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UNINASSAU TRIANON EDUCAÇÃO FÍSICA KARINA SOUZA DE OLIVEIRA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO EDUCAÇÃO FÍSICA DE INCLUSÃO Recife 2024 KARINA SOUZA DE OLIVEIRA EDUCAÇÃO FÍSICA DE INCLUSÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para conclusão do curso de EDUCAÇÃO FÍSICA da UNINASSAU TRIANON Recife 2024 Ficha catalográfica gerada pelo Sistema de Bibliotecas do REPOSITORIVM do Grupo SER EDUCACIONAL O48e Oliveira, Karina Souza de. Educação Física de Inclusão / Karina Souza de Oliveira. - UNINASSAU: Recife - 2024 13 f. Artigo Científico (Curso de Educação Física) - Uninassau Trianon - Orientador(es): Dr(a) Aldiany Paula Ferreira Miranda Cavalcanti 1. Acessibilidade. 2. Deficiência. 3. Educação Física Escolar. 4. Inclusão. 5. Necessidade Especial. 6. School Physical Education. 7. Accessibility. 8. Disability,. 9. Inclusion. 10. Special Need. I.Título II.Dr(a) Aldiany Paula Ferreira Miranda Cavalcanti UNINASSAU - REC CDU - 796 EDUCAÇÃO FÍSICA DE INCLUSÃO Karina Souza de Oliveira¹; Aldiany Paula Ferreira Miranda Cavalcanti² ¹ - Discente do curso de Educação Física Licenciatura da (nome completo da instituição) ² - Docente do curso de Educação Física Licenciatura da (nome completo da instituição) E-mail para correspondência: ksouzadeoliveira07@gmail.com RESUMO Introdução: A atual forma educacional no Brasil é resultado de décadas de desenvolvimento teórico e refinamento no campo da educação especial. Logo, é possível reconhecer a necessidade de integração dos grupos até então excluídos dentro do espaço da escola básica e, para tanto, uma reformulação do sistema e nas práticas adotadas até os dias de hoje. Objetivo: investigar a situação real a respeito das ações da educação básica no brasil para promover um ensino de educação física mais inclusivo. Metodologia: o universo pesquisado foi voltado para uma revisão integrativa da literatura, principalmente, de estudos e artigos disponíveis nas bases de dados Scielo, Medline e Lilacs. Resultados: esta revisão busca sintetizar os principais achados e discussões em torno desse tema, destacando os benefícios, desafios, estratégias de ensino, impacto das políticas educacionais e a importância da formação de professores, a partir de 7 artigos escolhidos para construção dessa pesquisa. Discussão: diante do exposto, é importante destacar que a Educação Física de inclusão não apenas beneficia os alunos com deficiência, mas enriquece o ambiente educacional como um todo, promovendo o respeito à diversidade, a igualdade de oportunidades e o aprendizado mútuo entre todos os estudantes. À medida que as escolas continuam a se adaptar e desenvolver práticas inclusivas, é essencial manter um compromisso constante com a pesquisa, a formação e o aprimoramento das políticas educacionais para garantir que todos os alunos possam participar plenamente e alcançar seu potencial máximo na Educação Física e além dela. Conclusão: a Educação Física de inclusão representa não apenas um avanço educacional, mas também um compromisso com a equidade e a valorização da diversidade dentro do ambiente escolar. Ao longo dos últimos anos, tem-se observado um movimento crescente em direção à inclusão de alunos com diversas capacidades físicas, cognitivas e emocionais nas aulas de Educação Física. Palavras-chave: Deficiência. Inclusão. Educação Física Escolar. ABSTRACT Introduction: The current form of education in Brazil is the result of decades of theoretical development and refinement in the field of special education. Therefore, it is possible to recognize the need for integration of groups hitherto excluded within the basic school space and, to this end, a reformulation of the system and practices adopted to this day. Objective: to investigate the real situation regarding the actions of basic education in Brazil to promote more inclusive physical education teaching. Methodology: The universe researched was focused on an integrative literature review, mainly of studies and articles available in the Scielo, Medline and Lilacs databases. Results: This review seeks to synthesize the main findings and discussions around this topic, highlighting the benefits, challenges, teaching strategies, the impact of educational policies and the importance of teacher training, based on 7 articles chosen for this research. Discussion: In light of the above, it is important to emphasize that inclusive Physical Education not only benefits students with disabilities, but enriches the educational environment as a whole, promoting respect for diversity, equal opportunities and mutual learning among all students. As schools continue to adapt and develop inclusive practices, it is essential to maintain a constant commitment to research, training and the improvement of educational policies to ensure that all students can fully participate and reach their full potential in Physical Education and beyond. Conclusion: Inclusive Physical Education represents not only an educational advance, but also a commitment to equity and valuing diversity within the school environment. Over the last few years, there has been a growing movement towards the inclusion of students with diverse physical, cognitive and emotional abilities in Physical Education classes. Keywords: Disability. Inclusion. School Physical Education. INTRODUÇÃO A atual forma educacional no Brasil é resultado de décadas de desenvolvimento teórico e refinamento no campo da educação especial. Logo, é possível reconhecer a necessidade de integração dos grupos até então excluídos dentro do espaço da escola básica e, para tanto, uma reformulação do sistema e nas práticas adotadas até os dias de hoje. De uma forma geral, para alcançar uma escola mais democrática e igualitária, que por sua vez ajuda a construir uma sociedade a luz de ambas qualidades, é essencial proporcionar uma educação especial e inclusiva que reconheça as necessidades únicas de cada aluno e procure ativamente formas de os incluir (HODGE et al., 2017). A implementação de práticas pedagógicas com ênfase no movimento nas aulas de Educação Física, como por exemplo, a utilização dos campos de experiências descritos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), foi alvo de discussão sobre sua funcionalidade e importância para o ensino-aprendizagem durante o desenvolvimento da criança (LARA; PINTO, 2017). Acreditando que o uso do corpo, dos gestos e dos movimentos constitui-se como sendo um tipo de linguagem, práticas de interação e comunicação entre indivíduos de todas as faixas etárias, o professor deve ter domínio sobre a temática, uma vez que diferentes práticas devem são trabalhadas durante o processo de ensino, devido a sua notória importância no desenvolvimento dos aspectos físicos, sociais e intelectuais que atividades de jogos, danças e apresentações de modo geral abrangem (DA SILVA; BRACCIALLI, 2017). Na Educação Física, as atividades da área são voltadas para aturem como papel fundamental para o desenvolvimento humano das crianças. Proporcionando oportunidades para que as mesmas possam desenvolver habilidades corporais, com ênfase na formação de qualidades morais e sociais da personalidade de forma geral (SILVA, 2021). Diante do exposto, o estudo de Silva e Braccialli (2017), evidenciam as contribuições que práticas como a dança pode oferecer para a condição de alunos portadores de paralisia cerebral, por esse motivo, o professor tem um papel fundamental em garantir a acessibilidade desse aluno ao contexto escolar, garantindo que tudo seja direcionado para a proposta inclusiva da educação, bem como melhorar de forma significativa o desenvolvimento afetivo, social, psicológico, entre outros (DA SILVA; BRACCIALLI, 2017). Tomando como referência temporal os anos de 70 e 80, é possível verificar o surgimento dos debates sobre direitos sociais e as lutas que perpassam mais de umageração, ganhando força, acarretando, em nosso país, demandas populares pela inclusão de grupos antes marginalizados. De acordo com evidências históricas, o esforço para incluir pessoas com deficiência (PCD) nas escolas primárias e secundárias regulares começou na década de 1980. Isto foi feito em oposição ao paradigma segregacionista que existia anteriormente, que via a Educação Inclusiva como um subconjunto separado da educação regular (GREGUOL; MALAGODI; CARRARO, 2018). Dado que entender as diferenças entre os conceitos de inclusão e integração são cruciais para o desenvolvimento da educação inclusiva, Rodrigues e Rodrigues (2017), exploram as suas diferenças conceituais. Por um lado, há quem defenda que as duas ideias são distintas, com a primeira a defender uma mudança de mentalidade no sentido da cooperação entre grupos, enquanto a última defende uma “ruptura de concepção e paradigma” dentro do próprio sistema educativo. No entanto, os autores que encaram a integração e a inclusão como fases distintas de um mesmo processo histórico argumentam que, apesar da relevância das ideias dos outros autores, os contextos educativos em que ocorrem os processos de inclusão e integração são extremamente diversos em todo o mundo, tornando-o extremamente difícil quantificar até que ponto estão a ocorrer (GREGUOL; MALAGODI; CARRARO, 2018). O foco principal dessa pesquisa está na investigação da realidade do ensino público no Brasil no que toca o ensino da educação física de um ponto de vista inclusivo, ou seja, o estudo tem como ênfase apresentar qual cenário os profissionais de educação física encontram quando necessitam trabalhar com alunos com deficiência, bem como delinear o papel da formação docente — tanto inicial quanto continuada — para a efetivação de um ensino de qualidade para todos. Busca-se assim, mapear onde se encontram os erros e acertos de profissionais bem como de legislações e políticas públicas para a implementação da Educação Inclusiva no país (RODRIGUES; RODRIGUES, 2017). Nessa perspectiva, a contribuição de acadêmicos e educadores é fundamental na construção de uma realidade objetiva mais próxima de nossos ideais, razão pela qual esta pesquisa serve como um fórum de contemplação e debate entre a teoria acadêmica e as experiências cotidianas de estudantes e educadores sobre a prática docente de educação física no contexto de inclusão social. O presente estudo tem como objetivo geral investigar a situação real a respeito das ações da educação básica no brasil para promover um ensino de educação física mais inclusivo. Para alcance deste, foram traçados como objetivos específicos investigar desafios da inclusão de alunos com Necessidades Especiais no ensino regular de educação física; fundamentar como deve ser realizada a prática profissional nos conhecimentos de inclusão social de portadores de necessidades especiais, e por fim, evidenciar a importância da inclusão para o desenvolvimento pessoal da criança com deficiência. MATERIAIS E MÉTODOS O universo pesquisado foi voltado para uma revisão integrativa da literatura, principalmente, de estudos e artigos disponíveis na internet. Para desenvolvimento deste trabalho, adotou-se o método de pesquisa bibliográfica em plataformas do Literatura Latino-Americano e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis And Retrieval System Online (MEDLINE) e Scientic Eletronic Library Online (SciELO), tendo em vista que são de suma importância científica a área da saúde, além dos repositórios de Universidades que disponibilizaram de forma pública trabalhos/estudos nesta área que concentram a temática de educação física de inclusão na educação básica. A pesquisa será realizada com um método bibliográfico, em que se recupera o conhecimento científico acumulado sobre o problema. Ou seja, buscaremos referências teóricas em outros trabalhos que exploram o assunto, através de periódicos, monografias, artigos, etc., todos encontrados pela internet, tendo em vista o contexto pandêmico em que o presente estudo será desenvolvido, limitando o acesso a bibliotecas e universidades. Silva (2001) aponta que “constitui o procedimento básico para os estudos monográficos, pelos quais se busca o domínio do estado da arte sobre determinado tema”. Para tal, são selecionados diversos textos — artigos, trabalhos de conclusão de curso, livros, etc. — os quais apresentam um debate prévio do tema em estudo, servindo de base para as análises realizadas no presente estudo, como parâmetro comparativo de dados, etc. A busca por artigos foi realizada no período de janeiro à março de 2024, a qual fez uso das seguintes palavras-chave: educação inclusiva; educação física; educação física escolar e práticas de inclusão e os idiomas português e inglês. De forma inicial, os artigos selecionados tiveram títulos e resumos analisados, e só após seleção, foram escolhidos os estudos finais para leitura na integra e construção dos resultados. Os critérios de inclusão basearam-se em artigos publicados nos idiomas de português e inglês, entre 2017 e 2024 e que estivessem indexados nas bases de dados citadas. Os critérios de exclusão, compreenderam-se na indisponibilidade de leitura e que não tivessem relação com tema deste estudo. A Figura 1 apresenta o fluxograma de seleção de artigos. Dentro da ferramenta utilizada, constatou-se um maior número de artigos científicos disponíveis, sendo a maioria deles parte do acervo de periódicos e revistas científicas. Incluiremos ainda, se houver a necessidade, trechos de leis e/ou documentos oficiais que tratem da Educação Especial/Inclusiva, apesar da maioria dos trabalhos acadêmicos incluídos no presente projeto apresentarem os mesmos em suas discussões. Figura 1: Fluxograma de seleção de artigos para composição da revisão integrativa. Fonte: Elaboração própria (2024). Total de artigos encontrados N = 88 Artigos selecionados para o estudo = 7 Total de artigos excluídos após leitura do resumo = 60 Excluídos por duplicidade = 15 Excluídos por não responderem a pergunta norteadora = 20 Total de artigos selecionados para leitura completa = 25 Arigos excluídos = 18 RESULTADOS À luz do recente movimento inclusivo no campo da educação, que surgiu na década de 1990, as escolas de hoje têm a difícil tarefa de acomodar um corpo discente incrivelmente diversificado, e os professores de educação física, juntamente com todos os outros membros da profissão educativa, desempenham um papel crucial na concretização desta visão. Dessa forma, pesquisas que abordem a temática em estudo são de suma importância para toda a comunidade acadêmica, porque ajuda a melhorar as redes de ensino básico, o ensino em sala de aula e outras facetas dos ambientes profissionais de professores e administradores. É evidente que os primeiros documentos e tratados relativos à Educação Inclusiva — e a subsequente implementação de leis e políticas públicas relativas a este modelo no Brasil — são relativamente recentes, e por isso é razoável antecipar que haverá inúmeras práticas errôneas no campo da educação no que diz respeito à Educação Especial e à Educação Inclusiva. Nos últimos dez anos, a educação física inclusiva tem sido um campo de pesquisa ativo, com inúmeros artigos científicos explorando seus diversos aspectos. Esta revisão busca sintetizar os principais achados e discussões em torno desse tema, destacando os benefícios, desafios, estratégias de ensino, impacto das políticas educacionais e a importância da formação de professores, a partir de 7 artigos escolhidos para construção dessa pesquisa. As referências citadas provêm de uma ampla gama de estudos, refletindo a diversidade e a profundidade da pesquisa na área. No quadro 1 é possível acompanhar informações dos artigos selecionados para a pesquisa.Quadro 1 – Artigos selecionados para discussão Autor Ano Titulo Objetivo Alves Filho e Martins 2024 O impacto da educação física escolar no desenvolvimento motor de adultos saudáveis: uma abordagem para promoção da saúde e qualidade de vida Analisar a influência da prática regular das atividades físicas durante a escolarização, na aprendizagem motora e no desenvolvimento físico, mental e social destes indivíduos. Oliveira et al. 2023 O papel da educação física na promoção da inclusão social. Discutir o papel da educação física na promoção da inclusão social, apresentando os principais desafios e possibilidades para a prática pedagógica inclusiva na disciplina. Rodrigues e Rodrigues 2017 Educação Física: formação de professores e inclusão. Problematizar a formação de professores tendo em atenção os valores prevalentes e dominantes da área da Educação Física Lara e Pinto 2017 A importância da educação física como forma inclusiva numa perspectiva docente Investigar de que forma a Educação Física contribui para o desenvolvimento inclusivo dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, junto a dez professores de Educação Física de uma escola pública do Distrito Federal. Almeida 2017 educação física escolar e práticas pedagógicas inovadoras: uma revisão Revisar o conceito de inovação pedagógica no campo da Educação Física Chicon e Cruz 2017 Ação profissional e inclusão: implicações nas práticas pedagógicas em educação física Compreender a prática pedagógica inclusiva experimentada pelos professores de Educação Física na escola em uma ação de formação continuada Silva, Siqueira e Marques 2022 Inclusão, formação e educação física: uma análise na perspectiva dos professores Descrever a formação na perspectiva da inclusão de professores de Educação Física que atuam com alunos com deficiência nas escolas da Rede Municipal de Rio Grande – RS. Fonte: Elaboração própria (2024). DISCUSSÃO De acordo com o estudo de Oliveira et al (2023), a inclusão social representa um princípio essencial na sociedade atual, visando garantir que todos tenham acesso equitativo a oportunidades e sejam valorizados por suas diferenças. Nesse contexto, a Educação Física desempenha um papel crucial na promoção da inclusão social ao oferecer um ambiente seguro e acessível para a prática de atividades físicas por todas as pessoas. Através da Educação Física, é possível estabelecer um ambiente de aprendizagem inclusivo, onde as particularidades individuais são reconhecidas e respeitadas. Essa abordagem é viabilizada por metodologias pedagógicas que privilegiam a cooperação, solidariedade e respeito mútuo em detrimento da competição e exclusão. Além disso, a Educação Física se apresenta como uma ferramenta eficaz no combate ao preconceito e à discriminação, proporcionando oportunidades para que pessoas de diversas origens, habilidades e orientações sexuais participem conjuntamente de atividades físicas. Essa interação contribui significativamente para a quebra de barreiras e estereótipos, promovendo, assim, a igualdade e a justiça social (OLIVEIRA et al., 2023). Adicionalmente, a Educação Física exerce papel fundamental na promoção da inclusão social ao oferecer um ambiente acessível e seguro para a prática de atividades físicas, permitindo o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais para todos os participantes (OLIVEIRA et al., 2023). Os resultados da pesquisa de Alves Filho e Martins (2024), demonstram que a Educação Física escolar exerce um impacto significativo no desenvolvimento motor de adultos saudáveis, corroborando as afirmações de diversos pesquisadores que defendem a inclusão da Educação Física no currículo escolar. As habilidades motoras adquiridas durante a infância e adolescência foram identificadas como fundamentais para a manutenção e aprimoramento da saúde física na fase adulta. Além disso, a participação em atividades físicas durante os anos escolares tem se revelado um preditor importante para o engajamento em práticas físicas ao longo da vida adulta, o que tem implicações significativas para políticas públicas de saúde. Este estudo ressalta ainda a importância da Educação Física escolar na promoção da qualidade de vida dos indivíduos. As competências motoras adquiridas na infância estão diretamente relacionadas à saúde cardiovascular, ao metabolismo e à função cognitiva na idade adulta. Portanto, é evidente que o papel da Educação Física escolar vai além do desenvolvimento de habilidades motoras básicas; ela é essencial para cultivar nos alunos um interesse contínuo pela atividade física e pelo movimento, o que pode significativamente melhorar sua qualidade de vida ao longo do tempo. A promoção da saúde por meio da Educação Física não deve ser subestimada e deve ser considerada um componente fundamental nas estratégias de prevenção de doenças crônicas e promoção geral da saúde (ALVES FILHO; MARTINS, 2024). Historicamente, várias iniciativas têm sido implementadas para promover uma Educação Física mais inclusiva. Exemplos notáveis incluem a Campanha Nacional de Educação de Cegos (CNEC), a Campanha Nacional de Educação e Reabilitação dos Deficientes Mentais (CADEME), o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) e o I Plano Nacional de Educação Especial (PNEE). No entanto, um marco significativo para as atividades escolares de Educação Física foi estabelecido pela Campanha do Esporte para Todos (EPT) (BRASIL, 1983). A Educação Física representa um espaço crucial para lidar com as diferenças corporais, oferecendo a oportunidade de reconhecer, fortalecer e divulgar as potencialidades e habilidades individuais de cada aluno, preparando-os para contribuir na sociedade com um olhar valorativo à diversidade (RODRIGUES; RODRIGUES, 2017). A Educação Física Adaptada é uma área em crescimento. No contexto inclusivo, o professor desempenha um papel essencial, necessitando de paciência, criatividade e observação. Esta abordagem educacional propõe desafios significativos, sendo o professor o mediador primordial nas relações entre os alunos. É através da intervenção crítica e social do professor que os alunos podem desenvolver uma nova perspectiva sobre as diferenças entre si e os outros (RODRIGUES; RODRIGUES, 2017). Segundo Lara e Pinto (2017), muitos profissionais carecem de formação específica na área, o que amplia o desafio de capacitar os docentes para atenderem a alunos com necessidades especiais, uma necessidade crucial. A inclusão tem ganhado crescente relevância, demandando das escolas ambientes mais adequados que incluam recursos materiais, estrutura física e a capacitação dos professores como mediadores essenciais do conhecimento, promovendo o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e motor desses estudantes. Nas últimas décadas, as escolas têm reconhecido seu papel crucial como espaços fundamentais para a criação e desenvolvimento integral do indivíduo, voltando-se cada vez mais para questões de inclusão social, que abrangem diversidades étnicas, orientações sexuais, deficiências, entre outros. Embora a educação inclusiva tenha beneficiado significativamente diversas pessoas, como os portadores de deficiência, ainda representa um desafio substancial para a maioria das instituições de ensino. Almeida (2017) sintetiza os resultados sobre práticas inovadoras na educação física com base nos seguintes pontos: uma relação diversificada com a cultura, onde a formação ampla do professor facilita a mobilização de recursos para o ensino; uma prática intencional e problematizadora, com o professor atuando como intelectual, intérprete e tradutor das teorias pedagógicas; atribuição de um sentido crítico ao conhecimento e reconhecimento da dimensão ético-política da profissão; e a consideração da escola como um espaço formativo e colaborativopara a formação continuada, além de promover uma postura reflexiva. Adicionalmente, compreende a educação física como uma disciplina com um saber específico que requer a mediação pedagógica do professor para se transformar em conteúdo escolar; a introdução de novos conteúdos e formas de avaliação que envolvam os alunos no processo; a disposição para enfrentar desafios e dificuldades cotidianas na condução da intervenção pedagógica; uma relação inclusiva e dialógica com os alunos; um ensino que ultrapassa os estereótipos de movimento, ampliando a cultura dos alunos; a reinvenção dos espaços e tempos escolares para favorecer a transmissão de conhecimentos; e a diversificação de estratégias metodológicas para promover a apropriação, reelaboração e produção cultural (ALMEIDA, 2017). Estudos, como o realizado por Chicon e Cruz (2017), destacam que a formação continuada é fundamental para adquirir conhecimentos científicos e desenvolver estratégias e recursos éticos dentro do ambiente escolar. Construir e gerenciar práticas pedagógicas inclusivas na Educação Física requer coragem e disposição para revisar conceitos de ensino, motivando os professores a buscar novos conhecimentos para reavaliar suas atitudes, concepções e métodos. Nesse contexto, a formação continuada pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de práticas inclusivas nas escolas, atualizando os professores com base nas evidências científicas mais recentes, essenciais para sua atuação educacional. Isso capacita os professores a adaptarem-se às mudanças contínuas no campo educacional, desenvolvendo atividades e recursos pedagógicos que eliminam as barreiras que impedem a participação dos alunos nas aulas devido às suas deficiências. Além disso, a pesquisa conduzida por Silva, Silveira e Marques (2022), envolvendo 17 professores através de questionários e grupos focais, revelou que os professores aplicam os conhecimentos adquiridos em sua formação inicial para planejar aulas que promovam a inclusão. Especificamente, os estudos de educação física adaptada e estágios foram destacados como contribuições significativas durante a formação inicial dos professores, preparando-os para uma atuação profissional eficaz nas escolas. Essa preparação reconhece que a inclusão não é uma abordagem padronizada, mas requer o entendimento detalhado das necessidades individuais de cada deficiência para desenvolver práticas pedagógicas inclusivas eficazes. Diante do exposto, é importante destacar que a Educação Física de inclusão não apenas beneficia os alunos com deficiência, mas enriquece o ambiente educacional como um todo, promovendo o respeito à diversidade, a igualdade de oportunidades e o aprendizado mútuo entre todos os estudantes. À medida que as escolas continuam a se adaptar e desenvolver práticas inclusivas, é essencial manter um compromisso constante com a pesquisa, a formação e o aprimoramento das políticas educacionais para garantir que todos os alunos possam participar plenamente e alcançar seu potencial máximo na Educação Física e além dela. CONCLUSÃO A Educação Física de inclusão representa não apenas um avanço educacional, mas também um compromisso com a equidade e a valorização da diversidade dentro do ambiente escolar. Ao longo dos últimos anos, tem-se observado um movimento crescente em direção à inclusão de alunos com diversas capacidades físicas, cognitivas e emocionais nas aulas de Educação Física. Essa abordagem inclusiva não se limita apenas a adaptar atividades físicas para diferentes necessidades, mas também engloba a criação de um ambiente acolhedor e acessível, onde todos os alunos se sintam parte integrante e capazes de participar plenamente das atividades propostas. Isso não apenas promove o desenvolvimento motor e físico dos alunos, mas também contribui para o seu desenvolvimento social, emocional e cognitivo. A formação contínua e especializada dos professores tem sido fundamental para o sucesso da Educação Física inclusiva, permitindo-lhes adquirir as habilidades necessárias para planejar e executar aulas que atendam às necessidades individuais de cada aluno. A pesquisa educacional tem apontado que métodos como a educação física adaptada, estágios práticos e a utilização de recursos pedagógicos adequados desempenham um papel crucial nesse processo. . REFERÊNCIAS ALMEIDA, F. Q. de. EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INOVADORAS: UMA REVISÃO. 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