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3 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 4 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 III. Simulado OAB Código de Ética e Estatuto da OAB Priscila Ferreira Questão 01. Sérgio precisa recorrer de uma decisão, proferida em sede de processo disciplinar. Advogado e devidamente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, sabe que cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes, contrariem o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e, ainda, o regulamento geral, o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. Diante do exposto, assinale a alternativa que corresponde corretamente ao que está disposto na legislação pertinente. A) Além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o referido recurso trazido no enunciado. B) Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as decisões proferidas por seu Presidente e pelo Tribunal de Ética e Disciplina, com exceção das decisões proferidas pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados que caberá recurso direto ao Conselho Federal. C) Todos os recursos têm efeito suspensivo. D) Os recursos que Sérgio porventura tenha direito, deverá sempre ser acompanhado de preparo. Comentário Longo A questão testou o candidato acerca dos conhecimentos sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), especificamente sobre CAPÍTULO III - “ Dos Recursos”. Repare que somente uma alternativa corresponde corretamente ao disposto na legislação, vejamos: “Art. 75. Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes, contrariem esta lei, decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e, ainda, o regulamento geral, o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. Parágrafo único. Além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso referido neste artigo. Art. 76. Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados. Art. 77. Todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto quando tratarem de eleições (arts. 63 e seguintes), de suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, e de cancelamento da inscrição obtida com falsa prova. Parágrafo único. O regulamento geral disciplina o cabimento de recursos específicos, no âmbito de cada órgão julgador.” Assim, nos termos do art. 75, parágrafo único do EAOAB, além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o referido recurso trazido no enunciado. Letra A (item árvore: 12.3) CORRETA Nos termos do Art. 75 do EAOAB, parágrafo único, além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso referido neste artigo. Letra B (item árvore: 12.3) INCORRETA Também cabe recurso ao Conselho Seccional, nos casos de decisões proferidas pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados, vejamos o disposto no Art. 76 do EAOAB: Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados.”. Letra C (item árvore: 12.3) INCORRETA Nem todos os recursos têm efeito suspensivo, vejamos o Art. 77 do EAOAB: “Todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto quando tratarem de eleições (arts. 63 e seguintes), de suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, e de cancelamento da inscrição obtida com falsa prova.” Letra D (item árvore: 12.3) 5 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 INCORRETA Não há essa exigência na legislação. Comentário Curto A questão testou o candidato acerca dos conhecimentos sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), especificamente sobre CAPÍTULO III - “ Dos Recursos”, e nos termos do art. 75, parágrafo único do EAOAB, além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o referido recurso trazido no enunciado. Assim, a alternativa “A” é a correta e gabarito da questão. Gabarito: A Questão 02. Com a aproximação da eleição dos membros de todos os órgãos da OAB, João, advogado, fará uma palestra sobre o referido tema, a uma determinada Seccional, com o objetivo de orientar os profissionais que ali trabalham, bem como aos demais advogados filiados. Assinale a alternativa, que corresponde corretamente as orientações dadas pelo Advogado João: A) A eleição, na forma e segundo os critérios e procedimentos estabelecidos no regulamento geral, é de comparecimento obrigatório para todos os advogados inscritos na OAB, com exceção daqueles que demonstrarem interesse de não realizar a votação, em até 15 dias antes do pleito. B) O candidato deve comprovar situação regular perante a OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum, não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para todos os cargos, incluindo os cargos de Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver. C) O mandato em qualquer órgão da OAB é de três anos, iniciando-se em primeiro de janeiro do ano seguinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal. D) Consideram-se eleitos os candidatos integrantes da chapa que obtiver a maioria dos votos, com possibilidade de 2º turno, caso alguma chapa não atinja 50% dos votos válidos na primeira votação. Comentário Longo A questão exige do aluno o conhecimento presente nos artigos 63 ao 65 do EAOAB. Vejamos: “Art. 63. A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB será realizada na segunda quinzena do mês de novembro, do último ano do mandato, mediante cédula única e votação direta dos advogados regularmente inscritos. §1º A eleição, na forma e segundo os critérios e procedimentos estabelecidos no regulamento geral, é de comparecimento obrigatório para todos os advogados inscritos na OAB. §2º O candidato deve comprovar situação regular perante a OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum, não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver, e há mais de 5 (cinco) anos, nas eleições para os demais cargos. Art. 64. Consideram-se eleitos os candidatos integrantes da chapa que obtiver a maioria dos votos válidos. §1º A chapa para o Conselho Seccional deve ser composta dos candidatos ao conselho e à sua diretoria e, ainda, à delegação ao Conselho Federal e à Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados para eleição conjunta. §2º A chapa para a Subseção deve ser composta com os candidatos à diretoria, e de seu conselho quando houver. Art. 65. O mandato em qualquer órgão da OAB é de três anos, iniciando-se em primeiro de janeiro do ano seguinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal.” Em resumo, o mandato em qualquer órgão da OAB é de três anos, iniciando-se em primeiro de janeiro do ano seguinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal. Logo, a alternativa “c” é a correta e gabarito da questão. Letra A (item árvore: 13.2) INCORRETA Nos termos do Art. 63, §1º, do EAOAB, a eleição, na forma e segundo os critérios e procedimentos estabelecidos no regulamento geral, é de 6 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 comparecimento obrigatório para todos os advogados inscritos na OAB. Portanto, não há o que se falar em exceção daqueles que demonstrarem interesse. Letra B (itemdos legitimados. Comentário Curto A Constituição Federal trata dos legitimados a propor ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, vejamos: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Gabarito: B Direitos Humanos Géssica Ehle Questão 18. Nos termos da doutrina de Fábio Konder Comparato, a normatização dos direitos humanos confere segurança jurídica as relações sociais, tendo finalidade pedagógica perante a comunidade na medida em que faz prevalecer valores éticos que estão positivados nas normas jurídicas. À luz das correntes de fundamentação dos direitos humanos, é correto afirmar que a) o fundamento na moral aduz que os direitos humanos se fundam diretamente em valores morais da coletividade humana, com validade conferida por normas positivadas b) a visão do fundamento racional afirma que os direitos humanos advêm da razão humana, desenvolvidos na psique por meio da influência da religião c) que os Direitos Humanos são equivalentes aos direitos naturais e pré-existentes ao direito produzido pelo homem, são definições advindas da corrente de fundamentação jusnaturalista d) o fundamento da dignidade define um ponto em comum entre todas as correntes de fundamento, reconhece que os direitos humanos possuem um núcleo básico e foi a responsável pela superação de todas as anteriores 24 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Comentários Gabarito: C a) Errado. O fundamento moral prescinde a afirmação de que os direitos humanos dependem de positivação. b) Errado. O fundamento racional define uma visão laica dos direitos humanos, não vinculada à natureza ou à religião. c) Certo. O item está correto, pois a corrente jusnaturalista se caracteriza pelo cunho metafísico. d) Errado. Ainda que a corrente de fundamento da dignidade reconheça um núcleo de direitos, ela não se opõe as demais, de modo que todas podem ser levantadas quando da aplicação do direito ao caso concreto. Questão 19. O Estado brasileiro celebrou tratado internacional se comprometendo a promover um alargamento da política de combate ao abandono de idosos em instituições de acolhimento, hospitais e entidades congêneres. Nesse sentido, o tratado foi aprovado pelas Casas do Congresso Nacional e regularmente promulgado na ordem jurídica interna. À luz da sistemática constitucional, o tratado poderá assumir status de: a) lei ordinária, uma vez que os direitos da pessoa idosa não pertencem a temática dos direitos humanos b) norma supralegal, pois todo tratado de direitos humanos possui tal natureza c) emenda constitucional, pois todo tratado internacional de direitos humanos possui essa natureza jurídica d) emenda constitucional, desde que aprovado em dois turnos, por três quintos dos votos dos membros de cada Casa do Congresso Nacional. Comentários Gabarito: D Art. 5º, §3º. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Direito Internacional Vanessa Arns Questão 20. John, cidadão norte-americano, é apaixonado pelo carnaval brasileiro e decide viajar com sua família para a cidade do Rio de Janeiro. Para tanto, John se dirige até o consulado do Brasil em Los Angeles, onde também foi lotado o poeta e diplomata Vinicius de Moraes, e consegue o visto brasileiro para toda a sua família. Chegando ao Brasil, sozinho, John é parado pela polícia federal na fronteira, onde apresenta o visto brasileiro. Quanto ao visto, em tal situação. A) O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional, portanto o agente de fronteira pode negar a entrada de John e sua família. B) O visto é o documento que dá a seu titular a garantia de ingresso em território nacional, portanto o agente de fronteira pode negar a entrada de John e sua família. C) O visto é o documento que dá a seu titular garantia de ingresso em território nacional, mas o agente de fronteira pode pedir toda a documentação antes de permitir a entrada. D) O visto é o documento que dá a seu titular garantia de ingresso em território nacional, mas isso não se aplica a cidadãos norte-americanos. Comentários Gabarito: A A alternativa A está como correta e é o gabarito da questão. De acordo com a Lei de Migração, Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, Art. 6º O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional. O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional, portanto o agente de fronteira pode negar a entrada de John e sua família. A alternativa B está incorreta. De acordo com a Lei de Migração, Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, Art. 6º O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional. O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional, portanto o agente de fronteira pode negar a entrada de John e sua família. 25 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 A alternativa C está incorreta. De acordo com a Lei de Migração, Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, Art. 6º O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional. O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional, portanto o agente de fronteira pode negar a entrada de John e sua família. A alternativa D está incorreta. De acordo com a Lei de Migração, Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, Art. 6º O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional. O visto é o documento que dá a seu titular expectativa de ingresso em território nacional, portanto o agente de fronteira pode negar a entrada de John e sua família. Questão 21. Olivia, brasileira, celebra no Brasil um contrato de prestação de serviços de consultoria no Brasil a uma empresa pertencente a Gabriel, francês residente em Lyon, para a realização de investimentos no mercado acionário brasileiro. O contrato possui uma cláusula indicando a aplicação da lei francesa. Em ação proposta por Olivia no Brasil, surge uma questão envolvendo a capacidade de Gabriel para assumir e cumprir as obrigações previstas no contrato. Com relação a essa questão, a Justiça brasileira deverá aplicar a) a lei brasileira, porque o contrato foi celebrado no Brasil. b) a lei francesa, porque Gabriel é residente da França. c) a lei brasileira, país onde os serviços serão prestados. d) a lei francesa, escolhida pelas partes mediante cláusula contratual expressa. Comentários Gabarito: B A alternativa A está incorreta. A questão não se refere ao contrato ou qualquer de suas obrigações. A questão aborda sobre a capacidade civil da pessoa, sendo ela francesa (domiciliada na França), é a lei francesa que define se ela é capaz ou não. A alternativa B está correta. Atenção aluno da OAB! A questão não se refere ao contrato ou qualquer de suas obrigações. A questão aborda sobre a capacidade civil da pessoa, sendo ela francesa (domiciliada na França), é a lei francesa que define se ela é capaz ou não. Lembremos: Art. 7º (LINDB)A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família. A questão pode ser respondida com base no art. 7º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, que já apareceu diversas vezes nos exames da OAB. LINDB: ART. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família. § 1º Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração. § 2º O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. § 3º Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal. A alternativa C está incorreta. A questão não se refere ao contrato ou qualquer de suas obrigações. A questão aborda sobre a capacidade civil da pessoa, sendo ela francesa (domiciliada na França), é a lei francesa que define se ela é capaz ou não. A alternativa D está incorreta. A questão não se refere ao contrato ou qualquer de suas obrigações. A questão aborda sobre a capacidade civil da pessoa, sendo ela francesa (domiciliada na França), é a lei francesa que define se ela é capaz ou não. 26 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Direito Tributário Rodrigo Martins Questão 22. Por meio de Decreto publicado em 30/12/2022, o Governador do Estado X atualizou o valor monetário da base de cálculo do IPVA no limite do índice oficial de correção monetária. Esse Decreto ainda determinou a produção dos seus efeitos a partir de 01/01/2023. Sobre a hipótese, é correto afirmar que tal Decreto: A) Não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. B) Viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal l. C) Não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. D) Viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Comentário Longo Análise do Caso A questão gira em torno dos seguintes aspectos: a mera atualização do valor monetário da base de cálculo do IPVA, no limite do índice oficial de correção monetária, deve observar o Princípio da Estrita Legalidade Tributária? As modificações na base de cálculo do IPVA devem observar o Princípio da Anterioridade Nonagesimal? No caso: > O Governador de determinado Estado atualizou o valor monetário da base de cálculo do IPVA no limite do índice oficial de correção monetária. > Essa atualização monetária foi efetuada por meio de Decreto. > Tal Decreto foi publicado em 30/12/2022 e determinou a produção dos seus efeitos a partir de 01/01/2023. > Eis o cerne da questão: houve violação ao Princípio da Estrita Legalidade Tributária e ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal? A resposta é dada pelo art. 97, § 2º, do CTN, pela Súmula nº 160 do STJ e pelo art. 150, § 1º, da CF/88: CTN: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; (...) § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Súmula nº 160 do STJ: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III - cobrar tributos: (...) b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (...) § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (...). De acordo com o art. 97, § 2º, do CTN e com a Súmula nº 160 do STJ, não representa majoração de tributo a mera atualização do valor monetário da base de cálculo, sendo permitido, assim, atualizar a referida base, mediante decreto, desde que em percentual que não supere o índice oficial de correção monetária. Isso porque só se exige lei, em observância ao Princípio da Estrita Legalidade Tributária, quando houver aumento real de tributo, sendo que a mera atualização monetária não representa aumento real, mas mera recomposição inflacionária. Importa destacar, ainda, que muito embora a Súmula nº 160 do STJ mencione o IPTU, sua "inteligência" é aplicável a todo e qualquer tributo, pois corresponde à aplicação do § 2º do art. 97 do CTN. Logo, a mera atualização do valor monetário da base de cálculo 27 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 do IPVA, no limite do índice oficial de correção monetária, não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária. Paralelamente, de acordo com o § 1º do art. 150 da CF/88, a alteração da base de cálculo do IPVA (imposto referido no dispositivo constitucional em questão como art. 155, inciso III) não se submente ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Logo, tal Decreto, publicado em 30/12/2022, pode produzir efeitos a partir de 01/01/2023, não havendo violação ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Portanto, no caso do problema em questão, o Decreto não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal, estando correta, assim, a LETRA A, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 6.1 e 6.2) CORRETA De fato, a mera atualização da base de cálculo dos tributos pode ser efetuada por Decreto, desde que observe o limite do índice de correção monetária, e a alteração da base de cálculo do IPVA não se submente ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal, razão pela qual o Decreto em questão não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Letra B (item árvore: 6.1 e 6.2) INCORRETA A mera atualização da base de cálculo dos tributos pode ser efetuada por Decreto, desde que observe o limite do índice de correção monetária, e a alteração da base de cálculo do IPVA não se submente ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal, razão pela qual o Decreto em questão não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Letra C (item árvore: 6.1 e 6.2) INCORRETA A mera atualização da base de cálculo dos tributos pode ser efetuada por Decreto, desde que observe o limite do índice de correção monetária, e a alteração da base de cálculo do IPVA não se submente ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal, razão pela qual o Decreto em questão não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Letra D (item árvore: 6.1 e 6.2) INCORRETA A mera atualização da base de cálculo dos tributos pode ser efetuada por Decreto, desde que observe o limite do índice de correção monetária, e a alteração da base de cálculo do IPVA não se submente ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal, razão pela qual o Decreto em questão não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Comentário Curto De acordo com o art. 97, § 2º, do CTN e com a Súmulanº 160 do STJ, a mera atualização da base de cálculo dos tributos pode ser efetuada por Decreto, desde que observe o limite do índice de correção monetária E de acordo com o § 1º do art. 150 da CF/88, a alteração da base de cálculo do IPVA não se submente ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Portanto, no caso do problema em questão, o Decreto não viola o Princípio da Estrita Legalidade Tributária e não viola o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Logo, a LETRA A é a correta e gabarito da questão. Questão 23. O Presidente da República Federativa do Brasil celebrou tratado internacional com a China visando a execução, no Brasil, de serviços voltados à construção de ferrovias. Uma das cláusulas desse tratado concede isenção de ISS - Imposto sobre Serviços, tributo da competência tributária dos Municípios, para as empresas chinesas que prestarem, no Brasil, serviços de construção de ferrovias. Sobre a hipótese, é correto afirmar que esse tratado é: A) Inconstitucional, pois é vedado à União instituir isenção de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. B) Inconstitucional, pois somente por meio de Lei Complementar poderia a União conceder isenção de tributos Municipais. C) Constitucional, pois, de acordo com a Constituição Federal, os tratados e convenções internacionais sobre tributação, desde que aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos de votos dos respectivos membros, serão equivalentes às Emendas Constitucionais. 28 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 D) Constitucional, pois o Presidente da República, representante da República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de direito público externo, pode celebrar tratados e convenções internacionais sobre Direito Tributário, inclusive que tenham por objeto a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal. Comentário Longo Análise do Caso A questão gira em torno do seguinte aspecto: o Presidente da República pode conceder isenção de impostos Municipais por meio de tratado internacional? Ou isso representa uma afronta à competência tributária dos Municípios? No caso: > O Presidente da República celebrou tratado internacional com a China. > Esse tratado concede isenção de ISS - Imposto sobre Serviços, tributo da competência dos Municípios, às empresas chinesas que prestarem, no Brasil, serviços de construção de ferrovias > Eis o cerne da questão: o Presidente da República pode conceder isenção de ISS - Imposto sobre Serviços, tributo da competência dos Municípios, por meio de tratado internacional? A resposta é dada pelo art. 151, inciso III, da CF/88 e pela jurisprudência do STF: CF/88: Art. 151. É vedado à União: (...) III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No direito internacional apenas a República Federativa do Brasil tem competência para firmar tratados (art. 52, § 2º, da Constituição da República), dela não dispondo a União, os Estados-membros ou os Municípios. O Presidente da República não subscreve tratados como Chefe de Governo, mas como Chefe de Estado, o que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, inc. III, da Constituição" (RE 229096, Relator(a): ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 16/08/2007, DJe-065 DIVULG 10-04-2008 PUBLIC 11-04- 2008 EMENT VOL-02314-05 PP-00985 RTJ VOL-00204-02 PP-00858 RJTJRS v. 45, n. 275, 2010, p. 29-42). Muito embora o art. 151, inciso III, da CF/88 prescreva que é vedado à União instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (o que a doutrina chama de "isenções heterônomas"), o STF decidiu que o Presidente da República não subscreve tratados como Chefe de Governo (ou seja, como representante da União), mas como Chefe de Estado (ou seja, representante da República Federativa do Brasil), o que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, inc. III, da Constituição. Com essa decisão julgou constitucional a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal por meio de tratado ou convenção internacional. Portanto, no caso do problema em questão, o tratado é constitucional, pois o Presidente da República, representante da República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de direito público externo, pode celebrar tratados e convenções internacionais sobre Direito Tributário, inclusive que tenham por objeto a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal, estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 2.7 e 15.1) INCORRETA Diferentemente, é plenamente constitucional, pois o STF já decidiu que o Presidente da República pode celebrar tratados e convenções internacionais sobre Direito Tributário que tenham por objeto a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal, situação essa que não é alcançada pelo Princípio da Vedação às isenções heterônomas previsto no art. 151, inciso III, da CF/88. Letra B (item árvore: 2.7 e 15.1) INCORRETA Diferentemente, é plenamente constitucional, pois o STF já decidiu que o Presidente da República pode celebrar tratados e convenções internacionais sobre Direito Tributário que tenham por objeto a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal, situação essa que não é alcançada pelo Princípio da Vedação às isenções heterônomas previsto no art. 151, inciso III, da CF/88. Ademais, não há qualquer exigência constitucional quanto à Lei Complementar para este tipo de conceção de isenção. Letra C (item árvore: 2.7 e 15.1) 29 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 INCORRETA Sim, é constitucional, mas não é porque os tratados e convenções internacionais sobre tributação, desde que aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos de votos dos respectivos membros, serão equivalentes às Emendas Constitucionais, mas sim porque o STF já decidiu que o Presidente da República pode celebrar tratados e convenções internacionais sobre Direito Tributário que tenham por objeto a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal, situação essa que não é alcançada pelo Princípio da Vedação às isenções heterônomas previsto no art. 151, inciso III, da CF/88. Letra D (item árvore: 2.7 e 15.1) CORRETA De fato, é plenamente constitucional, pois o Presidente da República, representante da República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de direito público externo, pode celebrar tratados e convenções internacionais sobre Direito Tributário, inclusive que tenham por objeto a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal, situação essa que não é alcançada pelo Princípio da Vedação às isenções heterônomas previsto no art. 151, inciso III, da CF/88. Comentário Curto O STF decidiu que o Presidente da República não subscreve tratados como Chefe de Governo, mas como Chefe de Estado, o que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, inc. III, da Constituição. Com essa decisão julgou constitucional a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal por meio de tratado ou convenção internacional. Portanto, no caso do problema em questão, o tratado é constitucional, pois o Presidente da República, representante da República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de direito público externo, pode celebrar tratados e convenções internacionais sobre Direito Tributário, inclusive que tenham por objeto a concessão de isenção de tributos Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal. Logo, a LETRA D é a correta e gabarito da questão. Questão 24. Roberto, residentee domiciliado no Município de Belo Horizonte/MG, adquiriu um imóvel de João, residente e domiciliado no Município de São Paulo/SP. O imóvel objeto do negócio jurídico de venda e compra em questão é localizado no Município do Rio de Janeiro/RJ. Diante do exposto, assinale a alternativa correta quanto à incidência do imposto que tem como fato gerador essa operação de venda e compra de bem imóvel: A) É devido ao Município do Rio de Janeiro/RJ. B) É devido ao Município de São Paulo/SP. C) É devido ao Município de Belo Horizonte/MG. D) É devido ao Estado-membro do Rio de Janeiro. Comentário Longo Análise do Caso A questão gira em torno do seguinte aspecto: qual entidade federativa detém competência tributária para exigir o imposto incidente na referida operação de venda e compra de bem imóvel? No caso: > Roberto, que é residente e domiciliado no Município de Belo Horizonte/MG, adquiriu um imóvel de João. > João, o vendedor, é residente e domiciliado no Município de São Paulo/SP. > O imóvel objeto do negócio jurídico de venda e compra é localizado no Município do Rio de Janeiro/RJ. > Eis o cerne da questão: qual dessas entidades federativas detém competência tributária para exigir o imposto incidente na referida operação de venda e compra de bem imóvel? A resposta é dada pelo art. 156, inciso II, § 2º, inciso II, da CF/88: CF/88: Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II: 30 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 (...) II - compete ao Município da situação do bem. (...). De acordo com o art. 156, inciso II, da CF/88, incide o ITBI sobre a operação de venda e compra de bem imóvel, imposto este da competência tributária dos Municípios, e não dos Estados-membros ou do Distrito Federal. Ainda, de acordo com o disposto no § 2º, inciso II, desse mesmo dispositivo, o ITBI é devido ao Município da situação do bem, isto é, onde localizado o imóvel objeto do negócio jurídico de venda e compra. Portanto, no caso do problema em questão, o ITBI é devido ao Município do Rio de Janeiro/RJ, onde localizado o imóvel objeto da venda e compra, estando correta, assim, a LETRA A, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 20.2) CORRETA De fato, o ITBI é devido ao Município do Rio de Janeiro/RJ, onde localizado o imóvel objeto da venda e compra. Letra B (item árvore: 20.2) INCORRETA O ITBI não é devido ao Município de São Paulo/SP, local do domicílio do vendedor; é devido ao Município do Rio de Janeiro/RJ, onde localizado o imóvel objeto da venda e compra. Letra C (item árvore: 20.2) INCORRETA O ITBI não é devido ao Município de Belo Horizonte/MG, local do domicílio do comprador; é devido ao Município do Rio de Janeiro/RJ, onde localizado o imóvel objeto da venda e compra. Letra D (item árvore: 20.2) INCORRETA O ITBI é imposto da competência tributária dos Municípios, e não dos Estados-membros ou do Distrito Federal; é devido, no caso, ao Município do Rio de Janeiro/RJ, onde localizado o imóvel objeto da venda e compra, e não, portanto, ao respectivo Estado. Comentário Curto De acordo com o art. 156, inciso II, da CF/88, incide o ITBI sobre a operação de venda e compra de bem imóvel, imposto este da competência tributária dos Municípios, e não dos Estados-membros ou do Distrito Federal. Ainda, de acordo com o disposto no § 2º, inciso II, desse mesmo dispositivo, o ITBI é devido ao Município da situação do bem, isto é, onde localizado o imóvel objeto do negócio jurídico de venda e compra. Portanto, no caso do problema em questão, o ITBI é devido ao Município do Rio de Janeiro/RJ, onde localizado o imóvel objeto da venda e compra. Assim, a LETRA A é a correta e gabarito da questão. Questão 25. O Município Alfa ajuizou Ação de Execução Fiscal em face de Pedro, em julho de 2021, objetivando cobrar débitos de IPTU - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana referentes aos exercícios de 2015 a 2020, sendo que o fato gerador desse imposto no Município ocorre no dia 1º de janeiro e o vencimento da última parcela ocorre em março de cada ano. O juiz da execução proferiu o primeiro despacho determinando a citação em setembro de 2021. Com base na situação narrada, assinale a alternativa correta: A) O IPTU dos exercícios de 2015, 2016 e 2017 já foram extintos pela prescrição. B) O IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 já foram extintos pela prescrição. C) O IPTU dos exercícios de 2015, 2016 e 2017 já foram extintos pela decadência. D) O IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 já foram extintos pela decadência. Comentário Longo Análise do Caso A questão gira em torno dos seguintes aspectos: que é prescrição? Que é decadências? Quais os seus prazos? Algum dos débitos executados já foi extinto pela decadência ou pela prescrição? No caso: > Pedro não pagou o IPTU - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana dos exercícios de 2015 a 2020. > Então a Fazenda Municipal ajuizou Ação de Execução Fiscal em face de Pedro, em julho de 2021, para cobrar esses débitos. 31 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 > O fato gerador do IPTU no Município ocorre no dia 1º de janeiro e o vencimento da última parcela ocorre em março de cada ano. > O juiz da execução proferiu o primeiro despacho determinando a citação em setembro de 2021. > Eis o cerne da questão: algum dos débitos executados já foi extinto pela decadência ou pela prescrição? A resposta é dada pelos arts. 156, inciso V, 173 e 174 do CTN: CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V - a prescrição e a decadência; (...). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. CTN: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II - pelo protesto judicial; III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. De acordo com o art. 173 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos. Esse artigo estipula um prazo decadencial, que é prazo para constituir um lançamento. No caso do problema em questão, não há que se falar em decadência, pois todos os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 a 2020 já foram devidamente constituídos. E de acordo com o art. 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. No caso do problema em questão, como o vencimento do IPTU ocorreu em março de cada ano, quando foram definitivamente constituídos os débitos, e como a Execução Fiscal de cobrança foi ajuizada somente em julho de 2021, é possível concluir que somente os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 foram extintos pela prescrição, nos termos doart. 156, inciso V, do CTN, pois somente em relação a esses foram ultrapassados mais do 5 nãos entre a constituição definitiva e o ajuizamento da ação de cobrança. Portanto, no caso do problema em questão, somente o IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 já foram extintos pela prescrição, estando correta, assim, a LETRA B, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 14.5) INCORRETA Como o vencimento do IPTU ocorreu em março de cada ano, quando foram definitivamente constituídos os débitos, e como a Execução Fiscal de cobrança foi ajuizada somente em julho de 2021, somente os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 foram extintos pela prescrição; o de 2017 não. Letra B (item árvore: 14.5) CORRETA De fato, como o vencimento do IPTU ocorreu em março de cada ano, quando foram definitivamente constituídos os débitos, e como a Execução Fiscal de cobrança foi ajuizada somente em julho de 2021, somente os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 foram extintos pela prescrição. Letra C (item árvore: 14.5) INCORRETA Não há que se falar em decadência, pois todos os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 a 2020 foram devidamente constituídos. Letra D (item árvore: 14.5) INCORRETA 32 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Não há que se falar em decadência, pois todos os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 a 2020 foram devidamente constituídos. Comentário Curto De acordo com o art. 173 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos. Esse artigo estipula um prazo decadencial, que é prazo para constituir um lançamento. No caso do problema em questão, não há que se falar em decadência, pois todos os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 a 2020 já foram devidamente constituídos. E de acordo com o art. 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. No caso do problema em questão, como o vencimento do IPTU ocorreu em março de cada ano, quando foram definitivamente constituídos os débitos, e como a Execução Fiscal de cobrança foi ajuizada somente em julho de 2021, é possível concluir que somente os débitos de IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 foram extintos pela prescrição, nos termos do art. 156, inciso V, do CTN, pois somente em relação a esses foram ultrapassados mais do 5 nãos entre a constituição definitiva e o ajuizamento da ação de cobrança. Portanto, no caso do problema em questão, somente o IPTU dos exercícios de 2015 e 2016 já foram extintos pela prescrição. Assim, a LETRA B é a correta e gabarito da questão. Questão 26. Jaqueline, Advogada, pretendendo ajuizar Ação Anulatória de Débito Fiscal visando tutelar direitos de seu cliente, constatou que o "caput" do art. 38 da Lei Federal nº 6.830/80 – Lei de Execução Fiscal prescreve que a discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma da lei em questão, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Assinale a alternativa que corresponde ao entendimento do STF acerca da exigência do depósito em questão: A) É constitucional e deve ser efetuado no valor correspondente ao valor do débito a ser questionado na ação judicial. B) É constitucional e deve ser efetuado no valor correspondente o dobro do valor do débito a ser questionado na ação judicial. C) É inconstitucional. D) É uma garantia conferida à Fazenda Pública. Comentário Longo Análise do Caso A questão gira em torno do seguinte aspecto: o depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos, é uma condição para o ajuizamento de uma Ação Anulatória de Débito Fiscal? No caso: > Jaqueline, Advogada, pretendendo ajuizar Ação Anulatória de Débito Fiscal visando tutelar direitos de seu cliente. > Mas verificou que a lei que disciplina o ajuizamento dessa ação exige o depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos, condição para o seu ajuizamento. > Eis o cerne da questão: tal depósito prévio é necessário? Sem ele, a ação não pode ser ajuizada? Qual o entendimento do STF acerca de tal exigência legal? A resposta é dada pela Súmula Vinculante nº 28: Súmula Vinculante nº 28: É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário. Muito embora o "caput" do art. 38 da Lei Federal nº 6.830/80 – Lei de Execução Fiscal faça, de fato, a exigência de depósito prévio como condição para o ajuizamento de Ação Anulatória de Débito Fiscal, o STF já decidiu, conforme Súmula Vinculante nº 28, que tal exigência é inconstitucional, afastando, assim, a aplicação desse dispositivo especificamente e tão somente quanto a tal exigência. Portanto, no caso do problema em questão, a exigência do depósito é inconstitucional, estando correta, assim, a LETRA C, que é o gabarito da questão. 33 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Letra A (item árvore: 13.2 e 23.2) INCORRETA A exigência do depósito é inconstitucional, não podendo ser exigido em qualquer valor. Letra B (item árvore: 13.2 e 23.2) INCORRETA A exigência do depósito é inconstitucional, não podendo ser exigido em qualquer valor. Letra C (item árvore: 13.2 e 23.2) CORRETA De fato, a exigência do depósito é inconstitucional, não podendo ser exigido em qualquer valor. Letra D (item árvore: 13.2 e 23.2) INCORRETA A exigência do depósito é inconstitucional. Comentário Curto Muito embora o "caput" do art. 38 da Lei Federal nº 6.830/80 – Lei de Execução Fiscal faça, de fato, a exigência de depósito prévio como condição para o ajuizamento de Ação Anulatória de Débito Fiscal, o STF já decidiu, conforme Súmula Vinculante nº 28, que tal exigência é inconstitucional, afastando, assim, a aplicação desse dispositivo especificamente e tão somente quanto a tal exigência. Portanto, no caso do problema em questão, a exigência do depósito é inconstitucional. Logo, a LETRA C é a correta e gabarito da questão. Direito Administrativo Igor Maciel Questão 27. A empresa Coisa Séria, com sede no Município X, depende de autorização do governo federal para funcionar, subordinando-se à sua fiscalização. O Município X pretende desapropriar algumas ações dessa empresa e, para tal, o prefeito de X resolve consultar você, como advogado, acerca dessa possibilidade. Você afirma ao prefeito, corretamente, que: a) Se houver prévia autorização legislativa, é possível a desapropriação pretendida. b) Se houver prévia autorização do Presidente da República, por decreto, é possível a desapropriação pretendida. c) Se a desapropriação pretender mera obra de higiene e decoração, isso não se enquadra como utilidade pública, não sendo possível a desapropriação. d) Não é possível, em nenhum caso, a desapropriação pretendida, pois Município não pode desapropriar bens da União. Comentário Longo A questão trata de desapropriação, realizada pelos entes públicos. Mais especificamente, sobre a desapropriação que um ente público realiza sobre outro. Vejamos o que diz o artigo 2º, §§ 2º e 3º, do Decreto Lei 3.365/41: Art. 2º Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. (...) § 2º Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa.§ 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. Percebe-se, segundo o § 2º do artigo 2º, que “ente menor não desapropria bem de ente maior”. E, mesmo em caso de ente maior desapropriar bem de ente menor, deve haver autorização legislativa. No entanto, essa autorização não se faz necessária quando o poder público desapropria bem de particular. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o § 3º do mesmo artigo traz o cerne da questão: No caso de empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, fica vedada a desapropriação, por Estados e Municípios, de suas cotas e direitos representativos do capital de instituições. O parágrafo traz, também, uma exceção: essa 34 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 desapropriação poderá ocorrer se houver autorização prévia do Presidente da República. Por fim, mencione-se que, segundo artigo 5º, alínea g, do Decreto Lei 3.365/41, determina as “obras de higiene e decoração” como caso de utilidade pública: Art. 5º Consideram-se casos de utilidade pública: (...) g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saúde, clínicas, estações de clima e fontes medicinais; Letra A INCORRETA Conforme art. 2º, § 3º do DL 3.365/41, a desapropriação pretendida será possível mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. Letra B CORRETA Conforme art. 2º, § 3º do DL 3.365/41, a desapropriação pretendida será possível mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. Letra C INCORRETA Conforme artigo 5º, alínea g, do Decreto Lei 3.365/41, as “obras de higiene e decoração” se enquadram como utilidade pública. Letra D INCORRETA Conforme art. 2º, § 3º do DL 3.365/41, a desapropriação pretendida será possível mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. Comentário Curto Conforme art. 2º, § 3º do DL 3.365/41, a desapropriação pretendida será possível mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. Gabarito: B Questão 28. Em processo administrativo que tramita em âmbito federal, a servidora Janilene é parte interessada, mas tem algumas dúvidas sobre a tramitação. Para isso, procura você, como advogado, para auxiliá-la e evitar que se prejudique. Você informa à servidora, corretamente, que: a) Se servidor ou autoridade tiver interesse indireto na matéria do processo administrativo, poderá ser arguida sua suspeição. b) Se no decorrer do processo for necessário que órgão consultivo emita parecer obrigatório e não vinculante, e descumpra o prazo para tal emissão, o processo não terá seguimento até a respectiva apresentação. c) Após concluída a instrução do processo administrativo, a Administração tem o prazo de até 60 dias para decidir. d) Se no processo estiverem envolvidas autoridades de poderes distintos, não se aplica a decisão coordenada ao processo administrativo. Comentário Longo A questão trata de vários aspectos da Lei 9.784/99. Vejamos alguns destaques. Quanto à impedimento e suspeição, é interessante diferenciar os casos, dispostos nos artigos 18 e 20 da Lei 9.784/99: Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: I - tenha interesse direto ou indireto na matéria; II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. (...) Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau. Desta feita, percebe-se que, o fato de o servidor ou a autoridade interesse direto ou indireto na matéria é caso de impedimento, e não de suspeição. Quanto à tramitação, também chamamos atenção para o artigo 42, que trata do parecer de órgão consultivo. Veja: 35 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de quinze dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de maior prazo. § 1º Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a respectiva apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao atraso. § 2º Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de quem se omitiu no atendimento. Portanto, veja que, se o parecer for obrigatório e vinculante, e deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a respectiva apresentação. Mas, se o parecer for obrigatório e não vinculante, deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa. Ainda quanto a tramitação, observe que, conforme artigo 49, concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até 30 dias para decidir, prazo este que poderá ser prorrogado por mais 30 dias se tal prorrogação for expressamente motivada: Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada. Por fim, sobre a decisão coordenada, o artigo 49-A, § 6º, traz os casos em que não se aplica a decisão coordenada: Art. 49-A. (...) § 6º Não se aplica a decisão coordenada aos processos administrativos: (Incluído pela Lei nº 14.210, de 2021) I - de licitação; (Incluído pela Lei nº 14.210, de 2021) II - relacionados ao poder sancionador; ou (Incluído pela Lei nº 14.210, de 2021) III - em que estejam envolvidas autoridades de Poderes distintos. (Incluído pela Lei nº 14.210, de 2021) Letra A INCORRETA Conforme art. 18, I, da Lei 9.784/99, se servidor ou autoridade tiver interesse indireto na matéria do processo administrativo, deve ser arguido seu impedimento, e não sua suspeição. Letra B INCORRETA Conforme artigo 42, § 2º, da Lei 9.784/99, se no decorrer do processo for necessário que órgão consultivo emita parecer obrigatório e não vinculante, e descumpra o prazo para tal emissão, o processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa. Letra C INCORRETA Segundo artigo 49 da Lei 9.784/99, após concluída a instrução do processo administrativo, a Administração tem o prazo de até 30 dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada. Letra D CORRETA De acordo com artigo 49-A, § 6º, da Lei 9.784/99, não se aplica a decisão coordenada aos processos administrativos em que estejam envolvidas autoridades de Poderes distintos. Comentário Curto De acordo com artigo 49-A, § 6º, da Lei 9.784/99, não se aplica a decisão coordenada aos processos administrativos em que estejam envolvidas autoridades de Poderes distintos. Gabarito: D Questão 29. O Estado Y pretende celebrar, em 2023, parceria público privada com a empresa Fazemos Tudo S.A., na modalidade de concessão patrocinada. O contrato terá o valor de 20 milhões de reais, e duração de 30 anos. No entanto, antes de firmar a parceria, os administradores de Fazemos Tudo S.A. consultam você, como advogado, para sanar algumas dúvidas acerca do pretendido contrato. Você informa corretamente que: a) A contraprestação do EstadoY poderá ser feita por outorga de direitos sobre bens públicos de uso comum. 36 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 b) Por ocasião da extinção do contrato, Fazemos Tudo S.A. receberá indenização pelas parcelas de investimentos vinculados a bens reversíveis ainda não amortizadas ou depreciadas, quando tais investimentos houverem sido realizados com valores provenientes do aporte de recursos para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis. c) O contrato poderá prever o aporte de recursos em favor de Fazemos Tudo S.A. para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis, desde que autorizado no edital de licitação. d) A contraprestação do Estado Y poderá ser precedida da disponibilização do serviço objeto do contrato de parceria público-privada. Comentário Longo A questão trata das Parcerias Público Privadas – também chamadas de PPPs –, mais especificamente no tocante à contraprestação devida pela Administração Pública. Vejamos o texto do artigo 6º da Lei 11.079/2004: Art. 6º A contraprestação da Administração Pública nos contratos de parceria público-privada poderá ser feita por: I – ordem bancária; II – cessão de créditos não tributários; III – outorga de direitos em face da Administração Pública; IV – outorga de direitos sobre bens públicos dominicais; V – outros meios admitidos em lei. (...) § 2º O contrato poderá prever o aporte de recursos em favor do parceiro privado para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis, nos termos dos incisos X e XI do caput do art. 18 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, desde que autorizado no edital de licitação, se contratos novos, ou em lei específica, se contratos celebrados até 8 de agosto de 2012. (...) § 5º Por ocasião da extinção do contrato, o parceiro privado não receberá indenização pelas parcelas de investimentos vinculados a bens reversíveis ainda não amortizadas ou depreciadas, quando tais investimentos houverem sido realizados com valores provenientes do aporte de recursos de que trata o § 2º. De pronto, logo percebe-se que a contraprestação da Administração Pública nos contratos de parceria público- privada poderá ser feita, dentre outros, pela outorga de direitos sobre bens públicos dominicais, e não bens públicos de uso comum. Tudo isso, conforme art. 6º, IV, da Lei 11.079/04. Ademais, note que o § 2º do artigo 6º da Lei 11.079/04 deixa clara a possibilidade de o contrato prever o aporte de recursos em favor do parceiro privado para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis, desde que autorizado no edital de licitação, se contratos novos, ou em lei específica, se contratos celebrados até 8 de agosto de 2012. Como o contrato pretendido será firmado em 2023, conclui-se que será necessária autorização no edital para que seja possível tal aporte de recursos. Ainda, segundo § 5º do artigo 6º da Lei 11.079/04, veja que quando da extinção do contrato, o parceiro privado não receberá indenização pelas parcelas de investimentos vinculados a bens reversíveis ainda não amortizadas ou depreciadas. Por fim, mencionamos o artigo 7º, o qual determina ser obrigatório que a contraprestação da Administração Pública seja precedida da disponibilização do serviço objeto do contrato de parceria público-privada. Art. 7º A contraprestação da Administração Pública será obrigatoriamente precedida da disponibilização do serviço objeto do contrato de parceria público-privada. Letra A INCORRETA Conforme art. 6º, IV, da Lei 11.079/04, a contraprestação da Administração Pública nos contratos de parceria público-privada poderá ser feita, dentre outros, pela outorga de direitos sobre bens públicos dominicais, e não bens públicos de uso comum. Letra B INCORRETA Segundo artigo 6º, § 5º, da Lei 11.079/04, quando da extinção do contrato, o parceiro privado não receberá indenização pelas parcelas de investimentos vinculados a bens reversíveis ainda não amortizadas ou depreciadas quando tais investimentos houverem sido realizados com valores provenientes do aporte de recursos para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis. 37 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Letra C CORRETA Conforme art. 6º, § 2º, da Lei 11.079/04, o contrato poderá prever o aporte de recursos em favor do parceiro privado para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis, desde que autorizado no edital de licitação, se contratos novos, ou em lei específica, se contratos celebrados até 8 de agosto de 2012. Como o contrato pretendido será firmado em 2023, conclui-se que será necessária autorização no edital para que seja possível tal aporte de recursos. Letra D INCORRETA Conforme art. 7º da Lei 11.079/04, a contraprestação do Estado Y será obrigatoriamente – e não “poderá” – precedida da disponibilização do serviço objeto do contrato de parceria público-privada. Comentário Curto Conforme art. 6º, § 2º, da Lei 11.079/04, o contrato poderá prever o aporte de recursos em favor do parceiro privado para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis, desde que autorizado no edital de licitação, se contratos novos, ou em lei específica, se contratos celebrados até 8 de agosto de 2012. Como o contrato pretendido será firmado em 2023, conclui-se que será necessária autorização no edital para que seja possível tal aporte de recursos. Gabarito: C Questão 30. O Município Alfa pretende celebrar consórcio público com o Município Beta. No entanto, os gestores dos respectivos municípios possuem dúvidas acerca desse tipo de contratação. Por isso, contratam você, como advogado, para melhor esclarecer alguns questionamentos. Você informa, corretamente, aos prefeitos de Alfa e Beta, que o pretendido consórcio público: a) Poderá ter a União como sua participante, sendo formado por 3 entes: União, Município Alfa, e Município Beta. b) Será constituído de contrato cuja celebração dependerá de prévia subscrição do contrato de rateio. c) Deve observar as normas de direito público no que concerne à contratação de pessoal, que obedecerá ao regime estatutário. d) Dispensará a ratificação do protocolo de intenções para o Município Alfa se, antes de subscrever o protocolo, tal ente disciplinar por lei a sua participação no consórcio público. Comentário Longo A questão trata dos Consórcios Públicos, disciplinados pela Lei 11.107/2005. Vejamos alguns aspectos. Inicialmente, importante mencionar que A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados. Em outras palavras, aplicando-se ao caso concreto narrado, não é possível a formação de consórcio apenas com a União, o Município Alfa e o Município Beta, pois para que a União participe, é necessário que o(s) estado(s) do(s) qual(is) estes municípios façam parte também esteja(m) no consórcio. Tudo isso conforme artigo 1º, § 2º, da Lei 11.107/05: Art. 1º Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum e dá outras providências. (...) § 2º A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados. Ademais, indispensável que o aluno saiba o teor do artigo 3º da Lei 11.107/05: Art. 3º O consórcio público será constituído por contrato cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções. Ou seja, a subscrição será do protocolo de intenções, e não do contrato de rateio. Ainda, conforme artigo 5º, § 4º, da Lei 11.107/05, será dispensado da ratificação do protocolo de intenções o ente da Federação que, antes de subscrever o protocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público. Aplicando-se ao caso concreto,é possível que, tanto o Município Alfa quanto o Município Beta tenham dispensada a ratificação do protocolo de intenções se, antes de subscrever o protocolo, o ente 38 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 disciplinar por lei a sua participação no consórcio público: Art. 5º O contrato de consórcio público será celebrado com a ratificação, mediante lei, do protocolo de intenções. (...) § 4º É dispensado da ratificação prevista no caput deste artigo o ente da Federação que, antes de subscrever o protocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público. Por fim, mencione-se que, na forma do artigo 6º, § 2º, da Lei 11.107/05 o consórcio deverá observar as normas de direito público para contratação de pessoal, o qual será regido pelo regime celetista, e não pelo regime estatutário: Art. 6º. (...) § 2º O consórcio público, com personalidade jurídica de direito público ou privado, observará as normas de direito público no que concerne à realização de licitação, à celebração de contratos, à prestação de contas e à admissão de pessoal, que será regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Letra A INCORRETA Conforme artigo 1º, § 2º, da Lei 11.107/05, não é possível a formação de consórcio apenas com a União, o Município Alfa e o Município Beta, pois para que a União participe, é necessário que o(s) estado(s) do(s) qual(is) estes municípios façam parte também esteja(m) no consórcio. Letra B INCORRETA Segundo artigo 3º da Lei 11.107/05, o consórcio público será constituído por contrato cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções. Letra C INCORRETA De acordo com artigo 6º, § 2º, da Lei 11.107/05, o consórcio público observará as normas de direito público no que concerne à admissão de pessoal, que será regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Letra D CORRETA Conforme artigo 5º, § 4º, da Lei 11.107/05, será dispensado da ratificação do protocolo de intenções o ente da Federação que, antes de subscrever o protocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público. Comentário Curto Conforme artigo 5º, § 4º, da Lei 11.107/05, será dispensado da ratificação do protocolo de intenções o ente da Federação que, antes de subscrever o protocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público. Gabarito: D Questão 31. Gésio é servidor público de órgão federativo e responde judicialmente por crime de abuso de autoridade. Temendo uma condenação Gésio procura você, como advogado, a fim de receber orientação. Sabendo que Gésio é reincidente em crime de abuso de autoridade, é correto afirmar: a) Havendo a condenação de Gésio, ele poderá ser obrigado a indenizar os danos, que eventualmente tenha cometido ao ofendido, devendo o juiz, de ofício, fixar na sentença o valor mínimo para reparação. b) Em razão de Gésio ser reincidente em crime de abuso de autoridade, ele poderá ser declarado inabilitado para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 7 (sete) anos. c) Poderá Gésio perder o cargo, mandato ou função pública, ainda que não seja reincidente em crime de abuso de autoridade. d) Para que Gésio sofra os efeitos de inabilitação ou perda do cargo, além de restar configurado a reincidência, deverá ser declarado na sentença, para que se cumpra os efeitos, não sendo aplicados de forma automática. Comentário Longo Para resolver o problema do enunciado é necessário expor o disposto no art. 4º, da Lei 13.869/2019, que dispõe sobre crimes de abuso de autoridade, vejamos: Art. 4º São efeitos da condenação: 39 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos; II - a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos; III - a perda do cargo, do mandato ou da função pública. Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos II e III do caput deste artigo são condicionados à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e não são automáticos, devendo ser declarados motivadamente na sentença. Nesse sentido, considerando que o enunciado traz a informação de que Gésio é reincidente na prática de crime de abuso de autoridade é possível concluir que havendo nova condenação, Gésio sofrerá os seguintes efeitos: 1. Obrigação de indenizar os danos causados ao ofendido, pela prática do crime. Nesse caso, por requerimento do ofendido, o Juiz, poderá fixar o valor mínimo para reparação de danos na sentença. 2. Constatando a reincidência de Gésio, esse poderá ser declarado inabilitado para o cargo ou função pública por período de 1 (um) a 5 (cinco) anos, além disso, conforme o caso, estará sujeito a perda do cargo, mandato ou função pública. Para que isso ocorra é necessário restar configurado sua reincidência em crime de abuso de autoridade, bem como ser declarado na sentença a motivação, não sedo esses efeitos automáticos. Letra A INCORRETA A alternativa está em desacordo ao disposto no art. 4º, inciso I, da Lei 13.869/2019, havendo a condenação de Gésio, ele poderá ser obrigado a indenizar os danos, que eventualmente tenha cometido ao ofendido, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação. Letra B INCORRETA A alternativa está em desconformidade ao art. 4º, parágrafo único da lei 13.869/2019, pois pelo fato de Gésio ser reincidente, havendo a sua condenação em novo processo de crime de abuso de autoridade, ele poderá sofrer o efeito do disposto no inciso II, do referido artigo, qual seja, a declaração de inabilitado para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos. Letra C INCORRETA A alternativa está incorreta, vez que não segue o disposto no art. 4º, parágrafo único da lei 13.869/2019, vez que para que seja aplicado o inciso III, do referido artigo, o sujeito deverá ser reincidente em crime de abuso de autoridade. Letra D CORRETA A alternativa está em conformidade ao disposto no art. 4º, parágrafo único da lei 13.869/2019. Comentário Curto O enunciado da questão pede a alternativa correta, conforme se depreende no art. 4º, parágrafo único da lei 13.869/2019, para que haja inabilitação ou perda do cargo, além de restar configurado a reincidência, deverá ser declarado na sentença, para que se cumpra os efeitos, não sendo aplicados de forma automática. Gabarito: D Questão 32. Alfredo é servidor público de órgão federativo e foi indiciado pelo seu superior hierárquico por cometer atos ilícitos em função pública. O processo administrativo está em tramitação e a autoridade instauradora tomou conhecimento de que Alfredo estaria, supostamente, influenciando possíveis testemunhas sobre o caso. A certa disso está correto: a) A autoridade instauradora poderá determinar o afastamento de Alfredo pelo prazo de até 30 dias. b) O afastamento de Alfredo prejudicará a percepção de sua remuneração. c) Alfredo poderá ser afastado para que não venha a influir na apuração de irregularidade. 40 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 d) Caso Alfredo seja afastado das funções do cargo, como medida cautelar, o afastamento não poderá ser prorrogado. Comentário Longo A questão deverá ser respondida com base no art. 147 da Lei 8.112/90, que disciplina o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, vejamos: Art. 147. Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridadeinstauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da remuneração. Parágrafo único. O afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, findo o qual cessarão os seus efeitos, ainda que não concluído o processo. Conforme se depreende é plenamente cabível o afastamento do servidor público indiciado, como medida cautelar, para que ele não venha influenciar na apuração de irregularidades. O afastamento é determinado, conforme o caso, pela autoridade instauradora do processo disciplinar, podendo ocorrer o afastamento por até 60 (sessenta) dias. Esse prazo poderá ser prorrogado, por igual período. Um fato importante se dá que nessa hipótese de afastamento a remuneração do servidor não poderá ser afetada, ou seja, o servidor será afastado sem prejuízo a sua remuneração. Isso acontece, pois, o afastamento do servidor é interesse da administração pública, para que o processo disciplinar ocorra sem interferências, portanto, o servidor tem direito de receber sua remuneração. Letra A INCORRETA Conforme art. 147, caput, da Lei da Lei 8.112/90, que disciplina o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas, o servidor poderá ser afastado, como medida cautelar, determinada pela autoridade instauradora do processo, pelo prazo de 60 (sessenta) dias. Letra B INCORRETA Conforme previsão do art. 147, caput, da Lei da Lei 8.112/90, que disciplina o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas, a remuneração do servidor afastado não será prejudicada, vez que o afastamento se configura interesse público. Letra C CORRETA Conforme art. 147, caput, da Lei da Lei 8.112/90, que disciplina o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas. Letra D INCORRETA Conforme art. 147, caput, da Lei da Lei 8.112/90, que disciplina o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas, o afastamento determinado anteriormente pela autoridade instauradora do processo poderá ser prorrogado por igual período. Comentário Curto Conforme art. 147, caput, da Lei da Lei 8.112/90, que disciplina o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas, é plenamente cabível o afastamento do servidor público indiciado, como medida cautelar, para que ele não venha influenciar na apuração de irregularidades, por até 60 (sessenta) dias, podendo este prazo ser prorrogado, sem prejuízo a sua remuneração. Gabarito: C Direito Ambiental André Rocha Questão 33. A indústria farmacêutica XYZ deseja instalar uma nova filial em um terreno que se localiza na divisa entre dois estados da Federação. O Advogado da empresa, especializado em Direito Ambiental, entra com o pedido de licenciamento no órgão responsável por licenciar esse tipo de empreendimento. Segundo as disposições legais e normativas a respeito do licenciamento ambiental no Brasil e com base nos preceitos da Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei nº 6.938/1981, assinale a posição do 41 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 órgão responsável por esse licenciamento dentro da estrutura do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). a) Órgão executor. b) Órgão consultivo e deliberativo. c) Órgão seccional. d) Órgão local. Comentários Gabarito: A Primeiramente, era preciso identificar qual o órgão deve licenciar esse tipo de empreendimento. Como são dois estados envolvidos e que são impactos pelo empreendimento, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) é que deverá licenciar, nos termos do art. 7º, XIV, "e", da Lei Complementar nº 140/2011. Num segundo momento, era preciso lembrar da estrutura do SISNAMA, e que o IBAMA, assim como o ICMBio, é órgão executor do Sistema. O órgão consultivo e deliberativo é o CONAMA; os órgãos seccionais são os executores estaduais; e os órgãos locais são os executores municipais. Questão 34. O advogado Sr. Sócrates recebeu um e-mail de uma emissora de televisão local que solicitava uma opinião técnica a respeito de um projeto de lei municipal. Tal projeto previa a aplicação de multas para os proprietários de veículos automotores que emitissem fumaça acima de padrões considerados aceitáveis. Considerando que o advogado respondeu corretamente à emissora, pode-se dizer que ele afirmou que: a) Segundo o art. 24 da Constituição Federal, compete à União, Estados e Distrito Federal legislar concorrentemente a respeito de controle da poluição, não havendo competência municipal para tal. b) Compete privativamente à União legislar sobre política urbana, conforme previsto pelo art. 22 da Constituição Federal, motivo pelo qual o projeto poderá ser considerado inconstitucional. c) O projeto está dentro da normalidade, pois, segundo o art. 30, I, da Constituição Federal, é competência dos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local. d) O projeto é constitucional, pois é competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios legislar sobre poluição ambiental, nos termos do art. 23 da Constituição Federal. Comentários Gabarito: C Lembre-se que o art. 24 da Constituição Federal não inclui os municípios na competência concorrente de legislar sobre tais temas, apenas a União, os Estados e o DF. Todavia, há que dizer que o STF já considerou constitucional lei municipal que preveja a aplicação de multas para os proprietários de veículos automotores que emitem fumaça acima de padrões considerados aceitáveis (RE 194704/MG). Nessa decisão, portanto, ressaltou-se que o município tem competência para legislar sobre meio ambiente e controle da poluição quando se tratar de interesse local. Com efeito, o art. 30 determina ser competência dos municípios legislar sobre assuntos de interesse local, bem como promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano, além de promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. Direito Civil Paulo Sousa Questão 35. Victor tem 16 anos e acabou de ser emancipado pelos pais, tendo em vista que pretende viajar pelo Brasil a fim de se tornar jogador de futebol profissional. Há três meses ele está jogando no time Só Campeões, sendo o artilheiro que marcou mais gols entre as doze partidas que jogara. Ressentido com o sucesso do amigo, Natanael, vizinho de infância de Victor, resolve publicar em um outdoor o nome do jogador com a seguinte mensagem: “Victor, além de jogador, abandonou os pais, os amigos e banca seus luxos através de atividades ilícitas”. Ao saber da situação, Victor ficou furioso, pois sabe que sempre trabalhou honestamente e nunca deixou de visitar e amparar os pais e os amigos. Sobre o caso é correto afirmar que: 42 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 A) O nome de Victor não pode ser usado por Natanael em publicação vexatória, vez que fere direito de personalidade, sendo passível de indenização civil. B) O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, mas poderá ser utilizado caso não haja intenção difamatória. C) Caso Natanael tivesse utilizado o nome de Victor para fazer propaganda comercial, não necessitaria de sua autorização, vez que a propaganda lhe traria fama e apreço. D) Caso Natanael tivesse utilizado na publicação um apelido em que Victor é conhecido, não haveria ferimento ao direito de personalidade, excluindo-se a responsabilidade civil. Comentário Longo Análise do Caso A questão versa sobre nome. Observe que na questão, o “amigo”de Victor está ressentido e, por isso, resolve tratá-lo com desprezo em publicação. Segundo o Art. 17 do CC, o nome goza de proteção jurídica, tendo em vista se tratar de direito de personalidade. Portanto, Natanael não poderia publicar falácias envolvendo o nome e a imagem do jogador, vez que é expressamente proibido o uso do nome em publicações que elencam ao desprezo público. Tendo em vista que Natanael utilizou o nome a imagem do jogador para desprezá-lo publicamente, deverá ser responsabilizado civilmente, nos moldes do Arts. 186 e 927, ambos do CC. Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Gabarito: A Letra A A alternativa está correta, vez que Natanael não poderá utilizar o nome de Victor em publicações que lhe traga desprezo público, nos termos do Art. 17 do CC. Letra B A alternativa está incorreta, pois mesmo não havendo intenção difamatória, o nome não poderá ser utilizado em publicações, conforme Art. 17 do CC. Letra C A alternativa está incorreta, vez que Natanael não poderia utilizar o nome de Victor sem autorização para fazer propaganda comercial, conforme preceitua o Art. 18 do CC. Letra D A alternativa está incorreta, pois o pseudônimo tem a mesma proteção que se dá ao nome, segundo expressa o Art. 19 do CC. Comentário Curto Natanael não pode utilizar o nome de Victor em publicações que lhe tragam desprezo público, conforme Art. 17 do CC. Gabarito: A Questão 36. Maria Eduarda deseja construir a mansão dos seus sonhos. Agora que acabou de ser aprovada na OAB e já está atendendo diversos clientes em sua advocacia cível, pretende passar uns meses em um hotel para que a sua casa seja reformada conforme o planejamento feito por seu engenheiro de confiança. Ao demolir a residência, Maria Eduarda, pediu para que os prestadores de serviço reintegrassem todas as janelas que foram retiradas da casa, realocando os materiais na mansão. De acordo com o exposto, é correto afirmar que: A) As janelas retiradas provisoriamente da casa para depois serem reintegradas são consideradas bens móveis. 43 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 B) As janelas retiradas provisoriamente da casa para depois serem reintegradas são consideradas bens consumíveis. C) As janelas retiradas provisoriamente da casa para depois serem reintegradas são consideradas bens imóveis. D) As janelas retiradas provisoriamente da casa para depois serem reintegradas são consideradas bens incorpóreos. Comentário Longo Análise do Caso A questão versa sobre bens imóveis. Ao ler o enunciado, deve-se atentar para os detalhes expostos na questão, isto é, Maria Eduarda deseja fazer reforma em sua casa e, para isso, pediu para que os responsáveis pela obra reintegrassem as janelas que seriam retiradas para os reparos. Para tanto, mesmo que tenham sido removidos, os materiais serão considerados como bens imóveis, vez que irão se reintegrar ao bem principal, conforme expõe redação do Art. 81 do CC. Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis: I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Gabarito: C Letra A A alternativa está incorreta, vez que mesmo sendo retiradas da casa, as janelas serão reintegradas, fato que não retira a qualidade de bens imóveis, conforme Art. 81 do CC. Letra B A alternativa está incorreta, vez que as janelas são consideradas bens inconsumíveis por suportar reiterados usos, Art. 86 do CC. Letra C A alternativa está correta, pois os materiais desintegrados da casa para nele se reintegrarem são considerados bens imóveis. Art. 81 do CC. Letra D A alternativa está incorreta, vez que as janelas são consideradas bens corpóreos por possuírem existência física. Comentário Curto Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis: I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Gabarito: C Questão 37. Mariana é brasileira e trabalha como consultora de moda na Avenue Champs-Élysées em Paris, ela sempre trabalhou com peças de alta costura, tais como: Armani, Dior e Chanel. Certo dia, Mariana estava andando pelas ruas de Copacabana quando viu um anúncio de um desfile de moda de uma marca desconhecida e resolveu acompanhar os modelos de roupas e bolsas que estavam na exposição. Ao perceber que havia uma figura pública no desfile, Arthur, um dos responsáveis pelas costuras apresentadas, ofereceu para Mariana algumas bolsas, contudo, a consultora disse que não estava interessada e pediu o contato de Arthur para que pudesse contatá-lo depois. Inconformado com a recusa de Mariana, Arthur apontou-lhe um canivete afiado e disse baixinho para ela que se não assinasse o contrato de compra das bolsas ele iria atrás de seus familiares que estavam hospedados no hotel X, além de invadir as suas redes sociais. Inconformada e com medo da situação, Mariana assinou o contrato de compra de dez bolsas no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais). Após a realização do negócio jurídico, Mariana entrou em contato com sua assessoria jurídica e explicou todo o ocorrido. Diante disso, é correto afirmar que: A) O negócio jurídico realizado entre Arthur e Mariana é perfeito e não poderá ser desfeito. B) O negócio jurídico realizado entre Arthur e Mariana poderá ser desfeito devido à presença de erro. C) O negócio jurídico realizado entre Arthur e Mariana poderá ser desfeito devido à presença de coação. D) O negócio jurídico realizado entre Arthur e Mariana poderá ser desfeito devido à presença de lesão. 44 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Comentário Longo Análise do Caso A questão versa sobre defeitos do negócio jurídico: coação. Tendo em vista que Mariana foi forçada a comprar as bolsas sob iminente ameaça, o negócio jurídico está eivado de vício, isto é, coação. Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Gabarito: C Letra A A alternativa está incorreta, vez que o negócio jurídico poderá ser anulado por possuir defeito denominado como coação. Art. 151 do CC. Letra B A alternativa está incorreta, vez que o defeito do negócio jurídico presente ao caso é a coação. Art. 151 do CC. Erro: Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Coação: Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Letra C A alternativa está correta, vez que o caso apresenta defeito do negócio jurídico conhecido como coação. Mariana foi ameaçada para comprar as bolsas, sendo coagida pelo vendedor. O negócio jurídico poderá ser anulado no prazo decadencial de 4 anos. Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal queárvore: 13.2) INCORRETA Nos termos do Art. 63, §2º, do EAOAB, o candidato deve comprovar situação regular perante a OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum, não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver, e há mais de 5 (cinco) anos, nas eleições para os demais cargos. Portanto, somente se exige o exercício efetivo da profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver. Já para os demais cargos, o tempo exigido é de mais de 5 (cinco) anos. Letra C (item árvore: 13.2) CORRETA A assertiva está no sentido da literalidade do Art. 65 do EAOAB aponta que: “O mandato em qualquer órgão da OAB é de três anos, iniciando-se em primeiro de janeiro do ano seguinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal. ” Letra D (item árvore: 13.2) INCORRETA O Art. 64 do EAOAB, aponta que se consideram eleitos os candidatos integrantes da chapa que obtiver a maioria dos votos válidos. Portanto, não há o que se falar em 2º turno das eleições para os cargos da OAB. Comentário Curto A questão abordou a temática das eleições e dos mandatos na OAB, e nos termos do art. 65, do EAOAB, o mandato em qualquer órgão da OAB é de três anos, iniciando-se em primeiro de janeiro do ano seguinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal. Assim, a alternativa “c” é a correta e gabarito da questão. Gabarito: C Questão 03. Júlio, acadêmico do curso de direito, apresentará em seu trabalho de conclusão de curso, o seguinte tema: “ Ordem dos Advogados do Brasil: fins e organização”. Como julgador da banca que irá analisar o TCC de Júlio, assinale a alternativa que representa corretamente a informação trazida em seu trabalho. A) A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma unitária. B) A OAB por ser uma entidade da administração pública indireta, mantém com órgãos da Administração Pública vínculo funcional e hierárquico. C) A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras, tem por finalidade defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos e a justiça social, cabendo somente ao Poder Judiciário, defender a boa aplicação das leis. D) A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem por finalidade, promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. Comentário Longo A questão testou conhecimento do aluno sobre fins e organização elencados no EAOAB. Vejamos o disposto no EAOAB: ‘’Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade: I - defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas; II - promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. § 1º A OAB não mantém com órgãos da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou hierárquico. § 2º O uso da sigla OAB é privativo da Ordem dos Advogados do Brasil.’’ Dessa forma, nos termos do art. 44, inciso II, do EAOAB, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem por 7 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 finalidade, promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. Letra A (item árvore: 13.1) INCORRETA Conforme art. 44 do EAOAB, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa. Não há o que se falar em forma unitária, mas sim federativa. Letra B (item árvore: 13.1) INCORRETA Alternativa completamente errada, conforme Art. 44, parágrafo primeiro, do EAOAB: “A OAB não mantém com órgãos da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou hierárquico.” Letra C (item árvore: 13.1) INCORRETA Conforme Art. 44, do EAOAB, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade: I - defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. Portanto, também é finalidade da OAB, pugnar pela boa aplicação das leis. Letra D (item árvore: 13.1) CORRETA Nos termos do Art. 44, do EAOAB, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade: II - promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. Comentário Curto A questão testou conhecimento do aluno sobre fins e organização elencados no EAOAB. Neste sentido, destaca-se o teor do art. 44, do EAOAB: “A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade: I - defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas; II - promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. § 1º A OAB não mantém com órgãos da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou hierárquico. § 2º O uso da sigla OAB é privativo da Ordem dos Advogados do Brasil.’’ O art. 44, inciso II, do EAOAB, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem por finalidade, promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. A assertiva “d” é a correta e o gabarito da questão. Gabarito: D Questão 04. Antônio, recém-formado em direito, prestou exame de ordem e com a aprovação, iniciou a sua carreira como advogado, muito preocupado com as condutas éticas e disciplinares de sua profissão. Logo, resolveu relembrar os deveres que todo advogado deverá obedecer, sob pena de estar infringindo o Código de Ética e Disciplina dos Advogados. Assinale a alternativa que corresponde a um dever do Advogado. A) Aquele advogado influente, deverá utilizar de sua influência, mesmo que indevida, desde que seja em benefício do cliente. B) Contratar honorários advocatícios em valores aviltantes. C) Desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica. D) Atuar com temor, dependência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa-fé. 8 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Comentário Longo A questão abordou acerca das deveres e abstenções que os advogados deverão ter em suas condutas. A questão misturou os conceitos trazidos no Código de Ética e Disciplina da OAB, vejamos o disposto no art. 2º do CED: “Art. 2º O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e garantias fundamentais, da cidadania, da moralidade, da Justiça e da paz social, cumprindo-lhe exercer o seu ministério em consonância com a sua elevada função pública e com os valores que lhe são inerentes. Parágrafo único. São deveres do advogado: I – preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando pelo caráter de essencialidade e indispensabilidade da advocacia; II – atuar com destemor,incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: I – no caso de coação, do dia em que ela cessar; Letra D A alternativa está incorreta, vez que o defeito presente ao caso é a coação. Art. 151 do CC. Lesão: Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 1º Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. § 2º Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. Coação: Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Comentário Curto O defeito do negócio jurídico presente ao caso é a coação. Gabarito: C Questão 38. Isabel formulou contrato de empréstimo de R$15.000,00 (quinze mil reais) com Rafaela, Maurício, Patrick e Gustavo, havendo cláusula expressa sobre o caráter solidário da dívida entre os devedores. Ao decorrer dos meses, Isabel acabou se aproximando de Gustavo e após alguns encontros os dois iniciaram um relacionamento amoroso. Devido a tal fato, a fim de beneficiar o namorado, Isabel exonerou Gustavo da solidariedade. Passadas algumas semanas, Rafaela tornou-se insolvente, não possuindo condições de arcar com suas dívidas, inclusive a devolução do valor do mútuo pactuado com Isabel. Preocupada com a situação, a credora ajuizou ação para receber os valores devidos. Após ser citado, Patrick pagou pela dívida integral e agora deseja reaver os valores dos demais codevedores. Sobre o caso, é correto afirmar que: 45 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 A) Patrick poderá exigir de Maurício e Gustavo a parte incumbida à Rafaela, tendo em vista a insolvência da devedora. B) Patrick poderá exigir apenas de Maurício a parte incumbida à Rafaela, vez que Gustavo foi exonerado da solidariedade. C) Patrick não poderá exigir a dívida de nenhum dos codevedores, haja vista que pagou a dívida por livre e espontânea vontade. D) Isabel não pode aceitar o pagamento de apenas um dos devedores, vez que a obrigação tem caráter solidário. Comentário Longo Análise do Caso A questão versa sobre solidariedade passiva. No caso em comento deve ser levado em conta duas informações muito importantes: exoneração e a insolvência dos codevedores. Para tanto, mesmo que Gustavo seja exonerado da solidariedade, deverá responder pela quota-parte de Rafaela, conforme dispõe os Arts. 283 e 284 do CC. Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os codevedores. Art. 284. No caso de rateio entre os codevedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente. Gabarito: A Letra A A alternativa está correta, vez que todos deverão responder pela dívida de Rafaela (insolvente), inclusive Gustavo que foi exonerado da solidariedade. Art. 283 e 284, ambos do CC. Letra B A alternativa está incorreta, vez que Patrick poderá exigir de Maurício e Gustavo a parte incumbida à Rafaela, conforme art. 284 do CC. Letra C A alternativa está incorreta, vez que mesmo pagando a totalidade da dívida incumbida aos codevedores, Patrick poderá exigir a quota-parte dos demais, sendo que a parte de Rafaela deverá ser paga entre todos, inclusive por Gustavo. Letra D A alternativa está incorreta, vez que Patrick poderá solver toda a dívida, possuindo direito de regresso contra os demais codevedores solidários, Art. 275 do CC. Comentário Curto Todos responderão pela parte incumbida à devedora insolvente, Arts. 283 e 284, ambos do CC. Gabarito: A Questão 39. Carla e Rebeca são melhores amigas desde a infância. Quando completaram 15 anos começaram um relacionamento amoroso. Após dois anos, as duas ficaram noivas e resolveram se casar. Ocorre que, os pais de Rebeca nunca concordaram com o relacionamento sob o pretexto de que a filha era nova demais para namorar, dizendo expressamente que não iriam autorizar o casamento. Sobre a pretensão, é correto afirmar que: A) Rebeca necessitará de suprimento judicial para poder se casar, tendo em vista a recusa dos pais. B) A idade núbil é de 14 anos. C) O casamento gera emancipação de menores absolutamente incapazes. D) Rebeca não necessitará de suplemento judicial, vez que é reconhecida juridicamente como relativamente incapaz. Comentário Longo Análise do Caso A questão versa sobre casamento e poder familiar. Tendo em vista que as adolescentes contam com mais de 16 anos (idade núbil), poderão contrair matrimônio. Contudo, como são definidas juridicamente como relativamente incapazes, precisarão da concordância dos pais para que possa haver casamento. Caso não haja concordância para a formação do matrimônio, Rebeca 46 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 poderá pedir autorização judicial, nos termos do parágrafo único dos Arts. 1517 e 1631, ambos do CC. Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil. Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o disposto no parágrafo único do art. 1.631. Art. 1.631. Durante o casamento e a união estável, compete o poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o outro o exercerá com exclusividade. Parágrafo único. Divergindo os pais quanto ao exercício do poder familiar, é assegurado a qualquer deles recorrer ao juiz para solução do desacordo. Gabarito: A Letra A A alternativa está correta, vez que não havendo a concordância dos pais, Rebeca poderá pedir suprimento judicial, nos termos dos Arts. 1517 e 1631, parágrafo único, ambos do CC. Letra B A alternativa está incorreta, vez que a idade núbil é de 16 anos, conforme caput do art. 1517 do CC. Letra C A alternativa está incorreta, vez que o casamento gera a emancipação de menores relativamente incapazes e a idade núbil é de dezesseis anos, conforme Arts. 5, parágrafo único, inciso II e 1517, ambos do CC. Letra D A alternativa está incorreta, vez que mesmo sendo relativamente incapaz, Rebeca ainda está sob o poder familiar dos pais e necessita do consentimento para contrair matrimônio, Arts. 1.517 e 1.630, ambos do CC. Comentário Curto Tendo em vista que está sob o poder familiar dos pais, Rebeca necessitará de autorização judicial para casar-se. Arts. 1.517 e 1.631 do CC. Gabarito: A Questão 40. Larissa pactuou contrato de compra e venda com Laércio, cujo objeto contratual tratava-se de uma bicicleta motorizada no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), a data final para o pagamento seria dia 12/06/2022. Uma semana antes do prazo final para o adimplemento da obrigação, Larissa ainda não havia adquirido o valor total e estava preocupada, vez que nunca deixara de cumprir com sua responsabilidade. Após algumas horas pensando sobre o que faria para não ficar inadimplente, Larissa lembrou que havia ganhado um cavalo avaliado em R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) de um de seus tios. Sobre o caso, é correto afirmar que: A) Larissa poderá oferecer o cavalo como pagamento de sua obrigação, mas Laércio terá que consentir com a prestação diversa. B) Larissa não poderá entregar o cavalo para cumprir com a obrigação, vez que não pode oferecerforma diferente da que fora pactuada em contrato para solver a dívida. C) Laércio é obrigado a receber prestação diversa, tendo em vista que é de seu interesse o adimplemento da obrigação. D) Laércio só poderá ser obrigado a receber o cavalo se o animal tiver sido avaliado acima do valor devido pela obrigação, tendo em vista que se trata de prestação diversa da que fora pactuada em contrato. Comentário Longo Análise do Caso A questão fala sobre Dação em pagamento. Tendo em vista que as partes pactuaram contrato de compra e venda cujo objeto de pagamento deveria ser dinheiro, contudo, levando-se em conta que a devedora não possuía a quantia, mas possuía um cavalo com o mesmo valor da obrigação, Larissa poderá oferecer o animal como dação em pagamento para adimplir a dívida, devendo haver o consentimento do credor em receber a prestação diversa da que fora pactuada. Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. Gabarito: A Letra A 47 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 A alternativa está correta, vez que Laércio poderá consentir em receber prestação diversa da que fora pactuada, chamando-se tal ato jurídico de dação em pagamento, conforme Art. 356 do CC. Letra B A alternativa está incorreta, vez que Larissa poderá oferecer outra forma de pagamento para o credor, mas ele deverá consentir sobre o recebimento da prestação diversa. Arts. 313 e 356 do CC. Letra C A alternativa está incorreta, vez que Laércio não é obrigado a receber prestação diversa da que fora pactuada, ainda que mais valiosa, conforme Art. 313 do CC. Letra D A alternativa está incorreta, vez que Laércio não é obrigado a receber prestação diversa, mesmo que mais valiosa, conforme Art. 313 do CC. Comentário Curto Larissa poderá oferecer coisa diversa para o pagamento da dívida, contudo, o credor deverá consentir com o recebimento da prestação, conforme Art. 356 do CC. Denominando-se dação em pagamento. Gabarito: A Questão 41. Gabriel é apaixonado por animais, desde pequeno estuda sobre as raças e temperamentos de cães e gatos. Certo dia, foi até um abrigo de cães e resolveu adotar um pitbull. O animalzinho ficava livre na varanda de casa, mas os portões do imóvel eram sempre muito bem cerrados para que o cachorro não pudesse fugir. Certa noite, Gabriel saiu para um churrasco na casa de seu namorado e não fechou completamente o portão da garagem, deixando-o entreaberto. Ao ver que tinha acesso para a rua, o pitbull saiu correndo para fora do imóvel e acabou encontrando Matheus que passava pela calçada. De pronto e sem motivo, o animal sentiu-se ameaçado pelo homem e atacou-lhe na perna, fato que ocasionou graves ferimentos. O cachorro só soltou o corpo do indivíduo quando algumas pessoas apareceram para separar. Após o infortúnio, os vizinhos acionaram o SAMU para que fossem prestados os primeiros socorros. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta: A) Gabriel não será responsável pelos prejuízos ocasionados pelo ataque do pitbull, vez que não estava presente no momento do fato. B) Matheus foi o responsável pelo ataque, vez que assustou o pitbull quando passava pela calçada. C) O dono do abrigo de cães é o verdadeiro responsável pelos danos, vez que não alertou Gabriel acerca do comportamento agressivo da raça pitbull. D) O dono do animal responderá pelos danos ocasionados, eximindo-se apenas se comprovar culpa da vítima ou força maior. Comentário Longo Análise do Caso A questão versa sobre responsabilidade civil: dono do animal. Levando-se em conta que Gabriel é o dono do pitbull, ele deverá ser responsabilizado pelo ataque do animal, tendo em vista que assumiu o risco quando deixou o portão da garagem entreaberto. Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Gabarito: D Letra A A alternativa está incorreta, vez que mesmo não estando presente no momento do ataque, Gabriel foi o responsável por deixar o portão entreaberto, além de ser o dono do animal, Art. 936 CC. Letra B A alternativa está incorreta, pois Matheus não teve a intenção de assustar o pitbull, o animal estranhou a figura do homem que passava pela calçada e o atacou, causando-lhe graves ferimentos. Por isso, tendo em vista que não houve culpa da vítima, o dono do animal deverá responder pelo evento danoso, Art. 936 do CC. Letra C A alternativa está incorreta, vez que Gabriel é amante de cães e conhece o comportamento temperamental das raças caninas, por isso, tendo em vista que é o dono do animal, deverá responder pelos danos ocasionados, Art. 936 do CC. Letra D 48 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 A alternativa está correta, pois os donos dos animais são responsáveis pelos prejuízos ocasionados por eles, salvo se for comprovada a culpa da vítima ou força maior, conforme Art. 936 do CC. Comentário Curto Gabriel deverá responder pelos danos ocasionados pelo pitbull, vez que é o dono do animal, conforme Art. 936 do CC. Gabarito: D Estatuto da Criança e do Adolescente Géssica Ehle Questão 42. Ariovalda Perez, de 40 anos, é moradora de rua e descobriu recentemente que está grávida de seu sexto filho. Devido a sua condição de vulnerabilidade econômica pensa em entregar seu filho para adoção. Uma vez que Ariovalda procure seus serviços de advocacia, você, acertadamente, poderá orientá-la a: a. buscar pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude a qual irá determinar a suspensão de seu poder familiar e o encaminhamento do recém-nascido à família substituta b. encontrar o pai biológico do bebê para que ambos possam comparecer à audiência e corroborar a intenção de entregar o filho para adoção c. manifestar sua intenção para a interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude, corroborá-la em audiência e aguardar que se localize o genitor, ou membro da família extensa apto a receber a guarda, em 90 (noventa) dias, prorrogável por igual período d. manifestar sua intenção perante à autoridade judiciária que decretará a extinção do poder familiar, mas que Ariovalda fique tranquila, pois poderá se arrepender de tal consentimento em até 30 (trinta) dias da data da prolação da sentença Comentários Gabarito: C Art. 19-A, ECA. a. Errado. A equipe fará apenas a avaliação e apresentará relatório à autoridade judiciária, considerando inclusive os eventuais efeitos do estado gestacional e puerperal, não tendo competência para suspender o poder familiar de Ariovalda. b. Errado. Art. 19-A, § 5º Após o nascimento da criança, a vontade da mãe ou de ambos os genitores, se houver pai registral ou pai indicado, deve ser manifestada na audiência a que se refere o § 1 o do art. 166 desta Lei, garantido o sigilo sobre a entrega. c. Certo. Art. 19-A. § 4 o Na hipótese de não haver a indicação do genitor e de não existir outro representante da família extensa apto a receber a guarda, a autoridade judiciária competente deverá decretar a extinção do poder familiar e determinar a colocação da criança sob a guarda provisória de quem estiver habilitado a adotá-la ou de entidade que desenvolva programa de acolhimento familiar ou institucional. d. Errado. Art. 166, § 5 o O consentimento é retratável até a data da realização da audiência especificada no § 1 o deste artigo, e os pais podem exercer o arrependimento no prazo de 10 (dez) dias, contado da data de prolação da sentença de extinção do poder familiar. Questão 43. Ana da Silva tem 18 anos, é moradora da cidade de Novasfalhas e recentemente decidiu que quer se candidatar ao Conselho Tutelar do município, pois sensibilizou-se com os altos índices de evasão escolar registrados na escola de seu bairro. Ocorre que Ana é conhecida pelos moradores da comunidade como “Ana pinguça”, por transitar habitualmente embriagada e proferindopalavras de baixo calão pelas ruas da cidade. Ao conhecer do apelido que lhe deram, Ana se dirige ao seu escritório de advocacia questionando sobre a possibilidade de ser candidata ao cargo, oportunidade em que você: a. Dir-lhe-á que preenche os requisitos para a candidatura a membro do Conselho Tutelar, pois reside no Município e tem maioridade civil b. Confirmará que, assim que eleita, Ana poderá assumir a questão da evasão escolar, em detrimento dos recursos escolares que pudessem ser empregados pelos dirigentes da escola c. Instruirá Ana a tentar candidatura em outro Município, mesmo que continue residindo em Novasfalhas, para 49 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 que assim seja eleita, uma vez que a comunidade pode não conhecer de seu apelido e comportamento d. Orientará Ana para mude seu comportamento, assuma uma postura moralmente adequada e idônea e aguarde ter mais de 21 anos residindo em Novasfalhas, para que daí possa se candidatar ao cargo. Comentários Gabarito: D a. Errado. Art. 133, ECA. Ana não preenche todos os requisitos, pois não tem 21 anos e tampouco idoneidade moral. b. Errado. Art. 56, II, ECA. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, quando esgotados os recursos escolares. c. Errado. Art. 133, III. ECA. Ana precisa residir no Município. d. Certo. Art. 133, ECA. A alternativa prevê que Ana mude seu comportamento, atingindo reconhecida idoneidade moral e aguarde o decurso do tempo para ter mais de 21 anos, além de permanecer no Município. Direito do Consumidor Igor Maciel Questão 44. Mariana resolveu comemorar seu aniversário na melhor pizzaria da cidade, conhecida como Pizzaria KTudo. No dia anterior ao seu aniversário Mariana entrou em contato com o gerente da pizzaria, a fim de deixar tudo organizado. O gerente mostrou à Mariana o cardápio de comidas e bebidas e orientou sobre a forma de controle de consumo, que seria por meio de comanda. O gerente, ainda, orientou Mariana que em caso de extravio da comanda ela estaria sujeita a aplicação de multa, vez que é de responsabilidade do consumidor cuidar da comanda enquanto estiver dentro do estabelecimento. No dia do evento Mariana recebeu seus convidados, que ficaram surpreendidos com a qualidade da comida e da bebida, porém, ao final Mariana percebeu que a comanda que estava em sua mesa desapareceu. A cerca disto, é correto: a) Mariana terá que pagar multa, vez que o gerente do estabelecimento, previamente, orientou sobre a responsabilidade de cuidar da comanda. b) Será excluída a obrigação de pagar multa, caso Mariana se prontifique em prestar serviços gerias (lavar os pratos) do estabelecimento. c) De acordo com a legislação vigente Mariana não está obrigada a pagar nenhum valor, vez que ante o extravio da comanda, não há como realizar cobranças, estando ela livre de qualquer obrigação. d) Para solução do problema Mariana deve buscar realizar o pagamento daquilo que realmente foi consumido, não sendo legal aplicação de multa, previamente, exigida pelo estabelecimento. Comentário Longo A questão dever ser resolvida sobre o prisma dos art. 39, inciso V e 51, inciso IV, ambos do Código de Defesa do consumidor, vejamos: Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva; Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade; A prática dos estabelecimentos em impor multa ao consumidor que perdeu ou extraviou, ou ainda, teve sua comanda furtada, é caracterizada como indevida, pois tal prática é considerada abusiva e coloca o consumidor em desvantagem exagerada. Nesse sentido, ao se perder a comanda, como é o caso do problema, o consumidor deve tentar solucionar o problema pedindo ao estabelecimento para pagar somente o que se consumiu, vez que é de responsabilidade do estabelecimento comprovar o consumo do cliente, por meio de mecanismos administrativos próprios, câmeras ou sistema de controle computadorizado, por exemplo. Letra A 50 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 INCORRETA Conforme art. 39, inciso V e 51, inciso IV, ambos do Código de Defesa do consumidor. Letra B INCORRETA Essa proposta de acordo é indevida, vez que sujeita o consumidor ao constrangimento. Caso o consumidor seja obrigado a prestar serviços gerais em razão da perda da comanda, em sede judicial poderá pedir indenização por danos morais, fulcro art. 39, inciso V e 51, inciso IV, ambos do Código de Defesa do consumidor. Letra C INCORRETA De acordo com os art. 39, inciso V e 51, inciso IV, ambos do Código de Defesa do consumidor, Mariana deverá pagar efetivamente pelo que se consumiu. Portanto, o fato de perder a comanda não isenta o pagamento integral de todo o consumo. Tal hipótese levaria ao desequilíbrio das relações de consumo. Letra D CORRETA Conforme já explanado de acordo com os art. 39, inciso V e 51, inciso IV, ambos do Código de Defesa do Consumidor é plausível que estabelecimento somente exija o que foi devidamente consumido pela cliente, não sendo possível a cobrança de eventuais multas pela perda da comanda. Comentário Curto Mariana, deverá pagar somente aquilo que efetivamente consumiu dentro do estabelecimento, vez que é de responsabilidade do estabelecimento comprovar o consumo do cliente, por meio de mecanismos administrativos próprios, câmeras ou sistema de controle computadorizado, por exemplo. Portanto, Mariana não poderá ser penalizada com multa pela perda da comanda, em conformidade aos art. 39, inciso V e 51, inciso IV, ambos do Código de Defesa do Consumidor. Gabarito: D Questão 45. Maria Flor adentrou na loja 100% Variedades, a fim de adquirir uma carteira feminina. A loja é popular na cidade e concentra variados artigos para presente, como joias, acessórios femininos e masculinos, cosméticos e utensílios para casa. Ocorre que o espaço físico da loja, ante a grande variedade em produtos, é pequeno e para que haja prejuízos a gerente da loja passou a colocar avisos por toda a parte com a seguinte frase "quebrou, pagou!". Maria Flor ao se deslocar pelos espaços da loja acaba esbarrando em um vazo de flor decorativo, danificando-o. O artigo em razão da queda fica impróprio para a venda. A gerente da loja vendo toda a situação, chamou Maria Flor e disse que ela deverá pagar pelo item quebrado, visto que há avisos por toda a loja nesse sentido. A cerca disto, é correto: a) Maria Flor está obrigada a pagar pelo item quebrado, vez que não teve o cuidado necessário para circular dentro do estabelecimento. b) Maria Flor está obrigada a pagar pelo item, vez que antes de adentrar na loja leu o aviso que continha a seguinte frase "quebrou, pagou!". c) Maria Flor não está obrigada a pagar pelo item, vez que o estabelecimento não ofereceu ao consumidor um ambiente livre de embaraços, estando em desacordo com as normas de segurança. d) Segundo o Código de Defesa do Consumidor, seguindo o princípio do equilíbrio nas relações de consumo, o prejuízo deve ser rateado entre a loja e Maria Flor. Comentário Longo Essa questão deve ser resolvida sobre análise ampla do art. 6º, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor, vejamos: Art. 6º São direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; Portanto, não há respaldo jurídico para a cobrança de itens quebrados pelo consumidor, dentro do estabelecimentocomercial, vez que é dever das lojas oferecerem ambientes que impeçam situações de risco (tropeçar, esbarrar nos itens da loja) e acidentes aos clientes, obedecendo as normas de segurança. 51 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Nesse sentido, considerando que a loja do enunciado apresentava espaço físico inadequado ante a variedade de produtos ofertados, podemos concluir que o estabelecimento proporcionava situações de risco aos consumidores, sendo certo que esses poderiam esbarrar e até mesmo tropeçar nos itens. Sendo assim, ante a falta de respaldo legal para cobrança e somando a obrigação legal das lojas em oferecer ambientes adequados, livres de qualquer embaraço, (art. 6º, inciso I, do CDC). Letra A INCORRETA. Considerando o disposto no art. 6º, inciso I, do Código de Direito do Consumidor, Maria Flor não poderá ser obrigada a pagar pelo item, ante a falta de respaldo jurídico. Letra B INCORRETA. Conforme se depreende ao enunciado da questão a loja criou situações de risco aos consumidores, quando não ofertou um ambiente livre para circulação. Nesse sentido, considerando o disposto no art. 6º, inciso I, do Código de Direito do Consumidor, Maria Flor não está obrigada a pagar pelo item quebrado. Letra C CORRETA. A alternativa está em conformidade ao previsto no art. 6 º, inciso I, do Código de Direito do Consumidor, portanto, devidamente correta. Letra D INCORRETA. A alternativa traz uma situação atípica ao disposto no Código de Direito do Consumido, logo, considerando o enunciado da questão está incorreta. Comentário Curto Considerando que o estabelecimento disposto no enunciado, não se atentou em proporcionar aos clientes um ambiente equilibrado e livre de embaraços aos consumidores, ocasionando situação de risco de acidentes, (tropeços e esbarrões nos itens). Maria Flor não poderá ser obrigada a arcar com o custo do item quebrado, haja vista a situação se enquadra ao disposto no art. no art. 6º, inciso I, do Código de Direito do Consumidor. Gabarito: C Direito Empresarial Alessandro Sanchez Questão 46. De acordo com as disposições do Código Civil de 2002, o registro é instituto complementar do Direito de Empresa. Com relação ao assunto, assinale a alternativa correta. a. Não há óbices para que seja levado a registro e arquivamento o contrato social de sociedade empresária que disponha sobre a possibilidade de alienação do nome empresarial, independentemente da previsão de regramento quanto à possibilidade de utilização do nome empresarial pelo adquirente do estabelecimento em caso de trespasse. b. O ato sujeito a registro não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, ante a inexistência do arquivamento e do efeito de publicidade exigido em lei, não se admitindo exceções. c. As sociedades constituídas para o exercício de profissional intelectual, de natureza científica, vinculam- se ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. d. As pessoas obrigadas a requerer o registro não responderão por perdas e danos em caso de omissão ou demora, ante a natureza iminentemente declaratória do registro empresarial, o que faz com que a situação pretérita ao arquivamento seja reconhecida pelo Direito, nas condições da lei. Comentários Gabarito: C Letra a: errada. Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. Letra b: errada. Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes 52 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Letra c: correta. Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária. Letra d: errada. Art. 1.151, 3o As pessoas obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e danos, em caso de omissão ou demora. Questão 47. Em relação à caracterização, inscrição e capacidade do empresário, dispõe o Código Civil: a. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, no prazo máximo de até 30 dias após o início de suas atividades, sendo que eventuais alterações, serão averbadas à margem da inscrição, no prazo máximo de 15 dias de sua ocorrência. b. Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, um ou mais gerentes, cuja aprovação não exime o representante ou assistente do menor ou do interdito da responsabilidade pelos atos dos gerentes nomeados. c. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário rural, ao pequeno empresário e ao titular de sociedade limitada, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes, desde que o faturamento anual não seja superior a R$ 81.000,00. d. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão parcial de bens, ou no da separação total, e, a sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação podem a qualquer tempo, ser opostos a terceiros. Comentários Gabarito: B Letra a: errada. Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. § 2 º À margem da inscrição, e com as mesmas formalidades, serão averbadas quaisquer modificações nela ocorrentes. Letra b: correta. Art. 975. Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, um ou mais gerentes. §1º Do mesmo modo será nomeado gerente em todos os casos em que o juiz entender ser conveniente. §2º A aprovação do juiz não exime o representante ou assistente do menor ou do interdito da responsabilidade pelos atos dos gerentes nomeados. Letra c: errada. A lei não assegura tal tratamento às sociedades, apenas ao empresário rural e ao pequeno empresário: Art. 970. A lei assegurará tratamento: Favorecido; Diferenciado e Simplificado ao: Empresário rural e ao Pequeno empresário. Quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes. Letra d: errada. Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis. Questão 48. Em relação ao estabelecimento, dispõe o código civil a. O estabelecimento poderá ser virtual, situação em que a sua sede poderá ser integrada pelo endereço de um dos sócios ou do próprio empresário individual. b. A Empresa de pequeno porte não pode utilizar estabelecimento virtual. 53 III. SimuladoOAB 1ª Fase – 28/01/2023 c. É permitida a atribuição à sociedade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. d. A sociedade unipessoal limitada não poderá resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. Comentários Gabarito: A Letra a: Correta Art. 1142, §2º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for virtual, o endereço informado para fins de registro poderá ser, conforme o caso, o endereço do empresário individual ou o de um dos sócios da sociedade empresária. Letra b: errada. Não existe óbice legal. Letra c: errada. A pessoa natural e pessoa jurídica não se confundem. Letra d: errada. A sociedade unipessoal poderá ser alterada em situações de pluripessoalidade. Questão 49. A respeito do registro de empresários e de sociedades, assinale a opção correta. a. As sociedades simples devem ser inscritas no registro público de empresas mercantis, ainda que não exerçam atividade econômica organizada. b. Os empresários devem ser inscritos no registro público de empresas mercantis em razão da natureza meramente intelectual inerente à sua atividade. c. As sociedades simples devem ser inscritas no registro civil de pessoas jurídicas quando exercerem atividades profissionais e intelectuais. d. Os empresários devem ser inscritos no registro civil de pessoas jurídicas, haja vista que exercem atividade econômica organizada. Comentários Gabarito: C Letra a: errada. Art. 998. Nos trinta dias subsequentes à sua constituição, a sociedade deverá requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. Letra b: errada. Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Letra c: correta. “sociedades simples devem ser inscritas no RCPJ quando exercerem atividades profissionais e intelectuais”. Na alternativa B exploramos o significado de elemento de empresa e vimos que, mesmo sendo atividade intelectual, pode ser considerada empresária se constituir elemento de empresa. Assim, seria inscrita no RPEM, e não no RCPJ. Letra d: errada. Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. Questão 50. Em relação à sociedade em comum, dispõe o Código Civil: a. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, respeitado o benefício de ordem, quando for o caso, aquele que contratou pela sociedade, possuindo ou não, poderes específicos de gestão. b. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger -se- á a sociedade, inclusive por ações em organização, pelo disposto em lei, observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade empresária. c. Os bens e dívidas sociais não constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum. d. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de qualquer modo. 54 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Comentários Gabarito: D Letra a: errada. Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade. Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. Letra b: errada. Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade simples. Letra c: errada. Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum. Letra d: correta. Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová- la de qualquer modo. Direito Processual Civil Ricardo Torques Questão 51. De acordo com o Código de Processo Civil, o não comparecimento injustificado do autor na audiência de conciliação importará em: A) Reagendamento da audiência. B) será considerado ato atentatório à dignidade da justiça passível de multa que será revertida em favor da União ou do Estado. C) Litigância de má-fé com possibilidade de multa em favor da parte. D) Ato irregular que poderá ser suprido pela parte no prazo legal. Comentários Gabarito: B A questão traz o conhecimento acerca da consequência do não comparecimento injustificado do autor na audiência de conciliação. Para responder essa questão é necessário conhecimento do art. 334, § 8º, CPC, que preceitua: Art. 334, § 8º O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado. Portanto, o não comparecimento injustificado do autor na audiência de conciliação importa em ato atentatório à dignidade da Justiça, passível de aplicação de multa em favor da União ou do Estado. Desse modo, somente a letra B se encontra correta. Questão 52. De acordo com o Código de Processo Civil, pode-se dizer que não dependem de prova os fatos: A) Notórios; afirmados por uma parte e negados pela parte contrária; admitidos no processo como incontroversos; e fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. B) Notórios; afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; admitidos no processo como incontroversos; e fatos, em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. C) Notórios; afirmados por uma parte e negados pela parte contrária; admitidos no processo como controversos; e fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. D) Notórios; afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; admitidos no processo como controversos; e fatos, em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade Comentários Gabarito: B A questão traz o conhecimento sobre os fatos que não dependem de provas no CPC. Para responder à questão o aluno precisa ter o conhecimento do artigo 374. Art. 374. Não dependem de prova os fatos: I - notórios; 55 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III - admitidos no processo como incontroversos; IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Portanto, a única alternativa que traz a literalidade da lei, é a letra B. Questão 53. Rafael ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais em face da Empresa MAC revendedora de produtos naturais. Na inicial foi alegado que a empresa MAC não enviou os produtos adquiridos pela internet bem como expos Rafael de forma constrangedora e humilhante por ter pago o boleto somente no último dia do vencimento. Citada, a empresa ré deixou de correr o prazo para contestar no prazo legal. Considerando o caso narrado, assinale a alternativa incorreta: A) Se a ré nãocontestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor. B) Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do ato decisório no órgão oficial. C) O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar. D) A revelia produz o efeito se a petição inicial estiver acompanhada de instrumento que a lei considere dispensável à prova do ato; Comentários Gabarito: D A questão exige do aluno o conhecimento dos efeitos da revelia e das regras aplicáveis ao procedimento comum quando o réu é considerado revel, o que está previsto nos artigos 344 a 346 do Código de Processo Civil. A letra A está correta e de acordo com o artigo 344, caput. Art. 344. Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor. A letra B também está correte e está de acordo com o artigo 346, caput. Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do ato decisório no órgão oficial. A letra C e a letra D também estão corretas. Veja o que diz o CPC: Art. 346. Parágrafo único. O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar. Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; E, por fim, a letra E está errada e é o gabarito da nossa questão. Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; Questão 54. Solange ingressou com ação de indenização contra Tyemi. A ação foi julgada procedente. As partes não interpuseram recurso contra a sentença, razão pela qual, após o transcurso do prazo legal, foi certificado o trânsito em julgado. Após 01 (um) ano do trânsito em julgado, quando já havia se iniciado o cumprimento de sentença, Tyemi descobre que a sentença proferida pelo juiz violou manifestamente norma jurídica. Diante desse fato, é correto afirmar sobre a ação rescisória que: A) O direito de Tyemi à rescisão se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em julgado da sentença que julgou procedente a ação de indenização. B) Tyemi poderá propor ação rescisória, porém o cumprimento de sentença não poderá ser suspenso, tendo em vista que não cabe a concessão de tutela provisória nesse procedimento. C) Tyemi poderá propor ação rescisória, devendo depositar a importância de 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, por maioria simples de votos, declarada inadmissível ou improcedente. 56 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 D) Tyemi não poderá propor a ação rescisória com fundamento na manifesta violação de norma jurídica, se a sentença tiver sido baseada em enunciado de súmula. Comentários Gabarito: A A questão requer o conhecimento sobre a ação rescisória prevista nos artigos 966 e seguintes do CPC. Vamos analisar as questões. A letra A é a questão correta e está de acordo com o dispositivo legal. Veja o que diz o Art. 975. O direito à rescisão se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. A letra B está errada, pois a propositura da ação rescisória não impede o cumprimento da decisão rescindenda, ressalvada a concessão de tutela provisória. Art. 969. A propositura da ação rescisória não impede o cumprimento da decisão rescindenda, ressalvada a concessão de tutela provisória. A letra C e a letra D também estão erradas. Art. 968. A petição inicial será elaborada com observância dos requisitos essenciais do art. 319 , devendo o autor: II - depositar a importância de cinco por cento sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente. Art. 966. [...] § 5º Cabe ação rescisória, com fundamento no inciso V do caput deste artigo, contra decisão baseada em enunciado de súmula ou acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a existência de distinção entre a questão discutida no processo e o padrão decisório que lhe deu fundamento. E, por fim, a letra E também está errada pois essa hipótese não está prevista em lei. Art. 968. [...] II - depositar a importância de cinco por cento sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente. Questão 55. Sobre a tutela de urgência, o art. 302 do CPC assim dispõe que: “ Independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa ”, se: Sobre esse tema, assinale a alternativa INCORRETA: A) Obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios necessários para a citação do requerido no prazo de 3 (três) dias. B) A sentença lhe for desfavorável. C) Ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal. D) O juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor. Comentários Gabarito: A A questão versa sobre tutela provisória prevista no CPC, e as respostas estão de previstas na literalidade do artigo 302 que assim dispõe; Art. 302. Independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa, se: I - a sentença lhe for desfavorável; II - obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios necessários para a citação do requerido no prazo de 5 (cinco) dias; III - ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal; IV - o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor. Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos em que a medida tiver sido concedida, sempre que possível. Portanto, a única alternativa que não está em consonância com o dispositivo legal é a letra A. Perceba que o prazo é de 5 dias e não de 3 dias como abordou a alternativa. 57 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Questão 56. Em relação ao cumprimento de sentença e ao processo de execução, marque a alternativa correta: A) No cumprimento de sentença que condene a Fazenda a pagar quantia certa, a Fazenda Pública será citada na pessoa do seu procurador, por carga, remessa ou meio eletrônico, para impugnar em 30 (trinta) dias. B) No caso de cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de entregar coisa, a multa será devida desde o dia em que se configurar o descumprimento da decisão e incidirá enquanto não for cumprida a decisão que a tiver cominado. C) Em sede de impugnação ao cumprimento de sentença, poderá o executado alegar qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que anteriores ao trânsito em julgado da sentença. D) Em sede de embargos à execução, a concessão de efeito suspensivo impede a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens. Comentários Gabarito: B A questão versa sobre o cumprimento de sentença e o processo de execução previstos no CPC. Vamos analisar as alternativas. A letra A está errada, pois no caso a Fazenda Pública será INTIMADA na pessoa de seu representante judicial. Veja o que diz o art. 535, caput, do CPC/15, “a Fazenda Pública será INTIMADA na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir”. A letra B está correta e alternativa transcreve o art. 537, §4º, CPC/15.Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito. § 4º A multa será devida desde o dia em que se configurar o descumprimento da decisão e incidirá enquanto não for cumprida a decisão que a tiver cominado. A letra C está errada. Nos termos do art. 525, VII, CPC/15, na impugnação, o executado poderá alegar qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes ao trânsito em julgado da sentença. E, por fim, a letra D e a letra E também estão erradas. Conforme o art. 919, §5º, CPC/15: Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo. § 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. § 2o Cessando as circunstâncias que a motivaram, a decisão relativa aos efeitos dos embargos poderá, a requerimento da parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada. § 3o Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. § 4o A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao embargante. § 5o A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens. Segundo o art. 679, CPC/15, os embargos poderão ser contestados no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual se seguirá o procedimento comum. 58 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Questão 57. Acerca dos processos nos tribunais e os meios de impugnação das decisões judiciais no Código do Processo Civil, é INCORRRETO afirma que: A) A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. B) Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, não haverá modulação dos efeitos em nenhuma hipótese. C) A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. D) Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando-os por questão jurídica decidida e divulgando-os, preferencialmente, na rede mundial de computadores. Comentários Gabarito: B A alternativa aborda o tema acerca dos processos nos tribunais e os meios de impugnação das decisões judiciais que estão previstos nos artigos 926 e seguintes do CPC. Para responder à questão o aluno precisa ter o conhecimento dos artigos 927 e 928. Vamos analisar as questões. A letra A está correta e de acordo com o artigo 927 §2 °. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: § 2º A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. A letra B está errada e é o gabarito da nossa questão. Art. 927. § 3º Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. A letra C também está correta e traz a literalidade do § 4° do artigo 927. § 4º A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. E, por fim, as letras D e E também estão corretas e de acordo com o texto legal. Art. 927. § 5º Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando-os por questão jurídica decidida e divulgando-os, preferencialmente, na rede mundial de computadores. Art. 928. Para os fins deste Código, considera-se julgamento de casos repetitivos a decisão proferida em: I - incidente de resolução de demandas repetitivas; II - recursos especial e extraordinário repetitivos. Parágrafo único. O julgamento de casos repetitivos tem por objeto questão de direito material ou processual. Direito Penal Cristiano Rodrigues Questão 58. Gabriel, 25 anos, Marcelo, 22 anos, e Leandro, 17 anos, foram denunciados pelos crimes de organização criminosa em concurso material com dois furtos qualificados pelo concurso de agentes, pois, segundo a denúncia, os réus se reuniam constantemente na residência de Marcelo para planejarem a prática de furtos na cidade de Belo Horizonte – MG, sendo reconhecidos pelas vítimas dos crimes de furtos praticados nos dias 10/01/2022 e 16/04/2022. Considerando apenas as informações narradas, a defesa de Gabriel poderá pleitear, sob o ponto de vista técnico, A) quanto ao crime de organização criminosa, a desclassificação para o crime de associação criminosa, e 59 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 quanto ao crime de furto qualificado, a desclassificação para o furto simples. B) a absolvição do crime de organização criminosa, não podendo desclassificar para o crime de associação, tendo em vista que Leandro é inimputável. C) apenas a desclassificação do crime de organização criminosa para o crime de associação criminosa simples e o reconhecimento de concurso formal com demais delitos. D) apenas a desclassificação do crime de organização criminosa para o crime de associação criminosa, com reconhecimento da causa de aumento de pena por envolver adolescente. Comentários Gabarito: D A questão trata da diferença do crime de organização criminosa e de associação criminosa. Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. O crime de associação criminosa, por outro lado, configura quando há a associação de 3 (três) ou mais pessoas para o fim específico de cometer crimes. O crime pode ser classificado como: crime plurissubjetivo ou unissubjetivo. Nesses dois casos (associação criminosa ou organização criminosa), o delito é plurissubjetivo, pois pressupõe para sua configuração a necessidade de uma pluralidade de sujeitos. Trata-se de crime de concurso necessário. A – Incorreta. Não há que desclassificar o furto para a modalidade simples, pois a qualificadora está relacionada com o concurso de pessoas, que ocorreu e pressupõe a participação de 2 pessoas ou mais. B – Incorreta. O menor de 18 anos (adolescente) é computável para preencher esse requisito de número mínimo exigido para configurar o delito de associação criminosa, desde que tenha noção de estar integrando um grupo com finalidades propostas. C – Incorreta. Não se trata de concurso formal. Neste, o agente, através de umaação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Ademais, há reconhecimento da causa de aumento pela participação de criança ou adolescente. D – Correta. Não configura o crime de organização criminosa porque a reunião é de 4 ou mais pessoas, e o enunciado narrou a reunião de 3 pessoas. Ademais, o parágrafo único do artigo 288 prevê expressamente a causa de aumento de pena até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. Questão 59. Mévio foi denunciado pelo crime de furto qualificado porque teria subtraído bens de seu empregador, mediante abuso de confiança. Na sentença, o juiz o condenou a pena de 3 anos de reclusão, mas negou a substituição por pena restritiva de direitos sob o fundamento de que Mévio era reincidente, já que tinha condenação anterior por crime de furto simples e uma contravenção penal. Considerando apenas as informações narradas e a jurisprudência do STJ, é correto afirmar: A) que Mévio faz jus à conversão da pena em restritiva de direito, pois a condenação anterior por furto simples não o torna reincidente específico e porque a condenação por contravenção penal sequer o torna reincidente. B) que Mévio não tem direito à substituição por pena restritiva de direito porque pode ser considerado reincidente específico pelo crime de furto, mas que apenas a condenação pela contravenção penal não impediria a substituição por pena restritiva de direitos. C) que Mévio não tem direito ao benefício da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito, porque possui as duas condenações o tornam reincidente e impedem o benefício. D) que Mévio, apesar de ser reincidente, tem direito à substituição por pena restritiva de direito, pois o que importa é unicamente o fato da pena concretamente fixada no crime ter sido menor que 4 anos de prisão. 60 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Comentários Gabarito: A A questão abrange um importante posicionamento jurisprudencial do STJ sobre a reincidência, que vocês precisam ter conhecimento para evitar qualquer surpresa no exame da OAB. Em 25/08/2021 o STJ firmou posicionamento e considerou que “a reincidência específica tratada no art. 44, § 3º, do Código Penal somente se aplica quando os crimes forem idênticos, e não apenas de mesma espécie, os crimes praticados” (STJ. 3ª Seção. AREsp 1.716.664-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/08/2021 - Info 706). Assim, para o STJ, o que importa para a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito é que o agente não seja reincidente especifico, em crime idêntico. Logo, se for condenado por furto simples e depois novamente por furto simples, não terá direito à substituição. Porém, se foi condenado por crime de furto qualificado e depois por furto simples (ou vice-versa), como não são crimes idênticos, poderá gozar do benefício. Sobre a configuração da reincidência, vejamos a tabela abaixo: CONDENAÇÃO ANTERIOR TRANSITADA EM JULGADO NATUREZA DA INFRAÇÃO PENAL POSTERIOR REINCIDÊNCIA CRIME (no Brasil ou estrangeiro) CRIME Configurada CRIME (no Brasil ou estrangeiro) CONTRAVENÇÃO Configurada CONTRAVENÇÃO (no Brasil) CRIME NÃO CONTRAVENÇÃO (no Brasil) CONTRAVENÇÃO Configurada A – Correta. Conforme entendimento atual do STJ, a reincidência capaz de afastar o benefício da substituição por pena restritiva de direito é aquela “idêntica”, ou seja, no caso do enunciado, somente se o agente viesse a ser condenado por um segundo delito de furto simples. Ademais, a contravenção penal não o torna reincidente quando praticar um segundo delito. B – Incorreta. Conforme a tabela acima, a contravenção não o torna reincidente pelo segundo delito praticado. C – Incorreta, pois a contravenção penal não o torna reincidente quando praticar um segundo delito, conforme comentários dos itens anteriores. D – Incorreta. O art. 44 do CP prevê como requisitos para a substituição por pena restritiva além do fato de não ser reincidente específico, que a pena seja igual ou inferior a 4 anos (e não apenas “inferior”). Questão 60. José, inconformado com o pedido de divórcio de Maria, decide matá-la por vingança. No dia dos fatos, José mira sua arma de fogo em direção à Maria, mas, por ser inexperiente, acabou atingindo Pedro, de 75 anos de idade, que passava pelo local e que faleceu no mesmo instante. Diante desses fatos, é correto afirmar que: A) José não poderá ser denunciado pelo crime de feminicídio, mas sim pelo crime de homicídio contra idoso. B) José agiu em erro na execução e poderá ser denunciado pelo crime de feminicídio qualificado pelo motivo torpe. C) José agiu em erro na execução e deverá ser denunciado pelos crimes de homicídio em concurso material com tentativa de feminicídio. D) José agiu em erro sobre a pessoa e poderá ser denunciado pelo crime de feminicídio, mas sem a qualificadora do motivo torpe, por ser esta incompatível com a natureza jurídica do feminicídio. Comentários Gabarito: B A questão abrange o instituto do erro na execução (Art. 73 CP) e o crime de homicídio qualificado (feminicídio). O feminicídio é uma qualificadora do homicídio e o STJ pacificou o entendimento no sentido de ser a qualificadora do feminicídio de ordem objetiva, logo, compatível com o motivo torpe. A – Errada. Trata-se de hipótese de aberratio ictus (erro na execução, do art. 73 do CP) e o sujeito deve responder 61 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 pelo crime como se houvesse atingido quem pretendesse. Conforme comentário do item “B”. B – Correta. Trata-se de hipótese de aberratio ictus (erro na execução, do art. 73 do CP). Nesse instituto, o agente visa atingir determinada pessoa (no caso, mulher), mas, por erro na execução ou desvio no golpe, atinge uma pessoa diversa da pretendida (um homem). O CP determina que o sujeito responda pelo fato como se houvesse atingido quem pretendesse. C – Incorreta. No caso, estamos diante da figura do erro na execução com resultado único. José não atingiu Maria. O art. 73 do CP prevê duas consequências: - resultado simples ou único: se atinge apenas terceiro. Responde como se tivesse alvejado a vítima pretendida. - Resultado múltiplo ou complexo: se atinge quem pretendia e também terceiro. Nesse caso, responde pelos crimes praticados em concurso formal. D – Incorreta. Não se trata de erro sobre a pessoa. O erro sobre a pessoa tem previsão no art. 20, parágrafo 3º, do CP. Nele, o sujeito, por equivocada identificação da identidade da vítima, atinge pessoa diversa da pretendida. Responde também como se tivesse atingido a vítima pretendida. Questão 61. No dia 04/02/2022, Maria, após chegar em casa e ler uma mensagem de uma mulher no celular de seu companheiro João, decidiu danificar o veículo automotor preferido dele, ateando fogo. No dia seguinte, Maria quebrou o celular e rasgou todas as roupas de João, proferindo, ao mesmo tempo, diversas ameaças de morte. Assustado com as atitudes de Maria, João registrou boletim de ocorrência. Com a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia no dia 25/05/2022 pelos crimes praticados, deixando de oferecer suspensão condicional do processo por superar o mínimo legal. Na resposta à acusação, a defesa alegou e comprovou que João havia perdoado Maria, pois já haviam reatado a união estável duas semanas após a prática do ato. Após a instrução, o juiz proferiu sentença condenatória em desfavor de Maria, fixando a pena acima do mínimo por considerar as agravantes de motivo fútil e da prática de crime contra o cônjuge. Diante do hipotético caso narrado, é correto afirmar que: A) A defesa deverá recorrer para que seja reconhecida a extinção da punibilidade de Maria em razão do perdão concedido por João antes do oferecimento da denúncia. B) A defesa deverá recorrerda sentença objetivando a exclusão da agravante da prática de crime contra o cônjuge, já que não cabe por analogia in malam partem para aplicá-la em situação de união estável C) A defesa nada poderá alegar no caso concreto, pois a pena foi fixada de acordo com os princípios penais e a legislação penal. D) Caberá à defesa demonstrar que a reconciliação equivale à retratação e, portanto, que a punibilidade de Maria está extinta. Comentários Gabarito: B O crime de dano (art. 163 do CP), quando praticado mediante grave ameaça e com emprego de substância inflamável ou explosiva, é processado mediante ação penal pública incondicionada. O CP prevê o processamento por ação penal privada apenas quando o dano é praticado por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima. Na parte geral do CP, o art. 61, II, “a” e “e” prevê, respectivamente, as agravantes por ter o agente praticado o crime por motivo fútil e “contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge”. A – Incorreta. O instituto do perdão como causa extintiva de punibilidade não se aplica aos crimes processados mediante oferecimento de denuncia em ação penal pública incondicionada. B – Correta. A agravante prevista no art. 61, II, “e” não pode ser aplicada por analogia em desfavor da ré, pois João e Maria não eram casados (não são considerados cônjuges), pois conviviam em união estável. C – Incorreta, pois conforme o comentário do item anterior, a defesa poderia recorrer da sentença objetivando a exclusão da agravante do crime praticado contra cônjuge. D – Incorreta. O crime praticado por Maria é de ação penal pública incondicionada, e, portanto, eventual reconciliação do casal não poderá ser considerada como 62 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 retratação para objetivar a extinção da punibilidade de Maria. Questão 62. Tício, objetivando matar seu desafeto Mévio, dirige-se à residência em que ele morava, pula o muro, adentra clandestinamente, e dispara a arma de fogo por três vezes em direção a Mévio, que estava deitado no sofá, vindo atingir todos os tiros em sua cabeça. O Ministério Público ofereceu denúncia pelo crime de homicídio porque na investigação policial, além das provas testemunhais que apontaram a autoria delitiva, havia imagem de segurança juntada aos autos provando o ingresso de Tício à residência de Mévio clandestinamente, com uma arma de fogo na mão. No laudo pericial acostado após o recebimento da denúncia, ficou demonstrado que Mévio havia sofrido um infarto fulminante 1 hora antes da ação de Tício, sendo este a razão de sua morte. Diante desses fatos, a defesa poderá alegar, no que tange ao homicídio, em favor de Tício: A) que o fato é atípico, porque Tício cometeu crime impossível, por ineficácia absoluta do meio. B) que o fato é atípico, porque Tício cometeu crime impossível, por absoluta impropriedade do objeto. C) que o fato é típico, ilícito, mas não culpável, devendo Tício ser isento de pena em razão do erro de proibição indireto. D) que o fato é típico, ilícito, mas não culpável, devendo Tício ser isento de pena em razão do erro de proibição direto. Comentários Gabarito: B A questão abrange a temática do crime impossível (|Art. 17 CP). O crime impossível se verifica quando, por ineficácia absoluta do meio ou por impropriedade absoluta do objeto, o agente atua de forma que jamais ocorrerá a consumação, visto que não há exposição de perigo ao bem jurídico. A consequência quando da sua ocorrência é a exclusão da tipicidade. Ineficácia do meio significa ineficácia quanto ao meio executório utilizado. Ex: arma de brinquedo que é incapaz de deflagrar projéteis. A inidoneidade do meio deve ser analisada no caso concreto, e jamais no abstrato. A impropriedade absoluta do objeto, por outro lado, relaciona-se com pessoa ou coisa a qual recai a conduta. Afere se o objeto poderia sofrer a lesão, ou não, ao tempo da pratica da conduta. Ex: atirar contra um cadáver: um morto não pode ser objeto material de homicídio (impropriedade do objeto). O objeto material é absolutamente impróprio quando inexistente antes do início da prática da conduta ou quando diante das circunstâncias, torna se impossível a consumação. Por fim, lembre-se que a impropriedade e a ineficácia do meio devem ser absolutas, se forem relativas, o agente responderá pela tentativa do crime. Ex: vai atirar em alguém, mas por uma falha mecânica o projétil não sai da arma. Se a perícia concluir que a arma está totalmente quebrada, o meio é absolutamente ineficaz e o fato será atipico. Se constar que ela era apta a disparar tiros, mas suscetível a algumas falhas, a ineficácia do meio é relativa, então o agente responde pela tentativa. A – Incorreta. O meio (arma de fogo) utilizado pelo sujeito era eficaz. No entanto, o material atingido era impróprio (pessoa morta). B – Correta. Conforme explicado, a impropriedade de objeto, por outro lado, relaciona-se com a pessoa ou coisa a qual recai a conduta. Afere se o objeto existia ou não ao tempo da consumação, logo, um cadáver não pode ser objeto material de homicídio (impropriedade do objeto). C – Incorreta. A questão não está relacionada com erro de proibição (Art. 21). O erro de proibição é o desconhecimento de que a conduta realizada é proibida pelo ordenamento jurídico. No enunciado, o agente sabe exatamente o que faz, bem como cabe que sua conduta é ilícita. D – Incorreta, A questão não está relacionada com erro de proibição (Art. 21). O erro de proibição é o desconhecimento de que a conduta realizada é proibida pelo ordenamento jurídico. 63 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Questão 63. Durante uma festa de final de ano, os funcionários da empresa “x” realizaram um amigo secreto. Marcela, diretora executiva da empresa, teria presenteado o estagiário Lucas com um relógio de marca, de valor elevado. Caio, advogado da empresa, presenteou Victor com um relógio da mesma marca, porém, de valor muito inferior. Como os dois relógios estavam embalados em sacolas idênticas da marca, Victor, ao se despedir da festa, pega o presente de Caio, por engano. Caio, em seguida, ao procurar seu relógio e não o encontrar, acreditou ter sido vítima de furto. Por essa razão, Caio dirigiu-se à Delegacia de Polícia e registrou boletim de ocorrência. No dia posterior, ao perceber o engano, Victor dirigiu-se espontaneamente à Delegacia de Polícia e afirmou que o relógio estava consigo. Nessa situação hipotética, a conduta de Victor caracterizou: A) erro de tipo incriminador. B) arrependimento posterior. C) erro de proibição evitável. D) crime impossível. Comentários Gabarito: A A questão trata de típico exemplo de erro de tipo incriminador (Art. 20 caput CP), que não se confunde com os demais institutos elencados nas alternativas. A – Correta. Erro de tipo é o equívoco acerca de um dos elementos constitutivos do tipo penal. No caso narrado, Victor incorreu em erro sobre o tipo realizado, pois subtraiu coisa que não tinha conhecimento que era " alheia". Afastado, portanto, um elemento constitutivo do crime de furto. Ademais, Victor não dirigiu sua conduta no sentido de se assenhorar de coisa alheia (não tinha essa compreensão), o que afasta o dolo de sua conduta. Inexistindo a figura do furto culposo, não há que se falar em responsabilização penal e o fato será atípico. B – Incorreta. O arrependimento posterior (Art.16 CP) ocorre quando o agente, após consumar o delito, arrepende-se e decide reparar o dano. Aqui não se trata de causa excludente da tipicidade, porque o crime persiste, o que se tem é apenas uma causa de diminuição da pena. C – Incorreta. A diferença entre erro de tipo (Art. 20 CP) e erro de proibição (Art. 21 CP) está na percepção da realidade, pois naquele o agente não sabe o que faz, tendo uma visão distorcida da realidade fática, enquanto neste a pessoasabe perfeitamente o que faz, existindo um perfeito juízo sobre tudo o que está se passando, mas há uma errônea apreciação sobre sua proibição, antijuridicidade. D – Incorreta. O crime impossível (Art. 17 CP) se verifica quando, por ineficácia absoluta do meio ou por impropriedade absoluta do objeto, o agente atua de forma que jamais ocorrerá a consumação, visto que não há concreta possibilidade de violação ao bem jurídico. A consequência quando da sua ocorrência é a exclusão da tipicidade do fato. Direito Processual Penal Ivan Luís Marques Questão 64. Adolfo foi flagrado portando 25 gramas de maconha. Como decidiu se manter em silêncio em seu interrogatório policial, o delegado optou por indiciar o preso por tráfico de drogas, até ter melhores detalhes da imputação. A respeito das regras de competência da Lei de Drogas (Lei n. 11.343/2006), indique a alternativa correta sobre as possibilidades no caso de Adolfo: A) Se a droga tivesse sido importada por ele, a transnacionalidade do delito de tráfico de drogas deslocaria a competência para a Justiça Federal, mas não em caso de futura exportação. B) Se a droga tivesse como destino outro Estado da Federação, a competência seria da Justiça Federal. C) Se Adolfo estivesse no contexto do tráfico privilegiado de drogas, sofreria os rigores da equiparação com a hediondez e seria julgado em Vara Especializada de Crime Organizado. D) Se ficasse comprovado que a droga era para consumo pessoal, Adolfo seria julgado no Juizado Especial Criminal. Comentários Gabarito: D Lei 11.343/2006. Art. 48. O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste Título rege-se pelo disposto neste Capítulo, aplicando-se, subsidiariamente, 64 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 as disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal. § 1º O agente de qualquer das condutas previstas no art. 28 desta Lei, salvo se houver concurso com os crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, será processado e julgado na forma dos arts. 60 e seguintes da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais. Questão 65. Nelson atropela Rubens, causando-lhe lesões corporais de natureza grave. O acidente aconteceu porque Nelson estava conduzindo o seu veículo automotor e, com o veículo em movimento, trocando mensagens por aplicativo de celular. Com o chegada da polícia ao local, foi possível sentir o odor de álcool vindo da fala do motorista, o que levou o policial a pedir um exame de etilômetro, cujo resultado foi positivo para a ingestão de álcool em limites não permitidos. Diante da lesão corporal culposa no trânsito qualificada pela embriaguez, responda: A) Mesmo se condenado a uma pena inferior a 4 anos, não será possível substituir a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. B) A ação penal será condicionada à representação de Rubens. C) Se Rubens aceitar uma compensação financeira, tal composição dos danos civis gerará a renúncia ao direito de representação. D) Nelson terá direito à porposta de transação penal por ser um crime culposo. Comentários Gabarito: A Art. 312-B. Aos crimes previstos no § 3º do art. 302 e no § 2º do art. 303 deste Código não se aplica o disposto no inciso I do caput do art. 44 do Decreto-Lei n º 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). (Incluído pela Lei nº 14.071, de 2020) Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos neste Código, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este Capítulo não dispuser de modo diverso, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber. § 1o Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência; Questão 66. Após ser definitivamente condenado a uma pena de 9 anos em regime fechado por roubo com emprego efetivo de arma de fogo, Luciano foi surpreendido ao chegar no presídio com a informação de que seria obrigado a fornecer saliva para o cadastro do seu DNA. A respeito do perfil genético dos condenados, responda: A) É direito do preso a recusa em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético, por força do princípio constitucional que veda a autoincriminação. B) O condenado por qualquer crime, será submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, relativizando-se o “nemo tenetur se detegere”. C) Esse pefil genético poderá ser utilizado em investigações futuras, mesmo contra a vontade do condenado. D) Em caso de irmãos gêmeos, será possível o uso da amostra com o fim de permitir a identificação pelo perfil genético, estando autorizadas, nesse caso exclusivo, a prática de busca familiar. Comentários Gabarito: C Art. 9º-A. O condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) § 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012) § 5º A amostra biológica coletada só poderá ser utilizada para o único e exclusivo fim de permitir a 65 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 identificação pelo perfil genético, não estando autorizadas as práticas de fenotipagem genética ou de busca familiar. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) § 7º A coleta da amostra biológica e a elaboração do respectivo laudo serão realizadas por perito oficial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) § 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) Questão 67. A respeito da tutela específica da mulher em situações de violência territorial, familiar e afetiva, assinale a alternativa correta tendo como base o entendimento dos Tribunais Superiores sobre a Lei Maria da Penha: A) A coabitação entre autor e vítima mostra-se necessária por força de entendimento jurisprudencial. B) O crime de lesão corporal leve contra a mulher nas situações de gênero será processada mediante ação penal pública condicionada se não houver vulnerabilidade real entre agressor e ofendida. C) Só se admite o princípio da insignificância quando a violência contra a mulher fica na esfera moral ou patrimonial. D) Não se admite a suspensão condicional do processo, mas será cabível, se preenchidos os requisitos da lei, a suspensão condicional da pena. Comentários Gabarito: D A) Súmula 600 do STJ: “Para configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da lei 11.340/2006, lei Maria da Penha, não se exige a coabitação entre autor e vítima” B) Súmula 542, fixando que "a ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada" C) Súmula 589 do STJ: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas. D) Súmula 536 e art. 41 da Lei 11.340 e “A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha”. Questão 68. Fátima, desconfiada de seu marido e motivadaindependência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa-fé; III – velar por sua reputação pessoal e profissional; IV – empenhar-se, permanentemente, no aperfeiçoamento pessoal e profissional; V – contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis; VI – estimular, a qualquer tempo, a conciliação e a mediação entre os litigantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios; VII – desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica; VIII – abster-se de: a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente; b) vincular seu nome ou nome social a empreendimentos sabidamente escusos; c) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a dignidade da pessoa humana; d) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído, sem o assentimento deste; e) ingressar ou atuar em pleitos administrativos ou judiciais perante autoridades com as quais tenha vínculos negociais ou familiares; f) contratar honorários advocatícios em valores aviltantes. IX – pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetivação dos direitos individuais, coletivos e difusos; X – adotar conduta consentânea com o papel de elemento indispensável à administração da Justiça; XI – cumprir os encargos assumidos no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil ou na representação da classe; XII – zelar pelos valores institucionais da OAB e da advocacia; XIII – ater- se, quando no exercício da função de defensor público, à defesa dos necessitados.” Letra A (item árvore: 6.1) INCORRETA Na verdade, o advogado deverá abster-se de utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente, conforme art. 2º, VIII, “a”, do CED. Letra B (item árvore: 6.1) INCORRETA Nos termos do Art. 2º, parágrafo único, do CED, são deveres do advogado abster-se de contratar honorários advocatícios em valores aviltantes. Letra C (item árvore: 6.1) CORRETA Alternativa correta, cobrou a literalidade da lei, vejamos o disposto no art. 2º, VII, do CED: “Art. 2º: Parágrafo único. São deveres do advogado: VII – desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica.” Letra D (item árvore: 6.1) INCORRETA O advogado deverá atuar com destemor e independência, conforme art. 2º, II, do CED. Comentário Curto O Art. 2º, do CED, dispõe que o advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e garantias fundamentais, da cidadania, da moralidade, da Justiça e da paz social, cumprindo-lhe exercer o seu ministério em consonância com a sua elevada função pública e com os valores que lhe são inerentes. Ademais, o parágrafo único, do supracitado artigo retrata os deveres do advogado: I – preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando pelo caráter de essencialidade e indispensabilidade da advocacia; II – atuar com destemor, independência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa-fé; III – velar por sua reputação pessoal e profissional; 9 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 IV – empenhar-se, permanentemente, no aperfeiçoamento pessoal e profissional; V – contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis; VI – estimular, a qualquer tempo, a conciliação e a mediação entre os litigantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios; VII – desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica; VIII – abster-se de: a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente; b) vincular seu nome ou nome social a empreendimentos sabidamente escusos; (NR)2 c) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a dignidade da pessoa humana; d) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído, sem o assentimento deste; e) ingressar ou atuar em pleitos administrativos ou judiciais perante autoridades com as quais tenha vínculos negociais ou familiares; f) contratar honorários advocatícios em valores aviltantes. IX – pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetivação dos direitos individuais, coletivos e difusos; X – adotar conduta consentânea com o papel de elemento indispensável à administração da Justiça; XI – cumprir os encargos assumidos no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil ou na representação da classe; XII – zelar pelos valores institucionais da OAB e da advocacia; XIII – ater-se, quando no exercício da função de defensor público, à defesa dos necessitados. Dessa forma, é um dever do advogado desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica. Logo, a assertiva “c” é a correta e gabarito da questão. Gabarito: C Questão 05. A advogada Maria foi procurada para o patrocínio em uma determinada demanda. Em conversa com seu cliente, explicou que a sua relação de advogada com seus clientes, são pautadas sempre pela honestidade e transparência, primando pelos bons costumes, pela ética e pela moral. Disse ainda que irá informar o cliente, de forma clara e inequívoca, quanto a eventuais riscos da sua pretensão, e das consequências que poderão advir da demanda. Após a conversa, o cliente acabou contratando Maria. Sobre relações do advogado com o cliente, elencadas no Código de Ética e Disciplina da OAB, assinale a alternativa correta: A) O advogado não deve deixar ao abandono ou ao desamparo as causas sob seu patrocínio, sendo recomendável que, em face de dificuldades insuperáveis, aguente até o fim do processo. B) O advogado não é obrigado a aceitar a imposição de seu cliente que pretenda ver com ele atuando outros advogados, nem aceitar a indicação de outro profissional para com ele trabalhar no processo. C) É permitido ao advogado funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente. D) Mesmo que concluída a causa ou arquivado o processo, não presume o cumprimento e a cessação do mandato. Comentário Longo A questão versa sobre as relações do advogado com cliente, constantes no Código de Ética e Disciplina da OAB, mais precisamente nos artigos 13, 15, 24 e 25. Neste sentido, destaca-se os seguintes preceitos do CED: Concluída a causa ou arquivado o processo, presume- se cumprido e extinto o mandato. O advogado não deve deixar ao abandono ou ao desamparo as causas sob seu patrocínio, sendo recomendável que, em face de dificuldades insuperáveis ou inércia do cliente quanto a providências que lhe tenham sido solicitadas, renuncie ao mandato. O advogado não se sujeita à imposição do cliente que pretenda ver com ele atuando outros advogados, nem fica na contingência de aceitar a indicação de outro profissional para com ele trabalhar no processo. 10 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 É defeso ao advogado funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente. Logo, a assertiva “b” é a correta e gabarito da questão. Letra A (item árvore: 6.1) INCORRETA Nos termos do art. 15, do CED, o advogado não deve deixar ao abandono ou ao desamparo as causas sob seu patrocínio, sendo recomendável que, em face de dificuldades insuperáveis ou inércia do cliente quanto a providências que lhe tenham sido solicitadas, renuncie ao mandato. Letra B (item árvore: 6.1) CORRETA A alternativa cobrou a literalidade da lei do artigo 24, do CED, no seguinte sentido: “O advogado não se sujeita à imposição do cliente que pretenda ver com ele atuando outros advogados, nem fica na contingência de aceitar a indicação de outro profissional para com ele trabalhar no processo.”. Letra C (item árvore: 6.1) INCORRETA Nos termos do art. 25, do CED, é defeso ao advogado funcionar no mesmopor ciúmes, decide abrir uma correspondência que chegou na residência do casal enquanto Fábio, seu esposo, estava no trabalho. A correspondência comprovou que Fábio tinha duas famílias e estava em situação de bigamia. Indignado com a violação de sua privacidade, Fábio denuncia sua esposa na delegacia pelo crime de violação de correspondência (Pena: detenção, de um a seis meses, ou multa). A respeito da peculiar situação: A) Fátima não pratica crime nesse caso, por força da escusa absolutória. B) A prova não poderá ser utilizada para comprovar a bigamia, por ser ilícita. C) Caso a denúncia do promotor seja rejeitada, caberá recurso em sentido estrito. D) Caberá acordo de não persecução penal, nesse caso, pois a vítima é do gênero masculino. Comentários Gabarito: B Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. Questão 69. Em um processo muito complexo, com divergências entre juiz e as partes, Márcio ao final é condenado pelo magistrado a uma pena de 6 anos. A defesa interpõe o recurso correto, mas este é denegado pelo juiz. Inconformado com a decisão judicial, outro recurso é interposto mas também não é aceito pelo juiz. Por fim, a defesa interpõe um terceiro recurso. Os recursos utilizados pela defesa foram, respectivamente: A) Habeas corpus, Embargos de declaração e Carta testemunhável. B) RESE, Carta testemunhável e Emabargos infringentes. 66 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 C) Apelação, Carta testemunhável e habeas corpus. D) Apelação, RESE e Carta testemunhável. Comentários Gabarito: D Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular; Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: XV - que denegar a apelação ou a julgar deserta; Art. 639. Dar-se-á carta testemunhável: I - da decisão que denegar o recurso; Direito do Trabalho Priscila Ferreira Questão 70. Richarlison e a sua empregadora, o restaurante Peixe na Telha, pretendem, reciprocamente, por acordo, colocar fim ao contrato de trabalho que não chegou a completar 1 ano. Nessa situação, levando-se em consideração que o saldo na conta vinculada do FGTS do empregado conta com R$ 2.000,00, que seu último salário é de R$ 1.800,00, e que o aviso prévio será indenizado, com base no que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, Richarlison receberá A) R$ 900,00 de aviso prévio, R$ 400,00 de multa do FGTS, podendo sacar até R$ 1.600,00 do FGTS depositado. B) R$ 900,00 de aviso prévio, R$ 400,00 de multa do FGTS, podendo sacar até R$ 1.000,00 do FGTS depositado. C) R$ 1.440,00 de aviso prévio, R$ 640,00 de multa do FGTS, podendo sacar até R$ 1.600,00 do FGTS depositado. D) R$ 1.800,00 de aviso prévio, R$ 600,00 de multa do FGTS, podendo sacar até R$ 1.000,00 do FGTS depositado. Comentários A: Certa – Nos termos do art. 484-A, da CLT, quando há a dissolução do contrato por mútuo consentimento (distrato), a empresa deverá pagar ao trabalhador apenas com 50% do aviso prévio (se indenizado), 50% da multa indenizatória do FGTS, férias + 1/3 e 13º salário, não havendo, nesse caso, direito ao recebimento do seguro desemprego. B: Errada – Nos termos do art. 484-A, da CLT, quando há a dissolução do contrato por mútuo consentimento (distrato), a empresa deverá pagar ao trabalhador apenas com 50% do aviso prévio (se indenizado), 50% da multa indenizatória do FGTS, férias + 1/3 e 13º salário, não havendo, nesse caso, direito ao recebimento do seguro desemprego. C: Errada – Nos termos do art. 484-A, da CLT, quando há a dissolução do contrato por mútuo consentimento (distrato), a empresa deverá pagar ao trabalhador apenas com 50% do aviso prévio (se indenizado), 50% da multa indenizatória do FGTS, férias + 1/3 e 13º salário, não havendo, nesse caso, direito ao recebimento do seguro desemprego. D: Errada – Nos termos do art. 484-A, da CLT, quando há a dissolução do contrato por mútuo consentimento (distrato), a empresa deverá pagar ao trabalhador apenas com 50% do aviso prévio (se indenizado), 50% da multa indenizatória do FGTS, férias + 1/3 e 13º salário, não havendo, nesse caso, direito ao recebimento do seguro desemprego. Comentário longo A questão abordou a temática da rescisão do contrato de trabalho por mútuo consentimento (distrato). E, neste sentido, dispõe os ditames celetista que: ‘‘Art. 484-A. O contrato de trabalho PODERÁ ser extinto por ACORDO entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas: I - por metade: a) o aviso prévio, se indenizado; e Aviso Prévio - indenizado: 50% (último salário é de R$ 1.800,00 / 2) então será R$900,00 do Aviso Prévio b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no§ 1º do Art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990;(20%) FGTS 40% (será pela metade ou seja 20%) = (FGTS de R$ 2.000,00 * 20% = R$400,00) II - na integralidade, as demais verbas trabalhistas. § 1º A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta vinculada do 67 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I-A do Art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) do valor dos depósitos.’’ Logo, se o último salário do empregado é de R$ 1.800,00 e o Aviso Prévio foi indenizado: o Aviso Prévio é R$ 900,00, ou seja, 50% de R$ 1.800,00. Se a multa de 40% do FGTS é diminuída para a metade (20%), e ele tem R$ 2.000,00 de FGTS: a Multa do FGTS é R$ 400,00, ou seja, 20% de 2.000 reais. E se o saldo na conta vinculada do FGTS do empregado conta com R$ 2.000,00 e ele só pode mover 80% disso: Possibilidade de Saque é R$ 1.600,00, ou seja, 80% de R$ 2.000,00. Comentário Curto Nos termos do art. 484-A, da CLT, quando há a dissolução do contrato por mútuo consentimento (distrato), a empresa deverá pagar ao trabalhador apenas com 50% do aviso prévio (se indenizado), 50% da multa indenizatória do FGTS, férias + 1/3 e 13º salário, não havendo, nesse caso, direito ao recebimento do seguro desemprego. Assim, a assertiva "A" é a correta e gabarito da questão. Questão 71. Astride trabalha na empresa C.A.S.A. Construções Ltda., que tem os mesmos sócios das empresas Bom Gosto Distribuidora de Alimentos Ltda. e Autoposto Roda Bem Ltda.. Sabe-se que Astride foi dispensada e não recebeu suas verbas rescisórias. Nesse caso, A) a mera identidade de sócios não caracteriza grupo econômico, sendo necessário, para a sua configuração, que Astride tenha trabalhado em favor de todas as empresas. B) apesar de estar configurado o grupo econômico, tendo em vista que todos os requisitos legais estão presentes, a responsabilidade solidária dos seus integrantes não abrange as verbas rescisórias, que somente podem ser cobradas do efetivo empregador. C) considerando que, em razão da identidade de sócios, existe grupo econômico, todas as empresas são responsáveis solidárias pelo pagamento das verbas rescisórias de Astride. D) a mera identidade de sócios não caracteriza grupo econômico, sendo necessária, para a configuração do mesmo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes. Comentários A: Errada: Nos termos do artigo 2º, parágrafo terceiro, da CLT, não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do Interesse integrado, a efetiva Comunhão de interesses e a Atuação conjunta das empresas dele integrantes. B: Errada – Nos termos do artigo 2º, parágrafo terceiro, da CLT, não caracteriza grupo econômico a meraidentidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do Interesse integrado, a efetiva Comunhão de interesses e a Atuação conjunta das empresas dele integrantes. C: Errada – Nos termos do artigo 2º, parágrafo terceiro, da CLT, não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do Interesse integrado, a efetiva Comunhão de interesses e a Atuação conjunta das empresas dele integrantes. D: Certa – Nos termos do artigo 2º, parágrafo terceiro, da CLT, não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do Interesse integrado, a efetiva Comunhão de interesses e a Atuação conjunta das empresas dele integrantes. Comentário longo Conforme prevê o §3º do art. 2º da CLT, não há caracterização do grupo econômico apenas pela mera identidade de sócios entre as empresas, sendo necessária a demonstração de: a) interesse integrado; b) a efetiva comunhão de interesses; c) a atuação conjunta das empresas integrantes. Assim, configurado o grupo econômico, a responsabilidade pelas verbas trabalhistas será solidária, conforme dispõe o Art. 2º, §2º, CLT: Art. 2º, §2º, CLT: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica 68 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. Dessa forma, no caso de Astride, a mera identidade de sócios não caracteriza grupo econômico, sendo necessária, para a configuração do mesmo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes. Comentário Curto Nos termos do artigo 2º, parágrafo terceiro, da CLT, não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do Interesse integrado, a efetiva Comunhão de interesses e a Atuação conjunta das empresas dele integrantes. Assim, a assertiva "D" é a correta e gabarito da questão. Questão 72. Neymar, empregado bancário, trabalha como escriturário em agência situada na cidade de Cascavel. O contrato escrito, celebrado entre empregado e empregador, contém cláusula que prevê a possibilidade de transferência do empregado para qualquer agência do território nacional. O empregado recebeu ordem escrita de transferência, devendo apresentar-se na agência da cidade de Paranaguá, para prestar os mesmos serviços, por um período de seis meses, sendo que no documento não há qualquer menção da necessidade que levou o empregador a alterar o local de trabalho. Considerando as disposições legais, Neymar A) não está obrigado a aceitar a transferência pois, sendo a mesma provisória, a ordem de transferência deveria indicar o valor do adicional de transferência que o empregador pretende pagar. B) está obrigado a aceitar a transferência porque trata- se de transferência provisória, com duração inferior a um ano, não sendo exigível a comprovação de real necessidade de serviço e nem de pagamento de adicional de transferência. C) está obrigado a aceitar a transferência, tendo em vista que há cláusula expressa em seu contrato de trabalho prevendo tal possibilidade. D) não está obrigado a aceitar a transferência porque, mesmo havendo cláusula expressa em seu contrato de trabalho prevendo a sua possibilidade, é necessário que esta decorra de real necessidade de serviço. Comentários A: Errada: Nos termos do art. 469, ''caput'' e parágrafo primeiro da CLT, ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. Ademais, não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. B: Errada – Nos termos do art. 469, ''caput'' e parágrafo primeiro da CLT, ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. Ademais, não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. C: Errada – Nos termos do art. 469, ''caput'' e parágrafo primeiro da CLT, ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. Ademais, não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. D: Certa - Nos termos do art. 469, ''caput'' e parágrafo primeiro da CLT, ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando 69 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. Ademais, não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. Comentário longo Nos termos do art. 469, ''caput'', da CLT, ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. Ademais, nos termos do art. 469, parágrafo primeiro, da CLT, observa-se que: “Não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço.” Assim, o empregado não está obrigado a aceitar a transferência porque, mesmo havendo cláusula expressa em seu contrato de trabalho prevendo a possibilidade, torna-se necessário que esta decorra de real necessidade de serviço, requisito este presente na Súmula n. 43, do TST. Comentário Curto Nos termos do art. 469, ''caput'' e parágrafo primeiro da CLT, ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. Ademais, não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. Assim, o empregado não está obrigado a aceitar a transferência porque, mesmo havendo cláusula expressa em seu contrato de trabalho prevendo a possibilidade, torna-se necessário que esta decorra de real necessidade de serviço, requisito este presente na Súmula n. 43, do TST. A assertiva "D" é a correta e gabarito da questão. Questão 73. Em razão de desentendimentos decorrentes de ordens com as quais não concordou, Martinelli ficou bastante alterado e passou a proferir diversas agressões verbais ao dono da empresa, que é seu chefe, agredindo a sua honrae a boa fama. O dono da empresa revidou, proferindo um soco em Martinelli, o que lhe causou ferimentos, conforme provas judiciais. Em razão da situação, o empregador decide dispensar Martinelli. Com a rescisão do contrato de trabalho o empregador deve pagar a Martinelli as seguintes verbas trabalhistas: A) saldo de salários, férias vencidas, férias proporcionais, 13° salário proporcional, aviso prévio e indenização pela dispensa. B) saldo de salários, férias vencidas, 50% das férias proporcionais, 50% do 13° salário proporcional, 50% do aviso prévio e 50% da indenização que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador. C) saldo de salários, férias vencidas, 50% das férias proporcionais, 50% do 13° salário proporcional e 50% do aviso prévio, não sendo devida indenização pela dispensa em razão da justa causa praticada. D) saldo de salários e férias vencidas, tendo em vista a justa causa praticada. Comentários A: Errada: Na verdade, essas são as verbas rescisórias devidas em uma DISPENSA SEM JUSTA CAUSA. B: Certa - Nos termos do Art. 484, da CLT, havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. Ademais, a Súmula n. 14 do TST, garante que reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (Art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais. C: Errada – Nos termos do art. 484, da CLT, na culpa recíproca é devido 50% da indenização (MULTA FGTS - 20%). D: Errada – Observe que Martinelli proferiu as ofensas, mas o empregador ao invés de demitir imediatamente (justa causa), revidou com um soco e depois resolveu 70 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 dispensar o mesmo, logo, neste caso aplica-se o artigo 484, da CLT (culpa recíproca). Comentário longo O artigo 484, da CLT e a Súmula 14, do TST preceituam, respectivamente, que: ‘‘Art. 484 - Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade.’’ ‘’SÚMULA Nº 14 - CULPA RECÍPROCA Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais.’’ Dessa forma, nos termos do Art. 484, da CLT, havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. Ademais, a Súmula n. 14 do TST preceitua que reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (Art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais. Comentário Curto Nos termos do Art. 484, da CLT, havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. Ademais, a Súmula n. 14 do TST, garante que reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (Art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais. Assim, a assertiva "B" é a correta e gabarito da questão. Questão 74. A sociedade empresária Delta celebrou acordo coletivo com seus empregados, com o objetivo de reduzir o período de férias para 20 dias corridos, bem como para suprimir o adicional noturno, equiparando, assim, a jornada de trabalho noturna com a jornada de trabalho diurna. Tendo em vista as normas sobre o acordo e a convenção coletiva, nessa situação hipotética, o referido acordo é A) inválido, devido ao fato de não ter sido objeto de convenção coletiva, uma vez que ele não foi chancelado pelo sindicato da categoria profissional. B) válido só no que diz respeito à redução do período de férias, já que a legislação veda a supressão do adicional noturno. C) válido só no que diz respeito à supressão do adicional noturno, uma vez que a legislação veda a redução do período de férias. D) inválido, já que há vedação legal referente à supressão ou à redução do período de férias e do adicional noturno. Comentários A: Errada: Nos termos do art. 611-B, incisos VI e XI, da CLT, constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução da remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, e a redução do número de dias de férias devidas ao empregado. B: Errada – Nos termos do art. 611-B, incisos VI e XI, da CLT, constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução da remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, e a redução do número de dias de férias devidas ao empregado. Logo, o acordo é inválido. C: Errada – Nos termos do art. 611-B, incisos VI e XI, da CLT, constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução da remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, e a redução do número de dias de férias devidas ao empregado. Logo, o acordo é inválido. D: Certa - Nos termos do art. 611-B, incisos VI e XI, da CLT, constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a 71 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 supressão ou a redução da remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, e a redução do número de dias de férias devidas ao empregado. Comentário longo O art. 611-B da CLT, incluído pela Lei 13.467/2017, estabelece que constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: (...) VI - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; (...) XI - número de dias de férias devidas ao empregado;'' Sendo assim, nos termos do art. 611-B, incisos VI e XI, da CLT, constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução da remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, e a redução do número de dias de férias devidas ao empregado. Logo, o acordo é inválido. Comentário Curto Nos termos do art. 611-B, incisos VI e XI, da CLT, constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução da remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, e a redução do número de dias de férias devidas ao empregado. Assim, a assertiva "D" é a correta e gabarito da questão. Questão 75. – Wandinha é padeira e trabalha em determinada panificadora. A jornada laboral da trabalhadora inicia-se às 4 h e se estende até às 14 h, de segunda-feira à sexta- feira, com trinta minutos de intervalo intrajornada. Aos sábados, ela labora das 9 h às 13 h sem nenhum intervalo. No que se refere à jornada de trabalho e aos períodos de descanso de Wandinha, assinale a opção correta. A) O intervalo intrajornada estará regular, desde que haja acordo individual, assinado pela empregada, que autorize a redução do intervalo mínimo. B) A supressão do intervalo intrajornada de Wandinha deverá ser paga e esse pagamento terá natureza jurídica de hora extra. C) Wandinha não fará jus ao recebimento de adicional noturno, tendo em vista que sua jornada de trabalho é mista. D) A ausência de intervalo intrajornada aos sábados está de acordo com legislação trabalhista, visto que a jornadade trabalho de Wandinha não excede 4 h. Comentários A: Errada: O intervalo intrajornada poderá ser reduzido em duas hipóteses distintas, quais sejam: I. Houver negociação coletiva prevendo a redução do intervalo para no mínimo 30 minutos; II. Em segundo plano também se poderá reduzir o intervalo para no mínimo 30 minutos, jornadas acima de seis horas, quando houver prévia autorização do Ministério do Trabalho, os empregados não estiverem laborando em regime de horas extraordinárias e, por fim, o estabelecimento tiver atendido as exigências legais, entre elas, a de ter um refeitório organizado. B: Errada – A indenização do intervalo refere-se a uma verba de natureza indenizatória, logo, não salarial, como se observa nas horas extras. C: Errada – Nos termos do § 4º do artigo 73 da CLT, o período noturno deverá ser remunerado com o respectivo adicional, quando tratar-se de jornada mista. D: Certa - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 horas. Quando o dia de trabalho tiver menos de 6 horas de duração e mais de 4 horas, como em uma jornada parcial, o intervalo intrajornada passa a ser de apenas 15 minutos. Já quando o empregado trabalha menos de 4 horas por dia, a legislação não obriga o empregador a conceder um período para refeição ou descanso, o que torna a alternativa correta. Comentário longo Inicialmente, tome nota no disposto no art. 71, da CLT: ''Art. 71 - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou 72 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. § 1º - Não excedendo de 6 (seis) horas o trabalho, será, entretanto, obrigatório um intervalo de 15 (quinze) minutos quando a duração ultrapassar 4 (quatro) horas. § 2º - Os intervalos de descanso não serão computados na duração do trabalho. § 3º O limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição poderá ser reduzido por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o Serviço de Alimentação de Previdência Social, se verificar que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares. § 4o A não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho.'' Assim, pode-se afirmar as seguintes premissas: O intervalo intrajornada somente poderia ser reduzido por acordo individual, caso se tratasse de uma empregada hipersuficiente, o que não se observa no presente caso; A supressão do intervalo intrajornada de Wandinha implicará em indenização do período suprimido, logo, não há pagamento a título de hora extra; O adicional noturno deverá ser pago sobre o labor realizado em período noturno, ainda que se trate de jornada mista; Quando a jornada não exceder a 4 horas diárias, não haverá concessão de intervalo. Comentário Curto Nos termos do art. 71, da CLT, observa-se as seguintes premissas frente as assertivas apresentadas na questão: O intervalo intrajornada somente poderia ser reduzido por acordo individual, caso se tratasse de uma empregada hipersuficiente, o que não se observa no presente caso; A supressão do intervalo intrajornada de Wandinha implicará em indenização do período suprimido, logo, não há pagamento a título de hora extra; O adicional noturno deverá ser pago sobre o labor realizado em período noturno, ainda que se trate de jornada mista; Quando a jornada não exceder a 4 horas diárias, não haverá concessão de intervalo. Assim, a alternativa “D” é a correta e gabarito da questão. Direito Processual do Trabalho Priscila Ferreira Questão 76. Em determinada ação trabalhista em tramite perante a 10ª Vara do Trabalho de São Paulo/SP, anteriormente a sentença, o magistrado concedeu tutela provisória determinando a reintegração imediata da empregada Felismina, a qual encontra-se grávida e ora alega o seu direito de reintegração. Diante da tutela deferida antes da sentença, que medida jurídica você, como advogado(a) da sociedade empresária, adotaria para tentar reverter a situação: a) Recurso Ordinário. b) Agravo de Instrumento. c) Recurso Especial. d) Mandado de Segurança. Comentários A: Errada - A sistemática do Direito Processual do Trabalho impede a interposição de qualquer recurso na fase de conhecimento, razão pela qual fica a parte legitimada a dispor de ação mandamental para deduzir sua pretensão no sentido de ver cessados os efeitos da ordem emanada. B: Errada - A sistemática do Direito Processual do Trabalho impede a interposição de qualquer recurso na fase de conhecimento, razão pela qual fica a parte legitimada a dispor de ação mandamental para deduzir sua pretensão no sentido de ver cessados os efeitos da ordem emanada. C: Errada - A sistemática do Direito Processual do Trabalho impede a interposição de qualquer recurso na fase de conhecimento, razão pela qual fica a parte legitimada a dispor de ação mandamental para deduzir sua pretensão no sentido de ver cessados os efeitos da ordem emanada. 73 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 D: Correta - A impetração de Mandado de Segurança é cabível em face do deferimento de antecipação de tutela pela Autoridade Coatora, antes de prolatada a sentença, conforme entendimento sedimentado no inciso II, da Súmula nº 414 , do C. TST Comentário Longo A impetração de Mandado de Segurança é cabível em face do deferimento de antecipação de tutela pela Autoridade Coatora, antes de prolatada a sentença, conforme entendimento sedimentado no inciso II, da Súmula nº 414 , do C. TST: “II - No caso da tutela antecipada (ou liminar) ser concedida antes da sentença, cabe a impetração do mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio.” Assim, a assertiva “D” é a correta e gabarito da questão. Comentário Curto A impetração de Mandado de Segurança é cabível em face do deferimento de antecipação de tutela pela Autoridade Coatora, antes de prolatada a sentença, conforme entendimento sedimentado no inciso II, da Súmula nº 414 , do C. TST Assim, a assertiva “D” é a correta e gabarito da questão. Questão 77. O processo de Jurisdição voluntária para homologação de acordos extrajudiciais implementa um instrumento que assegura segurança jurídica, por meio da homologação judicial, aos acordos trabalhista no direito individual do trabalhador, inclusive em relação às verbas oriundas da execução e extinção do contrato de trabalho. Sobre o processo de jurisdição voluntária para homologação de acordo extrajudicial, perante a Justiça do Trabalho, A) a petição inicial suspende o prazo prescricional da ação quanto aos direitos decorrentes da relação de trabalho. B) as partes podem ser representadas por advogado comum, desde que pertencente ao sindicato da categoria profissional. C) o mesmo terá início por petição distribuída pelo reclamante interessado, com a notificação da parte contrária para comparecer à audiência de conciliação. D) o referido acordo firmado pelas partes não afasta a aplicação da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devida pela inobservância do prazo de 10 dias contados do término do contrato para o pagamento dos valores rescisórios. ComentáriosA: Errada - Nos termos do art. 855-E, da CLT, a petição de homologação de acordo extrajudicial SUSPENDE o prazo prescricional da ação quanto aos DIREITOS NELA ESPECIFICADOS. B: Errada – Nos termos do art. 855-B, ''caput'', §§ 1º e 2º, da CLT, o processo de Homologação de Acordo Extrajudicial terá início por Petição Conjunta, sendo OBRIGATÓRIA a representação das partes por ADVOGADO. Ainda, as partes NÃO PODERÃO ser representadas por ADVOGADO COMUM. Por fim, FACULTA-SE ao trabalhador ser assistido pelo ADVOGADO do SINDICATO de sua categoria. C: Errada – Nos termos do art. 855-B, ''caput'', da CLT, o processo de Homologação de Acordo Extrajudicial terá início por Petição Conjunta, sendo OBRIGATÓRIA a representação das partes por ADVOGADO. D: Certa - Nos termos do art. 855-C, da CLT, o referido acordo firmado pelas partes não prejudica o prazo estabelecido no § 6 do Art. 477 da CLT e não afasta a aplicação da multa prevista no § 8 Art. 477 da CLT. Comentário longo O artigo 855-B, da CLT, preceitua que: “Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado. § 1o As partes não poderão ser representadas por advogado comum. § 2o Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria. Art. 855-C. O disposto neste Capítulo não prejudica o prazo estabelecido no § 6o do art. 477 desta Consolidação e não afasta a aplicação da multa prevista no § 8o art. 477 desta Consolidação. 74 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Art. 855-D. No prazo de quinze dias a contar da distribuição da petição, o juiz analisará o acordo, designará audiência se entender necessário e proferirá sentença. Art. 855-E. A petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados. Parágrafo único. O prazo prescricional voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão que negar a homologação do acordo.'' Assim, podemos concluir que o referido acordo firmado pelas partes não afasta a aplicação da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, diante da inobservância do prazo de 10 dias para pagamento das verbas rescisórias. Comentário Curto Nos termos do art. 855-C, da CLT, o acordo extrajudicial firmado pelas partes não prejudica a observância do prazo estabelecido no §6º, do Art. 477, da CLT, qual seja, 10 dias para pagamento das verbas. E, em caso de sua inobservância, a multa do artigo 477, parágrafo oitavo, da CLT deverá ser aplicada. Assim, a assertiva "D" é a correta e gabarito da questão. Questão 78. Paquetá ajuizou reclamação trabalhista em desfavor de seu empregador. No dia e hora agendados para a audiência una de conciliação, instrução e julgamento, compareceram Paquetá, seu advogado e o advogado do empregador. Todavia, o empregador não compareceu e nem justificou sua ausência. Com base nessa situação hipotética e em relação às audiências de conciliação, instrução e julgamento, assinale a opção correta. A) Em decorrência da ausência do reclamado, o processo deverá ser arquivado e posteriormente extinto sem resolução de mérito. B) O reclamado será considerado como revel e seu advogado não poderá apresentar contestação. C) Ainda que o reclamado não compareça em audiência, permite-se que o seu advogado apresente contestação. D) Os efeitos da revelia deverão ser aplicados, ainda que o objeto da ação trate-se de direito indisponível. Comentários A: Errada: Nos termos do art. 844, da CLT, o não comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. B: Errada – Nos termos do art. 844, § 5º, da CLT, ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. C: Certa – Nos termos do art. 844, § 5º, da CLT, ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. D: Errada - Nos termos do art. 844, § 4º, inciso II, da CLT, a revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se o litígio versar sobre direitos indisponíveis. Comentário longo Tome nota do disposto na CLT: '' Art. 844 - O não comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. § 4º A revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se: I - havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação: II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. § 5o Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados.'' Assim, o não comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. No entanto, ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na 75 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. Comentário Curto Nos termos do art. 844, parágrafo quinto, da CLT, ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. Assim, a assertiva "C" é a correta e gabarito da questão. Questão 79. Jus Postulandi é uma expressão em latim usada no Direito e significa “direito de postular”, ou “direito de pedir em juízo”. Normalmente, somente os advogados e defensores têm jus postulandi, mas a lei admite exceções. Acerca do jus postulandi na justiça do trabalho, assinale a opção correta. A) O jus postulandi pode ser exercido em varas do trabalho, bem como em recursos de competência dos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST). B) É vedado o exercício do jus postulandi no ajuizamento de mandado de segurança. C) É possível exercer o jus postulandi em processos de execução e em ações cautelares. D) O jus postulandi só pode ser exercido em ações que tramitam pelo procedimento sumaríssimo. Comentários A: Errada - Nos termos da Súmula 425, do TST, o jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. B: Certa – Nos termos da Súmula 425, do TST, o jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. C: Errada – Nos termos da Súmula 425, do TST, o jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. D: Errada - Não há limitação do jus postulandi para o rito sumaríssimo. Nos termos da CLT, aplica-se a todos os ritos dos dissídios individuais, com exceção daqueles trazidos pela Súmula 425 do TST. Comentáriolongo: A Súmula 425, do TST, preceitua que: “O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho.” Assim, conforme expressa previsão sumulada pelo TST, é vedado o exercício do jus postulandi no ajuizamento de mandado de segurança. Comentário Curto: Nos termos da Súmula 425, do TST, o jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. Assim, a assertiva "B" é a correta e gabarito da questão. Questão 80. Inconformada com a sentença que a condenou ao pagamento de verbas rescisórias, a sociedade empresária Alfa protocolou recurso ordinário com o objetivo de ter a decisão reavaliada pelo Tribunal Regional do Trabalho. No entanto, o recurso em comento não foi conhecido, sob a justificativa de ser intempestivo. Considerando a situação hipotética apresentada, e tendo como base o despacho que denegou a interposição do recurso ordinário da reclamada, assinale a opção que corresponde à medida processual adequada ao caso. A) agravo de instrumento, no prazo de 8 dias úteis. B) recurso de revista, no prazo de 8 dias úteis. C) agravo de petição, no prazo de 8 dias. D) embargos de declaração, no prazo de 8 dias. 76 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Comentários A: Certa - Nos termos do art. 897, alínea ''b'', da CLT, cabe agravo de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos, no prazo de 8 (oito) dias. Ademais, o art. 775, da CLT, assegura que os prazos serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. B: Errada – Nos termos do art. 897, alínea ''b'', da CLT, cabe agravo de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos, no prazo de 8 (oito) dias. Ademais, o art. 775, da CLT, assegura que os prazos serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. C: Errada – Nos termos do art. 897, alínea ''b'', da CLT, cabe agravo de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos, no prazo de 8 (oito) dias. Ademais, o art. 775, da CLT, assegura que os prazos serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. D: Errada - Nos termos do art. 897, alínea ''b'', da CLT, cabe agravo de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos, no prazo de 8 (oito) dias. Ademais, o art. 775, da CLT, assegura que os prazos serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. Comentário longo O agravo de instrumento trabalhista é cabível contra decisão que denega seguimento ao recurso de um grau para outro de jurisdição, ou seja, a função do agravo consiste em “destrancar” o recurso que ainda não alcançou a análise pelo órgão superior. Ainda, vale lembrar que o agravo de instrumento trabalhista deve ser interposto no prazo de 08 dias úteis, conforme arts. 775 e 897, ‘’b’’, da CLT, respectivamente:“Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos.” Assim, a medida judicial adequada será a interposição de um agravo de instrumento, no prazo de 8 dias. Comentário Curto Nos termos do art. 897, alínea ''b'', da CLT, cabe agravo de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos, no prazo de 8 (oito) dias úteis. Assim, a assertiva "A" é a correta e gabarito da questão. 77 III. Simulado Inédito OAB 1ª Fase – 28/01/2023 CONHEÇA NOSSOS CURSOS! Curso para a 1ª fase: http://bit.ly/Cursos-para-a-1ª-fase CONHEÇA NOSSO SISTEMA DE QUESTÕES! ASSINE: Estratégia Questões: https://bit.ly/Sistemas-de-Questões https://www.estrategiaconcursos.com.br/cursosPorConcurso/exame-de-ordem-oab-1-fase/ https://www.estrategiaconcursos.com.br/cursosPorConcurso/sistema-de-questoes/processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente. Letra D (item árvore: 6.1) INCORRETA Nos termos do art. 13, do CED, concluída a causa ou arquivado o processo, presume-se cumprido e extinto o mandato. Comentário Curto O Código de Ética e Disciplina da OAB, dispõe em seu art. 24 que o advogado não se sujeita à imposição do cliente que pretenda ver com ele atuando outros advogados, nem fica na contingência de aceitar a indicação de outro profissional para com ele trabalhar no processo. Assim, a assertiva “b” é a correta e gabarito da questão. Gabarito: B Questão 06. Advogada da área de família, Carla, irá conceder entrevista a um determinado canal de televisão, no intuito de esclarecer as consequências jurídicas do casamento e da união estável. Muito preocupada com os aspectos éticos e disciplinares, resolve consultar o Código de Ética e Disciplina da OAB, para que não corra o risco de infringir qualquer mandamento. Assinale a alternativa correta sobre a publicidade elencada no referido código. A) O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão. B) Deverá o advogado responder com habitualidade consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social, com intuito de promover-se profissionalmente. C) Poderá o advogado debater, em qualquer veículo de divulgação, causa sob seu patrocínio ou patrocínio de colega. D) Não há objeção ao advogado que queira insinuar-se para reportagens e declarações públicas. Comentário Longo A questão testou o candidato acerca da publicidade, elencada no Código de Ética e Disciplina da OAB. Neste sentido, dever-se-ia observar que nos termos do artigo 42, do CED, é vedado ao advogado: I – responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social; II – debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado; III – abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o congrega; IV – divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas; V – insinuar-se para reportagens e declarações públicas. 11 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 No mesmo sentido, segundo o Art. 43, do CED, o advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão. Assim, a assertiva “a” é a correta e gabarito da questão. Letra A (item árvore: 1.2) CORRETA Não há nenhum erro na alternativa, uma vez que se cobrou a literalidade do disposto no art. 43, do CED: “O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão.” Letra B (item árvore: 1.2) INCORRETA Na verdade, o Código de Ética e Disciplina da OAB, determina ao advogado abster-se de responder com habitualidade consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social, com intuito de promover-se profissionalmente. Vejamos o disposto no Art. 42, do CED: É vedado ao advogado: I – responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social.”. Letra C (item árvore: 1.2) INCORRETA O Código de Ética e Disciplina da OAB, art. 42, inciso II, impõe ao advogado abster-se de debater, em qualquer veículo de divulgação, causa sob seu patrocínio ou patrocínio de colega. Letra D (item árvore: 1.2) INCORRETA O Código de Ética e Disciplina da OAB, art. 42, V, manda o advogado abster-se de insinuar-se para reportagens e declarações públicas. Comentário Curto Nos termos do Art. 43, do CED, o advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão. Assim, a alternativa “a” é a correta e gabarito da questão. Gabarito: A Questão 07 Durante realização de reunião entre advogado e cliente, na demonstração de valores referente aos honorários advocatícios, Fernando, advogado, apresentou proposta a seu cliente, obedecendo ao que preconiza o ordenamento jurídico, principalmente na moderação, sendo considerado ainda diversos outros requisitos legais. Sobre o tema, assinale a alternativa que represente corretamente o que preconiza o Código de Ética e Disciplina da OAB. A) O advogado poderá fixar os honorários advocatícios de forma irrisória ou inferior ao mínimo fixado pela Tabela de Honorários, sempre que entender cabível. B) O advogado deverá fixar os honorários advocatícios proporcionais ao grau de amizade e camaradagem existente entre as partes. C) O lugar da prestação dos serviços, fora ou não do domicílio do advogado, não deve influenciar na hora do arbitramento dos honorários. D) Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação, atendidos entre outros elementos, a praxe do foro sobre trabalhos análogos. Comentário Longo A questão cobrou do candidato o conhecimento sobre o tema “honorários advocatícios”, elencado no CED, mais precisamente no art. 48 e 49, como se observa: 12 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 ‘’Art. 48. A prestação de serviços profissionais por advogado, individualmente ou integrado em sociedades, será contratada, preferentemente, por escrito. § 6º Deverá o advogado observar o valor mínimo da Tabela de Honorários instituída pelo respectivo Conselho Seccional onde for realizado o serviço, inclusive aquele referente às diligências, sob pena de caracterizar-se aviltamento de honorários.’’ ‘’Art. 49. Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação, atendidos os elementos seguintes: (...) VIII – a praxe do foro sobre trabalhos análogos.’’ Em resumo, os honorários profissionais devem ser fixados com moderação, atendidos entre outros elementos, a praxe do foro sobre trabalhos análogos. Assim, a assertiva “d” é a correta e gabarito da questão. Letra A (item árvore: 10.1) INCORRETA Nos termos do Art. 48, § 6º, do CED, deverá o advogado observar o valor mínimo da Tabela de Honorários instituída pelo respectivo Conselho Seccional onde for realizado o serviço, inclusive aquele referente às diligências, sob pena de caracterizar-se aviltamento de honorários. Letra B (item árvore: 10.1) INCORRETA Não há no CED a previsão para fixar honorários proporcionais ao grau de amizade e camaradagem existente entre as partes, vejamos: Art. 49. Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação, atendidos os elementos seguintes: I – a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade das questões versadas; II – o trabalho e o tempo a ser empregados; III – a possibilidade de ficar o advogado impedido de intervir em outros casos, ou de se desavircom outros clientes ou terceiros; IV – o valor da causa, a condição econômica do cliente e o proveito para este resultante do serviço profissional; V – o caráter da intervenção, conforme se trate de serviço a cliente eventual, frequente ou constante; VI – o lugar da prestação dos serviços, conforme se trate do domicílio do advogado ou de outro; VII – a competência do profissional; VIII – a praxe do foro sobre trabalhos análogos. Letra C (item árvore: 10.1) INCORRETA O lugar da prestação dos serviços, fora ou não do domicílio do advogado, é um dos elementos a serem respeitados na hora do arbitramento dos honorários, conforme art. 49, VI, do CED. Letra D (item árvore: 10.1) CORRETA A praxe do foro sobre trabalhos análogos, é um dos elementos a serem respeitados na hora do arbitramento dos honorários, conforme art. 49, VIII, do CED. Comentário Curto Nos termos do Art. 49, VIII, do CED, os honorários profissionais devem ser fixados com moderação, atendidos, dentre outros elementos, a praxe do foro sobre trabalhos análogos. Assim, a assertiva “d” é a correta e gabarito da questão. Gabarito: D Questão 08. Marivaldo, recentemente aprovado no exame da ordem, deseja iniciar sua carreira como advogado. Porém não sabe se fará jus, aos benefícios oferecidos pela Caixa de Assistência dos Advogados, justamente por ter tão pouco tempo como inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. Considerando o que dispõe sobre o tema, no Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, a assistência aos inscritos na OAB é definida no estatuto da Caixa e está condicionada à: A) em regra, regularidade do pagamento, pelo inscrito, da anuidade à OAB. B) em regra, carência de dois anos, após o deferimento da inscrição. 13 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 C) em regra, filiar-se ou manter-se filiado mediante o pagamento de taxa mensal. D) em regra, ter atuado em pelo menos cinco causas durante o ano. Comentário Longo O Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB trata sobre as Caixas de Assistência dos Advogados, e este conhecimento foi cobrado do candidato através da literalidade do art. 123, como se observa: “Art. 123. A assistência aos inscritos na OAB é definida no estatuto da Caixa e está condicionada à: I – regularidade do pagamento, pelo inscrito, da anuidade à OAB; II – carência de um ano, após o deferimento da inscrição; III – disponibilidade de recursos da Caixa.” Assim, considerando o que dispõe sobre o tema, no Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, a assistência aos inscritos na OAB é definida no estatuto da Caixa e está condicionada à em regra, regularidade do pagamento, pelo inscrito, da anuidade à OAB. Letra A (item árvore: 13.1) CORRETA Nos termos do art. 143 do Regulamento Geral da OAB, a assistência aos inscritos na OAB é definida no estatuto da Caixa e está condicionada à regularidade do pagamento, pelo inscrito, da anuidade à OAB. Portanto, a assertiva apresentada está correta. Letra B (item árvore: 13.1) INCORRETA A carência na verdade, é de um ano, e não de dois anos, conforme artigo 123, do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB. Letra C (item árvore: 13.1) INCORRETA Não há essa previsão no Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB. Letra D (item árvore: 13.1) INCORRETA Não há essa previsão no Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB. Comentário Curto Nos termos do art. 123, do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, a assistência aos inscritos na OAB é definida no estatuto da Caixa e está condicionada à em regra, regularidade do pagamento, pelo inscrito, da anuidade à OAB. Assim, a assertiva “a” é a correta e gabarito da questão. Gabarito: A Filosofia do Direito Jean Vilbert Questão 09. Ronald Dworkin esboça uma figura ideal de magistrado que conhece todas as leis, as decisões anteriores (jurisprudência), os princípios básicos do direito e da justiça e tem capacidades sobre-humanas para decidir de maneira criteriosa e íntegra, por intermédio de uma interpretação construtiva do ordenamento jurídico como um todo, considerando também a leitura da sociedade quanto aos princípios envolvidos no caso. Considerando essa visão, é possível afirmar com relação à fundamentação dos julgados: a) Os juízes se valem dos princípios por uma questão autoridade, tanto legal (jurisdição e competência) quanto fática (conhecimento jurídico). b) Os julgamentos devem ser guiados pela regra de conveniência e pela regra de valor, acolhendo-se argumentos moralmente relevantes de acordo com a expectativa social. c) Diante de hard cases, quando não há lei aplicável à situação concreta, o juiz pode construir o direito, inovando o ordenamento jurídico. d) Os princípios abrem a possibilidade de o magistrado recorrer ao direito alternativo para julgar casos difíceis. Comentário Longo Na visão dworkiniana, os juízes se valem dos princípios por uma questão de razoabilidade e justiça, não por uma questão de autoridade (discricionariedade). As decisões judiciais seriam como capítulos de um romance, não prescindindo (não podendo dispensar) de seguir uma linha de continuidade. Os julgamentos dos hard cases devem ser guiados por duas regras (limitadoras do arbítrio): (1) regra de 14 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 conveniência = o juiz deverá fazer um levantamento dos argumentos admissíveis (constatação empírica) e da jurisprudência existente (casos com pano de fundo semelhante); (2) regra de valor = o juiz deverá escolher um valor de justiça para orientar o processo de seleção dos argumentos a serem acolhidos de acordo com a moral, com as expectativas nutridas pelo conjunto social. Por exemplo. Prédios invadidos por moradores sem teto: direito de moradia vs. propriedade. 1) Regra de convivência: (a) argumentos = há conflito de direitos consagrados na Constituição; de um lado está a propriedade, de outro a vida digna, o patrimônio mínimo, a moradia como direito; (b) jurisprudência = “ os direitos assegurados na Constituição Federal, no caso o direito à moradia e o direito de propriedade, não colidem; são complementares, concordantes e exercidos nos termos da lei. Não se vê na Carta qualquer dispositivo que assegure o direito de apropriação de bem de outrem, público ou particular; nem permissão para que o exercício de direito se faça com prejuízo de outro direito. É um caminho perigoso; pois a ilegalidade é um caminho sem fim e dela não nasce direito, nem se pode desprezar a imensa maioria da população, também carente, que respeita a lei e o direito alheio” (TJSP, AI n º 0030588-73.2012.8.26.0000; 10ª Câmara de Direito Público, j. 26/03/2012). 2) Regra de valor = adota-se o valor da igualdade. TODOS têm direito de obter propriedade, porém conferir a alguns o direito de obtê-la por meio de atos ilegais (esbulho) teria como efeito mais do que o desrespeito à propriedade, mas também a concessão de privilégio injustificável, que não reflete a moral da maioria da população (trabalhadora). A expectativa social é de que haja preservação da propriedade, de modo que todos possam ter segurança em adquiri-la e mantê-la. Se essa expectativa for colocada em risco sério, a sociedade como um todo sofrerá as consequências danosas. Agora vamos analisar as opções: a) O fato de o julgador basear sua interpretação em um fundamento em princípios não o autoriza a agir com arbitrariedade, pelo contrário, a aplicação de princípios vincula o julgamento a dados constantes do ordenamento jurídico, mas não necessariamente positivados. b) A regra de conveniência guia o levantamento dos argumentos admissíveis; a regra de valor guia a escolha de um valor de justiça para orientar o processo de seleção dos argumentos. c) Diante de hard cases, o juiz NÃO pode apelar à discricionariedade (muito próxima da arbitrariedade),devendo analisar as decisões anteriores para construir uma decisão que mantenha a coerência com o sistema jurídico. d) Os princípios eliminam (ao menos LIMITAM) a possibilidade de o magistrado recorrer ao direito alternativo – o completo atropelo das normas positivadas para aplicar o solipsista ideal pessoal de justiça. Comentário curto Julgamento = regra de convivência (argumentos e jurisprudência) + regra de valor (ex: igualdade perante a lei). Gabarito: B Questão 10. Chaïm Perelman (1912-1984) nasceu na Polônia, mas passou a maior parte da vida em Bruxelas (Bélgica), onde estudou e lecionou. Sua tese argumentativa se desenvolve evitando os excessos tanto do positivismo como do ceticismo e do relativismo radical. Sobre a teoria argumentativa, é possível asseverar: a) Ao rejeitar os dogmas, verdades absolutas, alinha-se à tese niilista de que não há verdade. b) Propõe-se que as ações racionais sejam induzidas por verdades socialmente induzidas, com base em relações de poder. c) Não sendo baseada em noções de certeza, mas sim de probabilidade, a verdade mantém-se aberta a mudanças futuras, caso surjam melhores argumentos. d) Adota-se uma lógica apodítica, ou teoria da correspondência com o fato acontecido, para narrar a verdade. Comentário Longo Ao desenvolver sua argumentação não formal, baseada na retórica contingente (que considera o auditório, quem está ouvindo, abandonando a pretensão universalista da lógica formal), Perelman admite que o 15 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 raciocínio jurídico é influenciado pelo contexto econômico, político, ideológico, social ou cultural. Com base nessa premissa, ele defende que a plausibilidade de uma argumentação (fundamentação da decisão) e sua razoabilidade são mais importantes para o julgador do que a operação lógica e formal base do silogismo (modo de raciocinar do positivismo jurídico), até porque o julgador tem o dever de (deve se preocupar em) convencer: as partes, os profissionais do direito e a opinião pública – TODOS os destinatários das decisões judiciais. Ao final do dia, a verdade é SOCIALMENTE CONSTRUÍDA nesse contexto, e por isso precisa convencer todo o mundo de que aquela é a melhor verdade possível — até que surja uma melhor (mais razoável). a) Como o próprio enunciado refere, a teoria rechaça excessos tanto do positivismo (dogmas – verdades absolutas) como do ceticismo e do relativismo radical, ou niilismo (não há verdade). b) Soou como Foucault. Mas Perelman propõe que as ações racionais sejam induzidas por verdades socialmente construídas. c) Bingo! A verdade para a teoria argumentativa não se pauta em certeza, mas em probabilidade, mantendo-se aberta a mudanças futuras, caso surjam melhores argumentos. Trata-se de uma verdade guiada por filosofia regressiva. d) A teoria da argumentação afasta-se da teoria da correspondência (de Aristóteles). Seu critério definidor da verdade, então, não é a correspondência com uma realidade fática, mas o fruto de uma construção discursiva. Comentário curto A verdade não está no mundo, é uma produção cultural humana subordinada à refutabilidade (falseabilidade) e que, por ser histórica, pode ser negada e substituída por um novo argumento racional que lhe sirva de fundamento. Gabarito: C Direito Constitucional Diego Cerqueira Questão 11. Rita foi eleita Governadora do Estado X. No entanto, havia sido aprovada em sonhado concurso público antes de concorrer às eleições e de tomar posse. Após alguns meses do seu mandato, ela foi nomeada para o referido cargo, no mesmo Estado X. À luz da situação hipotética, assinale a opção correta. a) Rita poderá tomar posse e exercer o cargo público durante o mandato do cargo eletivo. b) A nomeação de Rita para o cargo público deve ser anulada. c) A nomeação de Rita para o cargo público deve ser suspensa até o fim do mandato. d) Rita poderá tomar posse no cargo público, mas não poderá exercê-lo durante o mandato do cargo eletivo. Comentário Longo Rita foi eleita Governadora do Estado X. No entanto, havia sido aprovada em sonhado concurso público antes de concorrer às eleições e de tomar posse. Após alguns meses do seu mandato, ela foi nomeada para o referido cargo, no mesmo Estado X. Questionamento: Rita pode tomar posse? A governadora poderá tomar posse no cargo público, mas não poderá exercê-lo durante o mandato do cargo eletivo, vejamos a redação da CF/88 sobre o tema: Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se- á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no disposto no art. 77 desta Constituição. § 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V. Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: 16 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função; II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração; III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior; IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento; V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência social, permanecerá filiado a esse regime, no ente federativo de origem. Letra A (item árvore: 9.2) INCORRETA Em verdade, Rita poderá tomar posse no cargo público, mas não poderá exercê-lo durante o mandato do cargo eletivo (art. 28, §1º da CRFB/88). Letra B (item árvore: 9.2) INCORRETA Não deve ser anulada! Rita poderá tomar posse no cargo público, mas não poderá exercê-lo durante o mandato do cargo eletivo (art. 28, §1º da CRFB/88). Letra C (item árvore: 9.2) INCORRETA Não deve ser suspensa! Rita poderá tomar posse no cargo público, mas não poderá exercê-lo durante o mandato do cargo eletivo (art. 28, §1º da CRFB/88). Letra D (item árvore: 9.2) CORRETA Art. 28 da CRFB/88: A eleição do Governador e do Vice- Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no disposto no art. 77 desta Constituição. § 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V. Comentário Curto O governador poderá tomar posse no cargo público, mas não poderá exercê-lo durante o mandato do cargo eletivo, vejamos a redação da CF/88 sobre o tema: Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se- á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorreráem 6 de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no disposto no art. 77 desta Constituição. § 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V. Gabarito: D Questão 12. Tramitou pela Assembleia Legislativa de São Paulo um projeto de lei no qual havia ocorrido emenda parlamentar em matéria de iniciativa reservada ao chefe do Poder Executivo, que resultou em aumento de despesa. Após a aprovação, o governador do estado sancionou a lei. De acordo com o ordenamento jurídico-constitucional vigente, assinale a alternativa correta: a) a lei é formalmente inconstitucional, tendo em vista que o poder de apresentar emendas alcança matérias de iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo, mas são inconstitucionais as alterações assim efetuadas quando resultem em aumento de despesa. b) a lei é constitucional, porque o governador não vetou a lei, convalidando-se o vício. c) a lei é constitucional, já que a emenda parlamentar convalida o vício de iniciativa. 17 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 d) a lei é formalmente inconstitucional, uma vez que lei decorrente de emenda parlamentar não pode aumentar despesa. Comentário Longo No caso apresentado na questão, houve vício de iniciativa, uma vez que são inconstitucionais as alterações através de emendas parlamentares efetuadas quando resultem em aumento de despesa, quando for de iniciativa do Chefe do Executivo. Segundo a jurisprudência reiterada do STF, embora o poder de apresentar emendas alcance matérias de iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo, são inconstitucionais as alterações assim efetuadas quando resultem em aumento de despesa, ante a expressa vedação contida no art. 63, I, da Constituição da República, bem como quando desprovidas de pertinência material com o objeto original da iniciativa normativa submetida a cláusula de reserva. Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; Vale ressaltar que no que tange à sanção governamental, a jurisprudência do STF é pacífica em reconhecer que a sanção do Governador não tem o condão de convalidar o vicio de iniciativa, estando superado enunciado n. 05 daquele Tribunal. Letra A (item árvore: 19.1) CORRETA No caso apresentado na questão, houve vício de iniciativa, uma vez que são inconstitucionais as alterações através de emendas parlamentares efetuadas quando resultem em aumento de despesa, quando for de iniciativa do Chefe do Executivo. Letra B (item árvore: 19.1) INCORRETA Em verdade, a lei é formalmente inconstitucional, já que houve vício de iniciativa. Letra C (item árvore: 19.1) INCORRETA A lei não é constitucional, houve vício de iniciativa. Letra D (item árvore:) 19.1 INCORRETA Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; Comentário Curto No caso apresentado na questão, houve vício de iniciativa, uma vez que são inconstitucionais as alterações através de emendas parlamentares efetuadas quando resultem em aumento de despesa, quando for de iniciativa do Chefe do Executivo. Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º. Gabarito: A Questão 13. Um grupo de homens e mulheres, com vontade de fazer a mudança acontecer, decidiu adotar as providências necessárias para constituir um partido político e lançar candidatos nas eleições que seriam realizadas alguns anos depois. O grupo consultou advogado que informou que os partidos políticos: a) adquirem personalidade jurídica na forma da lei civil, devendo posteriormente registrar seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. b) adquirem personalidade jurídica com o registro dos seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral, sendo a filiação partidária condição de elegibilidade. c) adquirem personalidade jurídica com o seu reconhecimento pelo Tribunal Superior Eleitoral, não sendo a filiação partidária uma condição de elegibilidade. d) adquirem personalidade jurídica na forma da lei civil, devendo comunicar o início de atividades ao Tribunal Superior Eleitoral, não sendo a filiação partidária uma condição de elegibilidade. Comentário Longo A questão trata dos Direitos Políticos e Partidos Políticos! É importante analisar os arts. 14 a 17 da Constituição Federal! 18 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Segundo a CF/88 em seu Art. 17, § 2º da CRFB/88: Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. Como qualquer pessoa jurídica de direito privado depende de inscrição do ato constitutivo no respectivo registro para ter sua existência legal, o §2º determina que a aquisição de personalidade jurídica ocorre conforme a lei civil (arts. 45 e 985 do CC/02 e art. 120 da Lei nº 6.015/73). O art. 14, § 3º da CF/88, trata das condições de elegibilidade, vejamos: § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; VI - a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador. Letra A (item árvore: 7.1) CORRETA Segundo a CF/88 em seu Art. 17, § 2º da CRFB/88: Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. Letra B (item árvore: 7.1) INCORRETA Os partidos políticos, adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil. Letra C (item árvore: 7.1) INCORRETA Os partidos políticos, adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil. Além disso, é condição de elegibilidade a filiação partidária. Letra D (item árvore: 7.1) INCORRETA Na verdade, é condição de elegibilidade a filiação partidária. Comentário Curto Segundo a CF/88 em seu Art. 17, § 2º da CRFB/88: Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. Gabarito: A Questão 14. Fernando, idoso, compareceu à Secretaria de Assistência Social do Município Alfa e solicitou o acesso ao seu cadastro. Ato contínuo, constatou que seus dados estavam incorretos, principalmente em relação à sua idade, o que o impedia de participar dos programas assistenciais existentes. Diante disso, solicitou a retificação dos seus dados e foi surpreendido com a negativa do Diretor, sob o argumento escrito de que não estavam sendo apreciados requerimentos de inimigos do Prefeito. A decisão foi mantida, pelo próprio Prefeito, após a interposição do recurso hierárquico cabível. A ação constitucional passível de ser ajuizada é: a) ação direta de inconstitucionalidade. b) o mandado de segurança. c) a reclamação constitucional. d) o habeas data. Comentário Longo O enunciado traz que Fernando, idoso, compareceu à Secretaria de Assistência Social do Município Alfa e solicitou o acesso ao seu cadastro. Ato contínuo, constatou que seus dados estavam incorretos, principalmente em relação à sua idade, o que o impedia de participar dosprogramas assistenciais existentes. Ao solicitar a retificação dos seus dados, foi surpreendido com a negativa do Diretor. Questionamento: Qual seria a medida judicial cabível? 19 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 De acordo com o art. 5º, LXXII - conceder-se-á "habeas- data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. Letra A (item árvore: 3.3) INCORRETA A ação constitucional cabível é o Habeas Data (art. 5º, LXXII, b da CRFB/88). Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Letra B (item árvore: 3.3) INCORRETA Art. 5º, LXIX da CRFB/88 - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; Não cabe o MS, já que cabe o Habeas Data (art. 5º, LXXII, b da CRFB/88). Letra C (item árvore: 3.3) INCORRETA A ação constitucional cabível é o Habeas Data (art. 5º, LXXII, b da CRFB/88). Letra D (item árvore: 3.3) CORRETA De acordo com o art. 5º, LXXII - conceder-se-á "habeas- data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. Comentário Curto De acordo com o art. 5º, LXXII - conceder-se-á "habeas- data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. Gabarito: D Questão 15. Visando preservar e prontamente reestabelecer, em determinado local, a ordem pública e a paz social, uma vez que aquela localidade foi atingida por calamidade de grande proporção, o Presidente da República, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, resolveu decretar Estado de Defesa. Sobre a defesa do estado e das instituições democráticas, expressos pela CF/88, é CORRETO afirmar que: a) a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada no prazo de até 48 horas da prisão ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial. b) a prisão de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, mesmo quando autorizada pelo Poder Judiciário. c) é permitida a incomunicabilidade do preso. d) a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação. Comentário Longo Visando preservar e prontamente reestabelecer, em determinado local, a ordem pública e a paz social, uma vez que aquela localidade foi atingida por calamidade de grande proporção, o Presidente da República, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, resolveu decretar Estado de Defesa. Questionamento: Durante o Estado de Defesa, o que é permitido? 20 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 No Art. 136, § 3º, incisos de I ao IV, o aluno irá buscar a resposta da questão, vejamos: Na vigência do estado de defesa: I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial; II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação; III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário; IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. Letra A (item árvore: 15.2) INCORRETA Na verdade, a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada imediatamente ao juiz competente. O prazo de 48 horas não existe, conforme o art. 136, § 3º, I da CF/88. Letra B (item árvore: 15.2) INCORRETA De fato, a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, porém poderá ser superior, quando autorizada pelo Poder Judiciário, vejamos: CF/88, art. 136, § 3º: III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário Letra C (item árvore: 15.2) INCORRETA Mesmo no Estado de Defesa, a CF/88, proibiu a incomunicabilidade do preso, conforme mandamento do Art. 136, § 3º, IV da CF/88, vejamos: 136, § 3º, IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. Letra D (item árvore: 15.2) CORRETA A comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação. CF/88 - Art. 136, § 3º Na vigência do estado de defesa: II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação Comentário Curto CF/88, Art. 136, § 3º: Na vigência do estado de defesa: I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial; II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação; III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário; IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. Gabarito: D Questão 16. Após tomar posse, o Secretário de Saúde do Município W, prometeu melhorar a saúde daquela localidade, implementando melhorias nos Hospitais Públicos de seu Município, prometendo ainda a contratação de efetivo através de concurso público, como médicos e enfermeiros. Considerando que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação, assinale a alternativa correta: a) as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede centralizada, sem qualquer vinculação ou hierarquia, e por consequência, constitui um sistema único. b) o vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias fica sob responsabilidade de cada ente federado ao qual ele é 21 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 vinculado, cabendo aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer, além de outros consectários e vantagens, incentivos, auxílios, gratificações e indenizações, a fim de valorizar o trabalho desses profissionais. c) o vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não será inferior a 3 (três) salários mínimos, repassados pela União aos Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal. d) os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias terão também, em razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e, somado aos seusvencimentos, adicional de insalubridade. Comentário Longo A questão tratou sobre a inovação trazida pela Emenda Constitucional nº 120 de 2022, que alterou a CF/88 no que se refere à saúde, elencada na carta magna, vejamos: Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade. § 7º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias fica sob responsabilidade da União, e cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer, além de outros consectários e vantagens, incentivos, auxílios, gratificações e indenizações, a fim de valorizar o trabalho desses profissionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) § 9º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não será inferior a 2 (dois) salários mínimos, repassados pela União aos Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) § 10. Os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias terão também, em razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e, somado aos seus vencimentos, adicional de insalubridade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) Letra A (item árvore: 19.3) INCORRETA Alternativa bastante equivocada, vejamos como trata a CF/88 sobre o tema: Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade. Portanto, as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada. Letra B (item árvore: 19.3) INCORRETA Na verdade, com a inovação trazida pela emenda constitucional 120/2022, o vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias fica sob responsabilidade da União, vejamos: CF/88 Art. 198 § 7º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias fica sob responsabilidade da União, e cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer, além de outros consectários e vantagens, incentivos, auxílios, gratificações e indenizações, a fim de valorizar o trabalho desses profissionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) Letra C (item árvore: 19.3) INCORRETA Na verdade, o vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não será inferior a 2 (dois) salários mínimos. 22 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 CF/88 - Art. 198, § 9º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não será inferior a 2 (dois) salários mínimos, repassados pela União aos Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional n º 120, de 2022) Letra D (item árvore: 19.3) CORRETA Alternativa correta, exigiu do candidato o conhecimento da letra fria da CF/88, vejamos: § 10. Os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias terão também, em razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e, somado aos seus vencimentos, adicional de insalubridade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) Comentário Curto CRFB/88: Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade. § 7º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias fica sob responsabilidade da União, e cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer, além de outros consectários e vantagens, incentivos, auxílios, gratificações e indenizações, a fim de valorizar o trabalho desses profissionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) § 9º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não será inferior a 2 (dois) salários mínimos, repassados pela União aos Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) § 10. Os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias terão também, em razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e, somado aos seus vencimentos, adicional de insalubridade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022) Gabarito: D Questão 17. Atanázio, estudante do curso de direito de uma determinada universidade, apresentou trabalho de conclusão de curso. Sua monografia abordou o seguinte tema: controle de constitucionalidade. Considerando o tema, assinale a alternativa, que representa corretamente, um dos legitimados para propor ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: a) Vice-presidente da República b) Mesa da Câmara dos Deputados c) Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito regional. d) Vice-governador Comentário Longo A questão cobrou do candidato o conhecimento do art. 103 da Constituição Federal, que trata dos legitimados a propor ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, vejamos: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 23 III. Simulado OAB 1ª Fase – 28/01/2023 Destaco que o rol de legitimados ativos do art. 103, CF/88 é taxativo. Logo, não se pode estender a legitimidade para propor ADI ao Vice-Presidente e ao Vice-Governador, a menos que eles estejam exercendo a função do titular. Letra A (item árvore: 20.1) INCORRETA O art. 103 da CF/88, elenca o Presidente da República como legitimado a propor ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, deixando, portanto, o vice- presidente fora do rol dos legitimados. Letra B (item árvore: 20.1) CORRETA Alternativa cobrou a letra da CF/88, vejamos: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade III - a Mesa da Câmara dos Deputados Letra C (item árvore: 20.1) INCORRETA A entidade de classe deve ter âmbito nacional, vejamos: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional Letra D (item árvore: 20.1) INCORRETA O art. 103 da CF/88, elenca o Presidente da República como legitimado a propor ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, deixando, portanto, o vice- governador fora do rol