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<p>AUDITORIA CONTÁBIL</p><p>Prof. Luiz Eduardo Croesy Jenkins</p><p>AULA 4</p><p>2</p><p>NORMATIVOS APLICADOS À AUDITORIA</p><p>TEMA 1 – A ESTRUTURAÇÃO DAS NORMAS TÉCNICAS NA AUDITORIA</p><p>As normas relacionadas a estrutura conceitual, a metodologia de</p><p>atuação dos auditores, os pressupostos básicos e os procedimentos de</p><p>auditoria a serem aplicados em todas as fases do processo de asseguração</p><p>estão estabelecidas nas Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas de</p><p>Auditoria (NBC TA). Elas estão assim apresentadas:</p><p>Numeração CFC Resolução Nome da Norma</p><p>NBC TA 00 1.202/09 Estrutura conceitual para trabalhos de asseguração</p><p>NBC TA 200 1.203/09 Objetivos gerais do auditor independente e a condução</p><p>da auditoria em conformidade com normas de auditoria</p><p>NBC TA 210 1.204/09 Concordância com os termos do trabalho de auditoria</p><p>NBC TA 220 1.205/09 Controle de qualidade da auditoria</p><p>NBC TA 230 1.206/09 Documentação de auditoria</p><p>NBC TA 240 1.207/09 Responsabilidade do auditor em relação a fraude, no</p><p>contexto da auditoria de demonstrações contábeis</p><p>NBC TA 250 1.208/09 Consideração de leis e regulamentos na auditoria de</p><p>demonstrações contábeis</p><p>NBC TA 260 1.209/09 Comunicação com os responsáveis pela governança</p><p>NBC TA 265 1.210/09 Comunicação de deficiências de controle interno</p><p>NBC TA 300 1.211/09 Planejamento da auditoria de demonstrações contábeis</p><p>NBC TA 315 1.212/09 Identificação e avaliação dos riscos de distorção relevante</p><p>por meio do entendimento da entidade e do seu ambiente</p><p>NBC TA 320 1.213/09 Materialidade no planejamento e na execução da</p><p>auditoria</p><p>NBC TA 330 1.214/09 Resposta do auditor aos riscos avaliados</p><p>NBC TA 402 1.215/09 Considerações de auditoria para a entidade que utiliza</p><p>organização prestadora de serviços</p><p>NBC TA 450 1.216/09 Avaliação das distorções identificadas durante a auditoria</p><p>NBC TA 500 1.217/09 Evidência de auditoria</p><p>NBC TA 501 1.218/09 Evidência de auditoria – considerações específicas para</p><p>itens selecionados</p><p>NBC TA 505 1.219/09 Confirmações externas</p><p>NBC TA 510 1.220/09 Trabalhos iniciais – saldos iniciais</p><p>3</p><p>NBC TA 520 1.221/09 Procedimentos analíticos</p><p>NBC TA 530 1.222/09 Amostragem em auditoria</p><p>NBC TA 540 1.223/09 Auditoria de estimativas contábeis, inclusive do valor</p><p>justo, e divulgações relacionadas</p><p>NBC TA 550 1.224/09 Partes relacionadas</p><p>NBC TA 560 1.225/09 Eventos subsequentes</p><p>NBC TA 570 1.226/09 Continuidade operacional</p><p>NBC TA 580 1.227/09 Representações formais</p><p>NBC TA 600 1.228/09 Considerações especiais – auditorias de demonstrações</p><p>contábeis de grupos, incluindo trabalhos dos auditores</p><p>dos componentes</p><p>NBC TA 610 1.229/09 Utilização do trabalho de auditoria interna</p><p>NBC TA 620 1.230/09 Utilização do trabalho de especialistas</p><p>NBC TA 700 1.231/09 Formação da opinião e emissão do relatório do auditor</p><p>independente sobre as demonstrações contábeis</p><p>NBC TA 705 1.232/09 Modificações na opinião do auditor independente</p><p>NBC TA 706 1.233/09 Parágrafos de ênfase e parágrafos de outros assuntos no</p><p>relatório do auditor independente</p><p>NBC TA 710 1.234/09 Informações comparativas – valores correspondentes e</p><p>demonstrações contábeis comparativas</p><p>NBC TA 720 1.235/09 Responsabilidade do auditor em relação a outras</p><p>informações incluídas em documentos que contenham</p><p>demonstrações contábeis auditadas</p><p>NBC TA 800 1.236/09 Considerações especiais – auditorias de demonstrações</p><p>contábeis elaboradas de acordo com estruturas</p><p>conceituais de contabilidade para propósitos especiais</p><p>NBC TA 805 1.237/09 Considerações especiais – auditorias de quadros isolados</p><p>das demonstrações contábeis e de elementos, contas ou</p><p>itens específicos das demonstrações contábeis</p><p>NBC TA 810 1.238/09 Trabalhos para a emissão de relatórios sobre</p><p>demonstrações contábeis condensadas</p><p>Fonte: CFC – Conselho Federal de Contabilidade.</p><p>1.1 NBC-TA Estrutura conceitual</p><p>Esta norma trata dos elementos e objetivos de um trabalho de auditoria</p><p>independente – atualmente denominado de “asseguração”.</p><p>4</p><p>Podem ser aplicados tanto para auditores externos quanto internos.</p><p>Auditores públicos e da administração pública utilizam NBC para a Perspectiva</p><p>do Setor Público. O Escopo do trabalho define os tipos de trabalho de auditoria:</p><p>• Asseguração razoável -> Auditoria completa (full audit);</p><p>• Asseguração limitada -> Revisão limitada (Limited Review);</p><p>• Procedimentos de asseguração previamente acordados -></p><p>procedimentos pré-acordados (Agreed Uppon Procedures).</p><p>A norma descreve os elementos do trabalho de asseguração,</p><p>apresentando a distinção entre os três tipos de trabalho de auditoria existentes.</p><p>Em relação à abrangência, a norma trata da distinção entre auditoria e</p><p>consultoria, estabelecendo as principais características de cada um dos tipos</p><p>de atuação dos auditores independentes.</p><p>A NBC-TA Estrutura Conceitual destaca os princípios fundamentais da</p><p>ética profissional nos trabalhos de auditoria: honestidade (integridade),</p><p>objetividade, competência e zelo profissional, sigilo e comportamento</p><p>profissional.</p><p>1.1.1 Definição do “trabalho de asseguração”</p><p>O auditor independente expressa uma conclusão com a finalidade de</p><p>aumentar o grau de confiança dos demais usuários das demonstrações</p><p>contábeis, desde que não sejam os responsáveis diretos, sobre o resultado</p><p>da avaliação ou mensuração de determinado objeto, conforme critérios</p><p>aplicáveis.</p><p>Nota-se a partir da definição do que é o trabalho de asseguração que o</p><p>auditor não garante que as demonstrações contábeis sejam totalmente</p><p>confiáveis, já que seus exames e procedimentos são baseados em testes</p><p>amostrais e, portanto, a norma deixa claro que o objetivo é aumentar a</p><p>confiança o máximo possível.</p><p>1.1.2 Relatórios sobre o trabalho de não asseguração</p><p>Os relatórios que não tratem de trabalhos de auditoria (ou asseguração</p><p>ou revisão de demonstrações contábeis) devem apresentar de forma expressa</p><p>5</p><p>“não asseguração” e não deverão utilizar as palavras auditoria, asseguração</p><p>ou revisão.</p><p>1.1.3 Aceitação do trabalho</p><p>A norma estabelece as características necessárias para aceitação do</p><p>trabalho de auditoria (pré-avaliação):</p><p>• auditor consegue cumprir com exigências do código de ética;</p><p>• conteúdo do trabalho – objeto apropriado, acesso da equipe de auditoria</p><p>e todas as evidências que dão suporte à conclusão;</p><p>• conclusão pode ser estabelecida em documento escrito;</p><p>• há um propósito racional para o trabalho: não existe uma limitação à</p><p>extensão do trabalho do auditor.</p><p>1.1.4 Objeto do trabalho</p><p>O objeto do trabalho de auditoria se apresenta de várias formas:</p><p>• desempenho financeiro (posição patrimonial e financeira, desempenho</p><p>das operações ou fluxo de caixa);</p><p>• desempenho não financeiro (desempenho da entidade em relação à</p><p>eficiência ou eficácia);</p><p>• características físicas (p. ex.: capacidade de instalação);</p><p>• sistemas e processos (controles internos);</p><p>• comportamento sobre condição de conformidade ou eficácia (p. ex.:</p><p>governança corporativa).</p><p>1.1.5 Critérios para avaliação e opinião</p><p>Os critérios (benchmarks) utilizados para avaliar ou mensurar os objetos</p><p>da auditoria apresentam as seguintes características:</p><p>• relevância;</p><p>• integridade (confiabilidade);</p><p>• neutralidade (independência); e</p><p>• entendimento (compreensão).</p><p>1.1.6 Evidências</p><p>6</p><p>Consiste em atitude de ceticismo profissional para assegurar a opinião</p><p>do auditor (confiabilidade nas fontes de informação). Em função da limitação de</p><p>tempo e espaço do objeto a ser auditado, a opinião é seguida de palavras</p><p>“sutis”, tais como adequado, razoável, satisfatória, suficiente, e não por</p><p>palavras que denotem certeza absoluta.</p><p>O auditor avalia o custo x benefício da extração e utilização das</p><p>informações para fins de emissão de opinião.</p><p>O uso da materialidade é aplicado para determinação da natureza,</p><p>época e extensão dos procedimentos de auditoria. Utilizada no contexto de</p><p>fatores quantitativos e qualitativos. A materialidade,</p><p>nos testes de auditoria,</p><p>é aplicada para fins de determinação da base amostral a ser analisada/</p><p>testada pela equipe de auditoria, bem como definir se um erro identificado é</p><p>relevante ou não para solicitar ajustes à empresa auditada ou reportar tais</p><p>desvios em relatório específico.</p><p>1.1.7 Riscos de auditoria</p><p>O risco em um trabalho de asseguração é de que o auditor independente</p><p>expresse uma conclusão inapropriada, ou que o auditor não detecte uma</p><p>distorção relevante.</p><p>1.1.8 Tipos de relatórios de auditoria</p><p>Os relatórios de asseguração são a forma de evidenciar a opinião em</p><p>trabalhos baseados em afirmações, e podem se apresentar da seguinte</p><p>forma:</p><p>• Afirmação indireta (da parte responsável):</p><p>✓ “Em nossa opinião, a afirmação da parte responsável de que os</p><p>controles internos são eficazes, em todos os aspectos relevantes,</p><p>de acordo com os critérios X, Y, Z, é adequada”</p><p>• Afirmação direta (pelo auditor):</p><p>✓ “Em nossa opinião, os controles internos são eficazes, em todos os</p><p>aspectos relevantes, de acordo com os critérios X, Y, Z”</p><p>• Conclusão de forma positiva:</p><p>✓ “Em nossa opinião, os controles internos são eficazes, em todos os</p><p>aspectos relevantes, de acordo com os critérios X, Y, Z”</p><p>7</p><p>• Conclusão de forma negativa:</p><p>✓ “Com base em nosso trabalho, descrito neste relatório, não temos</p><p>conhecimento de nenhum fato que nos leve a acreditar que os</p><p>controles internos não são eficazes, em todos os aspectos</p><p>relevantes, de acordo com os critérios X, Y, Z”</p><p>1.2 NBC-TA 200: objetivos gerais do auditor independente e a condução</p><p>da auditoria em conformidade com normas de auditoria</p><p>Os objetivos gerais da auditoria, que se encontram presentes no</p><p>relatório de asseguração, consistem em:</p><p>• aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte</p><p>dos usuários.</p><p>• emitir opinião sobre as demonstrações contábeis e comunicar-se como</p><p>exigido pelas NBC TAs.</p><p>Conforme a NBC TA 200, o auditor independente poderá ter outras</p><p>obrigações de relatório e de comunicação, além do relatório de asseguração,</p><p>quer seja perante a usuários ou a organismos específicos como a CVM,</p><p>SUSEP, CFC/CRC, BMF & Bovespa, Justiça (Estadual, Federal) ou ainda</p><p>agências reguladoras.</p><p>1.3 NBC-TA 210: concordância com os termos do trabalho de auditoria</p><p>Para aceitar ou continuar uma auditoria (recorrente), o auditor deve</p><p>certificar-se de que: (i) existe um entendimento comum entre auditor e auditado</p><p>sobre o escopo e objetivos do trabalho de auditoria, (ii) existem condições</p><p>prévias para a realização dos trabalhos (p. ex.: demonstrações contábeis</p><p>finalizadas, conciliadas, relatórios e documentos comprobatórios, sistemas</p><p>computacionais, contabilidade integrada, estrutura de pessoal adequada à</p><p>realização do trabalho).</p><p>Mesmo em auditorias recorrentes, o auditor deve avaliar a possibilidade</p><p>de continuar realizando trabalhos de auditoria independente ao cliente.</p><p>Acordo sobre termos do trabalho de auditoria:</p><p>8</p><p>Os termos do trabalho de auditoria estabelecidos devem ser</p><p>formalizados na carta de contratação de auditoria ou outra forma adequada de</p><p>acordo por escrito, que deve incluir:</p><p>• o objetivo e o alcance da auditoria;</p><p>• as responsabilidades do auditor;</p><p>• as responsabilidades da administração;</p><p>• a identificação da estrutura de relatório financeiro aplicável para a</p><p>elaboração das demonstrações contábeis; e</p><p>• referência à forma e ao conteúdo dos relatórios a serem emitidos pelo</p><p>auditor e uma declaração de que existem circunstâncias em que um</p><p>relatório pode ter forma e conteúdo diferente do esperado.</p><p>1.3.1 Outros fatores que afetam a aceitação da auditoria</p><p>A menos que exigido por lei ou regulamento, o auditor não deve aceitar</p><p>o trabalho de auditoria proposto nas seguintes condições:</p><p>• se o auditor determinou que a estrutura de relatório financeiro a ser</p><p>aplicada na elaboração das demonstrações contábeis é inaceitável; ou</p><p>• se não for obtida a concordância da administração, de que ela</p><p>reconhece e entende sua responsabilidade.</p><p>1.3.2 Aceitação de mudança nos termos do trabalho de auditoria</p><p>• O auditor não deve concordar com uma mudança nos termos do</p><p>trabalho de auditoria quando não há justificativa razoável para essa</p><p>mudança.</p><p>• Se, antes de concluir o trabalho de auditoria, o auditor for solicitado a</p><p>mudar o alcance para um trabalho que forneça um menor nível de</p><p>asseguração, o auditor deve determinar se há justificativa razoável para</p><p>essa mudança.</p><p>• Se os termos do trabalho de auditoria são alterados, o auditor e a</p><p>administração devem concordar com os novos termos do trabalho e</p><p>formalizá-los na carta de contratação ou outra forma adequada de</p><p>acordo por escrito.</p><p>9</p><p>1.4 NBC-TA 230: documentação de auditoria</p><p>A documentação de auditoria (ou papéis de trabalho) consiste na</p><p>expressão máxima da formalização do trabalho da equipe de auditoria e nela</p><p>está contida toda a evidenciação dos trabalhos executados pelos auditores</p><p>independentes. A norma trata da natureza e finalidade da documentação de</p><p>auditoria:</p><p>• evidência do auditor para uma conclusão quanto ao cumprimento do</p><p>objetivo global da auditoria;</p><p>• evidência de que a auditoria foi planejada e executada em conformidade</p><p>com as normas de auditoria e exigências legais e regulamentares</p><p>aplicáveis.</p><p>TEMA 2 – AS NORMAS PROFISSIONAIS DO AUDITOR INDEPENDENTE</p><p>As normas de caráter profissional, denominadas Normas Brasileiras de</p><p>Contabilidade aplicadas aos Profissionais de Auditoria (NBC-PA), abordam as</p><p>prerrogativas relacionadas à postura profissional, à competência técnico-</p><p>profissional, às responsabilidades a que estão dispostos os auditores no</p><p>tocante à execução das suas atividades, as premissas e considerações na</p><p>elaboração dos honorários, ao zelo profissional, quer seja na guarda dos</p><p>documentos, quer seja no trato das informações de caráter sigiloso obtidas</p><p>junto ao cliente, as obrigações relacionadas à prestação de informações aos</p><p>órgãos de classe, ao processo de educação continuada e ao princípio que</p><p>norteia a atuação do auditor, que é o seu caráter de independência em relação</p><p>ao cliente auditado.</p><p>As Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais de Auditoria (NBC-</p><p>PA) que se encontram vigentes atualmente são:</p><p>Numeração CFC Resolução Nome da Norma</p><p>NBC PA 01 1.201/09 Controle de Qualidade para Firmas (Pessoas Físicas</p><p>e Jurídicas) de Auditores Independentes</p><p>NBC PA 11 1.323/11 Revisão Externa de Qualidade pelos Pares</p><p>NBC PA 12 1.377/11 Educação Profissional Continuada</p><p>NBC PA 13 1.109/07 Exame de Qualificação Técnica</p><p>1.019/05 Cadastro Nacional de Auditores Independentes</p><p>NBC PA 290 1.311/10 Independência – Trabalhos de Auditoria e Revisão</p><p>10</p><p>NBC PA 291 1.312/10 Independência – Outros Trabalhos de Asseguração</p><p>Fonte: CFC – Conselho Federal de Contabilidade.</p><p>2.1 NBC-PA 01 - Controle de qualidade para firmas (pessoas físicas e</p><p>jurídicas) de auditores independentes</p><p>A norma destaca que o objetivo da firma de auditoria é estabelecer e</p><p>manter um sistema de controle de qualidade a fim de obter segurança razoável</p><p>que, tanto ela quanto seus funcionários e associados, cumpram as exigências</p><p>regulatórias aplicadas à profissão da auditoria contábil, as normas técnicas</p><p>emanadas dos organismos reguladores, os normativos legais aplicáveis, bem</p><p>como se os relatórios acerca das demonstrações contábeis e demais relatórios</p><p>emitidos pela firma e pelos sócios encarregados do trabalho são apropriados</p><p>nas circunstâncias em que foram apresentados.</p><p>A referida norma trata ainda da função do auditor atuando como revisor</p><p>de qualidade do trabalho, sendo este um outro profissional da mesma firma de</p><p>auditoria, na posição de sócio da firma, mas que não tenha participado do</p><p>trabalho e, portanto, tem a autoridade e experiência suficientes para avaliar</p><p>objetivamente os julgamentos efetuados pela equipe participante do trabalho,</p><p>bem como as conclusões apresentadas para a elaboração</p><p>do relatório de</p><p>auditoria.</p><p>Consoante estabelece a Norma, a firma de auditoria deve manter uma</p><p>política de recursos humanos que privilegie o treinamento e aperfeiçoamento</p><p>contínuo, plano de carreira claro e definido, avaliação periódica de</p><p>desempenho.</p><p>2.2 NBC-PA 11 - Revisão externa de qualidade pelos pares</p><p>É o processo de revisão de trabalhos de auditoria executados,</p><p>realizados por outras firmas de auditoria, buscando certificar-se que os</p><p>procedimentos mínimos para garantir a qualidade e confiabilidade dos</p><p>trabalhos de auditoria foram executados.</p><p>As revisões de qualidade são realizadas por meio de programa de</p><p>trabalho estabelecido pelo Comitê Administrador da Revisão Externa de</p><p>Qualidade (CRE), que define a abrangência, a seleção dos auditores a serem</p><p>11</p><p>revisados, as etapas e os prazos a serem cumpridos pelos auditores revisores</p><p>na realização do trabalho de revisão.</p><p>Após a realização do trabalho de revisão, os auditores revisores emitem</p><p>o relatório de revisão, que deverá ser apresentado ao CRE, dispondo sobre a</p><p>conformidade, ou não, do sistema de controle de qualidade existente nos</p><p>trabalhos desenvolvidos pelo auditor-revisado.</p><p>A Norma prevê, ainda, a possibilidade da revisão recíproca, na qual o</p><p>auditor-revisor teve sua última revisão realizada pelo atual auditor-revisado,</p><p>não importando o intervalo de tempo entre as revisões.</p><p>2.3 NBC-PA 12 – Educação profissional continuada</p><p>É a atividade formal e reconhecida pelo Conselho Federal de</p><p>Contabilidade (CFC), que visa manter, atualizar e expandir os conhecimentos</p><p>técnicos e profissionais, indispensáveis à qualidade e ao pleno atendimento às</p><p>normas que regem o exercício da atividade de auditoria de demonstrações</p><p>contábeis.</p><p>O auditor independente Pessoa Física (PF) e os sócios que representam</p><p>sociedade de auditoria independente na Comissão de Valores Mobiliários</p><p>(CVM), nos termos do inciso IX do art. 6º da Instrução CVM n. 308/99, são os</p><p>responsáveis perante o CFC pelo cumprimento da presente Norma, pelos</p><p>demais contadores não cadastrados na CVM que compõem o seu quadro</p><p>técnico que também estão sujeitos ao disposto nesta Norma.</p><p>O cumprimento das exigências relacionadas ao Programa de Educação</p><p>Continuada deve ser comprovado por meio do relatório de atividades a que se</p><p>refere o Anexo III, a ser encaminhado ao CRC de jurisdição do registro</p><p>principal até 31 de janeiro do ano subsequente ao ano base, acompanhado da</p><p>documentação comprobatória das atividades, no que se refere ao disposto nas</p><p>Tabelas II, III e IV desta Norma. A comprovação de docência deve ser feita</p><p>mediante apresentação de declaração emitida pela instituição de ensino.</p><p>Os contadores referidos no item 3 da Norma devem cumprir 40 pontos</p><p>de Educação Profissional Continuada por ano-calendário, conforme Tabelas de</p><p>Pontuação constante no Anexo I da Norma, a partir do ano de 2012.</p><p>O não cumprimento das disposições relacionadas ao Programa de</p><p>Educação Continuada por parte dos contadores referidos no item 3 da Norma</p><p>12</p><p>configura infração ao art. 2º, inciso X, do Código de Ética Profissional do</p><p>Contador, bem como pode acarretar a baixa do seu CNAI (Registro específico</p><p>para atuar como auditor independente junto à CVM), sendo-lhe assegurado o</p><p>direito ao contraditório.</p><p>2.4 NBC-PA 13 - Exame de qualificação técnica</p><p>Com a finalidade de verificar o nível de conhecimento e a competência</p><p>técnica-profissional necessários para atuação na área da Auditoria</p><p>Independente, o auditor externo está sujeito ao Exame de Qualificação</p><p>Técnica, que serve como premissa para registro no Cadastro Nacional de</p><p>Auditores Independentes (CNAI) do CFC.</p><p>O Exame de Qualificação Técnica para registro no CNAI do CFC será</p><p>composto de prova escrita, contemplando questões para respostas objetivas e</p><p>questões para respostas dissertativas.</p><p>Os temas constantes de avaliação no referido exame são:</p><p>• ética profissional;</p><p>• legislação profissional;</p><p>• princípios de contabilidade e normas brasileiras de contabilidade,</p><p>editados pelo CFC;</p><p>• auditoria contábil;</p><p>• legislação societária;</p><p>• legislação e normas de organismos reguladores do mercado; e</p><p>• língua portuguesa aplicada.</p><p>Existem ainda exames específicos, quando da atuação como auditor</p><p>independente junto às instituições reguladas pelo Banco Central (Bacen) e</p><p>Superintendência de Seguros Privados (Susep). Para atuação junto a</p><p>empresas que se encontram nesta situação, os auditores devem realizar</p><p>provas específicas que, além dos temas de avaliação já descritos, submetem-</p><p>se à avaliação relacionada à legislação e normas específicas do Bacen e</p><p>Susep, além de conhecimento de contabilidade bancária e conhecimentos de</p><p>operações da área de instituições reguladas pelo Bacen e Susep.</p><p>O candidato será aprovado se obtiver, no mínimo, 50% (cinquenta por</p><p>cento) dos pontos das questões objetivas e 50% (cinquenta por cento) dos</p><p>pontos das questões subjetivas previstos em cada prova.</p><p>13</p><p>2.5 Subtítulo NBC-PA 290 - Independência – Trabalhos de auditoria e</p><p>revisão</p><p>Uma das características peculiares do perfil profissional dos auditores, a</p><p>independência, dispõe de normativo específico que trata desta abordagem</p><p>quando da execução dos trabalhos de auditoria. É do interesse do público e,</p><p>portanto, requerido por esta Norma, que os membros das equipes de auditoria,</p><p>firmas e firmas em rede sejam independentes dos clientes de auditoria, para</p><p>que a opinião de auditoria se apresente livre de vícios, erros, comprometimento</p><p>ou qualquer indício de conflito de interesses.</p><p>A Norma trata da independência sobre duas abordagens, sendo uma</p><p>delas em relação à sua própria postura, denominada de independência de</p><p>pensamento e a percepção de terceiros em relação à independência do</p><p>auditor, a aparência de independência.</p><p>Em relação aos exemplos que tratam das ameaças quanto à</p><p>independência, a NBC TA 290 exemplifica o que se segue.</p><p>• Ameaça de interesse próprio: interesse financeiro ou outro interesse</p><p>poderá influenciar de forma não apropriada o julgamento ou o</p><p>comportamento do auditor.</p><p>• Ameaça de autorrevisão: auditor não avalia apropriadamente os</p><p>resultados de julgamento dado anteriormente por ele, ou por outra</p><p>pessoa da firma dele, nos quais o auditor confiará para formar um</p><p>julgamento como parte da prestação do serviço atual (negligência).</p><p>• Ameaça de defesa de interesse do cliente: ameaça de que o auditor</p><p>promova ou defenda a posição de seu cliente a ponto em que a sua</p><p>objetividade fique comprometida.</p><p>• Ameaça de familiaridade: ameaça de que, devido ao relacionamento</p><p>longo ou próximo com o cliente, o auditor tornar-se-á solidário aos</p><p>interesses dele ou aceitará seu trabalho sem muito questionamento</p><p>(ameaça clássica de independência).</p><p>• Ameaça de intimidação: é a ameaça de que o auditor será dissuadido</p><p>de agir objetivamente em decorrência de pressões reais ou aparentes,</p><p>incluindo tentativas de exercer influência indevida sobre o auditor.</p><p>2.6 NBC-PA 291 – Outros trabalhos de asseguração</p><p>14</p><p>As Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria</p><p>estabelecem que mesmo trabalhos que não o de asseguração razoável e</p><p>asseguração limitada devem estabelecer um nível de independência dos</p><p>auditores em relação ao cliente, inclusive dispondo claramente a proibição de</p><p>que membros da firma de auditoria façam parte dos conselhos ou exerçam</p><p>algum tipo de cargo de direção ou gestão no cliente.</p><p>A firma de auditoria deverá comunicar formalmente aos usuários de</p><p>outros trabalhos de asseguração sobre os requisitos de independência que</p><p>devem ser aplicados com relação à prestação de serviço de asseguração.</p><p>O auditor deverá formalizar em seus papéis de trabalho que avaliou e</p><p>cumpriu as formalidades estabelecidas nos normativos acerca da sua</p><p>independência em relação ao cliente, seguindo os mesmos pressupostos</p><p>estabelecidos na NBC PA 290 no que se refere aos tipos de ameaça à</p><p>independência.</p><p>Quanto ao prazo de duração da independência, ela é requerida durante</p><p>o período de contratação e o período coberto pelas informações sobre o objeto.</p><p>Segundo a NBC PA 291:</p><p>O período de contratação começa quando a equipe de asseguração</p><p>inicia a execução dos serviços referentes ao trabalho específico. O</p><p>período de contratação termina quando o relatório de asseguração é</p><p>emitido. Quando o trabalho é de natureza recorrente, ele termina com</p><p>a notificação de qualquer das partes de que o relacionamento</p><p>profissional terminou ou com a emissão do relatório final de</p><p>asseguração, o que ocorrer por último.</p><p>TEMA 3 – O PROCESSO DE AUDITORIA DAS DEMONSTRAÇÕES</p><p>CONTÁBEIS</p><p>Conforme já comentado, a auditoria das demonstrações contábeis se</p><p>desenvolve como um processo, em que cada etapa do trabalho corresponde a</p><p>determinados procedimentos cumpridos a fim de obter evidências de auditoria</p><p>razoável e suficiente quanto à adequação das demonstrações contábeis</p><p>apresentadas pelo cliente auditado.</p><p>A seguir apresentamos a estruturação do processo de auditoria e os</p><p>objetivos que se esperam cumprir.</p><p>3.1 Etapa de planejamento</p><p>15</p><p>Esta fase contempla o conhecimento prévio e mais aprofundado acerca</p><p>do cliente. Seus principais produtos e serviços, relacionamento com clientes e</p><p>fornecedores, estrutura societária, histórico da empresa, informações</p><p>veiculadas na mídia sobre a empresa e sobre o mercado em que ela atua.</p><p>Busca-se também ter acesso aos planejamentos estratégicos da</p><p>organização, a fim de verificar se estes remetem a novos riscos associados às</p><p>novas estratégias percebidas.</p><p>Como forma de corroborar e evidenciar as informações estratégicas que</p><p>foram obtidas pela equipe de auditoria, estes fazem uso do orçamento</p><p>planejado para o próximo exercício, analisando as principais variações em</p><p>relação ao período anterior, bem como toma-se conhecimento daquilo que é</p><p>mais relevante em termos financeiros.</p><p>Com base nas informações que foram colhidas nesta etapa, a equipe de</p><p>auditoria consegue, em conjunto, estabelecer o volume de horas de trabalho a</p><p>ser planejado para continuidade do processo de auditoria, bem como consegue</p><p>definir os auditores especialistas necessários a realizar exames específicos,</p><p>dentre os quais: auditores tributários, especialistas em gerenciamento de riscos</p><p>de informação, atuários, entre outros.</p><p>3.2 Etapa de avaliação dos controles internos</p><p>A avaliação dos controles internos também dispõe de seu próprio fluxo</p><p>de atuação. O objetivo principal nesta etapa é verificar se as áreas auditadas</p><p>dispõem de ferramentas de controles internos capazes de minimizar os riscos</p><p>inerentes e residuais.</p><p>Portanto, os procedimentos na etapa de avaliação de controles internos</p><p>se iniciam com a escolha dos processos-chave a serem auditados, em função</p><p>da avaliação inicial realizada na etapa de planejamento.</p><p>Salvo algumas exceções específicas para determinados tipos de</p><p>negócios, as principais áreas-chave ou processo-chave são: Vendas, Compras,</p><p>Gestão de Recursos Humanos, Gestão do Risco de Informação e Gestão</p><p>Contábil.</p><p>O processo de vendas possui um fluxo próprio relacionado às atividades</p><p>necessárias para atendimento aos anseios do cliente. O fluxo do processo de</p><p>vendas se apresenta basicamente da seguinte forma:</p><p>16</p><p>Caberá ao auditor, em cada uma das etapas que compõem o processo</p><p>de vendas, realizar os seguintes procedimentos:</p><p>• verificar como são captados os clientes, formas de abordagem,</p><p>utilização de canais internos de vendas, de vendedores internos ou</p><p>terceirizados (representantes comerciais);</p><p>• analisar os canais de vendas, confiabilidade, integridade sistêmica deles;</p><p>• verificar como são realizadas as análises de crédito e concessão de</p><p>margem de vendas a prazo;</p><p>• verificar se existem tabelas de preço que levem em consideração: local</p><p>de entrega, prazos de pagamento, margem de atuação de vendedores,</p><p>supervisores, gerentes e diretores em função da hierarquia;</p><p>• verificar a integridade de pedidos de venda e faturamentos já aprovados,</p><p>identificando se existe possiblidade de alteração posterior, sem a devida</p><p>autorização;</p><p>• verificar se as vendas estão efetivamente sendo entregues;</p><p>• verificar se existem clientes em condição falimentar ou em atraso;</p><p>• verificar se existem vendas sem registro contábil;</p><p>• verificar se existem vendas frias.</p><p>O processo de compras está relacionado com o processo de</p><p>gerenciamento de estoques e dos custos de produção e comercialização.</p><p>17</p><p>O fluxo do processo de compras se apresenta basicamente da seguinte</p><p>forma:</p><p>Caberá ao auditor, em cada uma das etapas que compõem o processo</p><p>de compras, realizar os seguintes procedimentos:</p><p>• verificar como são selecionados os fornecedores para apresentação de</p><p>proposta;</p><p>• analisar estão sendo realizadas cotações de preços ou se são realizadas</p><p>compras diretas, sem comparação;</p><p>• verificar se as condições estipuladas nos pedidos de compra aprovado</p><p>estão sendo efetivamente praticadas pelos fornecedores;</p><p>• verificar se existem evidências de que as compras estão sendo</p><p>entregues;</p><p>• verificar o controle, organização e restrição de acesso ao almoxarifado;</p><p>• verificar se as compras estão efetivamente sendo pagas e nos prazos</p><p>corretos;</p><p>• verificar se existem compras sem registro contábil;</p><p>• verificar se existem manipulações nos valores e quantidades compradas.</p><p>Em relação aos demais processos-chave, Gestão de Recursos</p><p>Humanos, Gestão do Risco de Informação e Gestão Contábil, não</p><p>apresentaremos um fluxo a título de exemplo, pois nestes processos as</p><p>18</p><p>especificidades e características das organizações faz com que cada empresa</p><p>apresente sua estrutura de processos de uma forma particular.</p><p>Entre os principais aspectos que o auditor deve se atentar na avaliação</p><p>de controles internos dos demais processos estão:</p><p>Gestão de RH:</p><p>• controle de acesso à área de RH;</p><p>• integração da folha de pagamento com setor de custos e demais áreas</p><p>que gerem informações que reflitam na folha de pagamento;</p><p>• sistema de registro de frequência;</p><p>• autorização para realização de horas extras;</p><p>• existência de funcionários não registrados;</p><p>• existência de funcionários contratados como pessoas jurídicas;</p><p>• salários e demais verbas pagas à margem da folha de pagamento;</p><p>• controle e assessoria das causas trabalhistas.</p><p>Gestão do risco de informação:</p><p>• controle de acesso à área de informática;</p><p>• realização de back-ups contínuos;</p><p>• atualização do parque tecnológico;</p><p>• existência de antivírus;</p><p>• senhas de acesso individuais e fortes;</p><p>• existência de softwares não homologados (piratas);</p><p>• permissão de acesso a sites que podem trazer vírus;</p><p>• confiabilidade dos sites de relações comerciais (vendas, compras,</p><p>internet banking).</p><p>Gestão contábil:</p><p>• avaliação do processo de capacitação da equipe contábil;</p><p>• avaliação da experiência profissional da equipe contábil;</p><p>• verificação da qualidade e integridade do sistema de gerenciamento</p><p>contábil adotado;</p><p>• utilização de conciliações contábeis;</p><p>• entrega tempestiva de informações contábeis e obrigações acessórias;</p><p>• identificação de existência de alisamento de resultados (manipulação</p><p>contábil).</p><p>19</p><p>Ao final da etapa de avaliação dos controles internos, os auditores</p><p>deverão estabelecer uma opinião prévia acerca do ambiente de controle e de</p><p>riscos inerentes e residuais.</p><p>A avaliação da equipe de auditoria de que o ambiente de controle interno</p><p>não é adequado remete à necessidade de realização de maiores testes nas</p><p>etapas seguintes, de auditoria preliminar e final. Ao contrário, a identificação de</p><p>um ambiente de controle interno mais seguro permite aos auditores reduzirem</p><p>o nível dos testes substantivos na avaliação das demonstrações contábeis.</p><p>Ou seja: quanto mais controle interno, menos teste substantivo. Quanto</p><p>menos controle interno, mais teste substantivo.</p><p>3.3 Etapa de auditoria preliminar</p><p>A etapa de auditoria preliminar visa realizar a maior quantidade possível</p><p>de avaliações prévias nas contas contábeis a fim de minimizar o volume de</p><p>trabalho na última etapa, quando, diante da necessidade de cumprir os</p><p>cronogramas de publicação das demonstrações contábeis, o prazo se torna</p><p>exíguo para avaliar as informações geradas por todo um exercício.</p><p>A ideia é que na etapa de auditoria preliminar, os auditores consigam</p><p>avaliar a variação de saldos e analisar a natureza das transações e</p><p>informações registradas na contabilidade, bem como as respectivas evidências</p><p>documentais para um período de 10 ou 11 meses do exercício, restando à</p><p>etapa seguinte a avaliação de 1 ou 2 meses de movimentação, os meses finais</p><p>do exercício.</p><p>Ressalta-se que na etapa de auditoria preliminar, por óbvio, algumas</p><p>contas e registros contábeis não poderão ser analisados, por exemplo, as</p><p>destinações das reservas, o lucro do exercício, o cálculo da apuração do</p><p>imposto de renda e da contribuição social, além da atualização das</p><p>contingências e provisões, já que, para tanto, é necessário ocorrer o</p><p>encerramento das contas de resultado e obter informações para a data de</p><p>encerramento do exercício.</p><p>3.4 Etapa de auditoria final</p><p>Nesta etapa, resta a análise de pendências das etapas anteriores, a</p><p>análise das transações ocorridas nos últimos meses do ano, a análise das</p><p>20</p><p>peças contábeis produzidas pelo cliente, a análise de movimentações atípicas</p><p>ou não usuais ocorridas após a etapa de auditoria preliminar, a avaliação da</p><p>suficiências das provisões constituídas, a destinação dos resultados, a</p><p>apuração final do resultado do exercício, a identificação de eventos</p><p>subsequentes que porventura tenham ocorrido após o encerramento do</p><p>exercício e que possam impactar na apresentação e divulgação das</p><p>demonstrações contábeis.</p><p>3.5 Etapa de apresentação do relatório e briefing</p><p>À primeira vista, pode parecer desnecessário estabelecer uma etapa</p><p>para cumprir uma mera formalidade, a entrega do relatório de auditoria.</p><p>Contudo, por trás da simples formalidade, reside uma questão muito</p><p>relevante: a responsabilidade do auditor em relação à sua opinião de</p><p>asseguração. Ocorre, pelas Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à</p><p>auditoria, que a responsabilidade do auditor se encerra na entrega do seu</p><p>parecer de asseguração. Qualquer fato que ocorra após o período de entrega</p><p>não lhe caberá qualquer responsabilidade ou atribuição. Portanto, a entrega</p><p>deve ser um rito, salvaguardando direitos e deveres de ambas as partes –</p><p>empresa contratante (e auditada) e auditor contratado.</p><p>O briefing é um momento dentro do trabalho que serve para que</p><p>procedimentos que não ocorreram a contento ou problemas na condução do</p><p>processo de auditoria, observados por ambas as partes, possam ser sanados,</p><p>para que no ano seguinte os trabalhos possam ocorrer de forma mais célere,</p><p>dinâmica e tempestiva, trazendo ganho de performance para ambas as partes.</p><p>TEMA 4 – REQUISITOS ÉTICOS, CETICISMO E JULGAMENTO</p><p>PROFISSIONAL</p><p>Já comentando anteriormente a questão do perfil extremamente</p><p>normativo na qual a profissão contábil e em especial a do auditor independente</p><p>estão sujeitos, o que se estabelece por meio de um código de ética profissional</p><p>específico e um conjunto normativo denso e estruturado, estabelecido nas NBC</p><p>PA (Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais de Auditoria).</p><p>21</p><p>As normativas que tratam das exigências éticas e da postura do auditor</p><p>em relação à independência adotadas no Brasil são baseadas na Federação</p><p>Internacional de Contadores (IFAC, em inglês).</p><p>Os princípios fundamentais norteados pelo IFAC são: integridade,</p><p>objetividade, a competência, o zelo profissional, a confidencialidade e a</p><p>conduta profissional.</p><p>Dentre os pontos elencados relacionados ao perfil e postura do auditor</p><p>em conformidade com o Código de Ética Profissional do Contador, o principal</p><p>aspecto a ser ressaltado é a questão da independência do auditor em relação à</p><p>empresa e aos empregados auditados, visando evitar conflito de interesses e</p><p>manipulação de opinião. A independência é um aspecto que denota a condição</p><p>da equipe de auditoria em agir de forma íntegra, mantendo o seu ceticismo</p><p>profissional.</p><p>O ceticismo profissional estabelece a postura e comportamento do</p><p>auditor ante fatos expostos durante o processo de auditoria. Consiste em obter</p><p>evidências fáticas a respeito de informações obtidas junto ao pessoal do cliente</p><p>e dos registros efetuados nas demonstrações contábeis.</p><p>Portanto, não basta apenas o auditor ser informado de algo, de algum</p><p>procedimento, do estabelecimento de uma estratégia ou planejamento. Não</p><p>basta apenas receber explicações sobre algum fato ocorrido. Ele deverá obter</p><p>evidências suficientes e robustas a fim de estabelecer uma base de opinião</p><p>segura.</p><p>TEMA 5 – PRÁTICA 4: APLICAÇÃO DAS NORMAS RELATIVAS À AUDITORIA</p><p>INTERNA (AI)</p><p>5.1 Apresentação do caso prático</p><p>Com base nos conceitos discorridos aqui em relação à etapa de</p><p>auditoria dos controles internos, você deverá elaborar um fluxo do processo de</p><p>gestão de recursos humanos e de gestão contábil, apresentando as atividades</p><p>principais a cargo destas áreas.</p><p>Tomar como base o exemplo apresentado para o fluxo de compras e o</p><p>fluxo de vendas.</p><p>5.2 Sugestão de resolução – Fluxo de RH</p><p>22</p><p>FLUXO DE RECURSOS HUMANOS - CONTRATAÇÃO</p><p>Setor Abre Solicitação de Vaga</p><p>Setor Controladoria efetua</p><p>cálculo de custo mensal e</p><p>anual com nova vaga</p><p>Setor RH revisa cálculos</p><p>efetuados pela Controladoria</p><p>SIM</p><p>Encaminha para</p><p>Empresa RH -</p><p>divulgação de vaga</p><p>Recepção e Triagem</p><p>de CV</p><p>Está Dentro Orçamento da</p><p>Área para o Exercício?</p><p>NÃO</p><p>Entrevista candidatos</p><p>selecionados</p><p>Finalização do Processo</p><p>Entrevista Final com</p><p>Gestores</p><p>Checklist de</p><p>documentação</p><p>encaminhada</p><p>Recepção e</p><p>Integração novo</p><p>colaborador</p><p>RH Encaminha</p><p>para Setor</p><p>Finalização do</p><p>Processo</p><p>Escolha do Canditado</p><p>Solicitação de</p><p>Documentos</p><p>23</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 8 ed. São Paulo:</p><p>Atlas, 2012.</p><p>ATTIE, W. Auditoria: conceitos e aplicações. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011.</p><p>CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Auditoria contábil: teoria e prática. 10.</p><p>ed. São Paulo: Atlas, 2016.</p><p>LINS, L. dos S. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria</p><p>externa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2017.</p>