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<p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 4</p><p>2 CONCEITOS E ASPECTOS HISTÓRICOS ............................................... 5</p><p>2.1 Água ..................................................................................................... 7</p><p>2.1.1. Qualidade da água ......................................................................... 9</p><p>2.1.2 Índice de Qualidade das Águas (IQA) .......................................... 10</p><p>3 PRINCÍPIOS DA ECOLOGIA ................................................................... 12</p><p>3.1 Níveis De Organização Biológica ....................................................... 13</p><p>3.2 Os componentes estruturais de um ecossistema ............................... 16</p><p>3.3 Glossário ecológico ............................................................................ 18</p><p>3.4 Equilíbrio Ecológico ............................................................................ 20</p><p>4 POLUIÇÃO: CONCEITOS, FONTES, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS .. 21</p><p>4.1 Tecnologias no combate à poluição do solo, ar e água ..................... 26</p><p>4.2 Acidentes ambientais e planos de contingência ................................. 32</p><p>4.3 Gerenciamento e plano de contingências para os riscos ambientais . 34</p><p>4.4 Gestão Ambiental ............................................................................... 35</p><p>5 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL .................................................................... 37</p><p>5.1 Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 ...................................... 37</p><p>5.2 Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 ............................................... 38</p><p>5.3 Auditoria Ambiental ............................................................................ 41</p><p>5.4 Licenciamento Ambiental ................................................................... 45</p><p>5.5 Validade das licenças ambientais ...................................................... 46</p><p>5.6 O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental</p><p>(EIA/RIMA) ............................................................................................................48</p><p>3</p><p>5.7 Código Florestal ................................................................................. 49</p><p>5.8 Resolução Conama n°357/2005 ......................................................... 50</p><p>5.9 Política Nacional De Resíduos Sólidos .............................................. 51</p><p>5.10 Habitação Autossuficiente ............................................................... 53</p><p>5.11 Benefícios com impactos econômicos ............................................ 56</p><p>6 PERCEPÇÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL ...................... 58</p><p>7 ECODESENVOLVIMENTO: PRESERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO</p><p>OTIMIZADA .............................................................................................................. 60</p><p>7.1 A empresa, o meio ambiente e a sociedade ...................................... 64</p><p>7.2 Marketing verde .................................................................................. 65</p><p>7.3 Responsabilidade Socioambiental ..................................................... 66</p><p>8 REFERÊNCIAS ........................................................................................ 68</p><p>4</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é</p><p>que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que</p><p>lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>5</p><p>2 CONCEITOS E ASPECTOS HISTÓRICOS</p><p>O meio ambiente, tal como descrito nas ciências naturais, a exemplo do</p><p>trabalho de Linhares (1998, p. 435), é retratado pelo:</p><p>[...] meio físico formado pelo ar, pela luz, pela temperatura, pela umidade,</p><p>pelo tipo de solo, pela água e pelos sais minerais, chamados de fatores</p><p>abióticos ou biótipo; sendo que a reunião e a interação da comunidade com</p><p>o ambiente físico formam um sistema ecológico ou ecossistema. Assim, uma</p><p>floresta — com sua vegetação, seus animais, seu tipo de solo e seu clima</p><p>característico — forma um ecossistema. O mesmo podemos dizer de um</p><p>lago, um oceano, um tronco de árvore e até mesmo um simples aquário.</p><p>A palavra ecologia vem dos termos gregos oikos — que significa casa e,</p><p>por extensão, ambiente — e logos — que significa estudo —, sendo o ramo da biologia</p><p>que trata das interações entre o meio físico (ar, solo, luz e clima) e as populações</p><p>(fauna e flora).</p><p>Conforme Canotilho (1998), é possível, no âmbito jurídico, optarmos por um</p><p>conceito estrito de ambiente, centrado nos componentes ambientais naturais</p><p>descritos, ou por um conceito amplo de ambiente, também conhecido como conceito</p><p>holístico, centrado nos componentes ambientais humanos e ambientais não humanos</p><p>(isto é, não apenas o ambiente natural, mas também o construído).</p><p>A Conferência de Estocolmo de 1972 trouxe como conceito o meio ambiente</p><p>humano, em que:</p><p>O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o</p><p>cerca, o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade para</p><p>desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga e</p><p>tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma etapa em</p><p>que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o homem adquiriu</p><p>o poder de transformar, de inúmeras maneiras e em uma escala sem</p><p>precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio ambiente humano,</p><p>o natural e o artificial, são essenciais para o bem-estar do homem e para o</p><p>gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive o direito à vida mesma.</p><p>(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1972, documento online).</p><p>Dessa forma, o meio ambiente humano — cujo conceito é previsto na</p><p>Conferência de Estocolmo de 1972, da qual o Brasil é signatário — abarca os</p><p>6</p><p>conceitos de meio ambiente natural e meio ambiente construído, de modo que o</p><p>conceito de meio ambiente para o Direito é híbrido entre aspectos físicos,</p><p>populacionais, éticos, culturais e sociais. Esses aspectos são reiterados pela</p><p>Conferência Rio-92, também ratificada pelo Brasil e que compõe parte dos direitos</p><p>fundamentais pátrios por força do § 2º do art. 5o da Constituição Federal, que equipara</p><p>os princípios e direitos provenientes de tratados internalizados pelo Brasil como</p><p>direitos fundamentais (STAIN, 2018).</p><p>Nesse sentido, devemos interpretar, de maneira sistêmica, o art. 225, caput, da</p><p>Constituição Federal, que trata do direito fundamental ao meio ambiente</p><p>ecologicamente equilibrado, de modo que os aspectos físicos, populacionais, culturais</p><p>e sociais humanos integram o conceito meio ambiente, e a parcela ecologicamente</p><p>equilibrado trata das relações entre esses diferentes elementos (BRASIL, 1988).</p><p>Também devem ser alargados os dispositivos do art. 3º da Lei nº 6.938, de 31 de</p><p>agosto de 1981, que restringem o conceito de meio ambiente ao conjunto de</p><p>condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica,</p><p>a necessidade de esclarecimentos acerca do objeto,</p><p>sendo extremamente relevante para a área ambiental, já que a comprovação de</p><p>muitos fatos depende de conhecimento técnico apurado, como por exemplo, a</p><p>identificação de uma espécie, o dimensionamento de um dano ou a avaliação de um</p><p>impacto ambiental.</p><p>O novo Código Florestal, instituído pela Lei 12.651/2012, em seu Art. 1º</p><p>estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de preservação</p><p>permanente e as áreas de reserva legal; a exploração florestal; o suprimento de</p><p>41</p><p>matéria-prima florestal; o controle da origem de produtos florestais e o controle e</p><p>prevenção de incêndios florestais. Prevê ainda instrumentos econômicos e financeiros</p><p>para o alcance de seus objetivos, aos quais essas condições devem ser consideradas</p><p>quando se for periciar uma área com danos ambientais.</p><p>De acordo com o relatório sobre crescimento dos crimes ambientais no mundo,</p><p>elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela</p><p>Interpol, a definição de crime ambiental ainda é discutida no mundo.</p><p>Segundo o mesmo relatório, estes crimes são alimentados pela corrupção</p><p>(nacional e local); lacunas na legislação nacional; crimes corporativos, máfias e falhas</p><p>na aplicação das leis (nacionais e internacionais); conflitos (nacionais e regionais) e</p><p>demanda crescente (internacional e doméstica). O relatório ainda cita o caso brasileiro</p><p>de combate ao desmatamento da Amazônia como um exemplo de sucesso, por ser</p><p>um plano baseado na: Centralização do controle nas secretarias executivas da</p><p>presidência em colaboração direta com a Polícia Federal; regularização de uso e</p><p>posse da terra, monitorada por satélite; incentivos para atividades econômicas</p><p>sustentáveis; e expansão das áreas protegidas e fiscalização.</p><p>No Brasil, o controle e fiscalização também podem (e devem) ser feitos pelos</p><p>próprios cidadãos. O recebimento de denúncias de crimes ou agressões ambientais é</p><p>descentralizado, podendo ser direcionados à vários órgãos públicos, pessoalmente,</p><p>por telefone ou internet.</p><p>5.3 Auditoria Ambiental</p><p>A auditoria ambiental é um processo metodológico gerenciado pelo auditor líder</p><p>e executado por uma equipe previamente definida, com o objetivo de avaliar</p><p>desempenho, compromisso com o meio ambiente e conformidade legal com as</p><p>políticas ambientais da organização. Pode ser interno ou externo, por Indivíduos ou</p><p>equipes agindo em nome da alta administração, independentemente de serem</p><p>funcionários de organizações públicas e/ou privadas (LA ROVERE, 2011). Esta</p><p>ferramenta de gestão é executada para obter certificados e melhorar a eficiência,</p><p>42</p><p>conscientização ambiental dos colaboradores, e ainda atender às expectativas das</p><p>comunidades onde atuam.</p><p>Cabe mencionar que, de forma científica existem diversas abordagens</p><p>conceituais que se reportam ao termo Auditoria Ambiental, a exemplo, os estudiosos</p><p>da temática ambiental como La Rovere (2011), mencionam tal ferramenta no âmbito</p><p>da gestão ambiental, como um método de avaliação da situação atual do</p><p>empreendimento, de relevante importância para a preservação do meio ambiente,</p><p>relacionada às práticas produtivas independente de sua dimensão.</p><p>De acordo com Gomes (2011), a importância da auditoria ambiental vai muito</p><p>além do patrimônio conceitual, pois a doutrina não mede esforços ao tentar definir e</p><p>aperfeiçoar conceitualmente essa ferramenta. Ainda na visão do autor, esse objetivo</p><p>ainda não foi alcançado, pois, ao longo da história, as pessoas tentaram uma série de</p><p>5 tentativas de definições comuns, que variam entre conceitos mais restritivos ou</p><p>abrangentes de auditoria ambiental. O objetivo é definir um conceito como uma</p><p>auditoria com diferentes conceitos, escopos, tipos e finalidades.</p><p>De acordo com a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente</p><p>(CONAMA) 306/2002, no qual consta como definição para Auditoria Ambiental que se</p><p>trata de:</p><p>Processo sistemático e documentado de verificação, executado para obter e</p><p>avaliar, de forma objetiva, evidências que determinem se as atividades,</p><p>eventos, sistemas de gestão e condições ambientais especificados ou se as</p><p>informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de</p><p>auditoria estabelecidos nesta Resolução, e para comunicar os resultados</p><p>desse processo (CONAMA 306/02).</p><p>De acordo com La Rovere (2011), a auditoria ambiental permite obter os</p><p>seguintes benefícios:</p><p> Identificação e registro das conformidades e das não-conformidades com a</p><p>legislação, com regulamentações e normas e com a política ambiental da</p><p>empresa (caso exista);</p><p> Prevenção de acidentes ambientais;</p><p>43</p><p> Melhor imagem da empresa junto ao público, à comunidade e ao setor público;</p><p> Provisão de informação à alta administração da empresa, evitando-lhe</p><p>surpresas;</p><p> Assessoramento aos gestores na implementação da qualidade ambiental na</p><p>empresa;</p><p> Assessoramento à alocação de recursos (financeiro, tecnológico, humano)</p><p>destinados ao meio ambiente na empresa, segundo as necessidades de</p><p>proteção do meio ambiente e as disponibilidades da empresa, descartando</p><p>pressões externas;</p><p> Avaliação, controle e redução do impacto ambiental da atividade;</p><p> Minimização dos resíduos gerados e dos recursos usados pela empresa;</p><p> Promoção do processo de conscientização ambiental dos empregados;</p><p> Produção e organização de informações ambientais consistentes e atualizadas</p><p>do desempenho ambiental da empresa, que podem ser acessadas por</p><p>investidores e por outras pessoas físicas ou jurídicas envolvidas nas operações</p><p>de financiamento e/ou transações da unidade auditada;</p><p> Facilidade na comparação e intercâmbio de informações entre as unidades da</p><p>empresa.</p><p>Para La Rovere (2011), os seguintes tipos de auditorias ambientais podem ser</p><p>encontrados em uma empresa:</p><p>Auditoria de certificação: Avalia se a empresa atende aos princípios</p><p>estabelecidos nas normas para as quais deseja ser certificada. Para a série ISO 14000</p><p>de auditorias de certificação ambiental, é muito semelhante à auditoria SGA. No</p><p>entanto, deve 33 ser realizada por uma organização comercial e contratualmente</p><p>44</p><p>independente da empresa, fornecedores e clientes, sendo reconhecidos pela</p><p>autoridade competente.</p><p>Auditoria de descomissionamento: Avaliar os danos ao ecossistema e</p><p>populacionais ao setor empresarial em decorrência de sua desativação (paralisação</p><p>definitiva de suas atividades.</p><p>Auditoria de responsabilidade: Tem como objetivo avaliar a responsabilidade</p><p>ambiental da empresa, ou seja, a suas responsabilidades ambientais efetivas e</p><p>potenciais. Geralmente é usado para fusões, aquisições diretas ou indiretas ou</p><p>empresas de refinanciamento. Sua aplicação indica possíveis riscos e</p><p>responsabilidades para futuros compradores, parceiros ou sócios, e os avalia em</p><p>termos monetários quando possível. A avaliação de custos ambientais que a empresa</p><p>deve suportar ainda enfrenta dificuldades e precisa ser estudada. Geralmente, o</p><p>método de avaliação monetária dos danos ambientais é questionável.</p><p>Auditoria de conformidade: As auditorias ambientais têm como objetivo</p><p>verificar o cumprimento de normas e exemplos de impacto e especificidade ambiental</p><p>nas áreas da empresa. Avalia a conformidade da unidade auditada com a legislação,</p><p>os regulamentos aplicáveis e indicadores de desempenho ambiental, setorial,</p><p>aplicável à unidade.</p><p>Auditoria de Sistema de Gestão Ambiental: Avaliar a conformidade com o</p><p>sistema de gestão ambiental da empresa (SGA) e sua Suficiência e eficácia.</p><p>Auditoria de sítios: Projetado para avaliar o estágio de poluição de uma</p><p>determinada localização, fonte de poluição e responsabilidade ambiental acumulada.</p><p>Auditoria pontual: Visa otimizar a gestão de recursos, melhorar a eficiência</p><p>do processo produtivo e, assim, minimizar a geração de resíduos, uso de energia</p><p>ou</p><p>outros insumos.</p><p>45</p><p>5.4 Licenciamento Ambiental</p><p>O licenciamento ambiental é um procedimento técnico-administrativo pelo qual</p><p>o órgão ambiental competente avalia empreendimento potencialmente causadores de</p><p>impacto ambiental, autorizando, ou não, a sua instalação e operação.</p><p>A avaliação envolve o estudo da localização do empreendimento, do seu</p><p>porte e dos processos construtivo e produtivo utilizados, a fim de verificar se as suas</p><p>características podem provocar interferências negativas no meio ambiente, como a</p><p>poluição do ar, a geração de resíduos, a intervenção em cursos d’água e a supressão</p><p>de vegetação nativa. Portanto, o processo de licenciamento estabelece regras,</p><p>condições, restrições e medidas de controle ambiental que devem ser cumpridas,</p><p>tanto na fase de instalação do empreendimento quanto na fase de operação (STEIN,</p><p>2017).</p><p>Dessa forma, o licenciamento é uma exigência legal. Mas quais são</p><p>exatamente os seus benefícios? Não é apenas o meio ambiente que sai ganhando</p><p>com o licenciamento de determinada atividade, mas também toda a sociedade. Entre</p><p>alguns dos principais benefícios do licenciamento ambiental, podemos citar:</p><p> Proteger o meio ambiente para as futuras gerações;</p><p> Proteger os ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;</p><p> Planejar e fiscalizar o uso dos recursos ambientais;</p><p> Garantir a qualidade dos recursos renováveis;</p><p> Racionalizar o uso do solo, do subsolo, da água e do ar;</p><p> Proteger áreas ameaçadas de degradação.</p><p>A sociedade ganha quando as atividades e os empreendimentos estão de acordo</p><p>com as legislações ambientais porque:</p><p>46</p><p> As propriedades rurais respeitam as áreas de preservação permanente (APP)</p><p>e as reservas legais;</p><p> O desmatamento ocorre de uma forma controlada;</p><p> As indústrias realizam o correto gerenciamento dos seus resíduos;</p><p> Os despejos de efluentes líquidos indústrias são baseados em parâmetros de</p><p>qualidade;</p><p> Os recursos hídricos são respeitados.</p><p>5.5 Validade das licenças ambientais</p><p>Após a obtenção do licenciamento ambiental, devemos ficar atentos ao prazo</p><p>de validade, que é estabelecido pelo órgão ambiental competente para cada licença,</p><p>conforme a Resolução CONAMA no. 237/1997, art. 18 (BRASIL, 1997).</p><p>É fundamental ressaltar que apenas as licenças prévias obtidas pelo</p><p>instrumento de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental</p><p>(EIA/RIMA), licenças de instalação e licenças de operação poderão ser renovadas.</p><p>Para as demais modalidades, é necessário reiniciar os procedimentos administrativos.</p><p> Licença Prévia (LP) antecedida de EIA/RIMA: poderá ser renovada uma vez,</p><p>desde que não tenham ocorrido mudanças ambientais que indiquem a</p><p>necessidade de novo EIA, a critério do órgão licenciador.</p><p> Licença de Instalação (LI): poderá ser regularmente renovada dentro da</p><p>necessidade de execução de obras contempladas pela primeira licença de</p><p>instalação emitida.</p><p> Licença de Operação (LO): poderá ser regularmente renovada durante o</p><p>período de uso do empreendimento.</p><p>47</p><p>As licenças ambientais têm prazo de vigência definido em parte por lei federal.</p><p>No entanto, cada autoridade licenciadora competente, tanto em nível municipal quanto</p><p>estadual, pode determinar o prazo de validade de cada licença (LP, LI e LO), levando</p><p>em consideração o que consta nos planos e projetos entregues e também na</p><p>Resolução Nº237 de 19 de dezembro 1997.</p><p>No Quadro 2, apresenta quais são os prazos máximos de validade das licenças</p><p>ambientais.</p><p>Quadro 2 - Prazo de licenças ambientais</p><p>Fonte: Adaptado de Struchel (2016).</p><p>Dependendo do município ou estado brasileiro onde é exigida a Licença</p><p>Ambiental, o nome da licença ou sua sigla pode variar, ou mesmo licenças</p><p>diferenciadas podem ser estabelecidas.</p><p>Outra característica importante da licença é sua estabilidade temporal, uma vez</p><p>que não é definitiva, podendo ser renovada periodicamente. Struchel (2016) comenta</p><p>que a renovação da licença ambiental deverá ser solicitada conforme definido na</p><p>legislação e impresso na própria licença e o empreendedor requerer a sua renovação.</p><p>Além disso, o órgão ambiental competente poderá revisar a qualquer momento as</p><p>licenças ambientais. A revisão poderá ser feita em três hipóteses, conforme art. 19 da</p><p>Resolução CONAMA no. 237/1997:</p><p>48</p><p> Violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais;</p><p> Omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiarem a</p><p>expedição da licença;</p><p> Superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.</p><p>5.6 O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental</p><p>(EIA/RIMA)</p><p>O EIA é um procedimento administrativo que, apoiado em uma avaliação de</p><p>impacto sobre as incidências ambientais de determinado projeto e em um processo</p><p>de participação pública sobre tais incidências, subsidia o órgão ambiental, em termos</p><p>de aprovação, modificação ou recusa de um projeto.</p><p>O EIA/RIMA deve ser realizado por uma equipe técnica multidisciplinar, que</p><p>contará com profissionais das mais diferentes áreas, como geólogos, físicos, biólogos,</p><p>psicólogos, sociólogos, advogados, engenheiros (de diferentes setores), arqueólogos,</p><p>entre outros, os quais avaliarão os impactos ambientais positivos e negativos do</p><p>empreendimento pretendido. Objetiva-se com isso a elaboração de um estudo</p><p>completo e profundo a respeito da pretensa atividade, conforme ressalta Fiorillo</p><p>(2014).</p><p>A maioria das bibliografias apresentam o conceito de EIA e RIMA de forma</p><p>interligada. Portanto, EIA/RIMA consiste em um estudo prévio que serve de</p><p>instrumento de planejamento e subsídio à tomada de decisões sobre um projeto a ser</p><p>estabelecido em determinada área ou meio. O EIA/RIMA tem como objetivo antecipar</p><p>e apoiar a decisão, fornecendo aos decisores (órgão público) informações sobre as</p><p>implantações ambientais significativas de determinadas ações propostas, sugerindo</p><p>modificações da ação visando à eliminação dos potenciais impactos adversos e</p><p>potenciação dos impactos positivos e, ainda, propondo os meios de minimização dos</p><p>potenciais impactos inevitáveis (STEIN, 2017).</p><p>49</p><p>5.7 Código Florestal</p><p>A Lei 4.771/65, o conhecido antigo Código Florestal, foi uma das normas</p><p>infraconstitucionais com mais relevância jurídica dentro do Direito Ambiental. Sua</p><p>publicação se deu em 15 de setembro de 1965, e sobreviveu a grandes mudanças e</p><p>pressões ao longo do tempo. Até a promulgação do atual Código, esta foi uma das</p><p>legislações mais importantes no que diz respeito a proteção e vegetação dos espaços</p><p>ambientais resguardados no artigo 225, § 4º da Constituição Federal de 1988.</p><p>Ao longo dos anos após a promulgação deste antigo Código, o país passou por</p><p>intensas crises ambientais envolvendo o setor agropecuário e ecológico, pois a</p><p>bancada ruralista, colocou o antigo Código como o fator principal que oprimia o</p><p>desenvolvimento do país em relação ao setor de produção. Desde então tal setor</p><p>passou a trabalhar assiduamente no sentido de alterar a legislação, criando um novo</p><p>Código Florestal em que as limitações e restrições fossem menores e que o uso</p><p>produtivo da terra também fosse uma peça fundamental no desenvolvimento</p><p>sustentável. (RODRIGUES, 2021).</p><p>Mais tarde, após intensas e acirradas discussões acerca das "contradições e</p><p>insatisfação" em relação ao antigo código, foi sancionado um novo Código Florestal,</p><p>a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012.</p><p>O caput do artigo 1º A do Novo e atual Código Florestal de 2012 nos traz sobre</p><p>sua disposição geral, ressaltando que seu objetivo é estabelecer:</p><p>[...] normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de preservação</p><p>permanente e as áreas de reserva legal; a exploração florestal, o suprimento</p><p>de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais e o</p><p>controle e prevenção dos incêndios florestais, e</p><p>prevê instrumentos</p><p>econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos (BRASIL, 2012).</p><p>Importante lembrar, que o Código Florestal de 2012 impõe as normas mais</p><p>amplas e sistemáticas do ordenamento jurídico ambiental. Porém, não é o único que</p><p>trata sobre matéria florestal e que não está voltado, apenas, para a proteção das</p><p>florestas, tratando também dos bens jurídicos protegidos, que são:</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2012.651-2012?OpenDocument</p><p>50</p><p> As florestas;</p><p> As outras formas de vegetação úteis às terras que revestem;</p><p> As terras;</p><p> Os recursos hídricos;</p><p> A diversidade biológica.</p><p>O Código Florestal tem incidência em todo território nacional, e rege sobre a</p><p>proteção de diferentes biomas do país. Esta regra tem exceção apenas em relação a</p><p>Mata Atlântica, pois, como dito acima, esta possuí legislação específica, portanto o</p><p>Código Florestal é aplicado de forma subsidiária.</p><p>5.8 Resolução Conama n°357/2005</p><p>Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o</p><p>seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento</p><p>de efluentes, e dá outras providências.</p><p>Art. 2° Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições:</p><p>I - águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 ‰;</p><p>II - águas salobras: águas com salinidade superior a 0,5 ‰ e inferior a 30 ‰;</p><p>III - águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30 ‰;</p><p>IV - Ambiente lêntico: ambiente que se refere à água parada, com movimento</p><p>lento ou estagnado;</p><p>V - Ambiente lótico: ambiente relativo a águas continentais moventes;</p><p>VI - Aquicultura: o cultivo ou a criação de organismos cujo ciclo de vida, em</p><p>condições naturais, ocorre total ou parcialmente em meio aquático;</p><p>VII - carga poluidora: quantidade de determinado poluente transportado ou</p><p>lançado em um corpo de água receptor, expressa em unidade de massa por</p><p>tempo;</p><p>51</p><p>VIII - cianobactérias: microrganismos procarióticos autotróficos, também</p><p>denominados como cianofíceas (algas azuis) capazes de ocorrer em qualquer.</p><p>Conforme alguns fatores químicos e físicos, a água mostra-se útil para</p><p>determinados fins. No que se refere à água doce, alguns fatores de concentração</p><p>iônica devem ser estabelecidos para que a água se aplique a um determinado padrão.</p><p>5.9 Política Nacional De Resíduos Sólidos</p><p>Entre os dispositivos legais podemos destacar a Lei nº 12.305/2010, que institui</p><p>a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada pelo Decreto nº</p><p>7.404/2010 que estabelece princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a</p><p>gestão integrada e gerenciamento dos resíduos sólidos, indicando as</p><p>responsabilidades dos geradores, do poder público e dos consumidores.</p><p>A Política define, ainda, princípios importantes como o da prevenção e</p><p>precaução, do poluidor pagador, da ecoeficiência, da responsabilidade compartilhada</p><p>pelo ciclo de vida dos produtos, do reconhecimento do resíduo como bem econômico</p><p>e de valor social, do direito à informação e ao controle social, entre outros.</p><p>A Política Nacional de Resíduos Sólidos recomenda que na gestão e no</p><p>gerenciamento de resíduos sólidos, incluindo os resíduos perigosos, deve ser</p><p>observada a seguinte ordem de prioridade:</p><p> Não geração,</p><p> Redução,</p><p> Reutilização,</p><p> Reciclagem,</p><p> Tratamento dos resíduos sólidos</p><p> Disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.</p><p>52</p><p>A Lei nº 12.305/2010 estabelece a diferenciação entre “resíduo” e “rejeito” que</p><p>estimula o reaproveitamento e reciclagem dos materiais, admitindo a disposição final</p><p>apenas dos rejeitos.</p><p>Entre os instrumentos definidos pela PNRS estão: a coleta seletiva; os sistemas</p><p>de logística reversa; o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas e</p><p>outras formas de associação dos catadores de materiais recicláveis, e o Sistema</p><p>Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (MONTEIRO, 2001).</p><p>São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa,</p><p>mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente</p><p>do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os</p><p>fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:</p><p> Agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja</p><p>embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso</p><p> Pilhas e baterias</p><p> Pneus</p><p> Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens</p><p> Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista</p><p> Produtos eletroeletrônicos e seus componentes</p><p>Com relação especificamente aos resíduos perigosos, a PNRS determina que</p><p>O estabelecimento e funcionamento de empresa ou atividade que gere ou</p><p>opere resíduos perigosos só poderá ser autorizado ou licenciados pelas autoridades</p><p>competentes se o responsável demonstrar, no mínimo, capacidade técnica e</p><p>econômica, as Condições por fornecer a devida diligência para a gestão desses</p><p>resíduos. (MONTEIRO, 2001).</p><p>Ainda de acordo com a PNRS o gerador do resíduo será responsável pelo seu</p><p>adequado gerenciamento em todo o ciclo de vida. Esse princípio é essencial para a</p><p>53</p><p>atribuição dos custos associados às ações de prevenção, aproveitamento, tratamento</p><p>e disposição final de resíduos perigosos.</p><p>Esse Plano de Gerenciamento deve atender ao disposto no Plano Municipal de</p><p>Gestão Integrada de Resíduos do respectivo município, sem prejuízo das normas</p><p>estabelecidas pelos órgãos do SISNAMA e da SNVS, e deve ser aprovado pelo órgão</p><p>competente. A inexistência de Plano Municipal não obsta a elaboração, a</p><p>implementação ou a operacionalização do Plano de Gerenciamento de Resíduos</p><p>Sólidos (Art. 21 da Lei nº 12.305/2010 §1º e 2º).</p><p>5.10 Habitação Autossuficiente</p><p>Uma edificação sustentável é aquela que considera seu impacto sobre a saúde</p><p>ambiental e humana e, então, o diminui. Ela consome uma quantidade</p><p>consideravelmente menor de energia e água em relação a uma edificação</p><p>convencional, tem menos impactos sobre o terreno e, em geral, níveis mais altos de</p><p>qualidade do ar no interior. Também se preocupa em parte com os impactos de ciclo</p><p>de vida dos materiais de construção, moveis e acessórios. Esses benefícios resultam</p><p>de melhores práticas de desenvolvimento do terreno, opções de projeto e construção</p><p>e dos efeitos acumulados da operação, manutenção, remoção e possível reciclagem</p><p>dos materiais de construção e sistemas prediais.</p><p>Edifícios e projetos sustentáveis têm sido movimentos importantes para os</p><p>setores de projeto, desenvolvimento e construção de edifícios desde o ano de 2000, e</p><p>o interesse aumentou desde 2005.</p><p>Atualmente, existem selos e certificações nacionais e também internacionais.</p><p>Apesar da grande disseminação de instituições e análises voltadas para a</p><p>sustentabilidade, muitos selos e certificações ainda são voluntários em alguns países.</p><p>Isso significa que a certificação de uma edificação acaba partindo, muitas vezes, de</p><p>um interesse do proprietário ou investidor do empreendimento. A partir da lógica do</p><p>mercado capitalista, as certificações sustentáveis já são vistas como modelos de</p><p>negócios economicamente atrativos. Ou seja, apesar de haver um custo de</p><p>54</p><p>investimento, a sustentabilidade e as certificações valorizam a edificação (FARIA,</p><p>2017).</p><p>A certificação Leadership in Energy and Environmental Design - LEED, foi</p><p>criada no final dos anos 1990, nos Estados Unidos,</p><p>com o intuito de produzir uma certificação nacional voltada ao mercado e aos edifícios</p><p>de alto desempenho. Atualmente, o LEED é um selo internacional que movimenta um</p><p>considerável mercado comercial que envolve não apenas a certificação, mas</p><p>profissionais especializados que oferecem cursos e consultorias sobre o tema</p><p>(KELLER; VAIDYA, 2018).</p><p>O LEED possui as seguintes</p><p>quatro tipologias para análise:</p><p> novas construções;</p><p> design de interiores;</p><p> edifícios existentes;</p><p> bairros.</p><p>Em cada avaliação, a edificação, a reforma, o interior ou o bairro é analisado</p><p>a partir de oito categorias que possuem critérios de sustentabilidade. As categorias</p><p>são:</p><p> Transporte e localização;</p><p> Terrenos sustentáveis;</p><p> Eficiência hídrica;</p><p> Energia e atmosfera;</p><p> Materiais e recursos;</p><p> Qualidade ambiental interna;</p><p>55</p><p> Inovação e processos;</p><p> Créditos de prioridade regional.</p><p>A edificação não precisa cumprir todas as medidas de sustentabilidade de</p><p>cada categoria. Na verdade, existem pré-requisitos mínimos, ou seja, ações</p><p>obrigatórias para qualquer empreendimento. Os demais critérios são contabilizados a</p><p>partir de um sistema baseado em pontuação, isto é, quanto mais medidas</p><p>sustentáveis adotadas, maior a pontuação.</p><p>Para diferenciar as pontuações, o LEED possui quatro tipos de selo conforme</p><p>a quantidade de medidas sustentáveis pontuadas (Figura 4).</p><p>Figura 4: Tipos de selo LEED conforme pontuação</p><p>Fonte: bit.ly/3dTmNgG</p><p>De acordo com Faria (2017), a certificação Leadership in Energy and</p><p>Environmental Design (LEED) também atua no Brasil, mas de forma voluntária e não</p><p>obrigatória. O selo já possui uma gama de edificações certificadas em diferentes</p><p>estados do país e é predominante em prédios corporativos de alto padrão. É uma</p><p>forma de valorização do imóvel, sendo incorporado a um modelo de negócio que</p><p>investe em edificações sustentáveis.</p><p>Segundo a Green Building Council - GBC Brasil (2019), os principais efeitos</p><p>nas edificações certificadas com selo LEED no Brasil são:</p><p> Redução média de 40% do consumo de água;</p><p> Redução média de 30% do consumo de energia;</p><p> Redução média de 35% das emissões de CO2;</p><p>56</p><p> Redução média de 65% de resíduos.</p><p>5.11 Benefícios com impactos econômicos</p><p>A vantagem econômica do desenvolvimento sustentável é baseada em</p><p>uma série de benefícios: econômicos, financeiros, produtividade, gestão de risco,</p><p>relações públicas e marketing e de financiamento. Muitas</p><p>pessoas também descrevem esses benefícios em termos de “Resultado Final</p><p>Triplo”, usando expressões como "pessoas, planeta e benefícios".</p><p>A questão principal é que os benefícios variam de acordo com o tipo de</p><p>propriedade, o tipo de uso, o tamanho do investimento e incentivos semelhantes.</p><p>É muito importante que os membros da equipe de edificação sejam articulados em</p><p>relação aos benefícios da equação de construção sustentável,</p><p>bem como os custos, que sejam informados sobre os benefícios e as considerações</p><p>financeiras, bem como as questões técnicas relacionadas à sua própria construção.</p><p>áreas temáticas.</p><p>Existem profissionais que não conseguem explicar claramente os benefícios</p><p>econômicos de construções sustentáveis. Uma das habilidades críticas da profissão</p><p>é aprender como seus clientes ganham dinheiro e adquirir fluência no idioma dos</p><p>negócios e investimentos. A maioria dos clientes considera como ponto pacífico que</p><p>você̂ conseguirá fazer um bom projeto e uma boa construção. No entanto, querem</p><p>que você̂ entenda e explique as razões para uma edificação sustentável em termos</p><p>que façam sentido para eles e que possam ser transmitidos aos principais</p><p>interessados dentro de sua própria organização (YUDELSON, 2013).</p><p>Os benefícios das edificações sustentáveis são:</p><p> Economias nas contas de energia e água, em geral de 30 a 50%, além de</p><p>redução da “pegada de carbono” a partir das economias com energia.</p><p> Redução dos custos com manutenção por meio dos serviços terceirizados de</p><p>especialistas em testes (comissionamento), treinamento de operadores e</p><p>57</p><p>outras medidas capazes de melhorar e assegurar a integração adequada dos</p><p>sistemas e o monitoramento continuo do desempenho.</p><p> Maior valor resultante da renda operacional líquida mais elevada e de relações</p><p>públicas melhores no caso de edificações comerciais.</p><p> Benefícios tributários para investimentos específicos em edificações</p><p>sustentáveis, tais como conservação de energia e energia solar, além de</p><p>incentivos municipais, dependendo da localização.</p><p> Valor imobiliário mais competitivo para proprietários do setor privado, no longo</p><p>prazo, incluindo valor de revenda mais elevado.</p><p> Aumento da produtividade para proprietários de edificações no longo prazo,</p><p>em geral de 3% a 5%.</p><p> Benefícios para a saúde, incluindo redução do absenteísmo, em geral de 5%</p><p>ou mais.</p><p> Gestão de riscos, incluindo aluguel e venda mais rápidos para</p><p>empreendedores privados, e menos risco de exposição de funcionários à</p><p>irritação ou a substâncias químicas tóxicas em materiais de construção,</p><p>moveis e acessórios.</p><p> Benefícios de marketing, especialmente para empreendedores, grandes</p><p>corporações e empresas de bens de consumo.</p><p> Benefícios de relações públicas, especialmente para empreendedores e</p><p>agências públicas.</p><p> Recrutamento e retenção de funcionários chave, além de sensação de bem-</p><p>estar.</p><p> Levantamento de fundos para faculdades e entidades sem fins lucrativos.</p><p>Maior disponibilidade de capitais próprios e de terceiros para empreendedores.</p><p>58</p><p> Demonstração de comprometimento com a sustentabilidade e proteção</p><p>ambiental; valores compartilhados com os principais atores.</p><p>Maiores benefícios econômicos são a principal razão para</p><p>a adoção de edifícios sustentáveis. Na verdade, a vantagem econômica relativa é o</p><p>principal propulsor para quase todos os edifícios. Os benefícios econômicos dos</p><p>edifícios sustentáveis variam muito dependendo do tipo de propriedade da edificação;</p><p>olhar para eles como um todo é vital para promover cada um dos projetos</p><p>sustentáveis.</p><p>6 PERCEPÇÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL</p><p>Diante da constante deterioração da natureza e da falta de responsabilidade</p><p>social, a Educação Ambiental tornou-se uma ferramenta muito importante e</p><p>transformadora, pois seu objetivo é criar consciência ecológica para reverter o atual</p><p>quadro de deterioração socioecológica. A consciência ecológica é a capacidade de</p><p>entender que toda ação humana evoca uma resposta no ambiente, que pode ser</p><p>positiva ou negativa. É a capacidade de reconhecer que fazemos parte do meio</p><p>ambiente e quando geramos poluição e contaminação, estamos prejudicando a nós</p><p>mesmos. Por meio da consciência ecológica, as pessoas passam a se inserir no meio</p><p>ambiente e cultivam valores e sentimentos de proteção à natureza (Machado, 2016).</p><p>O conceito de Educação Ambiental encontra-se na Constituição Federal de</p><p>1988, entretanto, somente em 1999 surgiu a Lei 9.795 sobre Educação Ambiental.</p><p>Além da Política Nacional de Educação (PNE), essa lei também estabelece diretrizes</p><p>para a Educação Ambiental, listando objetivos muito importantes, incluindo:</p><p>59</p><p>Uma medida importante relacionada à Educação Ambiental é a política dos</p><p>5R’s. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), os cinco R’s é um processo</p><p>educativo que reflete a mudança de hábitos no cotidiano dos cidadãos. O tema central</p><p>desta política é levar as pessoas a repensarem seus valores e práticas em relação ao</p><p>meio ambiente e reduzir o consumo de bens não essenciais e resíduos. Os 5R’s visam</p><p>reduzir o consumo de recursos naturais, repensar o consumo exagerado e as práticas</p><p>relacionadas ao meio ambiente, reaproveitar ao invés de descartar, reciclar os</p><p>materiais que têm essa possibilidade e evitar consumir produtos que gerem impactos</p><p> O desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio</p><p>ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo</p><p>aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais,</p><p>econômicos, científicos, culturais e éticos;</p><p> A garantia de democratização das informações ambientais;</p><p> O estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a</p><p>problemática</p><p>ambiental e social;</p><p> O incentivo à participação individual e coletiva, permanente e</p><p>responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente,</p><p>entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor</p><p>inseparável do exercício da cidadania;</p><p> O estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em</p><p>níveis micro e macrorregionais, com vistas à construção de uma</p><p>sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da</p><p>liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social,</p><p>responsabilidade e sustentabilidade;</p><p> O fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a</p><p>tecnologia;</p><p> O fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e</p><p>solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade.</p><p>60</p><p>socioambientais significativos. (Machado, 2016). Esta prática traz diversos benefícios</p><p>como:</p><p> Redução da extração de recursos naturais;</p><p> Redução dos resíduos nos aterros e o aumento da sua vida útil;</p><p> Redução dos gastos do poder público com o tratamento do lixo;</p><p> Redução do uso de energia nas indústrias e intensificação da economia local</p><p>(sucateiros, catadores, etc.).</p><p>Um educador ambiental tem o grande desafio de fazer com que as pessoas</p><p>desenvolvam valores e comportamentos de respeito mútuo e compromisso com a</p><p>conservação dos recursos naturais, além de uma visão crítica das questões</p><p>ambientais e do papel de cada indivíduo na defesa do meio ambiente.</p><p>As práticas em Educação Ambiental são uma boa ferramenta para o</p><p>desenvolvimento desta consciência ecológica. O educador ambiental ensina</p><p>conceitos e desenvolve atividades práticas como a criação de composteira, montagem</p><p>de horta comunitária, plantio de mudas e reaproveitamento de materiais que seriam</p><p>jogados fora, entre outros. Com estas atividades práticas, o educador ambiental</p><p>consegue aproximar as pessoas da natureza e desenvolver a consciência ecológica,</p><p>fazendo com que cada um mude seus comportamentos e comece a respeitar mais o</p><p>ambiente.</p><p>7 ECODESENVOLVIMENTO: PRESERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO OTIMIZADA</p><p>Em 1973, foi lançado o conceito de ecodesenvolvimento, termo proposto por</p><p>Maurice Strong da I Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada em</p><p>Estocolmo (Suécia) em 1972. Apesar de alvitre por Strong, o economista Ignacy</p><p>Sachs ampliou a concepção durante as décadas seguintes, incorporando, fora das</p><p>61</p><p>questões ambientais, as questões sociais, de gestão participativa, a moral e a cultura</p><p>(PHILIPPI JUNIOR; PELICIONI, 2014).</p><p>Particularmente, pensando no desenvolvimento do Terceiro Mundo e nos</p><p>ecossistemas tropicais (embora não unicamente neles), Sachs propôs que o</p><p>ecodesenvolvimento era uma forma de desenvolvimento adaptado às realidades</p><p>ecossistêmicas de cada região ou ecorregião:</p><p>Dada a complexidade do tema e as múltiplas formas possíveis de</p><p>combinação das variáveis operativas pertinentes, não cabe propor uma só</p><p>estratégia de desenvolvimento. Isso nos leva à procura de opções futuras. O</p><p>conceito de ecodesenvolvimento surge destas considerações gerais. Em</p><p>efeito, com ele se aspira a definir um estilo de desenvolvimento</p><p>particularmente adaptado às regiões rurais do Terceiro Mundo [...] é um estilo</p><p>de desenvolvimento que procura com insistência em cada ecorregião</p><p>soluções específicas aos problemas particulares, dando conta dos dados</p><p>ecológicos, mas também culturais, assim como das necessidades imediatas,</p><p>mas também das de longo prazo. Assim, o ecodesenvolvimento atua com</p><p>critérios de progresso relativos, referentes a cada caso, e nele desempenha</p><p>um papel importante a adaptação ao meio, colocada pelos antropólogos. Sem</p><p>negar a significação dos intercâmbios, [...] o ecodesenvolvimento trata de</p><p>reagir contra a moda predominante das soluções provavelmente universais e</p><p>as fórmulas magistrais (SACHS, 1974, p. 363-364).</p><p>Para Sachs (1997), existem seis caminhos para o desenvolvimento:</p><p>a) atender às necessidades básicas; solidariedade com as gerações</p><p>futuras; participação da população afetada;</p><p>b) conservação dos recursos naturais e do meio ambiente;</p><p>c) Desenvolvimento de um sistema social que garanta</p><p>emprego, segurança social e respeito por outras culturas e programas</p><p>de educação.</p><p>Esses princípios se aplicavam principalmente a regiões subdesenvolvidas</p><p>envolvendo uma crítica à sociedade industrial.</p><p>Além de criticar o desenvolvimento sustentável como sinônimo de crescimento,</p><p>o ecodesenvolvimento denuncia que esse modelo tem implicado a transferência de</p><p>recursos dos países subdesenvolvidos para os desenvolvidos, na lapidação do</p><p>potencial natural, na uniformização dos processos produtivos, na degradação</p><p>62</p><p>progressiva dos solos tropicais e na redução da produtividade desses países. Foram</p><p>os debates em torno do ecodesenvolvimento que abriram espaço ao conceito de</p><p>desenvolvimento sustentável, condicionando o crescimento presente ao não</p><p>comprometimento do crescimento futuro.</p><p>A proposta do ecodesenvolvimento tem sido de oferecer alternativas de</p><p>enfrentamento à problemática socioambiental, calcadas em uma abordagem</p><p>complexa e sistêmica cujo princípio constitui um processo que ainda está em</p><p>maturação, mas que engloba necessariamente duas dimensões, a saber: a difusão</p><p>integrada dos saberes científicos e tradicionais acumulados; a modificação das</p><p>percepções e comportamentos cotidianos por meio da experimentação criativa</p><p>(VIEIRA, 1999).</p><p>Da mesma forma, a educação para o desenvolvimento local deve estar ligada à</p><p>necessidade de formar pessoas que possam participar ativamente de iniciativas que</p><p>possam transformar seu território, e não apenas permitir que emigram quando o</p><p>território não atende às expectativas desejadas. O trabalho educativo promove</p><p>a autonomia diante de situações que possibilitam e estimulam o próprio pensamento,</p><p>busca nas teorias e práticas educacionais a emancipação e aprendizagem</p><p>significativas. (MELO, 2006).</p><p>Favorecer o desenvolvimento da autonomia a partir de situações que facilitem</p><p>e encorajem o indivíduo a pensar por si mesmo, que busquem nas teorias e práticas</p><p>educacionais a emancipação popular e a real aprendizagem, leva a abordagem da</p><p>chamada epistemologia genética ou teoria psicogenética de Jean Piaget. O foco de</p><p>suas preocupações foi explicar a passagem da evolução biológica, principalmente</p><p>psicológica do ser humano para a construção das matemáticas, das ciências formais</p><p>em geral (PHILIPPI JUNIOR; PELICIONI, 2014).</p><p>Para Leff (2002, p.124):</p><p>A educação ambiental traz consigo uma nova pedagogia que surge da</p><p>necessidade de orientar a educação dentro do contexto social e na realidade</p><p>ecológica cultural. [...] a partir da experiência concreta com os meios físicos</p><p>e sociais, buscar soluções aos problemas ambientais locais [...], propiciando</p><p>aos alunos o pensamento crítico, criativo e prospectivo, capaz de analisar as</p><p>63</p><p>complexas relações entre os processos naturais e sociais para atuar no</p><p>ambiente com uma perspectiva global.</p><p>Sachs (1993) desenvolve o que chama de as cinco dimensões de</p><p>sustentabilidade do ecodesenvolvimento:</p><p>Sustentabilidade Social: O processo deve se dar de tal maneira que reduza</p><p>substancialmente as diferenças sociais. Considerar o desenvolvimento em sua</p><p>multidimensionalidade, abrangendo todo o espectro de necessidades materiais e não-</p><p>materiais.</p><p>Sustentabilidade Econômica: A eficiência económica baseia-se em uma "alocação</p><p>e gestão mais eficientes dos recursos e por um fluxo regular do investimento público</p><p>e privado". A eficiência deve ser medida sobretudo em termos de critérios</p><p>macrossociais.</p><p>Sustentabilidade Ecológica: Compreende a intensificação do uso dos potenciais</p><p>inerentes aos variados ecossistemas, compatível com sua mínima deterioração. Deve</p><p>permitir que a natureza encontre novos equilíbrios, através de processos de utilização</p><p>que obedeçam a seu</p><p>ciclo temporal. Implica também em preservar as fontes de</p><p>recursos energéticos e naturais.</p><p>Sustentabilidade Espacial: Pressupõe evitar a concentração geográfica exagerada</p><p>de populações, atividades e de poder. Busca uma relação equilibrada cidade-campo.</p><p>Sustentabilidade Cultural: Significa traduzir o conceito normativo de</p><p>ecodesenvolvimento em uma pluralidade de soluções particulares, que respeitem as</p><p>especificidades de cada ecossistema, de cada cultura e de cada local.</p><p>Na tabela 2 abaixo, observa-se os componentes e objetivos de cada um dos</p><p>cinco Pilares do Ecodesenvolvimento.</p><p>64</p><p>Tabela 2 - Componentes e objetivos de cada um dos cinco Pilares do</p><p>Ecodesenvolvimento</p><p>Fonte: Sachs (1993)</p><p>7.1 A empresa, o meio ambiente e a sociedade</p><p>A sustentabilidade é uma questão de interesse da sociedade em geral, onde a</p><p>frequente poluição dos oceanos, rios, degradação, uso inadequado dos recursos</p><p>naturais, e o exagero do consumo de produtos e serviços tende a assanhar impactos</p><p>65</p><p>ao meio ambiente. Os recursos naturais não são inesgotáveis e a qualidade de vida</p><p>depende ainda da conservação do meio ambiente. Nos últimos anos, os consumidores</p><p>e o mercado começaram a ter um olhar mais voltado para a sustentabilidade, e essa</p><p>ascendência ecológica afeta absolutamente na gestão das empresas que tende ater</p><p>mais responsabilidade ambiental. (NOGUEIRA, 2018).</p><p>Diante das preocupações socioambientais do mercado, as organizações</p><p>começam a buscar novos comportamentos em relação às questões ambientais, e o</p><p>marketing verde traz sugestões e ações para o desenvolvimento de estratégias</p><p>sustentáveis, conquistando assim um diferencial competitivo.</p><p>Segundo Polonsky (1994), marketing verde é um termo muito amplo composto</p><p>por práticas de gestão ambiental que buscam transmitir aos consumidores uma</p><p>imagem de responsabilidade socioambiental em um contexto de troca que seja</p><p>benéfico tanto para o vendedor quanto para o Cliente e ao mesmo tempo</p><p>busca proteção e redução de danos ambientais.</p><p>7.2 Marketing verde</p><p>Este termo (marketing verde), surgiu nos anos 1970, quando a American</p><p>Marketing Association (AMA) discutiu os impactos do marketing sobre o meio</p><p>ambiente natural. Nessa ocasião, o termo foi definido como o estudo dos aspectos</p><p>positivos e negativos das atividades de marketing em relação à poluição, ao</p><p>esgotamento de energia e dos recursos não renováveis.</p><p>Nesse contexto, Gonzaga (2005) explica que o marketing verde é a</p><p>diferenciação dos produtos em relação à preservação do meio ambiente, que se</p><p>traduz na relação de busca de benefícios sustentáveis, demonstrados pela</p><p>ideia de transformar produtos ou serviços que usam o meio ambiente para reduzir</p><p>mais o impacto em um contexto de qualidade e valor na implementação de uma</p><p>imagem mais sustentável.</p><p>No entanto, não são apenas os produtos que possuem características</p><p>ecológicas, mas todo o processo da empresa, que inclui a proteção do meio</p><p>66</p><p>ambiente como critério de reciclagem, uso, redução e minimização do impacto</p><p>ambiental que a atividade pode causar. Dessa forma, o marketing verde pode</p><p>sustentar o lado positivo das atitudes das empresas, não apenas economizando,</p><p>reutilizando ou reciclando, mas também torná-lo lucrativo e garantir um papel de</p><p>liderança no mercado, colaborando assim para um ambiente mais sustentável. Essas</p><p>questões estão se tornando cada vez mais importantes para as pesquisas e as</p><p>práticas organizacionais.</p><p>As atividades de marketing verde devem orientar, educar e despertar</p><p>os desejos e necessidades dos consumidores, sempre com o objetivo de diminuir o</p><p>impacto ambiental, além de atingir os objetivos de marketing das organizações. Além</p><p>de poder promover efetivamente a consciência ambiental, está diretamente</p><p>relacionada à sustentabilidade do consumo. De acordo com Lopes (2014),</p><p>o marketing verde é representado pelos esforços das organizações para atender</p><p>às expectativas dos consumidores por produtos que tenham menores impactos</p><p>ambientais ao longo de seu ciclo de vida.</p><p>7.3 Responsabilidade Socioambiental</p><p>Os programas de responsabilidade socioambiental começaram a maior</p><p>evidência a partir dos anos 1990, quando muitas empresas aderiram às</p><p>certificações como uma oportunidade de mercado, conferindo a elas</p><p>um correto nível de visibilidade, um diferencial competitivo em relação aos</p><p>concorrentes.</p><p>Gonzaga (2005) destaca que, junto com</p><p>a demanda pelo uso sustentável do meio ambiente, tende aumentar a vigilância</p><p>pelos valores éticos das organizações empresariais, tornando</p><p>a prática de responsabilidade social uma constante dentro das empresas. A</p><p>responsabilidade das organizações, assim como as propostas no conceito de</p><p>sustentabilidade, é dividida em econômica, social e ambiental.</p><p>67</p><p>A gestão socioambiental inclui todas as atividades operacionais e indiretas da</p><p>organização. Segundo Tachizawa e Bernardes (2008), as organizações devem</p><p>integrar plenamente as políticas e procedimentos ambientais como elementos</p><p>essenciais da gestão em todas as suas áreas e, consequentemente, redefinir-se em</p><p>termos de missão, crenças e valores e integrar a</p><p>sustentabilidade em suas estratégias.</p><p>Os resultados com a gestão ambiental dependem da medição e da análise das</p><p>informações resultantes de estratégias corporativas das organizações empregadas</p><p>nos principais processos, bem como em seus resultados. As informações necessárias,</p><p>que servem como bases para a avaliação e a melhoria do desempenho nos programas</p><p>ambientais, incluem, entre outras, aquelas relacionadas a processo produtivo,</p><p>desempenho dos produtos, benchmarking ou, até mesmo, referenciais provindos de</p><p>fornecedores, colaboradores e todos os envolvidos. Logo, a função do gestor</p><p>ambiental baseia-se na extração e na análise de tais informações para a tomada de</p><p>decisão sobre o relacionamento da organização com as questões ambientais e sociais</p><p>(TACHIZAWA & BERNARDES, 2008).</p><p>De acordo com Tachizawa e Bernardes (2008), as principais estratégias</p><p>adotadas pela gestão ambiental nas organizações são: redução no custo e uso de</p><p>energia e água; mudança na fabricação das embalagens; redução no uso de matérias-</p><p>primas; reciclagem de sucatas, resíduos ou refugos; disposição adequada dos</p><p>resíduos sólidos e lixo industrial; controle ou recuperação de emissões gasosas e</p><p>líquidas; seleção de fornecedores ambientalmente corretos; investimento no sistema</p><p>de controle e auditoria ambiental; investimento em rotulagem ambiental; projetos</p><p>sociais em meio ambiente, educação, saúde, cultura, apoio à criança e ao</p><p>adolescente; e projetos sociais em voluntariado.</p><p>68</p><p>8 REFERÊNCIAS</p><p>BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Meio ambiente: guia prático e didático. 2. ed.</p><p>São Paulo: Érica, 2013.</p><p>BRASIL, Lei de nº 12.651 de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da</p><p>vegetação nativa; altera as Leis n.º 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de</p><p>dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nº 4.771,</p><p>de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória nº</p><p>2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Brasília, DF, 2012.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução no. 001, de 23 de janeiro</p><p>de 1986.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal,</p><p>1988.</p><p>BRASIL. Lei n.4771, de 15 de setembro de 1965.Institui o novo código florestal.</p><p>BRASIL. Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de</p><p>Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras</p><p>providências. Brasília, DF, 2010.</p><p>BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.Dispõe sobre a Política Nacional do</p><p>Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras</p><p>providências. Brasilia, DF, 1981.</p><p>BRASIL. Lei nº 7.735,</p><p>de 22 de fevereiro de 1989 .</p><p>Dispõe sobre a extinção de órgão e de entidade autárquica, cria o Instituto Brasileiro</p><p>do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e dá outras providências.</p><p>Brasilia, DF,1989.</p><p>BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Caderno de licenciamento ambiental.</p><p>Brasília: MMA, 2009.</p><p>BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente</p><p>(CONAMA). Resolução Conama n. 306, de 5 de julho de 2002. Estabelece os</p><p>requisitos mínimos e o termo de referência para realização de auditorias ambientais.</p><p>Brasília, 2002.</p><p>BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente</p><p>(CONAMA). Resolução Conama n. 307, de 5 de julho de 2002. Estabelece</p><p>diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.</p><p>Brasília, 2002.</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%207.735-1989?OpenDocument</p><p>69</p><p>BRASIL. Resolução nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação</p><p>dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem</p><p>como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá</p><p>outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 18 mar. 2005.</p><p>CENCI, Daniel Rubens. O direito ao ambiente ecologicamente equilibrado como</p><p>direito fundamental da pessoa humana. In: BEDIN, Gilmar Antonio. (Org.). 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Sua distribuição no planeta Terra se dá principalmente na forma de água</p><p>salgada, como podemos ver na Figura 1.</p><p>Figura 1 – Distribuição da água planeta Terra</p><p>Fonte: bit.ly/3dpp5nj</p><p>A água é um recurso finito que pode ser recirculado e reutilizado</p><p>indefinidamente. No entanto, cada vez que alteramos sua qualidade com</p><p>contaminantes mais poluentes agressivos ou perigosos, tornando assim, o tratamento</p><p>mais difícil e caro.</p><p>8</p><p>O ciclo hidrológico está dividido nas seguintes etapas: precipitação,</p><p>escoamento superficial, infiltração, evaporação, evapotranspiração e condensação</p><p>(formação de nuvens), como mostra a Figura 2 abaixo.</p><p>Figura 2 – Ciclo bioqúmico da água</p><p>Fonte: bit.ly/3dBivuk</p><p>Os usos mais comuns para água são:</p><p> Abastecimento doméstico;</p><p> Geração de energia;</p><p> Industrial;</p><p> Preservação da flora e fauna;</p><p> Transporte;</p><p> Autodepuração dos corpos d’água.</p><p>9</p><p>Em função da estrutura elétrica de suas moléculas, a água é o principal veículo</p><p>de transporte de nutrientes nos organismos vivos e influencia na qualidade da fauna</p><p>e da flora onde existe.</p><p>2.1.1. Qualidade da água</p><p>A qualidade da água é representada por características intrínsecas e</p><p>mensuráveis, de natureza física, química e biológica. O conceito de qualidade da água</p><p>está ligado ao uso que dela se faz. Os critérios e parâmetros de qualidade variam com</p><p>o tempo, em função da sua disponibilidade e do desenvolvimento (exigências de uso)</p><p>da sociedade. (SILVA et al, 2019).</p><p>Os indicadores de qualidade da água mais usados são:</p><p>Potencial Hidrogeniônico – pH: mede a relação de concentração entre os</p><p>íons H+e OH-.</p><p>Temperatura – T: afeta a solubilidade dos gases na água e tem efeito sobre a</p><p>flora e a fauna aquáticas.</p><p>Demanda bioquímica de oxigênio (DBO): representa a quantidade de</p><p>oxigênio necessária à oxidação da matéria orgânica através de agente químico,</p><p>normalmente bicromato de potássio (K2Cr2O7) ou permanganato de potássio</p><p>(KMnO4).</p><p>Demanda química de oxigênio (DQO): representa a quantidade de oxigênio</p><p>necessária à oxidação da matéria orgânica através de agente químico, normalmente</p><p>bicromato de potássio (K2Cr2O7) ou permanganato de potássio (KMnO4).</p><p>Oxigênio dissolvido (OD): representa as condições de aeração do corpo</p><p>d’água e varia conforme a temperatura e a pressão atmosférica.</p><p>Turbidez: indica o grau de atenuação que um feixe de luz sofre ao atravessar</p><p>a água. Esta atenuação ocorre pela absorção e espalhamento da luz causada pelos</p><p>sólidos em suspensão (silte, areia, argila, algas, detritos etc.).</p><p>Coliformes total e fecal: indica a presença de bactérias entéricas. São ótimos</p><p>indicadores da presença de possíveis patógenos, embora não o sejam.</p><p>10</p><p>Cor: indica a presença de matéria coloidal dissolvida e pode ter origem</p><p>orgânica (ácidos húmicos, taninos) ou mineral (metais Ferro (Fe) e Manganês (Mn)).</p><p>Coliformes total e fecal: indica a presença de bactérias entéricas. São ótimos</p><p>indicadores da presença de possíveis patógenos, embora não o sejam.</p><p>Nutrientes: indica a presença de compostos à base de nitrogênio (N), fósforo</p><p>(P) e enxofre (S). Ocorrem naturalmente em pequenas concentrações, mas um</p><p>aumento excessivo, em função do lançamento de esgotos não tratados, pode levar à</p><p>eutrofização do corpo d’água.</p><p>Metais: indicam despejos de origem industrial e são representados mais</p><p>comumente por cádmio (Cd), cromo (Cr), mercúrio (Hg), chumbo (Pb), cobre (Cu) e</p><p>zinco (Zn).</p><p>Dureza: relaciona-se com a presença de cátions de cálcio (Ca+2 (Mg+2) e</p><p>magnésio) que conferem problemas de sabor e precipitações (incrustações) na água</p><p>onde estejam em alta contagem.</p><p>Alcalinidade: relaciona-se com a presença de sais alcalinos de sódio (Na) e</p><p>cálcio (Ca) que neutralizam substâncias ácidas e produzem tamponamento no meio.</p><p>2.1.2 Índice de Qualidade das Águas (IQA)</p><p>O IQA é um índice utilizado em diversos países para a avaliação padronizada</p><p>da qualidade da água analisada. Os seguintes indicadores (parâmetros) são usados</p><p>para a composição do ICA: sólidos totais, turbidez, temperatura, fosfatos, nitratos,</p><p>DBO, pH, coliformes e oxigênio dissolvido.</p><p>O Índice de Qualidade das Águas (IQA) é calculado pela seguinte fórmula:</p><p>𝑰𝐐𝐀 = ∑(𝑸𝒊</p><p>𝒏</p><p>𝒊=𝟏</p><p>)𝑾𝒊</p><p>11</p><p>Em que:</p><p> 𝑰𝐐𝐀 varia de 0 a 100;</p><p> 𝑸𝒊 é a qualidade do i-ésimo parâmetro considerado, obtido a partir</p><p>das curvas médias de qualidade, e varia de 0 a 100;</p><p> 𝑾𝒊 são o peso relativo do i-ésimo parâmetro, atribuído em função</p><p>de sua importância relativa na avaliação total, e varia de 0 a 1.</p><p>De acordo com o valor do IQA, a qualidade das águas é definida segundo as</p><p>seguintes categorias apresentadas na Tabela 1 abaixo:</p><p>Tabela 1 – Categorias que classificam a qualidade da água</p><p>Fonte: Silva et al.(2019).</p><p>Para abastecimento público, o tratamento de água deve oferecer segurança e</p><p>qualidade para o consumidor. O detalhamento do tratamento deverá se basear nas</p><p>características naturalmente encontradas no manancial utilizado para captação, mas</p><p>de uma maneira geral, tem as seguintes finalidades:</p><p>Higiênicas: remoção de microrganismos e excesso de impurezas.</p><p>Estéticas: correção da cor, do odor e sabor, e redução da turbidez.</p><p>Econômicas: redução da corrosividade, dureza, cor e turbidez.</p><p>Nesse sentido, a primeira fase do processo de tratamento – a captação –</p><p>assume papel muito importante, pois ela pode ser feita por meio de mananciais</p><p>12</p><p>subterrâneos ou superficiais. Para mananciais subterrâneos normalmente o custo de</p><p>tratamento é muito menor, pois a água encontra-se com suas características naturais</p><p>de qualidade preservadas.</p><p>3 PRINCÍPIOS DA ECOLOGIA</p><p>A ecologia tem sido de interesse prático desde o início da história humana.</p><p>Na sociedade primitiva, todos os indivíduos tinham que conhecer seu ambiente, isto</p><p>é, compreender as forças da natureza, as plantas e os animais que os cercavam, para</p><p>sobreviver. De fato, o início da civilização coincidiu com o uso do fogo e outras</p><p>ferramentas para alterar o meio ambiente.</p><p>Hoje, devido aos avanços tecnológicos, percebe-se que as pessoas estão</p><p>menos dependentes do ambiente natural para suas necessidades diárias. Muitos</p><p>estão esquecendo da nossa dependência contínua da natureza por ar, água e</p><p>indiretamente alimentos, sem mencionar o processamento de resíduos, recreação e</p><p>muitos outros serviços que o meio ambiente oferece. Da mesma</p><p>forma, os sistemas</p><p>econômicos, independentemente da ideologia política, valorizam as coisas feitas pelo</p><p>homem que beneficiam os indivíduos acima de tudo, mas atribuem pouco valor</p><p>monetário aos bens e serviços da natureza que nos beneficiam como sociedade. Até</p><p>que haja uma crise, os humanos tendem a considerar normais os bens e serviços</p><p>provenientes da natureza, pois assumimos que são ilimitados ou de alguma forma</p><p>repostos por inovações tecnológicas, mesmo sabendo que necessidades vitais como</p><p>oxigênio e água podem ser recicláveis, mas não substituíveis. Enquanto os serviços</p><p>de apoio à vida forem considerados gratuitos, não terão valor nos sistemas de</p><p>mercado atual (ODUM, 2019).</p><p>A década de 1970 foi chamada de “década do ambiente”, cujo início ocorreu</p><p>com o primeiro “Dia da Terra”, em 22 de abril de 1970. Depois, nas décadas de 1980</p><p>e 1990, os temas ambientais foram empurrados para os bastidores do cenário político</p><p>pelas preocupações com as relações humanas: Problemas como criminalidade,</p><p>Guerra Fria, orçamentos governamentais e assistência social. Conforme entramos</p><p>13</p><p>nos cenários iniciais do século XXI, as preocupações com o ambiente vêm de novo à</p><p>tona, porque o abuso humano sobre a Terra continua sua escalada.</p><p>O aumento da atenção pública teve um efeito profundo sobre a ecologia</p><p>acadêmica. Antes da década de 1970, a Ecologia era vista, em grande parte, como</p><p>uma subdisciplina da Biologia. Os ecólogos eram alocados nos departamentos de</p><p>Biologia e os cursos de Ecologia eram geralmente encontrados apenas nos currículos</p><p>das ciências biológicas. Embora a ecologia permaneça fortemente enraizada na</p><p>biologia, ela emergiu desta como uma disciplina essencialmente nova e integrativa,</p><p>que liga os processos físicos e biológicos, formando uma ponte entre as ciências</p><p>naturais e sociais. Ao mesmo tempo que o escopo da ecologia está em expansão,</p><p>intensifica-se o estudo de como os organismos e as espécies individuais inter-</p><p>relacionam e utilizam os recursos. (ODUM, 2019).</p><p>3.1 Níveis De Organização Biológica</p><p>A ecologia busca compreender a importância de cada espécie na natureza e a</p><p>necessidade de preservar os ambientes naturais que a Terra abriga. De acordo com</p><p>Barsano e Barbosa (2013), não são apenas a fauna e a flora que merecem cuidados:</p><p>existem outros fatores também que devem ser observados visando o equilíbrio da</p><p>natureza, entre eles o espaço físico, a temperatura e a localização. O termo</p><p>biodiversidade (ou diversidade biológica) refere-se à riqueza e à variedade de plantas</p><p>e animais que são encontrados nos mais diferentes ambientes. As plantas, os animais</p><p>e os microrganismos fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima</p><p>industrial consumida pelo ser humano.</p><p>Para melhor compreensão do mundo vivo, a biologia, a ecologia e muitas outras</p><p>áreas, utilizam níveis de organização biológica em seus estudos. As</p><p>estruturas biológicas são organizadas hierarquicamente do nível mais baixo de</p><p>organização ao nível mais alto de organização, ou seja, da célula</p><p>à biosfera. Os níveis mais altos (acima do nível de "população")</p><p>são frequentemente chamados de organização ecológica.</p><p>14</p><p>Cada nível de organização biológica é composto, principalmente, pelas</p><p>unidades estruturais do nível organizacional imediatamente inferior, somado a um</p><p>aumento da complexidade organizacional.</p><p>Um conceito básico associado à organização biológica é o da emergência, ou</p><p>surgimento de caraterísticas e funções novas nos níveis organizacionais</p><p>sucessivamente mais elevados, não presentes nos níveis de organização mais baixos.</p><p>Isso significa que, na hierarquia, os níveis sucessivamente mais elevados apresentam</p><p>características e funções novas. Assim, teoricamente, uma alteração na organização</p><p>da estrutura biológica de um nível inferior acarreta alterações na organização das</p><p>estruturas biológicas superiores — por exemplo, alterações na estrutura de um átomo</p><p>conduzem, ou podem conduzir, as alterações na organização biológica de níveis</p><p>superiores, indo da célula para o organismo até a biosfera.</p><p>Os níveis de organização biológica são uma das melhores formas de delimitar</p><p>a ecologia moderna, segundo Odum (2019). Veja uma representação dos níveis de</p><p>organização na Figura 3.</p><p>Figura 3 – Hierarquia dos níveis de organização biológica</p><p>Fonte: Adaptada de Odum (2019).</p><p>15</p><p>Os níveis de organização biológica iniciam pela célula, a qual é definida como</p><p>a unidade básica, estrutural e funcional da vida. Ela é a menor unidade dos níveis de</p><p>organização biológica que se classifica como ser vivo. Alguns seres vivos são</p><p>constituídos por uma única célula (seres unicelulares como bactérias, fungos, algas,</p><p>entre outros), e outros são constituídos por conjuntos de células (seres multicelulares,</p><p>como animais, plantas e o homem), conforme ressalta Nicolau (2017).</p><p>Os tecidos são formados pela união de células especializadas e estão</p><p>presentes em apenas alguns organismos multicelulares, como as plantas e os</p><p>animais. Quando organizados e juntos, os tecidos formam os órgãos, que são</p><p>formados por vários tipos de tecidos — por exemplo, o coração é formado por tecido</p><p>muscular, sanguíneo e tecido nervoso (nervos). Já os sistemas, por sua vez, são</p><p>formados pela união de vários órgãos que trabalham em conjunto para desempenhar</p><p>determinada função corporal — por exemplo, o sistema digestivo, que é formado por</p><p>vários órgãos como boca, estômago, intestinos, entre outros.</p><p>O conjunto de órgãos que constituem um ser vivo é denominado organismo. As</p><p>características principais dos organismos são a capacidade de extrair energia a partir</p><p>de nutrientes, de se adaptar às mudanças ambientais e de se reproduzir.</p><p>A ecologia se preocupa de forma ampla, mas não total, com os níveis de</p><p>sistema além do organismo. O termo população, originalmente criado para um grupo</p><p>de pessoas, foi ampliado para incluir grupos de indivíduos de qualquer tipo de</p><p>organismo. A população corresponde ao conjunto de indivíduos de uma mesma</p><p>espécie, que ocorrem juntos em uma mesma área geográfica no mesmo intervalo de</p><p>tempo (ODUM,2019).</p><p>Já a comunidade (também denominada biocenose ou biota), inclui todas as</p><p>populações que ocupam uma certa área. Sobre a comunidade atuam vários fatores</p><p>físicos, químicos e geológicos do ambiente, como a luz, a umidade, a temperatura, os</p><p>nutrientes, o solo e a água. Esses são os componentes abióticos, enquanto que os</p><p>seres vivos são os componentes bióticos.</p><p>A comunidade e o ambiente não vivos (abiótico) funcionam juntos, que eles</p><p>correspondem ao ecossistema — também denominado biocenose ou biogeocenose</p><p>16</p><p>em algumas bibliografias. Em relação à paisagem, ela se refere à área heterogênea</p><p>composta de um agregado de ecossistemas em integração, que se repetem de</p><p>maneira similar por toda a sua extensão. Uma bacia hidrográfica é um bom exemplo</p><p>de unidade de paisagem, porque geralmente tem limites naturais identificáveis.</p><p>O bioma designa uma área geográfica onde são encontradas flora, fauna e</p><p>condições climáticas especificas. Em outras palavras, biomas são um conjunto de vida</p><p>vegetal e animal, constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e que</p><p>podem ser identificados em nível regional, com condições de geologia e clima</p><p>semelhantes e que, historicamente, sofreram os mesmos processos de formação da</p><p>paisagem, resultando em uma diversidade de flora e fauna própria.</p><p>A biosfera se refere ao conjunto de todos os ecossistemas da Terra, ou seja,</p><p>a camada da Terra que contém seres vivos. Parcelas da biosfera de diferentes</p><p>tamanhos podem ser consideradas ecossistemas, desde que haja intercâmbio de</p><p>matéria e de energia entre os elementos abióticos e bióticos. Dessa forma, pode-se</p><p>considerar ecossistema uma pequena lagoa ou um oceano inteiro.</p><p>A biosfera toda pode ser vista como um grande ecossistema.</p><p>Embora a</p><p>distribuição dos organismos no planeta não seja homogênea, pois depende de fatores</p><p>abióticos que variam de região para região, em linhas gerais, os limites da biosfera</p><p>podem ser definidos com base nos regimes extremos de ocorrência de seres vivos:</p><p>cerca de 7 mil metros de altitude, onde voam algumas aves migratórias, e por volta de</p><p>11 mil metros de profundidade nos oceanos, onde se encontram bactérias e alguns</p><p>animais (LOPES, 2009).</p><p>3.2 Os componentes estruturais de um ecossistema</p><p>Os ecossistemas são constituídos, essencialmente, por três componentes:</p><p>Abióticos - que em conjunto constituem o biótopo: ambiente físico e fatores químicos</p><p>e físicos. A radiação solar é um dos principais fatores físicos dos ecossistemas</p><p>terrestres pois é através dela que as plantas realizam fotossíntese, liberando oxigênio</p><p>para a atmosfera e transformando a energia luminoso em química.</p><p>17</p><p>Bióticos - representados pelos seres vivos que compõem a comunidade biótica ou</p><p>biocenoses. compreendendo os organismos heterótrofos dependentes da matéria</p><p>orgânica e os autotróficos responsáveis pela produção primária, ou seja, a fixação do</p><p>CO2.</p><p>Energia – caracterizada pela força motriz que aporta nos diversos ambientes e</p><p>garante as condições necessárias para a produção primária em um ambiente, ou seja,</p><p>a produção de biomassa a partir de componentes inorgânicos.</p><p>Todos os animais são consumidores. Os animais que se alimentam de</p><p>produtores são chamados consumidores primários. Os herbívoros, animais que se</p><p>alimentam de plantas, são, portanto, consumidores primários. Os animais que se</p><p>alimentam de herbívoros são consumidores secundários, os que se alimentam dos</p><p>consumidores secundários são consumidores terciários e assim por diante.</p><p>Sob o ponto de vista funcional, um ecossistema pode ser analisado no âmbito</p><p>das seguintes características e processos:</p><p> evolução;</p><p> homeostase;</p><p> fluxo de energia;</p><p> cadeias ou teias alimentares;</p><p> ciclos biogeoquímicos;</p><p> padrões de diversidade</p><p>De acordo com Hanazaki (2013), para fins descritivos, os componentes do</p><p>ecossistema são:</p><p> substâncias inorgânicas, envolvidas nos ciclos de materiais (carbono,</p><p>nitrogênio, gás carbônico, água, entre outras);</p><p>18</p><p> compostos orgânicos, que ligam o biótico ao abiótico (proteínas, hidratos de</p><p>carbono, lipídeos, entre outros);</p><p> regime climático e outros fatores físicos e químicos, incluindo temperatura,</p><p>acidez ou alcalinidade (pH), luminosidade, pressão atmosférica, entre outros;</p><p> produtores, ou organismos autótrofos, como, por exemplo, as plantas, que</p><p>são capazes de captar a energia solar e transformá-la em energia química por meio</p><p>da fotossíntese;</p><p> consumidores, ou organismos heterótrofos, como, por exemplo, os herbívoros</p><p>e os carnívoros, que dependem direta ou indiretamente dos produtores para obter</p><p>energia;</p><p> decompositores, ou organismos micro consumidores ou saprótrofos, como,</p><p>por exemplo, as bactérias e fungos, que decompõem a matéria orgânica morta e</p><p>liberam nutrientes inorgânicos.</p><p>3.3 Glossário ecológico</p><p>Espécie – Grupo de indivíduos semelhantes (estruturais, funcionais e bioquí-</p><p>micos) que se reproduzem naturalmente e produzem descendentes férteis.</p><p>População - É o conjunto de indivíduos de mesma espécie que vivem numa</p><p>mesma área e por determinado período.</p><p>Comunidade ou biocenose - Conjunto de populações de diversas espécies</p><p>que habitam uma mesma região em determinado período.</p><p>Ecossistema ou sistema ecológico - É o conjunto formado pelo meio</p><p>ambiente físico, ou seja, o biótopo (formado por fatores abióticos - sem vida - como:</p><p>solo, ar) mais a comunidade (formada por componentes bióticos - seres vivos) que</p><p>com o meio se relaciona.</p><p>Habitat - Lugar específico onde uma espécie pode ser encontrada, isto é, o seu</p><p>"endereço" dentro do ecossistema.</p><p>19</p><p>Nicho ecológico - Papel que o organismo desempenha no ecossistema, isto</p><p>é, a “profissão" do organismo no ecossistema. O nicho informa às custas de que se</p><p>alimenta, a quem serve de alimento, como se reproduz, etc.</p><p>Ecótono - é a região de transição entre duas comunidades ou entre dois</p><p>ecossistemas. Na área de transição vamos encontrar grande número de espécies e,</p><p>por conseguinte, grande número de nichos ecológicos.</p><p>Biotópo - Área física na qual os biótipos adaptados a ela e as condições</p><p>ambientais se apresentam praticamente uniformes.</p><p>Biosfera - Toda vida, seja ela animal ou vegetal, ocorre numa faixa</p><p>denominada biosfera, que inclui a superfície da Terra, os rios, os lagos, mares e</p><p>oceanos e parte da atmosfera. A vida só é possível nessa faixa porque aí se</p><p>encontram os gases necessários para as espécies terrestres e aquáticas: oxigênio e</p><p>nitrogênio. Distinguimos em ecologia três grandes subdivisões: a autoecologia, a</p><p>dinâmica das populações e a sinecologia. Estas distinções são um pouco arbitrárias,</p><p>mas têm a vantagem de ser cômodas para uma exposição introdutória.</p><p>A auto-ecologia estuda as relações de uma única espécie com seu meio.</p><p>Define essencialmente os limites de tolerância e as preferências das espécies em face</p><p>dos diversos fatores ecológicos e examina a ação do meio sobre a morfologia, a</p><p>fisiologia e o comportamento. Desprezam-se as interações dessa espécie com as</p><p>outras, mas frequentemente ganha-se na precisão das informações. Assim definida,</p><p>a autoecologia tem evidentemente correlacionamentos com a fisiologia e a morfologia.</p><p>Mas tem também seus próprios problemas. Por exemplo, a determinação das</p><p>preferências térmicas de uma espécie permitirá explicar (ao menos em parte) sua</p><p>localização nos diversos meios, sua repartição geográfica, abundância e atividade.</p><p>A dinâmica das populações descreve as variações da abundância das</p><p>diversas espécies e procura as causas dessas variações.</p><p>A sinecologia analisa as relações entre os indivíduos pertencentes às diversas</p><p>espécies de um grupo e seu meio. O estudo sinecológico pode adotar dois pontos de</p><p>vista:</p><p>20</p><p>Outras subdivisões da ecologia levam em consideração a natureza do meio e</p><p>correspondem aos três grandes conjuntos da biosfera: a ecologia marítima, a ecologia</p><p>terrestre e a ecologia límnica. A natureza dos organismos e os métodos de estudo são</p><p>geralmente muito diferentes nesses três meios, embora em muitos casos os princípios</p><p>gerais sejam os mesmos.</p><p>3.4 Equilíbrio Ecológico</p><p>A Constituição Federal brasileira determina, em seu art. 255, que todos têm</p><p>direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo,</p><p>essencial e saudável a qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à</p><p>coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações,</p><p>em consonância com a Lei Federal no 6.938/1981, que institui a Política Nacional do</p><p>Meio Ambiente e que tem por objetivos a preservação, a melhoria e a recuperação da</p><p>qualidade ambiental propícias à vida, considerando o meio ambiente como patrimônio</p><p>público (STEIN, 2018).</p><p>O equilíbrio ecológico é ponto de estabilidade entre diversos fatores que</p><p>constituem um ecossistema, suas cadeias tróficas, vegetação, clima, solo, ar, água,</p><p>que podem ser perturbados pela conduta humana. Não significa dizer que haverá uma</p><p>permanência e equilíbrio constante, mas que haja uma consonância ou proporção e a</p><p>salubridade entre os elementos que compõe o equilíbrio ecológico.</p><p>Acerca da qualidade de vida com alcance do direito ao meio ambiente</p><p>ecologicamente equilibrado é possível considerar que:</p><p>Refere-se à vivência e a busca de plenitude, na qual o ser humano usufrua</p><p>de tudo o que for necessário para a existência. Todos os seres vivos</p><p>necessitam serem abastecidos por elementos que garantam sua vida: solo,</p><p>água, ar, sol, alimentos, etc. e se tais elementos existem e seus componentes</p><p>estão em razoável equilíbrio, se a degradação e a poluição não alteram</p><p>substancialmente</p><p>suas características, a condição de vida poderá assim, ser</p><p>compreendida como sadia (CENCI, 2012, p.331).</p><p>Vale ressaltar que, o princípio do meio ambiente ecologicamente equilibrado</p><p>como direito fundamental da pessoa humana, é considerado basilar e deste decorre</p><p>21</p><p>todos os outros princípios relacionados ao meio ambiente, vez que em se tratando de</p><p>direito à vida, não pode ser considerado somente o permanecer vivo, mas viver com</p><p>qualidade, direito a uma vida digna, com um meio ambiente ecologicamente</p><p>equilibrado, levando-se em consideração todos os elementos da natureza: ar, água,</p><p>solo, entres outros.</p><p>Cabe registrar que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito</p><p>fundamental de todos, tem sua natureza jurídica traçada nos direitos difusos, posto</p><p>que, trata-se de direito coletivo, de natureza indivisível.</p><p>4 POLUIÇÃO: CONCEITOS, FONTES, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS</p><p>A palavra poluição vem do termo em latim polluere. Em termos de significado</p><p>metafórico, a palavra polluere está ligada principalmente a valores morais – manchar</p><p>a fama ou profanar o sagrado, violar leis. Além da conotação moral, existe uma</p><p>conotação física deste termo, que significa sujar, manchar, alterar negativamente o</p><p>meio ambiente.</p><p>Desde a Antiguidade, as sociedades relacionaram-se com o meio em que</p><p>habitavam buscando principalmente abrigo, insumos (alimentares, dessedentação,</p><p>energia) e locais para depositar seus resíduos.</p><p>Em geral, toda alteração ocorrida no meio ambiente que cause desequilíbrio e</p><p>prejudique as atividades humanas e a biota, pode ser considerada um impacto</p><p>ambiental.</p><p>A poluição do ar tem sido um tema muito discutido em todo o mundo nos últimos</p><p>anos. As preocupações com a qualidade do ar nas cidades são assuntos de várias</p><p>reuniões internacionais e protocolos governamentais. Liderados pela Organização</p><p>das Nações Unidas (ONU), esses encontros propõem que os países estabeleçam</p><p>metas para reduzir as emissões de gases e partículas antropogênicas prejudiciais à</p><p>saúde e ao meio ambiente. Um dos dezenove objetivos da Agenda 2030 da ONU é</p><p>reduzir a poluição ambiental causada pela poluição do ar por meio de ações contra as</p><p>22</p><p>mudanças climáticas globais. A mudança climática tornou-se um grande problema</p><p>global, mas a poluição do ar nem sempre foi vista dessa maneira (LIMA, 2021).</p><p>De acordo com Lima (2021), as atividades antrópicas (realizadas pelo homem)</p><p>interferem o meio ambiente durante séculos, utilizando os recursos naturais de</p><p>diversas formas, seja para fins econômicos ou recreativos. Após a revolução industrial</p><p>e a intensificação da atividade humana, a degradação ambiental ficou ainda mais</p><p>evidente. Em 1972 na Conferência de Estocolmo que foi estabelecida uma política</p><p>global de preservação e melhoria do meio ambiente, e vinte anos depois a ECO-92</p><p>discutiu os problemas ambientais globais, incluindo a poluição do ar. Após essa</p><p>conferência, ano após ano, a emissão de gases poluentes ganha importância e é alvo</p><p>de discussões, além de leis de proteção ao meio ambiente relacionadas a esse tema.</p><p>A poluição é um grave problema de saúde pública. Sabe-se que os sistemas</p><p>de saúde pública são mais exigentes quando há altos níveis de poluentes no meio</p><p>ambiente, e há evidências de uma série de doenças causadas por gases e partículas,</p><p>incluindo cardiorrespiratórias, cardiovasculares, malformações fetais e câncer. Eles</p><p>também podem causar perdas econômicas devido à corrosão dos materiais, seu</p><p>enfraquecimento, desgaste das estruturas, redução da visibilidade e danos à fauna e</p><p>à flora. A poluição pode se apresentar tanto como matéria visível, mas também como</p><p>matéria de dimensões fora do alcance a olho nu, como é o caso dos gases e de</p><p>micropartículas suspensas no ar, ou mesmo sob a forma de energia como a</p><p>eletromagnética, o ruído e o calor, que não são visíveis. Logo, a poluição não consiste</p><p>apenas naquilo que podemos enxergar (SANTOS, 2017).</p><p>No Brasil, a Lei no 6.938/1981, Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, art.</p><p>3º, inciso III, define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante de</p><p>atividade que direta ou indiretamente:</p><p> prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;</p><p> criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;</p><p> afetem desfavoravelmente a biota;</p><p>23</p><p> afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente.</p><p>Santos (2017) afirma que a poluição ambiental se divide, basicamente, nas</p><p>seguintes categorias:</p><p>Poluição do Ar: Matéria ou energia na atmosfera, como fumaça e partículas de</p><p>indústrias e fábricas, gases de combustão de combustíveis fósseis como carvão e</p><p>petróleo, radiação ionizante de usinas nucleares, resíduos nucleares (lixo atômico e</p><p>de testes nucleares), incineração de lixo e gases de escape de veículos.</p><p>Poluição da Água: Matéria ou energia presente em águas residuais domésticas,</p><p>agrícolas e industriais, consistindo principalmente de compostos orgânicos como</p><p>matéria orgânica, hidrocarbonetos e compostos químicos inorgânicos encontrados em</p><p>detergentes, sabões, solventes, metais pesados que não se degradem e produtos</p><p>químicos. utilizados na agricultura, como defensivos agrícolas, fertilizantes e calor;</p><p>Poluição do solo: produtos químicos em geral, tais como herbicidas, pesticidas,</p><p>resíduos sólidos urbanos, chorume, fertilizantes etc.;</p><p>Poluição sonora: vibrações e ruídos (ondas sonoras) provenientes de atividades</p><p>cotidianas do homem, como veículos, obras de construção civil, shopping center,</p><p>comércio e serviços, máquinas e equipamentos em geral;</p><p>Poluição radioativa: fontes radioativas que podem gerar partículas e radiações</p><p>eletromagnéticas ionizantes (resíduos nucleares de operações de centrais nucleares,</p><p>clínicas radiológicas, hospitais, testes nucleares, explosões atômicas) e, então,</p><p>contaminar o ar, os solos, as águas, os alimentos, a biota;</p><p>Poluição visual: todo tipo de material afixado em muros, murais, postes, fachadas de</p><p>prédios, tais como faixas, cartazes, galhardetes e banners, que entrem em desacordo</p><p>com a harmonia paisagística do local.</p><p>24</p><p>Em 1989, foi estabelecido o Programa Nacional de Controle de Qualidade do</p><p>Ar (Pronar), cujo principal objetivo é promover e orientar população e empresas</p><p>quanto aos padrões de emissão de poluente atmosféricos, implementação de políticas</p><p>de prevenção e uma rede nacional de monitoramento da qualidade do ar,</p><p>estabelecendo inventários de emissões de poluentes por setor. Estratégias estaduais</p><p>também foram estipuladas, tendo que assinar temos de compromisso no envio de</p><p>relatórios e na identificação e fiscalização de indústrias com potencial poluidor. A</p><p>principal dificuldade encontrada pelos estados e municípios é a falta de equipe técnica</p><p>e os recursos para compra de equipamentos de monitoramento da qualidade do ar.</p><p>(LIMA, 2021).</p><p>Para o controle nas concentrações dos poluentes atmosféricos, não se deve</p><p>aplicar somente ações punitivas, mas preventivas e corretivas, com a participação da</p><p>sociedade e setores público-privados.</p><p>De acordo com Coelho (2020), algumas das estratégias de controle são:</p><p>De acordo com Finkler (2018), existem alguns exemplos práticos adicionais do</p><p>que se pode fazer para redução das emissões, que são:</p><p> Estabelecimento de limites e normas regulamentadoras.</p><p> Licenciamento das fontes poluidoras.</p><p> Incentivo e utilização de tecnologias limpas e fontes</p><p>alternativas.</p><p> Utilização de equipamentos modernos, que visam a</p><p>redução nas emissões.</p><p> Implementação de redes de monitoramento da</p><p>qualidade do ar.</p><p> Estabelecimento de planos de emergência para</p><p>situações graves de poluição do ar.</p><p>25</p><p>Além de conscientizar a população na busca por fontes alternativas de energia</p><p>e atividades relacionadas à poluição do ar, também é necessário</p><p>a fiscalização</p><p>rigorosa das instalações industriais. A legislação deve obrigar as indústrias a</p><p>utilizarem filtros nas suas chaminés, tratar os seus resíduos e utilizar processos menos</p><p>poluentes. Da mesma forma, aqueles que infringem a lei devem ser severamente</p><p>punidos (FINKLER, 2018).</p><p>Atualmente, os níveis de concentração de poluentes atmosféricos,</p><p>principalmente nas grandes metrópoles brasileiras, poderiam ser mais monitorados</p><p>por estações de medição da qualidade do ar, e a fiscalização das indústrias também</p><p>poderia ser mais efetiva e constante. Portanto, há a necessidade de compreender</p><p>melhor a relação entre a exposição da população aos poluentes do ar, fontes</p><p>poluentes e mitigação de impactos, e estratégias de controle da poluição do ar.</p><p>Sabendo que fatores como o crescimento da frota de veículos e da população estão</p><p>deteriorando a qualidade do ar, é necessário adotar medidas que estabeleçam</p><p>padrões regulatórios como estratégia para promover o menor impacto ambiental</p><p>possível, além de medidas de fiscalização e controle.</p><p> Controle dos combustíveis e seu grau de pureza;</p><p> Criação de dispositivos de controle da poluição,</p><p> Vistoria nos automóveis para retirar de circulação</p><p>aqueles que não apresentam condições mínimas</p><p>para filtrar os gases resultantes da combustão,</p><p> Aplicação de rodízio de carros,</p><p> Melhorias no transporte coletivo,</p><p> Recolhimento de aparelhos de ar condicionado e</p><p>geladeira que ainda utilizam o gás CFC,</p><p> Investimento em pesquisas nas fontes alternativas</p><p>de energia,</p><p> Melhor planejamento urbano,</p><p> Maior fiscalização sobre desmatamento e</p><p>incêndios em matas e florestas.</p><p>26</p><p>4.1 Tecnologias no combate à poluição do solo, ar e água</p><p>Para que seja possível controlar a poluição do solo de modo eficiente é</p><p>necessária a adoção de técnicas de prevenção, pois somente dessa forma os</p><p>impactos gerados serão os mínimos possíveis.</p><p>Segundo a Funasa (2006), o controle da poluição do solo se dá por meio de</p><p>técnicas preventivas e corretivas, que visam à redução dos riscos ambientais, e cuja</p><p>aplicação dependerá das circunstâncias locais. As técnicas de controle mais utilizadas</p><p>são:</p><p> Seleção dos locais e das técnicas mais apropriadas para o desenvolvimento</p><p>das atividades humanas, considerando o uso e tipo de solo na região, o relevo, a</p><p>vegetação, a possibilidade de ocorrência de inundações e as características do</p><p>subsolo;</p><p> Execução de sistemas de prevenção da contaminação das águas</p><p>subterrâneas;</p><p> Implantação de sistemas de prevenção e erosão, tais como alteração de</p><p>declividade, operação em curvas de nível, execução de dispositivos de drenagem</p><p>e manutenção da cobertura vegetal;</p><p> Minimização de resíduos industriais, pela redução da geração na fonte,</p><p>segregação, reciclagem e alteração dos processos produtivos;</p><p> Minimização de sistemas de disposição final de resíduos urbanos, pela coleta</p><p>seletiva, reciclagem e tratamento;</p><p> Execução de sistemas de disposição final de resíduos, considerando critérios</p><p>de proteção do solo.</p><p>Entre as técnicas de recuperação de solos poluídos, destacam-se aquelas</p><p>utilizadas em solos contaminados por metais pesados, como escavação e substituição</p><p>do solo ou tratamento químico ex situ, que têm sido eficazes em pequenas áreas,</p><p>27</p><p>porém são tecnologias caras e que causam grande impacto visual no meio</p><p>(MULLIGAN et al., 2001).</p><p>A fitorremediação, ou seja, o uso de plantas para remediar solos poluídos, tem</p><p>sido sugerida como alternativa viável às técnicas tradicionais em razão dos menores</p><p>custos e da maior aceitação pelo público (GLASS, 2000).</p><p>A fitoextração, uma das técnicas mais eficientes de fitorremediação, envolve o</p><p>cultivo de plantas que concentram metais pesados do solo na parte aérea, a qual pode</p><p>então ser removida da área. O sucesso da fitoextração depende da habilidade das</p><p>plantas em acumular concentrações de metais pesados na parte aérea que sejam</p><p>suficientemente elevadas para reduzir a concentração de metais no solo em níveis</p><p>toleráveis, com poucos cultivos (MELO et al., 2006).</p><p>No que se refere à redução da contaminação dos solos, uma das técnicas que</p><p>tem se destacado é a produção de biogás a partir dos dejetos oriundos da criação de</p><p>animais. Essa técnica vem ganhando cada vez mais adeptos, principalmente porque</p><p>possibilita, além do ganho ambiental, a produção de energia que pode, em muitos</p><p>casos, trazer autossuficiência energética para o produtor, reduzindo os custos de</p><p>produção e valorizando o produto final (TESTON, 2010).</p><p>De acordo com Santos (2017) procedimentos simples como a adoção da coleta</p><p>seletiva e da reciclagem de lixo também não podem ser esquecidos, pois apresentam</p><p>um papel muito importante para o meio ambiente, uma vez que por meio deles</p><p>recuperam-se matérias-primas que de outro modo seriam tiradas da natureza. Além</p><p>disso, reduzem a sobrecarga de materiais descartados em lixões ou aterros sanitários,</p><p>contribuindo para a redução da poluição dos solos e a preservação de recursos</p><p>naturais.</p><p>Apesar de existirem uma série de técnicas de controle/minimização da poluição</p><p>do solo, em muitos casos essas não são aplicadas e as áreas poluídas são</p><p>abandonadas sem nenhum comprometimento com sua recuperação. Tal fato</p><p>demonstra a necessidade de uma maior atuação do Poder Público tanto na criação</p><p>de leis e normas que protejam e estabeleçam limites para utilização dos solos, como</p><p>no processo de fiscalização e gerenciamento desse uso.</p><p>28</p><p>A atuação de gestores ambientais no acompanhamento de processos e na</p><p>adoção de ações capazes de minimizar o impacto das atividades antrópicas no meio</p><p>ambiente é fundamental para que o controle da poluição do solo possa ocorrer de</p><p>modo efetivo.</p><p>É preciso considerar, entretanto, que esse gerenciamento deve ser capaz de</p><p>incluir não só a questão do meio natural, mas principalmente as relações sociais,</p><p>políticas e econômicas nos âmbitos local, regional e global, sendo necessária para</p><p>tanto a criação de instrumentos de gerenciamento ambiental aplicados em larga</p><p>escala, regidos por normas e parâmetros que possibilitem a fiscalização pelo Poder</p><p>Público e pela sociedade, sendo esses importantes instrumentos preventivos de</p><p>defesa do meio ambiente (LOPES, 2009).</p><p>Existem alguns cuidados, tecnologias e equipamentos que podem ser utilizados</p><p>visando à minimização dos poluentes atmosféricos. Em um nível industrial, os</p><p>equipamentos mais utilizados são a câmara de sedimentação gravitacional, o ciclone,</p><p>os filtros, os lavadores e os precipitadores eletrostáticos.</p><p>As câmaras de sedimentação gravitacional realizam a separação dos</p><p>poluentes do fluxo gasoso. Nesses equipamentos, os gases, após entrarem em uma</p><p>câmara de secção maior do que a da tubulação que os conduz, perdem velocidade,</p><p>fazendo com que as partículas de maior massa sejam atraídas para baixo devido à</p><p>força gravitacional, sendo coletadas em um compartimento inferior, enquanto o</p><p>restante do fluxo segue sem mudar de direção e sentido (FERNANDES, 2002).</p><p>Já os ciclones utilizam tanto a força gravitacional quanto a força centrípeta</p><p>simultaneamente. Esse equipamento consiste em levar as partículas de encontro às</p><p>paredes cônicas do equipamento, ocasionando a perda de energia e fazendo com que</p><p>elas se depositem, seguindo uma trajetória circular e formando um vórtice</p><p>descendente. Em seguida, são coletadas em um compartimento na parte inferior do</p><p>equipamento, enquanto o restante do fluxo, mais leve, sai por uma abertura na parte</p><p>superior do cone invertido, seguindo seu caminho para ser lançado na atmosfera.</p><p>O ciclone é um dos equipamentos de controle mais usados, principalmente</p><p>como pré coletor. O fluxo gasoso adentra sua câmara cônica de forma radial ou</p><p>29</p><p>tangencial, com velocidade projetada de 15 a 21 m/s. Dentre suas características</p><p>principais, os ciclones apresentam:</p><p>Baixo custo de construção e poucos problemas de</p><p>manutenção,</p><p>configuração relativamente simples, apresentando perdas de cargas não muito</p><p>grandes, possibilidade de operar em amplas faixas de temperatura e a seco, embora</p><p>não adequados para operar com partículas aderentes, normalmente usados para</p><p>coleta de partículas maiores do que 5 𝜇𝑚, apresentando eficiência muito baixa para</p><p>diâmetros menores.</p><p>Fernandes (2002) descreve que a filtração é o mecanismo mais utilizado no</p><p>controle da poluição do ar. Basicamente os filtros podem se dividir em descartáveis e</p><p>não descartáveis, os mecanismos de coleta para particulados podem envolver</p><p>diferentes fenômenos, tais como: impactação inercial, intercepção e difusão, bem</p><p>como as forças eletrostática e gravitacional.</p><p>Filtros descartáveis: Os filtros descartáveis são largamente aplicados em</p><p>equipamentos e procedimentos analíticos laboratoriais e de monitoramento da</p><p>qualidade do ar. São também muito comuns em equipamentos de uso domiciliar, tais</p><p>como aparelhos de ar-condicionado, aspiradores de pó, entre outros.</p><p>Filtros não descartáveis: Esses filtros são os que possuem maior interesse</p><p>do ponto de vista industrial. Como o próprio nome já diz, não são descartáveis, e,</p><p>quando ficam saturados, podem ser limpos por vários métodos e, assim, continuar a</p><p>operar sem a necessidade de serem descartados. No controle de particulados, os</p><p>filtros não descartáveis mais usados são os de tecido, do tipo manga ou envelope.</p><p>Os lavadores são equipamentos que utilizam, como princípio básico de</p><p>funcionamento, a absorção das partículas presentes em um fluxo gasoso, por um meio</p><p>líquido, mediante contato forçado, ou impactação inercial, a qual pode ocorrer de</p><p>diferentes maneiras, variando de um tipo de lavador para outro. O líquido, após o</p><p>contato com o gás, carreia as partículas para um sistema de tratamento de efluentes</p><p>líquidos, onde a parte sólida é separada da líquida, que retorna ao equipamento para</p><p>reiniciar o processo de lavagem do fluxo gasoso, enquanto a fase sólida é retida e</p><p>enviada para uma destinação adequada.</p><p>30</p><p>Os lavadores podem ser usados tanto para o controle de particulados como de</p><p>gases e vapores. Os lavadores apresentam como vantagens a possibilidade de tratar</p><p>fluxos gasosos com partículas aderentes, umidade e elevadas temperaturas, com alta</p><p>eficiência de retenção. O principal ponto negativo associado a esse sistema está no</p><p>alto custo operacional.</p><p>Os precipitadores eletrostáticos se baseiam na ionização das partículas</p><p>presentes no fluxo gasoso, de forma que, ao atravessarem um campo elétrico criado</p><p>entre dois eletrodos metálicos, elas sejam atraídas para esses eletrodos, onde se</p><p>descarregam e caem na tremonha de coleta ou ficam aderidas ao eletrodo e são</p><p>retiradas posteriormente, por meio de uma forte vibração ou impacto na placa de</p><p>coleta (rapping), sendo a segunda forma preferencialmente utilizada (SANTOS,2017).</p><p>No caso da poluição hídrica, o controle ideal é aquele realizado antes que as</p><p>substâncias contaminantes entrem em contato com o meio dispersor, ou seja, o</p><p>controle preventivo (MOTA et al., 1999).</p><p>O tratamento de efluentes é a forma mais eficaz de diminuir a poluição da água,</p><p>visto que os esgotos domésticos e industriais são considerados a maior causa de</p><p>degradação da qualidade desses recursos. Considerando a capacidade de</p><p>autodepuração do corpo d’água e a utilização feita pela população, é possível</p><p>estabelecer o grau de tratamento que o efluente deverá ser submetido, de modo que</p><p>o corpo d’água receptor não sofra alterações nos parâmetros de qualidade fixados</p><p>pela legislação para a região afetada pelo lançamento, ou seja, além de atender aos</p><p>requisitos específicos para o lançamento de efluentes, este deve possuir</p><p>características compatíveis com a qualidade do corpo receptor. O objetivo dos</p><p>sistemas de tratamento de efluentes é transformar os poluentes dissolvidos e em</p><p>suspensão em gases inertes e/ou sólidos sedimentáveis para posterior remoção, ou</p><p>seja, promover uma eficiente remoção da carga de poluentes presentes (SANTOS,</p><p>2017).</p><p>Os processos físicos são as operações que basicamente removem os sólidos</p><p>em suspensão sedimentáveis e flutuantes, ou seja, as substâncias que podem ser</p><p>separadas fisicamente da fração líquida ou que não se encontram dissolvidas, por</p><p>31</p><p>meio da aplicação de forças físicas de um sistema ou dispositivo de tratamento. Dentre</p><p>os processos físicos, pode-se destacar: gradeamento, peneiramento, separação de</p><p>óleos e gorduras, sedimentação e flotação.</p><p>Os processos biológicos permitem reproduzir, em dispositivos racionalmente</p><p>projetados, os fenômenos de autodepuração que ocorrem na natureza,</p><p>condicionando-os em áreas e tempo economicamente justificáveis, utilizando o</p><p>metabolismo de micro-organismos para reduzir até níveis aceitáveis o teor de</p><p>orgânicos em um efluente. Eles têm como princípio utilizar a matéria orgânica</p><p>dissolvida ou em suspensão como substrato para micro-organismos, tais como</p><p>bactérias, fungos e protozoários, que a transformam em gases, sais minerais, água e</p><p>novos micro-organismos, ou seja, o mecanismo inerente à alimentação é baseado na</p><p>transformação dos componentes complexos em compostos simples. Como resultado</p><p>do processo, teremos uma massa decantável de micro-organismos desenvolvidos</p><p>utilizando a matéria orgânica como fonte de carbono (SANTOS,2017).</p><p>Esses processos podem ser aplicados em: remoção da matéria orgânica do</p><p>efluente, oxidação do nitrogênio, remoção do fósforo, estabilização de lodos</p><p>orgânicos, entre outros. Os principais processos são: oxidação a partir de micro-</p><p>organismos (aeróbia, como lodos ativados, filtros biológicos aeróbios e lagoas de</p><p>estabilização; e anaeróbia, como reatores anaeróbios de fluxo ascendente, ou de</p><p>manta de lodo, lagoas anaeróbias, e tanques sépticos) e digestão do lodo (aeróbia e</p><p>anaeróbia, fossas sépticas).</p><p>Já os processos químicos são de tratamento nos quais a remoção/conversão</p><p>dos contaminantes é feita a partir da adição de produtos químicos e, em geral, esses</p><p>processos não são aplicados isoladamente. Com frequência, são utilizados nos casos</p><p>em que os processos físicos e biológicos não são eficientes na remoção do composto</p><p>que se deseja remover, ou como polimento, ou seja, aprimorar a eficiência dos</p><p>processos anteriores. Alguns processos como coagulação, floculação, precipitação,</p><p>oxidação, cloração e correção do pH são os mais empregados no tratamento de</p><p>efluentes (SANTOS, 2017).</p><p>32</p><p>4.2 Acidentes ambientais e planos de contingência</p><p>Um acidente ambiental é um evento imprevisível que pode levar direta ou</p><p>indiretamente a danos ao meio ambiente ou à saúde. Alguns exemplos de</p><p>acidentes ambientais são a liberação inadequada de elementos (sólidos, líquidos e</p><p>gases) na atmosfera, no solo ou em corpos d'água, incêndios florestais ou instalações</p><p>industriais. Esse tipo de acidente pode ter consequências extremamente graves, de</p><p>forma que o risco ligado a tais acidentes é, legitimamente, uma preocupação a ser</p><p>levada em conta durante a análise de impactos ambientais desses empreendimentos.</p><p>(SCHERER, 2017).</p><p>Os acidentes ambientais podem acontecer de causas naturais, ou seja, aqueles</p><p>que ocorrem independentemente da atividade humana, como furacões e terremotos,</p><p>e tecnológicos, que decorrem da atividade humana, como, por exemplo, a poluição</p><p>atmosférica, ocasionada pelos processos industriais.</p><p>Os efeitos causados pelos acidentes ambientais não eram passíveis de</p><p>atenção pela sociedade, mesmo fazendo milhares de vítimas, ocasionando perdas ao</p><p>patrimônio e prejuízos incalculáveis ao meio ambiente, pois não eram situações</p><p>temidas ou sequer imaginadas pelo ser humano. Durante a história da humanidade,</p><p>vários são os exemplos de acidentes ambientais de grande intensidade que atingiram</p><p>a população e deixaram um rastro</p><p>de consequências para o meio ambiente. De acordo</p><p>com Scherer (2017), existem vários desastres ambientais ocorridos no Brasil e no</p><p>mundo, como:</p><p> Acidente em Flixborough, no Reino Unido (1974) – explosão em uma indústria</p><p>química com formação de uma nuvem com 40 a 50 toneladas de ciclo hexano,</p><p>deixando 28 mortos e 89 feridos.</p><p> Desastre de Seveso, na Itália (1976) – ruptura de uma válvula de um vaso de</p><p>pressão contendo solventes organoclorados que resultou na emissão para a</p><p>atmosfera de uma grande nuvem tóxica. Essa nuvem se espalhou por uma</p><p>33</p><p>grande área, contaminando pessoas, animais e o solo nas proximidades da</p><p>unidade industrial.</p><p> Costa da Bretanha, na França (1978) – vazamento do petroleiro amoco -Cadiz,</p><p>com 223.000 toneladas, resultando na morte de 30 mil aves e 230 mil peixes e</p><p>frutos do mar.</p><p> Pensilvânia, nos EUA (1979) – ameaça de fuga de radioatividade em Three</p><p>Mile Island e 250 mil pessoas evacuadas em um raio de 8 km.</p><p> Cubatão, no Brasil (1984) – vazamento de aproximadamente 700.000 litros de</p><p>gasolina de um duto, seguido de incêndio, resultando em 93 mortos e 4 mil</p><p>feridos.</p><p> Goiânia, Brasil (1987) – contaminação por césio-137; dois catadores de lixo</p><p>arrombaram um aparelho radiológico, nos escombros de um hospital antigo,</p><p>entrando em contato com a cápsula, contaminando pessoas, água, solo e ar,</p><p>matando pelo menos quatro pessoas e deixando outras dezenas com graves</p><p>sequelas.</p><p> Duque de Caxias, Brasil (2000) – vazamento de 1.300.000 l de óleo</p><p>combustível de um duto na Baía de Guanabara, ocasionando a contaminação</p><p>das praias, mangues e causando danos à pesca e ao turismo.</p><p> Miraí, Minas Gerais, Brasil (2007) – rompimento de uma barragem de</p><p>contenção de bauxite, liberando 2.000.000 m³ de rejeitos no ambiente.</p><p> Acidente de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, Brasil (2013) – dezenas</p><p>de pessoas precisaram deixar as suas casas após a explosão em um terminal</p><p>de fertilizantes. A carga que explodiu continha nitrato de potássio, que expele</p><p>uma fumaça branca e densa, deixando cerca de 100 pessoas com algum tipo</p><p>de intoxicação.</p><p>34</p><p> Desastre de Mariana, Minas Gerais (2015) – rompimento da barragem de</p><p>Fundão, liberando milhões de toneladas de rejeitos de mineração sobre o Rio</p><p>Doce e seus afluentes, com dispersão dos rejeitos por cerca de 36 mil km no</p><p>Oceano Atlântico. Considerada a mais grave tragédia ambiental brasileira.</p><p>4.3 Gerenciamento e plano de contingências para os riscos ambientais</p><p>A Política Nacional do Meio Ambiente, introduzida pela Lei 6.938/1981, prevê a</p><p>utilização de diversos instrumentos para a implantação do Gerenciamento de Riscos</p><p>Ambientais. Entre eles, está a Avaliação de Riscos Ambientais, que, na maioria das</p><p>vezes, está inserida no EIA/RIMA, por meio da decisão de organizações</p><p>governamentais de controle ambiental. Assim, o gerenciamento de riscos ambientais</p><p>é precedido por uma série de processos de avaliação das consequências de eventos</p><p>potencialmente capazes de causar impactos na saúde pública e no meio ambiente.</p><p>Por exemplo, explosões, incêndios, derramamentos e emissões imediatas de</p><p>substâncias tóxicas causadas por acidentes, são exemplos do primeiro tipo de</p><p>consequência. Portanto, para avaliar um risco, é necessário estimar a probabilidade</p><p>de que o evento venha a ocorrer, bem como a extensão dos danos que o mesmo</p><p>poderá causar. Dessa forma, a análise de riscos, embora seja complexa, é uma</p><p>ferramenta muito importante para identificar os pontos mais vulneráveis de uma</p><p>instalação ou de um processo, permitindo adotar medidas preventivas que irão</p><p>proteger o meio ambiente e o homem, caso venha a ocorrer algum acidente.</p><p>Os planos de mitigação, segundo Santos (2017), buscam reverter danos</p><p>parciais e minimizar situações de risco e de impactos ambientais por meio da</p><p>intervenção em áreas vulneráveis e da implementação de programas operacionais</p><p>que permitam, em curto prazo, mitigar situações críticas com base na definição de</p><p>prioridades. Eles devem ser implantados com base em gestão adaptativa,</p><p>fundamentada em mecanismos que levem em conta a dinâmica de determinadas</p><p>zonas naturais. Entre os principais planos de mitigação, estão:</p><p>35</p><p> Manter, em estado próximo do natural, a maior parte das zonas degradadas;</p><p>condicionar as explorações agrícola e pecuária;</p><p> Impedir a ocupação com habitação nas áreas delimitadas de proteção;</p><p> Condicionar as instalações industriais;</p><p> Desviar vias e transferir construções em zonas de risco;</p><p> Limitar a construção de estradas marginais e a intensidade de tráfego;</p><p> Controlar a ocupação de terras e extrações;</p><p> Investir em tecnologias que visam ao reuso da água.</p><p>De acordo com Scherer (2017), a ordem de prioridade no controle dos impactos</p><p>ambientais negativos deve ser:</p><p> Prevenção;</p><p> Mitigação;</p><p> Recuperação e/ou compensação.</p><p>Portanto, encontrar formas de evitar impactos e prevenir riscos deve ser a</p><p>primeira coisa a ser acatada, sendo de extrema importância compreender a diferença</p><p>entre esses termos ambientais.</p><p>4.4 Gestão Ambiental</p><p>O termo gestão ambiental (GA), compreende um conjunto de políticas e</p><p>estratégias administrativas e operacionais voltadas aos aspectos de prevenção do</p><p>meio ambiente por meio da eliminação ou mitigação de impactos e danos ambientais</p><p>decorrentes do planejamento, criação, operação, ampliação, realocação ou</p><p>36</p><p>desativação de empreendimentos ou atividades, incluindo todas as fases do ciclo de</p><p>vida do produto (SOUZA, 2014).</p><p>A gestão ambiental permite que uma organização determine os impactos de</p><p>suas ações nas questões ambientais e priorize objetivos de forma a promover</p><p>continuamente suas operações em termos de proteção ambiental. Dessa forma, a</p><p>empresa pode atuar monitorando o descarte de resíduos pós-consumo, reavaliando</p><p>as atividades operacionais e os objetivos e metas ambientais. Também contempla</p><p>uma série de procedimentos e medidas adequadamente definidas e aplicadas com</p><p>vistas a redução e controle dos impactos gerados por um empreendimento sobre o</p><p>meio ambiente, a busca de novos modelos de gestão inclui uma preocupação</p><p>constante como meio físico, biológico e social, de modo a contribuir para alcançar</p><p>padrões de produção e consumo sustentáveis.</p><p>A preocupação com o meio ambiente é também uma questão que surge cada</p><p>vez mais no mundo dos negócios e no mercado de trabalho, o que representa a</p><p>diferença entre as empresas que querem se destacar em termos de medidas</p><p>ambientais que visem a proteção dos recursos naturais.</p><p>Para tanto, algumas associações adotaram a norma Organização Internacional</p><p>para Padronização - ISO, que é uma associação padronizada que visa aprimorar seu</p><p>controle sobre a gestão ambiental de forma a se destacar no mercado e buscar</p><p>promover o compromisso da empresa com a proteção ambiental. Além de promover</p><p>o comércio entre empresas e as relações entre diferentes órgãos ambientais, as</p><p>normas ISO também promove as boas práticas de gestão empresarial e o avanço</p><p>tecnológico. Com isso, as principais certificações ambientais são a ISO 9000, com</p><p>foco em gestão da qualidade, e a ISO 14000 para a gestão ambiental. A certificação</p><p>ISO 14000 diz respeito à um conjunto de atividades técnicas que são voltadas para a</p><p>gestão do meio ambiente da melhor forma. Tal preocupação é que determina os</p><p>padrões da gestão ambiental das empresas públicas e privadas. A vantagem da</p><p>empresa ao implementar a ISO 14000 é melhorar seu acesso ao mercado, canais de</p><p>seguro, capital de baixo custo e relacionamento com o cliente.</p><p>37</p><p>5 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL</p><p>Ao longo da história, observou-se a necessidade de criação de Leis que</p><p>garantissem a proteção legal do meio ambiente. Abaixo, serão abordados algumas</p><p>destas Leis e Artigos, de suma importância para a proteção do meio ambiente.</p><p>5.1 Artigo 225</p><p>da Constituição Federal de 1988</p><p>Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem</p><p>de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder</p><p>Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e</p><p>futuras gerações.</p><p>§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:</p><p>I – Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o</p><p>manejo ecológico das espécies e ecossistemas;</p><p>II – Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e</p><p>fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material</p><p>genético;</p><p>III – Definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus</p><p>componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a</p><p>supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que</p><p>comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;</p><p>IV – Exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade</p><p>potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,</p><p>estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;</p><p>V – Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas,</p><p>métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida</p><p>e o meio ambiente;</p><p>VI – Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a</p><p>conscientização pública para a preservação do meio ambiente;</p><p>VII – Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que</p><p>coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies</p><p>ou submetam os animais a crueldade.</p><p>§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio</p><p>ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público</p><p>competente, na forma da lei.</p><p>38</p><p>§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão</p><p>os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,</p><p>independentemente da obrigação de reparar os danos causados.</p><p>§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o</p><p>Pantanal Mato-grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização</p><p>far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio</p><p>ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.</p><p>§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos estados, por</p><p>ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.</p><p>§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização</p><p>definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.</p><p>5.2 Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981</p><p>Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos</p><p>de formulação e aplicação, e dá outras providências.</p><p>Art. 1º Esta lei, com fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 e no art. 235 da</p><p>Constituição, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e</p><p>mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio</p><p>Ambiente-SISNAMA e institui o Cadastro de Defesa Ambiental. (Redação dada</p><p>pelo(a) Lei nº 8.028, de 1990).</p><p>Art. 2º A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação,</p><p>melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar,</p><p>no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança</p><p>nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:</p><p>I – Ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando</p><p>o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente</p><p>assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo;</p><p>II – Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;</p><p>III – Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;</p><p>IV –Proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;</p><p>V – Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente</p><p>poluidoras;</p><p>39</p><p>VI – Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso</p><p>racional e a proteção dos recursos ambientais;</p><p>VII – Acompanhamento do estado da qualidade ambiental;</p><p>VIII – recuperação de áreas degradadas;</p><p>IX – Proteção de áreas ameaçadas de degradação;</p><p>X – Educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da</p><p>comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do</p><p>meio ambiente.</p><p>A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pela Lei 6.938/81, é</p><p>considerada um marco legal da legislação ambiental brasileira. Tem por objetivo a</p><p>preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida e visa a</p><p>assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses</p><p>da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. Para a consecução</p><p>desse objetivo, prevê a Avaliação de Impacto Ambiental (EIA) e uma série de outros</p><p>instrumentos complementares inter-relacionados.</p><p>Além disso, a Lei 6.938/81, teve mérito de trazer o conceito normativo de meio</p><p>ambiente, como objeto especifico de proteção em seus múltiplos aspectos, bem como</p><p>os conceitos de degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e recursos</p><p>ambientais. Estabeleceu também o princípio segundo o qual os responsáveis por</p><p>danos causados ao ambiente devem ser responsabilizados e obrigados a indenizá-</p><p>los ou repará-los, independentemente da existência de culpa, prevendo uma Ação</p><p>Judicial específica para esse tipo de responsabilidade, qual seja: a Ação Civil Pública,</p><p>que veio a ser regulamentada em 24/7/85 pela Lei Federal nº 7.347. Esta Lei é</p><p>caracterizada como sendo de responsabilidade por danos causados ao meio</p><p>ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valores artístico, estético, histórico,</p><p>turístico e paisagístico, a qualquer outro interesse difuso ou coletivo, e por infração à</p><p>ordem econômica (Art. 1°, I a V).</p><p>Em relação ao interesse difuso e coletivo, O meio ambiente não é um bem</p><p>público nem privado e vai além das noções de interesse individual e coletivo, é de</p><p>grande interesse porque é um "bem comum do povo" para o qual a Constituição</p><p>de 1988 dá legitimidade a vários órgãos para promover a sua defesa.</p><p>40</p><p>O Código de Processo Civil (CPC) regulamenta, de forma genérica, os</p><p>procedimentos relativos à Prova Pericial, sem especificar modalidades. As diversas</p><p>modalidades de perícia, ou seja, pericias temática, dentre elas, de engenharia e</p><p>ambiental, se definem pelas especificidades do objeto a ser periciado e pela área de</p><p>conhecimento que as fundamentam, incluindo a legislação especifica, em</p><p>complemento às normas do CPC.</p><p>O instituto jurídico da responsabilidade civil por danos ambientais visa a imputar</p><p>ao causador de um dano ambiental o ônus pela sua reparação. O objetivo principal e</p><p>aparente é coibir ações predatórias. Contudo, muitas vezes, tais objetivos são</p><p>mitigados com medidas puramente compensatórias.</p><p>O Ibama foi criado em 1989, Lei nº 7.735/89, visando integrar a gestão</p><p>ambiental brasileira, vinculando-a ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) (IBAMA,</p><p>2016). Em 2006, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais</p><p>Renováveis (IBAMA) criou a Diretoria de Qualidade Ambiental (DIQUA) para</p><p>aprimorar e alinhar suas operações com as necessidades do progresso do</p><p>país, focando suas atividades na avaliação, licenciamento, controle e fiscalização de</p><p>produtos e atividades potencialmente poluidoras e no uso adequado dos</p><p>recursos naturais, principalmente no que diz respeito à Agenda Marrom, considerada</p><p>a de maior prioridade para o Brasil (IBAMA, 2016).</p><p>Dentre as Leis que tutelam a área ambiental, é relevante destacar a Lei de</p><p>Crimes ambientais n° 9605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas</p><p>derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Quando um crime</p><p>ambiental deixa vestígios, surge</p>