et al. (2001), as organizações de sucesso, ao desenvolverem pesquisas de mercado, promovem processos compartilhados para pensar sobre consumidores, concorrentes, distribuidores e elas mesmas. Pode-se dizer que a pesquisa de mercado pode contribuir para uma compreensão e para a evolução de toda a cadeia de valor, que passa a ter uma compreensão mais profunda dos elementos considerados no processo de geração e entrega de valor, bem como maior agilidade para atendimento de necessidades e desejos do mercado. Para compreender o que é pesquisa de mercado e do que ela se ocupa, é apresentado o próximo subcapítulo. 1.3.1 O Conceito de Pesquisa de Mercado Pesquisa de mercado também pode ser chamada de pesquisa de marketing ou pesquisa mercadológica. A seguir, temos a definição desse conceito segundo a American Marketing Association (AMA, 2017), importante associação mundial na área de marketing em nível internacional. Esta é a definição assumida pela associação desde 2004: “Pesquisa de marketing é a função que liga o consumidor, o cliente e o público ao comerciante por meio da informação - informações usadas para identificar e definir oportunidades e problemas de marketing; gerar, aprimorar e avaliar ações de marketing; monitorar o desempenho de marketing; e melhorar a compreensão do marketing como um processo. A pesquisa de mercado identifica as informações necessárias para resolver esses problemas, projeta o método de coleta de informações, gerencia e implementa o processo de coleta de dados, analisa os resultados e comunica os resultados e suas implicações.” (AMA, 2017) DESTAQUE Sistemas de Informação de Marketing | UNIDADE 1 43 A Associação Brasileira de Marketing (ABMN, 2017), por sua vez, para definir pesquisa de marketing, define primeiro “pesquisa”, que seria um procedimento sistemático de investigação ou busca minuciosa para averiguação e estudo da realidade com o objetivo de descobrir fatos ou princípios relativos a algum campo de conhecimento. Quando esse conceito é combinado ao marketing, a AMBN conceitua pesquisa de marketing (termo por ela utilizado ao invés de pesquisa de mercado) da seguinte maneira: Ao revisar os dois conceitos, verá que eles envolvem a busca de informações em função de um objetivo de marketing bem definido. Nesse sentido, inclusive, o conceito da AMA traz até exemplos: gerar, aprimorar e avaliar ações de marketing, monitorar o desempenho de marketing e melhorar a compreensão do marketing como um processo. É interessante verificar que os dois conceitos também citam o processo da pesquisa de mercado, mencionando coleta e análise de dados e comunicação dos resultados, o que reforça a ideia de que a pesquisa de mercado é um processo com métodos de pesquisa definidos que deverão ser bem estruturados para uma boa realização. A seguir, no Quadro 1.4, estão apresentadas as definições de pesquisa de mercado a partir de importantes autores da atualidade “Pesquisa de marketing: destina-se a influir no desenvolvimento de uma estratégia de marketing, seja na receptividade da marca, seja na comercialização de um produto ou serviço. Realiza-se mediante processos de coleta, registro e análise de dados qualitativos e quantitativos.” (ABMN, 2017) DESTAQUE PESQUISA DE MERCADO | Fádua Ionara A. de Andrade e Roberto Zimmer Araujo44 Quadro 1.4 – Conceitos de pesquisa de mercado. Autor(es) Conceito Kotler e Keller (2012 p.98) Definimos pesquisa de marketing como a elaboração, a coleta, a análise e a edição de relatórios sistemáticos de dados e descobertas relevantes sobre uma situação específica de marketing enfrentada por uma empresa. Pizzinato e Pizzinato (2012 p.3) A pesquisa mercadológica diz respeito a toda investigação realizada em torno dos elementos vinculados à definição de Marketing: (...) pode-se intuir que a pesquisa mercadológica pode abordar temas, tais como produto, preço, promoção, distribuição, valor, segmentação de mercado, comportamento do consumidor, vendas, ética no marketing, dentre outros. Berkowitz et al. (2003 p.229) Pesquisa de marketing é o processo de definição de um problema e de uma oportunidade de marketing, em que se coletam e analisam informações sistematicamente, recomendando-se ações para melhorar as atividades de marketing da organização. Malhotra (2012 p. 45) Pesquisa de marketing é a identificação, coleta, análise e disseminação de informações de forma sistemática e objetiva e seu uso visando a melhorar a tomada de decisões relacionadas à identificação e solução de problemas (e oportunidades) em marketing. McDaniel e Gates (2003 p.9) (...) pesquisa de marketing é o planejamento, a coleta e a análise de dados relevantes para a tomada de decisões de marketing e para a comunicação de resultados dessa análise à administração. Zikmund e Babin (2012 p.6) Pesquisa