Prévia do material em texto
2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 4 2 CONCEITOS E ASPECTOS HISTÓRICOS ............................................... 5 2.1 Água ..................................................................................................... 7 2.1.1 Qualidade da água ......................................................................... 9 2.1.2 Índice de Qualidade das Águas (IQA) .......................................... 10 2.1.3 Águas Oceânicas ......................................................................... 11 2.1.4 Águas continentais superficiais .................................................... 12 2.1.5 Águas Subterrâneas ..................................................................... 13 3 PRINCÍPIOS DA ECOLOGIA ................................................................... 14 3.1 Níveis de organização biológica ......................................................... 15 3.2 Os componentes estruturais de um ecossistema ............................... 18 3.3 Glossário ecológico ............................................................................ 20 3.4 Equilíbrio Ecológico ............................................................................ 21 4 POLUIÇÃO: CONCEITOS, FONTES, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS .. 22 4.1 Tecnologias no combate à poluição do solo, ar e água ...................... 27 4.2 Acidentes ambientais e planos de contingência ................................. 32 4.3 Gerenciamento e plano de contingências para os riscos ambientais . 34 5 GESTÃO AMBIENTAL ............................................................................. 36 6 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL .................................................................... 37 6.1 Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 ...................................... 37 6.2 Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 ............................................... 38 6.3 Auditoria ambiental ............................................................................. 41 6.4 Licenciamento ambiental .................................................................... 44 6.5 Validade das licenças ambientais....................................................... 45 3 6.6 O estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) 47 6.7 Código Florestal ................................................................................. 48 6.8 Resolução Conama n°357/2005 ......................................................... 49 6.9 Política Nacional de Resíduos Sólidos ............................................... 50 6.10 Habitação Autossuficiente ............................................................... 53 7 EDUCAÇÃO AMBIENTAL ....................................................................... 56 8 ECODESENVOLVIMENTO: PRESERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO OTIMIZADA .............................................................................................................. 58 9 REFERÊNCIAS ........................................................................................ 63 4 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 5 2 CONCEITOS E ASPECTOS HISTÓRICOS O meio ambiente, tal como descrito nas ciências naturais, a exemplo do trabalho de Linhares (1998, p. 435), é retratado pelo: [...] meio físico formado pelo ar, pela luz, pela temperatura, pela umidade, pelo tipo de solo, pela água e pelos sais minerais, chamados de fatores abióticos ou biótipo; sendo que a reunião e a interação da comunidade com o ambiente físico formam um sistema ecológico ou ecossistema. Assim, uma floresta — com sua vegetação, seus animais, seu tipo de solo e seu clima característico — forma um ecossistema. O mesmo podemos dizer de um lago, um oceano, um tronco de árvore e até mesmo um simples aquário. A palavra ecologia vem dos termos gregos Oikos— que significa casa e, por extensão, ambiente — e logos — que significa estudo —, sendo o ramo da biologia que trata das interações entre o meio físico (ar, solo, luz e clima) e as populações (fauna e flora). Conforme Canotilho (1998), é possível, no âmbito jurídico, optarmos por um conceito estrito de ambiente, centrado nos componentes ambientais naturais descritos, ou por um conceito amplo de ambiente, também conhecido como conceito holístico, centrado nos componentes ambientais humanos e ambientais não humanos (isto é, não apenas o ambiente natural, mas também o construído). A Conferência de Estocolmo de 1972 trouxe como conceito o meio ambiente humano, em que: O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o cerca, o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga e tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o homem adquiriu o poder de transformar, de inúmeras maneiras e em uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem-estar do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive o direito à vida mesma. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, documento online). Dessa forma, o meio ambiente humano — cujo conceito é previsto na Conferência de Estocolmo de 1972, da qual o Brasil é signatário — abarca os conceitos de meio ambiente natural e meio ambiente construído, de modo que o conceito de meio ambiente para o Direito é híbrido entre aspectos físicos, 6 populacionais, éticos, culturais e sociais. Esses aspectos são reiterados pela Conferência Rio-92, também ratificada pelo Brasil e que compõe parte dos direitos fundamentais pátrios por força do § 2º do art. 5º da Constituição Federal, que equipara os princípios e direitos provenientes de tratados internalizados pelo Brasil como direitos fundamentais (STAIN, 2018). Nesse sentido, devemos interpretar, de maneira sistêmica, o art. 225, caput, da Constituição Federal, que trata do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, de modo que os aspectos físicos, populacionais, culturais e sociais humanos integram o conceito meio ambiente, e a parcela ecologicamente equilibrado trata das relações entre esses diferentes elementos (BRASIL, 1988). Também devem ser alargados os dispositivos do art. 3º da Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, I, que restringem o conceito de meio ambiente ao conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Devemos interpretar o dispositivo a partir de uma leitura integrada em relação ao conceito de poluição como degradaçãoda qualidade ambiental, resultante de atividades que direta ou indiretamente que (BRASIL, 1981): Prejudiquem o bem-estar da população; E/ou criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; Revelem uma amplitude maior do que é possível extrair da própria lei da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA). É preciso ressaltar que o meio ambiente não é composto apenas por elementos naturais, como o ar, o solo, a terra e os aspectos climáticos; ele também é composto pelos aspectos populacionais, ou seja, da presença de seres vivos que representam a flora e a fauna e também os aspectos artificiais criados pelo homem como expressão de sua cultura ou pelas necessidades criadas pela civilização (STEIN, 2018). 7 2.1 Água A água é uma substância química com moléculas de átomos de hidrogênio e oxigênio na proporção de 2:1 que, devido ao seu arranjo espacial, apresenta um dipolo elétrico (+/-) tornando-as um poderoso solvente para muitas das substâncias conhecidas até o momento como "solvente universal” (Silva et al, 2019). É uma das substâncias mais abundantes em nosso planeta e ocorre naturalmente em três estados físicos: sólido (gelo), líquido (água) e gasoso (vapor de água). Sua distribuição no planeta Terra se dá principalmente na forma de água salgada, como podemos observar na Figura 1. Figura 1 - Distribuição da água planeta Terra Fonte: bit.ly/3dpp5nj A água é um recurso finito que pode ser recirculado e reutilizado indefinidamente. No entanto, cada vez que alteramos sua qualidade com contaminantes mais poluentes agressivos ou perigosos, tornando assim, o tratamento mais difícil e caro. 8 O ciclo hidrológico está dividido nas seguintes etapas: precipitação, escoamento superficial, infiltração, evaporação, evapotranspiração e condensação (formação de nuvens), como mostra a Figura 2 abaixo. Figura 2: Ciclo bioquímico da água Fonte: bit.ly/3dBivuk Os usos mais comuns para água são: Abastecimento doméstico; Geração de energia; Industrial; Preservação da flora e fauna; Transporte; Autodepuração dos corpos d’água. Em função da estrutura elétrica de suas moléculas, a água é o principal veículo de transporte de nutrientes nos organismos vivos e influencia na qualidade da fauna e da flora onde existe. 9 2.1.1 Qualidade da água A qualidade da água é representada por características intrínsecas e mensuráveis, de natureza física, química e biológica. O conceito de qualidade da água está ligado ao uso que dela se faz. Os critérios e parâmetros de qualidade variam com o tempo, em função da sua disponibilidade e do desenvolvimento (exigências de uso) da sociedade. (Silva et al, 2019). Os indicadores de qualidade da água mais usados são: Potencial Hidrogeniônico – pH: mede a relação de concentração entre os íons H+e OH-. Temperatura – T: afeta a solubilidade dos gases na água e tem efeito sobre a flora e a fauna aquáticas. Demanda bioquímica de oxigênio (DBO): representa a quantidade de oxigênio necessária à oxidação da matéria orgânica através de agente químico, normalmente bicromato de potássio (K2Cr2O7) ou permanganato de potássio (KMnO4). Demanda química de oxigênio (DQO): representa a quantidade de oxigênio necessária à oxidação da matéria orgânica através de agente químico, normalmente bicromato de potássio (K2Cr2O7) ou permanganato de potássio (KMnO4). Oxigênio dissolvido (OD): representa as condições de aeração do corpo d’água e varia conforme a temperatura e a pressão atmosférica. Turbidez: indica o grau de atenuação que um feixe de luz sofre ao atravessar a água. Esta atenuação ocorre pela absorção e espalhamento da luz causada pelos sólidos em suspensão (silte, areia, argila, algas, detritos, etc.). Coliformes total e fecal: indica a presença de bactérias entéricas. São ótimos indicadores da presença de possíveis patógenos, embora não o sejam. Cor: indica a presença de matéria coloidal dissolvida e pode ter origem orgânica (ácidos húmicos, taninos) ou mineral (metais Ferro (Fe) e Manganês (Mn)). Coliformes total e fecal: indica a presença de bactérias entéricas. São ótimos indicadores da presença de possíveis patógenos, embora não o sejam. Nutrientes: indica a presença de compostos à base de nitrogênio (N), fósforo (P) e enxofre (S). Ocorrem naturalmente em pequenas concentrações, mas um 10 aumento excessivo, em função do lançamento de esgotos não tratados, pode levar à eutrofização do corpo d’água. Metais: indicam despejos de origem industrial e sendo representados mais comumente por cádmio (Cd), cromo (Cr), mercúrio (Hg), chumbo (Pb), cobre (Cu) e zinco (Zn). Dureza: relaciona-se com a presença de cátions de cálcio (Ca+2 (Mg+2) e magnésio) que conferem problemas de sabor e precipitações (incrustações) na água onde estejam em alta contagem. Alcalinidade: relaciona-se com a presença de sais alcalinos de sódio (Na) e cálcio (Ca) que neutralizam substâncias ácidas e produzem tamponamento no meio. 2.1.2 Índice de Qualidade das Águas (IQA) O IQA é um índice utilizado em diversos países para a avaliação padronizada da qualidade da água analisada. Os seguintes indicadores (parâmetros) são usados para a composição do ICA: sólidos totais, turbidez, temperatura, fosfatos, nitratos, DBO, pH, coliformes e oxigênio dissolvido. O Índice de Qualidade das Águas (IQA) é calculado pela seguinte fórmula: 𝑰𝐐𝐀 = ∑(𝑸𝒊 𝒏 𝒊=𝟏 )𝑾𝒊 Em que: 𝑰𝐐𝐀 varia de 0 a 100; 𝑸𝒊é a qualidade do i-ésimo parâmetro considerado, obtido a partir das curvas médias de qualidade, e varia de 0 a 100; 𝑾𝒊 são o peso relativo do i-ésimo parâmetro, atribuído em função de sua importância relativa na avaliação total, e varia de 0 a 1. De acordo com o valor do IQA, a qualidade das águas é definida segundo as seguintes categorias apresentadas na Tabela abaixo: 11 Tabela 1: Categorias que classificam a qualidade da água Fonte: Silva et al (2019). Para abastecimento público, o tratamento de água deve oferecer segurança e qualidade para o consumidor. O detalhamento do tratamento deverá se basear nas características naturalmente encontradas no manancial utilizado para captação, mas de uma maneira geral, tem as seguintes finalidades: Higiênicas: remoção de microrganismos e excesso de impurezas. Estéticas: correção da cor, do odor e sabor, e redução da turbidez. Econômicas: redução da corrosividade, dureza, cor e turbidez. Nesse sentido, a primeira fase do processo de tratamento – a captação – assume papel muito importante, pois ela pode ser feita por meio de mananciais subterrâneos ou superficiais. Para mananciais subterrâneos normalmente o custo de tratamento é muito menor, pois a água encontra-se com suas características naturais de qualidade preservadas. 2.1.3 Águas Oceânicas Os oceanos são grandes massas de água que ocupam as áreas mais importantes e maiores do relevo do nosso planeta. Segundo Grotzinger e Jordan (2013), quase toda a água líquida do mundo está nos oceanos, juntamente com outros elementos, como os sais minerais, formam um imenso corpo de água circundando as áreas continentais e insulares formadas por terras emergidas. Os oceanos ocupam mais de 70% da superfície terrestre, portanto, identificar suas características é essencial para entender sua importância em relação aos recursos hídricos do mundo (ALBERTIN, 2021). 12 Os cinco oceanos principais (Atlântico, Pacífico, Índico, Ártico e Antártico) formam um corpo único de água conectada, chamado de oceano global. O termo “mar” é usado para se referir a corpos menores de água de alguma maneira secundários em relação aos oceanos. O Mar Mediterrâneo, por exemplo, está estreitamente conectado com o Oceano Atlântico por meio do Estreito de Gibraltar e com o Oceano Índico pelo Canal de Suez.Outros mares estão conectados mais abertamente, como o Mar do Norte e o Oceano Atlântico (GROTIZINGER; JORDAN, 2013). As interações oceanos-atmosfera são fundamentais para identificar as características climáticas terrestres e para conhecer as variações, no tempo e no espaço, das propriedades da água do mar. A atmosfera e as águas oceânicas superficiais estão conectadas em suas temperaturas e concentrações de CO2. De acordo com Assad (2009), a água do mar é considerada uma substância em que estão presentes diversos tipos de sólidos e de gases, nas formas dissolvidas ou particuladas, constituída por solvente (água) e por soluto (sais). Entre suas principais características, encontra-se a salinidade — facilmente percebida por um simples mergulho no mar —, que se refere à concentração de sais dissolvidos na água, mais especificamente, à quantidade total, em gramas, de material sólido contido em um kg de água do mar. Sais dissolvidos são importantes de uma perspectiva biológica porque influenciam as propriedades da água que afetam a capacidade dos organismos de absorvê-la. A salinidade dos oceanos varia entre 33 e 37 partes por mil; essa variação Resulta da evaporação e da precipitação, bem como do congelamento e do derretimento do gelo marinho (CAIN; BOWMAN; HACKER, 2018). Os sais da água do mar consistem, principalmente, em sódio, cloreto, magnésio, cálcio, sulfato, bicarbonato e potássio. Esses sais provêm de gases emitidos por erupções vulcânicas no princípio da história da Terra, quando sua crosta estava esfriando, e da gradual decomposição dos minerais nas rochas que constituem a crosta. 2.1.4 Águas continentais superficiais As águas superficiais continentais são aquelas que se encontram na superfície continental do planeta Terra. Apresentam-se na forma de lagos e rios, sendo de 13 grande importância para a sociedade tanto econômica quanto social e ambientalmente. 2.1.5 Águas Subterrâneas Elas formam importantes reservas de águas doce para uso nas diversas atividades humanas, seja no ambiente doméstico, na agricultura ou na indústria. Portanto, saber como são armazenadas e que fatores podem impactá-las quantitativa e qualitativamente é fundamental para preservá-las. Antes de tudo, é necessário entender no que se constituem as águas subterrâneas, quais são as águas que ocorrem no subsolo, ou seja, abaixo da superfície terrestre. A água disposta no solo e nas formações geológicas é dividida, ao logo de uma orientação vertical, em duas zonas: a zona saturada e a zona não saturada, de acordo com a proporção relativa do espaço poroso, que é ocupado pela água. A zona saturada se localiza abaixo da superfície freática, onde todos os espaços estão preenchidos com água. No que lhe concerne, a zona não saturada está entre a superfície freática e a superfície terrestre, onde os poros estão, basicamente, preenchidos por gases (vapor de água) e água (REBOUÇAS, 2006). Quando a água de drenagem se move para baixo através do solo e do regolito, ela eventualmente encontra uma zona em que todos seus poros estão saturados com água. Muitas vezes, essa zona saturada se situa acima de um horizonte impermeável do solo ou de uma camada impermeável de rocha ou argilas. A superfície superior dessa zona de saturação é conhecida como nível freático (ou lençol freático), e o líquido na zona saturada é chamado de água subterrânea (BRADY; WEIL, 2013). É importante destacar que a água percorre dois caminhos: ou ela infiltra no solo e no subsolo, ou ela escoa na superfície terrestre até os córregos e rios. Porém, existem ambientes mais favoráveis à infiltração, e outros mais favoráveis ao escoamento da água. A presença de árvores aumenta a quantidade de matéria orgânica no solo, conservando a umidade e aumentando a capacidade de absorção e infiltração da água. Essas características aumentam a quantidade de água infiltrada e diminuem a quantidade de água em escoamento na superfície. (MUSCHLER, 2000; BARBERA-CASTILLO, 2001). 14 3 PRINCÍPIOS DA ECOLOGIA A ecologia tem sido de interesse prático desde o início da história humana. Na sociedade primitiva, todos os indivíduos tinham que conhecer seu ambiente, isto é, compreender as forças da natureza, as plantas e os animais que os cercavam, para sobreviver. De fato, o início da civilização coincidiu com o uso do fogo e outras ferramentas para alterar o meio ambiente. Hoje, devido aos avanços tecnológicos, percebe-se que as pessoas estão menos dependentes do ambiente natural para suas necessidades diárias. Muitos estão esquecendo da nossa dependência contínua da natureza por ar, água e indiretamente alimentos, sem mencionar o processamento de resíduos, recreação e muitos outros serviços que o meio ambiente oferece. Da mesma forma, os sistemas econômicos, independentemente da ideologia política, valorizam as coisas realizadas pelo homem que beneficiam os indivíduos acima de tudo, mas atribuem pouco valor monetário aos bens e serviços da natureza que nos beneficiam como sociedade. Até que haja uma crise, os humanos tendem a considerar normais os bens e serviços provenientes da natureza, pois assumimos que são ilimitados ou de alguma forma repostos por inovações tecnológicas, mesmo sabendo que necessidades vitais como oxigênio e água podem ser recicláveis, mas não substituíveis. Enquanto os serviços de apoio à vida forem considerados gratuitos, não terão valor nos sistemas de mercado atual. (ODUM, 2019) A década de 1970 foi chamada de “década do ambiente”, cujo início ocorreu com o primeiro “Dia da Terra”, em 22 de abril de 1970. Depois, nas décadas de 1980 e 1990, os temas ambientais foram empurrados para os bastidores do cenário político pelas preocupações com as relações humanas como: a criminalidade, Guerra Fria, orçamentos governamentais e assistência social. Conforme entramos nos cenários iniciais do século XXI, as preocupações com o ambiente vêm de novo à tona, porque o abuso humano sobre a Terra continua sua escalada. O aumento da atenção pública teve um efeito profundo sobre a ecologia acadêmica. Antes da década de 1970, a ecologia era vista, na maioria, como uma subdisciplina da biologia. Os ecólogos eram alocados nos departamentos de biologia e os cursos de ecologia eram geralmente encontrados apenas nos currículos das 15 ciências biológicas. Embora a ecologia permaneça fortemente enraizada na biologia, ela emergiu desta como uma disciplina essencialmente nova e integrativa, que liga os processos físicos e biológicos, formando uma ponte entre as ciências naturais e sociais. Enquanto o escopo da ecologia está em expansão, intensifica-se o estudo de como os organismos e as espécies individuais inter-relacionam e utilizam os recursos. (ODUM, 2019). 3.1 Níveis de organização biológica A ecologia busca compreender a importância de cada espécie na natureza e a necessidade de preservar os ambientes naturais que a Terra abriga. De acordo com Barsano e Barbosa (2013) não são apenas a fauna e a flora que merecem cuidados: existem outros fatores também que devem ser observados visando o equilíbrio da natureza, entre eles o espaço físico, a temperatura e a localização. O termo biodiversidade (ou diversidade biológica) refere-se à riqueza e à variedade de plantas e animais encontrados nos mais diferentes ambientes. As plantas, os animais e os microrganismos fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial consumida pelo ser humano. Para melhor compreensão do mundo vivo, a biologia, a ecologia e muitas outras áreas, utilizam níveis de organização biológica em seus estudos.As estruturas biológicas são organizadas hierarquicamente do nível mais baixo de organização ao nível mais alto de organização, ou seja, da célula à biosfera. Os níveis mais altos (acima do nível de "população") são frequentemente chamadosde organização ecológica. Cada nível de organização biológica é composto, principalmente, pelas unidades estruturais do nível organizacional imediatamente inferior, somado a um aumento da complexidade organizacional. Um conceito básico associado à organização biológica é o da emergência, ou surgimento de caraterísticas e funções novas nos níveis organizacionais sucessivamente mais elevados, não presentes nos níveis de organização mais baixos. Isso significa que, na hierarquia, os níveis sucessivamente mais elevados apresentam características e funções novas. Assim, teoricamente, uma alteração na organização 16 da estrutura biológica de um nível inferior acarreta alterações na organização das estruturas biológicas superiores — por exemplo, alterações na estrutura de um átomo conduzem, ou podem conduzir, as alterações na organização biológica de níveis superiores, indo da célula para o organismo até a biosfera. Os níveis de organização biológica são uma das melhores formas de delimitar a ecologia moderna, segundo Odum (2019). Veja uma representação dos níveis de organização na Figura 3. Figura 3: Hierarquia dos níveis de organização biológica. Fonte: Adaptada de Odum e Barrett (2015) Os níveis de organização biológica iniciam pela célula, a qual é definida como a unidade básica, estrutural e funcional da vida. Ela é a menor unidade dos níveis de organização biológica que se classifica como ser vivo. Alguns seres vivos são constituídos por uma única célula (seres unicelulares), como bactérias, fungos, algas, entre outros), e outros são constituídos por conjuntos de células (seres multicelulares, como animais, plantas e o homem), conforme ressalta Nicolau (2017). Os tecidos são formados pela união de células especializadas e estão presentes em apenas alguns organismos multicelulares, como as plantas e os animais. Quando organizados e juntos, os tecidos formam os órgãos, que são formados por vários tipos de tecidos — por exemplo, o coração é formado por tecido 17 muscular, sanguíneo e tecido nervoso (nervos). Já os sistemas, por sua vez, são formados pela união de vários órgãos que trabalham em conjunto para desempenhar determinada função corporal — por exemplo, o sistema digestivo, que é formado por vários órgãos como boca, estômago, intestinos, entre outros. O conjunto de órgãos que constituem um ser vivo é denominado organismo. As características principais dos organismos são a capacidade de extrair energia a partir de nutrientes, de se adaptar às mudanças ambientais e de se reproduzir. A ecologia se preocupa amplamente, mas não total, com os níveis de sistema além do organismo. O termo população, originalmente criado para um grupo de pessoas, foi ampliado para incluir grupos de indivíduos de qualquer tipo de organismo. A população corresponde ao conjunto de indivíduos de uma mesma espécie, que ocorrem juntos em uma mesma área geográfica no mesmo intervalo de tempo (ODUM, 2019). Já a comunidade (também denominada biocenose ou biota), inclui todas as populações que ocupam uma certa área. Sobre a comunidade atuam vários fatores físicos, químicos e geológicos do ambiente, como a luz, a umidade, a temperatura, os nutrientes, o solo e a água. Esses são os componentes abióticos, enquanto que os seres vivos são os componentes bióticos. A comunidade e o ambiente não vivos (abiótico) funcionam juntos, que eles correspondem ao ecossistema — também denominado biocenose ou biogeocenose em algumas bibliografias. Em relação à paisagem, ela se refere à área heterogênea composta de um agregado de ecossistemas em integração, que se repetem de maneira similar por toda a sua extensão. Uma bacia hidrográfica é um bom exemplo de unidade de paisagem, porque geralmente tem limites naturais identificáveis. O bioma designa uma área geográfica onde são encontradas flora, fauna e condições climáticas especificas. Em outras palavras, biomas são um conjunto de vida vegetal e animal, constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e que podem ser identificados em nível regional, com condições de geologia e clima semelhantes e que, historicamente, sofreram os mesmos processos de formação da paisagem, resultando em uma diversidade de flora e fauna própria. A biosfera se refere ao conjunto de todos os ecossistemas da Terra, ou seja, a camada da Terra que contém seres vivos. Parcelas da biosfera de diferentes 18 tamanhos podem ser consideradas ecossistemas, desde que haja intercâmbio de matéria e de energia entre os elementos abióticos e bióticos. Dessa forma, pode-se considerar ecossistema uma pequena lagoa ou um oceano inteiro. A biosfera toda pode ser vista como um grande ecossistema. Embora a distribuição dos organismos no planeta não seja homogênea, pois depende de fatores abióticos que variam de região para região, em linhas gerais, os limites da biosfera podem ser definidos com base nos regimes extremos de ocorrência de seres vivos: cerca de 7 mil metros de altitude, onde voam algumas aves migratórias, e por volta de 11 mil metros de profundidade nos oceanos, onde se encontram bactérias e alguns animais (LOPES, 2009). 3.2 Os componentes estruturais de um ecossistema Os ecossistemas são constituídos, essencialmente, por três componentes: Abióticos - que em conjunto constituem o biótopo: ambiente físico e fatores químicos e físicos. A radiação solar é um dos principais fatores físicos dos ecossistemas terrestres, pois é através dela que as plantas realizam fotossíntese, liberando oxigênio para a atmosfera e transformando a energia luminoso em química. Bióticos - representados pelos seres vivos que compõem a comunidade biótica ou biocenoses, compreendendo os organismos heterótrofos dependentes da matéria orgânica e os autotróficos responsáveis pela produção primária, ou seja, a fixação do CO2. Energia – caracterizada pela força motriz que aporta nos diversos ambientes e garante as condições necessárias para a produção primária em um ambiente, ou seja, a produção de biomassa a partir de componentes inorgânicos. Todos os animais são consumidores. Animais que se alimentam de produtores são chamados consumidores primários. Os herbívoros, animais que se alimentam de plantas, são, portanto, consumidores primários. Aqueles animais que se alimentam de herbívoros são consumidores secundários, os que se alimentam dos consumidores secundários são consumidores terciários e assim por diante. 19 Sob o ponto de vista funcional, um ecossistema pode ser analisado no âmbito das seguintes características e processos: evolução; homeostase; fluxo de energia; cadeias ou teias alimentares; ciclos biogeoquímicos; padrões de diversidade De acordo com Hanazaki (2013), para fins descritivos, os componentes do ecossistema são: substâncias inorgânicas, envolvidas nos ciclos de materiais (carbono, nitrogênio, gás carbônico, água, entre outras); compostos orgânicos, que ligam o biótico ao abiótico (proteínas, hidratos de carbono, lipídeos, entre outros); regime climático e outros fatores físicos e químicos, incluindo temperatura, acidez ou alcalinidade (pH), luminosidade, pressão atmosférica, entre outros; produtores, ou organismos autótrofos, como, por exemplo, as plantas, que são capazes de captar a energia solar e transformá-la em energia química por meio da fotossíntese; consumidores, ou organismos heterótrofos, como, por exemplo, os herbívoros e os carnívoros, que dependem direta ou indiretamente dos produtores para obter energia; decompositores, ou organismos micro consumidores ou saprótrofos, como, por exemplo, as bactérias e fungos, que decompõem a matéria orgânica morta e liberam nutrientes inorgânicos. 20 3.3 Glossário ecológico Espécie - Grupo de indivíduos semelhantes (estruturais, funcionaise bioquímicos) que se reproduzem naturalmente e produzem descendentes férteis. População - É o conjunto de indivíduos de mesma espécie que vivem numa mesma área e por determinado período. Comunidade ou biocenose - Conjunto de populações de diversas espécies que habitam uma mesma região em determinado período. Ecossistema ou sistema ecológico - É o conjunto formado pelo meio ambiente físico, ou seja, o biótopo (formado por fatores abióticos - sem vida - como: solo, ar) mais a comunidade (formada por componentes bióticos - seres vivos) que com o meio se relaciona. Habitat - Lugar específico onde uma espécie pode ser encontrada, isto é, o seu "endereço" no ecossistema. Nicho ecológico - Papel que o organismo desempenha no ecossistema, isto é, a “profissão" do organismo no ecossistema. O nicho informa às custas de que se alimenta, a quem serve de alimento, como se reproduz, etc. Ecótono - é a região de transição entre duas comunidades ou entre dois ecossistemas. Na área de transição encontramos grande número de espécies e, por conseguinte, grande número de nichos ecológicos. Biotópo - Área física na qual os biótipos adaptados a ela e as condições ambientais se apresentam praticamente uniformes. Biosfera - Toda vida, seja ela animal ou vegetal, ocorre numa faixa denominada biosfera, que inclui a superfície da Terra, os rios, os lagos, mares e oceanos e parte da atmosfera. A vida só é possível nessa faixa porque aí se encontram os gases necessários para as espécies terrestres e aquáticas: oxigênio e nitrogênio. Distinguimos em ecologia três grandes subdivisões: a autoecologia, a dinâmica das populações e a sinecologia. Estas distinções são um pouco arbitrárias, mas têm a vantagem de ser cômodas para uma exposição introdutória. A autoecologia (Schroter, 1896) estuda as relações de uma única espécie com seu meio. Define essencialmente os limites de tolerância e as preferências das espécies em face dos diversos fatores ecológicos e examina a ação do meio sobre a 21 morfologia, a fisiologia e o comportamento. Desprezam-se as interações dessa espécie com as outras, mas frequentemente ganha-se na precisão das informações. Assim definida, a autoecologia tem evidentemente correlacionamentos com a fisiologia e a morfologia. Mas tem também seus próprios problemas. Por exemplo, a determinação das preferências térmicas de uma espécie permitirá explicar (ao menos em parte) sua localização nos diversos meios, sua repartição geográfica, abundância e atividade. A dinâmica das populações descreve as variações da abundância das diversas espécies e procura as causas dessas variações. A sinecologia analisa as relações entre os indivíduos pertencentes às diversas espécies de um grupo e seu meio. O estudo sinecológico pode adotar dois pontos de vista: Outras subdivisões da ecologia levam em consideração a natureza do meio e correspondem aos três grandes conjuntos da biosfera: a ecologia marítima, a ecologia terrestre e a ecologia límnica. A natureza dos organismos e os métodos de estudo são geralmente muito diferentes nesses três meios, embora em muitos casos os princípios gerais sejam os mesmos. 3.4 Equilíbrio Ecológico A Constituição Federal brasileira determina, em seu art. 255, que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo, essencial e saudável a qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações, em consonância com a Lei Federal no 6.938/1981, que institui a Política Nacional do Meio Ambiente e que tem por objetivos a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícias à vida, considerando o meio ambiente como patrimônio público (STEIN, 2018). O equilíbrio ecológico é ponto de estabilidade entre diversos fatores que constituem um ecossistema, suas cadeias tróficas, vegetação, clima, solo, ar, água, que podem ser perturbados pela conduta humana. Não significa dizer que haverá uma 22 permanência e equilíbrio constante, mas que haja uma consonância ou proporção e a salubridade entre os elementos que compõe o equilíbrio ecológico. Acerca da qualidade de vida com alcance do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é possível considerar que: Refere-se à vivência e a busca de plenitude, na qual o ser humano usufrua de tudo o que for necessário para a existência. Todos os seres vivos necessitam serem abastecidos por elementos que garantam sua vida: solo, água, ar, sol, alimentos, etc. e se tais elementos existem e seus componentes estão em razoável equilíbrio, se a degradação e a poluição não alteram substancialmente suas características, a condição de vida poderá assim, ser compreendida como sadia. (CENCI, 2012, p.331). Vale ressaltar que, o princípio do meio ambiente ecologicamente equilibrado, como direito fundamental da pessoa humana, é considerado basilar e deste decorre todos os outros princípios relacionados ao meio ambiente, vez que em se tratando de direito à vida, não pode ser considerado somente o permanecer vivo, mas viver com qualidade, direito a uma vida digna, com um meio ambiente ecologicamente equilibrado, levando-se em consideração todos os elementos da natureza: ar, água, solo, entres outros. Cabe registrar que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito fundamental de todos, tem sua natureza jurídica traçada nos direitos difusos, posto que, trata-se de direito coletivo, de natureza indivisível. 4 POLUIÇÃO: CONCEITOS, FONTES, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS A palavra poluição vem do termo em latim polluere. Em termos de significado metafórico, a palavra polluere está ligada principalmente a valores morais – manchar a fama ou profanar o sagrado, violar leis. Além da conotação moral, existe uma conotação física deste termo, que significa sujar, manchar, alterar negativamente o meio ambiente. Desde a Antiguidade, as sociedades relacionaram-se com o meio em que habitavam buscando principalmente abrigo, insumos (alimentares, dessedentação, energia) e locais para depositar seus resíduos. 23 Em geral, toda alteração ocorrida no meio ambiente que cause desequilíbrio e prejudique as atividades humanas e a biota, pode ser considerada um impacto ambiental. A poluição do ar tem sido um tema muito discutido em todo o mundo nos últimos anos. As preocupações com a qualidade do ar nas cidades são assuntos de várias reuniões internacionais e protocolos governamentais. Liderados pela Organização das Nações Unidas (ONU), esses encontros propõem que os países estabeleçam metas para reduzir as emissões de gases e partículas antropogênicas prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Um dos dezenove objetivos da Agenda 2030 da ONU é reduzir a poluição ambiental causada pela poluição do ar por meio de ações contra as mudanças climáticas globais. A mudança climática tornou-se um grande problema global, mas a poluição do ar nem sempre foi vista dessa maneira (LIMA, 2021). De acordo com Lima (2021), as atividades antrópicas (realizadas pelo homem) interferem o meio ambiente durante séculos, utilizando os recursos naturais de diversas formas, seja para fins econômicos ou recreativos. Após a revolução industrial e a intensificação da atividade humana, a degradação ambiental ficou ainda mais evidente. Em 1972, na Conferência de Estocolmo que foi estabelecida uma política global de preservação e melhoria do meio ambiente, e vinte anos depois a ECO-92 discutiu os problemas ambientais globais, incluindo a poluição do ar. Após essa conferência, ano após ano, a emissão de gases poluentes ganha importância e é alvo de discussões, além de leis de proteção ao meio ambiente relacionadas a esse tema. A poluição é um grave problema de saúde pública. Sabe-se que os sistemas de saúde pública são mais exigentes quandohá altos níveis de poluentes no meio ambiente, e há evidências de uma série de doenças causadas por gases e partículas, incluindo cardiorrespiratórias, cardiovasculares, malformações fetais e câncer. Eles também podem causar perdas econômicas devido à corrosão dos materiais, seu enfraquecimento, desgaste das estruturas, redução da visibilidade e danos à fauna e à flora. A poluição pode se apresentar tanto como matéria visível, mas também como matéria de dimensões fora do alcance a olho nu, como é o caso dos gases e de micropartículas suspensas no ar, ou mesmo sob a forma de energia como a eletromagnética, o ruído e o calor, que não são visíveis. Logo, a poluição não consiste apenas naquilo que podemos enxergar. (SANTOS, 2017). 24 No Brasil, a Lei no 6.938/1981, Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, art. 3º, inciso III, define poluição como “a degradação da qualidade ambiental resultante de atividade que direta ou indiretamente: Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; Afetem desfavoravelmente a biota; Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. Santos (2017) afirma que a poluição ambiental se divide, basicamente, nas seguintes categorias: Poluição do Ar: Matéria ou energia na atmosfera, como fumaça e partículas de indústrias e fábricas, gases de combustão de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, radiação ionizante de usinas nucleares, resíduos nucleares (lixo atômico e de testes nucleares), incineração de lixo e gases de escape de veículos. Poluição da Água: Matéria ou energia presente em águas residuais domésticas, agrícolas e industriais, consistindo principalmente de compostos orgânicos como matéria orgânica, hidrocarbonetos e compostos químicos inorgânicos encontrados em detergentes, sabões, solventes, metais pesados que não se degradem e produtos químicos utilizados na agricultura, como defensivos agrícolas, fertilizantes e calor; Poluição do solo: produtos químicos em geral, tais como herbicidas, pesticidas, resíduos sólidos urbanos, chorume, fertilizantes, etc.; Poluição sonora: vibrações e ruídos (ondas sonoras) provenientes de atividades cotidianas do homem, como veículos, obras de construção civil, shopping center, comércio e serviços, máquinas e equipamentos em geral; Poluição radioativa: fontes radioativas que podem gerar partículas e radiações eletromagnéticas ionizantes (resíduos nucleares de operações de centrais nucleares, clínicas radiológicas, hospitais, testes nucleares, explosões atômicas) e, então, contaminar o ar, os solos, as águas, os alimentos, a biota; 25 Poluição visual: todo tipo de material afixado em muros, murais, postes, fachadas de prédios, tais como faixas, cartazes, galhardetes e banners, que entrem em desacordo com a harmonia paisagística do local. Em 1989, foi estabelecido o Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar (Pronar), cujo principal objetivo é promover e orientar população e empresas quanto aos padrões de emissão de poluente atmosféricos, implementação de políticas de prevenção e uma rede nacional de monitoramento da qualidade do ar, estabelecendo inventários de emissões de poluentes por setor. Estratégias estaduais também foram estipuladas, tendo que assinar temos de compromisso no envio de relatórios e na identificação e fiscalização de indústrias com potencial poluidor. A principal dificuldade encontrada pelos estados e municípios é a falta de equipe técnica e os recursos para compra de equipamentos de monitoramento da qualidade do ar (LIMA, 2021). Para o controle nas concentrações dos poluentes atmosféricos, não se deve aplicar somente ações punitivas, mas preventivas e corretivas, com a participação da sociedade e setores público-privados. De acordo com Coelho (2020), algumas das estratégias de controle são: Estabelecimento de limites e normas regulamentadoras. Licenciamento das fontes poluidoras. Incentivo e utilização de tecnologias limpas e fontes alternativas. Utilização de equipamentos modernos, que visam a redução nas emissões. Implementação de redes de monitoramento da qualidade do ar. Estabelecimento de planos de emergência para situações graves de poluição do ar. 26 De acordo com Finkler (2018), existem alguns exemplos práticos adicionais do que se pode fazer para redução das emissões, que são: Além de conscientizar a população na busca por fontes alternativas de energia e atividades relacionadas à poluição do ar, também é necessária a fiscalização rigorosa das instalações industriais. A legislação deve obrigar as indústrias a utilizarem filtros nas suas chaminés, tratar os seus resíduos e utilizar processos menos poluentes. Da mesma forma, aqueles que infringem a lei devem ser severamente punidos. (FINKLER, 2018). Atualmente, os níveis de concentração de poluentes atmosféricos, principalmente nas grandes metrópoles brasileiras, poderiam ser mais monitorados por estações de medição da qualidade do ar, e a fiscalização das indústrias também poderia ser mais efetiva e constante. Portanto, há a necessidade de compreender melhor a relação entre a exposição da população aos poluentes do ar, fontes poluentes e mitigação de impactos, e estratégias de controle da poluição do ar. Sabendo que fatores como o crescimento da frota de veículos e da população estão deteriorando a qualidade do ar, é necessário adotar medidas que estabeleçam Controle dos combustíveis e seu grau de pureza; Criação de dispositivos de controle da poluição, Vistoria nos automóveis para retirar de circulação aqueles que não apresentam condições mínimas para filtrar os gases resultantes da combustão, Aplicação de rodízio de carros, Melhorias no transporte coletivo, Recolhimento de aparelhos de ar condicionado e geladeira que ainda utilizam o gás CFC, Investimento em pesquisas nas fontes alternativas de energia, Melhor planejamento urbano, Maior fiscalização sobre desmatamento e incêndios em matas e florestas. 27 padrões regulatórios como estratégia para promover o menor impacto ambiental possível, além de medidas de fiscalização e controle. 4.1 Tecnologias no combate à poluição do solo, ar e água Para que seja possível controlar a poluição do solo eficientemente, é necessária a adoção de técnicas de prevenção, pois somente dessa forma os impactos gerados serão os mínimos possíveis. Segundo a Funasa (2006), o controle da poluição do solo se dá por meio de técnicas preventivas e corretivas, que visam à redução dos riscos ambientais, e cuja aplicação dependerá das circunstâncias locais. As técnicas de controle mais utilizadas são: Seleção dos locais e das técnicas mais apropriadas para o desenvolvimento das atividades humanas, considerando o uso e tipo de solo na região, o relevo, a vegetação, a possibilidade de ocorrência de inundações e as características do subsolo; Execução de sistemas de prevenção da contaminação das águas subterrâneas; Implantação de sistemas de prevenção e erosão, tais como alteração de declividade, operação em curvas de nível, execução de dispositivos de drenagem e manutenção da cobertura vegetal; Minimização de resíduos industriais, pela redução da geração na fonte, segregação, reciclagem e alteração dos processos produtivos; Minimização de sistemas de disposição final de resíduos urbanos, pela coleta seletiva, reciclagem e tratamento; Execução de sistemas de disposição final de resíduos, considerando critérios de proteção do solo. Entre as técnicas de recuperação de solos poluídos, destacam-se aquelas utilizadas em solos contaminados por metais pesados, como escavação e substituição do solo ou tratamento químico ex situ, que têm sido eficazes em pequenasáreas 28 (MULLIGAN et al., 2001), porém são tecnologias caras e que causam grande impacto visual no meio. A fitorremediação, ou seja, o uso de plantas para remediar solos poluídos, tem sido sugerida como alternativa viável às técnicas tradicionais em razão dos menores custos e da maior aceitação pelo público (GLASS, 2000). A fitoextração, uma das técnicas mais eficientes de fitorremediação, envolve o cultivo de plantas que concentram metais pesados do solo na parte aérea, a qual pode então ser removida da área. O sucesso da fitoextração depende da habilidade das plantas em acumular concentrações de metais pesados na parte aérea que sejam suficientemente elevadas para reduzir a concentração de metais no solo em níveis toleráveis, com poucos cultivos (MELO et al., 2006). No que se refere à redução da contaminação dos solos, uma das técnicas que tem se destacado é a produção de biogás a partir dos dejetos oriundos da criação de animais. Essa técnica vem ganhando cada vez mais adeptos, principalmente porque possibilita, além do ganho ambiental, a produção de energia que pode, em muitos casos, trazer autossuficiência energética para o produtor, reduzindo os custos de produção e valorizando o produto final (TESTON, 2010). De acordo com Santos (2017) procedimentos simples como a adoção da coleta seletiva e da reciclagem de lixo também não podem ser esquecidos, pois apresentam um papel muito importante para o meio ambiente, uma vez que por meio deles recuperam-se matérias-primas que de outro modo seriam tiradas da natureza. Além disso, reduzem a sobrecarga de materiais descartados em lixões ou aterros sanitários, contribuindo para a redução da poluição dos solos e a preservação de recursos naturais. Apesar de existirem uma série de técnicas de controle/minimização da poluição do solo, em muitos casos essas não são aplicadas e as áreas poluídas são abandonadas sem nenhum comprometimento com sua recuperação. Tal fato demonstra a necessidade de uma maior atuação do Poder Público tanto na criação de leis e normas que protejam e estabeleçam limites para utilização dos solos, como no processo de fiscalização e gerenciamento desse uso. A atuação de gestores ambientais no acompanhamento de processos e na adoção de ações capazes de minimizar o impacto das atividades antrópicas no meio 29 ambiente é fundamental para que o controle da poluição do solo possa ocorrer efetivamente. É preciso considerar, entretanto, que esse gerenciamento deve ser capaz de incluir não só a questão do meio natural, mas principalmente as relações sociais, políticas e econômicas, nos âmbitos local, regional e global, sendo necessária para tanto a criação de instrumentos de gerenciamento ambiental, aplicados em larga escala, regidos por normas e parâmetros que possibilitem a fiscalização pelo Poder Público e pela sociedade, sendo esses importantes instrumentos preventivos de defesa do meio ambiente (LOPES, 2009). Existem alguns cuidados, tecnologias e equipamentos que podem ser utilizados visando à minimização dos poluentes atmosféricos. Em um nível industrial, os equipamentos mais utilizados são a câmara de sedimentação gravitacional, o ciclone, os filtros, os lavadores e os precipitadores eletrostáticos. As câmaras de sedimentação gravitacional realizam a separação dos poluentes do fluxo gasoso. Nesses equipamentos, os gases, após entrarem em uma câmara de secção maior do que a da tubulação que os conduz, perdem velocidade, fazendo com que as partículas de maior massa sejam atraídas para baixo devido à força gravitacional, sendo coletadas em um compartimento inferior, enquanto o restante do fluxo segue sem mudar de direção e sentido (FERNANDES, 2002). Já os ciclones utilizam tanto a força gravitacional quanto a força centrípeta simultaneamente. Esse equipamento consiste em levar as partículas de encontro às paredes cônicas do equipamento, ocasionando a perda de energia e fazendo com que elas se depositem, seguindo uma trajetória circular e formando um vórtice descendente. Em seguida, são coletadas em um compartimento na parte inferior do equipamento, enquanto o restante do fluxo, mais leve, sai por uma abertura na parte superior do cone invertido, seguindo seu caminho para ser lançado na atmosfera. O ciclone é um dos equipamentos de controle mais usados, principalmente como pré-coletor. O fluxo gasoso adentra sua câmara cônica de forma radial ou tangencial, com velocidade projetada de 15 a 21 m/s. Dentre suas características principais, os ciclones apresentam: Baixo custo de construção e poucos problemas de manutenção, configuração relativamente simples, apresentando perdas de cargas não muito grandes, possibilidade de operar em amplas faixas de temperatura e a seco, 30 embora não adequados para operar com partículas aderentes, normalmente usados para coleta de partículas maiores do que 5 𝜇𝑚, apresentando eficiência muito baixa para diâmetros menores. Fernandes (2002) descreve que a filtração é o mecanismo mais utilizado no controle da poluição do ar. Basicamente os filtros podem se dividir em descartáveis e não descartáveis, os mecanismos de coleta para particulados podem envolver diferentes fenômenos, tais como: impactação inercial, intercepção e difusão, bem como as forças eletrostática e gravitacional. Filtros descartáveis: Os filtros descartáveis são largamente aplicados em equipamentos e procedimentos analíticos laboratoriais e de monitoramento da qualidade do ar. São também muito comuns em equipamentos de uso domiciliar, tais como aparelhos de ar-condicionado, aspiradores de pó, entre outros. Filtros não descartáveis: Esses filtros são os que possuem maior interesse do ponto de vista industrial. Como o próprio nome já diz, não são descartáveis, e, quando ficam saturados, podem ser limpos por vários métodos e, assim, continuar a operar sem a necessidade de serem descartados. No controle de particulados, os filtros não descartáveis mais usados são os de tecido, do tipo manga ou envelope. Os lavadores são equipamentos que utilizam, como princípio básico de funcionamento, a absorção das partículas presentes em um fluxo gasoso, por um meio líquido, mediante contato forçado, ou impactação inercial, a qual pode ocorrer de diferentes maneiras, variando de um tipo de lavador para outro. O líquido, após o contato com o gás, carreia as partículas para um sistema de tratamento de efluentes líquidos, onde a parte sólida é separada da líquida, que retorna ao equipamento para reiniciar o processo de lavagem do fluxo gasoso, enquanto a fase sólida é retida e enviada para uma destinação adequada. Os lavadores podem ser usados tanto para o controle de particulados como de gases e vapores. Os lavadores apresentam como vantagens a possibilidade de tratar fluxos gasosos com partículas aderentes, umidade e elevadas temperaturas, com alta eficiência de retenção. O principal ponto negativo associado a esse sistema está no alto custo operacional. Os precipitadores eletrostáticos se baseiam na ionização das partículas presentes no fluxo gasoso, de forma que, ao atravessarem um campo elétrico criado entre dois eletrodos metálicos, elas sejam atraídas para esses eletrodos, onde se 31 descarregam e caem na tremonha de coleta ou ficam aderidas ao eletrodo e sendo retiradas posteriormente, por meio de uma forte vibração ou impacto na placa de coleta (rapping), sendo a segunda forma preferencialmente utilizada (FREITAS (2017). No caso da poluição hídrica, o controle ideal é aquele realizado antes que as substâncias contaminantes entrem em contato com o meio dispersor, ou seja, o controle preventivo (MOTA et al., 1999). O tratamento de efluentes é a forma mais eficaz de diminuir a poluição da água, visto que os esgotos domésticos e industriais são considerados a maior causa dedegradação da qualidade desses recursos. Considerando a capacidade de autodepuração do corpo d’água e a utilização feita pela população, é possível estabelecer o grau de tratamento que o efluente deverá ser submetido, de modo que o corpo d’água receptor, não sofra alterações nos parâmetros de qualidade fixados pela legislação para a região afetada pelo lançamento, ou seja, além de atender aos requisitos específicos para o lançamento de efluentes, este deve possuir características compatíveis com a qualidade do corpo receptor. O objetivo dos sistemas de tratamento de efluentes é transformar os poluentes dissolvidos e em suspensão em gases inertes e/ou sólidos sedimentáveis para posterior remoção, ou seja, promover uma eficiente remoção da carga de poluentes presentes. (SANTOS, 2017). Os processos físicos são as operações que basicamente removem os sólidos em suspensão sedimentáveis e flutuantes, ou seja, as substâncias que podem ser separadas fisicamente da fração líquida ou que não se encontram dissolvidas, por meio da aplicação de forças físicas de um sistema ou dispositivo de tratamento. Dentre os processos físicos, pode-se destacar: gradeamento, peneiramento, separação de óleos e gorduras, sedimentação e flotação. Os processos biológicos permitem reproduzir, em dispositivos racionalmente projetados, os fenômenos de autodepuração que ocorrem na natureza, condicionando-os em áreas e tempo economicamente justificáveis, utilizando o metabolismo de micro-organismos para reduzir até níveis aceitáveis o teor de orgânicos em um efluente. Eles têm como princípio utilizar a matéria orgânica dissolvida ou em suspensão como substrato para micro-organismos, tais como 32 bactérias, fungos e protozoários, que a transformam em gases, sais minerais, água e novos micro-organismos, ou seja, o mecanismo inerente à alimentação é baseado na transformação dos componentes complexos em compostos simples. Como resultado do processo, teremos uma massa decantável de micro-organismos desenvolvidos utilizando a matéria orgânica como fonte de carbono. (SANTOS, 2017). Esses processos podem ser aplicados em: remoção da matéria orgânica do efluente, oxidação do nitrogênio, remoção do fósforo, estabilização de lodos orgânicos, entre outros. Os principais processos são: oxidação a partir de micro- organismos (aeróbia, como lodos ativados, filtros biológicos aeróbios e lagoas de estabilização; e anaeróbia, como reatores anaeróbios de fluxo ascendente, ou de manta de lodo, lagoas anaeróbias, e tanques sépticos) e digestão do lodo (aeróbia e anaeróbia, fossas sépticas). Já os processos químicos são de tratamento nos quais a remoção/conversão dos contaminantes é feita a partir da adição de produtos químicos e, em geral, esses processos não são aplicados isoladamente. Com frequência, são utilizados nos casos em que os processos físicos e biológicos não são eficientes na remoção do composto que se deseja remover, ou como polimento, ou seja, aprimorar a eficiência dos processos anteriores. Alguns processos como coagulação, floculação, precipitação, oxidação, cloração e correção do pH são os mais empregados no tratamento de efluentes. (SANTOS, 2017). 4.2 Acidentes ambientais e planos de contingência Um acidente ambiental é um evento imprevisível que pode levar direta ou indiretamente a danos ao meio ambiente ou à saúde. Alguns exemplos de acidentes ambientais são: a liberação inadequada de elementos (sólidos, líquidos e gases) na atmosfera, no solo ou em corpos d'água, incêndios florestais ou instalações industriais. Esse tipo de acidente pode ter consequências extremamente graves, de forma que o risco ligado a tais acidentes é, legitimamente, uma preocupação a ser levada em conta durante a análise de impactos ambientais desses empreendimentos. (SCHERER, 2017). 33 Os acidentes ambientais podem acontecer de causas naturais, ou seja, aqueles que ocorrem independentemente da atividade humana, como furacões e terremotos, e tecnológicos, que decorrem da atividade humana, como, por exemplo, a poluição atmosférica, ocasionada pelos processos industriais. Os efeitos causados pelos acidentes ambientais não eram passíveis de atenção pela sociedade, mesmo fazendo milhares de vítimas, ocasionando perdas ao patrimônio e prejuízos incalculáveis ao meio ambiente, pois não eram situações temidas ou sequer imaginadas pelo ser humano. Durante a história da humanidade, vários são os exemplos de acidentes ambientais de grande intensidade que atingiram a população e deixaram um rastro de consequências para o meio ambiente. De acordo com Scherer (2017), existem vários desastres ambientais ocorridos no Brasil e no mundo, como: Acidente em Flixborough, no Reino Unido (1974) – explosão em uma indústria química com formação de uma nuvem com 40 a 50 toneladas de ciclohexano, deixando 28 mortos e 89 feridos. Costa da Bretanha, na França (1978) – vazamento do petroleiro amoco-Cadiz, com 223.000 toneladas, resultando na morte de 30 mil aves e 230 mil peixes e frutos do mar. Cubatão, no Brasil (1984) – vazamento de aproximadamente 700.000 litros de gasolina de um duto, seguido de incêndio, resultando em 93 mortos e 4 mil feridos. Goiânia, Brasil (1987) – contaminação por césio-137; dois catadores de lixo arrombaram um aparelho radiológico, nos escombros de um hospital antigo, entrando em contato com a cápsula, contaminando pessoas, água, solo e ar, matando pelo menos quatro pessoas e deixando outras dezenas com graves sequelas. Duque de Caxias, Brasil (2000) – vazamento de 1.300.000 l de óleo combustível de um duto na Baía de Guanabara, ocasionando a contaminação das praias, mangues e causando danos à pesca e ao turismo. 34 Miraí, Minas Gerais, Brasil (2007) – rompimento de uma barragem de contenção de bauxite, liberando 2.000.000 m³ de rejeitos no ambiente. Acidente de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, Brasil (2013) – dezenas de pessoas precisaram deixar as suas casas após a explosão em um terminal de fertilizantes. A carga que explodiu continha nitrato de potássio, que expele uma fumaça branca e densa, deixando 100 pessoas com algum tipo de intoxicação. Desastre de Mariana, Minas Gerais (2015) – rompimento da barragem de Fundão, liberando milhões de toneladas de rejeitos de mineração sobre o Rio Doce e seus afluentes, com dispersão dos rejeitos por 36 mil km no Oceano Atlântico. Considerada a mais grave tragédia ambiental brasileira. 4.3 Gerenciamento e plano de contingências para os riscos ambientais A Política Nacional do Meio Ambiente, introduzida pela Lei 6.938/1981, prevê a utilização de diversos instrumentos para a implantação do Gerenciamento de Riscos Ambientais. Entre eles, está a Avaliação de Riscos Ambientais, que, na maioria das vezes, está inserida no EIA/RIMA, por meio da decisão de organizações governamentais de controle ambiental. Assim, o gerenciamento de riscos ambientais é precedido por uma série de processos de avaliação das consequências de eventos potencialmente capazes de causar impactos na saúde pública e no meio ambiente. Por exemplo, explosões, incêndios, derramamentos e emissões imediatas de substâncias tóxicas causadas por acidentes, são exemplos do primeiro tipo de consequência. Portanto, para avaliar um risco, é necessário estimar a probabilidade de que o evento ocorra, bem como a extensão dos danos que o mesmo poderá causar. Dessa forma, a análise de riscos, embora seja complexa, é uma ferramenta muito importante para identificar os pontos mais vulneráveis de uma instalação ou de um processo, permitindo adotar medidas preventivas que irão proteger o meio ambiente e o homem, caso aconteça algum acidente. Os planos de mitigação, segundo Gestão Ambiental (2017), buscam reverter danos parciais e minimizar situações de risco e de impactos ambientaispor meio da 35 intervenção em áreas vulneráveis e da implementação de programas operacionais que permitam, a curto prazo, mitigar situações críticas com base na definição de prioridades. Eles devem ser implantados com base em gestão adaptativa, fundamentada em mecanismos que considerem a dinâmica de determinadas zonas naturais. Entre os principais planos de mitigação, estão: Manter, em estado próximo do natural, a maior parte das zonas degradadas; condicionar as explorações agrícola e pecuária; Impedir a ocupação com habitação nas áreas delimitadas de proteção; Condicionar as instalações industriais; Desviar vias e transferir construções em zonas de risco; Limitar a construção de estradas marginais e a intensidade de tráfego; Controlar a ocupação de terras e extrações; Investir em tecnologias que visam ao reuso da água. De acordo com Scherer (2017), a ordem de prioridade no controle dos impactos ambientais negativos deve ser: Prevenção; Mitigação; Recuperação e/ou compensação. Portanto, encontrar formas de evitar impactos e prevenir riscos deve ser a primeira coisa a ser acatada, sendo de extrema importância compreender a diferença entre esses termos ambientais. 36 5 GESTÃO AMBIENTAL O termo gestão ambiental (GA), compreende um conjunto de políticas e estratégias administrativas e operacionais voltadas aos aspectos de prevenção do meio ambiente por meio da eliminação ou mitigação de impactos e danos ambientais decorrentes do planejamento, criação, operação, ampliação, realocação ou desativação de empreendimentos ou atividades, incluindo todas as fases do ciclo de vida do produto (SOUZA, 2014). A gestão ambiental permite que uma organização determine os impactos de suas ações nas questões ambientais e priorize objetivos de forma a promover continuamente suas operações em termos de proteção ambiental. Dessa forma, a empresa pode atuar monitorando o descarte de resíduos pós-consumo, reavaliando as atividades operacionais, os objetivos e metas ambientais. Também contempla uma série de procedimentos e medidas adequadamente definidas e aplicadas com vistas a redução e controle dos impactos gerados por um empreendimento sobre o meio ambiente, a busca de novos modelos de gestão inclui uma preocupação constante como meio físico, biológico e social, de modo a contribuir para alcançar padrões de produção e consumo sustentáveis. A preocupação com o meio ambiente é também uma questão que surge no mundo dos negócios e no mercado de trabalho, o que representa a diferença entre as empresas que querem se destacar em termos de medidas ambientais que visem a proteção dos recursos naturais. Para tanto, algumas associações adotaram a norma ISO, que é uma associação padronizada que visa aprimorar seu controle sobre a gestão ambiental de forma a se destacar no mercado e buscar promover o compromisso da empresa com a proteção ambiental. Além de promover o comércio entre empresas e as relações entre diferentes órgãos ambientais, as normas ISO também promove as boas práticas de gestão empresarial e o avanço tecnológico. Com isso, as principais certificações ambientais são a ISO 9000, com foco em gestão da qualidade, e a ISO 14000 para a gestão ambiental. A certificação ISO 14000 diz respeito a um conjunto de atividades técnicas voltadas para a gestão do meio ambiente da melhor forma. Tal preocupação é que determina os padrões da gestão ambiental das empresas públicas e privadas. 37 A vantagem da empresa ao implementar a ISO 14000 é melhorar seu acesso ao mercado, canais de seguro, capital de baixo custo e relacionamento com o cliente. 6 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL Ao longo da história, observou-se a necessidade de criação de Leis que garantissem a proteção legal do meio ambiente. Abaixo, serão abordados algumas destas Leis e Artigos, de suma importância para a proteção do meio ambiente. 6.1 Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 Todo ser humano tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, de uso comum das pessoas e essencial a boa qualidade de vida. Cabe ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações atuais e futuras, assegurando esse direito de forma a: I – Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II – Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III – Definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV – Exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V – Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI – Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII – Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. (BRASIL,1988). § 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. 38 § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. § 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. § 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. 6.2 Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 A Política Nacional do Meio Ambiente visa manter, melhorar e restaurar a qualidade do meio ambiente adequado à vida, de modo a gantir no país condições de desenvolvimento socioeconômico, os interesses da segurança nacional e a proteção da dignidade, da vida humana, atendendo os seguintes princípios: I – Ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; II – Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; III – Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; IV –Proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; V – Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; VI – Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; VII – Acompanhamento do estado da qualidade ambiental; VIII – recuperação de áreas degradadas; IX – Proteção de áreas ameaçadas de degradação; X – Educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. (BRASIL,1981). A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pelaLei 6.938/81, é considerada um marco legal da legislação ambiental brasileira. Tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida e visa a 39 assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. Para realização desse propósito, prevê a Avaliação de Impacto Ambiental (EIA) e uma série de outros instrumentos complementares inter-relacionados. Além disso, a Lei 6.938/81, teve mérito de trazer o conceito normativo de meio ambiente, como objeto específico de proteção em seus múltiplos aspectos, bem como os conceitos de degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e recursos ambientais. Estabeleceu também o princípio segundo o qual os responsáveis por danos causados ao ambiente devem ser responsabilizados e obrigados a indenizá- los ou repará-los, independentemente da existência de culpa, prevendo uma Ação Judicial específica para esse tipo de responsabilidade, qual seja: a Ação Civil Pública, que veio a ser regulamentada em 24/7/85 pela Lei Federal nº 7.347. Esta Lei é caracterizada como sendo de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valores: artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, a qualquer outro interesse difuso ou coletivo, e por infração à ordem econômica (Art. 1°, I a V). Em relação ao interesse difuso e coletivo, o meio ambiente não é um bem público nem privado e vai além das noções de interesse individual e coletivo, é de grande interesse porque é um "bem comum do povo" para o qual a Constituição de 1988 dá legitimidade a vários órgãos para promover a sua defesa. O Código de Processo Civil (CPC) regulamenta, de forma genérica, os procedimentos relativos à Prova Pericial, sem especificar modalidades. As diversas modalidades de perícia, ou seja, pericias temática, dentre elas, de engenharia e ambiental, se definem pelas especificidades do objeto a ser periciado e pela área de conhecimento que as fundamentam, incluindo a legislação específica, em complemento às normas do CPC. O instituto jurídico da responsabilidade civil por danos ambientais visa a imputar ao causador de um dano ambiental o ônus pela sua reparação. O objetivo principal e aparente é coibir ações predatórias. Contudo, muitas vezes, tais objetivos são mitigados com medidas puramente compensatórias. O Ibama foi criado em 1989, Lei nº 7.735/89, visando integrar a gestão ambiental brasileira, vinculando-a ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) (IBAMA, 40 2016a). Em 2006, o Ibama criou a Diretoria de Qualidade Ambiental (Diqua) para se aperfeiçoar e aproximar suas ações às demandas de progresso do país, focalizando suas atividades na avaliação, licenciamento, controle e fiscalização de produtos e atividades potencialmente poluidoras e uso adequado dos recursos naturais, principalmente no que diz respeito à Agenda Marrom, considerada a de maior prioridade para o Brasil (IBAMA, 2016). Dentre as Leis que tutelam a área ambiental, é relevante destacar a Lei de Crimes ambientais n° 9605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Quando um crime ambiental deixa vestígios, surge a necessidade de esclarecimentos acerca do objeto, sendo extremamente relevante para a área ambiental, já que a comprovação de muitos fatos depende de conhecimento técnico apurado, como por exemplo, a identificação de uma espécie, o dimensionamento de um dano ou a avaliação de um impacto ambiental. O novo Código Florestal, instituído pela Lei 12.651/2012, em seu Art. 1º estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de preservação permanente e as áreas de reserva legal; a exploração florestal; o suprimento de matéria-prima florestal; o controle da origem de produtos florestais, controle e prevenção de incêndios florestais. Prevê ainda instrumentos econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos, aos quais essas condições devem ser consideradas quando se for periciar uma área com danos ambientais. De acordo com o relatório sobre crescimento dos crimes ambientais no mundo, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Interpol, a definição de crime ambiental ainda é discutida no mundo. Segundo o mesmo relatório, estes crimes são alimentados pela corrupção (nacional e local); lacunas na legislação nacional; crimes corporativos, máfias e falhas na aplicação das leis (nacionais e internacionais); conflitos (nacionais e regionais) e demanda crescente (internacional e doméstica). O relatório ainda cita o caso brasileiro de combate ao desmatamento da Amazônia como um exemplo de sucesso, por ser um plano baseado na: Concentração do controle nas secretarias executivas da presidência em colaboração direta com a Polícia Federal; regularização de uso e 41 posse da terra, monitorada por satélite; incentivos para atividades econômicas sustentáveis; e expansão das áreas protegidas e fiscalização. No Brasil, o controle e fiscalização também pode (e deve) ser feito pelos próprios cidadãos. O recebimento de denúncias de crimes ou agressões ambientais é descentralizado, podendo ser direcionados a vários órgãos públicos, pessoalmente, por telefone ou internet. 6.3 Auditoria ambiental A auditoria ambiental é um processo metodológico gerenciado pelo auditor líder e executado por uma equipe previamente definida, visando avaliar desempenho, compromisso com o meio ambiente e conformidade legal com as políticas ambientais da organização. Pode ser interno ou externo, por Indivíduos ou equipes agindo em nome da alta administração, independentemente de serem funcionários de organizações públicas e/ou privadas (LA ROVERE ET AL., 2011). Esta ferramenta de gestão é executada para obter certificados e melhorar a eficiência, conscientização ambiental dos colaboradores, e ainda atender às expectativas das comunidades onde atuam. Cabe mencionar que, de forma científica existem diversas abordagens conceituais que se reportam ao termo Auditoria Ambiental, a exemplo, os estudiosos da temática ambiental como La Rovere (2011), mencionam tal ferramenta no âmbito da gestão ambiental, como um método de avaliação da situação atual do empreendimento, de relevante importância para a preservação do meio ambiente, relacionada às práticas produtivas, independente de sua dimensão. De acordo com Gomes (2011), a importância da auditoria ambiental vai muito além do patrimônio conceitual, pois a doutrina não mede esforços ao tentar definir e aperfeiçoar conceitualmente essa ferramenta. Ainda na visão do autor, esse objetivo ainda não foi alcançado, pois, ao longo da história, as pessoas tentaram uma série de 5 tentativas de definições comuns, que variam entre conceitos mais restritivos ou abrangentes de auditoria ambiental. O objetivo é definir um conceito como uma auditoria com diferentes conceitos, escopos, tipos e finalidades. 42 Observa-se que no Anexo I, da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) 306/2002, no qual consta como definição para Auditoria Ambiental, que se trata de: Processo sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências que determinem se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais especificados ou se as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria estabelecidos nesta Resolução, e para comunicar os resultados desse processo (CONAMA 306/02). De acordo com La Rovere (2011), a auditoria ambiental permite obter os seguintes benefícios: Identificação e registro das conformidades e das não-conformidades com a legislação, com regulamentações e normas e com a políticaambiental da empresa (caso exista); Prevenção de acidentes ambientais; Melhor imagem da empresa junto ao público, à comunidade e ao setor público; Provisão de informação à alta administração da empresa, evitando-lhe surpresas; Assessoramento aos gestores na implementação da qualidade ambiental na empresa; Assessoramento à alocação de recursos (financeiro, tecnológico, humano) destinados ao meio ambiente na empresa, segundo as necessidades de proteção do meio ambiente e as disponibilidades da empresa, descartando pressões externas; Avaliação, controle e redução do impacto ambiental da atividade; Minimização dos resíduos gerados e dos recursos usados pela empresa; Promoção do processo de conscientização ambiental dos empregados; 43 Produção e organização de informações ambientais consistentes e atualizadas do desempenho ambiental da empresa, que podem ser acessadas por investidores e por outras pessoas físicas ou jurídicas envolvidas nas operações de financiamento e/ou transações da unidade auditada; Facilidade na comparação e intercâmbio de informações entre as unidades da empresa. Para La Rovere (2011), os seguintes tipos de auditorias ambientais podem ser encontrados em uma empresa: Auditoria de certificação: Avalia se a empresa atende aos princípios estabelecidos nas normas para as quais deseja ser certificada. Para a série ISO 14000 de auditorias de certificação ambiental, é muito semelhante à auditoria SGA. No entanto, deve 33 ser realizada por uma organização comercial e contratualmente independente da empresa, fornecedores e clientes, reconhecidos pela autoridade competente. Auditoria de descomissionamento: Avaliar os danos ao ecossistema e populacionais ao setor empresarial em decorrência de sua desativação (paralisação definitiva de suas atividades). Auditoria de responsabilidade: Tem como objetivo avaliar a responsabilidade ambiental da empresa, ou seja, a suas responsabilidades ambientais efetivas e potenciais. Geralmente é usado para fusões, aquisições diretas ou indiretas, ou empresas de refinanciamento. Sua aplicação indica possíveis riscos e responsabilidades para futuros compradores, parceiros ou sócios, e os avalia em termos monetários quando possível. A avaliação de custos ambientais que a empresa deve suportar ainda enfrenta dificuldades e precisa ser estudada. Geralmente, o método de avaliação monetária dos danos ambientais é questionável. Auditoria de conformidade: As auditorias ambientais têm como objetivo verificar o cumprimento de normas e exemplos de impacto e especificidade ambiental nas áreas da empresa. Avalia a conformidade da unidade auditada com a legislação, os regulamentos aplicáveis e indicadores de desempenho ambiental, setorial, aplicável à unidade. 44 Auditoria de Sistema de Gestão Ambiental: Avaliar a conformidade com o sistema de gestão ambiental da empresa (SGA), sua suficiência e eficácia. Auditoria de sítios: Projetado para avaliar o estágio de poluição de uma determinada localização, fonte de poluição e responsabilidade ambiental acumulada. Auditoria pontual: Visa otimizar a gestão de recursos, melhorar a eficiência do processo produtivo e, assim, minimizar a geração de resíduos, uso de energia ou outros insumos. 6.4 Licenciamento ambiental O licenciamento ambiental é um procedimento técnico-administrativo, pelo qual o órgão ambiental competente avalia o empreendimento e os possíveis causadores de impacto ambiental, autorizando, ou não, a sua instalação e operação. A avaliação envolve o estudo da localização do empreendimento, do seu porte e dos processos construtivo e produtivo utilizados, de modo a verificar se as suas características podem provocar interferências negativas no meio ambiente, como a poluição do ar, a geração de resíduos, a intervenção em cursos d’água e a supressão de vegetação nativa. Portanto, o processo de licenciamento estabelece regras, condições, restrições e medidas de controle ambiental que devem ser cumpridas, tanto na fase de instalação do empreendimento quanto na fase de operação (STEIN,2017). Dessa forma, o licenciamento é uma exigência legal. Mas quais são exatamente os seus benefícios? Não é apenas o meio ambiente que sai ganhando com o licenciamento de determinada atividade, mas também toda a sociedade. Entre alguns dos principais benefícios do licenciamento ambiental, podemos citar: Proteger o meio ambiente para as futuras gerações; Proteger os ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; Planejar e fiscalizar o uso dos recursos ambientais; Garantir a qualidade dos recursos renováveis; 45 Racionalizar o uso do solo, do subsolo, da água e do ar; Proteger áreas ameaçadas de degradação. A sociedade ganha quando as atividades e os empreendimentos correspondem com as legislações ambientais porque: As propriedades rurais respeitam as áreas de preservação permanente (APP) e as reservas legais; O desmatamento ocorre de uma forma controlada; As indústrias realizam o correto gerenciamento dos seus resíduos; Os despejos de efluentes líquidos indústrias são baseados em parâmetros de qualidade; Os recursos hídricos são respeitados. 6.5 Validade das licenças ambientais Após a obtenção do licenciamento ambiental, devemos ficar atentos ao prazo de validade, estabelecido pelo órgão ambiental competente para cada licença, conforme a Resolução CONAMA no. 237/1997, art. 18 (BRASIL, 1997). É fundamental ressaltar que apenas as LPs obtidas pelo instrumento de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), LIs e LOs poderão ser renovadas. Para as demais modalidades, é necessário reiniciar os procedimentos administrativos. Licença Prévia (LP) antecedida de EIA/RIMA: poderá ser renovada uma vez, desde que não tenham ocorrido mudanças ambientais que indiquem a necessidade de novo EIA, a critério do órgão licenciador. Licença de Instalação (LI): poderá ser regularmente renovada na necessidade de execução de obras contempladas pela primeira licença de instalação emitida. 46 Licença de Operação (LO): poderá ser regularmente renovada durante o período de uso do empreendimento. As licenças ambientais têm prazo de vigência definido em parte por lei federal. No entanto, cada autoridade licenciadora competente, tanto em nível municipal quanto estadual, pode determinar o prazo de validade de cada licença (LP, LI e LO), levando em consideração o que consta nos planos e projetos entregues e também na Resolução Nº237 de 19 de dezembro 1997. No Quadro 2, apresenta quais são os prazos máximos de validade das licenças ambientais. Quadro 2 - Prazo de licenças ambientais Fonte: Adaptado de Struchel (2016) Dependendo do município ou estado brasileiro onde é exigida a Licença Ambiental, o nome da licença ou sua sigla pode variar, ou mesmo licenças diferenciadas podem ser estabelecidas. Outra característica importante da licença é sua estabilidade temporal, uma vez que não é definitiva, podendo ser renovada periodicamente. O órgão ambiental competente poderá revisar a qualquer momento as licenças ambientais. A revisão poderá ser feita em três hipóteses, conforme art. 19 da Resolução CONAMA no. 237/1997: Violação ou inadequação de quaisquer condicionantes, ou normas legais; 47 Omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiarem a expedição da licença; Superveniência de graves riscos ambientais e de saúde (BRASIL, 1997). 6.6 O estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) O EIA é um procedimento administrativo que, apoiado em uma avaliação de impacto sobre as incidências ambientais de determinado projeto e em um processo de participação pública sobre tais incidências, subsidia o órgão ambiental,em termos de aprovação, modificação ou recusa de um projeto. De acordo com o art. 22 da Resolução CONAMA no. 001/86, “dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental — RIMA, que deverão ser submetidos à aprovação do órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo, o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente” (BRASIL, 1986). O EIA/RIMA deve ser realizado por uma equipe técnica multidisciplinar, que contará com profissionais das mais diferentes áreas, como geólogos, físicos, biólogos, psicólogos, sociólogos, advogados, engenheiros (de diferentes setores), arqueólogos, entre outros, os quais avaliarão os impactos ambientais positivos e negativos do empreendimento pretendido. Objetiva-se com isso a elaboração de um estudo completo e profundo a respeito da pretensa atividade, conforme ressalta Fiorillo (2014). A maioria das bibliografias apresentam o conceito de EIA e RIMA interligadamente. Portanto, EIA/RIMA consiste em um estudo prévio que serve de instrumento de planejamento e subsídio à tomada de decisões sobre um projeto a ser estabelecido em determinada área ou meio. O EIA/RIMA tem como objetivo antecipar e apoiar a decisão, fornecendo aos decisores (órgão público) informações sobre as implantações ambientais significativas de determinadas ações propostas, sugerindo modificações da ação visando à eliminação dos potenciais impactos adversos e 48 potenciação dos impactos positivos e, ainda, propondo os meios de minimização dos potenciais impactos inevitáveis (STEIN, 2017). 6.7 Código Florestal A Lei 4.771/65, o conhecido antigo Código Florestal, foi uma das normas infraconstitucionais com mais relevância jurídica no Direito Ambiental. Sua publicação se deu em 15 de setembro de 1965, e sobreviveu a grandes mudanças e pressões ao longo do tempo. Até a promulgação do atual Código, esta foi uma das legislações mais importantes no que diz respeito a proteção e vegetação dos espaços ambientais resguardados no artigo 225, § 4º da Constituição Federal de 1988. Ao longo dos anos após a promulgação deste antigo Código, o país passou por intensas crises ambientais envolvendo o setor agropecuário e ecológico, pois, a bancada ruralista, colocou o antigo Código como o fator principal que oprimia o desenvolvimento do país em relação ao setor de produção. Desde então tal setor trabalhou assiduamente no sentido de alterar a legislação, criando um Código Florestal em que as limitações e restrições fossem menores e que o uso produtivo da terra também fosse uma peça fundamental no desenvolvimento sustentável (RODRIGUES, 2021). Mais tarde, após intensas e acirradas discussões acerca das "contradições e insatisfação" em relação ao antigo código, foi sancionado um novo Código Florestal, a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. O caput do artigo 1º A do Novo e atual Código Florestal de 2012 nos traz sobre sua disposição geral, ressaltando que seu objetivo é estabelecer: “(...) normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de preservação permanente e as áreas de reserva legal; a exploração florestal, o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais, e prevê instrumentos econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos” (BRASIL, 2012). Importante lembrar, que o Código Florestal de 2012 impõe as normas mais amplas e sistemáticas do ordenamento jurídico ambiental. Porém, não é o único que trata sobre matéria florestal e que não está voltado, apenas, para a proteção das florestas, tratando também dos bens jurídicos protegidos, que são: http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2012.651-2012?OpenDocument 49 As florestas; As outras formas de vegetação úteis às terras que revestem; As terras; Os recursos hídricos; A diversidade biológica. O Código Florestal tem incidência em todo território nacional, e rege sobre a proteção de diferentes biomas do país. Esta regra tem exceção apenas em relação á Mata Atlântica, pois, como dito acima, esta possuí legislação específica, portanto o Código Florestal é aplicado de forma subsidiária. 6.8 Resolução Conama n°357/2005 Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Art. 2° Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições: I - águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 ‰; II - águas salobras: águas com salinidade superior a 0,5 ‰ e inferior a 30 ‰; III - águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30 ‰; IV - Ambiente lêntico: ambiente que se refere à água parada, com movimento lento ou estagnado; V - Ambiente lótico: ambiente relativo a águas continentais moventes; VI - Aquicultura: o cultivo ou a criação de organismos cujo ciclo de vida, em condições naturais, ocorre total ou parcialmente em meio aquático; VII - carga poluidora: quantidade de determinado poluente transportado ou lançado em um corpo de água receptor, expressa em unidade de massa por tempo; VIII - cianobactérias: microrganismos procarióticos autotróficos, também denominados como cianofíceas (algas azuis) capazes de ocorrer em qualquer (BRASIL,2005). Conforme alguns fatores químicos e físicos, a água mostra-se útil para determinados fins. No que se refere à água doce, alguns fatores de concentração iônica devem ser estabelecidos para que a água se aplique a um determinado padrão. 50 6.9 Política Nacional de Resíduos Sólidos Entre os dispositivos legais podemos destacar a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada pelo Decreto nº 7.404/2010, que estabelece princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão integrada e gerenciamento dos resíduos sólidos, indicando as responsabilidades dos geradores, do poder público e dos consumidores. A Política define, ainda, princípios importantes como o da prevenção e precaução, do poluidor pagador, da ecoeficiência, da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, do reconhecimento do resíduo como bem econômico e de valor social, do direito à informação e ao controle social, entre outros. A Política Nacional de Resíduos Sólidos recomenda que na gestão e no gerenciamento de resíduos sólidos, incluindo os resíduos perigosos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: Não geração, Redução, Reutilização, Reciclagem, Tratamento dos resíduos sólidos Disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. A Lei nº 12.305/2010 estabelece a diferenciação entre “resíduo” e “rejeito” que estimula o reaproveitamento e reciclagem dos materiais, admitindo a disposição final apenas dos rejeitos. Entre os instrumentos definidos pela PNRS estão: a coleta seletiva; os sistemas de logística reversa; o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas e outras formas de associação dos catadores de materiais recicláveis, e o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR). 51 São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, independentemente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de: Agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso; Pilhas e baterias; Pneus; Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; Produtos eletroeletrônicos e seuscomponentes. Com relação especificamente aos resíduos perigosos, a PNRS determina que a instalação e o funcionamento de empreendimento ou atividade que gere ou opere com resíduos perigosos somente podem ser autorizados ou licenciados pelas autoridades competentes se o responsável comprovar, no mínimo, capacidade técnica e econômica, além de condições para prover os cuidados necessários ao gerenciamento desses resíduos (MONTEIRO, 2001). Ainda de acordo com a PNRS o gerador do resíduo será responsável pelo seu adequado gerenciamento em todo o ciclo de vida. Esse princípio é essencial para a atribuição dos custos associados às ações de prevenção, aproveitamento, tratamento e disposição final de resíduos perigosos. Na tabela 3, observa-se a classificação dos resíduos, quanto sua origem. 52 Tabela 3 - Classificação dos resíduos quanto à origem, de acordo com a PNRS Fonte: bit.ly/3BosGM7 Ainda de acordo com a PNRS o gerador do resíduo será responsável pelo seu adequado gerenciamento em todo o ciclo de vida. Esse princípio é essencial para a atribuição dos custos associados às ações de prevenção, aproveitamento, tratamento e disposição final de resíduos perigosos. Esse Plano de Gerenciamento deve atender ao disposto no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos do respectivo município, sem prejuízo das normas estabelecidas pelos órgãos do SISNAMA e da SNVS, e deve ser aprovado pelo órgão competente. A inexistência de Plano Municipal não obsta a elaboração, a implementação ou a operacionalização do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (Art. 21 da Lei nº 12.305/2010 §1º e 2º). A Tabela 4 apresenta classificação de resíduos quanto à periculosidade, de acordo com um conjunto de normas técnicas produzido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2004). Para a definição da periculosidade dos resíduos, são necessárias amostragens e ensaios de laboratório, especificados nas Normas Técnicas. As características e propriedades que definem a classe a que o Resíduo 53 Sólido pertence devem ser determinadas e comparadas com valores limites estabelecidos. Esta classificação é muito utilizada para resíduos industriais e para os resíduos de serviços de saúde. No entanto, nas atividades agrossilvipastoris e de mineração também são gerados resíduos perigosos, como embalagens que contêm agrotóxicos e rejeitos de mineração que contenham elementos químicos em altas concentrações. Tabela 4 - Classificação dos resíduos quanto à periculosidade Fonte: bit.ly/3BosGM7 O conhecimento das características envolvendo a qualidade e a quantidade desses resíduos é fundamental para que um gerenciamento adequado seja realizado pelas prefeituras, desde a sua geração, passando pelo acondicionamento, coleta e transporte até a disposição final. Os fatores que influenciam as características dos resíduos são principalmente: poder aquisitivo; condições climáticas; hábitos e costumes da população; nível educacional; número de habitantes por município. (SANTOS, 2021). 6.10 Habitação Autossuficiente Uma edificação sustentável é aquela que considera seu impacto sobre a saúde ambiental e humana e, então, o diminui. Ela consome uma quantidade consideravelmente menor de energia e água em relação a uma edificação 54 convencional, tem menos impactos sobre o terreno e, em geral, níveis mais altos de qualidade do ar no interior. Também se preocupa em parte com os impactos de ciclo de vida dos materiais de construção, moveis e acessórios. Esses benefícios resultam de melhores práticas de desenvolvimento do terreno, opções de projeto e construção e dos efeitos acumulados da operação, manutenção, remoção e possível reciclagem dos materiais de construção e sistemas prediais. Edifícios e projetos sustentáveis, têm sido movimentos importantes para os setores de projeto, desenvolvimento e construção de edifícios desde o ano de 2000, e o interesse aumentou desde 2005. Atualmente, existem selos e certificações nacionais e também internacionais. Apesar da grande disseminação de instituições e análises voltadas para a sustentabilidade, muitos selos e certificações ainda são voluntários em alguns países. Isso significa que a certificação de uma edificação acaba partindo, muitas vezes, de um interesse do proprietário ou investidor do empreendimento. A partir da lógica do mercado capitalista, as certificações já são vistas como modelos de negócios economicamente atrativos. Ou seja, apesar de haver um custo de investimento, a sustentabilidade e as certificações valorizam a edificação (FARIA, 2017). A certificação Leadership in Energy and Environmental Design - LEED foi criada no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, com o intuito de produzir uma certificação nacional voltada ao mercado e aos edifícios de alto desempenho. Atualmente, o LEED é um selo internacional que movimenta um considerável mercado comercial que envolve não apenas a certificação, mas profissionais especializados que oferecem cursos e consultorias sobre o tema (KELLER; VAIDYA, 2018). O LEED possui as seguintes quatro tipologias para análise: Novas construções; Design de interiores; Edifícios existentes; Bairros. 55 Em cada avaliação, a edificação, a reforma, o interior ou o bairro é analisado a partir de oito categorias que possuem critérios de sustentabilidade. As categorias são (GBC BRASIL, 2019): Transporte e localização; Terrenos sustentáveis; Eficiência hídrica; Energia e atmosfera; Materiais e recursos; Qualidade ambiental interna; Inovação e processos; Créditos de prioridade regional. A edificação não precisa cumprir todas as medidas de sustentabilidade de cada categoria, na verdade, existem pré-requisitos mínimos, ou seja, ações obrigatórias para qualquer empreendimento. Os demais critérios são contabilizados a partir de um sistema baseado em aplicação de pontos, que quanto mais sustentável for, maior será. Para diferenciar as pontuações, o LEED possui quatro tipos de selo conforme a quantidade de medidas pontuadas (Figura 4). Figura 4: Tipos de selo LEED conforme pontuação. Fonte: bit.ly/3dTmNgG De acordo com Faria (2017), a certificação LEED também atua no Brasil, mas de forma voluntária e não obrigatória. O selo já possui uma gama de edificações 56 certificadas em diferentes estados do país e é predominante em prédios corporativos de alto padrão. É uma forma de valorização do imóvel, sendo incorporado a um modelo de negócio que investe em edificações sustentáveis. Segundo a GBC Brasil (2019), os principais efeitos nas edificações certificadas com selo LEED no Brasil são: Redução média de 40% do consumo de água; Redução média de 30% do consumo de energia; Redução média de 35% das emissões de CO2; Redução média de 65% de resíduos. Maiores benefícios econômicos são a principal razão para a adoção de edifícios sustentáveis. Na verdade, a vantagem econômica relativa é o principal propulsor para quase todos os edifícios. Os benefícios econômicos dos edifícios sustentáveis variam muito dependendo do tipo de propriedade da edificação; olhar para eles como um todo é vital para promover cada um dos projetos sustentáveis. 7 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Diante da constante deterioração da natureza e da falta de responsabilidade social, a Educação Ambiental tornou-se uma ferramenta muito importante e transformadora, pois seu objetivo é criar consciência ecológica para reverter o atual quadro de deterioração socioecológica. A consciência ecológica é a capacidade de entender que, toda ação humana evoca uma resposta no ambiente, que pode ser positiva ou negativa. É a capacidade de reconhecer que fazemos parte do meio ambiente e quando geramos poluição e contaminação, estamos prejudicando a nós mesmos. Por meio da consciência ecológica,as pessoas passam a se inserir no meio ambiente e cultivam valores e sentimentos de proteção à natureza (Machado, 2016). O conceito de Educação Ambiental encontra-se na Constituição Federal de 1988, entretanto, somente em 1999 surgiu a Lei 9.795 sobre Educação Ambiental. Além da Política Nacional de Educação (PNE), essa lei também estabelece diretrizes para a Educação Ambiental, listando objetivos muito importantes, incluindo: 57 Uma medida importante relacionada à Educação Ambiental é a política dos 5R’s. Uma medida importante relacionada à Educação Ambiental é a política dos Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), os cinco R’s é um processo educativo que reflete a mudança de hábitos no cotidiano dos cidadãos. O tema central desta política é levar as pessoas a repensarem seus valores e práticas em relação ao meio ambiente e reduzir o consumo de bens não essenciais e resíduos. Os 5R’s visam reduzir o consumo de recursos naturais, repensar o consumo exagerado e as práticas O desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; A garantia de democratização das informações ambientais; O estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social; O incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; O estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; O fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia; O fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade. 58 relacionadas ao meio ambiente, reaproveitar ao invés de descartar, reciclar os materiais com essa possibilidade e evitar consumir produtos que gerem impactos socioambientais significativos (MACHADO, 2016). Esta prática traz diversos benefícios como: Redução da extração de recursos naturais; Redução dos resíduos nos aterros e o aumento da sua vida útil; Redução dos gastos do poder público com o tratamento do lixo; Redução do uso de energia nas indústrias e intensificação da economia local (sucateiros, catadores, etc.). Um educador ambiental tem o grande desafio de fazer com que as pessoas desenvolvam valores e comportamentos de respeito mútuo e compromisso com a conservação dos recursos naturais, além de uma visão crítica das questões ambientais e do papel de cada indivíduo na defesa do meio ambiente. As práticas em Educação Ambiental são uma boa ferramenta para o desenvolvimento desta consciência ecológica. O educador ambiental ensina conceitos e desenvolve atividades práticas como a criação de composteira, montagem de horta comunitária, plantio de mudas e reaproveitamento de materiais que seriam jogados fora, entre outros. Com estas atividades práticas, o educador ambiental consegue aproximar as pessoas da natureza e desenvolver a consciência ecológica, fazendo com que cada um mude seus comportamentos e comece a respeitar mais o ambiente. 8 ECODESENVOLVIMENTO: PRESERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO OTIMIZADA Em 1973, foi lançado o conceito de ecodesenvolvimento, termo proposto por Maurice Strong abaixo da I Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada em Estocolmo (Suécia) em 1972. Apesar de alvitre por Strong, o economista 59 Ignacy Sachs ampliou a concepção durante as décadas seguintes, incorporando, fora das questões ambientais, as questões sociais, de gestão participativa, a moral e a cultura (PHILIPPI JUNIOR; PELICIONI, 2014). Particularmente, pensando no desenvolvimento do Terceiro Mundo e nos ecossistemas tropicais (embora não unicamente neles), Sachs propôs que o ecodesenvolvimento era uma forma de desenvolvimento adaptado às realidades ecossistêmicas de cada região ou ecorregião: Dada a complexidade do tema e as múltiplas formas possíveis de combinação das variáveis operativas pertinentes, não cabe propor uma só estratégia de desenvolvimento. Isso nos leva à procura de opções futuras. O conceito de ecodesenvolvimento surge destas considerações gerais. Em efeito, com ele se aspira a definir um estilo de desenvolvimento particularmente adaptado às regiões rurais do Terceiro Mundo, [...] é um estilo de desenvolvimento que procura com insistência em cada ecorregião soluções específicas aos problemas particulares, dando conta dos dados ecológicos, mas também culturais, assim como das necessidades imediatas, mas também das de longo prazo. Assim, o ecodesenvolvimento atua com critérios de progresso relativos, referentes a cada caso, e nele desempenha um papel importante a adaptação ao meio, colocada pelos antropólogos. Sem negar a significação dos intercâmbios, [...] o ecodesenvolvimento trata de reagir contra a moda predominante das soluções provavelmente universais e as fórmulas magistrais (SACHS, 1974, p. 363-364). Para Sachs (1997), existem caminhos para o desenvolvimento: Atender às necessidades básicas; Solidariedade com as gerações futuras; Participação da população afetada; Conservação dos recursos naturais e do meio ambiente; Desenvolvimento de um sistema social que garanta emprego, Segurança social e respeito por outras culturas, programas de educação. Esses princípios se aplicavam principalmente a regiões subdesenvolvidas, envolvendo uma crítica à sociedade industrial. 60 Além de criticar o desenvolvimento sustentável como sinônimo de crescimento, o ecodesenvolvimento denuncia que esse modelo implica a transferência de recursos dos países subdesenvolvidos para os desenvolvidos, na lapidação do potencial natural, na uniformização dos processos produtivos, na degradação progressiva dos solos tropicais e na redução da produtividade desses países (Leff, 2002). Foram os debates em torno do ecodesenvolvimento que abriram espaço ao conceito de desenvolvimento sustentável, condicionando o crescimento presente ao não comprometimento do crescimento futuro. A proposta do ecodesenvolvimento tem sido de oferecer alternativas de enfrentamento à problemática socioambiental, calcadas em uma abordagem complexa e sistêmica, cujo princípio constitui um processo que ainda está em maturação, mas que engloba necessariamente duas dimensões, a saber: a difusão integrada dos saberes científicos e tradicionais acumulados; a modificação das percepções e comportamentos cotidianos por meio da experimentação criativa (VIEIRA, 1999). Da mesma forma, a educação para o desenvolvimento local deve estar ligada à necessidade de formar pessoas que possam participar ativamente de iniciativas que possam transformar seu território, e não apenas permitir que emigram quando o território não atende às expectativas desejadas. O trabalho educativo promove a autonomia diante de situações que possibilitam e estimulam o próprio pensamento, busca nas teorias e práticas educacionais a emancipação e aprendizagem significativas. (MELO, 2006). Favorecer o desenvolvimento da autonomia a partir de situações que facilitem e encorajem o indivíduo a pensar por si mesmo, que busquem nas teorias e práticas educacionais a emancipação popular e a real aprendizagem, leva a abordagem da chamada epistemologia genética ou teoria psicogenética de Jean Piaget. O foco de suas preocupações foi explicar a passagem daevolução biológica, principalmente psicológica do ser humano, para a construção das matemáticas, das ciências formais em geral. (JR,2014). Para Lefft (2002, p.124): A educação ambiental traz consigo uma nova pedagogia que surge da necessidade de orientar a educação dentro do contexto social e na realidade 61 ecológica cultural. [...] a partir da experiência concreta com os meios físicos e sociais, buscar soluções aos problemas ambientais locais [...], propiciando aos alunos o pensamento crítico, criativo e prospectivo, capaz de analisar as complexas relações entre os processos naturais e sociais para atuar no ambiente com uma perspectiva global. Sachs (1993) desenvolve o que chama de as cinco dimensões de sustentabilidade do ecodesenvolvimento: sustentabilidade social; econômica; ecológica; espacial; e sustentabilidade cultural. Sustentabilidade Social: O processo deve se dar de tal maneira que reduza substancialmente as diferenças sociais. Considerar "o desenvolvimento em sua multidimensionalidade, abrangendo todo o espectro de necessidades materiais e não- materiais...". Sustentabilidade Econômica: A eficiência económica baseia-se em uma "alocação e gestão mais eficientes dos recursos e por um fluxo regular do investimento público e privado" (Ib., p. 26). A eficiência deve ser medida sobretudo em termos de critérios macrossociais. Sustentabilidade Ecológica: Compreende a intensificação do uso dos potenciais inerentes aos variados ecossistemas, compatível com sua mínima deterioração. Deve permitir que a natureza encontre novos equilíbrios, através de processos de utilização que obedeçam a seu ciclo temporal. Implica também em preservar as fontes de recursos energéticos e naturais. Sustentabilidade Espacial: Pressupõe evitar a concentração geográfica exagerada de populações, atividades e de poder. Busca uma relação equilibrada cidade-campo. Sustentabilidade Cultural: Significa traduzir o "conceito normativo de ecodesenvolvimento em uma pluralidade de soluções particulares, que respeitem as especificidades de cada ecossistema, de cada cultura e de cada local". Na tabela 5, observam-se os componentes e objetivos de cada um dos cinco Pilares do Ecodesenvolvimento. 62 Tabela 5 - Componentes e objetivos de cada um dos cinco Pilares do Ecodesenvolvimento. Fonte: Sachs (1993) 63 9 REFERÊNCIAS ALBERTIN, Ricardo, M. et al. Geografia e Recursos Hídricos. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo A, 2021. BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Meio ambiente: guia prático e didático. 2. ed. São Paulo: Érica, 2013. BRASIL, Lei de nº 12.651 de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis n.º 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Brasília, DF, 2012. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução no. 001, de 23 de janeiro de 1986. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. BRASIL. Lei n.4771, de 15 de setembro de 1965.Institui o novo código florestal. BRASIL. Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasilia, DF, 1981. BRASIL. Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989 . Dispõe sobre a extinção de órgão e de entidade autárquica, cria o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e dá outras providências. Brasilia, DF,1989. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Caderno de licenciamento ambiental. Brasília: MMA, 2009. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução Conama n. 306, de 5 de julho de 2002. Estabelece os requisitos mínimos e o termo de referência para realização de auditorias ambientais. Brasília, 2002. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução Conama n. 307, de 5 de julho de 2002. Estabelece http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%207.735-1989?OpenDocument 64 diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Brasília, 2002. BRASIL. Resolução nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 18 mar. 2005. BRADY, N. C.; WEIL, R. Elementos da natureza e propriedades dos solos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. (E-book). CAIN, M. L.; BOWMAN, W. D.; HACKER, S. D. Ecologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. CENCI, Daniel Rubens. O direito ao ambiente ecologicamente equilibrado como direito fundamental da pessoa humana. In: BEDIN, Gilmar Antonio. (Org.). Cidadania, direitos Humanos e Equidade. Ijuí. Unijuí, 2012. COELHO, L. Gestão de Efluentes e Emissões. São Paulo: Senac, 2020. FARIA, F. A certificação LEED e os benefícios econômicos dos edifícios verdes. Youtube, 24 maio 2017. FERNANDES, P. S. Gestão de fontes estacionárias de poluição atmosférica. In: ÁLVARES JUNIOR, O. M.; LACAVA, C. I. V.; FERNANDES, P. S. Emissões atmosféricas. Brasília: Senai, 2002. FINKLER, R. et al. Fundamentos da Engenharia Ambiental. Porto Alegre: Sagah, 2018. FIORILLO, C. A. P. Curso de Direito Ambiental. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. GLASS, D. J. Economical potential of phytoremediation. In: RASKIN, I.; ENSLEY, B. D. (eds.). Phytoremediation of toxic metals: Using plants to clean up the environment. New York: John Wiley & Sons, p. 15-31, 2000. GOMES, Michael, L. et al. Ecologia., (3rd edição). Grupo A, 2011. GROTZINGER, J.; JORDAN, T. Para entender a Terra. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. GRABASCK, Jaqueline, R. e Agatha Muller de Carvalho. Arquitetura sustentável., Grupo A, 2019. HANAZAKI, Natalia et al. Introdução à Ecologia / 2. ed. e 1. reimp. – Florianópolis: biologia/ead/UFSC, 2013. 65 INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS. Manual de recuperação de áreas degradadas pela mineração: técnicas de revegetação. Brasília: IBAMA, 1990. LA ROVERE. E. L.et al. Manual de auditoría ambiental. Rio de Janeiro: Qualitymark., 2011. LEFF, Enrique. Aventuras da epistemologia ambiental: da articulação das ciências ao diálogo de saberes. São Paulo: Cortez, 2002. LIMA, Caroline Hatada D. Proteção do meio ambiente., Editora Saraiva, 2021. LOPES, M. M. D. Gerenciamento ambiental com instrumento preventivo de defesa do meio ambiente. São Paulo: Mageart, 2009. MACHADO, Vanessa de S.; SACCOL, Juliana. Introdução à Gestão Ambiental. Grupo A, 2016. MELO, E. E. C.; NASCIMENTO, C. W. A.; SANTOS, A. C. Q. Solubilidade, fracionamento e fito extração de metais pesados após aplicação de agentes quelantes. Revista Brasileira de Ciências do Solo, n. 30, p. 1051-1060, 2006. MONTEIRO, José Henrique Penido et al; coordenação técnica Victor Zular Zveibil. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos. 15. ed. Rio de Janeiro: IBAM, 2001. MOTA, S. Saneamento. In: ROUQAYROL, M. Z.; ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e saúde. 5. ed. MEDSI, 1999. MUSCHLER, R. G. Árboles en cafetales. Turrialba: Catie/GTZ, 2000. ODUM, Eugene, P.; BARRET, Gary W. Fundamentos de Ecologia – Tradução da 5ª edição norte-americana – Estudos de casos nacionais na internet. Disponível em: MinhaBiblioteca, Cengage Learning Brasil, 2019. PHILIPPI JUNIOR, Arlindo; PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação ambiental e sustentabilidade. 2. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito Ambiental Esquematizado. São Paulo: Saraiva Educação, 2021. SACHS, I. Estratégias de transição para o século XXI: desenvolvimento e meio ambiente. São Paulo: Nobel, 1997, p.25-35. SANTOS, Marco Aurélio D. Poluição do Meio Ambiente. Grupo GEN, 2017. Santos, Ana Silvia, P. e Alfredo Akira Ohnuma Júnior. Engenharia e Meio Ambiente - Aspectos Conceituais e Práticos. Grupo GEN, 2021. 66 SCHERER, Karine. Avaliação de impactos ambientais – Porto Alegre: SAGAH, 2017. SILVA, Agenor Antônio, E. et al. Segurança do Trabalho e Meio Ambiente – A dupla atuação., Editora Saraiva, 2019. STEIN, Ronei T. Avaliação de Impactos Ambientais., Grupo A, 2018. STEIN, Ronei T. Licenciamento Ambiental., Grupo A, 2017. STRUCHEL, A. C. O. Licenciamento ambiental municipal. São Paulo: Oficina de Textos, 2016. TESTON, D. C. A produção de energia a partir de esterco bovino como solução ambiental para impactos gerados por sistemas intensivos de produção animal. Monografia do curso de especialização em gestão ambiental e negócios do setor energético. Monografia do curso de especialização em gestão ambiental e negócios do setor energético. São Paulo: USP, 2010, 45p. https://www.google.com/search?safe=active&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR995BR995&q=TESTON,+D.+C.+A+produ%C3%A7%C3%A3o+de+energia+a+partir+de+esterco+bovino+como+solu%C3%A7%C3%A3o+ambiental+para+impactos+gerados+por+sistemas+intensivos+de+produ%C3%A7%C3%A3o+animal.+Monografia+do+curso+de+especializa%C3%A7%C3%A3o+em+gest%C3%A3o+ambiental+e+neg%C3%B3cios+do+setor+energ%C3%A9tico.+S%C3%A3o+Paulo:+USP,+2010,+45p&nirf=TESTON,+DA+produ%C3%A7%C3%A3o+de+energia+a+partir+de+esterco+bovino+como+solu%C3%A7%C3%A3o+ambiental+para+impactos+gerados+por+sistemas+intensivos+de+produ%C3%A7%C3%A3o+animal.+Monografia+do+curso+de+especializa%C3%A7%C3%A3o+em+gest%C3%A3o+ambiental+e+neg%C3%B3cios+do+setor+energ%C3%A9tico.+S%C3%A3o+Paulo:+USP,+2010,+45p&sa=X&ved=2ahUKEwilv8v59fb5AhXjK7kGHaurCZgQ8BYoAXoECAEQOQ https://www.google.com/search?safe=active&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR995BR995&q=TESTON,+D.+C.+A+produ%C3%A7%C3%A3o+de+energia+a+partir+de+esterco+bovino+como+solu%C3%A7%C3%A3o+ambiental+para+impactos+gerados+por+sistemas+intensivos+de+produ%C3%A7%C3%A3o+animal.+Monografia+do+curso+de+especializa%C3%A7%C3%A3o+em+gest%C3%A3o+ambiental+e+neg%C3%B3cios+do+setor+energ%C3%A9tico.+S%C3%A3o+Paulo:+USP,+2010,+45p&nirf=TESTON,+DA+produ%C3%A7%C3%A3o+de+energia+a+partir+de+esterco+bovino+como+solu%C3%A7%C3%A3o+ambiental+para+impactos+gerados+por+sistemas+intensivos+de+produ%C3%A7%C3%A3o+animal.+Monografia+do+curso+de+especializa%C3%A7%C3%A3o+em+gest%C3%A3o+ambiental+e+neg%C3%B3cios+do+setor+energ%C3%A9tico.+S%C3%A3o+Paulo:+USP,+2010,+45p&sa=X&ved=2ahUKEwilv8v59fb5AhXjK7kGHaurCZgQ8BYoAXoECAEQOQ 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS E ASPECTOS HISTÓRICOS 2.1 Água 2.1.1 Qualidade da água 2.1.2 Índice de Qualidade das Águas (IQA) 2.1.3 Águas Oceânicas 2.1.4 Águas continentais superficiais 2.1.5 Águas Subterrâneas 3 PRINCÍPIOS DA ECOLOGIA 3.1 Níveis de organização biológica 3.2 Os componentes estruturais de um ecossistema 3.3 Glossário ecológico 3.4 Equilíbrio Ecológico 4 POLUIÇÃO: CONCEITOS, FONTES, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 4.1 Tecnologias no combate à poluição do solo, ar e água 4.2 Acidentes ambientais e planos de contingência 4.3 Gerenciamento e plano de contingências para os riscos ambientais 5 GESTÃO AMBIENTAL 6 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 6.1 Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 6.2 Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 6.3 Auditoria ambiental 6.4 Licenciamento ambiental 6.5 Validade das licenças ambientais 6.6 O estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) 6.7 Código Florestal 6.8 Resolução Conama n 357/2005 6.9 Política Nacional de Resíduos Sólidos 6.10 Habitação Autossuficiente 7 EDUCAÇÃO AMBIENTAL 8 ECODESENVOLVIMENTO: PRESERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO OTIMIZADA 9 REFERÊNCIAS