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Prof. Dr. Juliano Guerreiro UNIDADE II Farmácia Clínica Interações medicamentosas Interações farmacêuticas: são interações físico-químicas que ocorrem fora do paciente, pois entre fármacos diferentes pode haver numerosas incompatibilidades, que levam a reações quando elas são misturadas em infusão intravenosa, frascos ou seringas, podendo ocasionar a inativação dos fármacos em questão. Um exemplo é a precipitação da anfotericina B coloidal quando colocada em solução fisiológica. Interações farmacocinéticas: acontecem durante os processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos. Como exemplo, temos a cimetidina (anti-histamínico H2), que inibe a biotransformação do paracetamol. Interações farmacodinâmicas: ocorrem nos sítios de ação dos fármacos, envolvendo os mecanismos pelos quais os efeitos farmacológicos se processam. Esse processo pode ser de dois tipos: interações farmacodinâmicas sinérgicas (com a ação analgésica do paracetamol e da codeína) ou antagônicas (antitussígeno com um xarope expectorante). Problemas Relacionados com Medicamentos (PRMs) Problemas Relacionados com Medicamentos (PRMs) Fonte: adaptado de: livro-texto. Gravidade alta A interação pode oferecer ameaça à vida, sendo necessário tratamento ou intervenção médica para minimizar ou prevenir os efeitos adversos graves. Gravidade moderada A interação pode piorar o quadro clínico do paciente, sendo necessária a alteração da terapia. Gravidade baixa A interação pode comprometer os efeitos clínicos esperados. As manifestações podem aumentar a frequência ou a gravidade dos efeitos adversos, mas geralmente não é necessária a modificação na terapia. Classificação das interações medicamentosas segundo a gravidade Problemas Relacionados com Medicamentos (PRMs) Fonte: adaptado de: livro-texto. Interações Maiores Ácido acetilsalicílico + Heparina Pode resultar em aumento do risco de sangramento Captopril + Morfina Pode resultar em hipercalemia Codeína + Morfina Pode resultar em depressão respiratória aditiva Moderadas Ácido acetilsalicílico + Insulina Pode resultar em hipoglicemia (depressão do SNC, convulsões) Carbamazepina + Sinvastatina Pode resultar em redução da concentração sérica da sinvastatina devido à indução enzimática provocada pela carbamazepina Digoxina + Furosemida Pode resultar em toxicidade digitálica (náuseas, vômitos, arritmias) Menores Ciprofloxacino + Propranolol Pode resultar em bradicardia, hipotensão Furosemida + Hidralazina Pode resultar em aumento da resposta à furosemida Omeprazol + Vitamina B12 Pode resultar em diminuição da absorção da vitamina B12 Classificação das reações adversas Tipo A – temos uma resposta exacerbada de um determinado fármaco como resultado de seu mecanismo de ação primário. Em geral, são previsíveis e ocorrem depois da administração de doses preconizadas do fármaco. Podemos citar como exemplo a hemorragia na vigência de um tratamento com anticoagulantes. Tipo B – são classificadas como bizarras, inesperadas em relação à ação farmacológica do medicamento. Não são comuns, independem da dose administrada e ocorrem em alguns indivíduos. Nessa categoria observamos a hipersensibilidade alérgica, idiossincrasia, intolerância, problemas de degradação dos componentes da formulação, presença de impurezas ou contaminantes e adjuvantes farmacotécnicos. Problemas Relacionados com Medicamentos (PRMs) Problemas Relacionados com Medicamentos (PRMs) Fonte: adaptado de: livro-texto. Reações adversas a medicamentos Agranulocitose Alveolite Anafilaxia Anemia aplástica Cegueira Fibrilação atrial Fibrose pulmonar Focomelia Hipertermia maligna Insuficiência hepática Lúpus eritematoso sistêmico Miocardite Necrólise epidérmica tóxica Necrose hepática Nefrite intersticial Rabdomiólise Síndrome de Reye Síndrome maligna neuroléptica Síndrome óculo-mucocutânea Síndrome de Stevens-Johnson Reações adversas de interesse em farmacovigilância Muito comum ≥ 1/10 (≥ 10%) Comum ou frequente ≥ 1/100 e ≤ 1/10 Incomum ≥ 1/1000 equeimaduras graves, infecção. IV. Desordens gastrointestinais: vômitos crônicos e doença intestinal infecciosa. V. Condições pediátricas: prematuros, má-formação congênita do trato gastrointestinal, diarreia crônica intensa. Interatividade A nutrição parenteral é o fornecimento de nutrientes essenciais, carboidratos, gorduras, proteínas, eletrólitos, vitaminas e água por via endovenosa. Avalie as proposições abaixo: I. Pré-operatória, particularmente doentes portadores de desnutrição (perda de 5% do peso corpóreo). II. Complicações cirúrgicas pós-operatórias, fístulas, queimaduras graves, infecção. III. Pós-traumática: lesões múltiplas, queimaduras graves, infecção. IV. Desordens gastrointestinais: vômitos crônicos e doença intestinal infecciosa. V. Condições pediátricas: prematuros, má-formação congênita do trato gastrointestinal, diarreia crônica intensa. São verdadeiras as afirmativas: II, III, IV e V. Resposta Farmacocinética Clínica Fonte: livro-texto. Farmacocinética Clínica Fonte: adaptado de: livro-texto. Administração do fármaco Distribuição (compartimento) Eliminação/ Excreção Administração do fármaco Compartimento central (plasma) Eliminação/Excreção Compartimento periférico Farmacocinética Clínica – administração em dose única Fonte: adaptado de: livro-texto. Injeção em bolus Injeção lenta Com absorção C o n c e n tr a ç ã o p la s m á ti c a Tempo Perfil da concentração plasmática de um fármaco administrado em dose única de três formas: bolus, endovenosa lenta e uma via com absorção Farmacocinética Clínica – administração em muitas doses Acúmulo: O fármaco administrado não é completamente eliminado no intervalo da aplicação Equilíbrio de acúmulo: as quantidades de fármaco administradas e eliminadas no intervalo de aplicação são iguais C o n c e n tr a ç ã o d o f á rm a c o Relações farmacocinéticas fundamentais para a administração de múltiplas doses de um fármaco Tempo Fonte: adaptado de: livro-texto. O perfil farmacocinético é a representação gráfica dos fenômenos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção de fármacos – administrados por diferentes vias – em relação ao tempo. Observe o gráfico a seguir, que mostra o perfil farmacocinético dos fármacos A, B, C e D e indique o que significam. Interatividade Fonte: livro-texto. A – Via endovenosa. B – Via oral. C – Via oral – comprimido de liberação controlada. D – Via transdérmica. Resposta Farmacovigilância Notificações de profissionais de saúde Hospitais da Rede Sentinela Sistema Nacional de Vigilância Sanitária Detentores de Registros de Medicamentos “Hospitais de ensino e/ou alta complexidade que atuam como observatório ativo de desempenho e segurança de tecnologias de saúde” Fonte: adaptado de: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/apresentacao.asp?te_codigo=22 Fluxo de trabalho do núcleo de farmacovigilância CVS/SP Farmacovigilância Fonte: adaptado de: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/apresentacao.asp?te_codigo=22 Suspeita de reação adversa Descrição da suspeita Notificação da suspeita ao Núcleo de Farmacovigilância Recebimento da notificação de suspeita de RAM e análise de causalidade Discussão de casos com o grupo técnico Contato com o notificador para mais informações Publicação de informações de segurança Fonte: adaptado de: BALBINO, E. E.; DIAS, M. F. Farmacovigilância: um passo em direção ao uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, Rev Bras Farmacogn 2010 (aceito para publicação). Farmacovigilância Notificação de eventos adversos a fitoterápicos no NOTIVISA (51% profissionais da saúde) Nome Indicações Notificações da farmacovigilância Aesculus hippocastanum Varizes, edemas dos membros inferiores e hemorroidas Depressão e angústia respiratória Ananas comosus Expectorante Choque anafilático em paciente de 4 anos Bauhinia forficata Antidiabético (segurança e eficácia não comprovada) Problemas hepáticos, inclusive cirrose e dor renal Convolvulus scammonia Laxante Casos de hemorragias gástricas ocorridas com o uso de aguardente alemã Farmacovigilância Fonte: adaptado de: BALBINO, E. E.; DIAS, M. F. Farmacovigilância: um passo em direção ao uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, Rev Bras Farmacogn 2010 (aceito para publicação). Anamnese farmacêutica Em geral, as fichas utilizadas na consulta farmacêutica solicitam informações como: Dados do paciente, ou seja, nome, data de nascimento, sexo, profissão, se ativo ou aposentado. Diagnóstico clínico ou queixa principal. Hábitos, tais como tabagismo, narcóticos, álcool, sedentarismo etc. Alergias. Medicamentos, se usa ou não. Em caso positivo, quais e verificar o esquema posológico, condições de armazenamento e toda e qualquer forma que possa comprometer a farmacoterapia. Adesão ao tratamento. Utilização de fitoterápicos, chás, suplementos vitamínicos, homeopáticos, florais, entre outros. Prática clínica Vamos ao chat? Convite ao chat ATÉ A PRÓXIMA!