Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE PAULITAS – UNIP
EDUCAÇÃO FISÍCA
HISTÓRICO - GPT
2024
UNIVERSIDADE PAULITAS – UNIP
EDUCAÇÃO FISÍCA
DANIELLA DE SOUSA
TAYANE KLÍVIA
JONATAS MIRANDA
JHENIFER DIAS
CAMILLY AMARO
WESLEY LAMEIRA
2024
INTRODUÇÃO
As atividades físicas têm demonstrado, através da história, ser um reflexo das necessidades socioculturais de cada população. A ginástica, enquanto atividade física, tem suas origens na Antiguidade, uma vez que os exercícios típicos do esporte já eram desempenhados pelos homens pré-históricos com o intuito de se protegerem de ameaças naturais. O homem primitivo sentiu a necessidade de lutar, fugir ou caçar para sobreviver. Assim o homem à luz da ciência executa os seus movimentos corporais mais básicos e naturais desde que se colocou de pé: corre, salta, arremessa, trepa, empurra, puxa e etc. Por volta de 2600 a.C., especialmente em civilizações orientais, os exercícios da ginástica passaram a fazer parte de festividades, jogos e rituais religiosos. 
No século XIX, passou por um processo de sistematização, denominado de Movimento Ginástico Europeu, que objetivava romper seus vínculos com práticas populares, além de disciplinar a população moral e fisicamente (SOARES, 2002). Deste processo, resultaram os Métodos Ginásticos. 
    Tais métodos foram os precursores da ginástica atual, assim como de diversas práticas da Educação Física. Eles tiveram desenvolvimentos simultâneos, favorecendo a troca de informações entre os mesmos” (FIGUEIREDO; HUNGER, 2010, p.193) e criando uma relação bastante dinâmica entre eles, na qual encontramos semelhanças e divergências.
    Caracterizar os Métodos Ginásticos oriundos do Movimento Ginástico Europeu, relacionando-os, nos permite compreender a gênese e estruturação da Ginástica atual.
EDUCAÇÃO FÍSICA NA ANTIGUIDADE
- CHINA: 3000 A. C. O imperador Hoang Ti, pensando no progresso do seu povo pregava os exercícios físicos com finalidades higiênicas e terapêuticas além do caráter guerreiro.
- ÍNDIA: No começo do primeiro milênio, os exercícios físicos eram tidos como uma doutrina por causa das "leis de Manu", uma espécie de código civil, político, social e religioso. Buda, atribuía aos exercícios o caminho da energia física, pureza dos sentimentos, bondade e conhecimento das ciências para a suprema felicidade do Nirvana. O Yoga, tem suas origens na mesma época retratando os exercícios ginásticos no livro "Yajur Veda" que além de um aprofundamento da Medicina, ensinava manobras massoterápicas e técnicas de respirar.
- JAPÃO: Educação Física, quase sempre ligados aos fundamentos médicos-higiênicos, fisiológicos, morais, religiosos e guerreiros. A civilização japonesa também tem sua história ligada ao mar devido à posição geográfica além das práticas guerreiras feudais: os samurais.
- EGITO: Dentre os costumes egípcios estavam os exercícios Gímmicos revelados nas pinturas das paredes das tumbas.
A ginástica egípcia já valorizava o que se conhece hoje como qualidades físicas tais como: equilíbrio, força, flexibilidade e resistência. Já usavam, embora rudimentares, materiais de apoio tais como tronco de árvores, pesos e lanças.
- ROMA: Na civilização romana, o esporte se afastou bastante de sua faceta grega, já que a valorização do corpo era vista como algo imoral pelos romanos. Assim, nesta época, a prática da ginástica se resumiu apenas a exercícios destinados à preparação militar.
GRÉCIA
- O filósofo grego Platão foi um dos primeiros a reconhecer a importância da ginástica para a saúde física e mental. 
- A origem da ginástica encontra-se na Grécia Antiga, A ginástica surgiu na Grécia Antiga como forma de treinamento militar e preparação física para os Jogos Olímpicos. Era praticada pelos saltimbancos, acrobatas e junambulescos. Além disso, a valorização grega do ideal de beleza humana favoreceu ainda mais a evolução da ginástica, uma vez que sua prática era vista como uma forma de cultuar o corpo.
- Busto, Mazzio, Marzequine Filho & Campos (2002) complementam que, os antigos gregos, ao praticarem a ginástica, faziam-na como atividade física e não apenas como forma de treinamento militar.
MOVIMENTO GINÁSTICO EUROPEU
- Na Europa, no século XIX, era comum apresentações de ruas de funâmbulos, acrobatas e artistas. Nos meios urbanos, são diferentes manifestações lúdicas de caráter popular realizadas com base nas atividades circenses que se impõem. Suas apresentações aproveitavam dias de festas, feiras, mantendo uma tradição de representar e de apresentar-se nos lugares onde houvesse concentração de pessoas do povo. Artistas, estrangeiros, errantes. Situados no limite da marginalidade fascinavam as pessoas fincadas em vidas metrificadas e fixas. Eram ao mesmo tempo elementos de barbárie e de civilização nos lugares por onde passavam (SOARES, 2002, p. 24, 25). Desse modo, como reação a tais acontecimentos, surge o Movimento Ginástico Europeu, um processo de sistematização da Ginástica, com o intuito de moralizar os indivíduos e a sociedade. Embasado nas ciências biológicas e influenciado pela Revolução Industrial em ascensão, difundia o higienismo e trazia como princípios a utilidade dos gestos e economia de energia. De caráter disciplinador, ordenativo e metódico, exigia o afastamento de seus vínculos populares, do uso do corpo como simples entretenimento.
- A rejeição do culto à beleza física também foi registrada durante a Idade Média, aspecto que resultou na perda da importância do esporte na época. Desta forma, a ginástica retomou sua evolução somente com o Renascentismo e a revalorização das referências culturais da antiguidade clássica.
ESCOLA INGLESA
- Thomas Arnold, educador e historiador inglês foi o principal idealizador do movimento. A nomeação de Arnold para a direção da Rugby School em 1828, após trabalhar alguns anos como professor particular, deu uma reviravolta nos rumos da instituição, e sua força de caráter e zelo religioso lhe permitiram transformá-la em um modelo seguido por outras escolas públicas, exercendo uma influência sem precedentes sobre o sistema educacional da Inglaterra.
- Baseada em esportes e jogos, não possui orientação na ginástica. 
- O esporte moderno nasce na Inglaterra (séc. XIX). Foi institucionalizado com regras precisas e formas definidas. O esporte foi considerado o grande meio para promover a educação, através de jogos esportivos: organização, regras, técnicas e padrões de conduta. Os ingleses integraram técnicas antigas do esporte oferecendo ao mundo vários esportes como: atletismo, futebol, rúgbi, tênis, boxe, natação, patinagem desportiva.
- Estabelece regras e formas precisas de organização para as associações desportivas, os clubes universitários, e confia a sua organização aos alunos. O esporte tinha características educacionais e socializantes como à cooperação, a perseverança, a tomada de iniciativa, o respeito às regras e ao adversário.
ESCOLA ALEMÃ
- De caráter extremamente nacionalista, a ginástica surge na Alemanha com o objetivo de preparar os corpos para a defesa da pátria. A ginástica deveria ser organizada pelo Estado e ministrada todos os dias e para todos.
-  Em 1760, inspirado nas doutrinas pedagógicas de Jean Jacques Rousseau (1712-1778) e John Locke (1632-1704), Johann Bernard Basedow (1723-1790) iniciou um processo de estruturação, denominado Método Alemão, que posteriormente atingiu o ápice com os trabalhos de Johann Christoph Friedrich Guts-Muths (1759-1839), Adolph Spiess (1810-18540 e Friedrich Ludwig Jahn (1778-1852). Guts-Muths foi considerado o Pai da Ginástica Pedagógica. 
- Inserção da ginástica nas escolas e procurou colocá-la no mesmo plano das demais disciplinas escolares.
- Disseminação do método entre a população, trouxe ao seu sistema o caráter militarista e extremamente patriótico, chegando a criar termos próprios, como por exemplo a palavra “Turnen” que significa ginástica.
- Os exercícios tinham objetivos que transcendiam a forma física. “O turnen também tinha um exercício moral:alcançar autoconfiança, autodisciplina, independência, lealdade e obediência. Essas eram as metas a serem atingidas por meio de atividades completas e informais” (PUBLIO, 2005, p. 17).
- Os exercícios ginásticos, coordenados paulatinamente, foram grupados em dezessete famílias: marchar, correr, saltar, tomar impulso (no cavalete e no cavalo), equilibrar, exercícios de barra, exercícios de paralela, trepar, arremessar, puxar, empurrar, levantar, transportar, esticar, lutar braço a braço, saltar arco e pular corda. Além dos exercícios citados, quando as atividades podiam ser realizadas ao ar livre, a natação, a marcha, a equitação, a esgrima, a luta e os exercícios bélicos eram previstos nos programas. A corrida, o arremesso e o salto realizados sob variadas formas constituíam, com suas práticas, verdadeira escola de atletismo (RAMOS, 1982, p. 188).
ESCOLA ESCANDINÁVIA
- Idealizada por Pehr Henrick Ling (1776–1839), a ginástica sueca surgiu com a finalidade de extirpar os vícios da sociedade, em especial o alcoolismo. Com a missão de regenerar a população, possuía um caráter não acentuadamente militar, mas sim “pedagógico” e “social”. Deveria gerar indivíduos fortes que pudessem ser úteis à pátria, como soldados ou trabalhadores civis (SOARES, 2004).
- Ling acreditava que seu método assegurava a saúde, por ser essencialmente respiratório, e a beleza, por seus efeitos corretivos e ortopédicos.
- Ginástica Pedagógica ou Educativa – para todas as pessoas, tinha como objetivo assegurar a saúde, evitar a instalação de doenças, vícios e defeitos posturais e desenvolver normalmente o indivíduo.
- Ginástica Militar- com as mesmas características da pedagógica, acrescentando os exercícios de preparação para a guerra.
- Ginástica Médica e Ortopédica – também baseada na pedagógica, objetivava eliminar vícios e defeitos posturais, sendo específica para cada caso.
- Ginástica Estética – mais uma vez apoiada na pedagógica buscou o desenvolvimento harmonioso do organismo, utilizando-se da dança e de movimentos suaves para proporcionar beleza e graça ao corpo.
- Também inspirada na Ginástica Sueca de Ling, temos a Calistenia. Para Silva (S/D), a Calistenia não é um sistema próprio de ginástica, mas sim uma série de exercícios ginásticos localizados, com fins corretivos, fisiológicos e pedagógicos, que pode integrar perfeitamente qualquer sistema ginástico. Por estar em constante evolução teria grande vantagem sobre os sistemas clássicos.
- A Calistenia trouxe características nunca antes abordadas. Examinando os dois sistemas mais difundidos, o sueco e o alemão, educadores suecos chegaram à conclusão de que ambos eram pobres no que se tratava de elementos psicológicos. Por isso, inseriram a música na prática da ginástica, por considerarem que ela incentivava o movimento, evitando a monotonia e contribuindo para a educação dos sistemas psicomotor e neuromuscular (SILVA, S/D).
ESCOLA FRANCESA
- A Ginástica na França baseou-se nas idéias dos alemães Jahn e Guts Muths e, apresentava além do caráter moral e patriótico, uma preocupação com o desenvolvimento social. Objetivava formar o homem “completo e universal”, sem desvincular-se do utilitarismo, tão abordado pela ginástica científica, buscando o desenvolvimento da força física, da destreza, agilidade e resistência (SOARES, 2004). 
- MÉTODO FRANCÊS, desenvolvido por D. Francisco de Amoros e Ondeaño (1770-1848) e George Demeny (1850-1917): Amoros negou veementemente toda e qualquer forma de empiria, seus exercícios eram completamente explicados por enunciados científicos, comprovando a relação existente entre a sua ginástica, a saúde da população e a tão desejada utilidade dos gestos (SOARES, 2002). “Admitia no sistema três tipos de ginástica: civil, militar e médica. Condenava o funambulismo, que no dizer de Amorós, começa onde a utilidade do exercício cessa” (RAMOS, 1982, p.219).
- Demeny, discordando do método sueco de Ling, propôs exercícios ginásticos completos, arredondados e contínuos (RAMOS, 1982). Voltou-se para a saúde da mulher, combatendo “hábitos elegantes”, tais como cintas, salto alto, porta-seios; condenava os meios de sustentação artificiais (SOARES, 2004).
- O Método Francês, oriundo da Escola Francesa, foi adotado em todos os estabelecimentos de ensino brasileiros em 1929 (SOARES, 2002), e trouxe as propostas pedagógicas que embasaram a Educação Física escolar brasileira no período republicano (RESENDE, SOARES e MOURA, 2009).
- MÉTODO NATURAL, Hébert (1875- 1957): repudia todas as formas de exercícios analíticos, artificiais ou formais, conhecidos sob a denominação de ginástica. Pretendia “utilizar os gestos de nossa espécie para adquirir o desenvolvimento físico completo, além de atender às dificuldades inerentes à vida moderna, particularmente à falta de tempo e à falta de espaço” (MARINHO, S/D, p. 122).
- Encontram- se nesse programa características naturistas: resistência corporal ao frio, endurecimento, utilização do meio natural como terreno de exercício, exercícios utilitários, nudez controlada. Todo o trabalho toma por base a utilidade das ações e representa um retorno à natureza adaptado à vida urbana moderna e concernente às atividades práticas da vida em sociedade (Hébert, 1941a apud SOARES, 2003, p. 26).
- Privilegiava a natureza e a qualidade do trabalho em detrimento da qualidade de execução. Classificou os exercícios em 10 grupos fundamentais de acordo com as funções úteis da vida cotidiana. Sendo eles: a marcha, a corrida, o salto, o movimento quadrúpede, a escalada, o equilíbrio, o arremesso, o levantar, a defesa e a natação. Os treinos deveriam ser ao ar livre para submeter o corpo às diferentes temperaturas, tinha a corrida como elemento base e cada um deveria trabalhar no seu ritmo e capacidade (MARINHO, S/D).
- O que Hébert deseja é aumentar as resistências orgânicas, realçar as aptidões para a execução de exercícios naturais e utilitários (os seus 10 grupos) e, sobretudo, desenvolver a energia, a qualidade de ação, a virilidade, para então subordinar esse conjunto de qualidades físicas bem treinadas a uma moral altruísta, física, inclusive (SOARES, 2003, p. 28).
CONCLUSÃO
- A GPT sofreu inúmeras modificações ao longo da história. 
Passou pela ginástica que fortalecia o espirito patriótico até a GPT com sentido pedagógico. Conclui-se que a GPT pode ser um espaço de inclusão, superação de preconceitos e paradigmas sociais, podendo ser um meio de aprendizagem sócio afetiva e de cidadania, utilizando gestos motores e equipamentos típicos e atípicos das ginasticas, sendo necessário a criatividade coletiva para elaborar coreografias diversas, respeitando a individualidade, porém compartilhando seu saber e sua história, a partir de sua cultura corporal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação
física / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 96p.
GOIS JÚNIOR, Edivaldo; Os Higienistas e a Educação Física: A História dos seus Ideais.
2000. 183 f. Dissertação de Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Educação Física.
Universidade Gama Filho. Rio de Janeiro, 2000.
GONÇALVES, Maria Augusta Salim. Sentir, Pensar e Agir; Corporeidade e Educação.
Campinas: Papirus, 1994.
MARINHO, Inezil Penna. Sistemas e Métodos de Educação Física. 5 ed. São Paulo: Cia
Brasil Editora, 1978.
image3.png
image2.png

Mais conteúdos dessa disciplina