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CURSO DE DIREITO PRÁTICA FORENSE PENAL Aula 01 – Revisão Espécies de Prisão – Prisão em Flagrante – Relaxamento de Prisão em Flagrante – Aspectos Práticos. Prof. Wilian Sapito 1.1 – Espécies de Prisão: 1.1.1 – Prisão Extrapenal: Prisão Militar A prisão disciplinar de militares consiste no confinamento dos servidores militares que não seguiram as leis regulamentares, cometendo transgressão disciplinar grave. Entretanto, os militares não são levados para prisões convencionais, com criminosos comuns. São conduzidos para alojamento de pares ou outro local adequado, conforme decidir a autoridade disciplinar. Inclusive, em regra, não cabe habeas corpus em caso de punição disciplinar, exceto se houver vícios no procedimento. A restrição contida no artigo 142, §2º da Constituição Federal (Não caberá “habeas-corpus” em relação a punições disciplinares militares) se refere tão-somente ao mérito da punição disciplinar, não afastando a possibilidade do exame da legalidade do ato atacado. No Direito Administrativo aplicado aos integrantes das Forças Armadas: Exército, Marinha e Aeronáutica, bem como às Forças auxiliares: Polícia Militar, Brigada Militar (RS) e os Corpos de Bombeiros Militares. Prisão Civil Devedor de Alimentos. Depositário Fiel x Depositário Infiel: O depositário fiel é a pessoa a quem se entrega um bem e confia sua guarda, cabendo a este o dever legal de preservá-lo e restitui- lo na ocasião ajustada ou quando lhe for solicitado, ressalvando que este encargo depende de aceite do depositário. Porém, pode ocorrer o perecimento do bem que está em poder do depositário fiel em virtude da demora na solução definitiva durante o procedimento judicial e cumpre CURSO DE DIREITO PRÁTICA FORENSE PENAL apurar qual a responsabilidade do depositário e determinar se houve culpa ou dolo na guarda e conservação do bem. O depositário infiel é aquele indivíduo que se recusa, injustamente, a devolver a coisa que lhe foi confiada em depósito. E quais seriam as consequências impostas ao infiel depositário? A Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso LXVII, prevê a possibilidade da prisão civil do depositário infiel: “Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel”. No entanto, a Súmula Vinculante nº 25 do STF, em atenção à recepção da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), afastou a possibilidade da prisão civil do depositário infiel. Súmula Vinculante nº 25 do STF: É ilícita a prisão do depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. O depositário infiel do bem, embora não esteja sujeito a prisão civil nos termos da Súmula Vinculante nº 25 do STF, pode ser considerado criminoso e sofrer punição nos termos do Código Penal, podendo responder pela prática do tipo penal de apropriação indébita, nos termos do art. 168, § 1º, inciso II, do Código Penal. O descumprimento do encargo também importa na obrigação civil de indenizar pela perda do bem confiado, de acordo com o art. 161, parágrafo único, do CPC. Além disso, o infiel depositário poderá sofrer condenação ao pagamento de multa por Ato Atentatório à Dignidade da Justiça, cabível pelo descumprimento do compromisso assumido. 1.1.2 – Prisão Penal – é a que decorre de sentença condenatória com trânsito em julgado. De acordo com o atual entendimento do STF, é constitucional a regra do Código de Processo Penal que prevê o esgotamento de todas as possibilidades de recurso (trânsito CURSO DE DIREITO PRÁTICA FORENSE PENAL em julgado) para o início do cumprimento da pena, ou seja, não existe mais a possibilidade da tal prisão em segunda instância ou segundo grau, pois segundo o STF precisamos do esgotamento de todos os recursos para que haja prisão. REGRA: Art. 283 do Código de Processo Penal - Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal transitada em julgado. EXCEÇÃO decorrente do Princípio da Soberania dos Vereditos. Art. 492. Em seguida, o presidente proferirá sentença que: I – No caso de condenação: (...) e) Mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se presentes os requisitos da prisão preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão, determinará a execução provisória das penas, com expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem prejuízo do conhecimento de recursos que vierem a ser interpostos; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019 – Pacote Anticrime). 1.1.3 – Prisão Cautelar, ou Provisória, ou Processual. a) Prisão em Flagrante. b) Prisão Preventiva. c) Prisão Temporária. CURSO DE DIREITO PRÁTICA FORENSE PENAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS DO PRESO: SÚMULA VINCULANTE Nº. 11 DO STF: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. P – Perigo; R – Resistência; F – Fuga; OBS: Depreende-se da Súmula que o uso das algemas não é proibido, porém elas não podem ser usadas de forma indiscriminada, e sim como exceção, passando a ser necessária, por parte do policial, a justificativa por escrito sempre que houver algemação, sob pena de tripla responsabilização do agente, ou seja, na esfera administrativa, civil e penal, além de ser passível a responsabilidade estatal, uma vez que esses profissionais agem em nome do Estado. RESPEITO À INTEGRIDADE FÍSICA E MORAL: Art. 5º, XLIX da CF - É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; COMUNICAÇÃO AO JUIZ E À FAMÍLIA: Art. 5º, LXII da CF - A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; CURSO DE DIREITO PRÁTICA FORENSE PENAL COMUNICAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO: Art. 306 do Código de Processo Penal – A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. DIREITO AO SILÊNCIO E À ASSISTÊNCIA À FAMÍLIA E DE ADVOGADO: Art. 5º, LXIII da CF - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. Art. 186 – Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003). Parágrafo único – O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003). Portanto, não se pode coagir alguém preso ou investigado a se manifestar, devendo todo cidadão sob investigação ser informado pelas autoridades que não é obrigado a responder a perguntas. Além disso, o preso possui o direito de avisar sua família ou outra pessoa que indique para que saibam de sua situação, bem como solicitar um advogado para auxiliar em sua defesa para que, assim, seja garantido que receba um tratamento de acordo com a lei e a Constituição. IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELA PRISÃO E INTERROGATÓRIO POLICIAL: Art. 5º, LXIV da CF - O preso tem direito à identificaçãodos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial. O presente inciso visa garantir o direito à defesa contra eventual abuso praticado pela autoridade policial. Afinal, ao se exigir a identificação do responsável pela CURSO DE DIREITO PRÁTICA FORENSE PENAL prisão ou interrogatório, é garantido ao preso a possibilidade de questionar a competência ou atribuições da autoridade que praticou o ato e a sua conformidade com a legislação e seus regulamentos. RELAXAMENTO DA PRISÃO ILEGAL: Art. 5º, LXIV da CF - A prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. Art. 310, I do CPP - Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: I - relaxar a prisão ilegal; Assim, a prisão em flagrante possui caráter administrativo, isto é, ela é efetuada sem um mandado expedido por uma autoridade judiciária, e, por isto, estará sempre sujeita à avaliação imediata de um juiz em uma Audiência de Custódia. Essa audiência deve ocorrer dentro de 24 horas, contadas da efetivação da prisão em flagrante do indivíduo. Dessa forma, o juiz poderá analisar tanto a legalidade da prisão, como também a necessidade de sua manutenção.