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CARACTERÍSTICAS DO BARROCO
Por Domício Proença Filho (p.140-142): 
1 – O culto do contraste; 
2 – Oposição do homem voltado para o céu ao homem voltado para a terra; 
3 – Preferência (dentro do espírito de contrastes) pelos aspectos cruéis, dolorosos, sangrentos e repugnantes; 
4 – Pessimismo; 
5 – Humanização do sobrenatural; 
6 – Fusionismo; 
7 – Intensidade; 
8 – Acumulação de elementos; 
9 – Impulso pessoal; 
10 – Niilismo temático; 
11 – Tendência para a descrição; 
12 – Culto da solidão.
CONCEITOS IMPORTANTES
· CULTISMO ou GONGORISMO – É o jogo de palavras; é o rebuscamento da forma, é a obsessão pela linguagem culta, erudita, por meio de inversão da frase (hipérbato), do uso de palavras difíceis. É o abuso no emprego de figuras de linguagem, especialmente a metáfora, a antítese e o hipérbato. O principal cultista do barroco mundial foi o espanhol Luiz de Gôngora. No Brasil, Gregório de Matos.
· CONCEPTISMO – É o aspecto construtivo do Barroco, voltado para o jogo das ideias e dos conceitos. É a preocupação com as associações inesperadas, seguindo um raciocínio lógico, racionalista. O principal conceptista do barroco mundial foi o espanhol Francisco de Quevedo. No Brasil, padre Antônio Vieira.
· TEOCENTRISMO x ANTROPOCENTRISMO – O rebuscamento da arte barroca é reflexo do dilema em que vivia o homem do seiscentismo (os anos de 1600). Daí as preferências por temas opostos: espírito e matéria, perdão e pecado, bem e mal, céu e inferno. Tudo isso gerava a preocupação com a brevidade da vida.
 
CARACTERÍSTICAS TEXTUAIS: ANTÍTESES, PARADOXOS, INTERROGAÇÕES, METÁFORAS, PERSONIFICAÇÃO, HIPÉRBOLE.
Metáfora: é uma comparação implícita (Ex: Aquele rapaz é um “gato”/ Aquela menina é uma “flor”) 
Antítese: exposição de ideias opostas. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos (Ex: Ele estava entre a vida e a morte)
Paradoxo: corresponde à união de duas ideias contrárias num só pensamento (Ex: O riso é uma coisa séria / Quando mais damos, mais recebemos)
Hipérbole: traduz ideia de grandiosidade, pompa (Ex: Chorei um rio / Morri de rir)
Prosopopeia/Personificação: personificação de seres inanimados para dinamizar a realidade (Ex: O jardim olhava as crianças / As árvores pedem socorro)
RECAPITULANDO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
· o culto dos contrastes: seja no plano estético, através, por exemplo, do recurso ao exagero nos relevos, aos choques de coloridos (as cores barrocas – vermelho, verde e marrom / azul X vermelho / branco X preto); seja na área das ideias, constrastando elementos como o amor e sofrimento, vida e morte, juventude e velhice, ascetismo e mundaneidade, carne e espírito, realismo e idealismo, naturalismo e iluminismo, céu e terra;
· oposição do homem voltado para o céu ao homem voltado para a terra; 
· ao antropocentrismo renascentista (valorização do homem) opôs-se o teocentrismo (Deus como centro de tudo). O rebuscamento da arte barroca é reflexo do dilema em que vivia o homem do seiscentismo (os anos de 1600). Daí as preferências por temas opostos: espírito e matéria, perdão e pecado, bem e mal, céu e inferno. Tudo isso gerava a preocupação com a brevidade da vida.
· Cultismo – jogo de palavras: o rebuscamento da forma, é a obsessão pela linguagem culta, erudita, do uso de palavras difíceis. 
· Conceptismo – jogo de ideias: voltado para o jogo das ideias e dos conceitos. É a preocupação com as associações inesperadas, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.
· Características textuais: Antíteses (exposição de ideias opostas), Paradoxos (união de duas ideias contrárias num só pensamento), Interrogações, Metáforas (comparação implícita), Personificação (vida a seres inanimados), Hipérbole (exagero), Alegorias (representação figurativa que transmite um significado outro), Intensidade.
AS PERGUNTAS PRINCIPAIS DO HOMEM BARROCO
1. Diante das coisas transitórias, surge a contradição: vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao terreno e entregar-se à eternidade?
Assim, o criador barroco (na poesia) ora ajoelha-se diante de Deus, ora celebra as delícias da vida. 
2. Diante das coisas transitórias, surge a contradição: vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao terreno e entregar-se à eternidade?
Assim, o criador barroco (na prosa) ora ajoelha-se diante de Deus, ora procura lutar pelos homens que sofrem na terra. 
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TEMAS RECORRENTES NA LITERATURA BARROCA:
· fugacidade da vida e instabilidade das coisas;
· morte, expressão máxima da efemeridade das coisas;
· concepção do tempo como agente da morte e da dissolução das coisas;
· castigo, como decorrência do pecado;
· arrependimento;
· narração de cenas trágicas;
· erotismo;
· misticismo;
· apelo à religião.
CARACTERÍSTICAS DO NEOBARROCO
· O termo neobarroco surgiu a partir de um artigo de Severo Sarduy, O Barroco e o Neobarroco, publicado em 1972;
· Ampliando a estética barroca do século XVII, o neobarroco consolida o caráter cíclico daquela, evidenciando o reaparecimento de seus principais elementos como o jogo do claro e escuro, da ordem e da desordem, sob o signo da tensão. O que parece apropriado numa época como a da pós-modernidade, pois sua textura discursiva possibilita ao sujeito ficcional, por exemplo, a revelação de suas angústias, anseios e incertezas;
· Para Sarduy, "o barroco atual, o neobarroco, reflete estruturalmente a desarmonia, a ruptura da homogeneidade, do logos enquanto absoluto, a carência que constitui nosso fundamento epistêmico. Neobarroco do desequilíbrio, reflexo estrutural de um desejo que não pode alcançar seu objeto [...] Arte do destronamento e da discussão" (1979, p. 178);
· Assim, o neobarroco expressa uma atitude de subversão diante do poder autoritário, é uma perspectiva pós-moderna que vai contra todo tipo de absolutismo, enquanto o Barroco histórico está atrelado ao autoritarismo da Contra-Reforma;
· Vale mencionar o estudioso Omar Calabrese que, em sua obra A idade neobarroca, vê o neobarroco não como uma estética, mas como um gosto do tempo (1988, p. 10);
· Irlemar Chiampi observa ainda que os textos neobarrocos trabalham com duas categorias ameaçadas na narrativa moderna: a temporalidade, que deixa de ser linear para incorporar a ilusão de movimento, um tempo cíclico destruidor da consecução e da lógica da causa e consequência e a categoria do sujeito, aquele que, agora incapaz de ordenar e dar sentido, só pode produzir o caos, daí a visão pessimista da história oficial (Chiampi, 1998, p. 13).

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