Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ESTRUTURA E 
ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES 
CONTÁBEIS
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA
Prof. André de Faria Thomáz
ESTRUTURA E 
ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES 
CONTÁBEIS 
“A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma 
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à 
geração, sistematização e disseminação do conhecimento, 
para formar profissionais empreendedores que promovam 
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e 
cultural da comunidade em que está inserida.
Missão da Faculdade Católica Paulista
 Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
 www.uca.edu.br
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma 
sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, 
salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a 
emissão de conceitos.
Diretor Geral | Professor Valdir Carrenho Junior
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
CAPÍTULO 02
CAPÍTULO 03
CAPÍTULO 04
CAPÍTULO 05
CAPÍTULO 06
CAPÍTULO 07
CAPÍTULO 08
CAPÍTULO 09
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
07
35
49
59
75
95
108
131
144
154
165
173
181
190
204
INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE 
INTERNACIONAL
O QUE SÃO COMITÊS DE 
PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC
CPC 00 E CPC 26
ANÁLISES FINANCEIRAS
CONTROLES DAS ATIVIDADES 
EMPRESARIAIS
EVOLUÇÃO PATRIMONIAL
BALANÇO PATRIMONIAL
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO
DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU 
PREJUÍZOS ACUMULADOS
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO 
ABRANGENTE
NOTAS EXPLICATIVAS
EVENTOS ECONÔMICOS DOS CPC’S
CUSTOS EMPRESARIAIS 
CUSTOS FINANCEIROS
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6
INTRODUÇÃO
Olá, estudante no decorrer do nosso percurso de aprendizagem iremos aprender 
sobre as demonstrações contábeis são importantes ferramentas para análise da 
situação patrimonial e financeira, de desempenho e variações de caixa e equivalentes 
de caixa das entidades. Elas reúnem informações complementares e consistentes 
entre si, mesmo apresentando finalidades distintas. São importantes instrumentos para 
conhecimento da saúde financeira da entidade, e sua análise é vital para a tomada 
de decisão dos usuários.
As demonstrações contábeis apresentam informações úteis e fidedignas que refletem 
as operações realizadas pelas entidades em determinado período. Cada uma delas 
apresenta suas finalidades próprias e permite compreender a situação econômica e 
financeira das entidades. 
Os usuários das informações contábeis precisam conhecer cada uma das 
demonstrações, bem como compreender como a análise conjunta pode fornecer 
informações úteis para o alcance de seus diferentes objetivos. Portanto, as 
demonstrações contábeis são ferramentas imprescindíveis para a avaliação e o 
planejamento futuro, uma vez que permitem a identificação de riscos e potencialidades 
de retorno da entidade.
As demonstrações contábeis representam os efeitos patrimoniais e financeiros, 
o desempenho e o fluxo de caixa da entidade de maneira estruturada e simplificada 
aos usuários das informações (acionistas, sócios, administradores, funcionários, 
consumidores, fornecedores e instituições financeiras). Elas fornecem informações 
fi dedignas e relevantes para a análise e a avaliação na tomada de decisão, visando ao 
atendimento das necessidades de todos os interessados. A administração da entidade 
é responsável pela elaboração das demonstrações contábeis, que devem estar em 
conformidade com as normas contábeis vigentes e a estrutura conceitual.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7
CAPÍTULO 01
INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE 
INTERNACIONAL
INTRODUÇÃO 
A contabilidade avançou rapidamente ao longo dos tempos, acompanhando a 
evolução da humanidade. A partir do momento em que o homem passa a viver em 
sociedade, começa a acumular bens e riquezas, surgindo, aí, a necessidade de controle 
patrimonial.
As grandes navegações trouxeram novas perspectivas para a humanidade, 
encurtando distâncias e aprimorando a forma de comércio. Podemos nos arriscar 
em dizer que as grandes navegações eram uma forma primitiva da globalização que 
conhecemos hoje.
Os avanços tecnológicos conquistados nos últimos séculos contribuíram para a 
revolução industrial, que ganhou forças principalmente após o final da segunda guerra 
mundial. A globalização torna-se cada vez mais presente, e o crescimento acelerado 
das empresas chama a atenção de investidores de todas as partes do planeta, onde 
o patrimônio tem o papel da contabilidade é o de controlar o patrimônio para atender 
às necessidades dos governos de regulação e tributação.
A contabilidade, por sua vez, necessita acompanhar o ritmo de crescimento das 
empresas, fornecendo a seus investidores demonstrativos financeiros cada vez mais 
transparentes e confiáveis.
Neste capítulo, estudaremos os avanços ocorridos na Contabilidade Internacional 
nos últimos séculos. Conheceremos os principais órgãos envolvidos no processo 
de convergência aos padrões IFRS (International Financial Reporting Standards), e 
quais são os países que trabalham para que a harmonização contábil se torne uma 
realidade universal.
1.0 EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE
A contabilidade é uma técnica muito antiga de controle patrimonial, tão antiga 
que quase se confunde com a própria história da humanidade. Ambas praticamente 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8
caminharam juntas ao logo dos tempos. Fica muito difícil separar a evolução da 
contabilidade da evolução do próprio homem, pois, à medida que o homem começa 
a viver em sociedade, inicia o processo de acumulação de riquezas, como armas, 
mantimentos, animais, etc. Surge, então, a necessidade de contar e registrar os bens 
acumulados, como uma forma de controle, e assim sobre as técnicas contábeis, 
podemos definir que:
• Para atestar a veracidade e exatidão dos registros dos efeitos sobre o patrimônio 
da organização, aplica-se a técnica da auditoria.
• Para apresentar a situação patrimonial e financeira da organização, utiliza-se a 
técnica contábil denominada demonstração.
Essas contagens e registros são as formas mais rudimentares de contabilidade. 
Quando o patriarca da família morria, todos os bens acumulados eram deixados aos 
filhos ou parentes mais próximos, como forma de herança, daí a origem da palavra 
patrimônio, ou seja, deixado pelo “patriarca”. Com o surgimento das grandes civilizações 
e impérios, a contabilidade tornou-se uma prática cada vez mais respeitada e essencial 
para o controle patrimonial, exigindo- se aperfeiçoamento das técnicas de controle.
A prática de registar e controlar vem acompanhando toda essa evolução e se 
aperfeiçoando conforme vai se aprimorando o conhecimento humano. Nesse sentido, 
Rocha (2006, p. 15) afirma: 
A contabilidade é uma ciência tão antiga como o próprio homem. 
Alguns historiadores e teóricos acreditam que a contabilidade existe 
há pelo menos 4.000 (quatro mil) anos A.C. No início definiam como 
sua única função a de avaliar a riqueza patrimonial do homem. A 
evolução da história nos mostra que a ciência da contabilidade 
ultrapassa, e muito, essa barreira.
Convidamos você a fazer uma viagem imaginária pelo tempo para tentar compreender 
o longo caminho percorrido entre a contabilidade rudimentar, que comentamos lá 
no início, passando por um período mais racional e lógico, até chegar na ciência 
propriamente dita. Somente no início do século XIV, após vários anos de teorias, métodos 
e práticas contábeis em busca da verdade é que a contabilidade se torna reconhecida 
como ciência, tendo o patrimôniodeve formalizar suas ações e divulgar os processos 
para seus funcionários.
A formalização consiste no grau de padronização dos comportamentos e processos 
de trabalho em regras, normas e procedimentos. Há vários fatores que podem afetar 
o grau de uma organização, como:
• Tecnologia: as organizações que trabalham com tarefas mais rotineiras tendem 
a apresentar maior grau de formalização uma vez que têm mais estruturação 
e previsibilidade das atividades e tarefas organizacionais;
• Tradição: a história da organização pode influenciar seu grau de formalização. 
Empresas que começam suas atividades em um contexto altamente formalizado 
tendem a manter alto grau de formalização no decorrer no tempo;
• Processo decisório: o grau de formalização é resultado das decisões tomadas 
pelos gestores.
É importante destacar que a excessiva formalização limita a flexibilidade, a criatividade 
e a rapidez de resposta dos entes presentes na empresa. Os processos realizados nas 
organizações devem ser explicados para todos os participantes, internos ou externos, 
para evitar que ocorram conflitos e demais problemas com o gerenciamento das 
funções empresariais.
A internacionalização dos mercados demanda a unificação de padrões contábeis 
no âmbito internacional e contemporâneo para que os usuários consigam comparar 
informações entre companhias e ativos para investimentos. Sem elas, não seria possível 
interpretar e comparar informações contábeis produzidas por entidades em países 
diferentes.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 36
Partindo da premissa de que a contabilidade objetiva fornecer a seus usuários 
internos e externos informações contábeis úteis para a tomada de decisões, é preciso 
harmonizar suas normas, o que ocorreu a partir dos anos 2000 no Brasil.
Nesse período, entidades como o International Accounting Standards Board (IASB), 
em conjunto com o FASB, elaboram as International Financial Reporting Standards 
(IFRS) visando padronizar o tratamento, a interpretação e a evidenciação das mutações 
patrimoniais das organizações empresariais quanto à sua compressibilidade, relevância, 
confiabilidade e comparabilidade.
O atual contexto contábil mundial vem aprimorando a utilização e melhorando a 
transparência da informação contábil, produzindo maior accountability e reduzindo 
os riscos dos investimentos, onde as obrigações referem-se aos bens de terceiros 
que estão em poder da empresa, em muitas situações, representando transações de 
compra a prazo.
1. CONVENÇÕES E NORMAS
Como dito, a contabilidade é uma ciência social aplicada que tem o objetivo de 
registrar, mensurar e controlar todos os fatos administrativos capazes de afetar o 
patrimônio, com a finalidade de produzir uma informação contábil-financeira que seja 
útil.
O conceito de informação útil, trazido pelo CPC 00, refere-se a uma informação 
capaz de fazer a diferença para um usuário em seu processo de tomada de decisão. 
Portanto, “Ela precisa ser relevante e representar com fidedignidade o que se propõe 
a representar. A utilidade da informação contábil-financeira é melhorada se ela for 
comparável, verificável, tempestiva e compreensível (CFC, 2014)”.
Diante desse conceito, abordaremos os aspectos iniciais para que a informação 
contábil-financeira seja útil ou, conforme definido pela Estrutura Conceitual Básica 
da Contabilidade, para que a informação contábil-financeira seja de propósito geral 
(CFC, 2014).
As informações sobre o patrimônio de uma entidade precisam embasar as decisões 
de seus usuários, sejam internos ou externos. Esse processo decisório só poderá ser 
influenciado por informações contábeis úteis.
O patrimônio não é composto apenas pelos bens de uma pessoa ou entidade, 
mas, sim, por um conjunto de bens, direitos e obrigações. Para ajudar na definição de 
padrões conceitualmente consistentes e garantir que transações semelhantes sejam 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37
tratadas da mesma maneira, fornecendo informações úteis para usuários de maneira 
geral, o International Accounting Standard Board (IASB) elaborou o The Conceptual 
Framework for Financial Reporting, que, no Brasil, é chamado de Estrutura Conceitual 
para a Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro, emitido pelo CPC 
00 (CFC, 2014).
Essa estrutura conceitual estabelece os conceitos fundamentais para elaboração 
de relatórios financeiros e orienta o Conselho Federal de Contabilidade (doravante, 
CFC) no desenvolvimento de normas brasileiras alinhadas às normas internacionais, 
chamadas de International Financial Reporting Standards (IFRS).
Segundo Almeida (2018, p. 41), a Estrutura Conceitual “(...) é um conjunto de teorias 
que um órgão regulador, uma lei ou quem tem poder para emitir normas escolhe, 
entre as teorias e/ou suas vertentes todas à disposição, com o objetivo de nela se 
basear para emitir as normas contábeis”. Sendo assim, no Brasil, os profissionais da 
contabilidade precisam se preocupar em atender à estrutura conceitual ao elaborarem 
uma informação contábil-financeira para que ela seja carregada de utilidade para seus 
usuários.
Além dos princípios e postulados, a contabilidade também tem algumas convenções 
cuja função é servir de restrições e delimitações às atribuições e direções dos 
profissionais da contabilidade. Com as convenções contábeis, os profissionais poderão 
sedimentar toda a experiência e o bom-senso que a profissão de contador acumulou 
ao longo dos anos. Elas servem também para que os profissionais possam tomar as 
melhores decisões durante o percurso da profissão. Sobre as convenções contábeis, 
Almeida (2018, p. 52) afirma que elas são “(...) tidas como restrições aos princípios 
contábeis. São também consideradas normas de caráter prático que devem ser 
observadas, como guias, facilitando o trabalho do contador. Não são consideradas 
geradoras de definições de critérios contábeis”. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38
Figura 01 - Informações contábeis. Fonte: Pixabay (2024).
As convenções existem, portanto, para ajudar os profissionais contábeis a definirem 
melhor a sua atuação. Ao se afirmar que as convenções são restritivas, isso não 
significa que elas minimizam a prática dos profissionais, mas, sim, que elas auxiliam 
os profissionais a definirem a sua atuação, impedindo que erros sejam gerados ou 
ocasionados pela inobservância de tais convenções, para que a situação líquida negativa 
indica que o patrimônio líquido da empresa também é negativo.
A prática de adotar as convenções no dia a dia profissional é incorporada com o 
passar dos anos. Sendo assim, os profissionais que já atuam na contabilidade há 
mais tempo acabam integrando o uso das convenções em todas as suas atividades 
profissionais. 
A convenção da objetividade estabelece que o profissional contábil deverá sempre 
escolher o procedimento mais adequado, portanto, o mais objetivo, ao descrever um 
evento que impacte diretamente no patrimônio da entidade. 
Segundo essa convenção, o contador deverá sempre ser objetivo em suas escolhas, 
pois “(...) quando efetua uma escrituração de um fato, ele precisa alicerçar-se de 
elementos objetivos, visando tirar o máximo possível de subjetividade no lançamento 
contábil” (ALMEIDA, 2018, p. 103). 
A objetividade também afirma que, sempre que um novo lançamento for realizado, 
ele deve ser acompanhado de subsídios que ajudem a explicar tal fato. O contador, de 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39
acordo com essa convenção, não deverá imprimir nenhum tipo de marca pessoal ao 
longo do processo de avaliação do objeto, por isso, a contabilidade deve ser ilesa de 
qualquer tipo de marcação que indique um comportamento ou atitude do profissional 
quea realizou, excetuando, é claro, a assinatura do profissional em documento.
A consistência é também uma das convenções contábeis de grande importância. 
Alguns autores chegam a afirmar que ela poderia ser até considerada como um princípio 
contábil. 
A manutenção de critérios ao longo do tempo é importante para que seja possível 
efetuar a comparabilidade dos resultados de uma entidade. Essa convenção, portanto, 
é muito importante para realizar análises entre entidades de um mesmo setor ou, 
ainda, para analisar os resultados de uma mesma entidade em períodos distintos. A 
comparabilidade, conforme mencionado, faz parte das características qualitativas de 
melhoria apresentadas no CPC 00, que apresenta a estrutura conceitual para o relatório 
financeiro e que teve sua segunda revisão publicada no ano de 2018 (ALMEIDA, 2018).
Uma das características qualitativas fundamentais da contabilidade e que também 
consta no CPC 00 é a materialidade. Ela está relacionada diretamente com o não 
desperdício de recursos, sejam eles financeiros, sejam de tempo, na realização da 
contabilização das atividades da entidade. Em uma situação em que houver inúmeros 
eventos a serem registrados, o profissional contábil deverá privilegiar os lançamentos 
que sejam dignos de atenção. Esses registros deverão ser realizados também no tempo 
oportuno. Segundo Sá (2000, p. 215), “(...) o julgamento quanto à materialidade também 
se relaciona com qual informação deve ser evidenciada, cuja exclusão dos relatórios 
publicados poderia levar o leitor a conclusões inadequadas sobre os resultados e as 
tendências da empresa”.
2. ESCOLAS CONTÁBEIS 
O valor científico da contabilidade foi reconhecido na primeira metade do século 
XIX, por volta de 1840, quando passou a ser classificada como uma ciência social 
aplicada. As escolas contábeis que recebem destaque devido à sua contribuição para 
o desenvolvimento da ciência contábil são a materialista, aziendalista, patrimonialista 
e neopatrimonialista, além da escola lombarda (ou administrativa), dos agrupamentos 
dos ativos e passivo, com intenção de:
• O valor de financiamento de um veículo e o próprio valor do veículo são itens 
patrimoniais classificados como passivo e ativo, respectivamente.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40
• A infraestrutura existente para a execução da sua atividade, tais como imóveis, 
terrenos e máquinas são itens patrimoniais classificados como ativo.
Francesco Villa, pai da escola cientifica italiana, deu início às doutrinas contábeis 
italianas e da modernidade, originando a escola materialista, que se caracteriza por 
mesclar conceitos de contabilidade, administração e economia, dando uma visão 
interdisciplinar frente ao fenômeno patrimonial. Essa corrente, criada pela escola 
materialista, influenciou outras escolas, como a aziendalista, a patrimonialista e a 
neopatrimonialista. É possível encontrar um resumo dessas três escolas no Quadro 1.
Escola Contribuição Essência Autores
Aziendalista Aborda causa e efeito para as 
relações patrimoniais, instituindo 
a relação do débito 
como efeito do crédito.
Interdependência 
entre a administração, a 
organização e a 
contabilidade.
Fabio Besta, 
Giusepe 
Cerboni e Gino 
Zapa.
Patrimonialista Define o patrimônio 
como objeto de estudo da 
contabilidade.
Necessidade de uma 
medição monetária.
Vincenzo 
Massi.
Neopatrimonialista Reconhece a necessidade 
de estudo do fenômeno 
patrimonial.
O fenômeno patrimonial 
se concebe de 
uma função sistêmica.
Antônio Lopes 
de Sá.
Quadro 1 - Escolas. Fonte: O autor.
Convidamos você a fazer uma reflexão e tentar identificar a influência dessas escolas 
contábeis em seu curso de graduação ou na forma de atuação de um profissional da 
área contábil atual.
Uma outra escola de destaque, a escola lombarda ou administrativa, contribuiu para 
o desenvolvimento da contabilidade no campo científico, definindo-a como um complexo 
de conhecimento e de operações que serve à aplicação de diversos métodos e uma 
disciplina de ordem superior destinada a interpretar a dinâmica das entidades, voltada 
para o controle da gestão. Essa escola reconhece a necessidade de os profissionais 
contábeis interagirem com as condicionantes econômicas do fenômeno patrimonial, 
e não somente quanto aos aspectos técnicos do registro.
Apesar de toda a contribuição da escola italiana, sua decadência ocorreu com o 
que Schimidt (2016) chama de “Invasão Anglo-Saxônica”. Sua queda se deu ao mesmo 
tempo em que ocorria a ascensão da Escola Americana (Anglo-Saxônica). 
A Escola Americana deu origem ao Financial Accounting Standards Board (FASB) nos 
Estados Unidos. Ela era caracterizada pelo enfoque no aspecto prático do tratamento 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 41
de problemas econômico-administrativos, ditando regras de gestão financeira, de 
controle orçamentário, entre outros aspectos contábeis.
O surgimento das gigantescas corporations, principalmente no início 
do século XX, aliado ao formidável desenvolvimento do mercado de 
capitais e ao extraordinário ritmo de desenvolvimento que aquele 
país experimentou e ainda experimenta, constitui um campo fértil 
para o avanço das teorias e práticas contábeis norte-americanas 
(ALMEIDA, 2018, p. 14).
Como a Escola Italiana dava muita ênfase à teoria, a Escola Americana se fortaleceu 
através de uma informação útil ao usuário, auxiliando na tomada de decisão. Além 
disso, a relevância dada à auditoria, herança dos ingleses, representava a transparência 
das informações dos relatórios contábeis para investidores e credores, uma outra 
vantagem da Escola Americana. 
O mais interessante em ver todo esse processo de evolução da contabilidade por 
meio de suas escolas é compreender que, hoje, ela é uma Ciência que ainda está em 
constante construção e transformação. Assim, ela se insere em um contexto mundial 
que acompanha o próprio ritmo do desenvolvimento humano.
3. CONTABILIDADE NO BRASIL X CONTABILIDADE INTERNACIONAL
A contabilidade no Brasil vivenciou um salto evolutivo a partir dos anos 2000, 
desde a necessidade do aprimoramento do olhar científico até a forte influência de 
convergência ao padrão internacional. 
Eventos como a instituição do BRGAAP (Princípios contábeis geralmente aceitos no 
Brasil) em 2010, o nascimento do CPC em 2005, a promulgação da Lei n° 11.638/2007 e 
a institucionalização do exame de suficiência causaram grandes avanços, que sujeitam 
a contabilidade brasileira a perseguir a qualidade das práticas e técnicas utilizadas 
nos países e mercados mais desenvolvidos.
Entender a história da contabilidade no Brasil é fundamental para compreender o 
contexto em que se insere a profissão contábil em nosso País. Iremos nos aprofundar 
um pouco mais nesse assunto no próximo tópico.
A contabilidade no Brasil é constituída de três momentos históricos demarcadores: 
anterior a 1964, posterior a 1964 e após 2007, com a consolidação jurídica da 
convergência ao padrão internacional e o caminho ao BRGAAP - Generally Accepted 
Accounting Principle (princípios contábeis geralmente aceitos no Brasil).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 42
O ponto de início foi o ano de 1808, durante a instalação do reinado de D. João VI, 
quando foi publicado um alvará que obrigava os contadores gerais da real fazenda 
a aplicarem o método das partidas dobradas na escrituração mercantil. O Quadro 2 
resume os principais marcos da evolução da contabilidade no País a partir de então.
1800 - 1963 1964 – 2005 2005 em diante
1808: alvará determinando a 
obrigação da partida dobrada 
pelos contadores gerais na 
escrituração mercantil.
1965: Criação do auditor 
independente.
005: Criação do Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis 
(CPC). 
1850: publicação do Código 
Comercial Brasileiro.
1972: Surgimentodos primeiros 
Princípios de Contabilidade 
geralmente 
aceitos no Brasil.
2007: Promulgação da 
Lei n° 11.638/2007 e 
a institucionalização e 
legitimação do CPC.
1905: reconhecimento do 
guarda-livros e do perito 
contador.
1976: Promulgação da Lei 
6.404/76, conhecida como 
lei das S/As.
2008 – Elaboração do CPC 00 
com a Estrutura Conceitual 
Básica nos padrões do IASB.
1931: reconhecimento da 
profissão de contador no Brasil.
1993: Estabelecimento da 
Resolução nº 750 quanto aos 
Princípios de Contabilidade.
2010: instituição do BRGAAP.
1940: surgimento da Lei das 
S/A no Brasil.
2010: Estabelecimento da 
obrigatoriedade do Exame 
de Suficiência para todos os 
contabilistas brasileiros.
1945: estabelecimento da 
contabilidade como formação 
universitária.
2011: revisão do CPC 00, 
ajustando-o ao Blue Book do 
IASB.
1946: fundação das primeiras 
faculdades de Contabilidade e 
Atuária no Brasil.
2011: revisão do CPC 26 
R1 para a elaboração das 
Demonstrações Contábeis.
1946: Surgimento do Conselho 
Federal de Contabilidade (CFC).
Quadro 2 - Evolução da Contabilidade no Brasil. Fonte: O autor.
Segundo o American Accounting Association – AAA, a contabilidade é um processo 
que tem como finalidade auxiliar a tomada de decisões. Assim, segundo o CPC 00, 
quais são as características de uma informação contábil capaz de auxiliar a tomada 
de decisão?
Perceba que a Lei 11.638/07 provoca uma virada nos padrões de contabilidade 
brasileira. Essa mudança foi necessária para que nossa contabilidade estivesse alinhada 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43
aos padrões internacionais. Desde 2007, então, tem-se a elaboração de normas e a 
divulgação de procedimentos que permitem a comparação das informações contábeis 
brasileiras com as informações produzidas em diversos países do mundo. 
O investidor do mercado de capitais, nesse sentido, é um componente decisório 
nesse processo. Isso porque, ao promover uma contabilidade internacional, o investidor 
ganha maior grau de julgamento sobre as informações geradas pela contabilidade, o 
que aumenta a responsabilidade do contador perante as demonstrações.
Como parte fundamental no desenvolvimento e normatização da profissão no 
Brasil estão o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e os Conselhos Regionais de 
Contabilidade (CRC). 
Um pouco antes da segunda fase histórica da contabilidade brasileira, em 1946, 
o Decreto-Lei presidencial 9.295 fez ter materialidade e personalidade jurídica o 
Conselho Federal de Contabilidade (CFC), trazendo à tona também as atribuições 
dos contabilistas.
O CFC trabalhou para a institucionalização dos Conselhos Regionais, de Contabilidade 
(CRCs), consolidando sua organização na Resolução nº 1 de 1946, revogada e alterada 
pela Resolução CFC nº 1.530, de 22 de setembro de 2017. Eles foram, então, direcionados 
ao registro dos profissionais em suas áreas de atuação, os quais, posteriormente, 
passaram a efetuar ações de fiscalização (ALMEIDA, 2018). 
Ao longo de sua história, o CFC tem emitido normas e regulamentações da 
atividade contábil no Brasil, frente a aspectos profissionais e técnicos, as quais são 
denominadas de Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), que, conjuntamente com 
os pronunciamentos do CPC, conduzem o dia a dia dos profissionais contábeis.
Outros dois personagens importantes que praticam atos regulatórios no Brasil são 
o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e a Receita Federal do 
Brasil (RFB). Iremos estudar um pouco sobre eles a seguir.
O IBRACON tem a função de emitir pronunciamentos, interpretações técnicas e 
orientações sobre temas contábeis. Ao longo de sua história, estabeleceu relacionamento 
com instituições e organismos internacionais e auxiliou o desenvolvimento da 
contabilidade no Brasil.
Já a RFB é responsável pelo processamento do cadastro das pessoas físicas e 
jurídicas e pela fiscalização e arrecadação dos tributos de competência da União. 
Criada em 1968, a Secretaria da Receita Federal representou um avanço na facilitação 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44
do cumprimento das obrigações tributárias, pois nasceu da unificação de diversos 
órgãos fiscais da administração pública federal.
Durante um longo período, as regras contábeis eram confundidas com as regras 
fiscais. Desde sua promulgação em 1964, a lei das SAs trouxe diversas mudanças ao 
desenvolvimento das atividades contábeis, porém, a confusão entre o que era produção 
de informação contábil útil e o que era cumprimento de obrigações acessórias fez 
com que a atividade contábil ficasse subutilizada. 
Essa mudança de paradigma deu início ao processo de convergência das Normas 
Internacionais, que permitiu o desenvolvimento de uma atividade contábil independente 
das regras tributárias. Essas regras, por sua vez, passaram a ser contempladas por 
normativos específicos que não desvirtuam o contador de suas atividades contábeis, 
tampouco desobrigam-no de cumprir com a prestação de informações fiscais 
obrigatórias.
Ao longo do tempo, essas normas da RFB passaram por diversas reformulações e 
hoje são constituídas por obrigações, como o Sistema Público de Escrituração Digital 
(SPED).
O contexto mundial engloba empresas estrangeiras instaladas em países diferentes 
de suas origens. Nesse cenário globalizado, a contabilidade internacional tem como 
objetivo apresentar informações contábeis úteis e de alta qualidade a seus usuários, 
auxiliando-os, assim, na dinâmica das tomadas de decisões cotidianas. Logo, uma 
abordagem comportamental é um elemento diferencial para a produção de informações 
de qualidade e, consequentemente, para a manutenção dessas organizações. 
O processo de internacionalização das normas contábeis por meio das IFRS 
permite que a informação contábil tenha sua utilidade resguardada, preservando suas 
características de relevância e comparabilidade. Assim, essa informação não deixa de 
ser fidedigna ao prezar pela essência das operações uma vez que seu registro não é 
feito com o viés do contador, mas pautado na observação de como se registrar um 
fato, evidenciando como ele ocorreu. 
Diante disso, ao estudarmos a contabilidade dentro do contexto nacional, não 
podemos esquecer que os normativos contábeis seguem as IFRS (tanto no setor 
público quanto no privado). Esse entendimento é fundamental para compreender a 
abordagem comportamental, pois, a partir da internacionalização das Normas Brasileiras 
de Contabilidade, passamos a adotar normativos que prezam por uma postura com 
foco na produção de informações contábeis úteis.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45
4. ESTRUTURA SOCIAL X CONTÁBIL
Segundo a estrutura conceitual, a informação contábil-financeira de propósito geral 
é aquela capaz de atender às necessidades de uma gama de usuários, e não apenas 
a um usuário específico. Além disso, deve fornecer informações contábeis-financeiras 
acerca da entidade que as reporta (reporting entity) e que sejam úteis a investidores 
existentes e em potencial, a credores por empréstimos e a outros credores, quando 
for preciso tomar decisões ligadas ao fornecimento de recursos para a empresa em 
questão.
Os investidores analisam as informações sobre a entidade para decidirem sobre 
compra, venda ou manutenção de seus investimentos, como ilustra a Figura 2 sobre 
o cuidado com o patrimônio.
Figura 2 - Cuidado com o patrimônio. Fonte: Pixabay (2023c).
Um dos pontos mais importantes da elaboração das informações contábeis-
financeiras é compreender quem são seus usuários. A informação contábil-financeira 
de propósito geral é destinada a uma gama de usuários, que são credores, investidores 
e fornecedores, interessados em tomar decisões relativas a uma entidade. Os bancos, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEISPROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46
por exemplo, são credores que analisam a situação das empresas para analisar a 
concessão de crédito.
Agora, para que esses usuários tomem suas decisões, eles se baseiam em três 
situações: 
1. Situação financeira: está diretamente relacionada às disponibilidades da empresa 
para honrar com o pagamento de suas obrigações; 
2. Situação econômica: apresenta os resultados econômicos da entidade (lucro 
ou prejuízo);
3. Situação patrimonial: diz respeito à composição do patrimônio da empresa. Essas 
informações contábeis permitem, por exemplo, que um credor avalie a capacidade 
de liquidez de uma entidade ou, ainda, que avalie a qualidade do seu endividamento. 
Também é possível obter informações sobre o grau de imobilização de capital da 
entidade ou a expectativa de entrada de recursos futuros por meio da análise de 
ativos recebíveis a longo prazo.
5. PROFISSÃO E PAPEL DO CONTADOR
O campo de aplicação da contabilidade são as aziendas, que, segundo Almeida 
(2018), são entidades com natureza econômica com ou sem fins lucrativos, que têm 
um objetivo social ou econômico.
Desse modo, o campo de atuação dos contadores é amplo, podendo, também, 
exercer suas atribuições de forma independente, nas empresas, na educação ou em 
órgãos públicos.
Veja, a seguir, alguns campos de aplicação da contabilidade para os setores público e 
privado. Aproveite para ir refletindo e pensando sobre qual carreira seguir na profissão.
A aplicação da contabilidade está situada no conjunto patrimonial, pertencente 
à pessoa física ou jurídica, pública ou privada, como indústrias, hospitais, igrejas, 
empresas e entidades governamentais, já que são sistemas organizados que visam 
a um fim específico.
Pode-se dizer, então, que a contabilidade pode ser aplicada na abrangência dos setores 
públicos e privados, mesmo que incorpore a cada campo de atuação especificidades 
próprias para que atinja os fins propostos de reconhecer, mensurar e evidenciar a 
evolução do patrimônio e seus reflexos junto aos diversos usuários da informação.
No setor privado, os profissionais da contabilidade têm atuação tanto gerencial 
como financeira. Na atuação gerencial, o contador atua na análise e desenvolvimento 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47
de informações inerentes ao processo gerencial e decisório, utilizando-se de uma 
visão crítica e detalhada do patrimônio e suas inflexões frente aos acontecimentos 
do dia a dia. 
Na área de atuação financeira, por sua vez, o contador se ocupa do registro, controle e 
mensuração de todos os fatos patrimoniais, o que envolve o cumprimento de obrigações 
acessórias, como escrituração contábil e fiscal, prestação de informações sociais e 
elaboração de demonstrativos contábeis.
A contabilidade e a administração pública estão intimamente ligadas, pois os 
contadores podem oferecer aos gestores públicos as informações fundamentais ao 
desenvolvimento do planejamento e execução orçamentária, que tem como base os 
Planos Plurianuais (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária 
Anual (LOA), nas quais o contador tem participação direta na produção de informações. 
Com a convergência ao padrão internacional, construiu-se no Brasil uma estrutura 
conceitual e normativa de práticas contábeis aplicadas ao setor público, que são as 
Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público.
Os profissionais da área contábil também podem atuar no ensino da contabilidade, 
ainda mais com a convergência da contabilidade brasileira ao padrão internacional 
nos últimos anos. 
Essa mudança nos padrões contábeis brasileiros fez crescer a necessidade de 
reciclagem e de educação continuada dos profissionais já atuantes no mercado 
(ALMEIDA, 2018). Por conta desse processo de cientificação e alinhamento aos padrões 
internacionais, a oferta de cursos e eventos de educação continuada pôde ser ampliada, 
fazendo surgirem oportunidades de trabalho na área de atuação acadêmica.
6. APLICABILIDADE E INTRODUÇÃO DO CPC – COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS 
CONTÁBEIS
Durante muito tempo, a contabilidade brasileira foi determinada pela legislação 
tributária e pela legislação societária. Com o processo de globalização, tornou-se 
imprescindível uma harmonização da contabilidade, surgindo, assim, o IASC, organismo 
internacional mencionado anteriormente. Então, começou no Brasil o processo para 
alinhar as práticas contábeis aos padrões IFRS.
Em 2005, foi criado para esse processo o CPC, um novo organismo independente, 
formado por diversas entidades representativas das áreas de contabilidade, finanças, 
mercado de capitais e bancos, além de seguradoras e a Receita Federal do Brasil (RFB).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48
Cabe ao CPC elaborar os pronunciamentos técnicos, as interpretações, as orientações 
e os comunicados acerca da contabilidade brasileira, sempre buscando a uniformização 
dos padrões brasileiros aos padrões contábeis internacionais com base nas IFRS. 
Todos os pronunciamentos técnicos devem ser submetidos a audiências públicas, 
assim como as orientações e as interpretações técnicas.
O sistema contábil brasileiro sempre sofreu profundas influências legislativas, 
notadamente da legislação tributária e da legislação societária. Por sua vez, a Lei nº 
11.638/07 atualizou a Lei das Sociedades por Ações e determinou que futuras normas 
devem estar de acordo com as normas internacionais de contabilidade, as IFRSs. 
Assim, o CPC se consolidou no Brasil com a emissão de diversas normativas técnicas 
alinhadas aos padrões IFRS, que são adotados pelos diversos órgãos regulamentadores 
de atividades profissionais e/ou de mercado, como o CFC, a Abrasca, a Apimec Nacional, 
entre outros. 
Está na net: Para que possamos realizar uma troca de conhecimento sobre a 
importância do CPC para a evolução das informações contábeis, indicamos um vídeo 
sobre a aplicabilidade do tema: Descomplicando os CPC´s, disponível em https://www.
youtube.com/watch?v=a3jbyfovb4Q .
ANOTE ISSO
Após serem traduzidas, as IFRS são analisadas pelo CPC, que, depois de aprová-
las, as transforma em NBCs. Outros órgãos reguladores também podem aprová-
las para serem adotadas pelas entidades supervisionadas por esses órgãos 
reguladores. 
https://www.youtube.com/watch?v=a3jbyfovb4Q
https://www.youtube.com/watch?v=a3jbyfovb4Q
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49
CAPÍTULO 3
CPC 00 E CPC 26
Olá, estudante, você sabia que a construção e a apresentação das informações 
contábeis devem estar de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), 
alinhadas às International Financial Reporting Standards (IFRS) ou Normas Internacionais 
de Contabilidade. O processo de internacionalização da contabilidade brasileira, iniciado 
em 2007, objetiva conferir comparabilidade às informações contábeis produzidas em 
diferentes países, onde os registros contábeis são:
• Os termos de débito e crédito fazem parte do conceito do método de partidas 
dobradas.
• Uma redução no ativo gera uma mutação a crédito na conta contábil deste 
ativo, enquanto que uma redução no passivo gera uma mutação a débito na 
conta contábil deste passivo.
• Toda mutação patrimonial e financeira repercute em mais de um item patrimonial 
ao mesmo tempo, existindo desta forma contas contábeis que serão debitadas 
e contas contábeis que serão creditadas, respeitando a regra de ouro de que 
montantes a débito devem ser iguais aos montantes a crédito.
Um dos pronunciamentos mais relevantes nesse processo é o Pronunciamento 
Contábil 00, que deu origem à Estrutura Conceitual e enfatiza a necessidade de produzir 
informações úteis: se a informação contábil-financeira é para ser útil, ela precisa ser 
relevante e representar com fidedignidade o quese propõe a representar. A utilidade 
da informação contábil-financeira é melhorada se ela for comparável, verificável, 
tempestiva e compreensível (IUDÍCIBUS et al., 2020). 
A elaboração de informações contábeis tem restrições, como o custo para produção 
da informação. A Estrutura Conceitual define que o custo deve ser um fator observado 
na elaboração das informações, restringindo, inclusive, sua produção quando o custo 
superar o benefício que ela trará (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2014).
As Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) baseiam-se em padrões internacionais 
de contabilidade emitidos por uma entidade internacional denominada International 
Accounting Standards Board (IASB). 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50
O IASB é um órgão independente e de caráter privado, que tem como objetivo 
uniformizar os princípios de contabilidade geralmente aceitos, abrangendo todas as 
nações. 
Esses princípios são aplicados em entidades empresariais e demais organizações 
governamentais e não governamentais, decorrendo de suas atuações a terminologia 
International Financial Reporting Standards (IFRS).
Essas normas internacionais (IFRS) servem de base para a elaboração de 
pronunciamentos contábeis no Brasil, que, por sua vez, se tornaram a base normativa 
de diversos órgãos brasileiros de regulação, como o Conselho Federal de Contabilidade, 
o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários.
No Brasil, até 2007 o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) era o principal 
responsável pela criação e institucionalização das normas de contabilidade e 
auditoria no Brasil, o que veio a ser modificado em 2005 com a criação do Comitê 
de Pronunciamentos Contábeis (CPC). A legitimidade do Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis foi consolidada com a edição da Lei 11.638/07, a qual alterou a Lei 6.404/76, 
a chamada Lei das Sociedades Anônimas. Após a promulgação da lei, em 2008, o CPC 
emitiu seu primeiro pronunciamento, o CPC 00. Atualmente, as entidades brasileiras 
estão submetidas às regulações dos órgãos normatizadores dependendo de seu 
porte, composição acionária e setor de atuação, e estes, por sua vez, referendam os 
pronunciamentos do CPC, os quais se tornam obrigatórios pelas entidades por eles 
reguladas. Exemplificando: o CFC tornou obrigatória a adoção do CPC 00 por meio da 
Resolução 1.374/11. A CVM aprovou a adoção do CPC 00 pelas empresas de capital 
aberto e de grande porte por meio da Normativa 675 de 2011 (IUDÍCIBUS et al., 2020).
Desde 2008, esse órgão contribui com pronunciamentos, interpretações de normas, 
orientações e revisões de regras. Isso faz com que a contabilidade brasileira, além de 
convergir para os padrões contábeis internacionais, seja adequada à nossa realidade e 
atualizada constantemente. É importante destacar que todos os documentos emitidos 
pelo CPC são enviados aos órgãos reguladores, que decidem por acatar ou não, no todo 
ou em parte, seu conteúdo, para que o pagamento de uma parcela de financiamento 
representa a diminuição do ativo e passivo” e “O depósito do dinheiro em caixa no 
banco representa o aumento e a diminuição do ativo” referem-se a fatos permutativos 
ou compensativos (1). “O aumento do capital social pelos sócios representa o aumento 
do ativo e patrimônio líquido” corresponde a fatos modificativos e “A compra de uma 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51
máquina a prazo representa o aumento do ativo e passivo, também corresponde a 
fatos permutativos ou compensativos.
Esse novo modelo contábil abandonou a velha contabilidade, voltada para fins fiscais, 
e ressuscitou a verdadeira função da contabilidade: fornecer informações fidedignas 
aos usuários dos dados contábeis. Assim, tanto as regras contidas na Lei nº 11.638/07 
quanto as normas emitidas pelo CFC passaram a dar preferência pela essência do 
fato em detrimento da forma como ele foi materializado, o que constitui a primazia da 
essência sobre a forma. Desde então, a contabilidade vem se desapegando da cultura 
enraizada de que suas informações são utilizadas, principalmente, para atender ao 
Fisco. 
Agora, apesar de ainda ser atendido, o Fisco não é mais o primeiro a se beneficiar das 
informações contábeis. Quando há conflito entre regras contábeis e fiscais, utiliza-se 
a regra contábil e realiza-se o devido ajuste em livro próprio fiscal, como no e-LALUR. 
Com esse novo padrão contábil, várias regras de contabilização, vigentes até então, 
começaram a ser revisadas e alteradas para atender ao renascimento da informação 
contábil no Brasil. A visão contábil passou a possibilitar a análise dos fatos contábeis 
sob a ótica de princípios e deixou de ser uma interpretação puramente literal ou legal. 
Contudo, como o projeto da Lei nº 11.638/07 levou anos para ser aprovado, durante 
esse período surgiram novas necessidades de adequação. 
Assim, a Lei nº 11.941/09 também alterou dispositivos da Lei nº 6.404/76. Ainda, 
surgiram novas denominações para antigas transações, desdobramento de fatos 
contábeis, alterações de classificações de contas e uma nova estrutura para o balanço 
patrimonial. Além dessas, aconteceram outras mudanças para adequar a contabilidade 
brasileira aos padrões internacionais (ALMEIDA, 2018).
A compreensão do conceito de receita e sua classificação se tornam cruciais para 
podermos estudar a composição dos resultados de uma entidade. Porém, assim como 
as receitas, existem outras atividades da empresa que geram benefícios econômicos: 
são os valores denominados de ganho. Sendo assim, antes de nos aprofundarmos 
de fato no conceito de receitas, iremos aprender o que são ganhos. 
Em sua constituição e formalização, uma empresa define qual é sua atividade 
principal. Por exemplo, uma loja que vende roupas tem como atividade principal o 
comércio de artigos de vestuário. Por ser sua atividade principal, na contabilidade ela 
é definida como atividade operacional.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52
Figura 1 - Avaliação financeira. 
Fonte: Pixabay (2023a).
Agora imagine que essa mesma entidade que comercializa artigos de vestuário 
tenha decidido renovar sua loja e, para isso, vendeu os manequins antigos. Um erro 
muito comum é classificar essa venda como receita, mas é preciso esclarecer que 
os benefícios econômicos oriundos de transações que não fazem parte da atividade 
operacional de uma empresa devem ser definidos como ganhos. Mas o que seria, 
então, uma receita? Assim os custos das vendas são itens de desempenho e podem 
ser identificados nos agrupamentos do passivo circulante.
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2011) define receita como sendo aumentos 
nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada ou 
aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio 
líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade. Prevista 
no CPC 00 (Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade Brasileira), a definição de 
receita é muito mais abrangente, pois contempla tanto os recursos advindos das 
atividades operacionais de uma empresa (a venda de artigos de vestuário em nosso 
exemplo) como os ganhos (a venda de manequins em nosso exemplo). 
ISTO ESTÁ NA REDE
Para complementar nossos estudos, segue um vídeo: CPC 00 ESTRUTURA 
CONCEITUAL, ELABORAÇÃO E DIVULGAÇÃO DE RELATÓRIOS CONTÁBEIS, 
disponível em https://www.youtube.com/watch?v=SItmRdunDDk.
As receitas, portanto, surgem das atividades usuais da entidade. Por exemplo, um 
escritório de contabilidade aufere receitas de honorários, enquanto uma empresa 
https://www.youtube.com/watch?v=SItmRdunDDk
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53
comercial aufere receitas com vendas de mercadorias.Esses exemplos usam a 
classificação de receitas, pois fornece serviços contábeis (objeto social de um escritório 
contábil) são suas atividades usuais. Assim, como a comercialização de mercadorias 
é o objeto social de uma entidade comercial, o aumento de benefícios econômicos 
ocasionado por essas atividades é denominado de receita.
Por outro lado, os ganhos, segundo o CPC (2011), representam outros itens que 
se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades 
usuais da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos. O próprio 
CPC 00 de 2011 traz como exemplo a venda de bens que estão no ativo não circulante. 
Por exemplo, quando um escritório contábil vende o prédio em que está localizado, 
ele obtém um ganho (HENDRICKSEN, 2015).
Em qualquer entidade, o conhecimento das receitas é fundamental para determinar 
o resultado de uma empresa. Sem esse conhecimento, não é possível criar informação 
com valor preditivo e apontar, por exemplo, o ponto de equilíbrio da entidade, ou seja, 
o momento em que as receitas são suficientes para arcar com todos os custos e 
despesas.
O CPC 47 faz menção à Obrigação de Desempenho, definindo que, para se ter o 
reconhecimento de uma receita, se faz necessária a transferência dos bens e serviços 
aos clientes, cumprindo com as obrigações assumidas. No entanto, essa “nova” definição 
de receita não é aplicável às entidades que seguem a ITG 1.000 (Interpretação Técnica 
geral – Modelo Contábil Simplificado para Microempresas e empresas de Pequeno 
Porte) (HENDRIKSEN, 2015).
Uma obrigação de desempenho refere-se à promessa feita pela entidade em entregar 
um bem ou serviço, ou parte de um bem ou serviço, ao comprador. Uma promessa 
constitui uma obrigação de desempenho se o bem ou serviço prometidos forem 
distintos.
Em outras palavras, o CPC 47 define que uma receita deve ser reconhecida apenas 
quando a entidade cumprir com as obrigações referentes àquela receita. Por exemplo, 
uma empresa que fabrica móveis sob medida cumpre com suas obrigações de 
desempenho quando finalmente realiza a entrega e a montagem dos móveis na casa 
do cliente, pois essa era sua obrigação de desempenho principal de acordo com a 
essência comercial da transação com o seu cliente.
Ressalta-se que um contrato com um cliente vai além do que podemos imaginar. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54
Mesmo que não exista um papel (um documento jurídico formal), é possível que 
tenhamos um contrato. Na venda de uma mercadoria, por exemplo, há um contrato; na 
prestação de um serviço, há um contrato. Nessas situações, as atividades desenvolvidas 
por uma entidade, seja pela prestação de serviços ou pela comercialização de 
mercadorias, há a necessidade de se reconhecerem receitas. 
Essas mudanças na forma como as receitas são reconhecidas, advindas do CPC 47, 
trouxeram inúmeras alterações práticas para o registro contábil dos fatos contábeis. 
2. CONTAS DE INVESTIMENTOS – RECEITAS E DESPESAS
As receitas oriundas da atividade operacional podem ser divididas em receitas 
de prestação de serviços e receitas de comercialização de mercadorias. As receitas 
de prestação de serviços são os aumentos de benefícios econômicos, obtidos pela 
empresa que presta serviços aos seus clientes. Assim, as receitas de comercialização 
de mercadorias são obtidas quando a entidade realiza atividade de venda de produtos. 
A diferenciação entre essas duas receitas é fundamental para que possamos 
representar, de forma fidedigna, a informação contábil e acrescentar a ela uma 
característica que eleve sua utilidade. Imagine uma concessionária de veículos 
- normalmente esse tipo de empresa, além de realizar a revenda de veículos 
(comercialização), também presta serviços de manutenção nos automóveis (prestação 
de serviços).
Figura 2 - Investimentos. 
Fonte: Pixabay (2023f).
Essas operações de comercialização de mercadorias e de prestação de serviços 
resultam de atividades principais (operacionais) da empresa, porém, são realizadas 
em momentos distintos e, provavelmente, têm relevância distinta. Desse modo, é 
importante distinguir uma da outra para que seja possível mensurar e reconhecer 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55
a origem dos resultados obtidos pela entidade, onde a contabilidade tomou ciência 
de que a apuração do resultado do mês anterior foi efetuada de forma incorreta” 
corresponde à oportunidade “Foram informados os valores da folha de pagamento 
dos funcionários à contabilidade da empresa no dia 28 do mês, embora o pagamento 
só ocorra no quinto dia útil do próximo mês” refere-se ao item competência, “O sócio 
apresentou uma despesa particular à contabilidade da empresa” relaciona-se à entidade, 
“Houve pagamento de prestador de serviço em dinheiro, sem a presença do recibo do 
pagamento no livro-caixa da empresa” refere-se à objetividade e, por fim, “Encerrou-se 
o mês e foi necessário apropriar parcela do prêmio do seguro ao resultado” remete 
à competência.
Portanto, a apresentação ideal das receitas de uma entidade deve considerar a 
separação entre aquelas que são originadas por meio da comercialização de mercadorias 
das que ocorrem por meio da prestação de serviços. 
Agora que você já compreende a definição de receita e sua classificação em receitas 
de serviços e receitas de venda (comercialização), iremos nos aprofundar em um outro 
aspecto da receita: as contas redutoras de receita.
Conforme orienta a Estrutura Conceitual, as despesas e receitas precisam ser 
confrontadas. Esse processo faz parte da produção de uma informação contábil útil, 
com características de fidedignidade e relevância. Mas o que seriam as despesas?
Almeida (2018) ressalta que as despesas representam as variações desfavoráveis dos 
aumentos ou diminuições de benefícios econômicos das organizações empresariais, 
produzindo redução nos lucros e, por conseguinte, no patrimônio.
Na prática, podemos entender as despesas como sendo a diminuição do patrimônio 
de uma entidade como um esforço para a obtenção de receitas.
É importante ressaltar, ainda, que a representação das despesas, segundo a Lei 
6.404/76 e Pronunciamento contábil CPC 26, pode ser feita de acordo com a natureza 
da despesa (IUDICIBUS et al., 2020).
Essa natureza pode ser sintética, demonstrando as despesas em categorias - 
como de vendas, gerais e administrativas -, ou ainda estar de acordo com sua função, 
demonstrando as despesas de forma analítica - como despesas com comissões, 
despesas com depreciação, entre outras. Desse modo, elas são inseridas no DRE 
de acordo com os objetivos da empresa para com seus stakeholders (usuários 
da informação). Assim, devem prevalecer os objetivos organizacionais para que a 
representação das despesas seja adequada às necessidades ou objetivos da entidade.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 56
Apesar de existir essa liberdade de escolha por parte da empresa (em demonstrar de 
acordo com a natureza ou função), há uma sequência a ser seguida para apresentação. 
De acordo com o CPC 26, as despesas devem ser apresentadas na seguinte ordem: 
despesas com vendas, gerais e administrativas, e outras despesas operacionais. O 
art. 187 da Lei 6.404/76 determina que as despesas apresentadas na DRE serão as 
despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas financeiras, 
as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais (SCHMIDT; 
SANTOS, 2016).
3. TOMADA DE DECISÃO X RAMIFICAÇÕES CONTÁBEIS
No atual contexto socioeconômico, segundo Mendonça, Ferreira e Neiva (2016), 
as empresas estão permanentemente pressionadas a inovar e a rever o modus 
operandi que pode comprometer a sua sobrevivência ou para se adaptarem às 
dinâmicas do seu ambiente do negócio, ou até para estabelecerem novosobjetivos 
estratégicos através de uma boa tomada de decisão contábil. Independentemente dos 
motivadores, a investigação de problemas ou oportunidades e a análise organizacional 
são fundamentais para traçar cenários com informação acurada e válida afim de 
suportar o processo de tomada de decisão sobre como utilizar melhor os recursos 
para assegurar o desenvolvimento e a evolução sustentável da empresa, assim o 
gestor deverá comprar à vista, ocorrerá a redução das disponibilidades existentes na 
empresa, estejam elas no caixa ou na conta corrente no banco, ao mesmo tempo em 
que isso aumentará os estoques de mercadorias para revenda. 
Se o gestor decidir por comprar a prazo, ocorrerá o aumento das obrigações com 
fornecedores, ao mesmo tempo em que aumentarão os estoques de mercadorias 
para revenda. 
Como o impacto nos estoques é igual, em ambas as alternativas, a decisão será 
centrada na redução das disponibilidades ou no aumento das obrigações.
As análises da organização referem-se ao esforço de investigação, classificação e 
caracterização dos seus componentes e elementos para determinar se eles constituem 
ou não problemas ou oportunidades (ALMEIDA, 2018). 
O processo de investigação ou análise organizacional consiste na coleta sistemática, 
organização e interpretação fundamentada da informação, seja relacionada à empresa 
como um todo e sua relação com o ambiente de negócio, sobre algum ou alguns dos 
componentes e elementos, ou sobre algum aspecto específico do funcionamento 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 57
da organização. Nesse sentido, a contabilidade proporciona algumas ramificações: 
finanças, tributária, gerencial, atuarial, custeio e administrativa, que compõem a análise 
organizacional.
Figura 3 - Tomada de decisão. 
Fonte: Pixabay (2023j).
De acordo com Almeida (2018, p. 79), o propósito da medição e análise da 
produtividade organizacional “(...) é um tema estudado em várias áreas, tais como 
a economia, a contabilidade, a gestão, o marketing, a gestão de recursos humanos 
e a engenharia industrial”. Entretanto, reitera o autor, “(...) medir a produtividade em 
diferentes níveis da organização requer uma compreensão aprofundada de como a 
informação da produtividade deve ser analisada e das limitações da medição”. O autor 
ainda utiliza como exemplos as definições e coleta de dados, bem como a frequência 
das análises (ALMEIDA, 2018, p. 85).
ANOTE ISSO
Para complementar nossos estudos, segue o artigo A importância da Contabilidade 
no processo de tomada de decisão nas empresas, disponível em https://www.lume.
ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25741/000751647.pdf?sequence=1.
O conceito de estratégia é, de toda forma, bastante amplo, mas pode facilmente ser 
compreendido com exemplos de sua aplicação. Em uma maneira um pouco conceitual, 
a estratégia é a forma de analisar os objetivos da organização e identificar caminhos 
a seguir, que culminem no alcance dos resultados. Para Sá (2000), o conceito de 
estratégia pode ser compreendido na atualidade não apenas como uma soma de 
planos e intenções colocadas em um papel, mas as formas não racionais pelas quais 
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25741/000751647.pdf?sequence=1
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25741/000751647.pdf?sequence=1
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58
as organizações absorvem e interpretam seus processos internos e vivenciam os 
processos do ambiente no qual estão inseridas, ou seja, uma soma do racional da 
administração com a percepção extraída pelos participantes de cada processo.
Da mesma forma como as principais decisões devem ser tomadas no âmbito 
organizacional, para atender aos direcionamentos estratégicos o desempenho 
organizacional também deve estar alinhado às diretrizes estratégicas organizacionais. 
Para melhor aproveitamento do potencial da medição da produtividade, Sá (2000) explica 
que devem ser utilizados oito direcionadores estratégicos: 1) comunicar orientações 
futuras; 2) estabelecer responsabilidades funcionais, individuais e de grupo; 3) definir 
os papéis e atividades; 4) alocar os recursos; 5) monitorar e controlar as atividades; 
6) ligar os principais processos organizacionais; 7) estabelecer metas; e 8) preparar 
as mudanças necessárias para assegurar a melhoria contínua.
A mensuração da produtividade, a partir do estudo de indicadores de desempenho, 
visa identificar, de forma clara e objetiva, como os processos, por meio das suas 
atividades e das competências dos profissionais, podem contribuir para o alcance 
dos objetivos estratégicos das organizações. 
As empresas precisam se empenhar na identificação e mensuração das 
suas competências essenciais e nas tecnologias necessárias para garantir seu 
posicionamento no mercado, de forma contínua.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59
AULA 4
ANÁLISES FINANCEIRAS
Olá, estudante, você sabia que quando se concebe a ideia da racionalidade ao homem 
de forma ordenada, é possível perceber, em sua essência condicionada à natureza 
humana, o sentido de posse e propriedade e as relações de poder (HENDRIKSEN, 2015). 
É nesse contexto que nos aprofundaremos na história da contabilidade e na formação 
de seus pensamentos e estruturas científicas, compreendendo seus instrumentos 
práticos do reconhecer, mensurar e evidenciar informações fundamentais para o 
processo decisório de diversos usuários.
Figura 1 - Preocupações contábeis. 
Fonte: Pixabay (2023h).
A estrutura fundamental classificatória da contabilidade é permeada por diversas 
correntes doutrinárias. Mas o que é contabilidade? Almeida (2018, p. 41) a define como 
a “(...) arte de registar, classificar e sumariar as transações e eventos de características 
financeiras”.
Uma ciência que desenvolveu a lógica e a racionalidade e se constituiu por meio 
de um processo contínuo de hipóteses e de sua instrumentalização social, contendo 
os seguintes elementos e premissas básicas: 
• objeto de estudo definido; 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60
• métodos de raciocínio de aspectos lógicos a serem investigados; 
• métodos de construção de proposituras e enunciados;
• métodos frente aos aspectos técnicos de sua interpretação e análise;
• referências comparativas e evolutivas cronologicamente.
Frente ao exposto, é possível compreender que a contabilidade é uma ciência já que 
tem o patrimônio como objeto de estudo e compreende todos os aspectos elencados 
para sua caracterização, utilizando, em sua instrumentalização, as ferramentas de 
mensurar, reconhecer e evidenciar para a produção de informações úteis ao processo 
decisório, e assim sobre qualidades da informação contábil, relevância, fidedignidade 
e comparabilidade:
• A informação contábil é relevante quando ela auxilia nas decisões dos gestores 
da organização.
• A informação contábil será considerada fidedigna se não contemplar erros ou 
omissões sobre o fato contábil retratado.
Pois a qualidade da verificabilidade está relacionada à capacidade de diferentes 
observadores, conhecedores e independentes chegarem a um consenso sobre como 
a informação representa a realidade econômica do fenômeno. Assim existem registros 
que comprovam que a essência do reconhecimento patrimonial e sua evolução 
ultrapassam o período pré-histórico mesolítico, entre 10.000 e 5.000 a.C., no que 
chamamos de arqueologia contábil (SÁ, 2000).
Sá (2000, p. 6) cita que, na Bíblia Sagrada, também é possível encontrar passagens 
que remetem ao controle patrimonial, como em Jó, capítulo 42, versículo 12: “A relação 
de bens de Jó demonstra um cuidado no controle do seu patrimônio pessoal. Por 
questões espirituais, um dia, Jó perde toda sua fortuna, tornando-se um homem pobre, 
semnenhum bem”.
No final do livro de Jó, algo inesperado acontece. Por motivos espirituais, ele recupera 
sua fortuna e não deixa de reencontrar um contador que, num certo momento, apresenta 
um relatório surpreendente: sua riqueza estava duplicada em relação ao primeiro 
inventário.
Assim, desde o período medieval, a forma da escrita já se manifestava para 
compreender as necessidades de uma sociedade principalmente para a comunicação 
e interpretação da mesma, assim nas civilizações mais antigas, com o surgimento das 
primeiras grandes comunidades nas terras do Oriente Próximo. Mesmo inexistindo 
a escrita e a contagem, essas comunidades produziam fichas de controle. São os 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61
primeiros registros dos meios de posse e propriedade (riqueza). Os primeiros indícios 
das partidas dobradas, por exemplo, foram encontrados em registros feitos com argila 
na baixa Mesopotâmia. 
Ainda conforme Sá (2000), a sistematização da escrita contábil se desenvolveu 
em função do progresso de 11 cidades-estados onde o progresso econômico foi 
expressivo, gerando um sistema altamente organizado para memorizar a informação. 
Outro fator determinante dos primórdios mesopotâmicos da contabilidade advém da 
necessidade de buscar o verdadeiro registro, o que deu origem à auditoria, ou contra-
contagem, cujo registro histórico mais antigo data de 2.600 a.C.
Anteriormente, na Itália do século XIV, houve um processo de intensa renovação 
cultural, cientifica e comercial. Esse período demarca o início do que os historiadores 
convencionam denominar de Idade Moderna, no qual se têm os primeiros registros 
sobre o uso de um sistema formal de escrituração contábil, representado sob a forma 
de documentos que evidenciavam os detalhes das transações comerciais e seus 
impactos na geração de riqueza da entidade empresarial denominada intuitiva, e assim 
sobre plano de contas:
• Apoiar a elaboração de relatórios com informações precisas e simplificadas aos 
usuários internos e externos é um dos objetivos do plano de contas.
• O plano de contas representa a organização da informação na empresa e será 
elaborado com base em suas necessidades e exigências legais, e de agentes 
externos.
ANOTE ISSO
Para complementar nossos estudos, segue indicação de um artigo que descreve a 
importância dos fatos e fatores históricos em relação à evolução e comportamento 
contábil. 
O artigo se chama Evolução do ensino da contabilidade no Brasil: uma 
análise histórica e está disponível em https://www.scielo.br/j/rcf/a/
xYXTw4XrWb6FJc7HnbFnpkw/?lang=pt.
Mais adiante, o mês de novembro de 1494 foi um marco na história da contabilidade, 
com a obra do frei Luca Pacioli, intitulada Summa de Aritmetica, Geometria, Proportione 
et Proportionalita, que sistematizou a partida dobrada e sua universalidade, dando 
uma nova dimensão ao mundo contábil. Essa sistematização, trazida pela obra do 
https://www.scielo.br/j/rcf/a/xYXTw4XrWb6FJc7HnbFnpkw/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/rcf/a/xYXTw4XrWb6FJc7HnbFnpkw/?lang=pt
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62
frei italiano, representava a ressignificação da contabilidade, dando relevância às 
necessidades da sociedade à época (SCHIMIDT; SANTOS, 2016). A obra foi, sem 
dúvida, um dos principais motores para a ascensão da escola europeia. O conteúdo 
organizado e sistematizado por Luca Pacioli é essencialmente respaldado nos conceitos 
da álgebra greco-romana, criada antes da era cristã e que chegou à Europa através 
do livro Liber Abaci, escrito por Leonardo Fibonacci (1170-1250).
Toda essa evolução da ciência contábil não seria possível se não tivéssemos as 
contribuições das diversas escolas do pensamento contábil, aperfeiçoando, assim, as 
técnicas científicas para melhor desenvolver os cuidados relacionados ao patrimônio. 
A ciência contábil tem cerca de 10.000 anos de história, comprovados em registros 
desde a época em que a escrita ainda não havia se desenvolvido. Vimos as primeiras 
inscrições, da Mesopotâmia, passando pela formalização, as escolas basilares e a 
consolidação da partida dobrada, com os italianos, até chegar à padronização e aos 
institutos universalizados pelos americanos, assim o balanço patrimonial é um sumário 
das contas do ativo e passivo, e sempre é apresentado em nível sintético, mensal, 
semestral ou anualmente. Desta forma, não apresentará o saldo individualizado por 
fornecedor e em periodicidade semanal, como desejado pelo gerente.
As escolas italianas e americanas (anglo-saxônica) influenciaram a formação do 
arcabouço teórico da contabilidade brasileira, dividido em três marcos temporais: do 
século XIX a 1946, de 1946 até os primeiros anos do século XXI e a partir de 2005, 
com a convergência aos padrões internacionais e o surgimento do CPC, pois, Controle 
de imobilizado diz respeito à placa de identificação do bem. Emissão de nota fiscal 
de venda” refere-se à descrição, quantidade, valor unitário do produto comercializado 
corretamente. Controle dos estoques” relaciona-se à identificação da unidade de 
localização da mercadoria Prestação de contas de viagem corresponde à nota ou 
cupom fiscal para comprovação do gasto com alimentação. 
Atualmente, a contabilidade é dividida em diversos ramos de atuação, dos quais 
os principais são o geral, o financeiro, o público e o gerencial.
A existência e o desenvolvimento da contabilidade estão atrelados à necessidade 
de informações contábeis, que têm papel relevante no processo de tomada de decisão 
tanto em entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, como nas da esfera pública, 
como as prefeituras e os governos estaduais e federal. 
Nesse sentido, veremos qual é o objeto e o objetivo do estudo da contabilidade. Em 
seguida, faremos uma distinção entre dados e informações para, então, compreendermos 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63
o que cada usuário da contabilidade busca ao utilizar seus resultados, através dos 
estoques obsoletos, que Para identificar a existência de estoques obsoletos no 
patrimônio da empresa é necessário analisar o agrupamento de estoques, em vários 
meses, através do balancete de verificação. Ao identificar que não há movimentação 
em determinado item do estoque, deve-se analisar se esse item é um caso de estoque 
obsoleto. Se for, a empresa pode reconhecer a perda deste estoque em seu desempenho 
operacional e ajustar o patrimônio a valores reais.
Um dos primeiros aspectos que se deve observar ao analisar a concessão ou não 
de um empréstimo é se a pessoa que pede terá ou não capacidade para realizar o 
pagamento dentro do prazo e das condições acordadas. Para tanto, é possível contar 
com o auxílio de relatórios financeiros sobre ela, indicando quão endividada está. 
Adaptando esse exemplo para o mundo corporativo, suponhamos que uma empresa 
queira ampliar sua área de atividade, necessitando do empréstimo de um banco. É 
comum que agentes de crédito peçam a seus clientes informações contábeis que 
demonstrem sua capacidade de pagamento. Ou seja, temos, nessa situação, um usuário 
da contabilidade pedindo informações que lhe ajudem a tomar uma decisão. Sendo 
assim, o propósito da contabilidade é controlar o patrimônio objetivando a produção 
de informações úteis ao processo decisório.
1. POSTULADOS CONTÁBEIS 
Como vimos até aqui, o principal objetivo da harmonização contábil global é fazer 
com que os demonstrativos contábeis financeiros possam ser compreendidos nos 
mais diversos países, sem que, para isso, seja preciso elaborar diversas demonstrações 
diferentes para atender às exigências do mercado internacional.
Até aqui, compreendemos a dinâmica da contabilidade no mundo, os modelos 
contábeis dominantes e o posicionamento do Brasil nesse cenário por intermédio 
do CPC. Dessa forma, iremos apresentarneste momento os postulados contábeis, 
porém, o CPC não os cita mais em sua redação, mas, sim, manifesta sua existência 
e conceitos na harmonização contábil.
A informatização de processos, a globalização, o aumento da concorrência e as 
mudanças frequentes que são impostas às organizações trazem aos profissionais e 
gestores uma série de desafios profissionais. Os profissionais que atuam na contabilidade 
também têm o seu trabalho influenciado por todas essas mudanças e devem estar 
sempre atentos a qualquer tipo de impacto que tais mudanças possam ocasionar na 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64
forma de contabilizar o patrimônio, bem como na forma de gerar informações para 
a tomada de decisões e controles. 
A inovação é constantemente apontada como uma das principais formas de 
melhoria em processos organizacionais, portanto, as organizações devem incentivar 
seus colaboradores, independentemente do nível em que se encontram na empresa, 
a buscarem formas de inovar em seus processos. Ao estabelecer a criatividade como 
a tônica para os seus negócios, organizações de todos os setores agregam inúmeras 
vantagens competitivas diante da concorrência. 
Na contabilidade, a inovação em processos também é bem-vinda, pois permite que o 
setor ganhe maior eficiência e eficácia em todos os processos realizados. Entretanto, a 
contabilidade, como toda ciência, tem postulados, princípios e convenções que devem 
ser seguidos por todos os que atuam, ou pretendem atuar, na área. 
Os seis princípios têm igual importância e devem ser observados no dia a dia dos 
profissionais da contabilidade. Entretanto, dois deles, dada a sua aplicabilidade, são 
também denominados de postulados contábeis. Segundo Almeida (2018, p. 101), 
postulados “(...) são os elementos vitais, elementos básicos, em que se estruturou 
toda a contabilidade atual; são as condições sine qua non para o desenvolvimento 
da contabilidade”. São considerados postulados contábeis os princípios da entidade 
contábil e o princípio da continuidade.
A inobservância dos princípios contábeis por parte do contador constitui uma 
infração ao Código de Ética Profissional do Contador (CEPC). O contador que não 
observar esses princípios poderá receber penalidades, como afastamento temporário 
ou até permanente da profissão. Outras penalidades são as multas, que podem variar 
de valor de acordo com a gravidade e os impactos ocasionados pela não aplicação 
dos princípios contábeis. Se quiser ler o texto completo do CEPC, basta pesquisar por 
“Código de Ética Profissional do Contador” no seu navegador da Internet e acessar 
uma fonte confiável do texto, como o site do CFC ou dos conselhos regionais de 
contabilidade. 
Os usuários da contabilidade devem receber as informações com o máximo de 
exatidão para que possam tomar as melhores decisões. Sendo assim, ao seguir 
os princípios da contabilidade e aplicar todos os aspectos a eles relacionados, a 
contabilidade poderá atender aos anseios e necessidades de todos os usuários.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65
2. PRINCÍPIOS CONTÁBEIS 
Princípios contábeis são regras e diretrizes da contabilidade que são aplicáveis e 
aceitas por todos os profissionais e entidades que atuam na área. Esse conjunto de 
regras orienta a prática contábil e estabelece a estrutura conceitual da contabilidade. 
Essas regras são estabelecidas pelas entidades de classe, comitês, comissões especiais 
e órgãos reguladores (ALMEIDA, 2018). 
Entidades como o Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon) e o Conselho Federal 
de Contabilidade (CFC) tiveram papel fundamental nas discussões relacionadas aos 
princípios contábeis no Brasil. Os princípios contábeis ajudam os profissionais da área 
a nortearem sua atuação, ajudam no processo de organização e também permitem 
à contabilidade manter sua essência como uma ciência social aplicada. 
Figura 1 - Princípios e normas. 
Fonte: Pixabay (2023i).
Ao estudarmos os princípios contábeis, não devemos confundi-los com os objetivos 
e o objeto da contabilidade. Enquanto a contabilidade tem como objeto o patrimônio 
das entidades e como objetivo gerar informações aos usuários, os princípios são a 
forma, o meio e a estrutura que a prática contábil utiliza para chegar aos objetivos 
(SÁ, 2000).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66
Definir princípios contábeis é algo que auxilia a todos os profissionais que atuam, 
direta ou indiretamente, na contabilidade. A definição de padrões sempre contribui 
muito para a evolução e a aplicabilidade da própria ciência:
Decorre que um padrão estabelece uma forma de conduta a ser seguida 
pelos operadores da contabilidade, os princípios subjacentes a essa 
norma de conduta podem ser considerados consoante duas linhas 
de raciocínio distintas, porém, complementares e não excludentes. A 
primeira refere-se à figura dos princípios como regramento, ou seja, o 
estabelecimento de diretrizes e regras que devem ser adotadas pelo 
contador no exercício de suas atividades operacionais. A segunda 
refere-se aos princípios sob uma perspectiva filosófica, voltada aos 
valores éticos, morais e responsáveis que permeiam o julgamento de 
valor na conduta do contador (IUDÍCIBUS et al., 2020).
A contabilidade evolui constantemente em face das mudanças ocorridas na 
sociedade e também porque, como toda ciência, ela se transforma e se modifica, 
visando a acompanhar as necessidades dos seus usuários. Antigamente, os princípios 
contábeis eram denominados princípios contábeis geralmente aceitos, nome pelo 
qual ainda são reconhecidos em alguns países, como os Estados Unidos. Para o 
melhor entendimento da matéria, resumiremos o conjunto de princípios contábeis 
reconhecidos desde a sua criação até os dias atuais.
Em 1981, o Conselho Federal de Contabilidade editou a Resolução CFC nº 530, de 
23 de outubro de 1981, aprovando 16 princípios fundamentais de contabilidade. Nessa 
norma, ficou claro também que, até então, inexistia um consenso sobre o que era e 
quais eram os princípios contábeis no País. Segundo Sá (2000), “(...) a resolução definia 
como princípios os conceitos e postulados gerais emanados da doutrina contábil, 
voltados ao tratamento contábil uniforme dos atos e fatos administrativos e das 
demonstrações deles decorrente”.
A convergência das normas contábeis para o padrão das Normas Internacionais 
de Relatório Financeiro (IFRS, International Financial Reporting Standards) avançou 
rapidamente, e as normas contábeis brasileiras passaram a ser traduzidas e adaptadas 
para a realidade brasileira. Com isso, surgiu a norma mais atual acerca dos princípios 
contábeis divulgada no Brasil. Trata-se da Resolução CFC nº 1.374, de 8 de dezembro 
de 2011. Essa norma, denominada Estrutura Conceitual, visa a adequar as definições 
de princípios adotadas pela contabilidade brasileira às normas internacionalmente 
aceitas (IUDÍCIBUS et al., 2020).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67
Reconhecer, conceituar e caracterizar os princípios de contabilidade aceitos no 
Brasil se faz importante como forma de auxiliar a aplicação deles, bem como de 
colaborar para a incorporação deles na formação de novos profissionais. Compreender 
os princípios de contabilidade é tarefa necessária de todos os profissionais da área, 
pois, a partir deles, é possível compreender todos os demais conceitos aplicáveis à 
contabilidade e à geração de informações para a tomada de decisões nas entidades. 
Aqui serão abordados os conceitos dos seis princípios de contabilidade: entidade, 
continuidade, oportunidade, registro pelo valor original, competência e prudência, que, 
a partir da Resolução 750/93, devido ao advento da Lei 11.638/2007, os princípios 
abrem caminho paraa contabilidade e a padronização internacional. 
a) Princípio da Entidade
O princípio da entidade, como já vimos, ganha o status de postulado da contabilidade 
dada a sua abrangência. Ele prega que o patrimônio da entidade não deve se confundir 
com o patrimônio dos seus sócios, acionistas ou proprietário individual. Esse princípio 
se estrutura na personalidade jurídica da entidade, cujo(s) proprietário(s) são pessoas 
distintas (juridicamente, inclusive). O princípio da entidade se baseia também em 
autonomia patrimonial, patrimônio personalizado e autônomo (SCHIMIDT; SANTOS, 
2016). Quer dizer, o patrimônio dos sócios não pode ser confundido e misturado 
com o patrimônio da entidade, sendo assim, é necessário que os profissionais da 
contabilidade cuidem para que isso não ocorra e orientem os sócios para que não 
realizem operações que possam gerar tal confusão.
b) Princípio da Continuidade 
O princípio da continuidade também é considerado como um postulado. Segundo 
esse princípio, “(...) a empresa deve ser avaliada e, por conseguinte, ser escriturada, 
na suposição de que a entidade nunca será extinta; os ativos dessa empresa serão 
avaliados partindo desse pressuposto” (IUDÍCIBUS et al., 2020, p. 101). O princípio 
da continuidade existe porque, na contabilidade, as entidades são constituídas para 
“(...) operar por um período de tempo relativamente longo no futuro e esta premissa 
somente é abandonada quando há um histórico de prejuízos persistentes, perda de 
substância econômica e de competitividade de mercado” (IUDÍCIBUS et al., 2020, p. 76). 
Considerando que as entidades têm uma vida longa, os componentes patrimoniais 
contidos nas demonstrações contábeis emitidas por essas entidades serão mensurados 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68
e apresentados levando essa longevidade em conta. Considera-se que a entidade 
continuará em operação e, dessa forma, é impossível que as demonstrações contábeis 
sejam desvinculadas umas das outras ou, ainda, que não sejam vinculadas a períodos 
anteriores ou subsequentes. 
Caso a entidade, por algum motivo qualquer, tenha de ser descontinuada e ter 
encerradas suas operações, essa informação deverá ser divulgada como um 
fato e mencionada em suas demonstrações contábeis (GRECO; AREND, 2016). A 
descontinuidade de uma entidade pode ocorrer por diversos fatores, entre eles, a 
paralisação de suas atividades produtivas, seja por motivos operacionais, seja por 
motivos comerciais, financeiros ou de dissolução aprovada pelos seus sócios, tendo 
como função do plano de contas e do balancete a produtividade da equipe de vendas 
é calculada pelo crescimento do seu volume ao longo do tempo. Desta forma, o plano 
de contas da empresa deve prever um nível de detalhamento que permita ao gestor 
acompanhar a evolução das vendas por período, por produto ou serviço, por área ou 
região, através do balancete de verificação. Por intermédio deste acompanhamento, 
o gestor pode tomar várias decisões como aumentar a equipe de vendas, abrir novas 
regiões de atuação, ampliar os esforços de publicidade e propaganda dos produtos, 
entre outros. 
c) Princípio da Oportunidade
O terceiro princípio da contabilidade é o princípio da oportunidade. Ele tem como 
função garantir que, na contabilização do patrimônio da entidade, a mensuração e 
a evidenciação dos componentes patrimoniais produzam informações íntegras e 
tempestividade. 
O CPC (2019) apresenta dois grupos de características da informação contábil. 
O primeiro grupo refere-se às características qualitativas fundamentais e é composto 
por relevância, materialidade e representação fidedigna. O segundo grupo apresenta as 
características qualitativas de melhoria e é composto por comparabilidade, capacidade 
de verificação, tempestividade e compreensibilidade (IUDÍCIBUS et al., 2020).
O princípio da oportunidade, portanto, tem forte relação com a qualidade das 
informações que são geradas a partir da atividade contábil, e a qualidade está relacionada 
aos usuários dessa informação. Entre os principais usuários da informação contábil 
que têm forte relação com a qualidade delas, estão os seguintes: 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69
• Governo: para acompanhar a evolução do patrimônio com vistas à fiscalização 
e cobrança de impostos da entidade. 
• Sócios e proprietários: para acompanhar se a entidade está auferindo lucro ao 
final de cada período e, também, para definir os rumos do seu negócio.
• Colaboradores: para acompanhar como a entidade está em relação à sua situação 
financeira.
• Administradores e gestores: visam a acompanhar como a entidade tem se 
comportado a partir de cada uma das decisões que vêm sendo tomadas no 
dia a dia do negócio. 
d) Princípio do Registro pelo Valor Original 
O princípio do registro pelo valor original tem forte impacto nas atividades dos 
profissionais de contabilidade no momento em que eles estão registrando as operações 
realizadas pela entidade. Segundo este princípio, é esperado das entidades que “(...) os 
componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais 
das transações, expressos em moeda nacional” (HENDRIKSEN, 2015, p. 7).
As seguintes bases de mensuração podem ser adotadas pelas entidades no momento 
da elaboração das suas demonstrações:
• Custo histórico: este conceito prega que os ativos deverão ser registrados pelos 
valores pagos na data de aquisição. Para isso, cabe também a consideração do 
valor justo. Em relação aos passivos, os mesmos deverão ser registrados pelos 
“(...) valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em 
algumas circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os 
quais serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações” 
(HENDRIKSEN, 2015, p. 15).
• Custo corrente: nesta base de mensuração, os ativos são mantidos pelo montante 
ao equivalente em caixa que teria de ser pago na aquisição desse mesmo ativo 
na data de fechamento do balanço. Já em relação ao passivo, os passivos 
seriam avaliados pelo montante de recursos necessários para liquidar a obrigação 
também na data de fechamento do balanço. 
• Valor realizável: os ativos são mantidos pelo montante que poderia ser obtido 
pela venda desses ativos; já os passivos são mantidos “(...) pelos seus montantes 
de liquidação, isto é, pelos montantes em caixa ou equivalentes de caixa, não 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70
descontados, que se espera serão pagos para liquidar as correspondentes 
obrigações no curso normal das operações” (HENDRIKSEN, 2015, p. 78).
• Valor presente: os ativos são mantidos pelo valor presente, entretanto, devem-se 
descontar dos fluxos futuros de entradas de caixa os valores que esses ativos 
gerariam no curso normal das operações. Já os passivos são “(...) mantidos 
pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, que se espera 
seriam pagos para liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das 
operações da entidade” (HENDRIKSEN, 2015, p. 15).
e) Princípio da Competência 
Segundo o princípio da competência, o resultado de um período deverá ser apurado 
confrontando-se receitas e despesas do respectivo período. Com isso, ele prevê que a 
entidade tenha simultaneidade da confrontação das receitas e despesas no período 
em que estiver fechando suas demonstrações. Segundo Schmidt e Santos (2016, p. 
93), esse é um dos mais importantes fundamentos da contabilidade uma vez que 
direciona a apuração dos resultados do período pela inclusão das receitas e das 
despesas que tiveram seus fatos geradores ocorridos durante o respectivo período, 
independentemente de as receitas terem sido recebidas e de as despesas terem sido 
pagas no respectivo período.
f) Princípio da Prudência 
Acomo seu objeto de estudos.
Já no século XX, com o surgimento das grandes indústrias, a contabilidade, agora 
reconhecida como ciência social, revoluciona-se junto à grande revolução industrial. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9
Nesse contexto, temos Marques (2010, p. 8) afirmando que: “O final do século XIV e 
início do século XX foi marcado por uma série de acontecimentos que deram origem 
a uma excepcional expansão da contabilidade”.
Mas você sabe por que a contabilidade é uma ciência social? Pois bem, vamos explicar: 
A contabilidade é uma ciência social, pois seu objeto de estudos é o patrimônio das 
entidades. É fácil imaginar que o patrimônio das empresas está diretamente ligado ao 
bem-estar de toda a sociedade. As instituições financeiras necessitam de informações 
sobre a situação financeira da organização, tais como o nível de endividamento e a 
existência de liquidez para honrar com seus compromissos. Os governos, por sua 
vez, necessitam de informações para criar políticas de incentivo ou regulação da 
atividade econômica. Já os sócios administradores precisam de informações para 
medir o desempenho da organização e estabelecer ações e metas de crescimento 
e os clientes, carecem de informações para determinar seu relacionamento com os 
produtos e serviços fornecidos pela organização.
Vamos pensar juntos: Se as empresas inseridas em determinada região estão 
evoluindo, com certeza, estas mesmas empresas gerarão mais empregos e melhorarão 
a qualidade de vida das pessoas, direta ou indiretamente ligadas a elas. A consequência 
é que novas empresas e investidores sejam atraídos para esta região, motivando 
o desenvolvimento socioeconômico regional. Podemos ousar dizer que, ao redor 
de uma empresa promissora, podem surgir grandes cidades. Nesse sentido, temos 
Iudícibus (2002 apud MARQUES 2010, p. 15), explicando que “[...] o grau de avanço 
da contabilidade está diretamente associado ao grau do progresso econômico, social 
e institucional de cada sociedade”.
A contabilidade tornou-se um instrumento indispensável para a tomada de decisão 
principalmente por parte de investidores e credores. Boa parte das empresas trabalham 
com grande fluxo de capital de terceiros, ou seja, buscam junto às instituições financeiras 
ou a investidores os recursos necessários para financiar seus ativos.
Com essa conjectura de captar recursos, a contabilidade, por meio de seus 
demonstrativos financeiros, torna-se uma peça imprescindível na vida econômica das 
empresas, pois, através dela, a empresa poderá ganhar grande credibilidade e confiança, 
ou não, já que o inverso também é verdadeiro. Por esses motivos, é cada vez mais 
exigida pela sociedade e pelo mercado financeiro a transparência e a confiabilidade 
nos relatórios contábeis.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10
Como você pode acompanhar até aqui, a humanidade vem evoluindo num ritmo 
acelerado. Tudo isso é fruto da curiosidade e inquietação dos seres humanos. No 
mesmo ritmo também crescem as indústrias, que se tornam cada vez mais dependentes 
do mercado financeiro, o qual, por sua vez, exige demonstrações contábeis fidedignas 
e transparentes, onde a finalidade da contabilidade, pode-se destacar suas principais 
funções: organizar, registrar, reportar, analisar e acompanhar as mutações patrimoniais 
da entidade em razão da atividade econômica e social que exerce no contexto econômico.
Veremos a seguir alguns fatos que ocorreram já no século XX e que serviram para 
impulsionar a contabilidade como eficiente ferramenta, não apenas para o mercado 
financeiro, mas para toda a sociedade. Como você pode acompanhar até aqui, a 
humanidade vem evoluindo num ritmo acelerado. Tudo isso é fruto da curiosidade 
e inquietação dos seres humanos. No mesmo ritmo também crescem as indústrias, 
que se tornam cada vez mais dependentes do mercado financeiro, o qual, por sua vez, 
exige demonstrações contábeis fidedignas e transparentes, para definir patrimônio, 
entidade, ativo e empresa com foco: ativo é um dos componentes do patrimônio, a 
empresa é um tipo de entidade que se diferencia pela finalidade lucrativa, e assim o 
patrimônio é constituído de bens, direitos e obrigações que permitem que a organização 
execute sua finalidade social.
2.PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE
Aqui é importante que antes de falarmos dos princípios contábeis propriamente 
ditos, possamos entender o que são princípios contábeis e como eles surgiram, 
compreendendo sua finalidade e aplicação.
De acordo com Ferreira (2014, p.433), “Os princípios são decorrentes da observância 
da aplicação das técnicas contábeis, da prática contábil, e têm como objetivo tornar as 
informações contábeis uniformes, confiáveis e úteis para o público nelas interessado”.
Portanto, podemos afirmar que os princípios contábeis são como o próprio nome 
sugere, o início de tudo, ou seja, de onde devemos começar a nos apoiar para que a 
contabilidade venha a atender às necessidades de seus usuários.
Até o início do século XX, apesar de toda a evolução das técnicas contábeis, ainda 
havia uma grande lacuna, que era exatamente um entendimento uniforme de como 
deveriam ser reconhecidos alguns importantes fatos contábeis. Assim, os contadores 
poderiam registrar os fatos conforme melhor conviesse e interessasse às empresas.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11
Foram os Estados Unidos da América os propulsores dos princípios contábeis que 
conhecemos hoje. Logo após a primeira guerra mundial, Unidos, Europa e Japão, 
devastados e precisando de reconstrução, atravessam uma grande crise que atinge 
principalmente as indústrias.
Durante os anos 30, após os efeitos mais severos da crise, novas grandes corporações 
continuaram surgindo nos Estados Unidos. Diferenciavam-se, contudo, da maior parte 
das empresas que haviam prosperado nas décadas anteriores, nas mãos de famílias 
ou de indivíduos que se tornaram mundialmente conhecidos [...] (CVM, 2014, p. 160).
Como até então não haviam regras específicas para a divulgação das informações 
contábeis, as empresas começam a manipular seus balanços, a fim de atrair investidores. 
Tais fatos contribuíram para a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, 
e a criação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade, pelos Estados Unidos da 
América. Ainda, conforme a revista Mercado de Valores Mobiliários (2014), os executivos 
e conselheiros contratados pelos acionistas tenderiam a agir de forma a maximizar 
seus benefícios, agindo em interesse próprio, e não segundo os interesses da empresa 
e todos os acionistas e demais interessados.
As pressões colocadas pelos novos investidores, aliados ao grande desenvolvimento 
econômico que os Estados Unidos vinham experimentando, a partir do início do século 
XX contribuíram para que no ano de 1930 surgissem as primeiras discussões entre a 
bolsa de valores de Nova York e o Instituto Americano de Contadores Públicos, visando 
a promulgação dos princípios de contabilidade (MARQUES, 2010, p. 9).
Com isso, foram criados os primeiros princípios de contabilidade, os US GAAP (United 
States Generally Accepted Accounting Principles), ou Princípios Contábeis Geralmente 
Aceitos Norte-Americanos. Segundo Pederiva, Morgan e Niyama (2003, p. 3):
[...] os GAAP constituem termo técnico da contabilidade financeira, [...]. Eles 
abrangem as convenções, as regras e os procedimentos necessários para definir as 
práticas contábeis reconhecidas em certo tempo e espaço. Os GAAP incluem desde 
as orientações mais amplas, de aplicação geral, até as práticas e os procedimentos 
detalhados e específicos, onde para a análise do desempenho das operações da 
empresa, o modelo de relatório mais indicado é a Demonstração do Resultado do 
Exercício (DRE). Esse relatório identifica como o resultado (lucroprudência determina a adoção do menor valor para os componentes do ativo 
e do maior para os do passivo quando houver dúvidas quanto a sua quantificação. 
O mesmo ocorre sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a 
quantificação das receitas e despesas (IUDÍCIBUS et al., 2020, p. 12).
Compreender os princípios e convenções contábeis é indispensável a todos os 
profissionais que atuam, ou pretendem atuar, na contabilidade. Como em toda ciência, 
a contabilidade faz jus aos seus pressupostos básicos, cabendo aos profissionais que 
se utilizam dessa ciência como trabalho fazerem o correto uso e emprego desses 
pressupostos em seu dia a dia profissional.
3. MENSURAÇÃO DE ATIVOS, PASSIVOS E CONTAS DE RESULTADO 
A contabilidade é a ciência responsável pela mensuração, controle e estudo das mutações 
que ocorrem no patrimônio das entidades. Estas podem ser com ou sem fins lucrativos, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71
ou ainda relacionadas a uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas. O patrimônio, do ponto 
de vista contábil, é representado pelo conjunto de bens, direitos e obrigações de qualquer 
uma dessas entidades as quais são reconhecidas pela contabilidade em todas as suas 
nuances. Além disso, é preciso entender como esse patrimônio se forma, ou seja, quais 
são as movimentações que levam a alterações na situação patrimonial em uma entidade 
tendo alterada sua situação de um período a período.
Compreender as características e o conceito do patrimônio das entidades e como ele 
é formado são os primeiros passos para aqueles que querem entender qual é o objeto 
e o campo de atuação da contabilidade. De forma bastante básica, o patrimônio pode 
ser definido pelo conjunto de bens, direitos e obrigações, sejam eles pertencentes a 
uma pessoa física ou jurídica, com ou sem fins lucrativos, e que terão suas mutações 
e aspectos estudados por essa ciência.
O campo de aplicação da contabilidade irá contemplar tanto as aziendas, as quais 
estão voltadas para além da questão dos fins lucrativos, como para aquelas empresas 
que comercializam produtos, mercadorias e serviços em sua atividade principal.
4. CARACTERÍSTICAS DAS INFORMAÇÕES CONTÁBEIS 
Diferentemente do dado, a informação traz valor agregado, ou seja, é um dado que 
foi trabalhado e conectado a outros dados, que, em conjunto, conseguem fornecer aos 
usuários informações úteis ao processo decisório. A informação também pode ser 
definida, de forma mais genérica, como o resultado, o conhecimento que fora obtido 
por meio de uma análise ou investigação dos dados (SCHMIDT; SANTOS, 2016).
INDICAÇÃO DE LEITURA
Para complementar nossos estudos, segue um artigo que demonstra a capacidade 
de tomada de decisão através das informações contábeis. O título é A utilidade da 
informação contábil no processo de tomada de decisão: um estudo da
percepção dos gestores das empresas de médio porte localizadas em Chapecó – SC 
e ele está disponível em https://www.ufrgs.br/congressocont/index.php/IIIContUFRGS/
IIIContUFRGS/paper/viewFile/92/62. 
5. FORMALIDADES DAS ESCRITURAÇÕES 
Pode-se afirmar que o campo de aplicação da contabilidade é o das aziendas. Mas 
o que seria tal conceito? Segundo Schmidt e Santos (2016), as entidades, no sentido 
https://www.ufrgs.br/congressocont/index.php/IIIContUFRGS/IIIContUFRGS/paper/viewFile/92/62
https://www.ufrgs.br/congressocont/index.php/IIIContUFRGS/IIIContUFRGS/paper/viewFile/92/62
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72
geral, criadas sob forma econômica possuem elementos em comum. Nesse contexto, 
uma azienda pode ser definida como uma entidade constituída pelo conjunto de bens, 
direitos e obrigações, ou seja, todas as que possuem patrimônio. 
Ainda de acordo com os autores, as entidades, apesar dos laços em comum, 
diferenciam-se em questões bastante específicas. Com base nesse entendimento, a 
contabilidade é aplicável a entidades com ou sem fins lucrativos, empresas do setor 
público, religiosas, partidos políticos e qualquer tipo de organização ou pessoa física, 
as quais possuam um patrimônio.
Já que a contabilidade se aplica tanto às pessoas físicas quanto às jurídicas, como 
elas se diferenciam dentro do mundo dos negócios? Uma pessoa física é considerada 
uma pessoa natural ou, ainda, aquela registrada em cartório e que possui um conjunto 
de bens, direitos e obrigações. Perante a contabilidade, ela responde de forma individual 
por seus atos, além disso, é finita quando se dá o seu falecimento.
REFLITA 
No processo de controle patrimonial, outro ponto crucial também é entender as 
representações gráficas, ou seja, como é representado dentro da contabilidade, seus 
elementos e o significado de cada um dentro da natureza contábil. Isso irá permitir 
o conhecimento das situações, estados patrimoniais e como cada um deles impacta 
de forma diferenciada em uma organização.
Para que alguém possa controlar o patrimônio de uma entidade, é necessária a 
compreensão de alguns elementos essenciais que farão parte do processo de mutação 
dos elementos patrimoniais. De forma inicial, é imprescindível o entendimento de 
como funciona a equação patrimonial e por que sua composição ocorre para que 
uma empresa tenha o seu patrimônio.
6. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL X DIGITAL 
A contabilidade pode ser entendida como a ciência que é responsável pelo estudo 
das mutações que ocorrem tanto no patrimônio das entidades como também no de 
uma pessoa física. Essas transformações podem ocorrer de forma aumentativa ou 
diminutiva, ou seja, o patrimônio poderá ser adicionado ou diminuído a todo tempo, 
e a contabilidade irá registrar e controlar essas movimentações. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73
Adicionalmente, outra possibilidade de entendimento da contabilidade é que ela 
é encarregada também pelo registro – classificações e posterior elaboração de 
demonstrações contábeis, sejam elas obrigatórias ou não, referentes às mutações 
patrimoniais ocorridas em um determinado período, consequência de uma etapa 
anterior, a chamada escrituração contábil.
ISTO ESTÁ NA REDE
Vamos aprofundar nossa troca de conhecimento? Para tanto, segue um vídeo que 
demonstra toda aplicabilidade em relação à escrituração contábil digital e suas 
formalizações nas rotinas organizacionais. 
Assista a O que é a ECD? Tudo sobre a escrituração contábil digital, disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=JGKI3JrwFJI.
Assim, o processo de escrituração contábil evidencia, de forma ordenada, todos os 
registros referentes às mutações contábeis em questão, as quais ocorreram em um 
período. Atualmente tal processo ocorre de maneira digital e é conhecido como Sistema 
Público de Escrituração Digital (SPED). Assim, o nome escrituração está relacionado à 
forma como a contabilidade era realizada, de maneira manual (IUDÍCIBUS et al., 2020).
Dentro do contexto contábil e empresarial, de modo simples, um bem pode ser 
classificado como algo capaz de satisfazer às necessidades humanas por meio 
de benefícios econômicos, os quais possuem valor e podem ser mensurados 
economicamente (HENDRIKSEN, 2015). Nesse contexto, um exemplo bastante comum 
são os maquinários de uma empresa, ressaltando-se que existe uma série infinita de 
bens em uma firma.
Assim, podemos dizer que uma máquina é um ativo da empresa já que ela faz parte 
do patrimônio de uma organização. Ela serve como um mecanismo para satisfazer 
as necessidades humanas uma vez que, no caso de produção, ela é mensurável e 
tem valor econômico. Ademais, pode ser negociada entre duas empresas diferentes. 
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a diversos tipos de ativos, como veículos, 
computadores, entre outros que são utilizados em uma empresa.
Os direitos, representados por valores a receber (como clientes, adiantamentos a 
funcionáriose a fornecedores, entre outros valores), também irão compor o conjunto 
patrimonial que a empresa mantém junto a terceiros. Este, ainda que não represente 
https://www.youtube.com/watch?v=JGKI3JrwFJI
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74
bens ativos propriamente ditos, de alguma forma permite à empresa cobrar algo de 
um terceiro (SÁ, 2000).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75
AULA 5
CONTROLES DAS 
ATIVIDADES EMPRESARIAIS
Olá, estudante, você sabia que o correto reconhecimento de todos os fatos que 
alteram o patrimônio das entidades inclui a contabilização daqueles que afetam a 
contabilidade de forma antecipada, ou seja, os adiantamentos. Nesse contexto, é 
essencial reconhecê-los de forma adequada, classificando-os de acordo com o seu 
fato gerador e controlando a sua ocorrência dentro das demonstrações contábeis.
Suponha que você está em um processo seletivo para contador de uma grande 
empresa do ramo automobilístico e, em uma das fases, você precisa explicar a 
importância das informações contábeis, como um contexto social e administrativo.
Na qualidade de um profissional contábil, a informação precisa ser útil para o tomador 
de decisão, ela deve ter certas características e atender a determinados critérios, como: 
ser compreensível, relevante, completa, acessível e de estrutura interpretativa das 
funções e ferramentas contábeis, onde as informações contábeis se destacam por:
• A contabilidade deve apresentar informações relevantes e fidedignas aos 
usuários, o que vai possibilitar um exame adequado da situação patrimonial e 
de desempenho da organização.
• A informação contábil distorcida pode impactar a decisão do gestor, nesse caso, 
diz-se que faltou materialidade na informação prestada pela contabilidade. 
Uma informação completa, por sua vez, contém todos os fatos necessários 
para que o tomador de decisão resolva, satisfatoriamente, o problema em questão, 
utilizando essas informações. Nada importante deve ser desconsiderado. Embora a 
informação nem sempre seja completa, todo esforço razoável deve ser feito para obtê-
la. A informação pode ser inútil se não for, prontamente, acessível na forma desejada, 
quando necessário.
O objeto de estudo da ciência contábil é o patrimônio das entidades, e seu objetivo 
é o controle desse patrimônio para produzir informações contábeis úteis para as 
tomadas de decisão. A definição de patrimônio não se limita apenas aos bens de uma 
pessoa ou empresa, mas, sim, engloba um conjunto de bens, direitos e obrigações. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76
As informações contábeis precisam ser construídas em uma base sólida, que possa 
permitir sua comparabilidade com informações contábeis produzidas por outras 
pessoas, empresas ou, até mesmo, países, pois serão utilizadas por diferentes usuários, 
os quais se dividem em internos e externos. Cada um tem interesses distintos, portanto, 
a contabilidade não pode produzir informações iguais para todos. 
Os usuários externos, como investidores, fornecedores e credores, têm acesso a 
um tipo de informação definido na contabilidade como relatórios contábeis-financeiros 
de propósito geral, que têm o objetivo de atender às necessidades de um grupo de 
usuários, e não um ou outro usuário específico. 
A necessidade dos usuários internos é diferente da dos externos, pois é sobre eles 
que recai o poder decisório, como responsáveis pela gestão de recursos das empresas, 
com o objetivo de maximizar resultados.
Para que possamos atingir a finalidade da contabilidade (produção de informação 
contábil financeira útil para a tomada de decisão), é fundamental compreender como 
o patrimônio de uma entidade é afetado pela dinâmica patrimonial.
Nesse sentido, pode-se dizer que o patrimônio de uma entidade tem seu valor 
aumentado ou prejudicado no desenvolvimento de suas atividades. Ou seja, a venda 
de produtos e mercadorias, ou a prestação de serviços, gera resultados (lucro ou 
prejuízo) que acabam por modificar o patrimônio.
Para compreender essa dinâmica patrimonial, é necessário entender que o resultado 
de uma entidade em um determinado período de tempo, seja lucro ou prejuízo, é 
composto por receitas, custos, despesas e receitas, sendo o estudo desses elementos 
fundamental para medir e avaliar o desempenho de uma entidade na geração de 
benefícios econômicos e, consequentemente, para a gestão de seu patrimônio.
1. AVALIAÇÃO CONTÁBIL E FINANCEIRA
A compreensão do conceito de receita e sua classificação se tornam cruciais para 
podermos estudar a composição dos resultados de uma entidade. Porém, assim como 
as receitas, existem outras atividades da empresa que geram benefícios econômicos: 
são os valores denominados de ganho. Sendo assim, antes de nos aprofundarmos 
de fato no conceito de receitas, iremos aprender o que são ganhos, onde a liquidez 
da empresa, o impacto é a redução das disponibilidades ao repassar o dinheiro aos 
sócios e, desta forma, os índices de liquidez da empresa vão diminuir. Se ocorrer a 
distribuição de um valor considerável dos lucros, a empresa corre o risco de não ter 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77
recursos para honrar com suas obrigações de curto prazo. No caso do endividamento 
da empresa, a distribuição de lucros reduz o patrimônio líquido e, portanto, eleva os 
índices de endividamento da empresa. Se ocorrer a distribuição de um valor considerável 
dos lucros, a empresa corre o risco de ter dificuldades de obter crédito no mercado. 
Em sua constituição e formalização, uma empresa define qual é sua atividade 
principal. Por exemplo, uma loja que vende roupas tem como atividade principal o 
comércio de artigos de vestuário. Por ser sua atividade principal, na contabilidade ela 
é definida como atividade operacional.
Figura 1 - Avaliação financeira. 
Fonte: Pixabay (2023a).
Agora imagine que essa mesma entidade que comercializa artigos de vestuário 
tenha decidido renovar sua loja e, para isso, vendeu os manequins antigos. Um erro 
muito comum é classificar essa venda como receita, mas é preciso esclarecer que 
os benefícios econômicos oriundos de transações que não fazem parte da atividade 
operacional de uma empresa devem ser definidos como ganhos. Mas o que seria, 
então, uma receita?
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2011) define receita como sendo aumentos 
nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada ou 
aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio 
líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade. Prevista 
no CPC 00 (Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade Brasileira), a definição de 
receita é muito mais abrangente, pois contempla tanto os recursos advindos das 
atividades operacionais de uma empresa (a venda de artigos de vestuário em nosso 
exemplo) como os ganhos (a venda de manequins em nosso exemplo). 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78
ISTO ESTÁ NA REDE
Para complementar nossos estudos, segue um vídeo: CPC 00 ESTRUTURA 
CONCEITUAL, ELABORAÇÃO E DIVULGAÇÃO DE RELATÓRIOS CONTÁBEIS, 
disponível em https://www.youtube.com/watch?v=SItmRdunDDk.
As receitas, portanto, surgem das atividades usuais da entidade. Por exemplo, um 
escritório de contabilidade aufere receitas de honorários, enquanto uma empresa 
comercial aufere receitas com vendas de mercadorias. Esses exemplos usam a 
classificação de receitas, pois fornecer serviços contábeis (objeto social de um escritório 
contábil) são suas atividades usuais. Assim, como a comercialização de mercadorias 
é o objeto social de uma entidade comercial, o aumento de benefícios econômicosocasionado por essas atividades é denominado de receita.
Por outro lado, os ganhos, segundo o CPC (2011), representam outros itens que 
se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades 
usuais da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos. O próprio 
CPC 00 de 2011 traz como exemplo a venda de bens que estão no ativo não circulante. 
Por exemplo, quando um escritório contábil vende o prédio em que está localizado, 
ele obtém um ganho (HENDRICKSEN, 2015).
Em qualquer entidade, o conhecimento das receitas é fundamental para determinar 
o resultado de uma empresa. Sem esse conhecimento, não é possível criar informação 
com valor preditivo e apontar, por exemplo, o ponto de equilíbrio da entidade, ou seja, 
o momento em que as receitas são suficientes para arcar com todos os custos e 
despesas.
O CPC 47 faz menção à Obrigação de Desempenho, definindo que, para se ter o 
reconhecimento de uma receita, se faz necessária a transferência dos bens e serviços 
aos clientes, cumprindo com as obrigações assumidas. No entanto, essa “nova” definição 
de receita não é aplicável às entidades que seguem a ITG 1.000 (Interpretação Técnica 
geral – Modelo Contábil Simplificado para Microempresas e empresas de Pequeno 
Porte) (HENDRIKSEN, 2015).
Uma obrigação de desempenho refere-se à promessa feita pela entidade em entregar 
um bem ou serviço, ou parte de um bem ou serviço, ao comprador. Uma promessa 
constitui uma obrigação de desempenho se o bem ou serviço prometidos forem 
distintos.
https://www.youtube.com/watch?v=SItmRdunDDk
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79
Em outras palavras, o CPC 47 define que uma receita deve ser reconhecida apenas 
quando a entidade cumprir com as obrigações referentes àquela receita. Por exemplo, 
uma empresa que fabrica móveis sob medida cumpre com suas obrigações de 
desempenho quando finalmente realiza a entrega e a montagem dos móveis na casa 
do cliente, pois essa era sua obrigação de desempenho principal de acordo com a 
essência comercial da transação com o seu cliente.
Ressalta-se que um contrato com um cliente vai além do que podemos imaginar. 
Mesmo que não exista um papel (um documento jurídico formal), é possível que 
tenhamos um contrato. Na venda de uma mercadoria, por exemplo, há um contrato; na 
prestação de um serviço, há um contrato. Nessas situações, as atividades desenvolvidas 
por uma entidade, seja pela prestação de serviços ou pela comercialização de 
mercadorias, há a necessidade de se reconhecerem receitas. 
Essas mudanças na forma como as receitas são reconhecidas, advindas do CPC 47, 
trouxeram inúmeras alterações práticas para o registro contábil dos fatos contábeis. 
2. CONTAS DE INVESTIMENTOS – RECEITAS E DESPESAS
As receitas oriundas da atividade operacional podem ser divididas em receitas 
de prestação de serviços e receitas de comercialização de mercadorias. As receitas 
de prestação de serviços são os aumentos de benefícios econômicos, obtidos pela 
empresa que presta serviços aos seus clientes. Assim, as receitas de comercialização 
de mercadorias são obtidas quando a entidade realiza atividade de venda de produtos. 
A mensuração da produtividade, a partir do estudo de indicadores de desempenho, 
visa identificar, de forma clara e objetiva, como os processos, por meio das suas 
atividades e das competências dos profissionais, podem contribuir para o alcance 
dos objetivos estratégicos das organizações. 
As empresas precisam se empenhar na identificação e mensuração das 
suas competências essenciais e nas tecnologias necessárias para garantir seu 
posicionamento no mercado, de forma contínua.
Tomar decisão nem sempre é uma tarefa fácil. Em algumas civilizações, essa arte 
tem sido aprimorada através do tempo; em outras, encontra-se fortemente vinculada 
a crenças e experiências apreendidas em situações semelhantes ou com base na 
intuição ou ainda capricho do tomador de decisão. Ao tomar uma decisão, escolhemos 
correr mais, ou menos, risco. Sabemos que essa percepção de risco não é idêntica 
para todos os elaboradores de projetos e empreendedores. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 80
Em sua opinião, a percepção de risco varia de profissional para profissional? Um 
profissional da área contábil que opta por assumir mais riscos tem as mesmas 
chances de ser bem-sucedido do que alguém que opta por evitá-los? Defenda seu 
posicionamento, tendo por base os conceitos de estudo de mercado abordados na obra.
Assim, definitivamente a percepção sobre o grau e a frequência do risco influencia 
na aceitação e consequente estratégia para administrar o risco, estando diretamente 
relacionada à capacidade individual de assumir riscos, a qual é definida a partir 
do histórico profissional e dos conhecimentos adquiridos previamente, além das 
recompensas ou prejuízos vinculados aos resultados das decisões gerenciais. 
ANOTE ISSO
Trabalhamos as contas que representam a movimentação operacional da 
organização empresarial, destacando as grandes modificações sofridas ao 
reconhecer e mensurar as contas de receitas com a adoção do CPC 47. 
Assim, podemos observar que as receitas são consideradas acréscimos ao 
patrimônio da entidade, advindo da venda de bens e/ou de serviços. As despesas, 
por sua vez, correspondem ao uso ou o consumo de bens e/ou serviços no 
processo de obtenção dessas receitas. Elas podem ser tanto diretas quanto 
indiretas, ou seja, elas podem estar relacionadas ou não com o objeto operacional 
da organização. 
Além disso, elas também podem ser classificadas em fixas ou variáveis, sendo que 
as despesas fixas independem do volume vendido, enquanto as variáveis dependem. 
Quanto aos custos, eles correspondem aos gastos que são depreendidos para a 
elaboração final do produto ou serviço oferecido. Esses custos também podem ser 
classificados como diretos ou indiretos, ou como fixos ou variáveis, e tais classificações 
devem observar o comportamento dos custos durante o processo produtivo ou de 
prestação de serviços.
A expressão análise organizacional é utilizada em diversos contextos organizacionais 
para a compreensão de suas variáveis, independentemente da sua natureza, para exprimir 
conformação ou desvios em relação a um determinado contexto ou planejamento 
através de uma estratégia de tomada de decisão.
Muitas sociedades têm buscado associações com outras ao longo das últimas 
décadas. Tais mudanças têm como objetivo a melhoria dos resultados econômicos. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 81
As formas mais frequentes de reorganizações societárias são a fusão, a cisão e a 
incorporação, cada uma com características bem próprias, estudadas ao longo desta 
unidade. Veremos também os locais onde esses procedimentos devem ser realizados. 
Ademais, cite-se, desde já, que há outras modalidades de reorganização societária 
em torno de negócios: a criação de joint venture e a combinação de negócios.
O Pronunciamento Técnico 18, item 3, do CPC (2012a) demonstra que um investimento 
permanente, realizado pela aquisição do capital social de uma empresa, pode ser 
classificado como o relacionamento entre um investidor e uma investida em coligadas, 
controladas e controladas em conjunto.
São classificados como investimentos em controlada quando a investidora tem 
o controle de uma entidade por possuir 50% das ações ordinárias (ALMEIDA, 2018). 
Nesse caso, a investidora é o mandatário da investida. Portanto, a empresa que adquiriu 
as ações passa a ser denominada controladora; enquanto a que vendeu, controlada.
A Lei das Sociedades por Ações (S.A.), nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em 
seu artigo 243, parágrafo segundo, considera:
(...) controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou 
através de outras controladas, é titularde direitos de sócio que lhe 
assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações 
sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (SCHMIDT; 
SANTOS, 2016).
Almeida (2018) classifica o investimento em coligada quando o investidor tem 
influência significativa sobre a empresa em que investiu. Essa influência diz respeito 
ao poder de participar de diversas decisões: políticas, financeiras e operacionais, mas 
sem exercer o controle.
Em participação societária, as empresas envolvidas, o investidor e a investida 
realizam transações entre si nas quais ocorre um resultado, lucro ou prejuízo. Isso 
acontece com a venda de um ativo, como, por exemplo, máquinas e mercadorias em 
estoques, que não poderão ser consideradas na aplicação do método de equivalência 
patrimonial (ALMEIDA, 2018, p. 55).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 82
Figura 1 - Investimentos financeiros. 
Fonte: Pixabay (2023e).
O item I do art. 248 da Lei nº 6404/76 estabelece que, na aplicação desse método no 
valor do patrimônio da coligada ou controlada, não há contabilização dos resultados não 
realizados que decorram “(...) de negócios com a companhia ou com outras sociedades 
coligadas à companhia, ou por ela controladas” (SCHMIDT; SANTOS, 2016).
Existem dois métodos para avaliar os investimentos permanentes: o método 
de avaliação de equivalência patrimonial, que analisa investimentos em coligadas, 
controladas e controladas em conjunto; o método de equivalência patrimonial, que 
compara os valores das ações representadas no patrimônio líquido da investida, 
com a variação ocorrida, positiva ou negativamente, desse patrimônio líquido ao fim 
do exercício social da empresa; e o método de custo, utilizado para avaliar outros 
investimentos permanentes, comparando o valor de aquisição com o valor de mercado.
Além disso, pudemos entender quais elementos estão presentes no valor de aquisição 
desses investimentos, como o ágio, ou goodwill, mais-valia e o deságio, considerado 
uma compra vantajosa. Vimos, ainda, como o patrimônio líquido de uma investida 
deve seguir formalidades para a sua apresentação.
Por último, identificamos os resultados não operacionais, que são justificados quando 
há transações entre o investidor e sua investida, e o inverso também é verdadeiro. De 
modo geral, analisamos as formalidades legais e contábeis que compõem os métodos 
para avaliar investimentos permanentes em outras sociedades.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 83
Nas notas explicativas da sua Instrução 247/96, a CVM determina que a expressão 
joint venture significa a situação em que duas ou mais empresas investem em uma 
atividade econômica sujeita a um controle em conjunto. 
ANOTE ISSO
Para complementar nossos estudos, segue indicação do artigo Joint ventures 
e a política antitruste brasileira, disponível em https://www.scielo.br/j/rec/a/
yGZrtpWXwSFLKYPYkvt656s/?lang=pt.
Essa situação ocorre por meio de um acordo contratual e de parcelas fragmentadas 
de participações. Joint venture pode ser definida como, na visão de Almeida (2018):
• Um negócio comercial ou marítimo, executado por diversas pessoas em 
conjunto;
• Uma sociedade com responsabilidade limitada que não é considerada limitada 
no aspecto legal quanto à responsabilidade dos sócios, mas quanto à sua 
finalidade e à sua durabilidade;
• Uma associação formada por duas ou mais pessoas para executar um 
empreendimento com intuito do lucro; 
• Nessa associação, são empenhados seus bens, dinheiro, conhecimento, 
habilidade e energia;
• Um acordo realizado entre duas ou mais pessoas que decidem empreender 
um determinado negócio visando à lucratividade, sem se tipificar como 
sociedade ou companhia. 
Os critérios contábeis apresentam uma escolha adicional para o registro 
contábil dos empreendimentos controlados de forma conjunta, que pode ser executado 
pelo investidor ou não. 
O método é denominado de consolidação proporcional. Ele pode ser aplicado 
pela empresa como opção ao método de equivalência patrimonial. A consolidação 
proporcional consiste nos critérios de registro contábil em que as participações do 
investidor nos ativos, passivos, despesas e receitas da empresa investida são adaptadas 
uma por uma com elementos semelhantes nas demonstrações contábeis do investidor, 
ou em linhas separadas por meio das demonstrações contábeis.
https://www.scielo.br/j/rec/a/yGZrtpWXwSFLKYPYkvt656s/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/rec/a/yGZrtpWXwSFLKYPYkvt656s/?lang=pt
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 84
A organização controlada em conjunto elabora suas atividades e transações 
como as demais empresas. À frente dos negócios , estão os administradores que vão 
conduzi-los com o objetivo de defender os interesses conjuntos dos empreendedores, 
que são considerados os controladores da organização.
Dessa forma, os administradores operam de acordo com o que foi definido 
em conjunto com os demais investidores por meio da política empresarial 
aprovada pelo grande grupo.
Uma organização que possui o controle compartilhado possivelmente é um 
tipo de empreendimento conjunto. Este é formado por meio da pessoa jurídica de 
uma sociedade por ações ou quotas. Contudo, há outros tipos de empreendimentos 
que não se originam de pessoa jurídica distinta.
Considerando uma situação, a empresa que possui controle compartilhado preserva 
sua escrituração contábil e realiza a elaboração das suas demonstrações contábeis 
seguindo os modelos apresentados pelas demais organizações. Todos os recursos 
investidos pelos empreendedores e investidores nas entidades controladas em 
conjunto devem ser identificáveis nas demonstrações contábeis particulares 
como investimento feito em um modelo similar aos de outros tipos de participação 
já apresentados por outras empresas.
A contabilização de aplicações em empreendimentos controlados em conjunto 
é regulada pelas IFRS. As demais contabilizações relativas a outros investimentos 
são tratadas de forma separada. As aplicações realizadas em empreendimentos 
controlados em conjunto possuem diversas características em comum com os 
investimentos que são contabilizados pelo método de equivalência patrimonial. Neste, 
o investidor possui influência relevante sobre a empresa investida, contudo, não possui 
o controle absoluto da empresa. Dessa forma, a consolidação total frequentemente 
não deve ser efetuada.
As empresas controladas em conjunto têm sido consideradas uma nova 
tendência mundial em se tratando de investimentos em empreendimentos 
conjuntos. Essa é considerada uma opção de concentrar o capital que for preciso 
para a ampliação e a manutenção das atividades econômicas. Também é uma 
possibilidade de adicionar qualidades que são relevantes à nova transação, porém, 
impossibilitadas por acionistas diferentes, como capacidade gerencial ou mercadológica, 
tecnologia, rede de distribuição, entre outros. Por meio do controle compartilhado, é 
possível dividir as possíveis ameaças de um novo negócio.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 85
4. REFLEXOS FINANCEIROS SOBRE INVESTIMENTOS 
Reorganizar uma sociedade é dar uma nova roupagem a sociedades existentes, 
as quais serão absorvidas total ou parcialmente por outra. Esses processos ocorrem 
com objetivos diversos, entre os quais pode ser destacada a geração de valor para 
o acionista.
No contexto macroeconômico das organizações, a geração de valor para o acionista 
pode ser realizada de algumas formas, tais como: buscar ganho de escala, abrir novos 
mercados, dificultar a entrada de novosconcorrentes, promover a economia de custos 
administrativos e incorporar novas tecnologias e expertise à organização.
Figura 2 - Controle das finanças. 
Fonte: Pixabay (2023b).
Mesmo sendo conhecidos alguns desses conceitos, uma questão que se coloca é: 
como conseguir realizar essas ações? A resposta vem quase de forma automática: 
por meio da integração de operações, conhecimentos e técnicas, com o objetivo de 
atender mais e melhor aos mercados existentes ou criar mercados em locais ainda 
não alcançados.
A combinação, ou concentração, de negócios ocorre na concentração de Sociedades 
Anônimas organizadas em um grupo econômico (SCHMIDT; SANTOS, 2016), sendo 
sua principal característica a obtenção do controle de um ou mais negócios.
Os processos de reorganização societária ocorrem, na maioria das vezes, objetivando 
criação de sinergias, otimização de recursos e aproveitamento da expertise. Esses 
objetivos concorrem para o alcance de um objetivo maior: a melhoria dos ganhos, 
lucros e resultados.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 86
Os elementos administrativos demandam movimentos individuais de cada empresa, 
isto é, é preciso organizar a empresa internamente para esse movimento na direção 
da reorganização societária. Além disso, é necessário criar uma assembleia de 
grupo. Nessa assembleia, dentre outros assuntos, devem ser definidas a forma de 
funcionamento de cada sociedade integrante do grupo, a declaração de nacionalidade 
do controle do grupo, a forma de controle da sociedade, a estrutura organizacional 
no tocante aos níveis de comando e a subordinação das sociedades individuais em 
relação às demais e à gestão do grupo.
Reorganizações societárias são como uma metamorfose, isto é, a transformação 
de um ser em outro. Tais transformações, na estrutura das sociedades, provocarão 
consequências com efeitos contábeis, jurídicos e financeiros, no tocante às obrigações 
assumidas ou novas obrigações, assim como o registro dos ativos de uma ou mais 
sociedades que integram o processo de reorganização.
5. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
A contabilidade é a ciência capaz de produzir informações contábeis-financeiras 
sobre a situação financeira e patrimonial das empresas, que sejam úteis aos usuários 
em seus processos decisórios. Essas informações são representadas em relatórios 
contábeis-financeiros de propósito geral, que seguem a Estrutura Conceitual Básica 
da Contabilidade, determinada no CPC 00 (SCHMIDT; SANTOS, 2016).
INDICAÇÃO DE VÍDEO
Para complementar nossos estudos, segue o vídeo Balanço Patrimonial e Demonstração 
do Resultado, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=EkNJ8v6T6bQ. 
a) O Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a 
Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) são os principais demonstrativos 
utilizados para representar a situação financeira e patrimonial de uma organização. 
Cada um tem características distintas, são usados para atender a objetivos diferentes 
e, por maior que seja seu volume de informações, todos têm limitações.
Balanço Patrimonial é um demonstrativo estático, pois apresenta a situação financeira 
e patrimonial da organização em um momento específico. Ou seja, por meio dele, não 
é possível acompanhar as variações patrimoniais ocorridas de um período para outro, 
https://www.youtube.com/watch?v=EkNJ8v6T6bQ
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 87
apenas visualizar os saldos de cada conta patrimonial sem conseguir entender o que 
motivou seu aumento ou diminuição.
b) A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) apresenta a composição das 
receitas, custos e despesas, permitindo a compreensão de como ocorreu o resultado 
da entidade, seja lucro ou prejuízo.
Já a Demonstração dos Resultados Abrangentes (DRA), segundo Almeida (2018), 
deve conter:
• Resultado líquido do período;
• Cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua 
natureza;
• Parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas, reconhecida 
por meio do método de equivalência patrimonial; 
• Resultado abrangente do período.
c) A DRA pode ser apresentada separadamente da DRE, nesse caso, o Resultado 
Líquido do Exercício não deve fazer parte dela.
Uma das características mais marcantes da DRE é o reconhecimento de receitas e 
despesas de acordo com o momento em que ocorreu o fato gerador, obedecendo ao 
regime de competência. Em outras palavras, pelo regime de competência, a entidade 
deve reconhecer uma receita ou uma despesa independentemente de seu recebimento 
ou pagamento, respectivamente. 
Sendo assim, apesar de apresentar a constituição do resultado da empresa, a DRE é 
incapaz de fornecer subsídios sobre a saúde do caixa, visto que as receitas que estão 
ali presentes podem não ser realizadas no curto prazo, dando à empresa o registro 
de direitos a receber, e não de disponibilidades. 
Concluímos, então, que a principal utilidade da DRE é fornecer a informação de 
como o resultado da empresa foi constituído, permitindo a visualização de como os 
tributos, custo da mercadoria e as despesas impactaram seu resultado. Por outro 
lado, a DRA demonstra ser um instrumento voltado à análise gerencial e apresenta 
como limitação o fato de considerar modificações patrimoniais cuja realização pode 
ser incerta.
Por outro lado, embora não seja um demonstrativo estático como o Balanço 
Patrimonial, a DRE tem suas limitações. A principal está na impossibilidade de 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 88
compreender como as receitas ou despesas impactaram as disponibilidades da 
empresa. Ao mesmo tempo em que a DRE completa as informações do Balanço 
Patrimonial, esse demonstrativo deve ter sua utilidade complementada pelo Balanço.
As Demonstrações dos Fluxos de Caixa (DFC) complementam as informações do 
Balanço Patrimonial ao proporcionarem o entendimento da formação dos valores de 
caixa, apresentando informações cruciais sobre como eles se constituíram por meio 
das diversas atividades da empresa.
d) A DFC apresenta os resultados dos fluxos de caixa de uma entidade por meio 
de uma apresentação de atividades operacionais, de financiamento e de investimento, 
resultando em consumo ou geração de caixa.
Os requisitos para a elaboração e apresentação da DFC estão na NBC TG 03: 
Demonstração dos Fluxos de Caixa, a qual afirma que suas informações são “(...) 
úteis para proporcionar aos usuários das demonstrações contábeis uma base para 
avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como as 
necessidades da entidade de utilização desses fluxos de caixa” (SCHMIDT; SANTOS, 
2016).
A função mais importante da DFC é informar como cada uma das atividades da 
empresa gera ou consome caixa. Para isso, é necessário compreender as definições 
dos três tipos de atividades trabalhadas na DFC, segundo a NBC TG 03 (SCHMIDT; 
SANTOS, 2016):
• Atividades operacionais são as principais atividades geradoras de receita da 
entidade e outras, que não são de investimento e tampouco de financiamento.
• Atividades de investimento são referentes à aquisição e venda de ativos de 
longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa.
• Atividades de financiamento são aquelas que resultam em mudanças no tamanho 
e na composição do capital próprio e no de terceiros da entidade.
De acordo com Iudicibus et al. (2020), uma das maiores utilidades da DFC para 
seus usuários é a possibilidade de elaborar previsões dos fluxos futuros de caixa para 
períodos curtos. Contudo, seus fluxos de caixa (entradas e saídas) são registrados 
seguindo os princípios do regime de caixa, o que os ajuda ao analisarem o caixa que 
consta na empresa, o que limita a integração com os resultados apresentados na 
DRE, por exemplo, que é elaborada pelo regime de competência.ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 89
A DFC pode ser apresentada por dois métodos: direto e/ou indireto. A NBC TG 03, 
em seu item 18, alínea “a”, permite às empresas apresentarem os fluxos de caixa 
pelo método direto (SCHMIDT; SANTOS, 2016). Sobre esse método, Almeida (2018) 
explica que:
(...) explicita as entradas e saídas brutas de dinheiro dos principais 
componentes das atividades operacionais, como os recebimentos 
pelas vendas de produtos e serviços e os pagamentos a fornecedores 
e empregados. O saldo final das operações expressa o volume líquido 
de caixa provido ou consumido pelas operações durante um período 
(ALMEIDA, 2018, p. 106).
O nome método direto se refere à forma como as informações utilizadas para 
elaboração da DFC são obtidas. A principal fonte se encontra nos registros contábeis da 
empresa, que são separados de acordo com os três tipos de atividades e apresentados 
por meio dos fluxos de caixa.
No método indireto, as informações são obtidas por meio de uma conciliação entre 
as informações de lucro líquido e as de caixa gerado pelas operações da empresa. 
Por esse meio de apresentação, as informações sobre os fluxos de caixa partem do 
lucro líquido, e a DFC é elaborada por meio de ajustes/conciliação. 
Em outras palavras, a DFC apresenta os fluxos de caixa da empresa por meio das 
informações da DRE, ajustando-as para que representam as entradas e saídas de 
caixa efetivas, respeitando o regime de caixa.
e) A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) e a Demonstração 
do Valor Adicionado (DVA) têm o objetivo de apresentar informações sobre a riqueza 
das organizações. A DMPL esclarece como a riqueza própria, isto é, o Patrimônio 
Líquido, passou por modificações de um período para outro, enquanto a DVA demonstra 
toda a riqueza gerada pela entidade e como ela foi distribuída e o quanto foi retida, 
afetando a DMPL.
A DMPL mostra como o patrimônio líquido da entidade evoluiu ou se retraiu ao longo 
do tempo, explicando também como os resultados do período e resultados abrangentes 
afetaram a sua composição, já que tanto o lucro quanto o prejuízo o afetam.
Sua usabilidade está voltada, principalmente, à compreensão de como ocorreram 
as variações no PL da entidade. Como limitação, suas informações são dependentes 
do encerramento de outros demonstrativos contábeis, como DRE e DRA. Além disso, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 90
esse demonstrativo não se preocupa com a riqueza total gerada pela entidade; seu 
foco está apenas na riqueza própria e sua distribuição por meio de dividendos.
f) A DVA, que se preocupa justamente em explicar a riqueza total formada pela 
entidade, como ela foi distribuída para diversos usuários e quanto ficou retido para 
própria entidade e foi parar no Patrimônio Líquido.
DVA tem caráter social, pois a divulgação das informações está atrelada aos 
benefícios que a entidade traz para a sociedade por meio da distribuição de sua 
riqueza devido ao pagamento de tributos ou aos dividendos, pagamento de aluguéis 
e juros, entre outros. 
Segundo Almeida (2018), seu objetivo é: 
(...) demonstrar o valor da riqueza econômica gerada pelas atividades 
da empresa como resultante de um esforço coletivo e sua distribuição 
entre os elementos que contribuíram para a sua criação. Desse 
modo, a DVA acaba por prestar informações a todos os agentes 
econômicos interessados na empresa, tais como empregados, 
clientes, fornecedores, financiadores e governo (ALMEIDA, 2018, p. 
153).
Uma das maiores utilidades desse demonstrativo é que suas informações podem 
ser utilizadas por agentes estatísticos responsáveis por apresentar o Produto Interno 
Bruto (PIB) de um segmento econômico ou do País.
A principal limitação da DVA está ligada ao regime de elaboração, que é o de 
competência. Isso acontece porque as informações sobre riqueza distribuída não 
levam em conta o ato de desembolso de caixa pela entidade, mas, sim, o compromisso 
estabelecido em realizar tais pagamentos. Além disso, as receitas são reconhecidas 
pelo momento de sua realização, e não de recebimento. Contudo, isso não seria um 
problema se sua destinação não fosse também econômica. Almeida (2018) afirma 
que, para a contagem do PIB, por exemplo, são consideradas as informações de 
produção, enquanto a ótica contábil leva em conta as riquezas geradas pelas vendas, 
e não pela produção.
g) As Notas Explicativas (NE) devem complementar a informação para uma 
representação adequada das informações contábeis-financeiras. Segundo Almeida 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 91
(2018), são informações complementares às demonstrações contábeis, representando 
parte delas, e:
(...) podem estar expressas tanto na forma descritiva como na forma 
de quadros analíticos, ou mesmo englobar outras demonstrações 
contábeis que forem necessárias ao melhor e mais completo 
esclarecimento dos resultados e da situação financeira da empresa 
(ALMEIDA, 2018, p. 128).
O parágrafo 5º do artigo 176 da Lei 6.404/1976 determina que as NE devem apresentar 
informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas 
contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos e 
fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras 
e consideradas necessárias para uma apresentação adequada (SCHMIDT; SANTOS, 
2016). 
As NE são apresentadas seguindo a Lei nº 6.404/1976 e atualizações, os CPCs e as 
normas emitidas pelos órgãos reguladores, como CFC, Agência Nacional de Energia 
(ANEEL), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), entre outros.
De acordo com o CPC 16: Estoques (SCHMIDT, SANTOS, 2016), as NE devem 
evidenciar:
• As políticas contábeis adotadas na mensuração dos estoques, incluindo formas 
e critérios de valoração utilizados;
• O valor total escriturado em estoques e o valor registrado em outras contas 
apropriadas para a entidade;
• O valor de estoques escriturados pelo valor justo menos os custos de venda;
• O valor de estoques reconhecido como despesa durante o período;
• O valor de qualquer redução de estoques reconhecida no resultado do período;
• O valor de toda reversão de qualquer redução do valor dos estoques reconhecida 
no resultado do período;
• As circunstâncias ou os acontecimentos que conduziram à reversão de redução 
de estoques; 
• O montante escriturado de estoques dados como penhor de garantia a passivos.
Além dessas informações complementares, a norma determina que as empresas 
devem informar aos usuários, por meio de NE, o critério para recuperação dos tributos 
recuperáveis.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 92
6. COMBINAÇÃO DE NEGÓCIOS 
Os instrumentos que permitem tais operações estão definidos na Lei nº 6.404/1976, 
a Lei das Sociedades por Ações (S.A.). Em seu artigo 223, estabelecem-se as formas 
de reorganização societária, que são: cisão, fusão e incorporação. O Pronunciamento 
Técnico 15 (R1) do CPC (2011) trata da reorganização societária, inclui e define a 
combinação de negócios (SCHMIDT; SANTOS, 2016).
Nesse sentido, a combinação de negócios é uma forma de reorganização societária 
que pode ser operacionalizada por meio do que está previsto na Lei n. 6.404/1976 
(cisão, fusão ou incorporação). Além disso, essa combinação se dá quando há a 
ocorrência do controle de um ou mais negócios:
- Fusão
A fusão ocorre entre duas ou mais empresas ou sociedades para formar uma nova 
empresa ou sociedade.
- Cisão
A cisão é a extinção de uma companhia. Isso ocorre pela transferência do patrimônio 
líquido para uma ou mais empresas, exterminando a empresa cindida.
- Incorporação
Por fim, incorporação é a transformação de duas ou mais empresas em uma outraempresa, passando a existir somente esta última.
No caso de pessoa jurídica cujo regime tributário seja o lucro presumido ou 
arbitrado e que opte pela avaliação a valor de mercado, a tributação das operações 
de reorganização societária será tratada na Demonstração do Resultado do Exercício 
(DRE) como ganho de capital, e esse ganho será incluído na base de cálculo do Imposto 
de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 
(CSLL). Isso ocorrerá por meio da diferença resultante entre o valor de mercado e o 
custo de aquisição, com a amortização ou a exaustão diminuída dos encargos de 
depreciação (SCHMIDT; SANTOS, 2016).
Outro ponto relevante na motivação da feitura de reorganizações societárias é a 
economia tributária. Alguns processos de reorganização societária têm esse objetivo. O 
planejamento tributário busca a forma legal de proceder com a elisão fiscal, detectando 
brechas legislativas que desincumbam o contribuinte do tributo ou de parte dele. 
Essa desvinculação se dá por razões distintas, as quais são: evitar a incidência do 
tributo, reduzir o valor do tributo a pagar e postergar o pagamento do tributo, sem a 
ocorrência de multa.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 93
Diferentemente da evasão fiscal, a elisão fiscal é um expediente legal utilizado pelo 
contribuinte, e seu objetivo final é a redução do impacto tributário. É um procedimento 
legalmente autorizado, ou seja, uma forma honesta de se buscar a economia tributária.
Na fusão, as empresas fundidas deixam de existir, ocorrendo, assim, a extinção 
delas. A fusão entre sociedades deve ser precedida de reuniões ou assembleias em 
cada sociedade por meio das quais devem ser deliberados, individualmente, entre 
outros aspectos:
• a aprovação do ato constitutivo da nova sociedade, isto é, o ato constitutivo da 
empresa que surgirá,
• o plano de distribuição do capital social da nova sociedade;
• os peritos nomeados para avaliação do patrimônio da sociedade.
A abertura econômica e a crescente procura por facilitação do trabalho empresarial, 
especialmente o empreendedorismo, alavancaram a busca pela legalização de 
pequenos ou médios negócios por meio do registro mercantil do empresário 
individual. Eventualmente, tais negócios crescem e atingem patamares que demandam 
transformações societárias, migrando esses negócios para sociedades limitadas ou 
mesmo S.A. Entretanto, alguns empresários individuais podem não se sentir tão à 
vontade com as possibilidades mencionadas. Além disso, o empresário individual, 
apesar da sua personalidade jurídica, é também uma pessoa física.
Muitas sociedades têm buscado associações com outras ao longo das últimas 
décadas. Tais mudanças têm como objetivo a melhoria dos resultados econômicos. 
As formas mais frequentes de reorganizações societárias são a fusão, a cisão e a 
incorporação. Cada uma delas tem características bem próprias, que são:
• fusão: processo por meio do qual duas ou mais empresas se unem e formam 
uma nova empresa, deixando as anteriores de existir;
• cisão: é o processo pelo qual uma empresa é dividida em duas ou mais empresas, 
criando estruturas distintas, ficando cada sócio com uma parte;
• incorporação: é o processo por meio do qual uma sociedade absorve todo o 
patrimônio de outra.
Contudo, é preciso estabelecer um limite para evitar o monopólio. Isso tem sido 
definido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômico (CADE), órgão brasileiro 
que analisa, autoriza (ou desautoriza) reorganizações societárias, com vistas a manter 
algum nível de concorrência no mercado. Outra fronteira, nesse sentido, pode ser 
imposta por questões geográficas, especialmente em negócios que utilizam mão de 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 94
obra de forma intensiva, dada a dificuldade de concentração de um monopólio em 
determinada região e o deslocamento da força de trabalho para tal local, de forma a 
atender à demanda.
Além disso, em relação à fusão entre empresários individuais, a providência mais 
imediata é a transformação societária de empresário individual para sociedade por 
cotas de responsabilidade limitada. Esse tipo de sociedade pode realizar quaisquer 
formas de reorganização societária.
No mais, esses procedimentos devem ser realizados nas juntas comerciais dos 
estados, na Receita Federal e prefeituras, órgãos que devem registrar as sociedades 
resultantes dos processos de reorganização societária. As empresas sucessoras desses 
processos são as que devem realizar tais registros. Vale ressaltar, ainda, que, além da 
fusão, cisão e incorporação, existem outras modalidades de reorganização societária 
em torno de negócios: a criação de joint venture, cuja característica principal é a 
independência jurídica das suas criadoras, isto é, das empresas que deram origem; e 
a combinação de negócios, regulamentada pelo Pronunciamento Técnico 15 do CPC.
Os demonstrativos contábeis devem seguir políticas contábeis definidas pela 
empresa e podem suprimir elementos para facilitar sua apresentação e leitura. Por 
exemplo, um estoque pode ser formado por estoque de matéria-prima, de produtos 
que ainda estão em processo de produção e de produtos já acabados, embora seja 
apresentado simplesmente como estoque. Mesmo assim, a informação é útil, pois 
estoques que ainda não estão prontos não cumprem o propósito da empresa em vendê-
los, tampouco deixam de representar fidedignamente a informação, já que apresenta o 
estoque como sendo um só. Mas essas questões podem ser esclarecidas por Notas 
Explicativas que acompanham as demonstrações.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 95
CAPÍTULO 6
EVOLUÇÃO PATRIMONIAL
Olá, estudante, a contabilidade é uma ciência aplicada, baseada em normas, 
procedimentos e princípios, que são amparados por regras e legislações, as quais 
oferecem diretrizes para a execução das práticas contábeis. As transações na 
contabilidade, realizadas pelos sistemas de informações, apresentam um desafio no 
sentido para a área, com foco no planejamento e tomada de decisão estratégico, para 
que quando ocorrem perdas anormais no processo fabril, elas podem ser consideradas, 
conforme sua natureza, como custo de produção.
A gestão de organizações é composta por diversas áreas, como administração, 
contabilidade, marketing, tecnologia da informação, recursos humanos, financeiros, 
sustentabilidade, dentre outros. A contabilidade é uma área decisiva na tomada de 
decisão dos gestores, por apresentar os dados financeiros e contábeis das instituições. 
Ela proporciona conhecimentos, por meio de informações, demonstrações contábeis 
e financeiras, lançamentos e registros das transações realizadas.
A contabilidade geral é uma área na gestão, capacitada para fornecer informações 
de uma organização privada ou pública, com a finalidade de identificar o patrimônio 
e as mutações, os elementos que podem influenciar nas mudanças das variáveis, 
seja para reduzir despesas, aumentar o lucro, diminuir o endividamento, ampliar o 
patrimônio e/ou proporcionar a melhor alternativa de tributação.
A contabilidade tem um objetivo central: o patrimônio da pessoa física ou da pessoa 
jurídica e a sua mensuração de forma quantitativa e monetária, conforme a moeda 
do país, no caso do Brasil, em reais, a moeda vigente.
As informações econômicas e financeiras do patrimônio das organizações, 
levantadas pela contabilidade, podem influenciar as decisões estratégicas dos negócios 
no mercado. Por exemplo, se, em uma situação de crise econômica, a empresa perde 
patrimônio, terá redução brusca de receita e lucro. Quais as demonstrações financeiras 
da contabilidade que podem passar informações para a gestão do negócio? Como 
influenciam as decisões da gestão?
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF.ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 96
1. EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE COMO UMA CIÊNCIA 
A contabilidade é a ciência responsável pela mensuração, controle e estudo das 
mutações que ocorrem no patrimônio das entidades. Estas podem ser com ou sem 
fins lucrativos, ou ainda, relacionadas a uma ou mais pessoas física ou jurídica. 
O patrimônio, do ponto de vista contábil, é representado pelo conjunto de bens, 
direitos e obrigações de qualquer uma despesa entidades as quais são reconhecidas 
pela contabilidade em todas as suas nuances. Além disso, é preciso entender, como 
esse patrimônio se forma, ou seja, quais são as movimentações que levam a alterações 
na situação patrimonial em uma entidade alterada sua situação de um período a 
período, com foco em Gastos com materiais secundários relacionam-se ao consumo 
de material direto. Gastos com manutenção de máquinas relacionam-se ao tempo 
de utilização de máquinas. Gastos com locação de imóvel, à área ocupada. E gastos 
com energia elétrica, a quilowatts-hora consumidos.
Compreender as características e o conceito do patrimônio das entidades e como 
este é formado são os primeiros passos para aqueles que querem entender qual é o 
objeto e o campo de atuação da contabilidade. De forma bastante básica, o patrimônio 
pode ser definido pelo conjunto de bens, direitos e obrigações, sejam estes pertencentes 
a uma pessoa física ou jurídica, com ou sem fins lucrativos, e que terão suas mutações 
e aspectos estudados por essa ciência.
Figura 1 – Controle das manifestações Contábeis. 
Fonte: Pixabay (2023). 
O campo de aplicação da contabilidade irá contemplar tanto as aziendas, as quais 
estão voltadas para além da questão dos fins lucrativos, como para aquelas empresas 
que comercializam produtos, mercadorias e serviços em sua atividade principal. É 
preciso também compreender que a contabilidade possui como objeto de estudo e 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 97
se aplica às pessoas físicas da mesma forma que às jurídicas, já que estas também 
possuem patrimônio.
2. HISTÓRICOS CONTÁBEIS 
Segundo afirmam Viceconti e Neves (2018), “[...] a contabilidade desempenha 
importantes funções tanto enquanto funções administrativas quanto econômicas” 
(VICECONTI; NEVES, 2018). 
No custeio por absorção, os gastos com MD, MOD e CIF são apurados e atribuídos 
aos produtos ou serviços. Para que tais gastos possam ser absorvidos é necessário 
efetuar a apuração em cinco passos.
Identifique a descrição de cada um dos passos necessários, considerando que os 
CIF são rateados diretamente aos produtos ou serviços.
Sequência dos Passos:
Descrição dos passos:
(1) Apurar o valor dos itens de custos. (2) Alocar MD ao produto, conforme 
apontamentos de consumo. (3) Alocar MOD ao produto, conforme apontamentos 
de consumo. (4) Alocar o CIF ao produto, por rateio. (5) Apurar os custos totais e 
unitários de cada produto.
Em outras palavras, a contabilidade é responsável por controlar a administração do 
patrimônio de uma empresa, seus recursos e também pelo controle dos resultados 
financeiros de uma organização.
Nesse sentido, a contabilidade serve como uma importante ferramenta administrativa, 
financeira e econômica para o controle das operações das empresas na atualidade, 
fornecendo importantes informações para os processos decisórios na gestão 
empresarial. 
Estudar a contabilidade atende não só aos administradores de empresas, mas 
também todos os interessados em suas operações. Dos próprios funcionários a 
clientes, fornecedores, concorrentes e o governo por meio dos controles de mercado 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 98
e arrecadação de impostos, muitos são os envolvidos nos resultados de ações de 
controle contábil nas empresas.
A contabilidade visa não só permitir o acompanhamento, registro e o controle das 
atividades empresariais, mas também permitir o planejamento do futuro da empresa. 
Sem a contabilidade, ou, em outra visão, os dados que a contabilidade proporciona, 
as empresas não são capazes de tomar decisões racionais e com eficiência. Imagine 
a situação em que a empresa quer melhorar o seu lucro sem saber quanto suas 
operações custam, quanto precisa para manter seus funcionários e quanto precisa 
pagar em impostos.
Nesse sentido, fica evidente a necessidade de ter controles contábeis eficientes 
que sejam capazes de refletir a realidade patrimonial e financeira da empresa. “A 
contabilidade retrata a imagem da empresa, conta sua história, objetivos e o método 
pela qual é administrada” (CREPALDI, 2019).
Partindo deste raciocínio, em que a contabilidade apresenta grande importância 
no andamento das atividades em empresas, o que acontece caso os controles da 
empresa, isto é, sua contabilidade não seja controlada corretamente? Quem controla 
os controles da empresa? Como garantir que os dados empresariais estejam de fato 
corretos, que os controles sobre o patrimônio empresarial reflitam de fato a realidade 
ocorrida na empresa?
Uma vez que entendemos a necessidade de controles contábeis eficientes, ao mesmo 
tempo que se faz necessária a realização de procedimentos de classificação contábil, 
outro conceito igualmente essencial surge: a contabilidade.
Com o uso da contabilidade, temos a certeza de aplicar corretamente os conceitos 
de contabilidade nas práticas de administração empresarial.
Manter sistemas contábeis unificados, capazes de identificar, mensurar, acumular, 
interpretar e comunicar informações que auxiliem os gestores a atingir os objetivos 
da empresa é essencial para o sucesso de qualquer empresa (MARION, 2018).
Dessa forma, utilizar conceitos da contabilidade representa uma importante 
ferramenta na administração e condução das operações em qualquer empresa, 
independentemente de seu ramo, de seu porte ou de seus objetivos.
3. ESCOLAS E SIMBOLOGIA CONTÁBIL 
A contabilidade é responsável por demonstrar a realidade do patrimônio da empresa, 
bem como suas eventuais alterações em determinado período. Proporciona aos 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 99
gestores diferentes informações sobre a realidade financeira da empresa e permite a 
estes tomarem decisões gerenciais.
Assim, ao longo dos tempos, a contabilidade busca administrar o dinheiro em uma 
empresa necessita de controles rígidos, um planejamento bem elaborado, bem como 
mecanismos corretivos em caso de acontecimentos que venham a mudar o cenário 
em que a empresa esteja em determinado momento, principalmente no que tange o 
controle e a evolução das escolas contábeis.
Desta forma, temos que a pioneira foi a escola contista e teve seu início no século 
X, com foco no aumento e evolução populacional, e, desta forma, averiguar novas 
possibilidades de proteção ao patrimônio e suas aplicabilidades, devido à uma economia 
mais acirrada e controlada, seu pensamento está centrado que a contabilidade é uma 
ciência baseada nas contas e na escrituração.
A escola administrativa surgiu em 1840, através do olhar crítico e bem elaborado 
de Luca Pacioli, com foco que as contas devam ser representadas sempre por valores, 
através de um método sistêmico, e sua utilização tem como pilar o desenvolvimento 
científico da contabilidade para tomada de decisão empresarial.
A escola personalista teve sua repercussão no século XIX, e sua manifestação 
inicial é aplicar as contas em separado para pessoas físicas e jurídicas.
A escola controlista foi criada em 1880, na Itália, e vem para caracterizar o controle 
do patrimônio como foco central da contabilidade e da gestão econômica.
Desta forma, em 1887, foi apresentada ao universo contábil a escola norte-americana, 
delegando mais responsabilidades e informações aos profissionais da área e com 
destaque para a contabilidade gerencial e a contabilidade financeira.Assim, a escola matemática vem apresentar uma contabilidade mais científica e 
não social, em que a escola neocontista apresenta o foco no controle econômico, em 
1914, trouxe a contribuição da analise patrimonial.
Assim, com o surgimento da moderna escola italiana, o controle passa a ser pelos 
sistemas e doutrinas contábeis. 
A escola patrimonialista, prioriza o patrimônio como fonte de recursos e atividades 
econômicas dentro das rotinas administrativas e financeiras. 
E por último a escola do Neopatronalismo, que descreve o cuidado com o patrimônio 
através das atividades financeiras, tendo como percursor Prof. Lopes de Sá, que 
defendeu as ideias de uma conciliação do patrimônio as escriturações contábeis. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 100
Ao passo de que uma empresa administra seus recursos econômicos visando evoluir 
suas operações, as empresas em determinado mercado também interagem entre si. 
Desse modo, entender as estruturas também se faz necessário para a compreensão 
das dinâmicas empresariais que envolvem o uso do capital e consequentemente, a 
aplicação da contabilidade.
Uma empresa que está sozinha em seu mercado possui necessidades específicas 
quanto a seus controles internos em contabilidade e, com isso, apresenta especificidades 
relacionadas à necessidade de processos de controle interno. Por outro lado, empresas 
que possuem muitos concorrentes podem necessitar realizar uma auditoria para obter 
ganhos de excelência operacional e aumento de vantagem competitiva perante seus 
concorrentes.
O mercado econômico é dinâmico, apresenta muitos detalhes e características. 
Entendê-lo permite refinar capacidades de controle administrativo-contábil ao adaptar 
realidades empresariais que diferem entre os mercados existentes.
Assim, com a evolução das escolas contábeis, evidencia-se que a contabilidade é 
uma área multidisciplinar. Envolve práticas de economia ao tratar sobre empresas, 
seus recursos, seus níveis de atuação e seus objetivos. Além da economia, relaciona-
se também com a administração de empresas. Sendo a auditoria uma ferramenta 
que auxilia no controle de aspectos gerenciais, é fundamental entender o que é a 
administração e como ela ocorre nas organizações. Por fim, também é necessário 
compreender a administração financeira, conhecida comumente como as finanças 
empresariais, responsáveis por gerenciar os recursos financeiros e monetários de uma 
companhia. A contabilidade se relaciona diretamente com estas áreas de estudo, e, 
com isso, compreendê-las permite ampliar conhecimentos sobre as rotinas de controle 
administrativo e financeiro. 
4. OBJETO, FUNÇÕES E CONTROLES CONTÁBEIS 
A contabilidade utiliza ferramentas de controle interno, somadas a práticas de 
governança corporativa para gerenciar as informações úteis para os processos 
decisórios em uma empresa. 
Assim, podemos definir que o objeto da contabilidade e o estudo e a proteção 
do patrimônio sejam de pessoas físicas ou jurídicas, com foco em aprimorar o 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 101
comportamento deste para que ele possa se desenvolver nas rotinas contábeis através 
dos bens, direitos e obrigações.
Figura 2 – Controle Financeiro. 
Fonte: Pixabay (2023). 
Segundo Ribeiro (2015), “[...] a contabilidade utiliza técnicas e procedimentos 
contábeis que são capazes de proporcionar apoio à mensuração, decisão e geração 
de novas informações em empresas” (RIBEIRO, 2015).
Afinal, como as funções da contabilidade funcionam nas empresas?
Uma das formas de aplicarmos os controles contábeis voltados ao processo de 
controle de decisões gerenciais está na capacidade de processar diferentes dados e 
transformá-los em novas informações.
Vale explicitar aqui a diferença entre dados e informação. Dados, quando isolados, 
nada mais são do que fragmentos de informação. A informação corresponde a dados 
em conjunto que possuem significado, utilidade, aplicação definida.
Por exemplo, uma informação contábil pode ser a quantidade de custos com a 
compra de determinada matéria-prima, bem como qual foi o resultado de vendas, 
em valores, do produto que utilizou essa matéria-prima. Em um primeiro momento, 
estes são apenas dados. No momento que estes dados são cruzados, interligados no 
sentido de, por exemplo, analisar qual foi o lucro desta operação, qual foi a aceitação 
por parte do público em relação a esse produto, qual foi o tempo médio de estoque e 
de venda, bem como quaisquer outras análises, os dados, outrora isolados, tornam-se 
uma importante informação à empresa que os possui.
A informação é um processo essencial à contabilidade e à proteção do patrimônio. 
Uma das formas de coletarmos informações contábeis em uma empresa está presente 
na figura dos documentos contábeis. Os documentos, em contabilidade, também 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 102
conhecidos como demonstrações financeiras, correspondem, segundo Padoveze (2017), 
“[...] aos dados coletados pela contabilidade, que são apresentados periodicamente a 
todos os seus interessados de maneira organizada, resumida e ordenada” (PADOVEZE, 
2017).
5. CONTABILIDADE NO BRASIL X CONTABILIDADE INTERNACIONAL 
A contabilidade possui, como uma das principais qualidades, a capacidade de 
mensuração, ou seja, transformar itens não numéricos em número e narrar uma 
história através desses números. 
Antes mesmo da harmonização às normas internacionais de contabilidade, o Brasil 
já possuía um grande arcabouço de normas, técnicas e legislações que buscavam 
evidenciar, da melhor maneira possível, o patrimônio das empresas deste setor.
Contudo, a contabilidade sofre naturalmente com o viés normativo, esse viés leva 
a ciência contábil para uma perigosa via na qual prevalece a forma sobre a essência. 
Quando pensamos em contabilidade, antes das normas internacionais de contabilidade, 
o principal fator era o orçamento, em que a peça orçamentária da obra era o item 
monetário mais importante.
Com a elucidação, através da criação dos CPCs – Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis –, a contabilidade aplicada às organizações ganhou mais essência e menos 
forma. Entretanto, faz-se necessário entender como era antes dessa convergência, 
haja vista que, ainda existem muitos conceitos válidos e nem todos são ultrapassados.
Dito isso, essa parte da unidade tem a missão de elucidar sobre o passado de modo 
que esclarece e auxilia o presente, no que tange o momento contábil da contabilidade 
aplicada às organizações empresariais. 
A adoção das normas internacionais de contabilidade (International Financial 
Reporting Standards – IFRS) no Brasil representou um marco importante na evolução 
da contabilidade no país, trazendo novos desafios e oportunidades.
Antes da adoção das normas internacionais, o Brasil tinha suas próprias normas 
contábeis, conhecidas como “Princípios Contábeis Brasileiros” (PCBs), que eram 
diferentes das normas internacionais. Isso criava dificuldades para a comparação 
de demonstrações financeiras entre empresas brasileiras e empresas estrangeiras, 
prejudicando a integração das empresas brasileiras no mercado internacional.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 103
ANOTE ISSO
Para complementar nossos estudos sobre a aplicabilidade e os efeitos sociais da 
contabilidade internacional, segue um artigo: UFSC. Contabilidade Internacional – 
análise dos periódicos internacionais sobre pesquisas em educação contábil face 
à convergência e globalização. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/
contabilidade/article/view/2175-8069.2011v8n15p177. 
Com a adoção das normas internacionais, as empresas brasileiras passaram a ter 
uma base contábil comum com empresas de outros países, facilitando a comparaçãode 
informações financeiras e aumentando a transparência e a confiança dos investidores.
Além disso, as normas internacionais trazem uma abordagem mais padronizada e 
coerente para a contabilidade, o que ajuda a melhorar a qualidade das informações 
financeiras e a confiabilidade dos relatórios contábeis.
Outra vantagem da adoção das normas internacionais é que elas são atualizadas 
regularmente para refletir as mudanças nas condições econômicas e financeiras do 
mundo, garantindo que as empresas estejam sempre seguindo as melhores práticas 
contábeis. Além disso, as normas internacionais promovem a consistência na aplicação 
da contabilidade, o que é fundamental para a confiabilidade dos relatórios financeiros.
No entanto, a adoção das normas internacionais também trouxe desafios para as 
empresas brasileiras. O processo de transição para as normas internacionais exigiu 
uma grande quantidade de tempo, esforço e recursos financeiros para se adaptar aos 
novos requisitos contábeis. 
Além disso, a falta de conhecimento e de treinamento sobre as normas internacionais 
pode levar a aplicações incorretas ou incompletas, prejudicando a qualidade das 
informações financeiras.
Antes das normas internacionais de contabilidade, a base da contabilidade aplicada 
às organizações empresariais era a mesma legislação que regia as demais áreas 
contábeis, que é a Lei nº 6.404/76. No entanto, em nenhum ponto esta legislação 
aborda especificidades da área imobiliária. De acordo com Marion (2018):
A Secretaria da Receita Federal determinou, por meio da Instrução 
Normativa número 84/79, os parâmetros para balizamento dos 
procedimentos contábeis necessários a serem adotados nesses 
casos para fins de apuração do lucro tributável. Essa Instrução, apesar 
de ainda vigorar, apresenta pontos de divergência com as práticas 
baseadas na teoria da contabilidade, nos princípios fundamentais 
de contabilidade e na legislação societária vigente (MARION, 2018).
https://periodicos.ufsc.br/index.php/contabilidade/article/view/2175-8069.2011v8n15p177
https://periodicos.ufsc.br/index.php/contabilidade/article/view/2175-8069.2011v8n15p177
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 104
Nesse contexto, a adoção das normas internacionais de contabilidade no Brasil 
trouxe muitos benefícios, incluindo uma base contábil comum com outros países, uma 
abordagem padronizada e coerente para a contabilidade, além de uma possibilidade 
de seguir as melhores práticas.
6. TÉCNICAS CONTÁBEIS 
Para que ocorra o correto reconhecimento e registro das mutações patrimoniais, 
é preciso delimitar corretamente quais são as políticas contábeis da entidade. Este 
processo começa com a diferenciação entre atos e fatos contábeis e seu correto 
reconhecimento dentro da contabilidade, além do impacto que cada um destes irá ter 
para as organizações, no que tange aos controles, impacto legal e tomada de decisões. 
Outro fator determinante é a elaboração do plano de contas, sua adequação é de 
acordo com as atividades da empresa e, posteriormente, o lançamento de todos os 
fatos que produzirão efeitos no patrimônio das entidades. Adicionalmente, é preciso 
lembrar da documentação do processo, assim como as atribuições dos envolvidos 
de forma direta e indireta nestas atividades. Tais fatores serão determinantes para a 
inserção de contas, ou ainda a criação de centros de custos e maiores detalhamentos 
nos planos de contas de uma organização.
Quando uma empresa está sendo constituída, ou seja, quando os sócios se reúnem 
e resolvem que irão constituir uma pessoa jurídica já configura o momento em que as 
normas contábeis necessitam ser definidas, e, para isso, vários elementos precisam ser 
analisados e colocados em evidência, como seu porte, segmento, nicho de mercado, 
tipo societário e natureza dos produtos ou serviços que irá oferecer. Isto é importante 
porque a seleção de tais variáveis é que definirá se a entidade estará ou não suscetível 
a uma determinada legislação. 
Podemos admitir como exemplo uma construtora de médio porte a ser instituída. 
Certamente, ela deverá seguir normas e leis especificas das construtoras, que, por 
exemplo, as revendas de produtos industrializados não estarão suscetíveis. Assim, neste 
momento, muitos detalhes essenciais são importantes para que nenhuma surpresa 
ou fato inesperado ocorra durante a operação da empresa.
7. O PAPEL DO PATRIMÔNIO NA CONTABILIDADE 
A contabilidade auxilia os gestores de empresas no processo de tomada de decisão, 
baseando-se na demonstração do seu patrimônio, os sistemas de informação tornam 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 105
este processo integrado, informatizado e que utiliza a tecnologia para processar 
informações de uma forma mais eficiente, rápida e confiável.
Quando comparamos o uso de métodos tradicionais de composição e análise 
contábil apenas por seres humanos, ao uso de sistemas integrados de informação, 
como os SIGs, fica evidente o ganho de capacidade no manuseio da informação e 
consequentemente a melhoria nos processos de análise.
ISTO ESTÁ NA REDE
Para que possamos aprofundar um pouco mais nossa troca de conhecimento, 
segue um vídeo que apresentar a importância e as características do patrimônio 
na ótica contábil. Patrimônio (Contabilidade). Professor Quintino. Disponível: https://
www.youtube.com/watch?v=ltyDuc5zRxI.
O uso destes sistemas visa uma série de benefícios, que são, inclusive, comuns aos 
objetivos da contabilidade enquanto ferramenta gerencial para controle da proteção do 
patrimônio. Dentre estes objetivos, destacam-se: o alcance e as melhorias em excelência 
operacional; a criação de novos produtos, serviços e modelos de negócios; proporcionar 
um relacionamento mais estreito com os clientes e fornecedores; proporciona melhores 
tomadas de decisão; aumenta as vantagens competitivas e melhora as chances de 
sobrevivência da organização (CREPALDI, 2019).
Figura 03 – Análise X Tomada de Decisão. 
Fonte: Pixabay (2023).
https://www.youtube.com/watch?v=ltyDuc5zRxI
https://www.youtube.com/watch?v=ltyDuc5zRxI
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 106
Ao aplicar os Sistemas de Informação (SI) em sistemas de contabilidade, a empresa 
passa a ter melhores condições de controlar suas finanças, utilizando o controle contábil 
para melhorar itens relevantes em sua precificação, em seus processos operacionais, 
em sua estrutura geral de custos etc.
O objetivo da proteção do patrimônio está em melhorar sua excelência operacional, 
alcançando, assim, melhores resultados financeiros e, com estes resultados, ser capaz 
de reinvestir em suas operações para criar condições de evolução em seus negócios.
Segundo afirma Ribeiro (2015):
[...] os SIG devem ser baseados em informações advindas da 
contabilidade financeira, contabilidade baseada em outras moedas 
(câmbio), custos e orçamentos, contabilidade por setores e/ou 
unidades de negócios, gestão tributária, gestão da tesouraria, análise 
financeira das demonstrações contábeis e a controladoria estratégica 
(RIBEIRO, 2015).
Com sua aplicação, diferentes setores, processos e pessoas são conectados e 
utilizam as mesmas informações para realizar os processos organizacionais. Dessa 
forma, ao mesmo tempo que a informação é utilizada, novas são criadas, armazenadas e 
distribuídas por toda a empresa. A contabilidade ganha eficiência e agilidade, integrando 
suas informações e tornando-as muito mais acessíveis de forma digital em sistemas 
de informação integrados.
A contabilidade representa inúmeros benefícios ao planejamento e ao controle das 
atividades das empresas. Contudo, sem processos de controle e verificação quanto 
sua correta aplicação, a contabilidade pode não desempenhar funções plenamente 
eficientes ou mesmo apresentar inconsistências em seus processos.
Oou prejuízo) da empresa 
foi formado a partir das suas operações, em determinado período.
Com isso, foram criados os primeiros princípios de contabilidade, os US GAAP 
(United States Generally
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12
Accepted Accounting Principles), ou Princípios Contábeis Geralmente Aceitos Norte-
Americanos.
Tem-se, aí, o início de uma nova era na contabilidade em busca de informações 
mais uniformes e transparentes, relatórios financeiros e contábeis mais confiáveis, 
tanto para aqueles que tenham interesse em investir nas companhias como para 
credores e outros usuários da contabilidade. Os princípios contábeis passam a ser 
obrigatórios nos Estados Unidos.
A partir daí outros países também criaram e editaram seus próprios princípios 
contábeis. Cada qual de acordo com suas necessidades e realidade econômica, porém 
com a mesma essência e objetivos deles, ou seja, a uniformidade, a transparência e 
a confiabilidade. Além disso, os aspectos políticos, econômicos, culturais e sociais de 
cada país têm grande influência nas práticas contábeis, remetendo-nos novamente 
ao campo social da contabilidade.
3. PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE NO BRASIL
No Brasil, a Lei n. 6.404/76 surgiu com o objetivo de oferecer diretrizes para a elaboração 
das demonstrações contábeis financeiras, porém sem ter o status de princípios contábeis. 
Somente com a resolução do CFC (Conselho Federal de Contabilidade) n. 750/93, o Brasil 
passou a adotar os Princípios Fundamentais de Contabilidade, o procedimento que o 
funcionário do setor de Contas a Pagar deverá obedecer é o registro do compromisso 
de pagamento, logo após receber o boleto bancário (título ou duplicata) do fornecedor, 
cadastrando nos controles internos (sistema de software) da empresa, o valor a ser 
pago, a data de vencimento do título e o destinatário do pagamento. Com o sistema 
atualizado, o pagamento ocorrerá nas condições acordadas, evitando atrasos e problemas 
de relacionamento com o fornecedor.
Assim, essa resolução reuniu os fundamentos que estavam contidos em Leis 
e criou, originalmente, sete Princípios Fundamentais de Contabilidade. Mais tarde, 
em 2010, o CFC, por meio da Resolução n. 1.282/2010, fez algumas modificações, 
extinguindo o Princípio da Atualização Monetária e, também, dando nova denominação 
para os Princípios Fundamentais de Contabilidade, que agora passam a denominar-se 
Princípios de Contabilidade. Conforme Ferreira (2014, p. 431), “[...] essa denominação 
foi substituída por Princípios de Contabilidade, expressão que segundo o Conselho 
Federal de Contabilidade, é suficiente para o perfeito entendimento dos usuários [...]”.
Acompanhe abaixo um quadro com os princípios de contabilidade, conforme a 
Resolução n.1.282/2010 do CFC:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13
• Princípio da Entidade Reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e 
afirma que o patrimônio da entidade não se confunde com o dos sócios.
• Princípio da Continuidade Pressupõe que toda entidade nasce para ter 
continuidade, ou seja, não será extinta.
• Princípio da Oportunidade Exige que os registros de variação patrimonial devem 
ser reconhecidos no momento em que eles ocorrerem mesmo que os valores 
sejam estimados.
• Princípio Registro Pelo Valor Original Determina que sejam reconhecidos pelo 
valor original de todas as transações, permitindo que as variações posteriores 
sejam reconhecidas.
• Princípio da Competência As receitas e despesas devem ser reconhecidas na 
data a qual pertencem, independentemente de seu recebimento ou pagamento.
• Princípio da Atualização Monetária Extinto pela Resolução n. 1.282/2010.
• Princípio da Prudência Deve ser adotado o menor valor para o Ativo e Maior 
valor para o Passivo, no caso de duas ou mais situa- ções que poderão vir a 
se concretizar.
Em especial atenção ao Princípio da Atualização Monetária, vale mencionar, aqui, 
que ele apenas perdeu o status de princípio, mas continua sendo aplicado dentro do 
princípio do Registro pelo Valor Original (FERREIRA, 2014).
Quanto à aplicação dos princípios de contabilidade, podemos dizer que são critérios 
obrigatórios a serem seguidos pelos profissionais de contabilidade, para que haja um 
padrão e entendimento por todos que se utilizam das informações contábeis. Em 
relação a esse entendimento, Ferreira (2014) nos dá um exemplo, no qual diz que se 
uma empresa adotasse o princípio da competência e outra o regime de caixa não 
teríamos como comparar os resultados entre as duas empresas, já que estariam 
completamente diferentes. Portanto, os princípios de contabilidade não são uma opção, 
mas, sim, uma obrigação na elaboração de qualquer peça contábil, sob pena de multa 
e de suspensão do exercício profissional.
 
4. FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE INTERNACIONAL
Para entendermos os fundamentos da contabilidade internacional, precisamos 
entender o processo da globalização.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14
Com o surgimento das grandes navegações, as transações comerciais deixaram 
de ser territoriais e se expandiram pelos diversos continentes. Podemos concluir que 
temos, desse modo, o início singelo da globalização. Com a comercialização entre 
os povos de diversos continentes, cresce o consumo e as diversidades de produtos 
oferecidos no mercado.
Os países abrem suas fronteiras para o comércio internacional, alavancando o 
crescimento industrial. O avanço da tecnologia também é grande aliado para encurtar 
a distância entre os povos e contribuir para o acelerado processo de globalização.
Além disso, é fácil de entendermos que, com a entrada de produtos estrangeiros 
nos países, as empresas locais se veem obrigadas a reduzir seus preços e melhorar 
suas estratégias comerciais. O crescimento e surgimento de grandes companhias se 
deu justamente pelo fortalecimento e melhorias na gestão devido à concorrência e, 
também, ao ingresso no universo do mercado internacional.
Você deve estar se perguntado: Como a globalização influenciou a contabilidade? 
Pois bem, podemos dizer que o processo de internacionalização da contabilidade 
se deu justamente quando os investidores começaram a observar com interesse o 
crescimento de algumas empresas, e viram nelas grande oportunidade de lucros. 
Em consonância com o afirmado, Eiteman, Stonehill e Moffett (2013 apud MORAES; 
MENGDEN, 2015) definiram globalização como: produzir onde for mais eficiente em 
termos de custo, vender onde for mais lucrativo e obter capital onde for mais barato, 
sem se preocupar com fronteiras nacionais.
Como já estudamos anteriormente, sabe-se que, para atrair investidores, as empresas 
precisam demonstrar transparência e confiabilidade em seus resultados e é nesse 
momento que entram os órgãos responsáveis por regulamentar e normatizar as 
demonstrações contábeis e financeiras.
Cada país possui uma entidade responsável por normatizar e regular os investimentos 
no mercado financeiro. Essa entidade serve de ligação entre a empresa e o investidor, ou 
seja, é ela que repassa as informações sobre a movimentação no mercado financeiro, 
além de fiscalizar as ações e procedimentos a serem adotados pelas empresas a fim 
de proteger os investidores. No Brasil, temos a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 
que exerce a tarefa de fazer a ligação entre investidores e as empresas.
A CVM é uma entidade autárquica, em regime especial, vinculada ao Ministério 
da Fazenda, criada pela Lei n. 6.385, de 07 de dezembro de 1976, com finalidade de 
disciplinar, fiscalizar e desenvolver o mercado de valores mobiliário (CVM, 2016).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15
Ainda podemos citar a definição de Girotto (2016), em que a CVM tem a atribuição 
de acompanhar o trabalhofoco da contabilidade está em garantir que os processos utilizados reflitam de 
forma verídica, ética e confiável, a realidade patrimonial da empresa. Essa representação 
correta dos dados contábeis atende não só aos interesses da própria empresa, no 
sentido de verificar que seus métodos de controle interno estão sendo aplicados de 
maneira eficiente, mas também para assegurar o cump
No decorrer desta unidade, você aprendeu que o uso da contabilidade é 
consideravelmente antigo devido à sua alta relevância no controle de atividades humanas 
que envolvem o controle de apurações financeiras e contábeis. Mesmo que de forma 
“primitiva” ou não intencional, além de exercer o controle sobre as atividades realizadas 
por meio das anotações, de uma contabilidade inicial, o processo de conferência 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 107
sobre esses métodos analisados também surgiu como uma necessidade humana 
em melhorar os processos aplicados nos controles contábeis.
A aplicação da contabilidade, por muito tempo, foi realizada de forma minuciosa, 
detalhada e demorada, pois os lançamentos contábeis eram exaustivamente conferidos.
Como forma de melhorar essa realidade, a evolução dos processos de controle do 
patrimônio levou a uma nova realidade na qual os auditores analisam os sistemas 
de controle internos das organizações empresariais, buscando identificar falhas nos 
seus processos e emitir relatórios visando sua correção.
Com isso, podemos verificar que a contabilidade é uma importante área profissional 
e, por meio de suas análises, demonstrativos e ações de controle sobre o patrimônio 
da empresa, uma organização pode melhorar a maneira em que administra seus 
recursos e, consequentemente, ser capaz de melhorar seus resultados.
Adicionalmente, a contabilidade e o controle financeiro adicionam importantes 
aspectos no desempenho da contabilidade, melhorando seu desempenho e tornando 
possível utilizar aspectos de controle contábil para trazer melhorias a uma organização.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 108
CAPÍTULO 7
BALANÇO PATRIMONIAL
INTRODUÇÃO
Olá, estudante, estamos iniciando a disciplina de Análise das Demonstrações 
Contábeis. Esta disciplina é fundamental para se analisar a situação patrimonial, 
financeira e econômica de uma entidade. Qualquer tipo de tomada de decisão que 
seja realizada quanto a uma empresa precisa se embasar em uma Análise das 
Demonstrações Contábeis coerente. Mas como saber por onde iniciar?
Neste momento, vamos começar a compreender os aspectos conceituais e 
introdutórios, para seguir posteriormente para a prática. Vamos realizar muitos cálculos 
de indicadores e análise de demonstrações, porém, caso os princípios não estejam 
bem compreendidos, tudo será em vão. Por isso, vamos aproveitar bem este primeiro 
momento de estudos!
2 O QUE É A ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES
As demonstrações financeiras (também chamadas de demonstrações contábeis) 
são relatórios contábeis estruturados que fornecem informações sobre a situação 
patrimonial, financeira e econômica da empresa. Estas informações permitem aos 
seus usuários realizar tomada de decisões, assim como notar tendências futuras. 
Isto porque a finalidade da contabilidade é exatamente essa: fornecer informações 
para a tomada de decisão.
A obrigatoriedade de se manter registros contábeis e elaborar demonstrações está 
presente no Código Civil (Lei nº 10.406/02), no artigo 1.179 (entre outros), que atinge 
todas as empresas e legisla o seguinte:
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um 
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme 
de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar 
anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico (BRASIL, 2002).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 109
Também consta na Lei nº 6.404/1976, conhecida como Legislação das Sociedades por 
Ações (ou seja, voltada às empresas que possuem acionistas), demais especificações 
sobre as demonstrações. Em seu artigo 176, é expresso que:
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na 
escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que 
deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações 
ocorridas no exercício:
I- balanço patrimonial;
II- demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
III- demonstração do resultado do exercício;
IV- demonstração das origens e aplicações de recursos.
IV- demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007)
V- se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído pela Lei nº 
11.638,de 2007)
§ 1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos 
valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior.
§ 2º Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão ser agrupadas; os 
pequenos saldos poderão ser agregados, desde que indicada a sua natureza e não 
ultrapassem 0,1 (um décimo) do valor do respectivo grupo de contas; mas é vedada a 
utilização de designações genéricas, como «diversas contas» ou «contas-correntes».
§ 3º As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros segundo 
a proposta dos órgãos da administração, no pressuposto de sua aprovação pela 
assembleia-geral.
§ 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros 
quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessárias para esclarecimento da 
situação patrimonial e dos resultados do exercício (BRASIL, 1976).
Além do § 5º, que trata das exigências nas Notas Explicativas, que veremos de 
forma mais aprofundada na Unidade 3.
Além das Leis citadas, há outros decretos, normas, resoluções, deliberações etc., que 
tratam das exigências para a elaboração das demonstrações, como o artigo 286 do 
Decreto nº 9.580/2018 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) e o Pronunciamento 
Contábil CPC 26, que foi aprovado em resoluções/normas específicas para cada órgão 
competente relacionado. Veremos mais adiante o assunto em detalhes.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 110
Então, é realizada a elaboração e divulgação das demonstrações, e fica a questão: 
como utilizá-las? É só uma obrigatoriedade legal? Vamos descobrir agora, assim o 
volume de vendas estão associados há, a redução do volume de vendas vai impactar 
negativamente no resultado operacional da empresa e a margem de contribuição total 
vai acompanhar o movimento da alteração do volume de vendas, ou seja, crescerá se 
o volume aumentar e reduzirá se o volume diminuir.
Análise das Demonstrações Contábeis é a coleta de dados existentes nas 
Demonstrações Financeiras “com vistas à apuração de indicadores que permitem 
avaliar a capacidade de solvência (situação financeira), conhecer a estrutura patrimonial 
(situação patrimonial) e descobrir a potencialidade da entidade em gerar bons resultados 
(situação econômica)” (SILVA, 2019, p. 4). Dá para descobrir com tal análise se a 
empresa está sendo bem administrada, se está tendo boa rentabilidade, se consegue 
quitar suas dívidas, a forma como os saldos das contas contábeis vem evoluindo etc.
Para Padoveze e Benedicto (2010), se aplica sobre os valores dos elementos 
patrimoniais um raciocínio analítico dedutivo, a fim de se avaliar a situação econômico- 
financeira da entidade e sua capacidade de continuidade operacional e financeira. 
Fica claro que a utilização da Análise de Demonstrações é importantíssima para 
auxiliar nas decisões tomadas. Mas quem utiliza essas informações? É bem comum 
automaticamente pensarmos: os administradores das empresas.
2.1 USUÁRIOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Mas não são somente os gestoresdas entidades, que as administram, que se 
beneficiam das análises das Demonstrações para tomar decisões sobre o processo 
de gestão. Os usuários das informações contábeis são os mais variados, por exemplo:
• Investidores: analisam as demonstrações financeiras das empresas para que 
tenham confiança em adquirir ações emitidas por elas, pois sua intenção é receber 
alguma remuneração sobre esses investimentos alocados.
• Bancos: antes de conceder crédito às entidades, os bancos analisam a sua situação 
financeira, econômica e patrimonial, a fim de verificar se a empresa tem capacidade de 
pagamento. Só então decidem se concedem ou não o crédito. Ninguém vai emprestar 
dinheiro a alguém se achar que não irá receber o valor de volta.
• Fornecedores: imagine se a maior parte da produção de um fornecedor é 
vendida para uma única empresa? Caso não fique atualizado quanto à capacidade de 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 111
continuidade que ela possui, pode ser que seja pego desprevenido com uma falência 
e acabe quebrando junto.
• Funcionários: podem verificar se a empresa tem condições de continuar arcando 
com sua remuneração, ou até mesmo se podem contar com uma estabilidade 
empregatícia.
Sobre a visão dos usuários das demonstrações financeiras no mundo, Hendriksen 
e Van Breda (2018) nos apresentam o seguinte cenário:
A pergunta “Para quem?” é tradicionalmente respondida, nos Estados Unidos, 
com a afirmação de que os relatórios financeiros se destinam aos acionistas, a 
outros investidores e a credores. É reconhecido que se deve divulgar informação a 
funcionários, clientes, órgãos do governo e ao público em geral, mas esses grupos 
são encarados apenas como destinatários secundários dos relatórios anuais e de 
outras formas de divulgação. Em parte, o motivo dessa falta de ênfase em outros 
usuários, que não investidores, é devida a ausência de conhecimento a respeito de suas 
decisões. As decisões a serem tomadas por investidores e credores são relativamente 
simples e bem definidas: os investidores basicamente tomam decisões de compra, 
manutenção e venda, e as decisões dos credores estão fundamentalmente associadas 
à concessão de crédito à empresa. Acionistas, e, às vezes, credores, também tomam 
decisões a respeito da contratação, dispensa e remuneração de administradores e da 
aprovação ou não de mudanças importantes das políticas de uma empresa. Portanto, 
os objetivos de divulgação financeira, no que diz respeito a esses usuários, podem 
ser razoavelmente claros. Os objetivos de apresentação de informação a funcionários, 
clientes e ao público em geral, por outro lado, não têm sido tão bem formulados. Na 
ausência de conhecimento mais específico, a premissa geral é a de que informação 
útil a investidores e credores será útil para outros grupos. [...] Outras partes do mundo, 
particularmente a Europa, tendem a dar uma resposta mais ampla à pergunta “Para 
quem?” Em particular, tendem a colocar os interesses de funcionários e do estado no 
mesmo nível dos interesses dos acionistas, onde o resultado operacional da empresa 
não será afetado se os gastos variáveis oscilarem, pois os gastos variáveis impactam 
sobre a margem de contribuição total da empresa, que, por sua vez, vai absorver os 
gastos fixos e gerar o resultado operacional da empresa no período. Considerando 
que os gastos variáveis diminuam, a margem de contribuição total da empresa vai se 
elevar e, após a absorção dos gastos fixos, o resultado será superior.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 112
Interessante refletir sobre como o processo pode ser diferente dependendo da 
realidade e da cultura do país que analisamos! Mas voltando à multiplicidade de usuários 
possíveis, o CPC 00 (R2) (2019, s. p.) corrobora com a questão, afirmando que uma 
demonstração “reporta como um todo e não do ponto de vista de qualquer grupo 
específico de investidores, credores por empréstimos e outros credores, existentes 
ou potenciais, da entidade”.
Mesmas demonstrações sendo utilizadas para infinitas possibilidades de análise, 
dependendo só de nossa proatividade e interesse, é realmente uma ideia espetacular. 
Agora, pense: dois usuários diferentes demandam os mesmos tipos de informações? 
E se forem ambos, por exemplo, Investidores?
A resposta é: cada usuário tem um objetivo diferente ao analisar as informações 
contábeis. Mesmo dois investidores podem focar em aspectos diferentes; um pode 
ter uma visão voltada ao curto prazo e busca analisar o retorno que a empresa vem 
proporcionando, enquanto o outro investidor vislumbra o longo prazo, mais preocupado 
em analisar os riscos envolvidos nesse investimento.
Para Iudícibus (2017, p. 14),:
Consideramos que a análise de balanços é uma arte, pois, embora 
existam alguns cálculos razoavelmente formalizados, não existe 
forma científica ou metodologicamente comprovada de relacionar os 
índices de maneira a obter um diagnóstico preciso. Ou, melhor dizendo, 
cada analista poderia, com o mesmo conjunto de informações e 
de quocientes, chegar a conclusões ligeiras ou até completamente 
diferenciadas. É provável, todavia, que dois experientes analistas, 
conhecendo igualmente bem o ramo de atividade da empresa, 
cheguem a conclusões bastante parecidas (mas nunca idênticas) 
sobre a situação atual da empresa, embora quase sempre apontariam 
tendências diferentes, pelo menos em grau, para o empreendimento.
“O analista financeiro extrairá elementos e fará julgamentos sobre o futuro da entidade 
objeto de análise. Portanto, é parte conclusiva da análise de balanço o julgamento 
do avaliador sobre a situação da empresa e suas possibilidades futuras” (PADOVEZE; 
BENEDICTO, 2010, p. 3). Por isso, é muito importante que o analista conheça bem 
tanto a empresa quanto o segmento em que essa empresa atua. E que não se utilize 
somente de uma demonstração financeira específica – o que impede uma visão clara 
da situação empresarial; o ideal é analisar as demonstrações financeiras em conjunto, 
assim como demais informações qualitativas e quantitativas às quais tiver acesso.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 113
O Balanço Patrimonial demonstra a situação patrimonial de uma empresa em um 
determinado momento. É muito utilizada a comparação com uma fotografia, pois 
apresenta um momento estático da empresa. O Ativo (bens e direitos) da Entidade é 
apresentado no lado esquerdo do BP, enquanto o Passivo (obrigações) e o Patrimônio 
Líquido (diferença entre o Ativo e o Passivo) são apresentados do lado direito do BP.
De acordo com Iudícibus et al. (2019, p. 105):
O Balanço Patrimonial é importante pois apresenta as aplicações de recursos 
feitas pela empresa (Ativos) e as origens desses recursos, que podem ser de terceiros 
(Passivos) ou próprios (Patrimônio Líquido). [...] Para a Análise de Balanços ser mais 
bem-feita, o ideal é que o BP apresente seus dados em dois períodos: o período do 
último exercício encerrado e o do exercício anterior a este. A visão de dois balanços 
consecutivos mostra facilmente a movimentação ocorrida no período e como a 
estrutura patrimonial e financeira da empresa se modificou.
Para ilustrar melhor essa explicação sobre Origens e Aplicação de recursos, que 
tal visualizar uma representação do Balanço Patrimonial?
O nome é Balanço Patrimonial para demonstrar o equilíbrio entre os dois lados: o total 
do Ativo (lado esquerdo do balanço) sempre é igual ao total do Passivo + Patrimônio 
Líquido (lado direito do balanço). Fica claro na marcação inserida na imagem do BP 
da Metisa. Na primeira coluna de valores, referentes a 2020 da Controladora, o valor 
tanto do Ativo quanto do Passivo é R$356.254.072.
É importante notar que as contas do Ativo são apresentadas por ordem decrescente 
de grau de liquidez (que é sua capacidade de gerarcaixa). Parte-se então da conta com 
maior liquidez, que é Caixa e Equivalentes de Caixa (que já é dinheiro propriamente dito) 
seguindo até os Ativos que não têm finalidade de comercialização, logo, que a empresa 
não pretende transformar em dinheiro. Já as contas do Passivo são apresentadas por 
ordem decrescente de exigibilidade, ou seja, as obrigações que precisam ser pagas 
antes aparecem primeiro, seguindo até as obrigações de longo prazo, com vencimento 
mais distante.
1.1 GRUPOS CONSTANTES NO BALANÇO PATRIMONIAL
Já aprendemos na Unidade 1 – Tópico 1 deste livro didático, em ‘Elementos das 
Demonstrações Contábeis’, sobre o que são Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Caso 
necessário, é só retomar esse tópico para relembrar. Eles são divididos em subgrupos:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 114
Sobre a divisão, basicamente, é composto por: Ativo Circulante – segundo o CPC 26 
(2011, s. p.), é considerado circulante quando satisfazer qualquer dos critérios a seguir:
(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido 
no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
(b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
(c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou
(d) é caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou uso para liquidação de 
passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do balanço.
Ativo Não Circulante – Todos os demais ativos que não se enquadrem como 
circulante, precisam ser classificados como não circulante.
Realizável a longo prazo – Itens semelhantes aos circulantes, mas que possuem menor 
liquidez, logo, serão realizáveis no longo prazo (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2020).
Investimento – Não relacionados à atividade da empresa nem se destinam a 
negociações: entram as participações em outras sociedades, imóveis alugados a 
terceiros (com objetivo de obter renda), obras de arte etc. (IUDÍCIBUS, 2017).
Imobilizado – Bens corpóreos (físicos), que se destinam à manutenção da atividade 
da entidade, e que “é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias 
ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar 
por mais de um período” (CPC 27, 2009, s. p.).
Intangível – “Bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos 
com essa finalidade. São exemplos: direitos autorais, patentes, marcas, [...] gastos 
com desenvolvimento de novos produtos etc.” (MARTINS, MIRANDA, DINIZ, 2020).
Passivo Circulante – segundo o CPC 26 (2011, s. p.), é considerado passivo circulante 
quando satisfazer qualquer dos critérios a seguir:
(a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;
(b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
(c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço; ou
(d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante 
pelo menos doze meses após a data do balanço.
Passivo Não Circulante – Todos os demais passivos que não se enquadrem como 
circulante, precisam ser classificados como não circulante. É o chamado Exigível a 
Longo Prazo.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 115
No Patrimônio Líquido “são contabilizados principalmente os recursos investidos 
pelos sócios no negócio e os lucros retidos na forma de reservas” (ALMEIDA, 2019, 
p. 57). É importante ressaltar que:
A conta lucros ou prejuízos acumulados é utilizada para receber o resultado do período 
obtido pela entidade. No entanto, as sociedades anônimas que tiverem resultados 
positivos terão que destiná-los totalmente às diversas reservas e à distribuição na forma 
de dividendos. No Balanço Patrimonial das sociedades por ações essa conta somente 
deverá aparecer quando houver resultados negativos, ou seja, Prejuízos Acumulados 
(MARTINS, MIRANDA, DINIZ, 2020, p. 27).
2.2 'PADRONIZAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS E DAS DEMONSTRAÇÕES 
FINANCEIRAS
Para que se consiga tomar decisões com base na análise das informações contábeis, 
precisa haver certa padronização, uma vez que analisar envolve uma comparação 
entre a) dados históricos; b) padrões existentes em outros períodos da empresa; e/ou 
c) indicadores de seus concorrentes (ALMEIDA, 2019). Dizemos ‘certa’ padronização 
porque mesmo os pronunciamentos técnicos e as normativas permitem alternativas 
diferentes de escolha, podendo o contador definir qual critério mais se aplica à situação 
de sua empresa.
Martins, Miranda e Diniz (2020, p. 2) complementam que:
Como se vê, não é uma tarefa fácil cumprir os objetivos da 
Contabilidade. Isto é, desejar que um modelo retrate a realidade 
econômico-financeira de uma entidade para vários usuários, os 
quais têm objetivos díspares em termos de informações. Além disso, 
por ser um modelo, as informações geradas pelos profissionais 
da contabilidade nem sempre são idênticas, posto que por mais 
normatizados que sejam os procedimentos utilizados na elaboração 
das demonstrações contábeis, sempre vai existir a possibilidade de 
escolhas diferentes, e, por consequência, a simplificação da realidade 
econômico-financeira pode ser apresentada de formas distintas.
Para tentar padronizar internacionalmente as contabilizações e tratamento de 
eventos contábeis, existem normativas que visam guiar uma estrutura que possa ser 
base para análise das demonstrações e, assim, evitar distorções na comparação entre 
empresas. Há algumas específicas para elaboração das Demonstrações Financeiras, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 116
constantes nos Pronunciamentos Técnicos do CPC – Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis. Podem-se citar alguns deles:
• CPC 00 (R2), que trata da Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro;
• CPC 02 (R2), que trata dos Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão 
de Demonstrações Contábeis;
• CPC 26 (R1), que trata da Apresentação das Demonstrações Contábeis;
• CPC 35 (R2), que trata das Demonstrações Separadas;
• CPC 36 (R3), que trata das Demonstrações Consolidadas; e
• CPC 44, que trata das Demonstrações Combinadas.
Mas o que é o Comitê de Pronunciamentos Contábeis? Ele foi criado no Brasil para 
auxiliar na convergência internacional das normas contábeis, facilitando a centralização 
da emissão das normas contábeis no Brasil e buscando um processo democrático, 
no qual os profissionais da área consigam participar das audiências públicas sobre as 
matérias abordadas nos pronunciamentos. Afinal, com a padronização, diminui-se o 
risco de os contadores registrarem eventos iguais de formas extremamente diferentes, 
o que dá mais segurança e comparabilidade ao processo, pois o resultado operacional 
é inversamente proporcional aos gastos fixos da empresa, ou seja, ele aumenta quando 
os gastos fixos diminuem e diminui quando os gastos fixos aumentam.
Fazem parte do Comitê de Pronunciamentos Contábeis 2 membros de cada uma 
das 7 entidades a seguir:
1) Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).
2) Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais 
(Apimec Nacional).
3) B3 Brasil Bolsa Balcão.
4) Conselho Federal de Contabilidade (CFC).
5) Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).
6) Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).
7) Entidades representativas de investidores do mercado de capitais.
Além destes membros, sempre são convidados a participar representantes dos 
órgãos a seguir:
• Banco Central do Brasil (BACEN).
• Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 117
• Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)
• Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
• FederaçãoBrasileira de Bancos (FEBRABAN).
• Confederação Nacional da Indústria (CNI).
• Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).
Como vemos, é um procedimento muito bem estruturado, que conta com 
representantes e membros de diversos setores, que juntos buscam um alinhamento 
quanto às normatizações em elaboração. O que torna o processo rico, pois cada órgão 
traz sua perspectiva única para debate. Além de os profissionais contábeis terem voz 
no processo e conseguirem participar nas audiências públicas antes de uma aprovação 
de um pronunciamento contábil.
Esse processo iniciou-se com a harmonização mundial das práticas contábeis, com 
a hoje chamada IASB – International Accounting Standards Board –, que emite e revisa 
as normas internacionais de Contabilidade (IFRS – International Financial Reporting 
Standards) (PEREZ JUNIOR; BEGALLI, 2015). Consultando o site do IFRS, é possível 
ver que uma das razões de sua existência é o lema ‘Padrões globais para mercados 
globais’, pois “economias modernas dependem de transações além de suas fronteiras 
e do livre fluxo de capital internacional. Mais de um terço das transações financeiras 
ocorrem além das fronteiras, e é esperado que esse número cresça” (tradução livre) 
(IFRS, 2022, s. p.). Além disso, complementam que “investidores buscam diversificação 
e oportunidades de investimento ao redor do mundo, enquanto companhias aumentam 
seu capital, realizam transações ou tem operações e subsidiárias internacionais em 
múltiplos países” (tradução livre) (IFRS, 2022, s. p.). Pensando na globalização, mais 
de 140 países aderiram às normas internacionais de contabilidade, e esse processo 
de revisão e estudo das normas internacionais de Contabilidade é constante.
Iudícibus (2017, p. 21) explica que:
Deve-se entender, portanto, que certos conceitos que regem a 
Contabilidade são mutáveis, parcial ou totalmente, no tempo e no 
espaço, adaptando-se às peculiaridades econômicas, institucionais, 
políticas e sociais de cada época e, às vezes, observando peculiaridades 
de cada país. É claro que outros são imutáveis, como o princípio da 
dualidade, cuja evidenciação contábil resume- se no método das 
partidas dobradas. Ainda assim, a forma de consubstanciar as 
partidas dobradas, por exemplo, pode alterar-se.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 118
Além disso, o autor nos relembra que o analista externo à empresa utiliza os relatórios 
gerados pela entidade e, “embora admitindo certa liberdade de manobra no âmbito dos 
princípios contábeis, os relatórios [...] não poderão deixar de se basear em tais princípios; 
ou, então, a gama de exceções e de desvios deve ser perfeitamente enumerável e 
controlável” (IUDÍCIBUS, 2017, p. 19). No entanto, o analista interno, com foco na análise 
de balanços para auxiliar o próprio administrador da empresa, tem acesso a mais 
informações inseridas nos sistemas de informação gerencial do que o analista externo 
e, por isso, pode considerá-las, devendo o analista interno “estar perfeitamente a par 
dos conceitos de lucro admitidos e das mensurações necessárias, a fim de adequar 
suas análises aos novos conceitos introduzidos no sistema” (IUDÍCIBUS, 2017, p. 19).
O processo se inicia com a ocorrência dos fatos e eventos econômicos e financeiros 
(entradas), que são registrados e lançados pela contabilidade (processamento), 
gerando as informações e demonstrações contábeis (saída). Os usuários então 
utilizam técnicas de análise das demonstrações contábeis, calculando indicadores. 
Só aí, essas informações são avaliadas, elaborando-se um diagnóstico ou conclusão, 
e sendo finalmente utilizadas para a tomada de decisões.
3 ELEMENTOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
É importante relembrar que os registros contábeis e, consequentemente, as 
demonstrações financeiras, seguem o Regime de Competência, no qual “os efeitos 
das transações e outros eventos são reconhecidos quando ocorrem (e não quando 
caixa ou outros recursos financeiros são recebidos ou pagos) e são lançados nos 
registros contábeis e reportados nas demonstrações contábeis dos períodos a que 
se referem” (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2020, p. 11).
Assim que ocorrem os eventos econômicos, há o seu lançamento (contabilização) 
na respectiva conta contábil. Essas contas contábeis são agrupadas de acordo com 
sua natureza e aceitam diversos registros, acumulando os valores de transações 
diferentes, de forma a facilitar o gerenciamento contábil e financeiro. E, posteriormente, 
as informações retiradas desses grupos são estruturadas e evidenciadas nas 
Demonstrações Contábeis (PADOVEZE; BENEDICTO, 2010).
Os elementos das Demonstrações Contábeis, conforme CPC 00 (R2) (2019) são: 
a- ativos;
b- passivos;
c- patrimônio líquido;
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 119
d- receitas; e
e- despesas (CPC 00 (R2) 2019).
Vamos relembrar cada um deles? Afinal, eles já foram vistos em outras disciplinas 
do curso anteriormente.
3.1 ATIVO
Sua definição conforme o CPC 00 (R2) é: “Recurso econômico presente controlado 
pela entidade como resultado de eventos passados, que tenha potencial de produzir 
benefícios econômicos futuros” (CPC, 2019, s. p.).
É composto por bens e direitos da entidade. As contas do Ativo são divididas em 
dois grandes grupos: o Ativo Circulante (curto prazo) e o Ativo Não Circulante (longo 
prazo) (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2020).
Alguns exemplos de ativos são: caixa, bancos, duplicatas a receber, estoques, 
máquinas e equipamentos, terrenos.
3.2 PASSIVO
O CPC 00 (R2) define o Passivo como uma “obrigação presente da entidade de 
transferir um recurso econômico como resultado de eventos passados”. Ou seja, são 
as obrigações da entidade.
O Passivo é dividido em dois grandes grupos: o Passivo Circulante (curto prazo) e o 
Passivo Não Circulante (longo prazo). Exemplos de passivos são: empréstimos a pagar, 
fornecedores a pagar, impostos a pagar, salários a pagar, juros a pagar, duplicatas a 
pagar.
3.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Para o CPC 00 (R2), “patrimônio líquido é a participação residual nos ativos da 
entidade após a dedução de todos os seus passivos”. Ou seja, é um valor residual 
da diferença entre o Ativo e o Passivo, que evidencia o capital próprio da entidade 
(IUDÍCIBUS, 2017). Basicamente, Patrimônio Líquido é o valor residual que fica se a 
entidade pegar todos os seus Ativos e deduzir deles todos os seus Passivos.
São três situações possíveis para o PL:
O Patrimônio Líquido, então, “representa a riqueza real de uma entidade e é formado 
pelo valor que os proprietários têm aplicado no negócio mais os resultados gerados 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 120
pelo desenvolvimento das atividades” (PEREZ JUNIOR; BEGALLI, 2015, p. 10). Exemplos 
de patrimônio líquido são: capital social, reservas de capital, reservas de lucros, lucros 
ou prejuízos acumulados.
3.3.1 Equaçăo fundamental
Ribeiro (2020, p. 25) afirma que “o Passivo mostra a origem dos capitais que estão à 
disposição da empresa e que o Ativo mostra em que esses capitais foram aplicados”. 
Há também o diferencial entre capital próprio e capital de terceiros:
Com todas as explicações sobre Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, conclui-se 
que a equação fundamental da contabilidade é:
Para ilustrar melhor e compreender como é o funcionamento do Ativo, Passivo e 
Patrimônio Líquido e da equação fundamental da contabilidade, segue uma imagem 
com a estrutura de uma demonstração chamada de Balanço Patrimonial:
Podemos ver que do lado esquerdo temos as contas do Ativo, enquanto do lado 
direito temos as contas do Passivo + Patrimônio Líquido. O equilíbrio encontrado 
na equação fundamental da contabilidade é que o valor total do Ativo sempre será 
igual ao valor do Passivo + Patrimônio Líquido. Para entender melhor, veja a seguir o 
exemplode um Balanço Patrimonial fictício:
Pode-se notar que o valor total do Ativo é R$58.000, exatamente o mesmo valor 
total do Passivo + Patrimônio Líquido. Sempre será assim, por causa do Método das 
Partidas Dobradas, no qual basicamente “o registro de qualquer operação implica 
que a um débito em uma ou mais contas deve corresponder um crédito equivalente 
em uma ou mais contas, de forma que a soma dos valores debitados seja sempre 
igual à soma dos valores creditados” (IUDÍCIBUS et al., 2019, p. 33). Exemplificando: 
se para registrar um evento, realizo um ou mais lançamentos a débito que totalizam 
R$150, vou obrigatoriamente ter como contrapartida um ou mais lançamentos a crédito 
totalizando os mesmos R$150.
3.4 RECEITAS E DESPESAS
O CPC 00 (R2) define que Receitas e Despesas são os elementos relacionados ao 
desempenho financeiro da entidade, e conceitua-as como:
Receitas São aumentos nos ativos, ou reduções nos passivos, que resultam em 
aumentos no patrimônio líquido, exceto aqueles referentes a contribuições de detentores 
de direitos sobre o patrimônio.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 121
Despesas São reduções nos ativos, ou aumentos nos passivos, que resultam em 
reduções no patrimônio líquido, exceto aqueles referentes a distribuições aos detentores 
de direitos sobre o patrimônio.
FONTE: CPC 00 (R2) (2019, s. p.)
Iudícibus et al. (2019, p. 45) explicam o que são Receitas e Despesas de uma forma 
bem didática:
Receita representa a entrada de elementos para o Ativo, sob a forma de dinheiro ou 
direitos a receber, correspondentes, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos 
ou à prestação de serviços. Uma receita também pode derivar de juros sobre depósitos 
bancários ou títulos, de aluguéis e outras origens. Às vezes, a receita ocorre em função 
da redução de um passivo. A obtenção de uma receita resulta em um aumento de 
Patrimônio Líquido. Despesa representa o consumo de bens ou serviços, que, direta 
ou indiretamente, ajuda a produzir uma receita. Diminuindo o Ativo ou aumentando 
o Passivo, uma despesa é realizada com a finalidade de se obter receita. Às vezes, o 
vínculo entre uma despesa e uma receita é direta; às vezes, não há o vínculo direto, 
mas verifica-se que a despesa está sendo incorrida para ajudar na produção das 
receitas em geral.
Do confronto entre Receitas e Despesas se chega ao Resultado da empresa. Ou 
seja, se a empresa teve mais Receitas que Despesas, ela obteve Lucro. Se ela teve 
mais despesas que Receitas, ela incorreu em Prejuízo.
4 RECONHECIMENTO DOS ELEMENTOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
O capítulo 5 do CPC 00 (R2) (2019, s. p.) trata do reconhecimento e desreconhecimento 
dos elementos das Demonstrações Contábeis, e afirma que “reconhecimento é o 
processo de captação para inclusão [...] de item que atenda à definição de um dos 
elementos das demonstrações contábeis – ativo, passivo, patrimônio líquido, receita 
ou despesa”.
Além disso, pelo reconhecimento se vinculam os elementos, o balanço patrimonial 
e a demonstração do resultado e a demonstração do resultado abrangente (CPC, 
2019, s. p.): “As demonstrações estão vinculadas porque o reconhecimento de item 
(ou mudança em seu valor contábil) exige o reconhecimento ou desreconhecimento 
de um ou mais outros itens (ou mudanças no valor contábil de um ou mais outros 
itens)”. Para melhor compreensão, vamos a um exemplo: se existir o reconhecimento 
de uma despesa, ao mesmo tempo obrigatoriamente há:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 122
“(i) o reconhecimento inicial do passivo, ou aumento no valor contábil do passivo; ou
(ii) o desreconhecimento do ativo, ou diminuição no valor contábil do ativo” (CPC, 
2019, s. p.).
Pela imagem, apresenta-se uma relação entre as demonstrações contábeis (partes 
cinzas) e os elementos das demonstrações (partes brancas). Ou seja, parto de um 
Balanço Patrimonial inicial, composto de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Há o 
resultado do exercício e resultado abrangente que, somados ao resultado do confronto 
das contribuições de detentores e das contribuições aos detentores, é transferido e 
transforma-se no Balanço Patrimonial no final do período.
 
4.1 CRITÉRIOS DE RECONHECIMENTO
O CPC 00 (R2) – no qual o R2 significa que é a segunda revisão da Estrutura 
Conceitual – estipula que os critérios de reconhecimento são relacionados com as 
características qualitativas de informações financeiras úteis, que seriam 1) Relevância 
e 2) Representação Fidedigna. É importante se atentar a isso, pois antes da revisão 
R2, os critérios de reconhecimento eram que “a entidade deveria reconhecer um 
item que atendesse à definição de um elemento se fosse provável que benefícios 
econômicos fluiriam para a entidade e se o item tivesse um custo ou valor que pudesse 
ser determinado com segurança” (RIOS; MARION, 2020, p. 39).
Somente itens que atendem à definição de ativo, passivo ou patrimônio líquido devem 
ser reconhecidos no balanço patrimonial. Similarmente, somente itens que atendem 
à definição de receitas ou despesas devem ser reconhecidos na demonstração do 
resultado e na demonstração do resultado abrangente. Contudo, nem todos os itens 
que atendem à definição de um desses elementos devem ser reconhecidos.
Não reconhecer um item que atenda à definição de um dos elementos torna o 
balanço patrimonial, a demonstração do resultado e a demonstração do resultado 
abrangente menos completos e pode excluir informações úteis das demonstrações 
contábeis. Por outro lado, em algumas circunstâncias, reconhecer alguns itens que 
atendem à definição de um dos elementos não forneceria informações úteis. O ativo 
ou passivo é reconhecido somente se o reconhecimento desse ativo ou passivo e de 
quaisquer receitas, despesas ou mutações do patrimônio líquido resultantes fornece 
aos usuários das demonstrações contábeis informações que são úteis.
Então, as duas características qualitativas são a Relevância e a Representação
Fidedigna:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 123
A Relevância quer dizer que um item até pode se enquadrar nas definições de ativo, 
passivo, patrimônio líquido, receita e despesa, porém nem sempre ele é útil para o 
usuário das demonstrações contábeis. Algumas razões para isso são, conforme CPC 
00 (R2):
(a) é incerto se existe ativo ou passivo (ver item 5.14); ou
(b) existe ativo ou passivo, mas a probabilidade de entrada ou saída de benefícios 
econômicos é baixa.
“Mesmo no caso de baixa probabilidade de entrada ou saída de benefícios econômicos, 
o reconhecimento do ativo ou do passivo pode fornecer informações relevantes e isso 
pode depender de uma série de fatores” (RIOS; MARION, 2020, p. 40).
Já a Representação Fidedigna está relacionada com a incerteza na mensuração, 
pois, muitas vezes, essa mensuração é estimada, e o uso de estimativas razoáveis faz 
parte da elaboração das demonstrações e “não prejudica a utilidade das informações se 
as estimativas são descritas e explicadas de forma clara e precisa. Mesmo o elevado 
nível de incerteza na mensuração não impede, necessariamente, essa estimativa de 
fornecer informações úteis” (CPC, 2019, s. p.). Há casos em que o nível de incerteza 
chega a um ponto tão alto que nem mesmo a explicação das incertezas e a descrição 
de como foi realizada a estimativa forneceriam informações úteis:
Em circunstâncias limitadas, todas as mensurações relevantes de ativo ou passivo 
que estão disponíveis (ou podem ser obtidas) podem estar sujeitas a essa alta incerteza 
na mensuração de que ninguém forneceria informações úteis sobre o ativo ou passivo 
(e quaisquer receitas, despesas ou mutações do patrimônio líquido resultantes), mesmo 
se a mensuração estivesse acompanhada de uma descrição das estimativas feitas 
ao realizá-la e uma explicação das incertezas que afetamessas estimativas. Nessas 
circunstâncias limitadas, o ativo ou passivo não deve ser reconhecido (CPC, 2019, s. p.).
Em contrapartida, pode ocorrer o Desreconhecimento, que seria a retirada de parte 
ou da totalidade de um ativo ou passivo reconhecido no balanço, que normalmente 
ocorre nos casos em que o item não se enquadre mais na definição de ativo ou 
passivo (CPC, 2019). O CPC 00 (R2) também explica as situações mais comuns em 
que ocorrem:
(a) para o ativo, o desreconhecimento normalmente ocorre quando a entidade perde 
o controle da totalidade ou de parte do ativo reconhecido; e
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 124
(b) para o passivo, o desreconhecimento normalmente ocorre quando a entidade não 
possui mais uma obrigação presente pela totalidade ou parte do passivo reconhecido.
Ou seja, considerar as características qualitativas de Relevância e Representação 
Fidedigna como critério permite reconhecimentos mais coerentes dos elementos das 
demonstrações contábeis.
4.2 MENSURAÇÃO DOS ELEMENTOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Como os elementos são quantificados em termos monetários, há a necessidade de 
uma base de mensuração, sendo que o CPC 00 (R2) cita as formas de mensuração 
descritas no Quadro 5.
Custo histórico Fornece informações monetárias sobre ativos, passivos e respectivas 
receitas e despesas, utilizando informações derivadas, pelo menos em parte, do preço 
da transação ou outro evento que deu origem a eles. Diferentemente do valor atual, 
o custo histórico não reflete as mudanças nos valores, exceto na medida em que 
essas mudanças se referirem à redução ao valor recuperável de ativo ou passivo que 
se torna onerosa.
Valor atual Fornecem informações monetárias sobre ativos, passivos e respectivas 
receitas e despesas, utilizando informações atualizadas para refletir condições na data 
de mensuração. Devido à atualização, os valores atuais de ativos e passivos refletem 
as mudanças, desde a data de mensuração anterior, em estimativas de fluxos de caixa 
e outros fatores refletidos nesses valores atuais. Diferentemente do custo histórico, o 
valor atual de ativo ou passivo não resulta, mesmo em parte, do preço da transação 
ou outro evento que deu origem ao ativo ou passivo.
Valor justo É o preço que seria recebido pela venda de ativo ou que seria pago pela 
transferência de passivo em transação ordenada entre participantes do mercado na 
data de mensuração.
Valor em uso e valor de cumprimento É o valor presente dos fluxos de caixa, ou 
outros benefícios econômicos, que a entidade espera obter do uso de ativo e de 
sua alienação final. Valor de cumprimento é o valor presente do caixa, ou de outros 
recursos econômicos, que a entidade espera ser obrigada a transferir para cumprir 
a obrigação. Esses valores de caixa ou outros recursos econômicos incluem não 
somente os valores a serem transferidos à contraparte do passivo, mas também os 
valores que a entidade espera ser obrigada a transferir a outras partes de modo a 
permitir que ela cumpra a obrigação.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 125
Custo corrente É o custo de ativo equivalente na data de mensuração, compreendendo 
a contraprestação que seria paga na data de mensuração mais os custos de transação 
que seriam incorridos nessa data. O custo corrente de passivo é a contraprestação 
que seria recebida pelo passivo equivalente na data de mensuração menos os custos 
de transação que seriam incorridos nessa data. Custo corrente, como custo histórico, 
é o valor de entrada: reflete preços no mercado em que a entidade adquiriria o ativo 
ou incorreria no passivo. Assim, é diferente do valor justo, valor em uso e valor de 
cumprimento, que são valores de saída. Contudo, diferentemente de custo histórico, 
custo corrente reflete condições na data de mensuração.
Há regras para a utilização de cada um desses tipos de mensuração, dependendo 
do tipo de movimentação, do grupo considerado, do evento, dentre outros. No entanto, 
destrinchar essas especificações não cabe ao intuito deste livro.
 
5 CONCEITOS DE CAPITAL E MANUTENÇÃO DE CAPITAL
Quando se trata de Capital, pode-se pensar em dois tipos:
Capital financeiro = ativos líquidos ou patrimônio líquido. É a visão mais comum 
dos usuários na análise das demonstrações, se estão “principalmente preocupados 
com a manutenção de capital nominal investido ou com o poder de compra do capital 
investido” (CPC, 2019, s. p.).
Capital físico = refere-se à capacidade operacional, ou seja, “a capacidade produtiva 
da entidade com base, por exemplo, nas unidades de produção diária” (CPC, 2019, s. p.).
Logo, para cada um deles há diferença na manutenção de capital:
Manutenção do capital financeiro = o lucro é auferido somente se o montante 
financeiro (ou dinheiro) dos ativos líquidos no final do período exceder o montante 
financeiro (ou dinheiro) dos ativos líquidos no início do período, após excluir quaisquer 
distribuições para, e contribuições de sócios durante o período. [...]
Manutenção do capital físico = o lucro é auferido somente se a capacidade produtiva 
física (ou capacidade operacional) da entidade (ou os recursos ou fundos necessários 
para alcançar essa capacidade) no final do período exceder a capacidade produtiva 
física no início do período, após excluir quaisquer distribuições para, e contribuições 
de, sócios durante o período (CPC, 2019, s. p.).
Outra especificidade é que o capital físico exige a adoção do custo corrente como 
base de mensuração, enquanto o capital financeiro não tem exigências de mensuração 
específica.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 126
6 CONVERSÃO PARA A MOEDA DE APRESENTAÇÃO
O Pronunciamento Técnico que trata sobre o assunto é o CPC 02 (R2) – Efeitos das 
Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis (2010), cujo 
foco é “orientar acerca de como incluir transações em moeda estrangeira e operações 
no exterior nas demonstrações contábeis da entidade e como converter demonstrações 
contábeis para moeda de apresentação” (CPC, 2010, s. p.). 
Nas situações em que a moeda funcional não seja de uma economia hiperinflacionária, 
os procedimentos de conversão são os seguintes:
(a) ativos e passivos para cada balanço patrimonial apresentado (incluindo os 
balanços comparativos) devem ser convertidos, utilizando-se a taxa de câmbio de 
fechamento na data do respectivo balanço;
(b) receitas e despesas para cada demonstração do resultado abrangente ou 
demonstração do resultado apresentada (incluindo as demonstrações comparativas) 
devem ser convertidas pelas taxas de câmbio vigentes nas datas de ocorrência das 
transações; e
(c) todas as variações cambiais resultantes devem ser reconhecidas em outros 
resultados abrangentes (CPC, 2010, s. p.).
ANOTE ISSO
Hiperinflação é o nome dado ao fenômeno inflacionário que ultrapassa os níveis 
considerados como adequados. De forma mais objetiva, situações onde os 
índices de inflação atingem mais de 50% ao mês podem ser considerados como 
hiperinflação. Muitos sabem que essa é, normalmente, uma condição rara de se 
encontrar, no entanto ela ocorreu algumas vezes em países como China, Brasil, 
Rússia, Argentina, Hungria, entre outros.
Os efeitos nocivos de uma inflação extremamente alta são bastante concentrados 
na corrosão do poder de compra da classe baixa e média de um país. Desse modo, 
uma inflação muito elevada pode causar uma recessão econômica afetando de forma 
generalizada a economia de um país.
Normalmente, uma hiperinflação acontece quando há um aumento significativo 
na oferta monetária não suportada pelo crescimento do produto interno bruto. Esse 
fenômeno acontece todas as vezes que há um desequilíbrio na oferta e na demanda 
pelo dinheiro. Quando vem em conjunto com guerras, essa elevação da inflação ocorre 
ESTRUTURAE ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 127
devido à perda de confiança na capacidade da moeda em manter o seu valor no 
mercado. Desse modo, os negociadores de moeda normalmente exigem um prêmio 
de risco para que possam aceitar a moeda a ser transacionada, aumentando assim 
os preços cobrados.
Outro propulsor da inflação alta é a liberação de crédito de forma intensa e 
indiscriminada, irrigando assim a economia com dinheiro “fácil”. Essa política foi muito 
vista através da concessão de empréstimos subsidiados realizada pelo BNDES. Além 
disso, uma inflação extremamente elevada pode ser acentuada, pela prática de acumular 
mercadorias por parte da população de modo que haja escassez de itens básicos nas 
prateleiras, criando assim uma espiral ascendente de inflação.
Já nos casos em que a moeda funcional seja de uma economia hiperinflacionária, 
inicialmente a entidade precisa reelaborar suas demonstrações nos moldes do CPC 
42 (2018, s. p.) – Contabilidade e Evidenciação em Economia Altamente Inflacionária 
e, após, os procedimentos para a conversão são:
(a) todos os montantes (isto é, ativos, passivos, itens do patrimônio líquido, receitas 
e despesas, incluindo saldos comparativos) devem ser convertidos pela taxa de câmbio 
de fechamento da data do balanço patrimonial mais recente, exceto que,
(b) quando os montantes forem convertidos para a moeda de economia não 
hiperinflacionária, os montantes comparativos devem ser aqueles que seriam 
apresentados como montantes do ano corrente nas demonstrações contábeis do 
ano anterior (isto é, não ajustados para mudanças subsequentes no nível de preços 
ou mudanças subsequentes nas taxas de câmbio).
7 APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS
O CPC 36 (R3) (2012) trata sobre as Demonstrações Contábeis Consolidadas 
(quando a entidade controla uma ou mais entidades). Almeida (2020, p. 37) explica 
que “a consolidação tem por objetivo apresentar demonstrações contábeis de duas 
ou mais sociedades, representadas pela controladora e pelas suas controladas, 
como se fossem uma única entidade”. O autor deixa claro que a consolidação ocorre 
apenas extracontabilmente, pois as sociedades consolidadas continuam existindo 
juridicamente. Da mesma forma, não há efeitos fiscais ou legais.
Imagine, no exemplo dado por Rios e Marion (2020), um grupo de entidades que tenha 
em seu quadro uma empresa com resultados operacionais e financeiros espetaculares, 
porém que só consegue alcançar tal patamar por outra empresa dentro do mesmo 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 128
grupo operar com prejuízo para fornecer operações à primeira. A consolidação existe, 
pois, para os acionistas e administradores, o que vale é a situação do conjunto dessas 
empresas, não a de cada uma individualmente (caso em que algumas empresas do 
grupo poderiam parecer em situação especialmente ruim). Com a consolidação, as 
operações entre essas companhias são eliminadas, pois passam a ser consideradas 
operações internas de uma única empresa. Os autores resumem da seguinte forma:
Consolidar significa reunir todos os dados das demonstrações financeiras de todas 
as empresas integrantes de um grupo econômico, eliminar os dados referentes às 
operações comerciais ou financeiras realizadas entre as mesmas e apresentar a 
situação patrimonial e o resultado das operações como se fosse uma única empresa 
(RIOS; MARION, 2020, p. 132).
Mas como saber se uma empresa tem controle sobre outra? O CPC 36 (R3) aponta 
que o investidor controla a investida se, e somente se, o investidor possuir todos os 
atributos seguintes:
(a) poder sobre a investida: possui direitos que lhe permitam dirigir as atividades 
relevantes da investida.
(b) exposição a, ou direitos sobre, retornos variáveis decorrentes de seu envolvimento 
com a investida: retornos resultantes do envolvimento com a investida variam conforme 
o resultado de desempenho da investida.
(c) a capacidade de utilizar seu poder sobre a investida para afetar o valor de seus 
retornos: consegue usar seu poder para afetar seus retornos.
Outro detalhe fundamental é que a controladora precisa apresentar as participações 
de não controladores separadamente do patrimônio líquido dos proprietários da 
controladora. Sempre que a controladora não possuir 100% da controlada, existe a 
figura do não controlador, que seria a participação minoritária, a parte do patrimônio 
líquido que não é possuída pela controlada, nem direta nem indiretamente.
Na imagem, a Alfa seria a Controladora (holding), que possui 100% de participação 
societária nas controladas Beta e Gama. Agora que compreendemos a parte teórica 
das Demonstrações Consolidadas, vamos ver um exemplo real de uma Demonstração 
de Resultados, da empresa Metisa S.A.
Está marcado em vermelho o local em que se apresentam as informações 
consolidadas. No outro lado, constam os valores da Controladora, que seria considerada 
a Demonstração Individual.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 129
8 APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS SEPARADAS
Pode ocorrer de algum investidor ou credor solicitar à investidora as Demonstrações 
Contábeis Separadas, ou seja, pedir que apresente suas demonstrações separadamente 
do grupo. É para tratar dessas questões que foi criado o CPC 35 (R2) (2012).
Um detalhe importante é que “as demonstrações contábeis em que a entidade não 
possui investimentos em controlada, em coligada ou em empreendimento controlado 
em conjunto não são consideradas demonstrações separadas” (CPC, 2012, s. p.). 
Mas não é muito comum a solicitação dessas Demonstrações Separadas, em geral, a 
situação apresentada nas Demonstrações Consolidadas acaba sendo mais condizente 
com a realidade da controladora, ou seja, mais coerente com o objetivo de análise 
dos usuários.
9 APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS COMBINADAS
As Demonstrações Combinadas não advêm de normas do IFRS, mas pela necessidade 
da realidade das práticas brasileira, culminando na criação do CPC 44 (2011). Também 
não há previsão legal na lei societária brasileira, por isso, não há obrigatoriedade de 
elaboração dessas demonstrações. No CPC 44 (2011, s. p.), é explicado de forma bem 
didática o que seriam as Demonstrações Combinadas:
A entidade que controle uma ou mais entidades e elabore relatórios contábeis-
financeiros, deve apresentar demonstrações contábeis consolidadas. No entanto, 
nem todas as entidades controladoras elaboram relatórios financeiros. Por exemplo, 
a entidade controladora pode ser um indivíduo ou grupo de indivíduos, tais como uma 
família. Se este for o caso, demonstrações contábeis combinadas podem fornecer 
informação importante sobre entidades sob controle comum, como um grupo.
Ou seja, no caso das Demonstrações Combinadas, não existe a figura de uma 
controladora, mas de um grupo de entidades sob controle comum. Imagine uma 
pessoa física que tenha controle de entidades; pois bem, não existe previsão para 
elaboração de Demonstrações Financeiras de uma pessoa física, correto? Logo, pode-
se criar as Demonstrações Combinadas, que fornecem as informações necessárias 
para a análise pelos usuários.
• A análise das Demonstrações Financeiras acontece com a extração dos dados 
das Demonstrações Financeiras, seguida do cálculo dos indicadores e interpretação 
de informações quantitativas e qualitativas, e sua posterior utilização para a tomada 
de decisões.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 130
• Há vários usuários das Demonstrações Financeiras, entre eles os administradores 
das empresas, investidores, fornecedores, bancos, entre outros. Cada usuário possui 
um objetivo diferente e demanda informações diferentes para realizar sua análise.
• Para garantir uma análise mais assertiva, háa padronização dos registros contábeis 
e das demonstrações financeiras, a fim de deixar o mais claro possível a realidade 
econômico-financeira da empresa.
• Os elementos das Demonstrações Contábeis são: ativo, passivo, patrimônio líquido, 
receitas e despesas. Os critérios de reconhecimento são a Relevância e a Representação 
Fidedigna.
• Além das Demonstrações Financeiras individuais das entidades, há casos em 
que se apresentam Demonstrações Consolidadas, Demonstrações Separadas e 
Demonstrações Combinadas.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 131
CAPÍTULO 8
DEMONSTRAÇÃO 
DO RESULTADO
Olá, estudante a Demonstração do Resultado (DRE) mostra o resultado líquido do 
período (Lucro ou Prejuízo), através do confronto entre as receitas e despesas. “Em 
linhas gerais, o resultado é apurado deduzindo-se das receitas todas as despesas 
(inclusive os custos, que nesse momento se transformam em despesas) que a empresa 
incorreu no referido período” (MARTINS, MIRANDA, DINIZ, 2020, p. 32). Por isso, é 
apresentado como forma dedutiva, pois deduz-se das Receitas as Despesas.
Você se lembra quando o Balanço Patrimonial foi comparado a uma foto estática? 
A Demonstração do Resultado (DRE), ao contrário, é comparada a um vídeo, pois 
demonstra o que ocorreu durante um determinado período. É interessante que “com os 
dois relatórios, qualquer pessoa interessada nos negócios da empresa tem condições 
de obter informações, fazer análises, estimar variações, tirar conclusões de ordem 
patrimonial e econômico-financeira, traçar novos rumos para futuras transações” 
(IUDÍCIBUS et al., 2019, p. 118). No entanto, de acordo com os autores, isso não 
tira a importância da análise das demais demonstrações, que serão explicadas no 
próximo tópico, pois em conjunto se consegue realizar um aprofundamento na situação 
patrimonial e financeira de uma entidade, através do orçamento empresarial, com foco 
em conhecer as informações sobre o ambiente interno e externo é uma das ações 
necessárias para realizar a etapa de elaboração do orçamento empresarial.
A estrutura de uma Demonstração do Resultado básica pode ser apresentada 
conforme esquema a seguir:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 132
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (em reais) 20x2 20x1
RECEITA LÍQUIDA 450.530 356.890
(-) Custo das Mercadorias Vendidas ou Serviços Prestados (160.125) (126.560)
(=) LUCRO BRUTO 290.405 230.330
(-) DESPESAS OPERACIONAIS (38.200) (26.450)
(-) Despesas de Vendas (25.300) (16.600)
(-) Despesas Administrativas (12.900) (9.850)
LUCRO OPERACIONAL ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO 252.205 203.880
(+) Receitas Financeiras 2.600 1.550
(-) Despesas Financeiras (3.000) (2.000)
(=) RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E 
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
251.805 203.430
(-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social (61.614) (48.823)
(=) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 190.191 154.607
QUADRO 1 – EXEMPLO DE DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (DRE)
FONTE: A autora
3.1 ITENS CONSTANTES NA ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO
Receita líquida: “Nas publicações deve-se começar a Demonstração com a Receita 
Líquida, ficando a conciliação entre esse valor e a Receita Bruta evidenciada apenas 
em nota explicativa” (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2020, p. 34). Receita Bruta seria 
o total bruto vendido no período, e para chegar à Receita Líquida são realizadas as 
Deduções, que basicamente incorporam as Devoluções (cancelamentos de venda), 
Abatimentos (descontos incondicionais concedidos) e Impostos sobre as vendas 
(que na realidade pertencem ao governo, não à empresa, que é simplesmente uma 
intermediária, responsável por cobrar do adquirente e repassar o valor ao governo) 
(IUDÍCIBUS, 2017).
Da Receita Líquida se deduz o Custo das Mercadorias Vendidas ou Custo dos Serviços 
Prestados, chegando no Lucro Bruto. São listados então as Despesas Operacionais, 
ou seja, aquelas relacionadas com a atividade-fim da empresa, como as Despesas 
de Venda e as Despesas Administrativas. Chega-se, então, ao Lucro Operacional 
antes do Resultado Financeiro, assim As etapas do processo de conciliação bancária 
compreendem: a prestação de contas, que é o registro e organização dos documentos 
para a análise; conferência dos saldos, para verificar possíveis erros que acarretem 
na desarmonia financeira; verificação dos detalhes, que compreende a checagem de 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 133
valores, datas e outros detalhes e; correção e armazenamento caso haja diferenças 
ou erros procede-se à correção, armazenando os documentos.
O Resultado Financeiro é obtido pelo confronto entre Receitas Financeiras e 
Despesas Financeiras. Somando-se ou subtraindo-se o resultado (dependendo se for 
positivo ou negativo), chega-se ao Resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição 
Social. Deduzindo a provisão do Imposto de Renda e Contribuição Social, chega-se, 
por fim, ao Lucro Líquido do Exercício, onde no caso o caixa 2, a empresa, ao prestar 
serviço sem nota fiscal, acaba não sinalizando ao fisco à não execução da atividade 
e, portanto, a não existência do fato gerador de tributos. Dessa forma, os valores não 
são registrados pela contabilidade ou são registrados em uma contabilidade paralela 
que fica oculta ao fisco.
Cada entidade estrutura a DRE da forma que apresentar melhor sua realidade, 
desde que apresente os itens obrigatórios constantes nas normas contábeis. Como 
são realizadas comparações entre períodos diferentes, é importante, apesar disso, 
que a entidade mantenha um padrão para suas demonstrações, a fim de permitir a 
comparabilidade. Vamos consultar uma DRE real da Metisa, publicada por ser empresa 
aberta na Bolsa:
TABELA 3 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DA METISA S.A.
FONTE: Metisa S.A. (2022, s.p.)
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 134
Todas as empresas, sejam elas atuantes no mercado nacional ou Internacional e 
que estejam envolvidas em atividades de indústria, comércio ou de serviços, estarão 
sempre enfrentando o peso da concorrência como forças competitivas, pelas contas 
de adiamentos de fornecedores:
• Trata-se operação monetária relativa à determinada compra, que será concluída 
posteriormente.
• O adiantamento a fornecedores está compreendido no Ativo Circulante (Balanço 
Patrimonial).
• O pagamento dos impostos decorrentes da venda será realizado somente após 
a entrega da mercadoria.
As forças competitivas estão subdivididas em cinco, a saber: a) novos concorrentes; 
b) produtos substitutos que podem tomar facilmente o mercado; c) as forças e 
ameaças na negociação juntamente com os fornecedores; d) a capacidade, a técnica 
e a habilidade para negociação dos compradores; e) a potencial rivalidade existente 
entre os concorrentes no mercado.
Todas as forças competitivas irão possibilitar o aperfeiçoamento na habilidade dos 
gestores das empresas em negociar melhores taxas de retorno dos investimentos 
para que essas sempre sejam superiores ao custo do capital investido.
É bom ressaltar que essas características variam do mercado de atuação de cada 
empresa, assim como a capacidade de gestão dos seus administradores, uma empresa 
pode evoluir mais rápido que a outra, pois muitos fatores externos são determinantes 
para alavancar os resultados das empresas, ou não. Um exemplo são as variações das 
taxas cambiais que têm forte influência nos custos de aquisição das matérias-primas 
importadas. O desembaraço aduaneiro das matérias-primas importadas do dia em 
que a taxa cambial estiver elevada aumentará o custo de aquisição dos valores das 
matérias- primas no estoque em moeda nacional.
Em períodos de sazonalidade, como o inverno e o verão, determinadas empresas 
têm essas cinco forças competitivas como sendo favoráveis e que trarãoretornos 
maiores, pois haverá maior busca por produtos da moda, como no caso do vestuário.
Outros exemplos de empresas com retornos favoráveis podem ser do ramo 
farmacêutico, de refrigerantes, dentre outros. Algumas empresas podem alcançar menor 
retorno, por exemplo, empresas siderúrgicas que trabalham com o processamento 
primário da matéria-prima e empresas que produzem videogames, pois os consumidores 
sempre buscam por novidades e os produtos possuem curto tempo de vida no mercado, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 135
onde depreciação se configura como a perda de valor de bem tangíveis ao longo 
do tempo, deve considerar, além do tempo de uso, propriamente dito, a situação do 
bem, seu desgaste, obsolescência, função, entre outros, e inicia a partir da operação 
do bem e se encerra com sua baixa ou transferência. A amortização se refere a bens 
intangíveis.
A rentabilidade da indústria não é uma questão de aparência ou estilo de produto e 
sim da própria estrutura industrial existente no mercado, pois a cadeia de suprimentos 
deve atender de maneira eficaz a todo o ciclo, desde a extração da matéria- prima, 
transformação primária, industrialização, comercialização e atendimento pós- venda. 
Dessa forma, as cinco forças competitivas acabam impactando diretamente na 
empresa, com influência nos preços, nos custos e no montante dos investimentos. 
Com isso, os gestores devem sempre acompanhar as tendências do mercado e 
avaliar quais são os tipos de influência externa que os produtos da empresa podem 
sofrer, como novas tecnologias, novas tendências de moda, dentre outros, pois a DVA 
- demonstração do valor adicionado – o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua 
distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais 
como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela 
da riqueza não distribuída.
O giro do ativo é um indicador da atividade da empresa que avalia quantas vezes 
os ativos da empresa giraram em função das vendas. Para uma análise mais rápida, 
podemos calcular o giro do ativo utilizando a fórmula seguinte:
GAT = RLV
AT
GAT = Giro Ativo Total
RLV = Receita Líquida de Vendas AT = Ativo Total
Vamos apurar o resultado conforme os dados do Balanço Patrimonial. Vejamos o 
quadro a seguir, que apresenta o Balanço Patrimonial com as informações do Ativo, 
para o cálculo do giro do Ativo. No Ativo Total em X2, a empresa apresenta o valor 
de R$ 33.974.000,00.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 136
Para identificar o valor da Receita Líquida de Vendas, é necessário buscar a DRE 
– Demonstração do Resultado – em X2 no valor de R$ 19.841.000,00.
 
QUADRO 2 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO
FONTE: O autor
Para apurar o índice do Giro do Ativo da empresa, é necessário dividir o valor da 
Receita Líquida de Vendas em R$ 19.841.000,00 por R$ 33.974.000,00.
Giro Ativo = Receita Líquida de Vendas
Ativo Total
Giro Ativo = 19.841.000
33.974.000
Giro Ativo = 0,5840
De acordo com os dados apresentados, o giro do ativo da empresa está em 0,58. 
Em outras palavras, significa que os ativos foram gerados um pouco acima de 50% 
em relação às receitas líquidas de vendas.
 
1 GIRO DO ATIVO OPERACIONAL
O giro do ativo operacional é outro interessante indicador para os gestores da 
empresa avaliarem e acompanharem os resultados da empresa. É utilizado para 
avaliar quantas vezes ocorreu o giro dos ativos aplicados às atividades operacionais 
da empresa, comparado ao valor das receitas líquidas de vendas geradas, entre outras 
palavras, o imobilizado.
Zdanowicz (1998) contribui dizendo que o giro sobre o ativo operacional líquido 
(GAOL) é calculado, considerando as receitas operacionais líquidas (ROL) e todo o 
ativo operacional líquido (AOL) necessário para gerar aquela receita, deduzindo-se 
todos os elementos patrimoniais estranhos à atividade-fim da empresa (inclusive as 
depreciações).
Para o cálculo do Giro do Ativo Operacional (GAO), aplica-se seguinte fórmula:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 137
Fórmula:
GAO = RLV / AO
Onde:
GAO = Giro Ativo Operacional RLV = Receita Líquida de Vendas
AO = Ativo Operacional (Ativo Permanente ou Imobilizado)
Vamos apurar o resultado conforme os dados do Balanço Patrimonial. Vejamos o 
quadro a seguir, que apresenta o Balanço Patrimonial com as informações do Ativo 
Permanente, para o cálculo do giro do Ativo Operacional. O valor do Ativo Operacional 
(Ativo Permanente ou Imobilizado) da empresa em X2 corresponde a R$ 21.358.000,00.
 
QUADRO 3 – BALANÇO PATRIMONIAL
FONTE: O autor
Para identificar o valor da Receita Líquida de Vendas, é necessário buscar a DRE
– Demonstração do Resultado – em X2 no valor de R$ 19.841.000,00.
 
QUADRO 4 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO
FONTE: O autor
Para apurar o índice do Giro do Ativo da empresa, é necessário dividir o valor da 
Receita Líquida de Vendas de R$ 19.841.000,00 por R$ 21.358.000,00.
GAO = RLV
AO
GAO = 19.841.000
21.358.000
GAO = 0,9290
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 138
De acordo com os dados apresentados, o resultado do giro do ativo operacional está 
em 0,92 ou 92%. O ideal é que o ativo operacional (imobilizado) possa contribuir para 
gerar um volume maior que uma vez o seu valor com as receitas líquidas de vendas.
 
2 MARGEM BRUTA
De acordo com Zdanowicz (1998), a margem bruta é obtida pela apuração do 
resultado entre o lucro bruto (LB) e a receita líquida de vendas (RLV).
O lucro bruto é obtido a partir da apuração da diferença entre a receita líquida 
de vendas e o custo dos produtos vendidos (custo das vendas, custo dos serviços 
prestados pela empresa).
A receita líquida de vendas é a diferença entre a receita bruta de vendas e as deduções 
das vendas como sendo os impostos, as devoluções das vendas e os abatimentos 
das vendas.
Para identificar o valor da Receita Líquida de Vendas, é necessário buscar a DRE
–Demonstração do Resultado – em X2 no valor de R$ 19.841.000,00 e o Lucro 
Bruto no mesmo período de R$ 5.653.000,00.
 
QUADRO 5 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO
FONTE: O autor
Para apurar o índice da Margem Bruta, é necessário dividir o valor do Lucro Bruto 
de R$ 5.653.000,00 pelo valor da Receita Líquida de Vendas em R$ 19.841.000,00.
Fórmula:
MB = LB / RLV
Onde:
MB = Margem Bruta LB = Lucro Bruto
RLV = Receita Líquida de Vendas
MB = LB
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 139
 
RLV
MB = 5.653.000
19.841.000
MB = 0,2849
 
De acordo com os dados apresentados, o resultado da margem bruta está em
0,28 ou 28,49%.
3 MARGEM OPERACIONAL
Quando for apurado o lucro bruto, este deve ser o suficiente para cobrir as despesas 
operacionais (despesas administrativas, comerciais, financeiras, tributárias, dentre 
outras). Para esse indicador, é necessário apurar o lucro operacional (LO) que é calculado 
com o uso do valor do lucro operacional líquido (LOL) e a receita operacional líquida 
(ROL), conforme Zdanowicz (1998).
Para identificar o valor da Receita Líquida de Vendas, é necessário buscar a DRE 
– Demonstração do Resultado – em X2 no valor de R$ 19.841.000,00 e o Lucro 
Operacional no mesmo período em R$ 2.565.000,00.
 
QUADRO 6 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO
FONTE: O autor
Para apurar o índice da Margem Bruta, é necessário dividir o valor do Lucro Operacional 
de R$ 2.565.000,00 pelo valor da Receita Líquida de Vendas em R$ 19.841.000,00.
Fórmula:
MO = LO / RLV
Onde:
MO = Margem Operacional LO = Lucro Operacional
RLV = Receita Líquida de Vendas
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 140
MO= LO 
RLV
MO = 2.565.000
19.841.000
MO = 0,1293
 
De acordo com os dados apresentados, o resultado da margem operacional
está em 0,12 ou 12,93%.
4 MARGEM LÍQUIDA DO EXERCÍCIO
A margem líquida do exercício é um excelente indicador de análise, pois apresenta 
o retorno gerado em todas as operações realizadas pela empresa durante o período, 
comparada às vendas líquidas dela.
É um percentual que identifica se a empresa gerou o retorno sobre as vendas que 
foram estipuladas na estrutura dos custos dos produtos. É o mesmo que dizer que na 
formação do preço de vendas dos produtos existe um percentual mínimo para gerar 
o lucro do negócio, e se esse lucro apurado na DRE – Demonstração do Resultado 
– corresponde ao resultado desse indicador apurado. Com isso, é possível averiguar 
se a margem líquida do exercício corresponde à média da margem estipulada na 
precificação dos produtos da empresa.
Zdanowicz (1998) explica que a margem líquida do exercício (MLE) pode ser calculada 
após descontar a provisão para imposto de renda (PIR) do lucro antes dos impostos 
(LAI) sobre a receita líquida de vendas (RLV).
Para identificar o valor da Receita Líquida de Vendas, é necessário buscar a DRE
–Demonstração do Resultado – em X2 no valor de R$ 19.841.000,00. O valor do 
Lucro Operacional no mesmo período em R$ 2.565.000,00 e também o valor da Provisão 
do IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e CSLL – Contribuição Social sobre 
o Lucro Líquido em R$ 928.000,00.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 141
Para apurar o índice da Margem Bruta, é necessário dividir o resultado do valor do 
Lucro Operacional de R$ 2.565.000,00 subtraído do valor da Provisão IRPJ e CSLL 
em R$ 928.000,00, que perfaz o resultado de R$ 1.637.000,00 divididos pelo valor da 
Receita Líquida de Vendas em R$ 19.841.000,00.
Portanto, o valor é de R$ 1.637.000,00 divididos por R$ 19.841.000,00.
A fórmula é:
MLE = (LO – PIR) / RLV
Onde:
MLE = Margem Líquida do Exercício LO = Lucro Operacional
PIR = Provisão para o Imposto de Renda RLV = Receita Líquida de Vendas
MLE = LO (-) PIR
RLV
MLE = 1.637.000
19.841.000
MLE = 0,0825
De acordo com os dados apresentados, o resultado da margem líquida do exercício 
está em 0,0825 ou 8,25%. É um percentual interessante, visto que também deve 
corresponder à expectativa da lucratividade na formação dos preços de vendas dos 
produtos da empresa.
Significa que na prática esse resultado foi atingido, do contrário, toda estimativa da 
precificação dos produtos ao serem comparados com a margem líquida do exercício, 
precisa ser revista periodicamente.
 
5 RENTABILIDADE DO ATIVO
A rentabilidade do ativo também pode ser caracterizada como a taxa do retorno 
dos investimentos realizados pelos gestores na empresa, podendo comparar com a 
TIR que é a taxa interna de retorno.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 142
A Taxa de Retorno sobre Investimentos (TRI) é um índice que apresenta quanto a 
empresa obteve de lucro líquido em relação ao valor aplicado.
De acordo com Iudícibus et al. (2010, p. 4),
Por meio da DRE - demonstração do resultado do exercício -, é possível conceituar 
o lucro líquido do exercício, estabelecendo os critérios de classificação de certas 
despesas. O lucro líquido apurado na DRE é o que se pode chamar de lucro dos 
acionistas, porque, além dos itens normais, já se deduzem como despesas o imposto 
de renda e as participações sobre os lucros a outros que não os acionistas, de forma 
que o lucro líquido demonstrado é o valor final a ser adicionado ao patrimônio líquido 
da empresa que, em última análise, pertence aos acionistas, ou é distribuído como 
dividendo.
Pode-se dizer que é uma medida para avaliar a capacidade da empresa em
gerar o lucro líquido em função dos investimentos por ela realizados (MARION, 2019).
A fórmula aplicada é: RENTABILIDADE DO ATIVO = LLE / ATM
Onde:
LLE = Lucro Líquido do Exercício
ATM = Ativo Total Médio ((Ativo Total de X1 + Ativo Total de X2) / 2)
Vamos apurar o resultado conforme os dados do Balanço Patrimonial. Vejamos o 
quadro a seguir, que apresenta o Balanço Patrimonial com as informações do Ativo, 
para o cálculo da rentabilidade do Ativo.
O valor do Ativo Total de X1 é de R$ 26.965.000,00 que, somados ao valor do Ativo 
Total de X2 em R$ 33.974.000,00, resulta em R$ 60.939.000,00, que divididos por 2 
para apurar a média, resulta no valor de R$ 30.469.500,00.
 
O valor do LLE – Lucro Líquido do Exercício – de X2 na DRE – Demonstração do 
Resultado – é de R$ 1.425.000,00.
 
QUADRO 9 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO
FONTE: O autor
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 143
Portanto, para apurar o índice da Rentabilidade do Ativo da empresa, é necessário 
dividir o valor do LLE – Lucro Líquido do Exercício – pelo valor do Ativo Total Médio 
em R$ 30.369.500,00.
RA = LLE
Ativo Total Médio
RA = 1.425.000
30.469.500
RA = 0,0468
De acordo com os dados apresentados, o resultado da margem líquida do exercício 
está em 0,0468 ou 4,68%. Dessa forma, podemos utilizar esse percentual para identificar 
o tempo aproximado do retorno de todos os investimentos realizados na empresa, 
utilizando coeficientes em 100% e dividindo por esse percentual apurado, pois a 
Sociedades por ações são regidas por legislações específicas. No Brasil, a lei que 
rege as sociedades por ações é a n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as suas 
alterações posteriores. Nessa lei, são fixados os principais deveres da sociedade para 
com os seus acionistas visando à proteção dos direitos desses, em especial dos 
acionistas minoritários.
→ Tempo aproximado do retorno de investimento = 100 % / 4,68%.
→ Tempo aproximado do retorno de investimento = 21 anos.
ANOTE ISSO
Esse percentual a cada ano pode alterar visto que novos investimentos serão 
realizados na empresa, novas vendas serão realizadas, novos resultados serão 
apurados e dessa forma esse resultado poderá alterar constantemente.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 144
CAPÍTULO 9
DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS 
OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
INTRODUÇÃO
Olá, estudante, sabemos que o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado, 
as mais conhecidas demonstrações financeiras. No entanto, há outras demonstrações, 
e é sobre elas que vamos tratar agora. Como já conversamos, é importante uma 
análise em conjunto de todas as demonstrações elaboradas pelas empresas, pois 
cada uma esclarece pontos específicos, que ficariam pendentes se fossem por acaso 
ignorados no processo, com visão do ponto contábil, pois o adiantamento ocorreu, 
pois há pagamento de valor prévio que difere do fato gerador.
As especificidades de cada uma das demonstrações são úteis para os usuários das 
informações contábeis, pois os auxiliam em suas tomadas de decisão. Analistas que 
sabem aproveitar dados extras conseguem obviamente resultados mais satisfatórios 
dos que realizam os cálculos padrões de indicadores, que são em geral mais amplamente 
conhecidos. Preparados para iniciar mais esta etapa?
2 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO – DMPL
Como o próprio nome já deixa claro, a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido – DMPL apresenta as mutações que ocorreram em todas as contas do 
Patrimônio Líquido. Com ela, consegue-se verificar o que aconteceu com a riqueza da 
empresa, ou seja, de que forma houve alterações no seu capital próprio. “Sua estrutura 
é bastante simples: nas colunas, são indicadas as contas do PL (com uma coluna 
final para apresentar o total das contas); e nas linhas, são apresentadas as operações 
que provocaram alterações das contas do PL durante o período de apresentação” 
(SALOTTI et al., 2019, p. 112). A conta clientes pertence ao ativo circulante e por isso 
apresenta saldodos auditores independentes, que são responsáveis pela 
validação das demonstrações contábeis, nas quais os investidores, credores e outros 
interessados movimentam grandes somas, comprando, vendendo ou mantendo valores 
mobiliários.
Para conceituar valores mobiliários, podemos dizer que existe uma relação que 
se estabelece no mercado de capitais, na qual os investidores emprestam seus 
recursos diretamente às empresas e adquirem títulos, que representam as condições 
estabelecidas no negócio. A essa operação chamamos de valores mobiliários.
Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC) é o órgão 
responsável por atuar junto ao mercado financeiro, e que tem o mesmo papel que a CVM 
no Brasil. Já na Europa, com o surgimento da União Europeia, criou- se recentemente 
a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA). Assim, cada 
país que atua no mercado financeiro possui um órgão responsável pela supervisão 
dos valores mobiliários e proteção aos investidores.
E para representar as Comissões de Valores Mobiliários do mundo todo, foi criada a 
IOSCO (International Organization of Securities Commissions and Similar Organization), 
uma associação interamericana que promove fóruns internacionais nos quais reúne 
representantes de todo o mundo ligado ao mercado de capitais e trata de assuntos 
relevantes à área financeira, sempre com o objetivo de proteger o investidor. Sobre a 
IOSCO estudaremos com maior abordagem um pouco mais adiante.
É muito importante entender que a expansão dos mercados e avanços tecnológicos 
mudaram a conjuntura das organizações, que, por sua vez, têm interesse em publicar 
seus balanços em outros países e, assim, torna-se imprescindível que as práticas 
contábeis permitam uma análise e comparação de desempenho financeiro das 
organizações, contribuindo para o fortalecimento da transparência e da confiabilidade 
para seus usuários (NIYAMA, 2005 apud KAVESKI; CARPA; KLANN, 2015).
O mercado financeiro globalizado torna muito complexa a execução de relatórios 
financeiros comparáveis entre si e, principalmente, no que diz respeito à compressão 
e à transparência desses relatórios. Nesse sentido, Martins e Brasil (2008) afirmam 
que a difusão de princípios internacionais de contabilidade se deu, fundamentalmente, 
quando as multinacionais começaram a se instalar em diversos países e começaram 
a encontrar normas e princípios diferentes.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16
Um exemplo disso é quando a matriz está instalada em determinado país e a filial 
está em outro, como no caso das multinacionais. A matriz pode ter seus estoques 
mensurados pelo custo histórico, enquanto a filial poderá estar avaliando os estoques 
pelo valor de mercado.
Outro exemplo seria uma das empresas gerar resultados diferentes: a matriz poderia 
estar com resultado positivo e a subsidiária indicar prejuízos, dependendo da lei de 
onde ambas as empresas estejam instaladas. Veja que existem diferenças impactantes 
nessa avaliação.
Nesse sentido, pode haver diversas distorções na comparabilidade das demonstrações 
contábeis. Isso levou as empresas a terem que gerar dois conjuntos de demonstrativos 
financeiros, para atender a duas autoridades regulamentadoras, gerando custos e 
muito mais trabalho para as multinacionais elaborarem seus demonstrativos contábeis 
(FLOWER, 2002 apud MARTINS; BRASIL, 2008).
Os problemas citados seriam facilmente eliminados se as normas contábeis 
atendessem a um único padrão, e que fossem aceitas internacionalmente por todos 
do país. Segundo Martins e Brasil (2008), dessa forma, o que se convenciona adotar 
é um conjunto de normas padronizadas que seja flexível o suficiente e possa atingir 
as expectativas dos usuários da informação contábil em países diferentes.
No XV Congresso Mundial de Contadores (Paris, 1997), conforme afirma Franco 
(1999 apud MARTINS; BRASIL, 2008), o representante da Austrália, na ocasião, 
mencionou que pessoas bem informadas acreditavam que a globalização seria a base 
do futuro e que a ideia de economia nacional não teria mais sentido, assim como as 
ideias de empresas nacionais, capitais nacionais, produtos nacionais e tecnologias 
nacionais. Afirmou, ainda, que a globalização estava tornando irreversível o processo 
de uniformização contábil em todo o mundo. Acrescentou, também, que, de acordo 
com sua experiência, os investidores eram atraídos para mercados nos quais eles 
confiavam e sobre os quais conheciam.
Com essas considerações, podemos concluir que a adoção de um padrão contábil 
reconhecido internacionalmente passa a ser uma exigência do mercado financeiro do 
mundo todo, não sendo mais viável que as empresas tenham que fazer demonstrações 
financeiras desiguais para atender a normas diferentes. Isso, além de induzir ao erro, 
custo torna o custo bastante elevado e inviável para as companhias.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17
5.CONTABILIDADE NORTE-AMERICANA E EUROPEIA
Como vimos até aqui, desde o final dos anos 60 e início da década de 70, a 
globalização está mais presente, cresce o interesse de investidores nas companhias 
internacionais, além disso, essa forma de investimento passa a interessar não apenas 
aos grandes investidores, mas desperta o interesse daqueles que possuem pequenas 
economias para investir, esperando rendimentos melhores.
Vamos fazer aqui uma breve definição de quem são os investidores e quais suas 
reais preocupações:
Investidores são pessoas físicas ou jurídicas que possuem recursos para aplicar no 
mercado financeiro e mercado de ações, cujo objetivo final é o retorno do investimento em 
forma de lucros. Portanto, podemos dizer que a principal preocupação dos investidores 
é a veracidade das informações contábeis, que são a fonte de informações em que 
eles se apoiam para a tomada de decisão.
Nesse sentido, Martins, Martins e Martins (2007), afirmam ser vital conseguir meios 
de dar a esses investidores informações que sejam confiáveis, a fim de que o mercado 
acionário possa crescer, os acionistas possam vender suas ações quando julgarem 
necessário, e onde possam as corporações obter novos recursos mediante venda de 
novas ações.
O mercado internacional, nesse contexto, encontra barreiras significativas, pois 
a contabilidade não possui uma linguagem universal. Cada país cria seus próprios 
princípios e normas de acordo com sua realidade econômica, cultural e jurídica.
Martins e Brasil (2008) parafraseiam o filósofo Pascal afirmando que “o que é verdade 
neste lado do Atlântico é um erro do outro lado”. Asseguram, ainda, que quando uma 
companhia cruza o atlântico contábil, seus resultados podem se transformar de lucro 
em prejuízo, o que é um tanto embaraçoso para o investidor.
Caro (a) acadêmico (a), a contabilidade, apesar de sua autonomia como ciência, 
sofre grandes impactos da filosofia do direito principalmente nos aspectos econômicos, 
jurídicos e culturais. Portanto, estudaremos, a seguir, duas grandes filosofias do Direito, 
a Common Law e Code Law, bem como veremos quais as consequências e influências 
que elas exercem sobre as práticas contábeis no mundo todo.
Portanto, como bem definem Martins, Martins e Martins (2007), os países anglo-
saxônicos adotam a filosofia Common Law, que segue os costumes, na qual se escreve 
o mínimo possível na lei e deixa-se aos julgadores a aplicação dessa lei, baseando-se 
nas tradições e na jurisprudência. Não há preocupação em seguir os pormenores da 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18
lei, os julgadores é que devem estar preparados para definir o que é justo perante a 
sociedade.
Não só nos parâmetros do Common Law, mas ainda nos sistemas jurídicos de 
Direito codificado, o ponto central de gravitação de toda criação judicial incide na 
decisão de casos particulares,devedor, além disso é um direito que a empresa tem. A conta de 
Adiantamento de Clientes, surge da necessidade de a empresa adiantar recursos, por 
isso, ela é considerada de natureza credora pois pertence ao passivo e representa 
uma obrigação da empresa para com o cliente.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 145
Um detalhe importante a relembrar é que só a conta de Prejuízos Acumulados 
pode constar no Patrimônio Líquido. Quando uma empresa apresenta Lucro Líquido, 
ela deve destinar esse valor, não pode deixar uma conta de Lucros Acumulados no 
PL. Como podemos ver no exemplo do Bradesco, houve destinação dos lucros para: 
aumento de Reserva Legal e Estatutária, pagamento de Juros sobre Capital Próprio 
ou distribuição de Dividendos.
A interpretação é simples: quando aparece um número entre parênteses em uma 
coluna, é porque esse valor saiu daquela conta específica; e quando aparece um número 
sem parênteses, é porque aquela conta foi aumentada com aquele valor. Por exemplo, 
na primeira linha do período de 2019, a primeira coluna explica qual foi a mutação 
ocorrida, no caso, Aumento de Capital Social com Reservas. A linha apresenta um valor 
de (8.000.000) na coluna Reserva de Lucros Estatutária, e um valor de 8.000.000 na 
coluna de Capital Social. Então, podemos concluir que o aumento do Capital Social 
ocorreu totalmente com valores que já estavam registrados como Reserva de Lucros 
Estatutária. Simples de compreender!
TABELA 1 – DMPL 2020, DO BRADESCO S.A.
FONTE: Bradesco (2022, s.p.).
Com isso, analisar a DMPL auxilia o analista das demonstrações, e “sua importância 
se torna acentuada em face dos novos critérios da lei, pois a demonstração indicará 
claramente a formação e a utilização de todas as reservas” (PEREZ JUNIOR; BEGALLI, 
2015, p. 224). O autor também aponta que, além disso, auxilia na verificação do cálculo 
realizado para definir os dividendos obrigatórios, informação relevante para quem 
investe em uma determinada empresa, pelas despesas pagas antecipadamente:
• Comissões comerciais são relativas aos benefícios ainda não usufruídos.
• IPVA reflete na legalização do veículo para o próximo ano.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 146
As Demonstrações de Lucros e Prejuízos são instituídas por Lei para acompanhar 
as destinações do lucro e suas compensações com prejuízos acumulados. Em geral 
ele é utilizado em paralelo com o Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido. 
Ambos fornecem as informações necessárias para entender as mudanças ocorridas 
no Patrimônio Líquido da empresa, pois, a conta retificadora do ativo serve para ajustar 
o saldo de uma conta principal.
• Entender os conceitos e legislações sobre as Demonstrações de Lucro ou Prejuízo 
- DLPA e Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL;
• Compreender a utilidade das Demonstrações de Lucro ou Prejuízo - DLPA e 
Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL;
• Elaborar a Demonstração de Lucro ou Prejuízo - DLPA e Demonstração de Mutações 
do Patrimônio Líquido - DMPL.
CONCEITOS SOBRE O DEMONSTRATIVO DOS LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS 
- DLPA
O Demonstrativo de Lucros e Prejuízos Acumulados é essencialmente contábil, e tem 
finalidade de mostrar a quem foi destinado o lucro líquido apurado no ano calendário 
ou exercício social, geralmente apurados em 31 de dezembro.
Após a promulgação da lei nº 11.638/2007, que alterou somente a alínea “d” do 
parágrafo 2º da lei nº 6.404/1976, extinguindo a conta de lucros e Prejuízos acumulados 
do Patrimônio Líquido, ao qual o DLPA evidencia.
“Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do 
patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise 
da situação financeira da companhia.
(...)
 
§ 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos: (...)
d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de 
avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados”.
Portanto a lei nº 11.638/2007 ainda manteve sua obrigatoriedade de apresentação 
do demonstrativo para que se possa evidenciar o saldo inicial dos prejuízos acumulados 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 147
(caso tenha), ajustes de períodos anteriores, reversões de reservas e a apuração do 
lucro líquido e sua destinação.
ESTRUTURA DO DLPA
Sua estrutura está contida no artigo 186 da lei nº 6.404/1976, que diz:
“Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará:
I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção 
monetária do saldo inicial;
II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada 
ao capital e o saldo ao fim do período.
§ 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes 
de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a 
determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes.
§ 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante 
do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das 
mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia”.
MODELO DO DEMONSTRATIVO DE LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS - DLPA
Vemos neste exemplo a destinação integral do lucro do exercício.
 
EMPRESA XYZ
1. Saldo no início do período
2. Ajustes de exercícios anteriores
3. Saldo ajustado
4. Lucrou ou prejuízo do exercício
5. Reversões de reservas
50.000,00
6. Saldo a disposição 50.000,00
7. Destinação do exercício Reserva legal
Reservas estatutárias
Reservas para contingencias
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 148
2.500,00
27.500,00
Outras reservas Dividendos p/ ação Juros s/ Capital Próprio Saldo final do exercício 
20.000,00 
CONCEITOS SOBRE O DEMONSTRATIVO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
– DMPL
O Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido, apresenta todas as ocorrências 
nas contas do patrimônio líquido de um determinado período.
Não há um modelo nem padrão que a lei nº 6.404/1976 estipula para as empresas 
elaborarem, porém todas as informações contidas no DLPA devem constar neste 
relatório, além é claro de todas as movimentações das contas do patrimônio líquido. 
Quando há fluxos de informações de uma conta de patrimônio para outra, devem 
ser evidenciadas através de notas explicativas, onde a conta capital a integralizar do 
patrimônio líquido serve para ajustar a integralização de patrimônio quando feita em 
parcelas, pois a natureza devedora da conta capital a integralizar permite ajustes entre 
o capital subscrito e o realizado.
Não há embasamento legal para a estruturação e elaboração da DMPL, ficando a 
cargo da empresa determinar os recursos a serem utilizados. No entanto os dados 
que a empresa terá de extrair estão contidos no livro razão.
 
MODELO DE ELABORAÇÃO DO DEMONSTRATIVO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO - DMPL
Descrição 
Capital social Reserva de capital Reserva de lucros Ajust. Avaliação patrimonial 
Ações em tesouraria Prejuizo acumulado Lucros a destinar TOTAIS
Saldo em 31 / 12 / XXXX 
Aumento de capital 
*Reservas de lucro 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 149
Lucro ou prejuizo do exercício 
Reversão de reserva 
Destinação do exercício 
*Reserva legal 
*Dividendos 
*Juros sobre o capital próprio 
Saldo em 31 / 12 / XXX1 
Aumento de capital 
*Reservas de capital 
Lucro ou prejuizo do exercício 
Reversão de reservaDestinação do exercício 
*Reserva legal 
*Dividendos 
*Juros sobre o capital próprio 
Saldo em 31 / 12 / XXX2 
Fonte: RIBEIRO, Osni Moura – Contabilidade Intermediaria. – 2. Ed. – São Paulo: 
Saraiva, 2009.
Para um acionista que deseja conhecer a situação da empresa em que está 
investindo, quanto maior o número de informações, melhores e mais exatas serão as 
suas interpretações, conclusões e, consequentemente, as suas tomadas de decisões. 
Para isso, além do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, 
a empresa conta também com a DLPA, que contribui para a compreensão da situação 
econômica e financeira da empresa, além de explicitar a destinação dos lucros da 
companhia.
A DLPA tem por finalidade apresentar as movimentações ocorridas na conta de lucros 
ou prejuízos acumulados, evidenciando as alterações ocorridas no saldo desta conta. 
Uma vez que inúmeras operações que se processam nesta conta fazem com que o 
lucro líquido do exercício, constante da demonstração do resultado do exercício, seja 
diferente do saldo final da conta de lucros ou prejuízos acumulados, a DLPA constitui-
se, então, imperativa na apresentação de tais modificações (GELBCKE et al., 2018).
A conta de lucros ou prejuízos acumulados, apresentada pela DLPA, pode ser obtida 
também pela demonstração das mutações do patrimônio líquido, a qual inclui uma 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 150
coluna específica para evidenciar as movimentações que transitaram pela conta de 
lucros ou prejuízos acumulados. Segundo Padoveze (2017), a DLPA tem por objetivo 
apresentar as seguintes informações:
n os lucros ainda não distribuídos ou transferidos;
n os lucros ou prejuízos ocorridos no exercício;
n as transferências para reservas e lucros distribuídos;
n a absorção dos prejuízos de exercícios anteriores por novos lucros;
n os prejuízos acumulados de exercícios anteriores não absorvidos por lucros.
O art. 286 do Decreto nº. 9.580, de 22 de novembro de 2018, determina a 
obrigatoriedade da apuração da DLPA:
Ao fim de cada período de apuração, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido 
por meio da elaboração, em observância às disposições da lei comer- cial, do balanço 
patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração 
de lucros ou prejuízos acumulados (BRASIL, 2018, documento on-line).
Em seu item 6.5, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) PME define que 
a DLPA deve conter:
(a) lucros ou prejuízos acumulados no início do período contábil.
(b) dividendos ou outras formas de lucro declarados e pagos ou a pagar du- rante 
o período.
(c) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de correção de erros de 
períodos anteriores.
(d) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de mudanças de práticas 
contábeis.
(e) lucros ou prejuízos acumulados no fim do período contábil (CPC, 2009, p. 35).
O CPC-PME (R1) complementa, em seu item 3.18, que se as únicas alterações no 
patrimônio líquido durante os períodos para os quais as demonstrações contábeis 
são apresentadas derivarem do resultado, de distribuição de lucro, de correção de 
erros de períodos anteriores e de mudanças de políticas contábeis, a entidade pode 
apresentar a DLPA no lugar da demonstração do resultado abrangente (DRA) e da 
demonstração das mutações do patrimônio líquido (MONTOTO, 2018).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 151
O § 2º do art. 186 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (BRASIL, 1976), 
também reforça que a DLPA pode ser substituída pela demonstração das mutações 
do patrimônio líquido. A DLPA poderá ser incluída na demonstração das mutações do 
patrimônio líquido, se elaborada e divulgada pela companhia, visto que esta não inclui 
somente o movimento da conta de lucros ou prejuízos acumulados, mas também o 
de todas as demais contas do patrimônio líquido (MONTOTO, 2018).
O art. 286 do Decreto nº. 9.580/2018 (BRASIL, 2018) determina a obriga- toriedade 
da DLPA para as sociedades limitadas. Montoto (2018) ressalta que a DLPA não faz 
parte do conjunto de demonstrações exigido pelo Conselho Federal de Contabilidade 
(CFC) no CPC 26 (R1), itens 10 e 11 (CPC, 2011), para as empresas de grande porte, 
mas a Lei nº. 6.404/1976 e o CPC-PME sim. De acordo com o art. 186, § 2º da Lei 
nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), a DLPA deverá apresentar as seguintes informações:
n o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores;
n as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
n as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada 
ao capital e o saldo ao fim do período.
O plano de contas pode apresentar as duas contas: “lucros acumulados” (credora) 
e “prejuízos acumulados” (devedora). O saldo credor representa a parcela do resultado 
da empresa não destinada especificamente. O saldo devedor representa o saldo dos 
resultados negativos da empresa, e deverá ser compensado com lucros futuros 
(MONTOTO, 2018).
A DLPA é constituída de forma ordenada e racional, explicitando todas as 
movimentações ocorridas com a conta lucros ou prejuízos acumulados — e esta, por 
sua vez, no balanço patrimonial, é apresentada no patrimônio líquido da empresa. O 
ponto de partida da DLPA é o saldo inicial — isto é, o valor constante na conta lucros 
ou prejuízos acumulados no início do exercício da empresa — até o saldo final — o valor 
que encerra o exercício —, elencando de maneira clara e sucinta todas as operações 
que tenham refletido na conta de lucros ou prejuízos acumulados, pelos fluxos de caixa:
• Quando o funcionário vai realizar atividades externas em longas distâncias que 
são custeadas pela empresa a empresa faz o adiantamento.
• Quando a empresa faz o pagamento do salário mensal em duas parcelas.
A DLPA apresenta as retenções de lucros, as distribuições de lucros aos sócios, os 
ajustes de exercícios anteriores, os saldos ainda não destinados, entre outros itens cujas 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 152
causas e efeitos dos registros e do saldo são de grande importância para o público 
interessado na empresa. Para efeito de publicação, deve-se incluir nessa demonstração 
as operações ocorridas no exercício anterior para fins de comparação. Ela é elaborada 
após terem sido realizados todos os ajustes e procedimentos de encerramento contábil, 
ou seja, após a finalização do balanço patrimonial e da demonstração do resultado 
do exercício, pelo CPC 09, para os investidores e outros usuários, essa demonstração 
proporciona o conhecimento de informações de natureza econômica e social e oferece 
a possibilidade de melhor avaliação das atividades da entidade dentro da sociedade 
na qual está inserida.
É importante ressaltar que a Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007 (BRASIL, 
2007), não permite a manutenção do saldo na conta de lucros ou prejuízos acumulados 
para as companhias abertas e de grande porte, pois todos os lucros existentes devem ter 
uma destinação ao final do exercício, podendo ser distribuídos na forma de dividendos 
ou juros sobre capital próprio para os sócios ou acionistas, ou, também, ser transferidos 
para o capital social ou reservas de lucros. Cabe destacar que o CPC PME (para 
pequenas e médias empresas) conserva a manutenção do saldo da conta de lucros 
acumulados, por se tratar de empresas de pequeno e médio porte (PADOVEZE, 2017).
A supressão do termo “lucros acumulados”, ao lado de “prejuízos acumula- dos”, 
evidencia que os lucros acumulados até 2007 tiveram que ser destinados nas 
demonstrações de 2008 e que não é mais possível deixar de destinar todo o lucro de um 
exercício. Se ocorrer de o resultado do exercício ser negativo, este será obrigatoriamente 
absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pelareserva legal, 
nesta ordem. A partir da publicação da Lei nº. 11.638/2007, não poderá haver saldo de 
“lucros acumulados” no patrimônio líquido, pelo método indireto é diferente do método 
direto porque sua elaboração começa a partir do resultado final da DRE, ou seja, com 
o resultado que deverá ser ajustado com itens como a depreciação ou a amortização.
Isso não significa que durante um exercício os balanços patrimoniais intermediários 
não possam ter saldos na conta de lucros ou prejuízos acumulados. Essa conta não 
desapareceu da contabilidade. Contudo, seu saldo terá que ser completamente utilizado 
(destinado) ao final de cada exercício. Ou seja, o saldo final da DLPA não deve ser 
positivo, porque entende-se que todo lucro que a empresa auferir deverá ser destinado, 
seja pela distribuição de lucros ou pela destinação para reservas (MONTOTO, 2018).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 153
ANOTE ISSO
Analisando as informações geradas pela DLPA, é possível observar em quais 
períodos a empresa obteve maior lucro e maior prejuízo, e a extensão de 
crescimento possível da empresa. Conhecer com detalhes suas reservas de lucros 
significa conhecer as perspectivas da empresa para o futuro e ter uma análise 
detalhada de suas possibilidades de expansão — se há como investir em novos 
produtos, instalações ou até mesmo outras filiais com os resultados obtidos. Além 
do mencionado, é possível efetuar uma análise global do resultado, isto é, verificar 
o desempenho das estratégias aplicadas na empresa com o objetivo de obtenção 
de lucro, analisando se existe um alinhamento entre as equipes da empresa, e, 
de posse da DLPA, verificar se existem pontos que devam ser alterados para 
estimular o crescimento da empresa e o aumento do lucro (INSTITUTO COACHING 
FINANCEIRO, c2016).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 154
CAPÍTULO 10
DEMONSTRAÇÃO 
DO FLUXO DE CAIXA
Olá, estudante a Demonstração dos Fluxos de Caixa busca apresentar o efeito das 
operações ocorridas no caixa da empresa. Isso porque a Contabilidade mantém o 
registro dos eventos pelo regime de competência, ou seja, não necessariamente há 
alteração no caixa; por exemplo, no caso de uma venda à prazo, a contabilização não 
envolve movimentação de recebimento em dinheiro, e sim de um direito a receber 
posteriormente.
Com isso, “os usuários das demonstrações contábeis podem avaliar a capacidade de 
gerar fluxos futuros de caixa da entidade, a capacidade de saldar obrigações e pagar 
dividendos, a flexibilidade financeira da empresa e a taxa de conversão do lucro em 
caixa entre outros aspectos” (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2020, p. 47). A Demonstração 
dos Fluxos de Caixa vai conseguir demonstrar a movimentação ocorrida entre os 
saldos inicial e final do grupo Disponibilidades (caixa e equivalentes de caixa), onde 
os valores relativos ao caixa, ao banco, aos clientes e aos fornecedores constituem 
as Contas Patrimoniais e, previstas no Balanço Patrimonial, representam a situação 
do patrimônio da empresa.
Sobre as contas de resultado:
• Receita de vendas e pagamento de salários são exemplos de Contas de Resultado.
• Todos os valores dispendidos para o desenvolvimento da atividade empresarial 
são alocados nas Contas de Resultado.
Na construção da Demonstração dos Fluxos de Caixa, são três os grupos nos quais 
são distribuídos os eventos que afetam o caixa:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 155
Atividades 
Operacionais
São as principais atividades geradoras de receita da entidade e outras atividades 
que não são de investimento e tampouco de financiamento.
Exemplos:
Recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços. 
Pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços.
Atividades de
Investimento
São as referentes à aquisição e à venda de ativos de longo prazo
e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa.
Exemplos:
Pagamentos em caixa para aquisição de ativo imobilizado.
Recebimentos de caixa pela liquidação de adiantamentos ou 
amortização de empréstimos concedidos a terceiros.
Atividades de 
Financimento
São aquelas que resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital 
próprio e no capital de terceiros da entidade. Exemplos:
Caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais. 
Pagamentos em caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade.
QUADRO 1 – GRUPOS DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
FONTE: Adaptado de CPC 03 (R2) (2010)
4.1 MÉTODO DIRETO E MÉTODO INDIRETO
A Demonstração dos Fluxos de Caixa pode ser estruturada de duas formas diferentes: 
pelo Método Direto ou pelo Método Indireto. No Método Direto, apresentam- se as 
principais classes de pagamentos e recebimentos divididos entre os três grupos de 
atividades (operacionais, de investimento e de financiamento). Já no Método Indireto, 
inicia-se pelo Lucro Líquido do Exercício, conciliando-o com as transações que não 
afetaram diretamente o caixa e equivalentes de caixa. Apesar de o Método Direto ser o 
mais fácil de compreender pelos usuários, em geral as empresas costumam publicar 
pelo Método Indireto. “Em outros países que já adotaram a exigência legal do DFC, o 
método mais utilizado tem sido o indireto, pois possibilita a conferência dos valores 
por meio das demonstrações contábeis publicadas” (PEREZ JUNIOR; BEGALLI, 2015, 
p. 243).
O próprio CPC 03 (R2), que trata da DFC, trouxe um exemplo de cada um dos 
Métodos. O primeiro é o Método Direto:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 156
FONTE: CPC 03 (R2) (2010, s. p.)
Dá para notar de forma clara as classes de pagamentos e recebimentos, por exemplo, 
Recebimento de clientes no valor de R$30.150. No entanto, muitas informações 
precisam ser retiradas dos registros contábeis da empresa ou de demais informações 
gerenciais, o que não há como ser conferido em outras demonstrações pelos analistas. 
Já o Método Indireto, apesar de ser um pouco mais complexo para compreensão de 
analistas não tão familiriazados com aspectos contábeis, pode ser confrontado com 
as informações das outras Demonstrações publicadas:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 157
TABELA 2 – EXEMPLO DE DFC PELO MÉTODO INDIRETO
FONTE: CPC 03 (R2) (2010).
Por exemplo, o Método Indireto exibido traz a informação Aumento nas contas a 
receber de clientes e outros, o que pode ser conferido no Balanço Patrimonial. Por 
isso, acaba sendo o mais utilizado nas publicações de Demonstrações Financeiras. 
Agora, vamos conferir uma Demonstração dos Fluxos de Caixa real, publicada pela 
empresa Marcopolo S.A.:
Conforme DFC da Marcopolo, verificamos que utilizaram o Método Indireto, 
iniciando pelo Lucro Líquido do Exercício, seguido das transações relacionadas às 
atividades operacionais, de investimentos e de financiamentos. Se olhares na linha 
Redução Líquida de Caixa e Equivalentes de Caixa, verás que o valor é de (17.811), 
que fecha com a diferença entre o Caixa e equivalentes de caixa no início e no fim 
do exercício, apresentado logo abaixo da Redução Líquida. A seguir, confira a conta 
Caixa e equivalentes de caixa no Balanço Patrimonial:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 158
 
BALANÇO PATRIMONIAL 2020, DA MARCOPOLO S.A.
FONTE: Marcopolo (2020, s.p.)
Ou seja, realmente a Redução Líquida apresentada na DFC fecha com a variação 
ocorrida no caixa e equivalentes de caixa no período analisado. Não é escopo deste 
livro didático detalhar aspectos contábeis avançados, mas em caso de dúvidas sobre 
os itens inclusos na DFC, é interessante reler os assuntos contábeis tratados emdisciplinas anteriores, ou até mesmo entrar no site RI das empresas para ler todas 
as demonstrações, relatórios da administração e da auditoria, assim como as Notas 
explicativas, sobre a escrituração contábil na rotina de um contador pois:
• Trata-se do processo por meio do qual se registram todos os fatos ocorridos 
em uma organização.
• O reconhecimento dos lançamentos contábeis está ligado ao processo de 
escrituração.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 159
A DFC mostra as entradas (recebimentos) e as saídas (pagamentos) ocorridas
no caixa e equivalentes de caixa da entidade em determinado período. O caixa
compreende o numerário em espécie e os depósitos bancários de livre movimentação 
interna do documento (Banco Conta Movimento). Já os equivalentes de caixa consistem 
em aplicações financeiras de curto prazo (no máximo, três meses de resgate) e alta 
liquidez, prontamente conversíveis em caixa, sujeitas a um insignificante risco de 
mudança e valor.
A DFC permite que os usuários das demonstrações contábeis avaliem a capacidade 
de geração de caixa e equivalente de caixa, o tempo e o grau de segurança de geração 
dos recursos financeiros e a necessidade de liquidez da companhia.
O art. 176 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tornava voluntária a 
elaboração e a publicação da DFC para as sociedades anônimas de capital fechado 
com patrimônio líquido inferior a R$ 2 milhões (BRASIL, 1976).
Porém, por meio da Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007, a DFC foi regulamentada 
para as companhias brasileiras, determinando-se a obrigatoriedade de elaboração e 
publicação dessa demonstração às sociedades por ações, sejam elas abertas ou 
fechadas (BRASIL, 2007). No Brasil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, por 
meio do pronunciamento CPC 03 (R2) — Demonstração dos fluxos de caixa, estipula 
e trata das diretrizes sobre a elaboração e a divulgação da DFC.
A DFC considera o regime de caixa, ou seja, apropria as receitas e despesas no 
momento do recebimento e do pagamento, respectivamente. Com isso, a contabilidade 
apura o lucro ou prejuízo financeiro da companhia. Por sua vez, a demonstração do 
resultado do exercício (DRE) utiliza o regime de competência, ou seja, apropria as 
receitas e despesas independentemente do recebimento ou pagamento em dinheiro, 
apurando lucro ou prejuízo contábil, e assim o plano de conta focaliza seu uso durante 
as atividades da empresa, contas podem ser excluídas ou adicionadas ao plano.
Para demonstrar as movimentações ocorridas no caixa e equivalente de caixa, a 
contabilidade segrega essas movimentações em grupos de atividade, em função da 
natureza da transação que as originou. Dessa forma, tem-se:
• fluxo de caixa das atividades operacionais;
• fluxo de caixa das atividades de investimento;
• fluxo de caixa das atividades de financiamento.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 160
A evidenciação das movimentações segregadas nesses três tipos de atividades 
proporciona aos usuários avaliar o impacto das atividades sob o ponto de vista 
financeiro e patrimonial da organização, conforme apontam Borinelli e Pimentel (2017). 
Por esse motivo, é essencial a adequada classificação das transações ocorridas no 
caixa e equivalente de caixa, para dar clareza e transparência à DFC, pelas perdas 
estimadas em crédito:
• O valor estimado de perdas em contas a receber indica a incerteza dessas 
operações se concretizarem.
• Por conta da adequação a normas internacionais, passou-se a utilizar uma conta 
redutora com base na expectativa de perda.
A soma do caixa gerado ou consumido em cada uma das atividades resulta na 
variação total de caixa e equivalente de caixa do período, que deve refletir o balanço 
patrimonial, isto é, a comparação entre o saldo inicial e final dos valores de caixa e 
equivalente de caixa.
Representa pagamentos e recebimentos derivados da geração de lucro das 
operações da entidade. Em virtude disso, o fluxo de caixa das atividades operacionais 
está relacionado diretamente às transações que ocorreram na DRE
e no balanço patrimonial (ativo circulante e passivo circulante). Os aumentos 
do fluxo de caixa das atividades operacionais são provenientes das receitas e das 
movimentações ocorridas no ativo circulante. As diminuições de caixa estão associadas 
às despesas e às movimentações no passivo circulante.
De acordo com o CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010), o 
valor referente ao fluxo de caixa de atividades operacionais é um indicador importante 
para as companhias identificarem se possuem fluxo de caixa suficiente para amortizar 
empréstimos, manter sua capacidade operacional, pagar dividendos e juros sobre 
capital próprio e realizar novos investimentos sem a necessidade de obter financiamento 
com fontes externas.
O Relatório da Administração apresenta uma visão única da entidade e suas operações, 
pois é nele que os administradores conversam com os usuários das informações 
contábeis, tentando repassar de forma clara e objetiva informações e conhecimentos 
que só eles possuem, por gerirem a empresa e conhecerem profundamente suas 
especificidades, operações e processos, como no caso da depreciação:
• A conta depreciação se justifica pela necessidade de se constituir um fundo para 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 161
• A depreciação é o valor monetário do desgaste, ainda que a máquina seja capaz 
de produzir em quantidades constantes.
Por exemplo, é no Relatório da Administração que os gestores descrevem como 
aspectos da conjuntura econômica influenciaram a entidade no período; como a gestão 
lidou com sua atividade operacional (por exemplo, decisões de produção e logística); 
detalham informações sobre a companhia, seus valores e políticas internas; apresentam 
questões sociais e ambientais, e como lidam com sua força de trabalho interna; 
especificam de que forma é estruturada a Governança Corporativa; apontam questões 
que consideram importantes sobre o desempenho econômico-financeiro; dentre outros 
inúmeros temas que consideram fundamentais para o analista das Demonstrações 
Financeiras. Já na administração pública, a contabilidade e a administração pública 
estão intimamente ligadas, pois os contadores podem oferecer aos gestores públicos 
as informações fundamentais ao desenvolvimento do planejamento e execução 
orçamentária, que tem como base os Planos Plurianuais (PPA), a Lei de Diretrizes 
Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), nas quais o contador tem 
participação direta na produção de informações.
Muitas vezes é essa visão interna e detalhada que fornece informações que suportam 
o entendimento das Demonstrações e Notas Explicativas em si. Entender por que os 
gestores optaram por certas decisões, ou definiram certas práticas em detrimentos de 
outras (visto que há várias práticas legais que podem ser optativas aos tomadores de 
decisão), é fundamental para criar uma base de critérios de análise para os usuários da 
contabilidade, e BRGAAP e os princípios contábeis, os eventos como a instituição do 
BRGAAP (Princípios contábeis geralmente aceitos no Brasil) em 2010, o nascimento do 
CPC em 2005, a promulgação da Lei n° 11.638/2007 e a institucionalização do exame 
de suficiência causaram grandes avanços, que sujeitam a contabilidade brasileira a 
perseguir a qualidade das práticas e técnicas utilizadas nos países e mercados mais 
desenvolvidos.
Vamos ver dois extratos pequenos do Relatório da Administração da Renner S.A.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 162
RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO 2020 – OPERAÇÃO NO EXTERIOR, DA RENNER S.A.
FONTE: Renner (2020, s. p.).
É uma experiência ótima ler um pouco sobre como pensam os administradores e 
gestores de grandesempresas, sua interpretação dos resultados alcançados, quais 
seus objetivos e como pretendem alcançá-los. Assim como sua visão dos fatos 
econômicos nacionais e internacionais, como afetam a empresa e as perspectivas 
dos administradores quanto ao futuro. Muitas vezes, nos focamos somente na teoria e 
prática específica de nossos cursos, esquecendo de olhar para o mundo ao nosso redor, 
que impacta diretamente nas nossas empresas. Essa visão geral é o faz a diferença 
no sucesso de um empreendimento e, porque não dizer, no sucesso profissional de 
cada um de nós.
Um dos principais procedimentos que o analista das informações contábeis deve 
providenciar é o de executar uma nova classificação das contas contábeis no balanço 
patrimonial. São realizados alguns ajustes (readequações) os quais não comprometem 
a veracidade na legalidade das demonstrações contábeis, para facilitar a interpretação 
da análise dessas informações.
Com o agrupamento das contas contábeis nos demonstrativos, é possível identificar 
melhorias na análise dos índices conforme a condição econômico-financeira da empresa 
avaliada. Um exemplo típico é se os gestores decidirem em determinado período do 
exercício social vender algum imóvel. O imóvel está classificado no grupo do Ativo 
Não Circulante, porém, ao classificar esse valor do imóvel para o Ativo Circulante, o 
analista terá melhores evidências para projetar a geração do caixa da empresa no 
exercício social corrente.
O contador deve ser imparcial para realizar os ajustes necessários. Por exemplo, 
ao agrupar as contas das receitas e despesas financeiras nas contas do resultado 
operacional, o contador deve elaborar outro demonstrativo contábil para o analista, isso 
porque estas contas são legalmente consideradas com valores a serem registrados 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 163
nas respectivas contas contábeis das atividades operacionais da empresa. Esses 
valores constantes das receitas e despesas financeiras devem ser classificados como 
resultado não operacional.
Por quê? Porque as empresas devem gerar resultados a partir das suas atividades 
operacionais e não pela captação de recursos financeiros de terceiros. A reclassificação 
das contas contábeis (receitas e despesas financeiras) para o resultado não operacional 
permite ao gestor apurar a verdadeira taxa de rentabilidade da empresa.
Vamos para o exemplo de uma empresa cujas atividades em decorrência do seu 
Contrato Social ou Estatuto Social não se encontram envolvidas com atividades 
financeiras, como é o caso de empresas do ramo comercial. As atividades operacionais 
de uma empresa do ramo comercial são comprar e vender mercadorias e não exercer 
atividades de intermediação financeira, nesse caso as receitas e despesas financeiras 
deverão ser registradas como resultado não operacional.
Com relação à finalidade da análise das demonstrações contábeis para a empresa, 
Padoveze (2010, p. 198) afirma que “a avaliação sobre a empresa tem por finalidade 
detectar os pontos fortes e os pontos fracos do processo operacional e financeiro da 
companhia, objetivando propor alternativas de curso futuro a serem tomadas e seguidas 
pelos gestores da empresa”. A atividade da reclassificação das contas para análise 
é de extrema importância para identificar os pontos fortes e fracos na interpretação 
das informações contábeis. Vejamos um outro exemplo de reclassificação das contas 
contábeis:
A conta de Duplicatas Descontadas, que está classificada subtraindo o grupo das 
contas de Duplicatas a Receber no Ativo Circulante, deverá ser reclassificada no Passivo 
Circulante, pois, pelas características e peculiaridades da operação pode existir o 
risco de a empresa desembolsar o dinheiro obtido junto com a instituição financeira, 
caso o seu cliente não liquidar a dívida (quitar a duplicata que foi descontada). Com 
essa reclassificação, fica evidente que existirá o compromisso da empresa junto ao 
banco que efetuou a operação de desconto e não o cliente da empresa que irá quitar 
o título. Isso demonstra a característica dessa operação onde a empresa passa a ser 
fiadora do cliente.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 164
ANOTE ISSO
Outro bom motivo para realizar as reclassificações das contas contábeis está em 
padronizar os critérios no tratamento das informações para todas as empresas, 
facilitando assim o trabalho do analista. Isso quer dizer que, se uma empresa 
A opera com Duplicatas Descontadas e a empresa B opera com regime de 
Empréstimos Bancários, ambas terão classificadas no grupo do Passivo Circulante 
um compromisso financeiro com terceiros, pois as duplicatas descontadas 
representam uma coobrigação dessa dívida junto com a instituição financeira.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 165
CAPÍTULO 11
DEMONSTRAÇÃO DO 
RESULTADO ABRANGENTE
Olá, estudante, já aprendemos que a Demonstração do Resultado demonstra o 
confronto entre as receitas realizadas e as despesas incorridas no período. Então, o 
que é abrangido na Demonstração dos Resultados Abrangentes – DRA? As mutações 
que ocorreram no Patrimônio Líquido e que não passaram pelo Resultado, desde que 
não decorram de transações com os proprietários. Para Martins, Miranda e Diniz 
(2020, p. 39):
A adoção dos padrões internacionais de contabilidade no Brasil trouxe a 
obrigatoriedade da divulgação da Demonstração do Resultado Abrangente. Sem dúvida 
nenhuma, foi um avanço o reconhecimento de variações patrimoniais que ainda não 
transitaram pelo resultado. No entanto, do ponto de vista da tomada de decisões, 
ainda é preciso amadurecer o uso da referida demonstração. Não está consolidado na 
literatura, por exemplo, o efeito dos resultados abrangentes nos índices de rentabilidade, 
embora esteja claro que os valores nela reconhecidos são uma prévia de resultados 
futuros, onde é importante destacar que existe diferença entre os patrimônios de 
pessoas físicas e jurídicas, pois:
• Por Pessoa Física entende-se qualquer cidadão em pleno exercício de sua 
cidadania, integrado a determinada sociedade.
• No caso da Pessoa Física, a certidão de nascimento marca o início da vida 
legal dela.
• Pessoas Jurídicas podem ser classificadas em: de direito público e de direito 
privado
A DRA inicia pelo Resultado Líquido do Exercício, retirado do final da DRE, podendo ser 
lucro ou prejuízo. O CPC 26 (R1) (2011) estipula que os resultados abrangentes incluem, 
entre outros, variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente, ganhos 
e perdas atuariais em planos de pensão e ganhos e perdas derivados de conversão 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 166
de demonstrações contábeis de operações no exterior. Vamos ver o exemplo de DRA 
da empresa Gerdau S.A., listada na bolsa:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE 2020, DA GERDAU S.A.
FONTE: Gerdau S.A. (2022, s.p.).
Apesar de, neste livro, não nos aprofundarmos nos temas contábeis avançados 
como os descritos na DRA, é importante verificar como a demonstração pode ser 
utilizada para conhecer as especificidades da empresa, trazendo informações que 
podem ser relevantes para a decisão do analista das demonstrações financeiras. 
Ressalta-se que existem casos em que a empresa não possui eventos a relacionar 
em resultados abrangentes ou os eventos são em pequena quantidade, então, se 
durante seu estudo você consultar DRAs de empresas listadas na bolsa e a DRA não 
apresentar itens, não há problemas, e assim pela lei 6.404/76:
• Essa lei procura definir, com o máximo de clareza, os preceitos e obrigações 
para as empresas constituídas no Brasil.
• Determina as demonstrações contábeis que devem ser elaboradas e apresentadas 
não somente pelas sociedades anônimas, mas também pelas demaisentidades.
onsiderando as variáveis que influenciam a tomada de decisão, as demons- trações 
contábeis agem como uma importante ferramenta capaz de oferecer informações 
estratégicas aos usuários. Nesse sentido, o Pronunciamento Téc- nico CPC 26 (R1) 
considera que as demonstrações contábeis devem fornecer informações para atender 
as necessidades dos usuários externos que não se encontram em condições de requerer 
relatórios específicos para atender às suas necessidades particulares, ou seja, as 
demonstrações contábeis devem apresentar com fidedignidade a situação patrimonial, 
financeira e de desem
 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 167
2 Demonstração do resultado abrangente
Desempenho de uma entidade, auxiliando na tomada de decisões (FERREIRA; LEMES; 
LEMES, 2015).
A Lei nº. 6.404/76 (e suas alterações) define em seu artigo 176 que o conjunto 
de demonstrações contábeis que a companhia deve apresentar são o balanço 
patrimonial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, demonstração do 
resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa e, caso seja companhia 
aberta, a demonstração do valor adicionado. Porém, o CPC 26 (R1) — Apresentação das 
Demonstrações Contábeis, define em seu item 10 que o conjunto de demonstrações 
contábeis que a companhia deve apresentar são o balanço patrimonial, demonstração 
do resultado do exercício, demonstração do resultado abrangente (DRA), demonstração 
das mutações do patrimônio líquido, notas explicativas. Esse CPC apresenta uma 
nova demons- tração: a DRA. Ou seja, embora a DRA não esteja prevista na Lei nº. 
6.404/76, tem sua obrigatoriedade vinculada à Resolução CFC nº. 1.185/2009 e ao 
CPC nº. 26 (R1), item 81A ao 105. Resolução CVM 106, de 23 de maio de 2022, tornou 
obrigatória a DRA para as companhias abertas, como se segue:
I — aprovar e tornar obrigatório, para as companhias abertas, o Pronuncia- mento 
Técnico CPC 26(R1) Apresentação das Demonstrações Contábeis, emitido pelo Comitê 
de Pronunciamentos Contábeis — CPC (COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, 2011).
Já o CPC PME define o conjunto completo de demonstrações contábeis a serem 
publicadas sendo:
O conjunto completo de demonstrações contábeis da entidade deve incluir todas 
as seguintes demonstrações:
(a) balanço patrimonial ao final do período;
(b) demonstração do resultado do período de divulgação;
(c) demonstração do resultado abrangente do período de divulgação. A demons- 
tração do resultado abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo 
próprio ou dentro das mutações do patrimônio líquido. A demonstração do resultado 
abrangente, quando apresentada separadamente, começa com o resul- tado do período 
e se completa com os itens dos outros resultados abrangentes;
(d) demonstração das mutações do patrimônio líquido para o período de divulgação;
(e) demonstração dos fluxos de caixa para o período de divulgação;
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 168
(f) notas explicativas, compreendendo o resumo das políticas contábeis significativas 
e outras informações explanatórias.
Se as únicas alterações no patrimônio líquido durante os períodos para os quais as 
demonstrações contábeis são apresentadas derivarem do resultado, de distribuição 
de lucro, de correção de erros de períodos anteriores e de mudanças de políticas 
contábeis, a entidade pode apresentar uma única demonstração dos lucros ou prejuízos 
acumulados no lugar da demonstração do resultado abrangente e da demonstração 
das mutações do patrimônio líquido.
3.19 Se a entidade não possui nenhum item de outro resultado abrangente em nenhum 
dos períodos para os quais as demonstrações contábeis são apresentadas, ela pode 
apresentar apenas a demonstração do resultado (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS 
CONTÁBEIS, [2011]).
Pois o patrimônio, do ponto de vista contábil, é representado pelo conjunto de bens, 
direitos e obrigações de qualquer uma dessas entidades as quais são reconhecidas 
pela contabilidade em todas as suas nuances. Além disso, é preciso entender como 
esse patrimônio se forma, ou seja, quais são as movimentações que levam a alterações 
na situação patrimonial em uma entidade tendo alterada sua situação de um período 
a período.
O CPC PME complementa, em seus itens 2.43, 2.44 e 2.45, que resultado abrangente 
é:
2.43 O resultado abrangente total é a diferença aritmética entre todas as receitas e 
todas as despesas. Ele não é um elemento separado das demons- trações contábeis, 
e não é necessário um princípio específico para o seu reconhecimento. O resultado 
abrangente total é a soma do Resultado com os Outros Resultados Abrangentes.
2.44 O Resultado é a diferença aritmética entre receitas e despesas outras que 
não as receitas e as despesas que este Pronunciamento classifica como itens de 
Outros Resultados Abrangentes. Ele não é um elemento separado das demonstrações 
contábeis, e não é necessário um princípio específico de reconhecimento para ela.
2.45 Este Pronunciamento não permite o reconhecimento de itens no balanço 
patrimonial que não atendam às definições de ativos ou passivos, independen- temente 
de resultarem da aplicação da noção comumente chamada “confronto entre receitas e 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 169
despesas” para a mensuração do lucro ou do prejuízo (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS 
CONTÁBEIS, [2011?]).
E pelo papel do balancete:
• Permite que se avalie o volume de operações que afetaram uma ou outra conta 
em determinado período de tempo.
• Trata-se de uma demonstração prévia que tem por finalidade apresentar todas 
as operações realizadas pela empresa.
• O balancete é utilizado para fins de validação do que foi previamente registrado 
pelas empresas.
O CPC 26 (R1) estabelece em seus tópicos 81A a 105 que, além da DRE, as empresas 
deverão elaborar a DRA. A DRA é elaborada a partir do Resultado Líquido da DRE 
com os outros resultados abrangentes, que correspondem ao total da modificação 
no patrimônio líquido, que não tenha origem de movimentações no capital social, 
distribuição de lucros e compra de ações. Enquanto a DRE se associa aos fatores 
internos e prováveis e são reflexos da ação dos gestores, e a contabilidade como 
mensuração, tem como efeito a contabilidade é a ciência responsável pela mensuração, 
controle e estudo das mutações que ocorrem no patrimônio das entidades. Estas 
podem ser com ou sem fins lucrativos, ou ainda relacionadas a uma ou mais pessoas 
físicas ou jurídicas.
A DRA se associa aos fatores externos e possíveis, não sendo reflexo da ação dos 
gestores e sim do mercado (SANTOS; VEIGA, 2014). De acordo com a Resolução CFC 
nº. 1.185/2009, item 7, a DRA irá apresentar o resultado abrangente, que é a mutação 
que ocorre no patrimônio líquido durante um período que resulta de transações e outros 
eventos que não derivados de transações com os sócios, registrando os ganhos e as 
perdas economicamente incorridos, mas de possível reversão futura, ou seja, resultado 
abrangente é aquele que abrange as variações futuras de receitas e despesas
 
4 Demonstração do resultado abrangente que já estão registradas no ativo ou no 
passivo, mas ainda não afetaram o resultado (MARCELINO, 2015).
E sobre as notas explicativas:
• A publicação das Notas Explicativas é obrigatória às empresas de capital aberto.
• A publicação das Notas Explicativas facilita o entendimento dos leitores 
(acionistas, investidores e sociedade em geral), contribuindo para o esclarecimento 
da situação patrimonial e dos resultados do exercício.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 170
O resultado abrangente se refere às mudanças ocorridas no patrimônio líquido de 
uma empresa em um determinado período, oriundas das movimentações que não são 
relacionadas aosproprietários, como investimentos realizados por eles e distribuição de 
resultados (COELHO; CARVALHO, 2007). Conforme Rios e Marion (2017), são exemplos 
de resultados abrangentes:
a) mudanças por reavaliações de ativos;
b) ganhos ou perdas atuariais;
c) ganhos ou perdas em decorrência de conversão das demonstrações contábeis 
em moeda estrangeira;
d) ganhos ou perdas na avaliação de ativos financeiros disponíveis para venda.
A DRA deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas:
a) resultado líquido do período;
b) cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua natureza;
c) parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reco- nhecida 
por meio do método de equivalência patrimonial;
d) resultado abrangente do período (SILVA, 2017).
Esses resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa (incluindo 
ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demons- tração do resultado 
como requeridos ou permitidos pelos pronunciamentos, interpretações e orientações 
emitidos pelo CPC. O CPC 26 (R1) apresenta de forma detalhada alguns exemplos 
de ajustes, ganhos e perdas que devem ser considerados quando da elaboração da 
DRA, enquanto as International Financial Reporting Standards (IFRS) estabelecem 
que o resultado abrangente deve ser demonstrado logo após a DRE, no Brasil a DRA 
deve ser elaborada como uma demonstração à parte, podendo ainda ser apresentada 
dentro da demonstração das mutações do patrimônio líquido (SILVA, 2017).
Qual a diferença entre DRE e DRA? A DRE traz valores realizados pelo regime 
de competência, que passaram pelo resultado; engloba todos os itens de receitas 
e despesas reconhecidos no período; enquanto a DRA traz alterações em itens do 
patrimônio líquido, que está incluso no balanço patrimonial, que ainda não passaram 
pelo resultado, mas que poderão passar em períodos futuros, pois os relatórios 
externos servem para atender a públicos interessados e/ou a exigências dos órgãos 
de fiscalização, são exemplos: o relatório de demonstração dos resultados do exercício 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 171
e o relatório de balanço patrimonial. Os relatórios internos servem para atividades de 
tomada de decisão e, portanto, contêm informações sigilosas, são exemplos: o relatório 
de estrutura atual de custos e o relatório de projeção de lucro dos próximos períodos.
 
A demonstração de resultados abrangentes é uma importante ferramenta de análise 
gerencial, pois atualiza o capital próprio dos sócios, por meio do registro no patrimônio 
líquido (e não no resultado) das receitas e despesas incorridas, porém de realização 
financeira “incerta”, uma vez que decorrem de investimentos de longo prazo, sem data 
prevista de resgate ou outra forma de alienação (GELBKE et al., 2018).
O CPC 26 (R1) complementa que todas as mutações patrimoniais, que não as 
transações de capital com os sócios, integram a DRA, classificando as mutações do 
patrimônio líquido que são formadas por dois conjuntos de valores: transações de 
capital com os sócios (na sua qualidade de proprietários) e resultado abrangente total. 
E o resultado abrangente total é formado, por sua vez, de três componentes: o resultado 
líquido do período, os outros resultados abrangentes e o efeito de reclassificações dos 
outros resultados abrangentes para o resultado do período.
O CPC 26 (R1) complementa que tanto o resultado líquido do período quanto os 
outros resultados abrangentes sejam evidenciados com relação a quanto pertence aos 
sócios da entidade controladora e quanto aos sócios não controladores nas controladas. 
No exemplo a seguir, esses valores ficam automaticamente divulgados, lembrando 
que é vedada a apresentação da demonstração do resultado abrangente apenas na 
demonstração das mutações do patrimônio líquido.
A entidade pode optar por apresentar os ajustes de reclassificação em notas 
explicativas, porém, deve apresentar os itens de outros resultados abrangentes após 
os respectivos ajustes de reclassificação (GELBCKE et al., 2018).
Tais ajustes devem ser incluídos no respectivo componente dos outros resultados 
abrangentes no período que ocorrer a reclassificação. Porém, não são considerados 
como reclassificações as mutações ocorridas nas reservas de reavaliação e ganhos e 
perdas nos planos de benefícios para empregados, pois ambos são registrados como 
outros resultados abrangentes e, posteriormente, serão reclassificados para a conta 
de lucros ou prejuízos acumulados, não afetando o resultado do exercício.
Tais ajustes são necessários para evitar dupla contagem quando a entidade registrar 
o ganho ou a perda no resultado do exercício no momento da baixa dos respectivos 
ativos e, portanto, a DRA compreende todos os componentes da DRE, pois em sua 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 172
elaboração é incluído o resultado do exercício e outros resultados abrangentes (SANTOS 
et al., 2015).
Conforme o item 93 do CPC 26 (R1), os ajustes que ocorrem nas reserva de 
reavaliação (quando permitida pela legislação vigente) ou de ganhos e perdas atuariais 
de planos de benefício devem ser reconhecidos como outros resultados abrangentes 
e não devem ser reclassificados para o resultado líquido em períodos subsequentes. 
As mutações na reserva de reavaliação podem ser transferidas para reserva de lucros 
retidos (ou prejuízos acumulados), na medida em que o ativo é utilizado. Por exemplo, 
o ganho realizado na alienação de ativo financeiro disponível para venda é reconhecido 
no resultado quando de sua baixa, pois as empresas de direito público surgem por 
meio de leis e apresentam finalidade comum como disponibilizar serviços, onde a 
Pessoa Jurídica de direito privado surge da livre iniciativa de atender às demandas 
das pessoas.. Esse ganho pode ter sido reconhecido como ganho não realizado nos 
outros resultados abrangentes do período corrente ou de períodos anteriores. 
ANOTE ISSO
Dessa forma, os ganhos não realizados devem ser deduzidos dos outros resultados 
abrangentes no período em que os ganhos realizados são reconhecidos no 
resultado líquido do período, evitando que esse mesmo ganho seja reconhecido em 
duplicidade (VALOR ONLINE, 2016).
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 173
CAPÍTULO 12 
NOTAS EXPLICATIVAS
Olá estudante, as Demonstrações Financeiras apresentam saldos contábeis de forma 
estruturada, mas só olhando os valores constantes nos saldos é difícil ter informações 
suficientes para uma tomada de decisão. É aí que entram as Notas Explicativas, que 
apresentam a descrição sobre qual a base utilizada para a elaboração das demonstrações 
financeiras, descrevem as práticas e estimativas contábeis escolhidas pela empresa, 
trazem informações adicionais sobre a composição daquele saldo etc, pois o Balanço 
Patrimonial é a principal ferramenta de controle de uma entidade, pois nele estão 
contidas todas as movimentações realizadas na mesma, numa determinada posição 
estática, possibilitando assim uma análise clara que auxilie positivamente a tomada 
de decisão por parte dos usuários.
Com a adoção das normas internacionais pelo Brasil, o número de notas explicativas 
aumentou substancialmente. Isso ocorre porque a contabilidade brasileira passou 
ser baseada em princípios, em que a essência se sobrepõe à forma, e porque deixou 
de ficar atrelada às regras fiscais. Com isso, a responsabilidade do contador foi 
substancialmente ampliada, suas atitudes e julgamentos podem ser questionados e, 
portanto, devem ser claros para os usuários das informações contábeis. O espaço mais 
adequado para explicação das diversas circunstâncias relevantes que afetam cada 
conta das demonstrações contábeis é exatamente as notas explicativas (MARTINS; 
MIRANDA; DINIZ, 2020, p. 65).
E pelo plano de contas:
• Cadaentidade adequa o plano de contas de acordo com as suas necessidades.
• É necessário que as informações sejam padronizadas e agrupadas de forma a 
atender o maior número possível de usuários dentro de suas especificidades 
e objetivos.
• Alimentar o plano de contas adequadamente oferece maior segurança às análises 
posteriores.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 174
Vamos juntos verificar algumas notas explicativas constante no Balanço Anual das 
Lojas Renner S.A., a fim de compreender algumas informações que podem ser detalhadas, 
facilitando as decisões do analista das demonstrações. Suas Notas Explicativas iniciam 
com a base de elaboração e apresentação das Demonstrações Financeiras, como 
Declaração de Conformidade às Normas Internacionais de Contabilidade, descrição de 
como foram as bases de mensuração, políticas contábeis, dentre outras informações.
TABELA 11 – NOTA EXPLICATIVA SOBRE JULGAMENTOS, ESTIMATIVAS E PREMISSAS CONTÁBEIS CRÍTICAS
FONTE: Renner (2020, s.p.)
Outros tópicos importantes, como o Gerenciamento de Riscos, especificam com 
detalhes os vários tipos de riscos aos quais a empresa está sujeita, trazendo tanto 
dados internos quanto dados externos para corroborar a gestão de riscos realizada. 
Durante a análise das demonstrações, é interessante que o analista verifique a forma 
como as empresas se preocupam com os riscos inerentes ao negócio, pois consegue-se 
com isso identificar possíveis situações com as quais o analista não esteja confortável 
na hora de tomar a decisão de, por exemplo, investir nessas entidades. Considera-se 
como Ativo Circulante quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: seja realizado 
no decurso normal do ciclo operacional da entidade; está mantido com o propósito 
de ser negociado; ou é caixa ou equivalente de caixa, pois trata do grau de liquidez 
que determina em que grupo seja inserida a informação, estando assim determinado 
que os bens e direitos passíveis de serem convertidos em dinheiro em curto espaço 
de tempo estejam elencados no ativo circulante.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 175
FIGURA 1- NOTA EXPLICATIVA SOBRE GERENCIAMENTO DE RISCOS
FONTE: Renner (2020, s.p.)
Às vezes, a função da Nota Explicativa é simplesmente destrinchar os valores que 
compõem o saldo presente nas Demonstrações, de forma que o analista consiga 
visualizar do que realmente é composto aquele valor. Para exemplificar, vamos ver 
as Obrigações Fiscais constantes no Passivo do Balanço Patrimonial da Renner S.A., 
marcado na tabela a seguir:
TABELA 2 – Passivo Circulante da empresa Renner S.A.
FONTE: Renner (2020, s. p.)
Podemos ver na coluna NOTA, que a Nota Explicativa que trata do assunto é a 
21, que simplesmente faz a decomposição do saldo total, especificando todas as 
obrigações fiscais da entidade, conforme tabela a seguir.
TABELA 3 – NOTA EXPLICATIVA SOBRE OBRIGAÇÕES FISCAIS DA EMPRESA RENNER S.A.
FONTE: Renner (2020, s.p.)
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 176
Pois os circulantes atuam: 
• É elencado como Passivo Circulante quando espera-se que seja liquidado durante 
o ciclo operacional normal da entidade.
• É compreendido como Passivo Circulante também a obrigação que deverá ser 
liquidada no período de até doze meses após a data do balanço.
• Todas as demais contas de passivo adicionais são importantes ao entendimento 
da situação da entidade quanto as suas obrigações.
Ou seja, para 2020, o saldo no BP da controladora é R$366.320, que é na verdade 
composto de: IR e CS – R$91.895; ICMS a Recolher – R$198.906; PIS e COFINS
– R$57.772; outros tributos – R$17.747. Só olhando o saldo, não teríamos como 
saber que mais de 50% das Obrigações Fiscais é referente ao ICMS recolher.
Outras vezes, as Notas Explicativas descrevem exatamente o cálculo feito para que 
se chegue ao valor definido. Vamos tomar, como exemplo, o cálculo para distribuição 
de juros sobre Capital Próprio e Dividendos. Em diversos momentos do Balanço Anual, 
foi explicada a razão dos Dividendos serem de 25%, por exemplo, na nota a seguir:
TABELA 4 – NOTAS EXPLICATIVAS SOBRE DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS DA EMPRESA RENNER S.A.
FONTE: Renner (2020, s. p.)
Quando chegamos à Nota Explicativa 28, encontramos a Base de Cálculo ajustada. 
O Lucro Líquido do Exercício ajustado de 2020 é de R$976.183, que se multiplicarmos 
pelos 25% estipulados para distribuição no ano, chega exatamente a R$244.046, valor 
constante na linha de Total distribuído aos acionistas, líquido do imposto de renda. Todo 
o relatório anual está interligado, é só estudá-lo com atenção, mas ainda há outros 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 177
relatórios importantes que podem estar contidos no relatório anual, como os Relatórios 
da Auditoria, da Administração e do Conselho Fiscal, pois, os relatórios de vendas, que 
possibilitam aos gestores acompanhar o desempenho dos seus vendedores, perceber 
algum padrão de comportamento dos clientes (como, por exemplo, o horário que 
preferem comprar e por quais meios, como telefone, e-commerce ou pessoalmente). 
Normalmente, constam nesse relatório o número de vendas, valor das vendas, ticket 
médio dos produtos mais vendidos e buscados, e dias e horas com maior percentual 
de vendas.
6 RELATÓRIO DA AUDITORIA, DA ADMINISTRAÇÃO, DO CONSELHO FISCAL, ENTRE 
OUTROS
Tais relatórios trazem perspectivas de profissionais específicos, que podem fazer 
toda a diferença na análise das Demonstrações Financeiras.
6.1 RELATÓRIO DA AUDITORIA
O Relatório da Auditoria, que é obrigatório às sociedades anônimas de capital aberto, 
sociedades fechadas de grande porte e alguns outros tipos de entidade (como as 
instituições financeiras, por exemplo), é realizado pela Auditoria Independente, ou seja, 
alheia à empresa, não submisso à gestão da empresa, pois, o balanço patrimonial 
e a demonstração do resultado do exercício são relatórios financeiros que refletem 
informações mais gerais da empresa, por isso são mais utilizados pelos usuários com 
o objetivo de extrair as informações necessárias. Ao identificar o balanço patrimonial 
da empresa, o analista deverá focar em três principais informações, que são os ativos, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 178
as dívidas e os investimentos dos sócios na empresa. Ao identificar esses valores, o 
analista deverá, também, sinalizar os que estão mencionados como circulante e não 
circulante, com o objetivo de detectar a liquidez de cada conta.
O principal objetivo da auditoria é a emissão de um parecer acerca das demonstrações 
contábeis face aos princípios contábeis geralmente aceitos, normas brasileiras de 
contabilidade, demais legislações aplicáveis e práticas adotadas no Brasil. Ou seja, o 
auditor irá analisar e verificar se as demonstrações contábeis estão de acordo com 
as práticas contábeis adotadas no Brasil (PEREZ JUNIOR; BEGALLI, 2020, p. 276).
O parecer dos auditores pode ser, de acordo com Almeida (2019):
a) Parecer sem ressalvas – o auditor concorda que as informações auditadas 
seguem as normas vigentes;
b) Parecer com ressalvas - o auditor encontrou alguns procedimentos que divergem 
do seu entendimento sobre a questão de forma relevante, mas não generalizada;
c) Parecer adverso – o auditor encontrou divergências que conclui serem relevantes 
e generalizadas; e
d) Parecer com abstenção de opinião – o auditor não consegue obter evidências 
suficiente para emitir uma opinião.
No relatório anual da Renner S.A., temos um Relatório do Auditor Independente 
com parecer sem ressalvas, ou seja, depois do processo de auditoria, os auditores 
independentes chegaram à conclusão de que, em todos os aspectos relevantes, 
foramseguidas as práticas contábeis brasileiras e as normas internacionais (IFRS), 
conforme a imagem. O parecer continua além do que consta na imagem, explicando 
os procedimentos realizados para os principais assuntos de auditoria, mas o recorte é 
suficiente para compreender como verificar o tipo de parecer do auditor independente.
 
6.2 RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO
O Relatório da Administração apresenta uma visão única da entidade e suas operações, 
pois é nele que os administradores conversam com os usuários das informações 
contábeis, tentando repassar de forma clara e objetiva informações e conhecimentos 
que só eles possuem, por gerirem a empresa e conhecerem profundamente suas 
especificidades, operações e processos.
Por exemplo, é no Relatório da Administração que os gestores descrevem como 
aspectos da conjuntura econômica influenciaram a entidade no período; como a 
gestão lidou com sua atividade operacional (por exemplo, decisões de produção e 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 179
logística); detalham informações sobre a companhia, seus valores e políticas internas; 
apresentam questões sociais e ambientais, e como lidam com sua força de trabalho 
interna; especificam de que forma é estruturada a Governança Corporativa; apontam 
questões que consideram importantes sobre o desempenho econômico-financeiro; 
dentre outros inúmeros temas que consideram fundamentais para o analista das 
Demonstrações Financeiras.
Muitas vezes é essa visão interna e detalhada que fornece informações que suportam 
o entendimento das Demonstrações e Notas Explicativas em si. Entender por que os 
gestores optaram por certas decisões, ou definiram certas práticas em detrimentos de 
outras (visto que há várias práticas legais que podem ser optativas aos tomadores de 
decisão), é fundamental para criar uma base de critérios de análise para os usuários 
da contabilidade.
É uma experiência ótima ler um pouco sobre como pensam os administradores e 
gestores de grandes empresas, sua interpretação dos resultados alcançados, quais 
seus objetivos e como pretendem alcançá-los. Assim como sua visão dos fatos 
econômicos nacionais e internacionais, como afetam a empresa e as perspectivas 
dos administradores quanto ao futuro. Muitas vezes, nos focamos somente na teoria e 
prática específica de nossos cursos, esquecendo de olhar para o mundo ao nosso redor, 
que impacta diretamente nas nossas empresas. Essa visão geral é o faz a diferença 
no sucesso de um empreendimento e, porque não dizer, no sucesso profissional de 
cada um de nós.
Para complementar essas informações, a legislação prevê as notas explicativas.
Elas se utilizam de textos, gráficos, quadros, entre outros recursos que são utilizados 
para compreender aspectos relativos a determinados conjuntos de contas das 
demonstrações contábeis, e devem ser exibidas após a apresentação das demonstrações 
contábeis publicadas pela empresa, sendo parte integrante do conjunto completo das 
demonstrações contábeis (RIBEIRO, 2013). As notas explicativas são definidas nos 
parágrafos 4º e 5º do artigo 176 da Lei nº. 6.404/1976: “§ 4º As demonstrações serão 
complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações 
contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados 
do exercício” (BRASIL, 1976, documento on-line).
Além do mencionado, as notas explicativas devem tratar também dos seguintes 
itens:
1. critérios de avaliação de estoques;
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 180
2. cálculos de depreciação;
3. critérios para constituição de perdas e provisões;
4. investimentos em outras sociedades;
5. obrigações de longo prazo, os credores, data de vencimento, juros;
6. número de ações que compões o capital social (GELBCKE et al., 2018).
Pode-se observar que a finalidade das notas explicativas é proporcionar aos usuários 
um melhor entendimento das demonstrações contábeis apresentadas,
tendo um caráter de apresentar informações descritivas, informando critérios 
de avaliação, mudanças de políticas e práticas contábeis, detalhamento de grupos 
do balanço, como imobilizado, que podem ser objetos de análises mais específicas 
(PADOVEZE, 2017).
Deve-se entender que as notas explicativas são complementares às demonstrações 
contábeis, ajudando a compreensão mais detalhada das demonstrações contábeis e do 
funcionamento da empresa, porém são fundamentais para a análise das demonstrações 
financeiras pelos usuários externos, uma vez que explicitam as práticas contábeis e os 
critérios que foram utilizados, além de evidenciar informações de itens que não estão 
reconhecidos nas demonstrações contábeis, mas que poderão impactar na tomada 
de decisão, sendo assim, uma ferramenta de cunho estratégico.
ANOTE ISSO
Mesmo as notas explicativas exercendo papel complementar às demonstrações 
contábeis é obrigatória divulgação, pois em um mercado cada vez mais globalizado 
e competitivo, as empresas precisam ter uma maior consciência além de cumprir 
o que está estabelecido nas legislação vigentes, e ao mesmo tempo estabelecer um 
diferencial e se comunicar diretamente com seus usuários externos, compreender 
suas necessidades e se elas estão sendo atendidas, assegurando que eles tenham 
acesso às informações que necessitam.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 181
CAPÍTULO 13
EVENTOS ECONÔMICOS 
DOS CPC’S
Olá, estudante, para entender a figura e compreender a natureza das contas, imagine 
a constituição de uma empresa: para dar início às atividades operacionais, os sócios 
investem dinheiro na empresa, o qual é representado pela conta contábil Capital Social. 
Agora, use a sua imaginação e se coloque no lugar dessa conta, afinal, segundo a teoria 
personalista, cada conta possui sua própria personalidade. Assim, você, enquanto conta 
contábil, fornece dinheiro para a empresa, por isso, você, enquanto conta contábil, fica 
com crédito com a empresa. Assim, como as contas do passivo e patrimônio líquido 
representam fontes de recursos, elas sempre ficam com créditos na empresa, daí, 
então, a sua natureza credora, pois as despesas reduzidas, estão para que as receitas 
estão vinculadas, em grande parte, à atividade principal da organização.
Agora, ainda utilizando a sua imaginação, coloque-se no lugar da conta caixa e 
quando houver redução de despesas, mesmo que se reduzam as despesas, elas não 
vão desaparecer, pois são essenciais para a manutenção da atividade empresarial.
A empresa recebeu dinheiro dos sócios e aplicou esse recurso em você, enquanto 
conta contábil, assim você fica com um compromisso com a empresa, ou seja, torna-
se devedor(a). Quando a empresa precisar do dinheiro, você devolverá o recurso a 
ela. Assim, como as contas do ativo representam aplicação de recursos, elas sempre 
ficam devedoras para a empresa, daí, então, a sua natureza devedora. As contas de 
resultado, por sua vez, impactam no patrimônio líquido. Dessa forma, como as receitas 
provocam aumento no patrimônio líquido, elas possuem natureza credora; por outro 
lado, como as despesas diminuem o patrimônio líquido, elas têm natureza devedora. 
Uma vez compreendida a natureza da conta, basta identificar o que o fato provocou: 
aumento ou diminuição, para, então, realizar o lançamento contábil, pois os custos de 
produção atuam em relação direta com a atividade fim, ou seja, quanto mais realiza 
essa atividade maior fica o custo.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 182
1. CONCEITUALIZAÇÃO DOS DÉBITO E CRÉDITO
Você deve ter ouvido dizer que o débito e o crédito da Contabilidade são o contrário 
do débito e crédito do extrato bancário. Na verdade, não se trata de uma questão de 
oposição: na Contabilidade, a palavra débito também se refereàquilo que se deve, 
assim como a palavra crédito se refere àquilo que se tem a haver, a diferença está na 
interpretação de quem deve e de quem tem a haver. O mecanismo de débito e crédito 
é aplicado pela Contabilidade segundo a teoria personalista das contas. Segundo 
ela, cada conta contábil possui personalidade própria, e a interação entre a conta e a 
empresa, que também possui personalidade própria, dá origem aos débitos e créditos.
Figura 1 – Apresentação das Contas. 
Fonte: Pixabay (2023).
É em função dessa teoria que as contas do ativo têm natureza devedora e as 
contas do passivo e patrimônio líquido têm natureza credora, assim como as contas 
de receita têm natureza credora e as de despesa têm natureza devedora. Como por 
exemplo a usualidade do Sped:
• Integra instituições da administração tributária e abrange as esferas federal, 
estadual e municipal.
• É o meio pelo qual as empresas informam ao fisco suas movimentações 
relacionadas a impostos e documentos fiscais.
2. NATUREZA E MOVIMENTAÇÃO DAS CONTAS CONTÁBEIS
A informação contábil, seja ela de cunho financeiro ou econômico, é essencial para 
que os tomadores de decisão, sejam eles partes da organização ou não, elaborarem 
suas análises e estratégias de forma assertiva, adequada e com base em dados que 
sejam confiáveis e passíveis de fazer a diferença nesse âmbito. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 183
Desta forma, o conjunto de informações contábeis, somado às informações sobre 
mercado, economia, índices e outros que os profissionais envolvidos na organização 
possuem, ajudam em todos os processos decisórios. Entretanto, é preciso refletir sobre 
quais são as possibilidades de utilização das informações geradas na contabilidade, 
quais seriam elas e como podem ser usadas por estes tomadores de decisão.
Assim o patrimônio líquido:
• O patrimônio líquido representa o lucro da empresa, após dedução de todos os 
passivos, inclusive impostos.
• O patrimônio líquido é o resultado da diferença entre o ativo e o passivo de uma 
organização.
Para tomar uma decisão, diversos tipos de informações podem ser úteis. Assim, o 
processo de tomada de decisão pode envolver elementos como o tempo utilizado pela 
mão de obra, quais materiais foram usados, o volume de recursos que a empresa possui, 
o valor do patrimônio, quanto tem a receber e a pagar, além de outras informações 
essenciais e pertinentes na avaliação de processos, atividades tanto de pessoas quanto 
de departamentos, pois o patrimônio da empresa é representado pelo conjunto dos 
bens, direitos e obrigações da empresa, os quais são calculados, segundo a equação 
patrimonial, e o resultado é chamado de patrimônio líquido.
A informação é tão relevante que promove a melhoria dos custos, aumento da 
eficiência, dos indicadores da empresa e dos resultados da organização como um 
todo (PADOVEZE, 2017). Sem tais informações, seria impossível que as empresas 
definissem corretamente seus preços de venda, pudessem tomar decisões estratégicas, 
entre outras possibilidades que levam diretamente à melhoria de resultado.
Pensando, agora, nos usuários externos. Sem as informações geradas pela 
contabilidade, seria impossível que um investidor pudesse definir se investiria ou não 
em um determinado negócio. Os financiadores, como bancos e outras instituições 
também precisam saber se a empresa tem liquidez para pagá-los, caso forneçam 
capital, além de empregados que estão interessados na manutenção de seus cargos 
e de seus benefícios.
Além disso, os usuários externos também podem ser representados por outras 
empresas já que elas podem ter, por exemplo, interesses em adquirir uma organização. 
Logo, com base nos indicadores repassados pela organização, as firmas terão uma 
base para fazer suas ofertas, negociar valores ou, ainda, repensar suas estratégias 
no mercado.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 184
3. MECANISMOS DE DÉBITO E CRÉDITO
Como já abordado neste material, a base dos registros contábeis é o Método das 
Partidas Dobradas. Não é à toa que o frei Luca Pacioli, que foi o primeiro a publicar 
o método, ficou conhecido como o “pai da Contabilidade”. O Método das Partidas 
Dobradas estabelece que:
• Para cada causa, existe um efeito.
• Para cada origem, existe uma aplicação.
• Para cada débito, existe um crédito.
É justamente por essa relação de causa e efeito, origem e aplicação, débito e crédito 
que o balanço sempre se mantém em equilíbrio.
A ideia é que o registro contábil não deve evidenciar somente o recurso financeiro, 
mas sim contar como tal recurso foi adquirido. É por isso que todo registro contábil 
envolve, no mínimo, duas contas contábeis. Tudo isso ficará mais claro com os 
exemplos apresentados mais adiante. E os relatórios contábil-financeiros representam 
um fenômeno econômico em palavras e números. Para ser útil, a informação contábil-
financeira não tem só que representar um fenômeno relevante, mas tem também 
que representar com fidedignidade o fenômeno que se propõe representar. Para ser 
representação perfeitamente fidedigna, a realidade retratada precisa ter três atributos. 
Ela tem que ser completa, neutra e livre de erro. É claro, a perfeição é rara, se de fato 
alcançável
4. TEORIA DAS CONTAS
Imagine a constituição de uma empresa: para dar início às atividades operacionais, 
os sócios investem dinheiro na empresa, o qual é representado pela conta contábil 
Capital Social. Agora, use a sua imaginação e se coloque no lugar dessa conta, afinal, 
segundo a teoria personalista, cada conta possui sua própria personalidade. Assim, 
você, enquanto conta contábil, fornece dinheiro para a empresa, por isso, você, enquanto 
conta contábil, fica com crédito com a empresa. Assim, como as contas do passivo e 
patrimônio líquido representam fontes de recursos, elas sempre ficam com créditos 
na empresa, daí, então, a sua natureza credora.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 185
ISTO ESTÁ NA REDE
Para complementar nossos estudos, segue um vídeo sobre: Você sabe sobre 
a teoria das contas? Papiro Contábil. Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=abZgVyzotKM
Para entender essa aplicação, utilizaremos o exemplo de uma compra de mercadorias 
a prazo no valor de R $2.000,00. Primeiramente, precisamos entender o fato: ao comprar 
mercadorias, o estoque da empresa aumentou, por outro lado, a compra a prazo 
gerou uma obrigação. Agora, identificamos as contas: mercadorias para revenda e 
fornecedores. Relatórios contábil-financeiros são elaborados para usuários que têm 
conhecimento razoável de negócios e de atividades econômicas e que revisem e 
analisem a informação diligentemente. Por vezes, mesmo os usuários bem informados e 
diligentes podem sentir a necessidade de procurar ajuda de consultor para compreensão 
da in- formação sobre um fenômeno econômico complexo.
Por fim, conciliamos a conta contábil à sua movimentação: houve aumento na conta 
mercadorias e aumento na conta fornecedores, por isso, a conta contábil mercadorias 
deverá receber um lançamento a débito, e a conta fornecedores, um lançamento a 
crédito. Assim, a contabilização desse fato por meio do mecanismo de débito e crédito 
ficaria desta forma:
• Débito: Mercadorias R$ 2.000,00.
• Crédito: Fornecedores R$ 2.000,00.
Perceba que o valor lançado a débito é igual ao valor lançado a crédito, atendendo 
à determinação do Método das Partidas Dobradas. No exemplo apresentado, houve 
aumento nas duas contas, mas existem fatos que provocam aumento em uma conta 
e diminuição em outra ou, até mesmo, diminuição em duas. De qualquer forma, não 
importa o fato a ser contabilizado, uma vez identificadas as alterações nas contas 
contábeis. 
Os atos administrativos são decisões tomadas pelos gestores da entidade, os quais 
não impactam, a priori, os elementose não na formulação de regras gerais e abstratas, pois 
a criação judicial expressada por sentenças dos juízes nos tribunais representa a fonte 
autêntica do Direito objetivado (FRAGA, 2012, p. 1).
Você pode verificar que nesse sistema, cada situação ou cada caso, é julgado 
levando-se em consideração suas particularidades, não existem regras específicas a 
serem seguidas e, muito menos, generalização dos fatos.
Você deve estar se perguntando: Como essa filosofia do direito interfere na norma 
contábil? Pois bem, interfere muito, se partirmos do princípio de que se nesse sistema 
o que prevalece é o julgamento do que é justo, e o profissional que lida diretamente 
com as demonstrações contábeis é o contador, com isso, afirmamos que, no sistema 
common law, é o contador que define como devem ser as informações contábeis, 
segundo o que ele julgar ser correto.
Surge, desse modo, um grande problema: a desconfiança dos investidores. Ora, se 
o contador é o responsável por julgar como devem ser as demonstrações contábeis e 
financeiras, corre-se o risco de ele favorecer o empresário, que é quem paga seu salário.
Martins, Martins e Martins (2007) definem bem essa ideia quando dizem que se criam 
associações de contadores para que eles digam como se deve atuar na contabilidade. 
Afirmam, ainda, que é daí que surge a famosa expressão “princípios contábeis geralmente 
aceitos”, e perguntam: Aceitos por quem? Pelos próprios contadores.
Na mesma linha de pensamento, temos Souza et al. (2015, p. 16) que afirmam: 
“[...] sistema common law, que é o direito que se desenvolveu por meio das decisões 
dos tribunais e, não, mediante atos Legislativos ou Executivos. [...] o direito é criado 
ou aperfeiçoado pelos juízes, portanto não é necessário detalhar as regras a serem 
aplicadas”.
b) Filosofia Code Law
O sistema Code Law segue a filosofia do direito Romano, que é bastante conservadora 
e exige-se que a Lei seja cumprida em toda sua essência e forma, não dando margens 
para interpretações se não aquela definida em Lei ou Norma.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19
O Brasil, assim como outros países latinos, adota o sistema Code Law, como grande 
maioria dos países da Europa e Japão.
No Direito Romano, a Lei é soberana e todos devem seguir exatamente o que por 
ela está determinado. Os julgamentos não são baseados em costumes, como na 
filosofia common law, e seguem rigorosamente o que determina a Norma. No Brasil, 
por exemplo, também temos as jurisprudências, que podem ser consultadas pelos 
magistrados, porém elas servem apenas como uma direção, já que o juiz, ao fazer 
um julgamento, deverá seguir apenas o que determina a Lei. Por isso, nos países que 
seguem essa filosofia, o que determina os métodos contábeis, assim como seus 
demonstrativos, sempre será a Lei.
A contabilidade no Brasil, inicialmente, foi direcionada pela Lei das Sociedades por 
Ações n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e teve como objetivo principal a proteção 
aos acionistas minoritários.
O projeto visa, basicamente, a criar a estrutura jurídica necessária ao fortalecimento 
do mercado de capitais de risco no País, imprescindível à sobrevivência da empresa 
privada na fase atual da economia brasileira. [...] os setores empresariais exigem, 
contudo, o estabelecimento de uma sistemática que assegure ao acionista minoritário 
o respeito a regras definidas [...] (BRASIL, 1976).
Apesar de a Lei n. 6.404/76 trazer grandes avanços para a contabilidade no Brasil, 
ela não traz progressos no que se refere ao acesso à informação contábil voltada a 
investidores, mantendo seu foco apenas nos credores (Bancos) e no fisco. Portanto, no 
Brasil e nos países que seguem a filosofia Code Law, os Poderes Legislativo e Executivo 
são as entidades responsáveis por criar as Leis que normatizam a contabilidade. 
Nesse sentido, temos a contabilidade muito inclinada a atender aos interesses fiscais.
Como sabemos, o objetivo da contabilidade é fornecer informações confiáveis para 
a tomada de decisão de seus usuários. Porém, se fizermos uma comparação entre 
as duas filosofias do direito que servem de base para as informações contábeis, 
veremos que ambas trazem características bem distintas, o que dificulta ainda mais 
a elaboração dos balanços consolidados para as multinacionais. Pois uma é muito 
conservadora, como é o caso do Code Law e a outra, o Commom Law, deixa muitas 
aberturas para a decisão baseada no julgamento pessoal dos interessados. Faremos, 
a seguir, um comparativo entre as duas filosofias.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20
6. COMPARATIVOS ENTRE CONTABILIDADE NORTE- AMERICANA E EUROPEIA
Você pode verificar que temos dois grandes sistemas ou filosofias em que se apoia 
a contabilidade, o Commom Law e o Code Law, e que cada país tem sua maneira de 
ver e fazer contabilidade de acordo com suas práticas jurídicas. Para entendermos as 
mudanças ocorridas nas últimas décadas na contabilidade, é preciso que conheçamos 
as consequências e a visão sistemática de cada uma dessas filosofias.
Pois bem, vamos pensar em como o mundo evoluiu nas últimas décadas, 
principalmente após o término da segunda guerra mundial. Os países diretamente 
envolvidos ficaram completamente devastados, necessitando de reconstrução em 
grandes escalas. O governo por si só não teria como arcar com todos os custos. É, 
nesse momento, que nascem as grandes companhias, as quais ficam responsáveis 
por reconstruir estradas, ferrovias, prédios públicos, enfim, reconstruir o país. E esse 
é o cenário mundial. Americanos, europeus, japoneses, russos, enfim, todos tinham 
uma grande missão pela frente.
Viu-se, aí, uma grande oportunidade de investimentos, tanto para pessoas físicas 
como para pessoas jurídicas: investir nas empresas envolvidas nessa reconstrução 
e que necessitavam de capital para ampliar sua linha de produção.
Os investidores passam a ser as pessoas mais interessadas nos resultados 
das empresas, afinal de contas, é preciso acompanhar e medir os riscos de seus 
investimentos. Você pode imaginar que, de repente, a contabilidade tem novos 
interessados, que não são apenas os bancos e o governo?
Com isso, é preciso que se repense a maneira de se fazer contabilidade no mundo 
todo para manter a confiança desses investidores, fazendo com que eles continuem 
a depositar seus recursos nas companhias e elas prossigam no crescimento.
E, nesse contexto, surge a figura de um novo investidor, que é o investidor minoritário, 
aquele que possui pequenas economias e que, porém, faz grande diferença nos 
resultados das companhias. Em comentário a essa questão, Martins, Martins e Martins 
(2007) apontam que o investidor minoritário em ações, 
não pode, assim como os credores, ter acesso diretamente às informações das 
empresas, ou seja, o investidor minoritário não tem o mesmo poder dos credores 
em exigir informações adicionais que lhe permitam avaliar melhor a evolução do 
patrimônio da empresa.
Como vimos, para os norte-americanos, bem como alguns outros países que adotam 
a filosofia Commom Law, praticamente não existe normatização da contabilidade, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21
cabendo ao profissional de contabilidade fazer o julgamento do que é certo ou errado. 
Como já citamos anteriormente, surge, a partir daí, a desconfiança por parte dos 
investidores, e agora, também, dos investidores minoritários, sugerindo-se que essa 
filosofia não é confiável, já que as informações contábeis podem facilmente serem 
manipuladas para atender aos interesses das companhias.
Conforme afirmam Souza et al. (2015, p. 16): “A profissão contábil é autorregulamentada 
e responsável pela edição de normas contábeis, padrões de auditoria, [...]. Assim, o 
Commom Law tem pouca influência do Governo”.
Na filosofia Code Law,patrimoniais ou de resultado. Quando se decide 
contratar um funcionário, adquirir um imóvel, firmar uma parceria etc., esses fatos, 
inicialmente, não impactam os elementos: somente quando o funcionário for contratado 
e trabalhar durante um mês é que surgirá a obrigação (passivo) de pagar o seu salário; 
somente quando a documentação do imóvel estiver pronta, ele representará um bem 
(ativo) para a entidade; e assim por diante. 
https://www.youtube.com/watch?v=abZgVyzotKM
https://www.youtube.com/watch?v=abZgVyzotKM
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 186
Por outro lado, os fatos administrativos, também denominados fatos contábeis, 
são aqueles que provocam alterações nos elementos, patrimoniais ou de resultado, 
como os pagamentos, recebimentos, compras, vendas, entre outros.
5. CONTAS DE CUSTOS
Estando diretamente relacionada ao controle, à mensuração e ao registro de gastos 
produtivos de uma entidade, a contabilidade voltada aos custos evoluiu bastante. Essa 
evolução foi marcada, principalmente, pela revolução industrial, que foi responsável 
por elevar o volume destes gastos.
INDICAÇÃO DE LEITURA
Para complementar nossos estudos segue um artigo sobre: A contabilidade de 
custos e sua relevância para Gestão. UFGRS. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.
br/bitstream/handle/10183/27218/000763037.pdf. 
Figura 2 – Centro de Custos. 
Fonte: Pixabay (2023).
Identificar e classificar as contas de custos numa organização empresarial, portanto, 
começou a se tornar uma tarefa cada vez mais complexa, uma vez que esses custos 
devem ser identificados e alocados aos diversos produtos e serviços produzidos e 
vendidos.
Uma outra distinção entre custos e despesas é que as despesas impactam 
diretamente o resultado das entidades no período em que elas ocorreram. Os custos, por 
sua vez, são acumulados em conta de ativo até que os produtos e serviços produzidos 
sejam entregues ao cliente.
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/27218/000763037.pdf
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/27218/000763037.pdf
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 187
A distinção em custos e despesas é fundamental para a elaboração dos relatórios 
contábeis financeiros, uma vez que as receitas precisam confrontar esses gastos que 
foram necessários para serem obtidas. 
Para uma melhor compreensão dos custos, pode-se dizer que eles são gastos que 
se relacionam com os bens e/ou com os serviços componentes da produção de outros 
bens, conhecidos como insumos. Nesse sentido, os custos só aparecem no resultado 
da empresa quando os produtos fabricados a partir dos insumos forem vendidos.
Os custos diretos são aqueles que podem ser diretamente relacionados a um produto 
ou serviço específico, e que apresente sua medição de forma clara, sem restar dúvidas 
de sua apuração e alocação. Um exemplo de custo direto, é a mão-de obra direta.
A mão-de-obra (MOD) pode ser tanto um custo direto como um custo indireto, a 
chamada mão-de-obra indireta (MOI). A MOD é reconhecida como um custo direto 
quando podemos atribuir claramente (sem a necessidade de critérios de rateio) o 
custo a um produto ou serviço específico. Por outro lado, a MOI é considerada um 
custo indireto pois representa gastos na produção que não conseguimos atribuir a 
um único produto ou serviço.
Já os custos indiretos não podem ser diretamente relacionados a um produto ou 
serviço, pois decorrem do uso de recursos compartilhados por diversos produtos e 
serviços produzidos/ofertados pela entidade, como os gastos com energia elétrica, 
depreciação de máquinas e mão de obra indireta. Mas atenção, esses são apenas 
alguns exemplos de custos indiretos e não são, necessariamente, considerados custos 
indiretos em todas as empresas. Para serem considerados indiretos, basta que não 
possam ser diretamente atribuídos a um produto ou serviço específico.
Assim, é possível determinar que todas as vezes que um custo puder ser relacionado 
diretamente a um único produto ou serviço, ele pode ser considerado direto. Por outro 
lado, quando um custo não puder ser identificado diretamente a um produto ou serviço 
específico, ele é considerado indireto.
A classificação dos custos em diretos e indiretos depende unicamente da forma 
como ocorrem os gastos na produção. Essa classificação de custos mais detalhada 
é fundamental para auxiliar os gestores e administradores na tomada de decisão nos 
negócios, pois traz fidedignidade à informação e aumenta sua relevância.
Enquanto nas despesas, são considerados variáveis os gastos que oscilam de 
acordo com a quantidade vendida, no caso dos custos, a classificação entre fixo ou 
variável está relacionada com a produção. Crepaldi (2019) define que o um custo 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 188
variável é aquele que varia proporcionalmente à quantidade produzida, ou seja, quanto 
mais unidades de um produto forem produzidas, maior será o custo. De igual modo, 
quanto menor for a quantidade produzida menor será o custo. 
O maior exemplo de custo variável é, sem dúvidas, a matéria-prima, pois sem 
produção, esse custo se mantém guardado sob a forma de investimento nos estoques 
de matéria-prima, porém quanto mais unidades forem produzidas, maior será esse 
custo.
Figura 3 – Controle dos Custos. 
Fonte: Pixabay (2023).
Por outro lado, os custos fixos são aqueles que se mantém estáveis até um 
determinado período de tempo ou volume de produção (MARION, 2018). Para 
entendermos melhor, pense no custo com aluguel de um galpão de fábrica. 
Este é um valor gasto pela empresa independentemente da quantidade que ela 
conseguir produzir dentro de um período. Produzindo apenas uma unidade ou um 
milhão, o valor cobrado pelo proprietário do imóvel será o mesmo. 
Porém, à medida que o tempo passa, este valor de aluguel certamente sofrerá 
variações, seja por um aumento periódico previsto em contrato, seja porque a empresa 
precisou alugar um espaço maior, ainda assim são considerados fixos, pois são fixos 
por um determinado período de tempo ou volume de produção.
As teorias contábeis são desenvolvidas visando a melhor maneira de registrar, avaliar 
e controlar o patrimônio, seja em seu aspecto estático, que evidencia o conjunto de 
elementos patrimoniais em um determinado momento, seja em suas variações. O 
estudo sobre o patrimônio tem como finalidade fornecer aos seus usuários informações 
econômicas, financeiras e patrimoniais que auxiliem no processo de tomada de decisão, 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 189
através da composição dos Débitos e Créditos, teoria das contas para desenvolver 
melhorias dentro das organizações empresariais. 
Quanto aos custos, eles correspondem aos gastos que são depreendidos para a 
elaboração final do produto ou serviço oferecido. Esses custos também podem ser 
classificados como diretos ou indiretos, ou como fixos ou variáveis, e tais classificações 
devem observar o comportamento dos custos durante o processo produtivo ou de 
prestação de serviços.
ANOTE ISSO
Podemos dizer, porém, que não é uma tarefa fácil atender a todos os usuários 
da Contabilidade, isso porque a necessidade de informação é diferente entre eles. 
Os gestores, enquanto usuários internos, necessitam de informações financeiras 
e operacionais específicas dependendo do seu cargo ou função, normalmente, 
precisam saber sobre o fluxo de caixa, itens em estoque, valores a receber e a 
pagar, custo de produção, pedidos de clientes a serem atendidos, entre outras. Já 
os usuários externos, como fornecedores e instituições financeiras, normalmente, 
estão preocupados com a situação financeira da entidade, visando analisar sua 
capacidade de pagamento. Já o Governo e as entidades reguladoras procuramadotada por diversos países da Europa, Japão e Brasil, a 
contabilidade é conservadora e totalmente voltada ao cumprimento da Lei. Acredita-
se, com isso, que está se protegendo as companhias e, também, os profissionais de 
contabilidade de possíveis ações judiciais por parte de usuários da contabilidade. Em 
relação a essa filosofia, Martins, Martins e Martins (2007) definem-na muito bem ao 
dizer que Leis determinam as normas contábeis propriamente ditas ou determinam 
quais órgãos governamentais têm o poder para tanto. O Estado é quase que absoluto 
nesse processo.
Ora, novamente temos aqui um impasse bastante preocupante, se na filosofia 
Common Law, menos conservadora, a preocupação e a desconfiança dos investidores 
são a possibilidade de os interessados conseguirem manipular as informações contábeis, 
atendendo aos interesses das companhias, o mesmo acontece na filosofia Code law, 
apenas mudando o foco do interessado, que aqui passa a ser o próprio governo, ente 
tributante, e, também, os grandes credores, que são os bancos.
Para concluir essa seção, vamos fazer uma reflexão? O mundo dos negócios pede 
com urgência uma solução para as diferenças nas normas contábeis dos países. A 
solução seria a contabilidade ter uma linguagem universal, ou seja, um padrão que 
seja reconhecido internacionalmente. Mas temos dificultadores: a guerra pelo poder e 
a soberania de cada país. Temos dois grandes interessados nesse processo, Estados 
Unidos, com sua filosofia Common Law, e países da Europa, com a filosofia Code law, 
cada qual com seus interesses políticos.
 
7. ORGANISMOS REGULADORES E AMBIENTE INTERNACIONAL
Caro (a) acadêmico (a), você pode observar que, no início da década de 70, a 
contabilidade passa por uma fase de grande turbulência, devido ao crescimento 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22
das indústrias, forte interesse de investidores e um cenário onde é preciso muita 
transparência e confiança nos demonstrativos contábeis.
Ainda, aliada a toda essa insegurança do mercado internacional, havia outra questão 
bastante incômoda, principalmente para as empresas multinacionais que possuíam 
filiais espalhadas por diversos países: a execução do balanço consolidado. Ora, é 
fácil de concluir que com princípios e normas diferentes entre dois ou mais países, 
os resultados seriam diferentes.
Compartilhando dessa ideia, temos Martins e Brasil (2008) afirmando que as normas 
contábeis de um país estão restritas à conjuntura econômica deste, submissas a 
sua legislação, estrutura societária e tradições culturais. Nesse contexto, os autores 
afirmam, ainda, que isso levou as empresas a terem que elaborar dois conjuntos de 
demonstrativos financeiros: um atenderia as normas adotadas pelo país da matriz e 
o outro obedecendo as exigências das autoridades reguladoras do país da subsidiária 
o que acaba por criar dois problemas para a gerência dessas multinacionais, os quais 
Flower (2002, p. 218) explica:
1. Consistência: Os dois relatórios podem gerar mensagens completamente diferentes 
(por exemplo, que à matriz indica uma perda e, que de acordo com a lei local, um lucro) 
que podem conduzir à confusão e à incerteza excedentes, ao medir o desempenho 
da subsidiária estrangeira. A gerência do grupo pode exigir que o desempenho esteja 
medido de acordo com seus princípios padrões. Entretanto, isto não impede que o 
feeling da gerência local seja tratado injustamente e, que seu desempenho seja medido 
de acordo com os princípios não aceitos localmente.
2. Custo: É caro manter um sistema de contabilidade que prepare duas demonstrações 
financeiras diferentes.
Diante desse cenário, surge a discussão da necessidade de se criar um padrão de 
contabilidade que pudesse ser adotado por todos os países, pelo menos era isso que 
o mercado internacional almejava naquele momento. O primeiro passo para que a 
linguagem contábil tenha um padrão universal foi dado pelos Estados Unidos, contudo, 
com a visão de que o mundo deveria adotar a linguagem contábil americana.
Porém, o próprio governo americano não tinha interesse em assumir o papel de 
reescrever a forma como deveriam ser elaboradas as peças contábeis.
Além disso, entendeu-se que as novas normas de contabilidade não poderiam ser 
reescritas apenas por contadores, já que a tendência seria sempre de favorecimento 
próprio. Era preciso neutralidade nessa tarefa e delegou-se a missão a especialistas e 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23
estudiosos da área, que seriam indicados pelo AICPA (American Institute of Certified 
Public Accountants) Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados.
Nesse sentido Martins, Martins e Martins (2007) descrevem que não mais apenas 
contadores seriam responsáveis por normatizar a contabilidade, mas sim um grupo 
mais amplo, no qual estivessem representados os que produzem os balanços (as 
companhias abertas), os auditores independentes, os usuários e a academia.
Diante dessa inquietação do mercado, é criado nos Estados Unidos, em 1973, o 
FASB - Financial Accounting Standards Board, órgão privado responsável por emitir 
pronunciamentos contábeis americanos, de acordo com o US GAAP (United States 
Generally Accepted Accounting Principles) ou Princípios Contábeis Geralmente Aceitos 
Norte-Americano. Conforme bem define Castro (2001), os pronunciamentos contábeis 
emitidos pelo FASB têm como missão estabelecer e aperfeiçoar os padrões contábeis, 
e servem de guia para o público e legisladores da matéria contábil, auditores e usuários 
da contabilidade.
7.1 A estrutura do FASB é assim conceituada:
O Financial Accounting Standards Board, FASB (Comitê de Normas de Contabilidade) 
é composto por sete membros indicados por uma junta de curadores (indicados pelo 
AICPA) para prestação de serviços em tempo integral. O FASB é um órgão independente, 
reconhecido pela SEC, com o objetivo de determinar e aperfeiçoar os procedimentos, 
conceitos e normas contábeis. Os recursos do FASB são providos por uma fundação 
contábil/financeira independente, a qual é responsável pela indicação dos seus sete 
membros (TAVARES, 2007 apud MACIEL; VIDAL; VIDAL, 2016, p. 3).
Os pronunciamentos emitidos pelo FASB são denominados SFAC e servem como 
uma estrutura conceitual básica a ser utilizada pelo conselho para o estabelecimento 
de padrões Contábeis, conforme afirmado por Schimdt (apud MACIEL; VIDAL; VIDAL, 
2016).
A partir de então, todas as empresas que desejassem negociar suas ações, na 
bolsa de valores americana, deveriam ter seus balanços publicados, conforme as 
normas e padrões do FASB. Não podemos nos esquecer de que o maior mercado 
de capitais do mundo é o americano, o que torna a adoção dos SFAC (Statement of 
Financia Accounting Concepts) quase obrigatória por outros países cujas ações são 
negociadas na bolsa de valores americana.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24
Pois bem, ocorre que os europeus, temendo que as práticas contábeis americanas 
se tornem obrigatórias por todos devido à grande influência do mercado, decidem, 
no mesmo ano, em 1973, criar um Comitê Internacional de Contabilidade, ao qual 
denominam de IASC - International Accounting Standards Committee, e que mais 
tarde, em 2001, torna-se a IASB – International Accounting Standards Board, a qual 
estudaremos um pouco mais a frente.
O IASC é um órgão independente, sem fins lucrativos e mantido por seus membros. 
Conforme afirmam Niyama e Schimdt (apud MACIEL; VIDAL; VIDAL, 2016), tem sua 
sede em Londres e foi criado por representantes de nove países, sendo eles: Austrália, 
Canadá, França, Alemanha, Japão, México, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos.
Podemos nos arriscar em dizer que é nesse momento que nascem os padrões 
internacionais de contabilidade que conhecemos hoje. Nesse sentido, Iudícibus(2014) 
afirma que, a partir de 1973, FASB e IASB irrompem no cenário contábil americano e 
mundial, justamente no momento em que a globalização avança de forma avassaladora, 
aumentando a importância dos órgãos reguladores contábeis. O argumento principal 
foi o de se atingir um dos ideais de que a contabilidade se transforme numa linguagem 
universal dos negócios.
O objetivo principal da IASC foi criar padrões de contabilidade que pudessem ser 
observados por todos os países do mundo, e que tivesse a aceitação pública com a 
intenção de derrubar as barreiras até aqui citadas. Além disso, a finalidade principal 
do IASC é a convergência das normas nacionais e internacionais de contabilidade 
com padrões rigorosos e de altíssima qualidade, em que todos tivessem a mesma 
linguagem contábil. Simplificando essa ideia, as demonstrações contábeis elaboradas 
em um determinado país seriam as mesmas que as produzidas em outro país com 
filosofia completamente diferente, ou seja, seria compreensível em qualquer lugar 
onde fosse publicada.
Caro (a) acadêmico (a), diante do exposto, você deve estar se perguntando: por que 
os países da filosofia Commom Law, como os Estados Unidos, Irlanda e Austrália, 
entram inicialmente como representantes da IASC se até agora deu-se a entender que 
havia uma rivalidade entre Europa, que segue a filosofia Code law? Pois bem, para que 
isso fique bem claro, temos que analisar os interesses políticos por trás dessa questão.
A ideia de criação do IASC era muito apropriada, porém seria preciso enfrentar 
interesses políticos, culturais e econômicos dos mais variados e também fazer com 
que países do mundo inteiro adotassem um único padrão de contabilidade sem ferir 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25
a soberania de cada país. Isso é um desafio enorme a se vencer. Logicamente que 
esse processo de convergência das normas contábeis para um único padrão tem sido 
longo e de muitos obstáculos.
Inicialmente, os membros do IASC, representantes dos países apoiadores, eram 
auditores, executivos, membros de academias e sócios de empresas de auditoria 
independente, que trabalhavam em tempo parcial. Cada país participante se fazia 
representar por três membros no grupo de discussão e elaboração das IAS. Em 
1975 foi publicado o primeiro pronunciamento emitido pelo IASC, chamado de IAS 
ou International Accounting Standards.
A seguir, conheceremos alguns dos principais órgãos internacionais envolvidos no 
processo de normatização e padronização da contabilidade pelos Estados Unidos e 
países europeus.
a) INTERNATIONAL ORGANIZATION OF SECURITIES COMMISSIONS – (IOSCO)
Segundo informações do portal da organização, a IOSCO é uma organização 
internacional de comissão de valores que reúne comissões de valores mobiliários de 
mais de100 países. Seu objetivo principal é proteger os investidores do mercado de 
capitais, além de promover a adesão a padrões internacionalmente reconhecidos para 
a regulamentação de valores mobiliários. Em 1996, foi criado o fórum da IOSCO, que 
se reúne com seus membros três vezes ao ano para discutir questões comuns aos 
bancários, títulos e setores de seguros, incluindo a regulamentação dos conglomerados 
financeiros e avaliação dos riscos do mercado.
b) SECURITIES EXCHANGE COMMISSION - COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS 
(SEC)
A SEC Securities Exchange Commission, semelhante a Comissão de Valores 
Mobiliários no Brasil, foi criada nos Estados Unidos, em 1934, após a quebra da bolsa 
de valores de Nova York, com o objetivo de regular o mercado de ações e evitar 
uma nova depressão. Segundo dados da CVM, a SEC, assim como a CVM, tem por 
objetivo principal fiscalizar as ações negociadas na bolsa de valores para proteger os 
investidores e diminuir os riscos do mercado.
c) EUROPEAN UNION – UNIÃO EUROPEIA (EU)
A criação da união europeia teve início com o fim da segunda guerra, com o objetivo 
de unir esforços para a reconstrução de uma Europa devastada e promover a integração 
dos países da Europa. Porém só foi totalmente realizada, segundo Castro (2001), com 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26
o Tratado de Masstricht em 1991, que estabeleceu os planos para sua implantação 
e conta com 15 países membros.
Ainda conforme Castro (2001), o Tratado de Masstricht estabeleceu planos e datas 
para sua implantação, conforme quadro abaixo:
d) INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS – Federação Internacional 
dos Contabilistas – IFAC
A IFAC foi fundada em 7 de outubro de 1977, em Munique, na Alemanha, com 
o objetivo de fortalecer a profissão contábil em todo o mundo, no interesse pelo 
desenvolvimento de normas internacionais de alta qualidade em auditoria e segurança, 
contabilidade pública, ética e educação para os profissionais contabilistas, e apoiar 
a sua adoção e utilização. Também é interesse do IFAC facilitar a colaboração entre 
seus membros e organizações internacionais, servindo, principalmente, de porta voz 
internacional para a profissão contábil.
A IFAC iniciou em 1977 com 63 membros, de 51 países, e, atualmente, são 175 
membros, de 130 países e jurisdições de todo o mundo. Ainda como comentado em 
CFC (2010), ela contribui para o funcionamento eficiente da economia internacional 
da seguinte forma:
• Melhorando a confiança e qualidade das demonstrações contábeis.
• Estimulando a produção de informações (financeiras e não financeiras) de alta 
qualidade sobre o desempenho das organizações.
• Promovendo a prestação de serviços de alta qualidade por todos os
• membros da profissão contábil ao redor do mundo.
• Promovendo a importância da adesão ao Código de Ética para Contadores 
Profissionais por todos os membros da profissão contábil, inclusive membros 
na indústria, comércio, setor público, setor sem fins lucrativos, setor acadêmico 
e prática pública.
e) MERCOSUL – MERCADO COMUM DO SUL
Em 26 de março de 1991, assinaram o Tratado de Assunção, Argentina, Brasil e 
Uruguai com o objetivo de integração dos Estados Partes por meio de livre circulação de 
bens e serviços e fatores produtivos, além da adoção de políticas comerciais comuns, 
da coordenação política macroeconômica e setoriais e da harmonização de legislação 
nas áreas pertinentes.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27
O Mercosul caracteriza-se, ademais, pelo regionalismo aberto, ou seja, tem por 
objetivo não só o aumento do comércio, mas também o estímulo ao intercâmbio 
com outros parceiros comerciais. A composição atual do bloco está assim definida:
• Todos os países da América do Sul participam do MERCOSUL, seja como Estado 
parte, seja como estado Associado.
• Estados Partes: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai (desde 26 de março de 
1991) e Venezuela (desde 12 de agosto de 2012).
• Estado Parte em Processo de Adesão: Bolívia (desde de dezembro de 2012).
• Estados Associados: Chile (desde 1996), Peru (desde 2003), Colômbia, Equador 
(desde 2004), Guiana e Suriname (ambos desde 2013).
Os princípios do MERCOSUL visam à formação de mercado comum entre seus 
Estados partes. De acordo com o art. 1º do Tratado de Assunção, a criação de um 
mercado comum implica:
• Livre circulação de bens e serviços e fatores de produção entre os países do 
bloco.
• Estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política 
comercial conjunta em relação a terceiros Estados ou agrupamentos de estados 
e a coordenação de posições em foros econômicos-comerciais regionais e 
internacionais.
• Coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre Estados Partes.
• Compromisso dos Estados Parte em harmonizar a legislação nas áreas
• pertinentes, a fim de fortalecer o processo de integração.
8. PADRONIZAÇÃO X HARMONIZAÇÃO CONTÁBIL
Você pode acompanhar até aqui que o mundo dos negócios, através da globalização, 
tornou-se bastantecomplexo, no sentido de fornecer transparência e confiabilidade 
nas negociações do mercado de capitais. Chegou-se num ponto em que é preciso 
que se encontre um denominador comum, em que todos falem a mesma linguagem. 
Não é mais possível que haja duplas interpretações nas demonstrações contábeis. 
É preciso, também, que as demonstrações contábeis sejam fidedignas, mostrando a 
realidade econômica e financeira da entidade.
Sobre esse mesmo conceito, temos Castro (2001, p. 2) afirmando que:
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28
Interpretações diferentes dos mesmos eventos e transações levam 
à falta de comparabilidade das demonstrações contábeis, o que 
pode fazer com que a informação contábil perca credibilidade no 
cenário mundial. Tem-se apontado como um dos caminhos para 
elevar a contabilidade como uma das ciências imprescindíveis 
para as unidades de negócios, a unificação dos padrões contábeis 
internacionais, [...].
Ainda, segundo Castro (2001), a pressão da sociedade, de forma ampla e precisa, 
faz com que estudiosos e profissionais se preocupem em encontrar, de forma prática 
e objetiva, os princípios que regem a Ciência Contábil, bem como definir normas e 
regras para sua aplicação.
Como já estudamos anteriormente, pudemos ver que existem vários órgãos e 
entidades de diversos países preocupados em encontrar uma forma de resolver essas 
diferenças nas demonstrações contábeis e conseguir uma forma de harmonizar esses 
debates. Porém esse é um caminho muito difícil, pois não é somente o sistema contábil 
que se discute nesse momento, mas, também, o sistema político, de poder e soberania 
dos países.
A padronização é o conceito de que todos devam usar o mesmo procedimento 
contábil, não sendo possível nenhum tipo de mudança. Portanto, a padronização, 
conforme entende Niyama (2005 apud MATOS et al., 2013, p. 70), trata-se de um 
“processo de uniformização de critérios, não admitindo flexibilização”. A padronização 
seria muito difícil de ser adotada por muitos países, pois sabemos que o mercado de 
capitais é fortemente influenciado pelos aspectos políticos, culturais e regionais de 
cada país.
Quanto à harmonização, Weffor (2005 apud MATOS et al., 2013, p. 70) classifica como 
“a busca da acomodação das diferenças locais, reconhecendo que a abordagem one 
size fits all pode não ser a mais adequada. A convergência flexível que a padronização, 
não deixa de ser complexa, já que objetivo dos órgãos envolvidos nesse procedimento 
é a adesão de grande número de países, para que as demonstrações contábeis sejam 
coerentes, independentemente de onde está instalada a matriz e as subsidiárias e, 
principalmente, por investidores do mundo todo. Sabe-se que é um caminho longo 
a ser percorrido e envolverá muitos estudos e dedicação de todos os interessados.
Nesse sentido, Martins, Martins e Martins (2007) afirmam que, antes de mais nada, 
é preciso que haja uma harmonização entre nós, já que temos tantos organismos 
emitindo normas sobre o mesmo assunto e, muitas vezes, não harmonicamente. A 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29
harmonização só é viável se sentarem todos à mesma mesa. Os autores defendem, 
ainda, a ideia de que as normas contábeis são muito importantes para ficarem nas 
mãos de apenas um grupo dos que têm interesse nas informações. É preciso reunir 
quem vai preparar as informações, quem as audita, quem as analisa e as utiliza para 
fins comerciais e, também, quem estuda e pesquisa sobre elas e, ainda, o próprio 
governo.
Segundo afirma Castro (2001), a rapidez do avanço da globalização do comércio 
e dos mercados de capital tem evidenciado a necessidade de harmonização das 
normas contábeis. As distâncias foram reduzidas a tal ponto que poucos minutos são 
suficientes para gerar efeitos relevantes em mercados que ficam em dois extremos 
no mundo.
Como já foi visto até aqui, temos vários órgãos com interesse na harmonização 
contábil e o principal deles, com a missão de promover a harmonização, é o IASC 
(International Accounting Stantards Committee), criado para atender a toda demanda 
da globalização, que se iniciou após a segunda guerra mundial, de acordo com Martins 
e Brasil (2008).
Martins e Brasil (2008) ainda afirmam que apesar de o IASC nascer com a adesão 
de nove países e ter o apoio de organismos importantes, como a IOSCO (International 
Organization for Governmental Securities Commissions), encontrou dificuldades porque 
os Estados Unidos não se dispuseram a adotar as suas normas, devido à divergência 
nas práticas do IASC e os US GAAP (Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos 
norte-americanos), que são regulados pelo FASB.
Esta é uma ideia comprovada por Niyama (2006 apud MARTINS; BRASIL, 2008), 
que coloca a contabilidade nos Estados Unidos entre a dos países do bloco Anglo-
Saxônico, no qual a classe contábil é forte e sofre pouca influência do governo. Esta 
última ideia é compartilhada também por Henddriksen e Breda (1999 apud MARTINS; 
BRASIL, 2008), que definem claramente o enfoque da escola americana nos usuários 
externos (acionistas, credores, fornecedores e outros) e não no governo.
Portanto, podemos completar essas ideias afirmando que os norte-americanos não 
tinham interesse nas normas do IASC, pois teriam que submeter-se a outros padrões 
e, com isso, estariam enfraquecendo sua soberania perante o mercado internacional. 
O grande objetivo do FASB Financial Accounting Standards Board, órgão privado 
responsável por emitir pronunciamentos contábeis americanos, seria que suas normas 
fossem adotadas por outros países e não o inverso. Com isso, quem adotasse as IAS 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30
(International Accounting Standards), normas emitidas pelo IASC, ao fazer negociações 
no mercado financeiro americano, seria obrigado a converter suas demonstrações 
para o padrão FASB e US GAAP.
O IASC já sai na frente ao conquistar simpatizantes de diversos países, agregando 
os ingleses entre seus membros, o que é um grande avanço, inclusive, colocando sua 
sede em Londres, na Inglaterra. Segundo afirmam Martins, Martins e Martins (2007), 
essa conquista é politicamente muito boa, já que os ingleses sempre foram muito 
ligados aos norte-americanos, pois os teriam como aliados, e não como eventuais 
“inimigos”.
Martins, Martins e Martins (2007) afirmam, ainda, que outra habilidade do IASC foi 
começar a produzir normas para uso internacional dentro da linha anglo- saxônica 
da essência sobre a forma, com a intenção de atrair simpatizantes e não assustar a 
todos, aceitando diversas alternativas e atendendo a diversas situações contábeis. 
Com essa linha de trabalho, o IASC vai se fortalecendo até que, em 2001, o órgão 
sofre grandes reformulações e passa a se chamar IASB (International Accounting 
Standards Board), cujas características principais estudaremos a seguir.
a) IASB - INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARDS BOARD
O IASB (International Accounting Standards Board) é o sucessor do IASC, que chega, 
em 2001, com sua forma estrutural e políticas mais amplas e reestruturadas para 
atender ao seu crescimento, já que a aceitação do mercado financeiro mundial pelas 
IAS está cada vez mais crescente.
Podemos dizer que o IASB é uma versão mais moderna e democrática do IASC, e 
que, segundo afirmam Moraes e Mengden (2015), foi desenvolvido um conjunto de 
normas para as demonstrações financeiras verdadeiramente aceitas, que permite uma 
auditoria reconhecida em todos os países, consolidando as demonstrações conforme 
as normas emitidas pelo IASB.
A esse conjunto de normas emitido pelo IASB, que antes era chamado de IAS 
(International Accounting Standards), passa, agora, a denominar- se IFRS (International 
Financial Reporting Standards), ou seja, Normas e Padrões Internacionais de 
Contabilidade,cujas características estudaremos detalhadamente mais adiante.
De acordo com Moraes e Mengden (2015, p. 2, grifo nosso): “Considerando o cenário 
atual, um total de 143 economias globais adotaram os padrões internacionais sendo 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31
que os países, que ainda não os adotaram, já estabeleceram a convergência IFRS 
para um futuro próximo”.
Estrutura do IASB (International Accounting Standards Board)
Como já descrevemos anteriormente, o IASB tem sua sede em Londres, na Inglaterra, 
e conta, atualmente, com o apoio e adesão de 143 países. As mudanças ocorridas em 
2001 não se referem apenas ao nome, mas houve diversas mudanças, a fim de se 
criar um órgão mais confiável e adaptado às novas exigências do mercado do agora, 
século 21, no qual a globalização já é uma realidade presente, em sentido amplo da 
palavra.
Conforme explicam Matos et al. (2013), o objetivo principal do novo órgão é 
desenvolver um conjunto de normas de alta qualidade, que sejam compreensíveis e, 
sobretudo, executáveis globalmente, e aceitas como base em princípios articulados 
de forma clara. Com isso, a estrutura do conselho e do processo normativo também 
foram alteradas, contando, atualmente, com representantes de todas as regiões do 
planeta.
A principal qualificação para ser membro do IASB é competência profissional e 
experiência prática. O grupo é chamado a representar a melhor combinação disponível 
de conhecimentos técnicos e diversidade de negócios internacionais e experiência de 
mercado. Critérios mais específicos para a seleção dos membros do conselho:
• Demonstrar competência técnica e conhecimentos de contabilidade e relatórios 
financeiros;
• Capacidade de analisar;
• Habilidades de comunicação;
• Criterioso processo de decisão;
• Consciência do ambiente de relatório financeiro;
• Capacidade de trabalhar em um ambiente colegial;
• Integridade, objetividade e disciplina;
• Compromisso com a missão da Fundação IFRS e de interesse público.
Além disso, segundo Matos et al. (2013), outra grande modificação se refere ao 
processo normativo, que é dividido em seis estágios, sendo eles:
• Definição de uma agenda;
• Planejamento do projeto;
• Desenvolvimento e publicação;
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32
• Desenvolvimento e publicação do exposure draft;
• Desenvolvimento e publicação do IFRS;
• Procedimentos após uma IFRS ser publicada.
Como vimos, a harmonização contábil é vista como uma forma de diminuir as 
diferenças nas práticas contábeis, a fim de que as demonstrações financeiras possam 
ser comparadas entre si nos mais diversos países. Em relação à harmonização contábil, 
temos ainda algumas divergências de opiniões. Alguns estudiosos encontram vantagens 
e outros, por sua vez, apontam algumas desvantagens.
9. IFRS - NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE
Quando falamos de normas internacionais de contabilidade, estamos falando de 
um projeto ousado e muito complexo, pois envolve mexer na estrutura conceitual 
básica de contabilidade de todos os países. Todos os países que adotarem esse novo 
padrão de contabilidade precisarão rever e adaptar a contabilidade de acordo com os 
IFRS. Pelo que podemos ver, apesar de ser um projeto arriscado, vem dando certo, 
pois cada vez mais países adotam esse padrão e estão em processo e convergência 
de suas normas ao padrão IFRS.
Para entender melhor as IFRS, você deve pensar nelas como o produto de muito 
estudo de grandes especialistas. São as normas emitidas pelo IASB e cujo principal 
objetivo é a transparência nas informações contábeis com foco na harmonização 
contábil.
As normas internacionais de contabilidade estão dispostas em estruturas que 
compreendem cinco tipos de pronunciamentos técnicos, que são: Frameworks, IAS, 
IFRS, SIC e IFRIC. Vamos ver cada uma desses pronunciamentos abaixo:
a) Framework: São as estruturas conceituais básicas, portanto, não são 
pronunciamentos contábeis, e sim uma orientação a ser seguida para a elaboração 
das demonstrações contábeis. É importante que saibamos: caso haja algum conflito 
entre as IFRS e as estruturas, sempre as IFRS é que deverão prevalecer. Conforme 
FIPECAFI (2010, p. 37), os pressupostos básicos das estruturas são os Princípio da 
Competência e Continuidade;
• Características Qualitativas: As estruturas possuem também características 
qualitativas, que são fundamentais e não podem ser ignoradas na apresentação 
das demonstrações contábeis. São elas: Relevância e Representação Fidedigna. 
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33
“As características qualitativas são atributos que tornam as demonstrações 
contábeis úteis para os usuários” (FIPECAFI, 2010, p. 37).
– Relevância: São relevantes as informações capazes de influenciar a
tomada de decisão do usuário.
Para serem úteis, as informações devem ser relevantes às necessidades dos 
usuários na tomada de decisões. São relevantes quando podem influenciar as decisões 
econômicas, ajudando-os a avaliar os impactos de eventos passados, presentes ou 
futuros ou confirmando ou corrigindo as suas avaliações anteriores (FIPECAFI, 2010, 
p. 37).
– Representação Fidedigna: As demonstrações contábeis devem representar 
fidedignamente a estrutura patrimonial, de forma confiável e adequada, conforme a 
realidade da entidade. Para que isso seja possível, deve-se considerar a essência das 
transações, e não apenas sua forma jurídica, ou seja, a essência prevalece sobre a 
forma.
ISTO ESTÁ NA REDE
Link: https://www.youtube.com/watch?v=99vs307imBM 
Para ser confiável a informação deve representar adequadamente as transações e 
outros eventos que ela diz representar. Assim, por exemplo, o balanço patrimonial 
numa determinada data deve representar adequadamente as transações e outros 
eventos que resultam em ativos, passivos e patrimônio líquido da entidade e que 
atendam aos critérios de reconhecimento (FIPECAFI, 2010, p. 37).
Além dessas duas características fundamentais, é importante saber que para uma 
informação ser útil, ela deve ter materialidade. A materialidade não é uma caraterística 
fundamental, porém ela é intrínseca. A relevância da informação é material se sua 
omissão ou divulgação distorcida puder influenciar na decisão do usuário.
A materialidade depende do tamanho do item ou do erro, julgado nas circunstâncias 
específicas de sua omissão ou distorção. Assim, materialidade proporciona um 
patamar ou ponto de corte ao invés de ser uma característica qualitativa primária 
que a informação necessita ter para ser útil (FIPECAFI, 2010, p. 37).
https://www.youtube.com/watch?v=99vs307imBM
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34
ANOTE ISSO
Pois bem, vamos exemplificar todo esse conceito de representação fidedigna. 
Representação fidedigna é reconhecer as operações exatamente da maneira
como elas acontecem, e não como a Lei exige que elas sejam reconhecidas.
Como exemplo, podemos citar a depreciação. Ora, vamos pensar na depreciação 
como é feita no Brasil. A Receita Federal fornece as taxas que devem ser utilizadas 
e o tempo de vida útil dos bens classificados no imobilizado. Todas as empresas 
utilizam-se de uma mesma taxa de depreciação, não se levando em consideração 
as características de utilização desses imobilizados, que, com certeza, não são as 
mesmas para todas as empresas. Veja que essas taxas de depreciação dificilmente 
vão coincidir com a realidade dos desgastes de bens de todas as empresas.
ESTRUTURA E ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
PROF. ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35
CAPÍTULO 02
O QUE SÃO COMITÊS DE 
PRONUNCIAMENTOS 
CONTÁBEIS – CPC
Olá, estudantes, com a intenção de disseminar todas as informações produzidas 
em suas atividades, a organização