Prévia do material em texto
Identificação · Paciente: Mulher, 32 anos. · G1P0A0 (primigesta). · Idade gestacional: 31 semanas e 4 dias (confirmada por ultrassonografia no pré-natal). Queixa Principal Relato de perda de líquido vaginal há 2 horas. História da Doença Atual (HDA) · Início súbito de perda de líquido vaginal transparente e inodoro. · Nega dor abdominal, febre, ou sangramento vaginal. · Afirma presença de movimentação fetal normal desde o início do quadro. Histórico Ginecológico e Obstétrico · Pré-natal sem intercorrências. · Data da última menstruação (DUM): Confirmada por ultrassonografia precoce. · Sem histórico de doenças prévias ou condições obstétricas complicadas. Exame Físico · Sinais vitais: · PA: 110/60 mmHg. · FC: 84 bpm. · Temperatura: 36,7 °C (afebril). · Exame obstétrico: · Altura uterina: 28 cm. · Batimentos cardíacos fetais: 136 bpm, regulares. · Dinâmica uterina: Ausente. · Exame especular: · Observa-se saída de líquido claro através do orifício cervical durante a manobra de Valsalva. · Colo uterino fechado. · Ausência de sinais de sangue ou secreção purulenta. Diagnóstico Presumido Rotura Prematura de Membranas Ovulares Pré-Termo (RPMO). Exames Complementares 1. Rastreamento infeccioso: · Hemograma completo. · PCR (proteína C reativa). · EAS (exame de urina) e urocultura. · Gram de gota vaginal (para avaliação de infecção). · Rastreio para estreptococo do grupo B e clamídia. 2. Confirmação de RPMO: · pH vaginal (líquido amniótico possui pH alcalino). · Teste com azul de Nilo ou cristal de fern (avaliação de presença de líquido amniótico). · Detecção de alfa 1-microglobulina (teste imunocromatográfico). 3. Imagem: · Ultrassonografia obstétrica: Avaliação da vitalidade fetal, volume de líquido amniótico e posição fetal. Conduta Imediata 1. Internação: · Monitoramento contínuo de sinais maternos e fetais. 2. Corticoterapia: · Betametasona 12 mg IM, duas doses com intervalo de 24 horas (madurecimento pulmonar fetal). 3. Antibioticoterapia profilática: · Ampicilina 2 g EV a cada 6 horas por 48 horas, seguida de Amoxicilina 500 mg VO a cada 8 horas por 5 dias. 4. Monitoramento: · Controle diário de temperatura e sinais infecciosos. · Avaliação da vitalidade fetal e de sinais de trabalho de parto. 5. Neuroproteção fetal: · Sulfato de magnésio se houver trabalho de parto iminente antes de 32 semanas. Conduta Expectante · Se estabilidade clínica e ausência de infecção: · Manter acompanhamento até 34 semanas, com monitoramento contínuo. · Caso evolua para trabalho de parto espontâneo: · Via de parto vaginal, salvo contraindicações. Conduta a partir das 34 semanas · Indução do parto para minimizar risco de complicações materno-fetais. · Avaliação da viabilidade da via vaginal, priorizando-a, exceto em situações específicas que exijam cesariana. Prognóstico e Acompanhamento · Importância do manejo multidisciplinar, incluindo obstetrícia, neonatologia e infectologia. · Seguimento neonatal com avaliação de prematuridade e possível internação em UTI neonatal se necessário.