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1 Prof. Eloi Correa dos Santos Ensino Religioso Escolar Aula 1 Conversa Inicial A disciplina de Ensino Religioso tem sido alvo de polêmicas de longa data. Há os que são contra sua existência por entenderem que a escola não é lugar para doutrinação religiosa, e os que são a favor de aulas de religião por considerarem que as famílias estão deixando de cumprir seu papel na educação dos filhos Mas existe uma terceira via sobre essa questão. Podemos concordar com os argumentos daqueles que são contra o Ensino Religioso confessional e discordar dos que são a favor das aulas de religião, e ainda assim apoiar a existência dessa disciplina nas escolas Como superar as ditas aulas de religião e a herança confessional de que as aulas de Ensino Religioso são portadoras? Apresentaremos nesta aula algumas possibilidades de encaminhamentos metodológicos, indicação de leituras e práticas escolares que serviram de subsídio para o Ensino Religioso escolar Períodos históricos do Ensino Religioso no Brasil 1 2 3 4 5 6 2 A história do Brasil desde a colonização se deu numa relação muito estreita com a religião trazida da Europa no entrechoque de cultura/religiosidade dos povos indígenas e, posteriormente, as religiões de matriz africana e oriental. A religião e a educação tinham o mesmo propósito de doutrinação no período colonial Das aulas de religião até o Ensino Religioso, os currículos sofreram alterações e avançaram muito com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996/1997. Não podemos pensar a história do Ensino Religioso fora do contexto do processo de Colonização visto que desde seu início a educação como um todo tinha como objetivo primeiro a conversão dos gentios Foi com o advento da República e do ideal positivista de separação entre Estado e Igreja que surgiu o impulso de dissolver o modelo de educação baseado na catequese religiosa A diferença entre Ensino Religioso e aulas de religião O Ensino Religioso é um Componente Curricular, ou seja, está presente no currículo escolar e, como tal, deve estar em diálogo de métodos e conteúdos com os outros componentes curriculares de forma integrada. Assim, como todo componente, ele possui uma ciência de referência que lhe subsidia os conteúdos e métodos O lugar específico do Ensino Religioso é a sala de aula, ministrado por um profissional licenciado em ciências humanas com especialização e cursos de formação adequados; melhor ainda, licenciado em Ciências da Religião e com as devidas formações posteriores 7 8 9 10 11 12 3 As aulas de religião são uma forma de difusão e promoção de doutrinas religiosas. A responsabilidade pelas aulas de religião são catequistas, evangelizadores ou doutrinadores oriundos da própria instituição religiosas e pelo Ensino Religioso escolar são professores com formação em ciências humanas ou ciências da religião Os diferentes modelos do Ensino Religioso no Brasil Ensino Religioso Confessional é uma forma de catequização ou de doutrinação religiosa. A própria origem da palavra denota que seu contexto original é a Teologia Cristã, mas pode ser para qualquer religião O modelo multiconfessional é baseado em aulas de acordo com a religião do aluno, o que é problemático por segregar os educandos e assumir um papel que é direito da família, e não da escola Esse modelo foi abortado pela dificuldade de implantação e manutenção e ainda por ferir a natureza laica do Estado de direito. No modelo aconfessional ou interreligioso, a disciplina é entendida como área de conhecimento e o objeto de estudo não é a fé ou a religião, mas a diversidade religiosa e o objetivo é fomentar o respeito à diversidade cultural e religiosa e o exercício da cidadania Redemocratização do Brasil 13 14 15 16 17 18 4 Passados 21 anos de ditadura militar, foi iniciado o processo de redemocratização do Brasil. Com isso, a sociedade civil organizada começou um movimento para conseguir garantir a ampliação dos direitos dos cidadãos, tanto coletivos como individuais restaurando a democracia suprimida com o golpe civil-militar, o que culminou com a eleição de um presidente eleito democraticamente A Constituição Cidadã, promulgada em 5 de outubro de 1988, é um dos símbolos do processo de redemocratização nacional. Na constituição, procurou-se respeitar a liberdade dos educandos de não participar das aulas de Ensino Religioso mantendo-se a facultatividade da disciplina e incluiu-se que a mesma não será objeto de aprovação ou reprovação Constituição Federal de 1988 “Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. (...) (...) Parágrafo 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Parágrafo 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.” Objetivos e desafios do Ensino Religioso como área de conhecimento Um dos principais desafios da escola e da disciplina de Ensino Religioso é efetivar uma prática de ensino voltada para a superação do preconceito religioso, além de desprender- se do seu histórico confessional catequético, para a construção e consolidação do respeito à diversidade cultural e religiosa 19 20 21 22 23 24 5 Um Ensino Religioso de caráter doutrinário, como ocorreu no Brasil Colônia e no Brasil Império, estimula concepções de mundo excludentes e atitudes de desrespeito às diferenças culturais e religiosas Outro desafio é entender que o profissional não precisa ser necessariamente “religioso”, ou o catequista da escola, pois, como qualquer profissional, o que se requer aqui é sua formação como licenciado na área de humanas ou ciências da religião, bem como sua capacidade de tratar das diferenças religiosas com respeito e alteridade Na Prática Um dos documentos orientadores que está em conformidade com a LDB no que diz respeito ao Ensino Religioso de caráter escolar é as Diretrizes Curriculares de Ensino Religioso do Paraná que se encontra em PDF na internet Após a sua leitura, sugerimos que você escolha um dos conteúdos propostos e elabora um plano de aula, como problematização, desenvolvimento, encaminhamento metodológico e atividades de avaliação Finalizando 25 26 27 28 29 30 6 Aulas de religião, catequese, Ensino Religioso Confessional e outros modelos de doutrinação apresentam um lugar específico para sua existência, que é esfera da vida privada dos templos, igrejas, mesquitas, sinagogas, sociedades, terreiros entre outros lugares sagrados e locais de pregação religiosa A Constituição Federal é clara quando a proibição de relações de dependência ou apadrinhamento do Estado com relação as religiões, o que se configura na laicidade do Estado. A LDB também é explicita em vedar quaisquer formas de proselitismo e doutrinação religiosa na educação pública Podemos entender que o Estado é laico sem excluir o fenômeno religioso dos estudos escolares e trabalhá-lo como área de conhecimento. Destaca-se que esse conhecimento faz parte da formação básica dos cidadãos e que os profissionais que ministram essas aulas sejam professores licenciados na área das humanas preferencialmente em ciências da religião ALMEIDA, J. L. Fde (org.). Escritos sobre educação. Curitiba: SEED, 2017. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996. COSTA, A. M. F. da. Um breve histórico do ensino religioso na educação brasileira. In: XVII Semana de Humanidades, 2009, Natal. XVII Semana de Humanidades, 2009. COSTELLA, D. O fundamento epistemológico do ensino religioso. In: JUNQUEIRA, S.; WAGNER, R. (org.) O ensino religioso no Brasil. Curitiba: Champagnat,2004. ELIADE, M. 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