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Broncoaspiração
EPIDEMIOLOGIA
• A brônquioaspiração é comum em pacientes hospitalizados, especialmente em
unidades de terapia intensiva.
• A pneumonia aspirativa representa até 15% dos casos de pneumonia adquirida
na comunidade.
• Afeta principalmente idosos, pacientes com doenças neurológicas ou que
apresentam dificuldade de deglutição.
ETIOLOGIA
• Aspiração de alimentos, saliva ou conteúdo gástrico.
• Aspiração de corpos estranhos (em crianças ou pessoas com problemas
cognitivos).
• Microaspiração de secreções da orofaringe durante o sono, comum em doenças
do refluxo gastroesofágico.
FATORES DE RISCO
1. Distúrbios neurológicos: AVC, doença de Parkinson, esclerose múltipla.
2. Redução do nível de consciência: sedação, anestesia, intoxicação alcoólica,
trauma cranioencefálico.
3. Refluxo gastroesofágico.
4. Idade avançada (fraqueza muscular e comprometimento da deglutição).
5. Doenças esofágicas: estenose esofágica, acalasia.
6. Intubação ou traqueostomia.
7. Dificuldades de deglutição (disfagia), especialmente após cirurgias de cabeça e
pescoço.
FISIOPATOLOGIA
A brônquioaspiração ocorre quando conteúdo sólido ou líquido é aspirado para as vias
aéreas inferiores, podendo causar danos pulmonares. A fisiopatologia envolve diferentes
mecanismos dependendo do tipo de material aspirado, que pode ser alimento, líquidos
gástricos, saliva ou até corpos estranhos. Os principais eventos fisiopatológicos são:
1. Obstrução Mecânica das Vias Aéreas:
• Quando um corpo sólido ou semi-sólido, como alimento, é aspirado, ele pode
causar uma obstrução mecânica parcial ou completa das vias aéreas. Isso pode
levar a hipoventilação, atelectasia (colapso alveolar) e hipoxemia (baixa
oxigenação do sangue).
• A obstrução pode ser transitória ou persistente, dependendo da capacidade do
sistema de remover o material através de tosse ou mecanismos de clearance
mucociliar.
2. Reação Inflamatória:
• A presença de material estranho nos pulmões induz uma resposta inflamatória. O
sistema imunológico libera citocinas pró-inflamatórias e atrai células inflamatórias,
como neutrófilos, para o local da aspiração. Essa resposta pode resultar em
bronquite química, edema pulmonar e, em casos graves, pneumonia aspirativa.
• O grau de inflamação varia conforme o tipo de material aspirado. Alimentos
sólidos podem causar uma inflamação menos intensa do que líquidos gástricos
ácidos.
3. Pneumonia Aspirativa:
• A pneumonia por aspiração ocorre quando bactérias presentes no material
aspirado (geralmente da orofaringe) se estabelecem no tecido pulmonar. Isso
resulta em infecção do parênquima pulmonar, com áreas de consolidação,
abscessos pulmonares e, eventualmente, necrose tecidual se não for tratado.
• Pacientes com fatores de risco, como rebaixamento do nível de consciência,
refluxo gastroesofágico ou doenças neuromusculares, têm maior risco de
desenvolver pneumonia aspirativa.
4. Aspiração de Conteúdo Gástrico (Síndrome de Mendelson):
• Quando ocorre aspiração de conteúdo gástrico ácido, o dano é imediato. O ácido
clorídrico do estômago provoca uma bronquiolite química, que leva a um intenso
processo inflamatório, necrose alveolar e edema. Isso pode resultar em
insuficiência respiratória aguda.
5. Alterações na Troca Gasosa:
• A obstrução das vias aéreas, a inflamação e o edema alveolar interferem nas trocas
gasosas, levando a hipoxemia e, em casos graves, hipercapnia. A extensão do
comprometimento respiratório vai depender da quantidade de material aspirado,
da rapidez do tratamento e da condição prévia do paciente.
Resumo:
A brônquioaspiração resulta, portanto, em uma série de eventos que incluem obstrução
mecânica, inflamação local, possível infecção e comprometimento da troca gasosa, com
potenciais consequências graves, como pneumonia e insuficiência respiratória.
Esses processos podem ser leves e resolvidos de forma espontânea ou graves, requerendo
intervenção médica rápida e intensiva.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As manifestações clínicas da brônquioaspiração podem variar conforme o volume e o
tipo de material aspirado, além da resposta inflamatória do paciente. Os principais sinais
e sintomas incluem:
1. Tosse: Geralmente, é o primeiro sintoma, especialmente se a aspiração for de
pequeno volume.
2. Dispneia: Dificuldade respiratória, que pode variar de leve a grave, dependendo
do grau de obstrução ou inflamação.
3. Taquipneia: Aumento da frequência respiratória como resposta à obstrução ou
inflamação.
4. Cianose: Coloração azulada da pele e mucosas em casos de hipoxemia grave.
5. Febre: Pode estar presente se houver desenvolvimento de pneumonia aspirativa.
6. Crepitações ou roncos: À ausculta pulmonar, sons anormais podem ser ouvidos,
indicando secreção ou obstrução nas vias aéreas.
7. Sibilos: Ocorre em casos de obstrução parcial das vias aéreas.
8. Dor torácica: Em casos mais graves, especialmente se houver desenvolvimento
de pneumonia ou abscesso pulmonar.
9. Expectoração: Produção de escarro, que pode ser purulento se houver infecção.
10. Desconforto gastrointestinal: Em casos de aspiração de conteúdo gástrico.
TRATAMENTO
O tratamento da brônquioaspiração depende da gravidade da condição e da presença de
complicações, como pneumonia aspirativa.
1. Suporte respiratório:
o Oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia.
o Ventilação mecânica em casos graves com insuficiência respiratória.
2. Aspiração das vias aéreas:
o Se possível, a aspiração imediata do conteúdo aspirado pode ser feita
por broncoscopia.
3. Antibioticoterapia:
o Indicada se houver suspeita de pneumonia aspirativa. Os antibióticos
devem cobrir microrganismos anaeróbios e aeróbios da flora
orofaríngea.
o Esquemas comuns incluem clindamicina ou betalactâmicos com
inibidor de beta-lactamase, como amoxicilina-clavulanato.
4. Corticosteroides:
o Em alguns casos, podem ser usados para reduzir a inflamação das vias
aéreas, mas seu uso é controverso e não é rotineiro.
5. Tratamento de suporte:
o Hidratação adequada.
o Controle da febre com antitérmicos.
o Fisioterapia respiratória para melhorar a mobilização de secreções.
6. Tratar a causa subjacente:
o Disfagia: Avaliação e tratamento fonoaudiológico para prevenir novas
aspirações.
o Refluxo gastroesofágico: Uso de inibidores da bomba de prótons e
elevação da cabeceira ao dormir.
o Correção de problemas mecânicos, como traqueostomia inadequada,
pode ser necessário em alguns casos.
7. Profilaxia:
o Em pacientes de alto risco (ex: pós-AVC, com disfagia), recomenda-se
vigilância e medidas preventivas, como dieta espessada e elevação da
cabeceira durante as refeições.
Tuberculose
Mycobacterium tuberculosis
• Agente causador: A tuberculose é causada pelo Mycobacterium tuberculosis,
que pertence ao grupo dos bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR).
o É um bacilo fino, levemente curvado, não móvel e aeróbico.
o Não forma esporos.
o Medidas: cerca de 2 a 4 micrômetros de comprimento.
o A parede celular do M. tuberculosis é rica em lipídios (ácidos micólicos),
o que a torna resistente à dessecação e à destruição química. Esse
revestimento lipídico também contribui para a resistência ao ataque pelo
sistema imunológico.
• Álcool-ácido resistência:
o Devido à presença de ácidos micólicos em sua parede celular, ele não é
corado pelos métodos convencionais de coloração (como a coloração
de Gram), mas é identificado por coloração especial, como o método de
Ziehl-Neelsen.
• Crescimento lento:
o O M. tuberculosis tem um tempo de replicação lento, levando de 15 a 20
horas para se dividir. Isso explica a demora no aparecimento de sintomas
e o curso prolongado da doença.
• Resistência a antibióticos:
o O M. tuberculosis é resistente a muitos antibióticos convencionais devido
à sua parede celular impermeável e sua capacidade de sobreviver em
estado latente pordo pulmão normal.
• Diminuição da expansibilidade torácica: A expansão do tórax é limitada no lado
afetado devido ao volume de líquido.
• Frêmito toracovocal reduzido: O líquido pleural reduz a transmissão das
vibrações da voz através da parede torácica.
O diagnóstico e tratamento do derrame pleural são essenciais para entender a causa
subjacente e garantir a abordagem terapêutica correta. O processo diagnóstico envolve
uma combinação de história clínica, exame físico, exames de imagem e análise do
líquido pleural, enquanto o tratamento é direcionado à doença de base e ao alívio dos
sintomas.
DIAGNÓSTICO
História Clínica e Exame Físico
A avaliação clínica começa com uma história detalhada e um exame físico minucioso. É
importante identificar fatores de risco ou doenças associadas, como:
• Doenças cardíacas (insuficiência cardíaca),
• Doenças hepáticas (cirrose),
• Doenças pulmonares (pneumonia, tuberculose),
• História de neoplasias (câncer de pulmão, mama, linfoma),
• Histórico de trauma ou cirurgia torácica.
Exames de Imagem
➔ Radiografia de Tórax
É o exame inicial mais comumente realizado. Pode demonstrar:
• Opacificação na base pulmonar (ou em
áreas mais superiores em derrames
maiores),
Linha de Damoiseau, que é a curvatura
característica do limite superior do derrame
pleural.
A radiografia em decúbito lateral pode ajudar a
identificar derrames menores, pois facilita a
observação do deslocamento do líquido.
Ultrassonografia de Tórax
A ultrassonografia é mais sensível do que a
radiografia para detectar pequenos volumes de
líquido pleural e também auxilia na realização de
procedimentos, como a toracocentese. O exame
identifica a localização e a quantidade de líquido e
pode distinguir derrames livres de loculados
(compartimentados).
➔ Tomografia Computadorizada (TC) de Tórax
A TC é útil para avaliar não apenas o derrame, mas também
possíveis causas subjacentes, como tumores, abscessos ou
lesões pulmonares associadas. Também ajuda a diferenciar
derrames pleurais de outras condições, como espessamento
pleural ou massas torácicas.
➔ Toracocentese (Punção Pleural)
A toracocentese é o principal exame diagnóstico para análise do líquido pleural. O
procedimento envolve a inserção de uma agulha no espaço pleural para aspirar o líquido,
que é então submetido a várias análises laboratoriais.
Análise do líquido pleural:
• Aspecto Macroscópico: Pode ser seroso, sanguinolento (hemorrágico),
purulento ou quiloso (branco leitoso).
• Bioquímica: A relação entre proteínas e LDH no líquido pleural e no sangue
permite classificar o derrame como transudato ou exsudato (com base nos
critérios de Light).
o Transudato: Baixa concentração de proteínas e LDH, geralmente
causado por insuficiência cardíaca, cirrose, ou síndrome nefrótica.
o Exsudato: Alta concentração de proteínas e LDH, indicando inflamação,
infecção ou neoplasia.
Outros testes incluem:
• Contagem de Células: Linfócitos elevados sugerem tuberculose ou malignidade;
neutrófilos elevados sugerem infecção bacteriana.
• Glicose: Níveis baixos podem ser encontrados em empiema, artrite reumatoide,
ou neoplasias.
• Amilase: Elevada em casos de pancreatite ou ruptura esofágica.
• pH: Um pH baixo (varia de acordo com o procedimento, sendo mais comum em procedimentos que
envolvem manipulação pleural ou pulmonar.
Pneumotórax Hipertensivo:
o É uma emergência médica, ocorrendo quando o ar entra no espaço pleural, mas
não consegue sair, gerando um efeito de “válvula de uma via” e aumento
progressivo da pressão intratorácica.
o Pode ocorrer em qualquer tipo de pneumotórax (espontâneo ou traumático), mas
é mais frequente em traumas penetrantes ou em ventilação mecânica com
pressão positiva.
ETIOLOGIA
A etiologia do pneumotórax depende de sua classificação. Ele pode ser dividido em
espontâneo (primário ou secundário), traumático, iatrogênico ou hipertensivo.
Pneumotórax Espontâneo Primário (PEP)
• O PEP ocorre sem doença pulmonar subjacente e
geralmente resulta da ruptura de pequenas
bolhas subpleurais (também chamadas de blebs)
ou bolhas enfisematosas presentes no ápice dos
pulmões.
• Fatores de risco incluem:
o Tabagismo: Aumenta em até 22 vezes o risco de pneumotórax primário,
devido ao desenvolvimento de bolhas subpleurais.
o Constituição corporal: Indivíduos altos e magros apresentam maior
tensão nas bases dos pulmões, o que favorece o surgimento de rupturas
pleurais.
o História familiar: Algumas síndromes genéticas, como a síndrome de
Marfan e síndrome de Ehlers-Danlos, estão associadas a um aumento do
risco de pneumotórax espontâneo primário.
Pneumotórax Espontâneo Secundário (PES)
• O PES ocorre em pacientes com doenças pulmonares preexistentes, onde a
integridade das vias aéreas e dos alvéolos é comprometida, levando ao escape
de ar para o espaço pleural.
• Principais doenças associadas:
o Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): Responsável pela
maioria dos casos de pneumotórax secundário. A presença de bolhas
enfisematosas aumenta o risco de ruptura.
o Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI): A presença de cicatrizes e áreas de
enfisema subpleural aumenta a propensão ao pneumotórax.
o Tuberculose: A necrose e destruição tecidual podem levar à formação
de cavidades e bolhas, facilitando o colapso pulmonar.
o Neoplasias pulmonares: Tumores podem invadir a pleura visceral,
rompendo o tecido pleural e causando pneumotórax.
o Pneumonia necrosante: Infecções graves podem causar destruição do
parênquima pulmonar, resultando em ruptura de bolhas subpleurais.
Pneumotórax Traumático
• O pneumotórax traumático ocorre após lesões físicas no tórax, incluindo:
o Traumas penetrantes: Ferimentos por facas, tiros ou outros objetos
perfurantes que atravessam a parede torácica e lesam o pulmão ou a
pleura.
o Traumas contusos: Lesões que causam ruptura dos alvéolos ou das vias
aéreas, como em acidentes de trânsito, quedas ou explosões.
• Iatrogênico: O pneumotórax iatrogênico é causado por procedimentos
médicos, como:
o Biópsias pulmonares,
o Colocação de cateter venoso central (especialmente nas veias
subclávia ou jugular),
o Ventilação mecânica com pressão positiva,
o Toracocentese,
o Punções pleurais ou abdominais.
Pneumotórax Hipertensivo
• O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica, onde o ar entra no
espaço pleural, mas não consegue sair, causando compressão progressiva do
pulmão, mediastino e grandes vasos.
• Frequentemente ocorre em:
o Traumas penetrantes do tórax,
o Pacientes em ventilação mecânica com pressão positiva,
o Pneumotórax espontâneos complicados, onde o mecanismo de válvula
de uma via impede a saída de ar.
FISIOPATOLOGIA
Entrada de Ar no Espaço Pleural
o No pneumotórax, o ar pode entrar no espaço pleural a partir do pulmão (devido
à ruptura da pleura visceral) ou do ambiente externo (lesão da pleura parietal).
o Esse ar acumula-se entre as pleuras, o que altera o equilíbrio da pressão pleural,
essencial para a expansão pulmonar.
o Reduz os volumes pulmonares, a complacência pulmonar e a capacidade de
difusão
o A pressão dentro da cavidade pleural se iguala ou até supera a pressão
atmosférica, impedindo o pulmão de expandir-se adequadamente.
o Outra possibilidade, como a pressão alveolar normalmente é maior do que a
pressão pleural, o ar flui dos alvéolos para o espaço pleural provocando o colapso
da porção envolvida do pulmão, como resultado de seu próprio recuo. O ar
continua a fluir para dentro do espaço pleural, até que não exista um gradiente
de pressão ou até que a diminuição no tamanho do pulmão interrompa o
extravasamento
Colapso Pulmonar
o O colapso pulmonar é proporcional à quantidade de ar presente na cavidade
pleural. Pequenos volumes de ar causam um colapso parcial, enquanto volumes
maiores podem causar colapso completo do pulmão afetado.
o Esse colapso impede a troca gasosa na área pulmonar afetada, levando à
hipoxemia (baixo nível de oxigênio no sangue).
Alterações Hemodinâmicas
o Em casos graves, como o pneumotórax hipertensivo, o acúmulo progressivo de
ar gera uma pressão intratorácica aumentada, o que não só colapsa o pulmão,
mas também comprime as estruturas mediastinais, como o coração e os grandes
vasos.
o Isso resulta em diminuição do retorno venoso ao coração, reduzindo o débito
cardíaco e podendo causar choque circulatório (hipotensão grave e insuficiência
de órgãos).
Pneumotórax Hipertensivo
o No pneumotórax hipertensivo, a entrada de ar ocorre por um mecanismo de
“válvula de uma via”, onde o ar entra no espaço pleural durante a inspiração, mas
não consegue sair durante a expiração.
o Isso causa um aumento contínuo da pressão intrapleural, deslocamento do
mediastino, compressão do pulmão contralateral e obstrução do retorno venoso
para o coração, levando a um quadro de emergência com risco iminente de morte
se não tratado.
Pneumotórax catamenial: pneumotórax relacionado ao ciclo menstrual, em geral afeta o
pulmão direito e se desenvolve em um período de 72h antes do início da menstruação
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As manifestações clínicas do pneumotórax variam dependendo do tipo, do volume de ar
presente na cavidade pleural e da velocidade de instalação.
Os sinais e sintomas clássicos incluem:
1. Dispneia (falta de ar):
A dispneia é um dos principais sintomas e varia de leve a intensa, dependendo da
extensão do colapso pulmonar e da reserva funcional pulmonar. No pneumotórax
secundário (associado a doenças pulmonares), a dispneia tende a ser mais grave.
2. Dor Torácica:
Geralmente aguda e de início súbito, a dor é descrita como uma dor pleurítica (piora
com a inspiração profunda ou tosse) e localiza-se no lado do pneumotórax. Pode irradiar
para o ombro ou parte superior do abdome.
3. Taquipneia e Taquicardia:
Em resposta à hipoxemia e ao colapso pulmonar, o paciente frequentemente apresenta
taquipneia (respiração rápida) e taquicardia (aumento da frequência cardíaca). Esses
sinais podem ser mais pronunciados em pneumotórax hipertensivo ou em pacientes com
reserva funcional pulmonar reduzida.
4. Hiperinsuflação Hemitorácica (aumento do volume de um lado do tórax):
No pneumotórax hipertensivo, o lado afetado pode parecer aumentado, devido à
acumulação de ar na cavidade pleural.
5. Desvio Traqueal e Distensão de Veias Jugulares:
No pneumotórax hipertensivo, há desvio do
mediastino para o lado contralateral ao pneumotórax,
com desvio da traqueia. A compressão dos vasos
venosos pode causar distensão das veias jugulares e
sinais de choque (hipotensão, palidez, sudorese fria).
6. Redução ou Abolição dos Sons Respiratórios:
Durante o exame físico, há diminuição ou ausência dos sons respiratórios no lado afetado,
junto com hiper-ressonância à percussão (som mais timpânico) no lado do pneumotórax.
7. Enfisema Subcutâneo:
Pode ocorrer em casos de pneumotórax traumático ou hipertensivo, quando o ar extravasa
para os tecidos subcutâneos, resultando em crepitação à palpação na pele.
8. Sinais de Pneumotórax Hipertensivo:
Além dos sinais descritos acima, como desvio traqueal e distensão jugular,os pacientes
com pneumotórax hipertensivo podem apresentar hipotensão grave, choque
circulatório e parada cardiorrespiratória se não tratados imediatamente.
Diferenciação dos Tipos de Pneumotórax nas Manifestações Clínicas
1. Pneumotórax Espontâneo Primário:
Geralmente, apresenta-se com dor torácica súbita e leve dispneia, em um indivíduo
jovem e previamente saudável. A hipoxemia costuma ser leve e, em alguns casos, o
pneumotórax pode ser assintomático.
2. Pneumotórax Espontâneo Secundário:
A dispneia é mais pronunciada, mesmo com pequenos volumes de ar, porque esses
pacientes já têm doenças pulmonares de base, como DPOC. A dor torácica pode ser
menos proeminente que no primário.
3. Pneumotórax Traumático:
4. Apresenta-se com sinais de trauma torácico evidente e pode evoluir rapidamente
para pneumotórax hipertensivo, especialmente se associado a lesões
penetrantes. Enfisema subcutâneo é comum.
5. Pneumotórax Hipertensivo:
É uma emergência médica, caracterizada por hipotensão grave, taquicardia, hipoxemia
progressiva, desvio traqueal e sinais de choque. A rápida intervenção é crucial para salvar
a vida do paciente.
DIAGNÓSTICO
Clínico: Baseado nos sintomas (dor torácica súbita, dispneia) e sinais físicos (diminuição
dos sons respiratórios, hiper-ressonância à percussão, desvio traqueal em casos graves).
Raio-X de tórax*: Principal exame para
confirmar o diagnóstico, mostrando ar no
espaço pleural e colapso pulmonar.
Tomografia Computadorizada (TC):
Utilizada em casos duvidosos ou em
pneumotórax de difícil visualização.
Ultrassonografia: Pode ser usada em
emergências, mostrando ausência de
deslizamento pleural.
TRATAMENTO
Observação: Para pneumotórax pequenos e
assintomáticos, especialmente no
pneumotórax espontâneo primário.
Oxigenoterapia: Acelera a reabsorção do ar
no espaço pleural.
Punção Aspirativa: Realizada em
pneumotórax maiores ou sintomáticos.
Drenagem Pleural: Inserção de um dreno
torácico para remover o ar, indicada para pneumotórax grandes, secundários ou
traumáticos.
Cirurgia (Videotoracoscopia ou Toracotomia): Em casos de pneumotórax recorrentes ou
persistentes, ou em pneumotórax hipertensivo que não responde a drenagem. O
pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica e requer descompressão
imediata com agulha, seguida de drenagem torácica.
Câncer de pulmão
EPIDEMIOLOGIA
• Incidência: O câncer de pulmão é uma das neoplasias malignas mais comuns no
mundo, sendo a principal causa de morte por câncer globalmente.
• Mortalidade: É o tipo de câncer que mais mata, com taxas de sobrevida baixas,
especialmente nos estágios avançados.
• Distribuição por sexo: Afeta tanto homens quanto mulheres, embora
historicamente tenha sido mais comum em homens, devido ao maior consumo
de tabaco. Nos últimos anos, a incidência entre mulheres tem aumentado.
• Faixa etária: Mais comum em indivíduos com mais de 50 anos, sendo raro em
jovens.
• Tabagismo: Aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão estão
relacionados ao tabagismo, tanto em fumantes ativos quanto em fumantes
passivos.
ETIOLOGIA
• Tabagismo: Principal fator de risco, responsável pela maioria dos casos. Contém
múltiplos carcinógenos, como benzeno, formaldeído e substâncias radioativas
que causam mutações no DNA.
• Exposição a agentes carcinogênicos: Inclui poluentes ambientais (radônio,
amianto, arsênio, cádmio), e ocupacional (trabalhadores expostos a substâncias
químicas tóxicas).
• Radiação: Exposição à radiação ionizante aumenta o risco de mutações que
levam ao câncer.
• Fatores genéticos: Indivíduos com histórico familiar de câncer de pulmão têm
maior risco, mesmo sem exposição significativa ao tabaco.
• Doenças pulmonares crônicas: Doenças como DPOC (Doença Pulmonar
Obstrutiva Crônica) e fibrose pulmonar estão associadas a maior risco de
desenvolver câncer de pulmão.
FISIOPATOLOGIA
O câncer de pulmão envolve uma série de alterações celulares e moleculares que levam
ao crescimento descontrolado das células pulmonares.
1. Iniciação (Mutação Genética)
O câncer de disseminação geralmente começa com mutações genéticas que afetam os
genes responsáveis pelo controle do ciclo celular. Entre os principais genes envolvidos
estão:
• Genes supressores tumorais (como o TP53 e RB1), que normalmente impedem
o crescimento descontrolado.
• Proto-oncogenes (como o KRAS e EGFR), que quando mutados se tornam
oncogenes, promovendo a proteção celular.
Essas alterações podem ser causadas por:
• Exposição a carcinógenos, como fumaça de cigarro (responsável pela maioria
dos casos de câncer de pulmão), amianto e radônio.
• Fatores genéticos e predisposições familiares também influenciam um papel,
embora menor em comparação ao tabagismo.
2. Promoção (Proliferação Celular)
Após as mutações iniciais, as células mutadas começam a proliferar de forma
descontrolada. Isso ocorre porque os mecanismos normais de controle de crescimento
celular estão comprometidos. O microambiente tumoral, que inclui citocinas inflamatórias
e fatores de crescimento, ainda favorece mais a expansão dessas células.
3. Progressão (Angiogênese e Invasão)
Na fase de progressão, o tumor cresce em tamanho e complexidade. Para sustentar esse
crescimento, o tumor induz a angiogênese, que é a formação de novos vasos sanguíneos
que suprem o tumor com oxigênio e nutrientes. Além disso, as células cancerígenas
adquirem a capacidade de invadir tecidos vizinhos e se metastatizar, ou seja, se espalham
para outras partes do corpo, como ossos, cérebro e fígado.
4. Metástase
O câncer de disseminação freqüentemente se metastatiza em avanços avançados, o que
agrava o prognóstico. As células tumorais invadem a corrente sanguínea ou o sistema
linfático, espalhando-se por locais distantes do corpo. A metástase é um dos principais
fatores que tornam o câncer de pulmão tão mortal.
Classificação
O câncer de pulmão pode ser classificado em dois tipos principais:
1. Câncer de Pulmão de Pequenas Células (CPC): Altamente agressivo e
frequentemente associado ao tabagismo.
2. Câncer de Pulmão de Não Pequenas Células (CPNPC): Engloba ou
adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas e carcinoma de grandes
células.
Alterações no Microambiente Tumoral
O microambiente do tumor também sofre alterações significativas, como a presença de
células inflamatórias, fibroblastos e alterações no sistema imunológico. Isso cria um
ambiente que favorece o crescimento tumoral e a evasão da resposta imunológica.
Em resumo, o câncer de pulmão surge de mutações genéticas causadas por fatores
ambientais e internos, levando à prevenção descontrolada de células malignas, invasão de
tecidos e eventual metástase.
MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
1. Sintomas Respiratórios:
o Tosse persistente (sintoma mais comum).
o Hemoptise (expectoração de sangue).
o Dispneia (falta de ar), especialmente em casos de tumores grandes ou
obstrução brônquica.
o Dor torácica (dor no peito), que pode ser causada pela invasão da pleura
ou da parede torácica.
2. Sintomas Sistêmicos:
o Perda de peso inexplicada.
o Fadiga.
o Febre baixa.
3. Sintomas Relacionados à Compressão ou Invasão Local:
o Rouquidão (compressão do nervo laríngeo recorrente).
o Síndrome de Pancoast (dor no ombro e braço, associada a tumor no
ápice do pulmão).
o Síndrome da veia cava superior (edema facial e nos membros
superiores, dilatação de veias torácicas).
4. Manifestações Paraneoplásicas:
o Hipercalcemia, síndrome de Cushing, síndrome da secreção
inapropriada de ADH (SIADH), relacionadas a tumores produtores de
hormônios ou substâncias semelhantes a hormônios.
5. Sintomas Metastáticos:
o Dor óssea, se houver metástases ósseas.
o Alterações neurológicas (cefaleia, convulsões), se houver metástases
cerebrais.
DIAGNÓSTICO
1. História clínica e exame físico:
Avaliação dos sintomas (tosse, hemoptise,perda de peso, etc.) e dos fatores de risco
(tabagismo, exposição a carcinógenos).
2. Exames de imagem:
Radiografia de tórax: Primeiro exame para detecção de massas pulmonares, mas tem
limitações.
Tomografia computadorizada (TC): Método de escolha para detectar lesões pulmonares
e avaliar a extensão da doença (nódulos, linfonodos, metástases).
PET-CT: Utilizada para avaliação do metabolismo do tumor e para identificar metástases
distantes.
3. Exames citológicos e histopatológicos:
Escarro: Análise citológica do escarro para detectar células malignas (menos sensível).
Broncoscopia: Permite a visualização direta da árvore brônquica e a coleta de biópsias
para diagnóstico histológico.
Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): Usada para obter material de nódulos
periféricos ou metástases.
Biópsia de linfonodos ou outros locais de metástase.
4. Exames laboratoriais:
Marcadores tumorais: Não são muito específicos, mas podem ajudar no
acompanhamento.
5. Estadiamento:
O estadiamento TNM (tumor, nódulos linfáticos e metástases) é feito com base em
exames de imagem e biópsias, e é crucial para definir o tratamento e prognóstico.
TRATAMENTO
O tratamento do câncer de pulmão depende do tipo histológico (câncer de pulmão de
pequenas células ou não pequenas células), do estágio da doença, das condições
clínicas do paciente e da presença de mutações genéticas específicas. A seguir, um resumo
das principais abordagens terapêuticas:
1. Cirurgia
• Indicação: Principalmente para câncer de pulmão de não pequenas células
(CPNPC) em estágios iniciais (I e II), onde o tumor está localizado e ainda não se
espalhou.
• Procedimentos:
o Ressecção em cunha ou segmentectomia: Remoção de uma pequena
parte do pulmão.
o Lobectomia: Remoção de um lobo pulmonar (o tratamento cirúrgico
padrão).
o Pneumonectomia: Remoção completa de um pulmão, em casos de
tumores extensos.
• Objetivo: Curativo nos casos em que o tumor pode ser completamente
removido.
2. Radioterapia
• Indicação: Utilizada em pacientes que não podem ser operados ou em
combinação com outros tratamentos, como quimioterapia.
o Radioterapia adjuvante: Após a cirurgia para eliminar células residuais.
o Radioterapia paliativa: Para aliviar sintomas como dor, hemoptise ou
obstrução de vias aéreas em pacientes com doença avançada.
o Radioterapia estereotáxica corporal (SBRT): Tratamento de tumores
pequenos e bem localizados, especialmente em pacientes inoperáveis.
3. Quimioterapia
• Indicação: Usada tanto para câncer de pulmão de pequenas células quanto para
o câncer de pulmão de não pequenas células, especialmente em estágios mais
avançados.
o Quimioterapia neoadjuvante: Antes da cirurgia, para reduzir o
tamanho do tumor.
o Quimioterapia adjuvante: Após a cirurgia, para prevenir recidivas.
o Quimioterapia paliativa: Em casos de doença avançada, para controlar
o crescimento do tumor e aliviar sintomas.
• Esquemas comuns: Usam combinações de agentes como cisplatina,
carboplatina, paclitaxel e etoposídeo.
4. Terapias-Alvo
• Indicação: Indicada para pacientes com mutações genéticas específicas, como
mutação no EGFR, rearranjos no gene ALK ou mutação KRAS.
• Exemplos de terapias-alvo:
o Inibidores do EGFR: Gefitinibe, Erlotinibe.
o Inibidores de ALK: Crizotinibe, Alectinibe.
o Inibidores de MET ou ROS1: Para mutações específicas em vias de
sinalização celular.
• Vantagens: Menos efeitos colaterais que a quimioterapia e maior eficácia em
tumores com essas mutações.
5. Imunoterapia
• Indicação: Usada em câncer de pulmão de não pequenas células avançado,
especialmente quando expressa o ligante de morte programada (PD-L1).
• Exemplos:
o Inibidores de PD-1/PD-L1: Pembrolizumabe, Nivolumabe.
o Inibidores de CTLA-4: Ipilimumabe.
• Objetivo: Estimular o sistema imunológico a atacar as células tumorais,
proporcionando respostas duradouras em alguns pacientes.
6. Cuidados Paliativos
• Indicação: Para pacientes com doença avançada e sem possibilidade de cura, os
cuidados paliativos visam controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
o Alívio da dor, dispneia, tosse, hemoptise e outros sintomas.
o Suporte psicológico e terapia nutricional.
Abordagem Multimodal
• Muitas vezes, o tratamento do câncer de pulmão envolve uma combinação de
modalidades, como cirurgia associada à quimioterapia ou radioterapia, ou
terapias-alvo combinadas com imunoterapia.
Resumo:
• CPNPC em estágio inicial: Cirurgia com ou sem quimioterapia.
• CPNPC avançado: Quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia.
• Câncer de pequenas células: Quimioterapia, radioterapia, com cirurgias menos
frequentes devido à alta agressividade da doença.
Pneumonia
Etiologia da Pneumonia
A pneumonia pode ser causada por uma variedade de agentes infecciosos, incluindo
bactérias, vírus, fungos e, em casos raros, protozoários. Os principais agentes etiológicos
variam de acordo com o contexto clínico (comunidade ou hospitalar) e as características
do paciente (como idade, estado imunológico e comorbidades).
1. Bactérias:
• Streptococcus pneumoniae: é o agente bacteriano mais comum na pneumonia
adquirida na comunidade, responsável por uma grande parte dos casos.
• Haemophilus influenzae: principalmente em adultos mais velhos ou com doenças
pulmonares crônicas.
• Staphylococcus aureus: pode causar pneumonia grave, especialmente em
indivíduos com influenza ou em pacientes hospitalizados.
• Mycoplasma pneumoniae: causa pneumonia atípica, especialmente em jovens
adultos.
• Legionella pneumophila: causa pneumonia grave (pneumonia por legionella)
associada a surtos de água contaminada.
• Chlamydia pneumoniae e Chlamydia psittaci: menos comuns, causam
pneumonias atípicas.
2. Vírus:
• Influenza A e B: são os vírus mais comuns associados à pneumonia viral,
especialmente durante epidemias de gripe.
• Vírus sincicial respiratório (VSR): causa pneumonia em crianças pequenas e
idosos.
• Adenovírus, rinovírus, metapneumovírus: também podem causar pneumonia viral,
geralmente menos severa que as pneumonias bacterianas.
3. Fungos:
• Cryptococcus neoformans: causa pneumonia fúngica em pacientes
imunocomprometidos, como aqueles com HIV/AIDS.
• Histoplasma capsulatum, Coccidioides immitis: causam pneumonias fúngicas em
áreas endêmicas.
4. Protozoários:
• Pneumocystis jirovecii: causa pneumonia em pacientes imunocomprometidos,
especialmente aqueles com HIV/AIDS.
Fatores de Risco
Além dos agentes etiológicos específicos, os fatores de risco para desenvolver pneumonia
incluem:
• Idade avançada ou infância: extremos de idade têm maior risco devido à
imaturidade ou declínio do sistema imunológico.
• Tabagismo e alcoolismo: aumentam o risco devido ao dano pulmonar e à
supressão do sistema imunológico.
• Doenças crônicas: como doenças cardíacas, pulmonares (como DPOC),
diabetes, HIV/AIDS.
• Imunossupressão: devido a condições médicas ou medicamentos (como
quimioterapia, corticosteroides).
• Internação hospitalar ou uso de dispositivos médicos invasivos: aumentam o
risco de pneumonia hospitalar.
FISIOPATOLOGIA
A pneumonia é uma infecção aguda que acomete o parênquima pulmonar, resultando em
inflamação dos alvéolos e bronquíolos. Sua fisiopatologia pode ser explicada em etapas:
1. Entrada do agente patogênico
• Aspiração de micro-organismos das vias aéreas superiores;
• Inalação de gotículas contaminadas do ar;
• Disseminação hematogênica a partir de um foco infeccioso em outra parte do
corpo.
2. Defesas do hospedeiro e falha na proteção
3. Resposta inflamatória
4. Formação de exsudato alveolar
5. Alterações na ventilação/perfusão
PNEUMONIA COMUNITARIA
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar que ocorre em
indivíduos fora do ambiente hospitalar. A sua fisiopatologia segue um curso semelhante
ao da pneumonia em geral,mas é importante destacar alguns aspectos relacionados à
forma de transmissão, aos agentes etiológicos mais comuns e às defesas do hospedeiro.
Vamos detalhar cada etapa da fisiopatologia da PAC:
1. Entrada do agente patogênico
A PAC geralmente é causada por micro-organismos que se encontram no ambiente
comunitário, sendo o mais comum a bactéria Streptococcus pneumoniae. Outros agentes
incluem Mycoplasma pneumoniae, Haemophilus influenzae, vírus respiratórios (como
influenza) e, menos frequentemente, fungos. A transmissão se dá por inalação de gotículas
respiratórias contendo os patógenos ou pela aspiração de secreções das vias aéreas
superiores.
2. Defesas do trato respiratório e falha na proteção
O trato respiratório possui barreiras naturais que incluem:
• Reflexo da tosse;
• Células ciliadas e produção de muco, que removem partículas e micro-
organismos;
• Macrófagos alveolares, que fagocitam micro-organismos inalados.
Na PAC, fatores que enfraquecem essas defesas (como tabagismo, uso de álcool, idade
avançada, doenças pulmonares crônicas, imunossupressão ou infecções virais prévias)
facilitam a entrada dos patógenos até os alvéolos.
3. Início da infecção e colonização dos alvéolos
Quando o micro-organismo consegue superar essas defesas, ele chega aos alvéolos, onde
se adere às células epiteliais e começa a se multiplicar. Bactérias como Streptococcus
pneumoniae têm mecanismos específicos de virulência, como cápsula polissacarídica que
impede a fagocitose, facilitando sua sobrevivência e proliferação no pulmão.
4. Ativação da resposta inflamatória
A presença dos patógenos nos alvéolos desencadeia uma forte resposta imune:
• Macrófagos alveolares reconhecem o patógeno e liberam citocinas
inflamatórias (como TNF-α, IL-1, IL-6), recrutando neutrófilos e outras células
inflamatórias para o local.
• Neutrófilos migram para os alvéolos e liberam enzimas e espécies reativas de
oxigênio, que ajudam a destruir os patógenos, mas também causam danos ao
tecido pulmonar.
5. Formação de exsudato alveolar
O recrutamento de células inflamatórias e o aumento da permeabilidade vascular
promovem a extravasão de plasma, proteínas, fibrina e células imunes para dentro dos
alvéolos. Esse fluido inflamatório (exsudato) preenche os espaços alveolares, o que
impede a troca adequada de gases (oxigênio e dióxido de carbono) e leva à hipoxemia.
A evolução da pneumonia pneumocócica pode ser descrita em quatro fases
características, que refletem as mudanças patológicas no pulmão:
a) Fase de congestão (1º ao 2º dia)
• Ocorre nas primeiras 24-48 horas após a infecção.
• O pulmão apresenta uma intensa congestão vascular com extravasamento de
líquido plasmático e hemácias para os alvéolos.
• O tecido pulmonar fica edemaciado e a resposta inflamatória inicial começa com
o acúmulo de neutrófilos no espaço alveolar.
• Os pulmões tornam-se pesados, úmidos e avermelhados.
b) Fase de hepatização vermelha (2º ao 4º dia)
• É o estágio em que o pulmão infectado se torna semelhante a um fígado em
consistência (daí o nome "hepatização").
• Os espaços alveolares são preenchidos por neutrófilos, hemácias, fibrina e
exsudato inflamatório.
• Os pulmões assumem uma coloração vermelha escura devido ao acúmulo de
hemácias e infiltração celular.
• A troca gasosa é severamente prejudicada, levando a hipoxemia e sintomas como
dispneia.
c) Fase de hepatização cinzenta (4º ao 6º dia)
• Ocorre quando há a destruição das hemácias no exsudato alveolar.
• O pulmão assume uma coloração acinzentada devido à presença de neutrófilos,
fibrina e células inflamatórias mortas.
• A inflamação persiste, mas o número de bactérias ativas diminui, sugerindo que
o sistema imunológico está começando a controlar a infecção.
• Os alvéolos continuam preenchidos com exsudato rico em fibrina, o que ainda
compromete a ventilação.
d) Fase de resolução (a partir do 7º dia)
• A partir dessa fase, o sistema imune começa a resolver a infecção.
• Os macrófagos começam a fagocitar os neutrófilos mortos, bactérias, fibrina e
restos celulares.
• O exsudato alveolar é gradualmente reabsorvido ou expectorado, e os alvéolos
começam a recuperar sua função normal.
• A troca gasosa se restaura progressivamente, e os sintomas clínicos começam a
melhorar.
6. Comprometimento da ventilação/perfusão
O acúmulo de exsudato nos alvéolos compromete a ventilação local, enquanto a perfusão
sanguínea continua adequada. Esse desequilíbrio ventilação/perfusão (V/Q) é uma das
principais causas de hipoxemia na PAC. Áreas pulmonares afetadas pela inflamação não
conseguem oxigenar adequadamente o sangue que passa por elas.
7. Manifestação dos sintomas clínicos
As alterações inflamatórias e o comprometimento alveolar na PAC resultam nos seguintes
sinais e sintomas:
• Febre e calafrios: devido à liberação de citocinas inflamatórias;
• Tosse produtiva: frequentemente com expectoração purulenta;
• Dor torácica: geralmente pleurítica (dor ao respirar profundamente), quando há
inflamação da pleura;
• Dispneia: dificuldade respiratória devido à má oxigenação;
• Crepitações ou estertores: sons auscultados nos pulmões devido ao fluido nos
alvéolos.
8. Resolução ou complicações
A resposta imune e o tratamento antimicrobiano adequado promovem a resolução da
infecção. No entanto, se não houver controle eficaz, a PAC pode evoluir para complicações
graves, como:
• Abscesso pulmonar: formação de cavidades purulentas no pulmão;
• Derrame pleural ou empiema: acúmulo de líquido ou pus na cavidade pleural;
• Septicemia: disseminação da infecção para a corrente sanguínea, podendo
causar falência de múltiplos órgãos.
O diagnóstico de pneumonia baseia-se na combinação de avaliação clínica,
exames de imagem e exames laboratoriais para identificar a presença de infecção
pulmonar e seu provável agente etiológico. O tratamento varia de acordo com a
gravidade da pneumonia, o agente causal, e as condições clínicas do paciente.
Diagnóstico da Pneumonia
História Clínica e Exame Físico
História clínica: É importante obter informações sobre os sintomas, como febre, tosse
produtiva, dispneia, dor torácica pleurítica e mal-estar. Fatores de risco, como idade,
comorbidades (diabetes, doenças cardíacas, pulmonares) e hábitos (tabagismo,
alcoolismo), também devem ser avaliados.
• Exame físico: O exame físico pode revelar:
o Taquipneia (respiração rápida);
o Crepitações ou estertores à ausculta pulmonar;
o Redução dos sons respiratórios em áreas de consolidação;
o Sinais de efusão pleural (som maciço à percussão).
Exames de Imagem
Radiografia de tórax: É o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de
pneumonia. Geralmente revela áreas de consolidação (opacidade pulmonar), presença de
derrame pleural ou abscesso pulmonar. Pode ser usada para acompanhar a evolução da
doença.
Tomografia computadorizada (TC) de tórax: Utilizada em casos duvidosos ou para
avaliar melhor complicações, como abscessos ou cavitações, quando a radiografia não é
conclusiva.
Exames Laboratoriais:
Hemograma: Pode revelar leucocitose com desvio à esquerda (aumento de neutrófilos),
indicando infecção bacteriana. Em casos virais, pode haver linfocitose.
Proteína C-reativa (PCR) e procalcitonina: São marcadores inflamatórios que podem
estar elevados em casos de infecção bacteriana e ajudam a avaliar a gravidade da
inflamação.
Gasometria arterial: Útil em casos graves para avaliar o grau de hipoxemia e necessidade
de suporte ventilatório.
Cultura de escarro: Pode identificar o agente etiológico bacteriano, mas sua sensibilidade
é limitada. Deve ser colhida antes do início da antibioticoterapia.
Hemoculturas: Indicadas em pacientes com suspeita de bacteremia ou sepse. A
positividade da hemocultura pode confirmar a presença de Streptococcus pneumoniae ou
outros patógenos.
Teste rápido para influenza ououtros vírus respiratórios: Usado durante surtos de
infecções virais para detectar o agente viral.
Outros Exames Microbiológicos:
Antígeno urinário para Streptococcus pneumoniae ou Legionella pneumophila: Útil
para diagnóstico rápido em pacientes graves.
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Para detecção rápida de patógenos como
Mycoplasma pneumoniae ou vírus respiratórios.
Tratamento da Pneumonia
O tratamento da pneumonia varia de acordo com o agente etiológico (bacteriano, viral,
fúngico) e a gravidade do quadro clínico. Pode ser feito em ambulatório ou requerer
internação hospitalar, dependendo da avaliação do risco e gravidade.
Tratamento Antibiótico (para Pneumonia Bacteriana):
A escolha do antibiótico depende do provável agente etiológico e do ambiente de
aquisição (comunitário ou hospitalar), bem como da resistência antimicrobiana local.
Abaixo estão os regimes terapêuticos mais comuns:
Pneumonia adquirida na comunidade (PAC):
Pacientes sem comorbidades (tratamento ambulatorial):
o Macrolídeo (azitromicina ou claritromicina);
o Alternativa: Doxiciclina.
Pacientes com comorbidades ou uso recente de antibióticos:
o Betalactâmico (amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato) associado a
macrolídeo;
o Alternativa: Fluoroquinolona respiratória (levofloxacino ou
moxifloxacino).
Medidas de Suporte:
Oxigenoterapia: Nos casos de hipoxemia.
Hidratação: Manutenção da hidratação adequada, principalmente em pacientes
febris e com taquipneia.
Analgesia e antipiréticos: Para controle da febre e da dor torácica.
Ventilação mecânica: Em pacientes com insuficiência respiratória grave.
Prevenção:
• Vacinação contra influenza: Reduz a incidência de pneumonia viral e
complicações.
• Vacinação pneumocócica: Importante em grupos de risco, como idosos e
pessoas com doenças crônicas.
• Medidas de higiene: Lavagem de mãos frequente, evitar contato com pessoas
doentes e ambientes muito lotados durante surtos.períodos prolongados. A resistência a drogas
específicas, como a rifampicina e a isoniazida, também pode ocorrer
(tuberculose multirresistente - TB-MDR).
Formas de Transmissão da Tuberculose
• Principal forma de transmissão:
o A transmissão ocorre principalmente pela via respiratória, através da
inalação de aerossóis ou gotículas respiratórias eliminadas por uma
pessoa com tuberculose pulmonar ativa. A tosse, espirro, fala ou até
mesmo o riso de um paciente doente libera essas gotículas, que podem
conter bacilos vivos.
• Condições que facilitam a transmissão:
o Ambientes fechados, mal ventilados e com alta densidade populacional
aumentam o risco de transmissão.
o A exposição prolongada a pessoas infectadas também é um fator de
risco importante.
• Outras formas raras de transmissão:
o Transmissão extrapulmonar: Embora incomum, a tuberculose
extrapulmonar (como tuberculose renal ou meníngea) pode ocorrer sem
transmissão direta entre pessoas, mas não é considerada contagiosa.
o Transmissão congênita: Pode ocorrer de mãe para filho, embora seja
rara.
Epidemiologia
• Regiões de alta prevalência:
A maioria dos casos ocorre em regiões da África Subsaariana, Sudeste Asiático e
partes da Europa Oriental. Países como Índia, China, Indonésia, Filipinas e Nigéria
apresentam alta carga de TB.
• Fatores de risco epidemiológicos:
Imunossupressão: A infecção pelo HIV aumenta significativamente o risco de
reativação da tuberculose. Pacientes imunossuprimidos, como os que usam
medicamentos imunossupressores ou os que sofrem de desnutrição, também
estão em maior risco.
Pobreza e aglomerações: Condições de vida precárias, desnutrição e acesso
limitado a serviços de saúde são fatores que aumentam a propagação da
tuberculose.
• Coinfecção com HIV:
A coinfecção com HIV agrava a epidemia de tuberculose. O HIV enfraquece o
sistema imunológico, aumentando o risco de reativação da TB latente e tornando
o controle da infecção mais difícil.
• Multirresistência (TB-MDR):
A emergência de cepas multirresistentes (TB-MDR e TB-XDR) é um desafio crescente.
Essas cepas são resistentes a pelo menos dois dos principais medicamentos utilizados
no tratamento da TB (isoniazida e rifampicina) e requerem tratamentos mais longos e
caros, com maiores taxas de falha terapêutica.
FATORES DE RISCO
Imunossupressão:
o Infecção pelo HIV: O HIV enfraquece o sistema imunológico, facilitando
a reativação da tuberculose latente e tornando mais difícil controlar a
infecção.
o Uso de imunossupressores: Medicamentos como corticosteroides ou
imunobiológicos diminuem a defesa imunológica, aumentando o risco
de infecção ativa.
o Diabetes mellitus: O diabetes compromete a imunidade, elevando o
risco de tuberculose.
Desnutrição:
o A desnutrição enfraquece o sistema imunológico, diminuindo a
capacidade de combater infecções, incluindo o Mycobacterium
tuberculosis.
Condições socioeconômicas:
o Pobreza: Está associada a condições de vida precárias, como habitações
superlotadas e mal ventiladas, facilitando a transmissão.
o Falta de acesso a cuidados de saúde: Dificulta o diagnóstico precoce e
o tratamento adequado, permitindo que a doença se espalhe.
Contato próximo com infectados:
o A exposição prolongada a indivíduos com tuberculose ativa,
principalmente em ambientes fechados e mal ventilados, aumenta o
risco de transmissão.
Idade avançada:
o O envelhecimento pode enfraquecer o sistema imunológico, facilitando
a reativação de infecções latentes.
Esses fatores contribuem para a vulnerabilidade ao desenvolvimento da
tuberculose, devido à redução das defesas imunes ou à maior exposição à
bactéria.
FISIOPATOLOGIA
1. Infecção Primária
Entrada da bactéria: A infecção ocorre pela inalação de gotículas contendo M.
tuberculosis, que alcançam os alvéolos pulmonares.
Fagocitose pelos macrófagos alveolares: Nos alvéolos, os macrófagos tentam
fagocitar as bactérias. No entanto, o M. tuberculosis desenvolveu mecanismos
para sobreviver dentro dos macrófagos, impedindo a fusão do fagossomo com o
lisossomo, o que o protege da destruição.
2. Resposta Imune Inata e Formação do Granuloma
Ativação de macrófagos e linfócitos: Os macrófagos infectados secretam
citocinas, como o TNF-alfa e IL-12, que recrutam outras células imunes, incluindo
linfócitos T e macrófagos. Essa resposta é fundamental para tentar conter a
infecção.
Formação do granuloma: O organismo tenta isolar o M. tuberculosis formando
um granuloma, uma estrutura composta por macrófagos, células epitelioides,
linfócitos e, eventualmente, células gigantes multinucleadas. No centro do
granuloma, as bactérias podem permanecer viáveis por muito tempo, mas
inativas, em um estado latente.
3. Imunidade Celular Adaptativa
A resposta imune adaptativa, principalmente mediada por linfócitos T CD4+ e
CD8+, tenta controlar a infecção. As células T CD4+ secretam interferon-gama
(IFN-γ), que ativa macrófagos para aumentar sua capacidade de destruir bactérias
intracelulares.
Necrose caseosa: Com o tempo, o centro do granuloma pode sofrer necrose
caseosa, formando uma área de material morto e calcificado, que é uma
característica clássica da tuberculose.
Necrose Caseosa
No centro dos granulomas, se a infecção não for completamente controlada,
ocorre necrose caseosa . A necrose caseosa é uma forma característica de
necrose na tuberculose, em que o tecido necrosado tem uma aparência
esbranquiçada, granular e semelhante ao queijo (“caseoso”).
A necrose caseosa resulta de uma resposta imunológica exagerada e ineficaz,
onde macrófagos infectados, juntamente com o tecido ao redor, morrem devido
a intensa inflamação. As células destruídas formam esse material amorfo e
anucleado.
A necrose caseosa é destrutiva e pode causar cavitação nos pulmões. A formação
de cáries ocorre quando o tecido necrosado é expelido pelas vias aéreas.
Essas cavidades podem abrigar grandes quantidades de bacilos vivos, que são
liberadas durante a tosse, facilitando a transmissão da doença para outras
pessoas.
➔ Divulgação e Progressão
Se o sistema imunológico não conseguir controlar a infecção, os bacilos podem
escapar do granuloma necrosado e se disseminar para outras partes da
transmissão ou até para outros órgãos (disseminação hematogênica).
➔ Características Clínicas e Radiológicas:
Clínica: A tuberculose caseosa geralmente se manifesta com sintomas típicos de
TB ativa, como tosse crônica com expectoração (possivelmente com sangue),
febre, sudorese noturna e perda de peso.
Radiografia/TC: Uma necrose caseosa pode ser observada como áreas de
opacidades heterogêneas, cavidades ou consolidações nos pulmões,
frequentemente em lobos superiores.
4. Infecção Latente
Em muitos casos, o sistema imune consegue conter a bactéria, resultando em uma
infecção latente, na qual o indivíduo é assintomático e não transmite a doença.
No entanto, o bacilo ainda está presente no corpo, em estado de dormência,
podendo reativar-se se a imunidade do hospedeiro diminuir.
5. Reativação da Tuberculose (Tuberculose Ativa)
A reativação ocorre quando o sistema imunológico enfraquece, seja por idade,
desnutrição, infecção por HIV ou uso de medicamentos imunossupressores. As
bactérias que estavam dormentes dentro dos granulomas começam a se
multiplicar, causando necrose tecidual, destruição do parênquima pulmonar e
formação de cavidades.
Sintomas da tuberculose ativa: Tosse crônica (geralmente com expectoração),
febre, sudorese noturna, perda de peso e fadiga são os sinais e sintomas comuns
da tuberculose ativa. A destruição pulmonar leva à liberação de bactérias nas vias
aéreas, tornando o indivíduo contagioso.
6. Disseminação Hematogênica
Em alguns casos, as bactérias podem escapar do pulmão e se disseminar pela
corrente sanguínea para outros órgãos, levando à tuberculose miliar (uma forma
disseminadada doença) ou à tuberculose extrapulmonar (que pode afetar órgãos
como ossos, rins, pleura e meninges).
Diagnóstico
Avaliação Clínica
História clínica: Pacientes com tuberculose apresentam sintomas típicos, como
tosse persistente (geralmente com expectoração), febre, sudorese noturna, perda
de peso e cansaço. A duração dos sintomas, contato com pessoas infectadas e
fatores de risco (como coinfecção com HIV, diabetes, uso de drogas
imunossupressoras) são importantes para a suspeita clínica.
Exame físico: Em alguns casos, pode-se observar linfadenopatia (aumento dos
linfonodos), sinais de derrame pleural, redução dos sons respiratórios ou
crepitações pulmonares.
Exames de Imagem
• Radiografia de tórax: É uma ferramenta importante para avaliar lesões
pulmonares sugestivas de tuberculose. Os achados comuns incluem:
o Infiltrados pulmonares, geralmente nos lobos superiores.
o Cavitações (características de casos mais avançados ou reativação da
doença).
o Adenopatia hilar ou mediastinal.
o Derrame pleural em alguns casos.
• Tomografia computadorizada (TC): A TC pode revelar mais detalhes, como
cavidades menores, adenopatia e áreas de necrose que podem não ser visíveis
na radiografia simples.
Exame Bacteriológico (Microbiológico)
O diagnóstico definitivo da tuberculose é feito pela identificação do
Mycobacterium tuberculosis em amostras clínicas, principalmente de escarro,
através de vários testes laboratoriais:
• Baciloscopia (BAAR - bacilo álcool-ácido resistente):
o A coloração de Ziehl-Neelsen é usada para visualizar os bacilos álcool-
ácido resistentes no escarro. Esse exame permite uma resposta rápida,
mas não é muito sensível em casos com baixa carga bacilar. A presença
de bacilos corados de vermelho é sugestiva de tuberculose ativa.
• Cultura para Mycobacterium tuberculosis:
o Considerado o padrão-ouro para o diagnóstico da tuberculose. O
escarro ou outro material clínico (líquido pleural, biópsias) é cultivado em
meios apropriados (Lowenstein-Jensen, Middlebrook). Esse exame é
mais sensível que a baciloscopia, mas leva tempo (semanas) para obter
resultados devido ao crescimento lento da bactéria.
• Testes moleculares (PCR):
o Os testes baseados em amplificação de DNA, como o GeneXpert
MTB/RIF, detectam o DNA do M. tuberculosis e também podem
identificar a resistência à rifampicina (um dos principais fármacos usados
no tratamento). Esses testes são rápidos, sensíveis e específicos, sendo
altamente recomendados em áreas endêmicas ou em pacientes com
suspeita de tuberculose multirresistente (TB-MDR).
Exames Imunológicos
Esses exames detectam a resposta imunológica do corpo ao M. tuberculosis, mas
não diferenciam entre infecção latente e doença ativa:
• Teste tuberculínico (PPD ou Mantoux):
o Neste teste, é injetada uma pequena quantidade de derivado proteico
purificado (PPD) intradermicamente. Após 48-72 horas, mede-se a
reação local (endurecimento da pele). Uma reação ≥ 5 mm (ou mais,
dependendo do perfil do paciente) é considerada sugestiva de infecção
por M. tuberculosis. No entanto, o teste não distingue entre infecção
latente e ativa e pode ser afetado por vacinação prévia com BCG ou
imunossupressão.
• Teste de liberação de interferon-gama (IGRA):
o Detecta a produção de interferon-gama por linfócitos T em resposta a
antígenos específicos do M. tuberculosis. O IGRA não é influenciado pela
vacina BCG e pode ser mais específico que o PPD. Ele também não
distingue entre tuberculose ativa e latente.
Outros Exames
• Biópsia tecidual:
o Em casos de tuberculose extrapulmonar ou quando outros testes são
inconclusivos, pode ser feita uma biópsia do tecido afetado (pulmão,
linfonodos, pleura, etc.). Na análise histopatológica, observa-se a
presença de granulomas com necrose caseosa e células gigantes de
Langhans. A coloração de Ziehl-Neelsen pode ser usada para identificar
bacilos álcool-ácido resistentes no tecido.
• Teste de sensibilidade a medicamentos (antibiograma):
o Importante para determinar se o M. tuberculosis é resistente a um ou
mais dos medicamentos padrão (como rifampicina e isoniazida). Esse
teste é essencial em áreas com alta prevalência de tuberculose
multirresistente (TB-MDR) e para monitorar falhas no tratamento.
Diagnóstico de Tuberculose Latente
• O diagnóstico de tuberculose latente (infecção sem doença ativa) é feito
principalmente com o teste tuberculínico (PPD) ou o teste de liberação de
interferon-gama (IGRA). Esses exames não confirmam a presença da doença ativa,
mas indicam que o paciente foi exposto ao M. tuberculosis e está infectado de
forma latente.
Tratamento
O tratamento da tuberculose (TB) envolve o uso de uma combinação de
antibióticos por um período prolongado para eliminar o Mycobacterium
tuberculosis e prevenir o surgimento de resistência. A terapia é dividida em duas
fases: fase intensiva e fase de manutenção, com um esquema que depende do
tipo de tuberculose (suscetível ou resistente a medicamentos).
Princípios do Tratamento
Combinação de drogas: O Mycobacterium tuberculosis é uma bactéria de
crescimento lento e com alta capacidade de desenvolver resistência. Por isso, é
necessário o uso de múltiplos fármacos para garantir a eliminação completa da
bactéria e evitar resistência.
Tratamento prolongado: Mesmo após a melhora dos sintomas, o bacilo pode
persistir no organismo, sendo necessária uma terapia de longo prazo (mínimo de
6 meses) para garantir a cura completa.
Supervisão direta: Em muitos casos, recomenda-se a terapia supervisionada
diretamente (DOT - Directly Observed Treatment), em que o profissional de saúde
acompanha a administração dos medicamentos para garantir a adesão ao
tratamento.
Esquema de Tratamento para Tuberculose Pulmonar Sensível (TBDS)
O tratamento padrão da tuberculose pulmonar e extrapulmonar sensível aos
antibióticos é baseado no uso de quatro fármacos principais durante a fase
intensiva e dois fármacos na fase de manutenção.
Fase Intensiva (2 meses):
Isoniazida (H): Bactericida potente, atua inibindo a síntese de ácidos micólicos
na parede celular da bactéria.
Rifampicina (R): Bactericida de amplo espectro, atua inibindo a RNA polimerase
bacteriana, interferindo na síntese de RNA.
Pirazinamida (Z): Bactericida em meio ácido, eficaz contra bacilos intracelulares,
especialmente em ambientes com pH baixo, como nos granulomas e cavidades
pulmonares.
Etambutol (E): Bacteriostático, inibe a síntese da parede celular. Geralmente
usado para evitar resistência à isoniazida e rifampicina.
Esquema: Os 4 fármacos (H, R, Z, E) são administrados diariamente ou três vezes
por semana durante 2 meses (fase intensiva).
Fase de Manutenção (4 meses):
Isoniazida (H) e Rifampicina (R) continuam sendo administradas, mas a
pirazinamida e o etambutol são suspensos.
Esquema: H e R são administrados diariamente ou três vezes por semana durante
4 meses (fase de manutenção).
Duração total: O tratamento dura pelo menos 6 meses, sendo 2 meses de fase
intensiva e 4 meses de fase de manutenção. Para casos de TB meningoencefálica
ou ósteo-articular, o tratamento pode ser estendido por 9 a 12 meses.
Tratamento da Tuberculose Latente (TBL)
Para pacientes com tuberculose latente (não apresentam sintomas e não têm
evidência de doença ativa), o objetivo é prevenir a reativação. O tratamento é
geralmente com:
Isoniazida por 6 a 9 meses.
Alternativamente, pode ser usada Rifampicina por 4 meses ou Isoniazida
associada à Rifapentina semanalmente por 3 meses (sob supervisão direta).
Tratamento da Tuberculose Resistente a Múltiplos Fármacos (TB-MDR)
A TB resistente a múltiplos fármacos (TB-MDR) é definida pela resistência pelo
menos à Isoniazida e Rifampicina, os dois principais fármacos usados no
tratamento da tuberculose.
O tratamento da TB-MDR é mais prolongado e complexo, utilizando drogas desegunda linha:
Fluoroquinolonas (como Levofloxacina ou Moxifloxacina).
Aminoglicosídeos (como Amicacina ou Estreptomicina) ou Capreomicina.
Etionamida ou Protionamida.
Cicloserina ou Ácido para-aminosalicílico (PAS).
Bedaquilina e Delamanid são medicamentos mais novos, usados em casos
graves ou com resistência extensa.
Duração do tratamento: O tratamento da TB-MDR pode durar de 18 a 24 meses
ou mais, dependendo da resposta do paciente e do perfil de resistência da
bactéria.
Tratamento da Tuberculose Extensivamente Resistente (TB-XDR)
A TB-XDR é ainda mais grave, sendo resistente à isoniazida, rifampicina,
fluoroquinolonas e pelo menos um dos fármacos injetáveis de segunda linha
(como amicacina, capreomicina ou canamicina).
O tratamento é feito com esquemas individualizados, que incluem:
Bedaquilina, Delamanid, Linezolida e outros fármacos de segunda linha.
Duração: O tratamento da TB-XDR é ainda mais prolongado, podendo
ultrapassar 24 meses, e requer supervisão estreita por especialistas em
tuberculose.
Efeitos Adversos e Monitoramento
Durante o tratamento, é importante monitorar o paciente para efeitos adversos
dos medicamentos, que incluem:
Hepatotoxicidade (isoniazida, rifampicina, pirazinamida).
Neurite óptica (etambutol).
Neuropatia periférica (isoniazida, especialmente em pacientes com risco, como
diabéticos ou desnutridos — prevenção com vitamina B6 - piridoxina).
Interações medicamentosas (rifampicina pode reduzir a eficácia de outros
medicamentos, como anticoncepcionais e antirretrovirais).
O monitoramento regular inclui exames de função hepática, avaliação
oftalmológica (para etambutol) e acompanhamento clínico para avaliar a adesão
e resposta ao tratamento.
Prevenção da Resistência
A resistência aos medicamentos ocorre quando há uso incorreto ou interrompido
do tratamento. Para evitar isso:
Adesão rigorosa ao tratamento: É crucial que o paciente siga rigorosamente o
regime prescrito.
Terapia supervisionada diretamente (DOT): Esse método é recomendado para
garantir que os pacientes tomem as doses corretas sob supervisão de um
profissional de saúde.
Conclusão
O tratamento da tuberculose é eficaz quando seguido adequadamente, com uma
combinação de drogas durante um período prolongado. A adesão ao tratamento
é essencial para prevenir recaídas e a emergência de resistência. Nos casos de
tuberculose resistente, o tratamento é mais longo e complexo, exigindo
medicamentos de segunda linha e monitoramento rigoroso.
APG 16 ASMA
Doença crônica da via aérea de condução, causada por uma reação imunológica, causada
por broncoconstrição devido ao aumento da sensibilidade das vias aéreas a uma
variedade de estímulos, inflação das paredes brônquicas e aumento da secreção
mucosa.
Epidemiologia
Prevalência: A asma é uma das doenças crônicas mais comuns em todo o mundo. A
estimativa global é de que cerca de 300 milhões de pessoas sejam afetadas. No Brasil,
estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas tenham asma, sendo a prevalência maior
em crianças e adolescentes.
Distribuição geográfica: A prevalência da asma varia entre os países, sendo geralmente
maior em países ocidentalizados e urbanos, como Estados Unidos, Reino Unido e
Austrália. Em países em desenvolvimento, a prevalência é mais baixa, mas está em
ascensão, provavelmente devido à urbanização e mudanças nos estilos de vida.
Faixa etária: A asma frequentemente se inicia na infância, com a maioria dos casos
diagnosticados antes dos 5 anos de idade. Entretanto, pode aparecer em qualquer faixa
etária. É mais comum e grave em crianças, mas muitos adultos também apresentam a
doença.
Gênero: Durante a infância, a asma é mais prevalente em meninos, mas na adolescência
essa diferença diminui, e, na idade adulta, as mulheres tendem a ser mais afetadas que os
homens.
Etiologia
A etiologia da asma envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais, levando
à inflamação crônica e à hiperresponsividade das vias aéreas.
• Fatores Genéticos:
O principal fator de risco para o desenvolvimento de asma é uma predisposição genética
para a produção de uma resposta mediada pela imunoglobulina E (IgE – envolvido na
manifestação de reações alérgicas e inflamação) a alergênicos comuns.
Crianças de pais asmáticos têm maior risco de desenvolver a doença.
• Fatores Ambientais:
Alergênicos: A exposição a alérgenos como ácaros, pelos de animais, pólen e mofo é um
dos principais fatores desencadeantes da asma, especialmente em indivíduos com
predisposição atópica.
Infecções respiratórias virais: Infecções virais, especialmente causadas pelo vírus sincicial
respiratório (VSR) e pelo rinovírus, são importantes fatores desencadeantes de crises
asmáticas, especialmente em crianças.
Tabagismo: A exposição ao tabaco, tanto ativo quanto passivo, está fortemente associada
ao desenvolvimento e piora da asma.
Poluição atmosférica: Poluentes como dióxido de enxofre, ozônio e material particulado
podem induzir ou agravar a asma, especialmente em ambientes urbanos.
Exposição ocupacional: Certos ambientes de trabalho expõem os indivíduos a irritantes
respiratórios que podem levar ao desenvolvimento da asma ocupacional, como poeira,
produtos químicos e gases.
Fatores dietéticos: Deficiências nutricionais, como a falta de vitaminas antioxidantes (C, E)
e ácidos graxos ômega-3, têm sido associadas à maior suscetibilidade à asma.
• Outros fatores:
Obesidade: Há uma associação crescente entre obesidade e asma, provavelmente devido
a efeitos mecânicos, inflamatórios e metabólicos.
Atopia: A atopia, definida como a predisposição genética para desenvolver reações
alérgicas, é um dos principais fatores de risco para a asma. Indivíduos atópicos
frequentemente apresentam níveis elevados de IgE sérica e hipersensibilidade a
múltiplos alérgenos.
Fatores de risco para asma
Obesidade: Existe uma forte associação entre obesidade e asma, particularmente em
adultos. A obesidade pode aumentar a inflamação sistêmica e afetar a mecânica
respiratória, agravando os sintomas asmáticos.
Sedentarismo: Indivíduos fisicamente inativos têm maior tendência a desenvolver asma ou
agravar a condição, devido à pior função pulmonar e ao maior acúmulo de gordura
corporal.
Dieta pobre em antioxidantes: Baixos níveis de vitaminas antioxidantes, como vitamina C,
E e ácidos graxos ômega-3, têm sido associados a um aumento do risco de asma.
Uso de antibióticos na infância: Estudos sugerem que o uso excessivo de antibióticos na
infância pode alterar a microbiota intestinal e aumentar o risco de doenças alérgicas,
incluindo a asma.
Estresse e ansiedade: O estresse emocional e psicológico está associado ao agravamento
da asma. Crises de ansiedade podem desencadear broncoespasmos e exacerbar os
sintomas respiratórios.
A asma pode ser classificada em diferentes tipos, com base em características clínicas,
fatores desencadeantes e mecanismos subjacentes. Aqui estão os principais tipos:
Classificação da Asma
Asma Alérgica (Atópica)
• Causada por alérgenos (ácaros, pólen, pelos de animais).
• Associada a outras doenças alérgicas, como rinite alérgica e eczema.
• Geralmente começa na infância e está associada à produção elevada de IgE.
Asma Não Alérgica
• Não envolve sensibilização a alérgenos.
• Desencadeada por fatores como infecções respiratórias, estresse, poluição,
mudanças climáticas.
• Mais comum em adultos.
Asma Induzida por Exercício
• Sintomas desencadeados pelo exercício físico.
• A broncoconstrição ocorre após a atividade física, especialmente em ambientes
frios ou secos.
Asma Ocupacional
• Associada à exposição a substâncias no ambiente de trabalho (poeira, produtos
químicos).
• Sintomas melhoram fora do ambiente de trabalho.
Asma de Início Tardio
• Início na vida adulta, geralmente em pessoas sem história anterior de asma ou
alergia.
• Frequentementemais difícil de controlar e menos responsiva aos
corticosteroides.
Asma com Obesidade
• Pacientes obesos apresentam sintomas asmáticos, com menor inflamação
eosinofílica.
• A mecânica respiratória alterada pela obesidade agrava a dispneia.
Fisiopatologia
1. Exposição aos Fatores Desencadeantes (Estímulo Inicial)
O primeiro passo na fisiopatologia da asma envolve a exposição a fatores
desencadeantes, como alérgenos (ácaros, pólen, mofo, pelos de animais), poluentes
ambientais, fumaça de cigarro, infecções respiratórias, mudanças climáticas ou estresse.
Em indivíduos predispostos, essas substâncias ativam o sistema imunológico de maneira
exacerbada.
2. Sensibilização e Ativação Imunológica
Em pessoas com predisposição atópica (com tendência a reações alérgicas):
• A exposição a alérgenos estimula células dendríticas no epitélio brônquico, que
apresentam o antígeno aos linfócitos T.
• Os linfócitos T CD4⁺ são ativados e se diferenciam em linfócitos Th2, que
produzem citocinas inflamatórias como IL-4, IL-5 e IL-13. Essas citocinas:
o IL-4 e IL-13: Estimulam a produção de IgE pelas células B.
o IL-5: Recruta e ativa eosinófilos, que são células inflamatórias chave na
asma.
o IgE: Se liga a receptores de alta afinidade em mastócitos, tornando-os
prontos para responder a futuras exposições ao alérgeno.
3. Desencadeamento da Resposta Imunológica (Reação Alérgica)
Após a sensibilização inicial, em uma
nova exposição ao alérgeno:
• Os mastócitos sensibilizados pela IgE
se degranulam rapidamente, liberando
mediadores inflamatórios como
histamina, leucotrienos,
prostaglandinas e bradicinina. Estes
mediadores induzem as seguintes
respostas:
o Broncoconstrição aguda:
Contração do músculo liso brônquico,
levando à obstrução das vias aéreas.
o Vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular: Resulta em
edema da mucosa brônquica.
o Secreção excessiva de muco: As glândulas mucosas nos brônquios
aumentam a produção de muco viscoso, exacerbando a obstrução das
vias aéreas.
4. Inflamação Crônica das Vias Aéreas
A inflamação das vias aéreas é um processo persistente na asma, mesmo entre crises.
Diversas células estão envolvidas:
Eosinófilos: Células inflamatórias que liberam
proteínas tóxicas, como proteína básica
maior (MBP) e proteína catiônica
eosinofílica, que causam danos ao epitélio
respiratório e perpetuam a inflamação.
Mastócitos, macrófagos e linfócitos T:
Continuam a produzir mediadores
inflamatórios que contribuem para o processo
inflamatório prolongado.
O recrutamento contínuo de células
inflamatórias aumenta a inflamação, levando à
disfunção das vias aéreas e à perpetuação do
processo asmático.
5. Hiperresponsividade Brônquica
Com o tempo, as vias aéreas tornam-se hiper-responsivas, ou seja, reagem de forma
exagerada a uma série de estímulos (alérgenos, poluentes, ar frio, exercícios, estresse). A
hiper-responsividade é causada pelo aumento da inflamação e pelo remodelamento das
vias aéreas, resultando em contração do músculo liso brônquico com muito mais
facilidade.
6. Remodelamento das Vias Aéreas (Em Casos Crônicos)
Em casos de asma não
controlada ou de longa
duração, ocorre o
remodelamento das vias
aéreas, que se refere a
mudanças estruturais
permanentes nas vias
respiratórias. Isso inclui:
• Hipertrofia e hiperplasia do músculo liso brônquico: Ocorre aumento do
número e do tamanho das células musculares lisas, o que contribui para a
obstrução crônica.
• Hiperplasia das glândulas mucosas: A produção excessiva de muco se torna
persistente, exacerbando a obstrução das vias aéreas.
• Deposição de colágeno e fibrose subepitelial: As vias aéreas tornam-se mais
rígidas e espessadas, reduzindo a elasticidade.
• Perda do epitélio brônquico: O dano crônico ao epitélio respiratório pode levar
à perda de sua integridade, tornando as vias aéreas mais vulneráveis a novos
insultos.
Manifestações Clínicas
As alterações fisiopatológicas levam aos sintomas característicos da asma, incluindo:
• Dispneia (falta de ar)
• Sibilos (chiado no peito)
• Tosse (geralmente pior à noite ou pela manhã)
• Opressão torácica
• Obstrução das vias aéreas variável e reversível, visível em testes de função
pulmonar, como a espirometria.
Diagnóstico
História Clínica
A história do paciente é fundamental no diagnóstico da asma. Deve-se buscar identificar
sintomas típicos e fatores desencadeantes. Os principais aspectos a serem avaliados
são:
• Sintomas: Os sintomas da asma são variáveis e frequentemente intermitentes. Os
principais incluem:
o Dispneia (falta de ar)
o Sibilos (chiado no peito)
o Tosse (particularmente à noite ou de madrugada)
o Sensação de aperto no peito
Esses sintomas podem piorar com fatores desencadeantes como exercício, exposição a
alérgenos (pólen, ácaros), infecções virais, poluição, ar frio ou mudanças emocionais.
• Variabilidade dos sintomas: A asma é caracterizada pela variabilidade dos
sintomas ao longo do tempo. Os sintomas podem se agravar à noite ou nas
primeiras horas da manhã e podem ser intermitentes ou diários.
• História pessoal ou familiar de atopia: A presença de doenças alérgicas, como
rinite alérgica, eczema ou histórico familiar de asma, aumenta a suspeita.
• História ocupacional: Alguns pacientes podem desenvolver asma ocupacional,
com sintomas relacionados à exposição a substâncias no ambiente de trabalho
(químicos, poeiras).
2. Exame Físico
O exame físico nem sempre revela sinais característicos fora das crises asmáticas. Durante
as crises, os principais achados podem incluir:
• Sibilos (chiados) audíveis durante a expiração, principalmente ao usar o
estetoscópio.
• Prolongamento da fase expiratória (tempo maior para expirar o ar).
• Uso de musculatura acessória nos casos mais graves (movimento exagerado dos
músculos do pescoço e tórax para respirar).
No entanto, entre as crises, o exame físico pode ser normal, o que reforça a importância
dos exames complementares.
3. Exames Complementares
a) Espirometria (Prova de Função Pulmonar)
A espirometria é o exame mais importante para o diagnóstico da asma. Avalia a função
pulmonar, medindo a capacidade de fluxo de ar pelas vias aéreas. Os parâmetros mais
relevantes incluem:
• VEF1 (Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo): Mede o volume de
ar expirado no primeiro segundo de uma expiração forçada. Na asma, o VEF1 está
reduzido, indicando obstrução das vias aéreas.
• CVF (Capacidade Vital Forçada): Mede o volume total de ar que pode ser
expelido após uma inspiração máxima.
• Índice de Tiffeneau (VEF1/CVF): Um índice abaixo de 0,75-0,80 sugere
obstrução.
• Teste de reversibilidade: A espirometria é repetida após a inalação de um
broncodilatador (ex. salbutamol). Um aumento de 12% ou mais no VEF1 e um
ganho de pelo menos 200 mL após o uso do broncodilatador é considerado
positivo para reversibilidade, confirmando o diagnóstico de asma.
b) Pico de Fluxo Expiratório (PFE)
O pico de fluxo expiratório é um exame simples que mede a velocidade máxima de
expiração (fluxo de ar) através de um dispositivo portátil. É útil no monitoramento diário da
asma e na identificação de variações diurnas (diferença significativa entre medidas feitas
pela manhã e à noite). Variações maiores que 20% sugerem o diagnóstico de asma.
c) Teste de Provocação Brônquica
Esse teste é indicado quando a espirometria é normal, mas a suspeita de asma persiste. O
paciente inala substâncias (como metacolina ou histamina) que causam broncoconstrição.
Se houver queda do VEF1 maior que 20% após a exposição, o teste é considerado
positivo.
d) Exames Alérgicos
Se houver suspeita de que a asma seja desencadeada por alérgenos, podem ser realizados
exames como:
• Teste cutâneo de alergia (teste de puntura): Identifica sensibilização a alérgenos
ambientais comuns.
• Dosagem de IgE específica:Pode confirmar sensibilização a alérgenos
específicos.
e) Radiografia de Tórax
Embora a radiografia de tórax geralmente seja normal em pacientes asmáticos, ela pode
ser usada para descartar outras condições pulmonares que possam mimetizar os sintomas
da asma (como pneumonia, insuficiência cardíaca ou pneumotórax).
4. Diagnóstico Diferencial
É importante diferenciar a asma de outras condições que também causam dispneia, sibilos
e tosse, como:
• Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): Geralmente em pacientes
fumantes e mais velhos, com obstrução irreversível.
• Bronquiolite (em crianças pequenas)
• Insuficiência cardíaca
• Corpo estranho em vias aéreas (em crianças ou idosos)
• Fibrose cística
5. Critérios Diagnósticos
O diagnóstico de asma baseia-se na combinação de:
• História clínica sugestiva (sintomas intermitentes e variáveis)
• Evidência objetiva de obstrução das vias aéreas na espirometria com
reversibilidade significativa após broncodilatador ou variação no pico de fluxo
expiratório.
Tratamento
a) Medicações de Resgate (Tratamento das Crises)
• Broncodilatadores de curta duração (ex. salbutamol): Usados para alívio rápido
dos sintomas agudos de broncoespasmo. São administrados por inaladores de
dose medida ou nebulização.
b) Medicamentos de Controle (Tratamento de Manutenção)
Esses medicamentos são usados para reduzir a inflamação e prevenir crises. O tratamento
de controle é indicado para crianças com sintomas frequentes ou crises graves.
• Corticosteroides inalatórios (ex. beclometasona, budesonida): São os
medicamentos de primeira linha para controle da asma. Reduzem a inflamação
crônica das vias aéreas.
Mecanismo de ação: eles inibem a fosfolipase A2, que bloqueia a liberação de ácidos
araquidônico (o precursor de prostaglandinas e leucotrienos) dos fosfolipídeos ligados a
membrana acredita-se que a diminuição da produção de prostaglandinas e leucotrienos é
fundamental a ação anti-inflamatória
• Antagonistas dos leucotrienos (ex. montelucaste): Podem ser usados como
terapia adjuvante ou em crianças que não toleram corticosteróides.
• Broncodilatadores de longa duração (ex. salmeterol): Usados em associação
com corticosteróides inalatórios em casos de asma moderada a grave.
c) Outras Medidas
• Educação e controle ambiental: É importante educar a família e a criança sobre
a asma, incluindo o uso correto de medicamentos e a identificação de fatores
desencadeantes (como ácaros, mofo, pelos de animais). A prevenção de alergias
e o controle ambiental são essenciais.
• Vacinação: A vacinação contra a gripe e a pneumonia (pneumocócica) é
recomendada para prevenir complicações respiratórias.
• Plano de ação individual: Cada criança deve ter um plano de ação escrito,
orientando o que fazer em caso de piora dos sintomas ou crise asmática.
d) Tratamento de Crises Graves
• Em crises asmáticas graves, pode ser necessário o uso de broncodilatadores de
curta duração em doses repetidas, corticosteróides sistêmicos (orais ou
intravenosos) e até suporte ventilatório em ambiente hospitalar.
Hipersensibilidade tipo 1
A hipersensibilidade do tipo I, também conhecida como reação alérgica imediata ou
reação mediada por IgE, é uma resposta imune exagerada e imediata que ocorre quando
o sistema imunológico reage a um alérgeno inofensivo, como pólen, ácaros, alimentos,
medicamentos, veneno de insetos, entre outros. Ela é responsável por condições alérgicas
como a asma alérgica, rinite alérgica, urticária, anafilaxia, entre outras. A resposta
envolve a produção de anticorpos IgE e a ativação de mastócitos e basófilos, resultando
em liberação de mediadores inflamatórios, como a histamina.
Etapas da Hipersensibilidade do Tipo I:
1. Sensibilização Inicial:
o Quando uma pessoa é exposta pela primeira vez a um alérgeno, o
sistema imunológico o reconhece como uma substância potencialmente
perigosa.
o As células apresentadoras de antígenos (APCs), como as células
dendríticas, capturam o alérgeno e o processam, apresentando-o aos
linfócitos T auxiliares (Th2).
o As células Th2 liberam citocinas, como IL-4 e IL-13, que promovem a
diferenciação de linfócitos B em plasmócitos capazes de produzir
anticorpos IgE específicos contra aquele alérgeno.
o Esses anticorpos IgE se ligam aos receptores de alta afinidade (FcεRI)
presentes na superfície de mastócitos e basófilos, "sensibilizando"
essas células.
2. Exposição Repetida ao Alérgeno:
o Na segunda exposição ao mesmo alérgeno, ele se liga aos anticorpos
IgE que estão ancorados nos mastócitos e basófilos, provocando a
agregação dos receptores de IgE.
o Essa agregação desencadeia a degranulação dos mastócitos e
basófilos, liberando mediadores inflamatórios, como:
▪ Histamina: Principal responsável pelos sintomas imediatos,
como vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular
(edema), contração do músculo liso (broncoespasmo) e prurido.
▪ Prostaglandinas e leucotrienos: Contribuem para a
inflamação, broncoconstrição, aumento da produção de muco
e permeabilidade vascular.
▪ Citocinas (como IL-4, IL-5 e IL-13): Amplificam a resposta
inflamatória e recrutam outras células imunológicas, como
eosinófilos.
3. Fase Aguda (Imediata):
o Ocorre logo após a exposição ao alérgeno (em minutos), caracterizada
por sintomas como:
▪ Broncoconstrição (em asma alérgica).
▪ Vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar,
levando a edema (urticária ou angioedema).
▪ Rinite e prurido (nas reações alérgicas nasais).
▪ Anafilaxia em casos mais graves, que envolve hipotensão,
edema de glote e risco de morte.
4. Fase Tardia (4-12 horas após a exposição):
o Além da fase aguda, a resposta inflamatória continua na fase tardia, com
recrutamento de eosinófilos, neutrófilos e linfócitos para o local da
reação.
o Essa fase contribui para a perpetuação da inflamação e dos sintomas,
como nos casos de asma alérgica persistente.
Resumo:
A hipersensibilidade do tipo I é um processo que envolve:
1. Produção de IgE em resposta a um alérgeno.
2. Sensibilização de mastócitos e basófilos com IgE.
3. Na reexposição ao alérgeno, liberação de histamina e outros mediadores
inflamatórios.
4. Sintomas alérgicos imediatos e, em casos mais graves, anafilaxia.
Essa reação exagerada visa a defesa do organismo, mas nos alérgicos ocorre de forma
inadequada, causando sintomas que variam de leves a potencialmente fatais.
APG 17 - DPOC
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória crônica que
causa obstrução progressiva e irreversível das vias aéreas, dificultando a passagem do
ar para dentro e fora dos pulmões. A DPOC inclui duas doenças principais:
1. Enfisema pulmonar: Caracteriza-se pela destruição dos alvéolos pulmonares
(estruturas onde ocorrem as trocas gasosas), resultando em aprisionamento de ar
e dificuldade para a expiração.
2. Bronquite crônica: Definida pela inflamação das vias aéreas e produção
excessiva de muco, levando a tosse crônica produtiva (por pelo menos 3 meses
em 2 anos consecutivos) e dificuldade respiratória.
EPIDEMIOLOGIA
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um problema de saúde pública global,
sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade. Conforme a Organização
Mundial da Saúde (OMS), a DPOC é a terceira principal causa de morte no mundo,
responsável por cerca de 3 milhões de mortes anuais, representando aproximadamente
6% de todas as mortes globais.
• Prevalência global: Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas tenham
DPOC em todo o mundo.
• Prevalência regional: A prevalência da DPOC varia amplamente de país para
país, com taxas mais elevadas em regiões com maior exposição ao tabagismo e
poluentes ambientais. Países de baixa e média renda apresentam maior
prevalência devido à exposição a combustíveis sólidos e menor acesso a
cuidados de saúde adequados.
• Incidência:A DPOC tem uma incidência que tende a aumentar com a idade. É
mais frequente em pessoas com mais de 40 anos, e sua prevalência aumenta
significativamente em faixas etárias mais avançadas.
Tendências por sexo:
• Historicamente, a DPOC foi mais comum em homens devido a taxas mais
elevadas de tabagismo. No entanto, com o aumento do consumo de tabaco entre
as mulheres, a prevalência está se igualando entre os sexos em muitos países.
ETIOLOGIA DA DPOC
Tabagismo: Principal causa da DPOC, responsável por 80-90% dos casos.
O fumo danifica as células do pulmão, desencadeando inflamação e destruição alveolar
(enfisema) e aumento da produção de muco (bronquite crônica).
Exposição a poluentes ambientais e ocupacionais:
o Fumaça de biomassa: Muito comum em países em desenvolvimento,
onde é utilizada como combustível para cozinhar ou aquecer.
o Exposição ocupacional: Trabalhadores expostos a poeiras, produtos
químicos e fumaça têm maior risco de desenvolver DPOC.
Infecções respiratórias na infância: Infecções respiratórias graves na infância podem
estar associadas ao desenvolvimento de DPOC na idade adulta.
Fatores genéticos: A deficiência de alfa-1-antitripsina, uma condição hereditária rara,
predispõe ao desenvolvimento precoce de enfisema.
FATORES DE RISCO
→ Tabagismo, poluição do ar, exposição ocupacional, Idade, História de infecções
respiratórias, Fatores socioeconômicos
FISIOPATOLOGIA
A fisiopatologia da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) é um processo
complexo e multifatorial que envolve inflamação crônica, destruição dos alvéolos e
obstrução das vias aéreas. Abaixo explico o desenvolvimento dessa doença em etapas,
detalhando os mecanismos patológicos envolvidos.
1. Exposição a Fatores Desencadeantes
A DPOC é causada principalmente por fatores ambientais que agridem os pulmões ao
longo de anos. Os mais comuns são:
• Tabagismo (principal causa).
• Exposição ocupacional (poeira, produtos químicos).
• Poluição do ar (doméstica e ambiental).
• Infecções respiratórias na infância e fatores genéticos, como a deficiência de
alfa-1 antitripsina.
Esses agentes irritantes crônicos causam danos persistentes às vias aéreas e ao
parênquima pulmonar, desencadeando uma resposta inflamatória.
2. Resposta Inflamatória Crônica
Com a exposição contínua a esses irritantes, ocorre uma inflamação crônica nas vias aéreas
e nos alvéolos. Na DPOC, essa inflamação envolve:
• Infiltração de células inflamatórias: Principalmente macrófagos, neutrófilos e
linfócitos T CD8+.
• Liberação de mediadores inflamatórios: Citocinas, quimiocinas, proteases e
espécies reativas de oxigênio (ROS), que provocam danos no tecido pulmonar.
Essa inflamação crônica leva à produção excessiva de muco e à destruição da estrutura
pulmonar.
3. Obstrução das Vias Aéreas
A inflamação nas pequenas vias aéreas (bronquíolos) resulta em várias alterações
patológicas, incluindo:
• Hiperplasia das células caliciformes e das glândulas submucosas, que
produzem muco excessivo.
• Edema e fibrose das paredes brônquicas, que estreitam o lúmen dos
bronquíolos.
• Destruição do epitélio ciliar, prejudicando a eliminação do muco e facilitando a
colonização bacteriana e exacerbações.
Essas alterações reduzem o diâmetro das vias aéreas, dificultando a passagem do ar,
especialmente durante a expiração. Com o tempo, isso resulta em obstrução irreversível
das vias aéreas.
3. Destruição Alveolar (Enfisema)
Nos pulmões, a inflamação crônica e o
estresse oxidativo causam a liberação
de proteases, como elastase, que
degradam as fibras elásticas e as
paredes dos alvéolos, levando ao
enfisema. O enfisema envolve:
• Destruição das paredes alveolares,
resultando na fusão dos alvéolos em
espaços aéreos maiores e menos
eficientes.
• Perda da elasticidade pulmonar, o que compromete a capacidade dos pulmões
de expulsar o ar de forma adequada.
Essa destruição alveolar leva ao aprisionamento de ar (hiperinsuflação) e à diminuição
da superfície para trocas gasosas, prejudicando a oxigenação do sangue e a eliminação
de dióxido de carbono.
5. Aprisionamento de Ar e Hiperinsuflação Pulmonar
Com o estreitamento das vias aéreas e a perda de elasticidade dos alvéolos, o ar fica
aprisionado nos pulmões, principalmente durante a expiração. Isso resulta em:
• Hiperinsuflação pulmonar: O tórax permanece inflado, o que aumenta o esforço
respiratório.
• A expiração se torna dificultada e menos eficaz, levando a uma retenção
progressiva de ar nos pulmões.
Essa hiperinsuflação é um dos principais fatores que causam a dispneia (falta de ar) na
DPOC, que inicialmente surge durante o esforço, mas evolui para ocorrer mesmo em
repouso.
6. Alterações Vasculares Pulmonares
O processo inflamatório crônico também afeta os vasos sanguíneos pulmonares,
causando:
• Espessamento da parede das arteríolas pulmonares.
• Vasoconstrição hipóxica: Os vasos pulmonares se contraem em áreas mal
ventiladas, aumentando a resistência vascular.
Isso leva à hipertensão pulmonar, que pode evoluir para cor pulmonale (insuficiência
cardíaca direita) em estágios avançados da doença.
7. Exacerbações
A inflamação e o aprisionamento de muco predispõem a infecções respiratórias, como
pneumonias, que podem causar exacerbações da DPOC. Essas exacerbações são
episódios agudos de piora dos sintomas (dispneia, tosse, produção de escarro),
frequentemente desencadeados por infecções virais ou bacterianas.
Cada exacerbação acelera a progressão da doença e está associada a um maior declínio
da função pulmonar.
8. Insuficiência Respiratória
Nos estágios avançados da DPOC, a combinação de:
• Obstrução das vias aéreas.
• Hiperinsuflação pulmonar.
• Destruição alveolar.
• Alterações vasculares.
... leva à incapacidade dos pulmões de realizar as trocas gasosas adequadamente,
resultando em hipoxemia (baixos níveis de oxigênio no sangue) e hipercapnia (retenção
de dióxido de carbono).
Isso pode evoluir para insuficiência respiratória crônica, necessitando de oxigenoterapia
contínua e, em alguns casos, ventilação mecânica.
Resumo do Processo Fisiopatológico da DPOC:
1. Exposição a irritantes (como fumaça de cigarro) causa inflamação crônica nas
vias aéreas e nos alvéolos.
2. Inflamação crônica leva à produção excessiva de muco, fibrose e estreitamento
das vias aéreas.
3. Destruição dos alvéolos e perda da elasticidade causam enfisema e
aprisionamento de ar.
4. Ocorre obstrução progressiva e irreversível das vias aéreas, dificultando a
ventilação.
5. A hiperinsuflação pulmonar leva à dificuldade respiratória crônica e à dispneia.
6. Com o tempo, surgem complicações vasculares (hipertensão pulmonar) e
insuficiência respiratória.
Esse processo resulta em declínio progressivo da função pulmonar, piora dos sintomas e
aumento do risco de complicações, como insuficiência respiratória e cor pulmonale.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Tosse crônica
• Produtiva ou não produtiva (seca), mas geralmente associada à produção de
escarro, especialmente nas manhãs.
• Associada à hipersecreção de muco e inflamação das vias aéreas, especialmente
em pacientes com bronquite crônica.
Expectoração
• Produção de escarro geralmente esbranquiçado, mas pode ser purulento
durante infecções ou exacerbações.
• Presença de secreção mucosa ou muco purulento, comum na bronquite crônica.
• A expectoração tende a ser mais evidente pela manhã ("tosse matinal").
Dispneia (Falta de ar)
• Inicialmente, a dispneia ocorre aos esforços (durante atividades físicas), mas, à
medida que a doença progride, surge também em repouso.
• Pode ser descrita pelo paciente como uma sensação de "não conseguir encher os
pulmões" ou dificuldade para expirar completamente o ar.
Sibilos
• Chiado no peito é comum, especialmente durante exacerbações, devido ao
estreitamento das vias aéreas.
• Os sibilos podem ser audíveis espontaneamenteou à ausculta pulmonar,
especialmente durante a expiração.
Cianose: Comum em pacientes com bronquite crônica severa ("blue bloaters"), onde a
oxigenação é mais comprometida.
Padrão respiratório alterado, Taquipneia, Prolongamento da fase expiratória, Uso da
musculatura acessória (músculos do pescoço e intercostais),
Cor pulmonale (insuficiência cardíaca direita)
• Nos estágios avançados da DPOC, pode ocorrer hipertensão pulmonar devido
à vasoconstrição em áreas pulmonares mal ventiladas.
• Isso pode levar a cor pulmonale, que é a dilatação e insuficiência do ventrículo
direito do coração, causando sintomas como edema periférico (inchaço das
pernas) e ingurgitamento jugular.
Exacerbações
• A DPOC é caracterizada por episódios de piora aguda dos sintomas, chamados
de exacerbações.
• As exacerbações podem ser desencadeadas por infecções respiratórias (virais ou
bacterianas), exposição a poluentes ou fatores ambientais, e são marcadas por
aumento da tosse, produção de escarro purulento, dispneia intensa e fadiga.
• Exacerbações frequentes aceleram o declínio da função pulmonar e aumentam a
mortalidade.
Quadro Clínico de Subtipos da DPOC:
A DPOC pode se manifestar em dois subtipos principais, embora muitos pacientes
apresentem características mistas:
1. Bronquite crônica predominante ("Blue Bloater") pletórico azulado
• Tosse com produção crônica de escarro.
• Tendência a cianose devido à hipoxemia.
• Menor perda de peso, mas com edema periférico e sinais de insuficiência
cardíaca direita (cor pulmonale).
2. Enfisema predominante ("Pink Puffer") Soprador rosado
• Dispneia mais proeminente e taquipneia.
• Perda de peso acentuada e musculatura torácica hipertrofiada devido ao
esforço respiratório.
• Menor cianose, mas com uso de musculatura acessória e padrão respiratório
alterado.
DIAGNÓSTICO
A espirometria é o padrão-ouro para o diagnóstico da DPOC e é o exame mais
importante. Ele avalia a função pulmonar medindo o volume de ar expirado e a velocidade
de expiração. Os principais parâmetros são:
• VEF1 (Volume Expiratório Forçado no 1º segundo): O volume de ar exalado no
primeiro segundo da expiração forçada.
• CVF (Capacidade Vital Forçada): O volume total de ar que pode ser exalado
após uma inspiração máxima.
• VEF1/CVF: A relação entre VEF1 e CVF é usada para avaliar a gravidade da
obstrução.
Critério diagnóstico:
• A relação VEF1/CVFprevalente em idosos devido à maior
frequência de doenças que podem levar ao acúmulo
de líquido na pleura, como insuficiência cardíaca,
neoplasias e infecções.
Nos países desenvolvidos, as causas mais frequentes de derrame pleural incluem
insuficiência cardíaca congestiva, pneumonia, malignidades (especialmente câncer de
pulmão, mama e linfomas) e embolia pulmonar. Em países em desenvolvimento, as
infecções, como a tuberculose, são causas importantes, especialmente devido à maior
prevalência da doença.
Estima-se que:
• Aproximadamente 40% dos pacientes com pneumonia desenvolvem algum grau
de derrame pleural.
• Insuficiência cardíaca é a causa mais comum, sendo responsável por cerca de
50% dos casos de derrame pleural.
• Em casos de neoplasias, o derrame pleural maligno está presente em cerca de
30% dos pacientes com câncer avançado.
ETIOLOGIA
A etiologia do derrame pleural pode ser
classificada de acordo com a natureza do
líquido acumulado (transudato ou exsudato),
sendo esta classificação baseada
principalmente nos critérios de Light, que
ajudam a diferenciar as causas de derrame
pleural.
1. Derrame pleural transudativo: O transudato é caracterizado por um líquido com
baixo conteúdo proteico e resulta de desequilíbrios nas pressões hidrostática ou
oncótica, sem comprometimento direto da integridade pleural. As principais
causas incluem:
o Insuficiência cardíaca congestiva: A causa mais comum de derrame
pleural transudativo.
o Síndrome nefrótica: A perda maciça de proteínas pela urina reduz a
pressão oncótica plasmática, facilitando o acúmulo de líquido.
o Cirrose hepática: A hipertensão portal leva ao aumento da pressão nos
vasos abdominais, contribuindo para a formação de derrame pleural.
o Diálise peritoneal: Pode ocorrer passagem de líquido através do
diafragma para a cavidade pleural.
2. Derrame pleural exsudativo: O exsudato tem maior conteúdo proteico e
celularidade, indicando um comprometimento direto da pleura, seja por
inflamação, infecção ou neoplasia. As causas incluem:
o Infecções: Como pneumonia (derrames parapneumônicos), tuberculose
pleural e empiema (coleção purulenta, quando já tem bacteria).
o Neoplasias: Metástases pleurais ou cânceres primários do pulmão,
mama e linfoma frequentemente causam derrames exsudativos.
o Embolia pulmonar: Pode causar tanto transudatos quanto exsudatos,
dependendo do grau de infarto pulmonar associado.
o Doenças autoimunes: Como lúpus eritematoso sistêmico e artrite
reumatoide.
o Trauma: Lesões torácicas podem resultar em derrame pleural
secundário a hemotórax.
Outros fatores etiológicos incluem:
• Derrame pleural maligno: Derivado principalmente de câncer de pulmão, mama
e linfoma. O envolvimento pleural metastático provoca inflamação e aumento da
permeabilidade vascular.
• Tuberculose pleural: Muito comum em regiões de alta endemicidade de
tuberculose. O processo inflamatório granulomatoso na pleura resulta em
exsudação de líquido.
FISIOPATOLOGIA
Normalmente, existe uma pequena quantidade de líquido no espaço pleural (cerca de 10-
20 mL), que atua como lubrificante entre as pleuras visceral e parietal, facilitando o
deslizamento dos pulmões durante a respiração. Este líquido é continuamente produzido
pelos capilares da pleura parietal e reabsorvido pelos linfáticos pleurais, mantendo um
equilíbrio dinâmico.
O derrame pleural ocorre quando há uma alteração nesse equilíbrio, podendo ser causado
por um ou mais dos seguintes mecanismos:
1. Aumento da pressão hidrostática:
Ocorre em condições que aumentam a pressão nos
capilares sistêmicos ou pulmonares, forçando mais
líquido para fora dos vasos e para o espaço pleural.
Exemplo: Insuficiência cardíaca congestiva. O
aumento da pressão nos capilares pulmonares leva
à transudação de líquido para a pleura.
2. Redução da pressão oncótica plasmática:
A pressão oncótica (devido às proteínas plasmáticas, especialmente a albumina) mantém
o líquido dentro dos vasos. Quando essa pressão cai, há perda de líquido para o espaço
intersticial e pleural.
Exemplo: Síndrome nefrótica e cirrose hepática. A hipoalbuminemia diminui a pressão
oncótica, favorecendo o acúmulo de líquido no espaço pleural.
3. Aumento da permeabilidade capilar:
Em processos inflamatórios ou infecciosos, há um aumento da permeabilidade dos vasos
pleurais, permitindo que proteínas e líquido escapem para o espaço pleural.
Exemplo: Pneumonia e tuberculose pleural, onde a inflamação da pleura permite a
formação de um exsudato rico em proteínas.
4. Bloqueio da drenagem linfática:
O sistema linfático pleural é responsável pela reabsorção do líquido pleural. Quando há
obstrução dos vasos linfáticos (por neoplasias, por exemplo), o líquido se acumula no
espaço pleural.
Exemplo: Derrame pleural maligno devido a linfoma ou metástases que obstruem a
drenagem linfática.
5. Passagem direta de líquidos:
Pode ocorrer quando há comunicação direta entre o abdômen e a pleura, como na ascite
(líquido abdominal) que migra para o espaço pleural.
Exemplo: Síndrome de Meigs (tumor ovariano associado a ascite e derrame pleural) ou
diálise peritoneal.
Tipos de Líquido no Derrame Pleural
O líquido acumulado no espaço pleural pode ser classificado como:
• Transudato: Líquido pobre em proteínas, resultante de alterações nas pressões
hidrostática ou oncótica (exemplo: insuficiência cardíaca, cirrose).
• Exsudato: Líquido rico em proteínas, células e restos celulares, causado por
aumento da permeabilidade vascular ou comprometimento pleural (exemplo:
pneumonia, câncer, tuberculose).
• Empiema/parapneumônicos: causados por infecção bacteriana como
pneumonia. O exsudado se organiza em aderências fibrosas densas, firmes que
frequentemente obliteram o espaço pleural prejudicando a expansibilidade do
pulmonar.
• Quilotórax: é o derrame de linfa na cavidade torácica, o quilo, um liquido leitoso
que contém quilomicra, é encontrado no líquido linfático originário do sistema
digestório.
• Hemotórax: é o escape do sangue para a cavidade pleural
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As manifestações clínicas variam de acordo com a quantidade de líquido acumulado, a
velocidade de instalação do derrame e a doença subjacente.
1. Dispneia*
o A manifestação mais comum, resultante da restrição da expansão
pulmonar. Quanto maior o volume do derrame, mais comprimido fica o
pulmão, dificultando a ventilação e causando a sensação de falta de ar.
2. Dor torácica*:
o A dor ocorre principalmente em casos de inflamação pleural (pleurite).
Ela é tipicamente uma dor pleurítica, ou seja, aguda e que piora com a
respiração profunda, tosse ou movimentos torácicos. A dor está
associada ao atrito entre as pleuras inflamada, sendo mais comum em
derrames exsudativos, como em pneumonia ou tuberculose.
3. Tosse seca*:
o Pode ocorrer devido à irritação da pleura ou compressão brônquica pelo
líquido pleural. A tosse é geralmente não produtiva (seca) e incômoda.
4. Febre:
o Pode estar presente, especialmente em derrames relacionados a
infecções, como derrames parapneumônicos ou tuberculose pleural.
5. Outras manifestações sistêmicas:
o Dependerão da doença de base. Por exemplo, em pacientes com
insuficiência cardíaca, pode haver sinais de congestão sistêmica, como
edema de membros inferiores. Em pacientes com neoplasia, pode haver
perda de peso e fadiga.
Exame Físico
No exame físico de um paciente com derrame pleural, podem ser encontrados os
seguintes sinais:
• Diminuição ou abolição dos sons respiratórios: O líquido entre o pulmão e a
parede torácica impede a transmissão dos sons respiratórios.
• Inspeção: abaulamento, desvio contralateral do mediastino, alargamento
intercostal
• Macicez à percussão: A presença de líquido denso no espaço pleural faz com
que a percussão do tórax revele uma área maciça, em contraste com o som
ressonante típico