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1 A IMPORTÂNCIA DO ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO PARA A PREVENÇÃO DE ACIDENTES: Uma Análise Bibliográfica Maria Celina Rudnik RESUMO O presente artigo tem como propósito apresentar a importância do engenheiro de segurança do trabalho para a prevenção de acidentes. Para tanto, preliminarmente abordou-se o significado de acidentes do trabalho. Na sequência, analisou-se a definição de segurança do trabalho e qual a importância do CIPA. Após, foi apresentado as normas regulamentadoras que devem ser seguidas e a importância do uso de equipamentos de segurança. Em seguida, o estudo apresenta como funciona o trabalho de um engenheiro de segurança do trabalho. A relevância do estudo é justificada pela importância de um profissional de segurança do trabalho para evitar acidentes que tragam riscos à saúde e vida dos colaboradores. Palavras-Chave: Segurança; Engenharia; Prevenção. 1 INTRODUÇÃO A presente pesquisa possui como objetivo geral a análise, através de informações obtidas em perquirição bibliográfica, sobre a função, natureza e importância do Engenheiro de Segurança do Trabalho dentro de uma empresa, especialmente em relação ao papel desempenhado para evitar acidentes do trabalho. Mesmo nos dias atuais, com notórios avanços na tecnologia e conhecimentos sobre segurança, os padrões de organização do trabalho propiciam a ocorrência de danos para os colaboradores, sendo em acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais que podem resultar até mesmo em invalidez permanente ou morte. Os maiores desafios para a saúde do trabalhador são os acidentes do trabalho, que acontecem não pela ausência de legislação, mas pelo não cumprimento das normas de segurança, as quais tem como objetivo a proteção da integridade física do trabalhador na atuação de suas atividades, assim como o controle de perdas. Além do descumprimento das normas, ocorre falta de fiscalização e pouca conscientização dos empregadores (MATTOS e MÁSCULO, 2011). 2 Dessa forma, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, 2020), os acidentes de trabalho são considerados um problema de saúde pública, já que são acontecimentos potencialmente fatais e incapacitantes aos trabalhadores, episódios que provocam consequências econômicas e sociais. Ademais, são os culpados pelo maior número de mortes e incapacidades graves causados pelo trabalho em todo o mundo. Neste sentido, os profissionais de segurança do trabalho surgem para garantir a integridade dos colaboradores, diminuir custos eventuais gerados por acidentes, e melhorar o ambiente de trabalho das empresas. Daí surge o questionamento: qual é importância do uso eficaz da segurança do trabalho dentro de uma empresa? E mais, o engenheiro de segurança do trabalho realmente pode agregar a uma organização, otimizando os processos de segurança e ajudando a prevenir acidente do trabalho? São essas as questões que justificam esta pesquisa, isto é, para uma análise sobre a contribuição de um profissional qualificado na segurança do trabalho para uma organização. Deste modo, deixando claro o peso da matéria, é possível ponderar sobre a valorização e necessidade dos métodos em estudo. Assim, o presente trabalho foi realizado com os questionamentos norteadores acima, verificando, através de bibliografia correlata, o conceito de segurança do trabalho, normas regulamentadoras e aplicação dentro de uma empresa. Além disto, é realizada análise sobre a atuação de um engenheiro de segurança do trabalho. Destarte, considerando a importância da aplicação da engenharia e segurança do trabalho para o desenvolvimento total das empresas, a pesquisa explicativa realizada, por consequência, analisou a importância da utilização de um engenheiro de segurança do trabalho, profissional essencial para a garantia da vida e a saúde dos trabalhadores, conforme adiante exposto. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 Acidentes do Trabalho Referindo-se à acidente de trabalho, primeiramente, é necessário saber sua definição. De acordo com Gardinalli (2015), trata-se de um episódio inesperado decorrente do exercício da função do trabalhador a serviço da empresa, causando-o lesão corporal, perda ou 3 diminuição, permanente ou temporária, da capacidade de trabalhar ou até mesmo levando a morte. A Lei n.8.213 de 24 de julho de 1991 dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social. De acordo com o art. 20, da mencionada lei, ponderam-se acidentes do trabalho, as seguintes formas: I. Doença profissional, de tal modo abrangida pelo exercício do trabalho peculiar a alguma atividade e constante da respectiva relação formada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; II. Doença do trabalho, adquirida em atribuição de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. Em complemento, o art. 21 da mencionada lei, correspondem também a acidente do trabalho: I. O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação; II. O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de: a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho; d) ato de pessoa privada do uso da razão; e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior; III. A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade; IV. O acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: a) Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; 4 b) Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; c) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; d) No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. De acordo com Silva (2014), os acidentes são provocados por atitudes indevidas ou por condições impróprias de trabalho. Tais atitudes indevidas cometidas pelos empregados, podem provocar acidentes, enquanto as condições impróprias são aquelas presentes no ambiente de trabalho que podem gerar um acidente - ligadas direta ou indiretamente ao trabalhador - e proporcionam riscos de acidentes durante o desenvolvimento das atividades. O número de Acidentes do Trabalhos ocorridos no Brasil, são alarmantes. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, em 2022, o número total de acidentes de trabalho no Brasil foi de 612,9 mil, o que procede na média de 69 acidentes por hora. Em 2023, do total de acidentes, 2.538 resultaram em mortes de trabalhadores e quase 19 mil ficaram incapacitações permanentemente (ALMEIDA, 2024). Qualquer acidente de trabalho ocasiona perdas econômicas, podendo ser ao acidentado, ao empregador ou ainda ao país, de forma direta e indiretamente poderá causar despesas conexas a cuidados médicos ao acidentado, benefícios e outros fatores (SAAD, 1981). Os acidentes de trabalho também acarretam amplos custos para o governo, sendo na autorização de aposentadorias e auxílios para as vítimas do acidente ou pensões para os dependentes do segurado, em casos de morte. Atos prevencionistas básicos poderiam impedir o acontecimentodesses acidentes e diminuir o elevado valor a ser pago por toda a sociedade (GARCIA, 2016). Para fazer a prevenção de acidentes do trabalho deve-se elaborar planos capazes de evitar ou diminuir suas ocorrências. Para que isso aconteça, a gestão da segurança a saúde do trabalhador precisa fazer parte da gestão da empresa e não apenas ser abordada como um item que necessita ser sustentado para cumprir a legislação. Um profissional prevencionista 5 se aproveitará, no decorrer de sua atuação, de várias ferramentas eficazes para essa prevenção (MATTOS e MÁSCULO, 2011). Desta maneira, nota-se que para garantir o valor da vida dos colaboradores de uma empresa e para preservar seu capital patrimonial, a empresa precisa investir em segurança do trabalho. 2.2 Segurança do Trabalho A segurança do Trabalho pode ser definida como um conjunto de medidas técnicas, administrativas, médicas e, especialmente, educacionais e comportamentais, as quais devem ser utilizadas com o objetivo de prevenir acidentes, e extinguir condições e procedimentos inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho ressalta também a importância de meios de prevenção postos para garantir a integridade e a capacidade de trabalho do contribuinte (FERREIRA e PEIXOTO, 2012). Por sua vez, Silva (2014) cita que a segurança do trabalho deve ser vista como um agente de produção que se atenta com a prevenção da integridade física do trabalhador, que estuda e identifica os fatores de risco e causas de acidentes e doenças ocupacionais avaliando seus ímpetos e efeitos. É, pois, a ciência com a meta de indicar medidas de intervenção técnica nos ambientes de trabalho de caráter a prevenir todas os feitios de agravos à saúde do colaborador. Este tópico tem se tornado uma grande preocupação da sociedade moderna. A prevenção de acidentes em projetos ou empreendimento é critério que abrange a diminuição dos elevados custos humanos e o consequente progresso das condições sociais (MARTINS et al, 2010). Dentro desse contexto, nasce a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), conjunto de pessoas formado por representantes dos empregados e do empregador, preparados para contribuir na prevenção de acidentes. A CIPA avalia que o acidente de trabalho é obra de causas que podem ser abolidas ou enfraquecidas (FERREIRA e PEIXOTO, 2012). A CIPA foi criada pelo Governo Federal no ano de1940, tendo como alvo a redução do amplo número de acidentes de trabalho nas empresas. O foco dessa comissão é localizar meios e soluções eficazes em fornecer segurança ao local de trabalho e ao trabalhador. O 6 colaborador que atua junto ao CIPA é o elo entre o empregador, os Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) e os empregados (SILVA, 2014). No plano normativo, a NR 05 estabelece parâmetros sobre a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, e determina as principais atribuições da CIPA (BRASIL, 1978), sendo: a) Acompanhar o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos bem como a adoção de medidas de prevenção implementadas pela organização; b) Registrar a percepção dos riscos dos trabalhadores, em conformidade com o subitem 1.5.3.3 da NR-01, por meio do mapa de risco ou outra técnica ou ferramenta apropriada à sua escolha, sem ordem de preferência, com assessoria do Serviço Especializado em Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT, onde houver; c) Verificar os ambientes e as condições de trabalho visando identificar situações que possam trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; d) Elaborar e acompanhar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva em segurança e saúde no trabalho; e) Participar no desenvolvimento e implementação de programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; f) Acompanhar a análise dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, nos termos da NR-1 e propor, quando for o caso, medidas para a solução dos problemas identificados; g) Requisitar à organização as informações sobre questões relacionadas à segurança e saúde dos trabalhadores, incluindo as Comunicações de Acidente de Trabalho - CAT emitidas pela organização, resguardados o sigilo médico e as informações pessoais; h) Propor ao SESMT, quando houver, ou à organização, a análise das condições ou situações de trabalho nas quais considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores e, se for o caso, a interrupção das atividades até a adoção das medidas corretivas e de controle; 7 i) Promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho - SIPAT, conforme programação definida pela CIPA; j) Incluir temas referentes à prevenção e ao combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho nas suas atividades e práticas. Essenciais para a segurança do trabalhado são as Normas Regulamentadoras (NRs). Criadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), elas abrangem uma série de medidas e disposições que devem ser seguidas visando a integridade física do trabalhador e a responsabilidade trabalhista do empregador, qual é encarregado pelo não cumprimento das NRs. 2.3 Normas Regulamentadoras e a Importância do uso de Equipamentos de Segurança As NRs são de execução obrigatória pelas empresas públicas e privadas estabelecidas no país. Determina as diretrizes a serem cumpridas o capítulo V da Lei n.6.514, de 22 de dezembro de 1977, que dispõe sobre Consolidação das Leis do Trabalho (MATTOS e MÁSCULO, 2011). As primeiras normas regulamentadoras foram publicadas pela portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978 do Ministério do Trabalho. Ao longo dos anos foram elaboradas as demais normas, a fim de ampliar as garantias de segurança e saúde de trabalhadores. O desenvolvimento e a revisão das normas regulamentadoras são realizados seguindo o sistema tripartite paritário, recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), através de comissões integradas por representantes do governo, de empregadores e de trabalhadores (MTE, 2020). Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, as normas regulamentadoras em vigor são: • NR-1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais; • NR-3 – Embarco e Interdição; • NR-4 – Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho; • NR-5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; • NR-6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPI; • NR-7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional; https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/1978/portaria_3-214_aprova_as_nrs.pdf 8 • NR-8 – Edificações; • NR-9 – Avaliação e Controle das Exposições Ocupacionais a Agentes Físicos, Químicos e Biológicos; • NR-10 – Segurança em Instalação e Serviços em Eletricidade; • NR-11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais; • NR-12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos; • NR-13 – Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações e Tanques Metálicos de Armazenamentos; • NR-14 – Fornos; • NR-15 – Atividades e Operações Insalubres; • NR-16 – Atividades e Operações Perigosas; • NR-17 – Ergonomia; • NR-18 – Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção; • NR-19 – Explosivos; • NR-20 – Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis; • NR-21 – Trabalhos a Céu Aberto; • NR-22 – Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração; • NR-23 – Proteção Contra Incêndios; • NR-24 – Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho; • NR-25 – Resíduos Industriais; • NR-26 – Sinalização de Segurança; • NR-28 – Fiscalização e Penalidades; • NR-29 – Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho Portuário; • NR-30 – Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário; • NR-31- Segurança e Saúde no Trabalhona Agricultura, Pecuária Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura; • NR-32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde; • NR-33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados; • NR-34 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, Reparação e Desmonte Naval; • NR-35 – Trabalho em Altura; 9 • NR-36 – Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados; • NR-37 – Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo; • NR-38 – Segurança e Saúde no Trabalho nas Atividades de Limpeza Urbana e Manejo de Resíduos Sólidos. Sobre as disposições legais e regulamentares, Texeira (2005) descreve que, em caso de não cumprimento, tal ação causará ao empregador a aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente. A responsabilidade civil refere-se não só ao real empregador, bem como todos aqueles que, de alguma maneira, possam ter colaborado para a ocorrência do acidente. Já para o empregado, é constituído ato faltoso a recusa do cumprimento das NRs, conforme disposto no art. 158 da Lei n.6.514, de 22 de dezembro de 1977, que dispõe sobre Consolidação das Leis do Trabalho. A utilização dos Equipamentos de Proteção Individual é regulamentada pela NR 6, sendo que o empregador deve fornecer estes equipamentos, fiscalizar o uso por parte de seus empregados, bem como promover ações e treinamentos que conscientizem os seus colaboradores da importância do uso dos EPI’s (MATTOS e MÁSCULO, 2011). EPI é definido como um aparelho ou produto de utilização individual pelo trabalhador, arquitetado e produzido com o objetivo de fornecer proteção contra os riscos ocupacionais existentes no ambiente de trabalho (BRASIL, 1978). O Anexo I da NR 6 (BRASIL, 1978), lista os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), sendo eles: A. EPI para proteção da cabeça: capacete e capuz ou balaclava; B. EPI para proteção de olhos e face: óculos, protetor facial e máscara de solda; C. EPI para proteção auditiva: protetor auditivo circum-auricular, de inserção e semiauricular; D. EPI para proteção respiratória: respirador purificador de ar não motorizado, respirador purificador de ar motorizado, respirador de adução de ar tipo linha de ar comprimido, respirador de adução de ar tipo máscara autônoma e respirador de fuga; E. EPI para proteção do tronco: vestimenta para proteção do tronco contra agentes térmicos, mecânicos, químicos, radiação ionizantes, umidade proveniente de precipitação pluviométrica e umidade proveniente de 10 operações com utilização de água. E em casos específicos colete à prova de balas; F. EPI para proteção dos membros superiores: luvas, mangas, braçadeira, creme protetor de segurança para proteção dos membros superiores contra agentes químicos e dedeira para proteção dos dedos contra agentes abrasivos e escoriantes. G. EPI para proteção dos membros inferiores: calçados, meias, peneiras e calças; H. EPI para proteção do corpo inteiro: macacão e vestimentas de corpo inteiro; I. EPI para proteção contra quedas de diferença de nível: cinturão de segurança com dispositivo trava-queda e cinturão de segurança com talabarte. Os equipamentos que protegem diversos trabalhadores ao mesmo tempo e otimizam o ambiente de trabalho são denominados de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC). Os EPCs são dispositivos empregados no local de trabalho com a intenção de proteger os empregados dos riscos recorrentes no local. Regularmente, os EPCs envolvem facilidades para os processos industriais e diminuem os efeitos de perdas em função de melhorias nos ambientes de trabalho. Equipamentos de proteção coletiva normalmente utilizados são os extintores de incêndio, sinalização de segurança e a devida proteção de partes de máquinas e equipamentos (BARSANO e BARBOSA, 2015). O engenheiro de segurança do trabalho tem o dever junto ou de acordo com o Serviço Especializado em Engenharia em Segurança e Medicina do trabalho (SESMT) e a CIPA, de determinar o tipo apropriado de equipamentos a serem utilizados - os quais precisam ser de acordo com os riscos que o trabalho oferece, as condições de trabalho - e estabelecer qual parte do corpo do funcionário deverá ser protegida e qual trabalhador deverá usar o EPI (ROSSO e OLIVEIRA, 2005). Outra questão importante é o treinamento dos trabalhadores durante o processo de utilização dos EPIs. Trata-se de fase essencial para conscientizar o trabalhador e apresentar todas as instruções pertinentes sobre a maneira correta de utilizar os equipamentos. Incumbe ao setor de segurança da empresa, juntamente com o engenheiro de segurança do trabalho, estabelecer o sistema de controle adequado. 2.4 O Trabalho do Engenheiro de Segurança do Trabalho 11 A necessidade de promover condições apropriadas para a execução de todas as atividades dentro da organização, prevenindo acidentes e doenças ocupacionais, induz as empresas à procura de profissionais com aptidões específicas nesta área, capazes de trabalhar com a questão da segurança de forma ampla e eficaz. Para aquisição dos conhecimentos necessários, os profissionais graduados em qualquer uma das áreas da engenharia, devem cursar uma pós-graduação em nível de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, para então serem habilitados como especialistas em Segurança do Trabalho na gestão, prevenção e controle de riscos de acidentes nos ambientes de trabalho e nas atividades laborais dos setores produtivos da sociedade. Por consequência, favorece um melhor desempenho nas atividades profissionais e docentes em relação à prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais (MARTINS et al, 2010). De acordo com Rodrigues e Jahesch (2009), o Engenheiro de Segurança do Trabalho é o profissional que possui como objetivo à segurança do trabalhador em todas as instâncias de sua atuação dentro de uma empresa. É ele quem avalia o ambiente de trabalho, condições de higiene e segurança. Ainda, verifica se as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e emprego estão sendo adotadas, para que o colaborador não seja oprimido ou tratado de feitio sub-humano pelos seus patrões. Os deveres de um Engenheiro de Segurança do Trabalho são: proporcionar informações e auxiliar na elaboração de manuais, normas e programas de treinamento, referentes à segurança e prevenção de acidentes, padronizando os processos de trabalho; garantir que os materiais de segurança, uniformes e EPIs, sejam adequados às necessidades e condições de riscos; validar sistemas de combate a incêndios; avaliar escopos técnicos, emitir laudos, pareceres e relatórios; coordenar a interface entre os vários setores envolvidos na implantação de projetos, no que refere-se a área de segurança do trabalho; e coordenar junto as empresa projetistas, de construção e montagem, as tarefas de segurança no trabalho (GARCIA, 2016). Ainda sobre o exposto acima, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA, com a resolução n. 359 de 31 de julho de 1991, dispõe sobre o exercício profissional, o registro e as atividades do Engenheiro de Segurança do Trabalho e dá outras providências. De acordo com o art. 4 as atividades desses profissionais dentro dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT são: 1. Supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente; https://normativos.confea.org.br/Ementas/Visualizar?id=407 12 2. Estudar as condições de segurança dos locais de trabalho, especialmente aos problemas de controle de risco, controle de poluição, higiene do trabalho, ergonomia, proteção contra incêndio e saneamento; 3. Planejar e desenvolver a implantação de técnicas relativas a gerenciamento e controle de riscos; 4. Vistoriar, avaliar, realizar perícias, emitir parecer, laudos técnicos e indicar medidas de controle sobre grau de exposiçãoa agentes agressivos de riscos físicos, químicos e biológicos, tais como poluentes atmosféricos, ruídos, calor, radiação em geral e pressões anormais, caracterizando as atividades, operações e locais insalubres e perigosos; 5. Analisar riscos, acidentes e falhas, investigando causas, propondo medidas preventivas e corretivas; 6. Propor políticas, programas, normas e regulamentos de Segurança do Trabalho; 7. Elaborar projetos de sistemas de segurança e assessorar a elaboração de projetos de obras, instalação e equipamentos; 8. Estudar instalações, máquinas e equipamentos, identificando seus pontos de risco e projetando dispositivos de segurança; 9. Projetar sistemas de proteção contra incêndios, coordenar atividades de combate a incêndio e de salvamento e elaborar planos para emergência e catástrofes; 10. Inspecionar locais de trabalho no que se relaciona com a segurança do Trabalho, delimitando áreas de periculosidade; 11. Especificar, controlar e fiscalizar sistemas de proteção coletiva e equipamentos de segurança, inclusive os de proteção individual e os de proteção contra incêndio, assegurando-se de sua qualidade e eficiência; 12. Opinar e participar da especificação para aquisição de substâncias e equipamentos cuja manipulação, armazenamento, transporte ou funcionamento possam apresentar riscos, acompanhando o controle do recebimento e da expedição; 13. Elaborar planos destinados a criar e desenvolver a prevenção de acidentes; 14. Orientar o treinamento específico de Segurança do Trabalho e assessorar a elaboração de programas de treinamento geral, no que diz respeito à Segurança do Trabalho; 13 15. Acompanhar a execução de obras e serviços decorrentes da adoção de medidas de segurança, quando a complexidade dos trabalhos a executar assim o exigir, LDR - Leis Decretos, Resoluções Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia; 16. Colaborar na fixação de requisitos de aptidão para o exercício de funções, apontando os riscos decorrentes desses exercícios; 17. Propor medidas preventivas no campo da Segurança do Trabalho, em face do conhecimento da natureza e gravidade das lesões provenientes do acidente de trabalho, incluídas as doenças do trabalho; 18. Informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente ou por meio de seus representantes, as condições que possam trazer danos a sua integridade e as medidas que eliminam ou atenuam estes riscos e que deverão ser tomadas. A NR n. 04, prevê ainda que, as atividades dos profissionais integrantes dos SESMT são essencialmente prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento de emergência, quando se tornar necessário (BRASIL, 2020). Uma vez que fique claro o vínculo causal entre determinadas amostras de doenças e a exposição a determinados riscos, é possível o direcionamento de ações eficazes para eliminação, neutralização e prevenção da respectiva doença, também evitando o seu agravamento (JAHESCH, 2007). A antecipação dos riscos é a maneira mais eficiente de preservar o bem-estar e a integridade física dos trabalhadores e prevenir os riscos ocupacionais. Envolve a análise de projetos de novas instalações, métodos ou processos de trabalho, ou de alteração dos já existentes, visando identificar os riscos possíveis e adentrar medidas de segurança para sua diminuição ou eliminação. O Engenheiro de Segurança do Trabalho é essencial nessa etapa, atuando de forma eficaz, para garantir projetos que acabem com alguns riscos antecipados e neutralizar aqueles característicos à atividade ou aos equipamentos (LUDOVICE, 2014). 3 CONCLUSÃO Através do que foi apresentado, é visível a importância e a necessidade de aplicar a segurança do trabalho para o desenvolvimento total de uma empresa, pois ao investir na segurança e saúde do trabalhador, o empregador, terá uma redução financeira significativa, além de diminui os riscos quanto a uma reclamação trabalhista, ou multa, seja por acidente 14 do trabalho ou doenças ocupacionais. Ademais, o empregado apresentará melhor rendimento tendo segurança para executar a sua função. Além disso, considerando o que foi apresentado nesta pesquisa, o principal motivo para investir no uso eficaz da segurança do trabalho dentro de uma empresa é a garantia a vida e a integridade física do trabalhador. Neste cenário, surge o Engenheiro de Segurança do Trabalho como o profissional qualificado que possui amplo conhecimento sobre as Normas Regulamentadoras e demais legislações que tratam a respeito do tema, e atua desde o planejamento até a gestão e fiscalização, a fim de identificar as necessidades da empresa e elaborar projetos para evitar acidentes e mortes. Para arrematar, conclui-se que o Engenheiro de Segurança do Trabalho é de extrema importância dentro de uma empresa, sendo na organização de programas de prevenção, na emissão de laudos técnicos que atestam as condições necessárias para a prática das atividades laborais, no planejamento e gestão para garantir a qualidade do ambiente, bem como na garantia da observância às determinações regidas pelas Normas Regulamentadoras que disciplinam diversas condições de trabalhos. Então, p afirmar é possível afirmar que o profissional agrega de forma extremamente positiva dentro de uma incorporação, otimizando os processos de segurança e ajudando a prevenir acidentes do trabalho. 15 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Daniella. Governo lança Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho. Brasília: Agência Brasil, 2024. Disponível em: . Acesso em 16 jul. 2024. BARSANO, Paulo Roberto; BARBOSA, Rildo Pereira. Segurança do Trabalho – Guia prático e didático. São Paulo: Érico Ltda, 2015. BRASIL. Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social. Lei n. 8.213 de julho de 1991. Disponível em: . Acesso em 16 jul. 2024. BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n° 3.214, 08 de julho de 1978. Aprova a NR 04 (Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 08 jul. 1978. Disponível em: . Acesso em 26 jul. 2024. BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n° 3.214, 08 de julho de 1978. 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