Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

História da 
Filosofia Antiga
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Antonio Auresnedi Minghetti
Revisão Textual:
Aline Gonçalves
A Filosofia Platônica
A Filosofia Platônica
 
 
• Conhecer a teoria platônica das “ideias” das formas eternas e imutáveis que pertencem ao 
âmbito do inteligível e sua relação com o mundo sensível e o mundo inteligível.
OBJETIVO DE APRENDIZADO 
• Platão;
• O Monismo Parcial em Platão;
• A Democracia Ateniense – Política em Platão;
• A Utopia de Platão;
• A “Segunda Navegação” e a Teoria das Ideias;
• A Cosmogonia de Platão;
• O Conhecimento e a Eidologia em Platão.
UNIDADE A Filosofia Platônica
Platão
Arístocles, exato nome de Platão (428-348 a.C.), nasceu na cidade-estado de Atenas. 
O codinome Platão, significando ombros largos, foi dado ao pensador em sua juven-
tude, em face de seus atributos físicos. Platão foi um dos mais importantes pensadores 
do período antropológico da filosofia grega; discípulo de Sócrates, optou por uma 
filosofia fundeada na teoria de que o mundo que percebemos com os sentidos seria 
ilusório, ambíguo. 
A partir de Platão, três principais ramos da filosofia se acentuam:
• Ontologia: estudo do ser ou da existência. Os filósofos que estudam ontologia 
indagam sobre o que queremos dizer quando afirmamos que algo existe;
• Epistemologia: estudo do conhecimento. Os filósofos que estudam epistemologia 
questionam o que queremos dizer quando afirmamos que sabemos algo;
• Ética (ação): estudo do comportamento moral e social. Os filósofos que estudam 
ética querem saber o que significa ser uma pessoa e como as pessoas podem e 
devem agir.
Platão fundou um pensamento metafísico próprio, pelo qual colocou em segundo 
plano a questão do “ser” e das “essências”, como princípio e fundamento apriorístico 
para a obtenção de quaisquer tipos de conhecimento acerca do mundo. Para Platão, 
o mundo espiritual seria mais elevado, eterno, seria o locus onde se encontram ver-
dadeiramente as ideias, somente acessíveis por meio da razão. O mundo espiritual 
platônico seria a realidade intelectual, verdadeira e só acessada somente através da 
racionalidade do ser humano. 
Distinção entre Mundo Sensível e Mundo Inteligível
Em Platão, o mundo sensível seria a realidade com a qual nos defrontamos cotidia-
namente, acessada por nossa experiência suprassensível, mas essa realidade é ilusória 
e inferior, dado levar o ser humano ao erro, motivado pelas aparências das coisas, as 
quais não correspondem às essências.
Para Platão, as ideias que surgem no pensamento são imutáveis, eternas e levam à 
aquisição de conceitos que conduzem ao conhecimento. No mundo platônico espiri-
tual das ideias, estariam as essências das coisas, ou as ideias fixas e imutáveis que 
delineiam cada ser ou objeto existente. Assim ele escreveu: “As coisas desfazem-se em 
pó e as ideias ficam” (1993, p. 4). 
Platão tinha Sócrates como seu mestre e iniciador na Filosofia, enquanto mentor 
intelectual e amigo. A maioria dos escritos de Platão configura os diálogos socráticos, 
narrativas em que Sócrates se faz personagem principal. Não obstante a dificuldade his-
toriográfica em apartar as teses que seriam inéditas de Platão do exposto por Sócrates, 
o que se deve ter na consciência é que Sócrates legou a Platão suas principais ideias, 
ético-políticas, metafísicas e epistemológicas, proliferadas na Academia fundada por Platão, 
onde se cultivavam as influências socráticas no modo de se ensinar daquele período.
8
9
A dialética platônica, influenciada por Parmênides, constitui-se em determinada téc-
nica oral de diálogo filosófico para a obtenção de uma nova ideia, resultante da síntese 
entre duas ideias opostas, a tese e a antítese. 
Em Platão surgem as bases do idealismo, doutrina filosófica que atribui ao conheci-
mento puramente racional e às ideias a centralidade na busca pela verdade sem proba-
bilidade de erros. Considerada como a mais importante e a mais influente, nela Platão
criou ideias e conceitos para encontrar a verdadeira essência e o verdadeiro conheci-
mento possível dos eventos. Segundo o filósofo, todo o conhecimento e toda a verdade
existiria, verdadeira e imutavelmente, em sua forma ideal, que seria suprema e verda-
deira. Esse conhecimento ideal estaria no Mundo das Ideias, uma instância metafísica e 
racional, que só poderia ser obtida por nosso intelecto. Em oposição, aquilo que conhe-
cemos por meio de nossos sentidos corpóreos seriam meras ilusões, um conhecimento 
inferior e falaz. O idealismo platônico permeia tanto aspectos metafísicos quanto 
aspectos epistemológicos.
O Monismo Parcial em Platão
Parmênides defendia o monismo e o imobilismo ao propor que toda a existência 
fosse eterna, imutável, indestrutível, indivisível e, por conseguinte, imóvel. O monismo
parmenediano estabelece a existência de uma realidade única, por isso Platão estabe-
leceu uma distinção entre realidade e aparência. 
O monismo, em sua acepção, refere nomeadamente à metafísica, ao defender a con-
cepção de que a essência, na realidade, funda-se em um princípio único e original, em 
contraponto à concepção filosófica dualista, que afirma haver existência de mais de um 
princípio explicativo para aludir à realidade. Não obstante, quaisquer sejam as interpre-
tações, no monismo, entende-se que, por trás da aparência e da pluralidade existencial, 
o universo consiste em uma substância comum, a qual permite explicar a natureza de 
todas as coisas existentes. 
Segundo o dicionário de filosofia de Ferrater Mora (1977, p. 269), no monismo
é possível admitir que existe apenas a matéria, ou apenas o espírito, mas que não se 
deixa de ser monista quando se admite a existência de uma pluralidade de indivíduos, 
sempre que que estes sejam da mesma substância. É comum utilizar os termos monis-
mo e monistas para se referir, respectivamente, à doutrina e aos filósofos que defendem 
a existência de uma substância única, como o fizeram Parmênides de Eleia (530-460) 
e Baruch Spinoza (1632-1677).
O monismo exibe algumas variantes:
• Monismo Ontológico: pensamento metafísico que entende a realidade como for-
mada por único elemento originário, o qual pode contrair todo tipo de forma e jeito 
de se estruturar;
• Monismo Materialista: assevera que qualquer realidade se reduz a algo específico, 
como os átomos, independentemente da forma como se organizam;
9
UNIDADE A Filosofia Platônica
• Monismo Espiritualista: reduz toda a existência real e singular a uma invenção da 
mente humana, com uma característica basal, a de ser espiritual;
• Monismo Antropológico: refere um conjunto de doutrinas filosóficas que entende 
seres humanos a partir de única substância material ou espiritual.
Platão segue parcialmente a teoria de Parmênides, transformando-a em uma me-
tafísica dualista, o Mundo das Ideias e das Formas e o mundo sensível, opondo-se 
às doutrinas monistas dos filósofos pré-socráticos, que defendiam a existência de uma 
substância única e originária para explicar a natureza. Especificamente, Platão afirmava 
que o ser humano seria uma combinação de alma, um princípio imaterial e imortal, e 
corpo, uma matéria mortal; por isso Platão pregava que o verdadeiro conhecimento 
deveria enfocar a parte espiritual do ser humano e não sua dimensão corporal. A con-
cepção dualista atinge sua máxima relevância com os filósofos cristãos medievais, que 
passaram a defender a distinção entre alma e corpo para explicar o homem.
A Democracia Ateniense – 
Política em Platão
Platão se interessou pela concepção de democracia ateniense (demo = povo e kracia 
= governo), partiu de fundamentos e estruturas políticas, consolidadas nas poleis, as cida-
des-estados, que em Atenas se tornou uma organização institucionalizada, autônoma e 
basal para a organização política e social dos atenienses, uma estreita intercomunicação 
em assembleias populares abertas a todos os cidadãos, as Eclésias, que uniam o po-
der público e os cidadãos.
A democracia grega requisitava a liberdade eera demandada como um atributo de 
cidadania, exalando um sentimento de orgulho, não obstante limitações em face dos 
direitos do Estado, responsabilidades impostas pela disciplina cívica, que impunha a 
submissão aos prelados estabelecidos, e a sujeição às leis instituídas. No entanto, essa 
democracia ateniense foi profundamente afetada por uma dicotomia, de um lado o par-
ticularismo da cidade, de outro, o universalismo helênico cultural, citado por Platão 
no livro I da República, o conceito socrático de Areté, a virtude política, praticada na 
vida pública de forma livre e igualmente por todos em sua plenitude, que confrontava as 
atribuições condizentes à cidadania porque estava ligado à ideia de érgon, a função que 
Platão une à Areté do homem, que lhe permitiria cumprir o seu érgon, com o mais alto 
grau de perfeição, quando então conclui que o homem seria um ser de corpo e alma, 
com essa última destinada à função de governar, deliberar e dirigir o corpo. 
O mito de Er é uma história que Platão conta em A República, livro X, referindo 
um conto que fala de alguém que retornou do reino de Hades, ou mundo inferior, na 
mitologia grega, uma referência à terra dos mortos. No mito de Er, o essencial é que, 
fossem quais fossem as injustiças cometidas, as almas injustas pagavam a pena de quan-
to houvessem feito em vida, a fim de purificarem a alma. Platão, discípulo de Sócrates, 
dizia que o poder da virtude era tal que teria repercussões para além da própria e limi-
tada vida de um indivíduo. Assim, Platão retoma o tema da imortalidade por meio de 
10
11
um mito, que se tornou uma figura literária muito usada na Grécia antiga, mais como 
O Purgatório, pois, para alguns, representa um nível intermédio entre o Inferno e o Céu.
As obras de Platão, em sua maior parte, referem diálogos socráticos, com um tema 
específico, sem se encerrar nele, o que o distingue dos escritos de Aristóteles, que re-
fere temas exclusivos.
A Utopia de Platão
Em A República, a mais famosa de Platão, uma descrição do paraíso terrestre, foi a 
primeira grande utopia política ocidental, obra produzida por Platão por volta de 380 
a.C., dividida em dez livros escritos em forma de diálogo, no qual Sócrates se faz perso-
nagem principal. Na obra, Platão apresenta a procura de Sócrates por um sistema ideal 
de governo e propõe um tratado sobre teoria política, no qual despontam tanto tendên-
cias democráticas quanto totalitárias. Para Platão, o Estado Ideal se constituiria de uma 
espécie de monarquia intelectual, que atendesse a todos os cidadãos da polis, para tanto, 
sugere um governo absoluto da sociedade pelos filósofos ou sábios, no qual deveria im-
perar um forte igualitarismo, com a divisão de poderes e os tipos de caráter envolvendo 
o bem e a justiça, que deveriam preponderar entre os ocupantes de cargos públicos.
A obra A República marca um influente pensamento político que se convencionou 
denominar a Utopia de Platão, considerada por ele como fundamental para a edifica-
ção de uma ordem social, na qual o protótipo da perfeição seria o elemento norteador 
da existência de uma coletividade plenamente harmônica e fraterna.
A Utopia Platônica idealizava uma organização social altamente hierarquizada, 
que seria a sociedade ideal, constituída de uma divisão tripartite, conforme a capacidade 
intelectual de cada indivíduo:
• A primeira seria constituída de agricultores, artífices e mercadores, uma cama-
da de indivíduos responsáveis pela produção e distribuição de provimentos para 
a comunidade ;
• A segunda seria composta por militares, mais dedicada à defesa da polis ;
• A terceira constituiria os Filósofos Governantes, uma classe superior, que se serve 
da razão em suas atitudes, intelectuais com poder político.
Platão exemplifica seu mundo das ideias por meio de uma alegoria, o conhecido 
Mito da Caverna, também conhecido como a Alegoria da Caverna, metáfora que 
apresenta uma visão que excede meras aparências, escrito por Platão no livro VII de 
A República; contém um diálogo de Sócrates, personagem principal, e Glauco, perso-
nagem inspirado no irmão de Platão, a exemplificar o modo de governo perfeito por 
meio da intelecção pura e do conhecimento racional, através de um conto alegórico para 
explicar a superioridade do conhecimento advindo do Mundo das Ideias e do raciocí-
nio, o exercício da razão pelo qual se procura alcançar o entendimento de atos e fatos, 
no qual se formulam ideias, se elaboram juízos, se deduz algo a partir de uma ou mais 
premissas, através do método dialético. Esse mito revela a relação estabelecida pelos 
conceitos de escuridão e ignorância, luz e conhecimento.
11
UNIDADE A Filosofia Platônica
O Mito da Caverna, disponível em: https://bit.ly/2BljJXQ
Em A República, Sócrates exercita a fantasia e a imaginação de Glauco, solicitando 
ao jovem conceber uma caverna cuja entrada seria extensa a ponto de não lhe adentrar 
a luz do sol, e em seu interior existem prisioneiros ali mantidos desde seu nascimento, 
acorrentados em uma parede, tal que eles somente poderiam ver a parede frontal a eles, 
na qual sombras formadas por uma fogueira num fosso anterior a eles seriam proje-
tadas, refletindo imagens que os fazem acreditar que toda a realidade seriam aquelas 
sombras, restritas ao mundo refletido naquelas experiências, as quais acreditavam ser 
a realidade.
Certo dia, um dos prisioneiros é liberto por uma razão qualquer e começa a ex-
plorar o interior da caverna, descobrindo que as sombras que ele sempre via seriam 
aleatórias e ocorrentes por trás da fogueira. Esse prisioneiro consegue sair da caverna e 
encontra uma realidade muito mais ampla, viva e complexa do que a que julgava existir 
quando estava preso. Primeiro sente um intenso incômodo com a luz solar, que o cega 
momentaneamente, e, após algum tempo, consegue enxergar e perceber que a realida-
de e a totalidade do mundo seriam muito distintas daquilo que ele tinha conhecimento 
até então. Tomado por um dilema entre retornar à caverna e se submeter ao julgamento 
de seus companheiros que o achariam um louco e aproveitar a oportunidade de desbra-
var o novo mundo que se lhe apresentava. O homem aprende que aquilo que julgava co-
nhecer seria fruto de um dolo de seus sentidos, o que comprovaria as limitações destes.
A intenção de Platão com a metáfora foi apresentar graus de conhecimento hierar-
quizados: Existiria um grau inferior, sensível, que identificaria o conhecimento obtido 
pelos sentidos do corpo, que permitiria ao prisioneiro ver tão somente as sombras e, 
em grau superior, o conhecimento racional disponibilizado no exterior da caverna. Por 
trás da metáfora é possível ler:
• Os prisioneiros representam os homens comuns, que se satisfazem com o grau 
inferior de conhecimento e não procuram o conhecimento racional;
• A caverna seria o nosso próprio corpo, cujos sentidos apresentam limitações em 
seus sentidos, e a caverna seria a única opção de uma sabedoria enganadora e dis-
ponível por meio das sombras na parede da caverna; 
• A saída da caverna seria o movimento em direção ao conhecimento racional e 
verdadeiro, e abandonar a caverna representaria alçar à sabedoria por meio do 
entendimento de conceitos racionais;
• A luz solar, que no início causaria um inicial desconforto, seria a sabedoria, a 
única adequada a tornar o ser humano diverso dos outros animais e inteiramente 
desenvolvido.
Alegoria da Caverna
No livro “Convite à Filosofia”, de Marilena Chaui, encontram-se possíveis interpre-
tações da Alegoria da Caverna de Platão, da qual podemos destacar a seguir.
12
13
As sombras na parede correspondem às percepções, reflexos que identificam o mundo 
das aparências, ou a realidade perceptível das coisas do mundo físico, e aquilo que se 
encontra fora da caverna representa as formas ideais, a alegoria, as aspirações. Platão
estabelece uma distinção entre o mundo das trevas, da ignorância (a caverna), e o mundo 
das luzes (o sol), que na alegoria implicaria o conhecimento verdadeiro.A alegoria da caverna mostra o quão difícil é entender a realidade quando ela nos 
aparece somente na forma como se põe, o que põe em causa justificar que a realidade 
aparente seria tudo o que existe, ou seja, se faz absolutamente necessário enxergar 
além das aparências e agir de acordo com a verdade ideal. Dado que jamais tivessem 
visto coisas outras, os prisioneiros concebem que as sombras vistas são a realidade, não 
podem saber que são sombras, tampouco poderiam saber que são imagens, nem que 
exista outro mundo fora da realidade da caverna. 
Para Platão, as coisas seriam sombras das ideias perfeitas do topus auranios, um 
local supraceleste, tal que a ele se ascenda somente pelo conhecimento e não pela exata 
realidade, mas que, através da dialectica ascendente, o homem, antes preso à caverna e 
submetido aos enganos dos sentidos, poderia se aproximar. A dialética na metafísica de 
Platão é considerada a ponte capaz de realizar a passagem do mundo sensível para o 
mundo inteligível, reportada no livro VII da obra A República, que aborda esse diálogo 
a partir do “mito da caverna” e na sua relevância com o processo da formação de um 
bom governante para a cidade. 
A dialética platônica seria um procedimento que consistiria em operar expondo e 
examinando teses contrárias sobre um mesmo assunto ou sobre a mesma coisa, tal a 
descobrir qual das teses seria falsa e deveria ser abandonada e qual seria verdadeira 
e deveria ser conservada, com o objetivo de, ao término, intuir intelectualmente uma 
essência ou ideia.
A interpretação do prisioneiro que se fez liberto indica a cegueira inicial a que é 
submetido num primeiro momento de liberdade plena e de conhecimento do real, 
ante a contemplação da própria realidade. Então, conhecedor do mundo, o prisioneiro 
regressaria à caverna e, desorientado pela escuridão, descreveria aos outros o que viu 
e tentaria libertá-los. No entanto, seus amigos prisioneiros outros abusariam dele, pois 
não acreditariam em suas palavras, expondo o liberto ao risco de ser flagelado.
No Mito da Caverna existe uma relação íntima entre a Paideia e a Aletheia grega. 
A Paideia era uma referência ao sistema de educação e formação ética da Grécia Antiga, 
a qual incluía a Ginástica, a Gramática, a Retórica, a Música, a Matemática, a Geografia, 
a História Natural e a Filosofia com o objetivo de formação integral de um cidadão, para 
que fosse perfeito e completo, capaz de liderar e ser liderado e desempenhar um papel 
profícuo dentro da sociedade. A Aletheia refere o não oculto, o não escondido, o não 
dissimulado; para os antigos gregos, indicava a verdade e a realidade, simultaneamente. 
Entendiam que o verdadeiro é aquilo que se manifesta aos olhos do corpo e ao espírito, 
revelando a verdade, a manifestação pura daquilo que é ou que existe tal como é, tal que 
o verdadeiro seria o evidente ou o plenamente visível para a razão. Na Aletheia, a ver-
dade seria uma qualidade das próprias coisas, tal que o verdadeiro estaria nas próprias 
coisas. Portanto, conhecer seria ver e dizer a verdade que está na própria realidade e, 
dessa forma, a verdade dependeria de que a realidade se manifestasse (CHAUÍ, 2002).
13
UNIDADE A Filosofia Platônica
O Mito da Caverna propõe uma analogia entre os olhos do corpo e os olhos do 
espírito, exatamente como na passagem da obscuridade à luz; tal como ocorre com os 
olhos ofuscados pela luminosidade do Sol, assim também ocorre com o espírito ao pri-
meiro contato com a luz da ideia do Bem, que ilumina o mundo das ideias, o eîdos ou 
as formas inteligíveis, que requisita a visada do olho do espírito. Assim, alegoricamente, 
a Paideia envolta no mito requisita uma conversão do olhar que, ao deixar de olhar as 
sombras, passa a olhar as coisas verdadeiras. 
Todo o texto da Alegoria da Caverna é carregado de uma simbologia muito singular, 
em que ontologicamente se aloca a realidade sensível e a suprassensível. As sombras 
projetadas na caverna podem simbolizar as aparências sensíveis, enquanto sua oclusão 
poderia simbolizar a linha divisória entre esses dois tipos de realidades, e aquilo que se 
encontra do lado de fora da caverna poderia simbolizar o verdadeiro, conjuntamente 
com todas as ideias que suscita, como a ideia do bem representado pelo sol.
A visão das sombras promove a eikasía ou imaginação, e a movimentação das 
imagens leva à pístis ou crença em uma pseudoverdade. A experiência do prisioneiro 
liberto, entre a imaginação do real e a realidade exterior, reflete a dialética humana em 
seus múltiplos graus e intelecção. A experiência desse jovem não deixa de ter certo aspecto 
ascético, espiritual, místico e contemplativo, dado que a vida na pura luz representa 
a vida na dimensão do próprio espírito, onde o passar do sensível para o inteligível 
implica a libertação das coerções e uma conversão à visão do bem e na contemplação 
da divindade.
Retornar à caverna expressa uma política-educativa, que consiste na libertação dos 
prisioneiros subjugados às sombras e à ignorância. Nessa ocupação surge o filósofo-po-
lítico-pedagogo, o sábio, que se guia pela racionalidade, indica o caminho à liberdade; é 
a chamada Sofocracia. 
Neste ponto, convido-os a assistir ao filme Matrix e a estabelecer confluências com a Ale-
goria da Caverna de Platão. Matrix – Filme (1999). Disponível em: https://bit.ly/31ApHhW
The Matrix, filme de ficção científica e ação dirigido pelas irmãs Lilly e Lana Wachowski, 
lançado em 1999, se fez um ícone dentro do mundo cyberpunk, um subgênero de ficção 
científica caracterizado pelo avanço da tecnologia e pela incerteza da vida vivida. O filme 
revela a aventura de Neo, um hacker que é chamado para o movimento de resistência 
comandado por Morpheus, que luta contra a dominação dos humanos pelas máquinas. 
Morpheus lhe oferece dois comprimidos de cores diferentes: com um persistirá na ilusão, 
e outro deparará a verdade.
Matrix, em latim, significa útero, reflete uma distopia, uma narrativa passada em 
um universo opressivo, totalitário, onde o indivíduo verdadeiramente vive como um 
feto estático e imerso na matriz; não tem liberdade nem controle sobre si mesmo, algo 
semelhante ao cenário que Platão constrói, utilizando a filosofia idealista em seu Mito 
da Caverna. A vinculação entre o mito da caverna de Platão com o filme Matrix se 
faz evidente, em face de ambos discutirem a natureza do que é real e o processo de 
conhecimento para se chegar a essa realidade. 
14
15
Matrix narra a estória de Neo Anderson, um hacker de computador que, por meio 
de invasões pela internet, descobre a existência de um estranho programa na rede, a 
Matrix. Após as invasões, Neo é descoberto e procurado por um grupo que se intitula 
hackers, os quais alegam saber de uma verdade então desconhecida da maioria das 
pessoas, deixando a critério do protagonista conhecer a verdade e mudar sua vida para 
sempre ou continuar sendo enganado pela Matrix e esquecer todas as suas descobertas, 
no que Neo faz a opção por conhecer a verdade, buscar e encontrar a verdade por trás 
das aparências.
Segundo a prof.ª Marilena Chaui (2005), a condição de Neo Anderson, o protagonis-
ta do filme, é semelhante à do prisioneiro do Mito platônico da Caverna, o escravo que 
consegue se libertar da caverna e que representaria o filósofo. Libertar-se da caverna, 
em uma linguagem platônica, significa acessar o famoso mundo das ideias, o locus
livre de enganos, que está ancorado com as essências puras que envolvem as coisas do 
mundo. Para Platão, o conhecimento verdadeiro advém das ideias puras residentes
no intelecto, em contraste com o conhecimento enganoso, advindo das sensações 
do corpo.
Neo, tal qual o escravo liberto, descobriu existir uma realidade totalmente diversa 
daquela em que acreditava, o que, no filme, mostra que a responsabilidade pelo engano 
inicial de Neo seria o Software da Matrix, programado para iludir os humanos e levá-
-los a viver na ilusão de um mundo prazeroso, quando, na verdade, se constituía de um 
estadocaótico. 
Sócrates defendia que a saída da caverna seria o mesmo que investir em uma busca 
pelo conhecimento, que ultrapassaria qualquer doutrina, filosófica ou não, que se apre-
sentasse como de caráter indiscutível: evidências dúbias, crenças, preceitos, preconceitos 
e dogmas representados por uma cultura cominada, que impeça o homem de acessar o 
conhecimento puro. 
A prof.ª Marilena Chaui comenta determinada cena de Matrix, em que Neo sai pela 
primeira vez do programa, e a compara com a ocasião na qual o escravo na Alegoria 
da Caverna sai da caverna pela primeira vez e tem sua visão ofuscada pelo Sol, tendo 
dificuldades para se habituar com a luz. Da mesma forma ocorre quando Neo se des-
conecta e experimenta as insatisfações da vida real, até quando sua mente e seu corpo 
percebem e aceitam a desconstrução de tudo que ele tinha por certo. Para Chaui,
conhecer a verdade permitiria a emancipação do cidadão.
Platão encerra o diálogo de sua obra A República, incitando a Causa Universal:
O antro subterrâneo é o mundo visível. O fogo que o ilumina é a luz do 
sol. O cativo que sobe à região superior e a contempla é a alma que se 
eleva ao mundo inteligível. Ou, antes, já que o queres saber, é este, pelo 
menos, o meu modo de pensar, que só Deus sabe se é verdadeiro. Quan-
to a mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nos extremos limites do mun-
do inteligível está a ideia do bem, a qual só com muito esforço se pode 
conhecer, mas que, conhecida, se impõe à razão como causa universal de 
tudo o que é belo e bom, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora 
da inteligência e da verdade no mundo invisível, e sobre a qual, por isso 
mesmo, cumpre ter os olhos fixos para agir com sabedoria nos negócios 
particulares e públicos (g.m.). (1993, livro VII)
15
UNIDADE A Filosofia Platônica
A “Segunda Navegação” 
e a Teoria das Ideias
À investigação da realidade inteligível, que só poderia ser feita por meio de pensa-
mento, Platão denominou de “segunda navegação”, a qual envolveria a descoberta 
da metafísica, em oposição à investigação dos filósofos naturalistas. Essa segunda 
navegação” consistiria na descoberta de uma realidade suprassensível, uma dimensão 
suprafísica do ser, um gênero de ser não físico, a qual os naturalistas tentaram explicar 
apelando às causas de caráter físico.
Para Platão, esse seria um problema basal, ou seja, até que ponto as causas de caráter 
físico representariam as verdadeiras causas ou constituiriam simplesmente concausas, 
conjunto de condições preexistentes, suscetíveis de modificar o curso natural dos resul-
tados. A questão que suscitava em Platão envolvia saber se a causa daquilo que é físico 
não estaria em algo não físico.
Para encontrar respostas a esse problema, Platão empreendeu aquilo que ele simbo-
licamente chamou de “segunda navegação”, uma expressão utilizada na antiga lingua-
gem dos homens do mar, a qual se referia ao fato de que, tendo o vento cessado e não 
mais as velas a impulsionar o barco, recorria-se aos remos, ou seja, o caminhar seguiria 
seu rumo independentemente das circunstâncias.
Segundo Giovanni Reale (1994), essa metáfora refere duas maneiras de navegar: a 
primeira, na qual o barco é impulsionado pelos ventos, e a segunda, mais exaustiva, com 
o barco impulsionado por remos:
A primeira navegação é feita com velas ao vento, corresponderia àque-
la levada a cabo, seguindo os naturalistas e o seu método; A segunda 
navegação é uma expressão tirada da linguagem dos marinheiros, e 
sua significação parece ser fornecida por Eustáquio1, que, referindo-se 
a Pausâneas (geógrafo grego), explica: “Chama-se Segunda Navegação 
àquela que se leva adiante com remos quando se fica sem ventos”. Esta 
segunda navegação, feita com remos e ao serem muito mais cansa-
tivas e exigentes, corresponde ao novo tipo de método, que leva à 
conquista da esfera suprassensível. As velas ao vento dos físicos eram 
os sentidos e as sensações; os remos da segunda navegação são os 
raciocínios e os postulados. Justamente sobre eles se funda um novo 
método. (REALE, 1994, p. 52-53)
Para Platão, a primeira navegação representaria o percurso da filosofia realizado 
por meio do vento da filosofia naturalista, enquanto a segunda representaria a na-
vegação, realizada sob o impulso de sua construção pessoal. A primeira navegação 
se revelaria basicamente um desvio de rumo, utilizado pelos filósofos pré-socráticos, 
que não conseguiram explicar o sensível através do próprio sensível, enquanto a se-
gunda navegação se faz do encontro com o suprassensível por meio do ser inteligível. 
 
1 Eustácio de Tessalônica (1115-1195/6), bispo e acadêmico grego bizantino.
16
17
Na primeira navegação, o filósofo ainda é prisioneiro dos sentidos e do sensível, e na 
segunda, segundo Platão, existe um deslocamento diligente em direção do raciocínio 
puro adquirido pelo intelecto e pela mente. 
A Cosmogonia de Platão
A cosmogonia de Platão inclui a filosofia natural, exposta em seu diálogo Timeu, 
tratado teórico em forma de um diálogo socrático, escrito em, aproximadamente, 360 
a.C., no qual apresenta especulações sobre a natureza do mundo físico, onde revela o 
que é permanente, imutável, adquirido pela inteligência e o que está em transformação, 
adquirido pelo que ele chamou de opinião. No Timeu, Platão apresenta suas concep-
ções sobre a origem do universo, cindido entre as divindades e os humanos, e dado que 
ele seja apreendido por nossas sensações, não poderia ser eterno, não obstante ter sido 
criado por Deus. Esse mundo platônico surge entre narrativas míticas e especulações 
de filósofos pré-socráticos, mas Platão exibe uma teoria distinta e ligada ao seu pensa-
mento idealista, no qual a relação entre a humanidade e o universo jazem simétricas e a 
presença do bem permeia a totalidade do universo.
No Fédon (2003), Platão escreveu: 
Pensei nessa possibilidade e receei ficar com alma inteiramente cega, 
se fixasse os olhos nas coisas e procurasse alcançá-las por meio de um 
dos sentidos. Pareceu- me aconselhável acolher-me ao pensamento, para 
nele contemplar a verdadeira natureza das coisas. É muito provável que 
minha comparação claudique um pouco, pois estou longe de admitir que 
quem considera as coisas por meio do pensamento só contemple suas 
imagens, o que não se dá com que as vê na realidade. De qualquer modo, 
meu caminho foi esse. Em cada caso particular, parto sempre do princí-
pio que se me afigura mais forte, considerando verdadeiro o que com ele 
concorda, ou se trate de causas ou do que for, e como falso o que não 
afina com ele. Vou expor-te com maior clareza minha maneira de pen-
sar, pois quer parecer-me que não a apreendeste muito bem. (PLATÃO, 
Acrópolis, XLVIII)
Platão também se fez famoso por sua “teoria da anamnese” (a reminiscência), de 
acordo com a qual muitos de nossos conhecimentos não são adquiridos por meio da 
experiência, mas já conhecidos pela alma na ocasião do nascimento, uma vez que a 
experiência serve apenas para ativar a memória.
A teoria da reminiscência envolvia a alma, sábia e imortal, através da qual po-
deríamos, pela memória, distinguir o mundo suprassensível. Ao pensar a teoria da 
reminiscência, t ambém chamada anamnese, Platão propõe como papel fundamental 
ao filósofo, fazendo uso da maiêutica socrática, a responsabilidade de fazer a alma re-
cordar os conhecimentos que ela já contemplara anteriormente à encarnação no corpo. 
Para a reminiscência platônica, entre uma vida e outra, a alma imortal contem-
plaria as ideias perfeitas do mundo ideal, no entanto, ao reencarnar, olvidaria ideias 
17
UNIDADE A Filosofia Platônica
apresadas na esfera superior e as reevocaria posteriormente na forma de ideias inatas, daí 
concluir que a verdade plena não estaria fora do homem, mas em seu interior onisciente.
Pitágoras de Samos (571/570-500/490 a.C.) criara a Teoria da Metempsicose, ao 
asserir à alma prisioneira de um corpo em face de punição de faltas passadas. A encar-
nação seria, pois, um encarceramentoprovisório da alma, tal que pela morte do corpo 
renasceria em outro sucessivamente, via transmigração, até que, purificado pela virtude 
e pela prática de ritos iniciáticos, fizesse jus à libertação derradeira de toda a sua matéria.
Platão reevoca essa retentiva e a distingue em uma bifurcação que implica de um 
lado a memória (mnèma), e de outro a reminiscência (anamnèsis). Filosoficamente, 
para Platão, a memória se dividiria em dois andamentos, um inicial, que preservaria o 
traço inicial, e um segundo, que promoveria sua reevocação, ambos a conferirem certa 
autonomia à memória na propriocepção de eventos, decorrentes de afastamentos e de 
aproximações recorrentes, nos quais o instante retentivo se faz o traço mnêmico, cons-
titutivo da questão basal da tradição filosófica, quando seu caráter imanente acaba por 
exceder os liames da pura propriocepção memorial e acaba por revelar o caráter efême-
ro da alma na percepção. Platão deparara o problema ligado à memória como um traço 
inscrito na alma, pelo qual se concederia à reminiscência a condição da possibilidade de 
ré evocação de uma lembrança armazenada em momentos anteriores. 
Platão derivou, pois, da Metempsicose pitagórica à Teoria da Reminiscência ou 
Anamnese, a vida além-túmulo, que surge em forma de mito ao final de seu livro 
A República. Esse pressuposto contempla o conhecimento humano como saber inato, 
do qual o conhecer seria o rememorar, fundamento retirado do mito escatológico que 
tem por protagonista Er, que, após morrer em combate, decorridos dez dias, já em 
estado de putrefação, retornou do Hades à vida e observou que na outra existência as 
almas seriam selecionadas, submetidas a um julgamento e penalizadas por quanto de 
ilícito tivessem feito em vida. 
Segundo Platão, em A República, Sócrates concebia a alma como atividade pensante 
do homem ético, incluídas, pois, a consciência e as personalidades intelectual e moral; 
donde se conclui que cuidar de si mesmo significaria mais que cuidar tão somente do 
corpo. No Fédon (1981-a), Platão reaviva Sócrates, que, na busca da verdade, afirmou 
a alma ser enganada por percepções do corpo, por isso sempre na condição de erro. 
No entanto, Platão, ao buscar o inteligível, retoma a reminiscência em nova configura-
ção, em particular, para conhecimentos matemáticos, e conclui que, com os sentidos, se 
constata a existência de coisas iguais, maiores e menores, quadradas, circulares e outras 
análogas. Platão vai além no Filebo, onde apresenta o traço da origem sensível na memó-
ria, enquanto no Teeteto mostra o traço de origem inteligível e assim direciona a memó-
ria ao reconhecimento das essências e do universal para concernir à realidade perceptível. 
Leszek Kolakowski referiu à teoria da reminiscência: 
Se Deus, como foi dito, é incompreensível, o fato de observar e saber 
não é menos incompreensível – O meu (corpo) pode ser um milagre, mas 
o fato de tornar meu um corpo estranho, não previamente presente em 
mim, mas convertido num ato de consciência, é o milagre dos milagres. 
Uma vez que pensamos sobre isto, ainda, sentimos uma tentação de 
ceder à teoria platônica-augustiniana da anamnese, que conhecemos 
18
19
somente aquilo que sempre esteve em nós. Este é um dos caminhos 
pelo qual podemos abordar a visão do Todo-em-uma-parte: O todo está 
em nós e esta é a razão pela qual podemos saber alguma coisa (g.m.). 
(KOLAKOWSKI, 1988, p. 79) 
Participar de um diálogo filosófico, mesmo que seja um diálogo da alma consigo 
mesma, implica um afastamento de meras opiniões sobre as coisas para contemplar 
absolutamente as ideias e, ao recordar tudo o que se viu no mundo das ideias, onde tudo 
seria eternamente Bom, Belo e Verdadeiro, a alma aspira a se libertar do corpo corrup-
tível, no qual está aprisionada, e a voltar para o mundo das ideias. Enquanto isso não 
ocorre, a alma se afasta de tudo que é ligado ao corpo, dedicando-se à contemplação e 
à filosofia. Existem almas que se agarram ao corpo e a seus apetites e tomam o efêmero 
por duradouro, o relativo pelo verdadeiro.
Cumpre precisar que se conclui por sensação a competência em decodificar certos 
aspectos físico-químicos circundantes e intencionados através da recepção de estímulos 
captados por algum de nossos cinco sentidos: visual, auditivo, tátil, olfativo e gustativo. 
Porém, para Platão, a memória presentificaria fenômenos vividos não a partir das sen-
sações citadas, mas a partir de reminiscências percepcionadas, o que implicaria também 
especificar o conceito de percepção, que aqui se refere à interpretação dessas sensa-
ções, juntadas às informações sensoriais da memória e sua cognição, de modo a formar 
conceitos sobre o mundo e sobre nós mesmos. 
Platão, mesmo a distância, segue a proposição dos sofistas Heráclito de Éfeso e
Parmênides de Eleia, denominada de relativismo, a qual considerava a inexistência 
de verdades absolutas, mas apenas verdades relativas que mudariam no decorrer do 
tempo e, em especial, de uma cultura para outra. 
Heráclito, responsável pela ideia de que os sentidos nos enganam e de que o mundo 
estaria em estado de perpétua mudança, uma luta permanente entre constantes opostas, 
por isso considerado o “pai” da Dialética, pregava que: “o ser é e não é ao mesmo tem-
po”; “tudo flui” – tudo estaria em movimento e nada duraria para sempre. Parmênides 
concorda parcialmente com o estado de mudança permanente de Heráclito, mas admite 
que existe algo que não muda, a essência de cada ser, a qual permanece inalterada ao 
longo de seu tempo de existência. Embora nossos olhos vejam mudanças, o que real-
mente ocorre é que o “ser” permanece sempre o mesmo, porque o “ser” não se perde.
Platão segue ambos os sofistas, mas substitui a palavra essência por modelo ao ad-
mitir que as coisas mudariam, mas que seus modelos seriam eternos. Para Platão, a re-
alidade estaria sempre mudando, dado que as coisas nascem e morrem, mas ao mesmo 
tempo também é certo que existem coisas que não morrem, tampouco mudam, porque 
se essa perenidade não existisse, só restariam meras opiniões, a doxa, que se refere à 
crença comum, e jamais o conhecimento, a episteme que refere o conhecimento justi-
ficado como verdade. 
Para Platão, o que não muda são as ideias, das quais as coisas são meras cópias; tudo 
poderia mudar, mas a soma dos ângulos internos de um triângulo será sempre 180 graus; 
o que sabemos da realidade não é aquilo percebido através dos sentidos, mas, sim, os 
modelos ideais imutáveis que estão para além das aparências. Dessa forma, seria inútil 
procurar alguma verdade no mundo sensível, imperfeito e corrupto, quando temos o 
19
UNIDADE A Filosofia Platônica
mundo das ideias, imutável e inteiramente separado do nosso mundo de meras aparên-
cias. Se observarmos João e Maria, veremos seres humanos, mas daí não poder concluir 
que existiria mais humanidade em João do que em Maria, porque o conceito em si de 
humanidade não seria parte integrante deles, mas apenas um referencial linguístico 
sujeito a interpretações muito singulares, daí a inutilidade de se buscar alguma verdade 
no mundo sensível. Segundo Platão, não apenas ele, mas todos nós sabemos dessa 
verdade, ou seja, o mundo das ideias é conhecido e apartado do nosso mundo, e só o 
sabemos porque jazemos nesse mundo de juízos. 
Segundo Platão, nós nos constituiríamos de uma natureza dual, um corpo corrup-
tível e de uma alma imortal, a qual teria sua gênese no mundo das ideias, quando 
contempla tudo o que existe. 
Na Grécia Antiga surgiu o eidolon, imagem espiritual de uma pessoa viva ou perecida, 
uma aparição com forma humana, tal qual aquelas sombras reportadas por Platão em 
sua Alegoria da Caverna, sombras da realidade. 
O Conhecimento e a Eidologia em Platão
Em Platão surge a Eidologia, ideias, formas, comprovações, percepções fundidas nas 
opiniões e nos conhecimentos de cada ser racional, mais precisamente a episteme das 
coisas, como forma de superar a dicotomia entre Heráclito e Parmênides. Platão pensa 
doismundos que interagem entre si: o mundo real e sensível (material) é totalmente 
mutável pelas percepções da pluralidade das coisas, e o mundo das ideias, do Eidos, no 
qual cada ideia prevalece única, imutável e independente de opiniões quaisquer.
Para Platão, a verdadeira filosofia se recusa à relativização da verdade, no que 
recusa a solução sofista, de justiça e injustiça, quando ali não passaria de convenções 
causais. Para Schuback: “(...) seguir o Eidos das coisas significa seguir os limites de seu 
contorno” (1999, p. 172). Esses limites implicam poder ver no já visto o não visto, ou 
seja, ver no passado o presente do futuro, o que nos coloca no entre-ser, o sendo no 
limite e não limite do ser.
O conceito de Eidologia implica que toda imagem se apresente com uma dupla refe-
rência; por um viés, apresenta o imaginado, e por outro, afirma-se a si mesma como 
pertencendo a um eu, um mundo de representações de um Ego, que lhe constitui. Não 
posso, pois, representar algo sem que se lhe atribua ao meu Ego, no que se constituirá de 
parte dele, sua representação. A eidologia como ciência das imagens, em Platão, se 
opõe à sensação, se opõe à Episteme (ciência demonstrativa, operando sobre essências). 
Para Platão, o nosso corpo faz parte do Mundo dos Sentidos, enquanto nossa 
alma faz parte do Mundo das Ideias, e nosso corpo se deteriora até sua finitude, mas 
nossa alma não, dado que ela seja imortal, pois se originou do Mundo das Ideias e a 
ele retornará. Essa é a agonia da alma que, ao conhecer o mundo perfeito, o recordar 
daquilo que contemplou no mundo das formas ideais e, ao estar acoplada ao corpo no 
mundo dos sentidos, tudo lhe parecerá imperfeito, quando um grande vazio lhe ocupará, 
o qual Platão identificará com o desejo de retornar ao Mundo das Ideias.
20
21
Platão derivou para uma teoria política, fundamentada em uma teoria idealista, na 
qual existiriam três tipos de caráter a moldar as almas dos homens; pode-se dizer que 
os corpos são instrumentos usados pela alma em sua vontade; por isso Platão definiu 
o homem como uma alma que se serve de um corpo:
• Caráter concupiscível: tipo de alma na qual existe a prevalência dos desejos e das 
paixões mais animais;
• Caráter irascível: tipo de alma na qual prevalecem os impulsos de ira e cólera, 
agressividade e força ;
• Caráter racional: nesse tipo de alma existiria o predomínio absoluto da razão, 
característica basal de filósofos e pensadores. 
Imortalidade da alma
A teoria platônica sobre a Imortalidade da alma envolvia estarmos presos ao Mundo 
dos Sentidos, não obstante sabermos da existência de algo superior, porque em algum 
momento nós estivemos nesse mundo perfeito. 
Após a morte de Sócrates, Platão fundou sua própria escola de filosofia, chamada 
de Academia, em homenagem ao deus grego Academus. Em sua Academia, Platão
e seus discípulos se dedicaram ao estudo da Filosofia e das Ciências, e, no campo 
científico, se dedicaram especialmente à Matemática e Geometria. O principal legado 
de Platão foi, principalmente, uma profunda fé na razão e na virtude, sob o mote de 
Sócrates, que dizia ser o sábio um virtuoso.
Figura 1 – Mosaico da Academia de Platão (Museu Arqueológico, Nápoles)
Fonte: Wikimedia Commons
21
UNIDADE A Filosofia Platônica
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
O Purgatório é uma invenção medieval?
Assistir ao vídeo “O Purgatório é uma invenção medieval?” e compará-lo com o 
“Mito de Er”platônico.
https://youtu.be/aaQwy-6Sxiw
 Filmes
Matrix
Uma produção australo-estadunidense de 1999, dos gêneros ação e ficção científica, 
dirigido por Lilly e Lana Wachowski, protagonizado por Keanu Reeves, Laurence 
Fishburne e Carrie-Anne Moss, e que estabelece conexões com a Sofocracia.
https://youtu.be/2KnZac176Hs
 Leitura
A música como causa universal e sua influência na formação do caráter
https://bit.ly/3gdp55W
Analise o mito da caverna platônica em uma situação hodierna
https://bit.ly/2BtX0sw
22
23
Referências
BENSON, H. H. et al. Platão. Porto Alegre: Artmed, 2011. (e-book)
BONJOUR, L.; BAKER, A. Filosofia: textos fundamentais comentados. 2. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2010. (e-book)
CHAUI, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ed. Ática, 2005.
_______ _. Dos Pré-Socráticos a Aristóteles. 2. ed. São Paulo: Cia. das Letras. 2002.
CORNFORD, F. M. Antes de depois de Sócrates. Trad. Valter Lellis Siqueira. São 
Paulo: Martins Fontes, 2007.
COSTA, L. M. da. A poética de Aristóteles: Mímese e verossimilhança. 2. ed. São 
Paulo: Ática, 2006 (Princípios, 217) . (e-book)
GARCIA-ROZA, L. A. Palavra e verdade: na filosofia antiga e na psicanálise. Rio de 
Janeiro: Ed. Zahar, 2005. (e-book)
JAEGER, W. W. Paideia: a formação do homem grego. Trad. Artur M. Parreira. São 
Paulo: Martins Fontes, 1995.
 ________. Paideia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 1986.
KOLAKOWSKI, L. Horror Metafísico. Trad. de Aglaia D. P. Coutinho Castro. São 
Paulo: Ed. Papirus, 1988. 
KRAUT, R. (org.). Aristóteles: e ética a Nicômaco. Porto Alegre: Artmed, 2009. 
(e-book)
LAÊRTIOS; D. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Trad., intro. e notas: Mário da 
Gama Kury. 2. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2008.
MARROU, H. I. História da Educação na Antiguidade. São Paulo: EPU, 1966.
MORA, J. F. Dicionário de Filosofia. Lisboa: Public. Dom Quixote, 1977.
MOREAU, J. Platão e a educação. In: CHÂTEAU, J. Os grandes pedagogistas. São 
Paulo: Cia Editora Nacional, 1978.
PATRÍCIO, M. F. Perenidade da Aretê como horizonte apelativo da Paideia. Sobre a 
excelência em educação. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 8, n. 2, 
p. 287–295, 1919. 
PLATÃO. A República. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Ed. Lisboa: Fundação 
Calouste Gulbenkian, 1993.
_______ _. Da República. Trad. Amador Cisneiros. São Paulo: Ed. Escala, 2005.
_______ _. Diálogos – A República. Trad. Leonel Vallandro. Rio de Janeiro: Ed. Tecno-
print, 1971. 
23
UNIDADE A Filosofia Platônica
________. Fédon – A Imortalidade de Alma. Versão eletrônica do diálogo platônico. 
Trad. Carlos Alberto Nunes. Livro de domínio público. Créditos da digitalização: Mem-
bros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia). Disponível em: . (e-book) 
_________. “Protágoras”. In: Diálogos I: Teeteto, Sofista, Protágoras. Bauru, SP: EDI-
PRO, 2007a.
REALE, G. História da filosofia antiga. Trad. de Marcelo Perine e Henrique Cláudio 
de Lima Vaz. São Paulo: Ed. Loyola, 1994. v. 1. 
SANTOS, J. T. dos. Platão Timeu. Editora: Piaget. Lisboa: 2004.
SCHUBACK, M. S. C. As cordas serenas de Ulisses. In: Ensaios de filosofia 
– Homenagem a Emmanuel Carenerio Leão. Márcia S.C. Schuback (org.). Ed. 
Vozes, Petrópolis: 1999.
SPINELLI, M. Nascimento da filosofia grega e sua transição ao medievo. Caxias do 
Sul: Educs, 2010. (e-book)
STEFANI, J. O conhecimento em Aristóteles. Caxias do Sul: Educs, 2018. (e-book)
TAVARES, R.; NOYAMA, S. Textos clássicos de filosofia antiga: uma introdução a 
Platão e Aristóteles. Curitiba: InterSaberes, 2017. (e-book)
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Editora: Difel, 
2002.
________. Mito e pensamento entre os gregos: estudos de psicologia histórica. Rio 
de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
ZILLES, U. Teoria do Conhecimento e Teoria da Ciência. São Paulo: Ed. Paulus, 
2005. 
24

Mais conteúdos dessa disciplina