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Camila Távora e Érica Batalha OSCE AULA 05: ABORDAGEM DO PACIENTE COM CEFALEIA SIMULAÇÃO 01: CEFALEIA PRIMÁRIA Reconhecer as principais cefaleias primárias: tensional, enxaqueca e cefaleias trigêmino-autonômicas Citar o tratamento de crise e de manutenção das cefaleias acima citadas Anamnese: ID: Juliana, 21 anos, casada, natural e procedente de Fortaleza. QP: “Dor de cabeça há 6 meses” HDA: Paciente refere cefaleia latejante e incapacitante (inicia 6/10 e progride para 8/10), que predomina do lado esquerdo (por vezes alterna pro lado direito). Associada a náuseas, fotofobia e fonofobia. Nega vômitos, febre e perda de peso. Relata aura visual (“brilhinhos”), com duração de ~15 min, imediatamente antes do surgimento da cefaleia. Piora progressiva ao longo desses 6 meses, mas sem mudança de padrão. Nos últimos 3 meses, vem apresentando cerca de 2 episódios por semana HPP: Refere uso de ACO combinado Conduta: Troca do ACO combinado por um com apenas progestágeno OU método não hormonal (ex: DIU de cobre) Prescrever tratamento abortivo das crises Orientar paciente sobre seu diagnóstico e como agir nas crises Diagnóstico: Enxaqueca com aura Vamos conhecer agora as principais cefaleias PRIMÁRIAS? ENXAQUECAS CRITÉRIOS . ENXAQUECA SEM AURA A. ≥ 5 episódios B. Duração de 4 a 72h C. 2 das seguintes características: 1. Unilateral 2. Pulsátil 3. Moderada ou forte 4. Agrava-se por atividade física D. Durante a cefaleia, há pelo menos 1: 1. Náuseas e/ou vômitos 2. Fotofobia E fonofobia E. Não preenche critérios para outra etiologia de cefaleia F. Ausência de condição que justifique melhor a cefaleia ENXAQUECA COM AURA A. ≥ 2 episódios preenchem critérios B e C B. ≥1 sintomas de aura, totalmente reversíveis: 1. Visual 2. Sensitivo 3. Fala e/ou linguagem 4. Motor 5. Tronco cerebral 6. Retiniano C. Pelo menos 3 das seguintes 6 características: 1. ≥ 1 sintoma de aura ≥ 5 minutos 2. Cada sintoma de aura individual dura 5-60min 3. ≥ 2 ocorrem sucessivamente 4. ≥ 1 sintoma de aura é unilateral 5. ≥ 1 sintoma de aura é positivo 6. Cefaleia acompanha a aura OU ocorre em até 60 min pós aura 1 ↳ - - ENXAQUECA CRÔNICA A. Cefaleia ≥15 dias por mês, por > 3 meses → Essa cefaleia pode ser do tipo tensão e/ou enxaqueca B. Em ≥ 8 dias por mês durante > 3 meses, a dor deve preencher critérios para enxaqueca. C. ≥ 5 episódios de cefaleia (na vida) preenchendo critérios para enxaqueca sem ou com aura FASES DA ENXAQUECA . A enxaqueca é classicamente dividida em 4 fases: 1ª fase: Premonitória (pródromos) 2ª fase: Aura 3ª fase: Cefaleia 4ª fase: Resolução (pósdromo) He�! É importante salientar que nem todas as pessoas manifestaram todas estas fases ou, pelo menos, não percebem que as tem TRATAMENTO ABORTIVO . Meta: Controle precoce das crises→ sem dor em 2h e sem recidiva nas próximas 24h ORIENTAÇÕES GERAIS AO PACIENTE ● Utilizar medicação nos primeiros 15min da dor → quanto mais precoce, melhor ● Se pulsátil desde o início→ tratar mais agressivamente ● Na persistência da dor, repetir dose 1 a 2h depois OPÇÕES FARMACOLÓGICAS Analgésico OU Triptano + AINES + Hidratação + Antieméticos ANALGÉSICOS ● Dipirona 500mg - 1g ● Paracetamol 1g TRIPTANOS Agonista serotoninérgico Contraindicação: coronariopatia, DM, HAS não controlada (risco de vasoespasmo coronariano) ● Sumatriptano (Sumax ®) ● Naratriptano (Naramig ®) AINES ● Naproxeno (Flanax®) ● Cetoprofeno (Profenid®) ● Tenoxicam, Meloxicam ANTIEMÉTICOS Associar, a cada 6 a 8h, se náuseas e/ou vômitos ● Ondansetrona (Vonau®) ● Bromoprida (Plamet®) ● Metoclopramida (Plasil®) ● Dimenidrinato (Dramin®) DEXAMETASONA ● Pode ser associada ao tratamento analgésico ● Previne recorrências NEUROLÉPTICOS ● Clorpromazina ● Haloperidol ANTICORPOS MONOCLONAIS ANTI-CGRP ● Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina (CGRP) → molécula liberada pelos neurônios com ação vasodilatadora e inflamatória. ● Injeção SC mensal ● Opções: Erenumab (Pasurta®) Fremanezumab (Ajovy®) Galcanezumab (Emgality®) 2 - - - He�! Opioides NÃO fazem parte do tratamento da crise de enxaqueca He� 2! Orientar o paciente sobre o malefício do abuso de analgésicos TRATAMENTO PROFILÁTICO . Meta: reduzir frequência, intensidade e duração das crises em pelo menos 50% INDICAÇÕES ● Interferência significativa na rotina diária MESMO com uso de sintomáticos ● ≥ 3 crises por mês, com risco de abuso de medicamentos sintomáticos ● Ineficácia, contraindicação OU eventos adversos consideráveis com os medicamentos sintomáticos ● Abuso no uso de sintomáticos ● Preferência do paciente ● Formas incomuns de enxaqueca (enxaqueca hemiplégica e enxaqueca com aura do tronco cerebral) ORIENTAÇÃO ● Escolher classe farmacológica de forma INDIVIDUALIZADA (considerar comorbidades, interações medicamentosas) ● Iniciar com baixa dose e aumentar gradativamente ● Alertar sobre possíveis efeitos colaterais ● Avaliar cada esquema por PELO MENOS 2 meses → Se eficaz, manter por 9-12 meses e descontinuar gradualmente OPÇÕES FARMACOLÓGICAS BETABLOQUEADORES ● Bem tolerados (poucos efeitos colaterais) ● Opções: propranolol, metoprolol ● Evitar em: dislipidêmicos, diabéticos, asmáticos e transtornos do sono ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS (ADT) ● Modulação inibitória da dor ● Opções: amitriptilina e nortriptilina ● Efeitos adversos: boca seca, constipação, ganho de peso e hipertensão ISRS ● Indicados se transtornos do humor associados ● Opções: preferência por DUAIS (ex: venlafaxina) ● Efeitos adversos: ganho de peso, redução da libido, náusea, diarréia ANTIEPILÉPTICOS (NEUROMODULARES) ● 1ª escolha para Enxaqueca COM aura ● Boa eficácia ● Opções: valproato e topiromato ● Efeitos adversos: ganho ou perda de peso, alopecia, tremores, sonolência, alterações cognitivas FATORES DEFLAGRADORES . Polêmico, mas está no UptoDate e nas referências do Moodle Fator desencadeante é DIFERENTE da causa da enxaqueca ● A avaliação de fatores desencadeadores (alimentares ou não) é particularmente útil ● É inadequado, no entanto, fornecer uma lista de proibições ao paciente→ trata-se de algo individual e que eventualmente muda ao longo dos anos ● Sugerir observação cuidadosa, mas não obsessiva, dos comportamentos, situações, exposições ou alimentos nitidamente relacionados à maioria das crises pode auxiliar na prevenção delas ● No caso dos alimentos, a subtração nunca deve comprometer a qualidade e o equilíbrio da dieta 3 a - - - - CEFALEIA DO TIPO TENSÃO CRITÉRIOS . A. Pelo menos 10 episódios de cefaleia preenchendo os critérios de B a D B. A cefaleia dura de 30 min a 7 dias C. A cefaleia tem pelo menos 2 das seguintes 4 características: 1. Bilateral 2. Em pressão ou aperto (NÃO pulsátil) 3. Intensidade leve ou moderada 4. NÃO se agrava por atividade física rotineira (caminhar ou subir escadas) D. Presença de ambos os seguintes: 1. AUSÊNCIA de náuseas e/ou vómitos 2. No máximo 1 dos seguintes está presente: foto OU fonofobia A cefaleia do tipo tensão pode ser considerada: ● Episódica: 3 meses TRATAMENTO ABORTIVO . ● Analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) ● AINES (naproxeno, meloxicam, etoricoxibe) Atençã�! EVITAR uso de drogas tranquilizantes e sedativas. Relaxantes musculares têm valor limitado TRATAMENTO PROFILÁTICO . Antidepressivos em doses semelhantes às usadas na enxaqueca ● Amitriptilina→maior nível de evidência ● Nortriptilina ● Fluoxetina ● Venlafaxina ● Duloxetina CEFALEIAS TRIGÊMINO-AUTONÔMICAS São um grupo de 5 tipos de cefaleias Cefaleia em Salvas Hemicrania paroxística (ou paradoxal) Hemicrania contínua SUNCT (Short-lasting Unilateral Neuralgiform Conjunctival Injection and Tearing) SUNA (Short-lasting Unilateral Neuralgiform headache Attacks) CEFALEIA EM SALVAS . Protótipo das cefaleias trigêmino-autonômicas CRITÉRIOS A. Pelo menos 5 crises preenchendo critérios B a D B. Dor forte/muito forte, unilateral, supraorbitária e/ou temporal com duração de 5-180 min 4 C. Um dos dois ou ambos os seguintes: 1. Pelo menos umdos seguintes sintomas ou sinais ipsilateral à cefaleia: a) hiperemia conjuntival ou lacrimejamento b) congestão nasal ou rinorréia c) edema palpebral d) sudorese facial e da região frontal e) miose e/ou ptose 2. sensação de inquietação ou agitação D. As crises têm uma frequência de uma a cada 2 dias, a 8 por dia, durante mais da metade do tempo TRATAMENTO CRISE ● O2 100% 12-15 L/min por 15 min: Hiperoxigenação vai fazer regulação hipotalâmica, diminuindo a hiperexcitação ● Sumatriptanos ● Ergotamínicos ● Lidocaína nasal (4-6%) PROFILÁTICO ● Verapamil ● Carbonato de lítio ● Corticóide (terapia ponte) ● Valproato de sódio ● Topiramato ● Melatonina HEMICRANIA PAROXÍSTICA . ● Início na idade adulta, com predomínio no sexo feminino ● Clinicamente semelhante a cefaléia em salvas: DOR orbital + Sintomas autonômicos ● Diferencia-se por: Maior frequência diária de crises (> 5 crises/dia) Menor duração (até 30 minutos) Resposta dramática a indometacina HEMICRANIA CONTÍNUA . ● Transtorno raro, com predomínio no sexo feminino ● Unilateral fixa, diária, contínua, sem intervalos livres de dor ● Intensidade moderada com exacerbações ● Sinais disautonômicos ● Resposta dramática a indometacina SUNCT . ● Cefaléia de curta duração, unilateral, neuralgiforme com hiperemia conjuntival e lacrimejamento ● Semelhante às anteriores, diferencia-se por: Duração de 5 a 240 segundos 3 a 200 crises por dia ● NÃO há tratamento realmente eficaz→ tenta-se gabapentina e lamotrigina SUNA . ● Semelhante às anteriores com predomínio dos sintomas disautonômicos 5 SIMULAÇÃO 02: CEFALEIA SECUNDÁRIA Conhecer os sinais de alarme em uma cefaleia na emergência Enumerar os exames complementares em uma cefaleia secundária Anamnese: ID: Juliana, 28 anos QP: “Muita dor de cabeça há 2 horas” HDA: Paciente relata que há 2h apresenta cefaleia holocraniana de forte intensidade (10/10), com início em máxima intensidade. A dor tem caráter opressivo, é acompanhada de náusea, diplopia e é refratária à medicação para enxaqueca prescrita por sua médica. Refere ter experimentado um episódio de cefaleia com padrão similar há 1 semana, porém de menor intensidade (cefaleia sentinela?) Conduta: TC de crânio SEM contraste: sem achados Análise do LCR: presença de sangue Diagnóstico: Hemorragia Subaracnoidea (HSA) Vamos discutir como essa paciente deve ser conduzida? ABORDAGEM DA CEFALEIA NA EMERGÊNCIA . SINAIS DE ALARME . ● A 1ª ou a pior cefaleia da vida ● Início SÚBITO ou recente ● Início em > 50 anos ● Cefaleia progressivamente mais intensa e mais frequente ● Nova cefaleia em paciente com história de CA ou SIDA ● Febre e/ou sinais meníngeos ● Anormalidade no exame neurológico ● Refratária a tratamento apropriado 6 - E j C - & - ↑ f S S & ~ L ↑ - S - & ~ 1 - ● História de TCE ● Persistentemente unilateral (exceto se com características típicas de enxaqueca) ● Mudanças de padrão recentes ● Cefaleias deflagrada por esforços ou manobra de Valsalva He�! Principais causas de cefaleia em trovoada ou thunderclap headache: 1ª→ HSA 2ª→ Síndrome da vasoconstrição cerebral reversível Outras→ dissecção de carótida, meningite, trombose venosa cerebral EXAMES COMPLEMENTARES . 1º exame = TCC sem contraste ↓ Se normal→ PUNÇÃO LIQUÓRICA com xantocromia ● Exames laboratoriais ● Outros exames (a depender da suspeita): RM de crânio, Angiografia EXAME NEUROLÓGICO Relembrar o exame neurológico com foco na avaliação dos pares cranianos 1. Funções mentais superiores 2. Pares cranianos 3. Motricidade 4. Sensibilidade 5. Coordenação 6. Equilíbrio e marcha 7. Funções neurovegetativas AVALIAÇÃO DOS NERVOS CRANIANOS (NC) I NC - NERVO OLFATÓRIO Função: olfato COMO AVALIAR ● Utilizar substância não volátil e de odor facilmente reconhecível (café, cravo, canela) ● Solicitar ao paciente que feche o olho e ocluir uma narina por vez ● Examinador aproxima a substância da narina aberta e questiona se o paciente sente ou não o cheiro, se o odor é agradável ou desagradável e se ele identifica o odor 7 [ - - I NC - NERVO ÓPTICO Função: visão central (acuidade visual), periférica (campo visual) COMO AVALIAR ● Acuidade visual: Tabela de Snellen posicionada a 6 m de distância do paciente Avaliação de um olho por vez Se fizer uso de óculos e lentes deve utilizar no momento da avaliação Distinção do verde e vermelho (testar daltonismo) ● Campimetria de confrontação: Examinador na mesma altura do paciente, a 60cm de distância Testar um olho de cada vez (paciente oclui o olho não testado e examinador oclui o contralateral). Pct deve fixar o olhar no nariz do examinador enquanto ele desloca lentamente a mão (equidistante) pelo campo periférico do paciente. Interrogar se o paciente visualiza os dedos, se estão parados ou em movimento e em qual momento deixa de visualizar. ● Fundo de olho: Exame da retina por meio da fundoscopia Iniciar pela diagonal, mão direita com oftalmoscópio no olho direito, em direção ao olho direito do paciente. Quando visualizar o vaso, o examinador se aproxima (pode chegar perto MESMO) e observa os 4 campos para documentar alterações (disco óptico, vasos, mácula…) III, IV e VI NC - NERVOS OCULOMOTOR, TROCLEAR E ABDUCENTE Função: Motricidade ocular extrínseca e intrínseca e Eferência fotomotora (III NC) COMO AVALIAR ● Motricidade ocular: Paciente à distância de 1 braço do examinador Solicita-se que o paciente acompanhar seu dedo com o olhar (H de 3 pernas→ 9 posições distintas) Ao final, perguntar se o paciente em algum momento viu 2 dedos (diplopia) ● Avaliação pupilar e reflexo fotomotor: Forma (arredondada), situação (central), tamanho (2-4 mm) e simetria. Iluminar os olhos do paciente um por vez e checar reflexo fotomotor (direto e consensual) V NC - NERVO TRIGÊMEO Função: Sensibilidade facial e Motricidade dos músculos mastigatórios 3 ramos: oftálmico, maxilar e mandibular COMO AVALIAR ● Função motora: Inspeção do maxilar inferior e região temporal. Palpação do músculo masseter, pedindo que o paciente cerre firmemente os dentes ● Função sensitiva: avaliar sensibilidade superficial com chumaço de algodão na topografia dos 3 ramos e posteriormente se investiga a sensibilidade dolorosa com objeto levemente pontiagudo 8 ( - - 2 3 - ● Reflexo córneo palpebral: Estimular córnea com chumaço de algodão pedindo que o paciente dirija sua mirada para um lado e aproximando-se vagarosamente o algodão do lado oposto VII NC - NERVO FACIAL Função: Mímica facial e Sensibilidade gustativa dos 2/3 anteriores da língua COMO AVALIAR ● Inspeção em busca de assimetrias faciais em repouso ou por meio de manobras: enrugar a fronte, fechar os olhos com força, abrir a boca e mostrar os dentes, fazer bico, esticar pescoço pra frente (testar músculo platisma) VIII NC - NERVO VESTÍBULO COCLEAR Função: audição, equilíbrio e postura COMO AVALIAR ● Roçar os dedos ou uma mecha de cabelos do próprio paciente entre os dedos polegar e indicador do examinador próximo ao ouvido. Questiona-se o paciente escuta o mesmo de ambos os lados. ● Teste de Rinne: Examinador aproxima diapasão da mastoide e solicita que o paciente informe quando parar de escutar. Nesse momento, o diapasão é posicionado próximo à orelha e novamente o paciente deve avisar quando parar de escutar. O tempo de condução aérea deve ser pelo menos 2x o tempo de condução óssea. Condução aérea maior que a óssea = Rinne positivo = normal ● Teste de Weber: Aproxima-se diapasão na fronte ou parietal alto. Examinador deve questionar o paciente se ele sente vibração igual ou diferente em cada lado, e se for diferente, qual lado vibra mais. Vibração igual em ambos os ouvidos = Weber normal He�! Perda de condução: Rinne (-), Weber lateralizado para o lado afetado Perda neurossensorial: Rinne (+), porém reduzido e Weber lateralizado para o lado não afetado IX e X NC - NERVO GLOSSOFARÍNGEO E NERVO VAGO Função do glossofaríngeo: inerva músculos da deglutição, sensibilidade gustativa 1/3 posterior da língua, glândula parótida, sensibilidade exteroceptiva do pavilhão auriculare outros Função do vago: inerva região faríngea e laríngea, inervação parassimpática para as vísceras torácicas e abdominais, recebe informação da sensibilidade visceral e sensibilidade superficial do pavilhão auricular e pele do conduto auditivo externo COMO AVALIAR ● Observação do palato e úvula: Paciente com a boca aberta, solicite que ele diga “aaa” → espera-se que úvula e palato subam ao mesmo tempo. Em caso de lesão unilateral, é possível conferir o “sinal da cortina”, em que a úvula se desvia para o lado sadio ● Reflexo nauseoso ou faríngeo: Realizar estímulo mecânico da parede posterior da faringe solicitando que o paciente pronuncie a letra "a" com a boca bem aberta se quiser sensibilizar a avaliação. Se tiver lesão, não tem o reflexo 9 - - XI NC - NERVO ACESSÓRIO Função: inervação da laringe (raiz bulbar), trapézio e esternocleidomastóideo (raiz espinhal) COMO AVALIAR ● Inspeção: Buscar assimetrias de relevo das massas musculares do pescoço, ombro e escápula ● Palpação: massas musculares do ombro ● Avaliação de força muscular: Elevação do ombro contra resistência (trapézio) Rotação lateral do pescoço contra resistência (esternocleidomastóideo) XII NC - NERVO HIPOGLOSSO Função: inervação da musculatura da língua COMO AVALIAR ● Com a língua dentro da boca, observa-se: trofismo e presença de fasciculações ● Palpa-se cada hemilíngua alternativamente entre o polegar e o indicador, comparando-as ● Solicita-se ao paciente que ponha a língua para fora e movimente-a em todas as direções, a fim de observar se há limitações ou lateralizações da língua em repouso ● Se houver lesão ocorre desvio para o mesmo lado da lesão 10 AULA 06: ABORDAGEM DO PACIENTE COM FRAQUEZA MUSCULAR Realizar o diagnóstico topográfico de um paciente com queixa neurológica Revisar o exame neurológico demotricidade e sensibilidade Conhecer as principais etiologias de fraqueza muscular com base no diagnóstico topográfico EXAME NEUROLÓGICO 8. Funções mentais superiores 9. Pares cranianos 10. Motricidade 11. Sensibilidade 12. Coordenação 13. Equilíbrio e marcha 14. Funções neurovegetativas AVALIAÇÃO DA MOTRICIDADE 5 componentes: 1. Tônus→ hipotonia X hipertonia 2. Reflexos→ superficiais e profundos 3. Força→ escala de avaliação da força muscular 4. Movimentos involuntários→ Clônus e fasciculações 5. Trofismo→ presença ou ausência de atrofia muscular 1. TÔNUS . ● A avaliação pode ser feita através da inspeção, palpação, mobilização passiva com movimentos rápidos no grupo muscular que está sendo analisado ● Avaliar hipotonia, hipertonia, rigidez extrapiramidal ou espasticidade 2. REFLEXOS . REFLEXOS CUTÂNEOS SUPERFICIAIS 1. Reflexo cutâneo plantar ● Resposta flexora / indiferente: reflexo normal, íntegro ● Resposta extensora: lesão do 1º neurônio motor 2. Reflexo cutâneo abdominal 3. Pesquisa pelo sinal de Ho�man e Tromner ● Os sinais são ditos presentes quando os estímulos na unha levam a flexão involuntária da falange distal dos dedos médio e anelar (paciente “fecha a mão”) ● Sugerem lesão do 1º neurônio motor 11 10/10/24 TIP : MEDUL - PEDIR RM INFECSão ? uscins? Sp . MEDUAR COMPLET (DsYvamoind Grum FORGS 1002 ↳FAC! FORGA e REFEXO(topOGNESM) RIGIDERO PLASTIC- ROM DENTESN PIRKINSON SD . MEDUIM T10 (RM Torciu) G 2 ↳ ETOD VENível (Noscubs) ↳ eusss - REFLEXOS TENDINOSOS PROFUNDOS He�! Caso seja solicitada a avaliação dos reflexos no OSCE, faça pelo menos o cutâneo plantar, 3 dos MMSS (tricipital, bicipital, estilorradial) e 2 no MMII (patelar/quadríceps e aquileu) 3. FORÇA MUSCULAR . GRADUAÇÃO DA FORÇA MANOBRAS DE OPOSIÇÃO DE FORÇA ● Fazer resistência ao movimento realizado pelo paciente ● MMII: Flexão e extensão da coxa Flexão e extensão da perna Flexão e extensão do pé Ficar na “ponta do pé” ● MMSS Abdução e adução do ombro Flexão e extensão do antebraço Flexão e extensão do punho Fechar e apertar a mão (com os 2 dedos do avaliador dentro da mão do paciente) Abdução e adução dos dedos 12 ESCOL De OXFORD MANOBRAS DEFICITÁRIAS ● MMSS: Manobra dos braços estendidos (Lesão NEUROLÓGICA → abdução do 5º quirodáctilo, pronação, flexão e queda do braço) ● MMII: Manobra de Mingazzini (Lesão NEUROLÓGICA → queda do hálux, queda do pé, da perna e rotação externa do joelho) 4. MOVIMENTOS INVOLUNTÁRIOS . ● Clônus e fasciculações ● Podem ser observados na inspeção ou durante a avaliação dos reflexos OU estimulados pelo estiramento PASSIVO e RÁPIDO no grupo muscular que está sendo analisado AVALIAÇÃO DA SENSIBILIDADE 2 componentes: 1. Sensibilidade Superficial→ Térmica, dolorosa e tátil 2. Sensibilidade Profunda→ Vibratória e propriocepção Atençã�! Sempre avaliar com o paciente de olhos fechados ! SENSIBILIDADE SUPERFICIAL ● Tato protopático→ Algodão ● Térmica→ objetos frios ou quentes ● Dolorosa→ espátula quebrada ou alfinetes SENSIBILIDADE PROFUNDA ● Vibratória→ diapasão 128 Hz nas proeminências ósseas ● Propriocepção ou Artrestesia→ avaliação manual do polegar e hálux (segure os dedos do paciente pela lateral e movimente para cima ou para baixo) AVALIAÇÃO POR DERMÁTOMOS . Memorizar principais dermátomos ● T2 – Manúbrio ● T4 – Mamilo ● T6 – Apêndice xifoide ● T8 – Rebordo costal ● T10 – Cicatriz umbilical ● T12 – Crista ilíaca 13 - ↳ = - - DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO 1. Encéfalo 2. Medula espinal 3. Raiz 4. Plexo 5. Nervo 6. Placa ou junção neuromuscular 7. Músculo CARACTERÍSTICAS SD DO NEURÔNIO MOTOR SUPERIOR SD DO NEURÔNIO MOTOR INFERIOR PLACA NEUROMUSCULAR MÚSCULO FORÇA MUSCULAR Fraqueza muscular Fraqueza muscular Fraqueza flutuante (FATIGABILIDADE): aumenta com esforço e melhora com repouso Fraqueza muscular (proximal > distal) TÔNUS Aumentado Espasticidade (“sinal do canivete” ) Diminuído SEM alterações SEM alterações REFLEXOS PROFUNDOS Exacerbados + aumento da área reflexógena Diminuídos ou ausentes SEM alterações SEM alterações REFLEXOS SUPERFICIAIS Sinal de Babinski, Tromner e Hoffman SEM alterações SEM alterações SEM alterações ATROFIA Tardia (por desuso) Menos marcante Precoce Severa Pode ocorrer Tardia (por desuso) FASCICULAÇÕES Ausente Pode estar presente Pode estar presente (raro) Pode estar presente (raro) CLÔNUS ≥ 3 repetições ≤ 3 repetições SEM alterações SEM alterações SENSIBILIDADE Encéfalo→ diferentes padrões Medula→ níveis sensitivos Alterações conforme o território da raiz, plexo ou nervo SEM alterações SEM alterações EXAMES PARA AVALIAÇÃO TC de crânio RM de crânio RM de coluna (cervical, torácica ou lombar) Eletroneuromiografia RM de coluna (cervical, torácica ou lombar) Eletroneuromiografia Exames laboratoriais Eletroneuromiografia Exames laboratoriais Biópsia muscular 14 E SD DO NEURÔNIO MOTOR SUPERIOR . DIFERENCIAR ENCÉFALO X MEDULA ● Encéfalo→ hemiparesia + diferentes padrões de sensibilidade ● Medula→ alterações esfincterianas + níveis sensitivos LOCALIZAÇÃO DA LESÃO ● Lesões ACIMA do nível da decussação (encéfalo)→ sintomas contralaterais ao lado da lesão ● Lesões ABAIXO do nível da decussação (medula)→ achados homolaterais He�! Nos estágios iniciais pode ocorrer o choque medular (paralisia, hipotonia e arreflexia) que simula a sd do neurônio motor inferior, PORÉM, geralmente, encontra-se o sinal de Babinski. ETIOLOGIAS ETIOLOGIAS MEDULA (MIELOPATIAS) ● Mielopatias compressivas → exigem avaliação neurocirúrgica de URGÊNCIA Trauma raquimedular (TRM) Neoplasias primárias ou metastáticas Hérnia de disco Abscesso Fratura patológica (Mieloma, Mal de Pott) ● Mielopatias NÃO compressivas: Infecção (Sífilis, Herpes, HIV) Deficiência de B12 Doenças desmielinizantes (Mielite transversa, EM, NMO) ETIOLOGIAS ENCÉFALO (ENCEFALOPATIAS) ● AVC ● TCE ● Tumores ● Doenças desmielinizantes (Ex: EM) ● Processos degenerativos (Ex: ELA) ● Infecções SD DO NEURÔNIO MOTOR INFERIOR . DIFERENCIAR RAIZ X PLEXO X NERVO ● Plexo→monoparesia ● Raiz→ ABOLIÇÃO dos reflexos + território de acometimento (dermátomos) ● Nervo→ REDUÇÃO dos reflexos + território de acometimento (topografias dos nervos) ETIOLOGIAS PLEXO(PLEXOPATIAS) ● Trauma ● Compressão por tumor / metástase ou hematoma ● Neurite braquial aguda RAIZ (RADICULOPATIAS) ● Hérnia de disco ● Alterações ósseas por AR ou osteoartrite ● Síndrome de Guillain-Barré ● Meningite carcinomatosa ● Diabetes Mellitus ● Infecciosas (tuberculose, histoplasmose, sífilis) NERVO (NEUROPATIAS) ● Metabólicas: DM, hipo/ hipertireoidismo, doença celíaca, deficiência de b12 e cobre ● Infecciosas: HIV, sífilis, hanseníase ● Tóxicas: Álcool, medicações (ex: nitrofurantoína, CTC, QT) ● Inflamatórias: Polineuropatias autoimunes ● Vasculites: Vasculites de pequenos vasos (Poliarterite Nodosa - PAN) ● Paraneoplasias e Paraproteinemia: Amiloidose, Mieloma múltiplo 15 - CASOS CLÍNICOS Para os 3 próximos casos realize o exame neurológico, formule o diagnóstico topográfico do caso e cite as principais etiologias de acordo com o diagnóstico topográfico Paciente com queixa de “Fraqueza muscular” PASSO 01 - Documente a fraqueza (testes e graduação da força muscular) PASSO 02 - Topografe a lesão→ testar reflexos profundos, superficiais e tônus PASSO 03 - Avalie a sensibilidade CAS0 01 . Mulher de 38 anos admitida em unidade hospitalar por fraqueza de MMII há 2 dias de rápida evolução. Não consegue deambular. Refere incontinência fecal e urinária associada. EXAME NEUROLÓGICO DIRECIONADO ● Presença de nível sensitivo em T10 ● Hiperreflexia e hipertonia em membros inferiores ● Cutâneo Plantar extensor bilateral (Sinal de Babinski) DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO ● Hipertonia + Hiperreflexia + Babinski→ Sd do neurônio motor superior ● Nível sensitivo + Incontinência fecal e urinária→Medula ETIOLOGIAS ● Hérnia de disco ● Trauma raquimedular (TRM) ● Esclerose múltipla ● Metástase óssea provocando compressão medular EXAMES SOLICITADOS ● RM de coluna torácica CAS0 02 . Mulher, 57 anos, fraqueza em mãos e pés há 6 meses. Apresenta dificuldade para segurar objetos e ficar na pontas dos pés. Quadro em piora progressiva, porém insidiosa EXAME NEUROLÓGICO DIRECIONADO ● SEM sinais de liberação piramidal ● Reflexos hipoativos: aquileu, patelar e palmar ● Redução da sensibilidade profunda com sensibilidade superficial preservada DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO ● Hipotonia + Hiporreflexia→ Sd do neurônio motor inferior ● Reflexos REDUZIDOS e NÃO abolidos→ Nervo→ Polineuropatia sensitivo-motor crônica ETIOLOGIAS ● Polineuropatia diabética ● Polineuropatias autoimunes ● Polineuropatia infecciosa (HIV, sífilis) EXAMES SOLICITADOS ● Eletroneuromiografia (ENM)→ documentar e identificar padrão (axonal ou desmielinizante) ● Exames laboratoriais: Glicemia, Hb1Ac, Sorologias, VHS, PCR… 16 - CAS0 03 . Mulher, 24 anos, queixa-se de fraqueza muscular há 7 dias. Iniciou o quadro com fraqueza em MMII, e evoluiu para tetraparesia. Apresenta parestesia associada nos dedos das mãos e pés. Chegou acamada EXAME NEUROLÓGICO DIRECIONADO ● Arreflexia e hipotonia muscular ● SEM sinais de liberação piramidal ● SEM alterações de sensibilidade ao exame DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO ● Hipotonia + Arreflexia→ Sd do neurônio motor inferior ● Reflexos ABOLIDOS→ Raiz→ Polirradiculopatia aguda ETIOLOGIAS ● Síndrome de Guillain barré ● Polirradiculopatia inflamatória (LES) ● Polirradiculopatia infecciosa (HIV) EXAMES SOLICITADOS ● Eletroneuromiografia → documentar e identificar padrão (axonal ou desmielinizante). PORÉM pode estar normal nos quadros agudos ● Líquor→ Se Sd de Guillain Barré: dissociação citoproteica (↑ proteínas e celularidade normal) EXTRA: SD DE GUILLAIN BARRÉ (SGB) ● Distúrbio autoimune adquirido, dividido em 2 tipos: desmielinizantes e axonais. A principal apresentação é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda (PDIA) ● Gatilhos: Infecções virais ou bacterianas, imunizações, medicações ● Quadro clínico: Paralisia PROGRESSIVA, RÁPIDA, ASCENDENTE e BILATERAL Reflexos ausentes ou reduzidos Padrão parestésico em bota e luva Diminuição da sensibilidade tátil ● Diagnóstico: Eletroneuromiografia + Líquor (dissociação citoproteica) ● Tratamento: Plasmaférese e imunoglobulina IV 17 ~ ~ ~ ⑳ -