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See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/327118377 A modelagem matemática no ensino de matemática: desafios e contribuições Article · November 2016 CITATIONS 0 READS 493 4 authors, including: Maria Rosana Soares 25 PUBLICATIONS 26 CITATIONS SEE PROFILE Sonia Barbosa Camargo Igliori Pontifical Catholic University of São Paulo 47 PUBLICATIONS 132 CITATIONS SEE PROFILE Jorge Henrique Gualandi Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES)- Cac… 35 PUBLICATIONS 29 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by Maria Rosana Soares on 20 August 2018. 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Este artigo tem por objetivo discutir e analisar tais desafios, discriminando-os no que tange aos professores, aos estudantes e às instituições, assim como buscar apontar contribuições resultantes do uso da modelagem. A discussão e análise que são aqui descritas emergiram do resultado de uma pesquisa bibliográfica conforme Severino (2007) e segundo referenciais como D’Ambrosio (1986), Blum e Niss (1989), Blum (1989, 1995), Barbosa (1999, 2001, 2003), Pinheiro (2005), Kaiser e Sriraman (2006), Bassanezi (2009), Beltrão (2009), Beltrão e Igliori (2010), Soares (2012a, 2012b) e Ferruzzi e Almeida (2013). Pode-se indicar que o docente tem desafios relativos à sua formação profissional e ao fato de ter de fazer alterações significativas em sua prática, mas em contrapartida pode-se perceber que ele ganha em aquisição de novas competências profissionais e em ampliação do conhecimento matemático. Os estudantes enfrentam desafios relativos ao rompimento do contrato didático tradicional, tendo que enfrentar abordagens diversificadas ou não habituais de ensino, e se beneficiam, no entanto, de se capacitarem em práticas de investigação do reconhecimento do papel da Matemática na sociedade e de aquisição do conhecimento da importância dessa área do saber. As instituições têm o desafio que as mudanças acarretam, no interesse de darem suporte e estímulo para novas abordagens de ensino, e como contribuição têm os resultados favoráveis na aprendizagem matemática de seu público-alvo. Palavras-chave: Ensino de matemática, Modelagem matemática, Desafios, Contribuições. 1 INTRODUÇÃO A Matemática, de uma forma geral, exerce um papel fundamental no desenvolvimento dos cidadãos e do mundo social, uma vez que articula e amplia as visões de mundo e fortalece o conhecimento científico, erudito e transformador. Com essa característica ela impõe um trabalho distinto e investigativo no processo de ensino e aprendizagem. O ensino da Matemática permite estimular, desenvolver e explorar nos estudantes seus pensamentos, linguagens, criticidades, criatividades, curiosidades, autonomias, autodidatismos, formulações e resoluções de problemas. Consequentemente, pode favorecê- los no sentido de que eles aprendam e aprimorem suas competências e seus conhecimentos. Essa possibilidade é indicada em tendências da Educação Matemática e evidenciada pelos estudos e pesquisas que oferecem subsídios à prática docente com a finalidade de tornar as aulas dessa disciplina estimuladoras aos estudantes ao explicitá-la de maneira dinâmica e contextualizada por meio de problemas reais ou matemáticos. Entre tais tendências pode-se incluir a Modelagem Matemática1. No ensino de Matemática, na concepção de Bassanezi (2009, p. 24): “A Modelagem consiste, essencialmente, na arte de transformar situações da realidade em problemas matemáticos cujas soluções devem ser interpretadas na linguagem usual”. Além disso: “A Modelagem é eficiente a partir do momento que nos conscientizamos que estamos sempre trabalhando com aproximações da realidade, ou seja, estamos elaborando sobre representações de um sistema ou parte dele” (BASSANEZI, 2009, p. 24, grifo do autor). Desse modo, a “Modelagem eficiente permite fazer previsões, tomar decisões, explicar e entender; enfim participar do mundo real com capacidadede influenciar em suas mudanças” (BASSANEZI, 2009, p. 31 e p. 177). A Modelagem Matemática eficaz exige, cobra, pede, transforma e surpreende ao estudar e pesquisar uma porção da realidade não matemática para explorá-la e transferi-la fundamentalmente para a linguagem matemática conforme os entendimentos, os enfoques e os propósitos dos investigadores. D’Ambrosio (1986, p. 11) salienta que a “Modelagem é um processo muito rico de encarar situações reais, e culmina com a solução efetiva do problema real e não com a simples resolução formal de um problema artificial”. Na Modelagem, os temas, as situações, os problemas e/ou fenômenos podem ser abordados em salas de aula, em ambientes extraclasse e numa articulação dessas duas formas, permitindo que se trabalhe de modo interdisciplinar, multidisciplinar ou transdisciplinar, visto que ela relaciona estudos ou pesquisas específicas e investiga determinado contexto do objeto de estudo conforme a realidade escolar e/ou universitária e os objetivos propostos. Com isso, maneja, compreende e explica uma porção de realidade em uma linguagem matemática, focando o ensino e a aprendizagem matemática. Os estudos e as pesquisas de Modelagem, por exemplo, Barbosa (1999, 2001), Bassanezi (2009), Beltrão (2009), Beltrão e Igliori (2010) e Soares (2012a, 2012b), têm evidenciado que a sua utilização no ensino de Matemática pode propiciar estímulos aos estudos e à aprendizagem dos alunos e despertar interesses pela Matemática. Já os de Barbosa (1999, 2001), Bassanezi (2009) e Beltrão (2009) inferem que pode ocasionar dificuldades e/ou resistências junto aos profissionais e às instituições de ensino. Na literatura da Educação Matemática, é nossa conjectura que o fato de haver diversas concepções de uso da Modelagem seja um dos fatores que dificultam sua introdução e consolidação em sala de aula. É essa a razão de se considerar relevante discutir os importantes desafios que os professores, os estudantes e as instituições de ensino podem encontrar ao desenvolverem determinada atividade de Modelagem, mas também apontar as contribuições dela resultantes. 2 OS DESAFIOS E AS CONTRIBUIÇÕES NO USO DA MODELAGEM Para a realização de alguma atividade: “No processo evolutivo da Educação Matemática, a inclusão de aspectos de aplicações e mais recentemente, resoluções de problemas e modelagem, têm sido defendidas por várias pessoas envolvidas com o ensino de matemática” (BASSANEZI, 2009, p. 36, grifos do autor). Ou seja: “Isto significa, entre outras coisas, que a matéria deve ser ensinada de um modo significativo matematicamente, considerando as 1 A fim de evitar repetições textuais, usaremos indistintamente os termos Modelagem e Modelagem Matemática. próprias realidades do sistema educacional” (BASSANEZI, 2009, p. 36). Na Educação Matemática, a Modelagem Matemática “[...] é um ambiente de aprendizagem no qual os alunos são convidados a problematizar e investigar, por meio da matemática, situações com referência na realidade” (BARBOSA, 2003, p. 69, grifos do autor). Ela é entendida da seguinte forma na concepção de Pinheiro (2005, p. 71): Em sala de aula a Modelagem Matemática pode ser vista como uma atividade essencialmente cooperativa, na qual a cooperação e a interação entre os alunos e entre professor e aluno têm um papel importante na construção do conhecimento. Por outro lado, a relação com a sociedade também pode ser fortemente estimulada, uma vez que o problema investigado pelo aluno tem nela a sua origem. A Modelagem Matemática é uma abordagem de ensino e aprendizagem que envolve um processo dinâmico que propicia investigar, problematizar e transformar as situações, os fenômenos ou os dados da realidade em expressões matemáticas, ou seja, em modelos matemáticos. O seu processo se permite ser mediado pelos professores, descoberto pelos estudantes e inserido nas instituições de ensino com a finalidade de explorar e solucionar determinadas situações e/ou problemas cotidianos por intermédio da Matemática, verificando a relação e a compreensão entre a realidade e os modelos matemáticos. Para tanto, os envolvidos podem se deparar com vários desafios e múltiplas contribuições em relação ao ensino e aprendizagem de Matemática na realização de atividades de Modelagem Matemática. Nesse contexto, ao se realizar uma atividade de Modelagem na Educação Matemática, pode-se obter contribuições, bem como encontrar desafios para realizá-la com êxito no processo de ensino e aprendizagem. Blum (1989) expõe alguns argumentos desfavoráveis em relação ao aluno, ao ensino e ao professor para a implementação da Modelagem: - Em relação ao aluno: Há várias questões que são observadas simultaneamente, o que pode provocar maior complexidade na interpretação e assimilação dos temas abordados, e também a falta de experiência, por parte dos alunos e do professor, em formular questões frente a uma situação. - Em relação ao ensino: Dificuldade de cumprir os programas preestabelecidos nos planos de ensino e o rol de conceitos matemáticos tradicionalmente abordados em cada ano numa sequência a priori (seguimento das experiências anteriores). O tempo de que o docente precisa dispor para desenvolver conceitos – estabelecidos por uma sociedade competitiva que visa a preparação para o ingresso na universidade –, em geral não permite o ensino por meio do processo de Modelagem. - Em relação ao professor: Uma maior disponibilidade, principalmente, pela necessidade de buscar conhecimentos não apenas matemáticos, de modo a garantir a transdisciplinaridade necessária para abordar o tema. Há pouco tempo para o estudo de temas fora da Matemática e para preparação das aulas que envolvem o tema em questão. O processo de Modelagem no ensino de Matemática pode causar dificuldades e/ou resistências por parte tanto dos estudantes quanto do professor devido às inexperiências em realizar pesquisas e em formular e resolver problemas que se iniciem a partir de situações concretas. Ademais, há certa preocupação do professor e dos gestores da instituição em contemplar e cumprir os programas preestabelecidos, como o plano de trabalho docente ou o plano de ensino. Ainda, há vários profissionais que não priorizam o processo de investigação; outros argumentam que não têm disponibilidade e/ou conhecimento para isso, bem como há muitos estudantes indispostos às abordagens diversificadas, visto que isso implica o rompimento de um contrato didático. Nesse encaminhamento, seguem os argumentos favoráveis, ou seja, as possíveis contribuições a serem obtidas por meio da Modelagem conforme Blum (1989): - Em relação ao aluno: O contato permanente com problemas que emergem naturalmente de sua realidade percebida, despertando motivação para o aprendizado, atribuindo significado para o ensino da Matemática. Desenvolvem-se habilidades como o hábito de pesquisa e a capacidade de levantar hipóteses, bem como de selecionar dados e posteriormente adequá-los às suas necessidades. - Em relação ao ensino: Deixa entrever, à primeira vista, a possibilidade da reorganização dos currículos matemáticos tradicionais pela introdução do estudo temático, aventando a possibilidade do currículo transdisciplinar. Essa abordagem permite a interação com as outras ciências, acarretando um processo formativo e abrangente diante dos currículos tradicionais. - Em relação ao professor: Evolução intelectual, bem como sua formação continuada por meio da troca de experiências com os alunos e o meio social, e a caracterização do professor como orientador/pesquisador. Para uma determinada atividade de Modelagem se tornar eficaz é essencial que o professor esteja capacitado, autoconfiante e não tenha como prioridade cumprir totalmente o programa do curso no desenvolvimento dessa atividade, tendo em vista que no processo os estudantes podem formular um problema que não contempleo conteúdo curricular do momento. Os alunos precisam participar, interrogar e estudar nesse processo e os gestores da instituição de ensino precisam apoiar o professor e os estudantes para a realização da Modelagem, buscando evitar ou eliminar obstáculos, barreiras formais ou organizacionais. Na realização de uma atividade de Modelagem em três fases, Beltrão e Igliori (2010, p. 39) afirmam que “[...] os sujeitos eram alunos que iniciavam o estudo de Cálculo, e apresentavam dificuldades em conteúdos de matemática elementar”. Já: “A instituição tinha exigências especiais no que se refere aos resultados dos alunos. O curso de Cálculo deveria ser desenvolvido de modo a atender às necessidades das outras disciplinas” (BELTRÃO & IGLIORI, 2010, p. 39). Ainda, Bassanezi (2009) infere que há alguns obstáculos instrucionais aos estudantes e aos docentes quando a Modelagem é aplicada, principalmente em cursos regulares: Obstáculos Instrucionais: os cursos regulares possuem um programa que precisa ser desenvolvido completamente. A modelagem pode ser um processo muito demorado, não dando tempo para cumprir o programa todo. Por outro lado, alguns professores têm dúvidas se as aplicações e conexões com outras áreas fazem parte do ensino de Matemática, salientando que tais componentes tendem a distorcer a estética, a beleza e a universalidade da matemática. Acreditam, talvez por comodidade, que a Matemática tenha que preservar sua precisão absoluta e intocável sem que possua qualquer relacionamento com o contexto sociocultural e político; Obstáculos para os Estudantes: o uso de modelagem foge da rotina do ensino tradicional e os estudantes, não acostumados ao processo, podem se perder e se tornar apáticos nas aulas. Os alunos estão acostumados a ver o professor como transmissor de conhecimentos e quando são colocados no centro do processo de ensino-aprendizagem, sendo estes responsáveis pelos resultados obtidos e pela dinâmica do processo, a aula passa a caminhar em ritmo mais lento. Contudo, a formação heterogênea de uma classe pode ser também uma restrição para que alguns alunos relacionem os conhecimentos teóricos adquiridos com a situação prática em estudo. Dessa forma, o tema escolhido para Modelagem pode não ser motivador para uma parte dos alunos provocando desinteresse; Obstáculos para os Professores: muitos professores não se sentem habilitados a desenvolver Modelagem em seus cursos, por falta de conhecimento do processo ou por medo de se encontrarem em situações embaraçosas quanto às aplicações de matemática em áreas que desconhecem. Acreditam que perderão muito tempo para preparar as aulas e também não terão tempo para cumprir todo o programa do curso. (BASSANEZI, 2009, p. 37, grifos do autor). Os obstáculos instrucionais dizem que a Modelagem nos cursos regulares pode ser um processo lento em que não haveria tempo para realizar todo o programa e também provoca questionamentos de docentes se as aplicações e conexões com outras áreas pertencem ao ensino de Matemática. Os obstáculos para os estudantes são referentes ao fato de os alunos poderem se sentir desorientados e insensíveis, gerando uma aula em ritmo lento; a turma não homogênea pode dificultar a relação entre o saber teórico e o prático e o tema escolhido pode não ser interessante para alguns alunos. Os obstáculos para os professores são ocasionados porque os professores não estão preparados e autoconfiantes para desenvolver a Modelagem no ensino, já que precisam de muita disponibilidade para organizá-la e, consequentemente, não conseguem realizar todo o programa do curso. Essas dificuldades podem ser minimizadas no ensino de Matemática quando se altera o processo habitual da Modelagem conforme a sistematização dos conceitos e a similaridade com outros problemas. Para aderir à Modelagem no ensino de Matemática, Barbosa (2001, p. 8) infere que: Existe uma relativa distância entre a maneira que o ensino tradicional enfoca problemas de outras áreas e a Modelagem, pois são atividades de natureza diferente, o que nos leva a pensar que a transição em relação à Modelagem não é algo tão simples. Envolve o abandono de posturas e conhecimentos oferecidos pela socialização docente e discente e a adoção de outros. Do ponto de vista curricular, não é de se esperar que esta mudança ocorra instantaneamente a partir da percepção da plausibilidade da Modelagem no ensino, sob pena de ser abortada no processo. As dificuldades na aprendizagem da Matemática podem ocorrer diretamente e/ou indiretamente em virtude das diversas relações entre professor/estudantes/instituição, estudantes/estudantes/instituição, estudantes/professores/instituição, família, política, economia, sociedade, cultura, conteúdos, comunidade escolar ou acadêmica e abordagens de ensino e aprendizagem. A Modelagem em sala de aula é uma estratégia pedagógica favorável para promover mudanças metodológicas e didáticas dos docentes e para intervir diante das dificuldades que a escola ou a academia pode colocar, mas, sobretudo, é potente para resgatar o desejo de aprender e de trabalhar com os equilíbrios e desequilíbrios que se podem encontrar no processo de ensino e aprendizagem. Na concepção de Soares (2012b, p. 239) a Modelagem Matemática permite proporcionar os seguintes desafios e contribuições no processo de ensino e aprendizagem matemática: - A Modelagem é todo o processo, desde a escolha do tema a ser trabalhado, e até a análise da aceitação ou não do modelo obtido (validação); - A Modelagem desenvolve competências para entender e aplicar a Matemática e habilidades gerais para investigá-la, assim como explorar e valorizar o recurso computacional nas aulas de Matemática. - A Modelagem permite trabalhar a Matemática de forma lúdica, concreta e por meio de assuntos cotidianos do aluno; - A Modelagem possibilita despertar maior motivação ao apresentar a Matemática presente no cotidiano transformando problemas reais para linguagem matemática; - A Modelagem envolve a multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e/ou transdisciplinaridade, assim pode explorá-la em qualquer disciplina e/ou em várias áreas do conhecimento; - A Modelagem exige bastante dedicação do professor, maior envolvimento e trabalho do aluno; - A Modelagem possibilita entender o papel sociocultural da Matemática ao analisar e refletir sobre sua utilização nos contextos sociais, culturais, fenômenos e em várias situações reais; - A Modelagem não é simples, pois exige muito tempo e dedicação dos participantes, porém é importante para a formação e vivência em sociedade. A Modelagem Matemática envolve um processo dinâmico de investigação, de exploração e de transformação das situações ou dos fenômenos reais ou matemáticos em linguagem matemática, ou seja, modelo matemático. Nele, se definem as variáveis e as hipóteses importantes para a formulação e resolução do problema. Também, tal processo pode prever resultados para os problemas elaborados, sofrer algumas modificações adequadas e fazer análises críticas e reflexivas para sua aceitação ou não, ou seja, a validação do modelo matemático, na qual se verificam as aproximações ou não do modelo matemático obtido com os dados reais ou matemáticos, assim como sua validade e relevância. Nesse contexto, o desenvolvimento de uma atividade de Modelagem em sala de aula, em ambientes extraclasse e/ou em uma articulação dessas formas tem sido discutido por vários(as) professores(as), universitários(as) e pesquisadores(as) nas instituições de ensino, nos encontros e nos centros de estudos e de pesquisas em virtude dos argumentos favoráveis que a prática da Modelagem traz ao ensino e aprendizagem da Matemática. Para isso, Bassanezi (2009) apresenta os principais argumentos para a inclusão da Modelagem e suas aplicações no ensino de Matemática, sendo esses, de acordo com Blum e Niss (1989):1. Argumento formativo – enfatiza aplicações matemáticas e a performance da modelagem matemática e resolução de problemas como processos para desenvolver capacidade em geral e atitudes dos estudantes, tornando-os explorativos, criativos e habilidosos na resolução de problemas. 2. Argumento de competência crítica – focaliza a preparação dos estudantes para a vida real como cidadãos atuantes na sociedade, competentes para ver, formar juízos próprios, reconhecer e entender exemplos representativos de aplicações de conceitos matemáticos. 3. Argumento de utilidade – enfatiza que a instrução matemática pode preparar o estudante para utilizar o conhecimento matemático como ferramenta para resolver problemas em diferentes situações e áreas. 4. Argumento intrínseco – considera que a inclusão de modelagem, resolução de problemas e aplicações fornecem ao estudante um rico arsenal para entender e interpretar a própria matemática em todas suas facetas. 5. Argumento de aprendizagem – garante que os processos aplicativos facilitam ao estudante compreender melhor os argumentos matemáticos, guardar os conceitos e os resultados, e valorizar a própria Matemática. 6. Argumento de alternativa epistemológica – a Modelagem também se encaixa no Programa Etnomatemática, indicado por D’Ambrosio (1990 e 1993) “que propõe um enfoque epistemológico alternativo associado a uma historiografia mais ampla. Parte da realidade e chega, de maneira natural e através de um enfoque cognitivo com forte fundamentação cultural, à ação pedagógica”, atuando, desta forma, como uma metodologia alternativa mais adequada às diversas realidades socioculturais. (BASSANEZI, 2009, p. 36-37, grifos do autor). O argumento formativo destaca aplicações matemáticas da prática da Modelagem e resolução de problemas, enquanto o de competência crítica enfoca a preparação dos estudantes para a vida real. O de utilidade salienta a instrução e utilização da Matemática e o argumento intrínseco trata da inclusão da Modelagem, resolução de problemas e aplicações que estas oferecem ao aluno. Já o de aprendizagem assegura os processos aplicativos, auxiliando o aluno a entender e valorizar a Matemática, e, por fim, há o argumento de alternativa epistemológica, no qual a Modelagem se insere no Programa Etnomatemática como uma alternativa metodológica apropriada às várias realidades socioculturais. Com esses argumentos, a aplicação da Modelagem Matemática no ensino de Matemática propicia aos estudantes a aprendizagem de Matemática por meio das situações-problemas da realidade e possibilita o desenvolvimento de suas competências e habilidades gerais. Para Beltrão (2009, p. 63) a Modelagem “[...] oferece condições de abranger conteúdo e processo, a fim de produzir competência matemática”. Em uma atividade desenvolvida: “Os alunos comentavam que passaram a ‘gostar de estudar Matemática’ a partir do momento em que perceberam que poderia ser aplicada em situações do seu cotidiano profissional” (BELTRÃO & IGLIORI, 2010, p. 40). Além disso, “[…] os exemplos e as pesquisas feitas ajudaram em seus desempenhos em reação a resolução de problemas, e a que as dificuldades com a própria matemática iam pouco a pouco se dissipando” (BELTRÃO & IGLIORI, 2010, p. 40). Nesse aspecto, Blum (1995) tem discutido os motivos favoráveis à incorporação da Modelagem no ensino de Matemática. Assim, alguns argumentos são os seguintes: - Motivação: os alunos sentir-se-iam mais estimulados para o estudo de matemática, já que vislumbrariam a aplicabilidade do que estudam na escola; - Facilitação da aprendizagem: os alunos teriam mais facilidade em compreender as ideias matemáticas, já que poderiam conectá-las a outros assuntos; - Preparação para utilizar a matemática em diferentes áreas: os alunos teriam a oportunidade de desenvolver a capacidade de aplicar matemática em diversas situações, o que é desejável para moverem-se no dia-a-dia e no mundo do trabalho; - Desenvolvimento de habilidades gerais de exploração: os alunos desenvolveriam habilidades gerais de investigação; - Compreensão do papel sociocultural da matemática: os alunos analisariam como a matemática é usada nas práticas sociais . (BARBOSA, 2003, p. 67). Nas atividades de Modelagem em Educação Matemática, é fundamental realizar processos de experimentação, investigação e indagação matemática, os quais possibilitam que se formule ou não um modelo matemático conforme os propósitos estabelecidos. Essa estratégia objetiva essencialmente motivar e atrair os estudantes a trabalhar com a natureza prática e real no ensino de Matemática e proporcionar o entendimento do papel sociocultural da Matemática e do papel dos modelos matemáticos no meio social. Nelas, os professores, os estudantes e/ou as instituições de ensino podem apresentar diferentes interesses, condições e resistências no desenvolvimento de seu processo, por exemplo, na escolha do tema, na organização do levantamento e seleção de dados, na formulação, na resolução e na compreensão do problema, assim como nas análises das atividades realizadas. Nessa situação, Kaiser e Sriraman (2006) efetuaram uma revisão de literatura e sistematizaram “perspectivas” para a Modelagem Matemática, explicitando a objetividade e a contribuição dessas atividades no âmbito educacional, visto que tais perspectivas são: realística, contextual, sociocrítica, epistemológica, cognitiva e educacional. No desenvolvimento de uma atividade de Modelagem, a perspectiva realística diz respeito às situações-problemas autênticas extraídas da indústria ou do ambiente de trabalho, cujo objetivo é desenvolver habilidades de resolução de problemas aplicados (KAISER & SRIRAMAN, 2006). Nele, a contextual incorpora as situações-problemas, cujo objetivo é contextualizar ou revelar aplicações dos conceitos matemáticos, levando em consideração os aspectos psicológicos e/ou motivacionais de aprendizagem (KAISER & SRIRAMAN, 2006). Nesse processo, a perspectiva sociocrítica apresenta um papel formatador da Matemática na sociedade, em que as situações-problemas devem propiciar a reflexão e a análise da natureza e da utilização dos modelos matemáticos na sociedade (KAISER & SRIRAMAN, 2006). Já a perspectiva epistemológica visa o contexto matemático, em que as situações-problemas são estruturadas para gerar o desenvolvimento da teoria matemática (KAISER & SRIRAMAN, 2006). À cognitivista, por sua vez, interessa analisar e compreender as ações e os processos cognitivos dos estudantes, realizados ao longo de uma determinada atividade de modelagem (KAISER & SRIRAMAN, 2006). Outra perspectiva, a educacional, propõe integrar as situações-problemas e os modelos matemáticos, evidenciando sua relevância para o ensino e a aprendizagem matemática (KAISER & SRIRAMAN, 2006). Essas perspectivas permitem contemplar atividades de Modelagem Matemática por meio de diferentes enfoques, enriquecendo o processo de tal trabalho. Para tanto, a perspectiva realística possibilita aos estudantes tornarem-se capazes de analisar e resolver problemas industriais e científicos, enquanto a contextual tem por finalidade mostrar o contexto e o emprego dos conceitos matemáticos. Já a sociocrítica foca as discussões e as implicações dos modelos matemáticos no meio social, capacitando os estudantes para atuar de forma crítica e autônoma no mundo em que se inserem. A epistemológica mostra que as situações-problemas são sistematizadas para a obtenção de teorias e de conclusões para o conhecimento matemático, uma vez que a perspectiva cognitivista estuda as percepções, as atuações e as aprendizagens dos estudantes conforme eles encaram, interpretam, fazem e entendem a Modelagem Matemática. A perspectiva educacional propõe que os estudantes interagem por meio da comunicação autêntica, na qual possuem a liberdade, a autenticidade e a criatividade para questionar, formular e resolver problemasdo cotidiano em modelos matemáticos, visto que todas essas perspectivas podem ser direcionadas ao ensino e aprendizagem matemática. A Modelagem pode trazer benefícios ao ensino e aprendizagem de Matemática: Vista dessa forma e frente às possibilidades que oferece, a Modelagem Matemática, poderá promover um ensino-aprendizagem que forneça ao aluno habilidade de discussão sobre assuntos relacionados com a ciência, a tecnologia e a implicação social da matemática nos aspectos ligados à sua área de atuação, enfim, que o possa levar a uma autonomia profissional crítica. Por intermédio da modelagem, o aluno percebe que conhecer a matemática não representa apenas ter domínio d e técnicas ou de suas aplicações, mas sim na sua dimensão de conhecimento humano. Tal conhecimento envolve, portanto, o aspecto de análise, compreensão e comunicação da realidade. (PINHEIRO, 2005, p. 73). A Modelagem propicia aos estudantes investigarem os conceitos matemáticos a partir da realidade vivida e/ou de várias áreas do conhecimento e reconhecerem as práticas sociais da Matemática, tornando-os estimulados e motivados à aprendizagem matemática, bem como para o desenvolvimento de suas competências e habilidades e para a exploração de suas capacidades e de suas estratégias de formulação e de resolução de problemas. Tal inclusão no ensino de Matemática é essencial, pois possibilita um trabalho, por exemplo, interdisciplinar, por meio da investigação, a qual permite evidenciar o papel sociocultural da Matemática por intermédio da ciência, da tecnologia e da sociedade, assim como propiciar aos estudantes o aprender a conhecer, o aprender a fazer e o aprender a transformar. Ferruzzi e Almeida (2013, p. 168) inferem que: “De modo geral, observamos que as atividades desenvolvidas proporcionaram o desenvolvimento de habilidades e competências imprescindíveis para a formação dos alunos, ultrapassando elementos puramente técnicos do aprendizado”. Ainda: “As apresentações orais e escritas dos trabalhos propiciaram o desenvolvimento de atitudes positivas para o crescimento pessoal e profissional, tais como a organização de ideias, clareza na apresentação, criatividade, capacidade de expressão, capacidade de comunicação oral” (FERRUZZI & ALMEIDA, 2013, p. 168). No ensino de Matemática, “[...] a Modelagem Matemática utilizada como estratégia de ensino- aprendizagem é um dos caminhos a ser seguido para tornar um curso de matemática, em qualquer nível, mais atraente e agradável” (BASSANEZI, 2009, p. 177). Uma atividade de Modelagem Matemática proporciona pesquisar, analisar e explorar dados e/ou problemas da realidade, pois realiza sua formulação e sua resolução em linguagem matemática, possibilitando aos(às) estudantes a atribuição de sentidos e a construção de significados. O modelo matemático é resultante da exploração, da organização e da transformação de problematizações dos dados ou dos fenômenos (reais ou matemáticos) e, por meio dele, são buscadas a resolução, a representação, a solução e a explicitação de matematizações dos problemas formulados a partir da realidade, visando o ensino e a aprendizagem. Esse modelo pode ser expresso por meio de um conjunto de símbolos, estruturas e relações matemáticas tais como: gráficos, tabelas, funções, expressões matemáticas, sistemas, equações, figuras geométricas, diagramas e representações estatísticas, entre outros conceitos matemáticos e/ou estatísticos. Assim, ele é desenvolvido na própria Matemática por excelência, bem como em outras áreas e/ou disciplinas independentes que fazem uso da Matemática e de modelos matemáticos, tais como: Administração, Agronomia, Ciências, Engenharias, Estatística, Física, Geografia, Meteorologia, Medicinas e Tecnologias. A Modelagem pode apresentar desafios e contribuições aos professores, aos estudantes e à instituição a depender da realidade escolar ou acadêmica, conforme ilustra a seguinte tabela: Tabela 1 - Desafios e contribuições no uso da Modelagem Matemática. Fonte: Os autores (2016). 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O ensino de Matemática sobre e/ou por meio da Modelagem permite o benefício da aprendizagem matemática a partir de situações concretas, bem como a formação humanística, crítica, reflexiva, dinâmica, criativa e solidária ao discutir, por exemplo, questões ambientais, científicas, culturais, econômicas, educacionais, éticas, sociais e tecnológicas, transferindo-as Desafios a serem superados Contribuições a serem obtidas P ro fe ss o re s - Possuem uma formação acadêmica inicial e/ou continuada fragilizada; - Utilizam somente o livro didático como material instrucional; - Preparam os estudantes principalmente para os vestibulares; - Apresentam inexperiências com a Modelagem; - Apresentam insegurança quanto à Modelagem devido às concepções dos membros da comunidade escolar ou acadêmica... - Reconhecem as vantagens da aplicabilidade da Modelagem para a aprendizagem matemática; - Adquirem capacidades de realizar e orientar estudos e pesquisas a partir da realidade vivida; - Apresentam competências e conhecimentos para utilizar a Modelagem e para desenvolverem os conceitos matemáticos a partir dela; - Compreendem o papel da Modelagem Matemática e o papel do modelo matemático nela; - Mediam o processo de ensino e aprendizagem; - Apresentam criatividades para explorarem contextos reais como os ambientais, científicos, culturais, econômicos, educacionais, éticos, sociais e tecnológicos... E st u d a n te s - Sem estímulos para a aprendizagem matemática; - Apresentam resistências às abordagens diversificadas ou não habituais de ensino; - Compreendem a Matemática como algo em que apenas se apresentam as fórmulas e depois se resolvem os exercícios... - Aprendizagem matemática é realizada a partir de situações e/ou problemas da realidade vivida; - Aprendizagem matemática é resultado da mediação do professor e da interação do estudante com o ambiente da Modelagem; - Permite desenvolverem e evidenciarem a partir da modelagem a compreensão da razão de aprender Matemática; In st it u iç õ es - Focam o ensino tradicional, a quantidade e não a qualidade de ensino; - Focam o cumprimento do currículo escolar ou acadêmico; - Cobram o ensino voltado à preparação para os vestibulares; - Estabelecem rotinas aos docentes; - Estabelecem que os professores cumpram o plano de trabalho docente ou plano de ensino; - Intervêm na liberdade de ação docente em sala de aula... - Apoiam os professores na realização da Modelagem; - Reconhecem as mudanças e os resultados na aprendizagem matemática a partir da Modelagem; - Reconhecem as essenciais abordagens para a qualidade e processo de ensino e aprendizagem; - Compreendem a importância de realizar o ensino de Matemática a partir da Modelagem Matemática; - Compreendem a relevância de desenvolver e de explorar o ensino construtivista... para a linguagem matemática. Isso propicia contribuir para desenvolver as capacidades dos sujeitos para a resolução e solução de problemas do dia a dia, adquirir conhecimentos e favorecer a progressão da sociedade. Diante disso, na prática escolar ou acadêmica, a Modelagem Matemática não é um processo simples e fácil, pois exige conhecimento de como utilizá-la em sala de aula e de como estimulá-la aos participantes. Para tanto, seu desenvolvimento requer: conhecimento dos conceitos matemáticos; realização de pesquisas; criatividade na interpretação dos contextos; simplificação dos dados mais relevantes e eliminação dos menos importantes (variáveis); identificação das possíveis investigações para os problemas a serem resolvidos (hipóteses); organização e tabulação dos dados; formulação de problemas e resolução em termos de modelo matemático; exploração de habilidades gerais e utilização de recursos computacionais; elaboração de estratégias, e outros. Portanto,a Modelagem no ensino de Matemática pode apresentar tanto desafios quanto contribuições aos professores, aos estudantes e à instituição conforme a realidade escolar ou acadêmica. Aos professores há desafios como os de se capacitarem e se encorajarem suficientemente para desenvolver a Modelagem em sala de aula, em ambientes extraclasse e/ou numa articulação dessas formas e há contribuições como a de adquirirem competências e conhecimentos para explorar os conceitos matemáticos a partir dela. Para os estudantes, os desafios são como o de superarem as oposições diante das abordagens diversificadas ou não habituais de ensino e os benefícios, os de investigarem e reconhecerem o papel da Matemática na sociedade e de entenderem a razão de aprendê-la a partir dessa abordagem. Às instituições há desafios, como romperem a abordagem do ensino tradicional, e contribuições, como de reconhecerem as mudanças e resultados na aprendizagem matemática a partir da Modelagem. Agradecimentos À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro parcial concedido à bolsa de estudos para cursar o doutorado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação Matemática na PUC/SP. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASSANEZI, R. C. Ensino-aprendizagem com modelagem matemática: uma nova estratégia. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2009. BARBOSA, J. C. O que pensam os professores sobre a Modelagem Matemática? Zetetiké, Campinas, v. 7, n. 11, p. 67-85, 1999. Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2016. ______. Modelagem Matemática: concepções e experiências de futuros professores. Rio Claro, 253 f., 2001. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Programa de Pós- Graduação em Educação Matemática, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho de Rio Claro. ______. Modelagem Matemática na Sala de Aula. Perspectiva, Erechim, v. 27, n. 98, jun. 2003. Disponível em: . Acesso em: 09 mar. 2012. ______. 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Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciência e Tecnologia) – Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná. THE MATH MODELING IN MATHEMATICS EDUCATION: CHALLENGES AND CONTRIBUTIONS Abstract: The use of mathematical modeling in the teaching of Mathematics in the classroom or in activities in afterschool environments, it has revealed challenges but also indicated contributions to the agents of said use. This article aims to discuss and analyze such challenges, discriminating them in regard to teachers, students and institutions, as well as seek pointing contributions resulting from the use of modeling. The discussion and analysis herein described emerged from the results of a literature search congruous to Severino (2007) and according to references such as D’Ambrosio (1986), Blum and Niss (1989), Blum (1989, 1995), Barbosa (1999, 2001, 2003), Pinheiro (2005), Kaiser and Sriraman (2006), Bassanezi (2009), Beltrão (2009), Beltrão and Igliori (2010), Soares (2012a, 2012b) and Ferruzzi and Almeida (2013). It can be stated that the teacher has challenges related to their professional training and the fact of having to make significant changes in their practice, but on the other hand one can see that they win when it comes to the acquisition of new professional skills and the expansion of their mathematical knowledge. Students face challenges related to the disruption of the traditional didactic contract, having to face diversified or unusual teaching approaches, and benefit, however, from building capacities regarding the research practices of recognition of the role of Mathematics in society, and the acquisition of knowledge about the importance of this field of knowledge. The institutions have the challenge that changes bring, in the interest of providing support and encouragement to new approaches to teaching, and as a contribution they have favorable results in mathematical learning from their target audience. Key-words: Teaching of Mathematics, Mathematical Modeling, Challenges, Contributions. View publication stats https://www.researchgate.net/publication/327118377