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DIREITO PROCESSUAL PENAL I Aula 02 - A Segunda Introdução à matéria DIREITO - UNI7 PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso DIREITO - UNI7 PRECEITOS DO TIPO PENAL O preceito primário é responsável por descrever de forma clara e precisa a conduta que se busca proibir ou punir. Ele define o tipo penal, ou seja, a ação ou omissão que é considerada crime. Por exemplo, no artigo 121 do Código Penal, que trata do homicídio, o preceito primário é a descrição "matar alguém". Este preceito é essencial para a tipificação do crime, pois sem ele não há como identificar a infração penal. Preceito Primário O preceito secundário, por sua vez, é encarregado de individualizar a pena que será aplicada à conduta descrita no preceito primário. Ele estabelece a sanção penal, que pode variar em termos de duração e tipo, dependendo da gravidade do crime. No mesmo exemplo do artigo 121, o preceito secundário especifica a pena de reclusão de 6 a 20 anos. Assim, o preceito secundário complementa o preceito primário, fornecendo as consequências legais para a infração cometida. Preceito Secundário PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso PIRÂMIDE DE HANS KELSEN DIREITO - UNI7 Constituições Estaduais e Leis Orgânicas Municipais Normas Infralegais Atos Administrativos Constituição Federal Leis Ordinárias e Complementares A Pirâmide de Hans Kelsen representa a hierarquia das normas jurídicas dentro do ordenamento. A ideia é que cada norma só é válida se estiver fundamentada em uma superior, até chegar à Constituição, que ocupa o topo e é a fonte de validade de todo o sistema. Na base, estão os atos administrativos e normas infralegais, como portarias, decretos e regulamentos. Eles só têm força se estiverem de acordo com leis superiores. Logo acima, encontram-se as leis ordinárias e complementares, criadas pelo Poder Legislativo e subordinadas à Constituição. Um nível acima estão as leis orgânicas e constituições estaduais/municipais, que organizam os entes federativos, mas também precisam respeitar a Constituição Federal. No topo da pirâmide está a Constituição Federal, considerada a norma suprema, da qual todas as demais derivam. Esse modelo garante coerência e segurança jurídica, evitando contradições entre normas e assegurando que todo o sistema esteja estruturado de forma lógica e ordenada. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso DIREITO - UNI7 PREVENÇÃO GERAL A pena ensina à sociedade que condutas ilícitas não serão toleradas. Reforça a confiança coletiva na validade das normas jurídicas, reafirmando a autoridade do Estado e do ordenamento jurídico. Desestimula potenciais infratores, já que a punição aplicada serve como exemplo para evitar novos crimes. A prevenção geral é uma função da pena voltada para a sociedade em geral, e não apenas para o indivíduo que cometeu o crime. A ideia é mostrar que o Estado pune quem viola a lei, transmitindo uma mensagem coletiva de que o ordenamento jurídico deve ser respeitado. Esse mecanismo tem um caráter pedagógico, porque ensina que comportamentos ilícitos trazem consequências, e também simbólico, pois reforça a confiança da coletividade na validade das normas. Assim, a pena atua como um instrumento de dissuasão, desestimulando potenciais infratores e fortalecendo a credibilidade da lei. Em resumo, a prevenção geral busca evitar novos crimes ao reafirmar a autoridade do Estado e a eficácia das normas jurídicas perante toda a sociedade. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso DIREITO - UNI7 SUSPEITO Não há certeza de culpa, apenas indícios. Associado a uma investigação criminal. Pode ser inocente, até que se prove o contrário. Pessoa apontada ou considerada como possível autora de um crime, mas sem comprovação definitiva. Exemplo: Alguém visto próximo ao local de um furto pode ser considerado suspeito até que a investigação confirme ou descarte sua participação. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso INDICIADO DIREITO - UNI7 Já existe um ato formal da polícia atribuindo a prática do crime. Pessoa contra a qual a autoridade policial formaliza a imputação de um crime, registrando no inquérito policial. Exemplo: Após coleta de provas, a polícia decide indiciar alguém por homicídio, registrando oficialmente sua condição no processo investigativo. O indiciamento é documentado e integra o inquérito. Ainda não há condenação, mas há maior vinculação ao fato investigado. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso DIREITO - UNI7 FLAGRANTE Não depende de ordem judicial. Prisão realizada quando alguém é surpreendido cometendo um crime ou logo após praticá-lo. Evitar fuga do autor e impedir a continuidade da prática criminosa. O flagrante é uma situação prevista no Direito Penal e Processual Penal em que alguém é surpreendido cometendo um crime ou logo após tê-lo praticado. Ele permite que qualquer pessoa, e especialmente a autoridade policial, realize a prisão imediata do autor, sem necessidade de ordem judicial. É a captura de alguém no momento em que pratica o crime ou logo em seguida, quando ainda há evidências claras da autoria. Sua finalidade é garantir a eficácia da lei penal, evitando que o autor do delito fuja ou continue a prática criminosa. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso FLAGRANTE (ORDEM): DIREITO - UNI7 Oitiva do condutor Interrogatório do réu Oitiva das testemunhas e lavratura do auto O Artigo 304 do Código de Processo Penal disciplina o procedimento da prisão em flagrante quando o preso é apresentado à autoridade competente. A primeira providência é ouvir o condutor, ou seja, a pessoa responsável por efetuar a prisão. Após essa oitiva, a autoridade colhe sua assinatura e entrega uma cópia do termo, juntamente com o recibo de entrega do preso, garantindo a formalidade e a transparência do ato. Em seguida, a autoridade procede ao interrogatório do réu, dando-lhe a oportunidade de se manifestar sobre a imputação que lhe é feita. Esse momento é essencial para assegurar o direito de defesa, ainda que em fase inicial, e também para registrar oficialmente a versão do acusado. Após o interrogatório, é colhida a assinatura do réu, reforçando a validade do procedimento. Na sequência, são ouvidas as testemunhas que acompanharam o flagrante. Cada uma delas presta declarações sobre o ocorrido e assina o termo correspondente, o que contribui para a formação de um conjunto probatório inicial. Esse passo é importante para dar maior credibilidade e imparcialidade ao registro da prisão. Por fim, a autoridade lavra o auto de prisão em flagrante, reunindo todas as declarações e assinaturas colhidas. Esse documento formaliza o procedimento e serve como base para a continuidade da persecução penal. Assim, a ordem prevista é clara: primeiro o condutor, depois o réu e, por último, as testemunhas, garantindo a legalidade e a organização do processo. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso DIREITO - UNI7 QUANDO ALGUÉM PODE SER PRESO EM FLAGRANTE? O Artigo 302 do Código de Processo Penal explica de forma simples quando alguém pode ser preso em flagrante. Isso acontece em quatro situações: quando a pessoa está cometendo o crime, quando acaba de cometê-lo, quando é perseguida logo após em circunstâncias que indiquem ser o autor, ou quando é encontrada logo depois com objetos ou instrumentos que façam presumir sua participação na infração. O parágrafo primeiro diz que, se houver suspeita fundada contra o conduzido, a autoridade deve recolhê-lo à prisão, salvo se houver possibilidade de fiança ou de ser liberado. Assim, o processo segue com o inquérito ou é encaminhado para a autoridade competente. O parágrafo segundo esclarece que, mesmo sem testemunhas do crime, o auto de prisão em flagrante pode ser feito. Nesse caso, ao menos duas pessoas que tenham visto a apresentação do preso devem assinar junto com o condutor. O parágrafo terceiro prevê que, se o acusado não quiser ou não puder assinar, o auto será assinado por duas testemunhas que tenham ouvido sua leitura na presença do acusado, do condutor e das demais testemunhas. Isso garante que o procedimento seja válido etransparente. Por fim, o parágrafo quarto fala que da lavratura do auto de prisão em flagrante deverá constar a informação sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso DIREITO - UNI7 ARTIGO 306 DO CPP O Artigo 306 do Código de Processo Penal trata da comunicação imediata da prisão. Ele determina que, sempre que alguém for preso, a autoridade deve informar o juiz competente, o Ministério Público e a família do preso ou a pessoa por ele indicada. Isso garante transparência e respeito aos direitos fundamentais. O parágrafo primeiro estabelece que, em até 24 horas após a prisão, o auto de prisão em flagrante deve ser encaminhado ao juiz. Caso o preso não informe o nome de seu advogado, uma cópia integral deve ser enviada à Defensoria Pública, assegurando que ele tenha assistência jurídica. O parágrafo segundo prevê que, nesse mesmo prazo, o preso deve receber uma nota de culpa, assinada pela autoridade, contendo o motivo da prisão, o nome do condutor e das testemunhas. Esse documento é entregue mediante recibo, reforçando a legalidade do ato. Por fim, é importante lembrar que, se houver perseguição constante e ininterrupta após a prática do crime, ainda se configura prisão em flagrante, mesmo que o tempo tenha passado desde o momento da infração. Isso garante que o Estado possa agir de forma eficaz contra o autor do delito. PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso DIREITO - UNI7 OBRIGADO POR LER! Sempre persista e nunca desista Bibliografia é a mesma constada no slide da aula 01! Toda aula terá seu próprio slide para ajudar os alunos! PirâmideDoutrinaPreceitosProcesso