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Visão geral da circulação • A circulação divide-se em circulação sistêmica e circulação pulmonar, grande circulação ou circulação periférica. • A função das artérias é a de transportar sangue sob alta pressão para os tecidos. Têm fortes paredes vasculares, e nelas o sangue flui em alta velocidade. • As arteríolas são os pequenos ramos finais do sistema arterial. Possuem forte parede muscular, capaz de ocluir completamente os vasos ou com seu relaxamento dilatá-los. • A função dos capilares é a troca de líquidos, nutrientes, eletrólitos, hormônios e outras substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. As paredes capilares são muito finas e têm numerosos minúsculos poros capilares. • As vênulas coletam o sangue dos capilares e de forma gradual coalescem, formando veias progressivamente maiores. • As veias funcionam como condutos para o transporte de sangue das vênulas de volta ao coração, pode ser reservatório de sangue extra. A pressão no sistema venoso é muito baixa, as paredes das veias são finas, mas são suficientemente musculares para se contrair e expandir. Áreas da secção transversal e velocidades do fluxo sanguíneo • Se todos os vasos sistêmicos de cada tipo fossem colocados lado a lado, suas áreas totais aproximadas de secção transversa média no ser humano seriam as seguintes: • as áreas de secção transversa são muito maiores nas veias em relação às artérias. Isso explica a grande capacidade de armazenamento de sangue no sistema venoso, em comparação ao sistema arterial. • , a velocidade do fluxo sanguíneo (v) é inversamente proporcional à área de secção transversa vascular (A): • como os capilares têm comprimento típico de apenas 0,3 a 1 milímetro, o sangue permanece neles por apenas 1 a 3 segundos. Toda a difusão de nutrientes alimentares e eletrólitos que ocorre através das paredes capilares deve ocorrer nesse intervalo reduzido de tempo. Pressão nas diferentes partes da circulação: • Na aorta a pressão média é alta, cerca de 100 mmHg. A pressão sistólica é cerca de 120 mmHg e a pressão diastólica de 80 mmHg Durante a maior parte do tempo o coração está em diástole (relaxamento para acoplar volume) durante o repouso. A medida em que acelera a sequencia cardíaca, a sístole passa a ocupar mais tempo. Débito cardíaco = frequência x volume de ejeção • À medida que o sangue flui pela circulação sistêmica, sua pressão média cai progressivamente para cerca de O mmHg ao atingir o final das veias cavas. • A pressão nos capilares sistêmicos varia entre valores elevados, como 35 mmHg, próximos à extremidade arteriolar, e valores baixos, chegando a 10 mmHg, próximos à extremidade venosa. A pressão "funcional" média na maioria dos leitos vasculares é de cerca de 17 mmHg • A pressão arterial pulmonar sistólica média é de cerca de 25 mmHg, e a pressão diastólica, de 8 mmHg, com pressão arterial pulmonar média de 16 mmHg. • A pressão capilar pulmonar média é de apenas 7 mmHg. Ainda assim, o fluxo sanguíneo total que passa pelos pulmões a cada minuto é o mesmo que o da circulação sistêmica. • Essas baixas pressões pulmonares estão de acordo com as necessidades dos pulmões, que consistem basicamente em expor o sangue dos capilares pulmonares ao oxigênio e aos outros gases alveolares. Princípios básicos da função circulatória 1. A intensidade (ou velocidade) do fluxo sanguíneo para cada tecido corporal é quase sempre controlada precisamente em relação às necessidades teciduais. Os microvasos em cada tecido monitoram, de modo contínuo, as necessidades teciduais, tais como a disponibilidade de oxigênio e de outros nutrientes e o acúmulo de dióxido de carbono e outros produtos do metabolismo. Assim, agem diretamente sobre os vasos sanguíneos locais, dilatando-os ou contraindo-os para controlar o fluxo sanguíneo local de forma precisa e até o nível necessário para a atividade do tecido. Há controle também do sistema nervoso central e dos hormônios. 2. O débito cardíaco é controlado principalmente pela soma de todos os fluxos teciduais locais. O coração age como autômato, respondendo às demandas dos tecidos. 3. A regulação da pressão arterial é geralmente independente do fluxo sanguíneo local ou do débito cardíaco. • Os sinais nervosos agem especialmente (a) aumentando a força do bombeamento cardíaco, (b) causando constrição dos grandes reservatórios venosos, para levar mais sangue para o coração; (c) gerando constrição generalizada da maioria das arteríolas em todo o corpo, de modo que maior quantidade de sangue se acumula nas grandes artérias, aumentando a pressão arterial. • os rins desempenham papel adicional fundamental no controle pressórico. Inter-relações da Pressão, Fluxo e Resistência: • O fluxo sanguíneo por um vaso é determinado por dois fatores: (1) a diferença de pressão sanguínea entre as duas extremidades do vaso, que é a força que impulsiona o sangue pelo vaso; (2) o impedimento ao fluxo sanguíneo pelo vaso, ou resistência vascular. • lei de Ohm: na qual F é o fluxo sanguíneo, ΔP é a diferença de pressão (P 1 - P) entre as duas extremidades do vaso e R é a resistência. Fluxo sanguíneo: • Fluxo sanguíneo significa a quantidade de sangue que passa por determinado ponto da circulação durante certo intervalo de tempo. • O fluxo sanguíneo total na circulação de adulto em repouso é de cerca de 5.000 mL/min. Isso é referido como débito cardíaco, por ser a quantidade de sangue bombeada pelo coração para a aorta, a cada minuto. Fluxômetro eletromagnético: • Um dos mais importantes aparelhos para a medida do fluxo sanguíneo sem a abertura do vaso é o fluxômetro eletromagnético. • Aplicado ao princípio, aplicado à geração de força eletromotiva no sangue que se move por campo eletromagnético. Neste caso, o vaso sanguíneo é colocado entre os polos de forte ímã, e eletrodos são posicionados nos dois lados do vaso, perpendiculares às linhas de força magnética. Quando o sangue flui pelo vaso, é gerada voltagem elétrica proporcional à intensidade/velocidade do fluxo sanguíneo entre os dois eletrodos, registrada por voltímetro apropriado ou outro aparelho eletrônico de registro. Fluxômetro doppler ultrassônico: • O cristal, quando energizado por aparelho eletrônico apropriado, transmite sinais ultrassônicos na frequência de muitas centenas de milhares de ciclos por segundo, no sentido do fluxo sanguíneo. Parte do som é refletida pelos eritrócitos no sangue em movimento. As ondas ultrassônicas refletidas retornam dos eritrócitos para o cristal. Essas ondas refletidas têm frequência mais baixa que as ondas transmitidas porque os eritrócitos estão se afastando do cristal transmissor. Esse é o efeito Doppler. Fluxo laminar nos vasos sanguíneos: • O sangue flui de forma estável e ele se organiza em linhas de corrente, com camadas de sangue equidistantes da parede do vaso. • Quando ocorre fluxo laminar, a velocidade do fluxo pelo centro do vaso é muito maior. • Num mesmo intervalo de tempo, a porção de líquido adjacente à parede do vaso praticamente não se moveu, a porção pouco mais afastada da parede se moveu por pequena distância, e a porção no centro do vaso se moveu por longa distância. Esse efeito é chamado "perfil parabólico da velocidade do fluxo sanguíneo”. • Isso ocorre porque as moléculas de líquido que tocam a parede se movem lentamente em virtude da aderência com o endotélio. Assim, o líquido no meio do vaso pode se mover rapidamente porque existem muitas camadas de moléculas deslizantes entre o meio do vaso e a parede. Fluxo sanguíneo turbulento: • Quando a intensidade do fluxo sanguíneo é muito elevada, ou quando o sangue passa por obstrução no vaso, por ângulo fechado ou por superfície áspera. • significa que o sangue flui na direção longitudinal e na direção perpendicular, geralmente formando redemoinhos semelhantes aos vistos em pontos de obstrução de um rio com fortecorrenteza. • em que Re é o número de Reynolds, que é a medida da tendência para a ocorrência de turbilhonamento; v é a velocidade média do fluxo sanguíneo (em centímetros/ segundo); d é o diâmetro do vaso (em centímetros); pé a densidade; e rt a viscosidade (em poise). • A viscosidade do sangue é normalmente de cerca de 1/30 poise, e a densidade é apenas pouco maior que 1. • Locais em que há condições apropriadas para a turbulência: (1) alta velocidade de fluxo sanguíneo, (2) natureza pulsátil do fluxo, (3) alteração súbita do diâmetro do vaso, e (4) grande diâmetro. Entretanto, em vasos pequenos, o número de Reynolds quase nunca é alto o suficiente para causar turbulência. Pressão sanguínea: • a pressão sanguínea representa a força exercida pelo sangue contra qualquer unidade de área da parede vascular. • Ocasionalmente, a pressão é medida em centímetros de água (em H20). • Um milímetro de mercúrio exerce pressão igual a 1,36 em de água, porque o peso específico do mercúrio é 13,6 vezes maior que o da água, e 1 centímetro é 10 vezes maior que um milímetro. Resistência vascular ao fluxo sanguíneo: • A resistência é o impedimento ao fluxo sanguíneo pelo vaso, calculada pelas medidas do fluxo e da diferença de pressão entre dois pontos no vaso. • Se a diferença de pressão entre esses dois pontos for de 1 mmHg e o fluxo for de 1 mL/s, a resistência é designada como uma unidade de resistência periférica, usualmente abreviada como URP • Portanto, a resistência de toda a circulação sistêmica, chamada de resistência periférica total, é de cerca de 100/100, ou 1 unidade de resistência periférica (URP). • Nas condições em que todos os vasos sanguíneos do corpo ficam fortemente contraídos, a resistência periférica total ocasionalmente aumenta. • quando os vasos ficam muito dilatados, a resistência pode cair para valores muito baixos. • A resistência vascular pulmonar total calculada é de cerca de O, 14 URP (em torno de um sétimo da circulação sistêmica). Condutância do vaso: • A condutância é a medida do fluxo sanguíneo por um vaso sob dada diferença de pressão. • A condutância é a recíproca exata da resistência: Efeitos do diâmetro do vaso na condutância: • Pequenas variações do diâmetro do vaso provocam grandes alterações em sua capacidade de conduzir sangue quando o fluxo sanguíneo é laminar. • Por conseguinte, a condutância do vaso aumenta em proporção direta à quarta potência do diâmetro, de acordo com a seguinte fórmula: • No vaso de pequeno calibre, em essência, todo o sangue está contíguo à parede; assim, a corrente central do fluxo sanguíneo muito rápido simplesmente não existe. • Integrando-se as velocidades de todos os anéis concêntricos do fluxo sanguíneo e multiplicando-as pelas áreas dos anéis, pode-se derivar a seguinte fórmula, conhecida como a lei de Poiseuille: em que F é a velocidade/intensidade do fluxo sanguíneo; ~p é a diferença de pressão entre as extremidades do vaso; r, o raio do vaso; 1, seu comprimento; e 11 a viscosidade do sangue. Importância da "Lei da Quarta Potência" do Diâmetro do Vaso na Determinação da Resistência Arteriolar. • As fortes paredes vasculares das arteríolas permitem que esse diâmetro se altere de forma acentuada muitas vezes, por até quatro vezes. Quando calculado, percebe-se que o aumento de quatro vezes no diâmetro do vaso pode aumentar o fluxo por 256 vezes. • As arteríolas, respondendo a sinais nervosos ou a sinais químicos teciduais locais, com apenas pequenas alterações de seu diâmetro, interrompam de modo quase total o fluxo sanguíneo ou, no outro extremo, o aumentem enormemente. Resistência ao Fluxo Sanguíneo em Circuitos Vasculares em Série ou em Paralelo • As artérias, as arteríolas, os capilares, as vênulas e as veias estão coletivamente dispostos em série. Quando os vasos são dispostos em série, o fluxo por cada vaso é o mesmo, e a resistência total ao fluxo sanguíneo (Rtotal) é igual à soma das resistências de cada vaso: • Posteriormente, os vasos sanguíneos se ramificam extensamente, formando circuitos paralelos que irrigam muitos órgãos e tecidos do corpo com sangue. • Nos vasos sanguíneos dispostos em paralelo, a resistência total ao fluxo é expressa como: • A resistência total é muito menor que a de qualquer vaso sanguíneo isolado. O fluxo por vaso paralelo é determinado pelo gradiente de pressão e por sua própria resistência, e não pela resistência dos outros vasos sanguíneos paralelos. Entretanto, o aumento da resistência de qualquer um dos vasos aumenta a resistência vascular total. • Cada vaso representa nova via, ou condutância, para o fluxo sanguíneo. A condutância total (Ctotal) para o fluxo sanguíneo é a soma das condutâncias de cada via paralela: • Portanto, a amputação de membro ou a remoção cirúrgica de um rim também remove um circuito paralelo e reduz a condutância vascular e o fluxo sanguíneo total (i. e., o débito cardíaco), enquanto aumentam a resistência vascular periférica total. Efeito do Hematócrito e da Viscosidade do Sangue sobre a Resistência Vascular e o Fluxo Sanguíneo: • Quanto maior a viscosidade, menor é o fluxo pelo vaso. • A viscosidade do sangue normal é cerca de três vezes maior que a da água. • O que torna o sangue tão viscoso é o grande número de eritrócitos em suspensão exercendo forças friccionais contra células adjacentes e contra a parede do vaso sanguíneo. • A proporção do sangue, representada pelos glóbulos vermelhos, é chamada hematócrito. Portanto, se a pessoa tem hematócrito de 40, isso significa que 40% de seu volume sanguíneo são formados por células e o restante consiste em plasma. • A viscosidade do sangue aumenta de forma acentuada à medida que o hematócrito se eleva. • A viscosidade do sangue total, com hematócrito normal, é de aproximadamente 3; isso significa que, para impulsionar o sangue pelo vaso, é necessária pressão três vezes maior do que para impulsionar água pelo mesmo vaso. Efeitos da Pressão sobre a Resistência Vascular e Fluxo Sanguíneo Tecidual • A capacidade de cada tecido de ajustar sua resistência vascular e de manter o fluxo sanguíneo normal durante alterações na pressão arterial entre cerca de 70 e 175 mmHg é denominada autorregulação. • As variações do fluxo sanguíneo podem ser causadas por forte estimulação simpática, que contrai os vasos sanguíneos. Hormônios vasoconstritores, tais como norepinefrina, angiotensina II, vasopressina ou endotelina, podem também reduzir o fluxo sanguíneo, pelo menos transientemente. • A razão da relativa constância do fluxo sanguíneo é que os mecanismos autorregulatórios locais de cada tecido eventualmente superam a maior parte dos efeitos vasoconstritores, de maneira a prover fluxo sanguíneo apropriado às demandas do tecido. Relação Pressão-Fluxo em Leitos Vasculares Passivos. • Em vasos sanguíneos isolados ou em tecidos que não apresentam autorregulação, variações da pressão arterial podem ter efeitos importantes sobre o fluxo sanguíneo. • A inibição da atividade simpática provoca grandes dilatações nos vasos, podendo aumentar o fluxo sanguíneo por duas vezes ou mais. • Por outro lado, estímulo simpático muito forte pode contrair os vasos a tal ponto que o fluxo sanguíneo ocasionalmente se reduz a zero por alguns segundos, apesar da alta pressão arterial. • Quando a pressão cai abaixo do nível crítico, denominado pressão crítica de fechamento, o fluxo cessa à medida que os vasos sanguíneos colapsam por completo.