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DA INFÂNCIA ATÉ A UNIVERSIDADE “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”. ( Clarice Lispector) Josiany Marques Lobato[footnoteRef:1] [1: Acadêmica do 1° período. Memorial apresentado como requisito de avaliação da disciplina de TCC – Técnicas de Comunicação Científica do Curso de Ciências Sociais, ministrada pelo professor Lúcio Flávio Ferreira Costa, ] Introdução A responsabilidade de escrever sobre minha trajetória desde os primórdios de minha infância até a entrada na universidade me exigiu uma ação complexa de rememorar e relembrar, cujos movimentos discursivos me levaram a refletir sobre eu mesma e sobre minha subjetividade, em um espaço potencialmente interpretativo. Redigido em plena maturidade, o memorial busca identificar uma etapa concreta de minha vida – o percurso acadêmico – e para tanto, assinalo, no transcurso da escrita, as situações que julguei as mais importantes. Nasci em uma manhã chuvosa do dia 10 de janeiro de 2004, na cidade de Varzelândia, Minas Gerais. Fui criada em um ambiente familiar amoroso, onde os valores mais importantes eram a honestidade, o respeito ao próximo e a humildade. Apesar de ter nascido na cidade de Varzelândia, cresci em Campo Redondo distrito da cidade, lugar pequeno mas muito receptivo com todos que chegam. Aos 4 anos entrei no pré escolar nome dados aos primeiros anos da vida estudantil, sempre fui uma criança com facilidade de aprendizagem, brincava e estudava com crianças de vizinhos de diferentes classes sociais e etnias e desde cedo aprendi a respeitar e não julgar ninguém por sua condição econômica ou pela sua cor/raça. Em 2009 me formei e entrei no 1° ano do ensino fundamental era muita novidade para absorver e ao chegar na famosa “escolona” (como chamávamos a escola estadual do lugarejo, o sonho de toda criança) pude então mostrar as minhas habilidades com as matérias pois já sabia ler e escrever, conseguia também ajudar os meus colegas que não tinham essa mesma facilidade, e tinham um processo mais lento de aprendizado. No 2° e 4° ano tive a mesma professora e ela era incrível, amava ajudá-la a confeccionar letras em E.V.A e flores para as mães em papel crepom, ao chegar, antes de entrar em sala de aula tínhamos que aguardar em fileira na porta onde as meninas ficavam de um lado e os meninos de outro, não entendia o porquê mas adorava chegar mais cedo para ser uma das primeiras. Tive no terceiro ano a melhor professora do ensino fundamental, claro que as outras também foram boas mas essa em especial tinha suas particularidades que a tornavam única e o seu nome era Leide (in memória) ela acreditava realmente no potência da nossa turma e uma era de seu costume dizer que brilhávamos. O 5°ano passou rápido e como os outros foi também muito significativo para o nosso conhecimento e contribuiu muito para a entrada no ensino fundamental 2 que em poucas palavras para o defini-lo, proporcionou muitas emoções, novos colegas e momentos inesquecíveis na minha vida para crescimento pessoal. Tenho muito orgulho de dizer que estudei e fiz parte da EEJAS[footnoteRef:2] onde tinha os melhores profissionais desde a sala de aula, passando pela cantina até a secretaria, pessoas capacitadas para ensinar e que era possível ver que não era apenas mais uma profissão ou obrigação estar ali, muitos estavam porque realmente gostavam e encontravam prazer no que fazia. [2: Escola Estadual João Alves dos Santos, rede de ensino onde estudei durante todo o ensino fundamental ] Em dezembro de 2018 realizei uma prov0a para um processo seletivo onde se aprovada daria início ao ensino médio em um rede de ensino federal pelo IFNMG[footnoteRef:3]. Não consegui entrar na primeira chamada, mas depois de um tempo, já desacreditada, no mês de março consegui passar pelo chamadão (um processo pelo qual se reúne todos os candidatos que não passaram nas chamadas anteriores para uma chamada presencial) fui aprovada e comecei a fazer o curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio. [3: Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, instituição de ensino de rede pública com cursos técnicos integrados ao ensino médio e também com ensino superior.] Aos 15 anos de idade estava eu em outra cidade já tendo que lidar com uma vida “adulta” , por ventura tinha a minha irmã comigo que também foi morar lá por conta dos estudos . De início qualquer pessoa tende a estranhar um lugar novo e comigo não foi diferente, passou rápido e me senti muito bem acolhida, o pessoal de Januária são receptivos e acolhedores e em pouco tempo já estava me sentindo em casa. A base de estudo que a instituição me proporcionou é a melhor que já tinha visto, professores altamente qualificados, a qualidade de ensino era outro nível e por ter morado tanto tempo em um lugar pequeno, onde o ensino era básico, me senti um tanto quanto deslocada de início no aprendizado, desconstruí todo aquele conceito de ser uma pessoa extremamente inteligente que sabia de tudo e quando me deparei com algo fora da minha realidade que comecei a pegar o ritmo dos outros colegas e de conseguir acompanhar todas as aulas e entender o que era passado. Fui, assim como toda a população, surpreendida com uma pandemia global onde o que era para ser uma quarentena de quinze dias se tornou uma de um pouco mais de 2 anos, onde já pode se tirar que os meus últimos dois anos de ensino médio não foi dos melhores. Logo que entrou a pandemia retornei para a minha cidade natal e enquanto a instituição não conseguiu ver uma forma de atender todos os alunos para que tivéssemos aulas a distância de forma confortável e que garantisse qualidade de ensino e acesso não houve aula, até que em setembro as aulas online começaram. Não tive o melhor desempenho no EAD, o meu rendimento caiu e acabei me acomodando quanto as estudos o que me prejudicou de certa forma até na hora de decidir o que fazer assim que terminasse o ensino médio, me formei online e nesse meio tempo já havia entrado na faculdade. Mais uma vez eu estava mudando de cidade por conta dos estudos, meus pais já se acostumaram e dizem que pais criam os filhos para o mundo mesmo. Montes Claros, a minha nova cidade, onde tive o privilégio de vir morar para estudar na renomada Unimontes[footnoteRef:4]. A princípio eu não sabia o que queria fazer, muito menos para onde ir, eu sempre quis ser ou fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo e sempre fui também uma pessoa muito indecisa quando se trata de fazer algo por mim e talvez isso tenha implicado nas minhas escolhas, o que eu posso dizer é que não é fácil esse estigma que a sociedade impõe sobre você já ter que sair do ensino médio sabendo o que quer e ter que fazer uma faculdade se quiser ser alguém na vida, não que seja algo obrigatório mas sempre vai ter alguém cobrando isso de você. Assim que eu cheguei na universidade me deparei com a greve dos professores, ficamos então um mês sem aula, nesse meio tempo teve alguns encontros como o café da manhã para os calouros encontrar os veteranos e os professores, onde foi possível falar sobre as expectativas do curso, o porquê de ter escolhido aquele curso e onde você esperava chegar e de início ou talvez até hoje, eu não saiba dizer com certeza o porquê. [4: Universidade Estadual de Montes Claros ] No início ficava dia e noite no site da Unimontes procurando com qual curso eu me identificava desde às ciências exatas até as humanas e sempre fiquei receosa com todas, decidi colocar na 1° opção algo que acreditava que queria e que ao meu ver seria mais fácil de conseguir estágios/empregos na área e o curso escolhido foi Administração mesmo sabendo que não sou tão boa com números assim, acabei ficando em 8° de 5 vagas, ou seja, não consegui. Na segunda opção coloquei algo que sabia que conseguiria que foi a Ciências Sociais e não tinha a mínima idéia do que se tratava, mas logo pelo nome era possível chegar a conclusão que se tratava de um estudo da sociedade e então toda vezque alguém me perguntava o que era, eu dizia isso. “ Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve” (Alice no país das maravilhas). Sempre soube que é mais fácil lidar com os números do que lidar com pessoas pois os números sempre terá uma fórmula que fará chegar a uma conclusão e as pessoas para mim são uns verdadeiros enigmas. Descobrindo a sociologia Não vou negar que em um primeiro momento foi de completa estranheza, como o meu ensino médio foi praticamente remoto não tive um estudo aprofundado nessa área. Hoje apesar do pouco tempo, já tenho uma visão diferente da nossa sociedade, querendo ou não acabamos ficando mais atentos a tudo que está acontecendo e a todos os movimentos assim passamos à ser aquelas pessoas "chatas" que tudo começa a questionar, mas também queremos ouvir é claro. Segundo Giddens a sociologia é o estudo da vida social humana, grupos e sociedades. É uma tarefa fascinante e constrangedora, na medida em que o tema de estudo é o nosso próprio comportamento enquanto será sociais. A esfera de acção do estudo sociológico é extremamente abrangente, podendo ir da análise de encontros casuais entre indivíduos que se cruzam na rua até à investigação de processos sociais globais (2008, p.2). Assim, pude observar diversos fatos, alguns me incluíam até. Estava trabalhando em uma determinada empresa onde era refém de um trabalho repetitivo durante 6 horas, por esse período de tempo não acontecia nada de diferente além de fazer a mesma coisa e repetir as mesmas palavras, e ouvir gritos e reclamações de supervisores algo que se não souber lidar acaba comprometendo o psicológico. Foi possível associar esse tipo de trabalho ao filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin onde o trabalhador da fábrica enlouquece por conta do trabalho repetitivo e sai fora de si. Quanto mais você trabalha menos tem para consumir, logo de duas, uma, ou o dinheiro perdeu o valor ou o trabalho não é mais valorizado “(...) quanto mais o trabalhador produz, menos terá para consumir, quanto maior o valor que cria menos valioso se torna” (GUIDDENS, Anthony, Capitalismo e Moderna Teoria, p.40). Ao saber que a sociologia em pouco tempo já me permitiu ter uma outra visão do que acontece em nossa sociedade, saber o que ela pode me proporcionar em um período de tempo maior é muito satisfatório e ao mesmo tempo curioso. Acredito que seja a curiosidade que me fará ser uma boa cientista social, pois se não ousar a procurar e me permitir, do que adiantará todo o processo até a formação e depois dela. Em uma palestra organizada pelo curso de ciências sociais, a convidada Thamires Nunes, ex acadêmica do curso hoje já formada me chamou a atenção quando disse a seguinte frase: - A ciências sociais nos ensina a ser gente. Hoje posso afirmar que é isso que eu quero, como ela diz a ser gente, se permitir, entender, ensinar e não ficar em um mundo restrito tendo o meu eu como o centro de tudo. Estudamos também sobre Émile Durkheim um grande escritor muito importante para sociologia, vimos dois livros; As regras do método Sociológico e O Suicídio, ambos nós transmitiram muito conhecimentos e discussões, positivas é claro. Em as regras do método sociológico o autor começa a nos falar sobre o que é um fato social " Eis portanto uma ordem de fatos que apresentam características muito especiais: consistem em maneiras de agir, pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo e que são dotadas de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se impõe a ele" (DURKHEIM, 1999. p.3). O autor também nos fala que "É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção anterior" (DURKHEIM,1999. p.13). Já o livro o Suicídio, foi dividido em grupos para ser estudado e apresentado e o meu grupo ficou com o suicídio Egoísta e foi possível concluir que ele também é um fato social, geralmente é cometido por indivíduos que não estão devidamente integrados a sociedade e se encontram isolados dos grupos sociais “chama de suicídio todo caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo, realizado pela própria vítima e que ela sabe que produziria esse resultado”(DURKHEIM, 2000. p.14). A arte que é a Política No início acreditei que a aula de política seria aquela típica aula onde o professor fica falando bem apenas do partido que acredita ser melhor e detonando a oposição e estava totalmente equivocada. Weber nos diz que “A tarefa do professor é servir aos alunos com o seu conhecimento e experiência e não impor-lhes suas opiniões políticas pessoais”. Com o nosso atual professor eu pude conhecer melhor sobre suas experiências tanto durante sua vida acadêmica quanto profissional. O primeiro livro que começamos a estudar foi sobre Maquiavel, onde foi possível perceber que a lógica da força era algo vigente no pensamento do mesmo pois para ele usar o medo seria uma forma de manter a ordem. Maquiavel nos fala também que se o príncipe quiser continuar sendo príncipe ele não deve usar apenas a bondade “assim, é necessário a um príncipe que deseja manter-se príncipe aprender a não usar [apenas] a bondade, praticando-a ou não de acordo com as injunções” (O Príncipe, 1998. p.73). O livro também apresenta a questão sobre ser temido ou amado. Nesta hipótese “é mais seguro ser temido do que amado, quando se tem de desistir de uma das duas, isto porque os homens têm menos receio de ofender a quem se faz amar do que a outro que se faça temer” (MACHIAVELLI, 1998. p.80). Em seguida começamos a estudar Hobbes, um contratualista onde para ele a origem do Estado e/ou sociedade está num contrato onde os homens viveriam, natural sem poder de organização; onde somente depois de estabelecerem regras de convívio social e através de pacto firmado por eles que surgiria este contrato. Hobbes defendia a teoria absolutista, para ele o a divisão do poder o enfraquecida e por isso o poder deveria ser tido como único e centralizado. O homem vivendo em seu Estado natural e sem alguém para manter a ordem faria do mundo em que vivemos um verdadeiro caos, pois, mesmo já tendo regras o mundo já se encontra com tantos casos de agressão física, psicológica e até mesmo mortes, o que Hobbes defende é que é necessário ter alguém para impor as regras (Estado) para que as pessoas possam conseguir viver, está no ser humano se sentir perseguido, traído, poderoso, os homens não tinham prazer de conviver com os seus semelhantes no Estado de natureza. Hobbes salienta que “enquanto ainda existir uma situação onde os homens possam se atacar mutuamente e não houver segurança entre eles, tais homens irão continuar estado de guerra, e desse modo, todas as suas ações serão empregadas no sentido de se defender, de se proteger (HOBBES, 2010). Em o príncipe, Maquiavel nos fala também que se o príncipe quiser continuar sendo príncipe ele não deve usar apenas a bondade “assim, é necessário a um príncipe que deseja manter-se príncipe aprender a não usar [apenas] a bondade, praticando-a ou não de acordo com as injunções” (MACHIAVELLI, 1998. p.73). Trilhando pela Filosofia A filosofia na faculdade ao meu ver tem uma linguagem mais complexa, melhor dizendo, científica e logo introduzimos com o livro de Marilena Chauí chamado "Convite à filosofia". O professor João Roberto introduziu a aula nos falando sobre o senso comum parte do livro já citado e para a aula da seguinte semana dividiu-se a sala em grupo de quatro pessoas e cada grupo ficou responsável de explicar um capítulo. As ciências humanas foi o que ficou para o meu grupo ler, discutir e apresentar. Mas o que seria essa ciências humanas? Segundo a Marilena Chauí; “embora seja evidente que toda e qualquer ciência é humana, porque resulta da atividade humana de conhecimento, a expressão "ciências humanas" refere-se aquelas ciências que tem o próprio ser humano como objeto" (p. 284). A Ciências Sociais é também uma ciência humana pois temos a sociedade, o homem, como nosso objeto de estudo desde os primórdios os tempos até os dias atuais. Os campos de estudo das ciênciashumanas são diversos temos: a psicologia, sociologia, economia, antropologia, história, linguísticas e psicanálise, cada uma com uma forma de investigação diferente sobre o mundo, a evolução do ser humano e seus movimentos, modo de viver etc. As dinâmicas das aulas seguem neste mesmo roteiro ler entender e discutir mostrar o que entendeu, produzir textos e aprimorar ainda mais o conhecimento sobre essa grande área que a filosofia. O livro de Karl Popper “A lógica da pesquisa científica “ tem uma linguagem mais complicada e não tão fácil o entendimento. Um cientista nunca vai pegar algo e expor sem antes ter tido todo um procedimento de testes e observações. O autor divide diversos tópicos começando por; O problema da indução. O que seria? O problema da indução não vai ser ou não vai poder nos dar uma verdade exclusivamente lógica, como é por exemplo, na matemática onde terá todo um macete que vai te dá de forma exata que 2+2 são 4, então se fosse possível nos dá uma verdade exclusivamente lógica não seria capaz de ter esse problema de indução pois dessa forma, em tal caso, todas as inferências indutivas seriam encaradas como uma transformação puramente, exclusivamente lógica da mesma forma que é nas inferências no campo da lógica dedutiva. Segundo Popper “o princípio da indução há de constituir-se num enunciado sintético, ou seja , enunciado cuja negação não se mostre contraditória, mas logicamente possível. Dessa maneira, surge a questão de saber por que tal princípio deveria merecer aceitação e como poderíamos justificar-lhe a aceitação em termos racionais. “A esta altura, sinto autorizado a deixar de considerar o fato de os adeptos da Lógica Indutiva aceitarem uma idéia de probabilidade, que rejeitarei posteriormente, por considerá-la assaz insatisfatória justamente para os propósitos que eles têm em vista. Parece-me procedente agir assim, porque as dificuldades mencionadas em nada diminuem se falarmos em probabilidade” (POPPER, 2007. p.30). Em seu último tópico do capítulo 1 o autor trata da objetividade científica e convicção subjetiva, “as palavras “objetivo” e “subjetivo” são termos filosóficos pesadamente onerados por uma tradição de usos contraditórios e de discussões intermináveis e inconcludentes” (POPPER, 2007. p.46). “Quero apenas que todo enunciado científico se mostre capaz de ser submetido a teste. Em outras palavras, recuso-me a aceitar como verdadeiros, simplesmente pela circunstância de não parecer possível, devido a razões lógicas, submetê-los a teste” Conhecer a Antropologia A antropologia me permitiu quebrar vários estigmas e preconceitos formados influenciados talvez pela sociedade que já emprega desde o nosso nascimento sobre o que é certo e errado na concepção dela. Apresentei um seminário sobre o livro de Everardo Rocha onde o assunto era "o que é etnocentrismo?" Pude perceber que o etnocentrismo é algo corriqueiro na nossa sociedade, nada mais é do que colocar a sua cultura como superior, melhor, o centro de tudo, como se todos os outros tivesse errado e ao invés de se permitir e ter a curiosidade de conhecer melhor acaba julgando às vezes nem só com palavras mas com o olhar e atitudes. " Este problema não é exclusivo de uma determinada época nem de uma única sociedade. Talvez o etnocentrismo seja, dentre os fatos humanos um daqueles de mais unanimidade" (p.8) Não é algo exclusivamente da nossa sociedade os Bantus (etnia comum do vale do rio Congo) por exemplo utilizavam a palavra Bantus para definir seres humanos então quanto mais próximo fossem os outros povos mais "Bantus" seriam e quanto mais distantes menos seriam, isso é uma visão etnocêntrica, e a antropologia me permitiu saber e tomar conhecimento disso em pouco tempo de estudos. A professora Cláudia luz nos permitiu de viver de perto como verdadeiros antropólogos na nossa primeira visita técnica onde fomos visitar a roça de candomblé Makuazenza, e chegando lá fomos muito bem recebidos onde as pessoas são muito educadas e receptivas. Foi possível chegar a conclusão de que não era nada do que vem sendo imposto pelas pessoas, as coisas ruim que falavam e da mesma forma que temos a liberdade de orar, de ouvir música, dançar eles também têm e não são doidos, esquisitos ou anormais como ouvimos por aí, cada cultura de acordo achar o melhor e lhes forme ofertado e não cabe a nos julgar a escolha dos outros. O escritor Everardo Rocha nos diz que "A ida ao “outro” se faz alternativa para o “eu”. O plano onde as diferenças se encontram, onde o “eu” e o “outro” se podem olhar como iguais, onde a comparação se traduz num enriquecimento de possibilidades existenciais, é o plano mais amplo e profundo de um humanismo do qual o etnocentrismo se ausenta" (p. 35) "Acho que a Antropologia sempre soube, mesmo em seus momentos mais distantes, que conhecer a diferença, não como ameaça a ser destruída, mas como alternativa a ser preservada, seria uma grande contribuição ao patrimônio de esperanças da humanidade" (p.28). A antropologia permite que quebramos o tabu de acreditar de que a sociedade é da forma que a gente quer, que apenas o meu "eu" está correto, e que não é porque escolhi viver de determinada forma que todos teriam que fazer o mesmo. “Tudo isso indica que a Antropologia, para compreender o “outro”, se obriga sistematicamente a sair das concepções da sociedade do “eu”. Qualquer que seja a arena onde se discute a cultura humana, seja no “parentesco” ou na “economia”, seja na “individualidade” ou na “história”, a compreensão do “outro” chega a um ponto irreversível: a recusa de assumir a sociedade do “eu” como juízo final onde se encontra a verdade” (ROCHA, p. 92) Aí também, no encontro entre o “eu” e o “outro”, emerge uma compreensão do ser humano, a um só tempo, problematizada e generosa. Referências CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Editora: Ática. DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. 2. Ed. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1999. DURKHEIM, Émile. O Suicídio. São Paulo: Martins Fontes, 2000. (Coleção tópicos) GUIDDENS, Anthony. Sociologia. 6. ed. Av. De Berna – Lisboa. Editora: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008. GUIDDENS, Anthony. Capitalismo e moderna teoria social. 6. ed. Queluz de Baixo- Barbacena. Editora: Editorial Presença Lda, 2000. HOBBES, Thomas. Os elementos da Lei natural e política. Tradução Bruno Simões. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. LISPECTOR, Clarisse. Perto do Coração Selvagem. São Paulo, 2012. Disponível em: https://www.dobrasvisuais.com.br/2012/03/o-que-e-fotografia-clarice-lispector-por-rose-may/. Acesso em: 27 jul.2022 MACHIAVELLI, Niccolo. O Príncipe. Porto Alegre. Editora: L&PM editores, 1998. POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. Tradução de Leonidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota. São Paulo: Editora Cultrix, 2007. ROCHA, Everardo. O que é etnocentrismo. 11.ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994. 4