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Direito das Famílias 
Tema I 
Casamento 
 
Material para o Curso de Segunda Fase da OAB. 
Elaboração: Luciano L. Figueiredo1. 
 
1. Conceito 
 
Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos 
cônjuges. 
 
2. Validade do Casamento: Capacidade Núbil 
 
Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais, ou 
de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil. 
 
Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o disposto no parágrafo único do art. 1.631. 
 
Se houver divergência entre os pais, o magistrado é instado a solucionar a questão, aplicando o art. 1631 do CC, 
como faz remissão o parágrafo único do art. 1517 do CC: 
 
Art. 1631. Durante o casamento e a União Estável, compete o Poder Familiar aos pais; na falta ou impedimento de 
um deles, o outro exercerá com exclusividade. 
 
Parágrafo Único: Divergindo os pais quanto ao exercício do Poder Familiar, e assegurado a qualquer deles recorrer 
ao Juiz para solução do desacordo. 
 
Demais disto, a denegação injusta da autorização pode ser suprimida pelo magistrado (Art. 1519): 
 
Art. 1.519. A denegação do consentimento, quando injusta, pode ser suprida pelo juiz. 
 
A autorização dos responsáveis pode ser revogada até o momento da celebração do matrimônio (Art. 1518). 
 
Art. 1.518. Até a celebração do casamento podem os pais ou tutores revogar a autorização. (Redação dada pela 
Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
 
Outrossim, antes dos 16 anos é possível, excepcionalmente, hipóteses de casamento, desde que seja: 
 
Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art. 1517), 
para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. 
 
3. Impedimentos Matrimoniais. 
 
Os impedimentos trazem hipóteses nas quais é vedado o casamento. 
 
 
1 Advogado. Sócio Fundador do Luciano Figueiredo Advocacia e Consultoria. Doutorando em Direito Civil pela Pontifícia Uni-
versidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Mestre em Direito Privado e Econômico pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). 
Especialista (Pós-Graduado) em Direito do Estado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Graduado em Direito pela Uni-
versidade Salvador (UNIFACS). Professor de Direito Civil. Palestrante. Autor de Artigos Científicos e Livros Jurídicos. Periscope: 
@lucianofigueiredo. Fanpage: Luciano Lima Figueiredo. Twitter: @civilfigueiredo. Instagram: @lucianolimafigueiredo. E-mail: 
luciano@lucianofigueiredo.adv.br. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127
 
 
 
 
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Art. 1.521. Não podem casar: 
 
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; 
II - os afins em linha reta; 
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; 
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; 
V - o adotado com o filho do adotante; 
VI - as pessoas casadas; 
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. 
 
É possível o casamento entre parentes de 3 grau? 
 
E. 98, CJF –Art. 1.521, IV, do novo Código Civil: o inc. IV do art. 1.521 do novo Código Civil deve ser interpretado à 
luz do Decreto-Lei n. 3.200/41 no que se refere à possibilidade de casamento entre colaterais de 3º grau 
 
A oposição dos impedimentos pode acontecer até o momento da celebração. 
 
Art. 1.522. Os impedimentos podem ser opostos, até o momento da celebração do casamento, por qualquer pessoa 
capaz. 
 
Parágrafo único. Se o juiz, ou o oficial de registro, tiver conhecimento da existência de algum impedimento, será 
obrigado a declará-lo 
 
Os impedimentos, quando verificados, causam a nulidade do casamento (art. 1548, II). 
 
Art. 1.548. É nulo o casamento contraído: 
 
II - por infringência de impedimento. 
 
4. Causas Suspensivas. 
 
As causas suspensivas estão elencadas no art. 1523 do Código Civil: 
 
Art. 1.523. Não devem casar: 
 
I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der 
partilha aos herdeiros; 
II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo 
da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal; 
III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal; 
IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa 
tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. 
 
Parágrafo único. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas 
previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, 
para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar nascimento 
de filho, ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo. 
 
Como proceder na hipótese do parágrafo único? 
 
Legitimidade (art. 1524 do CC): 
 
Art. 1.524. As causas suspensivas da celebração do casamento podem ser arguidas pelos parentes em linha reta 
de um dos nubentes, sejam consangüíneos ou afins, e pelos colaterais em segundo grau, sejam também consan-
güíneos ou afins. 
 
 
 
 
 
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A ocorrência de causa suspensiva leva como consequência a observância, obrigatória, do regime de separação 
legal de bens (art. 1641): 
 
Art. 1.641. É obrigatório o regime de separação de bens no casamento: 
 
I – das pessoas que contraírem com inobservância das causas suspensivas de celebração do casamento 
II – da pessoa maior de setenta anos 
III – de todos que dependerem, para casar, di o suprimento judicial 
 
5. Anulabilidades do Casamento 
 
As causas de anulação estão elencadas a partir do art. 1550 do CC. 
 
Art. 1.550. É anulável o casamento: 
 
I - de quem não completou a idade mínima para casar; 
II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal; 
III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558; 
IV - do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento; 
V - realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não so-
brevindo coabitação entre os cônjuges; 
VI - por incompetência da autoridade celebrante. 
 
§ 1o. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. (Redação dada pela Lei nº 13.146, 
de 2015) (Vigência) 
§ 2o A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair matrimônio, expressando sua 
vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
 
O casamento do qual resulte gravidez não gera anulabilidade, em razão de ser esta uma hipótese na qual se torna 
desnecessária a autorização legal (art. 1551 c/c 1520). 
 
Art. 1.551. Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou gravidez. 
 
A legitimação para pleitear anulação do casamento do menor de 16 anos é do cônjuge menor, representantes legais 
ou ascendentes (art. 1552). 
 
Art. 1.552. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: 
 
I - pelo próprio cônjuge menor; 
II - por seus representantes legais; 
III - por seus ascendentes. 
 
Traz ainda o Código Civil, como hipótese outras de anulação do casamento o Erro Essencial quanto à Pessoa, 
disciplinado nos arts. 1556 e 1557: 
 
Art. 1.556. O casamento pode ser anulado- Paternidade Sócioafetiva 
 
1.1.2 Reconhecimento de Filhos 
 
1.2.1 Reconhecimento Voluntário. 
 
Pode ser em conjunto, ou isoladamente, tendo natureza jurídica de um ato jurídico stricto sensu. Logo, irrevogável 
e irretratável. 
 
Meios de reconhecimento voluntário de um filho (art. 1.609 do CC): 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8560.htm#art2a
 
 
 
 
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Art. 1.609. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito: 
 
I - no registro do nascimento; 
II - por escritura pública ou escrito particular (firma reconhecida), a ser arquivado em cartório; 
III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado (o testamento pode até vim a ser revogado, mas não o 
reconhecimento de filho constante nele); 
IV - por manifestação direta e expressa perante o juiz, ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e 
principal do ato que o contém. 
 
Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou ser posterior ao seu falecimento, se ele 
deixar descendentes 
 
Consentimento? 
 
Art. 1.614. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento, e o menor pode impugnar o reconhe-
cimento, nos quatro anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação. 
 
1.2.2 Reconhecimento Judicial 
 
 Dá-se especialmente por meio de ação investigatória. 
 
Imprescritível (art. 27 do ECA). 
 
Legitimidade ativa: o alegado filho (investigante) ou o MP. 
 
É personalíssimo o direito do filho, podendo os seus sucessores continuarem a demanda: 
 
Art. 1.606. A ação de prova de filiação compete ao filho, enquanto viver, passando aos herdeiros, se ele morrer 
menor ou incapaz. 
 
Parágrafo único. Se iniciada a ação pelo filho, os herdeiros poderão continuá-la, salvo se julgado extinto o processo. 
 
Jurisprudência firmada no sentido de que se pais já falecido poderiam entrar com uma ação para serem reconheci-
dos como netos (RESP 603885). 
 
Legitimidade passiva é do pai ou dos seus herdeiros (se a investigatória é post mortem), não sendo legitimado o 
espólio (este é massa de bens e não pode ser legitimado passivo neste tipo de ação). 
 
Art. 1.615. Qualquer pessoa, que justo interesse tenha, pode contestar a ação de investigação de paternidade, ou 
maternidade. 
 
O foro competente para a investigatória é o do domicílio do réu, salvo se for cumulado pedido de alimentos, quando 
há foro privilegiado (Súmula nº 1 do STJ). 
 
 
 
 
 
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25por vício da vontade, se houve por parte de um dos nubentes, ao con-
sentir, erro essencial quanto à pessoa do outro. 
 
Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: 
 
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior 
torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado; 
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal; 
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência ou de moléstia 
grave e transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua 
descendência; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127
 
 
 
 
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IV - (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
 
Quais os prazos para anulabilidade? 
 
Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de: 
 
I - cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550; 
II - dois anos, se incompetente a autoridade celebrante; 
III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557; 
IV - quatro anos, se houver coação. 
 
§ 1o Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de dezesseis anos, contado 
o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data do casamento, para seus representantes legais 
ou ascendentes. 
§ 2o Na hipótese do inciso V do art. 1.550, o prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir 
da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração. 
 
Observações sobre as validades: 
 
# Demais disto, há no Código Civil adoção da tese do casamento putativo: 
 
Art. 1.561. Embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por um ou ambos os cônjuges, o casamento, 
em relação a estes como aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. 
 
§ 1º Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só a ele e aos filhos 
aproveitarão. 
§ 2º Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só aos filhos aprovei-
tarão. 
 
# Note-se que o novo CC acolheu, ainda, a teoria do funcionário de fato (teoria da aparência) – Art. 1554 do CC: 
 
Art. 1.554. Subsiste o casamento celebrado por aquele que, sem possuir a competência exigida na lei, exercer 
publicamente as funções de juiz de casamentos e, nessa qualidade, tiver registrado o ato no Registro Civil. 
 
6. Eficácia Patrimonial: Regime de Bens 
 
Trata-se do estatuto patrimonial do casamento, o qual se inicia com o matrimônio, regido pelos princípios: 
 
a) Liberdade de escolha 
b) Mutabilidade 
 
a) Liberdade de Escolha 
 
- Pacto Antenupcial: 
 
Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não lhe seguir o casamento. 
 
Art. 1.654. A eficácia do pacto antenupcial, realizado por menor, fica condicionada à aprovação de seu representante 
legal, salvo as hipóteses de regime obrigatório de separação de bens. 
 
Art. 1.655. É nula a convenção ou cláusula dela que contravenha disposição absoluta de lei. 
 
Art. 1.640. Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o 
regime da comunhão parcial. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art123
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127
 
 
 
 
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Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer dos regimes que este código 
regula. Quanto à forma, reduzir-se-á a termo a opção pela comunhão parcial, fazendo-se o pacto antenupcial por 
escritura pública, nas demais escolhas. 
 
b) Mutabilidade (art. 1639) 
 
Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes 
aprouver. 
 
§ 1º O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento. 
§ 2º É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os 
cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. 
 
O NCC, no §2º do art. 1639, permite a mudança do regime de bens, sendo necessário: 
 
a) Pedido conjunto e motivado de ambos os cônjuges 
b) Procedimento de jurisdição voluntária (não pode haver lide). 
c) O juízo competente é o juízo de família. 
d) Não pode vim a prejudicar terceiros. Por isso devem publicar editais. 
 
Atenção as regras do tema no NCPC: 
 
Art. 734. A alteração do regime de bens do casamento, observados os requisitos legais, poderá ser requerida, 
motivadamente, em petição assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que justificam a 
alteração, ressalvados os direitos de terceiros. 
 
§ 1o Ao receber a petição inicial, o juiz determinará a intimação do Ministério Público e a publicação de edital que 
divulgue a pretendida alteração de bens, somente podendo decidir depois de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias 
da publicação do edital. 
§ 2o Os cônjuges, na petição inicial ou em petição avulsa, podem propor ao juiz meio alternativo de divulgação da 
alteração do regime de bens, a fim de resguardar direitos de terceiros. 
§ 3o Após o trânsito em julgado da sentença, serão expedidos mandados de averbação aos cartórios de registro 
civil e de imóveis e, caso qualquer dos cônjuges seja empresário, ao Registro Público de Empresas Mercantis e 
Atividades Afins. 
 
6.1 Espécies 
 
a) comunhão universal; 
b) comunhão parcial; 
c) separação convencional; 
d) separação legal ou obrigatória; 
e) participação final nos aquestos. 
 
Passa-se a verificação um a um dos regimes. 
 
a) Regime Da Comunhão Parcial De Bens Ou Regime Supletivo 
 
Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do 
casamento, com as exceções dos artigos seguintes. 
 
Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. 
 
Art. 1.662. No regime da comunhão parcial, presumem-se adquiridos na constância do casamento os bens móveis, 
quando não se provar que o foram em data anterior. 
 
 
 
 
 
 
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O que não entra (não-comunica) na comunhão parcial (art. 1659): 
 
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: 
 
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação 
ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; 
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens 
particulares; 
III - as obrigações anteriores ao casamento; 
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; 
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; 
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; 
VII - as pensões, meios-soldos (rendimento militar), montepios (pensão militar) e outras rendas semelhantes. 
 
O que entra (comunicam – aquestos) na comunhão parcial (art. 1660): 
 
Art. 1.660. Entram na comunhão: 
 
I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; 
II - os bens adquiridos por fato eventual, comou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; 
III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; 
IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; 
V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou 
pendentes ao tempo de cessar a comunhão. 
 
b) Regime Da Comunhão Universal De Bens: 
 
Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos 
cônjuges e suas dívidas passivas, com as exceções do artigo seguinte. 
 
Bens excluídos (não comunicam) da comunhão universal (art. 1668): 
 
Art. 1.668. São excluídos da comunhão: 
 
I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar; 
II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspen-
siva; 
III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos (presentes de casa-
mento), ou reverterem em proveito comum; 
IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade – ALIANÇA 
DE CASAMENTO; 
V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659. 
 
Comunicam verbas trabalhistas nos regimes de comunhão total e parcial? 
 
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. REGIME DE BENS DO 
CASAMENTO. COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. CRÉDITOS TRABALHISTAS ORIGINADOS NA CONSTÂNCIA 
DO CASAMENTO. COMUNICABILIDADE. 
 
1. A jurisprudência da Terceira Turma é firme no sentido de que integra a comunhão a indenização trabalhista 
correspondente a direitos adquiridos na constância do casamento. 
2. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 
 
AgRg no REsp 1250046 / SP. Relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO. T3 - TERCEIRA TURMA. Data 
de Julgamento 06/11/2012. 
 
 
 
 
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Direito civil. Família. Recurso especial. Divórcio direto. Embargos de declaração. Multa prevista no art. 538, pa-
rágrafo único, do CPC, afastada. Partilha de bens. Crédito resultante de execução. Ausência de interesse recursal. 
Eventuais créditos decorrentes de indenização por danos materiais e morais proposta por um dos cônjuges em face 
de terceiro. Incomunicabilidade. Créditos trabalhistas. Comunicabilidade. Fixação dos alimentos. Razoabilidade 
na fixação. Comprovação da necessidade de quem os pleiteia e da possibilidade de quem os presta. 
 
- A multa imposta à recorrente em face da interposição de embargos de declaração deve ser afastada, porquanto 
neste aspecto destoou o acórdão impugnado do quanto vem decidindo esta Corte, que possibilita, para fins de 
prequestionamento, o manejo dos embargos declaratórios, que, em tais hipóteses, não apresentam intuit protelató-
rio. 
- Quanto à partilha do crédito resultante da execução, da qual consta registro de penhora sobre imóvel em favor do 
recorrido, carece a recorrente de interesse recursal, porquanto ficou decidido que fará ela jus à meação da importân-
cia dali advinda, destacando-se que os fatos e provas do processo são tomados, na via especial, conforme deline-
ados no acórdão impugnado, de modo que a discussão acerca da ocorrência ou não de adjudicação do imóvel, tal 
como deduzida pela recorrente, nesta via não pode ser tratada, quando do acórdão consta expressamente que 
"ausente prova de que o bem tenha sido adjudicado pela parte credora". 
- No que concerne aos créditos decorrentes de ação de reparação civil movida pelo ex-cônjuge em face de 
terceiro, considerando que não há, no acórdão impugnado, qualquer elucidação a respeito do que teria gerado a 
pretensão reparatória fazendo apenas alusão a "eventuais valores provenientes de ações de dano moral e patrimo-
nial" (fl.. 389), deve ser mantida a incomunicabilidade de possíveis valores advindos do julgamento da refer-
ida ação, porque, conforme declarado no acórdão recorrido, os prováveis danos sofridos unicamente pelo ex-
cônjuge revestem-se de caráter "personalíssimo". 
- Segue mantido, portanto, o acórdão impugnado, quanto à incomunicabilidade de créditos oriundos de ação de 
reparação civil ajuizada pelo recorrido, porque expressamente declarado pelo TJ/RS que se cuida de dano de 
"cunho personalíssimo" (fl.. 389). 
- Ressalve-se, apenas como esclarecimento "a latere", eventual condenação de pagamento de lucros cessantes e 
de danos que hipoteticamente teriam o condão de atingir o patrimônio comum, circunstâncias em que haveria re-
sultado de acréscimo patrimonial ao casal ou mera reposição do patrimônio existente à época do dano. 
- O ser humano vive da retribuição pecuniária que aufere com o seu trabalho. Não é diferente quando ele 
contrai matrimônio, hipótese em que marido e mulher retiram de seus proventos o necessário para seu 
sustento, contribuindo, proporcionalmente, para a manutenção da entidade familiar. 
- Se é do labor de cada cônjuge, casado sob o regime da comunhão parcial de bens, que invariavelmente 
advêm os recursos necessários à aquisição e conservação do patrimônio comum, ainda que em determina-
dos momentos, na constância do casamento, apenas um dos consortes desenvolva atividade remunerada, 
a colaboração e o esforço comum são presumidos, servindo, o regime matrimonial de bens, de lastro para 
a manutenção da família. 
- Em consideração à disparidade de proventos entre marido e mulher, comum a muitas famílias, ou, ainda, 
frente à opção do casal no sentido de que um deles permaneça em casa cuidando dos filhos, muito embora 
seja facultado a cada cônjuge guardar, como particulares, os proventos do seu trabalho pessoal, na forma 
do art. 1.659, inc. VI, do CC/02, deve-se entender que, uma vez recebida a contraprestação do labor de cada 
um, ela se comunica. 
- Amplia-se, dessa forma, o conceito de participação na economia familiar, para que não sejam cometidas distorções 
que favoreçam, em frontal desproporção, aquele cônjuge que mantém em aplicação financeira sua remuneração, 
em detrimento daquele que se vê obrigado a satisfazer as necessidades inerentes ao casamento, tais como aquelas 
decorrentes da manutenção da habitação comum, da educação dos filhos ou da conservação dos bens. 
- Desse modo, se um dos consortes suporta carga maior de contas, enquanto o outro apenas trata de acu-
mular suas reservas pessoais, advindas da remuneração a que faz jus pelo seu trabalho, deve haver um 
equilíbrio para que, no momento da dissolução da sociedade conjugal, não sejam consagradas e referen-
dadas pelo Poder Judiciário as distorções surgidas e perpetradas ao longo da união conjugal. 
- A tônica sob a qual se erige o regime matrimonial da comunhão parcial de bens, de que entram no patrimônio do 
casal os acréscimos advindos da vida em comum, por constituírem frutos da estreita colaboração que se estabelece 
entre marido e mulher, encontra sua essência definida no art. 1.660, incs. IV e V, do CC/02. 
- A interpretação harmônica dos arts. 1.659, inc. VI, e 1.660, inc. V, do CC/02, permite concluir que, os valores 
obtidos por qualquer um dos cônjuges, a título de retribuição pelo trabalho que desenvolvem, integram o 
patrimônio do casal tão logo percebidos. Isto é, tratando-se de percepção de salário, este ingressa mensal-
mente no patrimônio comum, prestigiando-se, dessa forma, o esforço comum. 
 
 
 
 
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- "É difícil precisar o momento exato em que os valores deixam de ser proventos do trabalho e passam a ser bens 
comuns, volatizados para atender às necessidades do lar conjugal." 
- Por tudo isso, o entendimento que melhor se coaduna com a essência do regime da comunhão parcial de 
bens, no que se refere aos direitos trabalhistas perseguidos por um dos cônjuges em ação judicial, é aquele 
que estabelece sua comunicabilidade, desde o momento em que pleiteados. Assim o é porque o "fato gera-
dor" de tais créditos ocorre no momento em que se dá o desrespeito, pelo empregador, aos direitos do 
empregado, fazendo surgir uma pretensão resistida.- Sob esse contexto, se os acréscimos laborais tivessem sido pagos à época em que nascidos os respec-
tivos direitos, não haveria dúvida acerca da sua comunicação entre os cônjuges, não se justificando trata-
mento desigual apenas por uma questão temporal imposta pelos trâmites legais a que está sujeito um pro-
cesso perante o Poder Judiciário. 
- Para que o ganho salarial insira-se no monte-partível é necessário, portanto, que o cônjuge tenha exercido 
determinada atividade laborativa e adquirido direito de retribuição pelo trabalho desenvolvido, na constân-
cia do casamento. Se um dos cônjuges efetivamente a exerceu e, pleiteando os direitos dela decorrentes, não lhe 
foram reconhecidas as vantagens daí advindas, tendo que buscar a via judicial, a sentença que as reconhece é 
declaratória, fazendo retroagir, seus efeitos, à época em que proposta a ação. O direito, por conseguinte, já lhe 
pertencia, ou seja, já havia ingressado na esfera de seu patrimônio, e, portanto, integrado os bens comuns do casal. 
- Consequentemente, ao cônjuge que durante a constância do casamento arcou com o ônus da defasagem salarial 
de seu consorte, o que presumivelmente demandou-lhe maior colaboração no sustento da família, não se pode 
negar o direito à partilha das verbas trabalhistas nascidas e pleiteadas na constância do casamento, ainda que 
percebidas após a ruptura da vida conjugal. 
- No que se refere aos alimentos arbitrados em favor da recorrente, ao analisar a prova e definir como ocorreram os 
fatos, que se tornam imutáveis nesta sede especial, constou do acórdão a conclusão, pautada no binômio neces-
sidades da alimentanda e possibilidades do alimentante, bem como esquadrinhando residual capacidade para o 
trabalho da recorrente, que o percentual de 25% sobre os proventos auferidos pelo recorrido junto ao INSS coaduna-
se com a realidade social vivenciada pelas partes, de modo que não merece reparo, nesse aspecto, o julgado. 
Recurso especial parcialmente provido. 
(REsp 1024169 / RS. RECURSO ESPECIAL 2008/0012694-7. Relatora: NANCY ANDRIGHI. TERCEIRA TURMA. 
Data de Julgamento: 13/04/2010. Publicação: DJe 28/04/2010). 
 
c) Regime Da Separação Convencional De Bens: 
 
Neste regime cada conjugue possui patrimônio próprio e separado, podendo administrar livremente os seus bens 
(art. 1687) 
 
Art. 1.687. Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos 
cônjuges, que os poderá livremente alienar (independentemente de outorga uxória) ou gravar de ônus real. 
 
Malgrado a separação, as despesas do casal devem ser custeadas por ambos os cônjuges, na proporção dos seus 
rendimentos, salvo estipulação em contrário do pacto antenupcial (art. 1688). 
 
Art. 1.688. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos 
de seu trabalho e de seus bens, salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. 
 
d) Separação Obrigatória De Bens (art. 1.641) 
 
Situações em que o legislador impõe o regime de separação obrigatória. 
 
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: 
 
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; 
II - da pessoa maior de setenta anos; 
III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. 
 
Segundo súmula do STF, a separação obrigatória de bens incide nos bens presentes à época do casamento, e não 
nos aquestos futuros – bens adquiridos onerosamente na constância do casamento (súmula 377, STF): 
 
 
 
 
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Súmula 377, STF: no regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. 
 
Assim é que o STJ, mesmo com a publicação do NCC, continua aplicando a referida súmula. Transcreve-se: 
 
Incide a súmula 377 do STF que, por sinal, não cogita do esforço comum, presumido, neste caso, segundo o enten-
dimento pretoriano majoritária 
(STJ, 4 T, REsp 154.896/RJ, Rel. Min. Fernando Gonçalves. Julgado. 20.11.03) 
 
Mesmo entendimento: (STJ, 3 T, REsp 736.627/PR, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direto. Julgado. 
11.04.06) 
 
e) Participação Final Nos Aquestos 
 
Neste novo regime, cada cônjuge possui patrimônio próprio (como no regime da separação), cabendo, todavia, à 
época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na 
constância do casamento (art. 1672 e 1673). 
 
Art. 1.672. No regime de participação final nos aqüestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, consoante dis-
posto no artigo seguinte, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens 
adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento. 
 
Art. 1.673. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos, a 
qualquer título, na constância do casamento. 
 
Parágrafo único. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge, que os poderá livremente alienar, se 
forem móveis. 
 
Não entram no patrimônio comum (art. 1674): 
 
Art. 1.674. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal, apurar-se-á o montante dos aqüestos, excluindo-se da 
soma dos patrimônios próprios: 
 
I - os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram; 
II - os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade; 
III - as dívidas relativas a esses bens. 
 
Parágrafo único. Salvo prova em contrário, presumem-se adquiridos durante o casamento os bens móveis. 
 
6.2 Vênia Conjugal 
 
Outorga ou vênia conjugal (Art 1647 e ss). 
 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no 
regime da separação absoluta (neste a total liberdade): 
 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos (tem que formar o litisconsórcio); 
III - prestar fiança ou aval (esse último é novidade do NCC); 
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação. 
 
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia 
separada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Negativa? 
 
Art. 1.648. Cabe ao juiz, nos casos do artigo antecedente, suprir a outorga, quando um dos cônjuges a denegue 
sem motivo justo, ou lhe seja impossível concedê-la. 
 
Se não conceder a outorga? 
 
Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária (art. 1.647), tornará anulável o ato 
praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. 
 
Parágrafo único. A aprovação torna válido o ato, desde que feita por instrumento público, ou particular, autenticado. 
 
Fiquem atentos: 
 
Súmula 332, STJ: A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia. 
 
Se a pessoa é casada no regime de participação final nos aquestos? 
 
Art. 1.656. No pacto antenupcial, que adotar o regime de participação final nos aqüestos, poder-se-á convencionar 
a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares (dispensa da outorga uxória). 
 
Há atos que podem ser praticados de forma independente no casamento? 
 
Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto a mulher podem livremente: 
 
I - praticar todos os atos de disposição e de administração necessários ao desempenho de sua profissão, com as 
limitações estabelecida no inciso I do art. 1.647; 
II - administrar os bens próprios; 
III - desobrigar ou reivindicar os imóveis que tenham sido gravados ou alienados sem o seu consentimento ou sem 
suprimento judicial; 
IV - demandar a rescisão dos contratos de fiança e doação, ou a invalidação do aval, realizados pelo outro cônjuge 
com infração do disposto nos incisos III e IV do art. 1.647; 
V - reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos pelo outro cônjugeao concubino, desde 
que provado que os bens não foram adquiridos pelo esforço comum destes, se o casal estiver separado de fato por 
mais de cinco anos; 
VI - praticar todos os atos que não lhes forem vedados expressamente. 
 
Art. 1.643. Podem os cônjuges, independentemente de autorização um do outro: 
 
I - comprar, ainda a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica; 
II - obter, por empréstimo, as quantias que a aquisição dessas coisas possa exigir. 
 
Art. 1.644. As dívidas contraídas para os fins do artigo antecedente obrigam solidariamente ambos os cônjuges. 
 
7. Divórcio 
 
Coloca fim ao vinculo matrimonial. 
 
As modalidades estão previstas no art. 1580 do CC e art 226, §6º da CF. Pode ser o divórcio. Os prazos permane-
cem? 
 
E. 517 do CJF: Art. 1.580. A Emenda Constitucional n. 66/2010 extinguiu os prazos previstos no art. 1.580 do Código 
Civil, mantido o divórcio por conversão. 
 
 
 
 
 
 
 
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a) Indireto ou Conversão: Subsiste? 
 
Art. 1.580. Decorrido um ano do trânsito em julgado da sentença que houver decretado a separação judicial, ou da 
decisão concessiva da medida cautelar de separação de corpos, qualquer das partes poderá requerer sua conver-
são em divórcio. 
 
§ 1º A conversão em divórcio da separação judicial dos cônjuges será decretada por sentença, da qual não constará 
referência à causa que a determinou. 
 
b) Direto: Tem prazo? 
 
Pode ser decretado independente da partilha dos bens (art. 1581, CC): 
 
Art. 1.581. O divórcio pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens. 
 
Legitimidade: cônjuge, e em caso se incapacidade seu curador, ascendente ou irmão 
 
Art. 1.582. O pedido de divórcio somente competirá aos cônjuges. 
 
Parágrafo único. Se o cônjuge for incapaz para propor a ação ou defender-se, poderá fazê-lo o curador, o ascen-
dente ou o irmão. 
 
Quais os efeitos da culpa? 
 
- Possível perda do direito aos alimentos (art. 1704) 
 
Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a 
prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação 
judicial. 
 
Parágrafo único. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condições 
de prestá-los, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz o valor 
indispensável à sobrevivência. 
 
- Possível interferência no uso do nome. 
 
Art. 1.578. O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do 
outro, desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: 
 
I - evidente prejuízo para a sua identificação; 
II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida; 
III - dano grave reconhecido na decisão judicial. 
 
§ 1º O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a qualquer momento, ao direito de usar o 
sobrenome do outro. 
§ 2º Nos demais casos caberá a opção pela conservação do nome de casado. 
 
Cabe extrajudicial? 
 
Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção consensual de união estável, não havendo 
nascituro ou filhos incapazes e observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura pública, da 
qual constarão as disposições de que trata o art. 731. 
 
§ 1o A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil para qualquer ato de registro, bem como 
para levantamento de importância depositada em instituições financeiras. 
 
 
 
 
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§ 2o O tabelião somente lavrará a escritura se os interessados estiverem assistidos por advogado ou por defensor 
público, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. 
 
União Estável 
Tema II 
 
1. Conceito 
 
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convi-
vência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. 
 
Necessário prazo mínimo? 
 
Precisa morar junto? 
 
S. 382. A vida em comum sob mesmo teto, more uxório, não é indispensável à caracterização da união estável. 
 
Ter filhos? 
 
Como distinguir do namoro? 
 
STJ (REsp 474.962/SP): intenção de constituir família (mero passatempo ou namoro). 
 
DIREITOS PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. UNIÃO ESTÁVEL. REQUISITOS. CONVIVÊNCIA SOB O MESMO TETO. 
DISPENSA. CASO CONCRETO. LEI N. 9.728/96. ENUNCIADO N. 382 DA SÚMULA/STF. ACERVO FÁTICO- PRO-
BATÓRIO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA/STJ. DOUTRINA. PRECEDENTES. 
RECONVENÇÃO. CAPÍTULO DA SENTENÇA. TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APELLATUM. HONORÁRIOS. 
INCIDÊNCIA SOBRE A CONDENAÇÃO. ART. 20, § 3º, CPC. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. 
 
I - Não exige a lei específica (Lei n. 9.728/96) a coabitação como requisito essencial para caracterizar a união 
estável. Na realidade, a convivência sob o mesmo teto pode ser um dos fundamentos a demonstrar a relação co-
mum, mas a sua ausência não afasta, de imediato, a existência da união estável. 
II - Diante da alteração dos costumes, além das profundas mudanças pelas quais tem passado a sociedade, não é 
raro encontrar cônjuges ou companheiros residindo em locais diferentes. 
III - O que se mostra indispensável é que a união se revista de estabilidade, ou seja, que haja aparência de casa-
mento, como no caso entendeu o acórdão impugnado. 
IV - Seria indispensável nova análise do acervo fático-probatório para concluir que o envolvimento entre os interes-
sados se tratava de mero passatempo, ou namoro, não havendo a intenção de constituir família. 
V - Na linha da doutrina, “processadas em conjunto, julgam-se as duas ações [ação e reconvenção, em regra, 'na 
mesma sentença' (art. 318), que necessariamente se desdobra em dois capítulos, valendo cada um por decisão 
autônoma, em princípio, para fins de recorribilidade e de formação da coisa julgada". 
VI - Nestes termos, constituindo-se em capítulos diferentes, a apelação interposta apenas contra a parte da sentença 
que tratou da ação, não devolve ao tribunal o exame da reconvenção, sob pena de violação das regras tantum 
devolutum quantum apellatum e da proibição da reformatio in peius. 
VII - Consoante o § 3º do art. 20, CPC, "os honorários serão fixados (...) sobre o valor da condenação". E a conde-
nação, no caso, foi o usufruto sobre a quarta parte dos bens do de cujus. Assim, é sobre essa verba que deve incidir 
o percentual dos honorários, e não sobre o valor total dos bens. 
(REsp 474.962/SP, Rel. MIN. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 23.09.2003, DJ 
01.03.2004 p. 186) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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14 
Cabe união estável entre pessoas do mesmo sexo? 
 
ADPF 132 / RJ - RIO DE JANEIRO 
ARGÜIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 
Relator(a): Min. AYRES BRITTO 
Julgamento: 05/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno 
Publicação 
DJe-198 DIVULG 13-10-2011 PUBLIC 14-10-2011 
EMENT VOL-02607-01 PP-00001 
 
Parte(s) 
 
REQTE.(S) : GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
INTDO.(A/S) : GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
INTDO.(A/S) : TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DOS ESTADOS 
INTDO.(A/S) : ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
AM. CURIAE. : CONECTAS DIREITOS HUMANOS 
AM. CURIAE. : EDH - ESCRITÓRIO DE DIREITOS HUMANOS DO ESTADO DE MINAS GERAIS 
AM. CURIAE. : GGB - GRUPO GAY DA BAHIA 
ADV.(A/S) : ELOISA MACHADO DE ALMEIDA 
AM. CURIAE. : ANIS - INSTITUTO DE BIOÉTICA, DIREITOS HUMANOS E GÊNERO 
ADV.(A/S) : EDUARDO BASTOS FURTADO DE MENDONÇA 
AM. CURIAE. : GRUPO DE ESTUDOS EM DIREITO INTERNACIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE 
MINAS GERAIS - GEDI-UFMG 
AM. CURIAE. : CENTRO DE REFERÊNCIA DE GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS, TRANSEXUAIS 
E TRANSGÊNEROS DO ESTADODE MINAS GERAIS - CENTRO DE REFERÊNCIA GLBTTT 
AM. CURIAE. : CENTRO DE LUTA PELA LIVRE ORIENTAÇÃO SEXUAL - CELLOS 
AM. CURIAE. : ASSOCIAÇÃO DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS DE MINAS GERAIS - ASSTRAV 
ADV.(A/S) : RODOLFO COMPART DE MORAES 
AM. CURIAE. : GRUPO ARCO-ÍRIS DE CONSCIENTIZAÇÃO HOMOSSEXUAL 
ADV.(A/S) : THIAGO BOTTINO DO AMARAL 
AM. CURIAE. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSE-
XUAIS - ABGLT 
ADV.(A/S) : CAPRICE CAMARGO JACEWICZ 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DE FAMÍLIA - IBDFAM 
ADV.(A/S) : RODRIGO DA CUNHA PEREIRA 
AM. CURIAE. : SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIREITO PÚBLICO - SBDP 
ADV.(A/S) : EVORAH LUSCI COSTA CARDOSO 
AM. CURIAE. : ASSOCIAÇÃO DE INCENTIVO À EDUCAÇÃO E SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO 
ADV.(A/S) : FERNANDO QUARESMA DE AZEVEDO E OUTRO(A/S) 
AM. CURIAE. : CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - CNBB 
ADV.(A/S) : FELIPE INÁCIO ZANCHET MAGALHÃES E OUTRO(A/S) 
AM. CURIAE. : ASSOCIAÇÃO EDUARDO BANKS 
ADV.(A/S) : RALPH ANZOLIN LICHOTE E OUTRO(A/S) 
 
Ementa 
 
Ementa: 1. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF). PERDA PARCIAL DE 
OBJETO. RECEBIMENTO, NA PARTE REMANESCENTE, COMO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALI-
DADE. UNIÃO HOMOAFETIVA E SEU RECONHECIMENTO COMO INSTITUTO JURÍDICO. CONVERGÊNCIA 
DE OBJETOS ENTRE AÇÕES DE NATUREZA ABSTRATA. JULGAMENTO CONJUNTO. Encampação dos fun-
damentos da ADPF nº 132-RJ pela ADI nº 4.277-DF, com a finalidade de conferir “interpretação conforme à 
Constituição” ao art. 1.723 do Código Civil. Atendimento das condições da ação. 2. PROIBIÇÃO DE DISCRI-
MINAÇÃO DAS PESSOAS EM RAZÃO DO SEXO, SEJA NO PLANO DA DICOTOMIA HOMEM/MULHER (GÊ-
 
 
 
 
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NERO), SEJA NO PLANO DA ORIENTAÇÃO SEXUAL DE CADA QUAL DELES. A PROIBIÇÃO DO PRECON-
CEITO COMO CAPÍTULO DO CONSTITUCIONALISMO FRATERNAL. HOMENAGEM AO PLURALISMO COMO 
VALOR SÓCIO-POLÍTICO-CULTURAL. LIBERDADE PARA DISPOR DA PRÓPRIA SEXUALIDADE, INSERIDA 
NA CATEGORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO INDIVÍDUO, EXPRESSÃO QUE É DA AUTONOMIA DE 
VONTADE. DIREITO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA. CLÁUSULA PÉTREA. O sexo das pessoas, salvo 
disposição constitucional expressa ou implícita em sentido contrário, não se presta como fator de desigua-
lação jurídica. Proibição de preconceito, à luz do inciso IV do art. 3º da Constituição Federal, por colidir 
frontalmente com o objetivo constitucional de “promover o bem de todos”. Silêncio normativo da Carta 
Magna a respeito do concreto uso do sexo dos indivíduos como saque da kelseniana “norma geral nega-
tiva”, segundo a qual “o que não estiver juridicamente proibido, ou obrigado, está juridicamente permitido”. 
Reconhecimento do direito à preferência sexual como direta emanação do princípio da “dignidade da pes-
soa humana”: direito a auto-estima no mais elevado ponto da consciência do indivíduo. Direito à busca da 
felicidade. Salto normativo da proibição do preconceito para a proclamação do direito à liberdade sexual. O 
concreto uso da sexualidade faz parte da autonomia da vontade das pessoas naturais. Empírico uso da 
sexualidade nos planos da intimidade e da privacidade constitucionalmente tuteladas. Autonomia da von-
tade. Cláusula pétrea. 3. TRATAMENTO CONSTITUCIONAL DA INSTITUIÇÃO DA FAMÍLIA. RECONHECI-
MENTO DE QUE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO EMPRESTA AO SUBSTANTIVO “FAMÍLIA” NENHUM SIG-
NIFICADO ORTODOXO OU DA PRÓPRIA TÉCNICA JURÍDICA. A FAMÍLIA COMO CATEGORIA SÓCIO-CUL-
TURAL E PRINCÍPIO ESPIRITUAL. DIREITO SUBJETIVO DE CONSTITUIR FAMÍLIA. INTERPRETAÇÃO NÃO-
REDUCIONISTA. O caput do art. 226 confere à família, base da sociedade, especial proteção do Estado. 
Ênfase constitucional à instituição da família. Família em seu coloquial ou proverbial significado de núcleo 
doméstico, pouco importando se formal ou informalmente constituída, ou se integrada por casais heteroa-
fetivos ou por pares homoafetivos. A Constituição de 1988, ao utilizar-se da expressão “família”, não limita 
sua formação a casais heteroafetivos nem a formalidade cartorária, celebração civil ou liturgia religiosa. 
Família como instituição privada que, voluntariamente constituída entre pessoas adultas, mantém com o 
Estado e a sociedade civil uma necessária relação tricotômica. Núcleo familiar que é o principal lócus insti-
tucional de concreção dos direitos fundamentais que a própria Constituição designa por “intimidade e vida 
privada” (inciso X do art. 5º). Isonomia entre casais heteroafetivos e pares homoafetivos que somente ganha 
plenitude de sentido se desembocar no igual direito subjetivo à formação de uma autonomizada família. 
Família como figura central ou continente, de que tudo o mais é conteúdo. Imperiosidade da interpretação 
não-reducionista do conceito de família como instituição que também se forma por vias distintas do casa-
mento civil. Avanço da Constituição Federal de 1988 no plano dos costumes. Caminhada na direção do 
pluralismo como categoria sócio-político-cultural. Competência do Supremo Tribunal Federal para manter, 
interpretativamente, o Texto Magno na posse do seu fundamental atributo da coerência, o que passa pela 
eliminação de preconceito quanto à orientação sexual das pessoas. 4. UNIÃO ESTÁVEL. NORMAÇÃO CONS-
TITUCIONAL REFERIDA A HOMEM E MULHER, MAS APENAS PARA ESPECIAL PROTEÇÃO DESTA ÚLTIMA. 
FOCADO PROPÓSITO CONSTITUCIONAL DE ESTABELECER RELAÇÕES JURÍDICAS HORIZONTAIS OU 
SEM HIERARQUIA ENTRE AS DUAS TIPOLOGIAS DO GÊNERO HUMANO. IDENTIDADE CONSTITUCIONAL 
DOS CONCEITOS DE “ENTIDADE FAMILIAR” E “FAMÍLIA”. A referência constitucional à dualidade básica 
homem/mulher, no §3º do seu art. 226, deve-se ao centrado intuito de não se perder a menor oportunidade 
para favorecer relações jurídicas horizontais ou sem hierarquia no âmbito das sociedades domésticas. Re-
forço normativo a um mais eficiente combate à renitência patriarcal dos costumes brasileiros. Impossibili-
dade de uso da letra da Constituição para ressuscitar o art. 175 da Carta de 1967/1969. Não há como fazer 
rolar a cabeça do art. 226 no patíbulo do seu parágrafo terceiro. Dispositivo que, ao utilizar da terminologia 
“entidade familiar”, não pretendeu diferenciá-la da “família”. Inexistência de hierarquia ou diferença de qua-
lidade jurídica entre as duas formas de constituição de um novo e autonomizado núcleo doméstico. Em-
prego do fraseado “entidade familiar” como sinônimo perfeito de família. A Constituição não interdita a 
formação de família por pessoas do mesmo sexo. Consagração do juízo de que não se proíbe nada a nin-
guém senão em face de um direito ou de proteção de um legítimo interesse de outrem, ou de toda a socie-
dade, o que não se dá na hipótese sub judice. Inexistência do direito dos indivíduos heteroafetivos à sua 
não-equiparação jurídica com os indivíduos homoafetivos. Aplicabilidade do §2º do art. 5º da Constituição 
Federal, a evidenciar que outros direitos e garantias, não expressamente listados na Constituição, emergem 
“do regime e dos princípios por ela adotados”, verbis: “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição 
não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais 
em que a República Federativa do Brasil seja parte”. 5. DIVERGÊNCIAS LATERAIS QUANTO À FUNDAMEN-
TAÇÃO DO ACÓRDÃO. Anotação de que os Ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cezar Peluso 
 
 
 
 
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convergiram no particular entendimento da impossibilidade de ortodoxo enquadramento da união homoa-
fetiva nas espécies de família constitucionalmente estabelecidas. Sem embargo, reconheceram a união en-
tre parceiros do mesmo sexo como uma nova forma de entidade familiar. Matéria aberta à conformação 
legislativa, sem prejuízo do reconhecimento da imediata auto-aplicabilidade da Constituição. 6. INTERPRE-
TAÇÃO DO ART. 1.723 DO CÓDIGO CIVIL EM CONFORMIDADE COM A CONSTITUIÇÃOFEDERAL (TÉCNICA 
DA “INTERPRETAÇÃO CONFORME”). RECONHECIMENTO DA UNIÃO HOMOAFETIVA COMO FAMÍLIA. 
PROCEDÊNCIA DAS AÇÕES. Ante a possibilidade de interpretação em sentido preconceituoso ou discrimi-
natório do art. 1.723 do Código Civil, não resolúvel à luz dele próprio, faz-se necessária a utilização da téc-
nica de “interpretação conforme à Constituição”. Isso para excluir do dispositivo em causa qualquer signi-
ficado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo 
como família. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as mesmas consequên-
cias da união estável heteroafetiva. 
 
Decisão 
 
Chamadas, para julgamento em conjunto, a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.277 e a Argüição de Descum-
primento de Preceito Fundamental 132, após o voto do Senhor Ministro Ayres Britto (Relator), que julgava parcial-
mente prejudicada a ADPF, recebendo o pedido residual como ação direta de inconstitucionalidade, e procedentes 
ambas as ações, foi o julgamento suspenso. Impedido o Senhor Ministro Dias Toffoli. Ausente, justificadamente, a 
Senhora Ministra Ellen Gracie. Falaram, pela requerente da ADI 4.277, o Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, Pro-
curador-Geral da República; pelo requerente da ADPF 132, o Professor Luís Roberto Barroso; pela Advocacia-Geral 
da União, o Ministro Luís Inácio Lucena Adams; pelos amici curiae Conectas Direitos Humanos; Instituto Brasileiro 
de Direito de Família - IBDFAM; Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual; Associação Brasileira de Gays, 
Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT; Grupo de Estudos em Direito Internacional da Universidade 
Federal de Minas Gerais - GEDI-UFMG e Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transe-
xuais e Transgêneros do Estado de Minas Gerais - Centro de Referência GLBTTT; ANIS - Instituto de Bioética, 
Direitos Humanos e Gênero; Associação de Incentivo à Educação e Saúde de São Paulo; Conferência Nacional dos 
Bispos do Brasil - CNBB e a Associação Eduardo Banks, falaram, respectivamente, o Professor Oscar Vilhena; a 
Dra. Maria Berenice Dias; o Dr. Thiago Bottino do Amaral; o Dr. Roberto Augusto Lopes Gonçale; o Dr. Diego 
Valadares Vasconcelos Neto; o Dr. Eduardo Mendonça; o Dr. Paulo Roberto Iotti Vecchiatti; o Dr. Hugo José Sarubbi 
Cysneiros de Oliveira e o Dr. Ralph Anzolin Lichote. Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 
04.05.2011. 
 
Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal conheceu da Argüição de Descumprimento de Preceito Funda-
mental 132 como ação direta de inconstitucionalidade, por votação unânime. Prejudicado o primeiro pedido origina-
riamente formulado na ADPF, por votação unânime. Rejeitadas todas as preliminares, por votação unânime. Em 
seguida, o Tribunal, ainda por votação unânime, julgou procedente as ações, com eficácia erga omnes e efeito 
vinculante, autorizados os Ministros a decidirem monocraticamente sobre a mesma questão, independentemente 
da publicação do acórdão. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Impedido o Senhor Ministro Dias Toffoli. 
Plenário, 05.05.2011 
 
E o casamento? 
 
DIREITO DE FAMÍLIA. CASAMENTO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO (HOMOAFETIVO). INTERPRE-
TAÇÃO DOS ARTS. 1.514, 1.521, 1.523, 1.535 e 1.565 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. INEXISTÊNCIA DE VEDA-
ÇÃO EXPRESSA A QUE SE HABILITEM PARA O CASAMENTO PESSOAS DO MESMO SEXO. VEDAÇÃO IM-
PLÍCITA CONSTITUCIONALMENTE INACEITÁVEL. ORIENTAÇÃO PRINCIPIOLÓGICA CONFERIDA PELO STF 
NO JULGAMENTO DA ADPF N. 132/RJ E DA ADI N. 4.277/DF. 
 
1. Embora criado pela Constituição Federal como guardião do direito infraconstitucional, no estado atual em que se 
encontra a evolução do direito privado, vigorante a fase histórica da constitucionalização do direito civil, não é pos-
sível ao STJ analisar as celeumas que lhe aportam "de costas" para a Constituição Federal, sob pena de ser entre-
gue ao jurisdicionado um direito desatualizado e sem lastro na Lei Maior. Vale dizer, o Superior Tribunal de Justiça, 
cumprindo sua missão de uniformizar o direito infraconstitucional, não pode conferir à lei uma interpretação que não 
seja constitucionalmente aceita. 
 
 
 
 
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2. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto da ADPF n. 132/RJ e da ADI n. 4.277/DF, conferiu ao art. 
1.723 do Código Civil de 2002 interpretação conforme à Constituição para dele excluir todo significado que impeça 
o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, 
entendida esta como sinônimo perfeito de família. 
3. Inaugura-se com a Constituição Federal de 1988 uma nova fase do direito de família e, consequentemente, do 
casamento, baseada na adoção de um explícito poliformismo familiar em que arranjos multifacetados são igual-
mente aptos a constituir esse núcleo doméstico chamado "família", recebendo todos eles a "especial proteção do 
Estado". Assim, é bem de ver que, em 1988, não houve uma recepção constitucional do conceito histórico de casa-
mento, sempre considerado como via única para a constituição de família e, por vezes, um ambiente de subversão 
dos ora consagrados princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana. Agora, a concepção constitucional 
do casamento - diferentemente do que ocorria com os diplomas superados - deve ser necessariamente plural, por-
que plurais também são as famílias e, ademais, não é ele, o casamento, o destinatário final da proteção do Estado, 
mas apenas o intermediário de um propósito maior, que é a proteção da pessoa humana em sua inalienável digni-
dade. 
4. O pluralismo familiar engendrado pela Constituição - explicitamente reconhecido em precedentes tanto desta 
Corte quanto do STF - impede se pretenda afirmar que as famílias formadas por pares homoafetivos sejam menos 
dignas de proteção do Estado, se comparadas com aquelas apoiadas na tradição e formadas por casais heteroafe-
tivos. 
5. O que importa agora, sob a égide da Carta de 1988, é que essas famílias multiformes recebam efetivamente a 
"especial proteção do Estado", e é tão somente em razão desse desígnio de especial proteção que a lei deve facilitar 
a conversão da união estável em casamento, ciente o constituinte que, pelo casamento, o Estado melhor protege 
esse núcleo doméstico chamado família. 
6. Com efeito, se é verdade que o casamento civil é a forma pela qual o Estado melhor protege a família, e sendo 
múltiplos os "arranjos" familiares reconhecidos pela Carta Magna, não há de ser negada essa via a nenhuma família 
que por ela optar, independentemente de orientação sexual dos partícipes, uma vez que as famílias constituídas 
por pares homoafetivos possuem os mesmos núcleos axiológicos daquelas constituídas por casais heteroafetivos, 
quais sejam, a dignidade das pessoas de seus membros e o afeto. 
7. A igualdade e o tratamento isonômico supõem o direito a ser diferente, o direito à auto-afirmação e a um projeto 
de vida independente de tradições e ortodoxias. Em uma palavra: o direito à igualdade somente se realiza com 
plenitude se é garantido o direito à diferença. Conclusão diversa também não se mostra consentânea com um 
ordenamento constitucional que prevê o princípio do livre planejamento familiar (§ 7º do art. 226). E é importante 
ressaltar, nesse ponto, que o planejamento familiar se faz presente tão logo haja a decisão de duas pessoas em se 
unir, com escopo de constituir família, e desde esse momento a Constituição lhes franqueia ampla liberdade de 
escolha pela forma em que se dará a união. 
8. Os arts. 1.514, 1.521, 1.523, 1.535 e 1.565, todos do Código Civil de 2002, não vedam expressamente o casa-
mento entre pessoas do mesmo sexo, e não há como se enxergar uma vedação implícita ao casamento homoafetivo 
sem afronta a caros princípios constitucionais, como o da igualdade, o da não discriminação, o da dignidade da 
pessoa humana e os do pluralismo e livre planejamento familiar. 
9. Não obstante a omissão legislativa sobre otema, a maioria, mediante seus representantes eleitos, não poderia 
mesmo democraticamente" decretar a perda de direitos civis da minoria pela qual eventualmente nutre alguma 
aversão. Nesse cenário, em regra é o Poder Judiciário - e não o Legislativo - que exerce um papel contramajoritário 
e protetivo de especialíssima importância, exatamente por não ser compromissado com as maiorias votantes, mas 
apenas com a lei e com a Constituição, sempre em vista a proteção dos direitos humanos fundamentais, sejam eles 
das minorias, sejam das maiorias. Dessa forma, ao contrário do que pensam os críticos, a democracia se fortalece, 
porquanto esta se reafirma como forma de governo, não das maiorias ocasionais, mas de todos. 
10. Enquanto o Congresso Nacional, no caso brasileiro, não assume, explicitamente, sua coparticipação nesse 
processo constitucional de defesa e proteção dos socialmente vulneráveis, não pode o Poder Judiciário demitir-se 
desse mister, sob pena de aceitação tácita de um Estado que somente é "democrático" formalmente, sem que tal 
predicativo resista a uma mínima investigação acerca da universalização dos direitos civis. 
11. Recurso especial provido. 
REsp 1183378 / RS. Min. Rel. Luis Felipe Salomão. T4 - Quarta Turma. Data do Julgamento: 25.10.2011. Data da 
Publicação: 01.02.2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2. Deveres Pessoais 
 
Art. 1.724. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos deveres de lealdade, respeito e assistência, 
e de guarda, sustento e educação dos filhos. 
 
Diferenças para casamento? 
 
3. Eficácia Patrimonial 
 
Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros (contrato de convivência), aplica-se às 
relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens. 
 
4. Concubinato 
 
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato. 
 
Segundo o STF, quais os efeitos do concubinato? 
 
Súmula 380 do Supremo Tribunal Federal (STF): “Comprovada a existência de sociedade de fato entre os con-
cubinos, é cabível a sua dissolução judicial, com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum.” 
 
Atualmente, ainda, nega o STJ direito a indenização por serviços prestados. 
 
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 
RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO CONCUBINÁRIA ENTRE A AUTORA E O FALECIDO. PARTILHA DE BENS. 
NÃO COMPROVAÇÃO DE ESFORÇO COMUM PARA A AQUISIÇÃO DO PATRIMÔNIO. INDENIZAÇÃO. 
SERVIÇOS PRESTADOS. DESCABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO COM 
APLICAÇÃO DE MULTA. 
 
1. Não caracteriza omissão quando o tribunal adota outro fundamento que não aquele defendido pela parte. 
Destarte, não há que se falar em violação do art. 535, do Código de Processo Civil, pois o tribunal de origem dirimiu 
as questões pertinentes ao litígio, afigurando-se dispensável que venha examinar uma a uma as alegações e fun-
damentos expendidos pelas partes. Além disso, basta ao órgão julgador que decline as razões jurídicas que em-
basaram a decisão, não sendo exigível que se reporte de modo específico a determinados preceitos legais. 
2. O Tribunal de origem erigiu seu entendimento totalmente calcado nas provas dos autos, valendo-se delas para 
afastar a existência de união estável, bem como a ausência de contribuição direta da agravante, com o objetivo de 
meação dos bens. Rever os fundamentos que ensejaram esse entendimento exigiria reapreciação do conjunto pro-
batório, o que é vedado em recurso especial. Incidência do enunciado da Súmula 7/STJ. 
3. Inviável a concessão de indenização à concubina, que mantivera relacionamento com homem casado, uma vez 
que tal providência eleva o concubinato a nível de proteção mais sofisticado que o existente no casamento e na 
união estável, tendo em vista que nessas uniões não se há falar em indenização por serviços domésticos prestados, 
porque, verdadeiramente, de serviços domésticos não se cogita, senão de uma contribuição mútua para o bom 
funcionamento do lar, cujos benefícios ambos experimentam ainda na constância da união. 4. Agravo regimental a 
que se nega provimento com aplicação de multa. 
AgRg no AREsp 249761 / RS. Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO. T4 - QUARTA TURMA. Data de Jul-
gamento 28/05/2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Alimentos 
Tema III 
 
1. Conceito e Noções Gerais. 
 
2. Espécies em estudo 
 
2.1 Quanto a sua natureza (critério novo criado pelo CC/2002) 
 
2.1.1 Naturais (“necessarium persone”) 
 
Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem 
para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. 
 
2.1.2 Necessários (art. 1694, § 2º e 1704, p.u). 
 
§ 2o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de 
culpa de quem os pleiteia. 
 
Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a 
prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação 
judicial. 
 
Parágrafo único. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condições 
de prestá-los, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz o valor 
indispensável à sobrevivência. 
 
2.2 Quanto a sua causa (origem) dos alimentos 
 
2.2.1 Ressarcitórios / Reparatórios. 
 
Fiquem atentos ao art. 533 do NCPC: 
 
Art. 533. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, caberá ao executado, a requerimento 
do exequente, constituir capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. 
 
§ 1o O capital a que se refere o caput, representado por imóveis ou por direitos reais sobre imóveis suscetíveis de 
alienação, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras em banco oficial, será inalienável e impenhorável en-
quanto durar a obrigação do executado, além de constituir-se em patrimônio de afetação. 
§ 2o O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa 
jurídica de notória capacidade econômica ou, a requerimento do executado, por fiança bancária ou garantia real, 
em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. 
§ 3o Se sobrevier modificação nas condições econômicas, poderá a parte requerer, conforme as circunstâncias, 
redução ou aumento da prestação. 
§ 4o A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário-mínimo. 
§ 5o Finda a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, cessar o desconto em folha ou cancelar 
as garantias prestadas. 
 
2.2.2 Voluntários. 
 
A previsão da doação em cotas periódicas esta no art 545 do CC: 
 
Art. 545. A doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado extingue-se morrendo o doador, salvo se este 
outra coisa dispuser, mas não poderá ultrapassar a vida do donatário. 
 
 
 
 
 
 
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2.2.3 Civis (ou legítimos). 
 
2.3 Quanto a sua finalidade 
 
2.3.1 Definitivos. 
 
2.3.2 Alimentos Transitórios 
 
2.3.3 Gravídicos (Lei 11.804/2008) 
 
De quem é a legitimidade ativa? 
 
Art. 1o Esta Lei disciplina o direito de alimentos da mulher gestante e a forma como será exercido. 
 
O que englobam tais alimentos? 
 
Art. 2o Os alimentos de que trata esta Lei compreenderão os valores suficientes para cobrir as despesas adicionais 
do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as referentes a alimentação 
especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e demais 
prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz considere per-
tinentes. 
 
Parágrafo único. Os alimentos de que trata este artigo referem-se à parte das despesas que deverá ser custeada 
pelofuturo pai, considerando-se a contribuição que também deverá ser dada pela mulher grávida, na proporção dos 
recursos de ambos. 
 
Quando houver o nascimento extingue? 
 
Art. 6o Convencido da existência de indícios da paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos que perdurarão até 
o nascimento da criança, sopesando as necessidades da parte autora e as possibilidades da parte ré. 
 
Parágrafo único. Após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos ficam convertidos em pensão alimentícia 
em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão. 
 
Prazo de resposta? 
 
Art. 7o O réu será citado para apresentar resposta em 5 (cinco) dias. 
 
E as demais questões procedimentais? 
 
Art. 11. Aplicam-se supletivamente nos processos regulados por esta Lei as disposições das Leis nos 5.478, de 25 
de julho de 1968, e 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil. 
 
3. Características 
 
3.1 Personalíssimos (intuito persone) 
 
3.1.1 Binômio Capacidade-Necessidade. 
 
3.1.2 Transmissão da obrigação de prestar alimentos 
 
Art. 1.700. A obrigação de prestar alimentos transmite-se aos herdeiros do devedor, na forma do art. 1.694. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5478.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5478.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5869.htm
 
 
 
 
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3.2 Irrenunciáveis (art. 1707, CC) 
 
Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito 
insuscetível de cessão, compensação ou penhora. 
 
3.3 Irrepetíveis 
 
3.4 Imprescritíveis 
 
Mas, apesar da imprescritibilidade na cobrança dos alimentos, o art. 206, § 2 do CC estabeleceu um prazo para 
executá-los, que é de dois anos. 
 
§ 2o Em dois anos, a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. 
 
3.5 Irretroativos 
 
Significa que os alimentos são futuros, ou seja, alimentos são fixados dali para frente - a partir da data da citação 
(art. 13, § 2º da lei de alimentos, bem como sumula 277 do STJ). 
 
§ 2º. Em qualquer caso, os alimentos fixados retroagem à data da citação. 
 
S. 277, STJ - Julgada procedente a investigação de paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação. 
 
3.6 Impenhoráveis e Incompensáveis 
 
4. Sujeitos da Obrigação 
 
Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem 
para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. 
 
Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, guardada a ordem de sucessão e, faltando 
estes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais. 
 
Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o 
encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato/; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, 
todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as 
demais ser chamadas a integrar a lide. 
 
São aqueles que podem demandar e serem demandados: são os CÔNJUGES, COMPANHEIROS E PARENTES, 
reciprocamente. Essa consiste na causa de pedir. 
 
4.1 Alimentos entre cônjuges e companheiros 
 
Novo casamento, união estável ou concubinato do credor exonera o alimentante. Idem caso tenho procedido de 
indigno em face do devedor (Art 1708). 
 
Art. 1.708. Com o casamento, a união estável ou o concubinato do credor, cessa o dever de prestar alimentos. 
 
Parágrafo único. Com relação ao credor cessa, também, o direito a alimentos, se tiver procedimento indigno em 
relação ao devedor. 
 
O namoro faz cessar o direito aos alimentos? 
 
Há Jurisprudência do STJ no sentido que o namoro não extingue a pensão alimentícia (RESP 111476 MG). 
 
 
 
 
 
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DIREITO DE FAMÍLIA. CIVIL. ALIMENTOS. EX-CÔNJUGE. EXONERAÇÃO. NAMORO APÓS A SEPARA-
ÇÃOCONSENSUAL. DEVER DE FIDELIDADE. PRECEDENTE. RECURSO PROVIDO. 
 
I - Não autoriza exoneração da obrigação de prestar alimentos à ex-mulher o só fato desta namorar terceiro após a 
separação. 
II - A separação judicial põe termo ao dever de fidelidade recíproca. As relações sexuais eventualmente mantidas 
com terceiros após a dissolução da sociedade conjugal, desde que não se comprove desregramento de conduta, 
não têm o condão de ensejar a exoneração da obrigação alimentar, dado que não estão os ex-cônjuges impedidos 
de estabelecer novas relações e buscar, em novos parceiros, afinidades e sentimentos capazes de possibilitar-lhes 
um futuro convívio afetivo e feliz. 
III - Em linha de princípio, a exoneração de prestação alimentar, estipulada quando da separação consensual, so-
mente se mostra possível em uma das seguintes situações: a) convolação de novas núpcias ou estabelecimento de 
relação concubinária pelo ex-cônjuge pensionado, não se caracterizando como tal o simples envolvimento afetivo, 
mesmo abrangendo relações sexuais; b) adoção de comportamento indigno; 
c) alteração das condições econômicas dos ex-cônjuges em relação às existentes ao tempo da dissolução da soci-
edade conjugal. 
(RESP 111.476/MG, Rel. MIN. SALVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 25.03.1999, 
DJ 10.05.1999 p. 177) 
 
4.2 Alimentos entre Parentes 
 
São devedores de alimentos: 
 
I) Os parentes em linha reta sem limites 
 
II) Os parentes colaterais somente até segundo grau (que são os irmãos). 
 
Não devem alimentos: 
 
I) Colaterais de terceiro e quarto graus. 
 
II) Os parentes por afinidade 
 
Fique ligado na recente súmula: 
 
S. 596, STJ. A obrigação alimentar dos avós tem natureza complementar e subsidiária, somente se configurando 
no caso de impossibilidade total ou parcial de seu cumprimento pelos pais. 
 
No que relaciona-se aos alimentos dos filhos, aplica-se a regra binária: 
 
a) Se o filho é menor? 
 
b) Se o filho é maior? 
 
S. 358, STJ - O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, 
mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. 
 
Filiação 
Tema V 
 
1. Filiação 
 
Norteada pela igualdade filial. 
 
 
 
 
 
 
 
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1.1 Estágios da paternidade no Brasil: 
 
a) Paternidade Legal 
 
b) Paternidade Biológica ou Cientifica 
 
c) Paternidade Socioafetiva 
 
- Paternidade Legal ou Jurídica 
 
Art. 1597, CC 
 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: 
 
I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a convivência conjugal; 
II - nascidos nos trezentos dias subseqüentes à dissolução da sociedade conjugal, por morte, separação judi-
cial, nulidade e anulação do casamento; 
III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o marido; 
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção 
artificial homóloga; 
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido. 
 
Impotência e adultério ilidem as presunções de paternidade? 
 
Art. 1.599. A prova da impotência do cônjuge para gerar, à época da concepção, ilide a presunção da paternidade. 
 
Art. 1.600. Não basta o adultério da mulher, ainda que confessado, para ilidir a presunção legal da paternidade. 
 
- Paternidade Biológica ou Científica 
 
Súmula 301 do STJ: 
 
S 301. Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris 
tantum de paternidade 
 
Lei 12.004/2009 – positivou a Súmula: 
 
Art. 2o A Lei no 8.560, de 29 de dezembro de 1992, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 2o-A: 
 
“Art. 2o-A. Na ação de investigação de paternidade, todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, 
serão hábeis para provar a verdade dos fatos. 
 
Parágrafo único. A recusa do réu em se submeter ao exame de código genético - DNA gerará a presunção 
da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório.”

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