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Rangel Xavier Martins Engenheiro de Segurança do Trabalho Higiene Ocupacional e Segurança do Trabalho 2º Módulo – Segurança do Trabalho AULA 09 NR 15 – Atividades e Operações Insalubres Calor; ▪ Temperaturas extremas são condições térmicas rigorosas sob as quais podem ser realizadas atividades profissionais (OLIVEIRA et al., 2011). Dentre estas condições, destacamos o calor e o frio intenso. Nesta aula, iremos aprender sobre o calor e, futuramente, sobre o frio. ▪ O calor constitui um fator de risco relevante do ponto de vista da saúde ocupacional. A exposição a este agente físico pode ocorrer em diversos ambientes de trabalho, tais como: siderúrgicas, fundições, indústrias têxteis, padarias, entre outros (SALIBA, 2011). Introdução Conceitos fundamentais sobre o calor ▪As pessoas que trabalham em ambientes onde a temperatura é muito alta estão sujeitas a sofrer de fadiga, ocorrendo falhas na percepção e no raciocínio, e sérias perturbações psicológicas que podem produzir esgotamento físico e prostrações (BREVIGLIERO, POSSEBON, SPINELLI, 2012). ▪Desta forma, é importante que você, futuro técnico em segurança do trabalho, saiba como ocorre a interação térmica do nosso organismo com o meio ambiente. Vamos, então, conhecer este processo? ▪Uma pessoa, quando exposta a diferenças de temperatura, pode: ✓ganhar ou perder calor por condução, convecção e radiação, dependendo se a temperatura da sua pele está mais alta ou mais baixa que a temperatura do ar; ✓ganhar calor por metabolismo (gerado pelo seu próprio organismo, dependendo da atividade física que está realizando); ✓perder calor por evaporação (por meio do suor). ▪Assim, para que o corpo humano se mantenha em equilíbrio térmico, a quantidade de calor ganha pelo organismo deve ser igual à quantidade de calor perdida para o meio ambiente. (BREVIGLIERO, POSSEBON, SPINELLI, 2012). ▪Então, as trocas térmicas entre o corpo e o meio ambiente podem ser descritas pela seguinte expressão matemática (BREVIGLIERO, POSSEBON, SPINELLI, 2012): M±C±R-E=S ▪Onde: M = calor produzido pelo metabolismo C = calor ganho ou perdido por condução – convecção R = calor ganho ou perdido por radiação E = calor perdido por evaporação S = calor acumulado no organismo. ▪Assim, se: S > 0: o corpo está em hipertermia (elevação da temperatura corporal) S = 0: o corpo está em equilíbrio térmico Sdescanso nas condições de operação em que o trabalhador não pode abandonar o local de trabalho, entre a execução de uma tarefa e a seguinte (BREVIGLIERO, POSSEBON, SPINELLI, 2012). Caso 01 ▪Limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local de trabalho. Estes limites estão apresentados no Quadro 1. ▪Uma aplicação desta situação ocorre quando, por exemplo, um trabalhador carrega uma fornalha com lenha e ao fechar o compartimento da mesma espera a queima ser feita no local, observando indicadores de temperatura interna do equipamento e controlando pressão. ▪Esta espera é considerada período de descanso, mas também como exercício do trabalho, inclusive para fins legais. ▪Para este caso podemos realizar o seguinte procedimento: ▪Tenha as informações coletadas dos instrumentos de medição e classificação do tipo de atividade, que pode ser obtida pela consulta ao Quadro 3. ▪Calcula-se o IBUTG utilizando-se a Equação 1. ▪Em seguida, como função do IBUTG obtido, o regime de trabalho intermitente será definido pelo Quadro 1 do Anexo 3 da NR 15. Caso o regime de trabalho seja superior ao estabelecido no Quadro 1 a exposição será considerada insalubre. ▪Para você entender melhor, vamos fazer um exercício: ▪Um trabalhador ao produzir travessas de vidro fica exposto constantemente (trabalho contínuo) a seguinte situação: tbn = 22ºC e tg = 43ºC. Esse trabalhador executa atividades moderadas de limpeza da matriz. A exposição é insalubre? Em caso afirmativo, qual a jornada que deve ser recomendada pelo técnico em segurança do trabalho? ▪Solução ▪Pelos dados fornecidos percebe-se que a atividade é executada em um ambiente interno (sem carga solar). Então será usada a Equação 1: ▪Como a atividade é considerada na questão como moderada e o serviço é feito de maneira contínua, o limite de tolerância aceito é de no máximo até 26,7°C de IBUTG. Extraído da coluna “Moderada” e da linha “Trabalho contínuo” do Quadro 1 da NR 15. Equação 1 ▪O valor do IBUTG calculado está maior do que o limite de tolerância (28,3°C > 26,7°C). Portanto, este trabalho é considerado insalubre. ▪A resposta foi afirmativa. Agora, para sabermos o tempo de trabalho mais adequado, basta conferir no Quadro 1 em qual jornada o valor de 28,3°C se enquadra para as faixas de IBUTG fornecidas para a atividade moderada. Como este valor está entre 28,1 e 29,4, o regime de trabalho necessário para não acarretar em insalubridade é de 30 minutos de trabalho e 30 minutos de descanso. Caso 02 ▪Limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso em outro local (local de descanso). ▪Uma aplicação desta situação ocorre quando, por exemplo, um trabalhador carrega uma fornalha com lenha e ao fechar o compartimento da mesma espera em um outro ambiente (um escritório, gabinete ou uma mesa que não esteja muito próxima da fornalha). ▪Para este caso, você deve considerar como local de descanso, aquele ambiente termicamente mais ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo uma atividade leve. Para fins legais, este tempo de descanso é considerado exercício do trabalho. ▪A diferença para este estudo com relação ao anterior, está no fato de considerar o descanso como uma situação térmica na qual devem ser aferidas as temperaturas no ambiente e classificar o metabolismo identificando suas taxas. Depois, calcular uma média ponderada para o IBUTG e o metabolismo. ▪Em função do metabolismo médio obtido, compara-se o médio calculadocom o IBUTG máximo estabelecido no Quadro 2. Caso o médio calculado supere o valor do IBUTG máximo estabelecido no Quadro a exposição será considerada insalubre. ▪Onde: IBUTGT = valor do IBUTG no local de trabalho ▪IBUTGD = valor do IBUTG no local de descanso ▪Os tempos E devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo de trabalho, sendo TT + TD igual a 60 minutos. Equação 3 ▪Para entender melhor vamos fazer um exercício: ▪Um trabalhador fica exposto junto a uma caldeira. Feita a avaliação no local de trabalho obteve-se os seguintes dados: • 10 minutos carregando a lenha (atividade pesada). • 05 minutos remexendo a lenha (atividade pesada). • 15 minutos descansando em uma mesa observando (atividade leve). ▪Sabendo que esse ciclo se repete até o fim da jornada de trabalho, verifique se há insalubridade. Na avaliação da exposição, tivemos a informação de que as temperaturas são: • No local de trabalho: tbn = 32°C e tg = 47°C • No local de descanso: tbn = 27°C e tg = 28°C ▪Solução ▪Note que para este exercício o somatório dos tempos das atividades é de 30 minutos. Como na avaliação do calor o estudo deve ser feito com base em 60 minutos e ainda, temos a informação de que o ciclo se repete, devemos considerar dois ciclos para resultar em 60 minutos de jornada. Ou seja, teremos para a avaliação os tempos: • 20 minutos carregando a lenha (atividade pesada). • 10 minutos remexendo a lenha (atividade pesada). • 30 minutos descansando em uma mesa observando (atividade leve). ▪Para resolver este exemplo, vamos considerar que as atividades pesadas se classificam no Quadro 3 como “Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (exemplo: remoção com pá)”, com taxa metabólica de 440 kcal/h e na atividade leve, como “sentado, em repouso”. Com isso, podemos calcular a taxa metabólica média ponderada para 60 minutos. ▪Organizando os dados, tem-se: ▪Com a taxa calculada, ao verificarmos no Quadro 2, vemos que esta está na faixa entre 250-300 kcal/h. Então, adota-se o valor de 300 kcal/h por ser o valor maior para a obtenção do máximo IBUTG admissível. Neste caso, é o valor de 27,5°C. ▪Agora, parte-se para os cálculos do IBUTG (do local de descanso e do trabalho) e depois, para a estimativa da média ponderada para 60 minutos. ▪O valor calculado é maior do que o máximo permitido pela NR 15 (32,0°C > 27,5°C), portanto, a atividade é insalubre. ▪Para melhorar seus conhecimentos informamos você que a ACGIH prevê a utilização de fatores de correção para diversos tipos de vestimentas (índice Clo), do inglês Clothing, isto é, os valores de IBUTG serão reduzidos na medida em que as roupas utilizadas ofereçam menor proteção, não permitindo a evaporação do suor e sem fornecer isolamento térmico. Slide 1 Slide 2: AULA 09 Slide 3: Introdução Slide 4: Conceitos fundamentais sobre o calor Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8: Mecanismos de defesa do organismo frente ao calor e doenças do calor Slide 9 Slide 10 Slide 11: Limites de tolerância Slide 12 Slide 13 Slide 14: Considerações acerca do Índice de Bulbo Úmido – Termômetro de Globo (IBUTG) Slide 15: Trabalho e descanso no mesmo local Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20: Caso 01 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25: Caso 02 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35