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Cursos de Pós-graduação Lato Sensu Processos de aprendizagem da leitura e escrita Aula 1 Profa. Dra. Úrsula Adelaide de Lélis ALFABETIZAÇÃO E OS MULTILETRAMENTOS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA Ementa A disciplina tem como objeto de estudo e reflexão a aprendizagem da leitura e escrita. Aspectos cognitivos. Psicolinguística. Consciência fonêmica. Compreensão do sistema de escrita alfabética. Período 07/10/2023 04/11/2023 OBJETIVOS G e ra l Compreender o processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita, numa perspectiva sócio-comunicativa, dialógica e crítica Es p e cí fi co s . Refletir sobre os aspectos comunicativos, expressivos e interativos da linguagem. . Apreender concepções de leitura enquanto produção de sentidos. . Conhecer os aspectos cognitivos presentes no processo de leitura. . Apreender a produção escrita como prática social. . Entender o desenvolvimento da consciência fonêmica. . Discutir a construção do sistema de escrita alfabética. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO AULA 1 Unidade I – O ensinar e aprender a ler e escrever: fundamentos teórico-práticos 1.1 O processo de ensino e aprendizagem 1.2 A linguagem como expressão humana comunicacional 1.3 O que é leitura 1.4 O que é escrita Unidade II – Aspectos cognitivos da leitura 2.1 O papel do conhecimento prévio na leitura 2.2 Objetivos e expectativas de leitura 2.3 Inferências e predição AULA 2 Unidade III – O sistema de escrita alfabética 3.1 A escrita como sistema notacional 3.2 Consciência fonêmica 3.3 A psicogênese da escrita PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ENSINO: - Orientação da aprendizagem - Criação de cenários formativos -Adaptação da cultura e saber acadêmico em função dos valores educativos - Meio para a aprendizagem (VEIGA, 2012) Interação entre sujeitos Modo de trabalho que envolve professor, aluno e conhecimento APRENDIZAGEM: - Interativa: experiência como ponto de partida; comunicação em alta; diferenciação de estratégias - Cada aluno desenvolve suas estratégias de aprender (processo de meta cognição, autorregulação, prática metacognitiva) - O sujeito mobiliza suas capacidades cognitivas e afetivas para aprender (ROMANOWSKY, 2012) Como se dá o processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita? Leitura Escrita Oralidade Produção de texto Escuta LINGUAGEM Como adquirimos, entendemos, produzimos e elaboramos a LINGUAGEM “A linguagem, que encerra a experiência de gerações, ou da humanidade, [...] intervém no processo de desenvolvimento da criança desde os primeiros anos de vida “ (LURIA; YUDVICH, 1987, p. 11) Por meio da prática conjunta e a linguagem, em comunicação com o meio, a criança desenvolve a sua atividade mental os processos mentais infantis são produtos da intercomunicação da criança com o meio (LURIA; YUDVICH, 1987). “*...] a aquisição de um sistema linguístico supõe a reorganização de todos os processos mentais da criança. A palavra passa a ser assim um fator excepcional que dá forma à atividade mental, aperfeiçoando o reflexo da realidade e criando novas formas de atenção, de memória e de imaginação, de pensamento e ação” (LURIA; YUDVICH, 1987, p.11). A linguagem se dá por meio de TEXTOS (ANTUNES, 2003). Objeto de estudo da língua “*...+ toda atividade linguística é necessariamente textual” (ANTUNES, 2003, p. 111). É agir, fazer, interferir no mundo Ler e escrever são formas de interação, comunicação, expressão no mundo e com o mundo. Daí porque o estudo da língua na escola precisa se dar em diálogo com esse mundo. Ampliação da competência comunicativa do aluno. CONCEPÇÃO INTERACIONISTA DA LINGUAGEM “*...+ é na linguagem e pela linguagem que a criança se constitui para si, para o outro e para o mundo da cultura” (SOUZA, 2016, p. 18). Concepção interacionista da linguagem ESCRITA E LEITURA Atividades interativas e complementares O que é ensinar e apender a ler e a escrever? LEITURA - Atividade interativa de busca de sentidos produção de sentidos. - Compreensão e interpretação das intenções pretendidas pelo autor do texto. Leitura de mundo Leitura de diferentes linguagens Leitura de textos escritos A importância da experiência do sujeito na produção de sentido As múltiplas linguagens Diversidade de gêneros textuais Leitura de mundo: a importância da experiência do sujeito na produção de sentido Professor sim, tia não: Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra (Paulo Freire) “Enquanto preparação do sujeito para aprender, estudar é, em primeiro lugar, um que-fazer crítico, criador, recriador, não importa que eu nele me engaje através da leitura de um texto que trata ou discute um certo conteúdo que me foi proposto pela escola ou se o realizo partindo de uma reflexão crítica sobre um certo acontecimentos social ou natural e que, como necessidade da própria reflexão, me conduz à leitura de textos que minha curiosidade e minha experiência intelectual me sugerem ou que me são sugeridos por outros. Assim, em nível de uma posição crítica, a que não dicotomiza o saber do senso comum do outro saber, mais sistemático, de maior exatidão, mas busca uma síntese dos contrários, o ato de estudar implica sempre o de ler, mesmo que neste não se esgote. De ler o mundo, de ler a palavra e assim ler a leitura do mundo anteriormente feita. Mas ler não é puro entretenimento nem tampouco um exercício de memorização mecânica de certos trechos do texto. Se, na verdade, estou estudando e estou lendo seriamente, não posso ultrapassar uma página se não consegui com relativa clareza, ganhar sua significação. Minha saída não está em memorizar porções de períodos lendo mecanicamente duas, três, quatro vezes pedaços do texto fechando os olhos e tentando repeti-las como se sua fixação puramente maquinal me desse o conhecimento de que preciso. Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. Ler é procurar buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão. Da compreensão e da comunicação”. Leitura de diferentes linguagens “As cem linguagens da criança” possibilitar ao aluno conhecer suas próprias potencialidades de expressão e comunicação https://primeirainfancia.org.br/noticias/as-cem-linguagens-da-crianca-e-a-aprendizagem- da-lingua-escrita/ Leitura de textos escritos Diversidade de gêneros textuais que circulam no cotidiano dos alunos A qual leitura, a alfabetização conduz? TRADICIONAL INTERACIONISTA Treino de habilidades perceptuais e de coordenação motora, juntamente com memorização das associações entre grafemas e fonemas. Ferreiro; Teberosky; Freinet; Freire; Piaget; Vygotsky. As crianças estão autorizadas a ler, apenas, textos cartilhados. As crianças PENSAM enquanto aprendem, pensam para aprender sobre a língua. Ênfase no COMO O PROFESSOR DEVE ENSINAR. Como funciona o sistema de escrita, COMO AS CRIANÇAS APRENDEM. Métodos e processos de alfabetização: mecânica de memorização de sons, letras, sílabas..., para DECIFRAÇÃO DE CÓDIGO. Alfabetização é uma construção conceitual de um sistema notacional. Distante das práticas sociais de leitura vivenciadas pelos professores e alunos. Leitura como prática interativa. Construção do texto pelo leitor EXPERIÊNCIA DO LEITOR. Até 1950 L íngua como expressão de pensamento: o bem falar e escrever Gramáticas pedagógicas para perpetuação de privilégiosAnos 1960 Língua como instrumento de comunicação (instrumentalização) Acesso ao código, para codificar e decodificar a língua Após 1990 Língua numa visão sociointeracionista Dialogicidade (Bakthin), compreensão, interação Kleiman (2004); Soares (1998) apud Barbosa e Souza (2006). A lí n gu a e o s e u e n si n o n ão sã o n e u tr o s! “Ter acesso à palavra escrita representa a possibilidade de dominar um instrumento de poder chamado linguagem formal. É nessa linguagem formal que, em qualquer país, estão escritos os códigos, as leis , os regimentos, os ensaios científicos – tudo, enfim, que faz parte da organização e do funcionamento dos grupos. Daí o caráter de exclusão do analfabetismo: ele priva as pessoas de um tipo particular de informação” (ANTUNES, 2003, p. 76). ASPECTOS COGNITIVOS DA LEITURA Ler é um processo cognitivo e social e o papel do professor é “*...] criar oportunidade que permitam o desenvolvimento desse processo cognitivo, sendo que essas oportunidades poderão ser melhor criadas na medida em que o processo seja melhor conhecido: um conhecimento dos aspectos envolvidos na compreensão e das diversas estratégias que compõem os processos” (KLEIMAN , 2013, p. 7, grifos nossos). “A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida” (KLEIMAN , 2013, p. 13). 1- O CONHECIMENTO PRÉVIO NA LEITURA Conhecimento linguístico Conhecimento de mundo Conhecimento textual Conhecimento linguístico 閱讀是一項複雜的活動,因為讀 者在構建文本含義時使用了多種 認知過程,因為它不是線性地、 以累積的方式發生的,其中單詞 含義的總和將構成文本的含義。 文本 קריאה היא פעילות מורכבת בשל ריבוי התהליכים הקוגניטיביים המשמשים את הקורא בעת בניית שכן היא אינה , המשמעות של טקסט באופן , מתרחשת באופן ליניארי שבו סכום המשמעות של , מצטבר המילים יהווה את המשמעות של הטקסט Vemos o texto Percebemos as palavras Nossa mente é ativada Recorremos aos nossos conhecimentos prévios linguísticos para construirmos os significados. O processo cognitivo A leitura é uma atividade complexa devido aos múltiplos processos cognitivos utilizados pelo leitor ao construir o sentido de um texto, já que ela não se dá linearmente, de maneira cumulativa, em que a soma do significado das palavras constituiria o significado do texto (KLEIMAN, 2013). Conhecimento Textual Tipos de textos Narrativos Dissertativos Injuntivos Descritivos Jornais Revistas Livros Intenet Computador Suportes textuais Gêneros textuais Crônica Poema Cartazes Folhetos Bulas Literários HQ Hipertextos... Conhecimento de mundo “Pimenta nos olhos dos outros é refresco” Profa. Cláudia, da Pós, enviou um comunicado. Na terra do sol, o “Rock no Rio” botou para quebrar! Cuidado com o lobo, Chapeuzinho! Roberto é rei! “A ativação do conhecimento prévio é, então, essencial à compreensão, pois é o conhecimento que o leitor tem sobre o assunto que lhe permite fazer as inferências necessárias para relacionar diferentes partes discretas do texto num todo coerente” (KLEIMAN , 2013, p. 25). 2- OBJETIVOS E EXPECTATIVAS DE LEITURA “A compreensão, o esforço para recriar o sentido do texto, tem sido várias vezes descrito como um esforço inconsciente na busca de coerência do texto. A procura de coerência seria um princípio que rege a atividade de leitura e outras atividades humanas. Ora, um dos caminhos que nos ajudam nessa busca é o engajamento, a ativação de nosso conhecimento prévio relevante ao assunto do texto. Um outro caminho [...] é o estabelecimento de objetivos e propósitos claros para a leitura” (KLEIMAN , 2013, p. 29-30). “Há evidências inequívocas de que nossa capacidade de processamento e de memória melhoram significativamente quando é fornecido um objetivo a uma tarefa” (KLEIMAN , 2013, p. 30). “É devido ao papel das estratégias metacognitivas na leitura que podemos afirmar que, [...], a leitura é um processo só, pois as diferentes maneiras de ler (para ter uma ideia geral, para procurar um detalhe) são apenas diversos caminhos para alcançar o objetivo pretendido” (KLEIMAN , 2013, p. 35). “Os objetivos também são importantes para um outro aspecto da atividade do leitor que contribui para à compreensão: a formulação de hipóteses. [...]. [...] o leitor ativo, realmente engajado no processo, elabora hipóteses e as testa, a medida em que vai lendo o texto” (KLEIMAN, 2013, p. 35-36). 3 - INFERÊNCIA E PREDIÇÃO “*...] o texto não é um produto acabado, que traz tudo pronto para o leitor receber de modo passivo. Ora, uma das atividades do leitor, fortemente determinada pelos seus objetivos e suas expectativas é a formulação de hipóteses de leitura” (KLEIMAN, 2013, p. 36). Ao levantar hipóteses o leitor postula conteúdos e uma estruturação para esses conteúdos, isto é, terá que imaginar temas e subtemas (KLEIMAN, 2013). “O estabelecimento de objetivos e a formulação de hipóteses, são de natureza metacognitiva, isto é, são atividades que pressupõem reflexão e controle consciente sobre o próprio conhecimento sobre o próprio fazer, sobre a própria capacidade. Elas se opõem aos automatismos e mecanismos típicos do passar o olho que muitas vezes é tido como leitura na escola. Embora essas atividades de natureza metacognitiva sejam indiossincráticas, individuais, é possível o adulto propor atividades nas quais a clareza de objetivos, a predição, a auto- indagação sejam centrais, assim propiciando contextos para o desenvolvimento e aprimoramento de estratégias metacognitivas na leitura” (KLEIMAN, 2013, p. 43-44). ATIVIDADE COLABORATIVA - Até 5 pessoas por grupo. REFERÊNCIAS BÁSICAS MORAES, Artur Gomes de; ALBUQUERQUE, Eliana Borges Correia de; LEAL, Telma Ferraz. Alfabetização: apropriação do sistema de escrita alfabética. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. RIBEIRO, Macilene V. G. Conexões entre as habilidades da consciência fonológica e a produção escrita da criança: o trabalho de análise da sílaba na fase inicial de alfabetização. Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS- 9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolinguística da leitura e do aprender a ler. Porto Alegre: Artmed, 2003. https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-9N7HA3/1/tese_macilene_correcao_final_.pdf REFERÊNCIAS BÁSICAS TEBEROSKY, Ana e COLOMER, Teresa. Aprender a ler e escrever: uma proposta construtivista. Porto Alegre: Artmed, 2003. SOARES, Magda. Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2020. COMPLEMENTAR GALVÃO, Raiane de S. Apropriação do sistema de escrita alfabética: as contribuições dos estudos sobre letramento para o redimensionamento dos processos de ensino-aprendizagem. Disponível em: http://revistaabalf.com.br/index.html/index.php/rabalf/article/view/311http://revistaabalf.com.br/index.html/index.php/rabalf/article/view/311 http://revistaabalf.com.br/index.html/index.php/rabalf/article/view/311 REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES ANTUNES, Irandé. Aula de português – encontro e interação. São Paulo: Parábola editorial, 2003. BARBOSA. Maria Lúcia Ferreira de Figueirêdo; SOUZA, Ivane Pedrosa de. Sala de aula: avançando nas concepções de leitura. In: ______;______ (Orgs.). Práticas de leitura no ensino fundamental. Belo Horizonte : Autêntica, 2006. Cap.1, p. 11-22. KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor. Aspectos cognitivos da leitura. 15.ed. Campinas: Pontes Editores, 2013. https://www.sescpr.com.br/curso/leitura-de-mundo/ PROCESSOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA