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Página 1 de 3 PROFESSOR RICARDO SOUZA BIOLOGIA / VIROLOGIA BÁSICA. Vírus são seres microscópicos constituídos de DNA ou RNA e protegidos por uma capa formada de proteínas. São considerados parasitas intracelulares e, por isso, suas funções só podem ser desempenhadas quando entram em uma célula viva para utilizar todos os seus recursos. Tipos de Vírus Os vírus são classificados de acordo com o tipo de ácido nucleico, de acordo com a forma do capsídeo e também pelos organismos que eles são capazes de infectar. Veja os exemplos a seguir. Adenovírus: formados por DNA, por exemplo o vírus da pneumonia. Retrovírus: formados por RNA, por exemplo o vírus HIV. Arbovírus: transmitidos por insetos, por exemplo o vírus da dengue. Bacteriófagos: vírus que infectam bactérias. Micófagos: vírus que infectam fungos. Uma informação importante sobre os vírus é que eles podem utilizar agentes transmissores em uma infecção. Por exemplo, as plantas podem ser infectadas por vírus através de insetos ou outros organismos que se alimentam delas. Características dos vírus As principais características dos vírus são: • São seres acelulares, ou seja, não possuem células; • Suas dimensões variam de 17 nm até 300 nm; • São seres diversificados e, portanto, não possuem um padrão; • São capazes de sofrer mutações; • Fora de um organismo hospedeiro cristalizam-se como os minerais; • Não possuem metabolismo próprio e, por isso, a reprodução ocorre em uma célula viva. • Muito se discute sobre os vírus serem considerados seres vivos ou não. Enquanto para alguns estudiosos eles são apenas partículas infecciosas, para outros, uma vez que se reproduzem e sofrem mutações genéticas, estão inclusos na categoria dos seres vivos. Estrutura do Vírus Os vírus são formados por ácidos nucleicos, RNA (ácido ribonucleico) ou DNA (ácido desoxirribonucleico), envolvidos por uma capa proteica chamada de capsídeo. Além desses componentes, alguns vírus ainda podem ser revestidos por uma película de gordura e proteína. Estrutura do vírus causador da Hepatite C Ácidos nucleicos (RNA e DNA): são as informações contidas no vírus que deverão ser utilizadas para sintetizar proteínas na célula invadida; Capsídeo: envolve e protege o ácido nucleico viral da digestão por enzimas. Além disso, possui regiões que permitem a passagem do ácido nucleico para injetar no citoplasma da célula hospedeira; Envelope de glicoproteínas: revestimento formado por lipídios e proteínas ao redor do capsídeo, que são utilizadas para invadir a membrana celular e se ligar a ela, facilitando a fixação do vírus. Como os vírus se reproduzem? Os vírus são capazes de invadir diferentes tipos de células, principalmente bactérias, plantas e animais. No ciclo de reprodução, geralmente os vírus rompem a parede celular, entram, replicam-se e partem para infectar novas células. Há também os vírus que não precisam entrar em uma célula para se reproduzirem, eles apenas injetam seu genoma na célula hospedeira. O material genético viral inserido em uma célula é traduzido e replicado à medida que a célula se multiplica. Geralmente, os vírus utilizam os ribossomos das células eucarióticas para traduzir o RNA mensageiro viram e, assim, produzirem proteínas virais dentro da célula. O ciclo reprodutivo desses organismos pode então ser dividido em 4 etapas: • Entrada do vírus na célula hospedeira; • Eclipse (inatividade do vírus); • Multiplicação do material viral (cópias da matriz); • Liberação dos novos vírus. • Em outras palavras, no processo de reprodução dos vírus há a duplicação do material genético viral e a síntese das proteínas na medida em que ele inibe o funcionamento normal da célula. Viroses: doenças causadas por vírus As doenças causadas por vírus são chamadas de viroses. Confira alguns exemplos a seguir. • Gripe • Gripe espanhola • Sarampo • Varíola • Rubéola • Meningite • Pneumonia • Poliomielite • AIDS Note que, os vírus podem infectar tanto as células dos animais, fungos, vegetais (eucarióticas), quanto das bactérias (procarióticas) e, nesse caso, são chamados de bacteriófagos. Como os vírus foram descobertos? Louis Pasteur (1822 – 1895) foi o primeiro a utilizar o termo vírus para explicar o que seria o agente causador da doença raiva. A técnica de filtração foi sua aliada nessa descoberta, pois o filtro utilizado retia bactérias e deixava passar seres ainda menores. Página 2 de 3 Em 1892, o vírus causador de doenças nas folhas de tabaco foi caracterizado pelo botânico Dmitry Ivanovski (1864 – 1920). Estudando a mesma planta, em 1899, o botânico Mariunus Willen Beijerinck (1851 – 1931) conseguiu transmitir a doença para uma unidade sadia. Entre 1915 e 1917 foram descobertos os vírus que “comem bactérias”. Embora tenham ocorrido descobertas importantes, até o século XX a natureza dos vírus não era compreendida. O estudo dos seres microscópicos, como os vírus, tornou-se possível com a invenção do microscópio. Além disso, os avanços na cultura de células em laboratório e os avanços na área da genética fizeram com que as informações sobre os vírus melhorassem drasticamente. Curiosidades A palavra "vírus", do latim, significa toxina, fluido venenoso. O “vírion” corresponde a partícula viral quando ela se encontra fora da célula hospedeira. O termo “vírus de computador” surgiu por analogia ao vírus biológico marcado por sua característica parasitária. OUTRO REFORÇO: Eles são formados por cápsulas proteicas, chamadas de capsídio, que envolvem o ácido nucleico, que, por sua vez, pode ser um DNA ou um RNA, com exceção de poucos vírus que apresentam os dois tipos. O conjunto do capsídio com o ácido nucleico é chamado de nucleocapsídio. Alguns vírus, chamados de envelopados, apresentam ainda uma proteção lipídica externa, o envelope viral. Esse envelope é derivado de membranas da célula hospedeira. Observe a estrutura de um vírus bacteriófago. Reprodução dos vírus No capsídio e no envelope dos vírus envelopados, há proteínas ligantes, que se ligam aos receptores encontrados na membrana da célula que será infectada. Cada vírus é capaz de infectar um tipo de célula, sendo assim, dizemos que os vírus possuem especificidade. Os vírus multiplicam-se no interior das células infectadas graças à inserção de seu material genético, que passa a comandar o metabolismo da célula hospedeira. Cada vírus possui um mecanismo diferente de multiplicação. Após se multiplicarem, os vírus podem romper as células infectadas para a liberação de novas estruturas, constituindo, assim, um ciclo lítico. Outras vezes, o material genético viral pode manter-se ligado ao da célula hospedeira, e a transmissão desse material para novas células ocorre à medida que ela se divide, caracterizando um ciclo lisogênico. Os vírus podem ser encontrados em praticamente todos os locais e infectar qualquer tipo de célula. As doenças causadas por eles são chamadas de viroses e são tratadas com poucas drogas, sendo recomendado normalmente repouso e boa alimentação. É importante frisar que antibióticos não são eficazes no tratamento de doenças virais. O vírus só é capaz de reproduzir-se no interior de uma célula. Doenças causadas por vírus Como exemplos de doenças causadas por vírus, também chamadas de viroses, podemos citar: • aids, • caxumba, • dengue, • ebola, • febre amarela, • gripe, • hepatites, • herpes, • HPV, • meningite, • raiva, • rubéola, • sarampo, • varicela, • covid-19. https://www.todamateria.com.br/microrganismos/ https://www.biologianet.com/biologia-celular/dna.htm https://www.biologianet.com/biologia-celular/rna.htm https://www.biologianet.com/biologia-celular/rna.htm https://www.biologianet.com/doencas/viroses.htm https://www.biologianet.com/doencas/aids.htmhttps://www.biologianet.com/doencas/caxumba.htm https://www.biologianet.com/doencas/dengue.htm https://www.biologianet.com/doencas/ebola.htm https://www.biologianet.com/doencas/febre-amarela.htm https://www.biologianet.com/doencas/gripe.htm https://www.biologianet.com/doencas/herpes.htm https://www.biologianet.com/doencas/raiva.htm https://www.biologianet.com/doencas/sarampo.htm https://www.biologianet.com/doencas/varicela-ou-catapora.htm https://www.biologianet.com/doencas/covid-19.htm Página 3 de 3 O que é a Covid-19? A Covid-19 é uma infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e de distribuição global. O SARS-CoV-2 é um betacoronavírus descoberto em amostras de lavado broncoalveolar obtidas de pacientes com pneumonia de causa desconhecida na cidade de Wuhan, província de Hubei, China, em dezembro de 2019. Pertence ao subgênero Sarbecovírus da família Coronaviridae e é o sétimo coronavírus conhecido a infectar seres humanos. Os coronavírus são uma grande família de vírus comuns em muitas espécies diferentes de animais, incluindo o homem, camelos, gado, gatos e morcegos. Raramente os coronavírus de animais podem infectar pessoas e depois se espalhar entre seres humanos como já ocorreu com o MERS- CoV e o SARS-CoV-2. Até o momento, não foi definido o reservatório silvestre do SARS-CoV-2. Este vírus emergente iniciou sua onda de infecção em uma província chinesa, Wuhan, especificamente em um mercado de vendas de animais silvestres, no final do ano de 2019. E desde então, ele tem se espalhado para o mundo todo, e no mês de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde decretou o estado de pandemia, ou seja, teve-se a ocorrência de diversos surtos em várias regiões do planeta. A doença provocada por esse vírus ficou conhecida como COVID-19, do inglês, coronavírus disease 2019. Características dos coronavírus Estes vírus possuem um material genômica de RNA fita simples sentido positivo, ou seja, serve diretamente para síntese proteica, assim ocorre uma maior velocidade na geração de novas cópias de vírus na célula infectada. São envolvidos por uma capa de gordura e proteína (LIPOPROTEICA / ENVELOPE), e seu tamanho é de aproximadamente cem nanômetros. Além também da presença de várias proteínas em sua superfície, dentre elas está a Proteína Spike, ou Proteína S, que é uma espícula glicoproteica que se liga fortemente à enzima ECA2, presente em nossas células, o que torna sua infecção mais fácil. E é essa proteína característica que faz com que os coronavírus sejam nomeados assim: sua conformação ao redor dos vírus lembra ligeiramente uma coroa. Fisiopatogenia do coronavírus Ao penetrar na célula humana, os ribossomos da célula hospedeira traduzem as informações contidas neste material genético, produzindo proteínas como a RNA polimerase do vírus. Essa enzima replica o material genético do vírus dentro da célula hospedeira, produzindo primeiro uma fita intermediária de RNA sentido negativo (subgenômica) e, depois, novas fitas em sentido positivo. Essas últimas vão compor novas partículas virais, após serem associadas a proteínas virais, como receptores de superfície. A montagem final dos novos vírus ocorre no retículo endoplasmático e no complexo de Golgi da célula hospedeira. Após a montagem, as partículas saem da célula e estão prontas para infectar outras novas células. Período de incubação do coronavírus O período médio de incubação do coronavírus é de dois a sete dias, podendo chegar a catorze dias. Período de transmissibilidade A transmissão viral ocorre enquanto persistirem os sintomas. Apesar da transmissibilidade dos pacientes infectados por SARS-CoV ser em média de 7 dias após o início dos sintomas. Dados preliminares do Novo Coronavírus (COVID-19) sugerem que a transmissão possa ocorrer, mesmo sem o aparecimento de sinais e sintomas. Ou seja, em pacientes assintomáticos ocorre a transmissibilidade da mesma forma. Entretanto, não há nenhuma informação sobre quantos dias antes do início dos sintomas uma pessoa possa transmitir o vírus.