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Águas industriais e de consumo Aula 5 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE CÂMPUS CARREIROS ESCOLA DE QUÍMICA E ALIMENTOS Prof. Enrique Chaves Peres 02/08/24 Floculação – Estabilidade de Flocos À medida que o floco cresce, sua densidade diminui e ele se torna mais sujeito às tensões de cisalhamento hidrodinâmico geradas pelos gradientes de velocidade. Quanto maior o gradiente de velocidade, mais rápida é a taxa de aglutinação das partículas, porém os flocos crescerão até um limite máximo, acima do qual as forças de cisalhamento os quebram em partículas menores. Foi mostrado por Soucek e Sindelar (1967) que a desagregação dos flocos pode ser caracterizada pelas condições de turbulência, que definem o número S, inicial dos autores: S = G · Re−0,5 Para valores de S abaixo de 1,3, a desagregação torna-se negligível. Floculação – Estabilidade de Flocos O gradiente de velocidade nos tanques de floculação, canais, passagens e outras estruturas hidráulicas de veiculação de água floculada afeta o tamanho, a estabilidade e a desagregação dos flocos. Na prática, utiliza-se o critério de aplicar o menor gradiente possível nos flocos já formados, geralmente inferior a 30 s–1. Esse critério é, entretanto, contraditório, por exemplo, com uma distribuição equitativa em um “manifold” ou em uma cortina distribuidora de entrada em um decantador, onde, para isso, são desejáveis perdas de carga e velocidades mais elevadas. Com base nas observações de Soucek e Sindelar, verificar as condições de estabilidade dos flocos em uma comporta de entrada a um decantador com diâmetro de 600 mm, por onde passa uma vazão de 200 L/s. Dados- Temperatura da água: 15 °C ; ρ = 999,13 kg · m–3 ; μ = 0,001139 N · s · m–2 e n = 0,010 (metal liso) Floculação – Estabilidade de Flocos - Resposta S = G · Re–1/2 = 62×(372.100)–0,5 = 0,10 s–1 Calcula-se a velocidade (U) e o número de Reynolds (Re) Calcula-se o Gradiente de velocidade (G) Calcula-se o número de Soucek e Sindelar (S) Floculação – O Número de Camp e suas modificações Camp (1955) observou que os gradientes de velocidade usados nos Estados Unidos variavam entre 20 s-1 a 74 s-1 e com valores de GT entre 23000 e 210000, em tanques de floculação que operavam satisfatoriamente. Floculação – O Número de Camp e suas modificações Como nas unidades de mistura rápida, há na floculação relação intrínseca entre o tempo de detenção (Tf) e o gradiente de velocidade médio (Gf) aplicado à massa líquida. Tal relação materializa- -se no adimensional Gf.Tf usualmente denominado Número de Camp (NC). Este pesquisador preconiza que unidades de floculação com NC de 20.000 a 200.000, gradientes de velocidade de 20 a 74 s-1, hão de apresentar performance satisfatória. O floculador apresenta o 1° compartimento composto por duas câmaras com gradientes de velocidade da ordem de 60 s-1 (NC = 17.280), o 2° com três câmaras com gradientes de 40 s-1 (NC = 17.280), e o 3° com as cinco restantes e gradientes de 20 s-1 (NC = 14.400). Desta forma, NC em cada compartimento apresenta-se de mesma ordem de grandeza e o valor total (48.960) insere-se na faixa recomendada por Camp. GT =NC = Gf.Tf Floculação – O Número de Camp e suas modificações Águas de pouca turbidez com baixa dose de coagulante necessitam GT mais elevado; águas de alta turbidez, ao contrário, GT, mais baixo. Como T é consequência da vazão sendo tratada em um volume fixo do tanque de floculação, águas de baixa turbidez necessitam de um gradiente mais elevado do que águas de alta turbidez Pode-se aumentar a eficiência do processo recirculando parte do lodo decantado ou a água de lavagem dos filtros, tirando vantagem do aumento da concentração de sólidos C e de partículas de maior diâmetro, previamente coaguladas, que ajudam ainda mais em aumentar a eficiência Floculação – Gradiente de Velocidade Na tabela acima estão apresentados os resultados de ensaios realizados para velocidade de sedimentação de 3,5 cm/min, turbidez inicial de 22 uT e cloreto férrico como coagulante (Pádua, 1994). Como exemplo de aplicação desta metodologia, considera-se unidade de floculação de quatro câmaras Floculação – Gradiente de Velocidade – 1ª Câmara A definição do gradiente da primeira câmara é simples. Para o tempo de 5 min referente a cada câmara, o gradiente de velocidade de 55 s-1 apresentou o melhor resultado de acordo com a tabela Floculação – Gradiente de Velocidade – 2ª Câmara A definição dos gradientes seguintes fia-se na premissa de que a água ao adentrar na câmara seguinte já foi submetida à floculação na câmara anterior, ou seja, turbidez remanescente de 8,4 uT. A este tempo acresce-se o tempo de floculação em cada câmara (5 min). Para este tempo resultante da adição de 5 min, o gradiente de velocidade para o qual se obteve o menor valor da turbidez remanescente será o empregado na 2a câmara. Floculação – Gradiente de Velocidade – 2ª Câmara Valendo-se da análise das quatro curvas apresentadas na figura 8.12, percebe-se que o valor de 8,4 uT foi atingido nas três curvas de 20, 30 e 40 s-1 correspondendo aos tempos de floculação de 7,6,6,9, 6,7 min, respectivamente Acrescido o tempo de 5 min - correspondendo a 12,6, 11,9, 11,7 e 10 min , (5 + 5 min, para G = 55 s-1) infere-se que o gradiente de velocidade de 30 s-1 apresentou o menor valor de turbidez remanescente (3,0 uT) Floculação – Gradiente de Velocidade – 3ª Câmara Para o gradiente de velocidade das 3ª e 4ª câmaras, a análise restringe-se apenas às curvas referentes aos gradientes de 20 e 30 s-1. Novamente, aos tempos de floculação para os quais se verificou valor da turbidez remanescente de 3,0 uT - 14,1 e 11,9 min, respectivamente - acresce-se 5 min e a curva que apresentar o menor valor da turbidez remanescente será o gradiente de velocidade na 3a câmara Floculação – Gradiente de Velocidade – 4ª Câmara Por fim, realiza-se mesmo procedimento para o gradiente de velocidade na 4ª câmara . Esta última análise é apenas confirmatória uma vez que carecería de fundamentação teórica - calcada nos conceitos de ruptura e agregação do flocos - a possibilidade da escolha de outro valor para o gradiente de velocidade que não fosse 20 s-1. Desta forma, a sequência de gradientes de velocidade a ser aplicada à unidade de floculação com quatro câmaras seria de 55, 30, 20 e 20 s-1. Floculação – Características de Gt Floculação – Floculação em manto de lodos Há muito se tem observado que o lodo recém-coagulado tem a propriedade de precipitar partículas em suspensão. Esse é o princípio que deu origem aos decantadores de fluxo vertical em manto de lodos, também chamados de clarificadores de contato. Normalmente, essas unidades reúnem em um único tanque a floculação e a decantação em fluxo vertical. Podem ser quadrados, retangulares ou circulares em planta, com o fundo de paredes inclinadas ou plano. Floculação – Floculação em manto de lodos Em sua concepção mais simples), a água bruta é descarregada próximo ao fundo, produzindo certa turbulência necessária à floculação. Essa turbulência é gradualmente dissipada no manto de lodos, cuja tendência é sedimentar no sentido contrário ao fluxo da água, causando agregação de flocos por contato entre eles. Com o aporte de novas partículas trazidas pela água bruta e de coagulante aplicado para desestabilizá-las, o manto tende a se expandir, vertendo para o concentrador, de onde é drenado periodicamente através de uma válvula. Floculação – Floculação em manto de lodos Hudson (1965) estimou que 1 g de sulfato de alumínio produz 21,8 × 10–3 cm3 de partículas floculentas, ou, para uma dosagem média de 23 mg/L, C = 23 × 21,8 × 10–3 cm–3/L = 0,5 × 10–3 v/v, ou, de um modo geral onde D é a dosagem de sulfato de alumínio em mg/L. C é a concentração de partículas floculentas C = 21,8 × 10–6 D Volume de sólidos que entra: Q · C, onde Q é a vazão que passa pela unidade. Volume de sólidos que deve sair para manter uma concentração C0 no manto: q · C0, onde q é a taxa de purga. Portanto,qC0 = QC e, assim, 𝑄𝑑 = 𝐶𝑑𝐴 2𝑔𝐻 Qd= Vazão de descarga (m³/s) Cd= Coeficiente de descarga g= aceleração da gravidade (m/s²) A = área da seção de canalização(m²) H = a carga hidráulica (m) Floculação – Floculação em manto de lodos Exercício - Um clarificador em manto de lodos opera com a vazão de 150 L/s e dispõe de um concentrador de lodos com um volume de 10 m3. Qual a frequência e a duração da purga se o lodo descarrega por uma canalização curta de 4” (100 mm) de diâmetro com uma carga hidráulica de 3 m, para manter uma concentração de lodos de 15%, sendo a dosagem de sulfato de alumínio 25 mg/L. Dados = Cd=0,6 e g=9,81m/s² TC= Vol/q TD= Vol/Qd Coagulação - Tempo de detenção e Velocidade de mistura rápida Respostas: q=2 m3 h−1 sendo necessária, portanto, uma purga a cada 10/2 = 5 horas. Qd == 0,036 m3 s−1 = 2,2 m3 min−1 , ser, portanto, 10/2,2 = 4,5 ou, aproximadamente 5 min. Na prática, é preferível ter uma frequência maior de descargas com uma menor duração para manter estável a altura do manto de lodos. Floculação – Floculação em manto de lodos O gradiente de velocidade na floculação em manto de lodos é dado por: V0 = Q/A é a velocidade ou taxa de escoamento superficial (m · s–1), sendo A= área horizontal do clarificador, e ρF=densidade dos flocos (kg · m–3) A taxa de escoamento superficial varia normalmente entre 2 m/h a 4 m/h na coagulação com sulfato de alu-mínio, os menores valores para águas de baixa cor e predominantemente coloridas, e os valores mais altos para temperaturas mais elevadas e águas turvas. Floculação – Floculação em manto de lodos Exercício - Em condições operacionais adequadas (CGT ao redor de 100 ou mais), pode-se obter uma boa eficiência na clarificação com a adsorção de partículas primárias pelo manto de lodos na floculação. Um clarificador em manto de lodos com uma área útil horizontal de 150 m2 trata uma vazão de 150 L/s com uma concentração de sólidos de 10% (v/v). Determinar o gradiente de velocidade admitindo uma densidade dos flocos de 1.001 kg/m3 (sulfato de alumínio) e avaliar o produto CGT, sendo de 8 min o tempo de floculação. Temperatura da água: 15 °C. ρ = 999,13 kg · m–3 μ = 0,001139 N · s · m–2 Floculação – Floculação em manto de lodos Resposta: CGT = 0,1 × 1,3 × 480 = 62 O funcionamento do clarificador será melhor com uma maior concentração. Operando com C = 15%, G aumenta para 1,6 s–1 e CGT = 115, porém deve ser considerado que um aumento na concentração elevada tende a desestabilizar o manto de lodos, carreando flocos para os filtros. Isso pode ser solucionado aumentando a densidade do manto com a aplicação de um polímero, por exemplo. Floculação - Floculadores hidráulicos Os primeiros floculadores utilizados em tratamento de água foram canais, onde se aproveitava a energia hidráulica no movimento da água para a floculação. Assim, qualquer dispositivo que utilize a energia hidráulica dissipada no fluxo da água através de um tanque, canal ou canalização pode constituir um floculador hidráulico. Os floculadores hidráulicos mais utilizados são os de chicanas, de fluxo horizontal ou de fluxo vertical. Outros tipos, como o floculador de fluxo helicoidal e o chamado “Alabama” são utilizados com sucesso em pequenas instalações. Floculação - Floculadores hidráulicos As principais deficiências dos floculadores hidráulicos são: Falta de flexibilidade para responder a mudanças na qualidade da água. A hidráulica e os parâmetros de floculação – tempo de floculação e gradientes de velocidade – são função da vazão e não podem ser regulados independentemente, ou são de difícil ajuste. A perda de carga pode ser significativa. A limpeza é geralmente difícil. Floculação - Floculadores hidráulicos Floculação - Floculadores hidráulicos - Chicanas A escolha do tipo de floculador de chicanas, se de fluxo horizontal ou vertical, depende mais de razões de ordem prática e econômica. Uma recomendação geral indica o uso de floculadores de fluxo horizontal para vazões superiores a 75 L/s, e para menores capacidades, floculadores de fluxo vertical. Floculação - Floculadores hidráulicos - Chicanas No projeto dos floculadores de chicanas devem ser observadas, ainda, as seguintes recomendações: A velocidade da água ao longo das chicanas deve estar compreendida entre 0,30 m/s, no início da floculação e 0,10 m/s no fim. O espaçamento mínimo entre chicanas deverá ser de 0,60 m; esse espaçamento poderá ser menor, desde que as chicanas sejam dotadas de dispositivos para sua fácil remoção, tais como guias ou ranhuras na parede. O espaçamento máximo entre a extremidade da chicana e a parede do canal não deve ser superior à extensão da própria chicana nos floculadores de fluxo horizontal. O critério equivalente nos floculadores de fluxo vertical é manter uma profundidade da água não inferior a 3 vezes o espaçamento entre chicanas. O espaçamento entre a extremidade da chicana e a parede do canal, ou seja, a passagem livre entre duas chicanas consecutivas, deve-se fazer igual a 1,5 vez o espaçamento entre as chicanas. Equivale a dizer que a velocidade U2 na passagem deve ser igual a 2/3 da velocidade U1 no canal entre chicanas. Floculação - Floculadores hidráulicos - Chicanas Quando essa última condição é satisfeita, o dimensionamento de um floculador hidráulico de chicanas pode ser feito pelas seguintes equações, propostas por Richter. f= coeficiente da fórmula de Darcy (pode ser tomado igual a 0, 02-0,03 no dimensionamento) Q=vazão que passa pela unidade (m3/s) T= tempo de floculação no canal ou trecho considerado (s) A= área total do canal ou trecho considerado, normal ao fluxo (m2) Em floculadores de fluxo horizontal, A = HL e, em fluxo vertical, A = aL, onde L é o comprimento do canal ou trecho considerado, e H e a, respectivamente, a profundidade da água e a largura do canal, em metros.g Floculação – Floculação Hidráulica - Chicanas Exercício -Um floculador de chicanas de fluxo vertical, em uma estação de tratamento que trata 75 L/s, apresenta três seções em série como na figura ao lado, cada uma com um comprimento L = 10,0 m, largura a = 0,90 m e profundidade média H = 3,5 m, com os seguintes espaçamentos entre chicanas: Primeira seção 0,31 m Segunda seção 0,42 m Terceira seção 0,67 m Avaliar os gradientes de velocidade em cada seção, o número de Camp e as perdas de carga em cada seção e total, na temperatura de 10°C. Considerar um coeficiente da fórmula de Darcy f = 0,02 ; ρ = 999,73 kg · m–3 μ = 0,001307 N·s·m–2 e g=9,807m.s-2 Floculação – Floculação Hidráulica - Chicanas Sequenciamento de Cálculo Cálculo do tempo de floculação Número de canais entre chicanas em cada seção: Gradiente de velocidade em cada seção. Número de Camp: Perda de carga em cada seção. A = a · L = V = A · H = T = V/Q = m = L/e e = é o espaçamento entre chicanas (m) Ca = ΣGT Floculação – Floculação Hidráulica – Sequenciamento de Cálculo Cálculo do tempo de floculação, volume e área Número de canais entre chicanas para cada seção: Gradiente de velocidade em cada seção. Número de Camp: Perda de carga em cada seção. A = a · L =0,90 × 10,00 = 9,00 m2 V = A · H =9,00 × 3,5 = 31,5 m³ T = V/Q = 31,5/0,075 = 420 s m1 = L/e =10/0,31= 32 m2 = L/e = 10/0,42= 24 m3 = L/e =10/0,67= 15 G1 = 55 s-1 G2 = 36 s-1 G3 = 18 s-1 Floculação – Floculação Hidráulica - Chicanas Sequenciamento de Cálculo Cálculo do tempo de floculação Número de canais entre chicanas em cada seção: Gradiente de velocidade em cada seção. Número de Camp: Perda de carga em cada seção. Ca = ΣGT Ca= (55+ 36+18)*420= Ca= 45780 h1 = 0,1699 m h2 = 0,0717 m h3 = 0,0175 m