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1. Efeito Obstativo
O efeito obstativo impede o trânsito em julgado de uma decisão enquanto houver um recurso pendente. Isso significa que a decisão não se torna definitiva, mantendo-se em aberto até que o recurso seja julgado. A pendência do recurso "obsta" (impede) que a decisão se torne final. Esse efeito é essencial para garantir que todas as possibilidades de recurso sejam esgotadas antes que a decisão tenha força de coisa julgada.
2. Efeito Devolutivo
O efeito devolutivo refere-se à transferência da matéria impugnada ao tribunal superior para reexame. Ele opera conforme o princípio "tantum devolutum quantum appellatum", ou seja, o tribunal só examinará as questões que foram impugnadas no recurso. A delimitação do efeito devolutivo é feita na petição de interposição do recurso, e se a delimitação não for feita, entende-se que houve impugnação de toda a matéria.
O efeito devolutivo pode ser atenuado pelo princípio da reformatio in melius, onde o tribunal pode melhorar a situação do réu, mesmo que a matéria não tenha sido devolvida para análise.
3. Efeito Suspensivo
O efeito suspensivo impede que a decisão impugnada produza efeitos enquanto o recurso não for julgado. Diferente do efeito obstativo, o efeito suspensivo refere-se à impossibilidade de executar a decisão enquanto o recurso estiver pendente. No processo penal, por exemplo, uma sentença absolutória não tem efeito suspensivo, permitindo que o réu seja libertado imediatamente, mesmo que o Ministério Público recorra. Já a sentença condenatória geralmente possui efeito suspensivo, mantendo o réu em liberdade até o julgamento do recurso.
Esse efeito está profundamente relacionado ao princípio da presunção de inocência, que garante que o réu seja tratado como inocente até o trânsito em julgado da sentença condenatória.
4. Efeito Regressivo
O efeito regressivo ocorre quando o próprio juiz que proferiu a decisão impugnada tem a oportunidade de reexaminá-la, em um juízo de retratação. Alguns recursos possuem esse efeito, como o RESE (Recurso em Sentido Estrito), a carta testemunhável e o agravo em execução. Nesses casos, o juiz pode reformar ou manter sua decisão antes que o recurso siga para o tribunal superior.
5. Efeito Extensivo
O efeito extensivo permite que a decisão de um recurso, quando favorável, aproveite também a outros réus, desde que o motivo não seja de caráter exclusivamente pessoal. Esse efeito aplica-se em situações de concurso de agentes, como previsto no artigo 580 do Código de Processo Penal. Caso o tribunal não se pronuncie sobre o efeito extensivo, a parte interessada pode interpor embargos de declaração para esclarecer a questão.
6. Efeito Substitutivo
O efeito substitutivo significa que a decisão proferida pelo tribunal no julgamento do recurso substitui a decisão impugnada. Mesmo que o tribunal negue provimento ao recurso, a nova decisão substituirá a anterior no que foi objeto de recurso. Esse efeito está limitado à matéria devolvida ao tribunal, ou seja, aquilo que foi impugnado no recurso.
7. Efeito Translativo
O efeito translativo devolve ao tribunal superior toda a matéria não atingida pela preclusão, ou seja, qualquer questão que ainda possa ser discutida. Esse efeito é especialmente relevante no caso dos recursos de ofício (ou reexame necessário), onde o tribunal analisa questões que não foram objeto de impugnação pelas partes. A Súmula 160 do STF reforça que é nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação, exceto nos casos de recurso de ofício.

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