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Simone Alves de Carvalho
Universidade de São Paulo, Brasil
Stela Maris Vaucher Farias
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
Tadeu João Ribeiro Baptista
Universidadefinanceiras e simbólicas, proposições de tarefas 
desafiadoras e atividades criativas são recursos de valia. Por esse 
prisma, uma medida bastante comum entre professores de jiu-jitsu 
era a graduação do aluno que se sagrasse campeão em torneios 
importantes. No outro extremo, como premiação simbólica “negativa”, 
os discentes que se envolvessem em brigas em locais públicos 
acabavam sofrendo punições internas pelos mestres. Os dois casos 
encontram respaldo justificador na presente teoria.
Diferentemente dos dois construtos anteriores, a teoria da 
atribuição procura desvelar os parâmetros norteadores dos juízos das 
pessoas sobre seus sucessos e fracassos. Ela postula que indivíduos 
procuram explica-los por meio da conjugação de disposições internas 
com elementos exteriores. Suas principais categorias são sintetizadas 
no esquema abaixo (Figura 5): 
42
S U M Á R I O Figura 5: esquema da teoria da atribuição
Fonte: Adaptado de Samulski (2002)
De acordo com ela, atletas que associam seus resultados ao 
talento, habilidades, esforço pessoal, força de vontade e preparo mental 
denotam mais força motivacional do que aqueles que auto avaliam os 
desempenhos como dados ao acaso (sorte ou azar); condicionados 
pelo meio externo (temperatura favorável, boa iluminação etc.) e devido 
a insuficiência técnica e física dos adversários.
A quarta das teorias que estamos a apresentar denomina-se 
teoria de metas. Ela presume que os gradientes motivacionais de atletas 
radicam em três eixos interligados: metas de performance; percepção 
de si e comportamento de performance. Sobre os atletas, os mesmos 
dividem-se em dois grupos atitudinais: enquanto alguns focalizam os 
resultados, outros valorizam o aprendizado e execução de tarefas. Estes 
últimos demonstram ter acurada percepção de si e senso crítico elevado, 
cujos comportamentos de rendimento pautam-se no empenho, esforço 
e auto proposição de tarefas realistas. Já o primeiro grupo tende a 
creditar os comportamentos de vitória e derrota a externalidades. Enfim, 
pela teoria de metas, indivíduos com foco em aprendizado de tarefas 
motivam-se mais do que os com foco em resultados.
43
S U M Á R I O A penúltima de nossas teorias é a teoria de competências. 
De acordo com ela, a motivação esportiva advém da percepção de 
auto competência e de controle na execução de tarefas motoras. A 
comunicação de feedbacks positivos na elevação do conceito pessoal 
de eficiência deve ser levado em conta. Assim, esportistas com 
percepção de alto grau de competência e controle de suas atividades, 
acrescidos de feedback positivos, geralmente sentem-se bastante 
motivados. A orientação motivacional do sujeito deve ser contabilizada. 
Atletas com orientação intrínseca, para tarefas e pouca ansiedade 
possuem viés motivacional elevado.
Por fim, tem-se a teoria da auto-eficácia, a qual advoga que 
seis diferentes parâmetros provocam nos atletas a percepção de auto-
eficácia. Esta relação é esquematizada a seguir (Figura 6):
Figura 6: esquema da teoria da auto-eficácia
Fonte: Adaptado de Samulski (2002)
Realizações de performance são significativas para a formação 
de expectativas positivas de auto-eficácia porque é com base nelas 
que os esportistas projetam suas habilidades e competências futuras. 
As lesões possuem um papel significativo nesta avaliação. Diversos 
lutadores esportivos definem a continuidade ou o encerramento de 
suas carreiras competitivas segundo o impacto das lesões na queda 
de desempenho. Na última década, decisões nesse sentido foram 
tomadas pelos lutadores profissionais de MMA Rodrigo “Minotauro” 
Nogueira (Brasil) e Georges Saint Pierre (Canadá).
44
S U M Á R I O A organização das experiências é crucial pelo fato de possibilitar 
ao atleta revisar seus pontos fortes e fracos através de memórias 
pessoais e via observações dos atos de companheiros e adversários. 
Estes diagnósticos são importantes para que ele cobre de si e dos 
pares o alcance das metas estabelecidas e intensifique o conhecimento 
das circunstâncias a lhe envolverem.
Outro quesito indispensável é o aprendizado da leitura e 
interpretação das emoções nos ambientes de treino e competição. 
Sem embargo, a identificação precisa da atmosfera afetiva ao 
seu redor permite a composição de expectativas realistas de 
performance. Some-se a isso a certeza de que as emoções que 
o lutador vivencia no seu cotidiano em função de sucessos e 
insucessos influem na qualidade de suas respostas bioquímicas e 
biofísicas à dor, fadiga e esforço. Portanto, passa a integrar o rol de 
elementos preditivos de rendimento.
Por fim, impera que o atleta seja provocado a criar imagens 
mentais exercitando-se nas técnicas de luta, vencendo adversários 
ou recebendo reconhecimento público. Em suma, são essas as 
prerrogativas da teoria da auto-eficácia que podem alavancar a 
motivação esportiva.
Muito embora as teorias expostas realizem abordagens 
próprias do fenômeno motivacional, todas elas, a seu modo, reiteram 
a dependência do mesmo de elementos subjetivos e situacionais. 
Dessa feita, a título de complementação, algumas recomendações são 
factíveis de serem propostas para despertá-lo.
Caso o indivíduo encontre-se em um quadro de baixa motivação, 
alguns exercícios são capazes de intensificar essa disposição antes de 
treinos, competições ou sessões de aula. Ei-los: elevar a frequência 
respiratória com ênfase em inspirações profundas; mover segmentos 
corporais (braços, pernas, antebraços etc.) em velocidades e 
45
S U M Á R I O combinações crescentes; imaginar mentalmente situações de 
movimento que envolvam potência muscular; repetir frases estimulantes 
(“Eu consigo!”; Eu vou fazer!”) e pensar em palavras-chaves (“Garra!”; 
“Força!”). Mas se for necessário diminuir o estado motivacional, devido 
a percepção de ansiedade excessiva, deve-se efetuar o oposto: expirar 
mais fortemente; mover-se lentamente; imaginar situações tranquilas; 
formular frases apaziguadoras (“Devagar!”; “Relaxe!”).
No plano pessoal, são reconhecidamente significativas, pelos 
seus efeitos, as técnicas cognitivas e de autoafirmação. Para melhor 
efeito, há que serem executadas em conjunto.
As técnicas cognitivas são centradas em: mentalizações das 
capacidades (“Posso fazer isto.”; “Acredito na preparação que fiz.”; 
“Tenho condições de fazer boas lutas.”); mentalização de metas 
concretas de treino (“Vou melhorar meu condicionamento físico.”; 
“Devo aperfeiçoar-me nesta habilidade.”; “Devo e vou perder peso.”); 
estabelecer e mudar metas (“Passarei a exigir mais de mim”; “No 
próximo treino, não serei derrotado.”). 
As técnicas de autoafirmação supõem: reforço positivo após 
boas ações (“Vou me presentear pelo meu resultado.”; “Eu me digo: 
Fui bem!”); antecipação mental do auto-reforço (“Farei algo bom 
para mim depois.”); antecipação mental de reforços externos (“Serei 
elogiado.”, “Ganharei o prêmio”.).
Quando criam ambientes positivos de treino e competição, 
professores e treinadores de lutas fazem com que seus atletas/alunos 
se orientem positivamente para tais exigências. A autoconfiança e 
a motivação estão enraizadas na forma do mestre se comportar. A 
autonomia e responsabilidade dos discípulos só floresce se eles se 
sentirem depositários da confiança de quem lhes ensina.
46
S U M Á R I O ESTRESSE E ANSIEDADE
O estresse é uma reação individual a determinados agentes 
ambientais, cujas consequências atingem os sistemas biológicos, 
psíquicos e sociais. Em outras palavras, estes agentes correspondem 
a estímulos estressores que, ao incidirem sobre a pessoa, lhe 
causam um certo desequilíbrio. Em função da intensidade e tempo de 
permanência desses estímulos, somados ao poder de resistência em 
suportá-los, reações são geradas e consequências produzidas.
Nos casos em que os estímulos estressores acabam percebidos 
como ameaçadores à integridade física, emocional e cognitiva, reações 
de ansiedade são verificadas. Nessa situação, vê-se o desencadeamento 
daquilo que na literatura édenominado de ansiedade de estado: 
sentimentos de tensão, apreensão, nervosismo e ativação (MAGILL, 
1998). Além da ansiedade de estado, todo sujeito também apresenta 
ansiedade de traço, que é uma tendência comportamental inata que 
lhes faz perceber situações não necessariamente ameaçadoras como 
danosas. No universo dos esportes de combate e lutas, diversos 
recortes têm sido dados aos estudos que procuram esclarecer os 
vínculos entre estresse, ansiedade e performance.
Em pesquisa realizada com judocas indianos de nível nacional 
e internacional, Singh e Gurjar (2017) exploraram as associações 
entre estresse e ansiedade com as estruturas de personalidade e 
componentes motivacionais destes atletas. Ao final dela, identificaram 
que elevados níveis de ansiedade de traço e de estado associavam-se a 
frustração excessiva diante de derrotas; baixa resiliência; impaciência e 
mau humor. Por sua vez, estas reações eram mais extremas nos atletas 
menos experientes e pouco autocontrolados. Em outro estudo apenas 
com judocas de nível internacional, Çutuk et al. (2017) mostraram que 
os lutadores mais experientes conseguiam dominar melhor o estresse 
47
S U M Á R I O e ansiedade pré-competitivos e superar a dor e o mal-estar quando 
comparados aos colegas calouros. Portanto, o tempo de prática 
parece ser uma variável interveniente no controle destes estados.
Se o tempo de prática interfere, o que dizer do tempo livre? 
Na investigação que conduziram com 119 atletas turcos de luta livre 
olímpica de ambos os sexos, Yasarturk et al. (2018) identificaram que 
as horas e o conteúdo de tempo livre não influenciavam a ansiedade 
de estado dos lutadores, porém a idade, o ano de ingresso na 
modalidade e na seleção nacional mostraram relações com o grau 
de estresse. Além disso, as idades acusaram associações negativas 
com a ansiedade. Não identificou-se diferenças em estresse e 
ansiedade no tocante ao gênero. Por outro lado, questões relativas 
a gênero emergiram no trabalho conduzido por Merino Fernández 
et al. (2019) com 444 lutadores de judô, jiu-jitsu, karatê, kendô, tae-
kwon-do e luta greco romana. Os autores concluíram que mulheres 
iniciantes eram mais ansiosas que homens na mesma situação, mas, 
em compensação, as veteranas demonstravam mais inteligência 
emocional que os veteranos.
Os exemplos elencados corroboram que a experiência do lutador 
e o patamar de expertise interferem na forma com que ele administra 
a ansiedade e o estresse. A respeito do gênero, ainda é necessário 
a geração de mais informações. Acrescente-se ainda que pouco se 
investigou sobre ansiedade e estresse entre árbitros e treinadores de 
esportes de combate.
A intervenção do professor/treinador é seminal para motivar 
seus discentes/atletas sem que isso implique em elevação demasiada 
do estresse e ansiedade. Isso não significa que o praticante não 
tenha como manter-se em estágios adequados na ausência dos 
mestres. Tal processo incide sobre a adequação do meio externo e o 
reconhecimento de sintomas.
48
S U M Á R I O Em relação ao meio externo, o atleta precisa, no dia a dia, 
estar nutrido e descansado o suficiente; levantar informações 
constantes sobre a sua luta e aprender técnicas de psico-regulação 
(mentalização de objetivos, relaxamento e positivação das emoções). 
Cotidianamente, os sintomas de estresse e ansiedade são aliviados 
por meio de conversas desinteressadas com colegas. As rotinas de 
lazer devem ser mantidas. O treinador auxilia bastante quando motiva 
para a realização de tarefas; varia os métodos de treinamento; corrige 
os erros e se mostra parceiro (CUNHA, 2016). 
O ensino e a exercitação de técnicas de relaxamento por 
intermédio da respiração é uma estratégia de valia a ser empregada 
como meio coadjuvante de enfrentamento do estresse. O lutador e 
mestre de jiu-jitsu Rickson Gracie é um adepto delas, declarando-se 
um praticante de Yoga desde a adolescência. Reitere-se que a literatura 
no campo do treinamento desportivo menciona outros procedimentos 
nesta linha, como a autossugestão e o método psicotônico de Winter 
(TUBINO; MOREIRA, 2003). Todavia, as suas aplicações precisam ser 
chanceladas por especialistas.
COMENTÁRIOS FINAIS
Ao longo desta exposição, procurou-se apresentar e discutir 
minimamente temáticas conceituais provenientes da Psicologia do Esporte 
que são consideradas imprescindíveis à compreensão das performances 
atléticas. A construção de interfaces com o universo das lutas e esportes 
de combate fez parte deste exercício. Longe de estar encerrado, o mesmo 
demanda posteriores e constantes complementações.
Diversas outras questões deixaram de ser contempladas aqui, 
como, por exemplo: criatividade; elementos psicológicos envolvidos 
49
S U M Á R I O na recuperação de lesões; lideranças; emoções positivas e negativas; 
agressividades. Não que elas sejam menos relevantes; no entanto, 
os tópicos desenvolvidos no presente texto, por possuírem elos com 
estas últimas, fornecem ao leitor um mínimo de subsídios conceituais 
que o habilitam à explorá-las já com algum conhecimento de causa.
Para finalizar, nunca é demais lembrar que a adesão aos 
esportes de combate e às lutas passam por um momento de franca 
expansão no mundo todo. Programas televisivos os incorporaram 
como conteúdos permanentes; novas modalidades encontram-se 
na iminência de integrarem a agenda Olímpica; indivíduos em todo 
o globo matriculam-se em academias e clubes com a intenção de 
aprendê-los devido aos mais variados motivos: defesa pessoal, desejo 
de ser atleta, promoção da saúde, melhoria da qualidade de vida. Tal 
acontecimento reitera a necessidade de descrever, compreender e 
explicar as suas causas assim como mapear as suas consequências 
na vida mental dos sujeitos. 
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52
S U M Á R I O PSYCHOLOGICAL ASPECTS OF 
FIGHTING TEACHING-LEARNING: 
PERSPECTIVES AND GUIDELINES
Abstract 
People take part in martial arts and combat sports programs all over the world 
guided by different reasons: the desire to be an athlete; improvement of the 
quality of life; health promotion and self defense. Such choices proof the cultural 
and social relevance of them in contemporary life. Therefore, the present text 
offers an analytical overview of psychological issues that may help or delay 
the acquisition of important contents, competences, values and skills to the 
practice of sport combats and martial arts as a whole. These issues concerns 
to the individual personality traits; perception; attention and concentration; 
motivation; stress and anxiety. It is important to underline that such presentation 
focuses the theoretical aspects of these concepts, having the main purpose 
to stimulate readers to deep the state of their knowledge through posterior 
empirical research.
Keywords
Psychology; Education; Fighting; Perspectives; Guidelines. 
Capítulo 2
APRENDIZAGEM E 
DESENVOLVIMENTO MOTOR 
NO ENSINO DE LUTAS
Jomilto Praxedes
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601.53-88
2
Jomilto Praxedes
APRENDIZAGEM 
E DESENVOLVIMENTO 
MOTOR NO ENSINO 
DE LUTAS
54
S U M Á R I O INTRODUÇÃO: UMA VISÃO GERAL 
SOBRE A TEMÁTICA EM QUESTÃO
A movimentação humana, entendida como algo observável e 
mensurável, ou seja, um deslocamento do corpo ou de suas partes 
no espaço em função do tempo e; como produto final de todo um 
processo interno que acontece no sistema nervoso central (TANI; 
CORRÊA, 2016), forma a base fundamental de trabalho no processo 
de ensino-aprendizagem de habilidades motoras no contexto das 
artes marciais.
O ato de ensinar habilidades motoras (HMs) inerente às lutas 
deve ser amparado em conhecimentos prévios, como por exemplo, 
sobre como as pessoas as adquirem e de que modo o desenvolvimento 
ocorre, pois, caso contrário, o processo de ensino se torna sem 
propósito e não ocorre efetivamente (GALLAHUE, OZMUN; GOODWAY, 
2013; SCHMIDT; LEE, 2016).
Estes conhecimentos estão relacionados a diversas áreas, tais 
como a aprendizagem motora (AM) e o desenvolvimento motor (DM). 
Os fundamentos provenientes dos processos do desenvolvimento 
estão na essência do ensino, porém, estes conhecimentos não 
determinam como as HMs devem ser ensinadas, ou seja, não são 
conhecimentos referentes aos métodos de ensino ou prescrições 
de treinamento de intervenção. Constituem, sim, importantes fontes 
de informação que podem auxiliar o profissional, a interpretar 
comportamentos motores dos alunos e a elaboração de novas 
estratégias de ensino de HMs (TANI; CORRÊA, 2004).
Contudo, sem um conhecimento consistente sobre os 
aspectos do desenvolvimento do comportamento humano, pode-
se apenas conjecturar procedimentos educativos ou de intervenção 
apropriados. Portanto, o ensino das HMs das artes marciais 
55
S U M Á R I O deve levar em consideração vários aspectos e estes devem ser 
respeitados no processo de ensino-aprendizado, os quais serão 
vistos durante este capítulo.
APRENDIZAGEM MOTORA E DESENVOLVIMENTO 
MOTOR: PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA 
O ENSINO DE ARTES MARCIAIS
Conceitos básicos relacionados à aprendizagem e 
ao desenvolvimento motor, e termos relacionados
No contexto do ensino de lutas, ao falar sobre o estudo das 
áreas da AM e do DM, torna-se prudente conceituar alguns termos 
importantes, que serão utilizados em futuras abordagens.
Magill (1984, 2000) conceitua a AM como sendo a mudança 
interna no indivíduo, deduzida de uma melhoria relativamente 
permanente na potencialidade para a performance qualificada, 
como resultado da prática ou experiência (MAGILL, 1984, 2000, 
SCHMIDT; LEE, 2016).
Apesar de em alguns momentos ser equivocadamente 
considerada como sinônimo de AM, o DM, na realidade, significa a 
mudança contínua no comportamento motor de um indivíduo ao longo 
do ciclo da vida (GALLAHUE, OZMUN; GOODWAY, 2013).
Como exemplo, pode-se chamar de AM quando o aluno, que 
não consegue realizar um golpe, passa a realizá-lo de algum modo. Já 
o DM é o fato do indivíduo evoluir; do ponto de vista do comportamento 
56
S U M Á R I O motor, o modo como executa o golpe, saindo de um estágio precário 
para um estágio de boa performance.
A performance também é um conceito muito utilizado nas 
duas áreas, o qual é entendido como nível de proficiência ou como 
execução de movimento. Como nível de proficiência, a performance 
significa o patamar atual de desempenho em que uma pessoa 
executa uma habilidade. Por exemplo, Aurélio Miguel e Roger Gracie, 
por muitas vezes, presentearam os amantes de judô e Brazilian Jiu 
Jitsu (BJJ) com golpes e lutas incríveis, sempre com a excelência de 
suas performances. Por outro lado, como execução, a performance 
pode ser entendida simplesmente como o comportamento observável, 
como por exemplo, o modo como se realiza um golpe (TANI; CORREA,2016, GALLAHUE, OZMUN; GOODWAY, 2013).
Um outro conceito pertinente no processo de ensino das HMs das 
lutas é a experiência, a qual se refere a fatores no ambiente que podem 
alterar o aparecimento de várias características do desenvolvimento 
ao longo do processo de aprendizado. As experiências da criança 
podem afetar o ritmo de surgimento de determinados padrões de 
comportamento (GALLAHUE, OZMUN; GOODWAY, 2013).
ESTÁGIOS DE APRENDIZAGEM
No processo de ensino e aprendizagem de HMs, deve-se atentar 
para o desenvolvimento do aluno e o modo como isto ocorre. Para 
tanto, faz-se necessária a compreensão dos estágios de aprendizagem, 
que foram descritos por Fitts e Posner (1967). O primeiro estágio é 
conhecido como estágio cognitivo, e é caracterizado pela presença 
de uma quantidade elevada de erros durante o desempenho do 
executante, e a natureza destes erros cometidos tende a ser grosseira. 
57
S U M Á R I O Consequentemente, ele necessitará de informação específica do 
Professor que o analisa para tentar corrigir o que está executando 
errado (MAGILL, 1984). 
O segundo estágio é o associativo, o qual, a natureza da 
atividade cognitiva, que caracterizou o estágio cognitivo, muda 
durante o estágio associativo. Muitos dos elementos ou mecanismos 
básicos da HM foram aprendidos até certo ponto e os erros são menos 
frequentes e menos grosseiros, no que se refere à sua natureza. Neste 
momento, o aprendiz está concentrando ou refinando a habilidade, 
pois ele desenvolveu uma capacidade de identificar alguns de seus 
próprios erros ao desempenhar a tarefa. Apesar dessa capacidade 
em detecção de erros não ser perfeita, ele já está capacitado para 
identificar alguns de seus erros. Isso proporciona ao aprendiz 
algumas diretrizes específicas sobre como continuar sua própria 
prática motora (MAGILL, 1984). 
Após muita exercitação e experiência com a HM, o aprendiz 
enquadra-se no estágio final de aprendizagem, o autônomo. Neste 
momento, a habilidade torna-se quase automática ou habitual e o 
indivíduo não tem que dar atenção à produção completa da habilidade, 
pois aprendeu a desempenhar quase toda a habilidade sem pensar 
absolutamente na mesma (MAGILL, 1984). Na fase autônoma, o 
aprendiz desenvolve a capacidade tanto para detectar seus próprios 
erros quanto para identificar que ajustes são necessárias para corrigi-
los. O estágio autônomo é o resultado de uma quantidade enorme 
de treinamento, e permite ao indivíduo produzir uma resposta sem 
ter que se concentrar no movimento inteiro. Deste modo ele estará 
livre para dar atenção a outros aspectos que lhe permitirão um 
desempenho ótimo (MAGILL, 1984).
Assim sendo, pode-se dizer que os professores envolvidos no 
processo de preparação técnica dos alunos devem atentar para o 
estágio de aprendizado desses praticantes, com o intuito de entender 
58
S U M Á R I O qual a melhor estratégia a ser utilizada no processo de ensino-
aprendizagem de condutas motoras.
FATORES QUE AFETAM A 
APRENDIZAGEM MOTORA
Aqui serão apresentados rapidamente os fatores que afetam 
a AM, os quais serão utilizados, no decorrer deste capítulo, e melhor 
explicados mais adiante, a saber: estabelecimento de metas, 
instrução verbal e demonstração, prática e, feedback e conhecimento 
dos resultados.
O estabelecimento de metas é um fator que interfere de 
modo positivo a motivação e o comprometimento do aluno com a 
aprendizagem, possibilitando definir claramente o ponto em que se 
pretende chegar (SCHMIDT; LEE, 2016). 
Em função das metas estabelecidas, o procedimento básico 
para informar ao aluno o que, como, quando e quanto ele deve fazer é 
denominado de instrução (MAGILL, 1984), a qual pode ser transmitida 
de vários modos, tais como, verbal, escrito e cinestésico (MAGILL, 
1984, SCHMIDT; LEE, 2016).
O ato de praticar uma HM é repetir vários processos subjacentes, 
tais como intenção, percepção, decisão, programação, execução e 
avaliação. Um importante aspecto no processo de ensino diz respeito 
à decisão dos professores quanto à estrutura de prática eficientemente 
capaz de promover uma melhor aprendizagem das HM, neste caso, 
utilizadas nas lutas. Deste modo, podem-se considerar, basicamente, 
as estruturas de prática por blocos e aleatória (SCHMIDT; LEE, 2016). 
O feedback pode ser visto como aquela informação sobre a 
diferença entre o que o aluno queria executar e o que ele realizou. O 
59
S U M Á R I O conhecimento de resultados e o conhecimento de performance são 
dois tipos de feedback sendo utilizados (SCHMIDT; LEE, 2016).
FATORES QUE AFETAM O PROCESSO 
DE DESENVOLVIMENTO MOTOR 
NA AQUISIÇÃO DAS HMS
Modelo de Newell (MN)
Para compreender o movimento, o professor deve entender as 
relações entre as caraterísticas do indivíduo que se movimenta, o meio 
que o cerca e o propósito de sua movimentação, o que resulta, por 
meio da integração dessas características, o movimento específico a 
ser realizado (NEWELL, 1986). Este Modelo de Newell (MN) reflete as 
interações dinâmicas e em constante modificação no desenvolvimento 
motor, ao mesmo tempo em que enfatiza as influências de onde o 
indivíduo se movimenta, nesse caso o ambiente, e o que o indivíduo 
realiza, sendo esta a tarefa.
O MN é formado por três restrições, a saber: individuais, 
ambientais e da tarefa. A primeira representa as características físicas 
e mentais inerentes do indivíduo e podem ser divididas em estruturais, 
relacionadas a estrutura corporal, e funcionais, relacionada a função 
comportamental. As ambientais representam as características do 
mundo que nos envolve, e as da tarefa, que incluem as metas de uma 
atividade ou movimento particular, a estrutura das regras que envolvem 
aquele movimento ou atividade e as escolhas de equipamento 
(HAYWOOD; GETCHELL, 2004).
60
S U M Á R I O Exemplificando, pode-se identificar essa estrutura em 
situações do taekwondo, no qual se tem o indivíduo que é o aluno, o 
ambiente de prática que é a academia de lutas, e a tarefa, no caso, 
o ato de aplicar e defender os golpes com o seu companheiro de 
treino. Quando o aluno está em uma competição, a situação de 
ambiente e tarefa muda, portanto, a resposta motora do indivíduo 
também muda. Ou seja, qualquer alteração em uma das restrições 
no MN representará a modificação do produto final, neste caso, o 
desenvolvimento do indivíduo.
Sequência desenvolvimentista
Como foi aludido anteriormente, o MN é determinante no processo 
de desenvolvimento motor a partir da relação entre o indivíduo, a tarefa 
e o ambiente. Quando se trata do estudo do indivíduo, uma variedade 
de fatores desenvolvimentistas interfere no processo, os quais serão 
apresentados em seguida.
A primeira é a sequência desenvolvimentista, que se refere 
a uma sequência de controle motor ordenada e previsível, a qual 
é dividida em céfalo-caudal, que indica a progressão gradual 
de controle motor sobre a musculatura, iniciando pela cabeça 
e seguindo em direção ao pé; e próximo-distal, a qual refere-se 
a direção do centro do corpo até as suas partes mais distantes 
(GALLAHUE, OZMUN; GOODWAY, 2013).
No processo de ensino-aprendizagem, o professor deve levar 
em consideração esta sequência no instante em que organiza as 
estratégias de ensino de um golpe, sendo elas em partes ou do todo, 
selecionando as atividades que contribuam e facilitem o aprendizado.
61
S U M Á R I O COMPREENDENDO O MOVIMENTO HUMANO
Habilidade Motora: Definições, Componentes e Classificações
HM é uma tarefa ou ação de movimento voluntária, aprendida, 
orientada para um objetivo, realizada por uma ou mais partes do corpo. 
É importante observar que a definição de habilidade, como utilizada 
aqui, é de uma ação aprendida, que tem um objetivo específico e, em 
resultado disso, é de natureza voluntária e exige a movimentação de 
alguma parte ou partes da anatomia humana (GALLAHUE; OZMUN; 
GOODWAY, 2013). Magill (1984) complementa afirmando que 
habilidades são atos ou tarefas que requerem movimento e devem ser 
aprendidosa fim de ser executados corretamente.
Um modo de classificar as HMs atenta-se com a extensão até 
a qual o ambiente é estável e previsível durante toda a performance. 
Uma HM aberta é aquela na qual o ambiente é variável e imprevisível 
durante a ação (SCHMIDT; LEE, 2016), ou seja, implica dar respostas 
a situações em constante mudança ou ambientes imprevisíveis 
(GALLAHUE; DONNELLY, 2008). Como exemplos, tem-se o judô e o 
BJJ, nos quais os praticantes podem selecionar e executar um golpe, 
dentre a grande variedade de opções, em uma mesma situação de 
combate. Esse tipo de habilidade requer rapidez e flexibilidade do 
praticante para a tomada de decisão (GALLAHUE; DONNELLY, 2008). 
O Professor deve reconhecer a natureza de atividades dinâmicas 
para criar situações que promovam tomadas rápidas de decisão 
e comportamentos de adaptação em uma variedade de situações 
semelhantes aos de combates (GALLAHUE; DONNELLY, 2008).
Uma habilidade fechada, por outro lado, é aquela para a qual 
o ambiente é estável e previsível, ou seja, requer uma performance 
62
S U M Á R I O fixa em um dado conjunto de condições ambientais. Esportes como 
boliche, golfe, arco e flecha, natação e levantamento olímpico 
podem ser considerados como exemplo de habilidades deste tipo. O 
praticante tem o luxo de poder se mover em seu próprio ritmo durante 
a atividade e de ter tempo para reconhecer e responder às condições 
estáticas do ambiente (GALLAHUE; DONNELLY, 2008). O professor, 
durante essas atividades, precisa fornecer amplas oportunidades para 
as crianças repetirem a atividade sob condições que reproduzem o 
ambiente da performance do modo mais semelhante possível com o 
real (GALLAHUE; DONNELLY, 2008).
Essas designações, aberta e fechada, na verdade determinam 
os pontos finais de um contínuo, com as habilidades ficando entre 
ter vários graus de previsibilidade ou variabilidade ambiental 
(SCHMIDT; LEE, 2016).
Um modo também utilizado para classificar as habilidades está 
relacionado com o ponto até o qual o movimento é um fluxo contínuo 
de comportamento, em oposição breve, bem-definida. De um lado tem 
a habilidade discreta, que geralmente tanto o início quanto o fim são 
definidos, sendo um movimento breve, como por exemplo, arremessar, 
chutar e empurrar (SCHMIDT; LEE, 2016).
Na outra extremidade desta classificação está a habilidade 
contínua, que não tem nenhum início ou fim especial, sendo que o 
comportamento por muitos minutos, ou seja, movimentos repetidos 
por um período de tempo específico, como por exemplo, fintar no 
muay thai ou MMA. Como discutido adiante, as habilidades discretas 
e contínuas podem ser bem diversas, exigindo processos diferentes 
para performance e demandando que elas sejam ensinadas de modo 
um pouco diferente como resultado (SCHMIDT; LEE, 2016).
Outra forma de classificação é quanto aos grupos musculares 
envolvidos na execução de habilidades. Assim, as habilidades são 
63
S U M Á R I O classificadas como grossas, quando são utilizados grupos musculares 
grandes, e finas, quando fazem uso de grupos musculares pequenos. 
Utilizando o judô como exemplo, pode-se dizer que a maioria dos 
golpes realizados são classificados como habilidades motoras grossas. 
Contudo, também são identificadas habilidades finas em movimentos 
que envolvem a percepção e o controle cinestésico da postura e 
movimentação do oponente, principalmente durante as esquivas e na 
escolha dos contragolpes a ser aplicado.
Hierarquia de movimento
A hierarquia de movimento diz respeito à progressão do 
movimento, do mais simples para o mais complexo, relacionando os 
movimentos corporais em vários níveis de especificidade.
Após as categorias de movimentos reflexo e rudimentar, 
que correspondem aos movimentos involuntários e aos primeiros 
movimentos voluntários, respectivamente, identifica-se os movimentos 
que estão atrelados ao alcance de objetivos gerais para uma 
determinada tarefa, os quais são classificados como HMs, as quais 
consistem em uma série de movimentos voluntários do corpo humano 
realizados com exatidão e precisão, designados para atingir um objetivo 
especial (GALLAHUE; OZMUN, 2005; GALLAHUE; DONNELLY, 2008). 
No contexto das práticas das artes marciais, o chute lateral no caratê, o 
soco no boxe e a queda no BJJ são exemplos de habilidades motoras 
(HAY; REID, 1985, SCHIMIDT; WRISBERG, 2001).
Os movimentos com um propósito bem geral são denominados 
habilidade motora fundamental (HMF); eles são de ordem natural do ser 
humano, ou seja, desenvolver-se-ão de modo natural, por necessidade 
inerente do ser vivo. Tais habilidades podem ser exemplificadas como: 
marchar, trepar, subir e escalar. Segundo Gallahue e Ozmun (2005), 
64
S U M Á R I O Gallahue e Donnelly (2008), este tipo de HM é uma série organizada 
de movimentos básicos que implica a combinação de padrões de 
movimento de dois ou mais segmentos do corpo.
Uma habilidade motora especializada (HME) é uma HMF, ou a 
combinação de HMF aplicadas à realização de uma atividade específica 
relacionada ao esporte. Portanto, as HMFs de contorcer o corpo e 
chutar um oponente podem ser aplicadas em sua forma horizontal, 
como o chute lateral no taekwondo ou em sua forma vertical, ao realizar 
um chute frontal no muay thai (GALLAHUE; DONNELLY, 2008).
A fase de HMEs do desenvolvimento é, na essência, a 
evolução da fase fundamental. Habilidades especializadas são mais 
precisas do que habilidades fundamentais, pois frequentemente 
envolvem a combinação de HMFs e requerem maior grau de precisão 
(GALLAHUE; OZMUN, 2005).
No primeiro momento, o chute é uma HMF, porém, quando se 
torna um chute mais específico, como no caso do chute semicircular 
ou o chute frontal, tem-se um chute em função do objetivo maior, 
que é chutar num certo tempo com determinada qualidade. Ou seja, 
o chute semicircular é uma HME, pois é um movimento corporal 
que tem um objetivo claramente definido, no qual já existe um grau 
maior de especificidade.
O indivíduo, ao chutar um oponente, pode realizar esta habilidade 
motora de várias formas, ou seja, chute lateral, frontal, semicircular, 
com salto, assim pode admitir várias técnicas motoras ao movimento.
O domínio da HM proporciona a boa utilização da técnica 
motora TM. A técnica é adquirida principalmente por processos 
de aperfeiçoamento da coordenação de diversos grupamentos 
musculares que intervêm na conduta motora visada. É observada uma 
grande facilidade e naturalidade nos movimentos realizados, quando 
ocorre o domínio da técnica (TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
65
S U M Á R I O O esclarecimento destes termos contribuirá para melhor 
desenvolvimento das estratégias pedagógicas durante o processo 
de ensino das habilidades motoras desejadas. Estes aspectos serão 
aludidos logo em seguida.
Categoria de Movimento
O movimento pode ser alocado em três tipos de categorias, 
a saber: equilíbrio, locomoção e manipulação. As HMs de equilíbrio 
formam a base para todas as outras HMs e são habilidades em que o 
corpo permanece no lugar, mas se move ao redor de seu eixo horizontal 
ou vertical; as HMs de locomoção em que o corpo é transportado em 
uma direção vertical ou horizontal de um ponto para o outro; e as HMs 
manipulativas são aquelas que envolvem transmitir força a um objeto 
ou receber força dele (GALLAHUE; DONNELLY, 2008; GALLAHUE; 
OZMUN; GOODWAY, 2013).
Como exemplos de cada categoria tem-se, o curvar, o alongar, 
o contorcer, o virar, o balançar, o apoio invertido, o rolamento do corpo, 
o esquivar e o equilibrar, para a categoria de equilíbrio; o marchar, o 
correr, o saltar, o pular em um pé, o saltitar, o impulsionar, o galopar, o 
escorregar e o escalar, para a categoria de locomoção e; o lançar, o 
pegar, o chutar, o receber, o rebater, o voleio com as mãos, o driblar, o 
rolar a bola e o empurrar, para a categoria manipulativa (GALLAHUE; 
DONNELLY, 2008; GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013).
Interpretando uma técnica motora
Quando se fala de uma HME, sabe-se que a mesmaé uma 
evolução da HMF ou um conjunto de HMFs, logo, pode-se dizer que a 
HME ou até mesmo um TM são compostas por HMFs. Este fato deve 
66
S U M Á R I O ser levado em consideração quando o professor for ensinar um golpe 
em suas aulas de artes marciais. Neste caso, fragmenta-se a TM para 
identificar o seu nível de complexidade, por exemplo, nos esportes 
de combate pode-se citar como HMFs, o curvar, o contorcer, o virar, 
o rolamento do corpo, o esquivar, o equilibrar, o pular em um pé, o 
saltitar, o impulsionar, o pegar, o chutar, o puxar e o empurrar.
Essa interpretação deve ser feita para cada esporte e cada 
TM. No chute frontal no caratê, que será o primeiro exemplo, podem-
se identificar as HMFs chutar, empurrar e equilíbrio unipodal. Cada 
HM desta deve ser analisada e treinada, de modo que trabalhem 
em sinergia durante a execução do golpe. Estas HMFs podem ser 
semelhantes em outro golpe do mesmo esporte, como por exemplo, o 
chute semicircular, ou em outro esporte, como é o caso do taekwondo. 
O segundo exemplo, será o esporte propriamente dito, neste caso 
pode-se escolher o BJJ, nele cita-se como HMFs o curvar, contorcer, 
virar, rolamento do corpo, equilibrar, impulsionar, pegar, puxar e 
empurrar, sendo estas HM fundamentais para a prática do esporte. 
Desta forma, pode-se compreender que a TM a ser ensinada em uma 
arte marcial é a evolução de uma HME, e esta é o aprimoramento e 
ou o conjunto de HMFs.
O PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO, 
A TOMADA DE DECISÃO, A MEMÓRIA E 
A ATENÇÃO NO ENSINO DAS LUTAS
Processamento de informação
Durante uma situação prática de combate real ou treinamento, 
a informação, proveniente da tarefa, é apresentada para o indivíduo 
67
S U M Á R I O como input ou entrada; vários estágios do processamento dentro do 
sistema motor humano geram uma série de operações sobre essa 
informação; e a resposta subsequente, chamada de output ou saída, 
é a própria tarefa motora. Pode-se dizer que existem três estágios 
de processamento da informação, entre input e output, a saber: 
identificação do estímulo; seleção da resposta; e programação do 
movimento (SCHMIDT; LEE, 2016).
No Muay Thai, quando o adversário realiza um chute semicircular 
na direção da coxa, essa atitude corresponde ao input, já o output é a 
resposta a esse ataque, que pode ser o bloqueio com a perna direita 
ou com a perna esquerda, por exemplo.
Acredita-se que os estágios não são sobrepostos, ou seja, todo 
o processamento em um determinado estágio é concluído antes do 
produto de classificação ser encaminhado para o estágio seguinte; 
ou seja, o processamento da informação em dois ou mais estágios 
diferentes, não pode ocorrer ao mesmo tempo (SCHMIDT; LEE, 2016). 
Esse processo finalmente resulta em um output, que representa a ação. 
No estágio de identificação do estímulo, o problema do sistema 
é decidir se um estímulo foi apresentado, e em caso positivo, identificar 
qual é ele. Assim, a identificação do estímulo é principalmente um 
estágio sensorial, que analisa as informações ambientais a partir de uma 
variedade de origens, tais como, a visão, a audição, o tato, a cinestesia 
e o olfato. Os componentes da ação começam a ser “montados”, os 
padrões de movimento também são detectados, como, por exemplo, 
se outras partes do corpo estão se movendo, em qual sentido e com 
que rapidez, e assim por diante, sendo esta informação enviada para 
o próximo estágio (SCHMIDT; LEE, 2016).
As atividades no estágio de seleção da resposta iniciam logo 
após o estágio de identificação do estímulo fornecer informações 
sobre a natureza do estímulo ambiental. Esse estágio tem o objetivo 
68
S U M Á R I O de decidir que resposta executar, dada a natureza da situação e o 
ambiente. Neste caso, a escolha de respostas disponíveis pode ser 
bloquear o chute com a perna ou receber o golpe na coxa. Assim, esse 
estágio requer um tipo de processo de transição entre input sensorial e 
output de movimento (SCHMIDT; LEE, 2016). O tempo para a seleção da 
reposta pode variar em função do número de alternativas disponíveis, 
de acordo com a Lei de Hick (HICK, 1952), sendo maior o tempo para 
um maior número de alternativas. Um iniciante, por não conhecer as 
respostas mais adequadas a determinadas situações, considera mais 
“possibilidades inadequadas”: podendo necessitar de mais tempo 
para a seleção da resposta. No que diz respeito à programação da 
resposta, aquelas que envolvem um maior número de componentes 
demandarão mais tempo para serem organizadas e iniciadas.
No último estágio, o início do seu processamento ocorre após 
receber a decisão sobre que movimento realizar, como determinado 
pelo estágio anterior. O estágio de programação do movimento tem 
a tarefa de organizar o sistema motor para a execução do movimento 
desejado. Ou seja, se o estágio de seleção da resposta determinou 
que uma resposta de bloqueio com a perna direita era necessária, 
então, a organização do programa motor responsável pela execução 
de uma ação de bloquear ocorreria no estágio de programação do 
movimento (SCHMIDT; LEE, 2016).
Considerando a execução do movimento, quanto mais 
complexas, ou seja, quanto maior a quantidade de estruturas corporais 
envolvidas ou o número de HMs, mais tempo seria necessário para o 
processo de programação motora. Dessa forma, assim que o padrão 
de movimento foi identificado e a forma de bloqueio foi selecionada, a 
representação mental do movimento deve ser lida, ou seja, recuperada 
da memória e preparada para ser ativada, bem como porções do 
sistema motor devem ser preparadas para a execução. Só então se dá 
início ao movimento de bloqueio propriamente dito.
69
S U M Á R I O Se todos os processos forem finalizados de modo eficiente, o 
tempo de resposta, que compreende o tempo de reação e o tempo 
de movimento, será concluído num intervalo inferior ao tempo de 
movimento do adversário, levando a um bloqueio bem-sucedido.
Na luta combinada, duas etapas do processamento de 
informação estão ausentes em relação ao combate propriamente dito: a 
identificação do estímulo e a seleção da resposta. Não há necessidade 
de identificar o padrão de movimento do parceiro ou selecionar 
uma resposta em função dessa identificação. Na luta combinada 
é necessário somente recuperar da memória a ação motora a ser 
executada e realizar ajustes relacionados a parâmetros do movimento, 
como força, velocidade e distância em relação ao outro, por exemplo.
MEMÓRIA E AGRUPAMENTO DE INFORMAÇÃO
O processo de aquisição de uma HM implica a formação de 
memória, ou seja, a persistência de informação sobre o movimento para 
uso posterior. Entretanto, durante a prática da habilidade, diferentes 
sistemas de armazenamento de informação tomam parte do processo, 
a saber: o armazenamento sensorial de curto prazo (ASCP), a memória 
de curto prazo e a memória de longo prazo (SCHMIDT; WRISBERG, 
2001), os quais são regiões onde a informação seria armazenada. 
No caso de um “item de informação” quando se pensa em 
uma na sequência e ou etapas de um golpe, como por exemplo, para 
manter esse golpe na memória de curto prazo, por alguns segundos, 
faz-se chunks ou pedaços, ou seja, agrupam-se conjuntos de ações 
de forma que cada conjunto, e não cada ação isoladamente seja um 
item de informação. Se forem considerados os detalhes de movimento 
presentes na transição de uma postura para outra, será visto que há uma 
70
S U M Á R I O série de itens de informação, como a posição dos pés, a angulação do 
tronco, joelho e quadril, a posição dos braços, a posição dos punhos, 
o modo como ocorre a transferência de peso entre as pernas, a força 
aplicada durante a contração isométrica dos dedos, entre outros 
aspectos. Os praticantes experientes agrupam os itens de informação, 
de modo a reduzir a quantidade de itens de informação, não sendo 
preciso que cada posição de cada estrutura corporal seja item de 
informação. Como por exemplo, o “punho cerrado” consiste em uma 
posição, sendo esta um único item de informação.Com o tempo de 
prática, a aprendizagem de mais padrões e a melhora na capacidade 
de identificar esses padrões e posturas, passam a constituir um único 
item de informação (TANI; CORREA, 2016).
TEMPO DE REAÇÃO
Como foi mencionada anteriormente, os processos de 
identificação do padrão, seleção da resposta e programação da 
resposta, ocorrerem dentro de um intervalo de tempo que passa após 
um estímulo subitamente apresentado, frequentemente não previsto 
até o início da resposta, conhecido como tempo de reação (TR), que 
é uma medida importante de performance que indica a velocidade e a 
eficácia da tomada de decisão - é o intervalo de TR.
O TR simples é a situação que envolve apenas um estímulo 
e uma resposta. No TR de escolha, existirão mais de um estímulo e 
uma resposta específica. No TR de discriminação, acontecerá mais 
de um sinal, mas a resposta está condicionada. Já o período de 
tempo desde o final do TR até a conclusão do movimento é chamado 
de tempo de movimento (TM).
71
S U M Á R I O TOMADA DE DECISÃO
Além da capacidade de execução da técnica, é essencial a 
capacidade de tomada de decisão sobre qual técnica empregar. 
Sabe-se que a tomada de decisão é dificultada em situações de 
imprevisibilidade, nesse sentido, fica claro que, na perspectiva do lutador 
que ataca, deixar o oponente desequilibrado ou em desvantagem é 
fundamental para a tomada de decisão de qual golpe executar, pois 
é a partir do sucesso no desequilíbrio que muitas vezes se escolhe o 
golpe mais apropriado para aquela situação.
A finta para a execução de um golpe é feita explorando-se o TR. 
Este é definido como o intervalo de tempo entre a apresentação de um 
estímulo e o início da resposta, sem que a resposta seja antecipada 
ao estímulo (SCHMIDT; WRISBERG, 2001). O tempo de latência varia 
de acordo com o receptor sensorial que recebe o estímulo, visual, 
auditivo ou cinestésico; e com as diferenças individuais. No caso do 
judô, o principal receptor sensorial é o cinestésico, visto que se está 
segurando o judô-gui do oponente. O TR é composto por duas fases: 
a fase pré-motora, que se refere ao intervalo de tempo entre o estímulo 
e a primeira alteração muscular detectada por eletromiografia; e a fase 
motora, que é o intervalo de tempo da primeira alteração muscular até 
o início do movimento.
De acordo com Júnior e Almeida (2013), o processo da tomada de 
decisão não é uma simplesmente escolha dentre muitas possibilidades, 
mas sim, um processo que ocorre levando em consideração outros 
processos cognitivos, os quais podem atuar tanto de forma positiva, 
auxiliando o aluno a decidir corretamente, como negativa, se o aluno 
não tiver essas capacidades cognitivas bem trabalhadas durante sua 
fase de formação. No entanto, não são apenas as capacidades de 
antecipação, percepção e memória que atuam na tomada de decisão 
72
S U M Á R I O (AFONSO; GARGANTA; MESQUITA, 2012), mas também a intensidade 
do exercício, a interação espacial entre os praticantes (CLAVIJO et 
al, 2016; FRIGOUT et al, 2020), assim como a massa corporal dos 
mesmos (SOTO et al, 2020).
LEI DE HICK
Hick (1952) descobriu que a relação entre o tempo de reação de 
escolha e o logaritmo do número de alternativas de estímulo-resposta 
é linear, ou seja, o tempo de reação de escolha aumenta a uma razão 
constante cada vez que o número de alternativas de estímulo-resposta 
é duplicado, sendo assim, esse fenômeno ficou conhecido na literatura 
como “lei de Hick”. No judô, a partir de um mesmo estímulo, no caso 
a pegada, por exemplo, puxar a manga para a realização do kouchi 
gari, o uke sabe que o seu oponente tem condições de lhe aplicar 
mais dois golpes partindo da mesma posição: seoi nague, caso o uke 
ajuste a puxada na manga realizada pelo tori com o passo da perna 
direita curto e, consequentemente, inclinando o tronco para frente; tai 
otoshi, caso o uke ajuste a puxada na manga realizada pelo tori com 
um deslocamento para diagonal direita, inclinando o tronco para essa 
direção. Com isso a sua resposta é retardada (uke), oportunizando 
mais tempo para o adversário realizar com sucesso a projeção ao solo 
(SCHMIDT; LEE, 2016, TANI; CORREA, 2016).
Outro fator muito importante, e talvez o principal, é o período 
refratário psicológico (PRP), que é um atraso na resposta a um 
segundo estímulo quando os dois estímulos estão próximos. Esse 
atraso é explicado pela capacidade do ser humano de processar 
apenas uma informação por vez. Existe um intervalo de tempo de 60 
a 100 ms aproximadamente entre os estímulos para que o PRP seja 
eficiente. Se o tempo for inferior a 40 ms o indivíduo tende a responder 
73
S U M Á R I O aos dois estímulos concomitantemente, e se ultrapassar 100 ms ele 
poderá responder aos dois estímulos, cada qual como um estímulo 
único. Um exemplo é a finta utilizando o ato de “empurrar e puxar” para 
causar o desequilíbrio do judô ou no BJJ.
Na aprendizagem de uma HM, observa-se que com a prática 
há melhoria de vários aspectos, entre eles o aperfeiçoamento de 
selecionar as informações relevantes para a atividade a se realizar. 
Um bom judoca deve possuir a capacidade de analisar o oponente 
em um combate, antecipando os seus movimentos. Um praticante 
que consegue antecipar com eficiência terá uma vantagem sobre os 
seus oponentes, possibilitando a preparação de seus movimentos 
antecipadamente. Inteligentemente, esta antecipação é o único modo 
de reduzir ou eliminar a latência do TR, sendo este um dos fatores que 
mais diferença faça entre atletas (LADEWIG, 2000).
ATENÇÃO
A atenção parece ser limitada pelo fato de que apenas 
uma determinada quantidade de capacidade de processamento 
da informação parece existir. Quando sobrecarregada, uma parte 
considerável desta informação pode ser perdida. Além disso, a atenção 
parece ser seriada, pois parece concentrar-se primeiramente em uma 
coisa, depois em outra, apenas com grande dificuldade, caso seja 
necessário, pode-se concentrar atenção em duas coisas ao mesmo 
tempo. Em alguns momentos, a atenção é direcionada para eventos 
sensoriais externos, no caso do exemplo supracitado, as atitudes 
correspondentes aos outros atletas. Em determinadas ocasiões, a 
atenção é concentrada nas operações mentais internas, por exemplo, 
quando tenta lembrar a perna preferida do adversário para aplicar o 
74
S U M Á R I O golpe. Em outras é direcionada para informações sensoriais internas, 
quando se trata das sensações dos músculos e articulações. 
Considera-se como atenção, o recurso, ou “conjunto” de 
recursos ligeiramente diferentes, que está disponível e que pode 
ser usado para várias finalidades (SCHMIDT; LEE, 2016). A atenção 
assemelha-se a um banco de dados, que contém várias informações 
que possibilita realizar as atividades desejadas, a forma pelas quais 
esses recursos de atenção são alocados define como será utilizada a 
atenção.
De acordo com Schmidt e Lee (2016) o processamento 
automático de informações é considerado resultado de uma grande 
quantidade de prática. Esta prática de uma determinada HM leva a 
execução automática e coerente do ponto de vista da Biomecânica. 
Por isso que o treinamento é primordial para o sucesso de qualquer 
praticante esportivo, pois, este indivíduo possuirá condições de 
realizar as HMs inerentes a sua arte marcial e ainda executar outros 
movimentos específicos. 
Exemplificando, pode-se citar um ambiente de luta, no caso o 
Muay Thai: o lutador executa diversos golpes, mas a sua preocupação 
não é com a técnica motora, pois esta já está refinada por causa dos 
treinos realizados, mas sim com a sequência de golpes e a defesa dos 
golpes adversários. Caso ele não defenda adequadamente os golpes 
do oponente, corre o risco de perder a luta.
A eficiência do processamento automático tem fortes implicações 
tanto para HMFs quanto para as TMs. Se uma tarefa é realizada de 
forma automática, muitas atividades de processamento da informação 
importantes podem ser produzidas não apenas rapidamente, mas 
em paralelocom outras, tarefas simultâneas e sem performance 
perturbadora. É como se certos estágios, como por exemplo a seleção 
de resposta, fossem ignorados todos juntos (SCHMIDT; LEE, 2016).
75
S U M Á R I O FEEDBACK 
Informação sensorial
Anteriormente foi apresentado que o feedback pode ser 
intrínseco ou extrínseco (ou aumentado), sendo este último fornecido 
de modo verbal, cinestésico e visual. O termo feedback é usado 
para situações em que, durante o movimento, surgem sensações 
decorrente da movimentação corporal, o que produz informações que 
são retroalimentadas para o executante. Por exemplo, quando ocorre 
o deslocamento de um corpo, a informação está disponível a partir dos 
músculos que se contraem, e da mudança espacial que é observada 
durante o deslocamento.
O feedback pode ser considerado como a informação sobre a 
diferença entre o que o aluno pretende fazer e o que ele fez. Deve-se 
considerar, com certa relevância, quanto ao ensino de HMs de uma 
arte marcial que, apesar do feedback intrínseco ser uma informação 
disponível ao aluno, ele pode mostrar limitada competência de captá-la 
e, consequentemente a não utilizar, principalmente na primeira fase de 
aprendizagem definida por Fitts e Posner (1967). Assim, a intervenção 
do professor torna-se essencial para que o aluno possa realizar as 
devidas correções. Ou seja, sugere-se que o professor forneça 
feedback extrínseco numa frequência relativamente moderada, como 
por exemplo, a cada duas ou três execuções. Isso possibilita que o 
aluno desenvolva a capacidade de percepção do feedback intrínseco 
e sua associação com o feedback extrínseco (TANI; CORREA, 2016). 
Já durante a prática para o alcance da meta de médio prazo, 
que corresponde à segunda fase de aprendizagem (associativa), a 
quantidade de feedback pode ser menor e mais espaçada entre as 
76
S U M Á R I O execuções. E, por fim, na fase autônoma, no caso a terceira fase, a 
quantidade e o momento de fornecimento de feedback podem ser 
definidos pelas necessidades estabelecidas pelo próprio aluno, ou 
seja, feedback autocontrolado (TANI; CORREA, 2016).
Dentre as formas de feedback, pode-se destacar o conhecimento 
de resultados, que se refere a informação sobre o alcance ou não da 
meta da habilidade, e o conhecimento de performance, que diz respeito 
a informação relativa ao padrão de movimento. Desse modo, a maior 
parte das informações relevantes para o aprendiz se refere ao padrão 
de movimento, seja o de referência ou o executado. Nesse sentido, 
tanto o fornecimento de instrução quanto o de feedback extrínseco 
devem considerar essa necessidade.
No judô, pode-se dizer que a maioria dos golpes utilizada nesta 
arte marcial implica a execução de movimentos rápidos em que o uso 
do feedback é limitado, ou seja, habilidades de circuito aberto, logo, a 
utilização do feedback pode acontecer somente após a execução do 
golpe, isto é, entre as tentativas.
Dessa forma, especialmente considerando a facilidade de 
acesso à filmagem dos movimentos existentes atualmente, esta 
associação entre feedback visual e feedback verbal pode representar 
uma forma de reduzir a quantidade de prática necessária para a 
aprendizagem de um kata ou um golpe, ou mesmo uma forma eficiente 
de permitir que o aprendiz identifique posturas e os movimentos 
executados erroneamente.
Os estudos afirmam que a utilização do feedback extrínseco 
durante os treinos pode melhorar as adaptações do treinamento 
(QUINZI et al, 2013, WEAKLEY et al, 2019, NAGATA et al, 2018), 
assim como aumentando as capacidades de detecção e correção 
de erros (GORMAN; WILLMOTT; MULLINEAUX, 2019) e melhorar o 
equilíbrio dinâmico em caratecas (VANDO et al, 2014) e em judocas 
(MASZCZYK et al, 2018).
77
S U M Á R I O O conhecimento do resultado e sua 
função no aprendizado motor
O conhecimento dos resultados (CR) é importante para a 
aprendizagem de uma HM. Esta importância pode ser identificada 
nas três funções principais que o CR tem na aprendizagem, a saber: 
uma fonte de informação para auxiliar o aprendiz na escolha da sua 
resposta para a próxima tentativa; funciona como um reforço, quando 
a tentativa de prática está total ou parcialmente correta, quando o 
aprendiz recebe este tipo de informação, o CR serve para reforçar a 
resposta correta; e o CR é um meio de motivação. Isto pode ser notado 
em uma situação de estabelecer objetivos, na qual o CR serve como 
informação ao aprendiz sobre como está progredindo em relação ao 
objetivo de desempenho estabelecido, por exemplo, no processo de 
aprendizado de posturas ou golpes (SCHMIDT; LEE, 2016). Estas três 
funções muitas vezes se sobrepõem. O ponto importante a apreciar em 
cada uma destas situações é que a responsabilidade em proporcionar 
a informação de resposta, o CR, está inteiramente com professor 
(MAGILL, 1984, SCHMIDT; LEE, 2016).
AQUISIÇÃO, RETENÇÃO E 
TRANSFERÊNCIA DE HABILIDADE
Aquisição de habilidade
De modo simples e direto; o fator mais importante que 
possibilita à aquisição de HMs é a prática. Contudo, essa prática é 
também, por muitas vezes, mal utilizada e compreendida no contexto 
da aprendizagem motora (SCHMIDT; LEE, 2016). 
78
S U M Á R I O Entende-se que, quanto mais prática maior a produção de 
aprendizagem, porém, a quantidade de tempo de prática não é a única 
preocupação aqui, e nem todos os métodos de prática são iguais em 
seus impactos sobre a aprendizagem (SCHMIDT; LEE, 2016). 
A repetição é necessária para uma prática bem sucedida, porém, 
essa repetição deve ser orientada e controlada, tendo início, meio e fim, 
além de objetivos específicos e intencionalidade pedagógica (BATISTA, 
2004). De modo importante, no entanto, os componentes do sistema 
de processamento tornam-se mais eficientes com a aprendizagem. 
Pode-se entender que a aprendizagem mais efetiva ocorre quando 
uma repetição ativa tantos componentes individuais do sistema quanto 
possível (SCHMIDT; LEE, 2016).
Retenção de habilidade 
Aqui se trata do “destino” de HMs, após um período de tempo 
durante o qual nenhuma outra prática é adotada e pode ocorrer 
esquecimento. Esse intervalo de tempo é conhecido como “intervalo 
de retenção”, sendo a ausência de prática frequentemente prejudicial 
para a performance de habilidosos (SCHMIDT; LEE, 2016).
Transferência de habilidade
A transferência, também conhecida como generalização, 
é um propósito importante da prática. Refere-se à ideia de que a 
aprendizagem adquirida durante a prática de uma determinada tarefa 
pode ser aplicada a, ou transferida para outras situações desejadas. 
Um professor não pode estar satisfeito se os alunos conseguem 
executar apenas as variações de tarefas que eles praticaram de modo 
específico. O professor deve almejar que os alunos sejam capazes de 
79
S U M Á R I O generalizar a aprendizagem específica para as muitas novas variações 
que eles possivelmente enfrentarão em outras situações.
Pode-se exemplificar com o rolamento para frente: no caso, 
um indivíduo que realizou ginástica olímpica por muito tempo saiba 
realizar essa HME, quando inserido no contexto do judô, mesmo que 
o rolamento anterior não seja idêntico do ponto de vista da HME, 
porém, são semelhantes em relação a HMF rolamento. Ou seja, as 
características fundamentadas dos dois rolamentos são semelhantes, 
o que difere são os elementos específicos de cada modalidade. 
Porém, a preocupação do professor está voltada para a organização 
da prática e como fazer com que esta organização possa maximizar 
a generalização (MAGILL, 1984, SCHMIDT; LEE, 2016), para tornar a 
transferência mais eficiente.
A transferência é definida como o ganho ou perda da 
capacidade de executar uma tarefa como resultado da prática ou 
experiência em outra tarefa. A transferência é tarefa positiva (TP) se 
melhora a performance em uma outra habilidade; negativa (TN) no 
caso de degradação da tarefa, e zero (TZ) quando não proporciona 
qualquer efeito. 
No que tange a TP, pode-se fazer uso do exemplo citado 
anteriormentedo rolamento para frente; na TN pode ser representada 
pelo chute giratório da capoeira e o muay thai, pois, apesar da 
ocorrência do giro, a postura corporal é bem diferente. E no TZ, 
como exemplo, tem-se o chute do futebol comparado ao chute 
semicircular no taekwondo, apesar de serem chutes, um tende a 
não interferir no outro.
No entanto, várias questões que envolvem a transferência, 
assim como, muitos elementos interferem para maximizar a 
transferência ajustando os métodos de ensino e estilos (SCHMIDT; 
LEE, 2016), ou seja, a transferência pode estar atrelada as HMFs de 
80
S U M Á R I O cada HME, a complexidade da tarefa, partes específicas desta HME 
e a sequência da HM. 
De acordo com Januário et al (2016), as organizações 
de prática que forneceram menor variabilidade conduziram ao 
aprendizado da conduta motora, enquanto que as que forneceram 
maior variabilidade resultaram na melhora da capacidade de definir 
os parâmetros necessários.
Segundo Nhamussua et al (2012), os participantes com nível 
superior de habilidade apresentaram melhor desempenho no teste de 
transferência imediato, e a ausência de diferenças significativas no 
teste de transferência retardado sugere que o efeito da interferência 
contextual pode ser temporário.
A PRÁTICA NO ENSINO DAS TAREFAS 
MOTORAS NAS LUTAS
Classificação das HMs e TMs
A classificação das HMs tem fortes implicações na estratégia 
de ensino a ser utilizada. Tratando-se das HMs do judô, estas são 
classificadas como abertas em razão da sua natureza motora, 
contudo, ainda se vê o ensino dos golpes como se fossem HMs 
fechadas. Um exemplo disso é o uchi-komi parado, no qual o ensino 
tem como embasamento dois argumentos principais: reduzir o nível 
de dificuldade da tarefa para os alunos, viabilizando a sua execução, e 
promover a automatização do golpe por meio da repetição mecânica de 
movimentos. Independentemente dos argumentos, é indiscutível que 
as características inerentes da tarefa estão sendo sacrificadas, ou seja, 
81
S U M Á R I O a aquisição de HMs está ocorrendo sem relação com a especificidade 
da luta; isto pode resultar no desenvolvimento da capacidade de 
executar o golpe com perfeição do ponto de vista mecânico, mas não 
de sua utilização eficiente numa luta (TANI; CORREA, 2016).
Outro exemplo é a característica seriada das HMs do judô, a 
qual não é considerada quando um golpe está sendo ensinado do 
modo em partes. A característica seriada tem como elemento essencial 
a interação entre os componentes da HM, de modo que não se trata 
simplesmente da execução dos componentes em sequência, como se 
a soma das partes resultasse no todo. O uso do ensino fracionado da 
habilidade se justifica pelo fato de reduzir a dificuldade da tarefa para 
o aprendiz e, assim, viabilizar a sua execução. Além disso, o ensino em 
partes possibilita corrigir elementos e ou fundamentos específicos de 
uma conduta motora, ou que fazem parte de uma sequência específica.
Os professores e técnicos esportivos se deparam com alguns 
questionamentos durante a sua prática. Um deles está relacionado 
com o modo que uma habilidade motora será ensinada. Quais 
as estratégias a serem utilizadas e o tempo dedicado? Outro 
questionamento pertinente diz respeito a melhor alternativa para um 
aprendiz praticar a HM. Dentre as possibilidades, o treinamento pode 
ser realizado como um todo ou em partes (MAGILL, 1984).
Segundo MAGILL (2000), praticar uma habilidade como um todo 
ajuda a sentir melhor o fluxo contínuo, o ritmo da tarefa e o timing de 
todos os componentes dos movimentos da conduta motora. A prática 
em partes tende a reduzir a complexidade da habilidade e permite que 
o executante reforce o desempenho de cada parte corretamente antes 
de desenvolver a prática como um todo.
No que se refere ao ensino–aprendizagem de uma habilidade, 
a prática em partes, como foi anteriormente aludido, tem como 
característica a exercitação específica de uma fase importante do 
82
S U M Á R I O movimento que ainda não está bem desenvolvida. Por meio dela, 
podem-se determinar quais das partes que compõem uma habilidade 
devem ser praticadas separadamente.
O que norteia a escolha da prática em partes é o nível de 
complexidade da habilidade; ou seja, quando se tem uma habilidade 
muito complexa, no que se refere a sua execução motora, observa-se 
a necessidade de trabalhar cada parte por vez, até conseguir praticar 
como um todo, possibilitando o aprimoramento da habilidade motora 
em cada fase do movimento (MAGILL, 2000). Cabe ao Professor 
selecionar as ferramentas e as estratégias para aperfeiçoar as 
habilidades em cada fase do movimento. 
Acredita-se que a AM é bem específica, ou seja, a especificidade 
de aprendizagem representa que tudo o que foi aprendido e depende 
em grande parte da prática. Como por exemplo, no caso de um atleta 
de BJJ que deseja um bom rendimento no dia da luta. O indivíduo deve 
treinar nas condições mais próximas da realidade da competição, ou 
seja, com o clima e temperatura do evento, e longe dos seus torcedores. 
Treinar em um ambiente ou espaço de trabalho em particular com 
frequência leva a uma performance melhor, principalmente, às vezes 
apenas, nesse espaço de trabalho, em comparação com um outro de 
trabalho diferente ou alterado (MAGILL, 1984). 
Outro achado importante é que o feedback sensorial, como 
por exemplo, visual, auditivo, tátil resultante da performance durante 
tipos ou locais específicos de prática torna-se parte da representação 
aprendida para a habilidade, de tal modo que a performance posterior 
é mais hábil quando essa mesma informação sensorial está disponível, 
em comparação com as situações em que um ou mais desses canais 
de feedback são alterados. Assim, enquanto um importante objetivo 
da prática é facilitar a transferência, isto é, melhoria da performance 
para situações ou contextos não praticados, é importante reconhecer 
83
S U M Á R I O que a especificidade da aprendizagem é a característica dominante 
(MAGILL, 1984; WEINECK, 2003; SCHMIDT; LEE, 2016).
Fatores que afetam a aquisição de HM
De acordo com Gomes et al. (2002) ao investigarem a 
especificidade de prática na aquisição do golpe osoto gari, comparando 
a prática tradicional ou estática (GE) com a prática em movimento (GM), 
identificaram que o GM apresentou superioridade em relação ao GE 
nos testes de retenção e nos dois testes de transferência. Os autores 
concluíram que aprender o osoto gari num contexto mais dinâmico é 
mais eficiente, o que vai ao encontro da hipótese de especificidade de 
prática (WEINECK, 2003), que indica como importante a aprendizagem 
das HMs de luta serem realizadas em situações específicas, mais 
próximas da realidade.
Em uma HM, entende-se por complexidade o número de 
componentes ou de partes de uma habilidade e, por organização, 
a interação entre as partes. Singer (1980) afirma que, quando a 
complexidade é alta e a organização é baixa, seria mais eficaz a 
prática por partes; em contrapartida, quando a organização é alta e a 
complexidade baixa, é indicada a prática do todo. De acordo com Magill 
(2000), deve haver habilidades que estejam em estágios intermediários 
entre as proposições de Singer (1980), em que a combinação dos dois 
tipos de prática pode ser mais eficiente. 
Organização da prática na aprendizagem
Classificações podem auxiliar a identificar demandas das HMs, 
ou de partes dessas habilidades. Num exemplo mais específico, 
84
S U M Á R I O as classificações podem auxiliar a pensar em possibilidades 
de organização da prática para uma maior eficiência. Reduzir a 
quantidade de tempo para a aprendizagem de uma HM ou melhorar a 
adaptabilidade e ou permanência de sua representação mental estão 
entre as principais questões referentes à aprendizagem de habilidades 
(TANI; CORREA, 2016).
No que tange as categorias de movimento, quando há o 
fracionamento de um golpe, o professor pode identificar tanto as 
HMFs quanto as categorias envolvidas - por exemplono judô, a grande 
maioria dos golpes envolvem HMFs como pegar, puxar, empurrar, 
andar, contorcer o corpo e flexionar o tronco. Essas HMs enquadram-
se nas categorias de manipulação, equilíbrio e locomoção, sendo esta 
última em sua minoria. Portanto, para o ensino de determinadas TMs 
do judô, seria interessante focar nessas categorias de movimento, 
respeitando a especificidade das TMs.
Evidências indicam que o foco externo de atenção beneficia 
o controle das HMs quando o executante está num estágio de 
aprendizagem avançado. Os benefícios do foco externo estariam 
relacionados à ausência de interferência consciente em mecanismos 
de controle motor que seriam automáticos (TANI; CORREA, 2016).
Essa hipótese prevê que, quando a atenção é focada nos 
movimentos corporais, ou nos efeitos que ocorrem próximos ao 
corpo, um executante tenderia a intervir mais ativamente no controle 
dos movimentos do que faria caso estivesse focando a atenção num 
efeito mais distante. A tentativa de controlar ativamente os movimentos 
imporia uma restrição ao sistema motor, interferindo em processos 
de controle automáticos, que normalmente seriam responsáveis por 
regular o movimento. A hipótese prevê que o controle seria mais 
efetivo caso o executante colocasse seu foco de atenção no efeito 
que o movimento tem no ambiente, permitindo que o sistema motor 
85
S U M Á R I O se organizasse “naturalmente”: sem as restrições impostas pelo 
controle consciente. 
De acordo com WULF et al (2010) e Sá et al (2013) o foco 
de atenção externo afeta positivamente sobre o desempenho e 
aprendizagem de habilidades motoras. O foco interno-externo também 
contribui para um desempenho mais consistente (SILVA et al, 2013).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando o professor considera os princípios básicos da AM e do 
DM no processo de ensino-aprendizagem possibilita a elaboração de 
um programa de treinamento mais específico, com intencionalidade 
pedagógica e respeitando as características inerentes do aluno, assim 
como as HMs e TMs pertinentes as artes marciais, corroborando com 
o desenvolvimento pleno do aluno.
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Tania Micheline Miorando
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Tarcísio Vanzin
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Thiago Barbosa Soares
Universidade Federal de São Carlos, Brasil
Thiago Camargo Iwamoto
Universidade de Brasília, Brasil
Thyana Farias Galvão
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil
Valdir Lamim Guedes Junior
Universidade de São Paulo, Brasil
Valeska Maria Fortes de Oliveira
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
Vanessa Elisabete Raue Rodrigues
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil
Vania Ribas Ulbricht
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Wagner Corsino Enedino
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
Wanderson Souza Rabello
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil
Washington Sales do Monte
Universidade Federal de Sergipe, Brasil
Wellington Furtado Ramos
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
PARECERISTAS E REVISORES(AS) POR PARES
Avaliadores e avaliadoras Ad-Hoc
Adaylson Wagner Sousa de Vasconcelos
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Adilson Cristiano Habowski
Universidade La Salle - Canoas, Brasil
Adriana Flavia Neu
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Aguimario Pimentel Silva
Instituto Federal de Alagoas, Brasil
Alessandra Dale Giacomin Terra
Universidade Federal Fluminense, Brasil
Alessandra Figueiró Thornton
Universidade Luterana do Brasil, Brasil
Alessandro Pinto Ribeiro
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil
Alexandre João Appio
Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil
Aline Corso
Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil
Aline Marques Marino
Centro Universitário Salesiano de São Paulo, Brasil
Aline Patricia Campos de Tolentino Lima
Centro Universitário Moura Lacerda, Brasil
Ana Emidia Sousa Rocha
Universidade do Estado da Bahia, Brasil
Ana Iara Silva Deus
Universidade de Passo Fundo, Brasil
Ana Julia Bonzanini Bernardi
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
Ana Rosa Gonçalves De Paula Guimarães
Universidade Federal de Uberlândia, Brasil
André Gobbo
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Andressa Antonio de Oliveira
Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Andressa Wiebusch
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Angela Maria Farah
Universidade de São Paulo, Brasil
Anísio Batista Pereira
Universidade Federal de Uberlândia, Brasil
Anne Karynne da Silva Barbosa
Universidade Federal do Maranhão, Brasil
Antônia de Jesus Alves dos Santos
Universidade Federal da Bahia, Brasil
Antonio Edson Alves da Silva
Universidade Estadual do Ceará, Brasil
Ariane Maria Peronio Maria Fortes
Universidade de Passo Fundo, Brasil
Ary Albuquerque Cavalcanti Junior
Universidade do Estado da Bahia, Brasil
Bianca Gabriely Ferreira Silva
Universidade Federal de Pernambuco, Brasil
Bianka de Abreu Severo
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Bruna Carolina de Lima Siqueira dos Santos
Universidade do Vale do Itajaí, Brasil
Bruna Donato Reche
Universidade Estadual de Londrina, Brasil
Bruno Rafael Silva Nogueira Barbosa
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Camila Amaral Pereira
Universidade Estadual de Campinas, Brasil
Carlos Eduardo Damian Leite
Universidade de São Paulo, Brasil
Carlos Jordan Lapa Alves
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil
Carolina Fontana da Silva
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Carolina Fragoso Gonçalves
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil
Cássio Michel dos Santos Camargo
Universidade Federal do Rio Grande do Sul-Faced, Brasil
Cecília Machado Henriques
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Cíntia Moralles Camillo
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Claudia Dourado de Salces
Universidade Estadual de Campinas, Brasil
Cleonice de Fátima Martins
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil
Cristiane Silva Fontes
Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
Cristiano das Neves Vilela
Universidade Federal de Sergipe, Brasil
Daniele Cristine Rodrigues
Universidade de São Paulo, Brasil
Daniella de Jesus Lima
Universidade Tiradentes, Brasil
Dayara Rosa Silva Vieira
Universidade Federal de Goiás, Brasil
Dayse Rodrigues dos Santos
Universidade Federal de Goiás, Brasil
Dayse Sampaio Lopes Borges
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil
Deborah Susane Sampaio Sousa Lima
Universidade Tuiuti do Paraná, Brasil
Diego Pizarro
Instituto Federal de Brasília, Brasil
Diogo Luiz Lima Augusto
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil
Ederson Silveira
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Elaine Santana de Souza
Universidade Estadual do Norte Fluminense 
Darcy Ribeiro, Brasil
Eleonora das Neves Simões
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
Elias Theodoro Mateus
Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil
Elisiene Borges Leal
Universidade Federal do Piauí, Brasil
Elizabete de Paula Pacheco
Universidade Federal de Uberlândia, Brasil
Elizânia Sousa do Nascimento
Universidade Federal do Piauí, Brasil
Elton Simomukay
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil
Elvira Rodrigues de Santana
Universidade Federal da Bahia, Brasil
Emanuella Silveira Vasconcelos
Universidade Estadual de Roraima, Brasil
Érika Catarina de Melo Alves
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Everton Boff
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Fabiana Aparecida Vilaça
Universidade Cruzeiro do Sul, Brasil
Fabiano Antonio Melo
Universidade Nova de Lisboa, Portugal
Fabrícia Lopes Pinheiro
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Fabrício Nascimento da Cruz
Universidade Federal da Bahia, Brasil
Francisco Geová Goveia Silva Júnior
Universidade Potiguar, Brasil
Francisco Isaac Dantas de Oliveira
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil
Francisco Jeimes de Oliveira Paiva
Universidade Estadual do Ceará, Brasil
Gabriella Eldereti Machado
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Gean Breda Queiros
Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Germano Ehlert Pollnow
Universidade Federal de Pelotas, Brasil
Glaucio Martins da Silva Bandeira
Universidade Federal Fluminense, Brasil
Graciele Martins Lourenço
Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
Handherson Leyltton Costa Damasceno
Universidade Federal da Bahia, Brasil
Helena Azevedo Paulo de Almeida
Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil
Heliton Diego Lau
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil
Hendy Barbosa Santos
Faculdade de Artes do Paraná, Brasil
Inara Antunes Vieira Willerding
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Ivan Farias Barreto
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil
Jacqueline de Castro Rimá
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Jeane Carla Oliveira de Melo
Universidade Federal do Maranhão, Brasil
João Eudes Portela de Sousa
Universidade Tuiuti do Paraná, Brasil
João Henriques de Sousa Junior
Universidade Federal de Pernambuco, Brasil
Joelson Alves Onofre
Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil
Juliana da Silva Paiva
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Junior César Ferreira de Castro
Universidade Federal de Goiás, Brasil
Lais Braga Costa
Universidade de Cruz Alta, Brasil
Leia Mayer Eyng
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Manoel Augusto Polastreli Barbosa
Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Marcio Bernardino Sirino
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Marcos dos Reis Batista
Universidade Federal do Pará, Brasil
Maria Edith Maroca de Avelar Rivelli de Oliveira
Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil
Michele de Oliveira Sampaio
Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Miriam Leite Farias
Universidade Federal de Pernambuco, Brasil
Natália de Borba Pugens
Universidade La Salle, Brasil
Patricia Flavia Mota
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Raick de Jesus Souza
Fundação Oswaldo Cruz, Brasil
Railson Pereira Souza
Universidade Federal do Piauí, Brasil
Rogério Rauber
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho,an 
external focus. Human movement science, v. 29, n. 3, p. 440-448, 2010.
LEARNING AND MOTOR DEVELOPMENT 
IN TEACHING FIGHTS
Abstract
This chapter aims to present the fundamental aspects of motor learning 
(AM) and motor development (DM), with regard to the production, control 
and education of movements inherent to martial arts. Both AM and DM are 
important areas of knowledge in the teaching-learning process of HM, in this 
chapter it will be treated about the basic concepts and factors that affect AM 
and DM, leading to the understanding of the human movement, where it will 
be addressed on motor skills and techniques. It will also be addressed on 
information processing, decision making, feedback, memory and attention in 
the teaching of struggles; as well as knowledge of the result and its role in 
motor learning; and the importance of practice in teaching motor tasks in fights. 
Thus, this work can contribute to the understanding of the aspects related to 
the execution of the movements in the perspective of the mentioned areas, 
enabling the elaboration of efficient strategies that guarantee the success of 
the teaching-learning process of the motor skills and techniques inherent to the 
practice of martial arts.
Capítulo 3
TREINAMENTO E 
APERFEIÇOAMENTO DAS 
CAPACIDADES FÍSICAS E 
MOTORAS APLICADAS
Sidnei Jorge Fonseca Junior
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601.89-123
3
Sidnei Jorge Fonseca Junior
TREINAMENTO 
E APERFEIÇOAMENTO 
DAS CAPACIDADES FÍSICAS 
E MOTORAS APLICADAS
90
S U M Á R I O INTRODUÇÃO
A ciência do treinamento desportivo envolve diretamente 
as capacidades físicas. Todo programa de treino, seja qual for a 
modalidade esportiva, tem o planejamento periodizado de acordo com 
a dominância de capacidades físicas que são decisivas para o sucesso 
do atleta (DANTAS, 2014). Em modalidades de lutas, é importante um 
cuidado maior, devido cada arte marcial ter características e regras 
diferentes, o que sugere dotação de capacidades físicas distintas no 
que tange ao alto rendimento. Diante da complexidade da temática, o 
presente texto pretende refletir, com bases científicas, o treinamento e 
aperfeiçoamento das capacidades físicas aplicadas às lutas.
Schmidt e Wrisberg (2001) define capacidade como “traços 
estáveis e duradouros que, na sua maior parte, são geneticamente 
determinados e que embasam a performance habilidosa dos 
indivíduos.” Com base nos conceitos de Magill (2000), Schmidt e 
Wirisberg (2001) e Weineck (1999) entende-se por capacidade física, 
também chamadas de capacidades motoras ou, ainda, qualidades 
físicas, os traços herdados, estáveis e permanentes, necessários ou 
subjacentes, que embasam a execução e desempenho de habilidades 
motoras no cotidiano e na prática esportiva. 
Por mais que com muita prática se adquira habilidades motoras 
para a participação recreativa de um determinado desporto, estudos na 
área de desenvolvimento do talento esportivo se preocupam de maneira 
exacerbada com a identificação das capacidades físicas básicas 
essenciais em um desporto, pois no alto rendimento é necessário 
um conjunto de atributos necessários (SCHMIDT; WIRISBERG, 
2001; SILVA-FILHO et al., 2016; CARON et al., 2017). O nível das 
capacidades físicas abaixo dos padrões pode limitar um indivíduo 
na prática esportiva. Em adendo, estudos com intuito de identificar 
91
S U M Á R I O características das capacidades físicas em atletas de alto rendimento 
nas modalidades esportivas são comuns na literatura internacional, 
permitindo comparações em demais praticantes (NORJALI et al., 2019; 
CARON et al., 2017; FRANCHINI; TAKITO; KISS, 2000).
Schmidt e Wirisberg (2001) cita que uma das primeiras 
descrições das capacidades físicas foi idealizada por Fleishman 
(1964), um dos principais defensores da necessidade de observar 
as capacidades físicas existentes na natureza do ser humano. Desta 
maneira, descreve um grupo de “capacidade perceptivo-motora”, 
formado pela coordenação multimembros, precisão de controle, 
orientação da resposta, tempo de reação, controle de velocidade, 
destreza manual, destreza de dedos, estabilidade braço-mão, 
velocidade punho-dedo e mirar; e outro grupo de “capacidades 
de proficiência física”, composto pela força explosiva, estática, 
dinâmica e de tronco, flexibilidade, flexibilidade dinâmica, equilíbrio 
amplo e com dicas visuais, velocidade de movimento de segmento, 
coordenação corporal ampla e estâmina (resistência). 
É comum na literatura, observar alguns autores dividindo as 
capacidades físicas ou motoras em condicionantes e coordenativas. 
Em geral, as capacidades condicionantes são dependentes do 
metabolismo energético. Weineck (1999) cita a força, velocidade, 
resistência e flexibilidade. As capacidades coordenativas envolvem a 
qualidade motora e fatores psicomotores provenientes de todo o sistema 
de transmissão do impulso nervoso, desde informações sensoriais 
e sua cognição até a contração muscular, gerando movimentos 
proporcionados por contrações musculares voluntárias, constituindo-
se, portanto, na base para a aprendizagem, para a execução e para o 
domínio dos gestos técnicos (WEINECK, 1999). 
Reconhecendo que há diversas classificações na literatura, 
Dantas (2014) cita Tubino e Moreira (2003), descrevendo as 
“qualidades físicas” divididas em dois grupos: qualidades da forma 
92
S U M Á R I O física, que são desenvolvidas com o treinamento; e as qualidades das 
habilidades motoras, que são inatas e que seriam aperfeiçoadas pelo 
treinamento. Seriam então a força (dinâmica, estática, e explosiva), a 
resistência (aeróbia, anaeróbia e muscular localizada) e a flexibilidade, 
as “qualidades de forma física”; a coordenação, a descontração (total 
e diferencial), a agilidade, a velocidade (reação e de movimento), e 
o equilíbrio (dinâmico, estático e recuperado), as “qualidades das 
habilidades motoras”.
Entretanto, para que habilidades motoras específicas de uma 
luta sejam realizadas com sucesso, faz-se necessário a interação 
entre capacidades coordenativas e condicionantes. Logo, tal divisão é 
contestada a partir do raciocínio da importância da interação de ambas 
as capacidades para o total domínio e bom desempenho em ações 
motoras específicas nos desportos. Partindo desta premissa, Gomes 
(2009) sem dividir as capacidades físicas, descreve a seguinte divisão: 
resistência, força, velocidade, flexibilidade e coordenação.
AS LUTAS E SUAS CAPACIDADES FÍSICAS 
Seguindo a idealização da necessidade de conhecer a 
modalidade de luta para compreender as capacidades físicas 
específicas, em um estudo com praticantes de Brazilian Jiu-Jitsu 
de diferentes níveis de experiência, Brasil et al. (2015) observaram, 
baseados em especialistas, que a flexibilidade, força geral, resistência 
muscular localizada e aeróbia e o equilíbrio são necessários para o alto 
rendimento. Este estudo demonstrou que praticantes mais experientes 
tinham melhor equilíbrio. 
Em complemento, em outro estudo com atletas experientes de 
Brazilian Jiu-Jitsu, Del Vecchio et al. (2007) observaram a necessidade 
93
S U M Á R I O de alta potência anaeróbia, com alto pico de lactato sanguíneo 
e frequência cardíaca durante o combate, sugerindo atenção à 
resistência anaeróbia. Tais parâmetros fisiológicos aumentaram em 
decorrência de ações motoras típicas da luta em pé e no solo, com fins 
de projeção do adversário ao solo, dominá-lo com técnicas específicas 
que se baseiam em posições e alavancas biomecânicas, buscando a 
desistência do adversário utilizando chaves e estrangulamentos, ou 
um maior número de pontos.
Para a eficiência e eficácia durante a luta, além das capacidades 
coordenativas necessárias para as ações motoras que fazem parte do 
Brazilian Jiu-Jitsu, as capacidades consideradas condicionantes para o 
sucesso devem estar aliadas. Em adendo, faz-se necessário observar 
que outras lutas necessitam de ênfase em outras capacidades físicas, 
para compreensão do treinamento e aperfeiçoamento em diferentesartes marciais. Como já foi abordado, por mais que uma modalidade 
esportiva de combate tenha proximidades com outra, uma simples 
alteração nas regras do desporto precisa ser considerada para maior 
eficiência no treinamento.
Uma modalidade esportiva de combate que desperta interesse 
por suas inovações e evolução nas regras são as artes marciais mistas 
(Mixed Martial Arts - MMA). Mudanças nesse esporte após 2001 fizeram 
que deixasse de ser um encontro de lutadores de artes marciais distintas 
para uma categoria de combate em que o atleta de alto rendimento 
precisa ser bom o suficiente em diferentes técnicas, necessárias para 
o combate no solo e em pé. Atualmente, uma seleção de técnicas 
contundentes de modalidades como judô, jiu-jitsu, wrestling, boxe, 
muaythai e caratê são utilizadas na formação de um atleta de MMA. 
Todavia, estudos científicos ainda são necessários para uma melhor 
compreensão das capacidades físicas que merecem atenção especial 
da equipe de fisiologistas e preparadores físicos, principalmente no 
que se refere ao sexo feminino. 
94
S U M Á R I O Em uma revisão sistemática da literatura publicada com objetivo 
de analisar o conhecimento existente a respeito das características 
antropométricas e fisiológicas de atletas de MMA, Spanias et al. (2019) 
resume uma visão inicial para a modalidade no sexo masculino, pois 
para o feminino, estudos científicos não haviam sido encontrados. 
Desta maneira, como limitação, os estudos apresentaram métodos 
diferentes de avaliação das capacidades físicas, além de poucos 
atletas como amostra. Foi observada nos estudos selecionados a 
resistência cardiorrespiratória compatível com lutadores de outras 
modalidades de combate, exceto em um dos estudos investigados, que 
foi desenvolvido com atletas de nível internacional e apresentou maior 
média; foi apresentado, ainda, outras características dos lutadores, 
como alto nível de flexibilidade, força muscular, resistência muscular e 
potência anaeróbia; importante colocar que a massa corporal foi alta 
devido a hipertrofia muscular e baixa quantidade de gordura corporal.
Os dados apresentados pelos estudos da revisão de literatura 
citada auxiliam a equipe técnica a avaliar seus atletas. Mas vale 
considerar que o MMA ainda é novo para as ciências do esporte, mesmo 
considerando a quantidade de atletas envolvidos e quantidades de 
eventos pelo mundo.
CONCEITOS, TREINAMENTO 
E APERFEIÇOAMENTO DAS 
CAPACIDADES FÍSICAS
Os conceitos de capacidades físicas são importantes para 
diferenciá-las e aprender suas subdivisões. Faz-se necessário, ainda, a 
compreensão de sua aplicação no treinamento, pois em um processo 
de periodização algumas são trabalhadas durante todo o processo de 
treino, outras formam a base do treinamento para, em fases posteriores, 
95
S U M Á R I O específicas e competitivas, outras capacidades físicas, fundamentais 
para o sucesso esportivo, sejam priorizadas.
Ademais, assim como Gomes (2009), Bompa (2001) descreve 
as relações existentes entre as capacidades físicas. Nesse contexto, 
a força, velocidade e resistência são cruciais para um desempenho 
de excelência; a combinação entre a força e a resistência, cria a 
resistência muscular; potência resulta da integração da força máxima 
e da velocidade; a combinação entre a resistência e a velocidade é 
chamada de resistência de velocidade; a agilidade é o resultado 
da complexa combinação entre as capacidades físicas velocidade, 
coordenação, flexibilidade e força; e quando a agilidade e a flexibilidade 
se unem, o resultado é a mobilidade.
Dantas (2014) destaca a importância de o técnico ter 
conhecimento atualizado do esporte para apresentar o “estado 
da arte” para os demais membros da comissão técnica, pois será 
necessária a identificação das capacidades físicas dominantes 
durante o combate e em segmentos corporais que se manifestam, 
conforme já debatido. Modelos de scout e filmagens são importantes. 
Estratégias devem ser tomadas de acordo com as regras da 
competição e os principais adversários.
CAPACIDADES FÍSICAS COORDENATIVAS 
(HABILIDADES MOTORAS)
As capacidades coordenativas, no âmbito esportivo, fazem parte 
da preparação técnica do atleta, ou seja, incluem a capacidade de 
coordenar habilidades motoras específicas para cada modalidade de 
arte marcial, envolvendo, ainda, um conjunto de fatores psicomotores 
necessários para uma ação eficiente, ou, até mesmo, eficaz. Dantas 
96
S U M Á R I O (2014) define coordenação motora como “capacidade de realizar 
movimentos de modo ótimo, com o máximo de eficácia e economia de 
esforços”. Entretanto, coloca a coordenação motora como uma das 
“qualidades físicas” que fazem parte da preparação técnica. 
Gomes (2009) define como a capacidade de dirigir os 
movimentos de acordo com as soluções das tarefas motoras, 
citando que as capacidades de coordenação são diversificadas e 
representam as tarefas motoras que o homem deve desenvolver. 
Destaca, ainda, a importância de estímulos adequados nas fases da 
infância, de acordo com o desenvolvimento do sistema neuromotor, 
além de ser responsável, como já citado, pela eficiência de outras 
capacidades físicas. A formação de uma ampla memória motora na 
fase motora fundamental proporciona maiores facilidades na fase de 
especialização, que se inicia segundo Gallahue e Ozmun (2005) após 
os sete anos de idade. 
Tubino e Moreira (2003, p.98) definem preparação técnica como 
“o treinamento dos fundamentos técnicos individuais, acrescidos de 
sequências ensaiadas, tudo com o sentido de enfrentar a competição 
com recursos técnicos suficientes para o alcance do êxito nos objetivos 
formulados”. Em esportes de combate, a quantidade de recursos 
técnicos de um atleta pode ser um fator decisivo em confrontos 
equilibrados. O estudo de Franchini et al. (2008) analisou judocas em 
campeonatos mundiais e jogos olímpicos entre 1995-2001, observando 
um repertório maior de técnicas utilizadas com sucesso em atletas que 
obtiveram destaque nas competições.
Desta maneira, Paiva (2009) cita Matveev (1997), que destaca três 
propósitos básicos para a preparação técnica: (I) maior conhecimento 
teórico possível da modalidade em treinamento; (II) ampliação das 
destrezas e hábitos motores favoráveis para o aperfeiçoamento da 
modalidade treinada; (III) aperfeiçoar gestos esportivos específicos da 
modalidade treinada.
97
S U M Á R I O Vale ressaltar que em todo processo de ensino de novas 
habilidades motoras esportivas, o indivíduo inicia em um estágio 
cognitivo, passando pelo estágio associativo e, por último, o autônomo. 
Atletas com compreensão da luta e maiores experiências assimilam 
mais rapidamente e alcançam a fase autônoma em menor tempo, após 
iniciar a prática de um novo gesto motor. A fase autônoma caracteriza-
se pela capacidade de produzir as ações com pouca ou nenhuma 
atenção, devido ao desenvolvimento dos seus programas motores, a 
tal nível que podem controlar suas ações por um longo período de 
tempo (SCHMIDT; WIRISBERG, 2001). Aplicado às lutas, significa a 
possibilidade de execução de uma sequência de golpes, previamente 
trabalhada em um treino, em uma situação específica da luta, sem a 
necessidade do processo de cognição.
Ademais, a neurociência vem colaborando com a aprendizagem 
e aperfeiçoamento de novas técnicas. Com respeito à hemisfericidade, 
acredita-se que o hemisfério esquerdo é mais utilizado nos estágios 
iniciais de aprendizagem motora (cognitivo, também chamado 
de verbal-cognitivo), pois é mais utilizado no trabalho intelectual, 
racional, verbal e analítico. Existe uma maior proporção de atletas com 
dominância hemisférica direita em relação ao contexto populacional. 
Atletas com hemisfério direito dominando o processamento mental 
são aptos para tarefas motrizes, informações não verbais, percepção 
espacial e processamento holístico, parecendo ter maior capacidade 
de solução de problemas, principalmente espaciais-temporais, em 
situações novas (FERRAZ, et al., 2009).Desta maneira, a definição do método de ensino/treino adequado 
de novas técnicas também deve ser discutida e estar de acordo com 
o momento da aprendizagem. Os métodos de ensino situacional 
têm sido citados como importante para a tomada de decisão e 
criatividade em situações complexas, pois trabalha com a interação da 
técnica e da tática, favorece novas conexões nervosas e aumento da 
98
S U M Á R I O neuroplasticidade e a aplicação de habilidades motoras com eficácia 
(GOMES, 2008; MENEZES; MARQUES; NUNOMURA, 2014).
Logo, situações de luta, que proporcionem variações de tomadas 
de decisão, ofensivas e defensivas, a respeito de uma especificidade 
da modalidade, muitas vezes em função das características do 
adversário, são importantes para a preparação do atleta. Engramas 
motores ocorrem com o mínimo de 9 dias de treinos, devendo ser 
evitado o excesso de repetições e valorizar atividades recreativas que 
favoreçam a repetição do gesto motor, trazendo mais motivação para 
o treino (GOMES,2008; MENEZES; MARQUES; NUNOMURA, 2014; 
WEINECK, 1999). Complementando as estratégias para o treinamento 
técnico, Weineck (1999) cita a importância do treinamento mental, 
principalmente por encurtar o tempo de aprendizagem, aumentar a 
estabilidade de uma habilidade motora, a precisão e a velocidade de 
execução de um movimento.
Resistência aeróbia e anaeróbia
A melhora de desempenho em capacidades físicas é relevante 
para o sucesso esportivo, incluindo lutadores. A literatura apresenta 
diferentes maneiras de treinar a resistência aeróbia. Entretanto, para 
cada modalidade de esportes de combate é importante a observação 
das características das regras e habilidades motoras desenvolvidas 
ao longo da luta. Em adendo, surge a necessidade de observar as 
demandas energéticas e fisiológicas para melhor determinar as 
características do treinamento. 
Para Dantas (2014), durante o exercício, a intensidade 
proporcionada é que determinará qual sistema de transferência 
energética contribuirá mais ou menos. Ou seja, em esforços leves 
(a escolher entre algumas ações eventuais, a mais 
eficiente na situação imposta pela disputa. Destaca-se a importância 
da concentração, orientação da atenção, como determinantes para a 
rapidez de reação (GOMES, 2009).
A coordenação intramuscular, intermuscular e a automatização 
do movimento são importantes para o treino da velocidade. Do ponto 
de vista energético, os esforços de velocidade são principalmente 
anaeróbios aláticos, sendo importante o reestabelecimento das 
reservas de ATP-PCr e ação das enzimas. Assim, a predominância 
de fibras musculares de contração rápida, que serão discutidas mais 
adiante, é fundamental para atletas de modalidades de combate que 
necessitam de velocidade (GOMES, 2009; DANTAS, 2014). 
Somente descansado o sistema neuromuscular está em 
condições de realizar atividades com alta capacidade de reação 
e de ações máximas. O excesso de acidez na musculatura reduz a 
velocidade de contração por influenciar nas capacidades coordenativas. 
O treinamento da velocidade com fadiga leva o atleta a se acostumar 
com um estereótipo de movimento submáximo e, com isto, a qualidade 
do treino piora e a velocidade não é desenvolvida (WEINECK, 1999).
Sabendo das relações entre a coordenação motora e a 
velocidade, uma alta frequência de movimentos somente pode 
ser alcançada com a alternância mais rápida entre a estimulação e 
inibição, havendo a importância de uma eficaz condução nervosa até 
a contração muscular e um emprego ótimo de força. A repetição de 
movimentos específicos, utilizando pequenas cargas (próximo de 15% 
da capacidade), como por exemplo, os elásticos ou halteres auxiliam 
no treino de velocidade (WEINECK, 1999). Em geral, é importante que 
a técnica de golpes ou sequência de golpes, já automatizados pelo 
103
S U M Á R I O atleta, seja realizada em velocidade máxima, com posterior intervalo 
para recuperação da fadiga, durante o treinamento.
Diversificar situações comuns das lutas é importante para 
o treino. Atividades para reagir a diferentes e excessivos golpes, 
provenientes de mais de um adversário, encurtamento de distância 
para golpes, encurtamento de distância para golpes e reagir rápido a 
lançamento de objetos em pequena distância são recursos utilizados 
no treinamento da rapidez de reação de lutadores. 
Força muscular
As fibras musculares, em geral, são contraídas, após um 
impulso elétrico alcançar a placa motora. A fibra muscular pode 
continuar sendo ativada enquanto houver uma quantidade suficiente 
de acetilcolina ligada aos receptores da membrana pós-juncional, 
sendo possível a realização de contrações isométricas e concêntricas.
A contração isométrica é caracterizada por ser realizada sem 
alteração do comprimento do músculo, devido à resistência ser igual à 
força máxima que o músculo gera. A contração isotônica caracteriza-
se por não haver alteração na tensão máxima do músculo e ocorrer 
alteração do comprimento do músculo durante sua ação. Dependendo 
da força muscular aplicada e a resistência a ser vencida, as contrações 
isotônicas podem ser classificadas em contração isotônica concêntrica, 
quando há encurtamento dos sarcômeros do músculo agonista, devido 
a força ser maior que a resistência; e contração isotônica excêntrica, se 
a força exercida pelo músculo for menor que a resistência, ocorrendo o 
aumento do comprimento do sarcômero durante a contração. 
Existe ainda outro tipo de contração isotônica concêntrica, 
chamada de isocinética, que pode ocorrer em atividades de nado ou 
104
S U M Á R I O em máquinas específicas utilizadas para treinamento e testes de força, 
sendo caracterizada pelo desenvolvimento de tensão máxima com um 
encurtamento simultâneo, em uma velocidade constante, durante uma 
faixa completa de movimento. 
É importante considerar que os sarcômeros são as menores 
unidades funcionais, ficando arranjado um em cima do outro na fibra 
muscular, com seu encurtamento acontecendo com o deslizamento 
de filamentos proteicos de actina junto a miosina, o que permite a 
contração muscular e produção de força (FLECK; KRAEMER, 1999).
Na capacidade física força, a tipologia de fibra muscular também 
influencia nos resultados do treinamento. Embora seja relatadas na 
literatura novas subdivisões das fibras musculares, basicamente são 
divididas em três os tipos. As fibras do tipo I, oxidativas, vermelhas, 
de contrações lentas e estimuladas por um motoneurônio tônico, são 
altamente resistentes à fadiga e têm seu potencial de ATP reposto por 
meio de aerobiose. As fibras do tipo II, brancas e de contração rápida, 
são estimuladas por um motoneurôniofásico e se apresentam como 
“tipo IIA”, que tem características glicolíticas oxidativa, e “tipo IIB”, que 
são caracterizadas por um alto nível de atividade da miosina ATP e 
desenvolvem contrações vigorosas, sendo dependentes do sistema 
anaeróbio para ressíntese de ATP (DANTAS, 2014).
Além das características supracitadas, as fibras tipo II, 
caracterizam-se por um padrão de inervação frequente e denso, que 
são fatores que levam adicionalmente a um maior desenvolvimento 
da força máxima. O seu treinamento leva a um aumento da secção 
transversal e considerável aumento da força máxima isométrica. 
Portanto, a contribuição dessa tipologia de força é maior para a 
capacidade física força do que as fibras tipo I (WEINECK, 1999). 
Características de predominância de tipos de fibras musculares 
são importantes no processo de desenvolvimento do atleta e, 
105
S U M Á R I O encaminhamento do mesmo para uma categoria ideal ou modalidade 
de luta, se tratando do alto desempenho esportivo. Entretanto, com 
baixo custo financeiro e sem ser invasivo, somente por feeling, com 
avaliação das respostas do treino e resultados de testes motores, além 
de análise de características somatotípicas, é possível uma avaliação 
subjetiva da tipologia de fibra muscular. A dermatoglifia, ciência que 
investiga as impressões digitais e sua relação com o desempenho 
esportivo tem sido utilizada em modalidades esportivas, inclusive de 
lutas, em virtude das complexidades de realizar o exame de biópsia da 
fibra muscular, considerado padrão ouro (DEL VECCHIO; GONÇALVES; 
MOREIRA, 2011; GANIME; DANTAS; FERNANDES FILHO, 2006).
Assim como na velocidade, a coordenação intra e inter muscular 
são importantes no desenvolvimento da força muscular. A unidade 
motora é formada por um neurônio alfa e todas as fibras que ele inerva. 
Segundo Bompa (2001), a inervação das fibras musculares determina 
o tipo delas. Uma unidade motora de fibras de contração rápida tem 
uma célula nervosa maior e inerva de 300 a 500 fibras a mais. Apenas 
as unidades motoras recrutadas em um exercício produzem força 
e a coordenação de recrutamento das unidades motoras é um dos 
fenômenos de adaptações do treinamento com exercícios físicos.
Paiva (2015), considerando a importância de uma boa técnica e, 
também a necessidade de força e velocidade em golpes de percussão, 
realizou uma importante discussão sobre qual seria a capacidade 
física mais importante para a eficiência. Cita que a força de impacto 
de um soco, é proporcional à aceleração da mão e à massa efetiva de 
impacto (toda massa de um corpo utilizada no momento do impacto). 
No caso de um soco, a massa efetiva pode variar desde a massa da 
mão sozinha como a soma das massas da mão, do antebraço, braço 
e até de parte do tronco. Descreve estudos em que lutadores mais 
experientes conseguem alcançar maior potência de golpes devido à 
melhor coordenação de velocidade de ombros e mãos, alcançando 
106
S U M Á R I O maior impacto dos golpes que o grupo controle. Em suma, para 
alcançar a melhor potência de golpes, atletas devem atingir e manter 
excelência técnica enquanto treinam a parte física para melhorar a 
potência muscular.
A potência muscular ou força explosiva consiste na habilidade 
de produzir força máxima, na maior velocidade possível. Segundo 
Fleck e Kraemer (1991) os aumentos da chamada força explosiva 
ocorrem quando os exercíciosdo ciclo estende-flexiona são usados ou 
quando cargas mais leves (30% até 60% de 1 repetição máxima-RM) 
são usadas em exercícios do tipo arranques e puxadas, onde é ativado 
um mínimo de inibição ou de facilitação antagonista.
Os demais tipos de força também são manifestadas em 
modalidades de combates. A força geral se caracteriza como 
manifestação globalizada da força, independente da modalidade 
esportiva. A força específica se limita aos gestos do esporte. A 
capacidade do atleta em executar contração máxima ou de erguer a 
carga mais pesada em uma repetição máxima, é definida como força 
máxima. Segundo Melo et al. (2017) uma análise cinesiológica de um 
chute frontal possibilita observar que na perna que está executando o 
movimento há a utilização da força dinâmica e da potência muscular; 
entretanto, para que a execução do golpe seja estável e não ocorra um 
desequilíbrio, é fundamental que ocorra uma contração isométrica da 
perna de apoio e dos músculos do tronco (abdominais e paravertebrais), 
que irão atuar como estabilizadores do movimento. Diante desse 
contexto, Paiva (2015) ainda apresenta a resistência muscular a força 
isométrica e a força reativa como importantes no treino de lutadores. 
Bompa (1991) descreve que a força reativa é a capacidade para 
gerar a força no salto, imediatamente após uma aterrisagem, sendo 
esta uma força necessária, também, em mudanças de direções. 
Nas modalidades tipo grappling (luta de solo com objetivo de obter 
submissão), as demandas de força são voltadas para a resistência 
107
S U M Á R I O muscular e força isométrica, que também são fundamentais na 
realização de grip de pegada e aplicação dos golpes de submissão e 
estrangulamento (MELO et al., 2017).
A resistência muscular de atletas deve ser compreendida 
como a capacidade de o músculo suportar determinado trabalho 
por período prolongado, e pode ser dividida em curta, média e longa 
duração, sendo os estímulos, respectivamente, de 30 segundos a dois 
minutos, de dois a seis minutos e de seis a 10 minutos (PAIVA, 2009). 
Funcionalmente o lutador deve apresentar boa resistência em grupos 
musculaturas que serão exigidos durante o combate. Esta capacidade 
física deve ser considerada como uma das bases do treinamento e, 
seguindo a periodização do treinamento, deve ser treinada de acordo 
com as características da luta ou da estratégia do lutador. Movimentos 
que são repetidos exaustivamente em combates devem ser realizados 
com cargas que possibilitem repetições excessivas para ganho de 
resistência muscular localizada (RML) ou geral.
Mais uma vez é importante destacar a necessidade de conhecer 
o desporto para a prescrição do treino. Em um estudo com 40 atletas 
das modalidades de boxe, judô, luta olímpica e taekwondo, utilizando 
um teste de resistência que envolvia durante 6 minutos exercícios de 
agachamento completo, flexão de braço, abdominal, meio-sugado, 
flexão de quadril em pé e salto grupado; os resultados mostraram 
maior média de execuções para os atletas de luta olímpica, os atletas 
de boxe obtiveram melhores resultados quanto a manutenção da 
capacidade em cada minuto, além do estudo ter mostrado diferença 
de desempenho nos diferentes exercícios, por exemplo, atletas de 
judô na flexão de quadril em pé e de taekwondo no salto grupado 
(ORNELLAS; BEHRING; NAVARRO, 2010). 
Em geral, em todas as modalidades de lutas, a resistência 
da musculatura do tronco é necessária para a dinâmica postural 
e prevenção de lesões. Exercícios de fortalecimento do core são 
108
S U M Á R I O importantes no cotidiano do lutador. O core é considerado um cinto 
muscular, que funciona como uma unidade capaz de estabilizar o corpo 
e a coluna vertebral, com ou sem movimento dos membros, servindo 
como o centro da cadeia cinética funcional e tem sido referida como a 
fundação de todos os movimentos do corpo. Exercícios abdominais, 
as pranchas e o perdigueiro são exercícios indicados na rotina do treino 
em modalidades de combates, em conjunto com o fortalecimento 
lombar. Músculos abdominais fortes protegem a região lombar em 
atividades extremas e são ferramentas poderosas para recuperar 
força, resistência, flexibilidade e mobilidade (SILVA; MESQUITA; DA 
SILVA, 2011; VALLE et al., 2019).
O treinamento isométrico, ou seja, utilizando contrações 
isométricas, tem pouco consenso em relação às diretrizes para uma 
variedade de resultados desejados em geral. A revisão sistemática 
elaborada por Oranchuk et al. (2019) detalhou as adaptações de 
médio a longo prazo de diferentes tipos de treinamento isométrico nas 
variáveis morfológicas, neurológicas e de desempenho, investigando 
adaptações de médio a longo prazo (≥3 semanas) ao treinamento 
isométrico em humanos. Foram analisados 26 resultados de pesquisa 
que apresentaram alguns resultados importantes a serem considerados. 
Os principais resultados descritos foram: o treinamento isométrico 
utilizando comprimentos musculares mais longos (maior ângulo 
articular) produziu maior hipertrofia muscular quando comparado a 
volumes iguais de treinamento, com comprimentos musculares mais 
curtos (menor ângulo articular); diferenças significativas na hipertrofia 
muscular e produção de força máxima foram independentemente da 
intensidade do treinamento; contrações de alta intensidade (≥70%) 
melhoram a estrutura e função dos tendões (importante para evitar 
lesões); além disso, o treinamento com comprimento muscular longo 
resulta em maior transferência para o desempenho dinâmico. 
109
S U M Á R I O A busca por exercícios e métodos de treinamento de força que 
tragam resultados positivos ao atleta tem sido discutida na literatura por 
especialistas. É importante o estudo por parte da equipe de preparação 
física para adequar os métodos e exercícios no planejamento 
periodizado do lutador. Vale ressaltar a importância de conhecer os 
métodos específicos de treino para modalidades de combate. Nesse 
contexto, Paiva (2015) discute as vantagens de utilizar exercícios de 
levantamento de peso olímpico (LPO) em atletas de artes marciais. 
Descreve que tal treinamento é específico para potência muscular e 
traz efeitos na força de partida, que é importante para a velocidade 
inicial do golpe, e na já mencionada força reativa. 
Em suma, exercícios de arranco e arremesso que são 
multiarticulares, além de suas variações, conduzem à diferentes 
mecanismos de adaptações para ganho de potência e força, 
envolvendo recrutamento seletivo de unidades motoras de contração 
rápida. Exercícios com possibilidade de mobilizar 50% dos grupos 
musculares em cada movimento em nível superficial, intermediário 
e profundo, numa ação coordenada provocam maiores efeitos 
anabólicos. Em modalidades de domínio e mistas como judô, jiujitsu, 
luta olímpica e MMA, em que há necessidade de potência de pico 
contra cargas externas pesadas, o treino com movimentos do LPO 
pode auxiliar nessas situações específicas (PAIVA, 2015).
A utilização de exercícios de calistenia, arremessos e saltos com 
medicine ball, utilização de kettlebell com movimentos específicos de 
lutas e LPO, uso de elásticos de resistência de diferentes tensões, 
além de exercícios clássicos do treinamento de força, importantes 
no ganho inicial de força e hipertrofia são importantes no cotidiano 
do lutador e devem ser adaptados e pesquisados de acordo com as 
especificidades da modalidade de arte marcial. 
O método balístico é realizado com a força do atleta excedendo 
bastante a resistência de objetos e realizando movimentos de forma 
110
S U M Á R I O explosiva. A intenção balística resulta em maior ativação neuromuscular 
e produção rápida de força (BOMPA, 1991). O treinamento pliométrico, 
também bastante citado para o ganho de potência, se baseia no reflexo 
miotático, em exercícios que o músculo é carregado em uma contração 
excêntrica (alongamento), seguida imediatamente por uma contração 
concêntrica (encurtamento). São relatadas, ainda, decorrências 
potencializadoras de exercíciospliométricos simples e combinados 
com pesos elevados. A pliometria traz alterações musculares e neurais 
que facilitam e melhoram a execução de movimentos mais rápidos e 
poderosos (BOMPA, 1991).
Considerando as relações entre a potência muscular e a 
velocidade, o estudo de Leichtweir et al. (2013) demonstrou que a 
intervenção pliométrica do salto em profundidade (75cm) em lutadores 
de taekwondo antes do teste de “um chute”, apresentou melhores 
resultados na velocidade, quando comparado ao treino isométrico e 
de exercícios complexos. O mesmo resultado não foi encontrado no 
teste de quatro chutes em sequência, onde os exercícios complexos 
(agachamentos com saltos) apresentaram melhores resultados que a 
pliometria e a isometria.
São muitos os métodos de treino para força, de maneira que as 
opções para o treinamento devem estar adequadas às modalidades 
de lutas praticadas e serem baseadas em informações científicas para 
evitar lesões. 
Flexibilidade
O treino de flexibilidade refere-se ao trabalho máximo que visa 
obter resultados positivos com movimentos articulares superiores 
às amplitudes angulares originais, ocorrendo ações sobre os 
componentes plásticos, elásticos e inextensíveis. São dependentes da 
111
S U M Á R I O atuação dos fusos musculares, órgão tendinoso de Golgi, e receptores 
articulares. Os gestos motores e movimentos coordenados, de ataque 
e defesa, somente podem ser executados com eficácia com o atleta 
apresentando uma flexibilidade adequada.
Segundo Dantas (2014), os componentes da flexibilidade são: 
1) mobilidade, que se refere ao grau de liberdade de movimento 
da articulação; 2) elasticidade refere-se ao estiramento elástico de 
componentes musculares; 3) plasticidade, que é o grau de deformação 
temporária que estruturas musculares e articulações deverão sofrer 
para possibilitar o movimento, existindo um grau que se mantém 
depois de cessada a força aplicada; 4) maleabilidade refere-se às 
modificações das tensões parciais da pele.
Considerações importantes sobre a flexibilidade devem ser 
compreendidas para uma melhor avaliação dessa capacidade física: 
A idade cronológica (pode ser reduzida com o envelhecimento); a 
temperatura (melhora em climas quentes); a hora do dia (melhora 
no decorrer do dia); e o sexo (mulheres são mais flexíveis) são 
influenciadores. Em adendo, o estado de treinamento influencia nos 
componentes plásticos e interfere na flexibilidade do indivíduo; e a 
situação de treino em que o atleta se encontra é importante, pois após 
o aquecimento há aumento da flexibilidade, mas após o treinamento 
no qual o reflexo miotático de estiramento foi repetidamente acionado, 
é reduzida (DANTAS, 2014).
Os alongamentos para treinos podem ser passivos, realizado 
com ajuda de forças externas (aparelhos, companheiros) em um 
estado de relaxamento da musculatura que deve ser alongada; Outros 
tipos de alongamentos são caracterizados por movimentos dinâmicos 
ativos, que são realizados de forma voluntária e sem ajuda, sendo 
dividido em ativo livre e com resistência. Desta maneira, métodos de 
treinamento passivos e dinâmicos são descritos na literatura científica 
utilizando de alongamentos para aumento da flexibilidade.
112
S U M Á R I O Um desses métodos de treino é denominado “estático”. É 
realizado com o membro se movimentando lentamente pelo próprio 
indivíduo, até o segmento muscular tensionado encontrar-se acima 
da amplitude habitual. Posteriormente, essa amplitude é mantida por 
um tempo a ser estabelecido na série de treino (muito comum de ser 
utilizado no aquecimento).
Os alongamentos balísticos são bruscos, de alta intensidade, 
realizados em velocidade, que compreende o dobro da tensão 
muscular e por isso não tem sido recomendado principalmente para 
iniciantes. Ativam a resposta do reflexo miotático de encurtamento 
no fuso muscular e o desequilíbrio provocado no mecanismo de 
propriocepção traz a possibilidade de provocar uma lesão muscular 
(DANTAS, 2014). Nesse tipo de treino, com a insistência das repetições, 
a musculatura antagonista tende a relaxar favorecendo a flexibilidade. 
Entretanto, os resultados de estudos científicos deixam em dúvidas 
se há vantagens em relação aos outros métodos de treino (COELHO, 
2008). Todas essas características do alongamento balístico trazem 
dúvidas sobre a viabilidade de sua utilização no cotidiano de treinos. 
A facilitação neuromuscular proprioceptiva é um método de 
treino que tem intenção de promover o mecanismo neuromuscular 
através da estimulação dos proprioceptores. São realizadas com 
contração e relaxamento, com fins de “contrair-manter-relaxar” o 
agonista, músculo a ser alongado, via inibição do órgão tendinoso de 
Golgi, levando a musculatura a relaxar após a inibição, favorecendo o 
aumento da amplitude articular.
Os efeitos da realização de alongamentos antes de treinos 
e competições são discussões permanentes no esporte e em 
modalidades de combate. Alongar com amplitudes máximas antes 
do treino, durante o aquecimento, é uma prática comum entre atletas 
para aumentar a amplitude de movimentos em várias articulações e 
prevenir lesões. 
113
S U M Á R I O Dentre os métodos de alongamentos, exercícios de alongamentos 
estáticos têm sido considerados polêmicos pela possibilidade da 
perda de potência muscular como efeito agudo. Em consequência, 
outros métodos são sugeridos para substituir o alongamento estático. 
Os métodos de facilitação neuromuscular proprioceptiva também 
geram dúvidas quanto à perda de força muscular (DALLAS et al., 
2014). Nesse contexto, alguns estudos de intervenção são realizados 
em modalidades esportivas, mas há escassez nas artes marciais.
Partindo desta premissa, o estudo de Dallas et al.(2014) teve como 
objetivo investigar os efeitos agudos de uma série de alongamentos 
estáticos, alongamentos com facilitação neuromuscular proprioceptiva 
e em exercícios em plataforma vibratória na flexibilidade e potência 
de saltos em ginastas de alto rendimento. Imediatamente após o 
aquecimento, os atletas realizaram os testes de flexibilidade (sentar e 
alcançar) e desempenho em testes de saltos. Posteriormente realizaram 
as intervenções com alongamentos estáticos, facilitação neuromuscular 
proprioceptiva e alongamentos estáticos combinados com a plataforma 
vibratória. Imediatamente após as intervenções e 15 minutos depois, 
os testes foram realizados novamente. O estudo indicou que todos 
os programas de alongamento aplicados aos músculos isquiotibiais, 
quadríceps, sóleo e gastrocnêmio melhoram a flexibilidade, mas não 
houve diferenças no desempenho do teste de salto. 
Em modalidades de lutas, o estudo de Gunsch, da Silva e 
Navarro (2010) apresentou comparações entre os resultados de seis 
semanas de treino em atletas de judô divididos em dois grupos de 
seis atletas, um treinado com alongamentos passivos e outro com 
facilitação neuromuscular proprioceptiva. Diferenças significativas não 
foram observadas entre os grupos na flexibilidade.
Talvez os resultados apontem para a escolha de um método no 
qual o atleta se sinta mais confortável para desenvolver a flexibilidade 
adequada ao esporte que pratica. Até mesmo por não existir na 
114
S U M Á R I O literatura fundamentação para maiores adaptações crônicas entre os 
métodos de treino (DIAS et al., 2018). Entretanto, Gomes (2009) traz a 
reflexão de que a flexibilidade deve ser treinada com fins de adquirir 
níveis compatíveis da modalidade esportiva que o atleta compete, 
não havendo necessidade de níveis exacerbados sem necessidade 
e cita que a combinação mais eficiente é com 40% de exercícios de 
caráter ativo, 40% de exercícios de caráter passivo e 20% de exercícios 
isométricos. Algumas modalidades de combate exigem níveis de até 
90% dos níveis anatômicos em diferentes articulações ou em uma 
especialmente, colocando esta qualidade física como fundamental 
para uma eficaz mobilidade do gesto esportivo.
ASPECTOS INTERVENIENTES NO 
TREINAMENTO E APERFEIÇOAMENTO DASCAPACIDADES FÍSICAS E MOTORAS
O conhecimento das técnicas das lutas e todo embasamento 
científico acerca do processo ensino-aprendizagem, desenvolvimento 
do talento esportivo e dos procedimentos de treinamento das 
capacidades físicas e motoras são importantes para um profissional 
que esteja trabalhando em alguma arte marcial. Para a excelência 
do processo ensino-aprendizagem e treinamento, faz-se necessário 
compreender efeitos de aspectos intervenientes, que podem interferir 
no desenvolvimento do aprendiz e aumento do desempenho para o 
alto rendimento. 
Quem trabalha na formação de atletas deve compreender, por 
exemplo, que as mudanças de regras com a troca de categoria pode 
influenciar nos resultados de competições. Ou seja, um atleta que era 
campeão na categoria anterior, pode não ter mais sucesso na categoria 
acima. Uma das explicações seria uma maior influência de outra 
115
S U M Á R I O capacidade física que antes não era fundamental para o sucesso. Em 
outro exemplo, Melo et al. (2017) descrevem aplicabilidades diferentes 
na capacidade física força e suas vertentes, nos estilos “Sport Sambo” 
e “Sambo Combat”, devido a diferenças nas regras entre ambas as 
modalidades de combate. Por exemplo, o “Sambo Combat” ocorre 
sem a presença de golpes traumáticos, havendo apenas a parte de 
projeções, quedas, imobilizações e finalizações.
Aspectos nutricionais também devem ser considerados como 
importantes para o desempenho em competições, pois influenciam 
diretamente as capacidades físicas. A nutrição adequada proporciona 
não somente a manutenção do peso ideal para cada categoria, 
mas auxilia na redução da gordura corporal, proporcionando maior 
velocidade nos golpes e desempenho geral. Em contraponto, o ganho 
de gordura corporal para subir de categoria resulta em perda de 
velocidade e agilidade.
Outra estratégia muito utilizada para participação em 
competições é a desidratação. Dentre os perigos estão a possível 
redução da força muscular, potência anaeróbia, menor capacidade 
aeróbia, prejuízo termorregulatório, depleção do glicogênio muscular 
com queda da resistência muscular e depleção de eletrólitos com 
redução da coordenação, além de perigosos problemas de saúde 
(OPPLIGER et al., 1996).
Em adendo, recursos ergogênicos que promovam efeitos 
proporcionando tanto treinos com maior qualidade quanto 
desempenho em capacidades físicas essenciais à modalidade de luta, 
são investigados cientificamente e devem ser considerados como um 
fator subjacente. Estudos recentes, por exemplo, investigam efeitos da 
cafeína e do guaraná em pó, ambos estimulantes do sistema nervoso 
central, observando ampliação da quantidade de ataques em curtos 
intervalos de tempo (SANTOS, 2012; SILVEIRA; AMORIM; BURIAN, 
116
S U M Á R I O 2018). São muitos os suplementos investigados e seus efeitos devem 
ser pesquisados.
Após o início da puberdade, o conjunto de alterações 
antropométricas e fisiológicas decorrentes da maturação sexual pode 
ser responsável pela melhora ou queda das capacidades físicas. O 
aumento da gordura corporal em meninas e o aumento exacerbado 
do pico de velocidade da estatura (PVE) em curto espaço de tempo 
podem trazer queda de rendimento; em contraponto, o aumento 
da força muscular pode trazer benefícios em ambos os sexos 
(MONTEIRO et al., 2010).
Os efeitos de tais fenômenos da puberdade nas modalidades 
de lutas devem ser observados em acordo com as vantagens que 
a maturação precoce pode proporcionar vantagens ao competidor, 
deixando parecer que atletas talentosos não possuem aptidão para 
a modalidade devido à maturação tardia (FUKUDA et al., 2012). 
Vale observar que ao contrário do que acontece com o feminino, a 
maturação precoce é uma vantagem para o atleta masculino nesta 
fase da vida, principalmente pelo melhor desempenho em qualidades 
físicas importantes para determinadas modalidades como a força 
muscular, velocidade e a resistência anaeróbica, promovida pelo 
aumento da produção de hormônios androgênicos, que favorecem 
a síntese de proteínas e a capacidade enzimática (DA SILVA; 
DANIELSKI; CZEPIELESKI, 2002). 
Os estudos sobre o fenômeno da idade relativa, principalmente 
os que foram elaborados com o sexo masculino, ratificam o 
impacto dos fenômenos da puberdade no esporte. A idade relativa 
é a diferença de idade cronológica entre atletas nascidos em um 
mesmo ano. Dentro de uma categoria com intervalo de dois anos, 
essa diferença é ampliada. Atletas com maior idade na adolescência 
tende a apresentar maior desempenho por possivelmente estar mais 
adiantado maturacionalmente (COBLEY et al., 2009; CÔTÉ et al., 2006). 
117
S U M Á R I O Como normalmente cada categoria possui dois anos de intervalo, 
pode ser de até 24 meses a diferença de idade entre os atletas 
dentro da mesma categoria. Desta maneira, estudos com atletas 
olímpicos de lutas tem demonstrado maior quantidade de atletas 
nascidos no primeiro trimestre ou, dependendo do corte do estudo, 
no primeiro semestre, pois tendem a maturar antes, terem vantagens 
psicossomáticas, biomecânicas e motoras, sendo selecionados para 
o esporte (ALBUQUERQUE et al., 2015; FUKUDA, 2015).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O treinamento e aperfeiçoamento das capacidades físicas 
e motoras são importantes para o bom rendimento esportivo. Em 
modalidades de lutas, alguns métodos de treinamento são descritos 
na literatura, por meio de estudos experimentais, em poucas 
modalidades de esporte de combate. O treinamento intervalado 
de alta intensidade, por exemplo, tem sido destacado na literatura 
científica das artes marciais, visto a necessidade do esforço 
intermitente durante os combates.
A coordenação motora e todos os seus subfatores são 
desenvolvidos ao longo da formação do atleta. Ainda possui 
interdependência com as demais capacidades físicas, sendo 
importante para o treinamento de excelência. Métodos adequados de 
aula/treino devem ser considerados para melhora da técnica. Assim 
como a velocidade, a coordenação motora não pode ser trabalhada em 
condições de fadiga, visto que necessitam do sistema neuromuscular 
em boas condições para um bom rendimento.
Diferentes métodos de treinamento de força e flexibilidade são 
descritos na literatura. Cada modalidade de combate necessita de tipos 
118
S U M Á R I O específicos de força, que deve ser avaliada pela equipe técnica para a 
escolha de métodos de treino que serão utilizados. Em geral, a potência 
muscular é bastante requisitada nas artes marciais, necessitando de 
atenção especial. Para o treino de flexibilidade é importante conhecer 
os níveis exigidos na modalidade por articulações. As metodologias de 
treinamento descritas na literatura apresentam resultados favoráveis 
ao desenvolvimento. O treino, com um misto de métodos ativos e 
passivos, é sugerido. 
Especificamente para as lutas, a literatura apresenta poucos 
estudos científicos que possibilitem compreender os efeitos de 
diferentes métodos de treino. Desta maneira, novos estudos com 
métodos adequados são sugeridos nas variadas artes marciais, pois os 
estudos encontrados apresentam limitações metodológicas. Ademais, 
fatores intervenientes aos resultados do treinamento, como utilização 
de recursos ergogênicos nutricionais e fisiológicos e compreensão das 
características do desenvolvimento físico são importantes. Em suma, 
todo o conhecimento geral do “estado da arte” pela equipe técnica 
será importante para o treinamento bem sucedido do atleta.
REFERÊNCIAS 
ALBUQUERQUE, M.R.; FRANCHINI, E.; LAGE, G.M.; DA COSTA, V.T.; COSTA, 
I.T.; MALLOY-DINIZ, L.F. The relative age effect in combatsports: na analysisof 
Olympic judô athletes, 1964-2012. Percept Mot Skills, v.121,n.1, p.300-8, 2015.
ANTUNES, B.F. Treinamento intermitente de alta intensidade no taekwondo: 
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TRAINING AND IMPROVEMENT OF APPLIED 
PHYSICAL AND MOTOR CAPACITIES
Abstract
For motor skills performed in fights to be carried out effectively, physical and 
motor capacities must interact and be trained according to the specifics of each 
type of combat modality. The aim was to reflect the training and improvement 
of the physical capacities applied to the fights, based on scientific evidence. 
The technical team needs to understand the characteristics of the combat and 
the possible opponents to plan and choose the best training method for motor 
123
S U M Á R I O coordination, aerobic and anaerobic resistance, speed, types of muscular 
strength and flexibility. Intervening factors must be considered to assess the 
results of the teaching-learning process and training at different age groups, in 
order to achieve high sporting performance. Although the literature does not yet 
present a relevant amount of scientific studies with fighters of some modalities, 
the training methods described in the literature are important for the efficiency 
of training physical and motor skills.
Key-words
Physical Education and Training; Psychomotor Performance; Athletic Performance.
Capítulo 4
AVALIAÇÃO EM LUTAS
Carlos Alberto de Azevedo Ferreira 
Rodolfo Alkmim Moreira Nunes
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601.124-158
4
Carlos Alberto de Azevedo Ferreira 
Rodolfo Alkmim Moreira Nunes
AVALIAÇÃO 
EM LUTAS
125
S U M Á R I O INTRODUÇÃO
A avaliação é o processo de delineamento, obtenção e 
aplicação de informações, é o momento mais importante dentro de 
qualquer processo de intervenção que se realize. Mediante do uso de 
técnicas e escolha de protocolos adequados para os parâmetros que 
se pretende mensurar é possível avaliar as características do atleta de 
luta individualmente ou em equipe com quem se irá trabalhar (ROCHA; 
GUEDES JR, 2013; HEYWARD, 2004).
A avaliação é a interpretação dos resultados obtidos, atribuição 
de qualidade, mérito pela medida ou comparação de qualidade 
do atleta. Uma vez estabelecido o nível da medida compara-se a 
padrões de referências nacionais ou internacionais estabelecidos. 
São avaliadas as características antropométricas, neuromusculares e 
cardiorrespiratórias e metabólicas (MACHADO; ABAD, 2016).
De acordo com o momento em que é realizada a avaliação é 
classificada em:
Avaliação Diagnóstica: realizada no início de qualquer 
procedimento de intervenção, ela é o ponto de partida, apresentará 
ao investigador através dos resultados dos seus testes iniciais 
as características do indivíduo ou grupo de indivíduos com quem 
irá trabalhar, assim como os pontos fortes para que dentro do 
processo de intervenção ele possa potencializá-los e os pontos 
fracos possa melhorá-los.
Avaliação Formativa: permite ao investigador detectar e 
identificar deficiências na forma de intervir, orientando-o na reformulação 
do seu trabalho, visando aperfeiçoá-lo. 
Avaliação Somativa: tem por função básica a classificação 
dos indivíduos que se processa segundo o rendimento alcançado, 
126
S U M Á R I O tendo por parâmetro os objetivos previstos. É realizada ao final do 
processo de intervenção, classificando os indivíduos de acordo com 
os níveis de aproveitamento previamente estabelecidos. 
DESENVOLVIMENTO
Etapas da avaliação
Antes do início da prática no esporte de combate, faz-
se necessário uma Anamnese, que é um documento muito 
importante para que o treinador tenha informações e possa 
identificar e conhecer o histórico do atleta com suas qualidades 
e deficiências (QUEIROGA, 2005).
A anamnese deve ser dirigida para a proposta inicial do atleta, 
o praticante de luta, dentro do processo da avaliação diagnóstica do 
perfil do avaliado, podendo assumir a característica de uma entrevista 
ou de um questionário com perguntas pré-concebidas ao avaliado 
para o seu preenchimento com as informações.
A anamnese envolve a coleta de dois tipos de dados, os 
dados objetivos e os subjetivos. Os objetivos são colhidos pela 
observação do avaliador e podem ser confirmados, já os subjetivos 
são coletados unicamente com base no relato do avaliado. A coleta 
dos dados subjetivos deve explorar as características e problemas 
passados e atuais. Deve-se perguntar sobre sua saúde física 
geral e emocional para então investigar os sistemas e estruturas 
corporais (NUNES, 2010).
Informações necessárias sobre o avaliado:
127
S U M Á R I O 1. Objetivos (específicos da atividade física, no caso a “luta”);
2. História clínica: a) HDA (História da Doença Atual): se existe 
queixa no momento; b) HPP (História Patológica Pregressa): 
investiga o passado do aluno, lesões, cirurgias, alergias, 
medicamentos, suplementos, vitaminas;
3. Histórico familiar (hereditariedade genética na vertical, irmãos, 
pais e avós);
4. História Fisiológica (investiga o passado e o presente atlético, 
atividades físicas diárias e atividades laborais);
5. Histórico psicossocial (última etapa da anamnese: verifica o 
estado emocional e suas expectativas).
Após a realização da avaliação clínica inicial visando à diminuição 
dos riscos inerentes a prática das lutas, recreativas ou competitivas, 
o processo de avaliação segue na coleta dos dados referentes aos 
parâmetros antropométricos, neuromusculares e metabólicos.
Avaliação Antropométrica
Antropometria é a ciência que estuda as proporções e medidas 
do corpo humano. Sua evolução culmina em padronizações para medir 
e caracterizar o homem em suas diferentes dimensões. Padronizar 
as medidas é estabelecer como será a metodologia para se obter 
o valor de uma determinada medida. As descrições para medida 
de massa corporal, estatura, perímetros (exceto abdome), dobras 
cutâneas (exceto peitoral e axilar média) e diâmetros ósseos seguem 
o determinado pelo protocolo ISAK (STEWART et al., 2011). 
Para a realização de uma boa avaliação antropométrica onde 
serão analisados a composição corporal (massa gorda e massa 
128
S U M Á R I O magra), o somatotipo (característica morfológica) e avaliações de 
proporcionalidade corporal, sendo necessário conhecer e coletar as 
seguintes medidas antropométricas.
Medidas básicas
Massa corporal: Posicionar o avaliado descalço de costas para a 
balança, com o mínimo de roupa possível, no centro do equipamento, 
ereto, com os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo. 
Mantê-lo parado nessa posição.
Estatura: Posicionar o avaliado descalço e com a cabeça livre 
de adereços, no centro do equipamento. Mantê-lo de pé, ereto, com 
os braços estendidos ao longo do corpo, com a cabeça erguida, 
olhando para um ponto fixo na altura dos olhos (Plano de Frankfurt, 
olhar para o horizonte).
Perímetros
Pescoço: Perímetro do pescoço imediatamente superior ao 
pomo de Adão, logo abaixo da linha da mandíbula.
Braço relaxado: Perímetro do braço no ponto médio entre o 
ombro e o cotovelo. 
Braço contraído: Perímetro do braço no ponto de maior 
volume ao realizar a contração do músculo bíceps com o braço em 
ângulo de 90°.
Antebraço: Perímetro máximo do antebraço no ponto de 
maior volume.
129
S U M Á R I O Punho: Perímetro mínimo do punho no encontro do antebraço 
com a mão.
Tórax: Perímetro do tórax na altura do início da axila.
Cintura: Perímetro do tronco na região de menor dimensão, 
localizado entre a última costela fixa e o bordo superior da crista ilíaca.
Quadril: Perímetro do quadril na região de maior protuberância 
posterior.
Coxa proximal: Perímetro da coxa, com 1 cm distal à prega glútea.
Coxa média: Perímetro da coxa no nível do ponto médio da coxa, 
entre a borda superior do joelho e a virilha.
Panturrilha:Perímetro da panturrilha na região de maior 
volume da perna.
Tornozelo: Perímetro do tornozelo superiormente ao 
maléolo medial.
Abdome: Perímetro do tronco na região de maior dimensão do 
abdome, na cicatriz umbilical.
Dobras cutâneas
Tríceps: Dobra cutânea tomada no braço no nível do ponto 
médio entre o ombro e o cotovelo.
Subescapular: Dobra cutânea tomada obliquamente a 2 cm 
abaixo da escápula num ângulo de 45º.
Bíceps: Dobra cutânea tomada anteriormente no braço no nível 
do ponto médio entre o ombro e o cotovelo.
130
S U M Á R I O Crista ilíaca: Dobra cutânea tomada horizontalmente no ponto 
da dobra cutânea crista ilíaca (imediatamente acima do ponto Iliocristal 
– ponto superior da crista ilíaca na linha axilar média).
Supraespinhal: Dobra cutânea tomada obliquamente, 
imediatamente abaixo do ponto da dobra cutânea Supraespinhal 
(ponto de interseção entre a linha que conecta a prega axilar anterior 
ao ponto Ilioespinhal a linha horizontal no nível do ponto Iliocristal).
Abdominal: Dobra cutânea tomada verticalmente no ponto da 
dobra cutânea abdominal (5 cm lateralmente ao centro da cicatriz 
umbilical).
Coxa: Dobra cutânea tomada na região frontal da coxa, no ponto 
médio entre o bordo superior do joelho e a virilha. 
Panturrilha medial: Dobra cutânea tomada verticalmente no 
ponto da dobra cutânea Panturrilha medial (ponto no aspecto medial 
da perna na região de maior circunferência).
Peitoral: Dobra cutânea tomada diagonalmente na linha entre 
prega axilar anterior e mamilo, sendo no ponto médio nos homens e 
no terço proximal nas mulheres.
Axilar média: Dobra cutânea tomada horizontalmente na linha 
axilar média no nível da junção xifoesternal.
Diâmetros ósseos
Diâmetro do Úmero (cotovelo): Medida entre os dois epicôndilos 
medial e lateral do úmero.
Diâmetro do Fêmur (joelho): Medida entre os dois epicôndilos 
medial e lateral do fêmur.
131
S U M Á R I O INDICADORES DE PROPORCIONALIDADE 
CORPORAL
São utilizados índices que nada mais são do que razões 
entre duas grandezas de proporções corporais. O Índice de Massa 
Corporal (IMC) é um bom indicador de proporção de massa corporal 
para a estatura do atleta, mas não totalmente correlacionado com a 
gordura corporal e sim com a distribuição de massa corporal pela 
área corporal do atleta.
Tabela 1 – Classificação do IMC
Classificação IMC (kg/m2) Risco de comorbidades
Baixo pesoBrasil
Samuel André Pompeo
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil
Simoni Urnau Bonfiglio
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
PARECER E REVISÃO POR PARES
Os textos que compõem esta obra foram submetidos 
para avaliação do Conselho Editorial da Pimenta 
Cultural, bem como revisados por pares, sendo 
indicados para a publicação.
Tayson Ribeiro Teles
Universidade Federal do Acre, Brasil
Valdemar Valente Júnior
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Wallace da Silva Mello
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil
Wellton da Silva de Fátima
Universidade Federal Fluminense, Brasil
Weyber Rodrigues de Souza
Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil
Wilder Kleber Fernandes de Santana
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Patricia Bieging
Raul Inácio Busarello
Direção editorial
Marcelo EyngDiretor de sistemas
Raul Inácio BusarelloDiretor de criação
Ligia Andrade MachadoAssistente de arte
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Imagens da capa
Patricia BiegingEditora executiva
Peter ValmorbidaAssistente editorial
Os autoresRevisão
José Antonio ViannaOrganizador
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
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A786 Artes marciais, esportes de combate e lutas: conhecimento 
aplicado. José Antonio Vianna - organizador. São Paulo: 
Pimenta Cultural, 2021. 451p..
Inclui bibliografia.
ISBN: 978-65-5939-061-8 (brochura) 
 978-65-5939-060-1 (eBook)
1. Arte marcial. 2. Luta. 3. Combate. 4. Esporte. 
5. Conhecimento. I. Vianna, José Antonio. II. Título.
CDU: 61
CDD: 610
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601
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PIMENTA CULTURAL
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mailto:livro%40pimentacultural.com?subject=
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SUMÁRIO
Apresentação ................................................................................. 12
Capítulo 1
Aspectos psicológicos do ensino-aprendizado 
de lutas: perspectivas e orientações ............................................... 21
Dirceu Ribeiro Nogueira da Gama
Capítulo 2
Aprendizagem e desenvolvimento
motor no ensino de lutas .............................................................. 53
Jomilto Praxedes
Capítulo 3
Treinamento e aperfeiçoamento 
das capacidades físicas e motoras aplicadas .............................. 89
Sidnei Jorge Fonseca Junior
Capítulo 4
Avaliação em lutas ....................................................................... 124
Carlos Alberto de Azevedo Ferreira
Rodolfo Alkmim Moreira Nunes
Capítulo 5
Organização e periodização 
do treinamento aplicado às lutas ................................................ 159
Carlos Alberto de Azevedo Ferreira
Juliana Brandão Pinto de Castro
Rodrigo Gomes de Souza Vale
Capítulo 6
Aspectos do treinamento de lutas 
na infância e adolescência .......................................................... 189
Roberto Corrêa dos Anjos
Capítulo 7
Perspectivas educacionais das lutas .......................................... 225
Ricardo Ruffoni
Capítulo 8
Didática aplicada nas lutas ......................................................... 253
José Antonio Vianna
Capítulo 9
Planos de ensino para lutas ........................................................ 285
Alex Oliveira da Silva
Barbara Pumar de Souza
Carlos Alberto Soares Santiago
Eric Rosario Pereira
Gabriel Gomes da Rocha
Guilherme Latini Alonso
Lorenna da Silva Cardoso
Lukas David Pereira Vianna
Maria Angelica Marques Rocha
Marilia Alves Henrique Pinto Moreira
Ney Evangelista Junior
Ramon Silva de Lima
Stephanie Godinho Tausch
Capítulo 10
O “workout” gímnico de capoeira cooperativo 
entre duas pessoas na perspetiva 
da expressão das emoções masculinas .................................... 331
Paulo Coelho de Araújo
Pere Lavega
Pedro Gaspar
Artur R. Pereira
Ana Rosa Jaqueira
Capítulo 11
Meditação nas lutas: meditação, introspecção 
e a prática sustentável de artes marciais ....................................... 366
Almir Menezes Silvares
Capítulo 12
Prevenção e emergência 
no treinamento de lutas............................................................... 401
Marcelo Barros de Vasconcellos
Sobre os autores e as autoras .................................................... 441
Índice remissivo ........................................................................... 447
12
S U M Á R I O APRESENTAÇÃO
O crescimento das artes marciais, esportes de combate e lutas 
como um fenômeno social, político e econômico no mundo ocidental 
é notório, envolvendo um número crescente de espectadores e 
praticantes no Brasil. 
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 
(Pnad) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE) em 2017 revelam o aumento crescente de praticantes de lutas 
e artes marciais (1,2 milhão de brasileiros) com perspectivas que 
podem variar desde a inclusão social de sujeitos menos favorecidos 
até o sentimento de segurança pessoal de sujeitos com melhor 
condição social e econômica. Um dos benefícios obtidos na prática 
regular de lutas reside, entre outras coisas, na promoção da saúde 
dos praticantes com implicação indireta na diminuição de despesas 
relacionadas à saúde pública. 
Sob esta perspectiva as diferentes manifestações das lutas 
(defesa pessoal, educacional, espetáculo, de participação, de 
promoção da saúde, terapêutica ou de rendimento) necessitam, 
cada vez mais, de uma equipe multidisciplinar e multiprofissional que 
possam desenvolver intervenção mais bem qualificada que resulte em 
efeitos cada vez mais atraentes. Por sua vez, para atender a demanda 
de um público mais diversificado e mais exigente, os profissionais de 
Lutas, de Educação Física, Fisioterapia, Nutrição, Direito, Psicologia, 
Medicina, Gestão, Marketing e demais áreas voltadas às lutas nas suas 
diferentes manifestações sociais precisam de mais subsídios para 
otimizar a sua atuação profissional.
Com a finalidade de oferecer mais aporte teórico aos profissionais 
dedicados ao ensino e ao treinamento em artes marciais, esportes de 
13
S U M Á R I O combate e lutas, o Laboratório Interdisciplinar de Estudos em Lutas 
– LLUTAS (Insttituto de educação Física e Desportos / Universidade 
do Estado do Rio de Janeiro), solicitou aos professores no curso 
de Especialização em Lutas na mesma instituição e a professores 
convidados – profissinais com vivência em lutas e no treinamento 
desportivo –, a produção de textos com os saberes necessários para 
potencializar a atuação dos profissionais em artes marciais, esportes 
de combate e lutas.
O livro está estruturado em doze capítulos nos quais o leitor 
encontra conhecimentos aplicados no ensino e no treinamento em 
lutas. No capítulo I o professor Dirceu Ribeiro Nogueira da Gama 
procura oferecer uma visão analítica geral de questões psicológicas 
que podem auxiliar ou retardar a aquisição de importantes conteúdos, 
competências, valores e habilidades para a prática de lutas, esportes 
de combate e artes marciais como um todo. Tais questões concernem 
aos traços de personalidade individuais; percepção; atenção e 
concentração; motivação; estresse e ansiedade. É importante 
sublinhar que a apresentação em tela focaliza os aspectos teóricos 
desses conceitos, tendo o propósito maior de estimular os leitores a 
aprofundarem ainda mais os seus conhecimentos.
Pode-se encontrar no Capítulo II os aspectos fundamentais da 
aprendizagem motora (AM) e do desenvolvimento motor (DM), no que 
tange a produção, controle e educação dos movimentos inerentes às 
lutas. O professor Jomilto Praxedes focaliza os conceitos básicos e os 
fatores que afetam a AM e o DM, conduzindo para a compreensão do 
movimento humano, onde são observadas as habilidadessão denominados pelo nome de cada componente. No vértice inferior 
esquerdo temos a primeira componente (endomorfia), no vértice 
superior a segunda componente (mesomorfia), e no vértice inferior 
direito a terceira componente (ectomorfia) (HEATH; CARTER, 2005).
Para realizar a plotagem do somatotipo neste triângulo, de 
acordo com as coordenadas X e Y usam-se as equações abaixo e a 
classificação conforme tabela 2 (HEATH; CARTER, 2005).
Figura 2. Triângulo de Reuleux
Fonte: Própria.
138
S U M Á R I O AVALIAÇÃO DA APTIDÃO CARDIORRESPIRATÓRIA
A capacidade cardiorrespiratória pode ser definida como a 
capacidade de realizar exercícios dinâmicos com grandes grupos 
musculares em intensidade de moderada a alta por períodos 
prolongados (ACSM, 2003; NUNES, 2010; ANDRADE et al., 2013).
A aptidão cardiorrespiratória é um componente relacionado à 
saúde e ao condicionamento do atleta de luta, podendo ser medido 
de forma direta ou indireta, com protocolos máximos ou submáximos. 
Podem ser realizados em laboratório ou em campo. Estes testes 
estimam o consumo de oxigênio classificando o nível de aptidão 
cardiorrespiratória do atleta. (NUNES, 2010).
De acordo com Hespanha (2004) e Pitanga (2004) é o 
componente de maior importância para aptidão física relacionada com 
saúde e compreende a resistência ao exercício submáximo, a potência 
aeróbia máxima, a função cardiorrespiratória e a pressão arterial.
• A resistência ao exercício submáximo é o nível de tolerância às 
demandas energéticas de baixa intensidade e longa duração.
• A potência aeróbia máxima é medida pelo VO2máx (consumo 
máximo de oxigênio), ou seja, é o maior volume de oxigênio que 
se pode absorver do ar atmosférico e transportar aos tecidos 
durante o exercício máximo na unidade de tempo.
• A função cardiorrespiratória é avaliada a partir das respostas da 
frequência cardíaca, frequência respiratória e outras variáveis do 
sistema cardiovascular e respiratório.
• A pressão arterial é a força exercida pela coluna de sangue 
contra as paredes das artérias possuindo dois componentes, a 
pressão arterial sistólica e a pressão arterial diastólica.
139
S U M Á R I O Testes de campo vs. laboratório
Os testes de campo são uma forma de estimar o O2máx. São 
realizados em pistas, quadras e piscinas por meio de testes de corrida 
(ou nado) de forma contínua ou intervalada com espaço demarcado 
e tempo cronometrado. Este tipo de teste permite a avaliação de um 
número grande de pessoas simultaneamente (QUEIROGA, 2005).
A escolha destes testes é justificada geralmente por não se 
dispor de ergômetro, a necessidade de avaliar grandes grupos 
populacionais ou pelo envolvimento das atividades motoras comuns 
ao repertório de habilidades específicas do atleta (NUNES, 2010; 
MONTEIRO; LOPES, 2009).
Os testes realizados em laboratórios necessitam de instrumentos 
específicos, os ergômetros (tapete rolante ou esteira, cicloergômetro 
ou bicicleta e banco). Estes instrumentos identificam a capacidade 
do indivíduo em gerar trabalho mecânico por unidade de tempo, e 
possuem diferentes vantagens e desvantagens. (HESPANHA, 2004; 
MARINS; GIANNICHI, 2008). 
Tabela 2. Nível de aptidão física American Heart 
Association para mulheres e homens
Idade 20 – 29 30 – 39 40 - 49 50 – 59 60 - 69
Gênero M F M F M F M F M F
Excelente > 53 > 49 >49 >45 >45 >42 >43 >38 >41 >35
Bom 43-
52
38-
48
39-
48
34-
44
36-
44
31-
41
34-
42
28-
37
31-
40
24-
34
Regular 34-
42
31-
37
31-
38
28-
33
27-
35
24-
30
25-
33
21-
27
23-
30
18-
23
Fraco 25-
33
24-
30
23-
30
20-
27
20-
26
17-
23
18-
24
15-
20
16-
22
13-
17
Muito Fraco 60
Muito fraca
H >15:31 >16:01 >16:31 >17:31 >19:01 >20:01
M >18:31 >19:01 >19:31 >20:01 >20:01 >21:01
Fraca
H 12:11-
15:30
14:01-
16:00
14:44-
16:30
15:36-
17:30
17:01-
19:00
19:01-
20:00
M 16:55-
18:30
18:31-
19:00
19:01-
19:30
19:31-
20:00
20:01-
20:30
21:00-
21:31
141
S U M Á R I O
Média
H 10:49-
12:10
12:01-
14:00
12:31-
14:45
13:01-
15:35
14:31-
17:00
16:16-
19:00
M 14:31-
16:54
15:55-
18:30
16:31-
19:00
17:31-
19:30
19:01-
20:00
19:31-
20:30
Boa
H 9:41-
10:38
10:46-
12:00
11:01-
12:30
11:31-
13:00
12:31-
14:30
14:00-
16:15
M 12:30-
14:30
13:31-
15:54
14:31-
16:30
15:56-
17:30
16:31-
19:00
17:31-
19:30
Excelente
H 8:37-
9:40
9:45-
10:45
10:00-
11:00
10:30-
11:30
11:00-
12:30
11:15-
13:59
M 11:50-
12:29
12:30 
-13:30
13:00-
14:30
13:45-
15:55
14:30-
16:30
16:30-
17:30
Fonte: Adaptado de Hespanha (2004).
Para este teste o consumo máximo de oxigênio pode ser estimado 
pela equação do American College of Sports Medicine (ACSM, 2003):
Protocolos de Banco
O teste de banco de McArdle (1984) é um teste de etapas, usado 
para determinar a aptidão aeróbica.
Objetivo: este teste submáximo fornece uma medida da aptidão 
cardiorrespiratória ou de resistência.
Equipamento necessário: um banco de 41,3 cm, cronômetro, 
um metrônomo, monitor de frequência cardíaca (opcional).
Procedimento: O atleta sobe e desce na plataforma a 
uma taxa de 22 passos (88 bpm) por minuto para mulheres e 24 
passos (96 bpm) por minuto para homens. Os sujeitos devem pisar 
usando uma cadência de quatro etapas, ‹up-up-down-down› por 3 
https://www.topendsports.com/resources/stores.htm?type=All&cat=Stopwatches
142
S U M Á R I O minutos. O atleta para imediatamente após a conclusão do teste, 
após 5 segundos (no máximo 20) de término de teste, a frequência 
cardíaca (FC) é aferida com o avaliado ainda de pé, os batimentos 
cardíacos são contados por 15 segundos, multiplique essa leitura 
de 15 segundos por 4 para fornecer o valor de batimentos por 
minuto e então calculado o de acordo com as equações da tabela 
4 (McARDLE; KATCH; KATCH, 2007).
Figura 3. Teste de banco de McArdle
Fonte: Própria.
Os valores de referência por idade e sexo podem ser observados 
na tabela 4.
Tabela 4. Equação para predição do VO2 pelo teste de banco
Gênero O2máx
Masculino 111,13 - (0,42 x FC)
Feminino 65,81 - (0,1847 x FC)
Fonte: Adaptado de Pollock e Wilmore (1993).
143
S U M Á R I O Avaliação – Deficit vs. Superavit de Capacidade Aeróbia
É possível a partir de equações, avaliar se o individuo 
possui um déficit ou superávit de capacidade aeróbia. Para isso 
podemos utilizar a equação proposta por Bruce (1992) para cálculo 
do previsto para a idade (Tabela 5) e utilizá-lo para cálculo do FAI 
(déficit aeróbio funcional).
Tabela 5. Cálculo do previsto para a idade em anos
Fonte: Adaptado de Rocha e Guedes Jr. (2013).
AVALIAÇÃO DA POTÊNCIA ANAERÓBICA
Para avaliar a potência anaeróbica em atletas de lutas um 
teste recomendado é o Flegner Teste (FLEGNER, 1983). Consiste 
na realização de dez saltos sucessivos com os pés paralelos sem 
sobrepasso no menor tempo possível, objetivando a maior distância.
A saída não deveser comandada para não incluir o tempo de 
reação (latência), assim o afastamento dos pés do chão indica o disparo 
do cronômetro, que deve ser digital com precisão de centésimo de 
segundos. O teste deverá ser realizado em uma pista com pelo menos 
30 metros de extensão. E uma trena deve estar estendida ao longo 
144
S U M Á R I O da pista. A fim de permitir precisão de 1 centímetro na última marca 
deixada pelo calcanhar no solo será com a utilização de um sarrafo 
pelo avaliador. A distância do salto está compreendida entre a linha de 
saída e o último ponto de contato dos pés com o solo.
Figura 4 - Flegner Teste
Fonte: Própria
Cálculos realizados:
1. Calcular o Percentual de gordura;
2. Calcular o Peso de Gordura (PG = G%x Peso divido por 100);
3. Calcular a Massa Corporal Magra (LBM = Peso – PG);
4. Calcular o AP (Anaeróbico Previsto) (AP = 5,84 x LBM – 112,63); 
5. Calcularo AR (Anaeróbico Real) (AR= Peso x Distância dividido 
pelo Tempo);
6. Concluindo: Se AP for maior que AR = Fibra lenta
Se AP for menor que AR = Fibra rápida
145
S U M Á R I O • AAPU = Absolute Anaerobic Power Unit 
• UFAA = Unidade de Força Anaeróbica Absoluta
É possível ainda obter a potência relativa ao peso corporal pela 
seguinte equação:
AAPU relativa = AAPU / Massa Corporal (kg)
AVALIAÇÃO MUSCULAR
A aptidão muscular relaciona-se com a capacidade do músculo 
ou grupo muscular específico em realizar trabalho. Refere-se à 
capacidade de gerar força, ter resistência ou gerar potência. A avaliação 
destas características é importante no desempenho esportivo e fazem 
parte da avaliação (NSCA, 2015).
Força e Resistência Muscular
A força muscular é a capacidade do grupo muscular de 
desenvolver força contrátil máxima contra uma resistência em 
uma única contração. Já a resistência muscular esta relacionada à 
capacidade para realizar força submáxima por períodos prolongados 
(HEYWARD, 2004).
Teste Dinâmico: Força explosiva (potência)
A força explosiva (potência) dos membros inferiores pode 
ser avaliada pelos testes de impulsão vertical e horizontal o 
146
S U M Á R I O sujeito é instruído a saltar para cima o mais alto possível (ROCHA; 
GUEDES JR, 2013).
Posição do avaliado: Em pé ao lado da parede com os braços 
estendidos acima da cabeça e dedos sujos de giz. Na parede está 
fixada uma fita métrica de forma descendente a 1 metro do solo.
Procedimento: Solicite que o avaliado salte o mais alto possível 
com toque do dedo sujo de giz na parede. Podem ser feitas mais de 
1 (uma) tentativa e utiliza-se o maior valor obtido ou o valor médio das 
tentativas realizadas.
Figura 5. Teste de Impulsão Vertical
Fonte: Própria.
Cálculo da potência: A potência é calculada utilizando o valor do 
salto, ou seja, a diferença entre altura do salto e estatura do indivíduo (D).
147
S U M Á R I O Tabela 6. Valores Referência em centímetros 
(cm) do Teste de Impulsão Vertical.
Homens Mulheres
Avaliação (cm) (cm)
Excelente > 70 > 60
muito bom 61-70 51-60
acima da média 51-60 41-50
Média 41-50 31-40
abaixo da média 31-40 21-30
Pobre 21-30 11-20
muito pobre 68 >37 >70 >41
Bom 56-67 34-36 62-69 38-40
Médio (Regular) 43-55 22-33 48-61 25-37
Abaixo da Média (Ruim) 39-42 18-21 41-47 22-24
Fraco (Insuficiente) 56 > 47 > 41 > 34 > 31 > 30
Boa 47-56 39-47 34-41 28-34 25-31 24-30
Acima da média 35-46 30-39 25-33 21-28 18-24 17-23
Média 19-34 17-29 13-24 11-20 9-17 6-16
Abaixo da média 11-18 10-16 8-12 6-10 5-8 3-5
Pobre 4-10 4-9 2-7 1-5 1-4 1-2
Muito pobre 35 > 36 > 37 > 31 > 25 > 23
Boa 27-35 30-36 30-37 25-31 21-25 19-23
Acima da média 21-27 23-29 22-30 18-24 15-20 13-18
Média 11-20 12-22 10-21 8-17 7-14 5-12
Abaixo da média 6-10 7-11 5-9 4-7 3-6 2-4
Pobre 2-5 2-6 1-4 1-3 1-2 1 1
Muito pobre 0-1 0-1 0 0 0 0 0 0 0 0
Fonte: Adaptado de Machado e Abad (2016).
Teste de flexão abdominal: Realizado tanto em homens 
quanto em mulheres. O avaliado deverá estar deitado em supino 
com os braços cruzados a frente do corpo, flexão de joelhos e pés 
apoiados no solo seguros pelo avaliador. O movimento de flexão 
abdominal é realizado até que os cotovelos toquem os joelhos 
com retorno total ao solo, sendo repetido pelo período de 1 minuto 
(MACHADO; ABAD, 2016). 
Figura 7 - Teste de Abdominal
Fonte: Própria.
Os valores de referência por idade e sexo podem ser observados 
na tabela 9.
151
S U M Á R I O Tabela 9 - Valores de Referência em número de 
repetições - Teste de Abdominal
HOMENS
Idade 18-25 26-35 36-45 46-55 56-65 65+
Excelente > 49 > 45 > 41 > 35 > 31 > 28
Boa 44-49 40-45 35-41 29-35 25-31 22-28
Acima da média 39-43 35-39 30-34 25-28 21-24 19-21
Média 35-38 31-34 27-29 22-24 17-20 15-18
Abaixo da média 31-34 29-30 23-26 18-21 13-16 11-14
Pobre 25-30 22-28 17-22 13-17 9-12 7-10
Muito pobre 43 > 39 > 33 > 27 > 24 > 23
Boa 37-43 33-39 27-33 22-27 18-24 17-23
Acima da média 33-36 29-32 23-26 18-21 13-17 14-16
Média 29-32 25-28 19-22 14-17 10-12 11-13
Abaixo da média 25-28 21-24 15-18 10-13 7-9 5-10
Pobre 18-24 13-20 7-14 5-9 3-6 2-4
Muito pobreé realizado na posição em pé. Coloque 
uma mão atrás da cabeça e de costas por cima do ombro e alcance o 
máximo possível no meio das costas, palma da mão tocando o corpo 
e os dedos direcionados para baixo. Coloque o outro braço atrás das 
costas, a palma da mão voltada para fora e os dedos para cima e 
alcance o máximo possível, tentando tocar ou sobrepor os dedos do 
meio das duas mãos. É necessário um assistente para direcionar o 
assunto para que os dedos estejam alinhados e para medir a distância 
entre as pontas dos dedos do meio. Se as pontas dos dedos tocarem, 
a pontuação é zero. Se eles não tocarem, meça a distância entre as 
153
S U M Á R I O pontas dos dedos (pontuação negativa); se elas se sobrepuserem, 
meça quanto (pontuação positiva). Pratique duas vezes e depois teste 
duas vezes. Pare o teste se o sujeito sentir dor.
Figura 9. Teste de Flexibilidade de Ombros
 
Fonte: Própria.
Pontuação: registre a melhor pontuação no centímetro mais 
próximo. Quanto menor a pontuação, melhor o resultado. Os valores 
de referência por idade e sexo podem ser observados na tabela 10.
Tabela 10 - Valores de Referência em centímetros (cm) do Back Scrath Test
IDADE ABAIXO 
DA MÉDIA NORMAL ACIMA DA 
MÉDIA
HOMENS 0
MULHERES 3,8
Fonte: Adaptado de Morrow Jr. et al. (2014).
Teste de Sentar e Alcançar: Este teste mede a flexibilidade da 
região lombar e dos músculos da região posterior da coxa.
154
S U M Á R I O Equipamento necessário: uma fita para marcar o chão e uma 
régua. Com a fita, marque uma linha reta de 38 cm de comprimento 
no chão como linha de base e uma linha de medição perpendicular 
ao ponto médio da linha de base, estendendo-se dois pés de cada 
lado. Use a caneta marcadora para indicar cada centímetro ao longo 
da linha de medição. O ponto em que a linha de base e a linha de 
medição se cruzam é o ponto zero.
Procedimento: O sujeito irá tirar os sapatos e sentar no chão com 
a linha de medição entre as pernas e as solas dos pés, posicionadas 
imediatamente atrás da linha de base, com os calcanhares afastados 
30 cm. Com as pernas esticadas por um parceiro, o sujeito lentamente 
se move para frente o máximo possível, mantendo os dedos na linha 
de base e os pés flexionados. Após três tentativas de prática, o atleta 
mantém o quarto alcance por três segundos enquanto a distância é 
anotada. Verifique se não há movimentos bruscos e se as pontas dos 
dedos permanecem niveladas e as pernas esticadas.
Pontuação: a pontuação é registrada no centímetro mais 
próximo, a distância antes da linha de base é negativa e a além é 
positiva (PROESP; 2020).
Figura 10 - Teste de Flexibilidade da Lombar
Fonte: Própria.
155
S U M Á R I O Teste de Extensão de Tronco: Seu objetivo é avaliar a 
flexibilidade de tronco no movimento de extensão, deve-se elevar 
a parte superior do corpo 30 cm a partir do chão e manter essa 
posição até se efetuar a medição.
Material: uma régua de 50 cm. 
Procedimento - O atleta deita-se no colchão em decúbito ventral. 
Os pés em extensão e as mãos debaixo das coxas, cabeça apoiada 
no colchão de forma a poder olhar para um ponto do colchão próximo 
do seu nariz. Durante o movimento o atleta deve focar o seu olhar 
nesse ponto do colchão. O atleta deve elevar o seu tronco do solo de 
forma lenta e gradual até atingir uma elevação máxima de 30 cm. A 
posição elevada deve ser mantida o tempo suficiente para a medição 
da distância compreendida entre o queixo do atleta e o solo. A régua 
deve ser colocada a uma distância mínima de 2,5 cm do queixo do 
atleta. Uma vez feita à medição, o atleta deve regressar à posição de 
repouso de forma gradual. Devem ser permitidas duas tentativas e 
registado o melhor resultado.
Figura 11 - Teste de extensão de tronco
Fonte: Própria.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao analisar as informações de uma avaliação física em que 
os dados convergem entre a academia de Luta e o laboratório na 
Universidade, deve-se traçar um perfil de expectativas que não podem 
156
S U M Á R I O se resumir ao peso corporal no qual se dividem as categorias. As 
competições de lutas possuem a sua divisão por uma classificação 
de peso corporal, independente de se observar outras características 
corporais como a estatura e comprimento dos segmentos corporais, 
estes podem ser incorporados à técnica individual e tal fato pode 
impactar diretamente na desenvoltura do combate.
Logo, espera-se que as avaliações de caráter antropométrico, 
neuromuscular e metabólico propostas neste capítulo colaborem 
com os leitores a adquirir o conhecimento necessário a formalizar em 
seu cotidiano a prática de avaliar seus alunos e atletas, conseguindo 
saber seus pontos fortes e fracos. Em posse dos dados obtidos, 
tenha o discernimento para interpretar os seus resultados e utilizar as 
informações suficientes para uma prescrição de treinamento adequada 
dos atletas de luta.
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EVALUATION IN FIGHTS
Abstract
Within a training and physical preparation process, the assessment is the starting 
point, it will provide necessary information about the athlete’s morphofunctional 
characteristics that will serve as a basis for establishing the training parameters 
to be performed. Based on this presentation, this chapter aims to present, 
among the several existing evaluation protocols in the literature in the areas of 
Anthropometry, Neuromuscular (Strength and Flexibility) and Metabolic, which 
are most applicable to fighting athletes.
Ilustrações
Giuliana Cunha Messias de Souza é Graduada em Educação Artística – Artes 
Plásticas, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Capítulo 5
ORGANIZAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO 
TREINAMENTO APLICADO ÀS LUTAS
Carlos Alberto de Azevedo Ferreira
Juliana Brandão Pinto de Castro
Rodrigo Gomes de Souza Vale
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601.159-188
5
Carlos Alberto de Azevedo Ferreira
Juliana Brandão Pinto de Castro
Rodrigo Gomes de Souza Vale
ORGANIZAÇÃO 
E PERIODIZAÇÃO 
DO TREINAMENTO 
APLICADO ÀS LUTAS
160
S U M Á R I O INTRODUÇÃO 
O treinamento desportivo pode ser entendido como a parte mais 
ampla do fenômeno denominado desporto. Dessa forma, compreender 
a essência do desporto é importante para o entendimento da 
problemática que envolve a prescrição do treinamento desportivo. No 
sentido estrito, desporto refere-se à competição propriamente dita. Já 
no sentido amplo, constitui-se como um fenômeno social multifacético, 
viabilizando a consecução de objetivos bem mais amplos do que os 
puramente desportivos. Nesse caso, abarca não apenas a competição, 
mas também a preparação para a competição e todas as demais 
relações específicas na área tomadas em conjunto (WEINECK, 1999).
Assim sendo, o processo de treinamento desportivo visa 
o alcance de um determinado nível de rendimento. Esse nível de 
rendimento pode ser em maior ou menor grau, dependendo do âmbito 
de atuação do treinamento desportivo em questão e do período/fase 
de treinamento que o indivíduo se encontra. O rendimento desportivo é 
influenciado por uma série de fatores intervenientes, como alimentação, 
treinamento, descanso, fatores endógenos (condição intrínseca) e 
condições de higiene e saneamento básico. Todos esses fatores são 
essenciais para a aquisição de um nível de rendimento condizente 
com o objetivo almejado. De acordo com Tubino e Moreira (2003), 
essas partes de um processo de treino são interdependentes, inter-
relacionadas e interatuantes, devendo ser consideradas em conjunto 
no processo de planejamento e consecução do treinamento.
No que tange ao fator treinamento, ressalta-se que o 
processo de treino é pedagógico e biológico. Desse modo, pode 
ser subdividido em seis tipos de treinamento: físico, técnico, tático, 
psicológico, teórico (cognitivo) e social. Todos os tipos de preparação 
inerentes a esses treinamentos se encontram presentes em um 
161
S U M Á R I O processo de treino. Todavia, dependendo dos objetivos da sessão 
de treino, pode haver o predomínio de uma ou mais preparações. 
Por exemplo, uma sessão de treino pode ter como objetivo principal 
o desenvolvimento das capacidades técnicas de um atleta. Nesse 
caso, o foco da sessão de treino será o desenvolvimento da técnica 
da modalidade desportiva em questão e haverá predominância de 
estímulos técnicos. Porém, os fatores psicofísicos, táticos, cognitivos 
e sociais vão influenciar num melhor aproveitamento desse treino 
técnico (TUBINO; MOREIRA, 2003).
Dessa forma, no âmbito competitivo, para uma boa colocação 
atlética, além da vontade e do esforço do participante, é necessário que 
o atleta esteja preparado emocional e fisicamente para a competição. 
Desse modo, ele precisa ter sido submetido a um processo de 
adequação prévia (GOMES, 2009; PLATONOV, 2004). Este processo 
de adequação, ou melhor, processo de treinamento, tem como 
objetivo principal propiciar ao atleta o aumento da capacidade física 
e emocional para sustentar, como por exemplo, altos trabalhos de 
potência ou velocidade por um determinado período ou distância. Tal 
processo baseia-se na repetição de exercícios que visa conciliar uma 
realização autônoma de um gesto motor ou habilidade motora com o 
desenvolvimento ou melhora das funções metabólicas e/ou estruturais. 
Ou seja, esse processo tem o propósito de fazer com que o atleta 
realize um movimento com o menor gasto energético possível ou 
menor esforço possível (GOMES, 2009; PLATONOV, 2004).
Nesse sentido, observa-se que o treinamento desportivo 
compreende: desenvolvimento da capacidade pulmonar, 
desenvolvimento da capacidade neuromuscular, aquisição e 
desenvolvimento da técnica, apreensão da tática, mobilidade das 
forças psíquicas, intervenção social e o que Tubino e Moreira (2003) 
denominam de treinamento invisível, incluindo alimentação, hábitos de 
vida e recuperação.
162
S U M Á R I O CONCEITOS INICIAIS
O período de treinamento pode ser composto por semanas, 
meses ou até mesmo anos. Durante essas fases temporais, a 
combinação da intensidade, duração e frequência dos estímulos, 
também chamada carga de treino ou quantidade de treinamento 
(QT), deve variar e aumentar gradualmente de acordo com a 
resposta de adaptação demonstrada pelo atleta (DANTAS, 2014; 
TUBINO; MOREIRA, 2003).
Para maximizar uma melhora da adaptação fisiológica ao 
treinamento e consequente incremento no desempenho desportivo, a 
carga de treinamento deve ser disposta em períodos de treino com 
menor volume. Assim, o período de maior sobrecarga é planejado para 
que, no momento da competição, o atleta obtenha um alto desempenho 
com a existência de fadiga residual mínima (WEINECK, 1999).
Deve-se salientar que o desempenho do atleta está atrelado a 
diversos fatores, alguns dentro de um controle do treinador e outros 
fora desse controle. Dentre os fatores controláveis pelo treinador, é 
possível citar os treináveis, considerados os elementos biomecânicos, 
fisiológicos, motores e os ensináveis, que são as técnicas e as táticas. 
Quanto aos fatores não treináveis, que se encontram fora do controle do 
treinador, é possível citar carga genética, idade, condições climáticas, 
oponentes, entre outros (DANTAS, 2014; WEINECK, 1999). 
FASES DO TREINAMENTO
O processo de formação de um atleta é um trabalho de longo 
prazo e envolve planejamento e periodização de treinamento. 
Esse processo pode levar 10 anos ou mais, a contar da data 
163
S U M Á R I O do início na modalidade esportiva e vivência motora prévia. 
Envolve 3 fases fundamentais: 1ª) fase de treinamento básico dos 
fundamentos (etapa de base); 2ª) fase de especialização (etapa 
de desenvolvimento ou construção); 3ª) fase de competição 
propriamente dita (etapa de alto nível ou otimização). Estas 
fases apresentam uma variação das características qualitativas e 
quantitativas de treinamento (BÖHME, 2000; BOMPA, 2002; ELIOTT; 
MESTER, 2000; GRANELL; CERVERA, 2003). A título de ilustração, 
um estudo desenvolvido com judocas de nível internacional 
detectou que a idade média de iniciaçãona modalidade ocorreu 
por volta dos 6,2 ± 1,3 anos (MASSA et al., 2014).
A primeira fase, ou fase de treinamento dos fundamentos 
básicos, é caracterizada pelo aprendizado das técnicas básicas. 
Nesse sentido, objetiva fornecer ao atleta um amplo repertório motor 
dentro da modalidade e ampliar a utilização desse repertório nas 
mais diversas situações, promovendo ao atleta velocidade na tomada 
de decisão para a resolução de problemas motores (BOMPA, 2002; 
ELIOTT; MESTER, 2000; GRANELL; CERVERA, 2003).
Na segunda fase, a fase de especialização, o atleta começa a 
ser direcionado para o refinamento do gesto motor da modalidade que 
pratica. Pode-se dizer que, neste momento, ocorre o aprimoramento 
da técnica do atleta, no caso, o estilo do atleta dentro da modalidade 
(BOMPA, 2002; ELIOTT; MESTER, 2000; GRANELL; CERVERA, 2003).
Na terceira fase, que é a fase de competição, todo o treinamento 
é direcionado para a competição. Nesse momento, também deve 
ocorrer uma ligeira progressão do rendimento desportivo. O treinador 
deve observar os campeonatos e competições em que estará inserindo 
o atleta de forma que este possa ganhar gradativamente experiência 
em torneios e competições. Objetiva-se que o atleta esteja no ápice 
da forma psicofísica nesse período (BOMPA, 2002; ELIOTT; MESTER, 
2000; GRANELL; CERVERA, 2003).
164
S U M Á R I O CARACTERÍSTICAS GERAIS E CONCEITOS
Conforme abordado anteriormente, toda a prática do treinamento 
cerca a manipulação da carga de treino (ou QT), composta pela 
intensidade (IT), duração (DT) e frequência de treinamento (FT). Desse 
modo, a QT é o produto da IT, DT e FT e pode ser esquematicamente 
representada da seguinte forma: QT = IT × DT × FT. A seguir, temos a 
explicação de cada uma dessas variáveis que compõem a QT.
A IT é uma função das atividades realizadas em um determinado 
tempo, ou seja, a IT expressa o nível ou grau de esforço em um 
determinado período de tempo. Logo, pode-se mensurar a IT de 
uma sessão de treino (ST). A IT pode ser determinada e controlada 
por elementos de natureza fisiológica, bioquímica, psicológica e 
física (biomecânica). Alguns exemplos de mensuração da IT são: a 
frequência cardíaca (FC), a percepção subjetiva de esforço (como as 
Escalas de Borg e OMNI-RES), a concentração de lactato sanguíneo, a 
velocidade de deslocamento, a quilagem (ou carga externa) mobilizada 
e o comprimento (altura, distância alcançadas).
Desse modo, dentro do treinamento, dependendo da situação, a 
IT apresenta-se diferenciada e, geralmente, é representada através de 
um valor relativo à utilização de um valor referencial máximo. Se o treino 
é de velocidade, a IT será medida pela velocidade em que o exercício 
é realizado. Caso seja um treino de resistência, a intensidade será 
representada pela força resistência aplicada à carga, ao implemento 
de carga ou oponente utilizado (TUBINO; MOREIRA, 2003).
Em uma sessão de treino em lutas, a intensidade pode ser 
medida mediante a velocidade na execução de técnicas de chute, de 
soco ou de projeções e a repetição desses movimentos. A velocidade 
de execução irá determinar a intensidade do treino, podendo ser 
medida pelos parâmetros fisiológicos, psicológicos ou bioquímicos 
165
S U M Á R I O citados anteriormente, como, por exemplo, FC, percepção subjetiva 
de esforço ou concentração de lactato, respectivamente (FRANCHINI; 
DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999). Em termos 
fisiológicos, uma variável hemodinâmica, além da FC, que vem sendo 
utilizada em estudos com atletas de esportes de combate, como o 
muay thai e a luta livre (wrestling), é a pressão arterial (SALERNO et 
al., 2017; SILVA et al., 2016).
A DT representa o tempo de estímulo dentro de uma sessão 
ou período de treinamento. Em outras palavras, a DT expressa o 
tempo (duração) da exposição ao esforço/estímulo de treino em 
um determinado período de tempo. A DT pode ser determinada e 
controlada por elementos de natureza temporal, os quais são expressos 
em unidades horárias, por exemplo, segundos, minutos e horas.
A FT está relacionada à quantidade de sessões de treino em um 
determinado período. Trocando em miúdos, a FT expressa o número 
de ST realizadas por certo tempo, que pode ser expresso em dias, 
semanas, mês, e assim por diante. Assim, tem-se a designação de 
frequência de treino diária, que representa o número de ST realizadas 
pelo atleta em um dia. É comum também a quantificação em termos de 
FT semanal. Nesse caso, a FT representa o número de ST realizadas 
em uma semana.
A duração e a frequência podem ser condensadas e chamadas 
de volume de treinamento (VT). Portanto, o VT expressa a QT quando se 
quer referenciar a DT e FT em um determinado período. Dessa forma, se 
busca separar DT e FT da IT, em que pese a constante relação entre os 
fatores que compõem a QT (TUBINO; MOREIRA, 2003; ZATSIORSKY, 
1999). Assim, tem-se que VT = DT × FT. 
Observando estes componentes, pode-se dizer que volume é o 
produto entre dois componentes, podendo ser frequência e duração de 
treinamento ou intensidade e duração de treinamento (BOMPA, 2002; 
166
S U M Á R I O GOMES, 2009). A manipulação das variáveis intensidade, frequência e 
duração por parte dos treinadores determina a carga de treino. Dessa 
maneira, o atleta será exposto a essa manipulação que alternará 
períodos de carga de trabalho elevada com períodos de recuperação 
(BOMPA, 2002; FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008).
Ao olhar fisiológico, cada modalidade irá necessitar, de acordo 
com o perfil que possui, o aumento direcionado mais para força, mais 
para a velocidade ou mais para a resistência, podendo haver ainda 
uma combinação entre elas. É necessário observar que o treinamento 
estará direcionado ao tipo de competição que o atleta está inserido 
ou será inserido. Atletas que apresentam uma característica de força 
de potência apresentarão melhores resultados em uma competição 
mais curta, uma finalização mais rápida, já os atletas que possuem 
uma resistência melhor apresentarão resultados melhores em 
competições de média duração (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; 
ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
PRINCÍPIOS GERAIS DO TREINAMENTO
Ao se falar de treinamento desportivo, é necessário atentar 
para alguns princípios gerais do treinamento. Princípios são diretrizes 
norteadoras (proposições diretoras) de determinada área de 
conhecimento. No caso do treinamento desportivo, os princípios são 
proposições que orientam a prática e a produção de conhecimento 
na área do treinamento desportivo. Logo, o planejamento de qualquer 
processo de treinamento deve estar calcado/fundamentado nos 
princípios do treinamento desportivo. Gobbi, Villar e Zago (2005) 
consideram os princípios como normas/regras a serem seguidas. Por 
conseguinte, são abordados a seguir o princípio da individualidade 
biológica, o princípio da adaptação, o princípio da especificidade do 
167
S U M Á R I O treinamento, o princípio da carga progressiva, o princípio da relação 
ótima carga-repouso, o princípio da reversibilidade, o princípio da 
variabilidade do treinamento e o princípio da interdependência volume–
intensidade de treinamento (VT–IT). 
Princípio da Individualidade Biológica: esse princípio explica 
a variedade entre elementos da mesma espécie. As diferenças 
individuais podem ser morfológicas e funcionais quanto às 
características e capacidades físicas. Essas diferenças também 
se manifestam em termos psicológicos, cognitivos e sociais, por 
exemplo, quanto aos componentes da personalidade. Nesse sentido, 
alguns aspectos devem ser considerados no que tange esse princípio, 
como os aspectos sociais, educacionais, ocupacionais, econômicos, 
nutricionais, viagens e monotonia (deficiência de variação nos treinos). 
Esses elementos, somados à carga genética de cada indivíduo, irão 
influenciar a resposta/resultado do treinamento, ocasionando uma 
adaptação ao treinamento de forma e tempo diferenciados (DANTAS, 
2014; TUBINO; MOREIRA, 2003).
O sucesso de qualquer programa de treinamentorequer 
respeito à individualidade biológica. Portanto, é importante considerar 
alguns procedimentos pertinentes à individualização do treinamento. 
Dentre esses procedimentos, destaca-se o levantamento da história 
clínica e esportiva do indivíduo, realização de exame físico, testes 
laboratoriais e testes físicos voltados para a avaliação da aptidão 
física e características físicas. No caso de pré-púberes e púberes, a 
maturação biológica também é um fator que deve ser considerado 
(RÉ, 2011). Desse modo, o treinador fica munido de informações que 
irão auxiliar na devida adequação do treinamento às características 
individuais em relação aos pontos fortes e fracos do indivíduo (GOBBI; 
VILLAR; ZAGO, 2005). O mesmo levantamento deve ser feito quanto 
às características psíquicas e sociais do atleta. Por exemplo, detectar 
168
S U M Á R I O os traços de personalidade e os níveis de resiliência do esportista de 
combate (GAMA et al., 2018).
Princípio da Adaptação: também denominado de Síndrome 
da Adaptação Geral (SAG) ou Fenômeno do Estresse, esse princípio 
versa sobre a adaptação do organismo aos estímulos de treinamento. 
Tem-se, então, as três fases que compõem a SAG: reação (ou alarme), 
adaptação (ou treinamento) e fadiga crônica (SELYE, 1978) (Figura 1). 
Todavia, a última fase é evitada no âmbito do treinamento desportivo, 
pois a fadiga crônica engloba o sobretreinamento (overtraining), o 
que pode afastar o atleta do processo de treino e competições ou 
até encerrar a carreira desportiva de forma precoce. A fadiga crônica 
orgânica ocorre quando os estímulos suplantam a capacidade de 
adaptação/defesa do organismo.
Figura 1. Esquema do princípio da adaptação.
AR: Aumento de rendimento.
Fonte: os autores.
169
S U M Á R I O Observando-se a Figura 1, percebe-se que o organismo busca, 
a todo instante, manter um estado de equilíbrio dinâmico interno, 
conhecido como homeostase (ou homeostasia). Ao ser exposto a 
agentes estressores (ou estressantes), sejam estímulos de natureza 
física, bioquímica ou psíquica, o organismo sofre processos catabólicos 
(degenerativos). Para compensar tais efeitos deletérios, o organismo 
aciona mudanças, lançando mão de mecanismos compensatórios de 
defesa a fim de manter a homeostase. Essas mudanças são chamadas 
de alterações orgânicas, respostas agudas ou respostas imediatas. 
Caso esses agentes estressores sejam constantes/frequentes/
sistemáticos/regulares, o organismo se adapta, ou seja, sofre 
adaptações, as quais são denominas de respostas crônicas (tardias) 
ou efeitos de treinamento. Essas adaptações orgânicas proporcionam 
o aumento de rendimento (AR) (ROSA, 2009).
A partir dessa elucidação, é possível conhecer o conceito de 
Qualidade de Treinamento. Os agentes estressores mencionados são 
os estímulos de treinamento. Por sua vez, esses estímulos são o tipo 
de treinamento, que nada mais é do que a Qualidade de Treinamento. 
É ela que determina as características das adaptações nos diversos 
sistemas orgânicos. A Qualidade de Treinamento é determinada pelos 
meios, métodos e organização metodológica do treinamento. Como 
exemplo, pode-se citar a corrida como um meio para o desenvolvimento 
do metabolismo aeróbico através do método contínuo (ou de duração). 
A organização metodológica está relacionada com a periodização 
do treino, que será abordada mais adiante. O conhecimento acerca 
da Qualidade de Treinamento viabiliza a divisão do treinamento em 
Treinamento Geral e Treinamento Específico. Para discernir um do outro 
é preciso observar as características da atividade/esforço/rendimento 
almejado, o que leva ao próximo princípio geral do treinamento. 
Princípio da Especificidade: a carga de treino deve ser direcionada 
para cada modalidade específica. A intensidade e o volume realizados 
170
S U M Á R I O no treinamento devem objetivar melhorar características e sistemas 
fisiológicos fundamentais e são exigidos para um bom desempenho 
dentro de determinada modalidade, pois as adaptações serão 
específicas para as situações vivenciadas pelo atleta em competições 
(DANTAS, 2014; TUBINO; MOREIRA, 2003). O treinamento específico 
é constituído por estímulos/exercícios/solicitações específicas sobre 
o organismo, determinando efeitos específicos no organismo (sejam 
eles bioquímicos, morfológicos, psicológicos e/ou fisiológicos). 
Consequentemente, o treinamento específico ascende como o 
conteúdo mais importante para o treinamento, pois é ele quem determina 
as adaptações específicas no organismo, necessárias para o aumento 
de rendimento específico. Ou seja, o rendimento é dependente do 
treinamento específico (fator exógeno) e da capacidade de adaptação 
específica de cada indivíduo (fator endógeno). Apesar de relevante, o 
rendimento é prejudicado quando prevalece o treinamento de fatores 
gerais (Treinamento Geral) (WEINECK, 1999).
Em qualquer âmbito de intervenção do treinamento desportivo, 
o rendimento apresenta uma composição multifatorial. A maioria das 
modalidades/disciplinas desportivas são dependentes de diferentes 
tipos de treinamento, que podem ter objetivos diferentes. A maioria 
das lutas, por exemplo, exigem um treinamento da resistência e 
da força específicos. Por estes treinamentos gerarem adaptações 
orgânicas diferentes, o organismo assume uma posição de 
compromisso em termos de adaptação frente e esses treinamentos 
concorrentes. É válido frisar, então, a importância de uma dosagem 
ideal do treinamento, visto que a maioria das lutas é dependente de 
componentes biologicamente diferentes e de importância diferente. 
Destarte, a dosagem ideal é determinada pela análise do rendimento 
desportivo, pelas particularidades individuais do atleta e por fatores 
exógenos (extrínsecos) (WEINECK, 1999).
171
S U M Á R I O Princípio da Sobrecarga Progressiva: também chamado de 
Princípio da Carga Progressiva. Nesse princípio, a carga de treinamento 
é tida como sinônimo de Quantidade de Treinamento (QT). Tal 
explicação é feita para evitar confusão com o conceito de carga externa, 
a qual diz respeito à quilagem ou massa mobilizada em um exercício 
e que corresponde à IT, enquanto a carga de treinamento abarca as 
três variáveis (IT, DT e FT). A sobrecarga é dimensionada tendo como 
base as características do indivíduo, o princípio da atividade biológica, 
as características do movimento ou da tarefa exigida e o princípio da 
especificidade. Parte-se do princípio de que estímulos mais fortes do 
que os habitualmente recebidos pelo indivíduo sejam implementados 
para que haja uma adaptação com o resultado de melhora do 
desempenho (DANTAS, 2014; TUBINO; MOREIRA, 2003).
Simplificando, a QT deve estar relacionada ao rendimento (nível 
de desempenho esportivo/estado de treinamento) do indivíduo e com 
a capacidade de o indivíduo suportar tais cargas de treino. O aumento 
da QT dá-se pela manipulação da IT, DT e/ou FT. Em termos gerais, 
orienta-se que o aumento da QT seja primeiro através de uma maior 
DT, depois aumentar a FT, seguida pelo incremento da IT e redução das 
pausas durante as sessões de treino (WEINECK, 1999).
Princípio da Relação Ótima Carga-Repouso: o equilíbrio entre o 
estímulo de treinamento e o tempo de recuperação são cruciais para 
os efeitos de treinamento, ou seja, para as adaptações que levam ao 
aumento de rendimento. Conforme visto no princípio da adaptação, 
durante uma sessão de treino, os estímulos de treinamento levam 
ao desgaste/depleção das reservas energéticas (como o glicogênio 
muscular e hepático), gerando uma diminuição momentânea da 
capacidade de rendimento. Com o repouso, alimentação e hidratação 
adequadas ocorre uma recuperação/restauração energética, que 
pode ser seguida de uma recuperação energética ampliada (também 
chamada de Assimilação Compensatória, Restauração Energética 
172
S U M Á R I O Ampliada ou Supercompensação Energética) graças aos processos 
catabólicos (constitutivos) (ROSA, 2009) (Figura 2).
Figura 2. Representação do princípio da relação ótimacarga-repouso.
Fonte: Adaptado de Weineck (1999).
O período da recuperação energética ampliada é o momento 
mais propício para a aplicação de um novo estímulo de treinamento. 
Esse fenômeno é conhecido como a lei fundamental de maior formação 
de energia. Quando há uma adequada relação entre o estímulo de 
treino e o repouso, ou seja, quando os intervalos são adequados, 
há o aproveitamento da supercompensação energética, levando à 
adaptação do organismo ao estímulo. Alguns fatores, tanto exógenos 
quanto endógenos, que devem ser considerados no estabelecimento 
do tempo de recuperação entre as sessões de treino são: alimentação, 
repouso/sono, nível de condicionamento, idade, sexo, Qualidade de 
Treinamento, Quantidade de Treinamento, viagens, estilo de vida 
e fatores ambientais. Intervalos curtos entre as sessões de treino 
podem desencadear o sobretreinamento. Por outro lado, intervalos 
demasiadamente longos levam a perda do estímulo (WEINECK, 1999), 
o que leva ao próximo princípio.
173
S U M Á R I O Princípio da Reversibilidade: também conhecido como princípio 
da continuidade do treinamento ou princípio da carga contínua, esse 
princípio parte do pressuposto que, ao parar de treinar, todas as 
adaptações sofridas pelo treinamento são gradativamente perdidas 
(DANTAS, 2014; TUBINO; MOREIRA, 2003). Ou seja, as adaptações não 
são permanentes e perduram, em termos qualitativos e quantitativos, 
em função da manutenção de um limiar de treinamento. O limiar de 
treinamento é o nível mínimo de estimulação (QT) necessário para 
que sejam desencadeadas adaptações orgânicas que acarretem AR. 
Nesse sentido, estímulos positivos acarretam AR, estímulos neutros 
mantém o estado de treinamento (ET) e estímulos negativos geram 
perda das adaptações (ROSA, 2009).
Qualquer interrupção na continuidade no processo de 
treinamento diminui o rendimento do indivíduo pela perda de adaptações 
orgânicas. Assim sendo, a continuidade do treinamento é determinante 
para a consecução dos objetivos de treinamento. A continuidade e 
assiduidade ao treinamento são imprescindíveis para a obtenção do 
rendimento (performance/desempenho) almejado e para a constante 
evolução do rendimento. De tal modo, devem-se evitar interrupções 
no treinamento, executar repetições e controles frequentes, analisar os 
efeitos da QT, observar as qualificações obtidas e considerar as fases 
de desenvolvimento da forma desportiva (WEINECK, 1999).
A ideia do programa de treinamento é levar um atleta ao máximo 
do seu desempenho para uma determinada competição que ocorrerá 
em uma data futura e que dentro deste treinamento sejam minimizados 
os riscos de overtraining, fadiga e até mesmo lesão. Dentro deste 
programa de treinamento, planeja-se mudanças de carga de trabalho 
em momentos e períodos específicos chamamos normalmente de 
periodização (FRANCHINI, 2001; TUBINO; MOREIRA, 2003).
Princípio da Variabilidade do Treinamento: uma mesma tarefa 
de treinamento perde os efeitos em termos da QT, meios e método, 
174
S U M Á R I O sendo necessário variar o treinamento. Porém, no desporto de 
alto rendimento, com o predomínio do treinamento específico, a 
possibilidade de variar o treinamento torna-se mais limitada. Dessa 
forma, o princípio da variabilidade requer maior atenção com atletas 
de alto nível, uma vez que a crescente especialização torna a 
variabilidade mais problemática. Assim, a possibilidade de escolher 
diferentes conteúdos, meios e métodos é menor, assim como as 
variações de IT, DT e FT (WEINECK, 1999). 
Princípio da Interdependência Volume-Intensidade de 
Treinamento (VT–IT): é importante lembrar que o Volume de 
treinamento (VT) expressa a Quantidade de Treinamento (QT) quando 
se quer referenciar a DT e FT em um determinado período. Nessa 
perspectiva, se busca separar DT e FT da IT, em que pese a presença 
e a constante relação entre os fatores que compõem a QT. O AR 
está sujeito do incremento da IT e do VT de forma interdependente, 
ponderando a performance desejada. Êxitos desportivos dependem 
de alta IT e grande VT, que são variáveis interdependentes. A 
estimulação predominante em cada sessão de treino depende do 
período de treinamento em que o atleta se encontra. A recomendação 
para aumentar VT e IT sem que ocorra sobretreinamento é por meio da 
alternância entre o aumento do VT e da IT e do balanceamento entre VT 
e IT. Isto recai sobre o caráter ondulatório do processo de treinamento, 
que será abordado no tópico Periodização do treinamento. Em geral, 
tem-se: maior VT, menor IT e vice-versa (WEINECK, 1999).
Ainda sobre esse princípio, é válido destacar que a IT é 
determinante para o Grau de Eficiência de Treinamento (GET) e que a DT 
e a FT se relacionam com a formação de base (período de preparação 
básica). Portanto, o conceito de GET é essencial no âmbito do 
treinamento desportivo, tanto para otimizar o rendimento, quanto para 
identificar e reduzir os fatores determinantes de lesão (popularmente 
conhecido como prevenção de lesões). O GET é determinado pelo 
175
S U M Á R I O quociente entre o AR alcançado e a QT em determinado período. 
Assim, pode ser representado pela seguinte fórmula: GET = AR/QT. 
O GET expressa a importância do treinamento “econômico”. 
Para tal, e válido pontuar a diferença entre “eficácia” e “eficiência”. 
Diz-se que um treinamento é eficaz quando determinado objetivo é 
alcançado, independentemente do tempo ou economia que levou. Em 
contrapartida, no treinamento eficiente, além do objetivo almejado ser 
alcançado, ele é alcançado com o menor dispêndio de energia (ou outro 
recurso, como tempo) possível. Ou seja, há economia de recursos, 
seja de energia, tempo e/ou outros. Para elucidar esses conceitos, é 
importante lembrar que a menor distância entre dois pontos é uma 
reta. Portanto, quando se segue uma reta para sair do ponto A (estado 
de treinamento atual) e chegar no ponto B (rendimento almejado), 
pode-se dizer que houve eficiência. No entanto, caso tenha desvios 
ao sair do ponto inicial, percorrendo curvas, aclives e declives, e só 
depois alcançar o ponto B, pode-se dizer que o caminho foi percorrido 
de forma eficaz, ou seja, o objetivo proposto foi alcançado, mas com 
maior dispêndio de recursos. 
PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO
A periodização é um processo de longo tempo que está inserido 
no treinamento. É uma variação lógica de cargas distribuídas ao 
longo do processo de treino, que influenciarão no condicionamento 
do atleta. Analogamente, a periodização pode ser pensada como 
um calendário do atleta. Ela é importante para evitar estagnação do 
nível de condicionamento e para evitar a síndrome do overtraining. A 
periodização é basicamente dividida no período de preparação (ou 
preparatório, englobando preparação geral e especial/específica), 
período de competição e período de transição (BOMPA, 2002; 
FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; MATVEEV, 1977). Na periodização, 
176
S U M Á R I O equaciona-se dois problemas que devem ser solucionados: (1º) a 
distribuição dos intervalos de trabalho e tempo de repouso e (2º) a 
sequência lógica na montagem de estímulos e exercícios (BOMPA, 
2002; FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008).
Este processo de treinamento apresenta a característica de 
ser cíclico e possui um período chamado de Forma Desportiva, com 
duração de até 7 semanas, onde observa-se uma pré-disposição ótima 
para que o atleta atinja um resultado competitivo positivo próximo 
dos níveis máximos. Este período auxilia a identificação do Pico 
Competitivo, caracterizado pelo período em que estão potencializadas 
as eficiências físicas e psicológicas, assim como os níveis técnicos-
táticos. Para isso, os treinadores devem estar atentos ao calendário 
competitivo previsto para o atleta (BOMPA, 2002; FRANCHINI; DEL 
VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
CONSIDERAÇÕES INICIAIS DOS 
CICLOS DE TREINAMENTO
Os ciclos de treinamento são divididos em Microciclo (MiC), 
que compreende de 4 a 10 sessões de treinamento, porém o mais 
frequente compreende5 sessões, Mesociclo (MeC), que compreende 
os grupos de microciclos que possuem um objetivo em comum, e 
Macrociclo (MaC), que corresponde a um período de um semestre ou 
ano (Quadro 1) (MATVEEV, 1977; PLATONOV, 2004).
Quadro 1. Disposição de uma planificação de treinamento 
com Microciclo, Mesociclo e Macrociclo.
Microciclo 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Mesociclo 1 2 3 4 5
Macrociclo 1
Fonte: os autores.
177
S U M Á R I O Dessa forma, a ordenação hierarquizada se dá com a Sessão de 
Treino, Microciclo (MiC), Mesociclo (MeC) e Macrociclo (MaC) (Figura 3).
Figura 3. Sessão de treinamento, Microciclo (MiC), 
Mesociclo (MeC) e Macrociclo (MaC).
Fonte: os autores.
O treinamento é dividido em semanas com objetivos específicos. 
Geralmente, esta divisão corresponde a cinco semanas, sendo estas: 
Ordinária (composta de carga intermediária), Choque (aumento 
acentuado da carga em relação ao habitual), Aplicada (visa assegurar 
a preparação para competição), Competitiva (corresponde a própria 
carga da competição em si) e Recuperação (carga regenerativa 
colocada após a competição ou ao período de choque) (MATVEEV, 
1977; PLATONOV, 2004). Alguns treinadores utilizam um período pré-
competição, denominado de Polimento; neste período há uma redução 
na carga de treinamento objetivando uma recuperação completa e 
maximização do desempenho (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008). 
CONCEITOS GERAIS DA PERIODIZAÇÃO
É possível dividir o processo de periodização em segmentos 
definidos pela duração de cada um. Duas nomenclaturas são 
possíveis: a primeira o subdivide em pré-temporada, temporada e 
178
S U M Á R I O fora da temporada. Neste momento, será abordada a segunda forma 
de definir o processo de periodização utilizando os termos sessão de 
treino, microciclo (MiC), mesociclo (MeC) e macrociclo (MaC) e serão 
apresentadas as características primordiais de cada um (MATVEEV, 
1977; PLATONOV, 2004).
Sessão de treino
A sessão de treino é a unidade fundamental. O grupamento 
das sessões de treino de um dia constitui a unidade de treinamento, 
que nada mais é do que o dia de treino, este sendo composto pela 
sessão de treino. Cada dia do treinamento poderá possuir uma ou 
mais sessões de treino (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; 
DRAEGER, 1999).
O tempo de duração de cada sessão de treino costuma variar 
de 45 a 120 minutos, dependendo do objetivo. Existem 2 tipos de 
sessões de treino: a sessão de controle, que visa avaliar a evolução 
do atleta e a eficácia do processo de treinamento e a sessão de treino 
propriamente dita, que visa promover o ensino de técnicas, táticas e o 
próprio aperfeiçoamento do desempenho do atleta (FRANCHINI; DEL 
VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
A elaboração da sessão de treino pode variar de acordo com 
a modalidade do esporte e aí teremos o princípio da especificidade 
sendo colocado em prática, desenvolver o conteúdo da sessão 
dentro do objetivo específico para aquela modalidade esportiva 
(GOMES, 2009). Para elaborar o conteúdo da sessão de treino é 
necessário que o treinador observe o nível de experiência do atleta 
e, com isso, determinar o tipo de treino e a respectiva intensidade 
e volume de treinamento (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; 
ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
179
S U M Á R I O Basicamente, uma sessão de treino deve estar dividida em 3 
partes: 1ª) composta por um começo gradual, onde o objetivo de 
treino é passado ao atleta e inicia com um aquecimento constituído 
por alongamento sem o intuito de melhorar a flexibilidade, mas 
simplesmente promover uma justaposição das fibras musculares 
para o início da segunda parte da sessão de treino; 2ª) composta 
pelo conteúdo propriamente dito, podendo ser fundamentos técnicos, 
trabalho de potência força, velocidade, entre outros; 3ª) é a conclusão 
do treino e é composta por uma atividade de volta à calma que visa 
trazer o atleta aos parâmetros cardiorrespiratórios próximos do repouso 
(FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
Microciclo (MiC)
O MiC tem duração média de 7 a 10 dias, podendo atingir 
14 dias. Dependendo da característica, pode ser definido como de 
treinamento, preparatório de controle, pré-competitivo e competitivo. O 
microciclo de treinamento objetiva ajustar a carga de treino. Neste está 
inserido o MiC de choque (2 a 3 unidades de treino com 80-100% da 
carga máxima), MiC ordinário (2 a 3 unidades de treino com 60-80%), 
MiC estabilizador (40-60% com objetivo de manter o estado funcional 
do atleta), MiC recuperativo (10-40% com o objetivo de recuperação 
do atleta) (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 
1999; MATVEEV, 1977).
O microciclo preparatório de controle segue a etapa de treino e 
verifica o nível de preparação do atleta. O microciclo pré-competitivo visa 
assegurar o estado de prontidão do atleta para a data da competição, 
geralmente entre o 5º e 10º dia anterior à data estabelecida. Não se 
recomenda cargas máximas de treino neste período (FRANCHINI; DEL 
VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999; MATVEEV, 1977). O 
microciclo competitivo assegura as características do trabalho realizado 
180
S U M Á R I O previamente, com estrutura e duração adaptadas ao regulamento e 
organização da competição em questão (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 
2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999; MATVEEV, 1977).
Mesociclo (MeC)
O mesociclo tem duração média de 4 semanas (podendo ser 
de 2 a 6 semanas). É o conjunto de microciclos e possui nomenclatura 
variável, pode ser fundamentada no objetivo característico, orientação 
de trabalho ou período (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; 
DRAEGER, 1999; MATVEEV, 1977).
Relacionado ao objetivo, o mesociclo pode ser acumulativo 
(visa aumentar o potencial do atleta), de transferência (direciona o 
condicionamento físico não específico para a preparação física e 
tática específica) ou competitivo (objetiva o melhor desempenho do 
atleta) (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 
1999; MATVEEV, 1977).
De acordo com o trabalho a ser realizado, o mesociclo pode ser 
definido como fase de hipertrofia (para ganho de massa muscular), 
fase de força (desenvolvimento da força máxima), fase de potência 
(incremento da potência muscular), fase de pico (concentra-se no 
pico de desempenho) e fase de recuperação (recuperação física e 
psicológica) (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 
1999; MATVEEV, 1977).
A nomenclatura usual utilizada baseia-se no período. Assim, 
o mesociclo de incorporação dá início ao processo de preparação 
desportiva (composto por MiC recuperativo de manutenção, 
estabilizador e/ou ordinário). O mesociclo geral, que pode ser de 
desenvolvimento (visa o incremento da capacidade do atleta) ou 
181
S U M Á R I O estabilizador (visa a manutenção das características aprimoradas 
anteriormente). O mesociclo recuperativo objetiva a recuperação do 
atleta. O mesociclo pré-competitivo atua na preparação para o evento 
competitivo principal e o competitivo é determinado pelo calendário 
dos eventos que o atleta está inserido (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 
2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999; MATVEEV, 1977).
Macrociclo (MaC)
O MaC tem duração aproximada de 1 ano e refere-se a toda 
temporada competitiva (preparação, competição e transição). 
É composto por 1 ou mais mesociclos. Os períodos podem ser 
classificados de acordo com as fases que o compõem: preparatório, 
competitivo e transitório (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; 
DRAEGER, 1999; MATVEEV, 1977).
O período preparatório está relacionado à aquisição da forma 
desportiva e tem duração mínima de 6 semanas. Esse período apresenta 
dois momentos, a preparação física, em que são desenvolvidas as 
capacidades físicas não específicas e o de pré-competição com 
objetivo de fazer o ajuste final para a competição. O período competitivo 
objetiva a manutenção dos níveis atingidos e o transitório caracteriza-
se pela perda momentânea da forma desportiva (FRANCHINI; DEL 
VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999; MATVEEV, 1977).Elaboração da Sessão de treino
Cada dia de treino é composto por, pelo menos, duas sessões 
de treino, uma onde se objetiva trabalhar os fundamentos técnicos e 
táticos, outra onde são trabalhados a melhora do desempenho físico 
182
S U M Á R I O do atleta com exercícios de força, potência e velocidade, treinos de 
musculação e aeróbico (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; 
DRAEGER, 1999; MATVEEV, 1977).
As sessões de treino com objetivo de trabalhar fundamentos 
técnicos visam o aprimoramento do gesto motor específico da 
modalidade. Assim, o treino da técnica deve ser realizado antes da 
sessão de treinamento com o objetivo de melhorar o condicionamento, 
evitando, desta forma, que o atleta realize a sessão de treino sob o 
efeito de algum tipo de fadiga (GOMES, 2009; FRANCHINI; DEL 
VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
Ao elaborar a sessão de treino com o objetivo de melhora no 
desempenho físico, deve-se observar o chamado efeito concorrente. 
Quando são dispostos, na mesma sessão, exercícios ou atividades 
que priorizam força e resistência, sabe-se que o trabalho realizado 
nas atividades de resistência exigirá, por um longo período, a resposta 
do sistema neuromuscular e, consequentemente, prejudicará o 
desempenho nas atividades que priorizam força. É necessário, portanto, 
determinar, dentro de cada sessão, qual será o objetivo principal. 
Mediante esse objetivo, dar ênfase à força ou à resistência (GOMES, 
2009; FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
A literatura apresenta duas concepções para determinação 
da carga na sessão de treino. A primeira, chamada de paralela e 
simultânea, visa o aperfeiçoamento multifacetado de diversas funções. 
A segunda, chamada de concentrada e unilateral, promove o processo 
de adaptação mais intenso (GOMES, 2009). Para o sucesso na 
elaboração de um programa de treino deve-se observar o princípio 
da especificidade, identificando as variáveis específicas que são 
necessárias de serem estimuladas dentro do treinamento (DANTAS, 
2014; GOMES, 2009).
183
S U M Á R I O Em sessões de treinos de lutas, mesmo observando o princípio 
da especificidade, é necessário inserir um maior volume de meios 
para o desenvolvimento das qualidades de força explosiva, os quais 
devem envolver exercícios fundamentais, sendo estes compostos 
por elementos técnicos e táticos da modalidade. No que tange 
ao elemento físico, objetiva-se o fortalecimento dos grupamentos 
musculares envolvidos no gesto motor da técnica/golpe a ser 
realizada e exercícios especiais complementares, visando estimular 
e fortalecer as regiões de sustentação do corpo e os grupamentos 
musculares que as compõem. Os exercícios especiais devem ser 
trabalhados com uma intensidade menor, sendo direcionados para 
a dinâmica da luta propriamente dita (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 
2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
É necessário ter a consciência de que mesmo que os exercícios 
fundamentais e complementares sejam importantes no treinamento, a 
utilização de atividades com movimentos genéricos tem a necessidade 
no que se refere à estimulação de padrões de recrutamentos 
neuromusculares, características biomecânicas e aporte dos sistemas 
energéticos (GOMES, 2009; FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008).
Com relação à estruturação da sessão de treino, parece haver 
uma uniformidade na literatura em relação às lutas, objetivando 
respostas de potência aeróbica e anaeróbica. Esta apresenta a 
seguinte divisão: a) Aquecimento: 15 min; b) Fundamentos técnicos: 
20 min; c) Treino de combate: de 20 a 100 min; d) Recuperação: 15 
min (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; DRAEGER, 1999).
Observa-se que a divisão da sessão de treino obedece às três 
partes mencionadas anteriormente, iniciando com o aquecimento, 
tendo o trabalho fundamental composto por “c” e “d”, onde o treino 
de combate apresenta um alto volume composto por um bloco de 
até dez lutas de 5 min com o mesmo tempo de descanso entre as 
184
S U M Á R I O lutas (GOMES, 2009; FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2008; ISHIKAWA; 
DRAEGER, 1999). 
Como já mencionada a importância da capacidade e 
potência aeróbica e sua treinabilidade, é necessário diferenciar as 
duas e apresentar uma forma de medir e controlar o esforço desse 
treinamento (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). A potência aeróbica 
está relacionada diretamente ao VO2máx ou VO2 pico, enquanto a 
capacidade aeróbica está relacionada com a velocidade de limiar 
anaeróbico. Assim, pode-se dizer que o VO2 máx ou VO2 pico 
representam o limite superior de transferência de energia na atividade 
aeróbica, enquanto a capacidade aeróbica relacionada à sustentação 
do esforço por um período prolongado de tempo, geralmente 
superiores a 45 minutos (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). A 
relação direta entre o VO2máx e a FC (Quadro 2) será a ferramenta 
utilizada para o controle de carga e esforço no treinamento aeróbico 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2018; POLLOCK; WILMORE, 1993).
Quadro 2. Critérios de relação de equivalência, comumente 
utilizado para prescrição de treinamento aeróbico.
VO2máx FC máxima Zona Alvo
100% 100% Zona Anaeróbica
83% 90% Zona Mista
70% 80% Zona Aeróbica Glicolítica
56% 70% Zona Aeróbica Lipolítica
42% 60% Zona Aeróbica Lipolítica
28% 50% Zona de Manutenção
Legenda: – Consumo máximo de oxigênio; FC – Frequência Cardíaca
Fonte: os autores.
185
S U M Á R I O O cálculo para se determinar as zonas alvos e a respectiva carga 
do treinamento aeróbico estão a seguir:
FC máx = 220 – idade
FC rep = (aferida em repouso)
FC treino = [(FC máx– FC rep) x % desejado] + FC rep.
Como já foi comentado anteriormente, o treinamento 
concorrente deve ser observado no momento das determinações 
de zona alvo a serem trabalhadas, já que a intensidade do 
exercício aeróbico apresenta uma interferência significativa no 
treinamento de força. Como ambos os treinos fazem uso do sistema 
musculoesquelético, a combinação dos dois treinos dentro da 
mesma sessão deve ser indiretamente proporcional, para permitir 
ao organismo uma correta adaptação ao estímulo (McARDLE; 
KATCH; KATCH, 2018; POLLOCK; WILMORE, 1993).
Figura 4. Modelo de mesociclo. 
Fonte: Adaptado de Dantas (2014).
186
S U M Á R I O CONCLUSÃO
Todo o arcabouço teórico apresentado no presente capítulo 
é importante para que o treinamento de lutadores seja devidamente 
estruturado, possibilitando o aumento do rendimento do atleta de forma 
orgânica, prevenindo lesões, sobretudo por overtraining, e viabilizando 
que os demais objetivos do treinamento sejam alcançados.
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188
S U M Á R I O ORGANIZATION AND PERIODIZATION 
OF TRAINING APPLIED TO FIGHTS
Abstract 
The purpose of this chapter is to introduce the reader to the basic concepts 
of sports training, which interfere with the planning and periodization of 
training applied to fights. Therefore, this chapter discusses concepts, general 
characteristics and training phases (basic stage, development stage, and 
high-level stage), the principles of sports training (principle of individuality, 
adaptation principle, principle of specificity of training, principle of progressive 
load, principle of optimal load-rest ratio, principle of reversibility, principle of 
the variability of training, and principle of interdependence volume-intensity 
of training), the training periodization, including information about the training 
cycles (macrocycle, mesocycle, and microcycle), and the formulation of the 
training session. This entire theoretical framework is important for the training 
of fighters to be properly structured, enabling the increase of the athlete’s 
performance in an organic way and the achievement of other training objectives. 
Capítulo 6
ASPECTOS DO TREINAMENTO 
DE LUTAS NA INFÂNCIA 
E ADOLESCÊNCIA
Roberto Corrêa dos Anjos
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601.189-224
6
Roberto Corrêa dos Anjos
ASPECTOS 
DO TREINAMENTO 
DE LUTAS NA INFÂNCIA 
E ADOLESCÊNCIA
190
S U M Á R I O INTRODUÇÃO
Tratar de treinamento desportivo aplicado às lutas, de forma 
genérica, é tarefa espinhosa. Sobre um olhar lato, as lutas têm 
características variadas, e sob um caráter stricto, há de se considerar 
que uma mesma luta pode apresentar estilos diferentes, com 
dissonâncias em seus processos de ensino, além de divisões em 
categorias de peso.
Se focarmos a discussão no processo de treinamento aplicado 
às crianças, o tema se torna ainda mais tempestuoso, pois teremos 
que enfrentar a visão equivocada, na concepção deste autor, de que 
crianças não devem ser expostas a processos de treinamento voltados 
a alta performance competitiva. De Rose (2009) menciona que muitos 
pais, professores e pesquisadores questionam os efeitos negativos que 
as competições desportivas e processos de treinamento sistematizado 
podem causar às crianças, quando aplicados de forma precoce. Como 
veremos, não há contraindicações em inserir crianças em programas 
de treinamentos desportivos especializados, tampouco permitir a 
participação em competições. É preciso garantir, entretanto, que os 
programas de treinamento, bem como os modelos das competições, 
sejam compatíveis com cada fase de desenvolvimento, crescimento e 
maturação da criança.
Ainda é insipiente a literatura tratando de treinamento desportivo 
aplicado às diferentes lutas e, assim como ocorre com outras 
modalidades, esta produção se concentra nas abordagens referentes 
à fase final do processo de treinamento.
São raras as produções destinadas a discutir o processo de 
treinamento à longo prazo, iniciando com a detecção e seleção dos 
jovens talentos esportivos, passando pela formação geral básica, até 
atingirmos o treinamento de alta performance. Para Samulski et al. 
191
S U M Á R I O (2013), um exame da literatura disponível em fisiologia do exercício 
aplicada a infância e os efeitos da atividade física com crianças e 
adolescentes, em seus aspectos agudos e adaptações biológicas 
crônicas, demonstra que é carente em muitos aspectos.
Sem nenhuma pretensão de esgotar o tema, o presente 
capítulo visa apresentar uma proposta de discussão que considere 
a necessidade de iniciarmos o treinamento de alta performance nas 
lutas o mais cedo possível, se o objetivo é a obtenção de resultados 
competitivos expressivos.
Com este objetivo, apresentamos o conceito de treinamento 
à longo prazo, perpassando as fases do treinamento básico, do 
treinamento específico e do treinamento de alto desempenho desportivo.
Em cada uma das etapas tratadas faremos uma breve reflexão 
sobre os modelos de competições esportivas, que acabam por impor 
uma antecipação precoce dos resultados e, como consequência, a 
queima de etapas que leva a desgastes além do suportável para as 
crianças-atletas, sejam estes de ordem física, psíquica ou social.
De acordo com Relatório Sistêmico de Fiscalização (Fisc), 
elaborado pela Secretaria de Controle Externo da Educação, da 
Cultura e do Desporto, do Tribunal de Contas da União (TCU), no qual 
são avaliadas questões estruturais relativas à execução orçamentária 
e aos indicadores da política desportiva nacional, dados de uma 
pesquisa internacional realizada pelo consórcio Sports Policies 
Leading to Internacional Sporting Success (SPLISS), divulgada 
em meados de novembro de 2013, evidenciam que o Brasil está 
entre as nações que mais aportam recursos no esporte, mas aplica 
mal estes recursos com resultados deficientes, especialmente no 
que tange ao esporte de base, detecção de talentos e instalações 
esportivas (BRASIL. TCU, 2017).
192
S U M Á R I O Segundo dados da Universidade de São Paulo [...] na 
comparação com os outros países, o Brasil ficou acima da média 
das outras nações apenas nos pilares suporte financeiro (47%) e 
competições nacionais e internacionais (50%). Em contraponto, as 
áreas de esporte de base, identificação de novos talentos e instalações 
esportivas foram os pilares em que o Brasil obteve os piores resultados. 
Nessa ordem, a pesquisa identificou 24%, 0% e 11% dos FCS. (Grifo 
nosso) (BRASIL. TCU, 2017, p. 119).
Acreditamos que a implementação de políticas voltadas para o 
desenvolvimento do desporto de base, considerando a necessidade 
de estruturação de programas de treinamento a longo prazo, constitui 
condição para que o Brasil atinja um patamar de destaque nos grandes 
eventos desportivos internacionais de lutas.
Não nos dispomos a discutir questões políticas e ideológicas que 
apontem para a adequação, ou não, de aporte de recursos públicos no 
desporto de alto rendimento, uma vez que o nosso objetivo fulcral foi 
limitar a discussão aos temas afetos ao desenvolvimento humano e ao 
treinamento desportivo propriamente dito.
Também não iremose técnicas 
motoras. São enfatizados os aspectos sobre o processamento da 
informação, a tomada de decisão, feedback, a memória e a atenção 
no ensino das lutas; assim como o conhecimento do resultado e a sua 
função no aprendizado motor; e a importância da prática no ensino 
das tarefas motoras nas lutas. Assim, o autor espera contribuir para a 
14
S U M Á R I O compreensão dos aspectos referentes a execução dos movimentos na 
perspectiva das áreas aludidas, possibilitando ao leitor a elaboração 
de estratégias eficientes que garantam o sucesso do processo de 
ensino-aprendizagem das habilidades e técnicas motoras inerentes a 
prática das lutas.
O treinamento e aperfeiçoamento das capacidades físicas e 
motoras aplicadas são discutidos pelo professor Sidnei Jorge Fonseca 
Junior no Capítulo III. O autor chama a atenção para a especificidade 
do treinamento ao argumentar que para que as habilidades motoras 
desempenhadas em lutas sejam realizadas com eficácia - as 
capacidades físicas e motoras devem interagir e serem treinadas de 
acordo com as especificidades de cada tipo de modalidade de luta. Para 
tanto, a equipe técnica necessita compreender as características do 
combate e dos possíveis adversários para planejar e escolher o melhor 
método de treino - para a coordenação motora, resistência aeróbia 
e anaeróbia, velocidade, tipos de força muscular e da flexibilidade. 
Embora a literatura ainda não apresente um quantitativo relevante de 
estudos científicos com lutadores de algumas modalidades, apoiado 
em estudos científicos, o autor tece uma reflexão sobre os métodos de 
treinos descritos em artigos e livros de reconhecimento internacional, 
relacionando-os às lutas e destacando a sua importância como base de 
conhecimentos necessários para aumentar a eficiência do treinamento 
das capacidades físicas e motoras dos praticantes. 
Admite-se que dentro de um processo de treinamento e 
preparação física, a avaliação é o marco inicial e fornecerá informações 
necessárias sobre as características morfofuncionais do atleta que 
servirão de base para se estabelecer os parâmetros de treinamento 
a serem realizados. Com base nesta exposição, no Capítulo IV os 
professores Carlos Alberto de Azevedo Ferreira e Rodolfo de Alkmim 
Moreira Nunes apresentam ao leitor, dentre os diversos protocolos 
de avaliações existentes na literatura nas áreas da antropometria, 
15
S U M Á R I O neuromuscular (força e flexibilidade) e metabólica, os que mais 
se aplicam aos atletas de luta. Os instrumentos e procedimentos 
descritos no texto permitem ao leitor conhecimentos básicos para a 
serem aplicados no ensino ou treinamento, a fim de obter informações 
fundamentais para a tomada de decisão, para a orientação e para a 
melhoria do processo.
No Capítulo V os professores Carlos Alberto de Azevedo 
Ferreira, Juliana Brandão Pinto de Castro e Rodrigo Gomes de Souza 
Vale apresentam ao leitor os conceitos do treinamento desportivo, que 
interferem no planejamento e periodização do treinamento aplicado 
às lutas. Os autores discorrem sobre conceitos, características gerais 
e fases do treinamento (etapa de base, etapa de desenvolvimento e 
etapa de alto nível), os princípios do treinamento desportivo (princípio 
da individualidade, princípio da adaptação, princípio da especificidade 
do treinamento, princípio da carga progressiva, princípio da relação 
ótima carga-repouso, princípio da reversibilidade, princípio da 
variabilidade do treinamento e princípio da interdependência volume-
intensidade de treinamento), a periodização do treinamento, incluindo 
informações sobre os ciclos de treinamento (macrociclo, mesociclo 
e microciclo) e a elaboração da sessão de treino. Todo o arcabouço 
teórico apresentado neste capítulo é importante para o treinador de 
lutadores para que ele possa estruturar o treinamento, possibilitando o 
aumento do rendimento do atleta de forma orgânica e que os demais 
objetivos do treinamento sejam alcançados.
Ao considerar que o rendimento esportivo é alcançado após 
longo período de preparação, o professor Roberto Corrêa dos Anjos 
buscou apresentar no Capítulo VI uma proposta de discussão que 
considere a necessidade de iniciar o treinamento de alta performance 
nas lutas o mais cedo possível - se o objetivo é a obtenção de 
resultados competitivos expressivos. O autor partiu da premissa 
de que se os atletas nos desportos de combate atingem níveis 
16
S U M Á R I O internacionais por volta dos 17 anos de idade e que a duração de 
um treinamento em longo prazo em modalidades de natureza aberta, 
com forte componente motor e alto nível de imprevisibilidade gira em 
torno de 10 anos, o treinamento deve ter início por volta dos 7 anos de 
idade. Segundo o autor, a iniciação desportiva na primeira infância não 
se configura como especialização precoce, desde que respeitadas as 
fases de desenvolvimento, crescimento e maturação dos praticantes. 
Anjos apresenta ao leitor informações sobre como são divididas as 
fases do treinamento em longo prazo (3 fases): treinamento geral 
básico; treinamento especializado e treinamento de alto desempenho, 
destacando que as fases subsequentes são dependentes do sucesso 
obtido no treinamento nas fases anteriores.
Assim como no treinamento esportivo, as lutas podem 
apresentar diferentes manifestações - arte marcial, defesa pessoal, 
promoção da saúde, entre outras -, que podem estar presentes 
em ambientes distintos que vão desde o meio militar até a escola. 
Com foco principal na educação escolar, no capítulo VII o professor 
Ricardo Ruffoni procurou apresentar, discutir e refletir sobre questões 
metodológicas e educacionais ligadas a prática das lutas - em 
especial, para crianças entre 07 (sete) e 12 (doze) anos. O texto foi 
construído a partir da revisão integrativa de estudos direcionados para 
a prática pedagógica da Educação Física e de estudos na área de 
lutas. O autor elaborou um breve histórico da Educação Física, com 
o objetivo de possibilitar ao leitor conhecer e entender o processo 
das tendências, das abordagens pedagógicas e das metodologias 
de ensino como condição sine qua non na formação do aluno na 
educação contemporânea. Segundo Ruffoni os profissionais das lutas 
precisam buscar e cumprir um processo de construção e socialização 
de conhecimentos, habilidades e competências para conectar o 
aluno ao mundo real. Este processo implica na quebra do paradigma 
tecnicista, biologizante, desportivizante e reprodutor por meio de 
estilos de ensino diretivos, como elemento fundamental para romper 
17
S U M Á R I O com o ciclo de reprodução social tanto na Educação Física quanto na 
prática das lutas. Assim, o professor apresenta ao leitor metodologias 
de ensino menos diretivas como proposta norteadora para a formação 
integral do aluno na prática de lutas.
O caráter pedagógico das lutas é reforçado no Capítulo VIII, no 
qual o professor José Antonio Vianna procurou colocar à disposição de 
instrutores e professores no ensino de lutas – leitores em potencial desta 
obra -, informações úteis para ampliar e aprofundar a reflexão sobre 
os aspectos didáticos no ensino das lutas. Os conceitos presentes 
no texto sobre os aspectos didáticos necessários a organização do 
planejamento no ensino pode contribuir para o professor transformá-
los em ações concretas nas aulas, aumentando as suas chances de 
sucesso no ensino e no treinamento das lutas.
O ato de elaborar planejamentos coerentes com a realidade, de 
forma clara e objetiva embasa a prática. Com isso, é possível entender que 
o planejamento configura-se como um fator determinante na qualidade 
do ensino e dos treinos, seja porque a partir dele o professor poderá 
ter mais segurança ao desenvolver os conteúdos das aulas, ou ainda, 
porque o mesmo poderá realizar avaliações de forma mais eficiente ao 
longo do todo o processo. Com a finalidade de auxiliar a prática dos 
profissionais de lutas no que tange o ato de planejar, no Capítulo IX os 
alunos da turma de pós-graduaçãotratar dos processos de seleção, detecção 
e promoção de talentos esportivos, embora sejam imprescindíveis 
para a construção de um programa de treinamento a longo prazo.
Como dissemos acima, este capítulo é só uma introdução 
ao debate sobre uma das variáveis que talvez possa explicar por 
que o Brasil tem obtido resultados pífios nos grandes eventos 
desportivos internacionais.
193
S U M Á R I O TREINAMENTO DESPORTIVO A LONGO PRAZO 
NAS LUTAS: CONCEITOS E IMPLICAÇÕES
Antes de adentrarmos no tema principal, é importante 
deixarmos claro que trataremos dos aspectos do treinamento 
desportivo aplicado às crianças e adolescentes com o objetivo de 
obtenção de alto desempenho nas competições internacionais, 
embora reconheçamos que existem outras perspectivas por meio 
das quais o tema poderia ser tratado. 
Segundo Tani et al., citados por Ferraz (2009, p. 46), a prática 
desportiva pode ser dividida em duas óticas: a prática lúdica informal 
e a prática institucionalizada do esporte de rendimento. Para o autor, 
enquanto a primeira objetiva aprendizagem e difusão do esporte, a 
segunda visa à competição mediante treinamento sistematizado e 
específico, ocupando-se do talento esportivo.
TREINAMENTO DESPORTIVO - CONCEITOS
Quando falamos de treinamento de maneira genérica, nos 
referimos ao processo sistêmico, gradual e organizado que, por meio 
da repetição de exercícios e tarefas cada vez mais complexas, visa 
o aprimoramento de habilidades e capacidades, sejam essas físicas, 
psíquicas, cognitivas ou sociais, ou de todas elas simultaneamente, 
voltado para um objetivo pré-determinado, em um dado momento e 
área específica.
Da definição acima decorre que processos de treinamento se 
aplicam a qualquer fase da vida e a qualquer área de conhecimento, 
atuação profissional, prática desportiva, atividades voltadas para a 
194
S U M Á R I O saúde e qualidade de vida, em síntese, todas as vezes que predefinimos 
um objetivo, seja este individual ou coletivo, devemos estabelecer um 
planejamento para que, paulatinamente, ocorra o desenvolvimento de 
capacidades e habilidades que possibilitarão caminhar na tentativa de 
atingir o sucesso planejado, no tempo previsto.
No caso do treinamento aplicado às práticas desportivas, esse 
planejamento pode estar voltado para o desporto de alto desempenho, 
para o desporto de participação ou para o desporto educacional. No 
presente ensaio, cuidamos exclusivamente do primeiro.
Para BARBANTI (1997, p. 1),
O treinamento esportivo é um processo organizado de 
aperfeiçoamento, que é conduzido com base em princípios 
científicos, estimulando modificações funcionais e morfológicas 
no organismo, influindo significativamente na capacidade de 
rendimento do esportista.
De acordo com Carl (1989), citado por Weineck (1999, p. 
18), “treinamento desportivo é o processo ativo complexo regular 
planificado e orientado para a melhoria do aproveitamento e 
desempenho esportivos”.
TREINAMENTO APLICADO AOS 
DESPORTOS DE LUTA
Planejar um programa de treinamento voltado para os 
desportos de lutas é tarefa por demais complexa. Primeiro porque 
cada manifestação: boxe, judô, caratê, luta livre olímpica, MMA, tae-
kwon-do, jiu-jitsu, dentre outras, tem suas características condicionais 
e coordenativas predominantes. Além disso, tendo em vista que, 
geralmente, existem divisões por categorias de peso em quase 
195
S U M Á R I O todas elas, essas características irão variar dentro de uma mesma 
modalidade. Devemos considerar, ainda, que algumas modalidades 
têm diferentes “estilos”, privilegiando mais ou menos algumas 
capacidades condicionantes e coordenativas. Em síntese, o princípio 
da individualização deve ser a tônica no planejamento do treinamento 
de uma equipe de lutadores.
No Brasil, o treinamento desportivo normalmente se reporta 
à fase final do processo, ou seja, para o “treinamento de alto 
desempenho” (WEINECK, 1999), voltado para a lapidação das 
habilidades motoras específicas da modalidade (treinamento técnico), 
o aprimoramento das capacidades físicas condicionantes, que irão 
variar de acordo com cada luta (treinamento físico) e a elaboração de 
estratégias vinculadas às circunstâncias especiais da competição e 
dos adversários (treinamento tático). Quando muito, embora raro no 
Brasil, implementa-se a preparação psicológica para o enfrentamento 
das angústias, ansiedade e pressões sofridas diante dos desafios 
do treinamento e do momento da disputa, especialmente nos super 
eventos esportivos, como campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos.
Não é raro identificarmos atletas que não conseguem obter 
resultados expressivos por conta de fatores emocionais, apesar de se 
encontrarem em nível superior ao de seus principais oponentes no que 
diz respeito às questões técnicas e físicas.
Outra variável determinante nos esportes de combate é a 
capacidade cognitiva do atleta, uma vez que a imprevisibilidade exige 
a constante tomada de decisão em curtíssimo espaço de tempo, diante 
da necessidade de antecipação das ações diferidas pelos adversários 
e da estruturação das ações ofensivas, que requerem percepção do 
momento exato de execução e precisão.
A execução de habilidades motoras relaciona-se com as 
capacidades motoras condicionais (dependentes da capacidade 
metabólica de geração de energia), com as capacidades motoras 
196
S U M Á R I O coordenativas (dependentes da capacidade de organização 
e controle do movimento) e também com o conhecimento 
cognitivo (decisão da ação motora adequada em determinado 
contexto) (BÖHME; RÉ, 2009, p. 176).
Diante de todas essas variáveis, surge naturalmente o 
questionamento referente ao momento ideal para início do treinamento 
desportivo voltado para a obtenção de resultados em competições 
internacionais de lutas.
O MELHOR MOMENTO PARA O INÍCIO 
DO TREINAMENTO DAS LUTAS
Pesquisa realizada por Olívio Junior et al. (2009) demonstrou 
que quase 60% dos técnicos participantes do estudo apontam a 
idade entre 5 e 7 anos como a ideal para o início da prática do Judô. 
Nos parece fidedigno afirmar que, essa faixa de idade é estabelecida 
pela experiência empírica dos técnicos e pela procura espontânea 
dos pais por uma atividade desportiva na qual possam inserir seu 
filhos, mas não em função de políticas de detecção e seleção de 
talentos desportivos e planejamento de treinamento a longo prazo, 
cientificamente estruturados visando a obtenção de resultados 
expressivos em competições internacionais no futuro.
A literatura especializada é consensual em afirmar que um 
processo de treinamento a longo prazo dura de 6 a 12 anos, variando 
de acordo com cada modalidade.
Para Weineck (1999, p. 118) “um alto desempenho só pode 
ser obtido através de uma preparação sistemática, que para muitas 
modalidades esportivas chega a ser de 6 a 10 anos”.
197
S U M Á R I O De acordo com Massa et al. (2010, p. 412),
Outro fator que merece ser considerado diante das perspectivas 
do TLP é que entre as distintas modalidades esportivas há 
uma variação quanto ao início e a duração do TLP e de seus 
respectivos níveis, assim como os processos de detecção, 
seleção e promoção de talentos esportivos. Essa variação, em 
média, é da ordem de 6 a 10 anos de duração. (Grifo nosso)
Para Böhme, et al. (2009, p. 175) “o treinamento para o 
esporte de alto nível fundamenta-se em um processo de treinamento 
a longo prazo (em média de 6 a 10 anos de duração, conforme a 
modalidade esportiva)”.
GOMES (2009) defende que o programa de treinamento a longo 
prazo deve ser construído por meio de projetos científicos, com duração 
entre 2 a 3 ciclos olímpicos, ou seja, de 8 a 12 anos, iniciando no 
processo de seleção do jovem atleta, perpassando todos os degraus 
formativos até atingir o alto rendimento.
Alguns parâmetros são determinantes para a definição da melhor 
idade para que se inicie o treinamento a longo prazo. O primeiro deles é 
a idade em que os atletas das diferentes modalidades desportivas, no 
caso de nosso ensaio atletasde lutas, atingem os níveis internacionais 
em competições seniores.
De acordo com Filin (1996), citado por Olívio Junior et al. (2009), 
atletas das modalidades de lutas obtêm os primeiros resultados 
internacionais em campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos entre 17 
e 21 anos, e atingem a zona de melhor rendimento entre 22 e 24 anos. 
Esta afirmação corrobora com estudos que apontam que os atletas de 
lutas, após atingirem níveis internacionais, levam de 4 a 6 anos para 
apresentarem resultados expressivos nessas competições.
O planejamento do TLP para cada modalidade esportiva deve 
ocorrer do final para o começo, ou seja, com base na idade 
de início do alcance dos melhores resultados, faz-se uma 
198
S U M Á R I O retrospectiva de qual deve ser a idade de início do treinamento 
para a formação específica na modalidade considerada 
(BÖHME; RÉ, 2009, p. 180).
Realizando a conta de traz para frente, tendo 17 anos como a 
idade mínima em que os atletas começam a surgir nas competições 
internacionais, precisamos definir qual o período de duração do 
treinamento a longo prazo: se no limite inferior (6 anos) ou superior 
(12 anos). Para isso, precisaremos entender o que justifica a existência 
dessa variação que, na visão de alguns autores, pode chegar a 6 anos.
As modalidades desportivas diferem em função das suas 
capacidades coordenativas e condicionantes predominantes. Algumas 
irão exigir altíssimo grau de flexibilidade, como a ginástica artística, 
outras ritmo, como nado sincronizado e ginástica rítmica. Algumas 
terão como predominante a capacidade força, como o halterofilismo 
e o arremesso de peso, outras a velocidade como as corridas curtas. 
Assim, cada modalidade irá exigir do praticante um maior ou menor 
grau de disponibilização de capacidades diferentes.
No caso das lutas, essa análise não é tão simples, pois como 
falamos, cada uma tem suas características singulares e, dentro de 
uma mesma modalidade, as exigências irão variar de acordo com as 
categorias de peso. Espera-se, por exemplo, que um atleta de boxe 
da categoria Peso Mosca Ligeiro (- de 49 quilos) precise trabalhar 
intensamente capacidades como velocidade e resistência aeróbia, 
uma vez que a luta tende a ser realizada com uma movimentação mais 
constante do primeiro ao último round, enquanto um atleta com mais de 
91 quilos, da categoria Superpesado, intensifique os treinamentos das 
capacidades de força e potência, considerando que a movimentação 
durante a luta é muito menos constante, tendendo a ser reduzida com 
o passar dos rounds.
199
S U M Á R I O Mas uma característica é comum a todas as lutas. Trata-se 
de um conjunto de modalidades esportivas que, sob a perspectiva 
da estabilidade do ambiente classifica-se como atividade aberta 
(MAGILL, 1984).
As atividades abertas exigem do executante uma resposta a 
partir de um estímulo imprevisível, uma vez que não é possível saber 
como o ambiente irá se comportar, especialmente considerando-se que 
os oponentes esforçar-se-ão para “plantar” dicas falsas, objetivando 
induzir o adversário ao erro.
No caso de modalidade de natureza “fechada”, como a natação, 
o halterofilismo e do tiro ao alvo, não há alteração do ambiente que 
interfira na execução da habilidade motora. O executante, uma vez 
iniciada a habilidade, poderá conduzi-la até o fim, de acordo como 
planejado o programa motor.
Pensemos agora em uma luta de taekwondo: o executante 
aplica um determinado golpe com o objetivo de gerar uma reação 
de seu oponente e, posteriormente aplicar um segundo ataque, em 
sequência. Por mais que tenha treinado essa sequência e estudado 
seu oponente na tentativa de antever sua reação, nada lhe garante 
que este responderá exatamente da forma como previsto. No caso de 
uma reação inesperada, será necessário reprogramar toda a ação, o 
que aumenta a situação de vulnerabilidade e o risco do contra-ataque. 
Essa é a tônica de qualquer desporto de luta. O nível de 
imprevisibilidade do ambiente exige do praticante recursos 
técnicos e um grau de inteligência cinestésico-motora muito 
superior aos necessários para disputas em ambientes estáveis, 
em modalidades fechadas.
Executantes altamente habilidosos são peritos em decidir o 
que fazer (e o que não fazer) em situações particulares, mesmo 
quando eles têm muito pouco tempo para fazer isso (SCHIMDT; 
WRISBERG, 2010, p. 48).
200
S U M Á R I O A eficiência e eficácia da resposta motora dependem 
diretamente da velocidade de identificação do estímulo, da escolha 
da melhor resposta e da programação da resposta propriamente 
dita. Qualquer aumento em um desses estágios aumentará 
substancialmente o tempo de reação.
O tempo de reação, ou seja, o tempo que se leva para responder a 
um determinado estímulo, varia de acordo com o número de respostas 
possíveis diante de um estímulo-resposta. Se para um determinado 
estímulo só existe uma única resposta, como ocorre com o tiro na 
largada dos 100 metro rasos, o tempo de reação é mínimo. Se por 
outro lado, existem várias respostas possíveis, o tempo de reação será 
significativamente aumentado, uma vez que o executante levará mais 
tempo para identificar o estímulo e escolher a resposta adequada.
Para lidar com esse aumento no tempo de reação, o praticante 
de modalidades abertas, como as lutas, deve descobrir formas de 
diminuir a quantidade de respostas possíveis (antecipação) e ao 
mesmo tempo aumentar o número de respostas de seus oponentes 
(dicas falsas). A única forma de se conseguir isso é detendo um 
amplo repertório de habilidades motoras que dificulte a antecipação 
por parte de seu adversário. Pensemos em um atleta de elite de judô: 
se executa com precisão apenas uma ou duas técnicas, permite ao 
seu adversário se manter preparado para o momento em que terá que 
repelir o ataque e contra-atacar. Se ao contrário, detém um arsenal 
de cinco ou seis técnicas, executadas sob diferentes condições (em 
movimento, estático, pelo lado direito ou esquerdo) cria uma situação 
de imprevisibilidade que aumentará sua probabilidade de sucesso e 
diminuirá seu nível de vulnerabilidade durante a execução do golpe.
A partir de estudos realizados por Calmet et al. (2006), conforme 
Franchini e Del Vecchio (2010, p. 315),
[...] no judô, a especialização em algumas técnicas e/ou 
ataques a poucas direções não é o melhor meio para o sucesso. 
201
S U M Á R I O Isso se deve ao fato de que, para um oponente com apenas 
uma direção de ataque, há a indução de apenas um ponto de 
desequilíbrio e, portanto, é fácil controlar os ataques. Com duas 
direções de ataque, o atleta induz uma linha de equilíbrio, mas 
ainda é fácil controlar o ataque. Com três direções de ataque, 
serão três linhas de equilíbrio, formando um triângulo. Nesse 
caso, o oponente terá que organizar um sistema de defesa que 
considere as três direções e ficará difícil controlar os ataques. 
Portanto, seria necessário dominar pelo menos três técnicas em 
diferentes direções para criar essa incerteza.
Do ponto de vista da aprendizagem motora, “as crianças 
possuem um potencial de desenvolvimento para atingir o estágio 
maduro da maior parte das habilidades motoras fundamentais por 
volta dos 6 anos” (GALLAHUE, 2005, p. 221).
No início da idade escolar, que ocorre por volta dos 6 anos, 
as crianças já possuem um poderoso equipamento que deve ser 
estimulado da maneira adequada. Os desafios motores devem ser 
compatíveis com seu nível de desenvolvimento. Se esses desafios 
estiverem aquém do nível de maturação do SNC (subestimação), 
eles não serão capazes de promover os processos de assimilação, 
acomodação, adaptação e equilibração (PIAGET, 1996) que levarão 
ao desenvolvimento contínuo de suas capacidades. Se, por outro 
lado, esses estímulos estiverem acima da capacidade da criança 
processá-los, poderão acarretar diversos problemas de ordem 
física e psicológica, gerando o desinteresse do aprendiz. Nasce aí 
a necessidade de considerarmos as fases sensitivas, cujo conceito 
trataremos um poucomais a frente.
Desta forma, em modalidades esportivas abertas, que por sua 
própria natureza exigem a formação de um amplo repertório motor, e 
com acentuado componente técnico e tático como no caso das lutas, 
a iniciação desportiva deve começar por volta dos 7 anos de idade, 
na passagem da idade pré-escolar para primeira infância escolar, de 
acordo com a classificação etária utilizada por Weineck (1999).
202
S U M Á R I O Quadro 1- Classificação das faixas etárias de acordo com a idade.
Fonte: adaptado de Weineck (1999, p.107)
TREINAMENTO A LONGO PRAZO EM LUTAS
Conceito
O treinamento a longo prazo (TLP) objetiva a formação de 
gerações futuras de atletas visando o alto desempenho competitivo, 
por meio da “obtenção gradual dos requisitos do treinamento, ou 
seja, a melhoria contínua da capacidade de desempenho esportivo”. 
(WEINECK, 1999, p. 58)
De acordo com Böhme et al. (2001), citados por Massa et 
al. (2009).
203
S U M Á R I O O processo de promoção de talentos e o treinamento em longo 
prazo (TLP), quando bem estruturados, têm como objetivo 
elementar a formação esportiva de futuras gerações de atletas 
para o esporte de rendimento, considerando-se o intervalo 
compreendido entre as categorias de base e o esporte de 
alto nível, desempenhando papel fundamental no processo de 
detecção, seleção e promoção de talentos esportivos (MASSA; 
FRANCHINI; BÖHME, 2010, p. 388).
Treinamento a longo prazo é o processo planejado com base 
em conhecimento científico, que visa o desenvolvimento de futuras 
gerações de atletas com chances de obtenção de expressivos 
resultados nas competições de elite internacional, que contempla a 
formação que se inicia pela detecção e seleção de talentos desportivos, 
perpassando um programa de formação das capacidade gerais e 
específicas até o atingimento do approach destinado a aprimoração 
das capacidades técnicas, táticas, cognitivas e psicológicas 
imprescindíveis ao para o alto desempenho desportivo.
TEMPO DE DURAÇÃO
Se, como vimos, praticantes das modalidades de lutas começam 
a participar de eventos internacionais de elite por volta dos 17 anos, 
concluímos que o tempo de duração de um treinamento a longo prazo 
voltado para a formação de atletas de alta performance competitiva em 
desportos de lutas, deve ser de aproximadamente 10 anos.
Conforme Arena e Böhme (2000), no caso específico do 
judô, a idade ideal para a iniciação seria a partir dos 7 anos, 
considerando os pressupostos de que a iniciação nessa idade 
poderia ser desenvolvida sem que houvesse o prejuízo da “etapa 
de iniciação e formação geral básica” (MASSA; FRANCHINI; 
BÖHME, 2010, p. 415).
204
S U M Á R I O Importante deixar claro que, ao informarmos 7 anos como a 
melhor idade para a iniciação desportiva nos desportos de lutas, três 
questões devem ser consideradas. 
A primeira diz respeito à necessidade da criança ser 
adequadamente estimulada nos anos anteriores, ou seja, na 
infância pré-escolar, pois a fase motora fundamental (de 2 a 6 
anos), consequência da estimulação organizada na fase dos 
movimentos rudimentares (1 a 2 anos), será a base para a fase 
motora especializada (7 a 10 anos), uma vez que “ o progresso ao 
longo da fase de habilidades motoras especializadas depende do 
desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais maduras”. 
(GALLAHUE, 2005, p. 61)
O momento e local ideais para o desenvolvimento das 
habilidades fundamentais deveria ser a escola, durante as aulas 
de Educação Física. Embora este componente curricular seja 
obrigatório em todas as etapas da educação básica, por força do 
comando normativo insculpido no art. 26, § 3º da Lei 9.394/96, que 
estabelece as diretrizes e bases para a educação nacional, fato é que 
as escolas de educação infantil (de zero a 5 anos) não contam com 
profissionais especializados em desenvolvimento e aprendizagem 
motora, capazes de dar conta das exigências formativas das crianças 
em idade pré-escolar.
A fase motora fundamental deve ter o caráter universal, ou seja, 
voltada para desempenho de movimentos estabilizadores, locomotores 
e de manipulação. Já na fase motora especializada, devemos iniciar o 
processo de ensino das habilidades específicas do desporto de luta e, 
com relação a esta iniciação, surge a segunda questão.
Darmos início ao ensino das técnicas específicas da luta 
escolhida não significa uma ruptura com a fase anterior, onde o 
objetivo era o desenvolvimento das habilidades motoras de forma geral 
205
S U M Á R I O e multivariada. O processo deve ser gradativo e a iniciação buscar 
contemplar as habilidades mais gerais da modalidade. Além disso, 
devemos privilegiar a apresentação de diversas habilidades, sem 
nenhuma preocupação com aprofundamento unilateral. O trabalho de 
outras habilidades gerais também deve ter continuidade.
A solução de problemas motores (desafio cognitivo) induz a 
criança a “pensar” antes de executar determinado movimento, 
evitando sua “mecanização” e estimulando a integração 
cognição-ação. Portanto, é muito importante que, desde 
o nascimento até os 10 anos de idade, ocorra uma ampla 
exposição a habilidades motoras que priorizem os aspectos 
coordenativo e cognitivo (BÖHME; RÉ, 2009, p. 177).
Quando as escolas e associações que ofertam o ensino de 
lutas inserem crianças a partir de 7 anos em eventos competitivos, 
é comum identificarmos uma especialização precoce em uma 
determinada técnica, a qual a criança demonstrou uma adaptação 
maior. Isso porque, infelizmente, o resultado imediato nas 
competições acaba por se sobrepor à preocupação maior que 
deveria estar voltada para uma formação a longo prazo, com vistas 
a obtenção de resultados expressivos no futuro. Para Gomes, 
(2009), a especialização precoce ocorre quando o treinador almeja o 
resultado desportivo muito cedo, especializando o jovem praticante 
em uma função específica dentro do desporto. 
Além de não existirem garantias de que os resultados nesta fase 
se replicarão na fase adulta, as competições infantis, nos modelos 
como são realizadas para adultos, podem ser fator de desestímulo 
que levará ao abandono prematuro por parte do jovem praticante.
Por fim, a terceira questão, o conceito de especialização precoce 
não pode ser fator limitador para o início da fase de especialização 
desportiva a partir dos 7 anos. Uma coisa é especializarmos a criança 
de forma unilateral, restringindo a formação de um amplo repertório 
206
S U M Á R I O motor, ou expor o jovem atleta a programas de treinamento de suas 
capacidades coordenativas e condicionantes antes do tempo, ou 
seja, em desarmonia com o seu desenvolvimento bio-psico-motor. 
Outra coisa é iniciarmos o ensino das habilidades motoras de uma 
dada modalidade desportiva, sem a preocupação de transformarmos 
o aprendiz em um especialista em determinada técnica, ou campeão 
infantil, privilegiando a multilateralidade e o desenvolvimento fisiológico 
contínuo e gradual das capacidades motoras respeitando as fases do 
desenvolvimento da criança (GOMES, 2009).
Portanto, o treinamento a longo prazo, no caso de desportos 
de luta, deve ter início por volta dos 7 anos, com duração de 10 anos, 
uma vez que os praticantes começam a atingir a elite internacional da 
modalidade aos 17 anos.
FASES DO TREINAMENTO A LONGO PRAZO
O treinamento a longo prazo se divide, na visão da maior parte 
da literatura especializada, em três distintas fases:
1. Fase da formação geral básica;
2. Fase do treinamento específico;
3. Fase do treinamento de alto desempenho.
Em cada uma delas devem ser consideradas as etapas do 
desenvolvimento global do atleta, bem como um processo progressivo 
no aumento da complexidade dos treinamentos técnico, físico e 
tático, levando-se em conta as características de cada luta. Assim, o 
planejamento do treinamento deve harmonizar as fases sensíveis da 
criança (janelas de oportunidade) com as capacidades coordenativas 
e condicionantes predominantes em cada desporto.
207
S U M Á R I O Weineck (1999) caracteriza“fases sensíveis” como aquelas em 
que a criança está mais propensa a determinados estímulos motor-
esportivos. A exposição a determinados estímulos (software) deve 
manter íntima relação com o nível de maturidade biológica (hardware) e 
com o meio ambiente (interações psicossociais). Ao desconsideramos 
este conjunto de fatores, podemos expor a criança a um processo de 
superestimação, onde os estímulos não serão assimilados de forma 
ótima, uma vez que estarão acima das capacidades da criança. No 
outro extremo, a subestimação criará problemas igualmente sérios, pois 
os estímulos apresentados não serão suficientemente desafiadores a 
ponto de gerar os processos de acomodação e adaptação.
Seja de uma forma ou de outra, superestimar ou subestimar a 
criança provavelmente terá efeitos desagradáveis. No que se refere 
às questões do desenvolvimento motor e anátomo-fisiológicas, a 
superestimação poderá ter como consequência o surgimento de 
lesões e desgastes. O desperdício do tempo e dos momentos ótimos 
de aprendizagem, além da adaptação gradativa ao treinamento, 
poderão ser efeitos da subestimação. 
Com relação às questões psicossociais, existe grande 
possibilidade de abandono prematuro da modalidade, uma vez que a 
criança sentirá a sobrecarga do treinamento acima de sua capacidade 
de compreensão, ou se sentirá pouco estimulada diante de estímulos 
que pouco lhe desafiarão. Se incorporarmos as competições infantis, 
nos modelos tradicionais, a esse contexto, os problemas tendem a ser 
ainda mais gritantes.
Este referencial é importante já que, se a criança recebe 
estímulos antes de atingir o estágio de prontidão, ela apresentará 
um desenvolvimento aquém de suas possibilidades, o que 
pode causar-lhe prejuízos de desenvolvimento, quando, 
por exemplo, crianças são submetidas à especialização 
precoce que pode gerar distúrbios tanto físicos (ex: lesões), 
quanto psicológicos (ex: stress). Da mesma forma, se esses 
208
S U M Á R I O estímulos são apresentados à criança, após ela ter passado 
por estas fases sensíveis de aprendizagem, seu potencial 
de desenvolvimento acaba por ser desperdiçado, levando 
a criança a aprender menos do que poderia, e, inclusive, 
desperdiçar chances de formação de grandes atletas (TANI; 
BENTO; PETERSEN, 2006, p. 255).
Ainda na visão de Weineck (1999), ao deixarmos de aproveitar 
cada uma das fases sensíveis corremos o risco de deixarmos de obter 
o melhor desempenho possível ou, na melhor das hipótese, teremos 
que despender enorme esforço para atingi-lo. Gomes (2009) corrobora 
com a visão de Weineck (1999), citado acima, ao diferenciar treinamento 
genérico e sem objetivos claros, do treinamento multivariado, que deve 
considerar as fases sensíveis do desenvolvimento motor da criança.
Diante do acima exposto, fica claro que o treinador, além 
de profundo conhecedor da modalidade de luta, deve conhecer 
de forma igualmente profunda as fases de desenvolvimento das 
crianças e adolescentes para que possa aplicar o treinamento certo, 
no momento adequado.
FASE DA FORMAÇÃO GERAL BÁSICA
Considerando os desportos de lutas, a fase da formação geral 
básica começa aos 6/7 anos e dura aproximadamente de 3 a 4 anos, 
portando, até os 10 anos.
Esta fase deve privilegiar o desenvolvimento das capacidades 
coordenativas, objetivando a ampliação do repertório motor geral, 
mas também o começo da apresentação das habilidades motoras 
específicas da luta escolhida. É importante frisarmos que as técnicas 
devem ser apresentadas de forma multivariada, sem a preocupação 
de levar a criança a se tornar especialista em nenhuma delas. Isso 
209
S U M Á R I O não significa dizer que devamos renunciar ao rigor da aprendizagem 
das habilidades da forma biomecânica correta. A automatização de 
movimentos assimilados de forma errada exigirá grande esforço para 
correções posteriores.
O ensino das habilidades deve considerar o princípio da 
variabilidade de prática. Após a assimilação do programa motor 
generalizado, a execução da habilidade deverá ser executada sob 
circunstâncias diferentes (SCHIMDT; WRISBERG, 2010).
No caso de uma técnica de caratê, por exemplo, após o 
praticante ter assimilado os parâmetros invariantes do golpe, 
deve ser estimulado a executá-lo em circunstâncias diferentes: 
em movimento ou estaticamente, com um oponente mais baixo ou 
mais alto, mais rápido ou mais lento, ou seja, o ambiente deverá ser 
constantemente alterado de forma a exigir do aprendiz a tomada 
de decisão quanto ao momento exato da execução (antecipação) e 
a adaptação necessária para executar técnica de modo a torná-la 
eficaz sob certa condição (precisão).
É muito interessante, nesta fase, adaptar as sessões de treino 
de forma a proporcionar ao jovem atleta experiências poliesportivas. 
As lutas têm singularidades no que se refere às suas capacidades 
coordenativas e condicionantes predominantes, mas têm alguns 
aspectos em comum, como por exemplo, um contato direto entre os 
praticantes, ainda que intermediado por algum implemento, como no 
caso da esgrima. Desta forma, algumas capacidades acabam não 
sendo desenvolvidas em sua plenitude, como por exemplo, a habilidade 
de arremessar, de correr, de escalar, de chutar um objeto, dentre tantas 
outras. Ao proporcionarmos uma experiência poliesportiva, temos a 
possibilidade de compensar estas lacunas. Além disso, outro benefício 
desta prática se refere à motivação. Realizando jogos e brincadeiras, 
que atendam às necessidades da formação motora das crianças, 
também oferecemos um ambiente mais lúdico e variável, diminuindo 
210
S U M Á R I O a desmotivação que pode advir de uma constância e repetição de 
atividades específicas da modalidade escolhida.
Uma tarefa necessária e difícil nesta fase refere-se à manutenção 
do interesse da criança pelo treinamento. Como vimos acima, uma das 
formas de minimizarmos o desânimo é possibilitarmos experiências 
variadas de forma a romper com a mesmice da repetição. A criança, 
diante de suas características naturais, tende a não se concentrar 
durante muito tempo em uma mesma atividade, especialmente se 
estas não se apresentarem de forma lúdica. O treinador deve estar 
atendo a esta questão, pois alguns iniciantes com grande potencial 
para o treinamento podem desistir em virtude da monotonia das 
atividades propostas. As exigências devem ser compatíveis com o nível 
de maturidade psicológica da criança e com as suas necessidades 
motoras e fisiológicas.
É importante que ao longo desta etapa haja um aprofundamento 
do conhecimento referente a luta escolhida. Familiarizar-se com 
as regras da modalidade, com os principais competidores, com a 
filosofia inerente a luta praticada irá aumentar a relação do atleta com 
a modalidade. Mais uma vez, cuidado para que esses conhecimentos 
não sejam apresentados de forma rígida e desmotivante.
Por fim, devemos privilegiar o treinamento da flexibilidade, 
comum a todas as lutas, por ser esta a única capacidade motora 
condicionante que atinge seu auge já na infância (WEINECK, 1999).
O treinamento da flexibilidade deve ter início e se intensificar já 
na primeira infância escolar (de 6/7 aos 10 anos). Isso porque, a fase 
sensível para o treinamento desse requisito motor se encontra na faixa 
dos 11 a 14 anos (infância escolar tardia e pubescência), momento em 
que a nível ótimo deve ser alcançado. Depois desta fase, não serão 
alcançados resultados significativos, limitando-se o treinamento da 
flexibilidade à manutenção do nível atingido nas fases anteriores.
211
S U M Á R I O Esta capacidade motora tem muita importância no processo de 
treinamento a longo prazo, por diferentes fatores. 
Um deles se relaciona com a possibilidade de aumento de 
recursos técnicos em função de uma maior elasticidade muscular 
e mobilidade articular. Alguns movimentos como os chutes altos, 
comuns às modalidades como taekwondo, caratê e capoeira, não 
serão executados em sua plenitude se não tiverem como base uma 
ótima flexibilidade da articulaçãodo quadril. Técnicas de projeção da 
luta livre, do judô ou jiu-jitsu, que utilizam os braços como alavancas, 
dificilmente serão executadas com eficiência e eficácia por atletas 
com reduzida flexibilidade na articulação escápulo-umeral. Ou seja, 
o treinamento da flexibilidade otimiza significativamente o repertório 
motor específico da luta.
Outra consequência importante se refere ao seu caráter 
profilático. O treinamento especializado tende a levar ao aumento das 
capacidades condicionantes, em maior ou menor escala. Em desportos 
de lutas a força é, sem dúvida, uma das capacidades predominantes. Um 
adequado treinamento de flexibilidade “leva a uma maior elasticidade, 
mobilidade e capacidade de alongamento dos músculos, ligamentos 
e tendões; isto contribui para o aumento da tolerância a carga e para 
profilaxia de lesões”. (WEINECK, 1999, p. 472)
É importante deixar claro que o treinamento de flexibilidade 
deve ser contemplado no planejamento como uma capacidade a ser 
desenvolvida de forma autônoma. Não pode se limitar ao aquecimento 
ou ao término das sessões de treinamento geral, mesmo porque os 
exercícios de alongamento não são suficientes para atingir o nível de 
aquecimento necessário para o início de exigências mais intensas, 
tampouco são indicados após uma sessão de treino, onde muitas vezes 
ocorre a fadiga, sendo inclusive perigoso em virtude da possibilidade 
de ocasionar lesões.
212
S U M Á R I O As competições, nos moldes em que são realizadas com os 
adultos, com a eliminação a partir da perda de uma luta, com as regras 
rígidas peculiares aos desportos de combate, com a supervalorização 
da vitória e a premiação somente dos três primeiros colocados não são 
indicadas. Isso porque, de acordo com De Rose (2009), crianças nesta 
fase têm o caráter egocêntrico que, em situações de competição, as 
leva à necessidade de orientação diferente daquela oferecida aos 
adolescentes e adultos.
Neste sentido, o ideal é a organização de eventos esportivos 
com regras adaptadas, onde a criança possa lutar várias vezes 
independentemente dos resultados obtidos em cada luta; que a 
arbitragem tenha o caráter pedagógico e não punitivo; que todos 
os participantes sejam premiados, deixando claro a importância da 
participação em si. Técnicas que comprovadamente causam alto 
índice de lesões devem ser proibidas.
Este formato pode perpassar toda a fase geral básica.
FASE DO TREINAMENTO ESPECÍFICO
Esta segunda etapa do treinamento a longo prazo, que se inicia 
por volta dos 10 anos e perdura até o início da segunda fase puberal 
(adolescência), aos 13/14 anos, é continuidade da anterior. A tônica, 
no que se refere ao desenvolvimento das capacidades coordenativas 
deve estar voltada para o aprimoramento das técnicas específicas. 
É importante iniciarmos a lapidação dos movimentos, mantendo 
a preocupação com o ensino das habilidades motoras de forma 
multivariada e por meio de estratégias que atendam ao princípio da 
variabilidade de prática. 
213
S U M Á R I O Mais do que nunca a preocupação com a motivação deve 
estar presente. Com o aumento da idade, especialmente quando se 
aproxima a adolescência, novos interesses surgem em função da 
ampliação das relações sociais. A formação de grupos de amigos, 
as primeiras experiências amorosas, os conflitos naturais com 
os pais em virtude da busca por maior liberdade são fatores que 
certamente influenciarão a dedicação do praticante aos treinamentos, 
principalmente considerando-se que, gradativamente, a luta ocupará 
mais espaço na vida do praticante. A criança deve demonstrar maior 
disponibilidade para o treinamento a cada etapa. O treinador precisa 
estar atendo às variações de humor e o nível de adaptação do jovem 
atleta às exigências cada vez maiores. Esta é a fase em que ocorre o 
maior percentual de desistência e abandono.
O treinamento da flexibilidade deve atingir seu pico, pois como 
vimos anteriormente, a fase sensível ao treino desta capacidade se 
encontra exatamente entre 11 e 14 anos. De acordo com Weineck 
(1999), estudos demonstram que já há perda de amplitude articular 
nas articulações escápulo-umeral e coxo-femural, nos movimentos 
de extensão. Gradativamente, devemos intensificar o treinamento das 
demais capacidades condicionantes: força, velocidade e resistência.
A força aumenta de forma linear com o avançar da idade 
(MALINA; BOUCHAD; BAR-OR, 2009). O treinamento desta capacidade 
deve ser realizado exclusivamente através das atividades dinâmicas, 
privilegiando-se a força dinâmica e a força rápida, trabalhadas 
preferencialmente por meio de circuitos e brincadeiras variadas, 
mantendo-se o caráter lúdico das atividades.
Uma questão importante refere-se ao aumento da força a 
partir das atividades específicas da luta, o que pode ocasionar 
um desequilíbrio no desenvolvimento do aparelho locomotor ativo, 
trazendo prejuízos a postura da criança. Neste sentido, o treinamento 
de força nesta idade deve considerar o desenvolvimento global, 
214
S U M Á R I O sem negligenciarmos o fortalecimento das estruturas musculares 
mais utilizadas na prática da modalidade escolhida, o que tende a 
acontecer naturalmente.
A maior dificuldade no planejamento do treinamento de força 
em crianças relaciona-se com o princípio da sobrecarga. Apesar 
de não existirem comprovações científicas de que o treinamento de 
força tenha influência sobre o crescimento longitudinal, o uso de 
cargas inadequadas na primeira infância pode ocasionar lesões ao 
sistema locomotor passivo, dada a maior elasticidade em função 
da baixa densidade óssea, que diminui a resistência à pressão e à 
curvatura (WEINECK, 1999).
É importante tomarmos cuidado com exercícios de força que 
tenham o corpo de um companheiro como implemento de carga. Isso 
porque, nem sempre o peso do colega é adequado para a realização 
das tarefas motoras propostas e pelo fato de que podem ocorrer 
deslocamentos imprevistos, que coloquem em risco o executante, ou 
mesmo a criança cujo corpo está sendo utilizado como sobrecarga.
Outra questão relevante no que tange ao treinamento resistido 
aplicado às crianças diz respeito ao fato de que melhorias significativas 
ocorrem na ausência de hipertrofia, indicando que possivelmente há 
um mecanismo neurológico envolvido com estas melhorias. Segundo 
Rowland (2008), alterações na taxa de disparo, no recrutamento 
ou mesmo na velocidade de condução das unidades motoras, 
mudanças do ângulo de penação das fibras musculares, ou ainda, 
uma diminuição progressiva das influências inibitórias centrais sobre 
a contração voluntária máxima, podem ser fatores que contribuam 
com o significativo ganho de força durante a infância. Isso corrobora 
com a afirmação de que a força rápida deve ser privilegiada nesta 
etapa do treinamento.
215
S U M Á R I O Com o avançar da idade em direção a adolescência, podem 
ser inseridos exercícios mais analíticos, principalmente pelo fato de 
que a disponibilidade para o treinamento também tende a aumentar 
com o tempo. Outro fator a ser considerado é a seleção natural que 
começa a ocorrer nesta fase. As crianças que não demonstram 
aptidão para o treinamento a longo prazo na luta praticada começam 
a desistir da modalidade, o que vai tornando o grupo de atletas cada 
vez mais seleto.
Não é nosso objetivo discutir a questão da desistência por parte 
de alguns praticantes, mas é importante frisarmos que o planejamento 
de treinamento a longo prazo deve prever esse fenômeno e, na 
medida do possível, criar as condições para que, as crianças que não 
demonstrarem aptidão para o alto desempenho, possam continuar a 
prática da modalidade, com o caráter lúdico e de participação.
O treinamento da resistência, nesta fase, deve privilegiar a 
resistência muscular geral e a resistência aeróbia, uma vez que 
crianças são pouco tolerantes ao stress e ao aumento do lactato no 
sangue, que aumenta a produção da adrenalina e noradrenalina. A 
atividade das enzimas glicolíticas, em especial da fosfofrutoquinase,é 
menor em crianças. Como consequência, têm menor capacidade de 
eliminação de lactato do que adultos.
[...] fosfofrutoquinase, o principal regulador de glicólise 
anaeróbica, é mais baixa em crianças e adolescentes do que 
em adultos. Além disso, as crianças e adolescentes não são 
capazes de gerar ou sustentar níveis de acidose (como é 
refletido em pH sanguíneo) tão altos quanto aqueles relatados 
em adultos. (MALINA; BOUCHAD; BAR-OR, 2009, p. 300).
Sob a ótica da fisiologia, atividades de média e longa duração 
na primeira infância escolar e na infância escolar tardia não são 
contraindicadas, levando em conta que crianças não apresentam 
problemas quanto ao metabolismo de açúcares e têm índices de 
216
S U M Á R I O oxidação de ácidos graxos superiores aos dos adultos. A duração dos 
exercícios encontra obstáculo na questão motivacional, uma vez que 
a manutenção de uma mesma atividade durante um longo período 
acaba fazendo com que diminua o interesse do praticante. O cuidado 
com exercícios de impactos repetitivos também deve estar no radar do 
treinador, pois como vimos, as crianças têm menor densidade óssea. 
Neste sentido, é indicado realizarmos o treinamento de resistência 
aeróbia por meio de circuitos, com várias estações constituídas por 
exercícios multivariados, fazendo com que a criança se mantenha por 
bom tempo em atividade, mas simultaneamente experimente diversos 
desafios diferentes.
O treinamento da velocidade continua como uma das 
prioridades, considerando que a criança tem um sistema neuro motor 
maduro para o treinamento desta capacidade e que o aumento linear 
da força favorece a melhora da velocidade.
No caso dos desportos de lutas, a velocidade de ação, de 
reação e cíclica têm maior peso na programação do treinamento do 
que a velocidade de deslocamento.
No caso da velocidade de ação, nos deparamos com a 
situação em que o atleta assume uma postura ofensiva ao antecipar o 
momento exato de executar uma determinada técnica. Se a ação não 
for executada com a velocidade adequada, perde-se a oportunidade 
de um ataque bem sucedido.
A velocidade de reação diz respeito a um menor tempo de 
resposta a um estímulo, situação comum nas ações de contra-ataque.
Por fim, a velocidade cíclica, que corresponde a execução 
repetida e ritmada de habilidades motoras em sequência, como no 
caso de uma combinação de jab’s e diretos no boxe, realizada em 
alta velocidade.
217
S U M Á R I O Nesta fase do treinamento a longo prazo as competições 
passam a ter um papel mais importante. Os eventos desportivos 
devem ser organizados de forma a se constituírem como transição 
para as competições nos moldes adultos. Principalmente nos primeiros 
anos do treinamento especializado (10/11 anos) a forma de disputa 
deve permitir que as crianças lutem várias vezes, evitando que toda 
a expectativa de participação possa durar somente alguns segundos, 
como no caso da criança que sofre um ippon no início de sua primeira 
luta, no judô.
A arbitragem já deve apontar para as regras à semelhança 
como ocorrem nas competições adultas, mas mantendo o caráter 
pedagógico. Como exemplo, ao cometer uma determinada infração, 
ao invés do árbitro aplicar a punição prevista na regra, na primeira 
ocorrência orientará a criança sobre a falta, mas sem aplicar-lhe a 
sanção cabível.
Pensar em uma divisão de categorias para além do peso, como 
por exemplo, separação por cor de faixa ou tempo de prática, pode 
trazer um maior equilíbrio nos combates.
FASE DO TREINAMENTO DE 
ALTO DESEMPENHO
Esta fase tem início na adolescência, aos 15/16 anos. Deve 
ocorrer a intensificação do treinamento em todas as suas dimensões, 
aproximando-se cada vez mais de um nível de exigência similar a 
empregada em treinamento com adultos.
No que diz respeito ao desenvolvimento das habilidades motoras 
específicas da luta, devemos perseguir a perfeição na execução. É 
muito importante que as técnicas sejam executadas com base em 
218
S U M Á R I O conhecimentos científicos biomecânicos buscando maior eficiência e 
eficácia nos resultados. Isso não significa dizer que uma técnica deva 
ser executada exatamente da mesma forma por todos os praticantes. 
Deve ocorrer a adaptação necessária da habilidade às características 
do executante, mas os detalhes invariantes da técnica devem ser 
preservados. Em outras palavras, há espaço para o estilo pessoal.
Devemos aprimorar as habilidades que são identificadas como 
as preferidas dos atletas, aumentando cada vez mais as possibilidades 
de circunstâncias diferentes para sua execução (variabilidade de 
prática). No entanto, não podemos esquecer que um rol maior de 
recursos técnicos possibilitará a ampliação do pensamento tático, 
aumentando de forma significativa a capacidade do atleta de lidar com 
situações inesperadas e, ao mesmo tempo, criar um sem número de 
armadilhas para superar seus oponentes. 
É nesta fase que o praticante deve atingir o ápice de sua 
capacidade de pensar taticamente. Como vimos, as lutas têm 
como principal característica a imprevisibilidade. Por mais que um 
competidor tenha estudado pormenorizadamente seu adversário é 
impossível prever, com exatidão, como este irá reagir em determinada 
circunstância, especialmente falando de grupos de elite, onde uma 
antecipação equivocada ou uma execução sem a devida precisão, 
podem colocar um ponto final nas expectativas de resultados 
planejamos e almejados por períodos de 4 anos, como no caso de um 
ciclo olímpico. 
A partir desta fase, os intercâmbios e a participação em eventos 
internacionais são imprescindíveis para que o competidor possa 
vivenciar situações diferentes, experimentar o combate com escolas 
de lutas diferentes e começar a se familiarizar com o clima que envolve 
competições internacionais. Isso irá requerer, dentre muitas outras 
coisas, recursos financeiros para o autofinanciamento, uma vez que 
no Brasil não existem políticas voltadas a formação de base esportiva. 
219
S U M Á R I O Não é objetivo deste ensaio discutir questões relacionadas à seleção, 
detecção e promoção de talentos esportivos, mas frisamos ser essa 
mais uma variável determinante para a obtenção de resultados 
expressivos em campeonatos mundiais e Olimpíadas. Atletas com 
poucos recursos financeiros têm muita dificuldade de seguir o caminho 
dos grandes resultados. Os grandes heróis do desporto, que saem de 
comunidades sócio economicamente desfavorecidas e atingem o nível 
das grandes estrelas mundiais são exceções, não a regra.
Neste ponto do treinamento a longo prazo, apesar de não 
conseguirmos identificar quem conseguirá chegar aos pódios dos 
grandes eventos, aliás em momento algum do treinamento teremos 
essa certeza, já é possível identificarmos aqueles que não chegarão. 
Isso porque o nível de disponibilidade para o treinamento exige do atleta 
a abdicação de várias outras dimensões de sua vida, até mesmo no 
que diz respeito a sua formação e melhor qualificação profissional, bem 
como suas relações familiares e sociais (THOMAS, 1983). Conforme 
vão se aproximando os eventos importantes, as horas de treinamento 
tendem a aumentar e as viagens para a realização dos intercâmbios e 
das competições preparatórias comprometem o calendário escolar. É 
comum o “fracasso” escolar de atletas de grupos de elite.
O nível de irritabilidade aumenta, principalmente se os primeiros 
resultados demoram a surgir. O treinamento de alto desempenho 
necessita ser conduzido por uma equipe multidisciplinar, da qual 
psicólogos devem fazer parte. Não há dúvidas de que as questões 
emocionais são determinantes nos momentos decisivos, levando 
em conta que a paridade técnica e física é cada vez maior (RUBIO; 
FRANCHINI, 2010). Atletas com grande potencial muitas vezes 
desistem em função de não suportarem a transcendência dos limites 
de suas capacidades. O corpo é levado a níveis de exigência que 
necessitam de um equilíbrio emocional e suporte social sem os quais 
se torna quase impossível prosseguir.
220
SU M Á R I O Quanto ao treinamento das capacidades condicionais, não 
há mais nenhuma restrição. Em virtude das grades transformações 
ocorridas durante a puberdade, este é o momento, segundo 
Weineck (1999), de maior adaptabilidade e resposta ao treinamento, 
principalmente dos componentes força e resistência.
O treinamento da capacidade de resistência anaeróbia, iniciada 
ao final da fase de treinamento específico, deve ser intensificado 
buscando o atingimento de seu ápice ao final desta etapa da 
programação a longo prazo, aproximando-se do treinamento do adulto.
Os valores absolutos da potência anaeróbia aumentam 
progressivamente ao longo da infância nos meninos e nas 
meninas, com uma aceleração durante a puberdade nos meninos. 
Entre os 12 e 17 anos, a potência anaeróbia pico aumenta 121% 
nos meninos e 66% nas meninas (ROWLAND, 2008, p. 168).
Existem muitos estudos conflitantes quanto à relação entre o 
crescimento da massa corporal e a melhora da potência anaeróbia, 
mas os estudos mais recentes são consistentes no sentido de que 
outros fatores, além do crescimento, influenciam no aprimoramento 
desta capacidade com o passar dos anos. (KRAEMER; FLECK; 
MICHAEL R. DESCHENES, 2016)
A flexibilidade deve continuar sendo trabalhada intensamente 
para que não ocorra a degradação dos níveis atingidos nas 
fases anteriores. O planejamento deve dispensar uma sessão 
especificamente voltada para o treinamento desta capacidade.
O treinamento de força deve privilegiar os grupamentos mais 
envolvidos com a modalidade. Quanto mais próximo da realidade 
encontra na situação da luta propriamente dita, mais eficiente tende a 
ser a estratégia de treinamento.
221
S U M Á R I O Os resultados obtidos nas competições internacionais passam 
a ser os principais indicadores do real potencial do atleta atingir 
resultados expressivos nos principais eventos.
O sucesso na fase do treinamento de alto desempenho 
é dependente daquilo que foi construído nas fases anteriores, 
especialmente nos desportos de lutas que, como vimos, têm um 
componente motor bastante relevante. 
O treinamento de alto nível possui como objetivos gerais 
alcançar o alto desempenho individual; aumentar o volume 
e intensidade de treinamento; introduzir outros métodos e 
conteúdos específicos de treinamento; alcançar a perfeição, 
estabilização e disponibilidade máxima da técnica esportiva; 
e melhorar e manter a mais alta capacidade de desempenho 
pelo maior período de tempo possível (MASSA; FRANCHINI; 
BÖHME, 2010, p. 409).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao iniciarmos o planejamento de um programa de treinamento 
temos que ter muito claro os objetivos que pretendemos alcançar. No 
caso deste breve ensaio buscamos apresentar pontos referentes ao 
planejamento de treinamento desportivo a longo prazo, aplicado às 
modalidades de lutas com o objetivo de obter expressivos resultados 
em competição de elite internacional, sem nos aprofundarmos em uma 
luta em particular, tampouco em métodos específicos de treinamento 
das diferentes capacidades.
Destacamos a reflexão sobre a diferença entre iniciação 
desportiva na primeira infância e especialização precoce, ressaltando 
que não há contraindicações em começarmos uma especialização em 
determinada modalidade de luta aos 7 anos, desde que respeitadas as 
fases de desenvolvimento, crescimento e maturação da criança.
222
S U M Á R I O Outros temas são extremamente relevantes para complementar 
essa discussão, como programas de seleção, detecção e promoção 
de jovens talentos desportivos, o papel da Educação Física escolar 
nessa seara, a formação dos treinadores, políticas de desporto 
de participação que possam garantir a prática daqueles que não 
demonstram aptidão para o desporto de alta performance e para os 
atletas depois de suas aposentadorias.
Os resultados obtidos pelo Brasil em campeonatos mundiais e 
Jogos Olímpicos ainda são dependentes das histórias individuais dos 
atletas. Nos emocionamos com cada relato de alguém que venceu 
as dificuldades socioeconômicas e conseguiu alcançar o estrelato 
desportivo internacional. Raramente esses resultados são fruto de um 
a política voltada para o incentivo ao desporto de base, acolhendo os 
potenciais atletas desde as idades mais tenras.
Se o Brasil almeja, um dia, ter destaque nos principais eventos 
esportivos mundiais, terá que rever a forma como trata o desporto em 
sua origem. Se isso é relevante ou não diante de todos os problemas 
que nosso país vive, é uma outra discussão.
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ASPECTS OF FIGHTING TRAINING IN 
CHILDHOOD AND ADOLESCENCE
Abstract
This chapter sought to conceptualize sports training and long-term training 
applied to fights,with the objective of obtaining expressive results in the main 
international competitions. Considering that athletes reach international levels 
around the age of 17 in combat sports and that the duration of long-term training 
in open-natured modalities, with a strong motor component and a high level 
of unpredictability is around 10 years, we have seen that training should start 
around 7 years. Sports initiation in early childhood is not configured as an early 
specialization, as long as the stages of development, growth and maturation 
of the practitioners are respected. Long-term training of divides into 3 phases: 
basic general training; specialized training and high-performance training. 
Subsequent phases are dependent on the success achieved in training in the 
previous phases.
Capítulo 7
PERSPECTIVAS EDUCACIONAIS 
DAS LUTAS
Ricardo Ruffoni
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601.225-252
7
Ricardo Ruffoni
PERSPECTIVAS 
EDUCACIONAIS 
DAS LUTAS
226
S U M Á R I O INTRODUÇÃO
As lutas existem desde os primórdios das civilizações, da 
mesma forma que os movimentos naturais e de sobrevivência (andar, 
correr, rastejar e outros), atendendo a vários objetivos e situações, de 
acordo com a sua origem, história e valor cultural. 
Ao navegar pelo tempo até chegar na atualidade, observa-se 
um crescimento imensurável de inúmeras lutas e correspondentes 
denominações, tais como o Taekwondo, Judô, Karatê, Jiu-Jitsu e, 
nesse contexto, as lutas indígenas, como o Huka Huka e Marajoara, 
as quais refletem a história dos povos indígenas e da Ilha de Marajó.
Vale destacar que algumas formas de lutas foram utilizadas 
com o objetivo de preparar exércitos para as guerras, para a 
performance militar; os gladiadores, com suas técnicas severas de 
treinamento; os espartanos, com seu regime de treinamento militar, 
bem como os povos de diversos continentes, como os egípcios, os 
chineses e os japoneses.
No caminhar pela História, vivenciamos a fase da cultura da 
arte marcial, da arte guerreira, cuja prática ainda hoje é utilizada, 
equivocadamente, por alguns “mestres”, lutadores e professores, em 
suas respectivas especialidades. 
Outrossim, destaque há que ser dado a Base Nacional Comum 
Curricular (BNCC), cujo escopo foi construir uma base para toda a 
educação básica brasileira, visto que “[...] a aprendizagem de qualidade 
é uma meta que o País deve perseguir incansavelmente” (BNCC, 2020, 
p. 5), considerando a BNCC peça fundamental nessa direção, em 
especial para o Ensino Médio, “[...] no qual os índices de aprendizagem, 
repetência e abandono são bastante preocupantes” (BNCC, 2020, p. 5).
227
S U M Á R I O E, nesse sentido, a BNCC destaca a existência de inúmeras 
habilidades que possibilitam a contextualização nos currículos locais 
considerando aspectos culturais e históricos, quais sejam: lutas do 
contexto comunitário e regional; lutas de matriz indígena e africana; 
lutas do Brasil e lutas do mundo.
Podemos salientar no Japão a existência da Era Meiji1, uma fase 
extremamente importante para o processo de desenvolvimento do 
Japão, uma vez que o tornou uma das grandes potências mundiais 
capitalistas, cujas principais características foram o fim do Xogunato 
e dos Samurais. Extinção dos feudos e reforma agrária. Abertura dos 
Portos e intensificação das relações internacionais. A partir de então, o 
Japão passa por uma aceleração no processo de modernização, que 
culminou na transformação deste país em uma grande potência. 
Vale lembrar, que as lutas passaram por profundas transformações 
socioculturais até chegar nos dias atuais, cujos conceitos serão 
discutidos oportunamente, sobretudo alguns conceitos resultantes 
dos estudos do professor Tubino (2001), que classifica os esportes 
na seara educacional, do lazer, da participação, da competição, da 
espetacularização do esporte o esporte espetáculo.
A partir desses conceitos de esportes do professor Tubino, 
pode-se afirmar que as lutas, os esportes de combate, ou para alguns 
conservadores, as artes marciais, são capazes de se conectarem aos 
mais diversos eixos educacionais e midiáticos.
No campo da Educação, o esporte moderno teve início na 
Inglaterra, Século XIX (TUBINO 1992), e utilizado primeiramente nas 
escolas. No entanto, hoje, com o crescimento de várias tendências 
desportivas podemos utilizar as lutas como contributo na formação 
1 “Regime ou Governo Iluminado”, que significou a primeira época do Império no Japão e que 
permaneceu entre os anos de 1868-1912, aproximadamente 45 anos, com características 
marcantes ao início do judô.
228
S U M Á R I O do indivíduo, em uma perspectiva holística e com a percepção do 
ser humano na sua totalidade e destacar o seu caráter educativo, 
desenvolvidas além das escolas, em agremiações, projetos e outros. 
Outrossim, inúmeros filmes sobre lutas são veiculados, por meio 
dos quais grande destaque se é dado ao mestre e às mensagens 
educacionais neles contidas.
No campo do lazer podemos destacar os objetivos que serão 
desenvolvidos por cada prática corporal, o espírito de cidadania. Para 
tanto, merece destaque o judô veterano que, além de apresentar 
um crescimento notório, destaca-se o bem-estar que essa prática 
proporciona aos seus praticantes, posto que sem cobrança de 
treinamentos exaustivos e resultados a conquistar. Certamente, nesse 
contexto, os resultados ultrapassam a premiação, pois sua razão de 
ser é a sociabilização e o lazer.
No que tange a competição, o alto rendimento e a performance, 
as lutas são direcionadas para os resultados. Como para alguns 
atletas se faz de forma precoce e imediata, é necessário um olhar 
diferenciado, cauteloso, visto a celeuma que se instala e se debate 
no âmbito dos trabalhos sobre competição infantil. Observa-se, pois, 
uma série de ações equivocadas na busca da premiação a qualquer 
custo. Por óbvio, o esporte de alto rendimento provoca uma tensão 
em vários aspectos da vida. São inúmeros os exemplos pela busca 
incansável por resultados, desde uma simples competição, até um 
evento internacional.
E, nesse contexto, nos deparamos com o doping; com a perda de 
peso a qualquer custo; com a execução de treinamentos desprovidos 
de conhecimento científico; a pressão psicológica e, muitas vezes, o 
atuar do técnico que, no exercício da função, pode vir a descuidar da 
indispensável preocupação e atenção ao seu atleta.
229
S U M Á R I O Outro ponto em destaque é a presença de alguns pais que, de 
alguma forma, a transcender sua imagem de nunca ter sido atleta, 
transfere para o filho, independente da consciência humana, a 
cobrança de que corresponda à sua eventual performance. 
Na sociedade moderna, o esporte assume a função de promover 
o consumo e, com isso, nos deparamos com a espetacularização e a 
mercantilização do esporte, de forma que as lutas se transformam em 
relações mercantis, reproduzidas por diferentes meios de comunicação. 
Por óbvio, a mídia é essencial para a divulgação dos esportes 
em nível global, propicia a divulgação dos melhores resultados, do 
maior rendimento e proporciona o entretenimento como sua principal 
manifestação cultural. Porém, não o faz sem interesses econômicos e 
políticos, orientados pelo próprio mercado de bens de consumo. Nesse 
particular, destacam-se os jogos olímpicos, os quais ocorrem a cada 4 
(quatro) anos e o espírito olímpico. Na atualidade, perpassa para além 
das esferas política e social, mas acima de tudo, a econômica.
Notadamente, as lutas são manifestações corporais, da 
mesma forma que os esportes, os jogos, as danças, as ginásticas 
e as brincadeiras, assim como constante com os códigos do 
funcionamento orgânico e com os códigos da linguagem do seu 
cotidiano e de sua historicidade cultural. Todavia, é indispensável 
respeitar a antropologia e a historicidade social das lutas para se 
entender o verdadeiro valor cultural de cada uma de per si.
A partir dessa breve introdução, a reflexão atinente a lutas 
transcende as diversas manifestações da culturacorporal. São inúmeros 
os caminhos das práticas corporais das lutas na atuação formativa do 
aluno; lutas para terceira idade, inclusivas, escolares, indígenas, Artes 
Marciais Mistas (Mixed Martial Arts – MMA), luta indígena, enfim, as 
manifestações corporais são intangíveis nesse sentido. 
230
S U M Á R I O A proposta desse ensaio é provocar reflexões, discutir, 
transcender as lutas para o campo das metodologias, tendências, não 
como receitas de aulas, ao aplicar o empirismo, mas sim levar ao leitor 
à reflexão de como desenvolver, trabalhar, ministrar aulas no campo da 
educação, a objetivar a formação integral do aluno, no entendimento 
de que a formação do cidadão hoje integra todas as esferas, quais 
sejam, corpo, mente, alma, natureza e sociedade. 
A EDUCAÇÃO FÍSICA E AS LUTAS
Navegar pelas lutas nos conduz a uma transversalidade e 
interdisciplinaridade de valores a refletir vários segmentos. Nesse 
contexto, o próprio entendimento sobre nicho de mercado. O segmento 
que o professor irá trabalhar nos reporta a inúmeras possibilidades 
culturais, educacionais, de lazer, de entretenimento entres outras, nas 
quais as lutas estão inseridas.
Importante salientar que, na base reflexiva das lutas, situa-se 
o processo dialógico nas mais diversas manifestações corporais e 
culturais. Ou seja, entender que a Educação Física não pode e não 
deve ficar limitada somente às práticas desportivas tradicionais, como 
handebol, basquete, futsal e vôlei. Ter a luta como vivência corporal é 
relevante para que nossos alunos possam desenvolver uma atmosfera 
mais ampla no âmbito da Educação Física escolar.
Trabalhar com as lutas no âmbito educacional e no espaço 
escolar envolve a interdisciplinaridade com inúmeras questões que 
devem ser repensadas, dentre elas, onde começaram as lutas, 
onde nasceram as modalidades de algumas lutas, seus criadores, 
mestres, principais regras, normas (dimensão conceitual); na 
vivência afetiva, respeito, sociabilização, auto estima, a disciplina tão 
231
S U M Á R I O esperada pelos pais, o canalizar a agressividade, o estímulo a uma 
maior participação para os mais tímidos (dimensão atitudinal) e, por 
fim, a prática propriamente dita, onde se procura desenvolver não só 
algumas habilidades específicas, mas todas as qualidades físicas em 
determinados momentos das práticas corporais, como o rolamento 
para frente, de costas e para os lados; assim como reter, imobilizar, 
domínios territoriais, jogos de oposição, desafios em duplas, trios e de 
forma integral (dimensão procedimental). 
Ao repensar a prática das lutas educacionais deve estar presente 
a práxis no cotidiano escolar diferenciar lutas de violência, cuja lacuna 
há que ser preenchida para que se possa alcançar a compreensão e 
vivência das lutas inseridas no contexto escolar (luta x violência). 
A lacuna de uma orientação didático pedagógica do professor 
pode levar o aluno a práticas violentas no contexto das lutas escolares. 
Obviamente, essa prática ocorre por diversas situações de conflito que 
devem ser analisadas e estudas para o alcance da correta metodologia 
- o produto da sociedade na qual o aluno está inserido; sua realidade 
familiar e a grande influência midiática. Portanto, entender esse 
diferencial é fundamental para que nossos alunos possam dar início a 
essa pratica corporal. 
Ao dialogar com a historiografia da Educação Física podemos 
destacar autores como Inezil Penna Marinho (1980), Coletivo de Autores 
(1982), Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1988), Ghiraldelli 
Junior (1991), Castellani Filho (2001), Darido e Rangel (2005), Bregolato 
(2008) e BNCC (2020), posto ser necessário estudar o passado para 
entender o presente e o futuro.
Ghiraldelli Júnior (1991), em seu livro Pedagogia Progressista 
da Educação Física, navega na linha do tempo a destacar questões 
que nasceram na Europa, passaram por diversas transformações 
socioculturais e viraram tendência no Brasil.
232
S U M Á R I O A Educação Física Higienista (1889-1930) é produto do 
pensamento liberal, principalmente no âmbito da escola, como 
“redentora da humanidade”. É uma concepção forte nos anos finais do 
Império e no período da Primeira República. É uma tendência originária 
da escola Sueca que trouxe para o Brasil tudo que conhecemos a 
respeito de Fitness e do mercado das academias. Nessa época, ainda 
chamada de Ginástica, tinha seu objetivo na ênfase em relação à 
saúde em primeiro plano. Para tal concepção, cabe à Educação Física 
um papel fundamental na formação de homens e mulheres sadios, 
fortes, dispostos à ação, preocupada com o saneamento público, na 
busca de uma sociedade livre das doenças infecciosas.
A Educação Física Militarista (1930-1945), cujo nascimento 
no Brasil ocorreu a partir das influências da escola Alemã, trouxe em 
seu escopo a necessidade de se ter uma nação forte, “adestrada” 
e preparada para o combate. Esse modelo refletiu-se na Educação 
Física por meio de professores autoritários que acreditavam que ser 
forte era sinônimo de ser saudável. À formação de homens fortes e 
saudáveis, que poderiam suportar o combate e a guerra a serviço da 
pátria, conduta disciplinar, prevaleceu à figura do cidadão soldado; uma 
Educação Física rígida para elevar a nação à condição de “servidora e 
defensora da pátria” e, ainda, excluir incapacitados.
A concepção da Educação Física Pedagogicista ganha força, 
principalmente, no período pós-guerra (1945-1964). O liberalismo 
subjacente à Educação Física Pedagogicista está impregnado das 
teorias psicopedagógicas de Dewey e da sociologia de Durkheim. 
Tal concepção vai reclamar da sociedade a necessidade de encarar 
a Educação Física não somente como prática capaz de promover 
saúde ou disciplinar a juventude, mas ser uma prática eminentemente 
educativa; seu conteúdo não só instrui como também educa, por ser 
um instrumento capaz de levar a juventude a aceitar as regras de 
convívio social e suas peculiaridades culturais, físico-morfológicas 
233
S U M Á R I O e psicológicas. A Educação Física pedagogicista seguiu a forma da 
educação liberal, que buscava a formação de um cidadão voltado 
aos valores da sociedade vigente. Em um primeiro momento, discutiu 
uma nova concepção de Educação Física, mas que apesar de sua 
contribuição, não fugiu a reprodução dos ideais conservadores.
A Educação Física Competitivista (Pós-1964) ganha grande 
destaque na hierarquização e elitização social, onde a figura do 
Brasil potência geraria clima, prosperidade e desenvolvimento, com 
tendências direcionadas ao desempenho técnico e físico do aluno; 
narrava o culto do atleta herói, o pódio; desporto de alto nível (elite). 
O objetivo principal dessa tendência era brindar o país com medalhas 
olímpicas; com técnicas desportivas, com a elitização social, 
competição, superação individual, que se constituíram em valores para 
uma sociedade moderna. Dita concepção foi utilizada pelo governo 
como um sustentáculo ideológico e metodologias com procedimentos 
diretivos que se tornou um fracasso, pois o Brasil não se tornou uma 
potência olímpica.
A tendência da Educação Física Popular (década de 1980) 
volta-se para a classe trabalhadora. O respeito à historicidade cultural, 
à ludicidade e à cooperação são palavras chaves nessa tendência. 
Tem-se ênfase em atividades como dança ginástica, solidariedade 
operária, cultural, social, política, afetiva, sujeitos sociais e cidadãos. 
Nessa vertente, os PCNS (1998) citam as novas abordagens. 
Senão, vejamos:
(i). Abordagem psicomotora (Jean Le Boulche): a partir da década 
de 1970, evidenciou pontos a proporcionar uma maior integração 
com a proposta pedagógica, processos cognitivos, afetivos 
e psicomotores, a busca pela formação integral do aluno e a 
substituir o conteúdo, que era predominantemente esportivo. 
234
S U M Á R I O Valoriza o processo de aprendizagem e não mais a execução 
de um gesto técnico isolado.
(ii). Abordagem Construtivista: atua na construção do conhecimento 
a partirda interação do sujeito com o mundo e uma maior 
integração com a proposta pedagógica ampla e integrada 
com as aulas de Educação Física. Tem como objetivo respeitar 
o universo cultural do aluno; explorar a gama múltipla de 
possibilidades educativas de sua atividade lúdica; respeitar o 
conhecimento da criança e usar a participação ativa na solução 
de problemas; movimentos que irão contribuir na área cognitiva 
(leitura, escrita, matemática); resgatar a cultura dos jogos 
com regras e brincadeira de rua, rodas cantadas; e o Jogo 
deve ser utilizado como conteúdo pedagógico. A abordagem 
construtivista tem como principais autores João Batista Freire, 
Jean Piaget e Vygostsky.
(iii). Abordagem Desenvolvimentista: tem em Tani e colaboradores 
(1988) seu principal articulador, que busca uma fundamentação 
teórica para a Educação Física Escolar por intermédio dos 
processos de aprendizagem e desenvolvimento nas aulas 
de Educação Física e o foco é o desenvolvimento motor. 
Proporciona condições para que o comportamento motor seja 
desenvolvido por meio da diversificação e a complexidade de 
movimentos. Para o grupo etário entre 04 até 14 anos faz uso 
da fundamentação teórica onde a ideia é utilizar o movimento 
como principal meio e fim da Educação Física; a Taxionomia 
para o desenvolvimento motor; conceito de habilidade motora a 
resolver problemas motores. 
(iv). Abordagem Crítica (Coletivo de Autores, década de 1980): utiliza 
um referencial crítico, fundamentado no materialismo histórico e 
dialético. Critica o caráter alienante da Educação Física e busca 
superar as contradições e injustiças sociais. Propõe, ainda, 
235
S U M Á R I O uma Educação Física baseada nas transformações sociais, 
econômicas e políticas a fim de superar desigualdades sociais. 
De acordo com o contexto sócio cultural dos alunos, utiliza 
conteúdos mais diversificados, não só restritos a exercícios, 
ginástica e esportes, cujo objetivo maior é a formação integral 
do indivíduo. Sua metodologia discorre em olhar para as práticas 
constitutivas da Cultura Corporal. Outrossim, as atividades 
corporais, esportivas ou não, são vivenciadas como no “fazer” 
corporal, e refletir sobre o significado desse mesmo “fazer”. 
No âmbito da Educação Física Brasileira, a partir da década de 
1980, surgem os chamados Movimentos Renovadores da Educação, 
ou Progressistas, que busca dar um novo significado a essa disciplina 
na escola, em oposição à vertente mais tecnicista (BRACHT, 1999; 
DARIDO et al., 1999).
A proposta de Concepção de Aulas Abertas, desenvolvida 
por Hildebrandt e Laging (1986), tem como característica principal a 
participação dos alunos em decisões referentes aos objetivos, seleção 
dos conteúdos, metodologia e avaliação. A Concepção Aberta de 
Ensino entende que a participação ativa dos alunos facilita o processo 
de ensino-aprendizagem na medida em que propicia maior troca 
entre os sujeitos. Essa concepção de ensino está fundamentada em 
mecanismos interacionistas de aprendizagem (construtivismo), onde 
os processos sociocomunicativos são priorizados. 
Assim, tem-se por superado o modelo que reduz a aula 
de educação física aos mecanismos motores possibilitando o 
desenvolvimento da capacidade crítica e autônoma. Fato é que apresenta 
diferentes graus de possibilidades de “co decisão” dos alunos. 
Nesse contexto, o professor está aberto para negociações 
e para situações alternativas de ensino; é visto como conselheiro, 
236
S U M Á R I O mediador, interventor e, o aluno, encontra-se no centro do processo 
ensino-aprendizagem. 
As decisões relativas aos objetivos, aos conteúdos e às 
formas de transmissão do conhecimento são negociadas e 
determinadas subjetivamente. 
Essa concepção de ensino pressupõe compartilhamento de 
poder entre o professor e os alunos. Ainda, exige um diagnóstico 
etnográfico a identificar os interesses, as expectativas, as experiências 
anteriores dos alunos e as características socioculturais. Induz o 
interesse por espaços de manifestações culturais, valorização, 
significado, responsabilização; privilegia as características sociais e 
cognitivas dos alunos no sentido de levá-los a refletir sobre suas ações 
nas diferentes situações de ensino. 
As ações metodológicas são organizadas de forma a conduzir 
a um aumento no nível de complexidade dos temas tratados e realiza-
se em uma ação participativa, onde professor e alunos interagem na 
resolução de problemas e na definição dos temas geradores.
No entanto, na Concepção de Aulas Fechadas, grande parte 
das decisões cabe ao professor. Os objetivos de aprendizagem, na 
forma de comportamento, são modelos de movimento prescritos pelo 
professor, que é o centro do processo metodológico. Os resultados 
são diagnosticados com um controle da aprendizagem baseado nos 
objetivos determinados pelos professores participantes. O modelo 
fechado ou centrado no professor é a forma mais tradicional do ensino 
escolar e baseia-se no mecanismo de repetição e memorização, onde 
o aluno apenas executa as instruções do professor. 
Pode-se afirmar que é uma metodologia utilizada por um 
grande número dos professores de lutas (RUFFONI, 2004) onde a 
237
S U M Á R I O repetição de movimentos fica clara com as metodologias de seus 
respectivos professores.
De forma simplista, enfatizam-se estilos diretivos e não diretivos 
como formas metodológicas a serem trabalhadas.
Há que se ter presente que ao discorrer sobre as perspectivas 
educacionais, em especial, das lutas, é relevante destacar a Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC), por ser um [...]
[...] documento de caráter normativo que define o conjunto 
orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que 
todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e 
modalidades da Educação Básica2, de modo a que tenham 
assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, 
em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de 
Educação (PNE) (BRASIL, 2020, p. 7).
A BNCC, na versão de 2020, relata que:
a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento 
humano global, o que implica compreender a complexidade e a 
não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões 
reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) 
ou a dimensão afetiva. Significa, pois, assumir uma visão plural, 
singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto 
– considerando-os como sujeitos de aprendizagem – e promover 
uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e 
desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. 
Além disso, a escola, como espaço de aprendizagem e de 
democracia inclusiva, deve se fortalecer na prática coercitiva de 
não discriminação, não preconceito e respeito às diferenças e 
diversidades (BRASIL, 2020, p. 14).
Relativamente ao componente curricular Educação Física, a 
grande mudança introduzida pela BNCC é sua inserção na área do 
conhecimento de Linguagens do Ensino Fundamental: 
2 Três são as etapas da Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental e 
Ensino Médio.
238
S U M Á R I O “[...] a permitir o acesso a um vasto universo cultural. Esse 
universo compreende saberes corporais, experiências estéticas, 
emotivas, lúdicas e agonistas, que se inscrevem, mas não 
se restringem, à racionalidade típica dos saberes científicos 
que, comumente, orienta as práticas pedagógicas na escola. 
Experimentar e analisar as diferentes formas de expressão 
que não se alicerçam apenas nessa racionalidade é uma das 
potencialidades desse componente na Educação Básica. Para 
além da vivência, a experiência efetiva das práticas corporais 
oportuniza aos alunos participar, de forma autônoma, em 
contextos de lazer e saúde” (BRASIL, 2020, p. 213).
Há três elementos fundamentais comuns às práticas corporais: 
movimento corporal como elemento essencial; organização interna (de 
maior ou menor grau), pautada por uma lógica específica; e produto 
cultural vinculado com o lazer/entretenimento e/ou o cuidadoEspecialização em Lutas (IEFD /UERJ) 
apresentam exemplos de planos de curso e planos de aula que 
podem ser aplicados em diferentes modalidades de lutas, destinados 
a alunos com características distintas. Os exemplos de planejamento 
propostos neste capítulo podem contribuir para a redução da 
lacuna de conhecimento acerca do tema na literatura e dar suporte 
para professores que buscam informações sobre como elaborar 
planejamentos para ministrar aulas de lutas em diferentes contextos.
Convidados a contribuir com esta obra, os professores Paulo 
C. Araújo, Pere Lavega, Pedro Gaspar, Artur R. Pereira e Ana Rosa 
18
S U M Á R I O Jaqueira, apresentam no Capítulo X os resultados de uma pesquisa 
empírica que teve por base o Projeto Internacional de Investigação 
denominado: “Jogos e Emoções”, criado por Lavega et al. (2008). O 
estudo quase experimental utilizou a Escala Jogos e Emoções (GES) 
como instrumento para alcançar os objetivos de identificar, descrever 
e interpretar as tendências da expressão emocional dos indivíduos que 
participaram do Workout gímnico de Capoeira proposto pelos autores. 
Os resultados revelaram que os homens expressaram valores mais 
elevados para todos os tipos de emoção. Sendo as emoções positivas 
as mais significativas, e as mais relevantes a alegria, a felicidade e 
o humor. Os dados expressos pelos indivíduos do estudo, destacam 
que as ações do domínio cooperativo podem influenciar a expressão 
das emoções dos homens, sendo relevantes para a educação das 
emoções, para a melhoria do bem-estar físico, social e psicológico 
dos participantes. Assim, os autores sugerem que o Workout gímnico 
de Capoeira pode ser uma atividade alternativa para ser aplicada no 
ambiente escolar por proporcionar um maior envolvimento dos alunos 
nas aulas de Educação Física.
Com foco mais holístico, o estudo presente no Capítulo XI 
aborda a conexão entre a prática de meditação e a prática das lutas. O 
professor Almir Menezes Silvares busca desenvolver reflexões acerca 
dos impactos positivos da meditação, para o desenvolvimento do 
praticante de lutas no que se refere à consolidação de um caráter mais 
humanista no praticante. A partir de revisão bibliográfica o autor indica 
como a meditação pode interagir na condição física do indivíduo, 
aumentando, inclusive, a resistência física e o desenvolvimento, ainda 
que primário, de áreas da atividade mental: otimização funcional do 
cérebro, a coerência física e mental da prática (no tocante aos índices 
de violência do e no praticante), aumento da recuperação fisiológica, 
mais rápida ativação cerebral com a mais ágil ativação de fluxo 
sanguíneo e diminuição da ansiedade.
19
S U M Á R I O Com o aumento no número de praticantes de lutas no Brasil 
ocorreu paralelamente um crescimento do número de traumas 
decorrentes de acidentes que poderiam ter sido prevenidos. Como 
alguns instrutores de lutas não tem formação na área de saúde e 
desconhecem a forma correta de prevenir e atuar em situações de 
emergência no ambiente de lutas faz-se necessário a expansão 
de materiais didáticos para acesso dessa população. Com este 
pressuposto o professor Marcelo Barros de Vasconcellos apresenta 
no Capítulo XII argumentos para sustentar a importância da prevenção 
nas aulas de lutas e apresenta as formas de agir em primeiros 
socorros, os principais procedimentos emergenciais e as medidas 
de prevenção dos acidentes (desidratação, convulsão, desmaio, 
trauma, hemorragias, entorse, luxação, estiramento, acidente 
diabético, hiperglicemia, hipoglicemia e parada cardiorrespiratória). 
Pelo fato de não ser comum os cursos de formação de professores 
e federações esportivas de lutas terem a preocupação de ofertar 
cursos de prevenção e primeiros socorros que possa contribuir para 
melhorar a formação dos instrutores de lutas, esta competência deve 
ser uma busca de atualização constante destes profissionais. Mais 
do que tentar suprir esta lacuna, as informações apresentadas neste 
capítulo devem estimular o instrutor a buscar ampliar e aprofundar a 
sua competência para garantir maior segurança aos praticantes.
Sem a pretensão de esgotar o tema, a obra que o leitor 
tem diante de si reflete o desafio que foi aceito pelos colegas 
coautores de fomentar, preliminarmente, a discussão acerca dos 
conhecimentos necessários para a intervenção nas artes marciais, 
esportes de combate e lutas. Ao encarar este desafio os colegas 
que assinam juntos este livro entraram no dojo, no koto, no 
octógono, no tapete, no ringue ou na roda, para um enfrentamento 
diferente daquele que vivenciaram ao longo de suas experiências 
como esportistas ou lutadores. Sem temer o desafio, os autores 
20
S U M Á R I O aceitaram o risco de contribuir para ampliar, aprofundar e refinar as 
reflexões sobre o ensino e o treinamento das lutas e proporcionar 
ao leitor uma melhor compreensão deste fenômeno crescente na 
sociedade ocidental.
Laboratório Interdisciplinar de Estudos em Lutas – LLUTAS
Curso de Especialização em Lutas
Instituto de Educação Física e Desportos
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Capítulo 1
ASPECTOS PSICOLÓGICOS DO 
ENSINO-APRENDIZADO DE LUTAS: 
PERSPECTIVAS E ORIENTAÇÕES
Dirceu Ribeiro Nogueira da Gama 1
Dirceu Ribeiro Nogueira da Gama
DOI: 10.31560/pimentacultural/2021.601.21-52
ASPECTOS 
PSICOLÓGICOS 
DO ENSINO-APRENDIZADO 
DE LUTAS: 
PERSPECTIVAS E ORIENTAÇÕES
22
S U M Á R I O INTRODUÇÃO
O presente trabalho objetiva efetuar uma exposição analítica de 
determinantes psicológicos cuja mobilização, a depender da maneira 
como venha a ocorrer no contexto específico do ensino-aprendizado de 
lutas, tanto pode retardar como otimizar a assimilação dos conteúdos, 
valores e disposições necessários à prática competente das mesmas. 
Cabe frisar que as proposições que serão desenvolvidas no texto a seguir 
constituem muito mais um exercício ensaístico calcado em conceitos 
chaves da Psicologia do Esporte e da Psicologia da Aprendizagem 
do que em recomendações provenientes de dados empíricos 
obtidos por meio de protocolos científicos. Sem desmerecer o papel 
fundamental da ciência na produção de verdades, encaminhamentos 
dessa natureza também são significativos por despertarem o interesse 
para o posterior aprofundamento das problemáticas que levantam. 
Por outro lado, tal opção metodológica suscita o estabelecimento de 
demarcações teóricas mínimas, a fim de que a exequibilidade das 
questões colocadas se distancie da ótica do senso comum.
Com base na ressalva anterior, uma primeira colocação importante 
remete ao vocábulo “lutas”. Por mais que este termo genérico seja 
empregado como designatório do enfrentamento físico de indivíduos 
com o uso ou não de armas, no plano histórico ele alude a manifestações 
corporais concretas dotadas de sentidos variados (HOUAISS, 2009). 
As denominações “artes marciais” (técnicas bélicas); “esportes de 
combate” (esportivização das lutas com finalidades competitivas, 
pedagógicas e de lazer) e “Budô” (práticas corporais inseridas em 
conjunturas mais amplas direcionadas ao aprimoramento espiritual) 
expressam, no campo das ideias, esse desdobramento: malgrado 
cada uma referir-se a contextos materiais de prática radicalmente 
diferentes no que concerne aos seus propósitos, normas e fins, ainda 
assim tais palavras são, muitas vezes, consideradas símiles (TUBINO; 
GARRIDO; TUBINO, 2007). Trata-se de interpretação errônea, pois a 
23
S U M Á R I O existência de aspectos semelhantes entre as práticas que significam 
não é suficiente para vê-las enquanto sinônimos.
De fato, em modalidades como karatê, kung-fu e tae-kwon-
do é possível detectar os enfoques das artes marciais, dos esportes 
de combate e do Budô. Em outras como o pugilismo e o wrestling 
percebe-se não mais do que um deles, a saber, o de esportes de 
combate. Tamanha heterogeneidade indica que, no universo das 
lutas, o grau de adaptabilidade temporal à mudanças circunstanciais 
é diferenciado. Todavia, não é menos verdade quecom o 
corpo e a saúde.
A vivência da prática é uma forma de gerar um tipo de conhecimento 
muito particular e insubstituível e, para que ela seja significativa, é 
preciso problematizar, desnaturalizar e evidenciar a multiplicidade de 
sentidos e significados que os grupos sociais conferem às diferentes 
manifestações da cultura corporal de movimento. Logo, as práticas 
corporais são textos culturais passíveis de leitura e produção.
Na BNCC, cada uma das práticas corporais tematizadas 
compõe uma das seis unidades temáticas abordadas ao longo do 
Ensino Fundamental, quais sejam, Brincadeiras e Jogos, Esportes, 
Ginásticas, Lutas, Danças e Práticas Corporais de Aventura.
Tenha-se presente que a BNCC conceitua lutas como disputas 
corporais, nas quais os participantes empregam técnicas, táticas e 
estratégias específicas para imobilizar, desequilibrar, atingir ou excluir 
o oponente de um determinado espaço, combinando ações de ataque 
e defesa dirigidas ao corpo do adversário. Dessa forma, além das lutas 
presentes no contexto comunitário e regional, podem ser tratadas lutas 
239
S U M Á R I O brasileiras (capoeira, huka-huka, luta marajoara etc.), bem como lutas 
de diversos países do mundo (judô, aikido, jiu-jítsu, muay thai, boxe, 
chinese boxing, esgrima, kendo etc.).
Notadamente, a unidade temática Esportes contempla, dentre 
outros, como objeto de conhecimento os esportes de combate, 
que são sempre individuais e têm como objetivo central vencer o 
oponente através de toques, desequilíbrios, imobilizações, exclusão 
de determinado espaço, contusões, combinando ações de ataque e 
defesa, dentre eles, destacamos o boxe, a esgrima, o jiu-jítsu, o judô, 
o karatê, o sumô, o taekwondo etc. (BRASIL, 2020).
Nesse contexto, há que se ressaltar a importância das lutas como 
instrumento pedagógico na formação da criança. Sua pertinência e 
relevância social estão no fato de que hoje as lutas se apresentam como 
um conteúdo a ser desenvolvido na prática curricular da Educação 
Física (RUFFONI, 2004).
Notadamente, Parlebas (1990) enfatiza que as lutas em geral 
são atividades esportivas com uma oposição presente, imediata, e que 
é o objeto da ação. Existe uma situação de enfrentamento codificado 
com o corpo do oponente. 
Dessa forma, podemos contextualizar as lutas, como uma 
manifestação cultural, como jogos ou esportes que tenham um contato 
direto e de oposição em que o objetivo maior seja o enfrentamento de 
acordo com as regras pré-estabelecidas (RUFFONI; ANJOS, 2015).
Vale destacar que a BNCC realça a articulação com as 
competências gerais da Educação Básica e as competências específicas 
da área de Linguagens, no qual está inserido o componente curricular 
Educação Física, que deve garantir aos alunos o desenvolvimento de 
competências específicas. Porém, alguns questionamentos devem 
estar presentes na realidade acadêmica: (i) qual o entendimento 
240
S U M Á R I O para competência específica? (ii) voltar-se ao contexto do tecnicismo 
na práxis pedagógica da Educação Física escolar? Por certo, a 
interpretação deverá provir do professor no sentido de contextualizar 
como a luta realmente deve ser desenvolvida e aplicada nas escolas. 
Nesse sentido, o objetivo maior é provocar uma reflexão dialética nas 
abordagens metodológicas das lutas.
MÉTODOS DE ENSINO
São as formas como os professores desenvolvem os diversos 
conteúdos com a finalidade de atingir os objetivos propostos. 
Compreendem as estratégias e os procedimentos adotados no ensino 
por professores e alunos. Caracterizam-se por ações conscientes, 
planejadas e controladas, com o fito de atingir, além dos objetivos 
gerais e específicos propostos, algum nível de generalização. É a 
categoria mais dinâmica do processo de ensino-aprendizagem, já que 
é determinado por objetivos que mudam em função do dinamismo da 
realidade sociocultural em que o processo está inserido. Todavia, os 
métodos de ensino dependem das características gerais da clientela 
a que se dirige, dentre outros, número de alunos, idade, nível de 
desenvolvimento prévio e estrato sociocultural a que pertencem. 
Nessa vertente, algumas inquietações surgem no caminho 
metodológico das lutas. Os professores de Educação Física, no 
contexto educacional, conhecem e aplicam as lutas de forma correta? 
Utilizam a prática das lutas em suas aulas de Educação Física? De 
que forma? Utilizam metodologias numa perspectiva aberta de ensino? 
De toda sorte, uma aula de lutas na Educação Física Escolar 
não pode ser confundida com uma repetição de movimentos, tal qual 
se observam em atividades não formais, como clube, academias, 
241
S U M Á R I O projetos sociais. Torna-se cada vez mais necessário a compreensão 
dos docentes, que atuam com as lutas, o entendimento dessas 
ações metodológicas. Entende-se que os professores, ao inserir a 
prática das lutas nas aulas de Educação Física, devem desenvolvê-
las como uma ferramenta pedagógica no processo de formação 
integral das crianças.
Ao diversificar as estratégias de abordagem dos conteúdos, 
aluno e professor podem participar de uma integração cooperativa 
de construção e descoberta, onde o aluno contribui com seu estilo 
pessoal de executar, refletir, aprender e trazer, em alguns momentos, 
a síntese da atualidade para o momento da aprendizagem, sua 
experiência histórica (recursos de troca de informações, conhecimentos 
prévios, informações da mídia, redes sociais, streaming, etc.) e, o 
professor, promover uma visão contextualizada do processo como 
uma possibilidade real (experiência socioculturalmente construída, 
referências para a leitura).
Arnold (1990) distingue entre um sentido fraco e outro forte do 
saber; o primeiro deles se refere a uma pessoa fisicamente capaz 
de fazer algo e demonstrá-lo, mas que não sabe dizer nada sobre 
o que fez a título de descrição ou compreensão, ou seja, não sabe 
dar explicação alguma dos procedimentos que utilizou. No segundo 
(sentido forte do saber), refere-se a uma pessoa que é capaz de fazer o 
que diz, que pode fazer e explicar como o faz, ou seja, a pessoa não só 
é intencionalmente capaz de executar com êxito algumas ações, como 
também pode identificá-las e descrever como se realizaram. 
Isto posto, as aprendizagens técnicas em Educação Física 
adquirem seu pleno significado por meio de estilos de ensino que 
levam em consideração o contexto e a compreensão dos movimentos, 
e não a aprendizagem mecânica de gestos sem sentido. 
242
S U M Á R I O Dessa forma, não se deve esquecer que a aprendizagem 
significativa implica na memorização compreensiva dos conteúdos 
assimilados, já que esses não são simplesmente acumulados sem 
que se integrem em redes de significados complexos e diversificados. 
Em síntese, a realização de aprendizagens significativas assegura a 
funcionalidade e a mudança de comportamento pela própria natureza 
dos processos construtivos que a implica. 
Mesmo que a Educação Física, hegemonicamente, seja 
afirmada pela dimensão física e política, deve também ser um veículo 
de divulgação de novas propostas no interior da escola, ainda que por 
via documental. Nesse sentido, é importante que os profissionais de 
Educação Física escolar estejam atentos à proposta dos PCNs (1988), 
que tem e teve por objetivo nortear os campos da Educação em nível 
nacional, e recentemente, a BNCC (2020).
Com relação às perspectivas metodológicas, na prática da 
atividade física, Mesquita (1994) pesquisou a identificação da incidência 
do autoritarismo na prática do judô com a intenção de saber o que 
acontece na aula de forma conveniente ou simplesmente retórica, 
utilizando como metodologia a divisão de níveis de autoritarismo. Dos 
resultados, foram encontrados vários níveis de autoritarismo, assim 
como a discrepância nas respostas entre alunos, professores, alunos 
e professores e entre o discurso e a prática. Tendo sido encontrada a 
incidência autoritária em todos os momentos da prática de judô, faz-
se necessária uma reformulação na teoria pedagógicafundamentos 
filosóficos peculiares garantem identidade de métodos, estilos e 
técnicas motoras a cada uma delas. Essa dupla condição atesta 
que tendências à abertura e preservação de tradições caracterizam 
estruturalmente o cenário vigente (NAGAMINI, 2005).
Outro fator importante diz respeito ao conjunto das técnicas 
ensinadas desde a iniciação até a expertise. Elas condicionam o 
aprimoramento motor dos lutadores de maneira singular, porque 
acionam ritmos, velocidades e combinações particulares de 
segmentos do corpo. Nesse sentido, as artes marciais, os esportes 
de combate e o exercício do Budô propiciam o desenvolvimento de 
linguagens corporais com sentidos peculiares. Logo, a aplicação 
de um chute ou técnica de projeção pelo carateca e pelo judoca 
num torneio pré-olímpico não possui a mesma conotação daquela 
observada em um kata exercido na academia ou numa demonstração 
ao público leigo. Contudo, é possível discernir um eixo comum a todas 
essas habilidades, porquanto, sob a luz das teorias da aprendizagem 
motora, elas consistem em atos de movimento gerados por grandes 
grupamentos musculares, articulados em função de pontos bem 
definidos de início e execução e com estímulos ambientais em 
constante mutação. Além disso, o executante pode utilizar as 
informações sensoriais produzidas para ajusta-los. Tais técnicas 
admitem assim a classificação de habilidades motoras globais, 
seriais, abertas e de circuito fechado (MAGILL, 1998).
24
S U M Á R I O No esteio dessa observação, lembre-se que a aquisição, 
estabilização e efetividade de quaisquer habilidades motoras presume 
dimensões subjetivas (aspectos físicos e psíquicos da pessoa), 
situacionais (condições de aprendizagem e treinamento) e de tarefa 
(grau de dificuldade de complexidade da tarefa). Mecanismos didáticos 
adaptados ao perfil do sujeito e constantemente revistos lhe permitem 
efetuar com eficácia crescente os conteúdos pedagógicos propostos. 
Mas o oposto também pode acontecer caso estes cuidados sejam 
desprezados. Ações educativas deflagram processos psicossomáticos 
e intrapsíquicos, cujos efeitos reverberam nas percepções, emoções e 
motivações. Estes se mostrarão positivos ou negativos a depender de 
como aquela está configurada. 
Em suma, por mais que a pluralidade de lutas existentes e os 
seus respectivos procedimentos de instrução técnica primem pela 
singularidade, o ensino-aprendizado de habilidades motoras de combate 
para finalidades esportivas, defesa pessoal ou autoconhecimento 
demanda a organização de settings apropriados a tais fins. Os 
estímulos fornecidos por esses ambientes influenciam a vida mental do 
praticante e demandam respostas, pelo fato de repercutirem nas suas 
homeostases cognitiva, física e afetiva. Destacaremos a seguir estes 
desdobramentos no que tange à personalidade; percepção; atenção 
e concentração; motivação e estresse.
A PERSONALIDADE: TRAÇOS, 
COMPORTAMENTOS E ATITUDES
A personalidade de alguém condiz com o conjunto de todas as 
características que a fazem única. Ela possui um núcleo flexível, capaz 
de sofrer mudanças à medida que as experiências obtidas durante 
a vida se diversificam. Quanto a isso, fatores como escolaridade, 
25
S U M Á R I O religião, laços familiares, vivências artísticas e esportivas etc. 
influenciam sobremaneira. Mas também existe um núcleo invariável, 
onde predominam um padrão de traços relativamente estáveis e 
permanentes (FEIST G.; FEIST J., 2008; SAMULSKI, 2002). Os traços 
contribuem para que os comportamentos se mantenham relativamente 
regulares em meio à acontecimentos, de modo que um indivíduo pode 
assemelhar-se a outro em muitos pontos, mas isso não significa que 
ele não apresente uma personalidade com traços próprios (FEIST G.; 
FEIST J., 2008; PARKS-LEDUC; FELDMAN; BARDI, 2015). Portanto, a 
personalidade possui coordenadas socioculturais e pessoais.
De acordo com a Psicologia do Esporte, três diferentes hipóteses 
procuram explicar a relação entre a prática sistemática de lutas e a 
personalidade, a saber: 
a. hipótese da seleção: os esportes de combate e as artes 
marciais funcionariam como processos seletivos para certas 
personalidades. Estes ambientes, dado o perfil das exigências 
atitudinais que lhes são peculiares, proporcionariam uma 
melhor adaptação da persona a si mesma. Desse modo, 
determinados sujeitos se interessariam, por exemplo, pelo 
pugilismo ou muai thai devido ao fato de anteverem neles 
elementos que, nas suas auto compreensões, lhes habilitaria 
à se apropriarem de tendências agressivas inatas, passando 
assim a lidarem melhor com elas. Quanto mais satisfatória for 
essa autodescoberta, melhores serão os níveis performáticos 
conquistados em função de aprimoramentos na capacidade 
de uso controlado da agressividade;
b. hipótese da socialização: consoante esta hipótese, as lutas 
permitem ao indivíduo ingressar em uma comunidade com 
interesses em comum compartilhados entre os seus membros, 
e que seria portadora de códigos de conduta peculiares. 
A participação neste grupo lhe forneceria uma identidade, 
26
S U M Á R I O capitaneando o desenvolvimento de sua personalidade. Como 
consequência haveria o desencadeamento de melhorias 
interpessoais, motivacionais, axiológicas e comunicativas. 
Assim, como ilustração, a decisão de pais ou responsáveis em 
matricularem os filhos em academias de judô, jiu-jitsu ou karatê 
seria um reflexo dessa representação;
c. hipótese da interação: tanto a socialização como a seleção 
influenciam-se mutuamente. Conforme esta hipótese, um 
boxeador com excessiva disposição agressiva teria elevadas 
chances de se tornar competitivo caso aprendesse a utilizar 
de maneira equilibrada essa emoção no decorrer de treinos 
e disputas. Esta evolução comportamental dever-se-ia às 
oportunidades vivenciadas na convivência com outros atores 
do meio do boxe. 
A maioria dos estudos sobre personalidade realizados não 
apenas no universo das lutas, mas nos esportes como um todo, 
referenciam-se em duas grandes orientações teóricas: a teoria dos 
traços de personalidade, de H. J. Eysenck (EYSENCK; NIAS; COX, 
1982), e a teoria dos fatores de personalidade, de Costa e McRae 
(FEIST G.; FEIST J., 2008). A primeira delas, a teoria dos traços, advoga 
que as personalidades das pessoas possuem três grandes traços de 
personalidade dominantes, expressos em eixos bipolares: extroversão/
introversão (E); neuroticismo/estabilidade (N); psicoticismo/superego 
(P). No traço E, tem-se indivíduos que, num extremo, são altamente 
comunicativas e sociáveis (extrovertidos), enquanto que, no outro, há 
as muito reservadas (introvertidos). Em relação ao traço N, de um lado 
encontram-se os sujeitos muito emotivos, instáveis e baixo limiar de 
tolerância ao estresse (neuroticistas); do outro, os emocionalmente 
equilibrados (estáveis). Por fim, o traço P situa os manipuladores, 
calculistas, egoístas e narcisistas (psicoticistas) em contraposição 
aos racionais, amigáveis e receptivos (superego). Quanto à teoria dos 
27
S U M Á R I O fatores, ela propõe uma visão ampliada: além dos traços N e E da teoria 
de Eysenck, ela inclui mais três: abertura a experiências, amabilidade e 
consciência da relevância de tarefas ((FEIST G.; FEIST J., 2008).
Tanto H. J. Eysenck como Costa e McRae elaboraram e validaram 
questionários padrão para levantarem empiricamente as dimensões 
de personalidade e as suas proporções relativas em sujeitos, inclusive 
com adaptações para adolescentes. Tais questionários são usados 
com frequência nas pesquisas acadêmicas sobre lutas. Dada a sua 
fácil aplicabilidade e tabulação de resultados, eles podem igualmente 
ser de grande serventia para se estimar o perfil de personalidade de 
praticantes de luta. 
Com base neste cenário, até que ponto pode-se esperar que 
lutadores apresentem traços de personalidade específicos? Trata-
se de interrogação inquietante, porquanto não é possível encontrar 
respostas exatas para ela. Mesmo com a dominância epistemológica 
dassupracitadas teorias, trabalhos recentes de investigação vêm 
optando por enfoques multidisciplinares na tentativa de delinear 
soluções. Estas últimas, por sua vez, não sustentam a existência de 
consensos seguros. 
Um estudo pioneiro sobre a questão foi conduzido por 
Duthie, Hope e Barker (1978) nos Estados Unidos da América com 
52 praticantes de diversas artes marciais. Mesmo não visando a 
identificação de componentes estáveis das suas personalidades, 
os autores observaram que os mais graduados destacavam-se 
pela autonomia, heterossexualidade, autoconfiança, resiliência, 
lealdade e senso de conquista quando comparados aos menos 
graduados. Recentemente, Litwiniuk et al. (2019) registraram, por 
meio das teorias de Eysenck e Zuckerman-Kuhlman combinadas, 
que adeptos do karatê kyokushin na Polônia eram, em termos de 
significância estatística, mais propensos a reações agressivas do que 
os compatriotas dedicados ao aikidô, tae-kwon-do e karatê shotokan. 
28
S U M Á R I O Estes casos denotam o quanto a problemática permanece aberta e 
demandante de maiores pesquisas.
Por outro lado, a investigação encaminhada por Gama et al. 
(2018) acusou uma correlação negativa moderada entre a resiliência de 
lutadores brasileiros de jiu-jitsu e kickboxing e o traço de personalidade 
denominado psicoticismo (P). A mesma correlacionou-se positiva e 
moderadamente com o nível de escolaridade. Litwic-Kaminska (2013) 
identificou altos níveis de robustez mental em lutadores de judô e 
tae-kwon-do acometidos por contusões que, temporariamente, os 
impediram de treinar e competir quando comparados a colegas que 
apenas tiveram lesões leves ou nunca se lesionaram. Em pesquisa 
experimental, Leźnicka et al. (2017) concluíram que esportistas de 
pugilismo, artes marciais mistas e karatê lidavam melhor com a dor 
corporal em relação ao grupo de universitários não lutadores porque 
a viam como uma oportunidade de fortalecerem a capacidade de 
concentração e testarem seus limites fisiológicos.
No que concerne às habilidades sociais de convivência e 
comunicação, evidências indicam que elas são mais frequentes 
em atletas onde o traço de extroversão (E) é marcante. (EYSENCK; 
NIAS; COX, 1982). Além disso, os mesmos em geral são bem 
queridos pelos colegas, treinadores e gestores. Trabalhos efetuados 
com praticantes de luta livre olímpica e judocas identificaram a 
extroversão como o traço de personalidade mais proeminente 
destes sujeitos (SZABO; URBÁN, 2014).
Em suma, a diversidade de informações relativas a traços de 
personalidade de lutadores e os comportamentos e atitudes que 
exibem não autoriza que nenhum juízo seguro sobre tais elementos 
possa ser emitido em definitivo. Muito embora endossando essa 
ressalva, Samulski (2002) sublinha que deve-se dos mais experientes e 
graduados com reconhecido sucesso em suas modalidades que eles 
sejam: 1) estabelecedores de metas de prática exigentes e realistas; 
29
S U M Á R I O 2) organizados, disciplinados, confiantes, adaptáveis, resilientes e auto 
controlados; 3) propensos à ampliarem os horizontes de sua formação.
PERCEPÇÃO
Consoante o pressuposto adotado de que é viável categorizar 
as técnicas de luta como habilidades motoras globais, seriais, 
abertas e de circuito fechado, a exercitação necessária ao domínio de 
atos de movimento com esse perfil demanda intensa mobilização da 
percepção. Esse termo diz respeito à organização das informações 
captadas pelos sentidos, que recebem um formato subjetivo através 
de atribuições de sentidos. Percebemos o que acontece no espaço 
e no tempo ao nosso redor. Influi nesta atividade o estado de 
sentimentos da pessoa. Sublinhe-se que as pessoas não assimilam 
perceptivamente a realidade por meio de captações de partes dos 
fenômenos para em seguida ordená-las serialmente em novas 
composições. Ao invés disso, elas apreendem o mundo como 
totalidades globais e dinâmicas (FADIMAN, 1986).
O emprego de tal apreensão, complexa de per si, com vistas a 
tomadas de decisão que facilitem o atingimento de alguma finalidade 
motora denota aquilo que inúmeros terapeutas, psicanalistas e 
psicólogos denominam de consciência corporal. O que se designa 
com este termo nada mais é do que uma modelação eficiente da 
atividade perceptiva (HADDOCK LOBO, 1988). 
Quando a quantidade de informações oriundas do meio externo 
por unidade de tempo supera a capacidade do organismo em assimilá-
las, este deixará de processá-las com eficiência. Em processos de 
ensino-aprendizado, as mesmas devem ser oferecidas levando-se em 
conta o efetivo estágio motor em que o discente se acha e aquele 
que ele pode (e precisa) alcançar para executar as técnicas propostas 
30
S U M Á R I O com maestria. A gestão do ambiente de prática implica, da parte do 
professor, em induzir o aluno a reconhecer os “sinais” relevantes do 
corpo em movimentação, hierarquizá-los em ordem de relevância 
e decidir em função deles. Desde sua gênese, o Gracie jiu-jitsu 
notabilizou-se pela ênfase na demonstração das possíveis intenções 
que, num combate de treino, a título de ilustração, o adversário teria ao 
variar as posições de pernas e pés numa posição de guarda ou então 
em razão da posição de mãos e braços na pegada que ele efetua em 
partes do kimono (CAIRUS, 2001).
Em geral, estima-se que a quantidade e variabilidade progressivas 
de práticas enriqueçam as funções perceptivas porque submetem 
as estruturas mnemônicas a diferentes situações de assimilação, 
armazenamento e aplicabilidade dos dados sensoriais. Isso significa 
que propor combinações de novos estímulos motores nas atividades 
de treino representa algo importante no que concerne à pedagogia 
das lutas, porquanto tal medida reverbera na natureza das respostas 
corporais que precisam ser criadas. Também vale citar a importância de 
se modificar, dentro do possível, os aspectos ambientais, uma vez que 
mudanças de cenários redundam em desestabilizações e reequilíbrios 
da consciência corporal. O método de Masutatsu Oyama, o fundador 
do karatê kyokushin, incluía sessões de taiso em praias com água até 
o joelho enquanto mecanismo de domínio dos equilíbrios estático e 
dinâmico, bem como randori e kumite na areia com a intenção de induzir 
a realização de deslocamentos potentes e, ao mesmo tempo, suaves 
(WOODMAN, 2010). Em se tratando do tiro com arco, o sacerdote e 
professor Kenzo Awa sustentava que aulas em vales montanhosos 
promoviam a compreensão desta atividade e dos sentidos corporais 
porque tornava-os um único e indiferenciado ente (HERRIGEL, 1983).
Com as devidas ressalvas históricas, a conjugação de estímulos 
motores e cognitivos variados também esteve presente nas origens 
do judô kodokan. Durante a sua sistematização, Jigoro Kano (2008) 
definiu quatro grandes parâmetros diretores do ensino do princípio 
31
S U M Á R I O do seiryoku zenyo: randori (prática livre); kata (formas); kogi (lições 
teóricas); mondo (diálogos). A relevância em se treinar as formas do 
kata residia no fato delas refletirem o horizonte conceitual pleno do 
judô – a harmonia corpo e mente. A busca dessa harmonia e o seu 
progressivo encontro traduzem-se em ampliações da consciência 
corporal, entendida como capacidade ampliada de perceber e deliberar 
em frações temporais ínfimas.
Todas las katas del Kodokan reflejan un objetivo ideal del judo 
–“buen uso de la mente y el cuerpo”– a través de la transmisión 
de conceptos como la correcta acción/reacción, sacar partido 
de un momento de oportunidad (debana), ruptura del equilibrio 
(kuzushi) y la “mente presente” (zanshin). De manera adicional, 
cada una de las katas del Kodokan realiza una contribución 
específica a la enseñanza de diferentes principios y aspectos 
de control inherentes al judo - “por ejemplo, control de la 
respiración, control de la postura y del equilibrio, control de la 
velocidad, control del movimiento del cuerpo (tai-sabaki), de 
la sincronización y, de manera primordial, control emocional 
–. Incluso la Koshiki-no-kata yla Itsutsu-no-kata, que parecen 
en primera instancia ser muy antiguas comparadas con el judo 
actual, tienen su valor. La comprensión que puede derivarse de 
su correcta práctica contribuye de modo importante al desarrollo 
del “sentir interior” (kimochi), del “sentido de la ruptura del 
equilibrio” y del “sentido de posición y del posicionamiento” 
(tsukuri) (JONES; HANON, 2011, p. 14).
Em outras lutas onde prevalece o sentido das artes marciais, 
semelhante orientação é detectada. São o caso do kung-fu wushu, tae-
kwon-do, kendô, karatê e pencak silat (luta marcial javanesa), dentre 
outras. A efetuação de movimentos de combate contra adversários 
imaginários faz parte das suas tradições pedagógicas e são justificados 
como procedimentos didáticos destinados a melhoria dos canais da 
percepção (FARRER; WHALEN-BRIDGE, 2011).
No panorama dos esportes de combate, posições ambíguas 
vigoram. De um lado, há aqueles que, calcados nos princípios da 
especificidade e da adaptação, oriundos do Treinamento Desportivo, 
32
S U M Á R I O defendem que a exercitação perceptiva precisa estar circunscrita aos 
perfis singulares dos contextos em que o atleta atuará. Assim, no 
esteio desse pressuposto, melhorias perceptivas em um lutador de 
wrestling ou mixed martial arts (MMA) serão mais fáceis de obtenção, 
salvaguardados os limites biológicos pessoais, se as suas rotinas de 
treino forem programadas para simularem as circunstâncias reais de 
competição. O argumento empenhado é o de que medidas genéricas 
podem ser arriscadas fisicamente e pouco efetivas quanto ao 
incremento da competitividade. Contudo, ainda assim essa tendência 
hegemônica sofre questionamentos. Em obra recente organizada por 
O’Shea (2019), diversos autores pesquisadores do campo das artes 
marciais e esportes de combate evidenciaram a crença de que lutas e 
dança gozam de aspectos em comum, advogando ser cabível elevar 
os níveis de performance na primeira por intermédio de imersões na 
segunda. No pugilismo, tem-se os casos do ex-campeões mundiais 
de boxe Evander Holyfield e Joe Louis, os quais admitem que o ballet 
aperfeiçoou as suas habilidades de deslocamento nos ringues. No 
MMA, o ex detentor dos cinturões dos meio-médios e considerado 
o melhor de todos os tempos, Anderson Silva, assumiu, em diversas 
entrevistas, a influência da dança de rua na construção de sua 
mobilidade corporal de lutador desde a juventude.
Tal discrepância de visões ratifica o quanto o treinamento 
da percepção representa uma área do conhecimento ainda nova. 
Entretanto, aprender a ficar atento a sinais relevantes tanto do 
corpo próprio como do adversário parece ser tarefa crucial para 
positivamente instruí-la.
ATENÇÃO E CONCENTRAÇÃO
Dois conceitos diretamente vinculados à percepção são os de 
atenção e concentração. A atenção corresponde a um estado seletivo, 
33
S U M Á R I O intenso e dirigido da percepção. Quando o sujeito consegue manter-se 
atento a estímulos externos por um longo período de tempo, diz-se que 
ele apresenta grande poderio de concentração (MAGILL, 1998).
A atenção pode ser subdividida em atenção concentrada e 
atenção distributiva. Enquanto a primeira presume a preservação do 
foco em um determinado objeto ou situação, a segunda implica na 
distribuição da concentração sobre diversos deles. Cientificamente, 
é sabido que a atenção distributiva do organismo humano conhece 
limitações. Devido a isso, ela não pode ser mantida indefinidamente 
com a mesma intensidade e clareza sobre muitas ações simultâneas. 
Dessa forma, a alternância de atenções consiste em uma competência 
imprescindível aos praticantes de lutas.
Cabe à atenção providenciar a identificação e seleção de 
informações externas, com vistas à absorvê-las ou rejeitá-las 
posteriormente. Tal exigência requer o emprego de gradientes de 
energia psíquica. De acordo com Samulski (2002), são variáveis 
interferentes na atenção: 
a. características visuais do fenômeno e a capacidade de 
deslocamento do olhar: técnicas executadas com grande 
velocidade dificultam o acompanhamento visual de terceiros e 
facilitam a aparição de erros da parte do executante ainda na 
iniciação. Tal fato justifica que o ensino das habilidades de luta para 
estes indivíduos prime por movimentos lentos e concatenados. 
Só depois é que a aceleração e a potência muscular devem 
ser autorizadas. A utilização das gravações em tempo real no 
pugilismo e no MMA profissionais pelos juízes como meio de 
certificação dos golpes ministrados pelos atletas, ou então a 
colocação de coletes com sensores eletrônicos de toque, como 
no tae-kwon-do e boxe olímpicos são medidas calcadas nesta 
constatação e visam evitar a emissão de juízos errôneos;
34
S U M Á R I O b. nível de ativação mental (mobilização de energia psíquica) a 
curto e longo prazo: Trata-se de ação complexa, para qual é 
necessário intenso treinamento. Quanto melhor o praticante 
conseguir administrar de maneira equilibrada a energia 
mental, entendida como o combustível do trabalho cognitivo 
e emocional, usando os montantes estritamente necessários 
à tarefa que deve fazer, menos ele se distrairá. Quem melhor 
consegue alternar os estados de concentração tende a ser mais 
bem sucedido;
c. traços de personalidade: em geral, pessoas com acentuado 
traço neuroticista têm baixo limiar de tolerância ao estresse, o 
que lhes faz propensas a déficits de atenção e concentração 
quando sob tensão emocional. Pelo motivo oposto, a estabilidade 
comportamental em situação de intensas emoções retarda o 
comprometimento da atenção e concentração. Ademais, pessoas 
extrovertidas são mais eficientes em tarefas de curto prazo e com 
presença de interferentes ambientais, enquanto os introvertidos 
se dão melhor em tarefas prolongadas e pouco entrópicas;
d. Diferenças sexuais: trata-se de tema polêmico e insuficiente 
investigado. No entanto, supõe-se que a relação entre 
exigência social, sugestão emotiva e respostas a sentimentos e 
pensamentos difiram por sexo;
e. Hora do dia: os níveis de ativação mental relacionam-se com 
os ciclos circadianos. Logo, torna-se mais fácil a retenção 
da atenção em aulas e treinos feitos durante o dia em 
comparação com a noite; 
f. Estado de aprendizagem da tarefa: a execução de atos motores 
complexos requer do iniciante uma grande demanda de atenção. 
Sendo o olhar o sentido dominante, é usual ele privilegia-lo 
em relação a outros canais perceptivos, como, por exemplo, 
35
S U M Á R I O o tato. É relevante que o instrutor de esportes de combate ou 
artes marciais subdivida a técnica que quer ensinar em fases 
e comunique exatamente onde deve-se olhar, a fim de evitar 
dispersões ou distrações.
Modelos bidimensionais têm sido construídos para fornecerem 
uma leitura geral dos processos de atenção e concentração nas 
atividades esportivas, sendo perfeitamente aplicáveis ao universo 
das lutas. O modelo de Völp (1987) é bastante elucidativo pela sua 
praticidade e qualidade didática. Ele fundamenta-se em dois critérios 
balizadores da atenção: a amplitude e o direcionamento. 
A amplitude remete a quantidade de informações sensoriais que 
absorvemos e usamos com consciência. Uma atenção muito ampla 
pressupõe simultaneidade de registro de uma vasta gama de dados 
perceptivos, ao passo que uma estreita limita-se a algumas poucas 
pistas. O direcionamento divide-se em dois pólos: interno e externo. 
Na atenção externa, a pessoa dirige a concentração para elementos 
exteriores a si; na interna, ela foca sentimentos, pensamentos e 
emoções. Uma conduta ótima e eficaz do lutador só é possível quando 
ele consegue transitar entre estes tipos de atenção com flexibilidade. 
Esta abordagem permite discernir quatro formas de atenção: 
ampla-externa; ampla-interna; estreita-externa; estreita-interna. Na 
orientação ampla-externa, o lutador precisa deliberar com base 
em situações complexas, marcadas por rápidas modificações na 
frequência e perfil dos estímulos ambientais. Sobre a ampla-interna, 
urge que eleplaneje comportamentos futuros a partir de ações já 
ocorridas com o intuito de adaptar-se à novas situações. Na estreita-
externa, é necessário concentrar-se em um sinal específico. Por fim, 
no caso estreito-interno, a ênfase recai na consciência de si, das 
reflexões e do estresse. Segue abaixo, na figura 1, uma representação 
esquemática do modelo de Völp (1987), com exemplos: 
36
S U M Á R I O Figura 1: esquema simplificado do modelo de völp
 
 
Fonte: Adaptado de Samulski (2002)
O uso destes distintos tipos de atenção nas situações em que eles 
são necessários é influenciado pelo grau de tensão emocional (level of 
arousal) em que o aluno/atleta se encontra. Em outras palavras, níveis 
de ansiedade muito elevados ou muito baixos prejudicam a mudança 
de um estado para outro. Assim como as performances motoras 
esportivas, estados ótimos de atenção e concentração obedecem à lei 
de Yerkes-Dodson, ou, teoria do “U” invertido (MAGILL, 1998). A Figura 
2 ilustra esta lei:
Figura 2: Lei de Yerkes-Dodson
Fonte: Adaptado de Maggil (1998)
O gráfico mostra que ativações débeis ou excessivas atrapalham 
a concentração, e, por conseguinte, o trânsito de uma forma de atenção 
37
S U M Á R I O para a outra. Enquanto que na ativação insuficiente nota-se dispersão, 
ou seja, fixação em estímulos não relevantes, na muito alta vê-se foco 
demasiado frações ínfimas de estímulos de fato relevantes. Ambas as 
ocorrências são prejudiciais para o desempenho.
Sendo valências mentais treináveis, a atenção e a concentração 
são passíveis de aperfeiçoamento. Baumann (2011) e Weinberg e 
Gould (1999), elencam um conjunto de diretrizes direcionadas a estes 
fins. Na ótica de Baumann (2011), as seguintes diretrizes podem ser de 
valia pela sua simplicidade e facilidade de endereçamento:
a. mapear, através de diálogos diretos do professor com o 
seu aluno, as causas perturbadoras: influências familiares e 
profissionais, patologias comportamentais, estresse, medo, 
necessidade de autoafirmação;
b. criar estímulos, incentivos e recompensas, estabelecer metas 
de aprendizagem;
c. durante as aulas, propor atividades onde há variações dos 
gradientes de atenção e concentração, utilizando o modelo de 
Völp (1987) para tal; 
d. interpolar a recuperação antes do pleno desencadeamento da 
fadiga provenientes das cargas de treino (começar a recuperar 
antes de quedas bruscas no poderio de concentração);
e. forçar a manutenção da consciência nos estímulos inerentes ao 
propósito das sessões de aula ou treino;
f. o professor/treinador precisa reunir dados sobre as vivências de 
sucesso/fracasso de seus alunos/atletas e suas consequências 
reais, formulando mecanismos para evitá-las ou repeti-las.
38
S U M Á R I O Weinberg e Gould (1999) sugerem:
a. simular, dentro do possível, as condições de competição na esfera 
do treinamento (ruídos, pressão de tempo, estímulos perturbadores);
b. criar palavras-códigos que designem o estado de atenção do 
atleta e que devem ser comunicadas pelo treinador a fim de que 
aquele saiba como se encontra emocionalmente;
c. elaborar rotinas comportamentais, porque auxiliam na diminuição 
da ansiedade e distração;
d. desenvolver planos de competição específicos para cada atleta;
e. praticar controle visual de informações e, pouco a pouco, migrar 
para meios táteis e proprioceptivos;
f. insistência do foco atencional no presente e não no passado 
ou futuro.
MOTIVAÇÃO
A motivação constitui um objeto de estudo clássico na esfera da 
Ciência Psicológica. Ela pode ser caracterizada como uma disposição 
intencional, ativa e voltada ao alcance de metas, envolvendo 
conjugações de fatores pessoais e externos, ou situacionais. Isto 
pressupõe a vigência de determinantes energéticos mentais (nível de 
ativação inicial) e de direção do comportamento (interesses e objetivos). 
Muitos construtos teóricos têm sido elaborados a fim de orientarem as 
pesquisas empíricas na esfera das atividades esportivas, incluindo as 
artes marciais e lutas. Faremos uma breve exposição de seis deles, dado 
o destaque que receberam na Psicologia do Esporte (SAMULSKI, 2002).
39
S U M Á R I O O esquema a seguir, na Figura 3, condensa as principais 
proposições da teoria da necessidade para o rendimento (need 
achievement theory):
Figura 3: esquema simplificado da need achievement 
theory (teoria da necessidade para o rendimento)
Fatores 
pessoais
Fatores 
externos ou 
situacionais
Tendências 
resultantes
Reações 
emocionais
Comportamento 
gerado
Motivo 
para 
buscar o 
sucesso
(+)
Avaliação da 
possibilidade 
de sucesso
(=)
Procura 
efetiva do 
sucesso
Orgulho na 
detecção 
do sucesso
Busca da 
performance 
e do desafio
(X) (X) (X) (X) (X)
Motivo de 
evitar o 
fracasso
(+)
Avaliação 
do incentivo 
ao sucesso
(=) Evitar o 
fracasso
Vergonha 
diante do 
fracasso
Evitar 
performance, 
desafio e risco
Fonte: Adaptado de Samulski (2002)
Pessoas com motivos para serem bem sucedidas e que 
visualizam situações de sucesso mobilizam-se para buscá-lo. 
Conseguindo-o, orgulham-se emocionalmente dos seus feitos. 
Suas características comportamentais são a procura de desafios, 
competitividade e performance. O mestre de jiu-jitsu Rorion Gracie, 
criador do torneio de MMA “Ultimate Fighting Championship” 
corresponderia a alguém com este perfil.
Em compensação, pessoas que se motivam com vistas a evitarem 
fracassos valorizam eventuais incentivos ao sucesso sob o prisma de 
estímulos para não fracassarem na consumação de suas metas. Por se 
sentirem demasiado envergonhadas ao fracassarem, são propensas a 
não se envolverem em acontecimentos arriscados e desafiadores.
O psicólogo do esporte Heinz Heckhausen (1991) também 
desenvolveu uma teoria da motivação no esporte articulando dimensões 
40
S U M Á R I O pessoais e situacionais. Na sua ótica, os determinantes da motivação 
de atletas são a busca do êxito e o afastamento da possibilidade 
do fracasso, processo este que é mentalmente administrado por 
intermédio de critérios individuais e sociais. Ou seja, o atleta compara 
os seus resultados contabilizando tanto a história pessoal como as 
façanhas de concorrentes diretos, como visto na Figura 4.
Figura 4: esquema da teoria da motivação no esporte de Heinz Heckhausen
Fonte: Adaptado de Samulski (2002)
Sobre os fatores pessoais, Heckhausen (1991) assevera que os 
atletas com maior probabilidade de êxito no esporte são pessoas que 
constroem expectativas realistas sobre em que nível consegue chegar 
baseados no efetivo estágio de desempenho em que se acham. Para 
chegar a esse estágio, compete a eles hierarquizarem quatro ordens 
de motivos: motivos vitais (alimentação, saúde, educação...); motivos 
pessoais (autorrealização); motivos sociais (reconhecimento público) 
e motivos ético-estéticos (ser justo; gostar de contemplar). Na visão 
do autor, atletas com mais chance de serem vitoriosos são os que 
41
S U M Á R I O colocam os motivos pessoais em primeiro plano, subordinando os 
demais a eles. A judoca Rafaela Silva relatou diversas vezes em 
comunicações à imprensa que, após a sua desclassificação nos 
Jogos de 2012, Londres, por ter ministrado um golpe ilegal, colocou 
como meta existencial chegar à final olímpica nos Jogos de 2016 e 
sagrar-se campeã.
Heckhausen (1991) acrescenta que atletas bem sucedidos 
são auto-controlados; determinados; reforçam-se positivamente; 
apresentam desejo de melhorar; são seguros e realistas; gozam 
de auto-conceito positivo e avaliam seus resultados com realismo. 
No extremo oposto, tais qualidades são escassas nos atletas mal 
sucedidos. Uma diferença a mais entre estes dois grupos é a de que os 
atletas exitosos atribuem a si as causas de seus insucessos, enquanto 
que os não tão bem sucedidos culpam as externalidades (arbitragem, 
falta de sorte etc.).
Determinantes externos possuem a capacidade de funcionarem 
como ingredientes motivacionais. Heckhausen (1991) admite 
que premiações

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