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º 1 Na doença de chagas: Agente etiológico → Trypanossoma Cruzi (protozoário) Podemos encontrar em alguns artigos, como sinônimo de doença de chagas, tripanossomíase americana. Vetor → Barbeiro Os seres humanos e animais são hospedeiros reservatórios. Temos basicamente duas formas clínicas: Aguda → Pode ser aparente ou não, ou seja, sintomática ou assintomática; Crônica → Iremos ter uma forma indeterminada (Geralmente assintomática), e temos as formas sintomáticas crônicas, que visa para forma cárdica, digestiva e cardiodigestiva. A maioria dos casos agudos, eles se resolvem ao longo do tempo (Algumas semanas ou meses), partem aí dessa forma assintomática, mas podem evoluir para a forma crônica da doença. Neste boletim epidemiológico estimativas no Brasil: Analisaram cerca de dois milhões de casos, para ter uma ideia de como é que segue essa infecção por T. Cruzi, se ela é mais crônica sintomática ou assintomática. Cerca de: 60% → Desenvolvem a forma assintomática (indeterminada); 30% →Desenvolvem a forma cárdiaca; 10% → Desenvolvem a forma digestiva. Então foi descrito em 1908 pelo pesquisador brasileiro Carlos Chagas, ele também pesquisava descobrir a malária e descobriu esse novo protozoário T. Cruzi. Estimativas da OMS: Cerca de 8 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas; Mais de 300 mil casos na América Latina; No Brasil varia muito a depender do estudo, ficando entre 01 e 04 milhões de casos. Maior incidência na região norte, mas também como é uma doença negligenciada e subtropical afeta todo o nosso Nordeste, devido à presença também dessas espécies nativas do barbeiro. º 2 Nesse estudo aí traz os fatores de risco, que estão associados à infecção pelo barbeiro: Moradores em casa de mal-conservadas (casa de taipa); Pessoas que moram em regiões próximas a mata ou a florestas, que moram em fazendas, que tenham galinheiros, com essa forma de habitat a disposição desse parasita. Temos como hospedeiros: Hospedeiros mamíferos → Homem, gatos, cães, gambás, ratos etc. Completando ainda o ciclo domiciliar ou silvestre; Hospedeiros invertebrado → Barbeiro Aqui temos esses fatores de risco que atuam diretamente ou indiretamente no aparecimento das lesões agudas, assim como nas lesões que direcionam para a forma crônica. Podemos dividir em → Fatores associados ao parasito e Fatores associados ao hospedeiro. Fatores de risco associado ao Parasito Temos o polimorfismo, que é a troca de um alelo, é uma variação genética, que pode aparecer como mutação ou não. Nesse caso trazemos esses polimorfismos, trazendo essa mutação como uma consequência no desenvolvimento de suas formas clinicas. Essa troca antigênica que acontece a depender do parasita, temos ai 06 cepas associadas devido as trocas antigênicas nesse polimorfismo, e essas cepas dão origem a diversas subpopulações que vão determinar se aquela cepa é mais virulenta ou não, se ela infecta mais, se ela está relacionada com a forma crônica, se ela está relacionada com a forma mais aguda. Não vai depender apenas disso, vamos ter outros aspectos também. O parasita possui tropismo por células musculares, cardíacas, e também em algum momento, pelo sistema nervoso. Temos aspectos relacionados a indivíduos que moram em área endêmica que estão expostos a reinfecção também podem potencializar esse dano. Temos aspectos relacionados a infecções mistas, quando falamos de indivíduos imunossuprimidos (HIV e HTLV). Fatores de risco associado ao Hospedeiro Temos imuno senescência do sistema imune, o envelhecimento do sistema imune, fatores genéticos, a resposta imunológica (precisamos de uma resposta potente para combater) e nutrição. Não temos um caminho que direciona a doença aguda e nem a doença crônica, é um conjunto de fatores. º 3 Não é tão comum, mas pode ocorrer. Hoje temos todo o processo de triagem dos hemocentros do brasil, então hoje temos menos de 1% de infecção por essa via. O rompimento das células vai induzir uma reação inflamatória, e vamos ter alta parasitemia, devido a multiplicação dessa tripomastigota, teremos um aumento do foco de células inflamatórias no coração e sistema nervoso devido a esse tropismo do parasito, e com isso podemos ter lesões variadas desde lesões mínimas, que acontece na maioria dos casos com participação do sistema imune nesse controle, podendo evoluir a necrose com atuação das citocinas TH1, e células TCD8 atuando nesse processo de necrose dessas células, estando essa necrose associada com a gravidade da infecção que pode levar o indivíduo a óbito. º 4 Macrófago irá fagocitar o T. Cruzi e via Toll like do inseto, esse macrófago vai identificar o T. Cruzi e liberar IL12 e TNF alfa. IL 12 vai estimular a célula NK a produzir interferon gama, e interferon gama junto com esse TNF alfa vai ativar esse macrófago para produzir oxido nítrico na tentativa de eliminar o T. Cruzi. Além disso temos a IL 12 atuando nessas células NK que vai ativar TCD4, com expansão clonal desse TCD4, que vai transformar célula B em plasmócito para secretar anticorpo específico anti T. Cruzi. (IGG) Além disso, também temos o interferon gama atuando nas células TCD8 as ativando, e essas células TCD8 vão secretar várias quimiocinas que estará relacionado com esse dano tecidual. Nas respostas imunes iniciais, o ambiente inflamatório é crucial para a resistência do hospedeiro à infecção (para eliminação dessas formas infectantes), mas também se estiver exacerbado pode levar à danos teciduais. Crianças em contato com o T. Cruzi, podem desenvolver essa fase aguda sintomática com exacerbação dessa resposta inflamatória. Fase aguda → Temos uma resposta do tipo TH1 O macrófago será M1. Temos um processo de evasão do parasita: Ao lembrarmos da formação do fagolisossomo dentro do macrófago para tentar destruir, o trypanossoma irá tentar sobreviver nesse ambiente extremamente oxidativo, e produz uma rede completa de enzimas antioxidantes como peroxidasses e SODs que irão proteger o parasita (neutralizar) contra essas espécies reativas de oxigênio e nitrogênio liberada pelos macrófagos. (Ele não irá comprar o nome dessas enzimas na prova). Além disso, quando temos a explosão da forma infectante da tripomastigota na corrente sanguínea teremos a ação do sistema complemento (aquelas moléculas solúveis) para tentar combater esse microrganismo invasor. Foi observado em estudo, que esses tripomastigotas também irão evadir desse sistema complemento. Para evitar a lise, através da formação do MAC, teremos a via clássica (através de C1), via das lectinas, via alternativa tentando culminar a formação desse MAC. Para evitar a lise do T. Cruzi depende de um grande conjunto de moléculas. Esse T. Cruzi irá secretar glicoproteínas na tentativa de evadir desse sistema complemento, onde ele irá atuar bloqueando várias etapas, interrompendo a montagem dessas vias. º 5 Teremos por exemplo, a calreticulina, através desse Calre (no slide acima), ela vai bloquear através da as etapas iniciais da via clássica. Vamos ter também, outros compostos, outras glicoproteínas, como exemplo, CRIT, T-DAF, CRP, e umas microvesículas derivadas do hospedeiro que interrompem ou bloqueiam a montagem da C3 convertase na via das lectinas e na via alternativa. Resumo: Então o que vai acontecer → O parasita T. Cruzi vai liberar glicoproteínas que vão inativar a construção do MAC, ou seja, teremos glicoproteínas atuando nas fases iniciais da via clássica, assim como glicoproteínas atuando nas próximas fases, impedindo a formação da C3 convertase na via das lectinas e na via alternativa. Vimos que o indivíduo pode evoluir para essa fase crônica que iremos dividir: Forma assintomáticaou indeterminada, com esse período podendo variar de 10 a 30 anos após a infecção, mas com a presença do trypanossoma, estando de uma forma branda e muitos anos despois de contínuas invasões do musculo liso/estriado, dos neurônios, e uma eventual parasitemia, podemos ter os sintomas dessa fase crônica ou determinada, que seria a miocardiopatia e a forma digestiva. Forma indeterminada ou assintomática → Ainda temos muitas pesquisas em andamento, mas foi visto que teremos uma potencialização desse perfil regulatório, através da IL 10 e IL4, que são essas citocinas reguladoras, promovendo um equilíbrio e mantendo esse indivíduo nessa forma assintomática ou indeterminada. (Existem ainda outros mecanismos em estudo, mas o que precisamos saber agora é isso). Forma Determinada ou sintomática → Iremos ter a predominância de citocinas e algumas quimiocinas inflamatórias, produzindo mais interferon gama assim como mais TNF alfa, levando aí a essas formas cardíaca e digestivas. (Não é só isso, ainda existem vários estudos tentando entender o papel dessas quimiocinas). Essa figura acima mostra que o predomínio desse ambiente inflamatório, iremos ter a participação de algumas quimiocinas, como exemplo a CCR5 e CXCR4 promovendo essa lesão tecidual a partir de uma estimulação dessas células TCD8 com a liberação de perforina e granzima promovendo apoptose dessas células que está relacionado com essa forma cardíaca. (Perfil mais TH1) Quando temos o predomínio desse ambiente regulatório, vamos ver uma participação principalmente de IL 10 promovendo o equilíbrio e levando para essa forma indeterminada. (Potencialização de um perfil mais regulatório) º 6 Importantes aspectos que ainda não foram esclarecidos: Ainda não se sabe quais antígenos são indutores de respostas patogênicas ou protetoras, não se sabe se esta relacionada a uma Cepa específica, ou se é um polimorfismo, se são fatores do hospedeiro. Várias questões estão ainda sem resposta em relação a doença de chagas principalmente quando falamos desses aspectos imunológicos. Sabemos que na miocardite aguda teremos a participação da forma infectante gerando ninhos de amastigotas e fazendo toda aquela potencialização. Na fase crônica foi visto que não teremos esses ninhos de amastigotas, não teremos a participação do parasita, mas teremos o dano. Com as pesquisas, foram criadas várias hipóteses para tentar explicar por que há esse dano através do sistema imune, pois esse indivíduo foi exposto, está na fase crônica da doença, mas não teremos a presença da forma infectante, mas há ocorrência da lesão. (Temos uma hipótese, que é uma das mais levantadas na literatura, temos outras, mas essa é a mais vista nos artigos para explicar esses mecanismos). Por que existe uma miocardite tão acentuada nessa fase crônica da doença? Temos então a hipótese da auto-imunidade. Isso quer dizer que: Teremos células cardíacas normais que possuem alguns receptores e que podem provocar uma reação cruzada com o parasita T. Cruzi, e assim, são capazes de ativar linfócitos TCD8 específicos (já estimulados pelo parasita) anti- T. Cruzi que matariam os cardiomiócitos. A morte de um número grande de cardiomiócitos levaria à miocardite chagásica. Podemos entender isso através da imagem abaixo: Temos uma resposta de TCD8 contra o antígeno de T. Cruzi, temos aí o T. Cruzi com seus antígenos, o macrófago apresentando o antígeno do T. Cruzi para o linfócito TCD8, TCD8 ativado irá liberar perforina (Perfurar essas células- fazer poros na membrana) e granzima (irá mediar o processo de apoptose dessas células). O grande problema é que esses linfócitos TCD8 irão ficar ativos, e vão ter memoria, com isso teremos uma resposta cruzada de TCD8 contra a esses cardiomiócitos. Temos alguns receptores nesses cardiomiócitos que são semelhantes ao do T. Cruzi. Quando temos esses TCD8 que já foram estimulados pelo T. Cruzi, ele irá identificar aquele receptor, sofrer expansão clonal, liberar granzima e perforina e realizar destruição dos cardiomiócitos, que leva aquela forma tão grave. TCD8 identifica esse receptor presente nesse cardiomiócitos como antígenos. Temos várias outras hipóteses levantadas na literatura, sendo essa acima uma das hipóteses mais trazidas pelos estudos. º 7 Temos a infecção, com a fase aguda que pode levar a óbito quando temos a potencialização dessa fase aguda, mas também esse indivíduo pode ser tratado em alguns casos. A fase indeterminada caso não seja tratada esse indivíduo pode levar a forma indeterminada e ele permanecer nessa forma indeterminada por vários anos da sua vida, ou ele pode dar sequência após 10, 20, 30 anos para essa fase crônica. Na fase crônica, temos essa forma cardíaca, digestória, podendo evoluir a óbito. Esse paciente crônico indeterminado caso sofra um processo de imunossupressão por alguns eventos (HIV, HTLV ou alguma infecção) pode evoluir com reativação. Geralmente assintomática, mas podemos ter sintomas inespecíficos, ou até mesmo o sinal de romanã e o chagoma de inoculação.. Alguns pacientes acabam descobrindo que tem a doença de chaga, durante uma doação de sangue. Paciente do caso da semana se encontra nessa forma. Alguns pacientes nessa fase indeterminada podem apresentar mais manifestações, não apenas uma cardite leve, mas podem apresentar alterações estruturais e funcionais do coração e trato digestivo. Essa forma branda, por mais que seja mínima, pode haver degeneração de miócitos, infiltrado inflamatório e processos fibróticos, e ao longo desses 30 anos pode se instalar a forma crônica. Essa forma branda pode potencializar devido a esse processo crônico, mas de fato a maioria desses indivíduos segue com baixa parasitemia e uma cardite leve. É necessário mais estudo nessa fase indeterminada para entender de fato como e porque esse perfil cursa assim e até quando ele vai cursar assim. Fase determinada ou sintomática da fase crônica: º 8 Temos a infecção, com fase aguda, podendo essa fase aguda ser assintomática ou sintomática, caso o paciente realize o diagnóstico e tratamento tem uma grande chance de resolver o problema (Cura). Quanto mais progressiva a doença pior será o sucesso desse tratamento, quando falamos desse paciente crônico.