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INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR FRANCISCANO – IESF Reconhecido e Publicado pelas Portarias Ministeriais Nº 223 de 14 de março de 2007 e Nº 259 de 23 de março de 2007 PÓS-GRADUAÇÃO LATO-SENSU Disciplina: Didática do Ensino Superior ELENILDE DIAS DE SOUSA SILVA A FORMAÇÃO DO EDUCADOR NUMA PERSPECTIVA ATUAL Trabalho de Conclusão de Disciplina COLINAS – MA 2024 APRESENTAÇÃO A educação atual é tema de muitos debates, entre eles, sua função nesta nova sociedade global e como adequar-se a ela criando caminhos eficientes para o aprendizado. Busca-se um novo processo na construção de identidade para si e para os profissionais que a fazem: em especial o professor. Como afirma Tardif (2002, p. 230), a “pesquisa sobre ensino deve se basear num diálogo fecundo com os professores, considerados não como objeto de pesquisa, mas como sujeitos competentes que detêm saberes específicos ao seu trabalho” Neste contexto, surge a oportunidade de discussão sobre a formação dos professores, suas interações e contribuição ao desenvolvimento profissional. O debate sobre formação de professores traz consigo muitas inquietações, pois existem grandes insatisfações, por parte dos professores, acerca do curto tempo para o planejamento das aulas. A despeito do desempenho pedagógico, estes, queixam-se de que seus conhecimentos e experiências não são reconhecidos e valorizados. Há muito se fala em crise na educação, e o discurso em torno dos resultados de avaliações externas nacionais e internacionais apontam para o fato de que há algo errado com as escolas públicas. Em tempos de globalização, de rapidez da informação, da urgência dos jovens ingressarem no mercado de trabalho, currículo escolar e estratégias de ensino são tidos como obsoletos, ineficazes, não se encaixam com regras previamente definidas em propostas curriculares por vezes distanciadas da realidade escolar. O discurso é o de que se faz necessário rever a escola e as práticas docentes. Até o momento, observa-se a formação docente como espaço de reconstrução de saberes, partilha de experiências e recontextualização de práticas. Provavelmente, essa compreensão inicial, possibilitará entender e interpretar o valor da participação, do pertencimento profissional e da necessidade de valorizar o protagonismo docente na sua própria formação. DESENVOLVIMENTO A formação docente vai muito além da transmissão de conhecimentos. É pensar sobre esta formação num contexto crítico, reflexivo e histórico, e que forma pesquisadores para atuar na educação através dos conteúdos que são ministrados, numa ação consciente, tornado seus alunos críticos diante de uma sociedade opressora. Essa formação visa, antes de tudo, envolvimento com a prática educativa, saindo do modelo técnico de profissional, que só repete o que está estabelecido, para ser aquele que busca enriquecer suas ações e habilidades como educador, seja na sala de aula ou até mesmo para a vida. Ao mesmo tempo a profissão de professor é uma prática complexa, cheia de conflitos e que exige atitudes éticas, políticas e que requer conhecimentos científicos, pedagógicos, criatividade, inovação, entre outros aspectos que o profissional vai descobrindo ao longo de sua formação e sua prática. É estabelecer uma relação com o saber, ou seja, todas as relações possíveis que o sujeito tem para aprender. Não é meramente saber, e sim, o usufruto, a aplicação deste saber, perpassando a acumulação de conteúdos para uma relação do indivíduo com a sociedade. (CHARLOT, 2000). Buscar compreender esta temática é argumentar sobre a capacidade humana, principalmente da formação intelectual do professor, por se tratar de suas experiências, sobretudo a sua função social, enquanto educador que prima pela consciência reflexiva e crítica não somente sua, mas também de seu aluno. É conscientizar-se de sua ação, como teoriza Freire (1987) uma educação que liberta, que emancipa da dominação política e não aceita a condição de oprimido e, por isso, só se alcança essa liberdade pela práxis. Partimos da hipótese de que um profissional que pensa para além de sua prática educativa e que vê o campo da docência como um ambiente para discussões críticas e reflexivas, consegue fazer desta prática um espaço dotado de significado, capaz de ampliar o horizonte do conhecimento dos alunos, ultrapassando os limites impostos pela sociedade e que, através da educação, o homem se liberta da opressão e caminha para a conscientização da educação enquanto instrumento libertador. A formação do educador reflexivo deve oferecer conteúdos que apontam para debates, discussões sobre o tema em questão, conduzindo, dessa forma, para uma postura reflexiva que pressuponha o pensamento crítico como fundamental para o processo educativo. Sobre o aspecto profissional, é necessário entender a situação educacional para ter argumentos plausíveis e saber se posicionar diante das situações adversas que nos surpreenderão no momento da atuação docente e que precisarão de profissionalismo para conduzir os impasses. Portanto, é preciso compreender a ideia que circunda o termo profissionalismo como uma prática democrática e participativa que envolve os conhecimentos e competências para sua atuação pedagógica. Com isso, o profissionalismo circunda a dimensão ética e os valores deste profissional seja através das atividades, status, autonomia intelectual, assumindo a função que lhe compete com responsabilidade e compromisso principalmente quando se trata do trabalho pedagógico. (NÚÑEZ; RAMALHO, 2008). Desta forma, se faz necessário a organização do processo de formação docente que reconheça o professor como sujeito do conhecimento, ou como diria Tardif (2002, p. 242), “essa lógica profissional deve ser baseada na análise das práticas, das tarefas e dos conhecimentos dos professores de profissão; ela deve proceder por meio de um enfoque reflexivo, levando em conta os condicionantes reais do trabalho docente e as estratégias utilizadas para eliminar esses condicionantes na ação.” Então, já que se reconhece que os professores são sujeitos do conhecimento, seria importante reconhecer também, que eles deveriam ter o direito de dizer algo a respeito de sua própria formação de profissional. Isto, porém, não acontece e se faz contraditório, pois “é estranho que os professores tenham a missão de formar pessoas e que se reconheça que possuem competências para tal, mas que, ao mesmo tempo, não se reconheça que possuem a competência para atuar em sua própria formação e para controlá-la”. (TARDIF, 2002, p. 240). CONCLUSÃO Em face da realidade vivenciada pela sociedade, num mundo tão globalizado, em que tudo acontece em ritmo acelerado, é necessário que os educadores estejam preparados para conduzir seus alunos a uma consciência crítica e reflexiva, que possam compreender o verdadeiro sentido da educação, como sinônimo de autonomia do pensar, de libertação das opressões sociais, do direito de questionar e reivindicar. A pedagogia freireana oportuniza aos profissionais docentes, uma aliança entre teoria e prática, isto é, uma práxis, que se concretiza no saber cotidiano; é ação e reflexão que tem como finalidade uma aprendizagem mais significativa, que gera mudança de comportamento e atitudes, tanto nos educadores, quanto nos educandos, ao passo que, transforma, abre novos caminhos e novas experiências no homem. Neste sentido, o trabalho educativo começa no momento em que o professor define o que quer e quais objetivos pretende alcançar; quando se utiliza de temas geradores mediante a visão de mundo dos discentes proporcionando maiores encontros com os conteúdos, articulando textos e contextos e por isso mesmo, requer capacitação e qualificação profissional para exercerseu magistério com responsabilidade. Dessa forma, o papel do educador, na concepção de Freire; é aquele que não utiliza de uma educação bancária, e sim, instiga e provoca o pensar sobre si e sobre o mundo, se constituindo numa educação humanizadora, criando e recriando o fazer pedagógico, mediante às situações e realidades vividas, trazendo então, para a sala de aula, através do currículo escolar, conteúdos e conceitos com significados, isto é, associando a pedagogia, ao ato político, pois o ato político implica no ato de ensinar e aprender conjuntamente. Nesse contexto, para que o educador seja este profissional que desperta a consciência crítica em seus educandos, é preciso que ele também seja valorizado pelo seu trabalho e dedicação constante. Por esta razão, as condições de trabalho devem ser favoráveis, para que ele possa exercer o seu papel com maior prontidão e dignidade que lhe cabe. A valorização em qualquer profissão é substancial, principalmente quando se trata da formação docente, pelo seu caráter integrador e reavivador de seu fazer. REFERÊNCIAS CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Porto Alegre: ARTMED, 2000. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 37 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. ______. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. NÚÑEZ, I. B.; RAMALHO, B. L. A profissionalização da docência: um olhar a partir da representação de professores do ensino fundamental. Revista Iberoamericana de Educación, OEI, n. 46, 9-10 setembro de 2008. TARDIF, M. Saberes docente e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR FRANCISCANO – IESF Reconhecido e Publicado pelas Portarias Ministeriais Nº 223 de 14 de março de 2007 e Nº 259 de 23 de março de 2007 PÓS-GRADUAÇÃO LATO-SENSU Disciplina: Didática do Ensino Superior ELENILDE DIAS DE SOUSA SILVA A FORMAÇÃO DO EDUCADOR NUMA PERSPECTIVA ATUAL Trabalho de Conclusão de Disciplina COLINAS – MA 2024 APRESENTAÇÃO A educação atual é tema de muitos debates, entre eles, sua função nesta nova sociedade global e como adequar-se a ela criando caminhos eficientes para o aprendizado. Busca-se um novo processo na construção de identidade para si e para os profissionais... 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Revista Iberoamericana de Educación, OEI, n. 46, 9-10 setembro de 2008. TARDIF, M. Saberes docente e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.