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A LEGISLAÇÃO DE APRENDIZAGEM E AS GARANTIAS DE ACESSO E 
PERMANÊNCIA DA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
Priscila Conte 
1. Introdução 
A inclusão escolar de crianças com deficiência intelectual tem sido uma questão 
central nas políticas educacionais brasileiras e internacionais. A Constituição 
Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 
9.394/1996), a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), e a Política 
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva são os 
principais marcos normativos no Brasil que asseguram os direitos dessas 
crianças. No plano internacional, a Declaração de Salamanca (1994) e a 
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, promulgada pelo 
Decreto nº 6.949/2009, também reforçam o compromisso com a educação 
inclusiva. Esses documentos refletem a luta para que crianças com deficiência 
intelectual não sejam apenas matriculadas, mas efetivamente incluídas e 
mantidas no ambiente escolar com suporte pedagógico e social adequado. 
2. Desenvolvimento 
2.1. Marcos Legislativos e Políticas para Inclusão Escolar 
A legislação brasileira de inclusão escolar é sólida e abrangente. A Constituição 
Federal de 1988 garante, no artigo 205, que a educação é um direito de todos, 
cabendo ao Estado e à família o seu oferecimento. O artigo 208, inciso III, 
determina o "atendimento educacional especializado aos portadores de 
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino." A Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional (LDB), promulgada em 1996, é um documento 
essencial para regulamentar a educação especial como uma modalidade 
integrada ao ensino regular. 
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), sancionada em 2015, foi um avanço 
significativo para os direitos das pessoas com deficiência. Ela garante que 
crianças com deficiência intelectual tenham direito ao ensino em escolas 
regulares, prevendo a adaptação curricular, o uso de tecnologias assistivas e o 
atendimento educacional especializado (AEE). Assegurando a permanência das 
crianças. 
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 
aprovada em 2008, foi outro marco importante, com enfoque na inclusão de 
alunos com deficiência intelectual no ensino regular, oferecendo apoio 
especializado e materiais pedagógicos adaptados, requerendo assim 
transformações profundas nas práticas pedagógicas, na infraestrutura e na 
formação docente. 
2.2. O Contexto Internacional: A Declaração de Salamanca e a Declaração 
de Jomtien 
A Declaração de Salamanca, adotada em 1994, é um dos marcos mais 
importantes na promoção da educação inclusiva. Ela afirma: 
"As escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de 
suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas 
ou outras. Elas devem incluir crianças com deficiência e crianças bem-
dotadas, crianças de rua e crianças que trabalham, crianças de 
populações remotas ou nômades, crianças pertencentes a minorias 
linguísticas, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos ou áreas 
desfavorecidas ou marginalizadas. 
Essa declaração reforça a necessidade de escolas inclusivas que proporcionem 
uma educação de qualidade para todos, promovendo a equidade e respeitando 
as diferenças. No Brasil, a adoção desse princípio foi refletida em políticas como 
a Política Nacional de Educação Especial, que busca integrar alunos com 
deficiência nas escolas regulares e fornecer suporte contínuo para garantir o 
sucesso de sua aprendizagem. 
A Declaração de Jomtien (1990), firmada durante a Conferência Mundial sobre 
Educação para Todos, também influenciou significativamente a educação 
inclusiva. Ela destacou a importância de proporcionar uma educação básica de 
qualidade a todas as crianças, independentemente de suas condições físicas ou 
intelectuais. Esse compromisso global foi fundamental para orientar as políticas 
brasileiras de inclusão, reafirmando a responsabilidade dos Estados em garantir 
que nenhuma criança seja excluída do sistema educacional. 
2.3. Desafios à Inclusão Escolar 
O marco legal para a inclusão de crianças com deficiência intelectual é bem 
robusto e vem com a missão de assegurar o acesso, permanência e as garantias 
de qualidade de ensino quando da implantação das políticas públicas para a 
educação especial e inclusiva, a implementação dessas políticas enfrenta 
inúmeros desafios dentre eles os principais são: 
Infraestrutura Escolar: Um dos principais obstáculos é a falta de infraestrutura 
adequada nas escolas públicas e privadas. Muitas escolas não possuem rampas 
de acesso, banheiros adaptados, e nem salas de recursos multifuncionais 
equipadas com tecnologias assistivas. Essa falta de infraestrutura pode limitar a 
autonomia dos alunos e prejudicar sua integração no ambiente escolar. 
Capacitação Docente: A falta de formação continuada para professores é outro 
grande problema. A formação inicial dos educadores nem sempre inclui 
conteúdos sobre educação especial, o que resulta em dificuldades na adaptação 
de metodologias e currículos para atender alunos com deficiência intelectual. A 
formação continuada é fundamental para que os professores estejam 
preparados para aplicar estratégias pedagógicas inclusivas e garantir que todos 
os alunos participem do processo de aprendizagem (CARVALHO, 2020). 
Falta de Apoio Psicossocial: A inclusão plena de crianças com deficiência 
intelectual requer não apenas apoio pedagógico, mas também suporte 
psicossocial. No entanto, a maioria das escolas ainda carece de equipes 
multidisciplinares. 
2.4. Adequações Pedagógicas Necessárias para Crianças com Deficiência 
Intelectual 
Para garantir uma educação inclusiva e de qualidade, é essencial que as escolas 
implementem diversas adequações pedagógicas: 
Currículo Flexível e Individualizado: A adaptação curricular é uma das 
estratégias mais importantes para atender às necessidades educacionais de 
alunos com deficiência intelectual. Essa adaptação pode incluir a flexibilização 
de conteúdos, a introdução de materiais diferenciados e a adoção de 
metodologias ativas que promovam o engajamento dos alunos. Planos de ensino 
individualizados (PEIs) são ferramentas cruciais nesse processo, permitindo que 
os professores adaptem suas práticas ao ritmo e às necessidades de cada aluno. 
Atendimento Educacional Especializado (AEE): Conforme previsto na LBI, o AEE 
deve ser oferecido no contraturno escolar e tem como objetivo fornecer recursos 
pedagógicos complementares que facilitem a aprendizagem. O AEE inclui o uso 
de tecnologias assistivas, como softwares de comunicação alternativa e 
sistemas de leitura adaptados. Esses recursos são fundamentais para promover 
a autonomia e o desenvolvimento das habilidades cognitivas e sociais dos alunos 
com deficiência intelectual. 
Formação Continuada de Educadores: A capacitação de professores em 
práticas pedagógicas inclusivas deve ser uma prioridade das políticas 
educacionais. A formação continuada oferece aos professores as ferramentas 
necessárias para trabalhar com a diversidade em sala de aula, garantindo que 
eles estejam preparados para enfrentar os desafios que surgem ao ensinar 
alunos com deficiência intelectual. 
Recursos de Acessibilidade: O uso de tecnologias assistivas, materiais 
pedagógicos adaptados, e recursos de comunicação aumentativa e alternativa 
são essenciais para que alunos com deficiência intelectual participem 
plenamente das atividades escolares. Essas ferramentas auxiliam na superação 
de barreiras cognitivas e de comunicação, promovendo a inclusão efetiva. 
3. Conclusão 
A legislação brasileira garante o acesso à educação para todas as crianças, 
inclusive aquelas com deficiência intelectual. No entanto, garantir a permanência 
e o desenvolvimento pleno desses alunos exige um esforço contínuo para 
superar os desafios existentes. A infraestrutura inadequada,a falta de formação 
docente e as atitudes discriminatórias são obstáculos que ainda precisam ser 
superados. 
As adequações pedagógicas, como currículos flexíveis, atendimento 
educacional especializado e o uso de tecnologias assistivas, são fundamentais 
para assegurar que as crianças com deficiência intelectual possam desenvolver 
suas potencialidades. A Declaração de Salamanca e a Declaração de Jomtien 
nos lembram da importância de promover uma educação inclusiva que acolha a 
diversidade e respeite as diferenças. O caminho para uma educação 
verdadeiramente inclusiva é longo, mas a continuidade de políticas públicas e o 
comprometimento de todos os atores sociais são essenciais para garantir que o 
direito à educação inclusiva seja plenamente realizado. 
4.Referências 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional. 
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão 
da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). 
BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção 
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. 
CARVALHO, Rosita Edler. "Educação Inclusiva: com os pingos nos is." WAK 
Editora, 2020. 
Declaração de Salamanca (1994). Conferência Mundial sobre Educação 
Especial. 
Declaração de Jomtien (1990). Conferência Mundial sobre Educação para 
Todos. 
POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA. Ministério da Educação, 2008. 
FUNDAÇÃO CATARINENSE DE EDUCAÇÃO ESPECIAL (FCEE). "A inclusão 
escolar e o Atendimento Educacional Especializado (AEE)."

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