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Tipos textuais – A narração: elementos, estrutura e gêneros Apresentação Narrar é uma arte ancestral, nascida da essência humana e de sua incessante vontade de contar histórias, compartilhar experiências e transmitir sabedoria. Desde as práticas ancestrais de contar histórias em volta da fogueira até a publicação dos modernos romances literários, a narração é uma forma de dar sentido ao mundo ao nosso redor e à complexidade das relações humanas. Diferentemente da descrição, cujo foco está em pintar um retrato estático de uma cena ou objeto, a narração é impulsionada pela ação. Os verbos dinâmicos e a sequência de eventos garantem que a história se mova, evolua e envolva o leitor, proporcionando uma experiência imersiva e emocional. A narrativa não apenas relata um fato; ela convida o leitor a seguir uma jornada, a viver e a sentir as emoções, os conflitos e as resoluções apresentadas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai entender de forma mais aprofundada a estrutura e os elementos que compõem uma narrativa bem construída. Você vai explorar as nuances dos gêneros discursivos narrativos e a importância de cada componente da narrativa, além de aprender a analisar, compreender e até mesmo criar suas próprias histórias, utilizando todos os elementos da narração para contar e recontar os infinitos contos da experiência humana. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer e construir sequências narrativas em gêneros variados.• Identificar a estrutura esperada de um texto preponderantemente narrativo.• Relacionar os elementos e as estratégias na construção e na leitura de textos narrativos.• Desafio Os tipos textuais são ferramentas linguísticas que moldam a maneira como se apresentam informações, ideias e histórias. Cada tipo textual tem seu próprio conjunto de características e estruturas que o definem e, quando usado eficazmente, pode transformar um simples conjunto de palavras em uma mensagem poderosa e impactante. Nesse sentido, analise a seguinte situação: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/c50d714a-e470-455c-9d7e-e86237df3f3d/f4327d7d-eeec-419e-878b-8da680d57858.png Diante desse contexto, realize a proposta que segue: Elabore um conto curto que siga a estrutura esperada de um texto preponderantemente narrativo. Após a conclusão, você deve ser capaz de identificar e justificar a presença dos elementos narrativos em sua história. Infográfico A capacidade de contar histórias é uma das habilidades mais intrínsecas e valiosas da humanidade. Através dos tempos, as narrativas têm sido usadas para transmitir tradições, ensinamentos, memórias e sonhos, construindo pontes entre gerações e culturas. Em cada narrativa, há uma estrutura subjacente e elementos fundamentais que dão forma e significado à história, permitindo que ela ressoe com seu público e permaneça memorável. Neste Infográfico, você vai aprender sobre a essência da narração e seus componentes cruciais. Você vai desvendar a estrutura que sustenta uma narrativa, desde a apresentação até o desfecho, e explorar os elementos-chave, como fato, tempo, lugar e personagens, que são o coração de qualquer história. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/1dd54ff9-1eb8-4d92-be5e-e94e331af3ab/c89a9e77-199b-4e4c-a9f4-482e9b6bfc79.png Conteúdo do livro A narração é um pilar fundamental no universo da literatura e da comunicação. Desde tempos imemoriais, somos uma espécie de contadores de histórias, usando a arte narrativa para conectar, educar, entreter e preservar nossas experiências, sonhos e tradições. A narração, em sua essência, é um tipo textual dinâmico que dá vida a eventos, personagens e cenários, transformando palavras em mundos vivos que ressoam em nossas mentes e corações muito tempo após a última página ser virada. A função primordial do texto narrativo é contar uma história, conduzindo o leitor por uma sequência de eventos que, juntos, formam uma trama coesa. Essa narrativa, em sua essência, é impulsionada por personagens, conflitos e resoluções — tudo isso ocorrendo em um espaço e um tempo definidos. Por meio da narração, é possível transportar leitores para mundos distantes, provocar emoções profundas e deixar impressões duradouras. No capítulo Tipos textuais — A narração: elementos, estrutura e gêneros, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer em detalhes as intrincadas camadas da narração, bem como sua estrutura, desde a introdução da história até seu desfecho, e os elementos essenciais que dão vida a uma narrativa. Além disso, você vai desenvolver habilidades para reconhecer e criar narrativas em diversos gêneros, entender a estrutura esperada de textos predominantemente narrativos e relacionar elementos e estratégias ao construir e interpretar narrativas. Boa leitura. FUNDAMENTOS DA LÍNGUA PORTUGUESA Letícia Sangaletti Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer e construir sequências narrativas em gêneros variados. � Identificar a estrutura esperada de um texto preponderantemente narrativo. � Relacionar os elementos e as estratégias na construção e na leitura de textos narrativos. Introdução Narrar é contar um fato fictício ou real. Trata-se de uma prática antiga que se sustenta na necessidade do homem de relatar as experiências vividas consigo mesmo ou com o outro. Para isso, entram em jogo ele- mentos como: fato, personagens, tempo, espaço, narrador e enredo. Diferentemente da descrição, em que predominam os verbos estáticos, a narração é um texto dinâmico. Nele, a sequência de fatos promove a ação e o movimento. Neste texto, você se dedicará ao estudo desses elementos, da estru- tura de uma narrativa e dos gêneros discursivos narrativos. Narração: concepções teóricas A narração é um tipo textual que se constitui a partir de uma história. Nela, alguém conta um fato, fictício ou não, que ocorreu em determinado tempo e lugar e envolveu dadas personagens (MARCUSCHI, 2003). O tempo verbal predominante é o passado. Além disso, a narrativa é escrita geralmente em prosa, buscando comunicar qualquer acontecimento ou situação. A narração em primeira pessoa pressupõe a participação do narrador, que é o chamado narrador-personagem. Já em terceira pessoa há um narrador- -observador, que mostra o que ele viu ou ouviu. Na concepção de Travaglia (2002), o tipo narrativo objetiva contar, dizer os fatos, os acontecimentos, entendidos como os episódios, a ação em sua ocorrência. Uma de suas marcas linguísticas de destaque é, de acordo com o estudioso, ter o interlocutor como o assistente, o espectador não participante, que apenas toma conhecimento, se inteira do(s) episódio(s) ocorrido(s). Pode haver ou não coincidência entre o tempo da enunciação e o referencial, podendo o da enunciação ser posterior, simultâneo ou anterior. O autor é aquele que idealiza a história e manifesta, por meio do texto, intencionalidades e objetivos específicos, como fazer rir, emocionar, polemizar, informar, etc. Já o narrador é a figura que assume no texto o papel de ser o porta-voz do que o autor quer contar. Estrutura e elementos da narração O tipo narrativo se caracteriza pela organização temporal e pelo predomínio dos verbos de ação, em geral no passado. Também há referência a objetos do mundo real. A estrutura da narrativa é dividida em: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho. A apresentação é a parte do texto em que algumas circuns- tâncias da história são exibidas como o momento e o lugar de desenvolvimento da ação, e as personagens são conhecidas. A complicação se trata da partedo texto em que se inicia a ação. O clímax é o ponto da narrativa em que a ação alcança o seu momento crítico. Ele leva a narrativa ao desfecho, que é quando o conflito produzido pelas ações das personagens é solucionado. No que concerne aos elementos da narrativa, há narrador, enredo, perso- nagens, tempo e espaço. Observe: � Fato: o que se vai narrar (o quê?) � Tempo: quando o fato ocorreu (quando?) � Lugar: onde o fato se deu (onde?) Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros2 � Personagens: quem participou ou observou o ocorrido (com quem?) � Causa: motivo que determinou a ocorrência (por quê?) � Modo: como se deu o fato (como?) � Consequências: o fato geralmente provoca determinado desfecho Relacionando os elementos, você pode considerar que: um fato acontece em virtude de uma certa causa e se desenvolve em determinadas circuns- tâncias, que vão caracterizá-lo. É importante contar detalhadamente de que maneira o fato ocorreu. Lembre-se de que um acontecimento pode provocar consequências, e essas devem ser observadas. Após definir os elementos da narrativa, basta organizá-los para elaborar uma narração. A escolha do narrador deve ser feita a partir do foco narrativo, que pode ser: � Narrador-personagem: conta a história em primeira pessoa e é narrador e perso- nagem ao mesmo tempo; � Narrador-observador: nesse foco, a narração ocorre em terceira pessoa. O narrador conta a história como alguém que observa tudo o que acontece e depois transmite os fatos ao leitor; � Narrador-onisciente: geralmente utiliza o discurso indireto livre em suas narrativas. Esse narrador sabe tudo sobre as personagens e o enredo. Além disso, revela seus pensamentos e sentimentos íntimos. Para saber mais sobre tipos e gêneros, leia o texto “Gêneros e tipos textuais: afinal de contas, do que se trata?” (COSTA, 2011). Gêneros do tipo textual narrativo Os gêneros que utilizam a estrutura narrativa são: conto, crônica, fábula, romance, biografia, lenda, narrativa de aventura, narrativa de ficção científica, narrativa de enigma, narrativa mítica, sketch ou história engraçada, biografia 3Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros romanceada, romance, romance histórico, novela fantástica, advinha, piada, entre outros. Veja alguns exemplos: Conto: trecho de “Pai contra mãe”, de Machado de Assis (1990) Assim sucedeu. Postos fora da casa, passaram ao aposento de favor, e dous dias depois nasceu a criança. A alegria do pai foi enorme, e a tristeza também. Tia Mônica insistiu em dar a criança à Roda. ‘Se você não a quer levar, deixe isso comigo; eu vou à Rua dos Barbonos.’ Cândido Neves pediu que não, que esperasse, que ele mesmo a levaria. Notai que era um menino, e que ambos os pais desejavam justamente este sexo. Mal lhe deram algum leite; mas, como chovesse à noite, assentou o pai levá-lo à Roda na noite seguinte. Naquela reviu todas as suas notas de escravos fugidos. As gratificações pela maior parte eram promessas; algumas traziam a soma escrita e es- cassa. Uma, porém, subia a cem mil-réis. Tratava-se de uma mulata; vinham indicações de gesto e de vestido. Cândido Neves andara a pesquisá-la sem melhor fortuna, e abrira mão do negócio; imaginou que algum amante da escrava a houvesse recolhido. Agora, porém, a vista nova da quantia e a necessidade dela animaram Cândido Neves a fazer um grande esforço derradeiro. Saiu de manhã a ver e indagar pela Rua e Largo da Carioca, Rua do Parto e da Ajuda, onde ela parecia andar, segundo o anúncio. Não a achou; apenas um farmacêutico da Rua da Ajuda se lembrava de ter vendido uma onça de qualquer droga, três dias antes, à pessoa que tinha os sinais indicados. Cândido Neves parecia falar como dono da escrava, e agradeceu cortesmente a notícia. Não foi mais feliz com outros fugidos de gratificação incerta ou barata. [...] Houve aqui luta, porque a escrava, gemendo, arrastava-se a si e ao filho. Quem passava ou estava à porta de uma loja, compreendia o que era e naturalmente não acudia. Arminda ia alegando que o senhor era muito mau, e provavelmente a castigaria com açoutes, cousa que, no estado em que ela estava, seria pior de sentir. Com certeza, ele lhe mandaria dar açoutes. Observe, no trecho acima, que o tempo verbal predominante é o passado, que aparece, por exemplo em “queriam”, “sentiu” e “tentaram”. O foco nar- rativo é o do narrador-observador, considerando que a narração ocorre em terceira pessoa: o narrador conta a história como alguém que observa tudo Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros4 o que acontece e depois transmite os fatos ao leitor. Aqui, a organização temporal se dá pelo fato de que a história conta sobre a escravidão e situações que ocorreram na vida real. Com relação à estrutura da narrativa, apesar de você ter lido apenas um trecho, pode pensar nos elementos da narrativa a partir dele: � Fato: nasce o filho de Candinho e Clara dois dias depois de serem despejados � Tempo: período de escravidão no Brasil � Lugar: casa � Personagens: Tia Mônica, Candinho e Clara � Causa: Candinho não tinha dinheiro para criar o filho e pagar o aluguel � Modo: Candinho começa a procurar escravos fujões � Consequências: Candinho pega uma escrava fujona grávida para con- seguir dinheiro Biografia: trecho da biografia de Luís Carlos Prestes (REIS FILHO, 2014, p. 42) Assumira o batalhão de Santo Ângelo um novo comandante, o major Eduardo Sá de Siqueira. Por suas orientações e decisões, Prestes logo compreendeu que fora nomeado para provocá-lo, arranjar pretextos para eventuais punições. Tratou, assim, de se livrar com uma solicita- ção de licença-saúde. Em 14 de maio, ‘dera parte de doente’. Cinco dias depois, foi inspecionado por uma junta médica no hospital de Santo Ângelo, a qual o considerou incapacitado para ‘todo o serviço no Exército’ pelo período de três meses, diagnosticado com ‘gripe com astonia geral’. Em 19 de agosto, outra inspeção concedeu-lhe mais três meses. Diagnóstico: ‘astonia pós-gripal’. Ambas as ‘inspeções’, embora teoricamente efetuadas por uma ‘junta’, eram assinadas por um só capitão-médico: Antonio Gentil Basílio Alves, decerto um simpatizante das conspirações. Assim, ao longo desses meses Prestes teve mãos livres para articular e conspirar à vontade. Já na biografia de Luís Carlos Prestes, há um foco narrativo de narrador- -onisciente, tendo em vista que ele utiliza o discurso indireto livre e sabe tudo sobre as personagens e o enredo, revelando seus pensamentos e sentimentos íntimos. O tempo verbal predominante do tipo narrativo é o passado, que apa- rece, por exemplo em “surpreendiam”, “traziam” e “preferiam”. A organização temporal se dá por indicações precisas das datas em que ocorrem os fatos. 5Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros A partir do parágrafo acima, retirado de um texto maior, já é possível identificar alguns elementos da estrutura da narrativa: � Fato: Prestes ganha atestado médico de três meses � Tempo: de 14 de maio até três meses depois de 19 de agosto � Lugar: Santo Ângelo � Personagens: Prestes, major Eduardo Sá Siqueira e Antônio Gentil Basílio Neves � Causa: Para se livrar de perseguição do Major Eduardo Sá Siqueira � Modo: inspecionado numa junta no Hospital de Santo Ângelo � Consequências: ficou livre para articular Notícia: George Michael aparece em imagens de arquivo raras no trailer do documentário Freedom (ROLLING STONE EUA, 2017). O canal norte-americano Showtime compartilhou o primeiro trailer do novo documentário, George Michael: Freedom. O próprio cantor – que morreu em dezembro do ano passado – é quem faz a narração do filme, que funciona como uma espécie de ‘trabalho final’ dele. Por meio de imagens inéditas de arquivo e gravações caseiras – além das próprias histórias de Michael –, o documentário foca na carreira inteira do cantor, mas especialmente no peso da fama gerada pelo lançamento de ListenWithout Prejudice Vol. 1, de 1990. O documentário também oferece a visão pessoal de Michael em relação à batalha legal histórica dele com a Sony Music. Michael esteve pesadamente envolvido com a feitura do filme até a morte dele, em dezembro de 2016, com o cantor sendo listado inclusive como codiretor, ao lado de David Austin. George Michael: Freedom, que estreia em 21 de outubro no Showtime, também traz entrevistas com artistas como Stevie Wonder, Elton John, Mark Ronson, Mary J. Blige e Liam Gallager (ex-Oasis), assim como as supermodels vistas no clipe de ‘Freedom 90’: Cindy Crawford, Naomi Campbell, Christy Turlington, Linda Evangelista e Tatjana Patitz. A notícia que você acabou de ler usa a estrutura narrativa. No primeiro parágrafo, há a apresentação, em que algumas circunstâncias da história são exibidas, como o momento e o lugar de desenvolvimento da ação, bem como as personagens. Por exemplo: o momento e o lugar de desenvolvimento são o canal norte-americano Showtime, e a personagem é George Michael. A Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros6 complicação é a parte do texto em que se inicia a ação, que no exemplo é o compartilhamento do trailer pelo canal Showtime. O clímax é o ponto da narrativa em que a ação alcança o seu momento crítico, aqui apresentando o fato de que “Michael esteve pesadamente envolvido com a feitura do filme até a morte dele, em dezembro de 2016, com o cantor sendo listado inclusive como codiretor, ao lado de David Austin [...]” (ROLLING STONE EUA, 2017), levando a narrativa ao desfecho, que é quando o conflito produzido pelas ações das personagens é solucionado, nesse caso, “[...] o documentário George Michael: Freedom, estreia em 21 de outubro no Showtime, e também traz entrevistas com artistas como Stevie Wonder, Elton John, Mark Ronson, Mary J. Blige e Liam Gallager (ex-Oasis), assim como as supermodels vistas no clipe de ‘Freedom 90’: Cindy Crawford, Naomi Campbell, Christy Turlington, Linda Evangelista e Tatjana Patitz” (ROLLING STONE EUA, 2017). No que tange aos elementos da narrativa, há narrador, enredo, personagens, tempo e espaço. Observe: � Fato: divulgado primeiro trailer de documentário de George Michael � Tempo: 21 de outubro � Lugar: Showtime � Personagens: o próprio George Michael e artistas como Stevie Wonder, Elton John, Mark Ronson, Mary J. Blige e Liam Gallager (ex-Oasis), assim como as supermodels vistas no clipe de “Freedom 90”: Cindy Crawford, Naomi Campbell, Christy Turlington, Linda Evangelista e Tatjana Patitz � Causa: Michael morreu enquanto produzia o documentário � Modo: Por meio de imagens inéditas de arquivo e gravações caseiras – além das próprias histórias de Michael � Consequências: Documentário será lançado 7Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros ASSIS, M. Pai contra mãe. In: ASSIS, M. Relíquias de casa velha. Rio de Janeiro: Garnier, 1990. (Coleção dos Autores Celebres da Literatura Brasileira, v. 16). BRASIL. Ministério da Educação. Hora do ENEM: programa 103 - texto narrativo, texto científico e uma expert no português. Brasília, DF: TV Escola, 2016. Disponível em: . Acesso em: 09 out. 2017. COSTA, A. R. Gêneros e tipos textuais: afinal de contas, do que se trata? Prolíngua, João Pessoa, v. 6, n. 1, jan./jun. 2011. MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.). Gêneros textuais e ensino. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2003. REIS FILHO, D. A. Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos São Paulo: Companhia das Letras, 2014. ROLLING STONE EUA. George Michael aparece em imagens de arquivo raras no trailer do documentário Freedom. São Paulo: Rolling Stone, 19 set. 2017. Disponível em: . Acesso em: 09 out. 2017. TRAVAGLIA, L. C. Tipos, gêneros e subtipos textuais e o ensino de língua materna. In: BASTOS, N. B. Língua portuguesa: uma visão em mosaico. São Paulo: EDUC, 2002. 9Tipos textuais – a narração: elementos, estrutura e gêneros Dica do professor O texto narrativo é uma janela para mundos diversos, possibilitando ao leitor viajar através de tempos, lugares e emoções, guiado apenas pela força das palavras. Carregado de ação e movimento, esse tipo textual tece histórias que podem ser fictícias ou baseadas em acontecimentos reais. A narrativa se desdobra por meio de sequências de eventos, e cada evento é uma peça que ajuda a construir uma história coesa e envolvente, permitindo que o leitor se conecte, se identifique e entre no universo proposto pelo narrador. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer as características primordiais do texto narrativo e explorar a essência da narração, desvendando elementos fundamentais como personagens, enredo, tempo, espaço e narrador. Além disso, conhecerá a estrutura típica de uma narrativa, desde a apresentação até o clímax e o desfecho, proporcionando uma visão ampla e detalhada que permitirá melhor compreensão e aplicação desses conceitos em suas leituras e escritas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/24681d9987759599bcae4d61397f3f59 Exercícios 1) No vasto universo da literatura, os gêneros textuais narrativos se apresentam como formas multifacetadas e ricas de expressão escrita. Cada gênero tem características únicas, tecendo histórias que se desdobram de maneiras distintas e cativando leitores com a diversidade de temas, estilos e estruturas. Leia o texto a seguir: Assinale a alternativa que identifica o gênero textual correto. A) Parábola. B) Romance. C) Fábula. D) Anedota. E) Epopeia. Os gêneros textuais narrativos são, sem dúvida, uma das mais ricas expressões literárias e culturais de nossa civilização. Ao longo dos séculos, diferentes culturas e tradições moldaram narrativas que 2) não apenas entretêm, mas também refletem valores, normas, dilemas e visões de mundo particulares. Entre esses gêneros, a fábula, por meio de seus personagens — que, frequentemente, são animais —, traz ensinamentos universais sobre a natureza humana e suas idiossincrasias. A partir disso, leia o texto a seguir: Embora seja um texto preponderantemente narrativo, é possível encontrar outras sequências discursivas no texto “O sapo e o escorpião”. O tipo textual que está corretamente associado ao exemplo é: A) injunção: “Por que você fez isso, escorpião?”. B) injunção: “Você me carrega nas costas para eu poder atravessar o rio?”. C) dissertação expositiva: “Durante a travessia do rio, porém o sapo sentiu a picada mortal do escorpião.”. D) descrição: “Me dê uma carona!”. E) dissertação objetiva: “O sapo concordou.”. O universo dos gêneros textuais narrativos é vasto e diversificado, proporcionando diversos estilos e formatos que continuam a cativar leitores de todas as idades e de todas as culturas. Cada gênero carrega em si uma essência única, embora esteja intrinsecamente ligado aos elementos 3) fundamentais da narrativa. Personagens, enredo, conflito, clímax e resolução se entrelaçam de maneiras distintas, dando vida a narrativas que variam desde contos moralizantes até sagas épicas. A parábola e a fábula, por exemplo, são gêneros que, muitas vezes, transportam lições de moral embutidas em suas narrativas — que são simples, mas poderosas. Leia o texto a seguir: Qual das frases poderia sintetizar a moral da história "O sapo e o escorpião"? A) A instrução é a luz do espírito. B) A ignorância é o pior de todos os males. C) Manda quem pode, obedece quem deve. D) O homem prevenido vale por dois. E) Não se pode lutar contra a natureza. No cenárioliterário, o modo como os personagens se comunicam e como suas vozes são apresentadas ao leitor desempenha um papel crítico na construção da atmosfera, na evolução do enredo e no desenvolvimento do caráter. A partir desse contexto, analise o fragmento textual a seguir: 4) "E o escorpião simplesmente respondeu: — Porque esta é minha natureza, meu amigo sapo. E eu não posso mudá-la." Assinale a alternativa que indica corretamente o(s) tipo(s) de discurso. A) Discursos direto, indireto e indireto livre. B) Apenas discurso direto. C) Apenas discurso indireto. D) Discursos direto e indireto. E) Discursos direto e indireto livre. 5) Na literatura, no jornalismo, no cinema e em outras formas de arte e comunicação, o texto narrativo é um elemento central. Ele não só conta uma história, mas também envolve e transporta o público para um universo construído por palavras e imagens. As sequências narrativas, compostas por elementos como introdução, desenvolvimento, clímax e conclusão, são cruciais para construir uma narrativa coesa e envolvente. A partir do contexto apresentado, identifique a alternativa que exemplifica corretamente a estrutura e a aplicação eficaz de sequências narrativas em diferentes gêneros textuais. A) Em um relatório técnico, incluir elementos de suspense e mistério para tornar a leitura mais envolvente. B) Em um texto jornalístico, incorporar diálogos fictícios e personagens imaginários para tornar a história mais interessante. C) Em um conto, iniciar com um clímax intenso para capturar a atenção do leitor e depois recuar para explicar os eventos que levaram a esse ponto. D) Em uma biografia, evitar completamente a ordem cronológica para criar um sentido de mistério e exploração. E) Em uma receita culinária, focar na história da origem do prato, deixando os ingredientes e os passos de preparação em segundo plano. Na prática Narrativas têm o poder inigualável de conectar, engajar e inspirar. Elas dão vida a conceitos, ideias e mensagens, transformando-os em histórias memoráveis que ressoam com o público. Essa força das narrativas não se restringe ao domínio da literatura, mas encontra seu lugar em diversos setores, incluindo a publicidade, onde o storytelling se estabeleceu como uma técnica indispensável para alcançar os corações e as mentes dos consumidores em um mundo saturado de informações. Confira, Na Prática, a história da icônica campanha que incorporou magistralmente a arte do storytelling. Você vai saber como essa narrativa impactou o mundo da publicidade, transformando uma mensagem de marca em um movimento global, e como o uso estratégico dos elementos do gênero narrativo pode criar campanhas publicitárias que transcendem o tempo e o espaço, estabelecendo conexões profundas com o público. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9310f9f1-2656-4fea-ad80-017ccf233155/1271b950-6378-4b60-a9df-1ddb2d72c0b9.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Memoriais em contextos de formação e pesquisa: abordagens narrativas e (auto)biográficas Confira, neste artigo, uma reflexão sobre a importância dos memoriais de formação como dispositivos teórico-metodológicos em abordagens narrativas e (auto)biográficas. Este artigo tem como fonte os registros autobiográficos da autora e os memoriais escritos em um grupo de pesquisa. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Estrutura de uma narrativa Diferentemente da dissertação, a narrativa é um texto que trata de acontecimentos e ações realizados por personagens fictícios ou reais. Na literatura, ela aparece principalmente em romances, novelas, fábulas, contos e crônicas. Ela também é a base de muitas peças de teatro e dos filmes produzidos pelo cinema. Confira, neste vídeo, a estrutura de uma narrativa. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Paul Ricoeur e a narrativa além do gênero discursivo Leia, neste artigo, uma reflexão teórica sobre o conceito de narrativa do filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005), tendo por objetivo articular elementos que permitam pensar esse conceito para além dos limites de um gênero discursivo. A hipótese é que seus argumentos, na construção do conceito de tríplice mimese, podem ser aplicados como um modelo metafórico para o processo comunicacional, mesmo considerando que Ricoeur não estava pensando na comunicação. https://periodicos.unb.br/index.php/linhascriticas/article/view/47919/38365 https://www.youtube.com/embed/pqRSNJI-k2s?si=8ftTRSZTl-qdMZ6Y Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.scielo.br/j/gal/a/9Lxgn7rzTw83k6Bpf8cXBYF/?format=html&lang=pt