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AULA 5 ESTRATÉGIA DE RUPTURA E TRANSIÇÃO SOCIOTÉCNICA Prof. Rony Ahlfeldt 2 TEMA 1 – MODELOS DE NEGÓCIOS Em alguns anos vão existir dois tipos de empresas: as que fazem negócio pela internet e as que estão fora dos negócios. (Bill Gates, fundador da Microsoft) “Uma tecnologia medíocre embutida em um grande modelo de negócios pode ser mais valiosa do que uma grande tecnologia explorada por meio de um modelo de negócios medíocre” (Chesbrough, 2010, p. 354). Essa afirmação resume de forma adequada a importância que a gestão estratégica do modelo de negócios adquiriu para as organizações. O autor complementa considerando que o modelo de negócios é a forma pela qual as empresas comercializam suas ideias e tecnologias, e que “a mesma ideia ou tecnologia levada ao mercado por meio de dois modelos de negócios diferentes produzirá dois resultados econômicos diferentes. Portanto, faz sentido para os negócios que as empresas desenvolvam a capacidade de inovar seus modelos de negócios” (Chesbrough, 2010, p. 354). Mas o que é um modelo de negócios? Osterwalder e Pigneur (2011, p. 14), que desenvolveram o famoso Business Model Generation (BMG), também conhecido por Canvas do Modelo de Negócios, consideram que um “modelo de negócios descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização”. Para Luzio (2011), o modelo congrega as principais escolhas estratégicas, com a melhor combinação entre elas, para levar a organização a obter uma posição singular no mercado. O BMG é um mapa de criação de valor que se estrutura em nove partes (Figura 1). Essa tela, ou canvas, organiza-se em partes seguindo a lógica de criar, entregar e capturar valor (Quadro 1), contribuindo para o desenvolvimento do modelo de negócios ao colocar todos esses elementos em um único quadro, que facilita a cocriação, uma vez que mais pessoas podem enxergar as decisões que estão sendo tomadas e apresentar contribuições. 3 Figura 1 – Quadro do modelo de negócios Fonte: Elaborado com base em Osterwalder; Pigneur, 2011, p. 44. Quadro 1 – Perguntas críticas para criação, entrega e captura de valor CRIAÇÃO DE VALOR PROPOSTA DE VALOR • Que valor garantimos ao cliente? • Que problemas de nossos clientes estamos ajudando a resolver? • Que pacotes de produtos e serviços estamos oferecendo a cada segmento? • Que necessidades de clientes estamos satisfazendo? • Qual o produto mínimo viável? ATIVIDADES-CHAVE • Quais as principais atividades exigidas por nossa proposta de valor? • Nossos canais de distribuição? • Relacionamento com clientes? • Fontes de receita?” RECURSOS-CHAVE • Quais os principais recursos exigidos por nossas propostas de valor? • Nossos canais de distribuição? • Relacionamento com clientes? • Fontes de receita? PARCERIAS PRINCIPAIS • Quem são nossos principais parceiros? • Quem são nossos principais fornecedores? • Que recursos cruciais estamos adquirindo de nossos parceiros? • Que atividades cruciais nossos parceiros executam?” FONTES DE CUSTOS • Quais os custos mais importantes inerentes a nosso modelo de negócio? • Dentre os principais recursos, quais são os mais caros? • Dentre as principais atividades, quais são as mais caras?” ENTREGA DE VALOR RELACIONAMENTO COM CLIENTES • Como conquistamos, mantemos e expandimos clientes? • Que relações já estabelecemos com clientes? 4 • Como são integradas ao resto de nosso modelo de negócio? • Qual seu custo? CANAIS • Por meio de que canais os segmentos de clientes visados querem ser abordados? • Como são abordados hoje por outras empresas? • Quais funcionam melhor? • Quais têm a melhor relação custo-benefício? • De que maneira estão sendo integrados a rotinas de clientes? SEGMENTOS • Para quem estamos criando valor? • Quem são nossos clientes mais importantes? CAPTURA DE VALOR FONTES DE RECEITAS • Por qual benefício (valor) nossos clientes realmente estão dispostos a pagar? • Por qual pagam atualmente? • Qual o modelo de receita? • Quais as táticas de preços? Fonte: Elaborado com base em Osterwalder; Pigneur, 2011, p. 23-41. Chesbrough e Rosenbloom (citados por Chesbrough, 2010, p. 355) identificaram algumas funções que os modelos de negócios cumprem: • Articula a proposta de valor; • Identifica um segmento de mercado e especifica o mecanismo de geração de receita; • Define a estrutura da cadeia de valor necessária para criar e distribuir a oferta e os ativos complementares necessários para apoiar a posição na cadeia; • Detalha o(s) mecanismo(s) de receita pelos quais a empresa será paga pela oferta; • Estima a estrutura de custos e potencial de lucro; • Descreve a posição da empresa dentro da rede de valor que liga fornecedores e clientes; e • Formula a estratégia competitiva pela qual a empresa inovadora obterá e terá vantagem sobre seus rivais. Retornando à estratégia de inovação de valor (Estratégia do Oceano Azul), tema discutido em aulas anteriores, os autores Kim e Mauborgne (2005), apresentam uma sequência estratégica (Figura 2) para a construção de um modelo de negócios robusto, com base na ideia do oceano azul. O modelo, apesar de ser visualmente diferente do BMG, tem muito em comum com ele, a exemplo das questões de valor (ou utilidade gerada ao comprador), custos e preços adequados, com foco na adoção. 5 Figura 2 – Sequência da estratégia do Oceano Azul Fonte: Elaborado com base em Kim; Mauborgne, 2005, p. 116. A mecânica do modelo de negócios da organização pode proporcionar vantagens competitivas significativas (Osterwalder; Pigneur, 2011): • impondo custos de mudança aos clientes; • gerando receitas recorrentes ao invés de transações únicas; • recebendo do cliente antes de pagar os fornecedores; • gerando mudanças na estrutura de custos do setor; • conseguindo que outros façam o trabalho (por exemplo, caixa eletrônico – cliente faz as transações no lugar do operador bancário); • sendo escalável: ampliar rapidamente a base de clientes sem aumento proporcional nos custos; • obtendo proteção contra a competição (patentes, barreiras de entrada, acesso aos clientes). 6 Por fim, destacamos algumas lições aprendidas com o desenvolvimento de modelos de negócios: • Organizações podem falhar quando focam apenas em inovação de produtos e serviços. • É possível potencializar o produto por meio do modelo de negócios. • Inovação no modelo de negócios pode ser uma alavanca competitiva mais consistente. Para isso, é necessário assumir alguns riscos e experimentar. • Excelentes produtos e serviços podem falhar com o modelo de negócios errado. Saiba mais BUSINESS MODEL Generation: Como inovar. Endeavor Brasil, 18 jul. 2012. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. GREENWALD, T. Business Model Canvas: a simple tool for designing innovative business models. Forbes, 2012. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. IR ALÉM: explorando novos modelos de negócios. Ericsson LATAM South, 21 maio 2014. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. INTRODUÇÃO ao Business Model Generation Alexander Osterwalder. Paulo Porto-Martins, 1 mar. 2015. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. SUNDELIN, A. Business model example: Xerox Business Model Innovation in 1959. TBMDB, 10 dez. 2009. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. UTILIZAÇÃO do Canvas. Porto-Martins, 1 mar. 2015. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. 7 TEMA 2 – PLATAFORMAS DE NEGÓCIOS Há algunspadrões de modelos de negócios, ou seja, modelos “com características similares, arranjos similares de Componentes dos modelos de Negócios, ou comportamento similares” (Osterwalder; Pigneur, 2011, p. 55). Os dois autores identificaram e descreveram cinco padrões: • Modelo de negócios desagregados: organizações que contê em si três negócios distintos. Exemplo: empresas de telecomunicação móvel compreenderam que seus principais recursos são a marca e o relacionamento com os clientes, e não a rede de infraestrutura. Assim, desagregaram seu negócio em três (gerenciamento de infraestrutura, inovação de produto e relacionamento com o cliente), fechando acordos de compartilhamento de infraestrutura com os concorrentes (Osterwalder; Pigneur, 2011, p. 62). • Modelo de negócios cauda longa: modelo que oferece uma infinidade de produtos de nicho com os quais se obtém poucas vendas de muitos itens e poucos produtos que atendem ao mercado de massa (hits ou best sellers), ou seja, a ideia é vender “menos de mais” (Anderson, 2006). Exemplo: empresas como a Netflix, que disponibiliza mais de 4.000 filmes, porém, menos de 1% têm grande procura. Assim, a empresa atende tanto aos consumidores de produções populares de Hollywood, quanto àqueles que desejam filmes noruegueses, por exemplo. • Grátis como modelo de negócios: modelo em que “clientes não pagantes são financiados por outra parte do Modelo de Negócios ou por outro Segmento de Clientes” (Osterwalder; Pigneur, 2011, p. 89). Exemplo: disponibilizar um produto ou serviço gratuitamente e, ao gerar atração de público, cobrar por publicidade (cantores que disponibilizam músicas gratuitamente e são financiados por publicidade) ou por uma oferta premium do serviço (LinkedIn). • Modelos de negócios abertos: o termo foi cunhado por Chesbrough (2006) e discutido em aulas anteriores, quando tratamos de modelo de inovação aberta. Esse padrão de modelo de negócio se baseia nas mesmas premissas da inovação aberta – cooperação entre organizações e pessoas para desenvolver inovações, e com isso aumentar a efetividade em pesquisa e desenvolvimento, além de reduzir seus custos. Empresas 8 como Procter & Gamble e IBM são exemplos de aplicação bem-sucedida do modelo aberto (Chesbrough, 2006). • Modelo de negócios plataformas multilaterais: considerando os objetivos desta disciplina (estratégia, inovação e tecnologias), vamos tratar deste modelo em mais detalhes nos próximos parágrafos. 2.1 Por que estudar as plataformas multilaterais? Ao unir dois ou mais grupos distintos e interdependentes de clientes, o modelo de negócios como plataforma multilateral cria valor facilitando a interação entre diferentes grupos. Este tipo de modelo cresce pelo efeito de rede; ou seja, quanto mais um grupo integra a rede, mais membros de outros grupos são atraídos. Esse é o caso de cartões de crédito (necessita tanto dos usuários do cartão quanto de estabelecimentos que os aceitem) e redes sociais (quanto mais usuários ingressam, mais usuários vão ingressar, e com isso abre-se espaço para possibilidades de monetização, via publicidade ou venda de produtos). Para Osterwalder e Pigneur (2011), trata-se de um modelo de negócios que, apesar de já existir há bastante tempo, vem ganhando importância com o desenvolvimento da tecnologia da informação, especialmente dos negócios por meio da internet. Em termos de impacto nas empresas internacionais, Evans e Schmalensee (2016, p. 1, tradução nossa) confirmam essa relevância, definindo com maestria o modelo de plataformas multilaterais: Muitas das maiores companhias no mundo, incluindo Alibaba, Apple, Facebook, Google, Microsoft, News Corp., Rakuten, Tencent e Visa são casamenteiras [matchmakers, em inglês]. Assim como a maioria das mais excitantes e valiosas startups, como Airbnb, BlaBlaCar, Didi Kuaidi, Flipkart, Lending Club, Pinterest, Spotfy e Uber. O que estes negócios têm em como é que todos eles conectam membros de um grupo, como pessoas procurando por um transporte, com outro grupo, como motoristas procurando por passageiros. Casamenteiros são muito diferentes dos negócios [tradicionais] [...]. Eles operam sob um conjunto diferente de regras econômicas. Negócios tradicionais de manufatura, por exemplo, compram matéria-prima, produzem coisas e as vendem aos consumidores. Mas a “matéria-prima” das casamenteiras são os diferentes grupos de consumidores que eles ajudam a reunir, nada que eles comprem. E parte das coisas que eles vendem aos membros de cada grupo é acesso aos membros dos outros grupos. Todos eles operam em lugares físicos ou virtuais onde os membros destes diferentes grupos se encontram. Nesse sentido, segundo texto da Revista Exame (O novo..., 2016), as mudanças tecnológicas possibilitaram outra escala para o modelo de negócios de plataforma multilaterais, “tanto em abrangência quanto em valor”. No caso da 9 Microsoft (e do Google Android), a atuação como plataforma ocorre pelo licenciamento de seu sistema operacional Windows para os produtores de dispositivos, o que por sua vez acaba atraindo desenvolvedores de aplicativos e, por consequência, consumidores. “Já a Apple não licencia seu sistema operacional, mas sua App Store une programadores e usuários” (O novo..., 2016). De acordo com Choudary et al. (2015), as plataformas multilaterais servem tanto para oferecer infraestrutura para produtores e consumidores se conectarem e poderem interagir entre si, quanto para assegurar os mecanismos de governança nas interações. O papel de fato é “criar valor como intermediárias, conectando esses grupos” (Osterwalder; Pigneur, 2011, p. 78). Osterwalder e Pigneur (2011) recomendam que, ao enfrentar o problema de atrair dois grupos interdependentes e iniciar o efeito de rede, adote-se a estratégia inicial de subsidiar um dos segmentos de usuários da plataforma, ou seja, são oferecidos gratuitamente, ou a preços muito baixos, os serviços para um dos grupos, ou mesmo “paga-se” para que utilizem a plataforma. O desafio é acertar no grupo a ser subsidiado. No caso de um jornal, por exemplo, que precisa atrair leitores e anunciantes. Quem subsidiar? O leitor com um jornal mais barato ou mesmo gratuito, ou o anunciante com espaços publicitários maiores? Dois jornais com modelo de negócios interessantes são o Metro e o Alô Negócios. Apesar de já ter encerrado suas atividades, em virtude da concorrência em tempos de Internet, com empresa como Enjoei, OLX e Mercado Livre, um bom exemplo foi o Jornal Alô Negócios. Na década de 1980, na cidade de Curitiba, esse veículo se posicionou como um jornal de classificados em que pessoas físicas (em sua maioria) e jurídicas anunciavam qualquer tipo de produto. Naquela época, era comum que as pessoas adquirissem os principais jornais nas bancas aos domingos, como a Gazeta do Povo, para ter acesso aos classificados, em busca de emprego, de um automóvel, imóvel ou outros tipos de bens de valor. O Alô Negócios, apesar de ser impresso (e não virtual, como hoje em dia), mudou o modelo de negócios da época, introduzindo algumas inovações: 1) o jornal era gratuito ao anunciante e cobrava um valor menor do que a Gazeta do Povo para o leitor; 2) era possível anunciar qualquer coisa, desde um ferro de passar até uma casa, por exemplo, o que fez com que mais pessoas, não apenas compradores de automóveis e imóveis, passassem a se interessar pelo jornal; 3) caso o anunciante desejasse dar destaque ao seu produto, poderia, pagando uma taxa, inserir um anúncio maior do que os gratuitos, ou colocar letras em negrito. 10 Assim, por muitos anos o Alô Negócios era uma referência quando as pessoas queriam comprar ou vender qualquer produto, chegando a competir com os jornais tradicionais nesse segmento de classificados. Quanto aos desafios do modelo de negócios de plataforma multilateral, um artigo da revistaExame (O novo..., 2016) traz os seguintes pontos: • As plataformas não criam o valor final, elas criam as condições para que outros o façam. • A principal vantagem competitiva de uma plataforma está no ecossistema (nosso próximo tema), não nos recursos. • Nas plataformas, “o valor está na gestão do ecossistema, que envolve o design e a otimização das interações”. • O controle de qualidade é um desafio, uma vez que quem gera valor (produz ou fornece o serviço) são os grupos da plataforma, e não o seu gestor. Por isso, muitas plataformas, como o Uber, utilizam avaliações dos usuários como meios para acompanhar a qualidade. • Os algoritmos, “e não gestores humanos, são os responsáveis pelas decisões de alocação de recursos e concessão de reputação”. • A precificação passa a ser um grande desafio, em função dos diferentes interesses dos grupos envolvidos. Como estimular o comprador, com preços atraentes, e ao mesmo tempo os fornecedores, com boas margens de lucro? Saiba mais ALSTYNE, M. W.; PARKER, G. G.; CHOUDARY, S. P. Pipelines, plataformas e novas regras de estratégia. Harvard Business Review, 4 abr. 2016. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. ANDERSON, Chris Anderson, da Wired, falando sobre a “cauda longa” da tecnologia. TED, fev. 2004. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. NEGÓCIOS de plataforma: os próximos passos do modelo de negócios mais escalável do mundo. Endeavor Brasil, 9 out. 2019. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. 11 PLATAFORMAS e Marketplaces Engolem Negócios Tradicionais. André Faria Show, 23 jun. 2016. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. REPENSANDO a teoria da Cauda Longa: como definir “sucessos” e “nichos”. Wharton, 7 out. 2009. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. TEMA 3 – ECOSSISTEMAS DE NEGÓCIOS Moore (1993) foi um dos percursores na identificação dos ecossistemas de negócios. Ele via as organizações como parte de um ecossistema que não se limita a um setor ou indústria, mas que se interliga a vários outros setores. De acordo com Ikenami e Salerno (2015), o que diferencia o ecossistema de um sistema comum é a capacidade de desenvolvimento do primeiro, que leva a um equilíbrio dinâmico. O desenvolvimento do ecossistema de negócios, segundo Moore (1993), passa por quatro estágios, nos quais os participantes competem e cooperam simultaneamente: estágio 1. nascimento: geralmente com pequenas empresas agindo ainda de forma desarticulada; 2. expansão: geração e atendimento da demanda; 3. liderança: se iniciam as relações entre as organizações por meio de um ou mais atores que articulam os demais; e 4. renovação (ou morte): momento de possível declínio do modelo que surgiu no estágio 2, com o surgimento de outros ecossistemas. No quarto estágio, a decisão é seguir sem mudanças e, provavelmente, ver todo o ecossistema ser substituído por um novo, ou ser adaptado, com mudanças (inovações) para buscar a sobrevivência. Mas o que é um ecossistema de negócios? A noção de ecossistema de negócios vem da comparação com ecossistemas biológicos. Pidun e Reeves (2019) definem ecossistema de negócios como “um grupo dinâmico de muitos agentes econômicos independentes que criam produtos ou serviços que juntos constituem uma solução coerente”. Os membros cooperam de alguma forma para uma inovação, “trabalhando cooperativa e competitivamente para suportar novos produtos que satisfaçam às necessidades dos consumidores” (Moore, 1993). Greeven (2019, tradução nossa) apresenta uma definição mais operacional sobre o termo, afirmando que um ecossistema de negócios é: 12 Uma rede de organizações – incluindo fornecedores, distribuidores, consumidores, competidores e agências governamentais e assim por diante – envolvidas na entrega de um produto ou serviço específico por meio tanto da competição e da cooperação. A ideia é que cada entidade no ecossistema afete e seja afetada pelos outros, criando um relacionamento com envolvimento constante no qual cada entidade precisa ser flexível e adaptável no sentido de sobreviver como em um ecossistema biológico. Desse modo, um ecossistema não é simplesmente uma cadeia de suprimentos. Para que uma cadeia de suprimentos seja considerada como um ecossistema, é necessário que seja colaborativa e dinâmica (Fuller et al., 2019). Ou seja, os membros da cadeia não terão apenas uma relação de fornecimento de produtos e serviços. Eles estarão engajados em inovar em conjunto, promover melhorias em toda a cadeia, desenvolver inovações em parceria, investir conjuntamente em processos e estruturas, enfim, todos estão comprometidos em agregar o maior valor possível ao consumidor final, para que todos sejam beneficiados pelo maior tempo possível. Portanto, para criar ou participar de um ecossistema, as organizações precisam mudar sua perspectiva de estarem centradas em si mesmas, passando a pensar como parte de um ecossistema cooperativo, colaborativo, inovador e competitivo. Fuller et al. (2019) caracterizam essa perspectiva em seis modos: dinâmica (relações de coevolução e não estáticas); colaborativa (baseada na complementariedade das capacidades de cada membro); indireta (os ganhos ou a monetização podem ocorrer indiretamente); emergente (consequências e resultados não previstos); orientado pela rede (cadeia não linear); e focada externamente (atividades entre empresas). Schroeck (2020) aponta que, para que um ecossistema de negócios opere de forma mais efetiva na era da digitalização, não pode esquecer dos sistemas que impulsionarão, se bem empregados, as relações entre as organizações e a entrega de valor ao consumidor. Segundo os autores, tanto o ERP (Enterprise Resource Planning) quanto o CRM (Customer Relationship Management) são soluções digitais que alavancam os ecossistemas de negócios. No ecossistema ERP, grandes provedores de soluções, como a SAP, contam com uma ampla rede de integradores de sistemas, fornecedores independentes de software e revendedores de valor agregado. Essas organizações trazem alcance global, conhecimento do cliente e experiência de entrega, implementação e transformação para garantir o sucesso final do cliente. As empresas de ERP e CRM também cortejaram desenvolvedores de aplicativos em suas lojas de aplicativos corporativos para oferecer continuamente aos clientes as inovações mais recentes. (Schroeck et al., 2020) 13 As empresas podem utilizar diferentes alavancas para que suas estratégias de ecossistema gerem mais valor (Dietz et al. 2020): • Crescimento do negócio principal por meio de parcerias ou desenvolvimento de um ecossistema a partir do zero: empresas que extraem valor a partir da obtenção de uma receita maior de produtos e serviços principais e do uso da plataforma financiado pelos estabelecimentos. • Expansão da rede e do portfólio na plataforma, gerando receitas com novos produtos: empresas que obtêm valor extraindo um valor maior da vida útil do cliente. • Desenvolvimento de uma solução de ponta a ponta para atender clientes empresariais e melhorar a eficiência operacional: empresas que otimizam infraestrutura e tecnologia existentes – e depois as oferecem a outras empresas. Dietz et al. (2020) também identificaram seis capacidades que as empresas precisam para criar valor em um ecossistema: 1. Advanced analytics; 2. Desenvolvimento e operações ágeis; 3. Governança que permite um portfólio de apostas; 4. Plataforma robusta que organiza as capacidades e maximiza as sinergias; 5. Talentos empreendedores (teras pessoas certas); 6. Parceria (colaboração). 3.1 Exemplos de ecossistemas de negócios • Walgreens (rede de drogarias estadunidense) realizou uma parceria em 2019 com a Microsoft, visando criar um ecossistema que conectasse as drogarias aos pacientes, suas seguradoras (ou planos de saúde) e serviços de cuidados médicos locais (Pidun; Reeves, 2019). • Organizações líderes de seus segmentos que procuram interconectar cada mais seus serviços desde a oferta, lançamento e criação: Alibaba, amplo ecossistema de serviços de estilo de vida; Apple, com a AppleCard, em parceria com o Goldman Sachs (ampliando o ApplePay); BMW/Daimler, co, 14 a Your Now, ecossistema de mobilidade compartilhada em colaboração com startups (Car2Go, moovel, Mytaxi) (Dietz et al., 2020). • A Natura identificou 298 organizações que se relacionam em seu ecossistema em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (Sant’Ana, 2016). • Apple, Fitbit e Garmin criaram um ecossistema focado em fitness e aplicativos (Panetta, 2017). • Ecossistema da Amazon: vendedores, compradores, anunciantes e colaboradores (leitores que produzem críticas e dicas sobre os livros que leram) (Panetta, 2017). Saiba mais ECOSSISTEMAS de negócios: conceitos e oportunidades para empresas. Pipelines, plataformas e novas regras de estratégia. Emetirus, 8 jul. 2020. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. MATEUS, R. Ecossistema de negócios. Negócios RPC, 11 out. 2019. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. O QUE são ecossistemas de inovação e qual sua importância. Anpei, 30 jul. 2019. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. SILVA, M. C. da. Análise do Ecossistema Empreendedor Brasileiro e dos Fatores Críticos de Sucesso para a Gestão de Incubadoras de Empresa. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. TEMA 4 – NEGÓCIO INTELIGENTE O principal conceito de negócio inteligente que utilizaremos foi desenvolvido pelo Professor Ming Zeng, Presidente do Conselho Acadêmico do Grupo Alibaba e ex-professor de uma das mais prestigiadas escolas de negócios do mundo, o Insead (França). Para Zeng (2018), o negócio inteligente, ou smart business, “surge quando todos os stakeholders envolvidos em atingir um objetivo 15 comum de negócio — por exemplo, o varejo ou o compartilhamento de caronas — são coordenados em uma rede online e usam a tecnologia de aprendizado de máquina para alavancar dados de forma eficiente e em tempo real”. O autor ainda considera que esse modelo, dentro do qual as decisões operacionais são realizadas por máquinas, proporciona às organizações maior capacidade de adaptação às mudanças do mercado, gerando vantagem competitiva em relação às empresas que operam de maneira tradicional. Rogers (2017, p. 1) comenta sobre o grande desafio enfrentado pelas empresas que operavam no ambiente anterior ao surgimento da Internet: muitas das regras e pressupostos fundamentais que governavam e orientavam a atuação e o progresso dos negócios na era pré-digital não mais se aplicam. A boa notícia é que a mudança é possível. As empresas pré-digitais não são dinossauros condenados à extinção. A ruptura não é inevitável. As empresas podem se transformar e florescer na era digital. Para Tsaih e Hsu (2018, p. 124), com as novas aplicações das tecnologias de comunicação e da informação (TICs), “como inteligência artificial, computação em nuvem, dispositivo móvel, mineração de big data e mídia social, softwares de armazenamento e comunicação e popularização de hardware”, o desenvolvimento de ecossistemas de negócios e, consequentemente, de empresas inteligentes, tem se difundido rapidamente. São exemplos: Facebook, Amazon, Microsoft e Google. Nos últimos anos, tecnologias emergentes como Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Robótica, Segurança Cibernética, impressora 3D e Blockchain também aceleram o desenvolvimento da indústria em direção à tendência de transformação digital como Fintech, comércio eletrônico, cidades inteligentes, turismo inteligente, saúde inteligente, manufatura inteligente. (Tsaih; Hsu, 2018, p. 124) As SBNs (sigla em inglês para Redes de Negócios Inteligentes) são redes coordenadas de negócios, organizadas de forma ágil e adaptativa, sendo “moldadas por estrutura, processos e tecnologias” (Vervest et al., 2005, p. 31). Essas redes geralmente são orquestradas por uma empresa focal (central), que contribui decisivamente para a configuração e articulação de toda a rede. Segundo Busquets (2010), as SBNs apresentam as seguintes características e vantagens: • compartilham custos e riscos; • facilitam o acesso e a coordenação a fontes de inovação e de recursos; • estimulam a cooperação dos atores que dela participam; 16 • oferecem um sistema base para as tecnologias que dão suporte para os negócios, com trocas rápidas de informações; • facilitam a recombinação de conhecimentos existentes e a criação de novos. Vervest et al. (2005, p. 4, tradução nossa) consideram ainda que “com as novas tecnologias da comunicação surgem novas capacidades competitivas”. A mudança que estamos presenciando é que as organizações não estão mais simplesmente gerenciando informações em sua cadeia de fornecimento, pois estão aprendendo a “tirar vantagem de pertencer a uma rede tecnológica que rapidamente se conecta e se desconecta de diferentes cadeias. Isto requer um nível diferente de inteligência”. Em suma, para Zeng (2019, p. 36), as empresas inteligentes são definidas pela seguinte equação: “coordenação em rede + inteligência de dados = negócio inteligente”. Os novos recursos de coordenação de rede, com o uso inteligente de dados, explicam o surgimento, nas mãos de poucas empresas, de tanto valor e poder de mercado, como as empresas anteriormente citadas, além das chinesas Tencent e Alibaba. O autor complementa que “os ecossistemas que eles administram são muito mais economicamente eficientes e centrados no cliente do que as indústrias tradicionais”. Ainda assim, não são apenas as empresas digitais que podem se beneficiar da coordenação de rede e inteligência de dados. Empresas de mobiliário, vestuário e até mesmo salões de beleza podem atuar como negócios inteligentes (Zeng, 2019). Para isso, precisam, mesmo sendo empresas de produção ou entrega de serviços off-line, ir em direção à internet. Isso significa utilizar o poder dos algoritmos e, consequentemente, a aprendizagem de máquina. Os algoritmos aprendem com interações contínuas, e seu resultado melhora conforme cresce o volume e a diversidade de dados. Com esse aprendizado de máquina, a inteligência de dados aumenta. Conforme mais processos empresariais vão para a internet e as atividades das empresas exigem cada vez mais coordenação de participantes interligados, as empresas podem se transformar assegurando que as decisões de rotina sejam tomadas automaticamente e com mais poder de computação do que os seres humanos dispõem. (Zeng, 2019, p. 88) Para ilustrar o que discutimos até o momento, no próximo tema apresentaremos o caso do Grupo Alibaba. 17 Saiba mais AMAZON IS using AI in almost everything it does. CNN, 5 out. 2018. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. CHINA: a fábrica do futuro fica em Shenzhen. Canal Futura, 2 dez. 2019. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. HOW AWS Is Changing Businesses Using Artificial Intelligence. Amazon Web Services, 8 fev. 2019.Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO: GRUPO ALIBABA O Grupo Alibaba ajuda a exemplificar muito bem os temas desta aula, pois desenvolveu um verdadeiro ecossistema de negócios (empresas e consumidores de vários tipos interagindo entre si) na China, pautado no modelo de negócios em plataforma. Pode-se dizer que é o maior caso de aplicação de inteligência artificial para negócios no mundo (Zeng, 2018). Ou seja, é um bom exemplo de um negócio inteligente. O Grupo Alibaba foi fundado por Jack Ma, na época um professor de inglês, que iniciou as atividades em 1999 em um pequeno apartamento em Hancheu, China, com o objetivo de profissionalizar e impulsionar o comércio eletrônico naquele país, que na época praticamente inexistia. Atualmente, o grupo é formado por dezenas de empresas em diferentes setores de atuação, sendo uma das mais valiosas companhias do mundo. Detém mais de 60% do mercado chinês de vendas on-line, com presença global, concorrendo diretamente com as maiores marcas, como Amazon, WallMart e e-Bay (Alibaba Group, 2020). A crença que está na base da organização é a de que “a internet nivelaria o campo de atuação, permitindo que as pequenas empresas aproveitassem a inovação e a tecnologia para crescer e competir de maneira mais eficaz nas economias doméstica e global” (Alibaba Group, 2020, tradução nossa). A atuação do grupo está sempre relacionada ao mercado on-line, seja no varejo ou com atacadistas, finanças, logística, computação em nuvem, mídia digital e entretenimento, além de 18 iniciativas no desenvolvimento de inovações que tenham como base a Inteligência Artificial. De acordo com Zeng (2018), “o imperativo estratégico é garantir que a plataforma forneça todos os recursos ou acesso aos recursos que um negócio on- line precisaria para ter sucesso e, portanto, apoie a evolução do ecossistema”. Com isso, o Grupo Alibaba passou por alguns estágios de desenvolvimento (Zeng, 2018) até chegar à atual configuração do negócio: • No início, atuava como muitas outras plataformas, ligando compradores e vendedores de mercadorias. • Posteriormente, novas funções de negócios on-line foram sendo incorporadas: tanto as tecnologias já consolidadas (publicidade, marketing, logística e finanças), quanto as tecnologias emergentes, marketing de afiliados, recomendadores de produtos e influenciadores de mídia social. • O ecossistema expandiu. Assim, o Alibaba chegou ao nível de não ser mais considerado uma empresa de comércio on-line ou uma plataforma como tantas outras. “O Alibaba é o que se obtém quando todas as funções associadas ao varejo são coordenadas on-line numa rede ampla alimentada por dados de vendedores, anunciantes, prestadores de serviços, empresas de logística e fabricantes” (Zeng, 2019, p. 20). O grupo criou novos tipos de negócios on-line e, consequentemente, mudou o setor de varejo na China. De acordo com Zeng (2019, p. 20), “o Alibaba não é a versão chinesa da Amazon”. É muito comum esta comparação entre as duas empresas. Eles congregam serviços que nenhuma outra empresa ou grupo sozinho oferecem, ou seja, o Grupo Alibaba é formado ou investe nas empresas ou serviços do quadro. Quadro 2 – Setores e empresas do Grupo Alibaba Atuação Empresas do Grupo Alibaba Quem faz isso também Mercado de varejo Taobao Marketplace Tmall.com Taobao Rural EUA: Amazon1, e-Bay e WallMart China: JD.com e Pinduoduo Mercados globais AliExpress Tmall Global Lazada Amazon e-Bay WallMart Comércio atacadista 1688.com (mercado chinês) Alibaba.com (mercado global) WallMart Amazon 1 Como detém menos de 1% do mercado chinês, a Amazon anunciou que deixará de operar no país (Deutsche Welle, 2019). 19 Meios digitais e entretenimento Youku Tudou Alibaba Pictures Alibaba Music Alibaba Sports UC Browser YouTube Disney, Paramount etc. Spotify Decathlon Google Chrome Serviços locais AutoNavi Koubei e Ele.me Waze iFood e Uber Eats Finanças Ant Group (Alipay) MY Bank PayPal Nexoos Logística Cainiao Network JD Logistics e FedEx Computação na Nuvem Alibaba Cloud Amazon, Microsoft e Google Assistente de Voz Tmall Genie Alexa Amazon e Google Assistente Fonte: Elaborado com base em Zeng, 2019, p. 35. 5.1 Como o Alibaba criou um negócio inteligente? De acordo com Zeng (2018), o Alibaba automatizou todas as decisões de operação. Com isso, permitiu “que o maior número possível de decisões operacionais sejam tomadas por máquinas alimentadas ao vivo por dados, e não por humanos apoiados por sua própria análise de dados”. Para atuar dessa forma, o autor propõe quatro passos: 1. Capture e registre os dados de todas as transações dos clientes. Isso significa capturar “todas as informações geradas durante as transações e comunicações com os clientes e outros membros da rede durante as operações e [deixar que] os algoritmos [descubram] os dados relevantes” (Zeng, 2018). 2. Transforme todas as atividades em software. Não apenas as de gestão do conhecimento e de relacionamento com os clientes. A ideia é replicar em softwares a forma como os humanos tomam decisões. Faça uso de tecnologias de aprendizagem de máquina. 3. Faça fluir os dados. Os “sistemas de transação devem operar junto com produtos e serviços em desconto e programas de fidelidade, além de alimentar nossa rede de logística. [...] quanto mais dados fluem pela rede, mais inteligente se torna o negócio e mais valor o ecossistema cria” (Zeng, 2018). 4. Aplique os algoritmos. A organização deve definir e ter clareza sobre qual trabalho deve ser feito pelas máquinas (chatbots, por exemplo). Quanto maior a quantidade de interações dos clientes, mais oportunidades para aplicação das soluções de inteligência artificial. 20 Saiba mais ALIBABA GROUP. Company overview. Disponível em . Acesso em: 18 fev. 2021. _____. Our business. Disponível em . Acesso em: 18 fev. 2021. BICUDO, L. Alibaba: a chinesa que soube capitalizar tudo que veio junto ao alvorecer do século XXI. StartSe, 9 ago. 2018. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. CONHEÇA a fintech chinesa que vale mais do que o Goldman Sachs. Época Negócios, 17 abr. 2018. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2021. 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