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DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSO TRIBUTÁRIO Módulo: Responsabilidade Tributária TEMA 04 – Causas de Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Aula 01 – Causas de Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Causas de Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Depois que o CRÉDITO TRIBUTÁRIO passa pelo LANÇAMENTO, ele deve ser PAGO, sob pena de o sujeito passivo incidir EM MORA e começar a sofrer seus efeitos. Assim, ele perde o DIREITO DE OBTER CERTIDÕES NEGATIVAS junto à Administração Pública. Após a CONSTITUIÇÃO EM MORA, o DEVEDOR fica sujeito à AÇÃO DE EXECUÇÃO FISCAL. Porém, em alguns casos previstos pelo CTN, a exigibilidade do crédito tributário fica suspensa. São eles: Art. 151 CTN. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Apesar de ser definida na lei como “suspensão do crédito tributário”, trata-se de SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Esta KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 suspensão surge com o decurso do prazo legal para adimplir o tributo. Afinal, esgotado tal prazo o crédito se torna exigível. Todavia, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pode ocorrer ANTES MESMO DA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (antes do lançamento). Diante disso, podemos concluir que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário (i) prévia e (ii) posterior. A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE PRÉVIA é ANTERIOR AO LANÇAMENTO, sendo um verdadeiro impedimento à exigibilidade (afinal não podemos suspender algo que ainda nem existe). O crédito tributário, neste caso já “nasce” suspenso. Já a SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POSTERIOR é a suspensão propriamente dita, a que ocorre APÓS A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, quando este já é EXISTENTE e EXIGÍVEL. Para melhor compreensão desta divisão, atente-se ao esquema apresentado abaixo: FATO GERADOR LANÇAMENTO Suspensão Prévia Suspensão Posterior (IMPEDIMENTO À EXIGIBILIDADE) (SUSPENSÃO À EXIGIBILIDADE) Principal Objetivo O princípal objetivo da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário é VEDAR a cobrança do crédito tributário, afastando a situação de inadimplência do contribuinte. Como a EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO FICA SUSPENSA, isso impede que o FISCO possa EXIGIR DE IMEDIATO o PAGAMENTO DO TRIBUTO devido. Não se esqueça: A consequência prática da suspensão é o IMPEDIMENTO (ainda que temporário) da cobrança do crédito tributário . KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Não suspensão da obrigação tributária A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias (dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso ou dela decorrente), conforme previsão do parágrafo único do art. 151 do CTN: CTN, Art. 151, Parágrafo único.Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Assim, o parágrafo em estudo dita que fica suspensa a “exigibilidade do crédito tributário” e não a obrigação tributária em si. Por isso, como bem pontuado por Hugo de Brito Machado: Advirta-se que a ocorrência de uma dessas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequente. Em outras palavras, caso um contribuinte obtenha medida liminar que suspenda a exigibilidade do crédito tributário relativo ao ICMS incidente sobre as mercadorias que vende, isso não o eximirá de escriturar essas vendas em sua contabilidade, emitir as correspondentes notas fiscais, entregar ao Fisco as declarações exigidas pela legislação etc.1 Atributos da suspensão São ATRIBUTOS da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário 1 MACHADO, Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 203 Não se esqueça: A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO alcança somente a parte econômica da obrigação (principal), porém não altera o dever de cumprir as obrigações acessórias (este permanece inalterado). KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 • SUSPENDE o prazo prescricional; • IMPEDE a inscrição em dívida ativa, a execução fiscal; ou, se já promovida, o curso da execução. Neste aspecto, com base nos ensinamentos de Hugo de Brito Machado: Vale registrar que as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário conduzem, também, à suspensão do prazo de prescrição de que dispõe o Fisco para cobrá-lo. Afinal, se a ordem jurídica impede o Fisco de exigir o cumprimento de uma prestação, não seria razoável que fluísse o prazo de prescrição, que consiste precisamente em um prazo para que a exigência fosse formulada.2 Ainda, no ensinamento de Roberto Caparroz: Destaque-se, ainda, que a suspensão da exigibilidade impede o início da contagem do prazo prescricional (posto que as autoridades não podem propor medidas contra o sujeito passivo nesse ínterim — efeito impeditivo) ou suspende a fluência desse prazo, nas hipóteses em que ele já tiver sido iniciado (efeito suspensivo).3 Não impede A Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário não impede: • Constituição do crédito; • Decadência tributária. Neste contexto, conforme explica Roberto Caparroz: A suspensão da exigibilidade não afeta a contagem do prazo decadencial e em razão disso não impede que as autoridades fiscais promovam o lançamento, justamente para evitar a perda do direito. Assim, nas hipóteses em que o sujeito passivo obtém liminar judicial para afastar a tributação, o lançamento será efetuado 2 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 203. 3 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 689. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 com exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado da ação.4 Reserva legal As CAUSAS de SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO respeitam o PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. Diante disso, elas somente podem ser definidas por lei. Como bem pontua Alexandre Mazza: As causas de suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário somente podem ser definidas e disciplinadas em lei. Qualquer hipótese de benefício concedido administrativamente enseja responsabilidade funcional (art. 141 do CTN) e constitui improbidade administrativa (art. 10 da Lei n. 8.429/92). Como a disciplina do crédito tributário está sob reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF), as alterações na matéria exigem lei complementar federal.5 Interpretação da suspensão da exigibilidade A Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário interpreta-se de forma literal, conforme previsão do inciso I do art. 111 do CTN: Art. 111, I, CTN: Interpreta-se de forma literal a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Certidões O art. 205 do CTN disciplina a CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO: CTN, Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidãonegativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido; Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. 4 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 689. 5 MAZZA, Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 9616 KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Se o sujeito passivo possui créditos constituídos, mas com EXIGIBILIDADE SUSPENSA, fica impedido de receber certidão negativa. Neste caso, o contribuinte terá direito a uma CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA. Atente-se ao artigo que trata do tema: CTN, Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.” Causas de suspensão do crédito tributário Como já mencionado anteriormente, o art. 151 do Código Tributário Nacional prevê 6 (SEIS) CAUSAS DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: 1) MORATÓRIA; 2) DEPÓSITO INTEGRAL; 3) RECLAMAÇÕES E RECURSOS ADMINISTRATIVOS; 4) CONCESSÃO DE MEDIDA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA; 5) CONCESSÃO DE MEDIDA LIMINAR OU TUTELA ANTECIPADA NAS DEMAIS AÇÕES; 6) PARCELAMENTO. ATENÇÃO: CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO • É a PROVA DE QUITAÇÃO de determinado tributo; • Expedida a requerimento do interessado; • Contem TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS à identificação: a) De sua pessoa; b) Domícilio fiscal; c) Ramo do negócio ou atividade que indique o período a que se refere o pedido; • Será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida; • Será fornecida dentro de 10 dias da data de entrada do requerimento na repartição. NÃO SE ESQUEÇA: O SUJEITO PASSIVO com dívidas tributárias cuja exigibilidade do crédito tributário esteja suspensa tem direito a CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. (art. 206, parte final, CTN) KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Para sua memorização vamos agrupar as modalidades de suspensão do crédito tributário em (i) iniciadas pelo sujeito ativo e (ii) iniciadas pelo sujeito passivo. Vejamos: Aula 02 – Moratória e Deposito Integral Causas de Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Ainda, vale citar que é possível separar as HIPÓTESES DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO em 2 (duas) categorias: (i) as aplicáveis antes do lançamento (moratória, depósito do montante integral, liminares e tutelas antecipadas em Mandando de Segurança e outras ações) e (ii) as aplicáveis depois do lançamento (moratória, depósito do montante integral, liminares e tutelas antecipadas, reclamações e recursos no processo administrativo tributário e, por fim, parcelamento). Essa divisão é proposta pelo doutrinador Rafael Novais6. Para melhor compreensão desta divisão atente-se ao quadro resumo: 6 NOVAIS. Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 375. Atenção: Para memorizar as CAUSAS DE SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO utilize- se do mnemônico: MO DE RE CO PA KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Também Roberto Caparroz oferece uma DIVISÃO DIDÁTICA. Para o doutrinador, da análise do art. 151, podemos concluir que estamos diante de dois grupos de situações: “aquelas em que o sujeito passivo está atrasado em relação ao pagamento e outras em que se discute a própria exigibilidade do crédito”. No primeiro grupo, encontram-se moratória (inciso I) e o parcelamento (inciso VI). Nesses casos, diz o autor, “o sujeito passivo, em regra, já deve o tributo e o que se discute é a possibilidade de postergação do pagamento dos montantes em atraso”. Por outro lado, diz Caparroz, as demais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151 do CTN, cuidam de medidas jurídicas destinadas a discutir o lançamento efetuado e que, nesse contexto, devem ser propostas antes do vencimento do prazo para pagamento, como forma de impedir a incidência das penalidades moratórias. Assim, o depósito do montante integral, as reclamações e os recursos no âmbito do processo administrativo, a concessão de liminar em mandado de segurança e a concessão de liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial têm o condão de proteger o patrimônio do interessado enquanto durar a discussão acerca da validade dos lançamentos combatidos (...)”7. Moratória A moratória tem sua disposição legal nos arts. 152 a 155 do CTN. Trata-se de DILAÇÃO DE PRAZO, em regra, para pagamento de créditos vincendos. 7 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 687. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 No conceito de Rafael Novais: “A moratória se caracteriza pela dilação de prazo para recolhimento do tributo concedida pelas Fazendas Públicas em específicas conjunturas econômicas ou sociais.8” Para Eduardo Sabbag, a moratória “consiste numa expansão legal de pagamento de tributos, submetendo-se, por conseguinte ao princípio da estrita legalidade”. Sua concessão “é feita por meio de lei ordinária, onde se permitirá o pagamento, pelo sujeito passivo, em cota única (ou parcelada), entretanto de maneira prorrogada”. Necessário frisar que, “ao contrário de outros institutos, como o parcelamento, a moratória não exige lei específica para sua concessão”9. Logo, vê-se que a MORATÓRIA é um instituto por meio do qual o CREDOR dá um prazo adicional ao DEVEDOR para PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Assim, até a data do pagamento, o CRÉDITO fica SUSPENSO, de modo que o CREDOR fica impedido de realizar qualquer ato de cobrança. Algumas características da moratória são as seguintes: • Ex lege (art. 97, VI, CTN) – só se concede moratória através de lei; • Pode se dar em face de caráter (i) geral (ii) individual (a lei concessiva que define); • Atinge apenas créditos constituídos (lançados) à data da lei ou despacho que a conceder (154 CTN) – não existe moratória para créditos futuros; • Pode se dar em face de determinada região, classe ou categoria dos sujeitos passivos; • Prazo determinado, seja de forma geral ou individual. Quanto à primeira característica apontada, “a moratória sempre depende de lei específica e, como regra, deve ser concedida pela pessoa política competente para criar o tributo10.” Quanto ao CARÁTER GERAL ou INDIVIDUAL: 8 NOVAIS. Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 363. 9 SABBAG. Eduardo. Código Tributário Nacional comentado. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017, p. 415. 10 MAZZA, Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 964. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 A moratória pode ser concedida em caráter geral ou em caráter individual. No primeiro caso, abrange todos os sujeitos passivos, indistintamente, ou todos aqueles enquadrados em determinado grupo, perfil, região etc. No segundo caso, é concedida a um sujeito passivo, especificamente. Em caráter geral, a moratória somente pode ser concedida pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que se refira (CTN, art. 152, I, a). Assim, se se tratar de moratória relativa ao IPTU devido por contribuintes residentes no Município de São Paulo, somente esse Município poderá concedê-la. A UniãoFederal, por exemplo, não pode conceder moratória de impostos estaduais ou municipais, pois não pode alterar os prazos para o pagamento de tributos não compreendidos em sua competência. A forma federativa de Estado, adotada pelo Brasil, confere autonomia aos entes federados, e não admite que uns interfiram nas atribuições e competências dos outros.11 Ainda, quanto à MORATÓRIA GERAL, explica Alexandre Mazza que: Moratória geral é aquela outorgada por lei a todos os devedores descritos na hipótese concessiva, dispensando-se a necessidade de um ato administrativo que defira concretamente o favor a cada beneficiário. É caso, por exemplo, de uma lei municipal que prorrogue por mais 30 dias o prazo para pagamento do IPTU a todos os contribuintes. Desse modo, na moratória geral a simples publicação da lei já suspende a exigibilidade do crédito.12 Já a MORATÓRIA INDIVIDUAL é aquela “cuja concessão exige, nos termos da lei específica, um despacho da autoridade administrativa deferindo o benefício a cada devedor.” Assim, para que essa moratória “produza o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário”, é necessária a presença simultânea de dois requisitos”, quais sejam: (1) “lei específica autorizando”; e (2) “despacho da autoridade administrativa”, que consiste num “ato administrativo vinculado da autoridade fiscal que, confirmando o preenchimento dos requisitos exigidos pela lei, defere no caso concreto a concessão do benefício ao devedor”. Observe-se que “somente após o despacho é que ocorre a suspensão do crédito.13” 11 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 203. 12 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 964. 13 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 965. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Quanto à terceira característica apontada, explica Hugo de Brito Machado: Salvo disposição de lei em contrário, a moratória somente abrange os créditos definitivamente constituídos à data da lei ou do despacho que a conceder, ou cujo lançamento já tenha sido iniciado àquela data por ato regularmente notificado ao sujeito passivo (CTN, art. 154). Em outras palavras, os efeitos da moratória, em princípio, não alcançam créditos cujo lançamento ainda não tenha sido pelo menos iniciado quando de sua concessão. Um contribuinte que obtenha uma moratória (p. ex., REFIS) em determinada data não pode inserir no seu “saldo devedor” créditos que somente muito tempo depois vierem a ser lançados.14 Em relação à quarta característica indicada, explica-se que, nos termos do art. 152, parágrafo único, do CTN, a lei concessiva da moratória pode circunscrever expressamente a sua aplicabilidade a determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos. Por fim, com relação à última característica indicada, o prazo determinado, a lei instituidora do benefício da moratória deverá indicar o prazo de duração do favor (art. 153 CTN). Explica Rafael Novais que “considerado apenas como a dilação do prazo, deverá a lei concessiva indicar o momento em que a exigibilidade deixar de ficar suspensa, retornando a cobrança por parte do fisco”15. Depósito do Montante Integral • ATO VOLUNTÁRIO do contribuinte • Atinge todas as modalidades de lançamento Explica Roberto Caparroz que o objetivo do depósito é o de permitir que o sujeito passivo não seja cobrado ou sofra qualquer ameaça ao seu patrimônio enquanto não houver decisão nas esferas administrativa ou judicial. 14 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 205. 15 NOVAIS. Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 365. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Desta forma, “sempre que a pessoa toma ciência de uma notificação de lançamento ou de um auto de infração pode efetuar o depósito do montante integral, antes do vencimento, para evitar a fluência de juros e a imposição de multas moratórias.16” Esta medida “traz a vantagem de afastar a incidência de qualquer acréscimo ao valor do crédito original”, embora reduza a “disponibilidade financeira imediata do interessado, pois o valor depositado ficará bloqueado até a decisão final no processo”. Apesar de poder ser feito tanto na esfera administrativa como na judicial, “o depósito do montante integral normalmente é apresentado, na via judicial, junto com a propositura da ação que contesta o lançamento, e deve ser realizado em dinheiro, conforme matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça”17. Neste sentido, a Súmula 112 do STJ: Súmula 112, STJ - O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. Ou seja, para SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO o DEPÓSITO deve ser: • Integral • Dinheiro Portanto, quanto à forma e quantidade do depósito, o Superior Tribunal de Justiça determina que o depósito deverá corresponder aos valores exigíveis pelo Fisco, “ainda que parcela dele seja discutível”, bem como necessita ser prestado em dinheiro18. Ainda na lição de Rafael Novais, seguindo esse entendimento, “o STJ recusa a suspensão da exigibilidade pela prestação de fiança bancária (REsp 873.067/SP), utilização dos créditos de precatório (Resp 1.196.655/RS) ou caução de bens (AgRg no REsp 354.521/GO). Também não se considera apto para 16 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 689. 17 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 689. 18 NOVAIS, Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 368. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 suspensão o depósito realizado com desconto concedido pelo pagamento à vista do tributo, pois não se enquadra no conceito de integral (AgRg no Ag 1.307.925/SP)19.” O autor também explicita que, segundo entendimento do STJ, “se a ação apresentada pelo contribuinte visando discutir do débito tributário for julgada extinta sem resolução do mérito, a respectiva Fazenda Pública poderá levantar valores eventualmente depositado e efetuar a quitação desse tributo (EREsp 215.589/RJ, EREsp 734.831/MG)20”. Porém, “se a extinção sem resolução do mérito ocorrer em ações nas quais se discutem tributos flagrantemente indevidos, inconstitucionais ou de ilegitimidade ativa, os valores depositados não serão convertidos em renda em favor do fisco, mas sim devolvidos aos contribuintes (REsp 901.052/SP, REsp 1.155.459/SP).21” Ademais, A VEDAÇÃO DE EXIGÊNCIA PRÉVIA DE DEPÓSITO como requisito de admissibilidade é fundamentada pelo PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA INAFASTABILIDADE JURISDICIONAL (art. 5º, XXXV, da CF), tema já pacificado a nível vinculante: Súmula Vinculante nº 28: É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário. Portanto, se o contribuinte pretender ingressar com a ação anulatória, não poderá ser exigido depósito prévio dos valores discutíveis. ❖ DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL X SÚMULA VINCULANTE Nº 28 DEPÓSITO INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que o depósito de que trata o art. 151, II, do CTN constitui direito subjetivo do contribuinte, que pode efetuá-lo tanto nos autos da ação principal quanto em Ação Cautelar, sendo desnecessária a autorização do Juízo. É facultado ao sujeito passivo da relação tributária efetivar o depósito do montanteintegral do valor da dívida, a fim de suspender a cobrança do tributo e evitar os efeitos decorrentes da mora, enquanto se discute na esfera administrativa ou judicial a exigibilidade da 19 NOVAIS, Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 368. 20 NOVAIS, Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 368. 21 NOVAIS, Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 368. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 exação...” (STJ, 2ªT., REsp 1289977/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, dez. 2011) DEPÓSITO DO MONTANTE CONTROVERTIDO. CTN, ART. 151, II.1. O montante integral do crédito tributário, a que se refere o artigo 151, II, do Código Tributário Nacional, é aquele exigido pela Fazenda Pública, e não aquele reconhecido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Recurso especial conhecido e provido. (STJ, 2ªT., REsp 69.648/SP, Ari Pargendler, ago. 1997). Portanto, o depósito é uma faculdade do sujeito passivo. Trata-se de uma opção deste, não podendo ser considerado obrigatório, nem colocado como condição para que se possa questionar em juízo determinada exigência fiscal22. Aula 03 – Reclamações, Recursos Administrativos Reclamações e Recursos Administrativos Depois de efetuado o lançamento tributário em desfavor do sujeito passivo, um prazo se abre para que ele possa oferecer impugnação (defesa), conforme a lei de cada entidade federativa. No âmbito federal, a legislação regulamentadora é o Decreto nº 70.253/72. Este decreto foi editado na época o Poder Executivo era autorizado a dispor sobre o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União. Segundo o professor palestrante desta aula, a Constituição Federal de 1988 recepciona este decreto com status de lei complementar. Importante frisar que a respeito da natureza do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, vale a transcrição do entendimento firmado por Leandro Pausen: 22 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 208. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Decreto recepcionado com nível de lei ordinária. O Decreto nº 70.235/72 tem força de lei e somente pode ser alterado por lei ordinária. Os Atos Institucionais nº 5 e 12 legitimaram a edição do DL nº 822/69, que delegou ao Poder Executivo, em pleno regime militar, competência para regrar o processo administrativo fiscal. Passou-se a discutir a posição hierárquica do Decreto nº 70.235/72 dentro do ordenamento jurídico pátrio. Em síntese, os tribunais têm decidido que, na época, a delegação era constitucional, mas que as Constituições subsequentes não recepcionaram a possibilidade de delegação, reservando a matéria à lei ordinária. Para compreender o histórico é essencial a leitura da MAS 106.747/DF, julgada pelo extinto Tribunal Federal de Recursos.23 Neste sentido, havendo consenso em relação À NATUREZA DE LEI ORDINÁRIA do Decreto nº 70.235, de 1972, também o entendimento firmado pelo Tribunal Federal de Recursos ao julgar o MAS 106.747-DF, consoante voto do Ministro Ilmar Galvão: Cabe, aqui, portanto, a reprodução dos argumentos que foram por mim expendidos na AMS 106.307-DF, onde a questão da competência do Presidente da República para editar normas de processo foi assim enfocada: ‘O Decreto-lei n.º 822, de 05/09/69, editado pelos Ministros Militares, com base nos Atos Institucionais n.os 5 e 12, delegou, em seu artigo 2.º (fl. 12), ao Poder Executivo, competência para regular o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Achava-se o País sob o império de duas ordens jurídicas: uma constitucional e outra institucional. Ambas co-existiam, cada qual operando em seu setor próprio. Entre os poderes atribuídos ao Presidente da República pelo Ato Institucional n.º 5, de 13/12/68, encontrava-se o de legislar em todas as suas matérias, decretado que fosse o recesso parlamentar (art. 2.º, § 1.º), medida que se concretizou com o Ato Complementar n.º 38, de 13/12/68. No exercício dessas atribuições legislativas, editaram os Ministros Militares, 05/09/69 (quando investidos temporariamente da função de Presidente da República, por força do Ato Institucional n.º 12, de 31/08/69), o Decreto-lei n.º 822 que, em seu art. 2.º, delegou ao Poder Executivo a competência para regular o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Em 17 de outubro de 1969, as mesmas autoridades promulgaram a Emenda Constitucional n.º 01, que entrou em vigor no dia 30 do mesmo mês. Em seu art. 181, III, a aludida emenda aprovou e excluiu de apreciação judicial, entre outros atos, os de natureza legislativa expedidos com base nos atos institucionais e complementares indicados no item 1. Vale dizer que, conquanto haja 23 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência. 6 ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010. p. 11. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 a nova Constituição vedado a delegação de atribuições (artigo 6.º, parágrafo único) e reservado à lei federal toda a matéria de Direito Processual e de Direito Financeiro (art. 18, § 1.º), permaneceu, como se viu, com plena vigência o Decreto-lei n.º 822, de 1969. Invocando a delegação contida neste diploma legal, baixou o Presidente da República, em 06/03/72, o Decreto n.º 70.235, (...)24 No mais, conforme explica Roberto Caparroz: As regras gerais do processo administrativo estão previstas na Lei n. 9.784/99, e na esfera federal os feitos de natureza tributária são especificamente tratados pelo Decreto n. 70.235/72 (que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal - PAF).25 Continuando o assunto anterior, relacionado à apresentação de impugnação (defesa) ao ocorrer um lançamento tributário, temos que, como a legislação prevê instrumentos a serem utilizados para reclamar ou recorrer da decisão que constitui o crédito tributário, o exercício de tal direito suspende a exigibilidade do crédito tributário, permanecendo suspenso até que ocorra o trânsito em julgado da decisão administrativa. Portanto, neste período (entre a impugnação/defesa e o julgamento definitivo), suspendem-se os prazos decadencial e/ou prescricional, que deixam momentaneamente de correr. Veja-se que como o Fisco já constituiu o crédito tributário (ao notificar o sujeito passivo da realização do lançamento) então o prazo decadencial não corre. Já o prazo prescricional não corre porque ainda nem se iniciou, porquanto a impugnação suspendeu a exigibilidade do crédito, impedindo a sua cobrança. Porém, se não houver impugnação, defesa ou recurso previsto na lei que regulamentar o processo administrativo fiscal, então não ocorrerá o efeito previsto pelo art. 151 CTN, de modo que não se suspende a exigibilidade do crédito, que permanecerá ativa. Outrossim, só se pode inscrever o débito em dívida ativa, se não houver 24 Fonte: PARECER PGFN/CAT/Nº 1526 /2013, disponível em: https://www.ibet.com.br/wp- content/uploads/2019/09/PGFN-1526.2013.pdf, acesso em 17/04/2022 25 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 697. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 mais discussão sobre ele. Se estiver pendende de recurso administrativo, então ele não pode ser inscrito ainda. Por isso, pode ser expedida certidão negativa com efeitos de positiva. • O Processo Administrativo Tributário (PAT) ou Fiscal (PAF) Conforme explica Hugo de Brito Machado: A reclamação, que também é chamada de “impugnação” ou “defesa administrativa”, instaura o processo de controle da legalidade do lançamento, queo Decreto 70.235/72 denomina “a fase contenciosa do lançamento”. A Administração Pública, em face da provocação do sujeito passivo, deverá examinar se o lançamento está realmente de acordo com a lei, ou não. E, até que se pronuncie definitivamente, não poderá exigir o valor lançado e devidamente impugnado. Desse modo, apresentada dentro do prazo legal a defesa administrativa, o crédito tributário impugnado permanece com sua exigibilidade suspensa até que a autoridade competente sobre ele se pronuncie. Após essa primeira decisão, poderá ser interposto recurso administrativo, o qual também mantém suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Somente após o pronunciamento definitivo da Administração Pública, no processo administrativo, caso esta conclua pela manutenção da exigência, é que o crédito tributário voltará a ser exigível.26 Também Alexandre Mazza leciona: Qualquer exigência tributária federal pode ser objeto de impugnação pelo devedor, no prazo de 30 dias, dirigida à Delegacia da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo (art. 56 do Decreto n. 7.574/2011). Sendo derrotado, o contribuinte pode interpor recurso voluntário com efeito suspensivo ao Conselho Administrativo e Recursos Fiscais – CARF (art. 75). Caberá, por fim, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de quinze dias da ciência do acórdão ao interessado, de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (art. 79). Com o recurso especial é atingido o limite máximo de três instâncias na esfera administrativa (art. 57 da Lei n. 9.784/99). Se a decisão final for favorável ao devedor, torna-se imutável para o Fisco. Porém, derrotado o sujeito passivo, ainda poderá este recorrer ao Poder Judiciário.27 26 MACHADO. Hugo de Brito. Manual de direito tributário. 10. ed., São Paulo: Atlas, 2018, p. 209. 27 MAZZA. Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 970. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 • Lançamento Tributário • Prazo: 30 dias • Impugnação Administrativa (art. 14 Dec. 70.235/72) ✓ Não há constituição definitiva do crédito, logo não se pode inscrever o débito em dívida ativa; ✓ Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (206 CTN). • Duração do processo administrativo tributário (PAT) • O Fisco possui um prazo de 360 dias, a contar de seu protocolo, para ressarcimento ou análise dos recursos interpostos pelo contribuinte (art. 24 da Lei 11.457/07). Conforme explica Roberto Caparroz: Com o advento da Lei n. 11.457/2007, foi estabelecido o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão em processos administrativos fiscais, contados a partir do protocolo de petições, defesas ou recursos do contribuinte (Lei n. 11.457/2007, art. 24).28 • Art. 5º, LXXVIII, CF = a duração razoável do processo constitui cláusula pétrea Por mais que exista essa garantia, muitas vezes é preciso impetrar mandado de segurança para que o recurso seja julgado, pois já passou muito tempo. Ainda seguindo os ensinamentos de Caparroz, a matéria já foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça, que em sede de recurso repetitivo decidiu pela sua obrigatoriedade [do art. 24 da Lei n. 11.457/2007]:” “1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. 3. O processo administrativo tributário encontra- se regulado pelo Decreto 70.235/72 — Lei do Processo 28 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 698. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Administrativo Fiscal —, o que afasta a aplicação da Lei n. 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. (...) 5. A Lei n. 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos (...) 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes.29 • Lei nº 11.457/07 unificou • Lei nº 11.457/07 unificou Secretaria da Receita Federal x Secretaria da Receita Previdenciária = Secretaria da Receita Federal do Bras • Desnecessidade de depósito ou arrolamento prévio de bens ou dinheiro No mais, deve-se destacar que se considera inconstitucional o estabelecimento, pela legislação, de necessidade de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens, como requisito para interpor recurso, consoante determina a Súmula Vinculante nº 21 (e, anteriormente, já determinava a Súmula 373 do STJ). Vejamos: Súmula nº 373 STJ: é ilegítima a exigência do depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo. A Súmula nº 373 STJ foi convertida na Súmula Vinculante nº 21: Súmula Vinculante nº 21 STF: é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.” • Renúncia ao PAT Por fim, importante salientar também que caso seja AJUIZADA AÇÃO JUDICIAL, entende-se que, consequentemente, houve RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Isso ocorre com fundamento na seguinte 29 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 698. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 justificativa: o processo administrativo tributário (PAT) perderia o objeto em face de decisão judicial exarada. ➢ Art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80: A ação judicial (anulatória) implica em renúncia ao processo administrativo. OBS: Aplica-se igual tratamento ao parcelamento. Neste sentido, de acordo com Roberto Caparroz: Na hipótese de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, restará prejudicada esta última, vale dizer, a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra o poder público, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia às instâncias administrativas ou, se for o caso, desistência de eventual recurso porventura interposto.30 Aula 04 – Concessão de Liminar em MS, em Tutela Antecipada e outras ações e Parcelamento Concessão de Liminar em Mandado de Segurança ➢ Previsão legal: • Art. 5º LXIX, CF • Art. 5º LXX, CF • Lei nº 12.016/09 Como se pode notar, o MANDADO DE SEGURANÇA, instituído pela CF em seu art. 5º, inciso LXIX, é utilizado no âmbito tributário: Art. 5º LXIX, CF: “Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de 30 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 698. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. ➢ Função: Visa evitar ou coibir lesão a direito líquido e certo perpetrado por AUTORIDADE ADMINISTRATIVA de forma abusiva ou ilegal, desde que o ato praticado não seja amparado nem por HC nem por HD. ➢ MS: Direitolíquido e certo (não admite dilação probatória futura) ➢ Requisitos para concessão da liminar: (art. 7º, III, Lei 12.016/09) • Fumus Boni Juris – AFRONTA às leis tributárias • Periculum in Mora – Perigo de constrição judicial indevida Conforme explica Roberto Caparroz, O direito líquido e certo pode decorrer de ameaça ou iminência de dano irreparável ao contribuinte, em razão de ato administrativo praticado pelas autoridades fiscais, normalmente lançamentos para a cobrança de tributos ou decisões que obstaculizam, em tese, o exercício da livre-iniciativa, como a apreensão de mercadorias ou a interdição de estabelecimentos31. ➢ VEDAÇÕES À CONCESSÃO DE LIMINAR: (art. 7º, §2º) • Compensação de Tributos (art. 170-A, CF) • Liberação de mercadorias apreendidas advindas do exterior, antes do desembaraço aduaneiro Importante notar, portanto, que: “Não é a propositura da ação que suspenderá a exigibilidade do crédito, mas a concessão, pelo juiz, de liminar em favor do interessado, no qual será delimitado o objeto da decisão e os efeitos contra a Fazenda Pública. A liminar tem caráter temporário e 31 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 699. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 pode ser cassada a qualquer tempo, antes de proferida a decisão final no processo. Enquanto durar a ordem concedida no writ, ficam suspensos os efeitos do lançamento ou de qualquer outro ato administrativo combatido.32 Ainda, segundo Rafael Novais: Na seara tributária, a liminar não apenas servirá como mecanismo de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, pois também poderá ser utilizada para sanar desvios e abusos indiretamente ocasionados pela atividade tributária. Assim, o contribuinte poderá utilizar-se da liminar no MS para obtenção de certidões negativas (ou positivas com efeito de negativa) para participação urgente em processos licitatórios. Também poderá utilizar a liminar para liberação de mercadorias indevidamente apreendidas pela autoridade administrativa após a finalização da atividade de fiscalização, baseando-se na Súmula 323 do STF que aduz: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos33. ➢ Efeitos da Liminar em MS: • Súmulas: 405 e 626 STF Súmula nº 405, STF: Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária.” Súmula nº 626, STF: A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo determinação em contrário da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito em julgado da decisão definitiva de concessão da segurança ou, havendo recurso, até a sua manutenção pelo supremo tribunal federal, desde que o objeto da liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da impetração.” Concessão de liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ações judiciais ➢ Tutelas provisórias possuem previsão dentre os artigos 294 a 311 do CP 32 CAPARROZ, Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 699. 33 NOVAIS. Rafael, Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 372. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 ➢ Tutela provisória de (i) urgência (antecipada ou incidental) ou tutela provisória e de (ii) evidência ➢ Mesmas vedações à concessão de liminar se estendem para a tutela. Além da liminar em mandado de segurança, suspendem a exigibilidade do crédito tributário as liminares concedidas em ações cautelares, bem como as decisões em antecipação de tutela nas demais ações tributárias e nos recursos cíveis34. Conforme ensina Leandro Paulsen: Em quaisquer ações, é possível a obtenção de medida suspensiva da exigibilidade de tributo que se mostre indevido. Nenhum óbice há à tutela imediata em matéria tributária para fins de obstar a exigibilidade de crédito tributário. Para tanto, basta que o Juiz verifique a presença dos seus requisitos. No mandado de segurança, terá como referência para a análise dos pedidos de liminar o art. 7º, inc. III, da Lei n. 12.016/09; nas ações em geral, a tutela de urgência é regida pelo art. 300 do novo CPC e a tutela de evidência pelo seu art. 311. Os requisitos são muito semelhantes em todas essas ações.35 Parcelamento Determina o art. 155-A do CTN: Art. 155-A, CTN: o parcelamento será concedido na forma e condições estabelecidas em lei específica. A Lei Complementar nº 104/2001 incluiu o parcelamento como espécie de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, caracterizada pela concessão de prazo vinculada a parciais pagamentos (art. 151, VI, do CTN). Segundo Rafael Novais: “Conforme já estudado, a moratória também se conceitua como a concessão de prazo para pagamento do tributo, podendo ser condicionada ao vencimento de prestações (art. 153, III, “b”, do CTN). A semelhança é tão latente que, até momento anterior a edição da LC 104/2001, os entes 34 MAZZA, Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 970. 35 PAULSEN, Leandro. Curso de direito tributário completo. 10. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 327. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 “parcelavam” o débito tributário, utilizando-se dessa previsão quanto à moratória36.” Neste sentido, diz Roberto Caparroz que “do ponto de vista teórico não há grandes diferenças entre os institutos, pois ambos decorrem de lei e permitem o alargamento da dívida tributária, inclusive com a possibilidade de pagamento em várias parcelas.37” De acordo com Eduardo Sabbag, definindo essa espécie de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário: O parcelamento se caracteriza pelo ato do contribuinte, após requerimento à autoridade administrativa, de conduzir recursos de forma não integral ao Fisco. A providência gera a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O parcelamento reveste-se da natureza de uma moratória, pois os pagamentos se dão após o vencimento dos créditos tributários, em geral de forma mensal durante longo período de tempo. A princípio, o parcelamento constitui-se em ato discricionário da esfera administrativa, e, após sua concessão, passa a se revestir de direito líquido e certo para o contribuinte, conforme entendimento do STF. O instituto do parcelamento é regulado pelo art. 155-A do CTN, com sua redação dada pela LC 104/2001.38 Em razão de serem muito parecidos os institutos da MORATÓRIA e do PARCELAMENTO, pergunta-se qual a justificativa para o legislador incluir parcelamento como forma de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Há duas diferenciações específicas que motivam essa inclusão legislativa: (1) “A moratória será concedida em decorrência de situações de proteção econômica ou social ao contribuinte que necessita da dilação do prazo (ex.: inundação no território de um Município). Já o parcelamento estaria relacionado à facilitação na atividade de pagamento da carga tributária, objetivando minimizar a inadimplência da exação”; (2) “Salvo se revogada por ausência ou perda de requisitos, na moratória não existirá a incidência de multa ou juros, pois se trata de concessão de favor ao contribuinte. Já no parcelamento, se a lei não 36 NOVAIS. Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 373. 37 CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 706. 38 SABBAG. Eduardo. Código Tributário Nacional comentado. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017, p. 424. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 dispor de forma contrária, haverá normal incidência de juros e multas39”. • Dilaçãode prazo para pagamento de créditos vencidos • Deverão ser incluídos no pagamento os juros e a multa (155, §1º, CTN) CTN, Art. 155-A, § 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. • Formas e condições estabelecidas em Lei (art. 97, VI, CTN) Art. 97 CTN. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. • Aplica-se, subsidiariamente, os ditames relativos à Moratória O Código Tributário Nacional determina que ao parcelamento será aplicável subsidiariamente as previsões relativas à moratória (art. 155-A, § 2º, do CTN). CTN, Art. 155-A, 2o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória. • Irregularidade formal ou falta de requisitos x pagamento das parcelas • Erro material no pedido de parcelamento O mero erro material do contribuinte ao preencher o pedido de parcelamento de débitos tributários não justifica a sua exclusão do programa (STJ, 2ª T., Resp 1395148/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, set. 2013) 39 NOVAIS, Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 374. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 • Devedor em recuperação judicial CTN, Art. 155-A, § 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. CTN, Art. 155-A, § 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica. KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956 Bibliografia CAPARROZ. Roberto. Direito tributário esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 3. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 19 ed. Ver. São Paulo, Saraiva, 2007. COSTA, Regina Helena. Direito Tributário Brasileiro. 1 ed., São Paulo: Saraiva, 2009. MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2015. MAZZA, Alexandre. Manual de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. NOVAIS. Rafael. Direito tributário facilitado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018, p. 373. PAULSEN, Leandro. Curso de direito tributário completo. 10. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário, 13 ed., São Paulo: Saraiva Educação, 2021. PARECER PGFN/CAT/Nº 1526 /2013, disponível em: https://www.ibet.com.br/wp-content/uploads/2019/09/PGFN-1526.2013.pdf, acesso em 17/04/2022 KELVIN CARLOS JONASSON - 06536528956