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W BA 11 11 _V 1. 0 IMPLANTAÇÃO E GESTÃO APLICADA EM INDICADORES DE RISCOS 2 Adriano Pereira da Silva São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 IMPLANTAÇÃO E GESTÃO APLICADA EM INDICADORES DE RISCOS 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Coordenador Nirse Ruscheinsky Breternitz Revisor Felipe Delapria Dias dos Santos Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Silva, Adriano Pereira da Implantação e gestão aplicada em indicadores de riscos / Adriano Pereira da Silva. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 32 p. ISBN 978-65-5356-304-9 1. Sistema de gestão de risco. 2. Indicadores de risco. 3. Matriz de risco. I. Título. 3. Técnicas de speaking, listening e writing. I. Título. CDD 658.402 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 010289/O S586i © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. https://www.platosedu.com.br/ 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Introdução aos conceitos gerais de riscos ____________________ 06 Requisitos legais para gestão de riscos conforme ISO 45001 ____________________________________________________ 19 Conceitos e aplicações de gestão de risco conforme ISO 31000 ____________________________________________________ 32 Gestão de indicadores de riscos ______________________________ 46 IMPLANTAÇÃO E GESTÃO APLICADA EM INDICADORES DE RISCOS 5 Apresentação da disciplina Os indicadores de risco são uma das ferramentas mais importantes para as diversas atividades econômicas que devem gerenciar suas práticas operacionais. No decorrer da unidade, você perceberá que os elementos que compõem essa percepção holística da empresa explorarão o caminho de desenvolvimento dos três instrumentos de gerenciamento de risco, executados através da gestão estratégica. Assim, adota-se um modelo que estabelece indicadores de risco relevantes, pontos de monitoramento de risco e mecanismos de alerta antecipado, conduzindo ao estabelecimento de limites para controle e gestão com base em atributos de risco e adoção de critérios qualitativos e quantitativos, a fim de avaliar regularmente cada um deles. Logo, o principal objetivo da nossa visão conceitual aplicada é identificar, avaliar, monitorar, controlar e reduzir efetivamente o risco operacional e estruturar um sistema eficiente para minimizar potenciais perdas decorrentes do processo. Para reduzir o risco operacional que enfrentamos, cada Leitura Digital apresentará conceitos interdisciplinares capazes de fornecer estratégias metodológicas aplicadas aos processos de negócios, sistemas comerciais e novas políticas regulatórias. Nesse sentido, tomamos principalmente medidas de avaliação de risco para alcançar retornos ajustados com base na premissa de que os riscos são mensuráveis, controláveis e suportáveis. Portanto, buscamos um equilíbrio entre riscos e benefícios no curso das atividades propostas e na criação de valor a partir disso. Não obstante, também definimos as bases legais aplicáveis e projetamos medidas de controle de risco correspondentes para garantir a segurança que envolve todos os aspectos do risco. Assim, convidamos você para entender como tudo isso pode ser aplicado. 6 Introdução aos conceitos gerais de riscos Autoria: Adriano Pereira da Silva Leitura crítica: Felipe Delapria Dias dos Santos Objetivos • Orientar o estudante sobre os conceitos de risco. • Facilitar a compreensão dos requisitos legais da gestão de riscos. • Estabelecer critérios para métricas de aplicações da gestão de riscos. 7 1. Sistema de gestão de riscos O principal objetivo da maioria das empresas é garantir a longevidade. Os fatores que mais contribuem para este objetivo são o aspecto interno do sistema de gestão e o aspecto externo das condições ambientais – por exemplo, o estado atual da economia e dos mercados. Os fatores externos estão cada vez mais perdendo estabilidade, como resultado da globalização, e aumentando em complexidade e poder. Além disso, por um lado, a diminuição dos depósitos de matéria-prima afeta o fornecedor e, por outro lado, o aumento da plenitude do mercado contribui para a dependência da parte desejada. Dado que a oferta é muito difícil de corresponder à necessidade, existem também os riscos adicionais – por exemplo, em relação ao investimento em uma empresa ou quando uma organização se desloca para o exterior. Muitas empresas tentam combater esses fatores construindo negócios maiores e mais complexos. Tudo isso faz com que elas respondam às questões ambientais com crescente flexibilidade e tenham que antecipar bem as oportunidades e os riscos futuros para sobreviver no mercado por muito tempo (BARALDI, 2018). Em seguida, cada empresa, nacional ou internacional, está sujeita a riscos, que podem ser de naturezas diferentes. Seus efeitos podem ser graves ou menores, mesmo nos piores casos. Os riscos não terminam com o descaso; por isso, faz sentido realizar uma análise minuciosa do que é tolerável e o que está contido nos métodos empregáveis. Essa consideração sistemática é chamada de gerenciamento de risco. A gestão de risco, por sua vez, é muitas vezes descrita como uma combinação da magnitude do dano e da probabilidade definida de ocorrência. Portanto, se você deseja reduzir o risco, pode tentar minimizá-lo para diminuir o nível de dano ou as chances de ele acontecer. Assim, o objetivo da gestão de desastres não é eliminar todos os riscos, pois é impossível apagar sua existência, e as chances de 8 sucesso não foram calculadas. O objetivo é, portanto, obter uma medida adequada, com base na avaliação do risco, entre oportunidades e riscos da empresa (SILVA FILHO, 2021). Uma possível explicação separa o conceito de risco em três áreas. Primeiro, o risco envolve o problema da teoria da informação. As informações podem ou não estar completas. O resultado disso é o perigo da desinformação. O segundo fator é o risco de tomada de decisão incorreta. Em outras palavras, refere-se à incerteza do tomador de decisão ao escolher entre alternativas e seus resultados futuros incertos. Acima de tudo, o risco percebido de automutilação e o limite de tolerância ao assumi-lo desempenham um papel importante nesse contexto. O último elemento a ser mencionado é o desvio negativo das expectativas, seja de um parente, seja de um artigo completo (por exemplo, o risco de derrapagens de custos ao fazer alterações em um processo de fabricação industrial). O objetivo a ser alcançado pode ser garantido e avaliado apenas como um trabalho de meio período (TRENTIM, 2011). Assim, a Figura 1 apresenta essa estrutura dimensionada em áreas. Figura 1 – Engrenagem de funcionamento das áreas de risco Fonte: elaborada pelo autor. 9 O perigo possui uma característica do sistema, que indica contato com o meio ambiente. Desse modo, o risco deve seré que a organização seja capaz de fornecer uma visão geral dos possíveis riscos, tão completa quanto possível. Dependendo da respectiva área, cada risco é atribuído a um gestor. Os riscos são identificados em todas as áreas e processos de uma organização. Fontes de dados internas e externas são usadas para identificação de riscos. Como a análise de risco realiza uma consideração detalhada de incertezas, causas de risco, efeitos, probabilidades, eventos, cenários, controles e sua eficácia, inclui determinar o tipo de risco, suas características e, se aplicável, o nível de risco. Como parte da avaliação, todos os riscos identificados são analisados, e a sua probabilidade de ocorrência e de extensão de seus danos é examinada. A avaliação de risco permite ponderar os riscos identificados. Assim, uma abordagem orientada impõe a mitigação de risco ou o controle de risco como medidas para reduzir o nível potencial de dano e/ou a probabilidade de ocorrência de anomalias (MOKGOANTLE, 2012). Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 31000: Gestão de riscos. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. ALDENUCCI, M.; SPINOSA, L.; FAVARETTO, F. Mapeando a norma de gerenciamento de riscos AS/NZS 4360 no PMBOK. 2009. XXIX Encontro Nacional De Engenharia De Produção: A Engenharia de Produção e o Desenvolvimento Sustentável: Integrando Tecnologia e Gestão, Salvador, 6-9 out. 2009. BARALDI, P. Gerenciamento de riscos empresariais. São Paulo: Cia do eBook, 2018. MOKGOANTLE, O. J. Risk Maturity at a Life Insurer. M.Com. (Finance). Johannesburg: University of Johannesburg, 2012. 45 PONTE, M. V. V. Gerenciamento de Riscos. 2º lugar no Prêmio de Criatividade e Inovação da Receita Federal do Brasil. Rio de Janeiro: Receita Federal do Brasil, 2005. Disponível em: https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/4555/1/2%c2%ba%20 lugar%20do%204%c2%ba%20Premio%20RFB.pdf. Acesso em: 28 jul. 2022. 46 Gestão de indicadores de riscos Autoria: Adriano Pereira da Silva Leitura crítica: Felipe Delapria Dias dos Santos Objetivos • Orientar o estudante sobre os conceitos de gestão risco. • Facilitar a compreensão dos métodos para elaboração de mapeamento de riscos ocupacionais. • Estabelecer critérios para gerenciamento de indicadores de gestão de riscos. 47 1. Gestão de indicadores de riscos Na gestão de riscos ocupacionais, o departamento gestor espera transformar riscos operacionais abstratos e complexos em números intuitivos e simples para quantificar todos os prováveis e potenciais riscos. Através de meios e métodos quantitativos, a situação atual do risco ocupacional pode ser refletida de forma intuitiva, sendo conveniente observar as mudanças do risco operacional. Assim, os principais indicadores de risco são ferramentas importantes para avaliação e monitoramento de todo o processo (CAMISASSA, 2019). Os indicadores de risco são um sistema de medidas para monitorar as atividades de negócios e o ambiente de controle em determinada estrutura de gerenciamento de risco. As atividades representativas de avaliação de controle só podem ser realizadas regularmente, enquanto os principais indicadores de risco podem ser monitorados diariamente, o que facilita o gerenciamento dinâmico do risco ocupacional. Essas métricas incluem: o número de erros de transação, taxas de rotatividade de pessoal, a frequência e gravidade de erros e omissões (BARSANO; BARBOSA, 2013). Quando os valores dos parâmetros desses indicadores- chave mudam e atingem ou ultrapassam determinado limite, a organização precisa implementar uma gestão de alerta antecipado para as áreas potenciais refletidas ou representadas pelos parâmetros preestabelecidos pelo corpo diretivo, de acordo com o grau do problema refletido. Logo, os responsáveis técnicos relatam o problema para desenvolver e implementar medidas de controle/mitigação de risco em tempo hábil, trazendo esse parâmetro métrico de volta ao nível de controle original (SANTOS JUNIOR; BENATTI, 2018). O estabelecimento dos principais indicadores de monitoramento de risco ocupacional é baseado no pressuposto de que o risco operacional está intimamente relacionado a determinados indicadores quantitativos. Assim, quando identificados no início das atividades, possuem funções 48 de alerta antecipado quantificáveis e determinadas, e ao definir o nível de alerta, a gestão pode atentar para os riscos operacionais cujos valores dos parâmetros do índice excedem a faixa segura. Ou seja, o indicador é sensível ao risco e pode obter insights sobre as mudanças na escala. Portanto, o KPI (key performance indicator, ou seja, indicador- chave de desempenho) é uma ferramenta muito útil para identificar, avaliar e monitorar os riscos (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). Diante desse panorama, a detecção precoce de riscos também consiste em registrar as tendências futuras, as potenciais oportunidades e os riscos futuros relevantes para uma empresa usando indicadores- chave e apresentá-los de forma clara e transparente em um painel. Com o dashboard desenhado para efeitos de detecção precoce de riscos, a direção e o conselho de administração devem dispor de uma ferramenta de controle com a qual se possa agregar e registar de forma holística a situação global dos riscos e das oportunidades na respetiva empresa. Além disso, esse painel pode ser usado para relatar riscos e oportunidades ao longo do ciclo de gerenciamento (SANTOS JUNIOR; BENATTI, 2018). Um risco ou uma oportunidade pode ser basicamente descrito como um possível desvio dos valores planejados ou previstos. Um risco é um desvio potencialmente negativo do planejamento, enquanto uma oportunidade representa uma possibilidade de um desvio positivo do planejamento. Assim, as principais tarefas de identificação, quantificação, agregação, monitoramento e controle de riscos podem ser definidas no âmbito da gestão de riscos. Um componente importante, especialmente no que diz respeito à detecção precoce de riscos, é a agregação de riscos (BARSANO; BARBOSA, 2013). O escopo do risco geral para uma empresa pode ser determinado pela agregação de diferentes riscos. Os efeitos combinados de vários riscos individuais podem, assim, ser considerados. 49 A representação da situação global de risco é fundamental para que os desenvolvimentos que ameacem a existência da empresa possam ser identificados em uma fase inicial e mitigados com as contramedidas adequadas ou, idealmente, convertidos em oportunidades. O objetivo da gestão de risco é garantir a existência de longo prazo da empresa, minimizando os custos ou qualquer outro impacto (CAMISASSA, 2019). No que diz respeito ao efeito de alerta precoce em particular, o foco está na identificação e análise de riscos e oportunidades. Um importante fator de sucesso é o registro sistemático e completo de todas as fontes de perigo, incluindo suas dependências e seus relacionamentos. Os dados internos e externos devem ser analisados iterativamente e processados regularmente (BARSANO; BARBOSA, 2013). Existem inúmeros instrumentos que podem ser usados para identificar riscos e oportunidades. Se os riscos devem ser identificados o mais cedo possível, faz sentido focar os riscos estratégicos. Uma ferramenta comprovada são as análises empresariais e ambientais baseadas em SWOT (sigla para strengths, weaknesses, opportunities and threats, traduzida em forças, fraquezas, oportunidades e ameaças – trata-se de uma ferramenta de gestão estratégica, mas que também é utilizada para avaliações formativas e desenvolvimento de qualidade de programas, bem como na gestão de riscos). Em comparação com a concorrência, as oportunidades, as ameaças e os pontos fortes e fracos são mostrados em uma matriz. Os perfis de forças e fraquezas resultantes podem, assim, ser expostos de forma transparente (BARSANO; BARBOSA, 2013). Com a ajuda desse método simples e flexível, são considerados tanto os pontos fortes e fracos internos (força-fraqueza)quanto as oportunidades e ameaças externas (ameaças-oportunidades) que afetam os campos de atuação da empresa. A partir da combinação da análise de pontos fortes/fraquezas e da análise de oportunidades/ ameaças, pode ser derivada uma estratégia holística para o maior alinhamento das estruturas da empresa e o desenvolvimento dos 50 processos de negócios. Os pontos fortes e fracos são tamanhos relativos e só podem ser avaliados em comparação com a concorrência (CHIAVENATO, 2005). As dimensões do modelo de análise SWOT são frequentemente apresentadas em uma matriz SWOT, como mostrado na Quadro 1. Quadro 1 – Estrutura SWOT SWOT Análise Interna Forças Fraquezas Análise Externa Oportunidades Objetivo estratégico de buscar novas oportunidades que se encaixem bem com os pontos fortes da empresa (estratégia de correspondência). Objetivo estratégico de eliminar as fraquezas para aproveitar no- vas oportunidades, ou seja, con- verter as fraquezas em forças (estratégia de conversão). Perigos Objetivo estratégico voltado a identificar pontos fortes para afastar ameaças (estratégia de neutralização). Objetivo estratégico de desen- volver planos de defesa para evitar que as fraquezas existen- tes se tornem alvo de ameaças. Fonte: Chiavenato (2005, p. 188). A análise da estrutura da indústria é adequada para derivar e registrar sistematicamente os riscos do ambiente corporativo. Os perigos e as oportunidades que surgem do relacionamento com clientes, concorrentes e fornecedores e os produtos de serviços oferecidos no mercado podem servir como base ideal para uma análise SWOT (CHIAVENATO, 2005). A partir disso, o monitoramento contínuo dos riscos relevantes é outra tarefa central da gestão empresarial. Para que os riscos identificados sejam gerenciados de forma eficaz, eles devem ser claramente documentados, incluindo as responsabilidades associadas. A atual carteira de riscos pode ser apresentada por meio de uma matriz de riscos na qual eles sejam classificados de acordo com sua probabilidade de ocorrência e extensão do dano. Isso dá ao espectador uma visão 51 rápida da situação geral de risco da empresa e deixa claro se há alguma necessidade adicional de ação (BARSANO; BARBOSA, 2013). Como as empresas e seu ambiente estão em constante mudança, deve ser possível atualizar os relatórios regularmente e em um período razoável. Assim, faz sentido apoiar a preparação dos relatórios com soluções informáticas adequadas. Por exemplo, a identificação de riscos e a sua quantificação podem ser automatizadas em grande medida. No painel de risco subsequente, o escopo geral agregado do risco, o desenvolvimento dos riscos em comparação com os períodos anteriores e as contramedidas recomendadas podem ser mostrados. O risco global pode ser demonstrado (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). Não obstante, para que uma potencial crise corporativa seja reconhecida, diferentes níveis de detecção precoce são importantes. Ao analisar os dados internos da empresa, as previsões podem ser feitas usando os principais índices ocupacionais. Se os dados reais forem comparados com os índices teóricos, os desvios podem ser identificados. Devido aos desvios nos resultados ou índices orientados às atividades, situações futuras e problemáticas podem ser identificadas em um estágio inicial. É aconselhável definir valores-limite para os desvios alvo/ reais desses índices, nos quais os alertas automatizados são acionados e as contramedidas são indicadas (CAMISASSA, 2019). As métricas mencionadas são baseadas em dados estruturados, que geralmente estão disponíveis com um elevado grau de automação e podem ser avaliados e relatados com um esforço economicamente justificável. As análises de desvio muitas vezes podem apresentar uma crise esperada ou um aumento do risco geral para uma empresa de forma relativamente clara (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). O problema, nesse contexto, é o tempo de espera antes que a crise realmente ocorra. Assim que um risco geral aumentado para uma empresa se torna aparente nos principais números de lucros, geralmente não resta muito tempo para que se possa reagir com as 52 medidas necessárias. Esse lead time na identificação precoce de riscos e oportunidades é ainda mais crítico quando se trata de métricas de reincidência (BARSANO; BARBOSA, 2013). Para poder definir indicadores de alerta precoce que ofereçam tempo suficiente para reações, os sinais fracos são particularmente importantes. Assim, a estratégia corporativa e o ambiente corporativo são o foco. No entanto, os sinais fracos são principalmente dados qualitativos e não estruturados. Portanto, muitas vezes é difícil coletar esses dados, agregá-los e prepará-los de forma útil. Os dados geralmente vêm de diferentes fontes e possivelmente de sistemas de TI. Os efeitos e a relevância dos sinais fracos muitas vezes não são claramente reconhecíveis para a empresa no início (BARSANO; BARBOSA, 2013). Em contrapartida, analisando como esses sinais evoluíram ao longo do tempo, o impacto fica mais claro. Os sinais fracos são identificados usando o processo de varredura. O ambiente corporativo é sistematicamente verificado. O objetivo é reconhecer quebras estruturais no desenvolvimento ambiental e identificar sua relevância e possível impacto na empresa. Um aspecto-chave nesse cenário é a tendência desses sinais fracos (CAMISASSA, 2019), a qual deve ser verificada continuamente. Os desenvolvimentos relevantes podem então ser quantificados e incluídos nas previsões atuais e nos dados de planejamento. Para que o valor da empresa possa ser aumentado de forma sustentável, é essencial conhecer os direcionadores de valor responsáveis na organização e perseguir consistentemente uma estratégia orientada para o valor. Uma ferramenta estabelecida para mapear e comunicar a estratégia é a abordagem do balanced scorecard (BSC). O balanced scorecard (em português seria traduzido como indicadores balanceados de desempenho) é uma metodologia de medição e gestão de desempenho que representa uma visão 53 holística da estratégia e evita um foco isolado na perspectiva financeira (CHIAVENATO, 2005). O BSC leva essencialmente em conta as quatro perspectivas de finanças, clientes, processos e potencial. As diferentes perspectivas consideram que o sucesso financeiro da empresa se baseia na gama de produtos e serviços que ela oferece aos seus clientes. Os processos correspondentes são necessários para que a oferta possa ser criada com a qualidade e o custo-benefício desejados. Estes, por sua vez, só podem existir se os recursos certos ou o potencial certo forem explorados (CHIAVENATO, 2005). Os números-chave para medir o sucesso agora podem ser definidos para as respectivas áreas. Assim, o BSC gera um sistema de índices bem equilibrado para a estratégia da empresa. A abordagem do BSC pode ser estendida para incluir a perspectiva de risco. Isso garante que os aspectos de risco de todas as áreas sejam sistematicamente considerados. Nas quatro perspectivas definidas no modelo básico do BSC, os riscos e as oportunidades detectáveis também são mapeados de acordo. O BSC ajustado ao risco permite, assim, uma gestão corporativa baseada na estratégia corporativa, incluindo uma avaliação de risco integrada. Utilizando os índices definidos no BSC, os desvios das metas podem ser registrados e os riscos ou as oportunidades responsáveis por eles podem ser identificados (SANTOS JUNIOR; BENATTI, 2018). A Figura 1 mostra uma solução para um scorecard de detecção precoce de risco, a qual é estratégica para inclusão genérica em relatórios com suporte de painel. 54 Figura 1 – Estrutura BSC Fonte: Chiavenato (2005, p. 151). Como o BSC analisa o nível estratégico da empresa, esse conceito é particularmente adequado para detecção precoce. Desvios dos objetivos estratégicos podem ser identificados nos desenvolvimentos de indicadores-chave de todas as perspectivas de finanças,clientes, processos e potencial. Acima de tudo, os desvios nos números-chave não monetários das diferentes perspectivas podem fornecer insights iniciais. Os sinais fracos podem ser interpretados e as medidas podem ser iniciadas antes que esses riscos já estejam criticamente refletidos nos principais números financeiros e haja pouco tempo para reagir (CHIAVENATO, 2005). A partir disso, os indicadores de segurança em segurança do trabalho podem ser divididos em duas categorias: atrasadas ou reativas e principais ou proativas. Assim, os índices reativos são adequados para mostrar o nível de segurança ocupacional em retrospecto e em comparação com outras empresas. Referem-se aos dados coletados sobre incidentes de segurança ou resultados que já ocorreram e não 55 podem ser desfeitos. Em outras palavras, eles estão atrasados porque se concentram em eventos passados (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). No entanto, eles não dão nenhuma indicação de como uma melhoria poderia ser alcançada. Para um foco no futuro, portanto, é aconselhável também dar uma olhada nos chamados indicadores antecedentes, ou seja, proativos. Às vezes chamados de métricas preventivas, eles diferem dos indicadores de atraso, pois não se relacionam com incidentes que já ocorreram, mas com ações acionáveis ou condições modificáveis que ajudam a prevenir futuros incidentes (CHIAVENATO, 2005). Nesse sentido, ao escolher métricas reativas ou proativas, não existe uma solução única para todos os negócios. Um olhar sobre a situação da empresa, seus problemas e objetivos deve ser a base para sua definição. Para garantir comparabilidade, continuidade e rastreabilidade, todas as metas cuja realização deseja-se medir usando índices devem atender aos critérios SMART: • S - Specific (específica). • M - Measurable (mensurável). • A - Attainable (atingível). • R - Relevant (relevante). • T - Time Based (temporal). Além de seus objetivos e problemas, considera-se também a cultura de segurança atual. Grande parte dos KPIs em segurança do trabalho é baseada em relatórios dos funcionários, sendo que a força de trabalho deve, portanto, ser informada de modo transparente sobre o significado e o uso de índices confiáveis para internalizá-los nas operações do dia a dia. Além disso, é necessário um sistema simples e compreensível através do qual relatórios possam ser feitos e eventos possam ser 56 rastreados. Apenas devem ser rastreadas as métricas que fornecerão dados significativos o suficiente (CHIAVENATO, 2005). Como nota de advertência, muito esforço será perdido sem dedicar tempo e recursos suficientes para gerenciar e relatar os principais indicadores de risco. No mínimo, são sugeridas revisões anuais para garantir a relevância (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). No entanto, a frequência ideal é determinada pela natureza do negócio, bem como por seu tamanho e sua complexidade operacional. Os riscos ocupacionais estão sujeitos a alterações. Portanto, um sistema, para adicionar ou alterar os principais indicadores de risco operacional, deve ser implementado juntamente com procedimentos e processos de governança claramente definidos, a fim de controlar a definição ou alteração de limites (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). Em termos de reporte, a principal recomendação é: sempre que possível, os relatórios sobre os indicadores de risco operacional devem ser elaborados em colaboração com o público-alvo para garantir o máximo de compreensão e níveis de usabilidade em conformidade (SANTOS JUNIOR; BENATTI, 2018). A coordenação central é benéfica para garantir a consistência e a capacidade de comparar ou resumir relatórios para a alta administração. São fornecidas informações detalhadas sobre como apresentar relatórios de indicadores de maneira amigável, com linguagem clara e recursos visuais úteis, bem como exemplos de relatórios. Referências BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Controle de riscos: Prevenção de acidentes no ambiente ocupacional. São Paulo: Editora Erica, 2013. CAMISASSA, M. Q. Segurança e Saúde no Trabalho: NRs 1 a 37 comentadas e descomplicadas. 7. ed. São Paulo: Método, 2019. 57 CHIAVENATO, I. Comportamento organizacional: a dinâmica do sucesso das organizações. Barueri: Editora Manole, 2005. RABECHINI JR., R.; CARVALHO, M. Relacionamento entre gerenciamento de risco e sucesso de projetos. Produção, v. 23, n. 3, p. 570-581, 2013. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/prod/a/JD5hrwpD3HdQMY4JssSbQsD/?lang=pt. Acesso em: 10 set. 2022. SANTOS JR., J. R. dos; BENATTI, A. L. Gestão e indicadores em segurança do trabalho. São Paulo: Editora Érica, 2018. https://www.scielo.br/j/prod/a/JD5hrwpD3HdQMY4JssSbQsD/?lang=pt https://www.scielo.br/j/prod/a/JD5hrwpD3HdQMY4JssSbQsD/?lang=pt 58 BONS ESTUDOS! Sumário Apresentação da disciplina Introdução aos conceitos gerais de riscos 1. Sistema de gestão de riscos Referências Requisitos legais para gestão de riscos conforme ISO 45001 Objetivos 1. ISO 45001 Referências Conceitos e aplicações de gestão de risco conforme ISO 31000 Objetivos 1. Sistema de gestão de riscos conforme ISO 31000 Referências Gestão de indicadores de riscos Objetivos 1. Gestão de indicadores de riscos Referênciasconsiderado de forma geral. Além disso, seu efeito é visto como um processo constantemente influenciado por fatores externos. Portanto, existe um contexto de processo em que as causas e forças internas e externas têm uma influência que leva à área do problema. Esta área problemática pode representar um risco que, dependendo do ambiente em mudança, tem um impacto maior ou menor. Na verdade, o termo é frequentemente usado em uma relação negativa com a palavra segurança. O setor financeiro em particular, que utiliza principalmente métodos de apresentação de carteiras, muitas vezes associa o conceito de risco com oportunidade, sendo esta oportunidade crescente com risco crescente (BARALDI, 2018). Muitas definições do conceito de risco podem ser divididas em duas categorias. O termo, por outro lado, é definido pelo efeito econômico que produz. Isso significa falha sistêmica e efeito negativo do desvio da meta na forma de risco de perda ou lucro cessante (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). Ainda, o termo é considerado em relação à natureza do conhecimento e, portanto, sua causa: a incerteza. Uma situação perigosa é definida apenas como o fato de que, embora existam muitas teorias diferentes sobre eventos futuros, esses eventos não são conhecidos como certos e não se destinam a ocorrer. Quase todas as decisões econômicas envolvem riscos. A tomada de decisão é uma possibilidade, mas não necessariamente um fator de risco. Parte dessa definição é um desvio de termos específicos, o que também requer uma definição temporária de termos mensuráveis. Além disso, o conceito de risco é definido pela situação específica de conhecimento associada à distribuição de oportunidades (SILVA FILHO, 2021). Esse nível de conhecimento pode ser coletado combinando condições naturais com outros processos para se ter um efeito que pode ser categorizado em níveis. A primeira chance representa um evento que 10 certamente acontecerá, enquanto a segunda chance é composta de incerteza determinada e tangível. O terceiro nível é a incerteza completa, quando as chances de ocorrer são completamente desconhecidas (TRENTIM, 2011). Mesmo antes da Primeira Guerra Mundial, a economia estava em crise. No início, a avaliação de risco limitava-se aos documentos de tratamento, devido ao crescimento do poder e à complexidade dos mercados e das ações que ocorreram nesse período. No final da década de 1970, as empresas americanas registravam uma carga crescente nos prêmios de seguros, devido ao aumento do risco elevado. Em grandes empresas industriais, esses riscos eram baseados, por exemplo, em equipamentos especiais caros ou medidas de proteção contra incêndio (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). O resultado foi uma revisão do próprio seguro, para garantir proteção contra perda de propriedade e, ao mesmo tempo, reduzir o valor total dos custos do seguro. Este, por sua vez, pressupõe a aplicação de medidas de segurança adequadas aos diversos processos da empresa. Em 1986, M. Haller primeiro tentou transmitir uma estratégia de gestão baseada em risco em todo o sistema, usando um conceito integrado. Após a redução do risco do seguro puro, voltou-se a tentar avaliar o risco de ganhos e perdas, as chamadas estimativas de risco, utilizando estratégias de gestão sistemáticas e baseadas no risco e combatendo- as. Essa função encontra-se na relação entre expectativas e impactos e, em última análise, é apresentada no chamado mapa de risco, que inclui medidas de transformação (TRENTIM, 2011). Fruto dos desenvolvimentos atuais, no que diz respeito à crise econômica e financeira que se seguiu, a gestão está presente desde o final de 2007 com foco nas empresas comerciais e instituições de crédito. Por fim, especialmente na área de bancos e instituições financeiras, deve ser possível questionar a eficácia das ferramentas de gestão de risco. 11 A partir disso, por um lado, desenvolveu-se a função de “gestão de risco” nas empresas, e, por outro, surgiu um expressivo número de instrumentos do sistema de seguros empresariais. Até hoje, muitas empresas ainda contratam um gerente de risco, cuja principal responsabilidade é um financiamento de risco específico ou a compra de apólice de seguro. Ao mesmo tempo, está sendo aprimorada a utilização de instrumentos financeiros para reduzir o risco financeiro (BARALDI, 2018). Além da gestão de riscos de seguros e financeiros, existem outras áreas de negócios em que surgiram ferramentas e técnicas de gestão de riscos. Isso inclui, por exemplo, gerenciamento de riscos técnicos (segurança de máquinas e produtos), gerenciamento de projetos (análise de riscos de projetos), gerenciamento de riscos de TI (recursos de segurança de dados e seu gerenciamento) e gerenciamento estratégico. Os avanços nos últimos anos mostraram, no entanto, que o foco dos sistemas de gestão de risco está cada vez mais na mesma mentalidade e na proteção dos riscos individuais (TRENTIM, 2011). Em muitos casos, o gerenciamento de risco limitado ao individual não pode alcançar uma melhoria completa. Muitas posições de risco são semelhantes a redes em organizações complexas (por exemplo, em diferentes cadeias de valor com diferentes modos de influência). O gerenciamento de risco individual único e descoordenado pode levar a um aumento no perfil de risco de uma empresa, em vez de uma redução (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). O resultado da gestão de risco é a necessidade de redirecionamento para uma visão holística e estratégia que contemple a área de risco para todas as estratégias, ou seja, negócios e empresas. Esse redirecionamento requer uma superestrutura que seja mais do que uma gestão de risco individual, identificando, avaliando e controlando as decisões que criam um ambiente de trabalho. 12 As melhorias na gestão do risco de desastres são altamente dependentes de eventos, bem como de mudanças sustentáveis e industriais ou baseadas em negócios (por exemplo, mudanças nos modelos de negócios, alívio, desintegração das estruturas históricas da indústria, colapsos de receitas testadas e comprovadas, novas inovações tecnológicas, novos flutuações, novas flutuações emergentes, de contratos de longo prazo com fornecedores e/ou clientes). Por um lado, as barreiras de projeto para uma melhor gestão e gerenciamento de riscos de desastres resultaram em processos e procedimentos práticos e às vezes complexos. Por outro lado, em muitas empresas elas tiveram como efeito um sistema compartilhado de soluções individuais no ambiente de negócios, que inclui suporte e atividades estratégicas (SILVA FILHO, 2021). Nesse sentido, a avaliação de risco é baseada nos seus próprios resultados. O objetivo é avaliar da forma mais comum e completa possível todos os riscos identificados. A quantificação permite detectar ameaças na presença de uma empresa ou desvio significativo dos valores-alvo e criar um nível baseado na significância do risco. Isso possibilita que os esforços de gerenciamento de risco se concentrem nos riscos mais importantes. A avaliação também é um requisito para a mitigação de riscos, ou seja, para avaliar o impacto combinado dos riscos nos objetivos de negócios (TRENTIM, 2011). O registro do risco em quantidade, magnitude, “quantidade de dano” e “probabilidade de ocorrência” é frequentemente usado na prática. O valor da lesão indica o grau em que o risco afeta determinado tipo de alvo (por exemplo, lucro). A decisão é tomada por medições diretas e/ ou com auxílio de informações objetivas disponíveis. Multiplicando a quantidade de dano pela probabilidade de ocorrência, determina-se a quantidade esperada de risco de tempos em tempos, que é consistente com o dano esperado ao longo do tempo. A avaliação de risco usando taxas de antecipação de risco é um método muito difundido, mas existem algumas armadilhas sérias, pois resumir as informações de 13 risco em um único valor (valor esperado) leva à perda de informações (RABECHINI JR.; CARVALHO,2013). Portanto, não é recomendado apenas estimar os riscos usando a quantidade esperada de dano, mas também determinar a distribuição dos fatores de risco. Isso pode ser medido de forma independente ou determinado diretamente dos dados históricos. Dependendo do tipo de risco, uma grande quantidade de ferramentas pode ser usada para testes, como análise de sensibilidade, análise retrospectiva e métodos de simulação. Uma ferramenta amplamente utilizada no setor de serviços financeiros é a abordagem baseada em risco, que é adequada para avaliar riscos de mercado e preços. Assim, Value at Risk (VaR) é uma perda que não pode ser superada em condições normais de mercado em determinado período, geralmente superior (1-α, nível de confiança, em que α é o nível de significância e o cálculo da estimativa está entre os intervalos observados). Traduzido matematicamente, VaR é α-quantil de potencial para distribuição de ativos (TRENTIM, 2011). Diante disso, o objetivo da inclusão de risco é determinar a área de risco de uma empresa ou parte de uma empresa. Isso é necessário porque os riscos individuais combinados afetam o perfil de risco da empresa. Adicionalmente, os riscos podem ser dependentes uns dos outros ou de causas comuns, a fim de minimizar o risco ou potenciais efeitos adversos. Não considerar essa dependência pode levar a um excesso de seguro ou a novas posições de risco. De fato, a consolidação de riscos ainda está em sua infância em muitas empresas. As razões para isso são, por um lado, a dificuldade metodológica de agregação e, por outro, a falta de integração do controle e da gestão de riscos (SILVA FILHO, 2021). A maneira mais importante de combinar risco é imitar Monte Carlo. Isso é usado para avaliar o potencial de distribuição de variância aleatória e é adequado para imitar os valores de efeito de uma estrutura e seu comportamento desconhecido, considerando os fatores de risco subjacentes e a distribuição conhecida de oportunidades. Ao aplicá- 14 lo ao contexto da gestão de riscos de desastres, o modelo começa a ser construído (por exemplo, uma conta de lucros e perdas planejada) contendo fatores de risco que devem ser considerados e vinculados a um valor-alvo (por exemplo, resultado da empresa) (TRENTIM, 2011). Como resultado, a distribuição dos fatores de risco deve ser medida ou estipulada com base em dados históricos. Finalmente, o potencial de distribuição de variáveis direcionadas é determinado por simulação. A identificação, avaliação e integração de riscos são a base para a tomada de decisões relativas a medidas de gestão de riscos. Com o auxílio dessa gestão, os riscos identificados e listados na empresa devem ser evitados, minimizados ou adotados criteriosamente, sendo levados em consideração. O objetivo da gestão de risco é modificar o perfil de risco da empresa para que a relação entre lucro e índice de risco seja melhorada (risco/melhoria no retorno). Uma diferença fundamental é feita entre medidas de gestão de risco eficazes (preveníveis) e corretivas. Medidas eficazes moldam e impactam as estruturas de risco para reduzir efetivamente a probabilidade de ocorrência e/ou a extensão dos riscos individuais. Por outro lado, as medidas de gestão de risco não fazem nada isoladamente, deixando as estruturas de risco inalteradas, e não afetam a probabilidade de ocorrência e o grau de lesão. Em vez disso, as medidas de gerenciamento de riscos ociosas visam reduzir o impacto financeiro em uma empresa após um risco, por exemplo, com uma mudança na dívida contratual (RUPPENTHAL, 2013). Como parte do relatório de risco, há relatórios identificados e avaliados, bem como medidas tomadas para lidar com o risco. Os relatórios de risco contêm resultados da avaliação e análise de risco, planejamento de status, controle e implementação de medidas de gerenciamento de risco, bem como informações de gerenciamento e monitoramento de risco. Idealmente, os relatórios devem ser feitos de acordo com o sistema de relatórios existente e podem ser incluídos como um processo autônomo (TRENTIM, 2011). Diferenças básicas são percebidas entre 15 relatórios de risco internos (chefes de departamentos, gerenciamento central de desastres, comitê de risco de desastres, diretoria executiva e conselho de administração) e relatórios de risco externos (auditores, acionistas, devedores, analistas). O sistema interno de relatórios de riscos pode ser projetado livremente e deve incluir principalmente relatórios regulares com conteúdo, destinatários e prazos claramente definidos. “Relatórios de risco extraordinários” só devem ser criados em casos excepcionais. Essa é uma ótima ferramenta de relatório externo para o relatório anual. Além de outras fontes de informação, o relatório de risco é muito importante quando se trata de fornecer informações aos investidores (RABECHINI JR.; CARVALHO, 2013). Em última análise, o objetivo é aumentar o valor da empresa, mantendo o potencial de lucro e redução de risco. Uma maneira de determinar o gerenciamento de risco de desastres é definir metas individuais de risco e gerenciamento. A gestão, por outro lado, pode ser vista como um processo e uma instituição de liderança. O sistema significa construir e fazer valer a vontade, e os gestores constroem a instituição. Isso significa, entre outras ações, planejamento, tomada de decisão e controle (RUPPENTHAL, 2013). Para construir um plano de gestão, é necessária uma direção oportuna. A alternativa define a gestão de riscos como uma função de gestão corporativa, com o objetivo de identificar, avaliar e utilizar ferramentas para lidar com riscos potenciais de forma que a sobrevivência da empresa nunca seja ameaçada. No entanto, ao contrário dos executivos, os riscos que não comprometem a existência de uma empresa, como queda temporária de vendas e riscos identificados antecipadamente, também devem ser tratados de forma sistemática. Além disso, o planejamento estratégico geralmente tem que lidar com um conjunto maior de riscos do que os práticos. A principal razão para isso é o planejamento operacional de curto prazo, caso em que podem surgir investigações de risco, cuja principal tarefa é garantir a existência de longo prazo da empresa 16 através do estabelecimento de medidas críticas, sendo as mais eficazes a duração de curto prazo, o processo decisório e a flexibilidade (TRENTIM, 2011). A identificação de riscos é importante em todas as etapas do processo de gestão, pois as deficiências a partir dela podem ser abordadas nas etapas seguintes. Acidentes negligenciados, por exemplo, podem fazer com que os acidentes apareçam muito tarde e repentinamente, o que reduz significativamente o tempo de resposta. A necessidade de identificar o risco está em saber quando uma situação perigosa pode surgir. Por outro lado, as decisões que envolvem risco devem ser tratadas prontamente (TRENTIM, 2011). Consistentemente, o risco surge devido à natureza geral da empresa. Isso significa uma situação normal, influenciada por circunstâncias externas. Esse tipo de risco às vezes é permanente. Portanto, a identificação de risco cria uma distinção entre risco e condições não perigosas. Dessa forma, faz sentido planejar os fatores de risco. Primeiro, a estrutura do processo pode ser diferenciada. Por outro lado, o risco pode ser registrado em termos de uma condição e um tempo de resposta muito curto, o que resulta em etapas sintomáticas. Em segundo lugar, é possível distinguir estruturas e valores morais, que se referem principalmente ao nível do sujeito (RUPPENTHAL, 2013). Nesse contexto, a experiência e os valores dos tomadores de decisão desempenham um papel, influenciando muito a disposição de assumir riscos. A constante mudança de motivos e informações externas às vezes tem um efeito temporário sobre os preços, ou seja, durante o processo de tomada de decisão. A terceira estrutura pode ser feita dependendo do nível de ameaça. Assim,atribuições temporárias podem ocorrer em termos de frequência, continuidade, repetição e outras estruturas dependentes do tempo. A funcionalidade também é uma característica considerada nesse cenário, ao descrever o andamento do processo de impacto de uma situação 17 funcional para uma situação crítica, que também determina o alcance da tomada de decisão ou comportamento de resposta (RUPPENTHAL, 2013). Assim, a segunda e a terceira formação ocorrem com variação estrutural e emergência, ou seja, flexibilização do escopo de ação do programa de estudos. O objetivo principal da gestão de riscos de desastres, em ordem cronológica, é identificar os riscos na forma de sinais precoces. Assim, a varredura de sinal determina a rapidez com que um sinal é recebido. Ela classifica os sinais de acordo com o tipo de conteúdo, sua durabilidade, a diferença (ou seja, o fundo de onde se originaram), sua frequência e continuidade. As áreas, se usadas regularmente, são limitadas. Portanto, as listas de verificação não devem ser usadas de forma rígida, mas devem estar sempre sujeitas a um processo de desenvolvimento. Outra ferramenta é a análise dinâmica da natureza, na qual o importante é conhecer quais informações devem ser registradas. Uma pesquisa completa pode ser útil e aumentar a segurança, mas geralmente é mais cara (RUPPENTHAL, 2013). Então, a seleção de informações importantes a serem coletadas deve ser incluída. A intensidade da coleta de dados e do processamento contínuo depende em grande parte da urgência da situação. Isto é seguido pelo diagnóstico de sinal. Ele tenta descobrir onde, quando e como os eventos acontecem e os divide em categorias. Desta forma, a causa do evento é, portanto, sistematicamente investigada. A etapa final é a previsão do impacto do sinal. Ela prevê tendências de desenvolvimento, que podem ser baseadas no cenário apresentado na avaliação de risco, podendo ser visto como um fator de risco. Interrupções potenciais e fontes de perigo de tempos em tempos devem ser documentadas o mais detalhadamente possível. Isso inclui registrar os perigos potenciais e os danos causados, o que pode ser feito usando fontes internas de informação, como sistemas de gestão de ativos, ou fontes externas, como agências de classificação. Nesse ponto, o conflito surge quando a integralidade da avaliação de risco 18 está negativamente relacionada aos seus benefícios. Isso significa que a efetividade da informação só aumenta com a diminuição de medidas incertas. (RUPPENTHAL, 2013). O objetivo da identificação de riscos é, portanto, desenvolver, e não aprimorar o conhecimento. Referências BARALDI, P. Gerenciamento de riscos empresariais. 3. ed. Timburi: Cia do eBook, 2018. RABECHINI JR., R.; CARVALHO, M. Relacionamento entre gerenciamento de risco e sucesso de projetos. Produção, v. 23, n. 3, p. 570-581, jul./set. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/prod/a/JD5hrwpD3HdQMY4JssSbQsD/?lang=pt. Acesso em: 7 set. 2022. RUPPENTHAL, J. E. Gerenciamento de riscos. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; Colégio Técnico Industrial de Santa Maria; Rede e-Tec Brasil, 2013. 120 p. SILVA FILHO, J. A. da. Segurança do Trabalho: Gerenciamento de Riscos Ocupacionais–Gro/Pgr. São Paulo: LTr, 2021. TRENTIM, M. H. Gerenciamento de projetos. São Paulo: Ed. Atlas, 2011. 19 Requisitos legais para gestão de riscos conforme ISO 45001 Autoria: Adriano Pereira da Silva Leitura crítica: Felipe Delapria Dias dos Santos Objetivos • Orientar o estudante sobre conceitos da ISO 45001. • Facilitar a compreensão dos requisitos legais da gestão de riscos conforme a ISO 45001. • Estabelecer critérios para o cumprimento dos requisitos legais da ISO 45001. 20 1. ISO 45001 Em 2017, a Organização Internacional do Trabalho (OIT, agência especial da Organização das Nações Unidas) declarou que 2,78 milhões de pessoas em todo o mundo morrem por acidentes e doenças ocupacionais a cada ano, ou 7.700 pessoas por dia. O custo de tais acidentes e doenças fatais é enorme, equivalente a cerca de 4% do produto interno bruto mundial. No entanto, não são apenas os custos éticos e econômicos dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais que afetam o sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional, mas também a autoestima da empresa. Por serem empregadores, todos os gerentes têm uma responsabilidade pessoal: a obrigação legal de proteger o local de trabalho e a saúde de seus funcionários. Além disso, o uso de melhores práticas para segurança ocupacional, como a introdução de um sistema de gerenciamento de segurança no local de trabalho, também pode proteger contra alegações de falha organizacional. Da mesma forma, um sistema de gestão garantido em muitas indústrias hoje é uma questão importante para estabelecer novas relações comerciais e manter as antigas, ou seja, a demanda do mercado (VIEIRA; PASSOS JR., 2020). Acidentes relacionados ao trabalho há muito tempo levam a leis exigindo que os empregadores garantam a segurança e a saúde de seus funcionários. Legislações vinculantes para proteger os trabalhadores são promulgadas em lei, mas o número de riscos e doenças ocupacionais mostra que não são suficientes. Portanto, o padrão de gestão de segurança e saúde no local de trabalho deve servir como um guia para os empregadores, com base em modelos de qualidade ou sistemas de gestão ambiental, para garantir a segurança e a saúde ocupacional, alcançar os objetivos de negócios e usá-los de forma eficaz como parte integrante das estruturas e dos processos operacionais. Isso pode conduzir aos próximos lucros da empresa (VIEIRA; PASSOS JR., 2020). 21 Saúde e segurança no trabalho organizadas e boas condições de trabalho são uma parte importante da melhoria dos processos laborais, outro componente relevante da competição. Todos os riscos ocupacionais e todos os absentismos devidos a doenças relacionadas com o trabalho devem ser interrompidos no sistema produtivo (VIEIRA; PASSOS JR., 2020). Funcionários diligentes e eficientes desempenham um papel importante na competitividade da empresa. Em tempos de escassez de trabalhadores qualificados, a saúde e a segurança no trabalho ordenadas mostram aos trabalhadores que o alto número de funcionários não é apenas retórica, mas a ação segue. Além disso, proporcionam maior segurança jurídica aos gestores, que devem aplicar as obrigações do empregador decorrentes de dispositivos legais, à medida que são explicadas suas obrigações e, se necessário, os procedimentos de implementação (VIEIRA; PASSOS JR., 2020). A ISO 45001:2018 (ABNT, 2018) especifica requisitos para sistemas de gestão de saúde e segurança ocupacional e dá orientação sobre sua aplicação. Seu objetivo é permitir que as organizações forneçam locais de trabalho seguros e saudáveis, previnam lesões e doenças relacionadas à atividade desenvolvida e melhorem proativamente seu desempenho no trabalho e na saúde e segurança ocupacional, sendo aplicável a qualquer organização que deseje estabelecer, implementar e manter um sistema de gestão para favorecer a saúde e segurança ocupacional, eliminar perigos e minimizar riscos de saúde e segurança ocupacional (incluindo deficiências do sistema), utilizar saúde e segurança ocupacional e oportunidades de segurança, e identificar não conformidades do sistema de gestão de SSO (Saúde e Segurança Ocupacional) para remover conexões para suas atividades (ABNT, 2018). A gestão da segurança do trabalho, de acordo com a ISO 45001 (ABNT, 2018), tem como objetivo proteger a empresa de acidentes e doenças e, assim, reduzir o absenteísmo e os custos dele decorrentes. A ISO 22 45001:2018, publicada em junho de 2018, apoia a empresa na criação de um sistema eficaz de saúde e segurança ocupacional (Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional) e facilita o cumprimento das obrigações legais nessa área. Portanto, a ISO 45001 substitui a OHSAS 18001, que fecha a lacuna deixada pelaInternational Organization for Standardization em segurança do trabalho. Isso significa que agora existe um padrão ISO para sistemas de gestão de saúde e segurança ocupacional que pode ser comparado a sistemas de gestão de qualidade, meio ambiente ou energia (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). O sistema de gestão ISO 45001 oferece à empresa uma ampla gama de benefícios e oportunidades, e ela obtém muita segurança jurídica por meio da regulamentação aplicável. Além disso, saúde e segurança ocupacional estão incluídas nas políticas de uma empresa, bem como podem aumentar a motivação dos funcionários para fazer o que é preciso, conseguindo engajá-los ativamente. Um sistema de saúde e segurança ocupacional eficaz também contribui para a redução de custos, pois ao prevenir os riscos e as doenças profissionais, reduz o absentismo e os custos associados (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). A International Organization for Standardization não regulamenta a saúde e segurança no trabalho, já que isso é função das leis: lei europeia, leis e regulamentos alemães e leis de prevenção de acidentes. A norma está em conformidade com essas regras, fornecendo uma estrutura que ajudará na implementação da boa governança através do ciclo PDCA (sigla em inglês para PLAN – DO – CHECK – ACT, que significa PLANEJAR – FAZER – VERIFICAR – AGIR, em um processo repetitivo). Isso inclui planejamento (determinação de riscos e oportunidades, definição de metas e estratégias de redução de riscos, e aproveitamento de oportunidades), implementação de medidas estratégicas, garantia do esclarecimento e alcance de metas, e tomada das providências necessárias (ação) para alcançar os resultados planejados. O ciclo PDCA é baseado em diretrizes estratégicas, que devem levar em conta o papel das organizações (VIEIRA; PASSOS JR., 2020). 23 Um SGSSO (Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional), de acordo com a ISO 45001 (ABNT, 2018), contém componentes que são usados para fornecer locais de trabalho seguros e saudáveis e prevenir lesões e doenças. Os parâmetros e o escopo são determinados pela organização. A conformidade só pode ser exigida se todos os requisitos de saúde e segurança ocupacional forem atendidos conforme o escopo (SILVA FILHO, 2021). A introdução do sistema de gestão de saúde e segurança ISO 45001 já era demandada por clientes de outras indústrias durante a OHSAS 18001. Espera-se que esse requisito aumente para os padrões ISO. No entanto, a vantagem de um sistema SGSSO é resolvida pelo custo: projetar um ambiente estruturado e focado no local de trabalho e realizar a melhoria contínua da segurança nesse local custa tempo e dinheiro (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). Deve-se ter em mente que os riscos ocupacionais e as doenças relacionadas ao trabalho também custam tempo e dinheiro. O absenteísmo deve ser compensado; os funcionários, substituídos e treinados; os equipamentos danificados, reparados. A insatisfação com as condições de trabalho pode reduzir o desempenho dos funcionários, e as penalidades são investimentos improdutivos. Um bom plano deve custar menos do que as consequências de acidentes e doenças. Os custos (parcialmente ocultos) do passado devem ser pesados e comparados com o esforço de implantação e implementação de um plano de gestão, que pode ser determinado em um plano limitado (SILVA FILHO, 2021). Após essa etapa, a empresa deve saber por que está lançando o plano de gestão e o que quer ganhar com ele. Com base nisso, um pedido (projeto) para a introdução deve ser feito. A implantação do sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional pode ser vista como um projeto, pois é uma tarefa complexa, única e pontual realizada offline. O objetivo pode ser uma (primeira) certificação bem-sucedida (um certificado não é absolutamente necessário, a menos 24 que os clientes o solicitem, mas muitas empresas se esforçam para ter controle externo sobre todos os requisitos padrão, identificando se são atendidos). Em empresas que já possuem um sistema de gestão de saúde e segurança alinhado à OHSAS 18001, uma transformação pode ter bom resultado. Pequenas empresas usarão a introdução de um plano de gestão como parte do seu dia a dia, enquanto grandes empresas preferem o desenho formal do projeto (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). De qualquer forma, o gerenciamento de projetos é uma maneira eficaz de envolver os funcionários no processo desde o início. Para garantir uma abordagem sistemática, uma pessoa deve ser responsável pela implementação do projeto. Ela planeja e gerencia o projeto, reporta- se à gerência da empresa, faz a ligação e aconselha sobre as etapas necessárias a equipe do projeto, a gerência e o pessoal apropriados. Também supervisiona as atividades indispensáveis para a certificação (SILVA FILHO, 2021). Os representantes dos gestores já conhecem os requisitos do sistema de gestão, especialmente porque a maioria das normas contém módulos de texto padrão devido à estrutura legal. Os profissionais de segurança do trabalho estão particularmente atentos às obrigações legais da empresa no domínio da segurança do trabalho. Além de implementar as medidas planejadas, o nível dos planos de segurança no local de trabalho define certos requisitos de aplicação. Entre outras ações, eles devem fornecer os recursos necessários e determinar as habilidades requeridas. Isso precisa ser encontrado e documentado. Além disso, devem promover a conscientização do pessoal da SGSSO e garantir a comunicação exigida. Os documentos necessários também devem ser criados e gerenciados (SILVA FILHO, 2021). O ponto-chave é planejar e controlar os processos relacionados à segurança do trabalho para reduzir o risco. Isso deve incluir, inter alia, mudanças de gestão e regulamentos de aquisição, assim como 25 requisitos especiais para regular o processo de exportação. É necessário determinar o que precisa ser monitorado e avaliado para analisar o desempenho e saber como e quando os resultados devem ser examinados. A conformidade com os requisitos legais e outros também deve ser verificada de tempos em tempos. Além disso, auditorias internas regulares (a serem planejadas no programa de pesquisa) e revisões gerenciais devem ser realizadas (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). É preciso investigar incidentes e deficiências e corrigi-los, se necessário. Deve, então, ser determinado se incidentes e erros comparáveis ocorreram ou são possíveis e se são necessárias medidas corretivas (medidas para eliminar a causa do incidente ou recurso). Em caso afirmativo, elas devem ser usadas, e sua eficácia, testada. A promoção da cultura SGSSO é também um compromisso com a melhoria contínua (SILVA FILHO, 2021). Na versão anterior da BS OHSAS 18001:2007, era necessário um representante da alta administração no sistema de gestão. Tal necessidade está descrita na ISO 45001, assim como nas novas versões da ISO 9001 e ISO 14001 (sistemas de gestão da qualidade e meio ambiente). Mas também para manter e melhorar o sistema de gestão SGSSO, é necessário um “cuidador”. Como resultado, muitas empresas continuam a nomear executivos. De qualquer forma, tais figuras geralmente não tinham o poder necessário – conforme exigido pelas normas – para garantir introdução e uso consistentes (ou seja, autoridade para emitir diretivas), de modo que eram principalmente unidades de pessoal que atuavam como coordenadores internos, enquanto necessário. O representante da administração precisaria ter sido membro da alta administração (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). Nas grandes empresas, o comitê gestor é responsável pela maior parte do trabalho. Estão incluídos nele executivos da empresa, gerentes e profissionais qualificados; às vezes, o Comitê de Saúde e Segurança Ocupacional assume esse papel. Se possível, a equipe de projeto em 26 grandes empresas deve ter representantes das áreas apropriadas da organização e um especialista (pelo menos um especialista em segurança do trabalho,e possivelmente também um oficial de proteção contra incêndio). Mas ela não deve ser muito grande para continuar trabalhando (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). O tempo do projeto é obviamente tempo de trabalho, ou seja, esse é um dos recursos necessários. A primeira tarefa do gerente de projeto/da equipe do projeto é planejar o projeto ISO 45001. Para isso, os envolvidos devem obter um resumo dos requisitos da ISO 45001. Se necessário, o projeto pode ser subdividido em projetos menores, como “ planejamento” e “implementação”. O planejamento padrão pode já ter ocorrido em preparação para o processo de tomada de decisão estratégica para lançar o sistema ISO 45001; em seguida, há um plano detalhado, incluindo até a descrição de cada pacote de trabalho, que deve ser usado de forma eficaz. O planejamento é um processo dinâmico, com novas ideias que podem ser adquiridas durante o trabalho. Portanto, o plano do projeto deve ser atualizado de tempos em tempos. Termos (resultados esperados), fundos necessários, obrigações e prazos devem ser especificados para cada atividade/pacote de trabalho. Ao mesmo tempo, um processo está em andamento, e é necessário planejar posteriormente para atingir a meta do SGSSO. Depois, há testes de desempenho, que podem ser baseados nos resultados obtidos. É também preciso verificar isso no projeto. O plano do projeto deve ser aprovado pela direção da empresa, que também disponibiliza os recursos necessários (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). Depois de todos os tópicos que podem ser relevantes, muitas vezes há mais alguns (incluindo funcionários que devem sempre ser considerados envolvidos em questões de segurança do trabalho). Portanto, faz sentido levar em conta as questões relevantes e as partes interessadas em conjunto. Geralmente, mesmo que não seja usado nenhum outro sistema de gestão que exija o trabalho, uma boa empresa deve estar 27 atenta às condições internas e externas adequadas e saber quais pessoas ou organizações ainda são responsáveis perante a empresa (SILVA FILHO, 2021). Devido à necessidade de abordar o contexto já conhecido, as empresas utilizam o sistema de gestão da qualidade de acordo com a ISO 9001 ou sistema de gestão ambiental de acordo com a ISO 14001. Por outro lado, as notícias descrevem como “únicas” as empresas que introduziram até à data um sistema de gestão de saúde e segurança no trabalho alinhado com a OHSAS 18001. A base para esses requisitos é esta: os planos de gestão individuais geralmente são organizados e vivem de forma independente e sem referência aos interesses estratégicos “reais” da empresa (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). Em termos de qualidade, por exemplo, é possível dizer que os clientes satisfeitos estão na linha da frente; na política ambiental, o que esta é a proteção do ambiente, e na política de segurança no trabalho, a segurança e saúde dos colaboradores é declarada uma prioridade (CAMPAILLA, 2019). As políticas parecem boas em si mesmas, mas não podem estar certas: priorizar é priorizar, então três fatores não podem ser todos priorizados. De qualquer forma, todos os três geralmente estão errados: o principal é o sucesso econômico da empresa, e os clientes satisfeitos costumam ser a maneira de fazer isso, ou seja, sob a empresa (SILVA FILHO, 2021). O requisito ISO 45001 da organização para determinar questões internas e externas relevantes ao seu propósito afeta sua capacidade de alcançar os resultados pretendidos pelo seu sistema de gestão de SGSSO, o fornecimento de locais de trabalho seguros e saudáveis e a prevenção de lesões ou doenças relacionadas ao trabalho. Portanto, a pergunta é: o que pode afetar (positivamente ou negativamente) a capacidade de uma organização de fornecer locais de trabalho seguros e saudáveis e prevenir lesões e doenças relacionadas ao trabalho? Para informação (ou seja, não vinculativa), o Anexo A da ISO 45001 (ABNT, 2018) lista 28 os tópicos que podem ser considerados neste contexto. Exemplos de títulos ISO 45001 internos e externos (ABNT, 2018) são apresentados na Tabela 1. Tabela 1 – exemplos de títulos da ISO 45001 Temas externos: Ambiente social, político e econômico (internacional, nacional, local). Novas informações sobre produtos e seu impacto na segurança e saúde. Ideias e valores das partes interessadas. Tópicos internos: Liderança, políticas e objetivos. Habilidades, recursos, conhecimento. Relacionamento com funcionários e suas ideias e valores. Cultura na organização. Fonte: adaptada de ABNT (2018). Com as exigências das normas de saúde e segurança ocupacional, nos deparamos com uma política de gestão que não está em uma lista clara de padrões: somente é possível gerenciar o que se pode medir. A fim de implementar os objetivos e conceitos estabelecidos na política de segurança do trabalho, a norma exige, portanto, uma explicação dos objetivos de segurança do trabalho que sejam tão mensuráveis quanto possível, mas, em qualquer caso, apropriados para avaliação de desempenho. E para trabalhar a fim de atingir a meta de verdade, a conquista da meta também deve ser planejada (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). Os objetivos de saúde e segurança ocupacional devem levar em consideração as necessidades práticas (ou seja, legais e outras) e o resultado da avaliação de risco e oportunidade para reduzir as chances 29 e/ou consequências de doenças ocupacionais, no local de trabalho e relacionadas, e especialmente os riscos ocupacionais – ou seja, os resultados da avaliação de risco – devem ser considerados. Devem ser confirmados primeiro os objetivos estratégicos ou operacionais, que podem ser obtidos a partir da necessidade da ação tomada (CAMPAILLA, 2019). Uma vez aprovadas pela alta administração, as políticas devem ser definidas, mas um responsável pelo controle de segurança do trabalho pode ser contratado para fazer recomendações, se necessário. Ao desenvolver diretrizes de desempenho de saúde e segurança, atenção especial deve ser dada ao balanceamento. Dessa forma, as políticas de saúde e segurança ocupacional são estabelecidas pela organização para alcançar resultados específicos alinhados com a legislação pertinente. As funções e os padrões relevantes devem ser definidos e operados para manter e melhorar continuamente o sistema de gestão e sua implementação de acordo com a política de saúde e segurança ocupacional (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). O planejamento direcionado deve ser avaliado (quando possível) ou capaz de avaliar o desempenho, levando em consideração os requisitos operacionais e os resultados da avaliação de riscos e oportunidades, e consultando a equipe e seus representantes, quando apropriado. Eles devem ser monitorados e relatados e, se necessário, atualizados (SILVA FILHO, 2021). Em seguida, deve-se definir claramente a política de segurança ocupacional ISO 45001 e os princípios e objetivos de segurança ocupacional. Pelo menos um objetivo deve levar à redução direta das chances e/ou consequências de acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais. Além disso, outras medidas de segurança ocupacional podem ser influenciadas indiretamente (por exemplo, promover a conscientização sobre segurança/promover a segurança ocupacional). O Apêndice A.6.2 da ISO 45001 define o que significa “papéis e padrões importantes”: por exemplo, pode ser feita uma distinção entre objetivos estratégicos e operacionais de segurança (CAMPAILLA, 2019). O objetivo 30 estratégico da SGSSO (empresa) será reduzir a exposição do pessoal ao ruído. O alvo estratégico desta configuração está em diferentes níveis – por exemplo, acima pode estar a redução de ruído na produção. Para conseguir isso, devem existir metas eficazes e mensuráveis para cada instituição (ABNT, 2018). O apêndice explica que as medições também podem ser feitas com qualidade, por exemplo, por meio de testes e observações. Além das metas de desenvolvimento, pode haver objetivos que trabalhem para mantero desempenho do SGSSO, como a preparação para futuras mudanças na lei para manter a conformidade. O requisito de fazer a consulta aos funcionários (5.4 ISO 45001) na definição de metas de saúde e segurança deve ser considerado: as opiniões dos funcionários ou de seus representantes (especialmente o conselho trabalhista) devem ser ouvidas como recebidas e levadas em conta (ABNT, 2018). As políticas de segurança do trabalho devem ser integradas com os funcionários e seus representantes, ou seja, é preciso existir um acordo de política, e não uma especificação de política. A comunicação e o monitoramento necessários das políticas de segurança também estão vinculados a outros requisitos. A ISO 45001 exige que os funcionários estejam cientes das normas de segurança no local de trabalho. Portanto, não basta tornar as políticas do SGSSO conhecidas apenas pelos responsáveis ou afetados, mas todos os funcionários devem ser informados sobre elas. O progresso no alcance da meta da organização precisa ser monitorado e avaliado. Monitorar os princípios do SGSSO significa que a organização deve acompanhar sistematicamente o progresso na busca dos objetivos (ABNT, 2018). Com isso em mente, devem ser planejados os passos para lidar com os riscos e as oportunidades, assim como os passos para atingir as metas. Riscos e oportunidades podem surgir de fatores contextuais, expectativas e necessidades das partes interessadas, riscos operacionais (avaliações de risco) e requisitos legais e outros da organização, que 31 devem determinar a implementação do sistema de gestão de saúde ocupacional (DE JESUS; DE SOUZA, 2020). Pode ser preciso criar maneiras de lidar com os riscos e aproveitar as oportunidades. Além disso, metas para melhorar o sistema de gestão e desempenho do SGSSO devem ser definidas, e metas de realização precisam ser planejadas (CAMPAILLA, 2019). Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 45001: Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho. Requisitos com Orientações para Uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. CAMPAILLA, C. ISO 45001. In: Quality Management: Tools, Methods, and Standards. Bingley, England: Emerald Publishing Limited, 2019. DE JESUS, B.; DE SOUZA, C. Compreendendo a nova Norma ISO 45001 e sua relação com a OHSAS 18001. Gestão da Produção em Foco. Belo Horizonte: Ed. Poisson, 2020. Volume 39, p. 107. SILVA FILHO, J. A. da. Segurança do Trabalho: Gerenciamento de Riscos Ocupacionais–Gro/Pgr. São Paulo: LTr, 2021. VIEIRA, A. A.; PASSOS JR., C. Strategy for implementing an occupational safety and health management system based on ISO 45001. Research, Society and Development, v. 9, n. 7, p. 1-18, 2020. 32 Conceitos e aplicações de gestão de risco conforme ISO 31000 Autoria: Adriano Pereira da Silva Leitura crítica: Felipe Delapria Dias dos Santos Objetivos • Orientar o estudante sobre os conceitos da ISO 31000. • Facilitar a compreensão dos requisitos da ISO 31000. • Estabelecer critérios para métricas de aplicações da ISO 31000. 33 1. Sistema de gestão de riscos conforme ISO 31000 Muitas das atividades de uma organização envolvem riscos. As empresas identificam, analisam e gerenciam os riscos aos quais podem estar expostas, avaliando se os alterarão por meio de uma avaliação de risco. Embora todas as organizações gerenciem riscos em algum grau, esse padrão estabelece um conjunto de princípios que devem ser seguidos para permitir o gerenciamento de riscos. Nessa condição, riscos são eventos possíveis que podem levar a danos, mas também a oportunidades, e estão sujeitos a incertezas (PONTE, 2005). No entanto, os riscos podem ser identificados, avaliados e controlados até certo ponto. Sua probabilidade de ocorrência e seus efeitos também podem ser reduzidos, mas isso deve ser feito de forma sistemática e direcionada. Assim, o maior desafio que o mundo dos negócios enfrenta hoje é manter-se competitivo a longo prazo. Não obstante, os altos e baixos da economia e os efeitos negativos da crise política e econômica afetaram significativamente essa competitividade (BARALDI, 2018). Através disso, toda organização tem objetivos; porém, as incertezas que surgem criam riscos para o alcance das metas traçadas, de modo que as empresas tentam, então, gerenciar esses riscos. Transformar incerteza em oportunidade é uma habilidade separada, e as empresas agora estão se concentrando no gerenciamento de riscos para alcançar essa habilidade. Em primeiro lugar, a gestão de riscos corporativos não pode ser negligenciada em nenhuma pequena ou grande empresa. Muitas organizações já tomaram medidas para lidar com riscos específicos (BARALDI, 2018). As organizações que gerenciam os riscos de forma eficaz são mais propensas a se proteger e crescer. O desafio para todas as empresas é integrar as melhores práticas em suas operações diárias e aplicar seus métodos de negócios em uma perspectiva mais ampla. 34 A norma de gestão de risco ISO 31000 (ABNT, 2018) define os requisitos para uma gestão de risco eficaz nas empresas, que pode ser aplicada aos processos de planejamento, gestão e comunicação na esfera pública, privada ou social para aumentar a eficiência operacional, a gestão e a confiança dos acionistas, e para perdas de qualquer tipo serem minimizadas, ou seja, é um padrão de sistema de gestão. Esse padrão internacional contribui para melhorar o desempenho de saúde e segurança, fornece uma base sólida para a tomada de decisões e promove uma gestão proativa em todas as áreas (BARALDI, 2018). Para tanto, a International Standards Organization iniciou o projeto ISO 31000 Risk Management – Princípios e Diretrizes em 2005. O ponto de partida foi a norma australiana/neozelandesa AS/NZS 4360 Risk Management. A abordagem sistêmica (PLAN – DO – CHECK – ACT) da série ONR 49000, publicada pela primeira vez em 2004, foi adicionada como elemento-chave, que se consolidou como o quadro de gestão do risco. Logo, a norma Gestão de Riscos ISO 31000 – Princípios e Diretrizes, publicada no final de 2009, descreve os princípios, a estrutura e o processo de gerenciamento de riscos de todos os tipos de empresas privadas e organizações públicas. Assim, sua aplicação destina-se a ajudar as organizações a atingirem seus objetivos, identificando sistematicamente oportunidades e ameaças e implantando efetivamente os recursos para gerenciar riscos. Portanto, a norma fundamenta uma importante contribuição para atender aos requisitos de governança corporativa, sendo entendida e integrada como ferramenta de gestão (PONTE, 2005). Diante desse prisma, a ISO 31000 encontrou grande interesse internacional, de modo que, em pouco tempo, ficou em quinto lugar no mundo, considerando padrões ISO comparáveis. De uma perspectiva global, a ISO 31000 está agora em um nível padrão americano de auditores, visto que o Committee of Sponsoring Organizations (COSO)1 e 1 COSO: organização privada, criada nos EUA, para prevenir e evitar fraudes nos procedimentos e processos internos das empresas, cuja missão aborda a evolução do gerenciamento de riscos corporativos e a necessi- dade das organizações de melhorarem sua abordagem. 35 a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) se referiram à ISO 31000 como o “padrão mundial de fato”. Em contrapartida, a norma não pretende ser objeto de certificações formais, mas apoia a implementação de avaliações internas e externas de gestão de riscos (MOKGOANTLE, 2012). Nesta perspectiva, os padrões do Sistema de Gerenciamento de Riscos Corporativos ISO 31000, publicados em 2009, fornecem orientação para que as organizações se preparem para essa estrutura sistemática. Graças aos seus padrões, é mais fácil e saudável estabelecer princípios de gerenciamento de risco em uma organização e preparar a infraestrutura necessária para uma análise de risco precisa e análise de impacto de risco. A norma ISO 31000 não prevê o trabalho de certificação, mas as empresasquerem ganhar crédito, com razão, demonstrando que integraram e implementaram esse sistema. Nesse caso, é claro, os organismos de certificação realizam tal trabalho para as organizações solicitantes. Da mesma maneira que acontece com todos os outros sistemas de garantia de qualidade, são utilizadas duas etapas nesse processo de certificação (BARALDI, 2018). No Brasil, essa nova versão foi elaborada pela Comissão de Estudo Especial de Gestão de Riscos (ABNT/CEE-063) e contou com a participação de 69 profissionais de várias empresas de diversos segmentos. Embora a ISO 31000:2018 esteja longe de ser o único documento que trata do gerenciamento de riscos, seria difícil encontrar um conjunto mais sucinto de princípios para implementar e avaliar esse tipo de processo, sendo ainda pouco aderida nacionalmente, até mesmo por ser recente em termos de retornos profissionais. Na primeira fase, o organismo de certificação inicia o exame com base na documentação criada pela empresa durante o trabalho de instalação do sistema. Enquanto isso, defeitos ou discrepâncias serão corrigidos. Na segunda fase do estudo, o organismo de certificação envia auditores para a empresa e acompanha o site estabelecido e 36 implementado. Os auditores criam um relatório com base em suas observações, e o organismo de certificação decide sobre esse relatório. Se não houver problemas, o Certificado do Sistema de Gerenciamento de Riscos Corporativos ISO 31000 será emitido e entregue à empresa (MOKGOANTLE, 2012). Ressalta-se que a ISO 31000 fornece princípios e padrões gerais para gerenciamento de riscos. Não é uma norma específica do setor empresarial e pode ser usada por organizações públicas ou privadas, aplicando-se a qualquer tipo de risco e a uma ampla gama de atividades e transações. A ISO 31000 é uma referência global para sistemas de gerenciamento de risco e, se desejado, coloca-se na vanguarda do mercado para garantir que seus clientes confiem nas decisões estratégicas da empresa. Como resultado, o Certificado do Sistema de Gerenciamento de Riscos Corporativos ISO 31000 mostra que a organização tem uma identidade corporativa e está construindo uma boa reputação em relação aos seus concorrentes. No mundo de hoje, tudo é feito para estar um passo à frente da concorrência, em condições implacavelmente competitivas (PONTE, 2005). De acordo com essa fundamentação, a fase mais importante do gerenciamento de riscos é o processo de avaliação. Uma avaliação de risco precisa fornecer aos órgãos decisórios da organização e aos responsáveis um fluxo abrangente de informações sobre todos os possíveis riscos que podem ter um impacto negativo no cumprimento das metas. As informações do processo de avaliação de risco são a fonte para a tomada de decisão (MOKGOANTLE, 2012). Nesse momento, de acordo com os resultados da avaliação, o risco é identificado, percebido e registrado. É assim que são determinadas as situações que afetam os objetivos. Nos padrões do Sistema de Gerenciamento de Riscos Corporativos ISO 31000, as pessoas podem ser feridas mediante sua saúde econômica, ocorrência de atividades ou eventos causados por uma situação física 37 ou psicológica negativa reconhecível, lesões e risco de deterioração da saúde ou morte. Se o estado de saúde se deteriorar ou levar à morte, os riscos passíveis de surgir durante a operação do empreendimento podem ser identificados e avaliados com cuidado e detalhe, e são tomadas medidas para minimizar ou eliminar esses riscos, e assim por diante (ALDENUCCI; SPINOSA; FAVARETTO, 2009). Por outro lado, ao definir a estrutura geral do sistema (incluindo suas regras gerais, instruções e conformidade), o desenho da estrutura para gerenciamento de riscos, a formação de políticas de gerenciamento de riscos, a prestação de contas, a integração nos processos organizacionais, os recursos e os mecanismos de comunicação interna e externa, o processo de gestão de risco é implementado, acompanhado e revisado mediante sistema de melhoria contínua (PONTE, 2005). Logo, pode-se reconhecer o objetivo de fornecer uma análise do risco assumido ou involuntariamente incorrido, mensurar o benefício ou prejuízo que a empresa obterá dele, controlar o impacto negativo e minimizar os danos. A gestão de riscos é a gestão sistemática de possíveis riscos sem entrar em perigos e potenciais, oferecendo controle com os dados obtidos e minimizando os efeitos de possíveis danos. Ao aplicar a gestão de riscos no negócio de uma empresa, os riscos atuais e futuros conhecidos têm a ver com a análise dos riscos possíveis e prováveis, e, neste caso, com o risco de ocorrência da extensão do dano à sociedade (MOKGOANTLE, 2012). Embora todas as organizações forneçam algum nível de gerenciamento de risco, o padrão do Sistema de Gerenciamento de Risco ISO 31000 estabelece um conjunto de princípios que devem ser seguidos para gerenciar o risco de forma eficaz. O padrão ISO 31000 Risk Management System recomenda que as organizações desenvolvam uma estrutura cujo objetivo é integrar o processo de gerenciamento de riscos à gestão geral, à estratégia e ao planejamento da organização, com gerenciamento, processo de relatório, políticas, valores e cultura integrados para implementar e melhorar continuamente. 38 O gerenciamento de riscos pode ser posto em prática a qualquer momento e em muitas áreas da organização, e pode ser aplicado a funções, projetos e atividades específicas (ALDENUCCI; SPINOSA; FAVARETTO, 2009). Apesar de a prática de gerenciamento de risco em muitos setores ter evoluído ao longo do tempo para atender a diferentes necessidades, a adoção de processos apropriados dentro de uma estrutura abrangente ajuda a garantir que o risco seja gerenciado de maneira eficaz, eficiente e em rede em toda a organização. A abordagem geral definida na norma ISO 31000 fornece princípios e diretrizes para a gestão sistemática, clara e confiável de riscos em qualquer escopo e contexto. Cada setor ou aplicação de gestão de risco traz consigo necessidades individuais, grupos-alvo, percepções e critérios. Portanto, a principal característica do padrão do Sistema de Gerenciamento de Risco ISO 31000 é construir o contexto como uma atividade no início desse processo geral de gerenciamento de risco. Muitas organizações já tomaram medidas contra vários riscos a partir da adoção dessa prática mediante norma e passaram a estar preparadas para seus processos de negócios existentes, bem como procedimentos, instruções de implementação, descrições de cargos e possíveis riscos, sendo que, ao longo do tempo, a gestão de riscos evoluiu para atender às diversas demandas de diferentes setores. No entanto, surgiu a necessidade de realizar esses estudos em uma ordem e sistema, e não descuidar de pontos importantes (PONTE, 2005). Na busca pela gestão de riscos em uma estrutura abrangente, iniciou- se a introdução de processos adequados e uma gestão de risco eficaz e eficiente em toda a organização. Graças aos padrões ISO 31000, é mais fácil e saudável estabelecer princípios de gerenciamento de risco em uma organização e preparar a infraestrutura necessária para uma análise de risco precisa e análise de impacto de risco. Desenvolvidas pela International Standards Organization e publicadas em 2009, as 39 normas ISO 31000 para gerenciamento de riscos corporativos fornecem orientação para que as organizações se preparem para essa estrutura sistemática (ALDENUCCI; SPINOSA; FAVARETTO, 2009). Assim, a norma ISO 31000 estabelece princípios para ajudar a atingir o objetivo da gestão de risco (criar e preservar valor). Os princípios destinam-se a formar uma base para lidar com riscos e, portanto, devem ser levados em consideração ao serem desenvolvidos a estrutura e os processos de um sistema de gerenciamento de riscos. Desta forma, respeitando os princípios da entidade, a gestão eficaz de riscos deve ser integrada, estruturada, abrangente, adaptada,inclusiva e dinâmica. Além disso, a melhor informação disponível deve ser usada, fatores humanos e culturais devem ser levados em conta e a gestão de risco deve ser continuamente melhorada (ABNT, 2018). Em linhas gerais, a eficácia do gerenciamento de riscos depende de quão bem-sucedida é sua implementação nas atividades internas de uma organização, principalmente pelos seus administradores. A estrutura de gerenciamento de riscos promove a integração desse gerenciamento às funções e aos processos significativos da organização. Os procedimentos e processos de gestão de risco, juntamente com as lacunas existentes, também são registrados, tratados e avaliados em uma estrutura, a qual inclui os seguintes componentes de gerenciamento de risco: integração, projeto, implementação, avaliação e melhoria (ALDENUCCI; SPINOSA; FAVARETTO, 2009). 40 Figura 1 – Estrutura de gerenciamento de risco organizacional Fonte: elaborada pelo autor. As atribuições da gestão organizacional e dos órgãos internos de fiscalização são a integração da gestão de riscos nas atividades organizacionais e a verificação do sucesso da implementação. Isso inclui adaptar os componentes da estrutura às necessidades da organização, definir um plano que inclua os recursos necessários e alocar as tarefas em todos os níveis da empresa. Em acordo, a administração é responsável por definir a estratégia global de tratamento do risco, enquanto os órgãos de supervisão estão mais preocupados em supervisionar a gestão de risco (PONTE, 2005). Um pré-requisito importante para a integração bem-sucedida da gestão de riscos é a compreensão da organização interna da empresa. As partes da estrutura organizacional da empresa diferem em propósito, objetivo e complexidade, mas o risco é tratado em todas elas. Para lidar com os riscos, a administração da empresa determina a estratégia geral 41 e as diretrizes individuais, bem como a obrigação de prestação de contas e supervisão. A integração da gestão de riscos é um processo dinâmico que deve ser constantemente adaptado aos objetivos e processos da empresa (ALDENUCCI; SPINOSA; FAVARETTO, 2009). Ao projetar a estrutura, fatores específicos da empresa, internos e externos, devem ser levados em consideração. Os fatores externos incluem todas as questões sociais, legais, financeiras e econômicas em nível local, nacional e internacional que afetam os objetivos da organização. Além disso, fatores-chave externos e tendências devem ser tidos em conta. Relacionamentos com pessoas externas, obrigações contratuais, complexidade das redes e dependências da organização também estão entre os fatores externos (ABNT, 2018). Os fatores internos são a visão, a missão e os valores, bem como a cultura da organização e sua estrutura interna. A distribuição das funções gerenciais e fiscalizadoras, as normas, as diretrizes e os modelos adotados e aplicados, bem como os recursos e capital disponíveis (incluindo capital humano) também são fatores internos relevantes. Além disso, a norma menciona os sistemas de informação e dados, as relações com os stakeholders internos e a concretização das relações e obrigações contratuais. A direção da organização ou os órgãos de fiscalização devem comprometer-se com a gestão de risco a longo prazo, escrevendo objetivos, necessidades, responsabilidades, recursos necessários, procedimentos e medidas claramente definidos para rever e melhorar ainda mais o sistema de gestão de risco na empresa. Esses atores se comunicam dentro da organização e com os proprietários externos da empresa (MOKGOANTLE, 2012). As funções de gerenciamento de risco relevantes devem ser distribuídas em todos os níveis da organização e claramente comunicadas aos funcionários responsáveis. Recursos, habilidades, competências, 42 processos, métodos e ferramentas necessários para lidar com os riscos em conformidade também devem ser assegurados e alocados no nível superior, levando em consideração a escassez de recursos. Para garantir a eficácia do sistema de gestão de riscos na organização, é necessário estabelecer canais de comunicação e consulta adequados, que troquem de forma eficiente e atempada a informação geral, as tarefas concretas, bem como o feedback e as expectativas das partes interessadas em todos os níveis da empresa (ABNT, 2018). A informação que é eficientemente comunicada, ordenada, condensada e analisada dentro da organização contribui para que todas as atividades possam ser adaptadas umas às outras, ajudadas a moldar e melhoradas. A partir disso, a implementação do quadro de gestão de risco deve começar com o desenvolvimento de um plano adequado, com medidas concretas e tendo em conta os recursos necessários. As decisões mais importantes devem determinar quando, onde, como e por quem os processos aplicáveis devem ser alterados. A implementação bem- sucedida requer o envolvimento das partes interessadas para que o surgimento de incertezas possa ser abordado no processo de tomada de decisão, pois a estrutura de gerenciamento de riscos adequadamente planejada e implementada garante que o processo desse gerenciamento se torne parte das atividades de toda a organização e possa ser adaptado às mudanças nos contextos interno e externo (ABNT, 2018). Para aproximar a estrutura de gerenciamento de riscos o máximo possível das atividades da organização e dos fatores internos e externos, sua eficácia deve ser avaliada regularmente (ABNT, 2018). As entregas devem ser comparadas com os propósitos planejados e os planos de implementação, a fim de determinar se a estrutura ainda é apropriada para atingir as metas organizacionais ou se precisa ser revisada para refletir as mudanças nas condições. A estrutura de gestão de risco deve ser continuamente monitorada, e sua adequação e eficácia devem ser adaptadas às mudanças externas 43 e internas. Se houver lacunas significativas ou oportunidades de aprimoramento, a organização deve desenvolver novos planos e tarefas concretas de melhoria e determinar as pessoas responsáveis por sua implementação. Após a melhoria e otimização do sistema, ele deve se adequar melhor às necessidades da organização e contribuir para a gestão de riscos. Assim, o processo de gestão de risco consiste na aplicação sistemática de políticas, procedimentos e processos às atividades de comunicação e consulta, bem como diz respeito a definir o contexto, avaliar, tratar, monitorar, revisar, registrar e relatar (ABNT, 2018). Enquanto isso, a comunicação serve para aumentar a conscientização sobre os riscos das partes interessadas, e a consulta fornece aos envolvidos informações para apoiar a tomada de decisões. Através de comunicação e consulta, por exemplo, é possível combinar conhecimentos interdisciplinares em todas as etapas do processo de gerenciamento de riscos e levar em consideração as diferentes perspectivas ao definir os critérios de risco e avaliar os riscos. Não obstante, o escopo das atividades de gerenciamento pode ser determinado pela organização, cujos objetivos relevantes e ajustes desempenham um papel importante, pois o processo deve ser aplicado em diferentes níveis. Assim, os contextos externos e internos do ambiente precisam ser levados em conta na definição das metas (MOKGOANTLE, 2012). Compreender os dois contextos e incorporá-los ao seu processo de gerenciamento de riscos é importante para as organizações porque o propósito e o escopo podem ser vinculados aos objetivos gerais da empresa. A definição de critérios de risco deve estar alinhada com a estrutura de gestão de risco e adaptada ao objetivo específico e escopo das atividades. Além disso, os critérios de risco precisam incluir os valores, visto que a avaliação envolve o processo sistemático, iterativo e colaborativo de identificação de risco, análise de risco e avaliação de 44 risco, usando o conhecimento e as visões das partes interessadas (ABNT, 2018). O objetivo da identificação de riscos