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SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 
1. EXECUÇÃO PENAL E JUSTIÇA RESTAURATIVA ................................................ 4 
1.1. Jurisdição ....................................................................................................... 6 
1.2. Finalidade da pena e justiça restaurativa ....................................................... 7 
2. LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEI N.º 7.210/1984 ........................................ 9 
3. DA ASSISTÊNCIA AO RECLUSO ................................................................ 12 
4. EGRESSOS ................................................................................................. 15 
5. DO TRABALHO ............................................................................................ 15 
6. DOS DEVERES, DOS DIREITOS E DAS DISCIPLINAS DO PRESO ......... 17 
6.1. Das disciplinas .............................................................................................. 19 
6.2. Das faltas graves .......................................................................................... 21 
6.3. RDD - Regime Disciplinar Diferenciado ........................................................ 25 
7. ÓRGÃOS DE EXECUÇÃO PENAL .............................................................. 29 
8. ESTABELECIMENTO PENAIS .................................................................... 30 
9. REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA .................................................. 32 
10. AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA ........................................................................ 33 
11. OUTROS INSTITUTOS DA LEP .................................................................. 34 
12. EXAME CRIMINOLÓGICO E LIVRAMENTO CONDICIONAL ..................... 35 
13. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS ......................................................... 38 
14. NOVAS PREVISÕES DO PACOTE ANTICRIME – LEI N.º 13.964/2019 ..... 42 
14.1. Colheita de DNA ........................................................................................... 42 
14.2. Falta Grave ................................................................................................... 44 
14.3. Regras mais rigorosas para o RDD...... ........................................................ 44 
14.4. Progressão de Regime ................................................................................. 47 
14.5. Saída Temporária ......................................................................................... 49 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 51 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Prezado aluno, 
 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que 
lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
 
 
Bons estudos! 
 
4 
 
 
1. EXECUÇÃO PENAL E JUSTIÇA RESTAURATIVA 
 
Sobre a lei de execução penal, Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 faz-se 
necessário iniciarmos com sua conceituação, Nucci (2021) como a fase processual a 
qual o Estado faz valer a pretensão executória da pena, tornando efetiva a punição do 
agente e concretizando as finalidades da sanção penal. A execução da pena se inicia 
após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, sem necessidade de nova 
citação, pois, o sentenciado foi cientificado tanto da ação penal quanto da sentença 
condenatória e sabe o conteúdo do título a ser cumprido, com exceção quanto à pena 
de multa, que é cobrada como dívida ativa da Fazenda Pública. LEP, art. 1º. 
A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou 
decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do 
condenado e do internado. A doutrina o trata como um direito autônomo: 
 
O direito de execução penal deve ser considerado um ramo autônomo do 
ordenamento jurídico, regido por legislação própria, embora coligado ao 
direito penal e ao processo penal, disciplinas das quais aufere os princípios 
constitucionais que o inspiram. Trata-se de ciência independente, com metas 
próprias, embora jamais se desvincule do Direito Penal e do Direito 
Processual Penal, por razões inerentes à sua própria existência. A sua base 
constitucional e os direitos e garantias individuais que o norteiam advêm do 
Direito Penal e do Processo Penal, constituindo essa a sua vinculação. A 
autonomia decorre de legislação específica (Lei Federal 7.210/84), além de 
se poder apontar a existência de inúmeras Varas Privativas de Execução 
Penal, evidenciando a especialidade da atividade judiciária. Por outro lado, a 
natureza complexa de sua manifestação, abrangendo aspectos jurisdicionais 
e administrativos, compõe o seu quadro peculiar em face dos demais ramos 
do Direito. A insuficiência da denominação Direito Penitenciário, quando 
utilizada para se referir à execução penal, torna-se nítida, na medida em que 
a Lei de Execução Penal cuida de temas muito mais abrangentes do que o 
cumprimento de penas em regime fechado nas penitenciárias. (NUCCI, 
2021). 
 
Com relação ao objeto da execução é certo de que seja a sentença penal. 
 
O objeto da execução penal é a sentença penal. Nesta, haverá uma pena 
concreta (que poderá ser suspensa) ou uma medida de segurança aplicada 
no que se chama absolvição imprópria. Diz-se que a sentença é condenatória 
quando dá provimento ao pedido da acusação, que é o de condenar o réu. 
Se a sentença não dá provimento ao pedido, absolvendo-o, será absolutória. 
Pressupõe-se que da absolvição não derive consequência penal ao réu. 
Porém, sendo ele inimputável, será absolvido por inexistência de 
culpabilidade, mas receberá uma medida de segurança. A doutrina intitula 
essa sentença de absolutória imprópria. De acordo com a legislação penal, 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%207.210-1984?OpenDocument
 
5 
 
as penas permitidas são a privativa de liberdade, restritiva de direitos e multa. 
(BRITO, 2020). 
 
Segundo Nucci (2021): 
 
A sentença condenatória é o título principal a ser executado pelo juízo próprio 
(de preferência, na especializada Vara de Execuções Penais), mas há, 
também, decisões interlocutórias proferidas durante a execução da pena, que 
devem ser efetivadas, seguindo-se a individualização executória da sanção. 
As decisões mais comuns dizem respeito à transferência de regime (fechado 
ao semiaberto; semiaberto ao aberto), declaração de remição, deferimento 
de livramento condicional, aplicação de indulto ou comutação, dentre outras. 
Aguarda-se, ainda, a finalização da execução por meio de sentença, 
declarando-se extinta a punibilidade do sentenciado. (NUCCI, 2021). 
 
Na etapa em que a sanção penal será efetivada, a Constituição Federal de 
1988 representa a principal norma reguladora no que diz respeito à execução penal. 
Destaquemos alguns dos incisos do artigo 5º da CRFB/88: 
 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as 
seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade;Disciplinar Diferenciado. 
Porém, os presídios brasileiros de segurança máxima não têm tido sucesso 
em evitar o celular. Eis porque a fiscalização de correspondências é o de 
menos, mas, pelo menos, ingressou, claramente, em lei. A outra modificação 
diz respeito à participação em audiências judiciais, apontando que se faça, 
preferencialmente, por videoconferência, assegurando-se a participação do 
defensor no mesmo ambiente do preso. Muitas vezes, atuando como juiz 
criminal, já tivemos notícia do presídio, distante da capital de São Paulo, de 
que o réu não queria comparecer à audiência porque enfrentaria horas em 
um veículo-presídio. O acusado tem direito à audiência e não é obrigado a 
comparecer. Eis que a videoconferência pode ser útil a todos. Manteve-se a 
regra, após a reforma da Lei 13.964/2019, que o RDD será aplicado tanto aos 
condenados como aos presos provisórios, nacionais ou estrangeiros. Esse 
regime pode ser impingido a todos os que apresentem alto risco à ordem e à 
segurança do estabelecimento penal ou da sociedade (art. 52, § 1.º, I). Na 
sequência, pode-se inserir os presos sob os quais recaiam suspeitas 
fundadas de envolvimento ou participação em organização criminosa, 
associação criminosa ou milícia privada, independentemente da prática de 
falta grave. O que se observa são cláusulas abertas, permitindo a inserção 
do preso no RDD. A abertura se concentra em termos como “alto risco à 
ordem e à segurança do presídio” ou “fundadas suspeitadas de envolvimento 
em organismo criminoso de qualquer espécie”. Mas isto tem sido necessário 
e já vem sendo usado desde 2003, quando o RDD foi, formalmente, criado 
em lei. Outra novidade, inserida pela Lei 13.964/2019, consta do § 3.º do art. 
52: “existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização 
criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação 
criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação, o regime disciplinar 
diferenciado será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional 
federal”. A medida representa a prioridade à segurança da sociedade e do 
local onde está detido o preso ou condenado. Veja-se que, assim ocorrendo, 
o RDD pode ser prorrogado, sucessivamente, por períodos de um ano, sem 
limite, desde que continue apresentando alto risco à ordem e à segurança do 
presídio ou da sociedade, bem como ficar demonstrado que mantém vínculos 
com organização criminosa (Lei 12.850/2013), associação criminosa (art. 
288, CP), ou milícia privada (art. 288-A, CP), conforme dispõe o art. 52, § 4.º, 
da LEP. Nestas últimas hipóteses, demanda-se a comprovação do perfil 
criminal do preso e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, 
focando-se a operação do referido grupo – se extensa ou não – bem como a 
superveniência de outros processos criminais e o resultado do tratamento 
penitenciário. Quando se detectar a ligação do preso com organização 
criminosa e similares ou com atuação em mais de dois Estados brasileiros, o 
RDD precisa contar com alta segurança interna e externa, evitando o contato 
do preso com membros da sua organização. Na realidade, estando no RDD 
ou não, esta regra deveria valer para todos. O mais importante que se tem 
notícia nos casos concretos do dia a dia é a comunicação interior-exterior 
feita por condenados ou presos provisórios, inseridos no RDD, mas que têm 
 
29 
 
acesso ao celular para manter contato externo. Permite-se ao preso em RDD, 
quando não receba visita nos primeiros 6 meses, poder comunicar-se com a 
família por telefonema, gravado, duas vezes por mês, por 10 minutos (art. 52, 
§ 7.º, LEP). Levando-se em consideração que os presídios federais, para 
onde devem ser levados os presos mais perigosos, funciona em modelo do 
RDD, para lá seguem aqueles que forem escolhidos pelo juiz da execução. 
Não há contraditório, nem ampla defesa, ou seja, inexiste o direito de 
contrariar essa decisão, impedindo a transferência. Toma-se a medida de 
urgência, sem oitiva da defesa. Se houver abuso, caberá, após a 
transferência ao presídio federal, agravo ou mesmo habeas corpus. Nesses 
termos, a Súmula 639 do STJ: Não fere o contraditório e o devido processo 
decisão que, sem ouvida prévia da defesa, determine transferência ou 
permanência de custodiado em estabelecimento penitenciário federal. 
(NUCCI, 2021). 
 
7. ÓRGÃOS DE EXECUÇÃO PENAL 
A execução penal, regida pela legislação brasileira, encontra sua base 
normativa no Artigo 61 da Lei de Execução Penal (LEP), que estipula os órgãos 
responsáveis por sua condução. Cada um desses órgãos desempenha funções 
específicas, todos com o objetivo comum de garantir a execução das penas 
determinadas pelo Estado, após o trânsito em julgado da sentença condenatória, 
visando a punição individualizada do condenado. São órgãos da Execução Penal: 
 
Art. 61. São órgãos da execução penal: 
I – o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária; 
II – o Juízo da Execução; 
III – o Ministério Público; 
IV – o Conselho Penitenciário; 
V – os Departamentos Penitenciários; 
VI – o Patronato; 
VII – o Conselho da Comunidade. 
VIII – a Defensoria Pública. (BRASIL, 1984). 
 
Segundo Nucci (2021), a Lei de Execução Penal (LEP) estabelece a 
organização dos órgãos responsáveis pela execução penal em seu Título III, 
composto pelos Artigos 61 a 81. 
O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), vinculado 
ao Ministério da Justiça, é constituído por 13 membros, incluindo professores e 
profissionais especializados em Direito Penal, Processual Penal, Penitenciário e áreas 
afins, além de representantes da sociedade e dos Ministérios ligados à área social. 
Sua principal incumbência, conforme estipulado no Artigo 64 da LEP, é a formulação 
de diretrizes para a política criminal. 
 
30 
 
O Juízo da Execução é o responsável pela execução das penas, garantindo a 
aplicação de leis mais favoráveis e decidindo sobre questões descritas no Artigo 66 
da LEP. 
O Ministério Público atua como fiscal da execução penal, conforme 
estabelecido no Artigo 68 da LEP, além de desempenhar outras funções acessórias. 
O Conselho Penitenciário, cujos membros são nomeados pelo Governador do 
Estado ou do Distrito Federal, tem mandato de 4 anos. Dentre suas atribuições, 
descritas no Artigo 70 da LEP, está a emissão de pareceres sobre indulto e comutação 
de penas, bem como a inspeção periódica dos estabelecimentos penais. 
Os Departamentos Penitenciários, seja em âmbito federal ou local, são 
responsáveis por diversas atividades, se destacando a fiscalização regular dos 
estabelecimentos e serviços penais em sua jurisdição. 
A direção e o pessoal dos estabelecimentos penais são regulados pelos Artigos 
75 a 77 da LEP. Se Destaca que o diretor deve residir no estabelecimento ou nas 
proximidades, se dedicando integralmente à sua função. 
O Patronato é o órgão encarregado de prestar assistência aos egressos e 
orientar os condenados às penas restritivas de direitos. 
O Conselho da Comunidade, composto por representantes de diversas 
entidades, é responsável por realizar visitas mensais aos estabelecimentos penais de 
sua comarca, conforme estipulado na legislação. 
Já a Defensoria Pública, cuja inclusão se dá implicitamente pela sua 
importância no apoio jurídico aos indivíduos em situação de vulnerabilidade, incluindo 
os que estão cumprindo pena ou que são alvo de processos de execução penal. 
Há de se observar que os dispositivos da LEP refletem a busca por um sistema 
de execução penal objetivo e humanizado, onde todos os órgãos trabalham em 
conjunto para promover a ressocialização dos indivíduos e garantir o respeito aos 
seus direitos fundamentais. 
 
8. ESTABELECIMENTO PENAIS 
Segundo Nucci (2021), o sistema penitenciário brasileiro, regulado pelo título 
IV da Lei de Execução Penal - LEP, artigos 82 a 104, abrange uma série de 
disposições que visam disciplinar os estabelecimentos penais. Estes locais são 
 
31 
 
designados para abrigarcondenados, internados e presos provisórios de acordo com 
suas circunstâncias individuais. 
Nos estabelecimentos penais destinados a mulheres, é estabelecido pela LEP 
que apenas mulheres devem compor o corpo de funcionários, salvo exceções para 
pessoal técnico especializado. Além disso, tais instalações devem estar equipadas 
com berçários, conforme estipulado no artigo 83, parágrafo 2º da LEP. 
Importante mencionar também a possibilidade de interdição do 
estabelecimento penal como medida punitiva devido à superlotação carcerária, 
podendo ser determinada pelo juiz da execução penal. Outra disposição relevante é 
a prevista no artigo 86 da LEP, que permite o cumprimento de uma condenação 
criminal imposta em um estado da federação em outro estado. 
Não obstante, há de se observar o conceito de prisão especial, descrito no art. 
295 do Código de Processo Penal (CPP), que determina a alocação em quartéis ou 
prisões especiais de certas autoridades antes da condenação definitiva. Entre os 
indivíduos sujeitos a essa medida estão ministros de Estado, governadores, membros 
do Parlamento, magistrados, entre outros. Outrossim, é entendimento corrente que 
até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, a prisão especial deve ser 
realizada em cadeia pública, em cela separada dos demais presos. 
No que diz respeito à Prisão Especial, o art. 295 do CPP, estabelece: 
 
Art. 295. Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial, à disposição da 
autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação 
definitiva: 
I – os ministros de Estado; 
II – os governadores ou interventores de Estados ou Territórios, o prefeito do 
Distrito Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos municipais, os 
vereadores e os chefes de Polícia; 
III – os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia 
Nacional e das Assembleias Legislativas dos Estados; 
IV – os cidadãos inscritos no “Livro de Mérito”; 
V – os oficiais das Forças Armadas e os militares dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Territórios; 
VI – os magistrados; 
VII – os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República; 
VIII – os ministros de confissão religiosa; 
IX – os ministros do Tribunal de Contas; 
X – os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, 
salvo quando excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício 
daquela função; 
XI – os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios, 
ativos e inativos. (BRASIL, 1941). 
 
 
32 
 
Conforme demonstrado, o sistema penitenciário brasileiro, regido pela LEP pelo 
Código de Processo Penal, busca estabelecer diretrizes para garantir a humanização 
das penas. A disposição de instalações específicas para mulheres, a possibilidade de 
interdição de estabelecimentos superlotados e a aplicação de prisão especial para 
determinadas autoridades demonstram uma tentativa de equilibrar a punição com a 
dignidade e os direitos individuais. 
 
9. REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA 
A determinação do regime inicial de cumprimento de pena, está prevista no art. 
33 do Código Penal, onde são definidos três regimes distintos: o fechado, aplicável a 
penas superiores a 8 anos; o semiaberto, destinado a condenados não reincidentes 
com penas entre 4 e 8 anos; e o aberto, reservado aos condenados não reincidentes 
com penas até 4 anos. (BRASIL, 1940). 
Segundo Nucci (2021), a Lei de Execução Penal, em seu artigo 111, estipula 
que, em casos de múltiplas condenações em processos separados, o regime de 
cumprimento será determinado pela soma dessas penas. Porém, é fundamental 
observar que no caso de uma nova condenação durante o cumprimento da pena, a 
nova pena é somada ao restante em execução para a definição do regime, podendo 
resultar na regressão para um regime mais rigoroso. Já em situações de concurso 
formal de crimes ou crime continuado, as penas não são somadas, mas sim 
unificadas, para efeitos de fixação do regime prisional. 
A questão do cálculo de benefícios também é relevante. Embora haja um limite 
de 40 anos estabelecido com advento da Lei 13.964/2019, o limite que antes era 
de 30 anos fora majorado ao novo limite de 40 anos de prisão. Alterando o 
artigo 75 do Código Penal Brasileiro, estabeleceu desta forma a novel lei, esse limite 
não é utilizado para calcular benefícios como progressão de regime. Em vez disso, a 
base de cálculo deve ser a pena imposta, independentemente desse limite legal. 
Os requisitos para progressão de regime foram substancialmente modificados 
pelo pacote anticrimes, um aspecto que será abordado em detalhes em uma seção 
específica da aula. 
Por outro lado, a regressão de regime, que implica em uma passagem para um 
regime mais severo, é prevista no artigo 118 da LEP. Tal regressão ocorre quando o 
condenado pratica crime doloso ou falta grave, ou quando sofre nova condenação 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1328885560/lei-13964-19
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10631203/artigo-75-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
 
33 
 
que, somada à pena em execução, torna inviável o regime anteriormente 
estabelecido. 
Se destaca ainda o chamado efeito secundário da regressão, que interrompe o 
tempo de cumprimento da pena para efeitos de progressão, especialmente aplicável 
a apenados que já se encontram em regime fechado e cometem falta grave. Este 
efeito reflete como sanção ao condenado, demonstrando a severidade do sistema 
penal. 
 
10. AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA 
Segundo Nucci (2021), a concessão de saídas temporárias é uma medida 
regulada pela Lei de Execução Penal - LEP, visando possibilitar ao detento a 
oportunidade de deixar temporariamente o estabelecimento penal sob determinadas 
condições. Tais autorizações, estabelecidas nos artigos 120 a 125 da LEP, ao qual 
asseveram as autorizações para saída, mediante o preenchimento de requisitos 
específicos, onde o detento pode ser autorizado a deixar temporariamente as 
dependências do estabelecimento penal. 
A permissão de saída, concedida pelo diretor do estabelecimento penal, é 
viabilizada em casos de falecimento ou enfermidade grave do cônjuge, companheiro, 
ascendente, descendente ou irmão, assim como para tratamento médico. Essa 
modalidade de saída requer escolta e é limitada ao tempo estritamente necessário. 
Já a saída temporária, que deve ser autorizada pelo juiz da execução, é 
destinada a detentos em regime semiaberto e tem como finalidades a visita à família, 
frequência a cursos supletivos ou profissionalizantes, prosseguimento da educação 
formal de nível médio ou superior, e participação em atividades de ressocialização. O 
detento tem direito a até cinco oportunidades de sete dias cada (totalizando 35 dias). 
Para a concessão da saída temporária, é exigido o cumprimento de pelo menos 
um sexto da pena, no caso de primários, ou um quarto, para reincidentes, além de 
demonstração de bom comportamento e compatibilidade entre o benefício e os 
objetivos da pena. Importante observar que o condenado por crime hediondo com 
resultado morte não tem direito a essa modalidade de saída, conforme estabelecido 
no artigo 122, parágrafo 2º, incluído pela Lei nº 13.964 de 2019. 
 
 
34 
 
11. OUTROS INSTITUTOS DA LEP 
Segundo Nucci (2021), um dos principais institutos que podem resultar na 
redução da pena é a remição. Essa ferramenta permite que o indivíduo reabilite parte 
de sua sentença por meio do trabalho ou estudo enquanto está sob custódia. Dessa 
forma, ao se dedicar a atividades laborais ou educacionais, o detento tem a 
oportunidade de diminuir o tempo a ser cumprido na prisão. 
A remição opera de duas maneiras distintas: através do trabalho e do estudo. 
O primeiro pode ser subdividido em regime fechado e semiaberto, enquanto o 
segundo abrange todos os regimes de encarceramento, incluindo a liberdadecondicional. 
A base legal para a remição se encontra no artigo 128 da LEP, o qual estipula 
que o tempo remido deve ser considerado como pena cumprida para todos os fins 
legais. Geralmente, a proporção é de um dia de pena a ser descontado para cada três 
dias de trabalho ou estudo. 
A previsão para a remição está no art. 128 da LEP: art. 128. O tempo remido 
será computado como pena cumprida, para todos os efeitos. (BRASIL, 1984). 
Em caso de cometimento de falta grave, o juiz tem a prerrogativa de revogar 
até um terço do tempo remido, reiniciando a contagem a partir da data da infração 
disciplinar, conforme estabelecido pelo artigo 127 da LEP. 
Outro instituto da LEP é o livramento condicional, conforme expresso no art. 
131 da LEP, pode ser concedido pelo juiz da execução penal, desde que estejam 
presentes os requisitos estabelecidos no artigo 83 do Código Penal, além do parecer 
favorável do Ministério Público e do Conselho Penitenciário. Observe: 
 
Art. 131. O livramento condicional poderá ser concedido pelo juiz da 
execução, presentes os requisitos do artigo 83, incisos e parágrafo único do 
Código Penal, ouvidos o Ministério Público e o Conselho Penitenciário. 
(BRASIL, 1984). 
 
Para Brito (2020), esse benefício, consiste na liberação do indivíduo antes do 
término completo de sua pena, desde que ele cumpra determinadas condições 
estabelecidas pela lei. Durante esse período, denominado período de prova, o 
condenado deve demonstrar seu comprometimento com a reintegração social. 
 
35 
 
Os critérios para a concessão do livramento condicional podem ser divididos 
em requisitos subjetivos e objetivos. Conforme a Súmula 441 do STJ, que a prática 
de falta grave não interrompe o prazo para a obtenção do livramento condicional. 
Sendo assim, os requisitos para a concessão de liberdade condicional estão 
divididos em requisitos subjetivos e requisitos objetivos. Súmula 441 – STJ: A falta 
grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional. (BRASIL, 
2010). 
 
12. EXAME CRIMINOLÓGICO E LIVRAMENTO CONDICIONAL 
Segundo Nucci (2021), o exame criminológico, outrora mandatório, foi alterado 
para um caráter facultativo após a revisão da LEP em 2003. Dessa forma, não é mais 
obrigatório a concessão de liberdade provisória. Adicionalmente, o Superior Tribunal 
de Justiça - STJ estipulou que, caso o exame seja realizado, ele deve se basear 
exclusivamente em eventos ocorridos durante o cumprimento da pena, especialmente 
quando considerado para progressão de regime ou concessão de livramento 
condicional. 
Neste sentido, a T6 - SEXTA TURMA do STJ, definiu que: 
 
HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. PROGRESSÃO DE REGIME. 
NECESSIDADE DE EXAME CRIMINOLÓGICO PARA A FORMAÇÃO DO 
CONVENCIMENTO DO JULGADOR. PRINCÍPIOS DO LIVRE 
CONVENCIMENTO E DA PERSUASÃO RACIONAL. PACIENTE COM 
REGISTRO DE FALTAS GRAVES. CONVENIÊNCIA NA REALIZAÇÃO DO 
EXAME. LEI Nº 11.464/2007. DELITO ANTERIOR À PUBLICAÇÃO DA LEI. 
IRRETROATIVIDADE. 
1. O exame criminológico deixou de ser obrigatório para a progressão de 
regime com a entrada em vigor da Lei nº. 10.792/03, que alterou a Lei de 
Execução Penal (Lei nº. 7.210/84). Não obstante ser facultativo, é possível 
ao magistrado condicionar o deferimento do pedido de progressão de regime 
prisional à realização do exame, quando entender necessário, desde que por 
meio de decisão devidamente fundamentada. 
2. No caso, o Tribunal a quo entendeu que o exame criminológico é 
necessário para atestar a viabilidade do benefício, tendo em vista que o 
paciente é detentor de um histórico carcerário maculado por faltas de 
natureza grave, revelando a ausência de assimilação da terapêutica penal. 
3. Se o paciente cometeu crime hediondo antes do advento da Lei nº 
11.464/07, deve ser mantida a exigência de cumprimento de 1/6 (um sexto) 
de pena para a concessão da progressão, nos termos do art. 112 da LEP. 4. 
Ordem parcialmente concedida para afastar a exigência, contida no acórdão, 
de cumprimento de 3/5 (três quintos) da pena, para fins de progressão de 
regime, devendo ser observado o requisito objetivo contido no art. 112 da Lei 
de Execução Penal. 
(HC n. 168.954/SP, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 
21/10/2010, DJe de 16/11/2010.) (BRASIL, 2010). 
 
36 
 
 
Em relação ao procedimento para a concessão do livramento condicional, é 
necessário compreender os conceitos fundamentais e os requisitos pertinentes. O juiz 
da execução é o responsável por conceder o livramento condicional, desde que os 
requisitos estejam presentes. 
Segundo Nucci (2021), a concessão da liberdade provisória não se resume 
apenas aos requisitos objetivos e subjetivos estabelecidos pela legislação. Além 
destes, o magistrado deve se atentar a outras condições que visam garantir a 
efetividade da medida cautelar. Entre as condições obrigatórias que devem ser 
consideradas estão: a necessidade de o indivíduo possuir uma ocupação lícita, 
garantindo assim sua subsistência de forma honesta; a obrigação de comunicar 
periodicamente ao juiz sobre sua ocupação, a fim de manter a transparência e o 
acompanhamento da sua situação; e a proibição de se mudar do território da comarca 
da execução penal sem autorização, assegurando a vinculação do acusado ao local 
onde responderá pelo processo. 
Segundo Nucci (2021), já as condições facultativas, embora não sejam 
obrigatórias, podem ser igualmente relevantes para a concessão da liberdade 
provisória. Entre elas, se destaca a exigência de não mudar de residência sem 
comunicação prévia ao juiz e à autoridade designada para monitorar a medida 
cautelar, garantindo assim a localização do acusado e facilitando eventuais contatos 
e diligências necessárias. Outra medida facultativa é o recolhimento à habitação em 
horários determinados, o que pode ser útil para controlar os deslocamentos do 
indivíduo e reduzir os riscos de reiteração delitiva. Por fim, a restrição de frequentar 
determinados locais também pode ser imposta como condição facultativa, visando 
evitar possíveis situações de conflito ou a reincidência em condutas ilícitas. 
Ao decidir sobre a concessão da liberdade provisória, o Juiz deve considerar 
os aspectos formais e subjetivos, além de as condições que garantam a concessão 
da medida cautelar, buscando conciliar o direito à liberdade individual com a 
necessidade de proteção da ordem pública e da segurança jurídica. 
Ademais, a na esteira da revogação da liberdade provisória, como qualquer 
benefício, pode ser realizada por motivos obrigatórios ou facultativos. Os casos de 
revogação obrigatória ocorrem em duas situações específicas: primeiramente, 
quando o indivíduo liberado é condenado, em uma sentença irrecorrível, por um crime 
 
37 
 
cometido durante o período de liberdade condicional. Em segundo lugar, se durante 
esse período ele comete um novo delito e é condenado por ele, também em uma 
sentença irrecorrível. Em ambos os casos, o tempo em liberdade condicional não é 
considerado como tempo cumprido de pena, não sendo possível uma nova concessão 
desse benefício para a mesma pena, nem a soma dos tempos de pena de ambos os 
delitos para a concessão da liberdade condicional. 
Por exemplo, se após um ano do início do período de prova, Fulano é 
condenado por outro roubo, recebendo uma nova pena de sete anos de reclusão, 
essa pena não será contada durante o período de liberdade condicional. Fulano terá 
que cumprir mais cinco anos para completar sua primeira condenação, e apenas após 
isso poderá ser considerado para uma nova liberdade condicional, levando em conta 
apenas a pena do segundo delito. 
A segunda situação de revogação obrigatória ocorre quando o liberado é 
condenado por um crime anterior ao período de prova, conforme o artigo 84 do Código 
Penal. Nesse caso, as penas de ambos os delitos devem ser somadas para efeito do 
livramento condicional. Aqui, o tempo em liberdade condicional deve ser considerado 
comotempo de cumprimento de pena, permitindo uma nova concessão desse 
benefício para a mesma pena e a soma dos tempos de pena de ambos os delitos para 
a concessão da liberdade condicional. 
Após um ano de sua liberdade condicional, Fulano é novamente condenado 
por um roubo, recebendo uma sentença adicional de sete anos de reclusão. É 
importante ressaltar que esse crime ocorreu antes do término do período de prova do 
primeiro delito. 
Inicialmente, Fulano foi condenado a sete anos de prisão por um roubo, dos 
quais cumpriu cinco anos antes de obter o livramento condicional. Portanto, agora ele 
tem um ano restante de sua sentença inicial. 
Desse modo, ao receber a nova condenação de sete anos, a pena 
remanescente do primeiro delito, um ano, será combinada com a pena do segundo 
delito, totalizando oito anos. Se os requisitos necessários forem atendidos, Fulano 
poderá solicitar o livramento condicional com base nessa soma de penas. 
 
 
38 
 
13. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS 
Para Brito, (2020), as penas restritivas de direitos, previstas nos artigos 147 e 
148 da LEP, constituem uma alternativa à privação de liberdade, buscando alcançar 
as finalidades da pena, como a ressocialização do indivíduo e a proteção da 
sociedade. Por meio dessas medidas, o sistema penal pretende promover a 
reinserção do apenado na comunidade, ao mesmo tempo, em que mantém o controle 
e a punição proporcional ao delito cometido. 
O Art. 147 da LEP estabelece que ao transitar em julgado a sentença que impôs 
a pena restritiva de direitos, o Juiz da execução é incumbido de promover a execução 
da pena. Tal execução pode ser iniciada de ofício pelo juiz ou a requerimento do 
Ministério Público. Além disso, o juiz tem a prerrogativa de requisitar, quando 
necessário, a colaboração de entidades públicas ou solicitar cooperação de 
particulares para a efetiva execução da pena. 
Já o Art. 148 da mesma legislação confere ao Juiz da execução a competência 
para, em qualquer fase da execução, modificar de forma fundamentada, a forma de 
cumprimento das penas de prestação de serviços à comunidade e de limitação de fim 
de semana. Essa modificação é feita com base nas condições pessoais do condenado 
e nas características do estabelecimento, da entidade ou do programa comunitário ou 
estatal. 
Essas disposições legais evidenciam a preocupação do sistema penal em 
individualizar a execução das penas restritivas de direitos, sendo adaptadas às 
necessidades específicas de cada condenado, com vistas a promover sua 
reintegração social. Ao proporcionar alternativas à prisão, o sistema busca a punição, 
bem como, reabilitar os indivíduos, contribuindo para a redução da reincidência e para 
a construção de uma sociedade justa e segura. Dessa forma, os artigos mencionados 
estabelecem que: 
 
Art. 147. Transitada em julgado a sentença que aplicou a pena restritiva de 
direitos, o Juiz da execução, de ofício ou a requerimento do Ministério 
Público, promoverá a execução, podendo, para tanto, requisitar, quando 
necessário, a colaboração de entidades públicas ou solicitá-la a particulares. 
 
Art. 148. Em qualquer fase da execução, poderá o Juiz, motivadamente, 
alterar, a forma de cumprimento das penas de prestação de serviços à 
comunidade e de limitação de fim de semana, ajustando-as às condições 
pessoais do condenado e às características do estabelecimento, da entidade 
ou do programa comunitário ou estatal. (BRASIL, 1984). 
 
39 
 
 
Para Brito, (2020), dentre as modalidades de penas restritivas de direitos 
previstas elencadas na LEP e no Código Penal, se destacam a prestação pecuniária, 
a perda de bens e valores, a limitação de fim de semana, a prestação de serviço à 
comunidade ou a entidades públicas, a interdição temporária de direitos e a proibição 
de frequentar determinados lugares. O art. 43 do Código Penal apresenta as espécies 
das penas restivas de direito, qual seja: 
 
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: 
I – prestação pecuniária; 
II – perda de bens e valores; 
III – limitação de fim de semana. 
IV – prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; 
V – interdição temporária de direitos; 
VI – limitação de fim de semana. (BRASIL, 1940). 
 
A interdição temporária de direitos, por exemplo, apresenta cinco espécies no 
art. 47 do Código Penal. Essa modalidade inclui desde a proibição do exercício de 
cargos públicos até a suspensão de autorização para dirigir veículos, demonstrando 
a diversidade de aplicação dessas penas, observe: 
 
Art. 47. As penas de interdição temporária de direitos são: 
I – proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como 
de mandato eletivo; 
II – proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de 
habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; 
III – suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. 
IV – proibição de frequentar determinados lugares. 
V – proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. 
(BRASIL, 1940). 
 
Importante mencionar que as penas restritivas de direitos são consideradas 
substitutivas, aplicáveis em substituição às penas privativas de liberdade, desde que 
preenchidos os requisitos legais estabelecidos pela legislação vigente. 
Não se ignora, que as penas restritivas de direitos surgem como uma 
ferramenta fundamental no sistema penal, permitindo a harmonia juntamente com os 
princípios da retribuição, ressocialização e prevenção, sem recorrer necessariamente 
à prisão. 
Há de se observar ainda que, a substituição da pena privativa de liberdade por 
penas restritivas de direitos, conforme previsto no art. 44 do Código Penal, é um 
 
40 
 
instituto que proporciona uma resposta proporcional ao cometimento de determinados 
crimes. No entanto, para que essa substituição ocorra, é necessário o preenchimento 
de requisitos específicos estabelecidos pela legislação, qual seja: 
 
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as 
privativas de liberdade, quando: 
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime 
não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que 
seja a pena aplicada, se o crime for culposo; 
II – o réu não for reincidente em crime doloso; 
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do 
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa 
substituição seja suficiente. (BRASIL, 1940). 
 
É imprescindível que a pena privativa de liberdade não ultrapasse o limite de 
quatro anos, no caso de crime que não for cometido com violência ou grave ameaça. 
No entanto, se o crime for culposo, a substituição se torna cabível independentemente 
da duração da pena imposta. Esse critério garante uma aplicação equitativa da lei, 
considerando a gravidade da conduta praticada pelo condenado. 
Outro requisito importante é a ausência de reincidência em crime doloso por 
parte do réu. Nesse sentido, a reincidência deve ser entendida de forma específica, 
ou seja, como a prática de delitos da mesma natureza anteriormente. Determinando 
que a substituição seja concedida a indivíduos que não demonstrem um padrão de 
conduta criminal reiterado. 
Além disso, a análise da culpabilidade dos antecedentes da conduta social e 
da personalidade do condenado, bem como, dos motivos e das circunstâncias do 
crime, é importante para determinar se a substituição da pena privativa de liberdade 
é adequada. 
Vale mencionar que, não é cabível a substituição da pena privativa de liberdade 
por penas restritivas de direitos em casos de lesão corporal envolvendo violência 
doméstica contra a mulher. Essa exceção é uma medida protetiva diante da gravidade 
e recorrência desse tipo de crime, pois, sua função é garantir a segurança e 
integridade das vítimas. 
Segundo Brito (2020), quanto aos crimes hediondos, embora a Lei 8.072/90 
não vede expressamentea substituição da pena privativa de liberdade por penas 
restritivas de direitos, a doutrina considera possível a aplicação desse instituto, desde 
que preenchidos os demais requisitos estabelecidos pela legislação. Essa 
 
41 
 
interpretação assegurar que, mesmo em casos de extrema gravidade, a 
individualização da pena possa ser realizada de forma justa e proporcional. 
No ordenamento jurídico brasileiro, as penas restritivas de direitos constituem 
uma alternativa à privação de liberdade, conforme fundamentado no art. 44, parágrafo 
2º, do Código Penal. Este dispositivo legal estipula que, em casos de condenação 
igual ou inferior a um ano, é viável a substituição por multa ou por uma pena restritiva 
de direitos. Já em condenações superiores a um ano, a pena privativa de liberdade 
pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa, ou por duas penas 
restritivas de direitos. 
 
§ 2º Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita 
por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena 
privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos 
e multa ou por duas restritivas de direitos. (BRASIL, 1940). 
 
No entanto, é importante ressaltar que se o condenado apresentar reincidência, 
ou seja, no mesmo tipo penal, a substituição por pena restritiva de direitos não é 
admissível. Porém, diante da reincidência genérica, o § 3º do mesmo art. estabelece 
que o juiz poderá optar pela substituição, desde que a medida seja socialmente 
recomendável e a reincidência não esteja relacionada à prática do mesmo crime. 
 
§ 3º Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, 
desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente 
recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática 
do mesmo crime. (BRASIL, 1940). 
 
Outro ponto a ser considerado é a possibilidade de conversão da pena restritiva 
de direitos em privativa de liberdade, caso o condenado descumpra as condições 
impostas. Esta conversão é expressamente prevista no art. 181 da LEP, em 
consonância com o artigo 44, parágrafo 4º, do Código Penal. Este último dispositivo 
estabelece que a pena restritiva de direitos se converte em privativa de liberdade no 
caso de descumprimento injustificado da restrição imposta. No entanto, é assegurado 
o abatimento do tempo cumprido da pena restritiva de direitos no cálculo da pena 
privativa de liberdade a ser executada, desde que seja respeitado o saldo mínimo de 
trinta dias de detenção ou reclusão. 
 
42 
 
A própria LEP prevê expressamente essa possibilidade: art. 181. A pena 
restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas hipóteses e na 
forma do artigo 45 e seus incisos do Código Penal. (BRASIL, 1984). 
 
Em consonância ao art. 181 da LEP, está no art. 44, parágrafo 4º, CP: 
 
§ 4º A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando 
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da 
pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da 
pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de 
detenção ou reclusão. (BRASIL, 1940). 
 
Assim, há de se observar que as formas de aplicação das penas restritivas de 
direitos estão condicionadas a diversos aspectos legais, como o tempo de 
condenação, a reincidência e a possibilidade de conversão em pena privativa de 
liberdade em caso de descumprimento das condições estabelecidas. Estas medidas 
buscam conciliar a punição do infrator com a necessidade de ressocialização por meio 
do sistema penal. 
 
14. NOVAS PREVISÕES DO PACOTE ANTICRIME – LEI N.º 13.964/2019 
Para Brito, (2020), o pacote anticrime trouxe consigo algumas novidades no 
que diz respeito a LEP, abordando questões que ainda não haviam sido 
contempladas. Entre as novidades, estão: 1. Previsões sobre a Colheita de DNA; 2. 
Nova hipótese de falta grave; 3. Regras mais rigorosas para o RDD; 4. Mudanças 
sobre a progressão de regime e 5. Mudanças sobre a saída temporária. 
Essas novidades trazidas pelo pacote anticrime estabelecidas pela LEP, 
demonstram um avanço para aprimorar o sistema de execução penal, garantindo 
punição adequada aos infratores, bem como, buscando promover a ressocialização e 
a segurança pública. 
Vejamos agora quais são as peculiaridades de cada um dos tópicos 
supramencionados! 
 
14.1. Colheita de DNA 
Para Brito, (2020), a identificação do perfil genético de indivíduos condenados 
por crimes graves tem sido objeto de discussão e implementação de medidas legais 
 
43 
 
em diversos países ao redor do mundo. No Brasil, a Lei de Execução Penal – LEP, 
passou por algumas modificações, especialmente no art. 9º-A, estabelecendo a 
obrigatoriedade da extração de DNA para essa categoria de condenados. Essas 
alterações, que entraram em vigor com o advento da Lei nº 13.964/2019, introduziram 
novos dispositivos a garantir à proteção dos dados genéticos quanto à investigação 
criminal. Sendo assim, é importante compreender as implicações legais e práticas 
dessas mudanças, bem como, sua relevância no cenário da justiça penal brasileira. 
O artigo 9º-A determina que todo condenado por crime doloso com violência 
grave contra a pessoa, assim como por crimes contra a vida, liberdade sexual ou 
crimes sexuais contra vulneráveis, deve passar obrigatoriamente por identificação do 
perfil genético, mediante extração de DNA, de forma apropriada e indolor, no momento 
de sua entrada no estabelecimento prisional. 
Além disso, foi incluído o §1º-A, exigindo que a regulamentação contenha a 
proteção dos dados genéticos, em conformidade com as melhores práticas da 
genética forense. Esse requisito reflete procedimentos já adotados pelas autoridades 
policiais em todo o país, em decorrência da cadeia de custódia. 
Segundo Nucci (2021), o §3º, que visa garantir ao titular dos dados genéticos 
o acesso às suas informações, assim como os documentos relativos à cadeia de 
custódia. Essa disposição, está alinhada com os princípios do contraditório e da ampla 
defesa, agora expressamente incorporada ao Código de Processo Penal. 
O §4º traz uma novidade ao determinar que condenados pelos crimes 
mencionados no caput deste artigo, que não tenham sido submetidos à identificação 
do perfil genético no momento da entrada no sistema prisional, devem passar pelo 
procedimento durante o cumprimento da pena. 
Além disso, o §8º do artigo 9º-A introduz uma nova hipótese de falta grave, 
aplicável ao condenado que se recusar a passar pelo procedimento de identificação 
do perfil genético. 
Para melhor fixar, veja o que estabelece o art. 9º-A da Lei nº 13.964/2019: 
 
Art. 9º-A. O condenado por crime doloso praticado com violência grave contra 
a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por 
crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à 
identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido 
desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião do ingresso 
no estabelecimento prisional. (Redação dada pela Lei n. 13.964, de 2019) 
(Vigência) 
 
44 
 
§ 1º A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados 
sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. 
(Incluído pela Lei n. 12.654, de 2012) 
§ 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas de 
proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas da genética 
forense. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019) 
§ 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz 
competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de 
identificação de perfil genético. (Incluído pela Lei n. 12.654, de 2012) 
§ 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos seus 
dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a todos osdocumentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de maneira que 
possa ser contraditado pela defesa. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019) 
§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver 
sido submetido à identificação do perfil genético por ocasião do ingresso no 
estabelecimento prisional deverá ser submetido ao procedimento durante o 
cumprimento da pena. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019) 
§ 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao 
procedimento de identificação do perfil genético. (Incluído pela Lei n. 13.964, 
de 2019). (BRASIL, 2019). 
 
14.2. Falta Grave 
Conforme estabelecido anteriormente, o §8º da Lei nº 13.964/2019, estabelece 
que a recusa do condenado em se submeter ao procedimento de identificação 
genética constitui falta grave. Dessa forma, é importante mencionar também que, essa 
falta grave foi devidamente incluída no art. 50, por meio do inciso VIII, em 
conformidade com as disposições do artigo 9º-A, ao qual assevera: art. 50, VIII – 
recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético. (BRASIL, 
2019). 
A inclusão do inciso VIII no art. 50, alinha aos princípios estabelecidos no artigo 
9º-A. Esta medida assegura a aplicação uniforme da lei e fortalece o procedimento de 
identificação do perfil genético como uma ferramenta na administração da justiça 
penal. 
Ao incluir o inciso VIII do art. 50 com os preceitos do artigo 9º-A, a legislação 
demonstra sua preocupação em manter a integridade do sistema penal, bem como, 
protege os direitos individuais dos condenados. 
 
14.3. Regras mais rigorosas para o RDD 
Para Brito, (2020), com o advento do art. 52 incluído pela Lei nº 13.964/2019, 
houve um impacto significativo no chamado Regime Disciplinar Diferenciado - RDD. 
Uma das mudanças marcantes é a extensão do período do RDD para dois anos, com 
a possibilidade de renovação em caso de falta grave similar. Anteriormente, o prazo 
 
45 
 
era de 360 dias, renovável, com um limite máximo de 1/6 da pena. Além disso, o limite 
máximo foi removido do inciso I do artigo 52. Essas alterações representam um 
endurecimento na legislação em relação àqueles submetidos ao RDD. 
Não obstante, o art. 52 da Lei nº 13.964/2019, estabelece que: 
 
Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, 
quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o 
preso provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da 
sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes 
características: 
I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição da sanção 
por nova falta grave de mesma espécie; 
II - recolhimento em cela individual; 
III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em 
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, 
por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com 
duração de 2 (duas) horas; 
IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de 
sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não haja contato com 
presos do mesmo grupo criminoso; 
V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em 
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, 
salvo expressa autorização judicial em contrário; 
VI - fiscalização do conteúdo da correspondência; 
VII - participação em audiências judiciais preferencialmente por 
videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no mesmo 
ambiente do preso. 
§ 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos presos 
provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros: 
I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento 
penal ou da sociedade; 
II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, 
a qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou milícia 
privada, independentemente da prática de falta grave. 
§ 2º (Revogado). 
§ 3º Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização 
criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação 
criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação, o regime disciplinar 
diferenciado será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional 
federal. 
§ 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o regime disciplinar diferenciado 
poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos de 1 (um) ano, existindo 
indícios de que o preso: 
I - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança do 
estabelecimento penal de origem ou da sociedade; 
II - mantém os vínculos com organização criminosa, associação criminosa ou 
milícia privada, considerados também o perfil criminal e a função 
desempenhada por ele no grupo criminoso, a operação duradoura do grupo, 
a superveniência de novos processos criminais e os resultados do tratamento 
penitenciário. 
§ 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar 
diferenciado deverá contar com alta segurança interna e externa, 
principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar contato do 
preso com membros de sua organização criminosa, associação criminosa ou 
milícia privada, ou de grupos rivais. 
 
46 
 
§ 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste artigo será gravada em 
sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada 
por agente penitenciário. 
§ 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar diferenciado, o 
preso que não receber a visita de que trata o inciso III do caput deste artigo 
poderá, após prévio agendamento, ter contato telefônico, que será gravado, 
com uma pessoa da família, 2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos. 
(BRASIL, 2019). 
 
Para Marcão, (2021), além do novo prazo, o novo formato do RDD ampliou sua 
aplicabilidade. Agora, de acordo com o novo texto do caput do art. 52, o regime 
disciplinar diferenciado pode ser aplicado em casos de alto risco para a ordem e 
segurança do estabelecimento penal ou da sociedade, ou quando existirem suspeitas 
fundadas de envolvimento em organizações criminosas. Dessa forma, não é mais 
necessário que haja a comprovação de uma falta grave para a aplicação do RDD. 
Outro ponto de destaque diz respeito às visitas semanais, que antes não eram 
regulamentadas pela lei. Agora, há uma previsão legal: visitas quinzenais, limitadas a 
duas pessoas por vez, em instalações que impeçam o contato físico e a entrega de 
objetos. 
Outra mudança adicional importante está relacionada aos banhos de sol. 
Anteriormente, havia apenas uma menção ao período de duas horas. Agora, a 
previsão se tornou detalhada, permitindo a saída de até quatro presos 
simultaneamente, desde que não façam parte do mesmo grupo criminoso. 
Além disso, o legislador incluiu uma disposição no art. 52 indicando que, se 
houver indícios de que o preso é líder de uma organização criminosa, associação ou 
milícia com atuação em dois ou mais Estados, ele deve cumprir o RDD em um presídio 
federal. 
Por último, merece destaque a previsão de gravação das conversas entre as 
visitas e o preso, bem como, a possibilidade de autorização judicial para que um 
agente penitenciário monitore a visita. Se o preso não receber visitas durante seis 
meses enquanto estiver sob RDD, a lei concede o direito a duas conversas telefônicas 
por mês, com um membro da família, com duração de dez minutos cada. 
 
 
47 
 
14.4. Progressão de Regime 
O art. 112 também incluído pela Lei nº 13.964/2019, detalhou com precisão os 
novos prazos para progressão de regime, bem como, a exigência de comprovação de 
boa conduta carcerária pelo diretor da instituição. 
Para Brito, (2020), este artigo estabelece critérios graduais baseados na 
natureza do crime cometido e na situação do apenado. Para os primários que 
cometeram delitos sem violência ou grave ameaça, a progressão de regime ocorreapós cumprimento de 16% da pena, enquanto para os reincidentes nessas mesmas 
condições, o requisito é de 20%. Em casos de crimes cometidos com violência ou 
grave ameaça, os percentuais aumentam para 25% e 30%, respectivamente. Para 
crimes hediondos, a progressão se dá após o cumprimento de 40% da pena para 
primários e 60% para reincidentes. Em situações específicas, como crimes hediondos 
com resultado de morte, o cumprimento chega a 50% para primários e 70% para 
reincidentes. 
O requisito da boa conduta carcerária é essencial em todas as situações de 
progressão de regime, devendo ser atestada pelo diretor do estabelecimento prisional. 
Tal exigência busca garantir que o apenado demonstre um comportamento adequado 
durante o cumprimento da pena, conforme estabelecido no §1º do artigo 112. Não se 
ignora, que, a decisão do juiz para a progressão de regime deve ser devidamente 
fundamentada e precedida da manifestação do Ministério Público e do defensor, 
conforme previsto no §2º. 
Porém, no caso de mulheres gestantes, mães ou responsáveis por crianças ou 
pessoas com deficiência, há requisitos específicos a serem observados, tais como, 
não ter cometido crimes violentos, cumprimento mínimo de 1/8 da pena no regime 
anterior, ser primária e apresentar bom comportamento carcerário, além de não ter 
integrado organização criminosa. 
Para Marcão, (2021), é fundamental compreender as hipóteses e os novos 
critérios de progressão delineados nos incisos I a VIII do referido artigo e seus 
parágrafos: 
 
Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva 
com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, 
quando o preso tiver cumprido ao menos: 
I - 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime 
tiver sido cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça 
 
48 
 
II - 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime 
cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça; 
III - 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime 
tiver sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; 
IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime 
cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; 
V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela 
prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário; 
VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: 
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado 
morte, se for primário, vedado o livramento condicional; 
b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização 
criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou 
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada; 
VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na 
prática de crime hediondo ou equiparado; 
VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime 
hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento 
condicional. 
§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se 
ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do 
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. 
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre 
motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, 
procedimento que também será adotado na concessão de livramento 
condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos 
nas normas vigentes. 
§ 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças 
ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, 
cumulativamente: 
I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a 
pessoa; 
II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; 
III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime 
anterior; 
IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo 
diretor do estabelecimento; 
V - não ter integrado organização criminosa. 
§ 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a 
revogação do benefício previsto no § 3º deste artigo 
§ 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o 
crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 
de agosto de 2006. 
§ 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de 
liberdade interrompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de 
cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito 
objetivo terá como base a pena remanescente. 
§ 7º O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do 
fato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a 
obtenção do direito. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019). 
 
Ao analisar o art. 112 da Lei nº 13.964/2019, se percebe uma nova estruturação 
dos prazos para progressão de regime, sendo definidos com a gravidade do delito de 
cada apenado. A exigência de boa conduta carcerária, validada pelo diretor da 
instituição, resulta no laudo carcerário juntado ao processo, ao qual demonstra que o 
 
49 
 
preso está apto à ressocialização. Embora a decisão do juiz para a progressão de 
regime exija o chamamento do Ministério Público e ao defensor ao processo, a 
legislação também atenta para as circunstâncias específicas de mulheres em 
situações particulares, garantindo uma abordagem adequada à sua condição. Assim, 
o conjunto de normas elencadas nesse artigo, demonstra um avanço objetivo no 
sistema penal, buscando conciliar a punição dos condenados, com sua reintegração 
social. 
 
14.5. Saída Temporária 
Para Marcão, (2021), foi incluído novos parágrafos no art. 122 da Lei nº 
13.964/2019, que veda a saída temporária do condenado por praticar crime hediondo 
com resultado morte. 
Conforme estabelece o art. 122 da Lei nº 13.964/2019, os condenados que 
cumprem pena em regime semiaberto podem obter autorização para saída temporária 
do estabelecimento em determinadas circunstâncias específicas. Entre essas 
situações estão a visita à família, a frequência a cursos profissionalizantes ou 
educacionais, e a participação em atividades que contribuam para sua reinserção 
social. Observe a redação: 
 
Art. 122. Os condenados que cumprem pena em regime semiaberto poderão 
obter autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância 
direta, nos seguintes casos: 
I - visita à família; 
II - frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 
2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da Execução; 
III - participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio 
social. 
§ 1º A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento 
de monitoração eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz 
da execução. 
§ 2º Não terá direito à saída temporária a que se refere o caput deste artigo 
o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado 
morte. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019). 
 
A nova adição do §2º determina que não terá direito à saída temporária prevista 
no caput do art. 122 da Lei nº 13.964/2019, o condenado que cumpre pena por praticar 
crime hediondo com resultado morte. Tal disposição visa a resguardar a sociedade, 
tendo em vista a extrema gravidade desses crimes e o potencial risco que 
representam para a comunidade. 
 
50 
 
A proibição da saída temporária para condenados por crimes hediondos com 
resultado morte é uma medida que busca conciliar a ressocialização do indivíduo com 
a proteção da sociedade. Sendo assim, a inclusão desse novo parágrafo no art. 122 
remete a uma preocupação do legislador em garantir uma política penal mais 
equilibrada, que considere a reabilitaçãodo condenado, e a segurança da sociedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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1988. Brasília, DF: Presidência da República, 2023. Disponível em: 
https://abre.ai/jy3F. Acesso em: 15/02/2024. 
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Janeiro, 7 de dezembro de 1940; 119º da Independência e 52º da República. Brasília, 
DF: 1940. Disponível em: https://encurtador.com.br/luxM1. Acesso em: 19/02/2024. 
BRASIL. Decreto Lei nº 3.689 de 03 de outubro de 1941, Código de Processo Penal. 
Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 1941; 120o da Independência e 53o da República. 
Brasília, DF: 1941. Disponível em: https://encurtador.com.br/dlW69. Acesso em: 
19/02/2024. 
BRASIL. LEI nº 13.964, de 24 de dezembro de 2019. Aperfeiçoa a legislação penal 
e processual penal. Brasília, 29 de abril de 2021; 200º da Independência e 133º da 
República. Brasília, DF: 2021. Disponível em: https://encurtador.com.br/sEOS4. 
Acesso em: 12/02/2024. 
BRASIL. LEI nº 14.326, de 12 de abril de 2022. Altera a Lei nº 7.210, de 11 de julho 
de 1984 (Lei de Execução Penal). Brasília, 12 de abril de 2022; 201º da 
Independência e 134º da República. Brasília, DF: 2022. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/uEMVX. Acesso em: 18/02/2024. 
BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. Institui a Lei de Execução Penal. 
Brasília, 11 de julho de 1984; 163º da Independência e 96º da República. Disponível 
em: https://abre.ai/jy3u. Acesso em: 06/02/2024. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula nº 441. A falta grave não interrompe o 
prazo para obtenção de livramento condicional. TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 
28/04/2010, DJe 13/05/2010. Disponível em: https://abre.ai/jy3v. Acesso em: 
18/02/2024. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. T6 - Sexta Turma do STJ. (HC n. 168.954/SP, 
relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 21/10/2010, DJe de 
16/11/2010). Brasília, DF: STJ, 2010. Disponível em: https://abre.ai/jy3z. Acesso em: 
19/02/2024. 
BRITO, Alexis Couto de. Execução Penal. – 6. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 
2020. 
 
52 
 
MARCÃO, Renato. Curso de execução penal – 18. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2021. 
NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de Execução Penal. – 4. ed. – Rio de Janeiro: 
Forense, 2021.b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com 
a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; 
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; 
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam 
permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. (BRASIL, 
1988). 
 
É sabido que as diversas disciplinas do direito adotam princípios constitucionais 
a serem observados, e tal cenário não difere na esfera do direito penal e do processo 
penal. Essas áreas lidam com a liberdade individual, podendo também abranger a 
execução penal, normas penais, processuais e administrativas, conforme explicado 
por Nucci: 
 
Quanto à individualização da pena, sabe-se que há três aspectos a 
considerar: (a) individualização legislativa: feita pelo Poder Legislativo ao criar 
 
6 
 
um tipo penal incriminador inédito; (b) individualização judicial: na sentença 
condenatória, deve o magistrado fixar a pena concreta, escolhendo o valor 
cabível, entre o mínimo e o máximo, abstratamente previstos pelo legislador, 
além de optar pelo regime de cumprimento da pena e pelos eventuais 
benefícios (penas alternativas, suspensão condicional da pena etc.); (c) 
individualização executória: a terceira etapa da individualização da pena se 
desenvolve no estágio da execução penal. Esta parte é, normalmente, 
desconhecida – ou mal compreendida – dos estudiosos das ciências 
criminais. A sentença condenatória não é estática, mas dinâmica. Um réu 
condenado ao cumprimento da pena de reclusão de doze anos, em regime 
inicial fechado, pode cumpri-la exatamente em doze anos, no regime fechado 
(basta ter péssimo comportamento carcerário, recusar-se a trabalhar etc.) ou 
cumpri-la em menor tempo, valendo-se de benefícios específicos (remição, 
comutação, progressão de regime, livramento condicional etc.). Por fim, é 
preciso destacar que a execução penal não possui princípios constitucionais 
exclusivos; na realidade, os princípios penais e processuais penais são 
compartilhados com o Direito de Execução Penal. (NUCCI, 2021). 
 
Ainda sobre a execução penal de forma geral, o mesmo autor assevera sobre 
a observância acerca de sua natureza jurídica: 
 
Cuida-se da atividade jurisdicional, voltada a tornar efetiva a pretensão 
punitiva do Estado, em associação à atividade administrativa, fornecedora 
dos meios materiais para tanto. Portanto, um processo de natureza mista, 
abrangendo aspectos jurisdicionais e administrativos. É preciso frisar caber à 
União, privativamente, a competência para legislar em matéria de execução 
penal, quando as regras concernirem à esfera penal ou processual penal (art. 
22, I, CF). Esse é o contexto básico da execução penal, abrangendo tanto 
penal quanto processo penal, no seu lado jurisdicional. Envolve-se, ainda, 
com o Direito Penitenciário, vinculado à organização e funcionamento de 
estabelecimentos prisionais, normas de assistência ao preso ou ao egresso, 
órgãos auxiliares da execução penal, entre outros temas correlatos à parte 
administrativa da execução, cuja competência legislativa é da União, mas 
concorrentemente com os Estados e Distrito Federal (art. 24, I, CF). (NUCCI, 
2021). 
 
1.1. Jurisdição 
Compete à União, exclusivamente, a competência para legislar acerca da 
execução penal, se tratarem de regras referentes ao direito penal ou processual penal, 
art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, 
processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (BRASIL, 
1998). No entanto, seguindo com a leitura do art. 24, I: Art. 24. Compete à União, aos 
Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, 
financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico. (BRASIL, 1988). 
Vimos que há uma concorrência da competência para legislar sobre o direito 
penitenciário e se tratando de execução penal é evidente o envolvimento do direito 
penitenciário, Nucci explica: 
 
7 
 
 
Envolve-se, ainda, com o Direito Penitenciário, vinculado à organização e 
funcionamento de estabelecimentos prisionais, normas de assistência ao 
preso ou ao egresso, órgãos auxiliares da execução penal, entre outros 
temas correlatos à parte administrativa da execução, cuja competência 
legislativa é da União, mas concorrentemente com os Estados e Distrito 
Federal (art. 24, I, CF). (NUCCI, 2021) 
 
Outro ponto importante é a explicação acerca da jurisdição ordinária e especial: 
 
Ordinária é a jurisdição comum – federal ou estadual – não concernente a 
nenhuma matéria específica, fixada pela Constituição. Por outro lado, em 
relação à chamada jurisdição especial, tratando de matéria específica, 
constitucionalmente prevista, somente há possibilidade de haver condenação 
criminal na Justiça Eleitoral ou na Justiça Militar. Para delimitar a competência 
do juízo da execução penal, segue-se a Súmula 192 do Superior Tribunal de 
Justiça: “Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das 
penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, 
quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos à administração estadual”. Em 
suma, se o presídio é estadual, compete ao juiz estadual executar a pena. Se 
é federal, ao juiz federal. Se militar, cabe ao juiz militar. Portanto, depende do 
local para onde é levado o condenado para que se saiba o juízo das 
execuções competente. Lembremos a existência de presídios estaduais, 
federais e militares (mas não há eleitorais; condenados com fundamento em 
crime eleitoral, podem seguir para presídios estaduais ou federais). LEP, art. 
2º. A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o 
Território Nacional, será exercida, no processo de execução, na 
conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal. Parágrafo único. 
Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela 
Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à 
jurisdição ordinária. (NUCCI, 2021). 
 
1.2. Finalidade da pena e justiça restaurativa 
A introdução da pena de prisão, ao substituir as penas de morte ou corporais, 
representa um avanço, embora inicialmente tenha surgido não como uma sanção 
penal em si, mas para assegurar a execução de outras penalidades. Em seus estágios 
iniciais, a pena de prisão possuía predominantemente um caráter retributivo, cujo 
propósito era o de impor castigo. A discussão gira em torno do caráter preventivo da 
pena, que busca reeducação e ressocialização. Alguns doutrinadores contestam a 
ideia de que a execução penal possua essa característica, conforme explicado por 
Nucci (2021): 
Temos sustentado que a pena tem vários fins comuns e não excludentes: 
retribuição e prevenção. Na ótica da prevenção, sem dúvida, há o aspecto 
particularmente voltado à execução penal, que é o preventivo individual 
positivo (reeducação ou ressocialização). Uma das importantes metas da 
execução penal é promover a reintegração do preso à sociedade. E um dos 
mais relevantes fatores para que tal objetivo seja atingido é proporcionar ao 
condenado a possibilidade de trabalhar e, atualmente, sob enfoque mais 
 
8 
 
avançado, estudar. Já tivemos oportunidade de expor, em nossa obra 
Individualização da Pena, que o caráter retributivo da pena vem expresso em 
lei, como se vê no disposto no art. 59 do CP: “O juiz, atendendo à 
culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do 
agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como 
ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e 
suficiente para reprovação e prevenção do crime: I – as penasaplicáveis 
dentre as cominadas; II – a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites 
previstos; III – o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; 
IV – a substituição da pena privativa de liberdade aplicada, por outra espécie 
de pena, se cabível”. Deve-se mencionar, ainda, o disposto no art. 121, § 5.º, 
do Código Penal, salientando ser possível ao juiz aplicar o perdão judicial, 
quando as consequências da infração atingirem o próprio agente de maneira 
tão grave que a sanção penal se torne desnecessária, evidenciando o caráter 
punitivo da pena. Aliás, na origem do termo, que vem do grego “poine”, pena 
significa vingança, ódio, ou ainda, nas palavras de ANA MESSUTI “a 
retribuição destinada a compensar um crime, a expiação de sangue”. Por 
outro lado, o caráter preventivo da pena desdobra-se em dois lados: a) geral, 
subdividido noutros dois: a.1) preventivo positivo: a aplicação da pena tem 
por finalidade reafirmar à sociedade a existência e força do Direito Penal; a.2) 
preventivo negativo: a pena concretizada fortalece o poder intimidativo 
estatal, representando alerta a toda a sociedade, destinatária da norma penal; 
b) especial, também se subdivide em dois aspectos: b.1) preventivo positivo: 
é o caráter reeducativo e ressocializador da pena, buscando preparar o 
condenado para uma nova vida, respeitando as regras impostas pelo 
ordenamento jurídico. A Lei de Execução Penal preceitua: “a assistência ao 
preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o crime e 
orientar o retorno à convivência em sociedade” (art. 10, caput). Ademais, o 
art. 22, da mesma Lei, dispõe: “a assistência social tem por finalidade 
amparar o preso e o internado e prepará-los para o retorno à liberdade”; b.2) 
preventivo negativo: significa voltar-se a pena igualmente à intimidação do 
autor da infração penal para que não torne a agir do mesmo modo, além de, 
conforme o caso, afastá-lo do convívio social, garantia maior de não tornar a 
delinquir, ao menos enquanto estiver segregado. São as múltiplas facetas da 
pena. (NUCCI, 2021). 
 
Brito (2020), aborda o tema das finalidades da pena da seguinte forma: 
 
É evidente que a pena privativa de liberdade pessoal é em si mesma um mal: 
um mal para a pessoa sobre quem é imposta, mas também um mal para a 
sociedade constrangida a recorrer a ela, como mortificação pela falência da 
prevenção, falência da qual a pena é viva testemunha, com dispêndio de 
meios, com escassez de perspectiva de sucesso quanto à prevenção 
especial. Justamente por isso se propõe por meio da pena privativa de 
liberdade, como por meio da pena em geral, uma suposta finalidade educativa 
e socializante. Todavia, todos sabemos que a pena privativa de liberdade não 
nasceu de uma exigência de (re) educação ou de (res) socialização, mas sim 
de uma dupla intenção totalmente diversa: a necessidade de isolar o culpado 
da sociedade e a exigência de substituir com uma punição menos bárbara as 
penas desumanas, degradantes e extremas que marcaram por muito tempo 
o direito punitivo. Por quantos esforços se tenham feito e por quantos 
façamos sobre o terreno da humanização da pena detentiva e a favor de uma 
organização apta a assegurar-lhe uma função educativa, é certo que sobre 
este último aspecto a pena privativa de liberdade apresentará limites 
insuperáveis. Ela deverá procurar de todo modo absorver a finalidade de 
incremento, mas não poderá nunca ser prescrita como o melhor meio para 
realizar essa finalidade (Vassalli. Scritti giuridici, p. 1.628. t. 1. v. 2). (...) A Lei 
 
9 
 
de Execução Penal preocupou-se com o envolvimento da sociedade civil no 
processo de “ressocialização”. E a justificativa surge com clareza do texto de 
René Ariel Dotti: “a execução das penas e Medidas de Segurança à revelia 
da participação eficaz da sociedade, além de institucionalizar mais 
gravemente a pena de proscrição, ou seja, uma reprise em circuito fechado 
da antiga pena da perda da paz impede que o condenado possa alcançar a 
ressocialização como objetivo racional e dogmático de um fim social da pena 
e não como esperança mirífica da recuperação moral, tão recitada pelos 
samaritanos da redenção espiritual” (Dotti. Reforma penal brasileira, p. 273). 
A pena é sofrida pelo autor e percebida pelos seus contemporâneos (Welzel. 
Derecho penal alemán, p. 281). Nessa categoria incluem--se familiares, 
vítimas e toda a sociedade, enquanto o homem existir. Submeter o cidadão a 
uma pena deve significar proporcionar ao Estado a reprovação do fato 
cometido e, ao condenado as condições de acréscimos pessoais rumo à 
sintonia com os valores e a cultura vivida em sua comunidade. É por isso que 
todos os institutos ligados à Execução Penal devem ter como finalidade 
diminuir os efeitos ou evitar as consequências danosas do cárcere, o que 
significa formular e aplicar institutos sempre voltados a diminuir a 
permanência do condenado na prisão. Nos moldes de uma execução 
construtivista da pena, deve--se procurar restabelecer as relações 
interpessoais entre os envolvidos (condenados, funcionários, técnicos, 
cidadãos livres), ainda que na condução dessa finalidade se possa abrir mão 
de métodos rigorosos de “tratamento”. (BRITO, apud VASSALLI; DOTTI; 
WELZEL. 2020). 
 
2. LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEI N.º 7.210/1984 
Segundo Brito (2020), após a condenação de um indivíduo no âmbito criminal, 
o Estado assume a responsabilidade e o direito de aplicar as punições de acordo com 
as leis estabelecidas. Um ponto imprescindível nesse processo é a Lei 7.210/84, 
conhecida como Lei de Execução Penal, que estabelece os princípios e diretrizes para 
a correta execução das penas impostas. 
O Art. 1º desta lei enfatiza que a execução penal visa efetivar as disposições 
de sentença ou decisão criminal, além de proporcionar condições para a harmoniosa 
reintegração social do condenado e do internado. Essa é uma missão que requer 
equilíbrio entre a punição justa pelo crime cometido e a oportunidade de 
ressocialização do indivíduo. 
A punição imposta pelo Estado não é somente uma forma de retribuição pelo 
delito, mas também tem o propósito de proteger a sociedade e promover a justiça. No 
entanto, a simples privação de liberdade não é suficiente para alcançar esses 
objetivos. É necessário um sistema que ofereça oportunidades para que o condenado 
possa se reabilitar e se reintegrar à sociedade de maneira positiva. 
A Lei de Execução Penal estabelece diretrizes para garantir que a execução da 
pena seja realizada de forma humana e respeitosa aos direitos fundamentais do 
 
10 
 
indivíduo. Ela prevê ações como o trabalho, a educação e o apoio psicossocial como 
meios de promover a ressocialização e evitar a reincidência criminal. 
Além disso, a lei também estabelece medidas como a progressão de regime e 
a liberdade condicional, que permitem ao condenado demonstrar seu progresso e sua 
disposição de se reintegrar à sociedade. Essas medidas incentivam a 
responsabilidade individual do condenado a buscar uma vida livre de crimes. 
No entanto, é importante mencionar que a aplicação da Lei de Execução Penal 
não deve ser vista apenas como um processo burocrático. Ela requer um 
compromisso real do Estado em fornecer os recursos e as condições necessárias para 
que a execução da pena seja objetiva. Isso inclui investimentos em infraestrutura 
prisional, programas de educação e capacitação profissional, assistência jurídica e 
psicossocial, entre outros. 
Sendo assim, para haver a correta execução das penas impostas, o art. 1º da 
Lei 7.210/84, estabelece que: art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as 
disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a 
harmônica integração social do condenado e do internado. (BRASIL, 1984). 
De acordo com o artigo 1º, a execução penal busca concretizar as decisões 
judiciais e criar condições para a reintegração social do condenado ou internado. É 
relevante destacar que a instituiçãoda prisão se divide em prisão cautelar (temporária 
ou provisória) e prisão-pena (sanção penal). 
O artigo 2º da Lei de Execuções Penais (LEP) refere-se à jurisdição penal dos 
Juízes e Tribunais de Justiça ordinária, estabelecendo que suas disposições se 
aplicam tanto ao preso provisório quanto ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar 
quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos à jurisdição ordinária. 
Portanto, é importante notar que a LEP também abrange os presos provisórios, 
além daqueles sob pena de prisão, conforme disposto no artigo 2º, o que amplia o 
alcance das normas além dos indivíduos detidos por condenação penal. 
 
Art. 2º A jurisdição penal dos juízes ou tribunais da justiça ordinária, em todo 
o território nacional, será exercida, no processo de execução, na 
conformidade desta lei e do Código de Processo Penal. 
Parágrafo único. Esta lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao 
condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a 
estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária. (BRASIL, 1984). 
 
 
11 
 
Quanto aos objetivos da LEP, conforme delineado no artigo 1º, incluem-se o 
cumprimento das sanções penais impostas e a reintegração social do condenado ou 
internado. 
A competência para a execução penal é atribuída ao juiz designado pela 
legislação local ou, na ausência deste, ao juiz da sentença, conforme o artigo 65 da 
LEP, ao qual estabelece que: art. 65. A execução penal competirá ao Juiz indicado na 
lei local de organização judiciária e, na sua ausência, ao da sentença. (BRASIL, 1984). 
Os direitos do preso são garantidos pelo artigo 3º da lei, que estipula que serão 
assegurados todos os direitos não afetados pela sentença ou pela lei, sem qualquer 
discriminação de natureza racial, social, religiosa ou política. Ademais, o Estado deve 
buscar a cooperação da comunidade nas atividades de execução da pena e medida 
de segurança, conforme o artigo 4º. 
 
Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não 
atingidos pela sentença ou pela lei. 
Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, 
religiosa ou política. 
Art. 4º O Estado deverá recorrer à cooperação da comunidade nas atividades 
de execução da pena e da medida de segurança. (BRASIL, 1984). 
 
Em síntese, a medida de prisão deve afetar apenas o direito à liberdade do 
preso, preservando os demais direitos não atingidos pela sentença, o que implica que 
os órgãos responsáveis pela execução penal devem garantir esses direitos durante o 
cumprimento da pena privativa de liberdade, como acesso à alimentação, saúde e 
integridade física. 
Segundo Brito (2020), conforme estabelecido, a privação de liberdade imposta 
pela medida de prisão deve, em sua essência, restringir apenas um dos direitos do 
indivíduo: o direito à liberdade. Nesse contexto, é fundamental que mesmo diante da 
privação da liberdade, os condenados mantenham intactos os demais direitos não 
afetados pela decisão judicial. Portanto, é incumbência dos órgãos responsáveis pela 
execução penal garantir que os direitos do condenado sejam respeitados e 
assegurados durante o cumprimento da pena privativa de liberdade, incluindo, mas 
não se limitando a, direitos como alimentação adequada, acesso à saúde e 
preservação da integridade física. 
 
12 
 
Nessa perspectiva, a Lei de Execução Penal (LEP) confere uma série de 
direitos aos condenados e aos presos provisórios, visando garantir condições dignas 
durante o período de reclusão: 
 
Art. 40. Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e 
moral dos condenados e dos presos provisórios. 
Art. 41. Constituem direitos do preso: 
I – alimentação suficiente e vestuário; 
II – atribuição de trabalho e sua remuneração; 
III – Previdência Social; 
IV – constituição de pecúlio; 
V – proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso 
e a recreação; 
VI – exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e 
desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena; 
VII – assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa; 
VIII – proteção contra qualquer forma de sensacionalismo; 
IX – entrevista pessoal e reservada com o advogado; 
X – visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias 
determinados; 
XI – chamamento nominal; 
XII – igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização 
da pena; 
XIII – audiência especial com o diretor do estabelecimento; 
XIV – representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito; 
XV – contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da 
leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os 
bons costumes. 
XVI – atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da 
responsabilidade da autoridade judiciária competente. 
Parágrafo único. Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser 
suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do 
estabelecimento. (BRASIL, 1984). 
 
3. DA ASSISTÊNCIA AO RECLUSO 
Para Marcão, (2021), ao ser analisado os dispositivos da Lei de Execução 
Penal (LEP), é de se observar a relevância da assistência assegurada ao preso ou 
internado como um dever do Estado. O Artigo 10 ressalta que essa assistência tem 
como objetivos a prevenção do crime e a orientação para o retorno à convivência em 
sociedade. Nesse sentido, compreender que a assistência não se limita apenas ao 
período de encarceramento, mas se estende também ao egresso. 
Quanto aos aspectos da assistência, o Artigo 11 elenca diversas dimensões 
que devem ser contempladas. Em primeiro lugar, destaca-se a assistência material, 
que engloba condições dignas de vida, como alimentação adequada e condições de 
higiene. Esses aspectos são fundamentais visando sempre o bem-estar físico, além 
 
13 
 
de preservar a dignidade humana para a construção de uma cultura de respeito aos 
direitos fundamentais. 
Desta feita, a assistência à saúde se configura como uma dimensão primordial, 
garantindo o acesso a serviços médicos e psicológicos que possam tratar eventuais 
problemas de saúde física e mental dos detentos. A atenção jurídica também é 
essencial, assegurando que os presos tenham acesso à defesa legal e compreensão 
dos trâmites judiciais que envolvem sua situação. 
Segundo Brito (2020), à assistência educacional, deve-se oferecer 
oportunidades de aprendizado e capacitação, visando à reintegração social por meio 
da qualificação profissional e do desenvolvimento intelectual. A dimensão social da 
assistência busca promover a reinserção dos indivíduos na comunidade, fornecendo 
apoio para reconstrução de laços familiares e sociais. 
Já, a assistência religiosa representa o respeito à diversidade de crenças e a 
garantia do exercício da liberdade religiosa mesmo em contextos de privação de 
liberdade. Dessa forma, a LEP estabelece um amplo conjunto de medidas destinadas 
a promover a ressocialização e a garantir a dignidade dos indivíduos submetidos ao 
sistema prisional, contribuindo assim para a construção de uma sociedade mais justa 
e inclusiva. 
Conforme demostrado, observe o que estabelece os artigos 10 e 11 da LEP: 
 
Art. 10. A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando 
prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade. 
Parágrafo único. A assistência estende-se ao egresso. 
Art. 11. A assistência será: 
I – material; 
II – à saúde; 
III – jurídica; 
IV – educacional; 
V – social; 
VI – religiosa. (BRASIL, 1984). 
 
Importante também mencionar sobre a Assistência à Saúde da mulher presa 
gestante ou puérpera demanda tratamento humanitário antes, durante e após o 
trabalho de parto, e no período de puerpério. Esta é uma questão que ganhou 
relevância com a inclusão do parágrafo §4º no artigo 14 da Lei nº 14.326/22, que 
estabelece medidas para garantir aassistência integral à saúde dessas mulheres e 
de seus recém-nascidos. 
 
14 
 
Essa legislação reflete um avanço significativo na proteção dos direitos das 
mulheres encarceradas em situação gestacional ou pós-parto. Ao incluir disposições 
específicas para esse grupo vulnerável, a lei reconhece a importância de garantir-lhes 
acesso a cuidados médicos adequados e humanizados, alinhados com os princípios 
de dignidade e respeito à sua condição. 
Para Marcão, (2021), no âmbito da Assistência à Saúde, é fundamental que as 
mulheres presas recebam acompanhamento médico regular durante a gestação, com 
exames pré-natais e orientações sobre cuidados com a saúde materna e fetal. 
Durante o trabalho de parto, é essencial proporcionar-lhes assistência qualificada e 
respeitosa, assegurando o acesso a uma estrutura adequada para o parto e a 
presença de profissionais capacitados para atender suas necessidades médicas e 
emocionais. 
Além disso, no período pós-parto, conhecido como puerpério, é imprescindível 
garantir às mulheres encarceradas o suporte necessário para a recuperação física e 
psicológica após o parto. Isso inclui cuidados com a amamentação, orientações sobre 
o manejo de possíveis complicações pós-parto e apoio emocional para lidar com as 
demandas da maternidade em um ambiente prisional. 
A implementação efetiva do parágrafo §4º do artigo 14 da Lei nº 14.326/22 
requer a adoção de políticas públicas que assegurem o cumprimento dessas 
disposições em todas as unidades prisionais do país. Isso envolve a capacitação de 
profissionais de saúde, a disponibilização de recursos adequados e a criação de 
protocolos específicos para garantir a assistência integral à saúde das mulheres 
presas gestantes ou puérperas e de seus bebês. 
Sendo assim, a inclusão dessas medidas na legislação representa um avanço 
significativo na proteção dos direitos das mulheres encarceradas em situação 
gestacional ou pós-parto. No entanto, é fundamental que essas disposições sejam 
efetivamente implementadas e acompanhadas de políticas públicas que garantam o 
acesso universal e igualitário à Assistência à Saúde, respeitando a dignidade e os 
direitos humanos das mulheres presas e de seus filhos. Nessa esteira, a Lei nº 
14.326/22 inclui no art. 14 da LEP o parágrafo § 4º, o qual prevê: 
 
§4º Será assegurado tratamento humanitário à mulher grávida durante os 
atos médico-hospitalares preparatórios para a realização do parto e durante 
o trabalho de parto, bem como à mulher no período de puerpério, cabendo 
 
15 
 
ao poder público promover a assistência integral à sua saúde e à do recém-
nascido. (Incluído pela Lei nº 14.326, de 2022). (BRASIL, 1984). 
 
4. EGRESSOS 
Para Marcão, (2021), a legislação brasileira define como egresso o indivíduo 
que foi condenado e liberado definitivamente, seja pelo cumprimento integral de sua 
pena ou pela concessão de livramento condicional. Esta liberação definitiva possui um 
período de observação de um ano, a contar da data de sua saída. Além disso, a Lei 
de Execução Penal (LEP) estipula medidas de amparo ao egresso, conforme 
estabelecido nos artigos 25 e 27, almejando sua reintegração social. 
O objetivo dessas disposições legais é proporcionar ao indivíduo recém-
liberado as condições necessárias para sua reintegração social. Nesse sentido, é 
assegurado ao egresso orientação e apoio, visando facilitar sua adaptação à vida em 
liberdade. Isso inclui assistência na busca por alojamento e alimentação, fornecidos 
em estabelecimento adequado por um período de até dois meses, conforme previsto 
no Artigo 25, Inciso II, da LEP, ao qual determina: 
 
Art. 25. A assistência ao egresso consiste: 
[...] 
II - na concessão, se necessário, de alojamento e alimentação, em 
estabelecimento adequado, pelo prazo de 2 (dois) meses. (BRASIL, 1984). 
 
Ademais, a lei assevera que assistentes sociais auxiliem o egresso na procura 
de emprego, reconhecendo a importância do trabalho como um elemento fundamental 
para a reinserção na sociedade. Dessa forma, ao garantir essas medidas de suporte, 
a legislação visa evitar a reincidência criminal, bem como, promover a ressocialização 
do indivíduo e contribuir para a construção de uma comunidade mais segura e justa. 
 
5. DO TRABALHO 
Para Marcão, (2021), a Lei de Execução Penal – LEP, é um instrumento 
normativo que regula diversos aspectos do sistema carcerário, incluindo o trabalho 
dos detentos. Esse tema é abordado entre os artigos 28 e 37 da referida legislação, 
cuja leitura é imprescindível para compreensão das disposições pertinentes. 
De acordo com os termos da LEP, fica estabelecido que o condenado está 
sujeito ao trabalho, tanto interno quanto externo, conforme suas habilidades e 
capacidades. É importante destacar que todo trabalho realizado pelo detento deve ser 
 
16 
 
remunerado, garantindo assim seu direito e assegurando uma contribuição digna para 
a sociedade. 
Entretanto, há exceções nesse contexto. Conforme disposto no artigo 31 da 
LEP, o trabalho interno é obrigatório apenas para os condenados à pena privativa de 
liberdade, ficando isentos dessa obrigatoriedade os presos provisórios. Para estes 
últimos, o trabalho interno só pode ser realizado no interior do estabelecimento 
prisional. 
Outra exceção relevante é abordada no artigo 200 da LEP, o qual estipula que 
o condenado por crime político não está sujeito ao trabalho, seja ele interno ou 
externo. Essa disposição visa resguardar direitos específicos relacionados a esse tipo 
de detenção, reconhecendo sua natureza dos crimes políticos. 
Sendo assim, apenas o preso provisório e o político não estão obrigados ao 
trabalho interno, observe: 
 
Art. 31. O condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho 
na medida de suas aptidões e capacidade. 
Parágrafo único. Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só 
poderá ser executado no interior do estabelecimento. 
Art. 200. O condenado por crime político não está obrigado ao trabalho. 
(BRASIL, 1984). 
 
Um outro aspecto crucial é que os serviços comunitários, como definidos pelo 
artigo 30 da Lei de Execuções Penais (LEP), não receberão remuneração. Essa 
disposição legal visa direcionar as atividades dos detentos para a contribuição à 
sociedade sem a expectativa de compensação financeira direta. 
É importante ressaltar que mesmo fora do escopo da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), o preso detém direitos à previdência social, conforme delineado no 
artigo 41, III, da LEP. Isso significa que, apesar de sua condição de detento, ele 
mantém uma proteção social básica. 
Além disso, a legislação estipula que a remuneração pelo trabalho do preso, 
quando aplicável, jamais poderá ser inferior a ¾ (três quartos) do salário mínimo 
vigente. Este princípio está explicitado no artigo 29 da LEP, o qual define a 
remuneração mínima, bem como, especifica as destinações obrigatórias desse ganho, 
observe: 
 
 
17 
 
Art. 29. O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não 
podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário mínimo. 
§1º O produto da remuneração pelo trabalho deverá atender: 
a) à indenização dos danos causados pelo crime, desde que determinados 
judicialmente e não reparados por outros meios; 
b) à assistência à família; 
c) a pequenas despesas pessoais; 
d) ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manutenção 
do condenado, em proporção a ser fixada e sem prejuízo da destinação 
prevista nas letras anteriores. 
§ 2º Ressalvadas outras aplicações legais, será depositada a parte restante 
para constituição do pecúlio, em Caderneta de Poupança, que será entregue 
ao condenado quando posto em liberdade. (BRASIL, 1984). 
 
Consoante o parágrafo primeiro do referido artigo, a remuneração obtida pelo 
trabalho do detento deve ser destinada, prioritariamente, a quatro finalidades: 
indenização dos danos causados pelo crime, assistênciaà família, pequenas 
despesas pessoais e ressarcimento ao Estado das despesas com a manutenção do 
condenado. Essas destinações são fundamentais para promover a responsabilidade 
e a reintegração do indivíduo na sociedade. 
Já o parágrafo segundo, ressalta que o saldo remanescente, após o 
cumprimento dessas obrigações, deve ser depositado em uma Caderneta de 
Poupança para formação do pecúlio, que será entregue ao condenado ao término de 
sua pena, como uma forma de proporcionar um recomeço após a liberdade. 
Assim, a remuneração do trabalho realizado pelo preso é regulada pela lei de 
forma a garantir que sua execução cumpra um propósito social, além de contribuir 
para sua reintegração na comunidade após o cumprimento da pena. 
 
6. DOS DEVERES, DOS DIREITOS E DAS DISCIPLINAS DO PRESO 
Para Marcão, (2021), a legislação penal brasileira estabelece uma série de 
deveres, direitos e disciplinas que regem a conduta dos indivíduos condenados, 
delimitando as responsabilidades inerentes ao seu estado. O Artigo 38 da LEP 
destaca a obrigação do condenado de aderir às normas legais, bem como, às 
diretrizes específicas para a execução da pena. O Artigo 39, por sua vez, delineia de 
maneira detalhada os deveres que recaem sobre o ombro do apenado, englobando 
desde o comportamento disciplinado e o cumprimento integral da sentença até a 
execução do trabalho, o respeito às autoridades penitenciárias, a indenização à vítima 
e ao Estado, quando possível, das despesas decorrentes de sua manutenção. 
 
18 
 
A observância da urbanidade e do respeito nas relações com outros 
condenados, a prevenção de atitudes contrárias à ordem e disciplina, bem como, a 
responsabilidade pela conservação de objetos pessoais e pela higiene pessoal e do 
ambiente de alojamento constituem aspectos importantes dessas normativas. O 
Parágrafo único ressalta a extensão dessas disposições também aos presos 
provisórios, adaptando-as à natureza transitória de sua situação. Assim, a 
compreensão e o acatamento dessas normas se tornam fundamentais para a 
manutenção da ordem e da dignidade no sistema prisional brasileiro. Observe as 
redações da norma que regulam sobre o assunto: 
 
Art. 38. Cumpre ao condenado, além das obrigações legais inerentes ao seu 
estado, submeter-se às normas de execução da pena. 
Art. 39. Constituem deveres do condenado: 
I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença; 
II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva 
relacionar-se; 
III - urbanidade e respeito no trato com os demais condenados; 
IV - conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de 
subversão à ordem ou à disciplina; 
V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; 
VI - submissão à sanção disciplinar imposta; 
VII - indenização à vitima ou aos seus sucessores; 
VIII - indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com 
a sua manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do 
trabalho; 
IX - higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento; 
X - conservação dos objetos de uso pessoal. 
Parágrafo único. Aplica-se ao preso provisório, no que couber, o disposto 
neste artigo. (BRASIL, 1984). 
 
Seguindo sobre direitos do preso, há previsão no artigo 5º, III da Constituição 
Federal de 1988, III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano 
ou degradante; (BRASIL, 1988) e XLIX - é assegurado aos presos o respeito à 
integridade física e moral, (BRASIL, 1988), vejamos também a previsão no artigo 41 
da LEP: 
 
Art. 41 - Constituem direitos do preso: 
I - alimentação suficiente e vestuário; 
II - atribuição de trabalho e sua remuneração; 
III - Previdência Social; 
IV - constituição de pecúlio; 
V - proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e 
a recreação; 
VI - exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e 
desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena; 
 
19 
 
VII - assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa; 
VIII - proteção contra qualquer forma de sensacionalismo; 
IX - entrevista pessoal e reservada com o advogado; 
X - visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias 
determinados; 
XI - chamamento nominal; 
XII - igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização 
da pena; 
XIII - audiência especial com o diretor do estabelecimento; 
XIV - representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito; 
XV - contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da 
leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os 
bons costumes. 
XVI – atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da 
responsabilidade da autoridade judiciária competente. (Incluído 
pela Lei nº 10.713, de 2003) 
Parágrafo único. Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser 
suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do 
estabelecimento. (BRASIL, 1984). 
 
6.1. Das disciplinas 
A LEP ao discorrer sobre disciplina, em seu art. 44 estabelece que a disciplina 
é caracterizada pela colaboração com a ordem, obediência às autoridades e agentes, 
além do cumprimento do trabalho. Esta colaboração é especialmente relevante para 
os condenados à pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos, bem como, para 
os presos provisórios. 
Para Marcão, (2021), a garantia contra arbitrariedades é assegurada pelo art. 
45, que veda a aplicação de falta ou sanção disciplinar sem previsão legal, ou 
regulamentar expressa e anterior. Além disso, as sanções impostas não devem 
comprometer a integridade física e moral do condenado, conforme §1º, sendo proibido 
o emprego de cela escura prevista no § 2º e as sanções coletivas previstas no § 3º. 
No que tange à informação, o art. 46 estipula que o condenado deve ser 
cientificado das normas disciplinares no início da execução da pena. Assim, assegura-
se que o indivíduo esteja ciente das regras que regem sua conduta durante o 
cumprimento da pena. 
O exercício do poder disciplinar é claramente definido nos artigos 47 e 48. Na 
execução da pena privativa de liberdade, o poder disciplinar é atribuído à autoridade 
administrativa conforme as disposições regulamentares do art. 47. Já nas penas 
restritivas de direitos, tal poder é exercido pela autoridade administrativa à qual o 
condenado está sujeito, conforme o art. 48. No entanto, em casos de faltas graves, a 
autoridade deve representar ao Juiz da execução para as providências cabíveis. 
 
20 
 
Em se tratando das disciplinas vejamos os artigos responsáveis por sua 
previsão legal: 
 
Art. 44. A disciplina consiste na colaboração com a ordem, na obediência às 
determinações das autoridades e seus agentes e no desempenho do 
trabalho. 
Parágrafo único. Estão sujeitos à disciplina o condenado à pena privativa de 
liberdade ou restritiva de direitos e o preso provisório. 
Art. 45. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior 
previsão legal ou regulamentar. 
§ 1º As sanções não poderão colocar em perigo a integridade física e moral 
do condenado. 
§ 2º É vedado o emprego de cela escura. 
§ 3º São vedadas as sanções coletivas. 
Art. 46. O condenado ou denunciado, no início da execução da pena ou da 
prisão, será cientificado das normas disciplinares. 
Art. 47. O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será 
exercido pela autoridade administrativa conforme as disposições 
regulamentares. 
Art. 48. Na execução das penas restritivas de direitos, o poder disciplinar será 
exercido pela autoridade administrativa a que estiver sujeito o condenado. 
Parágrafo único. Nas faltas graves, a autoridade representará ao Juiz da 
execução para os fins dos artigos 118, inciso I, 125, 127, 181, §§ 1º, letra d, 
e 2º desta Lei. (BRASIL, 1984). 
 
As faltas disciplinares podem ser classificadas como leves, médias ou graves 
segundo o artigo 49da LEP: 
 
Art. 49. As faltas disciplinares classificam-se em leves, médias e graves. A 
legislação local especificará as leves e médias, bem assim as respectivas 
sanções. 
Parágrafo único. Pune-se a tentativa com a sanção correspondente à falta 
consumada. (BRASIL, 1984). 
 
Segundo Nucci (2021), ao comentar sobre as faltas leves e médias, aduz que: 
o art. 49 da Lei de Execução Penal classifica as faltas em leves, médias e graves, 
também preceitua que a legislação local especificará as leves e médias, bem como, 
as respectivas sanções. Para respeitar o princípio da legalidade, regente da execução 
penal, entende-se que a expressão legislação local deveria dizer respeito ao Poder 
Legislativo estadual, visto que cada Estado poderia ter o seu código de conduta para 
os presídios que administrar, mas sempre editado pelo Parlamento. Entretanto, o 
Judiciário tem aceitado a tipificação de faltas leves e médias através de atos 
administrativos do Poder Executivo. Outras faltas, que não gerem reflexos no 
prontuário do condenado, esgotando-se em sanções específicas a elas, podem ser 
 
21 
 
previstas em regulamentos de presídios. É previsto a equiparação entre falta 
consumada e tentada, e nessa questão se crê haver viabilidade para tal previsão, pois 
existem vários tipos penais que equiparam a figura tentada à consumada, motivo pelo 
qual se buscou, no art. 49, parágrafo único, da LEP o mesmo propósito. Sendo assim, 
fugir ou tentar fugir constitui, igualmente, falta grave. 
 
Para Marcão (2021), acerca de exemplos de faltas leves e médias, comenta: 
 
São exemplos de falta disciplinar de natureza leve, relacionados no 
Regimento Interno Padrão dos estabelecimentos prisionais do Estado de São 
Paulo: transitar indevidamente pela unidade prisional; comunicar-se com 
visitantes sem a devida autorização; comunicar-se com sentenciados em 
regime de isolamento celular ou entregar-lhes quaisquer objetos sem 
autorização; adentrar cela alheia sem autorização; improvisar varais e 
cortinas na cela ou alojamento, comprometendo a vigilância, salvo situações 
excepcionais autorizadas pelo diretor da unidade prisional; ter a posse de 
papéis, documentos, objetos ou valores não cedidos e não autorizados pela 
unidade prisional; estar indevidamente trajado; usar material de serviço para 
finalidade diversa da que foi prevista; remeter correspondência sem registro 
regular pelo setor competente; mostrar displicência no cumprimento do sinal 
convencional de recolhimento ou formação. No mesmo regimento padrão 
encontram-se relacionadas como falta disciplinar de natureza média, entre 
outras, as seguintes condutas: atuar de maneira inconveniente, faltando com 
os deveres de urbanidade perante autoridades, funcionários e sentenciados; 
portar material cuja posse seja proibida por portaria interna da direção da 
unidade; desviar ou ocultar objetos cuja guarda lhe tenha sido confiada; 
simular doença para eximir-se de dever legal ou regulamentar; induzir ou 
instigar alguém a praticar falta disciplinar grave, média ou leve; divulgar 
notícia que possa perturbar a ordem ou a disciplina; dificultar a vigilância em 
qualquer dependência da unidade prisional; praticar autolesão, como ato de 
rebeldia. (MARCÃO, 2021). 
 
6.2. Das faltas graves 
É imperativo ressaltar que o rol de faltas graves no âmbito penitenciário é 
taxativo, como assevera o art. 50 da Lei de Execução Penal (LEP). Este dispositivo 
estabelece que são consideradas faltas graves as condutas perpetradas pelo 
indivíduo sujeito à pena privativa de liberdade que transgridam os preceitos ali 
descritos. 
O cumprimento rigoroso desse artigo é importe, pois, visa garantir a 
manutenção da ordem e da segurança no sistema prisional. Esse rigor, é essencial 
para assegurar um ambiente prisional estável. Desse modo, conforme estabelecido 
no art. 50 da LEP, configura-se como falta grave aquela conduta perpetrada pelo 
indivíduo submetido à pena privativa de liberdade que infrinja os seguintes preceitos: 
 
22 
 
 
Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que: 
I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina; 
II - fugir; 
III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física 
de outrem; 
IV - provocar acidente de trabalho; 
V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas; 
VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei. 
VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou 
similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente 
externo. (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007) 
VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético. 
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso 
provisório. (BRASIL, 1984). 
 
Há de se observar, que primeiramente esses preceitos, se enquadram na 
categoria de incitar ou participar de movimentos destinados a subverter a ordem, ou 
a disciplina, bem como, a prática de fuga das instalações prisionais. Outra conduta 
passível de ser considerada falta grave é a posse indevida de instrumento capaz de 
lesar a integridade física de terceiros, assim como, a provocação de acidentes de 
trabalho no ambiente carcerário. 
Outrossim, o descumprimento das condições impostas no regime aberto, assim 
como, a inobservância dos deveres estabelecidos nos incisos II e V do artigo 39 da 
Lei em questão, são igualmente classificados como faltas graves. Não menos 
relevante é a proibição de posse, utilização ou fornecimento de dispositivos de 
comunicação, como aparelhos telefônicos ou de rádio, que possibilitem a interação 
com outros detentos ou com o exterior. 
Além disso, a recusa em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil 
genético, conforme estabelecido pela Lei nº 13.964/2019, também figura como falta 
grave, conforme explicitado no inciso VIII do Artigo 50. 
Importante frisar que o alcance das disposições contidas no art. 50 se estende, 
quando aplicável, ao preso provisório, conforme estipulado no parágrafo único do 
mesmo dispositivo legal. 
Ainda sobre o rol previsto no artigo 50, houve uma alteração produzida pela Lei 
nº 13.964, de 2019 que incluiu o inciso VIII, Nucci (2021) comenta que: 
 
Prevê-se a equiparação entre falta consumada e tentada, cremos haver 
viabilidade para tal previsão, pois existem vários tipos penais que equiparam 
a figura tentada à consumada, razão pela qual se buscou, no art. 49, 
 
23 
 
parágrafo único, da LEP o mesmo propósito. Logo, fugir ou tentar fugir 
constitui, igualmente, falta grave. (...) O disposto neste artigo aplica-se, no 
que couber, ao preso provisório”. Foi acrescentado, pela Lei 13.964/2019, o 
inciso VIII ao art. 50, considerando falta grave “recusar submeter-se ao 
procedimento de identificação do perfil genético”. Como já salientamos, a 
identificação pelo perfil genético é mais uma forma de individualizar pessoas, 
como a colheita da impressão digital ou a fotografia. Por isso, é obrigação do 
condenado que se encaixe nas hipóteses do art. 9.º-A da LEP. A recusa gera 
falta grave, que vai atrapalhar, no futuro, o recebimento de benefícios, como 
progressão de regime ou recebimento de livramento condicional. Pode-se 
indagar quantas vezes o sentenciado, que se recusar a esse procedimento, 
pode cometer falta grave; segundo nos parece mais lógico, cada vez que 
ingressar no sistema penitenciário para cumprir pena. Não é viável anotar 
uma falta grave a cada recusa do preso, se ele não chegou a alterar sua 
situação no presídio; do contrário, poder-se-ia encaminhá-lo para a colheita 
do material diariamente e, havendo recusa, seria uma falta grave por dia, 
resultando em mais de 300 ao ano. Então, é preciso haver solução de 
continuidade, vale dizer, ele sai do regime fechado e, retornando por qualquer 
motivo, pode-se cobrar a colheita do materialnovamente. Havendo recusa, 
registra-se como falta grave. O rol previsto no art. 50 é taxativo. Não é 
possível o emprego de analogia para suprir eventual lacuna pelas mesmas 
razões proibitivas no tocante à ausência de lei penal incriminadora para 
qualquer situação. É preciso lembrar que a anotação de falta grave pode 
acarretar vários prejuízos ao condenado, incluindo regressão de regime, 
perda do livramento condicional, inviabilidade de recebimento do indulto, 
perda de dias remidos etc. Por outro lado, é incabível a criação de novas 
faltas graves por meio de Resolução, Portaria ou Decreto, sob pena de ofensa 
à legalidade. Há dois fundamentos básicos para esse impedimento: a) a 
própria Lei de Execução Penal houve por bem tipificar e enumerar as faltas 
graves, razão pela qual cabe somente a lei federal ampliar esse rol; b) o art. 
49 da LEP permite que a legislação local edite apenas faltas leves ou médias, 
excluindo, por via de consequência, as graves. (NUCCI, 2021). 
 
Todavia, Marcão (2021) critica a alteração feita pelo pacote anticrime A Lei nº 
13.964/2019 acrescentou ao art. 50 da LEP seu inc. VIII, essa adição trata que o 
condenado pratica falta grave na recusa em submeter-se ao procedimento de 
identificação do perfil genético. A regra também foi introduzida no art. 9º-A da LEP, 
§8º, mas é inconstitucional o fornecimento obrigatório de DNA e punir com falta grave 
a recusa ao fornecimento de material genético, visto que ofende ao princípio que 
ninguém é obrigado a produzir prova contra si. A recusa será então o exercício de um 
direito constitucional e certamente não há o que se falar em falta disciplinar, pois não 
cabe punição no exercício do direito. Nem mesmo a redundância legislativa, que é 
prova de incapacidade técnica e de ausência de visão sistêmica, se encontra apta a 
salvar a pretensão mal normatizada. Seguindo acerca das faltas graves, Marcão 
(2021), ensina “O rol de faltas graves é taxativo também se sujeitando aos princípios 
da reserva legal e da anterioridade. Deve-se observar, que o fato de o Conselho 
Disciplinar, ao decidir sobre determinada conduta de sentenciado qualificando-a como 
 
24 
 
grave, não impede que o Juiz baseado na Lei de Execução Penal, entenda de modo 
diferente, pois o Magistrado não está vinculado à classificação feita pela 
Administração Penitenciária. A prática de fato previsto como crime doloso constitui 
falta grave conforme prevê a redação do art. 52, caput, da LEP, pois nesse caso é 
evidente que o autor possui um elevado grau de desajustamento de seu autor aos 
padrões de conduta social, e seu descaso com a disciplina a ser mantida no 
estabelecimento prisional, de cujo dever também é sabedor. Não é necessário 
aguardar a condenação, tampouco o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória, e não há violação ao princípio segundo o qual ninguém será 
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença condenatória (art. 5º, LVII, 
da CF). Ainda com relação às faltas graves, segue Marcão (2021): 
 
Basta a prática do crime doloso. Caso fosse necessário aguardar o trânsito 
em julgado definitivo da decisão no processo de conhecimento respectivo, 
por certo ficaria sem sentido a previsão legal, que resultaria de nenhum efeito 
prático, considerando o tempo demandado para a solução do novo processo. 
Se sobrevier o arquivamento do inquérito ou absolvição, a decisão proferida 
no processo execucional deverá ser desconstituída e cessados os seus 
efeitos. Somente a conduta dolosa deve ser considerada falta grave. O atual 
art. 83, alínea b, do CP, com a redação da Lei n. 13.964/2019, indica que para 
obter livramento é preciso que o executado não tenha cometido falta grave 
nos últimos 12 (doze) meses, e a correta interpretação da regra nos conduz 
a concluirmos que a prática de falta grave interrompe a contagem do prazo 
para obtenção de livramento condicional, e que, portanto, perdeu eficácia e 
deve ser cancelada a Súmula 441 do STJ, que diz: “A falta grave não 
interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional”. Ainda sobre os 
efeitos da falta grave e o entendimento sumulado do Superior Tribunal de 
Justiça, conferir: Súmula 534: “A prática de falta grave interrompe a contagem 
do prazo para a progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se 
reinicia a partir do cometimento dessa infração”. A esse respeito, também tem 
relevo observar que, desde a vigência do atual art. 112 da LEP, com a 
redação da Lei n. 13.964/2019, dispõe seu § 6º que: “O cometimento de falta 
grave durante a execução da pena privativa de liberdade interrompe o prazo 
para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em 
que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena 
remanescente”. Súmula 535: “A prática de falta grave não interrompe o prazo 
para fim de comutação de pena ou indulto”. No RE 972.598 RG/RS, pendente 
de julgamento, de que é relator o Min. Roberto Barroso, no dia 6 de abril de 
2017 o Supremo Tribunal Federal reconheceu que há repercussão geral na 
questão relacionada à (im) prescindibilidade e/ou (ir) regularidade de 
procedimento administrativo disciplinar (PAD) para o reconhecimento da 
prática de falta grave. Essa matéria está delimitada nos seguintes termos: 
“Tema 941: Possibilidade de afastar-se o prévio procedimento administrativo 
disciplinar — PAD, ou suprir sua eventual deficiência técnica, na hipótese de 
oitiva do condenado em audiência de justificação no juízo da execução penal, 
realizada na presença do ministério público ou defensor”. Segue a ementa: 
“Execução Penal. Recurso Extraordinário. Prática de falta grave. Prévio 
procedimento administrativo disciplinar. Desnecessidade. Repercussão geral 
reconhecida. 1. Nos termos das recentes decisões proferidas pelo Supremo 
 
25 
 
Tribunal Federal, a oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em 
audiência de justificação realizada na presença do defensor e do Ministério 
Público, afasta a necessidade de prévio Procedimento Administrativo 
Disciplinar (PAD), assim como supre eventual ausência ou insuficiência de 
defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática de falta grave durante 
o cumprimento da pena. 2. Assim sendo, a apuração da prática de falta grave 
perante o juízo da Execução Penal é compatível com os princípios do 
contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, da CF). 3. Reconhecimento 
da repercussão geral da questão constitucional suscitada. Decisão: O 
Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a questão. O Tribunal, por 
unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão 
constitucional suscitada. No mérito, não reafirmou a jurisprudência dominante 
sobre a matéria, que será submetida a posterior julgamento no Plenário 
físico”. (MARCÃO, 2021). 
 
6.3. RDD - Regime Disciplinar Diferenciado 
Para Marcão (2021), o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) é uma 
modalidade de cumprimento de pena que impõe restrições especiais aos detentos, 
como a limitação ao direito de visita e o recolhimento em cela individual. Com as 
alterações promovidas pela Lei nº 13.964, de 2019, o RDD previsto no artigo 52 da 
Lei de Execução Penal (LEP) passou por diversas modificações. 
Antes das alterações, o RDD era aplicado de forma ampla e com critérios 
menos específicos, permitindo seu uso indiscriminado em algumas situações. No 
entanto, a nova legislação trouxe uma série de requisitos e procedimentos mais 
rigorosos para sua aplicação. 
Uma das mudanças significativas é a necessidade de uma justificativa 
fundamentada por parte da autoridade competente para a aplicação do RDD. Agora, 
exige-se que haja indícios de envolvimento do detento em organizações criminosas 
ou em casos de grave indisciplina no estabelecimento prisional. 
Outro ponto relevante é a garantia de acompanhamento médico e psicológico 
durante o período de cumprimento da pena no RDD. Isso visa assegurar que o detento 
não seja submetido a condiçõesque comprometam sua integridade física ou mental. 
Portanto, as alterações promovidas pela Lei nº 13.964/2019 no regime 
disciplinar diferenciado representam uma tentativa de balancear a necessidade de 
disciplina no sistema prisional com o respeito aos direitos humanos dos detentos. O 
objetivo é tornar o RDD uma medida mais justa, evitando seu uso abusivo e garantindo 
que sua aplicação seja realmente necessária e proporcional às circunstâncias de cada 
caso. 
 
26 
 
Dessa feita, segue a íntegra das alterações produzidas pela Lei nº 13.964, de 
2019 ao regime disciplinar diferenciado previsto no artigo 52 da LEP: 
 
Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, 
quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o 
preso provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da 
sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes 
características: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição da sanção 
por nova falta grave de mesma espécie; (Redação dada pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
II - recolhimento em cela individual; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em 
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, 
por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com 
duração de 2 (duas) horas; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de 
sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não haja contato com 
presos do mesmo grupo criminoso; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em 
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, 
salvo expressa autorização judicial em contrário; (Incluído pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
VI - fiscalização do conteúdo da correspondência; (Incluído pela Lei nº 
13.964, de 2019) 
VII - participação em audiências judiciais preferencialmente por 
videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no mesmo 
ambiente do preso. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 1o O regime disciplinar diferenciado também poderá abrigar presos 
provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros, que apresentem alto 
risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. 
(Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003) 
§ 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos presos 
provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros: (Redação dada pela 
Lei nº 13.964, de 2019) 
I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento 
penal ou da sociedade; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, 
a qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou milícia 
privada, independentemente da prática de falta grave. (Incluído pela Lei nº 
13.964, de 2019) 
§ 2o Estará igualmente sujeito ao regime disciplinar diferenciado o preso 
provisório ou o condenado sob o qual recaiam fundadas suspeitas de 
envolvimento ou participação, a qualquer título, em organizações criminosas, 
quadrilha ou bando. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003) 
§ 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 3º Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização 
criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação 
criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação, o regime disciplinar 
diferenciado será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional 
federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o regime disciplinar diferenciado 
poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos de 1 (um) ano, existindo 
indícios de que o preso: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
27 
 
I - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança do 
estabelecimento penal de origem ou da sociedade; (Incluído pela Lei nº 
13.964, de 2019) 
II - mantém os vínculos com organização criminosa, associação criminosa ou 
milícia privada, considerados também o perfil criminal e a função 
desempenhada por ele no grupo criminoso, a operação duradoura do grupo, 
a superveniência de novos processos criminais e os resultados do tratamento 
penitenciário. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar 
diferenciado deverá contar com alta segurança interna e externa, 
principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar contato do 
preso com membros de sua organização criminosa, associação criminosa ou 
milícia privada, ou de grupos rivais. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste artigo será gravada em 
sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada 
por agente penitenciário. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar diferenciado, o 
preso que não receber a visita de que trata o inciso III do caput deste artigo 
poderá, após prévio agendamento, ter contato telefônico, que será gravado, 
com uma pessoa da família, 2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos. 
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019). (BRASIL, 2019). 
 
Acerca das alterações ocorridas no referido artigo Nucci (2021), estabelece 
que: com relação ao fato praticado como crime doloso, não é preciso que seja, 
efetivamente, julgado em definitivo, pois prejudicaria o curso da execução. Portanto, 
basta o cometimento do ato, que poderá ser avaliado pelo juiz das execuções para 
fins de eventual regressão ou para cortar um benefício. 
Associa-se o cometimento da falta grave à geração de subversão da ordem ou 
disciplina internas do presídio. A duração máxima do RDD de 360 dias, podendo ser 
prorrogada por igual período em caso de repetição da falta grave alterou para 2 (dois) 
anos, cabendo, igualmente, a prorrogação se houver nova falta grave da mesma 
espécie. Mantém-se o recolhimento em cela individual (o que muitos presos comuns 
não possuem, vivendo em ambientes superlotados e insalubres). 
A visitação quinzenal foi alterada para duas pessoas, retirando-se as crianças 
e acrescendo-se a existência de instalações equipadas para impedir o contato físico 
e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro autorizado 
judicialmente, com duração de duas horas. 
Outra mudança diz respeito ao banho de sol, que continua por duas horas 
diárias, mas se permite que haja o convívio com outros detentos com um limite de até 
4 desde que não pertencentes ao mesmo grupo criminoso. Seguindo sobre as 
alterações da lei 13.964/19 Nucci (2021), ainda explica que: 
 
 
28 
 
A reforma da Lei 13.964/2019 introduziu que as entrevistas do preso em RDD 
serão sempre monitoradas (acompanhadas por um agente penitenciário), 
exceto as mantidas com seu defensor, valendo-se de instalações apropriadas 
para impedir o contato físico e a passagem de objetos (a menos que haja 
autorização em contrário). Incluiu, também, a fiscalização do conteúdo da 
correspondência. Esse ponto já vem ocorrendo em todos os presídios 
brasileiros, há muito tempo. Por evidente, não se pode permitir que quem 
perdeu a liberdade possa ter ampla liberdade de troca de correspondências; 
afinal, planos para matar autoridades e outras pessoas foram descobertos ao 
longo do tempo justamente pela verificação da correspondência. Lembre-se, 
ainda, que, atualmente, nem mesmo se pode falar em correspondência (carta 
escrita), pois as trocas de mensagens se fazem por celulares e 
computadores. Pode-se dizer que celular e computador não são permitidos 
nos presídios, mormente no âmbito do Regime

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